A IMPLEMENTAÇÃO DO ESPAÇO ESCOLAR SUSTENTÁVEL NA PERSPECTIVA DO INSTITUTO FEDERAL CATARINENSE - CAMPUS CAMBORIÚ. Gilmar Bolsi 1

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1 A IMPLEMENTAÇÃO DO ESPAÇO ESCOLAR SUSTENTÁVEL NA PERSPECTIVA DO INSTITUTO FEDERAL CATARINENSE - CAMPUS CAMBORIÚ Gilmar Bolsi 1 INTRODUÇÃO A pesquisa trata de verificar a política e as iniciativas adotadas pelo Instituto Federal Catarinense, Campus Camboriú, no que se refere ao espaço escolar sustentável. Os espaços educadores sustentáveis de acordo com Trajber e Sato (2010, p.2), são aqueles que têm a intencionalidade pedagógica de se constituir em referências concretas de sustentabilidade socioambiental. A partir desta concepção, o Ministério da Educação propôs o Programa Nacional Escolas Sustentáveis (2014, p.2) que prevê a formação de um espaço educador sustentáveis organizam-se em torno de quatro componentes: currículo da escola sustentável; gestão democrática para a sustentabilidade; espaço escolar e sustentabilidade; Relações Escola-Comunidade. Delimitou-se o estudo sobre o componente espaço escolar sustentável, que é o espaço físico onde ocorre o processo educativo, visando proporcionar ao educando em um ambiente escolar adequado, na busca pelo desenvolvimento socioambiental. Destaca-se a importância que a questão do espaço escolar vem assumindo no contexto da educação ambiental, evidenciandose em políticas públicas, como o Programa Nacional de Escolas Sustentáveis (Brasil, 2014). O objetivo geral é analisar a política e as iniciativas do Instituto Federal Catarinense Campus Camboriú sobre o tema proposto. Como objetivos específicos buscou-se contextualizar a temática do espaço escolar, com base em pesquisa bibliográfica, sua regulamentação e programas que levaram a atual compreensão, bem como sua inserção na formação do espaço educador sustentável. Por fim, as iniciativas e os desafios para realizar compras de materiais, equipamentos e edificações sustentáveis no Campus Camboriú. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS O estudo caracterizou-se, quanto aos seus objetivos, como pesquisa exploratória. Quantos aos procedimentos de coleta de dados envolveu a pesquisa bibliográfica, documental e entrevista semi-estruturada.

2 Na pesquisa bibliográfica utilizou-se como fontes publicações especializadas e artigos em meios digitais; quanto a legislação buscou-se as regulamentações pertinentes ao tema abordado. Na pesquisa documental foram utilizados o Plano Político Pedagógico; o Plano de Desenvolvimento Institucional e o Plano de Logística Sustentável do Campus Camboriú. Analisou-se ainda o relatório do Núcleo de Gestão Ambiental do Campus, visando identificar quais ações sustentáveis a instituição vem desenvolvendo nos últimos anos. As entrevistas foram efetuadas com os responsáveis nos setores administrativos, visando identificar se Campus Camboriú tem implementado ações e medidas sustentáveis nas aquisições de materiais, equipamento e edificações, buscando viabilizar o espaço educador. O tratamento dos dados se deu de forma qualitativa. Neste sentido, na interpretação dos dados levou-se em consideração a normatização vigente sobre o tema, as informações prestadas pelos agentes administrativos, os relatórios do Núcleo de Gestão Ambiental e o marco teórico construído por meio da pesquisa bibliográfica. RESULTADOS E DISCUSSÃO O estudo e proliferação da idéia sobre espaço educador sustentável é recente, destacamos algumas previsões sobre tema. Em 2010 surge o Decreto 7.083, que dispôs sobre o Programa Mais Educação e a Educação Integral, inserido no programa como um dos seus princípios. O inciso V do artigo 2º do regulamento dispõe que são princípios da educação integral o incentivo à criação de espaços educadores sustentáveis com a readequação dos prédios escolares. Em 2012 foi editada a Resolução 02 do Conselho Nacional de Educação, que Estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental, aponta como objetivos da educação ambiental, dentre outros, a destinação de espaços sustentáveis. O inciso V do artigo 14 orienta para a constituição de instituições de ensino como espaços educadores sustentáveis, integrando proposta curricular, gestão democrática e adequação de edificações. Surge em 2013 a Resolução 18 do Fundo nacional de Desenvolvimento da Educação, sendo esta seguida do Manual de Escolas Sustentáveis (2013), editado pelo Ministério da Educação, dispondo a resolução que a transição para a sustentabilidade nas escolas é promovida a partir de três dimensões inter-relacionadas: espaço físico, gestão e currículo. Avançando na construção de instrumentos e iniciativas sobre espaços sustentáveis, surge o Programa Nacional Escolas Sustentáveis - PNES (2014), que prevê uma serie de ações para a

3 construção de espaços educadores sustentáveis, que se darão em torno de quatro componentes: currículo da escola sustentável; gestão democrática para a sustentabilidade; espaço escolar e sustentabilidade; Relações Escola-Comunidade. O programa (PNES. 2014, p. 2) conceitua espaço educador sustentável como aquele em que em seu fazer pedagógico, criam condições para promover a cultura da sustentabilidade socioambiental, refletindo essa intencionalidade de forma articulada no currículo, nas edificações. Sobre espaço físico escolar, Kaplan (2012, p. 5), citando Moreira, afirma que a precarização dos prédios escolares são uma realidade dos espaços escolares, que mantém-se isolados da comunidade com altos muros, com salas mal ventiladas, pouco iluminadas, com pátios sem árvores, sem espaço de lazer e outros tipos de interação. O Instituto Federal Catarinense, contempla em seus documentos fundamentais a importância do espaço educador sustentável. O Projeto Político Pedagógico Institucional, ao tratar das Políticas de Gestão Ambiental, dispõe sobre o dever de minimizar os impactos ambientais em seus processos educacionais e administrativos, devendo as ações de gestão adotar medidas promovendo uma cultura ambiental, com base no uso racional dos recursos (PPI 2009, p. 53). O Plano de Desenvolvimento Institucional prevê o uso e ocupação ambientalmente adequados dos espaços físicos dos campi (PDI, 2014, p. 14). O IFC dando cumprimento a exigência imposta pelo Decreto Federal nº 7.746/2012, instituiu o Plano de Logística Sustentável - PLS (2013). O Plano tem como objetivo geral promover ações que possibilitem uma nova cultura institucional com inserção de critérios de sustentabilidade e economicidade nas atividades da administração. Visando a implementação do PLS e dando cumprimento às políticas ambientais do campus, a administração instituiu o Núcleo de Gestão Ambienta NGA, formado por 4 professores e 3 técnicos administrativos. O núcleo elabora um Relatório Anual apontando as principais ações efetivadas pelo campus, seja na esfera administrativa ou no ensino pesquisa e extensão (Relatório NGA 2013 e 2014). Para verificar as ações institucionais implementadas pelo Campus, na busca da construção do espaço escolar sustentável, entrevistamos alguns agentes responsáveis pela gestão administrativa. O chefe de compras do campus, Marcio Aparecido Lúcio, afirma que a instituição utiliza critérios sustentáveis quanto ao uso racional dos recursos naturais, como na aquisição de móveis em madeiras com exigência da certificações e origem; na aquisição de equipamentos

4 eletrônicos e elétricos há exigência de certificados do Inmetro; na aquisição de lâmpadas econômicas e sem mercúrio; na aquisição de produtos diversos dando-se preferência àqueles fabricados por fonte não poluidora; na aquisição de papel e impressos em papel reciclado. Afirma que nas aquisições são levados em conta os aspectos de durabilidade e qualidade. Segundo o Diretor de Infraestrutura, Antônio José Pereira, o Campus procura adquirir bens, produtos e obras com qualidade que proporcionem a redução dos custos operacionais. Que há uma preocupação constante com adequação à acessibilidade, seno efetuado reformas em várias edificações. Contudo, destaca o Diretor que, há uma grande dificuldade do setou público efetuar contratação primando pela sustentabilidade, pois prevalesce em nossa legislação o princípio de menor preço, dificultando a implementação de projetos sustentáveis. Segundo o Engenheiro do campus, os projetos são confeccionados conforme a legislação em vigor, quanto a acessibilidade, conforto acústico, procurando reduzir o consumo de energia e água. Destaca o engenheiro como exemplo, o novo bloco de salas de aula, que possui paredes duplas para isolamento do som, piso com isolamento acústico e muitos outros detalhes técnicos visando maior conforto ao estudante. CONSIDERAÇÕES FINAIS O Espaço escolar sustentável é uma das dimensões do espaço educador sustentável proposto no Programa Nacional Escolas Sustentáveis (2014). Esta concepção tem como fundamento em leis específicas, regulamentos e resoluções Federais, nos documentos internos do Instituto Federal Catarinense, tais como PPI, PDI e no Plano de Logística Sustentável. A criação do Plano Logístico Sustentável surgiu força de exigência Federal e não como percepção da necessidade de implementação das programas ambientais. O Núcleo de Gestão Ambiental, que tem por atribuição propor políticas e fiscalizar as ações ambientais, possui algumas limitações de atuação interna, não se destacando como o formulador da política pública ambiental, ainda que, segundo a Coordenadora do núcleo, este tem sido consultado constantemente pela administração para a prática de várias ações no campus. Nos relatórios do NGA não se verifica que o Núcleo de Gestão Ambiental tem efetuado um acompanhamento da aplicação do Plano Logístico Sustentável. Identificou-se no relatório a realização de ações ambientais, mas não um monitoramento da execução do Plano.

5 Nas entrevistas efetuadas com os gestores administrativos nota-se um esforço quanto às aquisições de bens, materiais e nas novas edificações ou adaptações destas para que ocorra de forma sustentável. Contudo, não se percebe que isso seja uma demanda pedagógica, ficando estas ações mais no campo do cumprimento da legislação, tais como a da acessibilidade ou das compras sustentáveis. Esta conclusão deriva do fato de que não se constatou demandas para atender a necessidade pedagógica que não foram atendidas pela área administrativa. A pesquisa mostrou que um espaço escolar é essencial na construção do espaço educador sustentável e identificou que a política de construção do espaço escolar no Campus fica mais a cargo da gestão administrativa e pouco planejada pelo setor pedagógico. REFERÊNCIAS BRASIL. Decreto 7.083, DE 27 de janeiro de Dispõe sobre o Programa Mais Educação. Disponível em: Acesso em 15/06/2016, 9h.. Decreto de 05 de julho de Regulamenta o art. 3 o da Lei n o 8.666, de 21 de junho de 1993, para estabelecer critérios, práticas e diretrizes para a promoção do desenvolvimento nacional sustentável. Disponível em: Acesso em 10/06/2016, 20h.. Ministério da Educação. Programa Nacional Escolas Sustentáveis. Coordenação Geral de Educação Ambiental Disponível em mec.gov.br. Acesso em 12/06/2016, 21h.. Resolução 02 de 15 de junho de Estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Conselho Pleno Disponível em: Acesso em 06/06/2016, 17h.. Resolução 18 de 21 de maio de Dispõe sobre a destinação de recursos financeiros, nos moldes operacionais e regulamentares do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE). Disponível em: Acesso em 05/06/2016, 8h. PLANO DE LOGÍSTICA SUSTENTÁVEL: IFC Campus Camboriú RELATÓRIO DE ATIVIDADES. Núcleo de Gestão Ambiental. IFC Campus Camboriú KAPLAN, Leonardo. ANÁLISE PRELIMINAR DO PROJETO ESCOLAS SUSTENTÁVEIS: Estudo de caso da Primeira Escola Sustentável do Brasil. XVI ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino - UNICAMP - Campinas TRAJBER, Rachel e SATO, Micèle. ESCOLAS SUSTENTÁVEIS: INCUBADORAS DE TRANSFORMAÇÕES NAS COMUNIDADES. Rev. eletrônica Mestr. Educ. Ambiental. PPGEA/FURG/RS

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