Palestras e eventos do Vez da Voz promovem inclusão social FOTO: ROBERTO PELLIM

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1 FOTO: ROBERTO PELLIM Palestras e eventos do Vez da Voz promovem inclusão social

2 Lançamentos Acidentes do Trabalho e Doenças Ocupacionais De autoria dos drs. Antonio Lopes Monteiro e Roberto Fleury de Souza Bertagni, em terceira edição, a obra é dividida em quatro partes e aborda o conceito e as questões polêmicas acerca dos acidentes de trabalho e das doenças ocupacionais. A primeira parte trata do exame dos fundamentos do Seguro de Acidentes do Trabalho (SAT), a análise da legislação em vigor e das prestações infortunísticas; a segunda trata das doenças ocupacionais, como perda auditiva e LER; a terceira aborda aspectos processuais da ação acidentária, procurando mostrar a solução mais adequada para cada caso, e a quarta e última parte apresenta um completo repertório jurisprudencial. Exercite sua Mente. Um guia prático de Aprimoramento da Memória, Linguagem e Raciocínio Obra conjunta da fonoaudióloga Elisandra Villela Gasparetto Sé e da psicóloga Valéria Lasca foi lançado pela Ediouro em 28 de junho deste ano durante o Congresso Mundial de Geriatria e Gerontologia realizado no Rio de Janeiro (RJ). Com uma proposta diferenciada, está voltado especialmente para a população adulta (e especialmente a idosa) que se preocupa em manter e melhorar o desempenho de habilidades de memória, linguagem e raciocínio ao longo da vida. A linguagem é coloquial, mas com base científica em estudos das áreas de neurociências e gerontologia. O livro possui um material prático, com exercícios e estratégias para manter a mente sempre ativa.e é também indicado para profissionais em suas intervenções, para docentes e alunos do ensino médio, superior e a escolas preparatórias para concursos. Informações: tel: (19) / ou pelo Tratamento da Deglutição - A Atuação do Fonoaudiólogo em Diferentes Países Para tratar do tema deglutição, dezenove experientes fonoaudiólogos da Argentina, Brasil, Chile, Estados Unidos, Peru, Portugal e Venezuela escreveram este livro. Todas as contribuições são de enorme importância, uma vez que representam diferentes formas de pensar a avaliação e o tratamento da deglutição. O lançamento é da Pulso Editorial Ltda. e seu lançamento ocorreu durante o I Encontro Internacional sobre Deglutição realizado no CEFAC em 12 e 13 de agosto passado. Para a fga. Irene Marchezan, organizadora do livro e autora do capítulo referente ao Brasil, a deglutição foi uma das primeiras funções orais enfocadas pelos fonoaudiólogos, através de encaminhamentos realizado por odontólogos. A deglutição é também a função mais trabalhada pelos fonoaudiólogos especialistas em Motricidade Orofacial, seja na clínica ou em hospitais, tanto com recém-natos, crianças, adolescentes, adultos ou idosos. Informações: tel./fax (12) ou Caminhos para a Saúde Auditiva Ambiental e Ocupacional Organizado pelas fonoaudiólogas Thais C. Morata e Fernanda Zucki, este lançamento da Plexus Editora traz 13 dissertações de mestrado, resumidas e adaptadas, com a preocupação das autoras todas pesquisadoras da área de distúrbios da comunicação em relatar casos em diferentes locais de exposição ao ruído (discotecas, academias de ginástica, locais com máquinas agrícolas etc) e tecer um panorama geral dos cuidados que devem ser seguidos quando se trata da prevenção das perdas auditivas induzidas por ruídos ou fatores ambientais. A obra promove a saúde auditiva, interligando conceitos e práticas de saúde ambiental e ocupacional com a fonoaudiologia e mostra como os fonoaudiólogos participaram da criação de uma prática prevencionista. Este histórico de participação revela que a inserção do profissional fonoaudiólogo na saúde pública foi acelerada pelo crescimento do seu envolvimento no âmbito da saúde do trabalhador. Informações pelo tel. (11) ou no site 2 - REVISTA DA FONOAUDIOLOGIA - 2ª REGIÃO EDIÇÃO 63 - SETEMBRO/OUTUBRO 2005

3 Conselho Regional de Fonoaudiologia do Estado de São Paulo - 2ª. Região 7º Colegiado Presidente Sílvia Tavares de Oliveira Vice-Presldente Anamy CecÍlia César Vizeu Diretora-Secretária Sandra Maria Vieira Tristão de Almeida Diretora-Tesoureira Ana Léia Safro Berenstein Conselheiros Ana Léia Safro Berenstein Anamy Cecília César Vizeu Andrea Wander Bonamigo Claudia Aparecida Ragusa Cristina Lemos Barbosa Furia Diva Esteves Dulcirene Souza Reggi Fernando Caggiano Júnior Lica Arakawa Sugueno Luciana Pereira dos Santos Márcia Regina da Silva Maria Cecília Greco Mônica Petit Madrid Roberta Alvarenga Reis Sandra Maria Rodrigues Pereira de Oliveira Sandra Maria Vieira Tristão de Almeida Silvia Regina Pierotti Silvia Tavares de Oliveira Thelma Regina da Silva Costa Yara Aparecida Bohlsen Rua Dona Germaine Burchard, 331 CEP São Paulo Fone/Fax: (011) Site: Delegacia Regional da Baixada Santista Rua Mato Grosso, 380 cj. 01 CEP Santos Fone: (13) Fax (13) Delegada: Isabel Gonçalves Delegacia Regional de Marília Rua Bahia, o. andar, sala 43 CEP Marília Fone/fax: (14) Delegada: Fabiana Martins Delegacia Regional de Ribeirão Preto Rua Bernardino de Campos, cj CEP Ribeirão Preto Fone: (16) / Fax: (16) Delegada: Ana Camilla Bianchi Pizarro Departamentos: Geral: Cadastro/perfil: Departamento Pessoal: Contabilidade: Eventos: Fiscalização: Jurídico: Registros/Tesouraria: Secretaria: Supervisão: Comissões: Divulgação: Educação: Ética: Legislação e Normas: Licitação: Ouvidoria: Saúde: Convênios Médicos: Tomada de Contas: REVISTA DA N 63 SETEMBRO/OUTUBRO 2005 ISSN Tiragem: exemplares Comissão de Divulgação Márcia Regina da Silva - Presidente Diva Esteves Roberta Alvarenga Reis Cristina Lemos Barbosa Furia Luciana Pereira dos Santos Sandra Maria Rodrigues P. de Oliveira Editor e jornalista responsável: Elisiario Emanuel do Couto MTb Produção Editorial e Gráfica: Insert Consultores em Comunicação Ltda. Tel. (11) / Redação: Rua Dona Germaine Burchard, 331 CEP São Paulo, SP Fone/Fax: (011) Impressão: Prol Editora Gráfica Para anunciar ligue: (11) As opiniões emitidas em matérias assinadas, bem como na publicidade veiculada nesta publicação são de inteira responsabilidade de seus autores. Os textos desta edição poderão ser reproduzidos, desde que mencionada a fonte. EDITORIAL A Fonoaudiologia está, no momento, se preparando para a realização do Congresso Brasileiro, que acontecerá na cidade de Santos, no período de 27 a 30 de Setembro. Vale a pena destacar que ele acontece na nossa região, e que é muito importante que muitos fonoaudiólogos participem deste evento. Temos percebido que muitos fonoaudiólogos que atuam em suas clínicas não participam dos Congressos que acontecem todos os anos e que são realizados pela Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia com apoio dos Conselhos Federal e Regionais. É importante ressaltar que nos Congressos o fonoaudiólogo entra em contato com os novos acontecimentos e conhecimentos na área, o que pode interferir positivamente no seu trabalho, fazendo com o que o profissional esteja sempre atualizado e renovando seus conhecimentos, sempre em benefício de seus pacientes. Contamos com a participação de grande número de fonoaudiólogos neste Congresso, e esperamos a sua visita no nosso stand, para que possamos nos conhecer melhor. Neste número da revista contamos com matérias bastante interessantes. A ONG Vez da Voz relata o trabalho que vem realizando, e além de todas as importantes ações sociais que executa ainda divulga a Fonoaudiologia. É de ações como esta que precisamos para estar na mídia e conseguir expor o importante trabalho que fazemos para aqueles que ainda não conhecem a Fonoaudiologia e as ações que desenvolvemos. Acompanhe também a série de reportagens que se inicia nesta edição, e que continua nas próximas, onde é apresentado o trabalho de fonoaudiólogos em outros países. Nesta edição é relatado o trabalho desenvolvido na Venezuela, Portugal e Argentina. Na próxima edição será relatado o trabalho realizado no Peru, Chile e Estados Unidos. Não perca estas reportagens que são muito interessantes e que nos levam a conhecer outras formas de trabalho, em países com formação acadêmica diferente daquela realizada no Brasil. Outro assunto bastante importante para ser discutido pelos profissionais é a perícia judicial e extra-judicial. Com a apresentação do Projeto de Lei do Ato Médico, uma das questões debatidas pela medicina é a realização de perícia pelos fonoaudiólogos. Veja nesta reportagem como atua o fonoaudiólogo nesta área, e entenda porque temos enfrentado os médicos de frente para garantir nossa atuação nesta área. E, lembrando do Projeto de Lei do Ato Médico, a luta continua. Os Conselhos profissionais, incluindo os de Fonoaudiologia têm participado de vários eventos sobre o tema, e levado a posição da Fonoaudiologia contra o PL 25. Não se esqueça que 15 de Setembro comemoramos um ano de combate a aprovação do Projeto de Lei, e que pretendemos entregar, neste dia, um milhão de assinaturas de pessoas que se posicionam contra o projeto. Não deixe de se engajar também nesta luta, que é de todos nós, a favor da comunidade atendida por nós e pelos outros profissionais da área da saúde. Silvia Tavares de Oliveira Presidente do CRFa 2 a Região EDIÇÃO 63 - SETEMBRO/OUTUBRO 2005 REVISTA DA FONOAUDIOLOGIA - 2ª REGIÃO - 3 FOTO: RUBENS GAZETA

4 FOTOS: ELISIARIO COUTO/INSERT Palestras e eventos do Vez da Voz promovem inclusão social A ONG Vez da Voz é o resultado de um trabalho iniciado em maio de 2004, com o lançamento do kit A Vez da Voz (composto por um CD e dois livros infantis em braile e datilologia o alfabeto usado pelos surdos), idealizado pela fonoaudióloga Cláudia Cotes. Originalmente formado por profissionais voluntários de várias áreas - Fonoaudiologia, Pedagogia, Psicologia, Artes Plásticas, Economia, Música, Informática e Jornalismo - o programa cresceu a ponto de exigir uma estrutura mais profissional. O objetivo, com a transformação em ONG, foi o de acelerar a interação entre deficientes e não-deficientes. Para isso, o grupo faz palestras sobre inclusão para adultos e crianças, promove eventos em escolas, shopping centers e instituições e produz materiais educativos (livros, DVDs, CDs, áudio-livros...) que possibilitam a interação, além de produtos de divulgação do trabalho da ONG, como camisetas. A parte mais importante é a quebra do preconceito, mostrando 4 - REVISTA DA FONOAUDIOLOGIA - 2ª REGIÃO EDIÇÃO 63 - SETEMBRO/OUTUBRO 2005

5 especialmente para a criança que existem diferenças para aprender a respeitar e valorizar ressalta Cláudia Cotes. No final do ano passado começamos a preparar outros materiais: além do kit original, já produzimos um CD multimídia que mostra o vídeo Som do Silêncio e, agora, resolvemos fazer um DVD de Natal, mostrando o que está acontecendo, conta a fga. Cláudia Cotes. Em 3 de dezembro Dia Internacional do Deficiente - estará sendo lançado pela Editora Paulinas, o livro infantil Criança Genial, que fala sobre todas as deficiências, mas de forma humorada e poética. Dorina Nowill, presidente da Fundação que leva seu nome e uma das ativas colaboradoras da ONG, escreveu um texto introdutório para esse livro. Multiprofissionalidade. Vez da Voz é um projeto que trata da comunicação e que envolve diferentes profissionais, relata a fonoaudióloga. É como se a Fonoaudiologia desse a mão para as outras profissões, para que as pessoas deficientes tenham vez. O objetivo é fazer com que esse projeto se espalhe como uma corrente de bem. Nossa intenção é fazer com que a ONG continue visitando escolas, falando sobre inclusão de crianças deficientes e levando aos shoppings a proposta do estande da comunicação, para ensinar para crianças sem deficiência o que é braile, língua de sinais, cuidados coma voz... Um terceiro enfoque é continuar produzindo materiais didáticos para essas crianças. Queremos que o material produzido seja doado e para isso estamos sempre buscando parcerias para sua produção ou distribuição, para que, cada vez mais, as crianças cegas e surdas leiam e haja respeito ao mundo imaginário. Cláudia Cotes não se conforma com os pouquíssimos títulos disponíveis no Brasil para esse público tão importante. Mesmo que você tenha dinheiro, não vai conseguir QUINTA REPORTAGEM DE UMA SÉRIE comprar um livro em braile. Eles simplesmente não existem nas livrarias, nem mesmo por encomenda. O programa de televisão Jornal Visual, gerado e transmitido pela TVE do Rio de Janeiro, é o único existente no Brasil. São cinco minutos diários e mais nada! Há 16 anos eles tentam falar sobre deficiência e inclusão. E é muito triste constatar que, dos 5,7 milhões de deficientes auditivos no Brasil, 87% deles estão fora das escolas. A transformação em uma Organização Não Governamental era um sonho acalentado há algum tempo. Várias pessoas já tinham nos falado que precisaríamos ser uma ONG, mas todos estávamos envolvidos com outras atividades... Finalmente, conseguimos algumas orientações e o projeto se consolidou, mas ninguém esperava que crescesse tanto assim. Logo em seguida veio a confirmação da Unesco da concessão de seu selo de apoio para o Vez da Voz. Reconhecimento da Unesco. A Unesco vem identificando nos últimos 50 anos ações sociais inovadoras, que melhorem as condições sociais do planeta. Cláudia Cotes credita o apoio institucional recebido deste órgão das Nações Unidas voltado especificamente para Educação, Ciência e Cultura ao trabalho diferenciado da ONG Vez da Voz, que propõe a inclusão e interação entre crianças deficientes e nãodeficientes através de atividades lúdicas, jogos e livros em braile e libras. O selo foi um presente de credibilidade, que vai ajudar a ONG a crescer e com isso mais pessoas poderão ser beneficiadas, destaca a fonoaudióloga. EDIÇÃO 63 - SETEMBRO/OUTUBRO 2005 REVISTA DA FONOAUDIOLOGIA - 2ª REGIÃO - 5

6 O início do projeto por fonoau- esforço. Como o cego não consegue FOTO: PALOMA COTES diólogos tem uma explicação lógica: este é o profissional que mais se envolve com a comunicação e mais atende os deficientes diretamente. Cláudia também faz um alerta e um ter o contato visual com o mundo, sua postura é normalmente curvada e a voz não consegue ser colocada de forma correta, para conseguir credibilidade, o que causa enormes chamamento. Espero que a ONG problemas, inclusive na inclusão no Vez da Voz abra as cabeças e os mercado de trabalho. corações dos fonoaudiólogos para Hoje, a ONG conta com mais de que não restrinja seu atendimento 30 voluntários e pretende dissemi- ao deficiente auditivo, mas voltem nar a inclusividade pelo país, com sua atenção também para o deficien- atividades voltadas para crianças, te visual. Em uma instituição de produção de materiais didáticos e Festa em Itu Campinas, uma das reclamações que ouvi é que a Fonoaudiologia ainda palestras em escolas e universidades. Os convites não param de surgir. O evento do Plaza Shopping Itu, em 20 de agosto, teve a participação das entidades Apadai (Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Auditivos de Itu), Cemade (Centro Especializado Municipal de Atendimento do Deficiente Auditivo), Amae (Associação Amigos dos Autistas de Itu) e Apae, da Escola de Cegos Santa Luzia, do Sersai - Serviço de Fonoaudiologia da Prefeitura de Itu), da Faculdade Nossa Senhora do Patrocínio Seunsp e Senai. Através de oficinas, essas entidades mostraram seus trabalhos e ensinaram às crianças e adultos diferentes formas de comunicação. Com uma máquina braile, deficientes visuais e monitores da Escola de Cegos Santa Luzia datilografavam cartas e o nome de quem passava pelo estande. Eduardo Bertini, cego e membro da Vez da Voz, também ensinou o funcionamento do alfabeto braile. Já nas mesas do Cemada e da Apadai era possível aprender libras (língua brasileira de sinais). Com o pessoal da Apae, as crianças brincaram com massinhas e fizeram pinturas pelo corpo. Mais de cem voluntários se envolveram nessas ações e as principais lojas do shopping center deram apoio ao evento. Além das atividades lúdicas e de espaço para apresentações artísticas, o evento (que contou com a presença do prefeito de Itu, Herculano Castilho Passos Júnior - PV-SP) foi responsável pela disseminação de informações através de material impresso e contatos pessoais. FOTOS: ROBERTO PELLIM (AO LADO E CENTRAL) E ELISIARIO COUTO (DIREITA) não despertou para esta área e, ao visitar a Fundação Dorina Nowill, em São Paulo pude notar como eles precisam enormemente de voluntários da voz. Pelo que sei, o DERDIC já desenvolveu um projeto na Fundação nesse sentido, com estagiários do curso de Fonoaudiologia da PUC-SP, mas é extremamente necessário que o fonoaudiólogo particularmente aquele voltado para voz trabalhe cada vez mais com a expressividade e se una a este No ano de 2004 fomos convidados para o Encontro Internacional de Surdos, no Rio de Janeiro; para o Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia, em Foz do Iguaçu; por uma escola municipal de Campinas e para eventos em centros de comércio em Campinas e Santa Bárbara do Oeste... Calendário repleto em Neste ano de 2005, a ONG Vez da Voz fechou uma parceria com a rede 6 - REVISTA DA FONOAUDIOLOGIA - 2ª REGIÃO EDIÇÃO 63 - SETEMBRO/OUTUBRO 2005

7 de shoppings do grupo português Sonae. Foi justamente em um centro de compras desse grupo o Shopping Center D.Pedro, em Campinas (SP), onde tudo começou. Outra unidade do grupo, o Shopping Center Tivoli, em Santa Bárbara d Oeste (SP), também já havia hospedado as atividades da ONG em Com essa parceria para 2005, foi iniciado o desenvolvimento de atividades voltadas à inclusão de deficientes em todos os shoppings da rede. A primeira delas ocorreu no Shopping Center Penha, na zona leste de São Deficiente. Ações em desenvolvimento neste ano não estarão restritas a esta parceria com o grupo português Sonae. Em 20 de agosto, durante todo o dia, o projeto Vez da Voz esteve no Plaza Shopping, em Itu (SP) e no dia 10 de setembro está previsto evento semelhante no Shopping Pátio Brasil, em Brasília (DF). Logo em seguida, no dia 17 de setembro a ONG estará presente no Shopping Butantã (em São Paulo, SP) para a 3ª Feira de Saúde do Butantã, promovido pelo Rotary Clube e pela FOTO: ROBERTO PELLIM Domingo de Lazer na avenida Sumaré Paulo (SP), em 14 de maio (a REVISTA DA FONOAUDIOLOGIA deu notícia deste evento na edição 61). A segunda unidade da rede que hospedará as atividades da ONG em 2005 será o Franca Shopping Center, em Franca (SP), previsto para o dia 5 de novembro e, logo em seguida, em 3 dezembro, as ações de inclusão social do Vez da Voz serão desenvolvidas no Shopping Center Boa Vista, na zona sul de São Paulo (SP). Essa data comemora o Dia Internacional do SEPED (Secretaria da Pessoa com Deficiência do município de São Paulo). Em 30 de setembro Dia do Surdo a ONG desenvolverá suas ações em shopping center de Jacareí, no Vale do Paraíba paulista. Foi justamente a convite do SEPED que a ONG participou do programa Domingo de Lazer, realizado no dia 26 de junho na av. Sumaré (a via pública é fechado ao trânsito todos os domingos para essas atividades). Em parceria com a Secretaria Especial da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida - SEPED da Prefeitura Municipal de São Paulo e a São Paulo Turismo, a ONG Vez da Voz participou da programação Domingo de Lazer, realizada no dia 26 de junho na av. Sumaré, na zona oeste da capital paulista. A Tenda da Comunicação foi montada, com ensinamentos sobre cuidados com a voz, linguagens Braille e Libras, em atividade conjunta com a Fundação Dorina Nowill e a Feneis. Em complementação às atividades tradicionais voltadas ao lazer e esporte, o projeto levou para a avenida um grupo de especialistas em linguagem para surdosmudos e fonoaudiólogos da PUC, que realizaram um círculo de contadores de histórias. O projeto Domingo de Lazer ganhou nova formatação e se tornou permanente, com a participação dos moradores, sem atividades que exijam sonorização, shows ou necessidade de viabilizar transporte para as pessoas. A ação tem a finalidade de sensibilizar a população sobre a prática da inclusão social da pessoa com deficiência, promovendo atividades e eventos onde possam ocorrer trocas culturais entre diferentes comunidades e grupos. Outro objetivo é promover o reconhecimento do trabalho de instituições modelo no atendimento a pessoas com necessidades educacionais especiais. EDIÇÃO 63 - SETEMBRO/OUTUBRO 2005 REVISTA DA FONOAUDIOLOGIA - 2ª REGIÃO - 7

8 FOTOS: ROBERTO PELLIM No dia 31 de julho, a convite do Banco Real, a ONG ocupou o espaço institucional Alameda das Flores, na esquina da av. Paulista com a rua Rio Claro (em São Paulo, SP), repetido no dia 13 de agosto com uma Oficina da Comunicação. A expectativa da ONG é desenvolver atividade semelhante em Portugal, em parceria que está sendo definida com a bailarina Keyla Ferrari, integrante da equipe Vez da Voz e presidente da ONG Cedai (Centro de Dança Integrado), que ensina dança para deficientes. Os eventos realizados e programados estão disponíveis no site da ONG Vez da Voz, em Os novos amigos da turma da Mônica Alameda das Flores No dia 31 de julho, a ONG Vez da Voz levou o músico João Souza ao espaço institucional do Banco Real na av. Paulista, em S.Paulo (SP), a Alameda das Flores. João começou a perder a visão aos 13 anos, quando teve retinose pigmentar e hoje tem apenas 5% da visão. Neste evento do Vez da Voz, e nos outros que participou, João toca um repertório de músicas infantis e ensina às crianças como é o cotidiano de uma pessoa que não enxerga. No sábado, dia 13 de agosto, além de João Souza, as crianças puderam desenhar, com os ensinamentos do ilustrador Dimaz Restivo, e aprender libras e braile. O evento nesse dia teve também a apresentação dos garotos e garotas do projeto Arrasta Lata, do bairro do Campo Limpo (zona sul de São Paulo). O desenhista Mauricio de Sousa foi buscar na realidade das pessoas deficientes histórias que pudessem ilustrar as páginas dos quadrinhos. Para isso contou com a ajuda de entidades e projetos voltados para a área. Uma dessas entidades foi a Vez da Voz. Em setembro de 2004, a idealizadora dessa ONG, Cláudia Cotes, foi convidada pelo Instituto Mauricio de Sousa para participar de um comitê para discutir a inclusão das crianças deficientes nas histórias do cartunista. Primeiro os personagens seriam lançados no mercado e depois, o comitê ajudaria na confecção de materiais didáticos específicos para eles. Um garoto em cadeira de rodas, Luca, cujo apelido é Paralaminha ou Da Roda é um dos personagens lançado em É a inclusão social sendo exercitada também no mundo ficcional dos quadrinhos, diz o desenhista Mauricio de Sousa. Por ser bonitinho, o Da Roda vai ganhar, de vez em quando, alguns olhares meigos das meninas da turma, brinca o desenhista. Luca é o segundo personagem portador de deficiência que entrou para a turma em A primeira, Dorinha, é uma menina cega que vive acompanhada por seu cão-guia e que vai mostrar para Mônica, Magali, Cascão e Cebolinha que o fato de não enxergar não a impede de brincar com eles. O nome homenageia Dorina Nowil, educadora que perdeu a visão quando criança, mas que hoje comanda uma instituição que é referência no atendimento ao deficiente visual, a Fundação Dorina Nowil. O desenhista explica o papel da personagem. Por entender que se pode educar por meio das histórias em quadrinhos, decidi aumentar a turma. A Dorinha mostrará às crianças como ouvir o som do mundo, sentir seus perfumes e sugerir o hábito da inclusão, onde todos se tratam de igual para igual, independentemente de alguma deficiência física. O desenhista não se limitou aos quadrinhos. Criou o filme de animação CineGibi, o primeiro DVD do país com opção de tradução para Libras, a língua de sinais. 8 - REVISTA DA FONOAUDIOLOGIA - 2ª REGIÃO EDIÇÃO 63 - SETEMBRO/OUTUBRO 2005

9 Fonoaudiologia perde Mauro Spinelli Fga. Thelma Costa A perda do professor Mauro Spinelli, 70 anos, que faleceu na manhã do dia 11 de julho último, consternou profundamente os fonoaudiólogos, particularmente aqueles que com ele conviviam na PUC-SP e na clínica do DERDIC, onde atuava como médico foniatra. Ele foi uma pedra fundamental nesse campo do saber. Vai deixar saudade e um buraco na produção científica, declara a Fga. Ivone Carmem Dias Gomes. FOTO: RENATA CENTELHAS/ACERVO A CI Mauro Spinelli formou-se médico em 1954 na faculdade de Medicina da USP. Iniciou a especialidade de Foniatria no Hospital do Servidor Público Estadual, tendo sido o responsável pela formação de todos os Médicos foniatras do Estado de São Paulo. Em 1962 auxiliou na constituição do Curso de Fonoaudiologia da PUC de São Paulo, juntamente com o Dr. Quiroz, onde foi professor até ano de Desde aquela época foi responsável pelo crescimento da foniatria em nosso país. Foi diretor do Instituto Educacional São Paulo IESP de 1967 até Neste ano o IESP foi doado para PUC/SP, constituindo-se na DERDIC, tendo como seu primeiro diretor o Dr. Mauro Spinelli, iniciando aí, as inúmeras pesquisas no campo dos Distúrbios da Audição, Voz e Linguagem, juntamente com Lingüistas, Psicólogos e Fonoaudiólogos. Esteve presente também na época do surgimento da pós-graduação em Fonoaudiologia na PUC/SP. Segundo Dr. Alfredo Tabith Mauro era um irrequieto batalhador pela Fonoaudiologia; nunca estava satisfeito com nada, sempre queria mais. Mauro foi sempre um incansável defensor da Foniatria e da Fonoaudiologia. Segundo Fga. Dra. Claudia Cunha o Mauro viveu generosamente, agregando as pessoas do (e de) bem. Vera me disse que vai plantar uma árvore, para fincá-la em São Francisco. Tenho certeza de que os frutos serão doces e firmes. As raízes, profundas e vigorosas. E a copa, a mais acolhedora que já se viu. Um beijo, mestre. Meu e da fonoaudiologia brasileira. Mauro fundou também, juntamente com os médicos ORL e foniatras Dr. Alfredo Tabith e Dr. Evaldo, o Curso de Fonoaudiologia da PUC/Campinas. Trabalhou também no Centrinho de Bauru (ligado à Universidade São Paulo), tendo auxiliado na fundação da clínica que hoje atende ao Curso de Fonoaudiologia da USP.... Mauro, quero que Você possa ler o que não pude te dizer a tempo. A última vez que te vi foi na cantina quando jantava com tua filha...você foi meu professor, mas suas aulas nunca foram o meu forte. Bom mesmo eram nossas conversas. Você me mostrou as portas, as chaves e os passaportes virtuais... uma de suas características pessoais: manter-se longe dos refletores. Qualidades raras hoje em dia. Deixo aqui o tributo de uma aluna para quem Você, grande estrela, fez toda a diferença. Muito obrigado. Segundo Dr. Alfredo Mauro era um grande mestre. Uma perda que não se tem como expressar. Os trabalhos científicos, as pesquisas, os ensinamentos, que Mauro deixa como legado a todos nós, fonoaudiólogos, nunca serão esquecidos. O Mauro não gostava de elogios fáceis, nem de fazê-los, menos ainda de recebê-los. Façamos apenas uma constatação: ele inventou a Fonoaudiologia brasileira (não sozinho, decerto) e nela deixou sua marca. Em boa medida, o (a) fonoaudiólogo (a) que muitos de nós somos, foi invenção do Doutor. Se com ele estudamos a linguagem e seus transtornos, agora, na hora de exprimir as sensações e os sentimentos mais intensos, ela parece precária: as palavras soam insuficientes para falar de quem a gente ama, admira e só tem a agradecer. Meu amigo de e para sempre, mais um abraço forte e fraterno do Tuto. Mauro, onde você estiver, uma pequena homenagem a você, que tanto fez por nós. Mauro, para sempre em nossos corações. EDIÇÃO 63 - SETEMBRO/OUTUBRO 2005 REVISTA DA FONOAUDIOLOGIA - 2ª REGIÃO - 9

10 MEDIA TRAINING Programas de media training são direcionados para executivos há longo tempo, desde a década de 80, quando surgiram as primeiras empresas de comunicação com o intuito de preparar os porta-vozes para o contato com a mídia. Com o aumento de exposição dessas pessoas e com a mudança que ocorreu na imagem das empresas, provocada pela globalização, essas empresas passaram a se preocupar em ser bem representadas e a buscar as assessorias de comunicação com a intenção de preparar porta-vozes. de pouca segurança, essa imagem negativa vai chamar mais a atenção até do que ele está dizendo. A fonoaudióloga identifica que não apenas a voz ou a maneira de falar, mas também o corpo, a expressão facial, a postura, a comunicação não verbal também são muito importantes no processo de observação das pessoas e na forma como a informação chega para o ouvinte do rádio ou para o telespectador e também para o próprio jornalista responsável pela entrevista. O conceito de expressividade passou a ter grande importância e, to do fonoaudiólogo é reconhecida pelo olhar ao mesmo tempo específico, clínico, do fonoaudiólogo (voltado, por exemplo, às características físicoanatômicas dos executivos) e amplo (capaz de balancear os recursos de voz com o gestual, para cada situação ou contexto comunicacional exigido). Quando começou a atuar nessa área, Lenny Kyrillos já desenvolvia um trabalho com executivos, individualmente ou em grupos, para garantir um melhor padrão de comunicação, numa proposta ampla de trabalhar voz, fala, movimentação corporal, postura, Demanda crescente por fonoaud Para a fonoaudióloga Leny Rodrigues Kyrillos, de São Paulo (SP), o que mudou basicamente, nos últimos cinco ou seis anos, é que começou-se a perceber que as pessoas tinham um belo conteúdo, com condições de se sair bem em relação às armadilhas eventualmente preparadas pelos jornalistas, mas na sua forma de se comunicar às vezes transmitia uma idéia negativa, que acabava influenciando a imagem da empresa. Lenny Kyrilos dá um exemplo. Se o porta-voz da empresa demonstra estar inseguro em relação ao que está dizendo, passa uma imagem negativa, por mais interessante que seja o conteúdo que está utilizando. E, se passa a idéia de menor credibilidade, FOTOS: ELISIARIO COUTO/INSERT como conseqüência direta, cada vez mais o fonoaudiólogo passou a ser procurado como um profissional indispensável para instrumentalizar melhor a consciência desse atributo. Esta necessidade de envolvimen- Fga. Lenny Rodrigues Kyrillos gestos. O seu currículo também mostra atuação intensa com repórteres e apresentadores de telejornal. É professora dos cursos de jornalismo e de fonoaudiologia da PUC-SP e é autora, entre outros livros de Fonoaudiologia e Telejornalismo (editora Revinter), Voz e Corpo na TV, da Editora Globo e, mais recentemente organizadora do livro Expressividade: da Teoria à Prática, também da Revinter. Por indicação desses executivos e no contato com as empresas de comunicação, comecei a fazer parte dos grupos que ofereciam programas de media training. Quem estava sempre obrigatoriamente envolvido nesses programas era o jornalista, fosse ele da mídia impressa, da TV ou 10 - REVISTA DA FONOAUDIOLOGIA - 2ª REGIÃO EDIÇÃO 63 - SETEMBRO/OUTUBRO 2005

11 do rádio. Os demais profissionais eram variáveis: o relações públicas, o psicólogo, o consultor de moda e, nos últimos anos, também o fonoaudiólogo. Participei de um treinamento que envolveu atores, que fizeram uma performance simulando uma determinada situação.... É sempre um trabalho de equipe, onde a empresa de comunicação que é contatada para a prestação do serviço. Na época fui procurar na literatura referências sobre media training. Não encontrei nada. Sei que tenho colegas que atuam nesta área, G diólogos mas tenho a impressão que fui a primeira a sistematizar e publicar alguma coisa sobre isso. Embora já tenha participado de muitos programas de treinamento desse tipo e em vários Estados, imagino que é uma área ainda incipiente para a maioria dos fonoaudiólogos. Constato uma demanda crescente e esta é uma área que só agora os fonoaudiólogos estão começando a descobrir. É um trabalho que é direcionado para a habilidade de comunicação em situação de crise, de forte exposição, onde é necessário lidar com todos os fatores que interferem. Por exemplo, o medo de falar ou o stress relacionado com a situação de comunicação. Lenny não vê a formação como uma limitação. Na minha FOTOS: ELISIARIO COUTO/INSERT EDIÇÃO 63 - SETEMBRO/OUTUBRO 2005 REVISTA DA FONOAUDIOLOGIA - 2ª REGIÃO - 11

12 trajetória, o que acabei fazendo foi ampliar o meu olhar e começar a ver a comunicação não apenas centrada na voz, mas também na fala e no corpo. A interação do fonoaudiólogo em um programa de media training vai de uma simples palestra de orientação até avaliações e acompanhamento individual ou em grupos pequenos. É um programa muito flexível, para corresponder às expectativas da empresa que está solicitando o serviço. O fonoaudiólogo, dependendo do quadro apresentado, avalia, observa situações simuladas ou produz simulações de pronunciamentos sobre um tema específico. A importância da comunicação eficaz é exemplificada pela fonoaudióloga Lenny Kyrilos pela afirmação que ouviu de uma pessoa responsável pelo recrutamento de altos executivos. Ela me disse que, quando encontra pessoas com formação semelhante em termos de currículo, o primeiro fator de desempate para ela é a habilidade de comunicação. Nas palestras que faço, sempre digo que não se admite mais a postura de não falar em público. A pessoa tem que se instrumentalizar para dar conta do recado ou estará fora do mercado. No mundo empresarial, especificamente, todo mundo é potencialmente porta-voz da empresa. O público-alvo não é apenas de altos executivos. Já participei de um media training com telefonistas da empresa. O impacto da comunicação vai desde a copeira até o presidente da empresa e de repente essas pessoas de baixo e médio escalão estão muito mais próximas do cliente do que o presidente da empresa. Tenho observado que a proposta das empresas tem sido a de instrumentalizar os profissionais que representam a empresa para a mídia e, inclusive, para o público interno. Em algumas situações, o programa de media training é desenvolvido apenas para uma pessoa, de nível hierárquico maior, para desenvolver os melhores ajustes. Para Lenny Kyrillos, o fonoaudiólogo tem que ter uma habilidade de comunicação pessoal, que deve ser muito forte. Em segundo lugar, tem que atuar com muita segurança e credibilidade. Nesta área, as coisas acontecem de forma muito rápida: de uma palestra para outra altero ou acrescento informações e é necessário se renovar a cada experiência, a cada situação e de ter flexibilidade de mudar a sua maneira de lidar de acordo com o público. Um conhecimento importante é o efeito da comunicação nos diferentes veículos: televisão, rádio, jornal... É necessário buscar uma formação diferenciada, através de contatos com as pessoas, por meio de leitura, acesso a outras áreas como da comunicação, da lingüística, da semiótica... É parte do currículo oculto do fonoaudiólogo. CRFa presente na Feira do Vestibular De 16 a 20 de agosto passado o CRFa 2a. Região esteve presente na Fevest Feira do Vestibular, realizada no ExpoMart, em São Paulo. Em seu estande foram distribuídos folhetos informativos e brindes, para um público estimado em 40 mil pessoas. Na versão da Fevest realizada de 13 a 16 de abril deste ano- na qual o CRFa 2ª. Região também participou - o público presente foi estimado em 18 mil. Esta segunda participação em 2005 contou, a exemplo da versão do primeiro semestre, com o apoio de conselheiros, coordenadores de cursos, fonoaudiólogas voluntárias, docentes e alunos de Fonoaudiologia de diversas instituições de São Paulo, no atendimento aos estudantes do ensino médio e vestibulandos que procuravam definir, com maior nível de segurança, o curso e a faculdade mais adequados para o desenvolvimento de seus estudos. Para colaborar nessa definição, uma palestra foi realizada no dia19 de agosto, pela fga. Cristiana Yonezaki, do Centro Universitário São Camilo. A Fevest - Feira do Vestibular é realizada em São Paulo bianualmente desde 1992 e já proporcionou o contato de 350 mil jovens com faculdades e universidades de todo o país. Atividades lúdicas, aplicação de exames simulados, oficinas de orientação, apresentações culturais, distribuição de material informativo e palestras de orientação integram o evento REVISTA DA FONOAUDIOLOGIA - 2ª REGIÃO EDIÇÃO 63 - SETEMBRO/OUTUBRO 2005

13 FOTO: LATIN SPORTS AYRTON SENNA RACING DAY Participe da equipe de fonoaudiólogos No dia 12 de outubro de 2005 próximo, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo - SP, será realizada a segunda maratona de revezamento Ayrton Senna Racing Day, com renda revertida aos projetos sociais do Instituto Ayrton Senna. O Conselho Regional de Fonoaudiologia 2ª Região se uniu a Widex - uma das patrocinadoras da maratona - e está organizando equipes para participar do evento, através de grupos formadas por dois, quatro ou oito atletas. As oito voltas da maratona - 42,2 km no total - serão dividas entre esses participantes, em revezamento. Se você estiver interessado em participar (e tomara que esteja!), entre em contato com o Conselho, através do e deixe seu nome, telefone ou e como deseja participar. Você pode também chamar seus amigos e parentes para integrar a equipe. As equipes formadas pelo CRFa 2ª. Região iniciarão um treinamento intensivo para que, até outubro, estejam prontas para enfrentar este desafio. Maiores informações podem ser obtidas no site oficial da maratona, em Participe!!! Fonoaudióloga brasileira integra comitê editorial do International Journal of Audiology A fonoaudióloga Ieda Russo foi indicada para compor o Comitê Editorial da revista International Journal of Audiology, publicada pela Sociedade Internacional de Audiologia (International Society of Audiology), como Editor-at-Large, representando a América do Sul. Ao comunicar mais esta vitória da fonoaudiologia brasileira, a fonoaudióloga encarece a necessidade do apoio dos demais profissionais para a análise dos textos científicos que a ela serão encaminhados. De acordo com as normas da revista, estes comentários, sempre efetuados por três especialistas da área de Audiolo- gia, embasarão seu parecer sobre a conveniência da publicação,. Tenho a certeza de poder contar com a colaboração e o apoio inestimável de todas vocês. Além de efetuar a análise dos manuscritos, os Editors-at-Large também atuam como embaixadores da publicação, na captação de artigos científicos para publicação. O International Journal of Audiology tem como objetivo se tornar a mais importante e reconhecida publicação científica na área da audiologia em todo o mundo. O CRFa 2ª. Região parabeniza a fga. Ieda Russo por mais esta conquista da Fonoaudiologia brasileira. EDIÇÃO 63 - SETEMBRO/OUTUBRO 2005 REVISTA DA FONOAUDIOLOGIA - 2ª REGIÃO - 13

14 PORTUGAL, VENEZUELA e ARGENTINA Três países, três visões da Fonoaudiologia Diferentes realidades, que provavelmente entusiasmarão e, ao mesmo tempo, poderão criar uma rusga de preocupação nos profissionais da Fonoaudiologia brasileiros, foram constatadas pela REVISTA DA FONOAUDIOLOGIA, ao entrevistar oito representantes de seis países que estiveram no Brasil em 12 e 13 de agosto último para o I Encontro Internacional sobre Deglutição promovido em São Paulo pelo CEFAC. O objetivo das entrevistas foi o de traçar um panorama sobre a formação acadêmica e o mercado de trabalho nesses países e obter uma visão dessas profissionais sobre as conquistas e as dificuldades encontradas. Coincidências ou discrepâncias na formação, algumas vezes com a ausência de programas de educação continuada; inexistência ou estruturação incompleta ou deficiente de um controle ético e social garantidor de um atendimento eficiente e responsável, com invasões da área de atuação se juntam a conquistas marcantes, como o reconhecimento da população cliente e da população clínica em relação ao papel fundamental desempenhado pelo fonoaudiólogo (qualquer que seja a nomenclatura local efetivamente utilizada) em relação às demandas da população e à autonomia que paulatinamente vêm sendo conquistadas. Nesta edição, a Revista da Fonoaudiologia apresenta os depoimentos da terapeuta da fala Margarida Grilo, de Portugal; da terapeuta da linguagem Ana Ilse Arraga Moreno, da Venezuela e das fonoaudiólogas Monica Viviana Gonzalez e Norma Chiavaro, da Argentina. Na próxima edição, serão publicados os depoimentos das fonoaudiólogas Pía Villanueva Bianchini e María Yolanda Aybar Orellana, do Chile; da terapeuta da linguagem Sharon Isabel Toyama Nakamatsu, do Peru e de Licia Coceani Paskay, dos Estados Unidos. Em Portugal, a espera da uniformização Os cursos de Terapia da Fala passam por uma fase de transição, informa Margarida Grilo. Atualmente a formação acadêmica é de três anos e mais um ano para o grau de licenciatura, no que chamamos de curso bietápico. Profissionalmente somos habilita- dos ao fim dos três anos e academicamente, ao fim dos quatro anos. Com o grau profissional é possível trabalhar em linguagem, voz, fluência da fala, articulação, após a conclusão do estágio prático. Em Portugal não existe a vertente de audiologia, mas sim uma outra profissão, a de audiometristas. Um impasse por que passa o o o ensino em Portugal deriva de que, em nível de comunidade européia, o Tratado de Bologna tenta uniformizar o tempo de formação em todos os países membros. Ainda não sabemos se o curso resultante dessas negociações será de três mais dois anos para a obtenção do mestrado ou quatro mais um... O que sabemos é que rapidamente o atual modelo vai ser mudado, por 14 - REVISTA DA FONOAUDIOLOGIA - 2ª REGIÃO EDIÇÃO 63 - SETEMBRO/OUTUBRO 2005

15 causa do contato com os demais países europeus. Com isso as mudanças estão paradas, não ocorrem. Argumenta-se que não vale a pena mudanças que vão valer apenas para dois, três ou quatro meses ou no máximo um ano.... Até sete ou oito anos passados, havia apenas uma FOTO: ELISIARIO COUTO/INSERT escola de Terapia da Fala em Portugal, com 12 formandos por ano. Neste momento há quatro escolas públicas e mais quatro escolas privadas. Margarida Grilo atua em uma dessas escolas particulares, no Alcoitão, justamente a pioneira no ensino da terapia da fala em Portugal, quando foi criada em Hoje somos em torno de 500 terapeutas da fala e, como no Brasil e em outros países que conheço, é uma profissão essencialmente feminina. A nível estatal, para quem pretende trabalhar em um hospital público, pertencemos a uma carreira profissional denominada Técnicos de Diagnóstica e Terapêutica na qual estão incluídas outras 18 profissões da área de saúde, cada um com seu nível de atuação funcional bem definido. Margarida Grilo, portuguesa, fonoaudióloga há 19 anos, é docente de Fonoaudiologia nas áreas da motricidade orofacial, deglutição e articulação verbal na Escola Superior de Saúde do Alcoitão e mestranda em Ciências da Fala na Universidade Católica Portuguesa e Escola Superior de Saúde de Alcoitão. Não temos médicos foniatras em Portugal que nos queiram tutelar e temos alguma maleabilidade em não ter ninguém que discuta o nosso diagnóstico em nível médico. No nosso caso não há uma luta visível, mas ela está sempre implícita. De qualquer forma, em Portugal, o terapeuta da fala é um profissional que tem total autonomia sobre as questões da comunicação, da linguagem, da fala, da motricidade oral. A estrutura de controle profissional é bem diferente do Brasil. Temos a Associação Portuguesa dos Terapeutas da Fala, porém sem nenhum poder vinculativo ou o valor de uma Ordem ou um Conselho profissional, como no Brasil. O que temos, no Ministério da Saúde, é um Departamento de Recursos Humanos que nos concede uma cédula profissional, que nada tem a ver com o título acadêmico. Em relação à regulação da profissão, como a APTF apenas pode opinar, não existe uma norma muito clara sobre o controle ético, que não é uma prática definida ou consistente. Em Portugal não existem cursos de especialização como os existentes no Brasil. A formação pós-graduada é sempre em uma perspectiva acadêmica, passando da licenciatura para o mestrado. Atualmente existem dois programas de mestrado oferecidos, iniciados neste ano letivo (que funciona de outubro a junho): um em Aveiro (relacionado com a fala) e outro em nossa escola, em conjunto com a Universidade Católica, em ciên-cias da fala. Está previsto o início em janeiro de mais um, em linguagem. Há um conhecimento da atuação do terapeuta da fala, quer da população cliente, quer da população clínica e, para isso, a nomenclatura de nossa profissão não ajuda. Quando alguém vem comigo para verificar um problema de deglutição, às vezes questiona por que tem que ir ao terapeuta da fala ( eu falo bem..., argumenta)... Na Venezuela, ausência de regulamentação Presidente da Associação Venezuelana de Terapeutas da Linguagem, que agrupa os terapistas de languaje na Venezuela, Ana Ilse Arraga Moreno aponta a ausência de uma lei que regule o exercício profissional (são várias as carreiras sem essa legislação) que defina deveres e direitos como um obstáculo para o desenvolvimento dos terapeutas de linguagem em seu país. Se a lei tarda, a população já reconhece a atividade. Antigamente a população nem sabia o que era um terapeuta de linguagem. Hoje, com inserções que conseguimos na imprensa, no rádio e na TV já estamos aparecendo um pouco mais e a população já sabe o que fazemos. A formação é chamada de técnica superior universitária, com três anos de formação acadêmica, nas áreas de voz, fala, linguagem e audiologia, findo os quais se ingressa no mercado de trabalho. Para isso é necessária uma inscrição na associação que presido e, em seguida, um segundo registro no Ministério da Saúde. Hoje temos registrados na associação, para uma população de 24 milhões de habitantes, 349 profissionais (majoritariamente mulheres). No entanto temos pelo menos EDIÇÃO 63 - SETEMBRO/OUTUBRO 2005 REVISTA DA FONOAUDIOLOGIA - 2ª REGIÃO - 15

16 formados, a maioria sem exercer a profissão. A única escola formadora de terapeutas de linguagem é o Ival Instituto Venezuelano de Audição e Linguagem, sem fins lucrativos, com 50 anos de existência. Temos feito tentativas para o estabelecimento de uma segunda FOTO: ELISIARIO COUTO/INSERT escola, na Faculdade de Medicina de uma cidade localizada a seis horas da capital, mas as questões políticas impediram sua implantação. Algum dia, espero, será aprovado pelo conselho nacional de universidades. O que desejamos é o nível acadêmico que nos permita fazer cursos de especialização, mestrado, doutorado.... Ana considera um horror esta situação. Não existem as mínimas condições para se fazer a continuidade dos estudos após os três anos de curso. Como técnico, você ganha menos, não pode chefiar um departamento, não pode dirigir uma equipe. Além do mais, temos o médico foniatra, com a também fazer a terapia, sem Ana Ilse Arraga Moreno, ter as ferramentas técnicas venezuelana, é fonoaudióloga há adequadas para esse dia-adia. Encontramos também 19 anos, mestre em Desenvolvimento Humano, licenciada e psicopedagogas e psicólogos professora do curso de que se imiscuem em nosso Ortodontia Preventiva, trabalho. Interceptiva e Ortopedia Para agravar a situação, Dentofacial em Caracas. o governo trouxe terapistas da linguagem de Cuba, sem a necessária qualificação. Ouço formação de cinco anos e mais um que só tem dois anos de formação, que curso de pós-graduação de dois anos é uma mistura de terapia ocupacional, que torna o nosso trabalho dificílimo, fisioterapia, psicopedagogia e terapia gerando inúmeros conflitos. A solução da fala. Nesse tempo se formam em é fazer equivalências fora do país, para tudo (ou em nada...) e a associação se nivelar com as demais carreiras. se vê impossibilitada de ação, por A classificação como técnico não ter nenhuma lei em que possa superior universitário abarca também embasar. o fisioterapeuta, o terapeuta ocupacional, o radiologista... É uma problemá- Ana. Cada um procura o que necessita Estamos desvalidas, desabafa tica geral do país e não somente da para sua formação profissional em nossa profissão como tal. outros países, se tiver recursos e Temos um grande problema de contatos para tal. Dentro do país nada invasão de área de atuação, aponta é oferecido. Chegamos a fazer alguns Ana. O foniatra deveria apenas fazer o cursos em nossa associação, mas a diagnóstico e indicar a terapia, mas barreira econômica fez com que não é assim. A crise econômica os leva parássemos. Na Argentina, a busca da inserção no mercado de trabalho A preparação do profissional na Argentina é muito exigente e ampla. O estudante se diversifica em todas as áreas, com muitos anos de formação e o produto final é um fonoaudiólogo completo. Não que se dê uma formação de base e mais tarde ocorra a diversificação. Todas as áreas são completas, garante Norma Chiavaro, de Buenos Aires. A profissão surgiu na Argentina há 40 ou 45 anos, FOTO: ELISIARIO COUTO/INSERT através de um curso ministrado na (embora a maioria ali esteja). Alguns Faculdade de Medicina de Buenos Aires. estão em faculdades humanísticas, com A duração média dos cursos é de cinco orientação mais voltada a comunicação. anos, mas, hoje, nem todos os cursos Na Argentina não temos faculdades estão dentro de Faculdades de Medicina autônomas de Fonoaudiologia, esclarece Norma. Monica Viviana Gonzalez, A fonoaudióloga Mônica argentina, fonoaudióloga há 25 Viviana Gonzáles, residente anos, reside em Mendoza, em Mendoza, ao pé da exerce atividade docente na cordilheira dos Andes, área de fonoestomatologia em complementa. Depois de três diversas instituições de ensino anos, é concedido o titulo de superior da Argentina e é fonoaudiólogo para exercer a autora de pesquisas na área profissão, mas para a licenciatura são necessários mais dois fonoestomatológica. anos. As universidades são em 16 - REVISTA DA FONOAUDIOLOGIA - 2ª REGIÃO EDIÇÃO 63 - SETEMBRO/OUTUBRO 2005

17 geral públicas, mas em algumas províncias também existem instituições privadas oferecendo cursos de Fonoaudiologia. Nas instituições privadas os locais para a realização da prática acadêmica é mais limitada, se comparada com as universidades estatais, que dão a oportunidade de acesso a hospitais públicos. Até quatro ou cinco anos atrás, no norte do país, ainda existiam institutos de preparação de técnicos em fonoaudiologia,sem nível universitário. Uma lei deu caducidade a estes títulos e esses técnicos desapareceram. A regulamentação profissional é idêntica em todo o país, mas para a fonoaudióloga de Mendoza, a grande produção de profissionais faz com que não tenham grande inserção no mercado de trabalho, FOTO: ELISIARIO COUTO/INSERT pois o sistema de assistência pública em Chiavaro acredita que o trabalho clinico saúde não tem incorporada a função de não se faz durante a formação com a fonoaudióloga. Sobram profissionais. mesma intensidade em todas a áreas. Muitas fonoaudiólogas vão para outras As residências universitárias pósgraduação são onde se termina de atividades laborais. Mônica ressalva que esta realidade é diferente em formar. Buenos Aires, mas no interior da A atuação do fonoaudiólogo na Argentina é uma luta que tem que Argentina é majoritariamente no campo enfrentar para que o governo reconheça a importância de nossa função. Viviana Gonzales constata duas privado. Na área pública, Mônica Para reverter este quadro, a pósgraduação faz muita falta. Norma Mendoza: no campo da Saúde só nos situações, pelo menos na região de hospitais de ponta existem Norma Chiavaro, argentina, grupos de fonoaudiólogas (em fonoaudióloga há 32 anos, é geral cinco) por serviço e outros presidente-fundadora da ALDE quatro ou cinco atuando na - Academia Latinoamericana de atenção primária em saúde para Disfunções Estomatognáticas e perto de 130 centros assistenciais. A presença é mais marcante docente em diversas instituições de ensino superior na área educacional, onde a da Argentina. maioria das escolas possui fonoaudiólogas em seus quadros. EDIÇÃO 63 - SETEMBRO/OUTUBRO 2005 REVISTA DA FONOAUDIOLOGIA - 2ª REGIÃO - 17

18 Santos aguarda fonoaudiólogos para Congresso da SBFa Durante o XIII Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia que será realizado de 27 a 30 de setembro próximo no Mendes Convention Center, em Santos (SP), o CRFa 2 a Região estará presente no estande dos Conselhos Regionais e Federal de Fonoaudiologia, orientando e distribuindo material informativo sobre a atuação dos conselhos e tirando as dúvidas dos fonoaudiólogos. Prestigie-nos e visite o estande. O CRFa 2ª. Região também participará da palestra Classificação de Procedimentos Fonoaudiológicos Parâmetros de Tratamento, agendada para o dia 30 de setembro, às 8 horas, na Sala Vênus. Durante esta palestra haverá sorteio de livros. O congresso retorna ao Estado de São Paulo depois de seis anos, com a temática oficial Pesquisa em Fonoaudiologia no Brasil: diversidade teórico-metodológica. De acordo com a fga. Débora M. Befi-Lopes, Presidente da SBFa Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia e do XIII Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia, o Congresso pretende, mais uma vez, levar a toda categoria as pesquisas desenvolvidas, os trabalhos elaborados por profissionais renomados de todo o país, além de divulgar as dissertações e teses defendidas e as pesquisas realizadas. Seu objetivo principal é a disseminação do conhecimento Para este ano foi introduzida produzido e o debate da categoria uma modificação com relação aos sobre pontos importantes para o trabalhos enviados para concorrer à desenvolvimento da profissão e da premiação, com o objetivo de tornar o ciência em si. Pretendemos, mais uma processo mais igualitário. Foram vez, fortalecer nossa Ciência, atualizar determinadas quatro categorias - nossos profissionais e instigar os pesquisa, dissertação, tese e trabalhos estudantes, aproveitando ao máximo, de iniciação científica e de conclusão também, a cidade agradabilíssima que de cursos de graduação e especialização - julgados por comissões compos- nos acolherá neste ano. A Diretoria Científica do XIII tas por professores inseridos em Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia definiu que neste ano não haverá a diferentes universidades do país, com programas de pós-graduação, das apresentação de Fóruns, mas de exceção dos de iniciação científica e de Seminários de Estudos Avançados em especialização, cujas comissões serão Fonoaudiologia. O congresso contará compostas por professores de graduação. O resultado final será conhecido ainda com a apresentação de Estudos de Casos que, juntamente com as no encerramento do Congresso. Mesas Redondas, abordarão os A programação do congresso variados temas e áreas componentes pode ser acessada em da Fonoaudiologia. Erramos... Na última edição, na reportagem sobre a atuação fonoaudiológica junto a deficientes visuais, deixou de ser mencionado o nome da entidade onde a fga. Danielle Nagy está envolvida. Trata-se da GRHAU Grupo de Reabilitação e Habilitação Unificado S/C Ltda. Na mesma reportagem, ao entrevistar a fga. Daniela Cristina S. Pereira, o CEPREVI Centro de Pesquisa e Reabilitação Visual de Itapetininga foi identificado como uma entidade que atende portadores de deficiência múltipla e necessidades especiais. Em realidade, a entidade atende exclusivamente portadores de deficiência visual. A entidade que oferece o atendimento a portadores de deficiências múltiplas, onde ocorreu o pagode mencionado pela fonoaudióloga, é o CEMAE Centro Municipal de Atendimento Especializado, em Apiaí, no Vale da Ribeira REVISTA DA FONOAUDIOLOGIA - 2ª REGIÃO EDIÇÃO 63 - SETEMBRO/OUTUBRO 2005

19 COMISSÃO DE ORIENTAÇÃO E FISCALIZAÇÃO Como denunciar o próprio empregador? Texto elaborado pela Delegacia Regional de Marília Atualmente um número crescente de fonoaudiólogos tem atuado como funcionário de empresas que comercializam aparelhos auditivos, clínicas de saúde ocupacional, hospitais e outras entidades. De acordo com o Código de Ética, art. 6 IV, é dever de todo fonoaudiólogo apontar falhas nos regulamentos e normas de instituições quando julgar incompatíveis com o exercício da atividade profissional, ou prejudiciais ao cliente. Essa responsabilidade é clara para fonoaudiólogos que atuam em empresas, representações e centros que comercializem aparelhos auditivos, pois a Resolução do CFFa nº 259, art 3º determina que: O Fonoaudiólogo deverá comunicar ao CRFa de sua jurisdição sobre qualquer irregularidade nas empresas, representações e centros auditivos que comprometa o adequado desempenho dos procedimentos fonoaudiológicos, para que o órgão possa tomar as devidas providências. Por isso, a Comissão de Orientação e Fiscalização (COF) orienta que comunicar o CRFa quanto às infrações do empregador é realmente necessário. O profissional de que atua na área da Fonoaudiologia deve ter consciência que não denunciar significa tornar-se cúmplice do infrator e por isso poderá ser responsabilizado pelo CRFa. Segundo a Resolução do CFFa nº 276, o responsável técnico será responsabilizado perante o CRFa, por todo ato de administração do agente empregador quando concorrer para: I Lesão dos direitos do cliente. II Exercício ilegal da profissão de fonoaudiólogo. III Não acatamento às disposições da Lei nº 6.965/81, do Código de Ética Profissional, de outras Resoluções do CFFa, bem como, às decisões emanadas dos CRFas. O procedimento para realizar a denúncia é simples, basta encaminhar por escrito à Sede ou à Delegacia de sua jurisdição um relato completo do caso, contendo, se possível, as seguintes informações: seu nome, número de inscrição no CRFa, os dados da empresa em que trabalha (nome e endereço atualizado) e as irregularidades praticadas cabíveis de denúncia. Lembramos que as denúncias são sigilosas. Após analisar a denúncia, as medidas cabíveis serão tomadas conforme determina a legislação vigente. Em recente fiscalização a COF tomou conhecimento do caso de um fonoaudiólogo que se omitiu ao apontar as falhas na empresa na qual prestava serviços e tornouse conivente com irregularidades que prejudicavam diretamente sua atuação profissional. O caso refere-se a uma empresa que comercializa aparelhos auditivos, cujo fonoaudiólogo é contratado por tempo insuficiente em relação à demanda de clientes. Com a concordância do próprio fonoaudiólogo, outro profissional, não fonoaudiólogo realiza exames auditivos, pré-moldagem, seleção e adaptação de aparelhos auditivos, o que caracteriza exercício ilegal da profissão. Além desta grave infração, a empresa apresentou outras irregularidades, como: não atualização de cadastro de Pessoa Jurídica, não apresentação de um fonoaudiólogo como responsável técnico e falta de calibração dos equipamentos de audiologia. Os fonoaudiólogos que se encontram em situações semelhantes deverão entrar em contato com a COF, visto que é um dever denunciar o empregador que não cumpre às exigências éticas e legais. EDIÇÃO 63 - SETEMBRO/OUTUBRO 2005 REVISTA DA FONOAUDIOLOGIA - 2ª REGIÃO - 19

20 SAÚDE AUDITIVA contemplada no município de São Paulo Com a responsabilidade de geração de propostas no desenvolvimento de ações voltadas a uma política municipal de atenção à pessoa com deficiência, desde o início de 2005 a fonoaudióloga Mirna Reni Marchioni Tedesco dirige a área temática da Saúde da Pessoa com Deficiência da COGEST Coordenadoria de Gestão Descentralizada da Secretaria de Saúde do município de São Paulo. Já identificamos algumas ações prioritárias, entre elas a saúde auditiva, que até então não havia sido formalizada. Em função da Política Nacional de Atenção à Saúde Auditiva e de convênio com o Minis - tério da Saúde, tivemos a possibilidade de adquirir equipamentos e estabelecer uma rede de saúde auditiva para a cidade de São Paulo, relata a fonoaudióloga. A inserção do fonoaudiólogo na direção desta área temática foi um enorme ganho. Mirna Tedesco relata que esta área temática teve início com uma coordenação médica e, com o passar do tempo, foi sendo assumida por profissionais de outras áreas e, agora, pela primeira vez, por um fonoaudiólogo. Segundo a fonoaudióloga, esta designação confirma que a Fonoaudiologia é vista como uma área importante na atenção às pessoas com todo tipo de deficiência, desde FOTO: ELISIARIO COUTO/INSERT os cuidados da sua prevenção até o seu tratamento, nos diferentes níveis e ciclos de vida. A rede de saúde auditiva foi formulada pelo Ministério da Saúde. No âmbito do município, as unidades já estão sendo cadastradas. Na rede estabelecida pelo Ministério da Saúde, a cidade de São Paulo terá Fga. Mirna Tedesco unidades de média e de alta complexidade, esclarece a fonoaudióloga. As unidades de média complexidade terão a função de efetuar o diagnóstico da perda de audição a partir de três anos até a fase adulta, assim como a responsabilidade pela indicação, adaptação de aparelho auditivo e a reabilitação. Em complemento, as unidades de alta complexidade farão também esse processo com indivíduos de zero a três anos ou aqueles que necessitem de diagnóstico diferencial, como perdas auditivas unilaterais, problemas neurológicos.... O município de São Paulo hoje dispõe de cinco serviços de saúde auditiva, instalados na Unifesp, no DERDIC, no Hospital das Clínicas, na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e no Cema, Com a nova portaria do Ministério da Saúde, de número 587/SAS, de outubro do ano passado, os serviços existentes estão sendo recredenciados pelo Ministério da Saúde e montada a rede de saúde auditiva, que antes não existia. A Secretaria Municipal da Saúde estará implantando duas unidades de média complexidade, uma no Ambulatório de Especialidades da Penha e outro no Ambulatório de Especialidades de Pirituba. Um terceiro serviço deverá ser instalado na região sul da cidade. Dentro desta nova rede, o município passará a contar com oito serviços. Mirna Tedesco ressalta que é uma exigência desta nova portaria a terapia fonoaudiológica, que antes muitos serviços acabavam não fazendo. A pessoa, ao ganhar a prótese auditiva, necessariamente terá que fazer a terapia fonoaudiológica e não apenas a adaptação do aparelho. Esta nova portaria é bem mais clara nas diretrizes, que já 20 - REVISTA DA FONOAUDIOLOGIA - 2ª REGIÃO EDIÇÃO 63 - SETEMBRO/OUTUBRO 2005

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