O SERVIÇO TERCEIRIZADO NA SOCIEDADE CAPITALISTA 1

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1 1 O SERVIÇO TERCEIRIZADO NA SOCIEDADE CAPITALISTA 1 Berenice Romão Ferreira Giovana Maria Tossige Quaresma Soares Doutor André Mayer 2 RESUMO Esta pesquisa faz uma abordagem ao tema terceirização do trabalho em que a Prefeitura de Ouro Preto no Complexo Municipal de Saúde (UPA), aderiu como forma de redução de gastos serviços e melhor aproveitamento da mão-de-obra ao prestar seus serviços, se beneficiando disto. No Brasil a partir da década de 70 já se praticava a terceirização do trabalho, mas no fim dos anos 90 e inicio do século XXI é que o termo terceirização ganha ênfase, pois foi a salvação para o capital superar sua crise. A solução para as empresas em reduzirem os seus custos e continuar obtendo lucros e aprimorar o uso da força de trabalho. Na busca de desenvolvimento, países como o Brasil, incentivados pela política do neoliberalismo, levados pela ideologia de globalização em nome do desenvolvimento mais rápido. Uma das estratégias do capital é a terceirização do trabalho, onde para conter gastos o Estado permite que as empresas tenham liberdade de terceirizarem seus serviços, reduzindo os gastos tributários nos quais seriam gastos se os trabalhadores fossem efetivos, não há uma fiscalização do Estado mais rígida com relação a isto, pois este atende ao mercado. Para o desenvolvimento econômico o capital encontrou na terceirização do trabalho uma forma de superar mais uma vez as suas crises, colocando sob o trabalhador todo o jugo e responsabilidade deste processo de reequilíbrio e recuperação de seus prejuízos. 1 1-Este trabalho foi realizado na Disciplina de Pesquisa I e II da Universidade Federal de Ouro Preto. O trabalho foi realizado por estudantes de graduação do curso de Serviço Social da Universidade Federal de Ouro Preto- MG, tendo como estudo a metodologia marxista. 2 O orientador foi o professor Doutor em Serviço Social da Universidade Federal de Ouro Preto. Integrante do grupo de estudos do Rosa Luxemburgo e Centro de Difusão do Comunismo. Coordenador dos cursos de extensão Relações Sociais na Ordem do Capital e Mineração e exploração dos trabalhadores na região dos Inconfidentes.

2 2 A classe trabalhadora é a que sofre com este desejo desenfreado do capital de permanecer em desenvolvimento e continuação do movimento de acumulação capitalista. Através desta pesquisa propõe-se uma análise do tema O trabalho terceirizado na sociedade capitalista. Onde pretende entender a dinâmica da terceirização no atual estágio de Acumulação Capitalista, onde o homem perde a sua condição de cidadão para o vil metal. Palavras-chave: Terceirização, capitalismo, trabalho. INTRODUÇÃO A elaboração da pesquisa propõe um estudo sobre o serviço terceirizado desde seu início no século XVIII até os dias atuais. Passando pelos moldes fordista em que Ford priorizava a divisão do trabalho para uma maior produtividade), keynesiano reestruturou o trabalho de forma mais flexível, supervalorização através das máquinas e barateando a mão-de obra. Atingindo assim a exigência do modo de produção capitalista internacional. O conjunto deste sistema capitalista internacional vem sofrendo algumas crises desde os anos 70, que irá refletir mais tarde no Brasil. A partir deste momento mudanças atingem diretamente a classe trabalhadora, e o Estado adere a política do neoliberalismo que consiste a ideologia da vingança do capital sobre o trabalhador. Assim a pequena minoria dotada dos aparelhos hegemônicos de poder (Estado, empresários estrangeiros e nacional, decidem que é preciso modernizar a economia. Ocorre nesse processo uma redefinição de práticas sócio- políticas junto com as forças sociais em conflito a classe dominante e a classe trabalhadora. Ocorrendo um enfraquecimento dos sindicatos e dos movimentos do operariado. Neste processo de flexibilização o capital sendo apoiado pelo Estado passa a ganhar autonomia para controlar as ações do mercado. Com esse novo processo a classe trabalhadora sente os seus direitos sendo retardados, a sua pauperização se manifestando.

3 3 1) Capitulo I. A ordem do capital. 1.1) O trabalho e as transformações na vida social. O trabalho é onde homem/mulher intervém na natureza em que vivem para atenderem as suas necessidades básicas. Para que o trabalho seja realizado precisa-se de instrumentos, objetos em que o homem projeta conforme a sua necessidade. [...]O trabalho é um processo entre homem e a natureza um processo em que o homem, por sua própria ação, media, regula e controla seu metabolismo com a natureza.[...]pressupomos o trabalho numa forma em que pertence exclusivamente ao homem. Uma aranha executa operações semelhantes às do tecelão e a abelha envergonha mais de um arquiteto humano com a construção dos favos de suas colmeias. Mas o que distingue,de antemão,o pior arquiteto da melhor abelha é que ele construiu o favo em sua cabeça,antes de construí-lo em cera.(marx,1983: ,153). O homem por ter a capacidade teleológica se difere dos animais. Pois o indivíduo projeta em sua consciência os meios e a finalidade do trabalho para depois levá-lo em cena. O homem se difere dos animais, pois, estes agem por instinto, sobrevivência,são seres irracionais que não conseguem construir meios, fins, apenas saciar o imediatismo. O trabalho é o fundante deste ser social, quando este ser se desenvolve através de novas projeções e estas são supridas o ambiente já não é o mesmo, têm-se a transformação não só da realidade, mas do ser social fundado no trabalho. Através dessas transformações sócio-históricas o homem passa por várias etapas adquirindo objetivações cada vez mais complexas. Após anos, décadas, séculos a moldura histórica sofreu transformações, onde se instaurou uma nova malha organizacional, onde é se rompido com o velho regime feudal. Durante a Baixa Idade Média nos séculos XI a XV aconteceu o declínio do sistema feudal. Devido ao fato de com o crescimento populacional não se podia atender as necessidades de subsistência da população que crescia continuamente. Esses indivíduos famintos abandonavam os feudos que era a unidade de produção feudal, era onde se tinha as terras para o cultivo. Após abandoná-las, pois já não se

4 4 possuía espaço para todos, se formavam os crescentes bandos de miseráveis que para manterem-se vivos utilizavam-se do roubo, saques. Devida à violência que surgia na época os senhores feudais chegaram à conclusão que para a paz voltar a reinar dever-se-ia desviar esse grande contingente de infratores para longe da Europa. Durante os séculos XI a XIII a nobreza e o clero mediante a crise da Europa organizou expedições para combater os mulçumanos que eram de religião fundada na Arábia por Maomé. Com as derrotas ocasionadas e para combatê-las, ocorrem-se lutas, onde terras são conquistadas e passa a se colocar aqueles excedentes europeus infratores para esta,esse movimento recebeu o nome de cruzadas. As cruzadas trouxe como consequência a ligação da Europa com o Oriente sob o mar mediterrâneo. Têm-se o renascimento comercial que ajudou a efetivar o urbano e o surgimento de uma cidade que havia ficado para trás. Como o sistema feudal não estava mais dando conta de saciar as necessidades dos Europeus devido à abertura comercial que trouxe como consequência a cidade, por fim o ressurgimento do dinheiro com isso o feudalismo vai se desfazendo ate perder o espaço. Uma nova ordem política, econômica, social então surgiu denominada capitalismo. Libertando-se das amarras feudais o capitalismo ganha espaço e traz consigo uma camada de artesãos, pequenos comerciantes que passam a receber o nome de burguesia. 1.2)Acumulação Capitalista e precarização na vida do trabalhador A nova dinâmica trouxe mudanças onde o modo de produção capitalista passou a não possuir nada de natural e teve a sua especificidade na exploração da força de trabalho ou trabalho assalariado. Onde o capitalista precisou cada vez mais obter a mais-valia e a partir desta extrair cada vez mais a obtenção de lucro, que é o seu objetivo primordial. O trabalhador não produz apenas a mercadoria e gera a mais-valia. O trabalhador produz e reproduz as relações sociais. Onde de um lado está o capitalista que possui a propriedade privada e o dinheiro para comprar a força de trabalho. E do outro está o trabalhador livre que para se manter vivo nesse processo capitalista, precisa vender o seu

5 5 único bem a s Qualquer que seja a forma social do processo de produção, este tem de ser contínuo ou percorrer, periodicamente, sempre de novo, as mesmas fases. Uma sociedade não pode parar de consumir, tampouco deixar de produzir. Considerando em sua permanente conexão e constante fluxo de sua renovação, todo processo social de produção é, portanto, ao mesmo tempo, processo de reprodução. (Marx, 1984, I,2:153). No atual contexto histórico a cada dez trabalhadores brasileiros quatro são terceirizados, o que não é de se causar espanto devido a atual situação, em que o capitalismo precisa driblar as suas sucessivas crises que acontecem. Ouvimos algumas vezes durante o emaranhar da pesquisa a fala desses terceirizados ou você aceita ou fica sem. O capitalismo os obriga a aceitar o mínimo para ter a quem vender a sua força de trabalho. Podemos hoje ter em mente que o capital quer a cada dia retirar o trabalho estável dos trabalhadores, deixando-os a cada dia sem escolha restando apenas as diversificadas formas de trabalho que é visto ou conhecido como terceirizados. Por volta de 1990 aconteceu no Brasil o chamado reorganização sócio- técnica da produção, da redução do número de trabalhadores que antes eram empregados para passagem de trabalhadores mais flexíveis que ora estão no mercado ora estão a sua espera, retirando assim a ampliação dos direitos e conquistas,passando agora a refletir a precarização e a sujeição do terceirizado frente aos ditames do capital. Têm-se nesse contexto histórico o surgimento dos CCQ s que obtiveram o nome de Círculos de Controle de qualidade que foram resultado do modelo do toyotismo, ou visto como modelo flexível. A necessidade de elevação da produtividade dos capitais em nosso país deu-se desde fundamentalmente o início dos anos de 1990, através da reorganização sócio técnica da produção, da redução do número de trabalhadores, da intensificação da jornada de trabalho dos empregados, do surgimento dos CCQ s(círculos de Controle de Qualidade) e dos sistemas de produção just in time e Kanban, dentre outros elementos da lógica simbiótica do toyotismo flexibilizado. Nesse período, o fordismo aqui vigente sofreu os primeiros influxos do toyotismo e da reestruturação produtiva de amplitude global. E essa processual idade deslanchou através da implantação dos receituários oriundos da acumulação flexível e o

6 6 ideário japonês e assemelhados, da intensificação da lean production, das formas de subcontratação e de terceirização da força de trabalho, da transferência de plantas e unidades produtivas, em que empresas tradicionais, como a indústria têxtil, calçados, sob imposição da concorrência internacional, passaram a buscar, além de isenções fiscais, níveis mais rebaixados de remuneração da força de trabalho, combinados com uma força de trabalho sobrante, sem experiência sindical e política, pouco ou nada taylorizada e fordizada e carente de qualquer trabalho.(antunes, 2009,pág:105) Como podemos perceber hoje existe um grande exército industrial de reserva, uma grande massa que vive a disposição do capital, esperando por emprego. Na atual situação este exército industrial de reserva é onde se encontra estes trabalhadores terceirizados que estão em situações alarmantes precisando de emprego. Como todos nós estamos dependentes dessa ordem capitalista, estes mais ainda. A terceirização é vista como algo benevolente para a retirada do indivíduo desse exército industrial de reserva, e dá-lo um lugar para que venda sua força de trabalho, mesmo que este estabelecimento não lhe dê o retorno esperado. Pois estes trabalhadores na maioria das vezes possuem apenas a carteira assinada, ou seja ganham apenas o salário mínimo para sustentarem a sua casa, família, remédio,vestuário, e muitas vezes ainda vivem da filantropia, do amor do próximo, da caridade das pessoas para conseguirem se manterem vivos. Podemos considerar os terceirizados como uma superpopulação absoluta na qual falta aos trabalhadores os meios necessários para garantirem a sua sobrevivência,pois,poucos ainda recebem bolsa família,vale gás, pois o Estado hoje garanti o mínimo, ou seja, só recebi esses direitos quem é realmente miserável, sendo que um salário mínimo é visto como muito coisa, mas na realidade não supri o desejado. Uma grande desvantagem que possuem esses terceirizados é a falta de sindicalização, união de ambos para reivindicarem melhores condições de vida e salário. O que é visto de forma muito satisfatória pelos empregadores,pois ficam a vontade para ditarem os salários, tornando assim possível somente o que é de interesse privado e benéfico para a sua empresa de serviços.

7 7 Infelizmente, assistimos a todo o momento essa barbárie sofrida pelos trabalhadores terceirizados, a vontade de recorrer, exigir melhores condições, mas não terem ninguém para lutarem a seu favor. Os próprios trabalhadores não se reconhecem como sujeitos históricos,como os que podem tentar melhorar a sua situação, pois os empregos são flexíveis e não estáveis. A maioria teme cair de volta no abismo e prefere ficar perto somente. Escutei uma frase alarmante de uma senhora de alguns poucos anos que me disse:-enquanto Deus me der forças eu vou continuar. A situação é preocupante pois vemos nos olhos desses terceirizados um grito de socorro, ou um fatalismo é assim e vai ser assim. A sociedade da meritocracia hoje nos assombra,pois a maioria da sociedade pensa ser merecido o que tem, seja na profissão, seja pelo status, não se lembrando que por trás de toda essa situação exige uma ordem chamada capitalista que trás consigo de um lado um polo de riqueza e do outro um grande contingente de necessitados. Não existe capitalismo sem existir estes polos. O que era desenvolvimento desigual e combinado no âmbito de cada sociedade nacional e no de cada sistema imperialista, sob o capitalismo mundial universaliza-se. As desigualdade, tensões e contradições generalizam se em âmbito regional, nacional, continental e mundial, compreendendo classes sociais, grupos étnicos, minorias, culturas, religiões e outras expressões do caleidoscópico global. As mais diferentes manifestações de diversidade são transformadas em desigualdade, marcas, estigmas, formas de alienação,condições de protesto, base das lutas pela emancipação[...]assim, a questão social, que alguns setores de países dominantes imaginavam superada, ressurgi com outros dados, outras cores, novos significados. (Ianni, 1992: ). Podemos ter em mente que essas contradições geradas pelo capitalismo universaliza-se não somente no Brasil, mas em ambos.têm-se uma expansão não só de riquezas globais mas um grande alastramento pelo mundo das questões geradas pelo capitalismo. Devido às suas sucessivas crises do capital e para a sua manutenção ouve-se a redução de mão de obra qualificada pela opção de um grande número de setor de serviços conhecidos como terceirizados.

8 8 Hoje os terceirizados ocupam uma grande parte dos empregos no Brasil.e também no Mundo, devido ao alastramento da globalização do capital, que faz com que países afastados a milhas e milhas de distância estejam bem próximos quanto o assunto é a sua reprodução. 2.1) O processo de Terceirização na Prefeitura de Ouro Preto. A Prefeitura de Ouro Preto possui algumas modalidades de Licitações, são elas: credenciamento, concorrência pública, convite, pregão eletrônico,pregão presencial, tomada de preços. As empresas que prestam serviços terceirizados se inscrevem neste processo de licitação, no qual terá que atender aos pré-requisitos exigidos, se adequando as condições de serviços impostas pela mesma. É no setor de planejamento que esta parte burocrática é realizada. A parte financeira deste processo de licitação funciona da seguinte forma, a prefeitura neste pregão dispõe de um valor montante, a empresa tem que usar este saldo que é divido pelo tempo de vigência do contrato para pagamento e manutenção destes funcionários e fundo da empresa. Após análises dessas empresas ganha o processo de licitação as que apresentam o menor preço. Então é feito o contrato entre as partes, com validade de cinco de anos, sendo anulado em caso de não comprimento do regimento, pode então haver anulação do contrato. A Prefeitura fiscaliza estas empresas se elas estão cumprindo com o que foi exposto no contrato, fazem este acompanhamento e quando há alguma denúncia, entra em processo jurídico para que a empresa seja desclassificada e/ou não mais preste serviços se a denúncia for verdadeira. O nosso objeto de pesquisa é o setor de serviços terceirizados do Complexo Alberto Caram, que hoje possui um bom número de terceirizados ocupando alguns cargos. No setor de serviços gerais nos deparamos com um bom número de trabalhadores, que algumas vezes não exercem somente o seu serviço mas acabam por planejar, elaborar, fazer vários trabalhos,tendo flexibilidade a entender não somente o lado da limpeza, mas a patologia, recebimento de exames entre demais.

9 9 O terceirizado é visto como um setor simples, informal, mas são cargos importantíssimos dentro da Instituição. Pois sem o setor terceirizado não teria quem limpasse, lavasse, ajudasse em outras funções que vão para além das suas. O difícil para estes trabalhadores é que sendo pela licitação, menor preço, o seu trabalho se torna flexível a mercê do patronato. Ora se tem o emprego, ora lhe falta. Os trabalhadores vivem em situações difíceis, pois ganham o mínimo para sobreviverem, não possuem vale- transporte, ticket alimentação, cesta básica,apenas recebem o salário mínimo e a carteira assinada colocando-os em certa formalidade. Dentro do Complexo Alberto Caram se possui um grande número desses setores de serviços, mas não se é maior que dos efetivos. Os trabalhadores terceirizados ganham de acordo com a área que atuam, ou que consta em sua carteira, independente se façam papel de segurança, vigia, acabando por fazer outros serviços. O trabalhador terceirizado sofre com as mudanças que vem ocorrendo pela ofensiva neoliberal e a contra reforma do Estado perdendo os seus mínimos direitos conquistados ao longo dos anos. Passam a assistir a barbárie do capital frente à cidade de Ouro Preto e veem os direitos se perdendo ao longo do desenvolvimento do vil metal. 2.2) A Instituição da Pesquisa. A Instituição foi inaugurada como Hospital Municipal em 1982, a segunda inauguração ocorreu em 29 de Dezembro de 1993 recebendo o nome de Complexo Municipal de Saúde mais conhecido como Unidade de Pronto Atendimento (UPA). O Complexo é formado por um conjunto de atividades, na qual,prestam atendimento de Urgência e Emergência, de Apoio ao diagnóstico técnico e de administração. A Unidade atende ao Hospital Santa Casa de Misericórdia de Ouro Preto, as unidades básicas de saúde entre postos, PSF localizados nos Bairros, Distritos e demais povoados e possui fortes laços com o SAMU. O espaço físico da Instituição é composto por: uma ampla sala de recepção, uma sala de emergência equipada para atender casos de alta e média complexidade, uma sala de inalação, duas salas de repouso-observação sendo uma masculina e outra

10 10 feminina, possui três consultórios médicos, um posto de serviços, um posto de lavanderia, uma sala de ortopedia, uma sala de Serviço Social entre demais. Em frente à UPA, situa-se o Laboratório de Análises Clínicas, Farmácia de Atenção Básica e possui uma Central de Lavanderia Industrial com capacidade para atendimento da demanda de toda a Rede Pública Municipal, onde é um dos locais de trabalho do terceirizado. Anexas ao complexo, edificações como o necrotério, instalações sanitárias externas e casa de máquinas. 3) Conclusão Concluímos através desta pesquisa como o Capitalismo tem dominado o mundo do trabalho contemporâneo. A classe burguesa com a ajuda do Estado passa a ter uma hegemonia sobre os assuntos relacionados á economia, política e vida social de um país. Este Estado como garantidor dos direitos da sociedade civil, demonstra nitidamente seu empenho em atender aos interesses do mercado,cortando gastos dos investimentos destinados as políticas públicas e que visam atender aos interesses da população, passa agora a atender ao capital para manter o mercado. Para garantir que não haja prejuízos aos cofres públicos, a classe trabalhadora tem carregado este peso sobre suas costas. Nossa pesquisa teve como fundamento o trabalho terceirizado no setor público, no Complexo Municipal de Saúde Alberto Caram (UPA), onde a atividade fim diz respeito aos setores de limpeza, vigilância e portaria. O arcabouço teórico- metodológico desta pesquisa tem como referencial os estudos baseados na teoria Marxista. Onde planejamos uma análise crítica da realidade do trabalho informal nos dias de hoje. O serviço terceirizado surgiu a partir da necessidade do Capital em superar suas crises, tendo como objetivo reduzir gastos. Quando se contrata uma firma que presta serviços terceirizados, o contratador abstém de suas responsabilidades trabalhistas, ocorrendo uma lucratividade maior e melhor rendimento dos trabalhadores. A firma prestadora de serviços também ganha com isso, pois o valor do contrato é acima dos gastos já incluídos com o trabalhador.

11 11 Percebemos ao longo da pesquisa que esses terceirizados são uma força de trabalho com poucos gastos, onde possuem na maioria das vezes desvantagens em relação aos efetivos, pois se tem ausência de cesta básica, transporte, alimentação entre demais. O trabalhador terceirizado se expandiu pelo País por volta de 1990 e vem se alastrando em pleno século XXI, através da expansão do capital não só nacionalmente, mas mundialmente, pois nos deparamos com este mundo em processo de globalização. Entendemos em nossa pesquisa que o trabalhador terceirizado vive a mercê do grande capital, pois estes acabam perdendo com isso os seus direitos conquistados ao longo dos anos, frente agora ao neoliberalismo que faz com que tenha um retrocesso, uma desregulamentação das condições na vida dos trabalhadores. Os trabalhadores terceirizados do Complexo Municipal de Saúde (UPA), foram além das nossas expectativas,para nós a princípio, a visão deles seria limitada, pois estariam conformados com as condições de trabalho em que se encontram, mas ao contrário disso conseguem entender a dimensão e a atual situação do trabalhador nos dias de hoje. O trabalhador terceirizado ainda se sente fragilizado, porque não há uma organização sindical que os ampare em seus direitos, uma voz ativa que faça a diferença. Eles estão a mercê de empresas contratantes e ora estão no mercado e ora fora dele.

12 12 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANTUNES, Ricardo. Adeus ao trabalho? São Paulo: Cortez, ANTUNES, Ricardo. Os sentidos do trabalho. São Paulo: Boitempo, BEHRING, E. R.;BOSCHETTI, I Política social : fundamentos e história. São Paulo : Cortez, LAURELL, Ana Cristina (org). Estado e políticas sociais no neoliberalismo. São Paulo: Cortez, 1995 LESSA, SÉRGIO. Trabalho e proletariado no capitalismo contemporâneo. São Paulo :Cortez, MARX, K. A jornada de Trabalho. In : O Capital : crítica da economia política. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, MARX, Karl. O CAPITAL VOL 1/1.Rio de Janeiro : Civilização Brasileira, MOTA, Ana Elisabete. Os fios (in)visíveis da produção capitalista. São Paulo : Cortez, NETTO, José Paulol. Capitalismo Monopolista e Serviço Social. São Paulo: Cortez, REVISTA SERVIÇO SOCIAL E SOCIEDADE N. 52 Mundo do Trabalho. REVISTA SERVIÇO SOCIAL E SOCIEDADE N. 62 Processo de trabalho e assistência social. REVISTA SERVIÇO SOCIAL E SOCIEDADE N. 97 SERVIÇO SOCIAL, HISTÓRIA E TRABALHO. WEBER, M. Metodologia das Ciências Sociais. São Paulo : Cortez, V.1.2.

13 13 ANEXOS GRÁFICO 01 Trabalhadores do Complexo Municipal de Saúde Alberto Caram (UPA) 20 Terceirizados 36 Efetivos 21 Contrados 2 Comissionados 2% 27% 25% 46% Figura 1 Este gráfico mostra a quantidade de trabalhadores no Complexo Alberto Caram (UPA), podemos observar que a maioria dos trabalhadores é efetivos, o que nos surpreende, mas se explica pelo fato de a atividade-fim necessitar de trabalhadores cujas funções diferem das disponíveis dos setores terceirizados. O total de funcionários contratos quase se iguala ao dos terceirizados, tendo uma mínima diferença, somando-se os dois supera ao número de efetivos, isto indica maior quantidade de funcionários flutuantes; devido ao fluxo destes ser rotativos, geralmente quando se vence o contrato muitas vezes os funcionários são substituídos por outros, transferidos para outra unidade ou mu são mandados embora, não se renovam estes contratados. Já o s cargos comissionados apenas dois por centos, são cargos ocupados por pessoas bem próximas e de confiança da administração, geralmente são os que coordenam a Unidade.

14 14 GRÁFICO 02 Setores da Prefeitura que são Terceirizados Merenda Escolar 16% Jardinagem 4% Limpeza 54% Vigilância e Portaria 26% O setor da limpeza é o mais abrangente, pois, há uma grande necessidade dos departamentos em terem trabalhadores prestando este tipo de serviços, devido ao espaço físico destes locais. Mediante as observações feitas durante a pesquisa entendemos que não só no Complexo Municipal de Saúde Alberto Caram (UPA), mas também em outros departamentos deveriam ter mais trabalhadores na área de vigilância e portaria, pois estes exercem além de suas funções, outras atividades que surgem no decorrer do dia, contratam apenas um trabalhador por turno para cada instituição. Os setores de merenda escolar e jardinagem têm um porcentual menor, são mais específicos das áreas de educação e preservação do ecossistema respectivamente e o número de funcionários necessários é reduzido por haver poucas unidades para este atendimento. TABELA 01 Perguntas Aplicadas e Respostas dos Trabalhadores Terceirizados Perguntas Respostas Função Limpeza: 07 Portaria: 03 Recepção: 03 Renda 1 Salário Mínimo: 10 1 a 11\2 Salário Mínimo:03 Carga Horária 44 Horas:12

15 15 40 Horas:01 Faixa Etária 20 a 35 anos:04 36 a 50 anos: 08 Acima de 51 anos: 01 Grau de Escolaridade Ensino Fundamental Completo: 03 Ensino Fundamental Incompleto:04 Ensino Médio Completo: 04 Ensino Superior Incompleto: 01 Curso Técnico Completo: 01 Nº de Filhos 1 a 4 Filhos: 08 5 a 7 Filhos:01 Não tem Filhos:04 Benefícios que recebem Salubridade: 07 Ticket Alimentação:07 Direitos Vale Transporte: 08 Carteira Assinada:13 Folga:13 Férias: 13 INSS: 13 Desejam ser efetivos da PMOP Relacionamento com a Supervisão da Empresa e a Coordenação da UPA Atividades Extras e/ou Complementares Sim: 09 Não: 03 Tem Dúvida: 01 Excelente: 03 Bom: 10 Ruim:00 Respostas apenas para a Coordenação da UPA OS: Com a Empresa tem contato uma vez por ano, formal e burocrático. Atividade Extra: 06 Curso de Aperfeiçoamento: 00 Faculdade: 01 Emprego anterior a este Autônomo: 02 Empresa: 05 Doméstica: 03 Desempregado: 01 Não Tinham Emprego: 02 Ao responderem o questionário os trabalhadores terceirizados tiveram a oportunidade de expressarem as suas inquietações, sugestões sobre o tema proposto na pesquisa. Percebemos que muitos sentem a necessidade de voltarem a estudar, para enfim almejar um amanhã mais risonho, um dia mais leve para si e sua família. Eles reconhecem o descaso tanto das empresas, quanto da própria Instituição com

16 16 eles, mas infelizmente a barbárie do capital continua e vem se alastrando, por isso é necessário a luta política, e o mais importante a consciência dos direitos, uma visão mais crítica que vá além.

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