Boletim Econômico Edição nº 72 outubro de 2015 Organização: Maurício José Nunes Oliveira Assessor econômico

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1 Boletim Econômico Edição nº 72 outubro de 2015 Organização: Maurício José Nunes Oliveira Assessor econômico Crise política e crise econômica no Brasil e suas repercussões no mundo 1

2 1. A crise econômica já era esperada A crise econômica não foi nenhuma surpresa para os especialistas e para todos aqueles que acompanhavam o excesso do tamanho do Estado e o excesso de gastos públicos para finalidades políticas e eleitorais. Esse desequilíbrio destruiu o sistema de superávit primário (saldo de receitas menos despesas da União) para fazer frente aos encargos financeiros (juros e amortizações) da dívida pública. Resultado da gastança: O Estado terminou o ano de 2015 com um rombo fiscal de mais de R$ 30 bilhões e com uma dívida pública crescente. Quase metade do Orçamento Geral da União (OGU) é para pagar juros e amortização da dívida pública. O Estado está quebrado. Essa crise revela o esgotamento do modelo intervencionista do Estado na economia e o retorno de um modelo clássico do tipo neoliberal, através de uma equipe econômica notadamente ortodoxa em defesa do setor privado. Ao longo de 2015 foram apresentados cortes orçamentários e um novo tipo de ajuste fiscal que privilegia novos cortes de gastos e aumento de impostos. Entretanto, a equipe econômica não apresentou nenhuma proposta de reforma tributária e tampouco uma verdadeira reforma administrativa no aparelho do Estado. Inflação alta, juros crescentes, restrição ao crédito, redução da produção e do consumo, aumento do desemprego, queda dos salários dos trabalhadores e queda do PIB é o que estamos vendo neste ano de 2015 e o que veremos também em

3 Os indicadores macroeconômicos são claros e desanimadores: inflação já alcança 10%, os juros (taxa Selic) estão perto dos 15%, o rombo fiscal e orçamentário já passa dos R$ 30 bilhões e o desemprego já atinge mais de 01 milhão de trabalhadores. 2. Crise política inviabiliza a governabilidade e os ajustes na economia As dificuldades por que passa a economia brasileira estão sendo agravadas pela crise política que se estabeleceu entre os Poderes Executivo e Legislativo, com repercussões também no Poder Judiciário. Diante da falta de sustentabilidade em sua base de apoio político no Congresso Nacional, o Governo Federal não consegue aprovar suas propostas de ajuste fiscal e isso tem inviabilizado a solução da crise econômica e ameaçado a governabilidade e até mesmo o próprio funcionamento das instituições brasileiras. Diante desse quadro de incertezas, desconfianças e de falta de patriotismo entre os atores políticos, a população brasileira se mostra incrédula e cansada com a classe política. Parece até que existe um quadro de total falta de confiança nos três Poderes da República brasileira. 3

4 Os desencontros políticos e a pressão pela saída da presidenta Rousseff tem retraído o setor empresarial, que não aumenta investimentos, à espera de um cenário mais claro. Grande parte dos empresários está em pé de guerra com o Governo com o projeto de recriar o imposto para a saúde e previdência, a CPMF. Enquanto essa turbulência política não passar, a crise econômica tende a se agravar e os prejudicados serão novamente os trabalhadores. 3. Repercussões internacionais negativas Diante do quadro de falta de governabilidade e de indefinições na área econômica, as repercussões no mundo também têm sido muito negativas. Os investidores internacionais estão sem confiança no Brasil e existe muita fuga de capitais. Em seu Relatório, o Fundo Monetário Internacional (FMI), organização multilateral de créditos, apresentou uma avaliação das condições econômicas do Brasil muito mais pessimista do que o nosso próprio Banco Central (BC). O FMI projetou uma queda negativa do Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB) de 3%, o que representaria uma recessão muito pior do que se imaginava. Também em seu Relatório, o FMI destaca a crise política e o desemprego crescente que deve chegar 6,6% em 2015, além de destacar que depois do tarifaço do início do ano, com a alta nos preços 4

5 de tributos e da energia elétrica, o país encara as pressões inflacionárias das oscilações do câmbio e da alta dos combustíveis. O estresse político e financeiro, resultado da deteriorante posição fiscal do Brasil e da investigação Lava Jato, será um fator de pressão para o país, segundo também as agências internacionais de classificação de risco. Outro ponto importante sobre as repercussões negativas da crise econômica brasileira no mundo é o fato de que as potências mundiais estão em processo de reestruturação econômica, enquanto o Brasil anda para trás. Em consequência disso, o Brasil perde poder de barganha nos diversos blocos econômicos internacionais e a confiança dos investidores internacionais que buscarão países politicamente mais estáveis e mercados economicamente mais seguros para a aplicação de seus capitais. Tudo o que foi conseguido anos atrás, principalmente a melhoria das condições sociais da população brasileira e o respeito e a confiança internacionais, principalmente do EUA e da União Europeia vem se perdendo nesse quadro de crise política e de crise econômica que se estabeleceu no Brasil. 5

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