A TERCEIRIZAÇÃO DAS EMPRESAS DA MICRORREGIÃO DO ALTO SAPUCAÍ-MG

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1 A TERCEIRIZAÇÃO DAS EMPRESAS DA MICRORREGIÃO DO ALTO SAPUCAÍ-MG RAFAEL GUEDES DOS REIS Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas do Sul de Minas - FACESM HECTOR GUSTAVO ARANGO Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas do Sul de Minas - FACESM RESUMO Devido à amplitude de sua utilização, a terceirização surge como uma oportunidade de contratação do fator trabalho, que associada à flexibilização, estabelece a relação entre capital e trabalho. A proposta deste artigo é fazer uma descrição do mercado de terceirização de serviços na microrregião do Alto Sapucaí MG. A opção pela alternativa de terceirizar se dá majoritariamente pela redução de custos para a empresa, sendo a Segurança o serviço mais terceirizado por elas. Já em relação aos fatores econômicos, os respondentes apontaram outros fatores. Quanto aos fatores financeiros, a redução das obrigações trabalhistas é o motivo que leva as empresas a optarem pela terceirização. O foco na atividade principal foi citado como vantagem de se terceirizar. A desvantagem, por sua vez, está na dificuldade de encontrar a parceria ideal. Palavras-chave: Terceirização, Flexibilização, Relação Capital e Trabalho, Microrregião do Alto Sapucaí MG. 1. INTRODUÇÃO A Terceirização é um fenômeno que avança no mundo. No Brasil, essa forma de contratar se intensificou a partir dos anos Nesse sentido, a terceirização vem se consolidando como estratégia de minimização de custos e definindo ajustes no padrão de emprego formal. No presente texto encontram-se destacados os aspectos relacionados à terceirização, o que Brasil (1993) define como um processo de transferência dentro da empresa (empresa-origem) de funções que podem ser executadas por outras empresas (empresa-destino), e tais funções incluem atividades de apoio ou aquelas relacionadas com o processo produtivo da empresa. A diferença entre simplesmente subcontratar recursos e optar pela terceirização, é que o segundo envolve o uso estratégico de recursos externos para desempenhar atividades que eram tradicionalmente desenvolvidas por colaboradores internos, com o objetivo de alcançar uma vantagem operacional pré-definida, que geralmente se resumem em redução de custos e/ou pessoas. Tendo em vista essa temática, a pesquisa tem como problemática a seguinte questão: Por que as empresas terceirizam um determinando serviço e quais as características específicas deste mercado no contexto da microrregião do Alto Sapucaí MG? 1

2 2. OBJETIVOS Visando atingir o objetivo geral, que é estudar a terceirização no mercado de trabalho no contexto das empresas da microrregião do Alto Sapucaí MG, estabeleceram-se as etapas consecutivas, como objetivos específicos: apresentar referências sobre Trabalho, Flexibilidade e Terceirização, verificando a economia de recursos materiais e financeiros, mostrando então quais as vantagens e desvantagens da terceirização para a empresa. 3. METODOLOGIA De acordo com Cervo e Bervian (2002) a pesquisa descritiva observa, registra, analisa e procura descobrir a frequência com que um fenômeno ocorre. Sendo assim, o trabalho proposto tem como finalidade realizar uma descrição do mercado de terceirização de serviços na microrregião do Alto Sapucaí MG, tendo como procedimento adotado a pesquisa qualitativa por amostragem. Segundo Gil (1999), este tipo de pesquisa visa caracterizar determinada população, fenômeno ou o estabelecimento de relação entre as variáveis. Então, para a obtenção dos dados utilizados neste estudo, foi empregada a técnica de questionário estruturado aos gestores de Recursos Humanos das principais empresas da microrregião, visando conhecer a situação vigente quanto aos serviços que são terceirizados, as economias proporcionadas pela terceirização e também as vantagens e desvantagens da adoção desta prática na visão dos mesmos. 4. DESENVOLVIMENTO Partindo do ponto que o empresariado brasileiro propõe uma radical reforma trabalhista, defendendo que o modelo atual de regulação das relações encontra-se defasado perante aos avanços técnicos e de gestão nos dias atuais, a CNI (2009 c) evidencia que as mesmas se tornaram defasadas frente às mudanças ocorridas no âmbito da produção. A fim de obter mais flexibilização, os empresários reivindicam a negociação individual quanto à jornada de trabalho e aos pagamentos de benefícios. Para Siqueira Neto (1997), a flexibilização das leis é o conjunto de medidas destinadas a afrouxar, adaptar ou limitar a regulamentação trabalhista de acordo com a realidade econômica e produtiva, mas, não necessariamente todo tipo de flexibilização demanda uma desregulamentação. A CNI (2009c) propõe a possibilidade de flexibilizar as relações trabalhistas em todo o âmbito da empresa, o que hoje é permitido apenas para atividades-meio, ou seja, aquelas atividades que 2

3 não constituem o objetivo primeiro da empresa, pela defesa da terceirização tanto das atividades-meio quanto das atividades fim. No contexto da reforma trabalhista, os empresários defendem a simplificação e a flexibilização como categorias norteadoras da relação capital e trabalho, onde Antunes (1995 e 1999) contextualiza que, apesar de o trabalho subordinar-se ao capital, o mesmo é um elemento vivo, em permanente medição de forças, gerando conflitos e oposições ao outro polo formador da unidade, que é a relação e o processo social capitalista. O autor menciona que a classe trabalhadora hoje, compreende a totalidade dos assalariados, homens e mulheres que vivem da venda da sua força de trabalho e que são despossuídos dos meios de produção, mas em contrapartida ela vem presenciando um processo multiforme, cujas principais tendências são a redução do proletariado industrial, fabril, tradicional, manual, estável e especializado, herdeiro da era da indústria verticalizada do tipo taylorista e fordista. Ao contrário das tendências anteriormente citadas, são os terceirizados, subcontratados que se caracterizam pelo aumento do novo proletariado fabril e de serviços, presente nas diversas modalidades de trabalho precário; outra tendência é o aumento significativo do trabalho feminino, que atinge mais de 40% da força de trabalho em diversos países avançados, e que tem sido absorvido pelo capital. Já no que diz respeito à exclusão no mercado de trabalho temos como tendência a crescente exclusão dos jovens, que atingiram a idade de ingresso no mercado de trabalho e que, sem perspectiva de emprego, acabam muitas vezes engrossando as fileiras dos trabalhos precários; e também a exclusão dos trabalhadores considerados idosos pelo capital, com idade próxima de 40 anos e que, uma vez excluídos do trabalho, dificilmente conseguem reingresso no mercado de trabalho. Como desdobramento das tendências acima vem se desenvolvendo no mundo do trabalho uma crescente expansão da mão-de-obra no chamado Terceiro Setor, assumindo uma forma alternativa de ocupação, por intermédio de empresas de perfis mais comunitários, motivadas predominantemente por formas de trabalho voluntário. E, por fim, há a reconfiguração, tanto do espaço quanto do tempo de produção, a partir da qual novas regiões industriais emergem e muitas desaparecem, além de inserirem-se cada vez mais no mercado mundial. O termo subsunção indica e caracteriza a relação entre o trabalho e o capital, em vista disso, poderia parecer mais oportuno denominá-lo submissão, já que se trata de expressar a relação que surge quando o trabalhador vende sua força de trabalho ao capital, a 3

4 ele se submetendo. Portanto, Antunes e Alves (2004), expõem que subsunção expressa que a força de trabalho vem a ser, ela mesma, incluída e transformada em capital, ou seja, o trabalho constitui o capital. Na concepção de Marcelino (2007), subcontratação e terceirização são sinônimas. Toda vez que uma empresa resolve subcontratar, o que ela faz é transferir para outra os riscos e parte dos custos com a contratação da força de trabalho (os trabalhadores, os terceiros). Isso porque o contrato deixa de ser trabalhista (empresa x trabalhador) e passa a ser comercial ou civil (empresa x empresa). Para que haja rigor em relação à amplitude da utilização da terceirização, Marcelino (idem) opta por uma definição de que a terceirização é todo processo de contratação de trabalhadores por empresa interposta, ou seja, é a relação onde o trabalho é realizado para uma empresa, mas contratado de maneira imediata por outra. Vale (1993) diz que o novo no processo de terceirização é, principalmente, a intensidade do fenômeno, pois um número crescente de empresas passa a entender que a pretensão de autossuficiência em todos os campos não é mais interessante, gerando má alocação de recursos, custos elevados e ineficiência, e que as exigências do mercado forçam sua inclusão numa estratégia maior da empresa, de formação de parceiros estáveis como fornecedores. Na busca de terceiros no mercado, Ferreira (2011) diz ser essencial que a escolha de parceiros contemple as seguintes alternativas: a busca no mercado por empresas especializadas já estabelecidas, que preencham os requisitos desejados; promover a criação de empresas administradas por ex-funcionários, com reconhecido know-how da atividade a ser terceirizada; desenvolver fornecedores já estabelecidos, mas que ainda não tenham alcançado o perfil desejado. Ferreira (2011) fala que por suas vantagens econômicas, financeiras e administrativas, reconhecidas pelos especialistas, "a terceirização é chamada, também, na ciência da administração, de focalização, porque a empresa passa a se dedicar apenas ao foco de sua atividade, ficando as demais com terceiros". Já em relação às consequências positivas da economia da terceirização, Queiroz (1998) menciona que a economia pode ser de recursos humanos, materiais, instrumentais, de equipamentos e de recursos financeiros. Wernke (2011) ostenta um levantamento sobre algumas vantagens e desvantagens associadas à terceirização, no que diz respeito às vantagens, o autor indica: desenvolvimento econômico, agilidade das decisões, possibilidade de menor custo, entre outras; já as 4

5 desvantagens estão no desconhecimento da alta administração e na dificuldade de se encontrar a parceria ideal. Girardi (1999) denota que o foco na atividade principal proporciona a concentração de recursos para a atividade-fim, melhorando a produtividade, a especialização e a eficácia empresarial. A empresa também valoriza os recursos humanos terceirizados, dos quais ela exige maior esforço de treinamento e desenvolvimento profissional. Em ligação com o mercado, o autor também apresenta o desenvolvimento econômico como uma vantagem. Como desvantagens, ele cita o desconhecimento da legislação, que se traduz como um risco na elaboração dos contratos. Os aspectos culturais representam outra desvantagem, que é a dificuldade de integração entre as culturas do contratante e do fornecedor. Já Brasil (1993) apresenta uma desvantagem em relação à estratégia da terceirização, que é o aumento da quantidade de fornecedores a serem controlados pela empresa. 5. RESULTADOS 5.1. A Terceirização e as Relações Envolvidas A conjuntura na qual os negócios se inserem atualmente, coloca as empresas diante de uma nova maneira de pensar e agir. Diante disso, é preciso encontrar uma forma de criar e implementar estratégias e, diante disso, a terceirização se torna uma ferramenta tática. Neste estudo foram questionadas oito das principais Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Elétricos, das quais obtiveram-se os dados que caracterizam a microrregião. Para melhor percepção dos resultados, serão apresentados os serviços terceirizados e por que terceirizar, com base em dados fornecidos pelos respondentes, aos quais foi dada total liberdade para expandirem suas respostas ao ponto que julgassem interessante. Serão apresentados em seguida os fatores materiais, financeiros, as vantagens e as desvantagens, assinaladas no referencial, submetidas também à opinião dos gestores. Com o intuito de atingir o objetivo geral e específico deste trabalho, foram feitas algumas indagações às empresas que aderiram à pesquisa. Tais indagações e seus respectivos resultados seguem abaixo: 5

6 Atualmente, existem setores terceirizados na empresa? Gráfico 1: Resultados dos Serviços terceirizados de acordo com a amostra Serviços Terceirizados Serviços Terceirizados De que forma foi tomada a decisão referente à implementação da terceirização na empresa? Por que terceirizar? Gráfico 2: Por que terceirizar? A terceirização de um determinado setor, para empresa, pode converter-se em: 6

7 Gráfico 3: Resultados dos Fatores Econômicos da terceirização. Em relação a fatores financeiros da empresa, a terceirização pode suceder em: Gráfico 4: Resultados da Economia Financeira da terceirização. Quais das opções abaixo em sua opinião traz vantagens para a empresa em relação à terceirização? 7

8 Gráfico 5: Resultados das Vantagens da terceirização. Quais das opções abaixo em sua opinião traz desvantagens para a empresa em a relação à terceirização? Gráfico 6: Resultados das Desvantagens da terceirização. 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS No intuito de alcançar o objetivo geral, levantaram-se as principais atividades e serviços terceirizados, classificando as formas de terceirização praticadas pelas empresas, detectando as vantagens e desvantagens dessa alternativa. Do questionário, pode-se dizer que através dos resultados obtidos, conclui-se que as principais atividades, que se julga necessária terceirizar são as de Segurança, Restaurante e Serviços Gerais, consecutivamente. 8

9 A opção pela alternativa de terceirizar se dá pela redução de custos para a empresa. Já em relação aos fatores econômicos, os respondentes optaram por outros fatores além dos enumerados no questionário, deixando o fator economia de insumos em segundo lugar. Quanto aos fatores financeiros, a redução das obrigações trabalhistas é o motivo que leva as empresas a optarem pela terceirização. O foco na atividade principal, a redução de custos e o desenvolvimento econômico foram citados como vantagens de se terceirizar. As desvantagens estão na dificuldade de encontrar a parceria ideal, desconhecimento das leis e aumento de fornecedores. 7. FONTES CONSULTADAS ANTUNES, R. Adeus ao trabalho? São Paulo: Cortez, Os Sentidos do Trabalho: ensaio sobre a afirmação e negação do trabalho, 7. Ed. São Paulo: Boitempo, p. ANTUNES, Ricardo; ALVES, Giovanni. As mutações no mundo do trabalho na era da mundialização do capital, Educ. Soc., Campinas, v. 25, n. 87, ago Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=s &lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 07 maio BRASIL, H. G. A Empresa e a Estratégia da Terceirização. RAE. Revista de Administração de Empresas,1993. Disponível em: <http://xa.yimg.com/kq/groups/ / /name/artigo+terceirizacao+ -+RAE+.pdf>. Acesso em: 12 Abril CERVO, Amado L.; BERVIAN, Pedro A. Metodologia Científica, São Paulo: Prentice Hall, CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA. Terceirização. Sondagem Especial, ano 7, n. 02, abril de 2009c. Disponível em:<http://www.cni.org.br/portal/data/files/00/8a9015d b01213a64f0c536ba/so ndagem%20especial_terceiriza%c3%a7%c3%a3o_web.pdf.>. Acesso em: 03 Maio FERREIRA, Sérgio de Abreu. Revista Eletrônica da Faculdade Metodista Granbery. A Terceirização: Uma releitura de diretrizes gerenciais e jurídicas, ISSN Curso de Direito - N. 10, JAN/JUN 2011, Disponível em: < >. Acesso em: 01 Mar GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas,1999. GIRARDI, D. M.. A importância da terceirização nas organizações. Revista de Ciências da Administração (CAD/UFSC), Florianópolis, v. 1, p , Disponível em: < 15/index.php/adm/article/view/7998/7383>. Acesso em: 24 de Maio

10 MARCELINO, P. R. P.. Afinal, o que é terceirização? Em busca de ferramentas de análise e de ação política. Pegada (UNESP), v. 1, p , Disponível em:< >. Acesso em: 20 Maio QUEIROZ, Carlos Alberto Ramos Soares de. Manual de terceirização: onde podemos errar no desenvolvimento e na implantação dos projetos e quais são os caminhos do sucesso / Carlos Alberto Ramos Soares de Queiroz, São Paulo: STS, SIQUEIRA NETO, Direito do Trabalho e Flexibilização no Brasil. Revista São Paulo em Perspectiva, São Paulo, v.11, nº. 1, p , jan.- mar Disponível em: < https://www.seade.gov.br/produtos/spp/v11n01/v11n01_04.pdf >. Acesso em: 09 Maio VALE, Glaucia Maria Vasconcelos. Terceirização e competitividade, Boletim Tecnológico - FIEMG/CIEMG, Belo Horizonte, a. 08, n. 28, p , jan/abr WERNKE, Rodney; MENDES, Eduardo Zanellatto; LEMBECK, Marluce. Manter a terceirização do transporte de funcionários de uma fábrica ou utilizar frota própria de ônibus: estudo de caso, In: XVIII Congresso Brasileiro de Custos, 2011, Rio de Janeiro. Congresso Brasileiro de Custos. São Leopoldo - RS: Associação Brasileira de Custos - ABC, v

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