Os Usos Múltiplos das Águas do rio São Francisco José Almir Cirilo

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1 Os Usos Múltiplos das Águas do rio São Francisco José Almir Cirilo Professor Titular da Universidade Federal de Pernambuco Centro Acadêmico do Agreste Secretário Executivo de Recursos Hídricos

2 ABASTECIMENTO HUMANO HIDROELETRICIDADE NAVEGAÇÃO USOS MULTIPLOS ABASTECIMENTO INDUSTRIAL CONTROLE DE CHEIA IRRIGAÇÃO RECREAÇÃO E TURISMO PESCA E AQUICULTURA

3 USOS E CONFLITOS: análise da ANA N no início do século Salitre e Semiárido Limitação da disponibilidade hídrica e baixa capacidade de diluição de efluentes MÈdio/Baixo Grande Margem esquerda do Lago de Sobradinho Verde e JacarÈ Salitre Transposição (Conflito Institucional/legal) GarÁas Pontal BrÌgida CuraÁ Terra Nova Paje MoxotÛ Alto Ipanema MacururÈ Talhada Baixo Ipanema Curituba Baixo SF Baixo SF (SE) Baixo São Francisco Impactos no ecossistema resultantes da operação dos reservatórios de Sobradinho e Xingó Alto Preto e Alto Grande Expansão da irrigação com impactos sobre os recursos hídricos Alto Preto Urucuia Paracatu Alto Grande Corrente Carinhanha Entorno da represa de TrÍ s Marias Afluentes mineiros do Alto S.F. Pandeiros, Pardo e Manga Par PacuÌ Rio de Janeiro e Formoso JequitaÌ Verde Grande rio das Velhas Paraopeba Paramirim, Santo Onofre, CarnaÌba de Dentro Verde Grande Expansão da irrigação com impactos LEGENDA sobre os recursos hídricos Conflito destacado - grande relev ncia Alto São Francisco Conflito com import ncia - menor relev ncia Conflito secund rio - sem relev ncia, quando comparado aos demais Urbanização e mineração Divis o Fisiogr fica Diluição Divis o de Estadual efluentes x usos mais Hidrografia nobres km C o n f l i t o d e s t a c a d o - g r a n d e r e l e v â n c i a C o n f l i t o c o m i m p o r t â n c i a - m e n o r r e l e v â n c i a C o n f l i t o s e c u n d á r i o - s e m r e l e v â n c i a, q u a n d o c o m p a r a d o a o s d e m a i s D i v i s ã o F i s i o g r á f i c a D i v i s ã o E s t a d u a l H i d r o g r a f i a L E G E N D A

4 AVALIAÇÃO DA DEMANDA POR ÁGUA: USOS CONSUNTIVOS

5 demanda total em 2000, estimada pelo PRH-SF em 165,8 m³/s. Plano 2016: demanda total (água que se estima ser necessária para atender os principais setores de usuários) na bacia do rio São Francisco (2010 é o ano de referência, exceto para o setor irrigação, atualizado a 2013, com base na área irrigada) é de 309,4 m³3/s, dos quais 244,4 m³/s para irrigação. Este valor representa um crescimento de 87% face à demanda no ano 2000.

6 ATUALIZAÇÃO DO PLANO DE RECURSOS HÍDRICOS DA BACIA DO RIO SÃO FRAN Vazões de retirada dos diferentes usos consuntivos relacionadas aos tipos de capta Pouca informação

7 IRRIGAÇÃO NA BACIA (79% DAS RETIRADAS) Região do Submédio e Baixo São Francisco Submédio São Francisco: São 15 Projetos de Irrigação da Codevasf (incluindo o Nilo Coelho que capta a montante de Sobradinho), totalizando área de ha com produção anual superior a 1 milhão de toneladas de frutas, faturamento anual acima de R$ 2 bilhões, e geração de mais de empregos diretos, envolvendo indiretamente mais de 1 milhão de pessoas da região. Baixo São Francisco: São 5 Projetos de Irrigação da Codevasf, totalizando ha com produção anual superior toneladas de alimentos e geração de mais empregos diretos e indiretos. Fonte: Site Codevasf

8 IRRIGAÇÃO NA BACIA Região do Alto, Médio e Submédio São Francisco PÛlo Petrolina-Juazeiro Em 2012, a área irrigada na bacia era de ha, correspondendo a um aumento de cerca de 84%, em relação ao PRH-SF ; metade dessa área fica no extremo oeste Baiano e no Vale São Franciscano da Bahia ( ha e ha, respectivamente). O aumento de área irrigada foi mais significativo no Alto (130%). ÁREAS POTENCIALMENTE IRRIGÁVEIS: 30 MILHÕES DE HECTARES (FONTE: PLANVASF). NÃO HÁ ÁGUA PARA ISSO. PÛlo Barreiras PÛlo BrasÌlia - DF PÛlo IrecÍ Legenda RelaÁ o rea irrigada/ rea total da microbacia (%) > 3 PÛlo Baixo S o Francisco PÛlo Formoso/Correntina PÛlo Guanambi PÛlo Norte de Minas PÛlo Belo Horizonte - MG

9 ATIVIDADES INDUSTRIAIS (7% DAS RETIRADAS) O Alto São Francisco responde também por 90% da vazão retirada em toda a bacia para uso industrial, dada a importância e diversidade do setor na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

10 ABASTECIMENTO URBANO E RURAL (11% DAS RETIRADAS) O SÃO FRANCISCO É A GRANDE FONTE DE ABASTECIMENTO, SENDO VITAL NA SUA PORÇÃO SEMIÁRIDA EXEMPLO DE PERNAMBUCO

11 TRANSPOSIÇÕES Projeto São Francisco (90,7% das obras do Eixo Norte e 88,7% do Eixo Leste concluídas; previsão de conclusão dos trechos de canais em 2017) ESTADOS Eixo N Eixo L TOTAL PB 10 m³/s 10 m³/s 20 m³/s CE 40 m³/s - 40 m³/s RN 39 m³/s - 39 m³/s Total Transferido 89 m³/s 10 m³/s 99 m³/s PE 10 m³/s 18 ³/s(*) 28 m³/s TOTAL 99 m³/s 28 m³/s 127 m³/s vazão firme disponível para bombeamento, nos dois eixos, a qualquer tempo, de 26,4 m³/s, correspondente à demanda projetada para o ano de 2025 para consumo humano e dessedentação animal na região, de acordo com a Resolução n.º 411, de 2005, da ANA; excepcionalmente, dependendo do nível de água do Reservatório de Sobradinho, será permitida a captação da vazão máxima diária de 114,3 m³/s e instantânea de 127 m³/s. Transposição para Aracaju: 2,8m³/s.

12 O QUE PRECISAMOS APRENDER COM A SECA ATUAL EM CINCO ANOS CONSECUTIVOS DE SECA: - PRATICAMENTE TODOS OS RESERVATÓRIOS DO SEMIÁRIDO EM PERNAMBUCO SECARAM; - MESMO OS GRANDES RESERVATÓRIOS DOS DEMAIS ESTADOS PARA OS QUAIS SE DESTINA A TRANSPOSIÇÃO SE ENCONTRAM EM PRÉ-COLAPSO, COMO CASTANHÃO; - DEZENAS DE CIDADES COM ATÉ CEM MIL HABITANTES ESTÃO SENDO ABASTECIDAS POR CARROS-PIPA; - GRANDES CIDADES COMO CAMPINA GRANDE E CARUARU RECEBEM ÁGUA POUCOS DIAS POR MÊS; - A REGIÃO METROPOLITANA DE FORTALEZA SE ENCONTRA SOB RACIONAMENTO COM PERSPECTIVAS DE CRITICIDADE. OS DOZE MILHÕES DE HABITANTES EM 390 MUNICÍPIOS DO SEMIÁRIDO AOS QUAIS SE DESTINARÁ A ÁGUA PARA ABASTECIMENTO A PARTIR DO SÃO FRANCISCO EFETIVAMENTE NECESSITAM DO APORTE HÍDRICO EXTERNO.

13 USOS NÃO CONSUNTIVOS

14 PESCA, PISCICULTURA, ATIVIDADES DE LAZER Nas quatro regiões fisiográficas do São Francisco a pesca artesanal está fortemente presente, como item indispensável para o sustento de muitas famílias. A atividade encontra-se em declínio devido à diminuição na quantidade e número de espécies de peixes, devido a: - assoreamento, menor profundidade da calha; - diminuição da mata ciliar; - Comprometimento das lagoas marginais, dentre outras alterações que caracterizam o rio como recurso ambiental degradado.

15 HIDROVIA E SISTEMA MULTIMODAL: SONHO DISTANTE

16 GERAÇÃO DE ENERGIA TRÊS MARIAS (CEMIG) SOBRADINHO 440 MW hm³ 396 MW V = 32%SE hm³ 1050 MW V = 60%SE hm³ 396 MW V = 32%SE I MW II MW III MW APOLÔNIO SALES MAIS DE 90% DA POTÊNCIA INSTALADA DA CHESF ESTÁ CONCENTRADA NO RIO SÃO FRANCISCO hm³ 1500 MW V = 8%SE PAULO AFONSO LUIZ GONZAGA 3000 MW SE = Sistema Equivalente 2460 MW PAULO AFONSO IV XINGÓ

17 Demanda total a médio e longo prazo (2025 e 2035), em três cenários Fonte: Plano SF. Cenário A (consumo mais moderado, associado a uma trajetória de menor desenvolvimento econômico e social da bacia do rio São Francisco). Cenário B, cenário central ou tendencial: projeção a partir das dinâmicas instaladas nas diversas sub-bacias e setores usuários: agropecuária, indústria, abastecimento humano urbano e rural e usos externos (transposição). Cenário C: projeta maior desenvolvimento e alta demanda em termos de consumo de água. Os usos consuntivos da bacia hidrográfica do rio São Francisco apresentam atualmente uma vazão de retirada da ordem dos 309 m³/s, que poderá vir a aumentar para valores entre 458 m³/s e 786 m³/s, em 2025, e valores entre 539 m³/s e 1073 m³/s, em 2035.

18 O QUE FAZER?

19 DESAFIOS DA GESTÃO Os recursos hídricos superficiais disponíveis não serão suficientes para satisfazer as projeções de demanda apresentadas nos vários cenários, com níveis de garantia de abastecimento adequados, sendo evidente a necessidade de encontrar consensos sobre a partilha dos recursos hídricos disponíveis. Isso passa pela negociação das vazões de entrega para cada estado. X

20 REVITALIZAÇÃO: QUANTIDADE E QUALIDADE DAS ÁGUAS CAMINHAM JUNTOS Em matéria de diluição de efluentes e apesar dos investimentos que estão sendo realizados, o Alto São Francisco continua a ser a região que apresenta maior concentração de carga orgânica; O controle das atividades de mineração, depois do desastre de Mariana, dispensa comentários; Os problemas também estão presentes nas demais regiões: caso recente das cianofíceas em Xingó e no Baixo São Francisco; Enfim, todas as ações para melhorar o ambiente degradado da bacia hidrográfica precisam efetivamente sair do papel em um plano consistente.

21 GESTÃO DA DEMANDA Aumento da eficiência dos sistemas de distribuição; prática do reuso. Cerca de 1/3 dos alimentos produzidos no mundo é desperdiçado O desperdício de água junto com a perda de faturamento nos sistemas de abastecimento muitas vezes passa de 50%

22 É PRECISO REALIZAR UM AMPLO PROGRAMA DE DRAGAGEM, NÃO APENAS PARA MANTER CANAIS DE NAVEGAÇÃO, POR SINAL MUITO PREJUDICADOS NO PRESENTE.. É PRECISO ESTUDAR INTERVENÇÕES QUE AUMENTEM A EFICIÊNCIA HIDRÁULICA DA CALHA DO RIO SÃO FRANCISCO PARA MELHORAR A NAVEGAÇÃO, CONTROLAR A INTRUSÃO MARINHA, MELHORAR AS CONDIÇÕES DA VIDA AQUÁTICA.

23 HIDROGRAMA AMBIENTAL PARA O BAIXO SÃO FRANCISCO Vazões (m3/s) Out Nov Dez Jan Ano Normal (médio) Fev Mar Abr Ano Normal (proposição) Ano Normal + pico (proposição) Ano Normal - pré UHE Sobradinho Ano Normal - pós UHE Sobradinho Mai Jun Jul Ano Seco (proposição) Ano SecoAno Seco + pico (proposição) Ano Seco - pré UHE Sobradinho Ano Seco - pós UHE Sobradinho Ago Set Foi estabelecida como regra a liberação mínima para a foz da vazão de 1300m³/s: não melhora as condições ambientais e ultimamente tem sido sistematicamente reduzida, ao longo de 2016 em 800m³/s, a reduzir para 700m³/ s. Vazões (m3/s) COMO ATENDER EM ANOS SECOS O HIDROGRAMA AMBIENTAL? 0 Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set

24 Visão de futuro JÁ: água no longo prazo deve ser destinada ao consumo, à conservação da biodiversidade e à produção de alimentos. Estamos avançando na apropriação e eficientização de outras fontes de energia. De imediato, devem ser estabelecidas regras de operação de Três Marias e Sobradinho que considerem os múltiplos usos..

25 PARA GERAR ENERGIA EXISTEM OUTRAS FORMAS. CHEGOU O MOMENTO DE PRIORIZAR OS DEMAIS USOS. PRODUÇÃO ELÉTRICA NO PAÍS NO DIA 6 DE NOVEMBRO DE FONTE: ONS PROPOSTA DA ANEEL PARA GERAÇÃO DE ENERGIA DE BASE NO NORDESTE

26 Obrigado pela atenção

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