Abrindo o Cofre. ABNT, Inmetro e Fiesp reconhecem a necessidade de acesso gratuito às normas técnicas

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1 Ano XXIV Abril de 2015 Edição 274 Abrindo o Cofre ABNT, Inmetro e Fiesp reconhecem a necessidade de acesso gratuito às normas técnicas METROLOGIA Método para a estimativa de submedição de hidrômetros MEIO AMBIENTE O potencial de energia eólica no Brasil BQ 274 t Abril de 2015 t Revista Banas Qualidade - 1

2 Os valores-p não me assustam. Análise de Dados Destemida Analisar dados com o Minitab Statistical Software é fácil e agora Minitab 17 está disponível em Português. Um Assistente integrado guia você durante todo o processo, desde a escolha da ferramenta correta até a realização da sua análise e interpretação dos seus resultados. Você conhece o seu negócio. Minitab fornece a confiança necessária para melhorá-lo. 2 - Revista Banas Qualidade t Abril de 2015 t BQ 274

3 Editorial Hayrton do Prado Revista Banas Qualidade Telefones: +55(11) / Facebook: banasqualidade Site: Editorial Publisher: Fernando Banas Editor: Hayrton do Prado Colaboradores Editoriais Maurício Ferraz de Paiva Claudemir Y.Oribe Roberto Inagake Roberta Pithon Cristina Werkema Odécio Branchini Colaboradores da Edição Cristiano Bertulucci Silveira Dolores Affonso Gregory H. Watson Luiz Eduardo Mendes Rosemara Augusto Pereira Werner Siegfried Hanisch Eventos e Treinamentos Christine Banas Telefone: +55(11) Publicidade Edila Editorial Latina Ltda. Telefone: +55(11) / Assinaturas Telefone: +55(11) Assinatura digital Anual (12 edições) : R$ 140,00 Bianual (24 edições) : R$190,00 A Revista Banas Qualidade - DIGITAL é publicada pela EDILA-Editorial Latina Ltda. com sede em São Paulo/SP - Brasil. A publicação não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos aqui emitidos por seus articulistas e colunistas. ISSN Ano XIV - Edição 274 Abril de 2015 A obrigatoriedade do uso das normas técnicas No Brasil, como algumas organizações importantes disseminam a balela de que as normas técnicas não são obrigatórias, o que está levando o país a perder, e muito, a sua competitividade. Parece que o próprio governo está com a intenção de jogar uma pá de cal sobre essas organizações mentirosas ao editar o Plano Nacional de Consumo e Cidadania, com a finalidade de promover a proteção e defesa do consumidor em todo o território nacional, por meio da integração e articulação de políticas, programas e ações. Ele será executado pela União em colaboração com estados, distrito federal, municípios e com a sociedade. Suas diretrizes: educação para o consumo; adequada e eficaz prestação dos serviços públicos; garantia do acesso do consumidor à justiça; garantia de produtos e serviços com padrões adequados de qualidade, segurança, durabilidade e desempenho; fortalecimento da participação social na defesa dos consumidores; prevenção e repressão de condutas que violem direitos do consumidor; e autodeterminação, privacidade, confidencialidade e segurança das informações e dados pessoais prestados ou coletados, inclusive por meio eletrônico. Seus objetivos incluem: garantir o atendimento das necessidades dos consumidores; assegurar o respeito à dignidade, saúde e segurança do consumidor; estimular a melhoria da qualidade de produtos e serviços colocados no mercado de consumo; assegurar a prevenção e a repressão de condutas que violem direitos do consumidor; promover o acesso a padrões de produção e consumo sustentáveis; e promover a transparência e harmonia das relações de consumo. Assim, com o aumento da competição internacional entre as empresas, houve a eliminação das tradicionais vantagens baseadas no uso de fatores abundantes e de baixo custo. Dessa forma, a normalização técnica passou a ser utilizada cada vez mais como um meio para se alcançar a redução de custo da produção e do produto final, mantendo ou melhorando sua qualidade. BQ 274 t Abril de 2015 t Revista Banas Qualidade - 3

4 Sumário 03 - Editorial A obrigatoriedade do uso das normas técnicas 06 - Pelo Mundo Os principais fatos internacionais 08 - Eventos Treinamentos e eventos de maio 10 - MASP Prepare a pipoca, você vai aprender o MASP assistindo um filme 26 - Qualidade Academia Brasileira da Qualidade (ABQ) 32 - Ferramentas Cinco passos para superar a deficiência e 12 - Seis Sigma: Tolerância a erros, qual o seu limite?: Aprendemos na infância que errar é humano mas, quando tratamos de atividades rotineiras de trabalho, qual deve ser o limite para nossa tolerância? 34 - Gestão O líder da Qualidade Total: Lembrando Armand V. Feigenbaum, o integrador da gestão de qualidade organizacional 66 - Inside Por dentro da Notícia 76 - Gestão de Saúde Uma norma para luvas de borracha 86 - Normalização Medidores de energia elétrica 96 - Normas e Diretrizes 99 - Cartas Ponto Crítico Quem tem medo do Auditor? 16 - Meio Ambiente: TO potencial da energia eólica no Brasil: Denomina-se energia eólica a energia cinética contida nas massas de ar em movimento (vento). Seu aproveitamento ocorre por meio da conversão da energia cinética de translação em energia cinética de rotação, com o emprego de turbinas eólicas, também denominadas aerogeradores, para a geração de eletricidade, ou cataventos (e moinhos). As estimativas para o seu aproveitamento no país estão por volta de a MW. 4 - Revista Banas Qualidade t Abril de 2015 t BQ 274

5 Abril de Edição Ano XXIV Ano XXIV Abril de 2015 Edição 274 Abrindo o Cofre ABNT, Inmetro e Fiesp reconhecem a necessidade de acesso gratuito às normas técnicas METROLOGIA Método para a estimativa de submedição de hidrômetros MEIO AMBIENTE O potencial de energia eólica no Brasil 50 - Capa : ABNT irá cumprir com a sua função social: oferecer normas técnicas gratuitas à sociedade Acessibilidade: Os deficientes também precisam se divertir: Muito se fala na empregabilidade da pessoa com deficiência, na educação inclusiva, na sexualidade, na acessibilidade e mobilidade urbana, no acesso à saúde e até nas adaptações veiculares 70 - Metodologia: KAIZEN: O Kaizen é uma palavra japonesa constituída de dois ideogramas: o primeiro (Kai) representa mudança e o Zen, bondade ou virtude. É tipicamente utilizado para indicar a melhoria a longo prazo de algo ou alguém (melhoria contínua) 90 - Metrologia : Método para estimativa de submedição de hidrômetros: Apresenta-se um método para estimativa de volumes submedidos em parques hidrométricos por meio da avaliação da taxa de decaimento de consumo por regressão linear, utilizando dados históricos de consumo do parque de hidrômetros de um dos serviços autônomos de distribuição de água da Região Metropolitana de São Paulo. Por meio do estudo foi estimado o potencial de recuperação dos volumes e receita, e será possível estabelecer uma priorização de troca dos medidores de forma a otimizar a quantificação dos volumes micromedidos dentro do sistema de distribuição de água. BQ 274 t Abril de 2015 t Revista Banas Qualidade - 5

6 Pelo Mundo Um novo olhar sobre Gestão de Riscos Veja o vídeo e saiba mais sobre o papel do risco na revisão da ISO 9001:2015 e descubra a causa raiz do risco através de um Diagrama Espinha de Peixe. Descubra uma fórmula de gestão de riscos e aprenda como a fábrica de brinquedos LEGO gerencia os riscos com sucesso. Energia Eólica no Brasil A energia eólica é a fonte que mais cresce no Brasil. Na primeira semana de 2015, atingiu 6 gigawatts de potência instalada. São 241 parques eólicos distribuídos por 11 estados. A participação na matriz brasileira é de 4,5% com expectativa de subir para 8% até Com este índice atingido em janeiro, 10 milhões de residências foram abastecidas e 5 milhões de toneladas de emissões de CO2 evitadas. Bons ventos! Redução na captação de água nas empresas As indústrias da região de Jundiaí terão que diminuir 30% a captação de água quando os rios estiverem com volume baixo. São 76 cidades na região do interior de São Paulo, e a redução será aplicada nas empresas que utilizam a água dos rios Piracicaba, Jundiaí e Capivari. Algumas empresas já estão utilizando a captação da água da chuva e conseguiram diminuir o consumo em até 50%. As empresas que adotarem o reuso da água terão que fazer um projeto seguindo as normas da Agência Nacional da Água, que será analisado pela Cetesb. Atualizações sobre a revisão da norma ISO 9001 e ISO As normas estão na fase final do DIS. Esta é a fase de aprovação de ambos os documentos em que as observações, textos, figuras e layout são examinados, para a formatação e edição. Conforme a última atualização: Espera-se que a fase final da DIS ISO 9001 seja emitida no início de julho de Enquanto houver alguma reformulação e reestruturação do texto, é pouco provável que tenha alterações significativas nos requisitos. Prevê-se que a fase final da DIS sairá no final de julho de Revista Banas Qualidade t Abril de 2015 t BQ 274

7 Por Jeannette Galbinski Pesquisa: A responsabilidade das empresas na indústria automotiva É esperada a venda de 74 milhões de unidades de automóveis em 2015 em todo o mundo, um recorde histórico. Desta forma, a indústria deve resolver desafios complexos, como a melhoria das condições de trabalho globais, redução das emissões de gases de efeito estufa, e aumento da transparência na cadeia de fornecimento. Participe da pesquisa que tem como objetivo identificar o processo corporativo das empresas e as prioridades para o futuro. A pesquisa será anônima e relatório final será publicado em abril de Após concluído o inquérito, você terá acesso gratuito ao estudo em 26 países da GlobeScan de percepções públicas de desempenho de responsabilidade corporativa da indústria automobilística. aspx?sname= us&surveytype=1& src=98&ids=1&enparams=gol Revisão da ISO Especialistas que revisam a ISO em sistemas de gestão ambiental se reuniram em Tóquio em fevereiro de 2015 para olhar mais de comentários recebidos durante a fase de consulta pública (DIS) e produzir uma versão final da DIS. A revisão final da DIS será finalizada na próxima reunião do grupo de trabalho em Londres, em Abril de Esta revisão será então submetida à votação e o padrão liberado para publicação assim quer for aprovado. A nova versão está prevista para o final de standards/management-standards/ iso14000/iso14001_revision.htm 28 anos de Seis Sigma Bob Galvin, CEO de longa data e presidente do conselho da Motorola, lançou um programa de qualidade a longo prazo chamado de "O Programa de Qualidade Seis Sigma" em janeiro de O programa foi anunciado como um programa corporativo que estabeleceu Six Sigma como o nível de capacidade necessária para se aproximar do padrão de 3.4 defeitos por milhão de oportunidades (DPMO). O padrão 3.4 DPMO foi concebido para ser utilizado em todas as áreas na Motorola: produtos, processos, serviços e administração. O Comitê de política corporativa da Motorola atualizou sua meta de qualidade para refletir essa metodologia: Todo mundo foi responsável pelo sucesso deste objetivo. O objetivo também estabeleceu que ninguém poderia supor que tinham feito o suficiente até que todo o objetivo do Seis Sigma fosse alcançado na Indicados ao Prêmio Malcom Baldrige 2014 Quatro organizações de três categorias diferentes foram indicados ao Prêmio Nacional da Qualidade Malcolm Baldrige Os indicados foram: Prática do Setor Público PricewaterhouseCoopers, McLean, VA (categoria de serviços). Hill Country Memorial Hospital, Fredericksburg, TX (categoria de cuidados de saúde). St. David HealthCare, Austin, TX (categoria cuidados de saúde). Elevações Credit Union, Boulder, CO (categoria sem fins lucrativos). De acordo com o secretário de Comércio dos Estados Unidos Penny Pritzker os homenageados são os modelos de inovação, boa gestão, empregado, satisfação do cliente e resultados. A cerimônia de homenagem será em abril, em Baltimore. Jeannette Galbinski: Doutora em Engenharia de Produção pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Master of Science em Qualidade e Confiabilidade pelo Technion Institute of Technology. Graduada em Estatística pela USP, com especialização em Administração Industrial pela Fundação Vanzolini. Master Black Belt e consultora internacional especialista na implementação de Ferramentas e Sistemas da Qualidade e projetos de Seis Sigma. BQ 274 t Abril de 2015 t Revista Banas Qualidade - 7

8 Eventos Maio World Conference on Quality and Improvement Transformar o mundo através da inovação, Inspiração, e Liderança. Consciente ou inconscientemente, sob o título de qualidade ou qualquer outro termo, todas as organizações precisam usar a qualidade. Com a concorrência e a complexidade do mercado global crescendo, mais e mais organizações estão adotando a necessidade de pensar diferente e inspirar seus funcionários Data: 04 a 06 de maio Local: Nashville/ EUA Informação: https://asq. org/wcqi/2015/theme-focusareas.aspx /15 Formação de Auditor Interno na ISO IEC Apresentação dos conceitos de Auditoria de Sistemas de Qualidade baseados nas Normas NBR ISO 19011, estando em condições de avaliar os Sistemas de Gestão de Segurança da Informação da empresa e seus fornecedores. Data: 04 de maio Local: São Paulo/SP Informação: vanzolini.org.br/eventos. asp?cod_site=0&id_ evento=1745 Curso Preparatório para a Certificação PMP Oferecer formação básica a profissionais iniciantes na carreira de gestão de projetos e que pretendam conhecer o Guia PMBOK. Data: 05 de maio Local: São Paulo/SP Informação: vanzolini.org.br/eventos. asp?cod_site=0&id_ evento=1955 Upgrade MMOG V4 -AIAG Este curso apresenta ao participante uma análise das principais mudanças dos requisitos e do processo de avaliação do Global MMOG/ LE V4, propiciando uma compreensão do participante das adequações necessárias ao migrar da versão 3 para a versão 4. Data: 08 de maio Local: São Paulo/SP Informação: setecnet.com.br/convite. php?id_turma=3696 MASP / A3 / Global 8D O MASP / A3 e Global 8D são metodologias cujo objetivo é a resolução de problemas através do trabalho em equipe. Data: 14 e 15 de maio Local: São Paulo/SP Informação: setecnet.com.br/convite. php?id_turma=3606 Construindo um Sistema de Gestão da Qualidade Um livro especialmente escrito para os profissionais que pretendem IMPLANTAR um Sistema de Gestão da Qualidade,VERIFICAR o sistema já implantado na empresa ou TREINAR sua equipe interna Revista Banas Qualidade t Abril de 2015 t BQ 274

9 Maio 28 Maio Introdução ao Processo AQUA-HQE Six Sigma Brasil Apresentar o processo AQUA-HQE, o processo de certificação e o cenário. Objetivos da avaliação e certificação; Visão geral do referencial técnico AQUA; Visão geral do sistema de gestão do empreendimento (SGE); Visão geral das categorias de Qualidade Ambiental do Edifício (QAE); Cenário atual Data: 28 a 30 de janeiro Local: São Paulo Informação: vanzolini.org.br/eventos. asp?cod_site=0&id_ evento=1925 Voltado para a comunidade de profissionais que atuam na área de gestão, O VII Congresso Internacional Six Sigma Brasil 2015 tem como objetivo compartilhar inovação e relacionamento trazendo valor agregado para a comunidade por meio de palestras expositivas, cases de sucesso e técnicas inovadoras de gestão de projetos e processos. Data: 20 e 21 de maio Local: São Paulo/ Informação: leansixsigma.com.br/ congresso/ocongresso.asp 18 18/19 20/21 28/29 A nova ISO 9001:2015 Contribuir com a capacitação dos profissionais em sistemas de gestão da qualidade com o objetivo de adequar seus atuais sistemas e implantar novos sistemas com foco em atender à nova versão da norma ISO 9001, que será publicada em Data: 18 de maio Local: São Paulo/SP Informação:http://www. vanzolini.org.br/eventos. asp?cod_site=0&id_ evento=1782 CEP 2ª Edição Dar competência aos participantes para análise do CEP em sua organização e de como implementar a ferramenta e obter os melhores resultados. Participantes devem trazer notebook ou netbook. Data: 18 e 19 de maio Local: São Paulo/SP Informação:http://www. setecnet.com.br/convite. php?id_turma=3574 A arte de liderar: Comunicação e expressão para líderes e gestores Trabalhar, por meio de discussões e exercícios práticos, habilidades de comunicação voltadas à liderança. Data: 20 e 21 de maio Local: São Paulo/SP Informação: vanzolini.org.br/eventos. asp?cod_site=0&id_ evento=1751 Gerenciamento da Rotina e Ferramentas da Qualidade Capacitar o participante na aplicação das ferramentas básicas da qualidade, também conhecidas como as sete velhas ferramentas da qualidade e na metodologia de análise e solução de problemas (MASP). Data: 28 e 29 de maio Local: São Paulo/SP Informação: vanzolini.org.br/eventos. asp?cod_site=0&id_ evento=1911 Implantando a ISO 9001:2008 Kit para implantação do Sistema de Gestão da Qualidade na empresa. O Kit Passo a Passo traz todos os materiais necessários para a aplicação completa da norma. implante-voce-mesmo-a-iso-9001-em-sua-empresa/ BQ 274 t Abril de 2015 t Revista Banas Qualidade - 9

10 MASP Por Claudemir Oribe Prepare a pipoca! Aprenda MASP vendo um filme Estudar e aprender a resolver um problema complexo pode ser mais divertido do que possa aparentar. O filme O Óleo de Lorenzo é um recurso riquíssimo, pois nele é possível ver um processo de resolução sob vários pontos de vista. Depois de aprender o método, o interessado pode assistir ao filme e nele há muito que observar e aprender. O filme conta a estória verídica de Lorenzo, um menino de pai italiano e mãe americana que, depois de voltar aos EUA após uma temporada morando na África, ele foi diagnosticado com uma doença degenerativa do cérebro, chamada ALD ou Adrenoleucodistrofia. Na época em que se passa a estória, na década de 80, não havia cura e nem tratamento desenvolvidos e a morte, em até 24 meses, era inevitável para toda criança diagnosticada com a doença. Ao assistir a estória, narrada com perfeição pelo diretor e com atuação magnífica dos intérpretes, é possível observar a aplicação de um método científico, a questão do rigor científico, às barreiras enfrentadas e superadas durante a análise do problema e o comportamento das protagonistas. O método científico de resolução de problemas é muito bem ilustrado. Pode-se observar claramente a identificação do problema pela observação dos sintomas. Os pais desconfiaram de várias coisas e procuraram vários médicos até que um deles identificou o mal corretamente. Se isso não acontecesse, o menino poderia ter morrido, tentando terapias que certamente seriam mal sucedidas. Na etapa de Análise, os pais foram procuram informações para compreender o mecanismo da doença por meio da formulação de hipóteses sobre como ela agia no cérebro do seu filho. As explicações custaram a aparecer e só foram reveladas depois de muitas seções de estudo e discussões com médicos e especialistas. Duas hipóteses foram formuladas e testadas, sendo que apenas a segunda possibilitou um efeito mais eficaz. Do ponto de vista metodológico é possível assistir a formulação de uma solução, a confirmação da eficácia da solução por meio de um experimento controlado, a implementação da solução, a verificação dos resultados, a padronização e o planejamento de ações remanescentes para outras crianças que portavam a doença e, também para dar continuidade às pesquisas e melhorar a solução encontrada. Embora o método científico tenha sido aplicado, isso não aconteceu de forma harmônica. Muitos embates metodológicos aconteceram entre os pais e o médico Dr. Nikolay interpretado por Peter Ustinov pois o pesquisador era obrigado a seguir o método com rigor devido aos riscos humanos que sua ausência implicaria. No entanto, os experimentos demandariam anos, talvez décadas, tempo que Lorenzo definitivamente não possuía. Os pais tinham que recorrer a riscos maiores, pois o tempo (sim sempre ele...) estava se esgotando e a saída era se valer de uma abordagem experimental mais ousada, sobre o próprio filho. É possível observar como o tempo acaba determinando a abordagem e como o método pode ser flexibilizado desde que utilizado dentro de premissas e hipóteses plausíveis. Quanto às barreiras, o solucionador de problemas encontrará no filme a referência de que precisa para constatar que não basta boas intenções e disposição, mesmo que extrema. As dificuldades estão por todo o lado, mesmo naqueles que, em princípio deveriam colaborar. O maior problema é a falta de informação, pois tratavase de algo novo e o pouco que existia estava fragmentado entre poucos especialistas ao redor do mundo. Tiveram que recorrer à biblioteca e, mesmo sendo leigos, estudar bioquímica. O estresse da situação provoca conflitos. O casal Odone briga com a tia do menino, com o médico, com enfermeiras, com a associação de pais de portadores da doença e até entre si. O óleo que precisam, e que pode salvar seu filho, nunca tinha sido produzido antes. Depois de procurar por mais de uma centena de laboratórios, acabam encontrando um na Inglaterra que se dispõe a sintetizá-lo. Tudo é dificílimo e extremamente trabalhoso. Eles correm o risco de experimentar o óleo no filho, e talvez até antecipar sua morte, mesmo diante da recusa do médico de continuar colaborando. Finalmente e talvez uma das maiores lições a tirar, é o comportamento obstinado do casal Odone. Movidos por um amor singular pelo filho e dispostos a qualquer coisa para salvá-lo, eles vencem barreiras cognitivas e perseguem a compreensão do processo que desencadeia a doença e a busca de uma solução inovadora, como se fossem salvar a própria vida.t Claudemir Oribe é Mestre em Administração, Consultor e Instrutor de MASP, Ferramentas da Qualidade e Gestão de T&D Revista Banas Qualidade t Abril de 2015 t BQ 274

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12 Seis Sigma Tolerância a erros: Qual é o seu limite? Aprendemos na infância que errar é humano mas, quando tratamos de atividades rotineiras de trabalho, qual deve ser o limite para nossa tolerância? 12 - Revista Banas Qualidade t Abril de 2015 t BQ 274

13 Por Cristina Werkema Sabemos que o Lean Seis Sigma defende a melhoria contínua dos processos da rotina das organizações, na busca de zero defeito ou zero erro, e utiliza uma escala para medir o nível de qualidade associado a um processo, transformando a quantidade de defeitos ou erros por milhão em um número na Escala Sigma. Quanto maior o valor alcançado na Escala Sigma, maior o nível de qualidade. Atingir o nível Seis Sigma dessa escala significa conquistar o patamar de 3,4 erros para cada milhão de operações realizadas, o que corresponde, obviamente, a uma baixa tolerância a erros. Sobre a tolerância a erros, Bob Galvin, ex-ceo da Motorola, que lançou o Seis Sigma na empresa em 1987, disse em certa ocasião (1): Muitas empresas e gestores se refugiam em uma ou mais das seguintes crenças: 1.Errar é humano. 2.Alcançar um nível elevado de qualidade custa caro e é muito demorado. 3.Atingir os mesmos resultados do ano passado já é suficientemente bom. 4.Erros em atividades administrativas ou em prestação de serviços são mais desculpáveis. 5.Ainda somos melhores que nossos concorrentes. 6.Ser capaz de apagar um incêndio decorrente de um erro é um distintivo de honra é até mesmo divertido. As crenças acima notadamente a primeira são utilizadas por muitas pessoas para defender uma elevada tolerância a erros e para qualificar aqueles que não aceitam erros de modo passivo isto é, que reagem diante de sua ocorrência, explicitando-os e tomando ações no sentido de evitar sua recorrência como muito exigentes. Estamos então tratando de um tema complexo, que não admite somente a dicotomia verdadeiro ou falso, e que merece ser explorado com mais detalhes. Em primeiro lugar, é claro que existem diferentes tipos de erros, o que impacta seu nível de gravidade, conforme mostra a figura abaixo. Nível de Gravidade do Erro Mais baixo O erro só atinge quem errou. As consequências do erro para as pessoas atingidas não são potencialmente graves e/ou são de fácil correção. O erro foi cometido por desconhecimento de algum fato novo envolvido na situação. O erro é de natureza técnica. O erro ocorreu pela primeira vez. Parece natural e esperado que, quanto mais alto for o nível de gravidade do erro, menor deverá ser o nosso nível de tolerância. u Mais Alto O erro atinge outras pessoas. As consequências do erro para as pessoas atingidas são potencialmente graves e/ou de correção trabalhosa. O erro foi cometido por esquecimento, desatenção ou sobrecarga de atividades. O erro é de natureza comportamental. O erro é recorrente. BQ 274 t Abril de 2015 t Revista Banas Qualidade - 13

14 Seis Sigma Como exemplo, vamos considerar uma empresa do setor da saúde. Nessa área, as consequências de um erro para as pessoas atingidas são potencialmente graves e, muitas vezes, de correção impossível isto é, o nível de gravidade de um eventual erro é, usualmente, alto. Se essa empresa atende seus clientes em um nível de qualidade de 99%, poderíamos, a princípio, considerar que ela é de excelente qualidade. Mas, o patamar 99% de qualidade significa que, para cada 100 pessoas atendidas, ocorre um erro no atendimento de uma pessoa. É óbvio que eu e também o leitor não gostaria de ser essa pessoa que foi afetada pelo erro! Situação similar ao contexto da saúde acontece com empresas e profissionais liberais que atuam nos setores de segurança, transportes públicos e direito. Nesses casos, é presumível que nosso nível de tolerância a erros seja baixo. No ambiente do direito, imagine a situação em que existem dois processos judiciais, ambos do mesmo autor, contra réus diferentes. Em cada processo, o autor faz a mesma solicitação. Os réus, que são coligados, respondem à solicitação apresentando duas petições idênticas, com conjuntos probatórios perfeitamente iguais e, a seguir, os dois processos APENSADOS! são encaminhados ao juiz responsável, para decisão. Imagine que o juiz delibere a favor do autor em um dos processos e, no outro, decida contra. É evidente que esse é um erro grave, que deverá suscitar um baixo nível de tolerância dos envolvidos. Lamentavelmente, o tipo de erro acima, por mais absurdo que possa parecer, ocorre. E, na justiça, também acontecem outras falhas mais grosseiras, como perda de petições e mandados pelas secretarias das varas judiciais, abertura de vista do processo ao advogado do réu quando deveria ser ao advogado do autor e arquivamento de um processo que ainda está em plena tramitação, dentre vários outros erros, os quais geram atrasos significativos no curso das ações judiciais e prejuízos diversos para os envolvidos. Nesse cenário, faço a pergunta ao leitor: é apropriado ter um baixo nível de tolerância para esses erros? Minha resposta, para esse questionamento, é afirmativa. É sabido que, quando falhas acontecem, é muito importante que os responsáveis por elas façam uma autocrítica. É necessário que os pontos fracos sejam identificados e admitidos, para que se possa aprender com os erros e reverter a situação com o objetivo de impedir sua recorrência. Nesse sentido, deve-se evitar tratar na defensiva, ou mesmo com hostilidade, a pessoa que detecta e expõe o erro não tem sentido culpar o mensageiro porque o conteúdo da mensagem é desagradável! A cultura brasileira tende a ser muito tolerante, paternalista e complacente com quem erra e se defende colocando a responsabilidade em terceiros ou fatos externos. E, aqueles que não pensam e agem alinhados a essa cultura são, muitas vezes, pejorativamente tachados de detalhistas e intolerantes e podem inspirar antipatia. Esse é um fato lamentável e totalmente contrário à filosofia e à visão do Lean Seis Sigma.t Comentários e referências: 1. Harry, Mikel; Schroeder, Richard. Six Sigma: The Breakthrough Management Strategy Revolutionizing the World s Top Corporations. New York: Currency, p. 28. Cristina Werkema é proprietária e diretora do Grupo Werkema e autora das obras da Série Seis Sigma Criando a Cultura Lean Seis Sigma, Design for Lean Six Sigma: Ferramentas Básicas Usadas nas Etapas D e M do DMADV, Lean Seis Sigma: Introdução às Ferramentas do Lean Manufacturing, Avaliação de Sistemas de Medição, Perguntas e Respostas Sobre o Lean Seis Sigma, Métodos PDCA e DMAIC e Suas Ferramentas Analíticas, Inferência Estatística: Como Estabelecer Conclusões com Confiança no Giro do PDCA e DMAIC e Ferramentas Estatísticas Básicas do Lean Seis Sigma Integradas ao PDCA e DMAIC, além de oito livros sobre estatística aplicada à gestão empresarial, área na qual atua há mais de vinte anos Revista Banas Qualidade t Abril de 2015 t BQ 274

15 BQ 274 t Abril de 2015 t Revista Banas Qualidade - 15

16 Meio Ambiente O potencial de energia eólica no Brasil 16 - Revista Banas Qualidade t Abril de 2015 t BQ 274

17 Denomina-se energia eólica a energia cinética contida nas massas de ar em movimento (vento). Seu aproveitamento ocorre por meio da conversão da energia cinética de translação em energia cinética de rotação, com o emprego de turbinas eólicas, também denominadas aerogeradores, para a geração de eletricidade, ou cataventos (e moinhos). As estimativas para o seu aproveitamento no país estão por volta de a MW. BQ 274 t Abril de 2015 t Revista Banas Qualidade - 17

18 Meio Ambiente Da Redação Assim como a energia hidráulica, a energia eólica é utilizada há milhares de anos com as mesmas finalidades, a saber: bombeamento de água, moagem de grãos e outras aplicações que envolvem energia mecânica. Para a geração de eletricidade, as primeiras tentativas surgiram no final do século XIX, mas somente um século depois, com a crise internacional do petróleo (década de 1970), é que houve interesse e investimentos suficientes para viabilizar o desenvolvimento e aplicação de equipamentos em escala comercial. A primeira turbina eólica comercial ligada à rede elétrica pública foi instalada em 1976, na Dinamarca. Atualmente, existem mais de 30 mil turbinas eólicas em operação no mundo. Em 1991, a Associação Européia de Energia Eólica estabeleceu como metas a instalação de MW de energia eólica na Europa até o ano 2000 e MW até o ano Essas e outras metas estão sendo cumpridas muito antes do esperado (4.000 MW em 1996, MW em 2001). As metas atuais são de MW na Europa até Nos Estados Unidos, o parque eólico existente é da ordem de MW instalados e com um crescimento anual em torno de 10%. Estima-se que em 2020 o mundo terá 12% da energia gerada pelo vento, com uma capacidade instalada de mais de GW. Recentes desenvolvimentos tecnológicos (sistemas avançados de transmissão, melhor aerodinâmica, estratégias de controle e operação das turbinas, etc.) têm reduzido custos e melhorado o desempenho e a confiabilidade dos equipamentos. O custo dos equipamentos, que era um dos principais entraves ao aproveitamento comercial da energia eólica, reduziu-se significativamente nas últimas duas décadas. A energia eólica produzida a partir da força dos ventos é abundante, renovável, limpa e disponível em muitos lugares. Essa energia é gerada por meio de aerogeradores, nas quais a força do vento é captada por hélices ligadas a uma turbina que aciona um gerador elétrico. A quantidade de energia transferida é função da densidade do ar, da área coberta pela rotação das pás (hélices) e da velocidade do vento. A avaliação técnica do potencial eólico exige um conhecimento detalhado do comportamento dos ventos. Os dados relativos a esse comportamento que auxiliam na determinação do potencial eólico de uma região são relativos à intensidade da velocidade e à direção do vento. Para obter esses dados, é necessário também analisar os fatores que influenciam o regime dos ventos na 18 - Revista Banas Qualidade t Abril de 2015 t BQ 274

19 localidade do empreendimento. Entre eles pode-se citar o relevo, a rugosidade do solo e outros obstáculos distribuídos ao longo da região. Para que a energia eólica seja considerada tecnicamente aproveitável, é necessário que sua densidade seja maior ou igual a 500 W/m², a uma altura de 50 metros, o que requer uma velocidade mínima do vento de 7 a 8 m/s. O vento apresenta velocidade média igual ou superior a 7 m/s, a uma altura de 50 m, em apenas 13% da superfície terrestre. Essa proporção varia muito entre regiões e continentes, chegando a 32% na Europa Ocidental. A utilização dessa fonte para geração de eletricidade, em escala comercial, começou na década de 1970, quando se acentuou a crise internacional de petróleo. Os EUA e alguns países da Europa se interessaram pelo desenvolvimento de fontes alternativas para a produção de energia elétrica, buscando diminuir a dependência do petróleo e carvão. Quanto à aplicação desse tipo de energia no Brasil, pode-se dizer que as grandes centrais eólicas podem ser conectadas à rede elétrica uma vez que possuem um grande potencial para atender o Sistema Interligado Nacional (SIN). As pequenas centrais, por sua vez, são destinadas ao suprimento de eletricidade a comunidades ou sistemas isolados, contribuindo para o processo de universalização do atendimento de energia. Em relação ao local, a instalação pode ser feita em terra firme (on-shore) ou no mar (off-shore). De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Brasil possui 248 MW de capacidade instalada de energia eólica, derivados de 16 empreendimentos em operação. O Atlas do Potencial Eólico Brasileiro, elaborado pelo Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel), mostra um potencial bruto de 143,5 GW, o que torna a energia eólica uma alternativa importante para a diversificação da geração de eletricidade no país. O maior potencial foi identificado na região litoral do Nordeste e no Sul e Sudeste. O potencial de energia anual para o Nordeste é de cerca de 144,29 TWh/ ano; para a região Sudeste, de 54,93 TWh/ano; e, para a região Sul, de de 41,11 Twh/ano. Ainda que a principal referência de potencial eólico do Brasil, o não apresente avaliações a respeito da potencialidade energética dos ventos na plataforma continental do vasto litoral brasileiro que tem nada menos que km de extensão e conta com avançado desenvolvimento em tecnologias offshore em função do desenvolvimento e capacitação para a prospecção e produção de petróleo e gás natural neste ambiente esta alternativa não pode ser ignorada e esta via deve ser ainda cuidadosamente avaliada, tendo em vista que estes projetos apresentamu BQ 274 t Abril de 2015 t Revista Banas Qualidade - 19

20 Meio Ambiente um maior volume específico de energia elétrica gerada ao beneficiaremse da constância dos regimes de vento no oceano. As aplicações mais favoráveis desta fonte energética no Brasil estão na integração ao sistema interligado de grandes blocos de geração nos sítios de maior potencial. Em certas regiões, como por exemplo, a região Nordeste, no vale do Rio São Francisco, pode ser observada uma situação de conveniente complementariedade da geração eólica com o regime hídrico, seja no período estacional ou na geração de ponta do sistema ou seja, o perfil de ventos observado no período seco do sistema elétrico brasileiro mostra maior capacidade de geração de eletricidade justamente no momento em que a afluência hidrológica nos reservatórios hidrelétricos se reduz. Por outro lado, no período úmido do sistema elétrico brasileiro, caracterizado pelo maior enchimento destes reservatórios, o potencial de geração eólica de eletricidade se mostra menor. Assim, a energia eólica se apresenta como uma interessante alternativa de complementariedade no sistema elétrico nacional. Embora se insira dentro do contexto mundial de incentivo por tecnologias de geração elétrica menos agressivas ao meio ambiente, como qualquer outra tecnologia de geração de energia, a utilização dos ventos para a produção de energia elétrica também acarreta em alguns impactos negativos como interferências eletromagnéticas, impacto visual, ruído, ou danos à fauna, por exemplo. Atualmente, essas ocorrências já podem ser minimizadas e até mesmo eliminadas por meio de planejamento adequado, treinamento e capacitação de técnicos, e emprego de inovações tecnológicas. Uma parte muito importante em todo esse processo são os aerogeradores, um dispositivo destinado a converter a energia cinética contida no vento em energia elétrica. A quantidade de energia gerada depende da velocidade do vento; do diâmetro do rotor; e do rendimento de todo o sistema. Ventos com baixa velocidade não têm energia suficiente para acionar as máquinas eólicas, (que só funcionam a partir de uma determinada velocidade), a qual normalmente varia 20 - Revista Banas Qualidade t Abril de 2015 t BQ 274

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