Igara Consultoria em Aquicultura e Gestão Ambiental

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "Igara Consultoria em Aquicultura e Gestão Ambiental"

Transcrição

1 Igara Consultoria em Aquicultura e Gestão Ambiental DEFINIÇÃO DE CATEGORIA DE UNIDADE DE CONSERVAÇÃO DA NATUREZA PARA O ESPAÇO TERRITORIAL CONSTITUIDO PELA RESERVA ECOLOGICA DA JUATINGA e ÁREA ESTADUAL DE LAZER DE PARATY MIRIM PRODUTO 2 - CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL, SOCIOECONÔMICA E FUNDIÁRIA VOLUME II - CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL MARÇO 2011

2 Governo do Estado do Rio de Janeiro Sérgio Cabral Secretaria de Estado do Ambiente Carlos Minc Instituto Estadual do Ambiente Presidente Marilene Ramos Diretoria de Biodiversidade e Áreas Protegidas André Ilha Gerência de Unidades de Conservação de Proteção Integral Patrícia Figueiredo de Castro Chefe do Serviço de Planejamento e Pesquisa Científica Eduardo Ildefonso Lardosa Núcleo de Regularização Fundiária Heloisa Bortolo Gerência de Unidades de Conservação de Uso Sustentável Daniel Toffoli Gerência de Geoprocessamento e Estudos Ambientais Andréa Franco de Oliveira Chefia da Reserva Ecológica da Juatinga Rodrigo Rocha Barros Igara Consultoria em Aquicultura e Gestão Ambiental Coordenação Técnica Anna Cecília Cortines, agrônoma, Msc ciências sociais Paulo J. Navajas Nogara, biólogo, Msc ciências ambientais e gerenciamento dos recursos marítimos Coordenação Administrativa Luiz Alberto Fernandes, biólogo Equipe André Lima, advogado, Msc gestão e política ambiental Bruno Henrique Coutinho, biólogo, Msc ciências Flavio Souza Brasil Nunes, geógrafo Leonardo Esteves de Freitas, ecólogo, Msc ciências Equipe de Apoio Levantamento informações socioeconômicas Marina Mendonça, geógrafa Julian Zambrotti, engenheiro de aquicultura Julian Idrobo, doutorando (Ponta Negra) Monitores comunitários Leila da Conceição e Jardson dos Santos (Sono); Josiana (Ponta Negra); Thalita e Jussara (Juatinga); Marcelo (Saco da Sardinha); Josinete Souza; Francisco Xavier Sobrinho; Rosana e Silvana (Enseada da Cajaiba); Sueli de Oliveira e Oziel (Mamanguá).

3 SUMÁRIO VOLUME II CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL Introdução 1. Apresentação Metodologia Definição da Área de Estudos Levantamento dos dados bibliográficos e cartográficos Elaboração do SIG Base cartográfica Mapas temáticos Caracterização Regional Baía da Ilha Grande Geologia e Geomorfologia Clima Solos Vegetação e Uso do Solo da Baía da Ilha Grande Caracterização da Área de Estudos Geologia Geomorfologia Clima Solos Áreas de Preservação Permanentes (APPs) na Área de Estudos Vegetação e uso do solo (IBGE,2006) na Área de Estudos Vegetação e Uso do Solo por Subsistemas Hidrográficos Subsistema Hidrográfico da Enseada de Trindade Subsistema Hidrográfico da Enseada de Laranjeiras Bacia do Córrego da Toca do Boi Subsistema Hidrográfico das Bacias dos Córregos da Ponta Negra e do Caju Subsistema Hidrográfico da Enseada da Juatinga Córrego Cairuçú Subsistema Hidrográfico da Enseada do Pouso Subsistema Hidrográfico das Pequenas Bacias do Saco do Mamanguá Subsistema Hidrográfico das Bacias Contribuintes do Baixo Curso do Rio Paraty-Mirim Córrego do Curupira Subsistema Hidrográfico das Bacias Contribuintes do Alto Curso do Rio Paraty-Mirim Córrego das Pedras Azuis Evolução espaço-temporal da Vegetação e Uso do Solo na Área de Estudos Evolução espaço-temporal da Vegetação e Uso do Solo por Subsistemas Hidrográficos Subsistema Hidrográfico da Enseada de Trindade Subsistema Hidrográfico da Enseada de Laranjeiras Bacia do Córrego da Toca do Boi Subsistema Hidrográfico das Bacias dos Córregos da Ponta Negra e do Caju Subsistema Hidrográfico da Enseada da Juatinga Córrego Cairuçú Subsistema Hidrográfico da Enseada do Pouso Subsistema Hidrográfico das Pequenas Bacias do Saco do Mamanguá Subsistema Hidrográfico das Bacias Contribuintes do Baixo Curso do Rio Paraty-Mirim Córrego do Curupira

4 Subsistema Hidrográfico das Bacias Contribuintes do Alto Curso do Rio Paraty-Mirim Córrego das Pedras Azuis Caracterização da fauna Caracterização do uso dos ambientes marinhos Bibliografia Consultada

5 INTRODUÇÃO O presente documento constitui o Segundo Produto do Contrato de Prestação de Serviços de Consultoria 104/2010, firmado entre o Funbio e a Igara Consultoria em Aquicultura e Gestão Ambiental Ltda, para realizar estudos e elaborar proposta para redelimitação das áreas compreendidas pela Reserva Ecológica da Juatinga REJ e a Área Estadual de Lazer de Paraty Mirim AELPM e suas respectivas áreas de amortecimento. O Produto apresenta a Caracterização Ambiental, Socioeconômica e Fundiária da área da REJ e AELPM, contendo informações previstas no Plano de Trabalho desta consultoria. O documento está dividido em dois Volumes, da seguinte forma: Volume I - Caracterização Socioeconômica e Fundiária; Volume II - Caracterização Ambiental. No Volume I apresentamos de forma separada as informações para a área da REJ e para a área da AELPM, pois entendemos que os contextos são bastante distintos e dessa forma facilita o entendimento do leitor. A Primeira Parte do Volume I apresenta a Caracterização Socioeconômica, contendo informações sobre a população dessas áreas, no que diz respeito a: ocupação por moradores e veranistas número de edificações, famílias e pessoas residentes; evolução da dinâmica demográfica e de domicílios, entre os anos 2000, 2007 e 2011; principais atividades econômicas da população residente e atividades complementares; breve avaliação da situação do turismo, da pesca artesanal, da agricultura e do artesanato na área de influência das comunidades; atrativos turísticos utilizados; serviços disponíveis educação, saúde, coleta de lixo, abastecimento de água, vias de acesso, luz, etc; e as principais obras de infraestrutura existentes e previstas na área de estudo. Incluímos uma parte conceitual retratando quem são os caiçaras da Península da Juatinga. Entendemos que os núcleos e comunidades caiçaras detêm características singulares e que precisam estar destacadas no universo deste estudo, já que o resultado deste processo de recategorização afetará diretamente suas vidas. E hoje, com a existência da Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais este tema ganha lugar de destaque e se coloca como oportunidade para as instituições ambientais oficiais fazerem a diferença com ações inovadoras no sentido de inclusão dessas comunidades em busca de uma gestão socioambiental eficaz. No caso da REJ, partimos das informações produzidas no Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental do Cairuçu APA Cairuçu, elaborado no período de 2000 a 2002 e publicado em A partir daí produzimos informações atualizadas, com base em entrevistas às famílias de cada localidade, obtendo dados quantitativos e qualitativos que nos ajudam a entender de forma mais precisa como está a realidade dessa população. Com isso temos elementos mais ricos para avaliar a evolução dessas comunidades nos últimos dez anos. Já para a AELPM, trabalhamos somente com informações secundárias, na sua maioria retratando o conjunto das localidades inseridas na área. Porém, mesmo com essa diferença em relação à REJ acreditamos que as informações apresentadas nos possibilitam compreender a dinâmica populacional das dez localidades que integram a AELPM, que vão desde núcleos rurais, urbano isolado, até territórios de povos tradicionais quilombolas e indígenas Guarani. Os resultados apontam que essa dinâmica populacional tem acontecido sem considerar a existência da AELPM, 1

6 gerando uma situação cada vez mais distante com a realidade de uma unidade de conservação. Por outro lado, temos os povos tradicionais mantendo sua cultura viva, valorizando cada vez mais suas atividades que compõem um modo de vida próprio e fazendo as adequações necessárias como forma de se adaptar a nova realidade e aproveitar as oportunidades que surgem, como é o caso de Paraty ser considerado Destino de Turismo Cultural, integrando um dos 65 destinos turísticos do Brasil, pelo Ministério do Turismo. Ainda nesta primeira parte do Volume I, seguindo a metodologia de uso de informações secundárias utilizada para a AELPM, apresentamos as informações disponíveis de ocupação das áreas limítrofes a REJ e AELPM, atualmente contidas nas Zonas de Expansão das Vilas Caiçaras ZVC e nas Zonas de Expansão Residencial e Turística - ZERT da APA Cairuçu e nos bairros da Vila do Oratório e Trindade. A Segunda Parte do Volume I retrata a Caracterização Fundiária, no que se refere à identificação e caracterização dos principais conflitos fundiários existentes; à situação de domínio das terras; e ao histórico das iniciativas de regularização fundiária realizadas e em andamento. No caso da REJ, há a demanda de se fazer uma pesquisa mais detalhada sobre as propriedades privadas na área, buscando a totalidade das informações existentes em especial no Cartório de Registro Geral de Imóveis de Paraty, visto que as informações obtidas nos revelam que a área em questão está nas mãos de particulares, em alguns casos envolvendo processos judiciais que dificultam a efetivação de ações de regularização fundiária no curto prazo. E da parte dos núcleos e comunidades caiçaras que vivem na área da reserva temos uma situação de insegurança, indefinição, e em alguns casos omissão do Estado, que mantém a sombra do conflito fundiário com grandes proprietários deixando marcas às vezes irreversíveis como é o caso da Praia Grande da Cajaíba. Por outro lado, na área da AELPM, onde a situação de domínio é resolvida, temos na prática uma realidade bastante complexa, que vai demandar um esforço concentrado e continuado para efetivar ações de regularização fundiária que resulte numa ação de ordenamento de uso e parcelamento do solo, bem como na redução de conflitos de interesses institucionais, que possam se traduzir em futuras ações de gestão partilhada deste território. No Volume II apresentamos na Caracterização Ambiental um conjunto de informações sobre clima, geologia, pedologia, geomorfologia/hidrologia, declividade, vegetação e uso do solo, breve caracterização da fauna e dos ambientes marinhos. Essas informações foram obtidas a partir de bibliografia disponível e em alguns casos atualizadas por meio de comparação com imagens de satélite mais recentes, e estão organizadas por meio de mapeamento temático. Neste Volume II, a área de estudo considerada foi ampliada a partir da inclusão de toda a porção de terras que se encontra entre estas duas unidades de conservação - atualmente sob a proteção da Área de Proteção Ambiental do Cairuçu APA cairuçu, para averiguação das condições ambientais dessas áreas de amortecimento que serão objeto de avaliações durante o processo de redelimitação das mesmas. Esse novo recorte territorial possui hectares e inclui várias bacias hidrográficas, de diferentes tamanhos. Os resultados apresentados indicam que cerca de dois terços da área de estudo é coberta por florestas em estágio médio ou avançado de sucessão ecológica. Além disso, há mais de 17% de florestas em estágio inicial, totalizando pouco mais de 84% de ecossistemas florestais. Para a discussão mais detalhada da cobertura vegetal e 2

7 uso do solo nessa área de estudo, o recorte espacial foi dividido em oito subsistemas hidrográficos, separados pelos principais divisores de água, que foram analisados em escala de detalhes possibilitando uma análise das especificidades internas. Um dos mapeamentos produzidos apresenta as Áreas de Preservação Permanente - APP. Porém cabe ressaltar, que a escala trabalhada (1:50.000) neste relatório não possibilita a real localização da APP em campo, sendo necessário escalas maiores para suas identificações locais. Entretanto, o resultado apresentado serve de orientação para tal tema. Para a evolução espaço temporal da vegetação e uso do solo na área de estudos foi realizada a comparação entre o mapeamento realizado com ortofotografias aéreas de 1987 e 1995 do Plano de Manejo da APA Cairuçu e o mapeamento realizado com ortofotografias aéreas de 2006 (IBGE/Inea). De forma geral, o resultado demonstra que o padrão da paisagem pouco se alterou. A despeito de todos os problemas metodológicos que dificultam essa comparação (discutidos na metodologia do presente trabalho), algumas observações relevantes na evolução da paisagem foram apresentadas a partir desse procedimento. Foi verificado um aumento de quase 1000 hectares nas áreas de floresta em estágio médio ou avançado de sucessão, o que corresponde a cerca de 5% da área de estudo. Este resultado é bastante expressivo e indica que a floresta existente nessa área, de forma geral, está sendo conservada e, em determinados locais, recuperada. Como refinamento dessa evolução é apresentado também a análise de detalhe por bacia hidrográfica, onde notam-se algumas diferenças importantes entre a cobertura vegetal e o uso do solo entre os dois mapeamentos. A região sul da Península da Juatinga, compreendendo as localidades da Praia do Sono e Ponta Negra, foi a que apresentou maior ampliação nas áreas de floresta em estágio médio e avançado, possivelmente causado pela diminuição das práticas agrícolas nessas comunidades. A região leste, entre Ponta Negra e Ponta da Juatinga, onde existem os núcleos isolados, não apresentou grandes diferenças entre os dois mapeamentos, mantendo grandes áreas de floresta em estágio médio e avançado e pequenos pontos de roças. A região da Baía da Cajaíba apresentou pequena variação entre as áreas de floresta em estágio médio ou avançado de sucessão ecológica entre os mapeamentos de 1987/1995 e de 2006, que sugerem como motivo as péssimas condições do solo nessa região de afloramentos rochosos. Na região do Saco do Mamanguá ocorreu uma variação bastante significativa nas florestas em estágio médio e avançado de sucessão ecológica, que aumentaram em 440 hectares, em decorrência da consolidação das ocupações turísticas que inutilizam as áreas acima das residências e do gradativo abandono da agricultura pela população local. Na região inferior da AELPM, da estrada BR 101 até a praia, a comparação indica a ocorrência de um aumento de mais de 90 hectares nas áreas de floresta em estágio avançado de sucessão ecológica, sobretudo na margem direita do rio Paraty Mirim, dados que nos causam surpresa quando avaliados em conjunto com o crescente processo de ocupação desordenada que ali ocorre. Na parte alta da AELPM, entre a BR 101 e a divisa dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, a comparação de imagens também apresentou um aumento na área de floresta em estágio médio ou avançado de sucessão ecológica, ampliando em mais de 200 hectares. De forma geral, para a área da REJ vemos que as restrições impostas pela unidade de conservação considerada de proteção integral acabou por limitar as atividades de agricultura e retirada de recursos da mata, o que certamente contribuiu para a 3

8 ampliação das áreas com vegetação nativa. Aliado a isso, também podemos considerar fatores como o aumento do interesse das comunidades caiçaras por se manter no seu território de origem e da afirmação da identidade caiçara; o aumento do turismo na região, oportunizando o envolvimento direto dessas populações no desenvolvimento de diferentes iniciativas proporcionadas pelos seus saberes e capacidade de adequação, ainda que com muitas demandas de capacitação; e ao mesmo tempo a manutenção das atividades de pesca, agricultura de subsistência e artesanato. Tudo isso se dá de forma diferenciada em cada núcleo e comunidade caiçara, dependendo de condições como: a facilidade de acesso; a existência de serviços como educação e saúde; a presença de recursos naturais; a organização da comunidade; o grau de conflito fundiário existente; entre outros. E para a AELPM, a presença da Unidade de Conservação é uma ficção e está distante do universo de quem habita este território. As áreas ainda preservadas, que integram as áreas mais elevadas e íngremes, mantêm as características de uma área preservada, e também compõem a Zona de Proteção da Vida Silvestre da APA Cairuçu. As áreas ocupadas e já homologadas para os quilombolas do Campinho e os indígenas do Parati Mirim e Araponga podem ser consideradas desafetadas da unidade de conservação. Porém, as negociações para ampliação destas Terras Indígenas podem se conformar objeto de conflito institucional. A esse respeito, notamos que as instituições que atuam na área não conseguem ter uma ação compartilhada de fato, o que contribui para o aumento dos conflitos existentes e para a lentidão e falta de continuidade das ações de gestão ambiental e patrimonial. Um exemplo disso é o destino do Casarão no Paraty-Mirim, que de tantas propostas e indefinições encontra-se hoje quase todo em ruínas, degenerando o patrimônio cultural ali envolvido. 4

9 VOLUME II CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL 1. Apresentação Este relatório é parte dos estudos preliminares do Projeto de recategorização da Reserva Ecológica da Juatinga e da Área Estadual de Lazer de Paraty-Mirim. E tem como objetivo apresentar a caracterização ambiental da Área de Estudos abrangendo dados sobre clima, geologia, pedologia, geomorfologia, hidrologia, declividade, vegetação e uso do solo, caracterização da fauna, caracterização do uso dos ambientes marinhos. Este documento está estruturado em três partes. A primeira traz a apresentação da metodologia de elaboração. A segunda apresenta de forma sucinta as características regionais na qual se insere a Área de Estudos com o foco na região da Baía da Ilha Grande. E a terceira apresenta as características geobiofísicas da Área de Estudos organizada por meio de mapas temáticos. 2. Metodologia Este estudo adota uma linha metodológica voltada para a análise integrada de elementos, processos e variáveis, fixos e fluxos que compõem a paisagem estudada. E seguiu etapas complementares, que se iniciaram com os levantamentos informações preexistentes e com a definição da área de abrangência do estudo. Em paralelo ao levantamento bibliográfico, foi elaborada uma base digital de informações espaciais preliminar através da montagem, adequação e sistematização da base cartográfica em escala 1: desta área e, posteriormente, foram elaborados os mapas temáticos, incluindo a elaboração do Mapa de Vegetação e Uso do Solo da área de estudos (elaborado sobre as ortofotografias do IBGE do ano de 2006), o mapa de APPs, o mapa de posicionamento topográfico, o mapa de declividades, o mapa de hipsometria e o mapa de Unidades de Conservação, além da adaptação do mapa de vegetação e uso do solo produzido no âmbito do Plano de Manejo da APA Cairuçú (em escala 1: elaborado sobre ortofotografias de 1987 e 1995 pela SOS Mata Atlântica). Todos estes mapas foram adequados ao recorte espacial da área de estudos e das duas UCs que são foco principal deste estudo. A ultima etapa metodológica foi a realização de análises do conjunto integrado dos mapas e bibliografia levantada Definição da Área de Estudo Para este relatório, a Área de Estudo foi definida a partir da inclusão das áreas da Reserva Ecológica da Juatinga (REJ) e da Área Estadual de Lazer de Paraty-Mirim (AELPM), Unidades de Conservação que são foco do projeto de recategorização, e de toda a porção de terras que se encontra entre estas duas UCs - atualmente sob a proteção da APA Cairuçú. Esse recorte territorial possui hectares e inicia-se na bacia hidrográfica do rio Paraty-Mirim, que incorpora a totalidade da Área Estadual de Lazer de Paraty-Mirim e segue incluindo terras protegidas pela APA Cairuçú até a inclusão total dos limites da Reserva Ecológica da Juatinga. Como limites, este recorte espacial possui o Oceano Atlântico, a sul, leste e nordeste; os divisores da bacia do Rio Paraty-Mirim, a noroeste, e os limites do estado do Rio de Janeiro com o estado de São Paulo, na porção oeste (figura 2.1-1). 5

10 Esta área inclui várias bacias hidrográficas, de diferentes tamanhos. Algumas são de porte significativo, com a bacia do Rio Paraty-Mirim, enquanto diversas outras são bacias pequenas, formadas uma densidade menor de rios que drenam diretamente para o mar. Para a discussão mais detalhada da cobertura vegetal e uso do solo na área de estudo, esse recorte espacial foi dividido em oito subsistemas hidrográficos, separados pelos principais divisores de água inseridos na área de estudo (tabela e figura 2.1-2). Tabela 2.1-1: Áreas (hectares) e Proporções de áreas dos subsistemas hidrográficos Sigla Nome Área (ha) % SbSH 1 Subsistema Hidrográfico da Enseada da Trindade 944,86 4,56 SbSH 2 Subsistema Hidrográfico da Enseada das Laranjeiras - Bacia do Córrego da Toca do Boi 1.295,97 6,25 SbSH 3 Subsistema Hidrográfico das Bacias dos Córregos da Ponta Negra e do Caju 2.161,13 10,43 SbSH 4 Subsistema Hidrográfico da Enseada do Juatinga - Córrego Cairuçú 2.725,56 13,15 SbSH 5 Subsistema Hidrográfico da Enseada do Pouso 2.498,21 12,06 SbSH 6 Subsistema Hidrográfico das Pequenas Bacias do Saco do Mamanguá - Drenagem Noroeste 4.395,28 21,21 SbSH 7 Subsistema Hidrográfico das Bacias Contribuintes do Baixo Curso do Rio Parati-Mirim - Córrego do Curupira 1.192,79 5,76 SbSH 8 Subsistema Hidrográfico das Bacias Contribuintes do Alto Curso do Rio Parati-Mirim - Córrego das Pedras Azuis 5.508,77 26,58 Total , Exceção são os subsistemas 7 e 8, que incluem a bacia do Rio Paraty-Mirim. Nesse caso, houve uma cisão da parte alta/média e baixa da bacia. Esta divisão se deve a dois aspectos: o aspecto fundiário, pois as duas partes correspondem a duas antigas fazendas distintas Fazenda Paraty-Mirim e Fazenda Independência, e à relação desses espaços com a rodovia Rio-Santos (BR-101), já que a porção superior apresenta uma influência desta rodovia que é bastante distinta da porção inferior constituindo-se em um vetor de incorporação de consideráveis porções desta área superior da bacia. Dentre os oito subsistemas, o da porção superior da bacia do Paraty-Mirim, situado no extremo noroeste da Área de Estudos, é o maior em área (cerca de ¼ da Área de Estudos), além de ser o único que não possui limite marinho, tendo a BR-101 como acesso quase único. O rio Paraty-Mirim é o rio principal desta bacia. O Subsistema do Saco do Mamanguá também é bastante significativo em termos espaciais, com mais de 4 mil hectares, o que representa mais de 20% da área total de estudos. Esse subsistema, situado na porção norte da área de estudo, inclui uma vasta área litorânea, que abrange diversas pequenas bacias hidrográficas, com destaque para as bacias dos córregos Mamanguá, Pão-de-Açúcar, rio Grande, rio Cairuçú, rio do Sono, rio do Regato, Cairuçú e a bacia do rio Iriró. A via marítima é a principal forma de entrada e saída dessa área. Acessos terrestres são restritos a caminhadas por trilhas de servidão. 6

11 Figura Mapa básico da área de estudo. 7

12 Figura Subsistemas hidrográficos da área de estudo. 8

13 Os Subsistemas Hidrográficos das Bacias dos córregos da Ponta Negra e do Caju (bacias dos córregos da Jamanta, da Ponta Negra e do Caju são os principais desse subsistema), da Enseada do Juatinga - Córrego Cairuçú (rios principais da bacia são os córregos do Cairuçú e da Cachoeira Grande) e da Enseada do Pouso (As bacias dos córregos da praia Grande e da Espiã e a bacia do Rio Itaoca são s principais componentes desse subsistema) possuem tamanhos semelhantes, com valores entre 2 mil e 3 mil hectares. O primeiro está na porção sul da área de estudo, o segundo na porção sudeste e o terceiro na parte nordeste. O Subsistema Hidrográfico da Enseada das Laranjeiras - Bacia do córrego da Toca do Boi (que possui o Córrego Laranjeiras e o Córrego Toca do Boi como as principais drenagens) e o Subsistema Hidrográfico das Bacias Contribuintes do Baixo Curso do Rio Parati-Mirim - Córrego do Curupira (que possui o Paraty-Mirim como principal rio) possuem áreas próximas a hectares. O primeiro está na parte sul da área de estudo e apresenta uma grande área de litoral. Já o segundo possui uma área de litoral muito menor, estando situada no extremo norte. O menor dos subsistemas é da Enseada da Trindade, com pouco menos de hectares, situa-se no extremo sudoeste da área de estudos e tendo o córrego da Trindade como uma de suas drenagens principais Levantamento dos dados bibliográficos e cartográficos O processo de elaboração deste estudo foi baseado, principalmente, em dados secundários, tanto para a coleta de dados cartográficos quanto de dados bibliográficos que auxiliaram na caracterização ambiental da Área de Estudos. Como base bibliográfica foi utilizado os encartes do Plano de Manejo da APA Cairuçú e do Plano de Manejo do Parque Nacional da Serra da Bocaina, o Relatório Final dos Estudos de Criação do Parque Estadual do Cunhambebe e o Estudo de Base do Projeto de Gestão Integrada da dos Ecossistemas da Baía da Ilha Grande. Os dados cartográficos, como bases cartográficas e ortofotografias, foram adquiridas através de sítios da internet de diversos órgãos públicos, como órgãos do estado, como o Instituto Estadual do Ambiente (INEA) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de onde foi adquirido o conjunto de cartas topográficas, em formato digital, que cobrem a área de estudo na escala 1: e o conjunto de ortofotografias em escala 1: do ano de A partir das bases do IBGE, foram levantadas todas as informações básicas de cunho territorial, como divisão municipal, estradas, hidrografia, toponímias, sistema de transportes, infraestrutura, recortes territoriais político-administrativos, topografia entre outros dados. A utilização das bases cartográficas do IBGE como fonte dessas informações confere aos dados um caráter oficial, e que em alguns casos, foi alvo de compilações para a adequação ao mapeamento de vegetação e uso do solo na escala de 1: como a compilação dos limites das duas UCs (REJ e AELPM), linha de costa, toponímias de localidades entre outras. Para Geologia e Geomorfologia foram levantados os dados disponíveis no site da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), ligada ao Serviço Geológico do Brasil. Os dados cartográficos obtidos nessas instituições serviram como base para a elaboração dos mapas geomorfológico, pedológico e geológico. Para a caracterização da vegetação e uso do solo foi realizado um novo mapeamento a partir de interpretação visual em ortofotografias aéreas do ano de 2006 disponibilizadas pelo 9

14 IBGE. Outras informações sobre a vegetação na região foram retiradas de diferentes fontes, como o Plano de Manejo da APA Cairuçú, teses e artigos científicos Elaboração do SIG A abordagem deste trabalho segue linha metodológica voltada para a análise integrada do espaço geográfico, a partir do desenvolvimento de modelos de análise sobre aspectos geobiofísicos e socioeconômicos em escala de paisagem como subsídios para diagnósticos e prognósticos no geoecossistema em questão. Diante da inexistência de cartografia digital em escalas maiores para a área estudada, foram utilizadas as bases cartográficas em escala de 1: produzidas pelo IBGE e disponibilizadas gratuitamente. Estas bases contêm Topografia, Hidrografia, Sistema de Transportes, Infraestrutura e recortes territoriais Político-Administrativos. Vale ressaltar que o sistema de transportes e a infraestrutura foram atualizados (compilados) sobre as ortofotografias aéreas de Toponímias de localidades foram extraídas das bases, checadas e atualizadas em trabalhos de campo. Bases cartográficas em escala de 1:2.000 (apenas para as áreas da Secretaria de Patrimônio da União SPU) foram incorporadas na base de informações espaciais e tiveram alguns de seus temas utilizados durante os trabalhos de campo do levantamento socioeconômico. Também foram incorporados arquivos referentes ao Plano de Manejo da APA Cairuçú. E todas as Bases Cartográficas e Mapas Temáticos foram editados e transformados para o Sistema Geodésico de Projeção SIRGAS Base cartográfica Foi definida a escala cartográfica de 1: para as análises, com ressalvas para as analises de vegetação e uso do solo que seguiram a escala de 1: Para a organização, sistematização e montagem da base cartográfica foram utilizadas folhas topográficas elaboradas pelo IBGE; os arquivos vetoriais foram disponibilizados pelo IBGE (página da Internet): As folhas utilizadas foram Cunha (SF-23-Z-C-I-1), Paraty (SF-23-Z-C-I- 2), Picinguaba (SF-23-Z-C-I-3) e Juatinga (SF-23-Z-C-I-4). Os arquivos disponibilizados foram tratados no sentido de adequar informações de diversas fontes a uma mesma base de dados georreferenciados integrados. Destas folhas foram extraídas as informações referentes à topografia, hidrografia, infraestrutura, transportes, limites político-administrativos e localidades. A base cartográfica é instrumento fundamental neste trabalho já que, além de fornecer subsídios para a produção de dados primários, é a cartografia básica para receber todos os mapas temáticos produzidos para o banco de dados georreferenciados. A base de informações levantadas e produzidas foi organizada em uma estrutura de diretórios de maneira hierárquica (figura ), respeitando critérios de formato da informação (vetorial, raster, imagem, tabela, gráfico, texto), escala e conteúdo temático. A partir desta estrutura e das necessidades apontadas pelos estudos é possível executar as funcionalidades do SIG, articulado em diversas escalas e esquemas relacionais, para modelagem temática e produção de novas informações espaciais e mapas. 10

15 Atingiu-se, no entanto, um produto intermediário que é a base de informações espaciais organizada para utilização de usuários experientes em SIGs. Além disso, o volume de informações atingido ainda sofrerá modificações com a incorporação de novas informações que surgiram ao longo do projeto. Os mapas produzidos ao longo desta etapa estão sendo organizados em uma mapoteca digital e será apresentada no final do projeto. Esta mapoteca é uma iniciativa imediata para disponibilização das informações geradas. Figura : Esquema ilustrativo da estrutura de diretórios da base de dados espacial Mapas temáticos Geologia O Mapa Geológico utilizado foi o Mapa Geológico do Estado do Rio de Janeiro (CPRM-RJ) disponibilizado em formato vetorial em escala 1: Embora tenha sido disponibilizado em escala de 1: , a origem da informação deste mapeamento é em escala de 1:50.000, o que diminui os problemas de utilização desta informação (em escala menor) neste estudo. Além disso, para uma caracterização geral da área de estudo o mapa atende às necessidades deste trabalho. Pedologia O Mapa de Solos utilizado foi o Mapa Pedológico do Estado do Rio de Janeiro (EMBRAPA/ CPRM-RJ) disponibilizado em formato vetorial em escala 1: Foi feita uma generalização de legendas em grandes unidades pedológicas, o que gerou um mapa simplificado, mais adequado para os objetivos do estudo. 11

16 Geomorfologia Além da utilização do Mapa Geomorfológico do Estado do Rio de Janeiro (CPRM-RJ), disponibilizado em formato vetorial e escala 1: , também foi realizado um mapeamento geomorfológico com foco nas formas e processos hidroerosivos dominantes, a partir de análises em 3D do modelo digital de terreno gerado através das bases de Relevo e Hidrografia em escala de 1: Foram gerados quatro mapas ligados a geomorfologia da Área de Estudos: Mapa de Classes de Altitudes; Mapa de Declividades, Mapa de Posicionamento Topográfico e Mapa de Formas de Relevo. Classes de altitude Para o Mapa Hipsométrico foram calculadas as classes de altitude a partir do modelo de elevação (com resolução de 15 metros) com a utilização de ferramentas de estatísticas por zonas em softwares de geoprocessamento. As áreas foram agrupadas por classes de desnivelamento (0-20; ; ; ; e ), buscado caracterizar as diferenças altimétricas da área de estudos, que contou também com tabelas e gráficos derivados deste tema e as discussões sobre localização foram apoiadas pelo uso do mapa. Declividades O Mapa de Declividades foi derivado do Modelo de Elevação com as seguintes classes em graus: 0 5; 5 10; 10 20; 20 30; e > 45. Para caracterização das declividades área de estudos, foram derivados tabelas e gráficos de declividades e as discussões sobre localização foram realizadas com apoio do mapa. Posicionamento Topográfico Para este mapa foi utilizado o Índice de Posicionamento Topográfico (Jennes, J A partir de um MDT, este índice classifica formas de relevo de acordo com posicionamento topográfico de pixels nas encostas. O algoritmo aplicado é a diferença entre o valor de elevação de um determinado pixel e a média de pixels vizinhos; valores positivos significam que este pixel esta em altitude mais alta e valores negativos que este pixel está em altitude mais baixa. O quanto este pixel é mais alto ou mais baixo que seus vizinhos, somado ao seu valor de declividade, pode ser utilizado para classificar seu posicionamento nas encostas. Se for significantemente mais alto que seus vizinhos, deve estar localizado próximo ao topo ou no topo de uma montanha; sendo significantemente mais baixo que seus vizinhos, deve estar localizado próximo ao fundo de vale ou no próprio fundo de vale. Valores próximos a 0 significam que este pixel pode estar localizada em uma área plana ou de baixa ou média encosta; valores de declividade podem diferenciá-los. Este índice depende inteiramente da escala utilizada para a análise da paisagem. Neste caso, a escala de análise está relacionada com o número de pixels vizinhos a ser avaliado, ou por um raio de análise ao pixel avaliado. 12

17 A figura ilustra esta discussão; no cenário A o resultado entre as diferenças do pixel para seus vizinhos é nulo, ao contrário do cenário B onde seus vizinhos têm altitude menor do que o pixel analisado, portanto o TPI deste pixel é maior que 0. No último cenário, os pixels vizinhos são mais elevados que o pixel analisado, este terá, portanto um TPI menor que 0. A B C TPI ~ 0 TPI > 0 TPI < 0 Raio de análise Pixels vizinhos Pixel analisado Figura : Esquema ilustrativo do índice de posicionamento topográfico (adaptado de Jennes, J. 2006). Para este estudo foi utilizado o raio de análise de 5 km, que apresentou os melhores resultados. As classes do índice de posicionamento topográfico utilizadas estão apresentadas na tabela Tabela : Tabela de Índice de Posicionamento Topográfico. Número Classes de Formas de Relevo TPI - Padrão 1 Ridge (topo, crista, divisores) > 1 2 Upper slope (Alta encosta) <= 1 e >0,5 3 Middle slope (Média encosta) <= 0,5 e > 0 4 Flat (Plano) <= 0,5 e > 0 5 Lower slope (Baixa encosta) <= 0 e >= -1 6 Valley (Fundo de vale) < -1 Para a definição do Posicionamento Topográfico utilizado neste estudo estas classes foram reclassificadas a partir de análises espaciais conforme apresentado na tabela Tabela : Tabela de Classes de Posicionamento Topográfico Número Classes de Formas de Relevo Posicionamento topográfico 1 Ridge Topos de morros e montanhas e Linhas de cumeada 2 Upper slope 3 Middle slope Encostas 4 Flat Plano 5 Lower slope 6 Valley (Fundo de vale) Fundos de vale Para caracterização do posicionamento topográfico na área de estudos, foram derivados tabelas e gráficos deste tema e as discussões sobre localização foram realizadas com apoio do mapa. 13

18 Formas de Relevo Para a definição das Formas de Relevo foi realizado o cruzamento das informações dos mapas de hipsometria (com as classes agrupadas), de posicionamento topográfico e declividade, gerando dezessete classes de compartimentos topográficos conforme apresentado na tabela Tabela : Tabela de Descrição das Classes de Formas de Relevo. Classes de Forma de Relevo Divisores pouco íngremes Divisores íngremes Divisores muito íngremes Encostas costeiras pouco íngremes Encostas costeiras íngremes Encostas costeiras muito íngremes Encostas pouco íngremes Encostas íngremes Encostas muito íngremes Fundos de vales costeiros pouco íngremes Fundos de vales costeiros íngremes Fundos de vales costeiros muito íngremes Fundos de vales pouco íngremes Fundos de vales íngremes Fundos de vales muito íngremes Áreas planas acima de 20 m Áreas planas abaixo de 20 m Descrição das Classes Topos de Morros e Montanhas com declividades inferiores a 10 graus Topos de Morros e Montanhas com declividades superiores a 10 graus e inferiores a 30 graus Topos de Morros e Montanhas com declividades superiores a 30 graus Encostas (convexidades) com declividades inferiores a 10 graus entre 0 e 100m de altitude Encostas (convexidades) com declividades superiores a 10 graus e inferiores a 30 graus entre 0 e 100m de altitude Encostas (convexidades) com declividades superiores a 30 graus entre 0 e 100m de altitude Encostas (convexidades) com declividades inferiores a 10 graus acima de 100m de altitude Encostas (convexidades) com declividades superiores a 10 graus e inferiores a 30 graus acima de 100m de altitude Encostas (convexidades) com declividades superiores a 30 graus acima de 100m de altitude Fundos de vales com declividades inferiores a 10 graus entre 0 e 100m de altitude Fundos de vales com declividades superiores a 10 graus e inferiores a 30 graus entre 0 e 100m de altitude Fundos de vales com declividades superiores a 30 graus entre 0 e 100m de altitude Fundos de vales com declividades inferiores a 10 graus acima de 100m de altitude Fundos de vales com superiores a 10 graus e inferiores a 30 graus acima de 100m de altitude Fundos de vales com declividades superiores a 30 graus acima de 100m de altitude Áreas planas ou com declividades inferiores a 5 graus acima de 20m de altitude Áreas planas ou com declividades inferiores a 5 graus entre 0 e 20m de altitude Vegetação e Uso do Solo: O Mapeamento de Vegetação e Uso do Solo foi realizado a partir de interpretação visual (em escala 1:10.000) de ortofotografias aéreas (em escala 1: e com resolução espacial de 1m) de 2006 disponibilizadas pelo IBGE. Para as áreas de Mata Atlântica e ecossistemas associados utilizou-se a Resolução CONAMA Nº 6/1994 para classificação dos estágios de sucessão, sendo realizadas algumas checagens de campo para definição fisionômica das classes. Além da elaboração deste mapa (Ortofotografias IBGE, 2006), foi utilizado, também, com o objetivo de orientar uma analise de evolução espaço-temporal da cobertura vegetal e o uso do solo, o mapeamento (escala 1:50.000) elaborado no âmbito do Plano de Manejo da APA Cairuçú (versão final 2005). Este mapeamento foi produzido sobre ortofotografias aéreas de 1995 (escala 1:12.500) e, nas áreas mais interiores, sobre ortofotografias aéreas de 1987 (escala 1:20.000). 14

19 Evolução Temporal da Vegetação: Com vistas a uma análise da evolução da vegetação, o mapa elaborado sobre as ortofotografias IBGE (2006) foi comparado com o mapa elaborado no âmbito do Plano de Manejo da APA Cairuçú (ortofotografias de 1995 e 1987). Devido às diferenças metodológicas no processo de elaboração desses mapas, não foi possível sobrepor os dois mapas de vegetação e uso do solo. Entretanto, foram elaborados mapas e tabelas de proporções de áreas nos recortes espaciais dos subsistemas hidrográficos e da área de estudos. Para tanto, a legenda do mapa elaborado pela SOS Mata Atlântica para o Plano de Manejo da APA Cairuçú, foi adequada à legenda do mapeamento elaborado sobre as ortofotografias de 2006 (Tabela ). Classe no Shape do PM APA Cairuçú Tabela : Tabela de Adequações de Legenda entre os Mapeamentos utilizados Classes do Mapa do Plano de Manejo da APA Cairuçú Classes adequadas ao Mapeamento IBGE, 2006 fre Floresta de Transição restinga/encosta Floresta em estágio inicial de sucessão ms87 Mata Secundária em Estágio Inicial/Médio de Regeneração Floresta em estágio inicial de sucessão msi95 Mata Secundária em Estágio Inicial/Médio de Regeneração Floresta em estágio inicial de sucessão msa95 Mata Primária/Secundária em Estágio Floresta em estágio médio ou avançado de Avançado de Regeneração sucessão msa87 Mata Primária/Secundária em Estágio Floresta em estágio médio ou avançado de Avançado de Regeneração sucessão ri Recuperação Inicial Vegetação arbustiva br Brejo Brejo/Caxetais cx Caxetais Brejo/Caxetais ca Campo antrópico Gramíneas res Restinga Restinga ocl Ocupação litorânea Área edificada afr Afloramento rochoso Afloramento rochoso pr Praia Praia urb Ocupação urbana Área edificada mangue Mangue Mangue ocr Ocupação rural Área edificada Através da observação dos dois mapas em questão pode-se constatar que a classe Mata Secundária em Estágio Inicial/Médio de Regeneração (SOS Mata Atlântica) se aproxima muito mais da classe Floresta em estágio inicial de sucessão (Ortofotografias de 2006) que da classe de Floresta em estágio médio/avançado de sucessão. Cabe ressaltar, que o mapeamento realizado no âmbito do Plano de Manejo da APA Cairuçú foi realizado antes da decretação da Lei da Mata Atlântica, o que pode sugerir tais preferências de classes por parte do primeiro mapeamento. Quanto à legenda elaborada para o mapeamento sobre as ortofotografias do IBGE (2006), foram agregadas, para fins de análise da evolução de uso e vegetação, as classes Água com a classe Brejo e a classe Costão rochoso com a classe Afloramento rochoso. Desta forma, a classe de afloramento rochoso não deve ser foco de análise, entretanto, a classe brejo que teve a adição da classe água pode ser foco de análise já que no mapeamento elaborado pela SOS Mata Atlântica esses poucos polígonos mapeados nas ortofotografias de 2006 encontram-se nos polígonos de brejo do mapa do Plano de Manejo da APA Cairuçú. 15

20 Áreas de Preservação Permanente: O mapeamento de Áreas de Preservação Permanente (APPs) se deu com base na Lei de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal) e na Resolução CONAMA 303 de 20 de março de É importante ressaltar, que a escala trabalhada neste relatório (1:50.000) não possibilita a real localização da APPs em campo, sendo necessário escalas maiores para suas identificações locais. De fato, os dados produzidos para este tema são estimados, entretanto, se adéquam satisfatoriamente para os objetivos desse estudo, servindo de orientação para discussão de proporções de áreas de cada classe e de localização das mesmas na escala de 1: Foram mapeadas como APPs as margens de rios (30m para maioria dos rios e 50m em trechos próximo a foz dos maiores rios); áreas com declividades superiores a 45 graus e topos de morros e montanhas. O mapeamento das APPs de topos de morro e montanhas foi realizado através de análises pontuais sobre as informações topográficas (curvas de nível e topos cotados) e hidrográficas importados da carta topográfica do IBGE (1:50.000). Para a delimitação dessas áreas foram avaliados os diversos níveis de base locais para a delimitação dos terços superiores dos morros e montanhas. Desta forma, chegou-se em um resultado bastante rigoroso. As APPs de linhas de cumeada não foram analisadas, esta necessita de mais discussões metodológicas e, que serão avaliadas ao longo do projeto de recategorização. Portanto, ainda existem consideráveis áreas sob a proteção dessa classe de APPs. Para a delimitação das margens de rios, foi aplicado um buffer de 30m para os rios de linha simples e de 50m para os trechos com larguras entre 10m e 50m. Devido ao tamanho da escala trabalhada (1:50.000) não foram mapeadas as áreas de nascentes, sendo necessário para o mapeamento das mesmas uma hidrografia em escala mais adequada e verificações de campo. Entretanto, os buffers realizados no mapeamento das APPs de rios incorporam parte das áreas que incluiriam APPS de nascentes. Para as áreas com declividades superiores a 45 graus, foi gerado um mapa de declividades a partir do modelo digital de elevação, com pixels de 15mx15m. Os pixels com declividades superiores a 45 graus foram selecionados e convertidos para polígonos vetorizados. 3. Caracterização Regional Baía da Ilha Grande A Área de Estudos localiza-se na porção mais meridional do município de Paraty, que junto com o município de Angra dos Reis compõe a região da Baía da Ilha Grande (figura 3.1-1). Segundo dados do Relatório Base do Projeto de Gestão Integrada dos Ecossistemas da Baía da Ilha Grande, a região hidrográfica da Baía da Ilha Grande engloba uma área aproximada de km², abrangendo terras dos Estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. A porção Fluminense compreende km², sendo composta pela totalidade das terras continentais e insulares dos municípios de Angra dos Reis e Paraty. Em sua porção Paulista totaliza uma área de 620 km², compreendendo parte dos municípios de Bananal, Arapeí, São Jose do Barreiro e Cunha. Esta região hidrográfica é limita a leste pela bacia hidrográfica da Baía de Sepetiba, ao norte pela bacia do rio Paraíba do Sul e ao oeste pela bacia do litoral norte paulista. Esta região é formada por bacias que drenam diretamente para o mar, condicionada pela proximidade da Serra da Bocaina com o Oceano Atlântico. São rios encaixados no relevo, 16

21 com bacias hidrográficas caracterizadas por encostas de grande declividade, orientando os rios que nascem no topo da Serra da Bocaina, em altitudes acima de metros, e desembocam diretamente no mar, com desníveis de grande amplitude e extensões relativamente pequenas. A área de contribuição hídrica da Baía de Ilha Grande, partindo do município de Angra dos Reis, na divisa com o município de Mangaratiba, em direção a Paraty, é drenada, principalmente, pelos rios Jacareí, Cantagalo, Córrego da Monsuaba, Jacuecanga, Japuíba, da Areia do Pontal, Jurumirim, Ariró, Córrego de Arreio, Bracuí, Grataú, do Ambrósio, Mambucaba (formado por diversos rios, com destaque para o Perequê e o Funil), São Gonçalo, Taquari, da Barra Grande, Pequeno, do Grataú, Perequê-Açu, do Corisco, dos Meros e Paraty-Mirim (figura 3.1-2). 17

22 Figura 3.1-1: Mapa de localização da área de estudos. 18

23 Figura 3.1-2: Mapa de Principais rios da Baía da Ilha Grande. 19

24 Geologia e Geomorfologia A geomorfologia da Baía da Ilha Grande é caracterizada pelo avanço da Serra do Mar, denominada localmente de Serra da Bocaina, em relação ao Atlântico, o que, associado à existência da Baía da Ilha Grande, torna as baixadas inexistentes na maior parte da região. As mesmas só são vistas nas áreas de desembocadura de alguns rios e em locais onde as montanhas recuam em relação a linha de costa. Mesmo assim, são todas baixadas de pequenas extensões. Esta característica geomorfológica confere rara beleza ao conjunto paisagístico, formando diversas pequenas baías e angras no litoral e possibilitando a existência de muitas ilhas, de variados tamanhos, que representam os picos das montanhas que estão afogadas pelo mar. A região é marcada pela presença de escarpas elevadas, entremeadas por bacias sedimentares e depressões (figura ). O ponto culminante dessa Serra é o Pico do Frade, a metros de altitude. Há, frequentemente, contato direto da Serra com o mar. Além das escarpas e das baixadas, há ainda uma feição morfológica importante do ponto de vista regional: o Planalto da Bocaina, que corresponde a uma superfície de erosão anterior ao soerguimento das escarpas serranas. Este planalto domina as porções superiores da Serra da Bocaina. Na porção superior das encostas predominam afloramentos rochosos e na base acúmulos de depósitos coluviais (sedimentos transportados por gravidade e pela chuva) e aluviais (transportados pelos rios), frequentemente pouco espessos, devido à inclinação das encostas. As planícies, quando existentes, são muito curtas, exceto nas bacias dos rios principais, como o Perequê-Açu, Mambucaba e o Ariró, onde se apresentam mais extensas. Estas formações são mais comuns após a sede do Município de Angra, a partir do rio Ariró, em direção ao sul (figura ). Esta composição morfológica da paisagem é resultado do soerguimento da cadeia montanhosa que forma a Serra do Mar e remonta aos processos de abertura do oceano Atlântico, quando os continentes africano e americano se separaram. Neste processo, houve a formação de uma extensa cadeia montanhosa no litoral da América do Sul. Posteriormente, essa grande cadeia de montanhas sofreu falhamentos no sentido longitudinal, que resultaram no seu escalonamento e na formação de degraus de cadeias. O degrau mais alto corresponde a Serra da Mantiqueira, o degrau imediatamente mais baixo corresponde à Serra do Mar; o degrau abaixo é correspondente aos maciços litorâneos ou ilhas (como a Ilha Grande). Abaixo destes, há ainda degraus submersos ou apenas com os picos fora do mar (as diversas ilhas costeiras existentes no litoral sudeste). A erosão destas serras, somada à deposição de sedimentos marinhos, entulhou os vales, formando as planícies litorâneas. Portanto, do ponto de vista da estrutura geológica, a região é complexa, com extensos falhamentos escalonados, já amplamente dissecados pelos processos erosivos, formando os contrafortes da Serra do Mar. Suas características geológicas se relacionam às Unidades Morfoestruturais Cinturão Orogênico do Atlântico, mais especificamente na Faixa da Ribeira e Bacias Sedimentares Cenozóicas. Que caracteriza-se pelas rochas de formação muito antiga, do pré-cambriano, muito anteriores a abertura do Atlântico, como já dito anteriormente. Nessas rochas há predomínio de gnaisses, granitóides e migmatitos, havendo intrusões de granitos diversos, basalto e diabásio (figura ). As rochas são cobertas por sedimentos holocênicos, com características arenosas ou areno-argilosa, representados por depósitos marinhos, flúvio-marinhos e aluviais. Além disso, são comuns os depósitos coluviais derivados de processos erosivos a partir das encostas. 20

25 Merece destaque a descontinuidade existente na Serra do Mar, na direção NE da Baía da Ilha Grande para o continente (figura ), formando uma calha entre as Serras da Carioca e a Serra das Araras (nomes locais da Serra do Mar), cujo nível mais elevado possui altitudes de cerca de 600 metros de altitude. Esse falhamento da cadeia montanhosa, formador da bacia do rio Ariró, além de influência diretamente no clima regional, exerce papel importante no desenvolvimento sócioespacial da região condicionando a distribuição espacial das ocupações humanas. E desta forma, impondo a concentração das ocupações às planícies e vales, dificultando a comunicação física da região com os grandes eixos de desenvolvimento. Nesse contexto, a rodovia Rio Santos (BR-101) representou importante eixo de avanço das atividades econômicas, assim como a, estrada interligando Angra dos Reis a Volta Redonda, que conecta a região do litoral sul fluminense com a rodovia BR-116 (Via Dutra) justamente através do grande falhamento que forma a bacia do rio Ariró. 21

26 Figura : Mapa Geomorgológico da Baía da Ilha Grande (CPRM). 22

27 Figura : Mapa Geológico da Baía da Ilha Grande (CPRM). 23

28 Clima As características climáticas da região da Baía da Ilha Grande são influenciadas pela proximidade do Oceano Atlântico e, sobretudo, pelo relevo, que é importante condicionante para as diferenças de temperatura e de regime pluviométrico. Por se estender na direção leste-oeste e apresentar sua porção oeste alongada no sentido norte-sul, a Serra da Bocaina (nome local da Serra do Mar) caracteriza-se por dois grandes conjuntos de encostas, um voltado para norte, e outro para o sul. Esta diferença de posicionamento se reflete na dinâmica climática destas encostas, gerando diferenças de caráter geoecológico. Devido à proximidade com o mar o maciço montanhoso torna-se uma barreira para a entrada dos sistemas frontais (Massa Polar Atlântica) vindos do Oceano Atlântico. A umidade destas massas condiciona as vertentes voltadas para o oceano (para o sul), a uma maior umidade frente às vertentes voltadas para os quadrantes norte e oeste. Isto ocorre porque as massas de ar tendem a perder umidade ao se encontrarem com o maciço (barlavento), gerando chuvas orográficas, ventos úmidos ou névoa. Portanto, ao atingirem as vertentes opostas (sotavento), as massas de ar já perderam boa parte de sua umidade, tornando estas vertentes, em geral, mais secas que aquelas voltadas para sul. Como agravante, as encostas do quadrante norte recebem, em média, 60% a mais de insolação que aquelas voltadas para sul, como decorrência do posicionamento destas encostas, o que acentua o caráter de maior umidade das vertentes voltadas para sul (Oliveira et al., 1995). Outro fator climático a influenciar a distribuição da precipitação é a altitude. Ao atingirem as áreas mais elevadas, as massas de ar úmidas encontram um ambiente mais frio, onde a umidade tende a se condensar e precipitar, de forma que as áreas mais íngremes apresentam totais pluviométricos maiores. No caso da Serra da Bocaina, as partes mais elevadas do Planalto da Bocaina possuem precipitação média bem superior às áreas mais baixas (Ibama, 2001). No âmbito dos estudos realizados pela UFRJ para a elaboração do ZEE-RJ foi realizado um mapeamento do Balanço Hídrico para o estado do Rio de Janeiro, este dado foi recortado para o recorte da Baía da Ilha Grande e apresenta a média pluviométrica entre os anos de 1950 e 2000 descontando os valores de evaporação e evapotranspiração no continente. A análise destes dados (figura ) sugere que as áreas de maiores altitudes, como a Pedra da jamanta e o Pico do Cairuçú (ambos inseridos na área de estudos), apresentam as maiores concentrações de balanço hídrico, refletindo na contribuição das bacias hidrográficas que servem essas regiões mais altas. Segundo a classificação de Koppen, o clima da região pode ser caracterizado por duas categorias. A área costeira apresenta um clima quente e úmido, sem estação seca marcada, classificado como Af. Nessa área a pluviosidade média anual é de cerca de mm, com exceção da região mais próxima a Paraty, onde a pluviosidade cai para cerca de mm anuais, devido a seu posicionamento longitudinal em relação às massas frontais (Ibama, 2001). Nas áreas altas da região, em especial no planalto da Bocaina, o clima é caracterizado como Tropical de Altitude (Cwb), com verões brandos e temperatura média anual inferior a 22 o. A precipitação nessa área apresenta média anual de cerca de mm, caracterizando o regime pluviométrico como superúmido, sendo comuns anos com pluviosidade superior a mm. 24

29 Figura : Mapa de Balanço Hídrico da Baía da Ilha Grande (ZEE/RJ, 2010). 25

30 Outro fator climático importante na região é a dinâmica das massas de ar, caracterizada pelo domínio da Massa Tropical Atlântica na maior parte do ano. Esta massa apresenta umidade e temperatura relativamente altas. Durante o ano ocorrem entradas da Massa Polar Atlântica de característica úmida e fria. Quando da entrada desta massa há o impacto com a Massa Tropical Atlântica formam-se os sistemas frontais ( frentes frias ), resultando em fortes chuvas e, portanto, intensificando os índices pluviométricos na região. Como a formação dos sistemas frontais apresenta uma atuação maior no verão, os grandes eventos ocorrem principalmente nesta época, que associados as chuvas convectivas, fazem desta época do ano o período mais chuvoso. Em toda a região, a distribuição da precipitação apresenta uma concentração de chuvas de novembro a abril e uma redução pluviométrica entre junho e setembro. Segundo Soares (2006), a partir dos dados coletados nas estações pluviométricas da Usina Nuclear de Angra dos Reis e da Ilha Guaíba, a média pluviométrica dos meses mais chuvosos no período de 1960 a 2004, varia de 229 a 276 mm e ocorre nos meses de dezembro e março, demonstrando a grande concentração de chuvas durante o verão. Essa mesma autora identifica os dias mais chuvosos no mesmo período, e demonstra a ocorrência de diversos dias com precipitação superior a 200 mm, o que tende a gerar deslizamentos de terra e, conseqüentemente, problemas graves às populações dessa região. Entretanto, as médias anuais variam muito de ano para ano, de modo que há anos muito chuvosos, como 1985, 1995 e 2002 e anos mais secos, como 1983, 1987 e O regime de temperaturas também é influenciado diretamente pelo relevo, com as menores temperaturas encontradas na porção superior e as maiores no litoral. Além disso, o litoral apresenta uma variação de temperaturas significativamente menor que as áreas do interior, em função da influencia da maritimidade quanto mais próximo do litoral maior a umidade e, portanto, menores amplitudes térmicas. No litoral as temperaturas médias anuais variam entre 25 e 26 ºC, enquanto a porção superior do planalto apresenta temperatura média de cerca de 17 ºC, com mínimas próximas aos 0 ºC. Quanto às temperaturas registradas no período entre 1960 e 1990, concentram-se as mais elevadas no verão, tendo janeiro como o mês de maior temperatura média (30,4 o C) e julho como o mês de menor temperatura média (16,5 o C). O pico máximo de temperatura encontrado neste período foi de 39,3 o C e a temperatura mínima registrada foi de 9,4 o C (Soares, 2006). A umidade relativa do ar na região de estudo é bastante elevada e apresenta poucas variações ao longo do ano. Geralmente, esta umidade permanece em torno de 80 a 83%. O regime de ventos é marcado por uma variação considerável da direção dos ventos, que apresenta médias baixas de velocidade, e pela predominância de calmarias durante os meses de maio (Ibama, 2001) Solos Segundo o Mapa de Solos do CPRM (figura ) e o Plano de Manejo do Parque Nacional da Bocaina, predominam na região do os Cambissolos álicos distróficos, ocorrendo sozinhos ou em associação com Latossolos vermelho-amarelos, Cambissolos húmicos e argisolos, dependendo da posição na paisagem e das características geomorfológicas e climáticas de cada área. De forma geral, nas áreas de encosta, entre os afloramentos rochosos, os Cambissolos álicos em associação com os Latossolos predominam, assim como nas áreas do Planalto da Bocaina, onde os Cambissolos álicos ocorrem frequentemente em associação com Cambissolos húmicos, além de consideráveis ocorrências de solos litólicos associados com Cambissolos. 26

31 Os Cambissolos ocorrem nas áreas de encosta, pois são solos muito rasos e com estrutura pedogenética simples, já que os sedimentos não ficam tempo suficiente em um ponto para haver ação de fatores como clima e organismos vivos, transformando as partículas, diferenciando os horizontes e formando solos mais complexos. Nas áreas do Planalto, os solos são de profundidade ligeiramente maior. Já nas áreas de planície, onde predominam solos aluviais distróficos, além de solos argilosos nos mangues e solos hidromórficos, os solos tendem a ser mais profundos. Nas partes inferiores das encostas, sobre os pacotes de colúvio, são encontrados geralmente Latossolos vermelho-amarelo, que são solos mais espessos que podem possuir significativo horizonte orgânico em matas, mas são sempre bastante lixiviados pelas chuvas constantes, apresentando alto teor de ferro e alumínio e baixa fertilidade. Tais condições não impedem a ocorrência de vegetação arbórea diversificada, já que um dos motivos da baixa fertilidade dos solos é justamente a velocidade de funcionamento dos sistemas florestais que decompõem rapidamente tudo que chega ao solo, disponibilizando os nutrientes para as plantas, que são rapidamente absorvidos; portanto, a matéria orgânica é acumulada na biomassa viva florestal. Nas planícies litorâneas os solos são influenciados por sedimentos diversos, incluindo aluviões, depósitos colúvio-aluvionares, depósitos flúvio-marinhos, praias e solos de mangue, gerando condições diversas para a formação de ecossistemas e para a conservação. Geralmente os solos dessa região apresentam alto teor de acidez, com grande concentração de alumínio (fruto da intensa lixiviação), que chega a ser tóxica em profundidade. Essas características, somadas à pobreza destes solos, podem chegar a limitar o desenvolvimento de formações vegetais. 27

32 Figura : Mapa Geológico da Baía da Ilha Grande (CPRM). 28

33 Vegetação e Uso do Solo da Baía da Ilha Grande Dentre as áreas onde se concentram os principais fragmentos florestais e importantes ambientes marinhos do estado do Rio de Janeiro, a região da Baía da Ilha Grande merece destaque, apresentando uma das maiores áreas coberta por floresta e ecossistemas associados. Com a construção do trecho Rio-Santos da rodovia BR 101, na primeira metade da década de 1970, criou-se um acesso fácil à região, o que resultou no crescimento das cidades e em uma invasão turística de larga escala. Atualmente, as pressões sobre os fragmentos florestais são muito intensas, sobretudo por parte da especulação imobiliária, responsável pelo loteamento e destruição de vastas áreas conservadas, incluindo florestas de encosta e o que ainda existe de mangue e restinga, para a construção de condomínios, hotéis, pousadas, etc. Estas pressões se refletem nos ambientes marinhos, que sofrem principalmente, com a degradação dos mangues e seus estuários (uma das principais áreas de reprodução de espécies marinhas da região). Mesmo neste contexto, o relevo apresenta papel preponderante na conservação, as encostas são muito íngremes e de elevada altitude, dificultando o acesso a grandes áreas da região, o que contribuiu decisivamente para o grau de conservação da vegetação regional. Porém, as áreas de baixadas e as partes baixas das serras ficam muito mais desprotegidas, pois o relevo nessas áreas não é limitador das atividades humanas. A vegetação que caracteriza a região faz parte do bioma Mata Atlântica, com predomínio de formações florestais típicas deste bioma. Estas florestas colonizam grande parte das áreas de encosta e ainda hoje apresentam graus de conservação relativamente altos, sobretudo nas áreas de encostas íngremes de nas porções mais altas, no interior do Parque Nacional da Serra da Bocaina. Na realidade, a região deste estudo conserva um dos mais importantes fragmentos de Mata Atlântica, formando uma das áreas contíguas de tamanho relativamente grande quando comparada com os fragmentos que ainda restam destes ecossistemas. Este fragmento está justamente inserido no Parque Nacional da Serra da Bocaina e no seu entorno, fazendo comunicação com o fragmento florestal inserido no Parque Estadual da Serra do Mar, no estado de São Paulo e incorporando o território da Área de Estudos deste relatório. As formações típicas representadas pelas florestas de encosta fazem contato direto com os ecossistemas litorâneos associados à Mata Atlântica, já que nesta área as planícies litorâneas estão praticamente ausentes, de modo que as matas paludosas, matas de restinga, brejos e outras formações típicas do contato das serras com as baixadas litorâneas estão praticamente ausentes no litoral sul fluminense. Neste, são encontrados basicamente três ecossistemas. Nos terrenos arenosos encontram-se as restingas e nas áreas de águas calmas, onde se depositam os finos, os solos lodosos são dominados por manguezais. Já nas áreas de afloramentos de rocha o domínio é dos ecossistemas de costões rochosos. Entretanto, a realidade atual é o predomínio de áreas urbanas ou rurais em detrimento aos ecossistemas de baixada. Nas áreas rurais, são comuns grandes pastos, além de algumas culturas, com destaque em área para bananas. Os pastos geralmente abrigam fragmentos de vegetação em distintos estágios de sucessão, sobretudo no topo de morrotes e alguns fundos de vale. São muito comuns fragmentos em estágios iniciais e médios de sucessão, que correspondem a pastos abandonados, devido às baixas produtividades, ou mesmo áreas de agricultura abandonadas ou florestas degradadas. Geralmente essas paisagens rurais possuem fontes distintas que representam uma pressão significativa sobre os fragmentos vegetais, em especial através das queimadas para renovação de pasto ou outras práticas inadequadas à sustentabilidade socioambiental. Porém, quando comparados as áreas urbanas, possibilitam ao menos a existência de 29

34 pequenos fragmentos e se tornam importantes zonas de amortecimento entre as áreas urbanas e os fragmentos mais conservados que dominam as encostas mais altas, tendo fundamental papel na conservação das paisagens regionais, sobretudo das florestas que dominam as encostas voltadas para o Oceano Atlântico. Ademais, os pequenos fragmentos representam ecossistemas em si, tornando as paisagens rurais mais heterogêneas e, portanto, aumentando a biodiversidade local, a partir da formação de nichos distintos para os seres vivos. Essas formações secundárias apresentam um padrão de difícil classificação, incluindo espécies nativas e exóticas e, muitas vezes espécies de diferentes etapas de sucessão existindo juntas, o que indica a ocorrência de impactos sucessivos que tornam a sucessão um processo bastante distinto do tradicional. Quando foca-se nas áreas mais conservadas da paisagem, pode-se utilizar classificações mais tradicionais para descrever as formações vegetais. Segundo Plano de Manejo do Parque Nacional da Serra da Bocaina e seguindo terminologia adotada pelo IBGE, as formações vegetais serranas da região podem ser classificadas em três tipos: Floresta Ombrófila Densa, (com variação entre Submontana, Montana e Alto Montana, de acordo com o gradiente altitudinal), Floresta Ombrófila Mista, nas áreas mais altas do Planalto da Bocaina, onde na formação característica de Mata Atlântica aparecem inseridos a Araucária angustifólia e o pinheiro Podocarpus lambertii e os Campos de Altitude, que formam ecossistemas bastante distintos, dominados por espécies herbáceas, com graus de endemismo bastante grande, mesmo para gêneros. A biodiversidade nesse complexo de ecossistemas serranos é muito acentuada, representando ambiente essencial à conservação. Além das áreas de encosta, os ecossistemas que dominam as curtas planícies também marcam a paisagem. As restingas e mangues apresentam áreas bastante pequenas quando comparadas às áreas de floresta da região, porém tem importância fundamental para a biodiversidade, já que são habitats de vasta diversidade de fauna e flora, além da exercerem papéis fundamentais nos processos erosivos das regiões litorâneas. Na região ainda existem importantes remanescentes e áreas de floresta secundária em estágio avançado de sucessão. As formações encontradas são típicas de Mata Atlântica, com a existência de pelo menos três estratos vegetais: o mais alto está situado a cerca de 30 metros de altura; o intermediário é formado pelas árvores de altura entre cerca de 10 e 15 metros; e o mais baixo é formado por arbustos e ervas. Frequentemente essas formações possuem mais de três estratos. As formações em estágio avançado de sucessão possuem grande diversidade de espécies arbóreas de diferentes grupos, como: piperaceas, loranthaceas, gesneriaceas, hepaticeaes e musci. São comuns fragmentos com espécies típicas das áreas em estágio avançado da Mata Atlântica, como: cedros (Cedrela ocbrata, Cedrela fissilis), angicos (Piptadenia spp), canela-branca (Cryptocaria moschata), jatobá (Hymenaea coubaril), peroba (Aspidosperma sp), angelim (Andira anthelmia), canjerana (Cabralea canjerana), paineira (Chorisia speciosa), canela-preta (Nectandra mollis), entre muitas outras. É bastante comum a ocorrência, no sub-bosque da mata, formando os estratos arbóreos inferiores e arbustivos, diversas espécies, entre as quais são frequentes a palmeira da qual se tira o palmito (Euterpe edulis), bambus (Gênero Bambusasea) e algumas rutaceas. No estrato epifítico, além das bromélias e orquídeas, muito comuns e de variadas espécies, são encontradas diferentes lianas, begoniaceas, araceas e pteridophytas. O estrato herbáceo é povoado por begônias, orquídeas, bromélias, gramíneas, etc., além de fetos arborescentes, isto é, jovens das espécies arbóreas de tamanho semelhante ao das espécies herbáceas e arbustivas. Porém, a maior parte das formações apresenta interferências humanas significativas, de forma que a definição do seu nível de desenvolvimento sucessional é, por vezes, difícil. Há 30

35 espécies típicas de ambientes degradados em formações com características e espécies típicas de áreas conservadas. O Palmito Jussara (Euterpe edulis), por exemplo, é uma espécie que apresenta populações bastante reduzidas na maior parte das formações florestais, como consequência do extrativismo florestal, quando comparado com formações sem interferência humana significativa. As florestas submontanas, que vão dos 50 metros de altitude até cerca de 600 metros na região (altitude considerada como limite de transição para a floresta Montana no mapeamento de vegetação e uso do solo do Plano de manejo do Parque nacional da Serra da Bocaina, 2001) apresentam formações mais secas que as áreas superiores, o que condiciona florestas mais baixas e com menor estratificação, exceto nos vales que acumulam umidade, onde a vegetação apresenta características de florestas montanas (Rizzini, 1997). Nas florestas submontanas as maiores árvores, que compõe o dossel superior, possuem entre 15 e 20 metros (as espécies emergentes raramente ultrapassam este tamanho), com troncos de diâmetro máximo atingindo 60 cm. Há uma densidade de árvores menor que na floresta montana e menor presença de epífitas, como bromélias, orquídeas e cipós. Na região da Serra da Bocaina, Euterpe edulis tem presença importante no sub-bosque e palmeiras e fetos arborecentes são comuns. Entre as espécies características desse ambiente na região merecem destaque canelas (Nectandra sp e Ocotea sp) e mirtáceas, Vochysia cf. magnífica, além de espécies ameaçadas de extinção (Ibama, 1992), como o palmito e o xaxim (Dicksonia sellowiana). Segundo o Plano de Manejo do Parque Nacional da Serra da Bocaina, Vochysia cf. magnifica delimita, na região o domínio das formações submontanas. Nos vales áreas outras espécies se destacam, como Alchornea triplinervia, Croton floribundus, embaúba (Cecropia sp.) e jacatirão (Miconia theaezans). Especificamente na região da Baía da Ilha Grande, nas encostas voltadas para o mar, a umidade garante que a floresta submontana possa se desenvolver mais acentuadamente, com a formação de mais de três estratos vegetais, freqüentemente chegando a cinco estratos, com o maior estando a mais de 25 metros. É comum ainda mais dois estrato arbóreos, um a cerca de 15 metros e outro próximo aos 5 metros de altura. As epífitas são muito comuns, ao contrário de formações menos úmidas, com destaque para aráceas, bromélias e orquídeas. Entre as árvores são comuns espécies nobres como a maçaranduba (Persea pyrifolia), o jequitibá (Cariniana estrellensis) e o cedro (Cedrela fissilis). Assim como as áreas de restinga e mangue, as florestas submontanas são as mais alteradas pelo homem, pois ocupam regiões de mais fácil acesso, geralmente colonizadas há muito tempo. Observando-se o mapa de vegetação e uso do solo da região da Baía da Ilha Grande (figura ), percebe-se que a ocupação urbana ocorre nas baixadas, no sopé dos morros e nas encostas baixas, esta última área é a região de domínio das formações submontanas. Deste modo, essas áreas apresentam freqüentemente fragmentos florestais bastante alterados, formados por ecossistemas em estágio médio ou inicial de sucessão ecológica. Além disso, as áreas mais conservadas que possuem esse tipo de formação é alvo de extrativismo em nível comercial. A retirada de espécies ornamentais, em especial as epífitas, e de palmito jussara, já ameaça de extinção local de diversas espécies. Nas áreas de domínio das florestas Montanas, entre 600 e 1500 metros de altitude, a formação é bastante semelhante àquela descrita para as áreas da vertente atlântica, com a presença de jequitibá (Cariniana estrellensis), cedros (Cedrela sp) e canelas (Nectandra sp e Ocotea sp). Mas nesse ambiente aparecem em maior diversidade e quantidade as palmeiras (Palmae), lianas e epífitas. Bromélias e orquídeas aparecem de forma significativa entre estas últimas. Além disso, essas formações tendem a ser maiores, com o dossel superior próximo aos 30 metros e com a formação comum de cinco estratos vegetais. A biodiversidade nessas formações é excepcional, com grande proporção de espécies raras e endemismos. 31

36 As formações Altomontanas apresentam padrão bastante característico, diferenciando-se acentuadamente das demais formações. As limitações impostas pela disponibilidade de água e nutrientes nos solos muito rasos (em topos de morros a partir dos metros) mantêm as árvores com tamanhos inferiores aos dez metros e possibilita a formação de apenas um estrato. A vegetação apresenta características de formações mais secas e submetidas à intensa luminosidade, com folhas coreáceas e troncos tortuosos. As espécies mais freqüentes pertencem aos gêneros Rapanea, Roupala, Drymis e Miconia, sendo que algumas são endêmicas da região. São vistas ainda bromélias, pteridófitas e ciperáceas. Grande parte das áreas de restingas que ocorrem na região é formada basicamente por cordões arenosos simples. Há uma pequena praia, e na sua retaguarda já existe montanha, havendo espaço curto para a formação dos ecossistemas de restinga, que são bastante reduzidos em área. Porém, na foz dos principais rios da região as áreas de planície tendem a serem maiores, possibilitando a formação de complexos de ecossistemas mais bem estruturados, com destaque para a saída dos rios Mambucaba, Ariró, Taquari, Bracuí e Perequê-Açú com Mateus-Nunes (na cidade de Paraty). As planícies mais extensas possibilitam a ocorrência de um mosaico de ecossistemas que inclui restinga, mangues e ecossistemas de costões rochosos, além de áreas brejosas e matas de baixada. As restingas estão associadas aos cordões arenosos e, normalmente, estão restritas à retaguarda das praias, onde há formações típicas deste ambiente, com áreas dominadas por vegetação herbácea mais próxima ao mar, e florestas de restinga nas áreas internas. Nessas formações dominam espécies típicas de restinga, sobretudo as bromeliáceas, cactáceas, agaves e as espécies dos gêneros Clusia sp e Rapania sp. São vistas palmeiras Baba-de-boi (Syagrus romanzoffiana) entre as espécies arbóreas. Além dessas, muitas outras espécies vegetais são encontradas nessas formações. Entretanto, a maior parte das restingas existentes na região de Angra dos Reis e Paraty sofre com a forte interferência humana. Por estarem ocupando os terrenos prioritários para o loteamento e a construção de infra-estrutura para turismo, as restingas vem sendo rapidamente substituídas por áreas urbanas, o que vem reduzindo drasticamente a área de ocorrência destas formações. Os mangues são os ecossistemas dominantes na foz dos rios que desembocam na Baía da Ilha Grande. Essas formações colonizam os solos lodosos nas áreas de água salobra e ocupavam grandes áreas na região. Na área de interesse do trabalho estes ecossistemas também apresentam grande representatividade, ocupando áreas significativas nas planícies costeiras, nas bordas da Baía de Ilha Grande e adentrando os rios a partir de sua foz, como no recôncavo do Saco do Mamanguá e na foz do rio Paraty-Mirim. São comuns as formações contendo as três espécies arbóreas que colonizam os mangues, o mangue-vermelho (Rhizophora mangle), o mangue-branco (Laguncularia racemosa), e o mangue preto (Avicennia sp.), alem de espécies típicas da retaguarda desses ecossistemas, como algodoeiros-da-praia (Hibiscus pernambucensis). Em alguns casos, estas espécies aparecem no esquema típico de manguezais, com uma zonação bem marcada da área mais próxima ao mar seguindo para o continente. Entretanto, são também bastante comuns formações nas quais há a presença de apenas uma ou duas espécies entre as arbóreas típicas e nas quais a zonação não é percebida tão 32

37 facilmente. Ocorrem formações, inclusive, com a dominância explícita de apenas uma determinada espécie. Deve ser ressaltado, que a transição entre as áreas de restinga, mangues e matas de baixada nem sempre é nítida. Esses ecótonos, geralmente, são habitats de espécies vegetais características, como as Sennas, incluindo a Senna pendula. Isto está associado ao grau de diferenciação destas áreas em relação aos ecossistemas de mangue e restinga, propiciando condições ambientais únicas para o desenvolvimento de espécies específicas. No caso da região da Baía da Ilha Grande, esses ecótonos são bastante comuns, já que as formações de planície misturam frequentemente os diversos ecossistemas, de forma que as espécies que colonizam, ou colonizavam esses ambientes, tendem a apresentar populações significativas na região. Porém, essas áreas estão, atualmente, bastante reduzidas, pois a ocupação humana das planícies praticamente extinguiu as restingas, mangues e florestas de baixada, sobretudo nas últimas décadas, quando a especulação imobiliária associada ao turismo passou a ser o principal vetor de degradação. Esta alteração na paisagem representou a substituição de ecossistemas originais por áreas antropizadas. Neste processo merecem destaque as áreas urbanas e rurais, que ocuparam quase todos os ecossistemas de baixada existentes, transformando-os de forma definitiva. Áreas de encosta também se tornaram pastos, áreas de plantio ou mesmo áreas urbanas, o que gera freqüentes prejuízos humanos durante as chuvas de verão. Neste processo, muitos fragmentos secundários são encontrados, como retalhos na paisagem que pontuam os pastos e as bordas de formações vegetais mais conservadas, como as capoeiras em estágio inicial de sucessão, estando totalmente associado às paisagens manejadas, nas quais os fragmentos vegetais passam por alterações constantes. Nesses fragmentos vegetais predominam espécies típicas de estágios pioneiros ou secundários iniciais de sucessão, com destaque para as embaúbas (Cecrópia sp), o cambará (Gochnatia polymorpha), as quaresmeiras (Tibouchina sp), o pau-jacaré (Piptadenia gonoacantha), o jacatirão (Miconia cinnamomifolia), a capororoquinha (Myrsine ferruginea), a goiaba (Psidium guajava), as canelas, como Nectandra rigida, entre muitas outras espécies, além de gramíneas, como o capim colonião (Panicum maximum), o capimgordura (Melinis minutiflora) e o Capim Navalha (Ryncospora sp). A distribuição destas espécies depende de diversos fatores, como a região do fragmento, as condições ecológicas do mesmo e os tipos de impacto a que estão submetidos. Fragmentos com grande entrada de luz tendem a ter maior presença de herbáceas, como as gramíneas. Fragmentos sujeitos a incêndios podem ter flora específica, com predomínio de crandiúvas (Trema micranta) e frutas de lobo (Solanum, sp), além de capim colonião (Panicum maximum) e a samambaia brava (Pterydium aquilinum). Ademais, o corte seletivo de espécies para os mais diversos fins altera a composição dos fragmentos, possibilitando o convívio de espécies de distintas etapas da sucessão ecológica e praticamente eliminando espécies de interesse humano. 33

38 Figura : Mapa de Vegetação e Uso do Solo da Baía da Ilha Grande (PROBIO, 2006). 34

39 4. Caracterização da Área de Estudos Para a caracterização da Área de Estudos foram realizadas análises focadas principalmente na produção dos mapas temáticos elaborados para este recorte, além de consultas aos encartes do Plano de Manejo da APA Cairuçú. Desta forma, buscou-se complementar as informações apresentadas no recorte regional com o máximo de informações locais disponíveis. A utilização de cruzamentos de informações advindas da Base de Dados Espaciais com as bibliografias disponíveis para área de estudos, também tem como objetivo orientar, numa próxima etapa, a elaboração dos possíveis cenários para conservação dessa área principal objetivo do projeto que o presente relatório se insere Geologia A análise das características geologias da área de estudos deve ser apoiada pelas análises realizadas para este tema na escala regional (tópico 3.1.1). A fim de particularizar mais as características geológicas da área de estudos, foi elaborado mapa temático (figura ) e tabela de proporção de áreas (tabela ) para o recorte da área em questão com os dados do mapeamento geológico do CPRM, que como dito anteriormente, apesar de ter sido generalizado em escala de 1: , a origem da informação deste mapeamento é em escala de 1:50.000, o que atende as necessidades dessa escala de análise. Quanto à geologia, a área de estudos caracteriza-se pela presença de granitóides, correspondendo a pouco mais de 50% da área total (tabela ), seguido de gnaisses (cerca de 30%), além de menores proporções de migmatitos, granitos e sedimentos holocênicos. Tabela : Áreas (hectares) e Proporções de Geológicas na Área de Estudos. Classes Hectares % Gnaisses 6.496,70 32,08 Granitos 600,54 2,97 Granitóide ,35 54,21 Migmatitos 1.796,78 8,87 Sedimentos Holocênicos 377,78 1,87 Total , Os gnaisses estão relacionados à Unidade Duas barras, que apresenta fáceis homogênea, foliada, de composição tonalítica, intrudida por veios e bolsões de leucogranito tipo-s, e na área de estudos localizam-se, principalmente no interior deste recorte, dividindo duas grandes áreas a leste e a oeste, cuja presença dos granitóides é mais marcante (Silva, 2001). Estas últimas, possuem características da Suite Getulândia, com Hornblenda-biotita granito, tipo-i, de granulação média, porfirítico (porfiro clástico), foliado a isótropo, com manchas localizadas de charnockitização localmente com autólitos quartzo dioríticos (Silva, 2001). E se distribuem pelas encostas e divisores da bacia do rio Paraty-Mirim (Granito Paraty-Mirim) e por essas mesmas feições na face leste da península da Juatinga (Granito Paraty) (figura ), e são característicos do processo de formação da Serra do Mar, quando por força dos processos orogénicos e de diversos cisalhamentos que se seguiram, incorporaram diversos corpos granitóides de dimensões muito variadas. A ocorrência dos granitos é mais pontual, caracterizando a estrutura geológica do Morro da Cajaíba, da mesma forma, os depósitos holocênicos também são pontuais, caracterizando as praias marinhas da região. Estas rochas caracterizam áreas escarpadas de grandes diferenças altimétricas e desnivelamentos que condicionam solos pobres e bastantes lixiviados. 35

40 Figura : Mapa Geológico da área de estudos (CPRM). 36

41 Geomorfologia Para a caracterização da geomorfologia da área de estudos, foram realizados cruzamentos de informações espaciais extraídas da base de informações espaciais produzida para este estudo. De forma geral, a área de estudos caracteriza-se por maciços costeiros (península da Juatinga), escarpas serranas (bacia hidrográfica do Paraty-Mirim), além de domínios colinosos e planícies flúvio-marinhas entre estas duas grandes formas. Segundo o mapa de posicionamento topográfico (figura ) e sua tabela associada (tabela ), a região da área de estudos caracteriza-se pela presença de encostas (36% da área de estudos), seguida de consideráveis proporções de topos de montanha/linhas de cumeadas (30%) e fundos de vale (29%). Em menor quantidade, cerca de hectares, ocorrem terrenos planos, que se distribuem pelas áreas da foz dos rios Paraty-Mirim, da Jamanta, das Laranjeiras, no fundo do Saco do Mamanguá, entre outros menores. Tabela : Áreas (hectares) e Proporções de Classes de Posicionamento Topográfico na área de Estudos. Classe Hectares % Encostas 7.528,69 36,33 Fundos de Vale 5.968,19 28,80 Plano 1.060,81 5,12 Topos de montanhas e morros/ Linhas de cumeada 6.164,88 29,75 Total , Figura : Gráfico de distribuição de Classes de Posicionamentos Topográfico na área de Estudos. 37

42 Figura : Mapa de Posicionamento Topográfico da área de Estudos.

43 Ao analisar o Mapa de Formas de Relevo (figura ), seu gráfico associado (figura ) e sua tabela associada (tabela ), observa-se um relevo bastante acidentado, composto, principalmente, de encostas íngremes (21%) acompanhadas por divisores de drenagem íngremes (18%) e fundos de vales íngremes (13%). O que sugere uma susceptibilidade maior aos processos hidroerosivos, como detonação e movimentos de massa. Entretanto, esta instabilidade geomorfológica é minimizada pelas características da cobertura vegetal composta de grandes fragmentos de matas conservadas (ver capitulo 4.1.6). Tabela : Áreas (hectares) e Proporções de Classes de Formas de Relevo na área de Estudos. Classe Hectares % Divisores muito íngremes 1.732,07 8,36 Divisores pouco íngremes 628,12 3,03 Divisores íngremes 3.804,83 18,36 Encostas costeiras muito íngremes 217,47 1,05 Encostas costeiras pouco íngremes 223,58 1,08 Encostas costeiras íngremes 1.151,74 5,56 Encostas muito íngremes 1.302,61 6,29 Encostas pouco íngremes 263,46 1,27 Encostas íngremes 4.370,48 21,09 Fundos de vales costeiros muito íngremes 170,92 0,82 Fundos de vales costeiros pouco íngremes 625,03 3,02 Fundos de vales costeiros íngremes 931,55 4,50 Fundos de vales muito íngremes 1.000,08 4,83 Fundos de vales pouco íngremes 462,10 2,23 Fundos de vales íngremes 2.777,75 13,40 Planaltos 505,01 2,44 Planícies costeiras 555,78 2,68 Total ,57 100

44 Figura : Gráfico de distribuição de Classes de Formas de Relevo na área de Estudos.

45 Figura : Mapa de Formas de Relevo da Área de Estudos.

46 A distribuição das classes de altitude na área de estudos (figura e e tabela ) apresenta uma concentração nas classes de 100 a 500 metros (63%) localizadas, principalmente, nas encostas do maciço costeiro (Península da Juatinga) e da bacia hidrográfica do rio Paraty-Mirim, e que ocupam uma área de cerca de hectares. As classes mais altas (500 a e a metros) localizam-se no Pico do Cairuçú e Pedra da Jamanta, além das cabeceiras da bacia hidrográfica do rio Paraty-Mirim, que juntas, somam cerca de hectares. A classe entre 0 e 20 metros (5%), caracterizadas pelas planícies costeiras do rio Paraty- Mirim; das comunidade do Sono, do condomínio Laranjeiras, da Praia Grande da Cajaíba e, do fundo do Saco do Mamanguá. A classe entre 20 e 100 metros também se destaca, e como será apresentado no capitulo 4.1.6, é um dos principais espaços de usos agrícolas por parte das comunidades que habitam a área de estudos. Tabela : Áreas (hectares) e Proporções de Classes de Altitude na área de Estudos. Classe Hectares % ,46 5, ,62 17, ,78 63, ,19 13, ,51 0,53 TOTAL , Figura : Gráfico de distribuição de Classes de Altitudes na área de Estudos. 42

47 Figura : Mapa Hipsométrico da Área de Estudos. 43

48 As principais características de declividade na área de estudos estão relacionadas às classes de 10 a 20 e 20 a 30 graus de declividades (tabela e figura ), que soma uma área com cerca de 13 mil hectares. As declividades entre 30 e 45 graus (20%) também se destacam na área estudas (tabela ). Estas áreas associadas às vertentes mais úmidas (quadrante sul) sugerem uma maior cautela quanto a sua ocupação. A classe acima de 45 graus (1,6%) se distribui, principalmente na vertente oeste do Saco do Mamanguá, no paredão entre as comunidades de Cairuçú das Pedras e Ponta Negra, além das áreas mais altas localizadas no Pico do Cairuçú e Pedra da Jamanta, e na bacia hidrográfica do rio Paraty-Mirim (figura ). Tabela : Áreas (hectares) e Proporções de Classes de Declividades na área de Estudos. Classe Hectares % ,58 10, ,75 5, ,98 26, ,28 36, ,75 19,74 > ,23 1,61 Total , Figura : Gráfico de distribuição de Classes de Declividades na área de Estudos. 44

49 Figura : Mapa de Declividade da Área de Estudos. 45

50 Clima Devido à escassez de dados climáticos para o recorte estudado, sugere-se que os dados apresentados no capitulo sejam observados para este mesmo recorte com algumas particularidades abaixo apresentadas. O relevo é o principal fator climático para esta área, deve-se ressaltar que a grande variação altimétrica da área de estudos (ver capitulo 4.1.3) atua como um intensificador das chuvas do tipo orográficas caracterizando áreas de barlavento (mais úmidas) e de sotavento (menos úmidas). Desta forma, a porção sul (barlavento) da área de estudos sofre influencia direta dos sistemas frontais de SW e SE, e a porção norte desta mesma área, voltada para da Baía de Ilha Grande (sotavento), encontra-se mais protegida dessas massas de ar e, portanto, apresentando índices pluviométricos inferiores a porção sul. Na região litorânea voltada para a Baía da Ilha Grande, a umidade relativa do ar apresenta pequenas variações ao longo do ano, com índices entre 80 83%, já na porção sul, a variação nos índices de umidade do ar é maior, apresentando médias mensais de 85% (verão), e inferiores no inverno, com médias abaixo de 80% (Ibama, 2005). Quanto ao comportamento térmico da área estudada, a ausência total de dados no seu interior também sugere uma análise apoiada pelas informações do recorte regional. Segundo o Plano de Manejo da APA Cairuçú, as temperaturas médias nos meses de verão podem variar entre 25 o C e 26 o C, nas médias mínimas, e 28 o C e 30 o C na médias máximas; já nos meses de inverno, as variações de temperatura oscilam entre 18 o C e 20 o C Solos O mapeamento das características pedológicas da área de estudos foi realizado a partir do mapa pedológico do CPRM em escala 1: , o que dificulta uma análise mais apurada na escala da área de estudos. Entretanto, pode-se observar que os principais tipos de solo são caracterizados por Cambissolos álicos associados à Latossolos vermelho-amarelo, além de Latossolos e solos Litólicos associados à Cambissolos (figura ). As áreas de ocorrência dos Latossolos associados à Cambissolos se distribuem, principalmente, pelas áreas de relevo pouco ondulado a suaves, como as áreas mais baixas da cabeceira do rio Paraty-Mirim e ao longo de seu vale. Assim como, nas bacias hidrográficas do córrego da Toca do Boi e das áreas baixas do fundo do Saco do Mamanguá. Isto sugere que essas áreas apresentam solos de pouca fertilidade e bastante lixiviados, entretanto, por se tratarem de solos de grande espessura (longo tempo desenvolvimento) e associados a terrenos de menores declividades, estas áreas se tornam menos susceptíveis a movimento de massa. Já os Cambissolos (de maior ocorrência na área de estudos), neste caso, associados aos Latossolos, se distribuem por áreas de relevos ondulados a fortemente ondulados, sendo típicos de áreas de montanhas. No caso da área de estudos, observa-se a distribuição destes, nas áreas altas das bacias hidrográficas e divisores de drenagem como o que segue do Morro da Pedra Redonda (noroeste a área de estudos) até o morro Cerro Grande (na ponta da enseada de Paraty-Mirim). Além das áreas de entorno do Morro do Ilhéu, Morro da Cajaíba, Pico do Cairuçú, Pedra da Jamanta, praia do Sono e na Ponta Negra. Devido a sua distribuição por terrenos de elevada declividade e por se tratarem de solos bastante rasos com um contato abrupto solo-rocha, estas áreas se apresenta com uma maior susceptibilidade a deslizamentos e outros movimentos de massa. 46

51 Figura : Mapa de Solos da área de estudos (CPRM). 47

52 Áreas de Preservação Permanentes (APPs) na Área de Estudos A análise da distribuição das Áreas de Preservação Permanentes na área de estudos teve como instrumento o mapa temático (figura ) e tabela (tabela ) e gráfico (figura ) elaborados para esse tema. As áreas em APPs ocupam cerca de hectares (36%) do território estudado e caracterizam-se por topos de morro/montanhas (20%), margens de rios (12%), áreas de manguezais (1 %) entre outras de menores proporções. Cabe ressaltar, que não foram calculadas as APPs de linhas de cumeada, o que aumentaria significativamente a proporção de APPs na área de estudos, já que as características do relevo, bastante recortado, sugerem que esta classe ocuparia extensas áreas. Tabela : Áreas (hectares) e Proporções de Classes de APPs na área de Estudos. Classes Hectares % % de APPs Geral > ,69 2,71 0,98 Brejo 77,31 1,03 0,37 Costão rochoso 119,48 1,60 0,58 Mangue 238,55 3,19 1,15 Margens de Rios (10, 30 e 50m) 2.452,00 32,78 11,83 Restinga 52,96 0,71 0,26 Topos de montanhas e morros/ Linhas de cumeada 4.337,96 57,99 20,93 TOTAL EM APPs 7.480, ,10 TOTAL DE ÁREAS FORA DE APPs ,63 63,90 TOTAL DA AREA DE ESTUDOS ,

53 > 45 Brejo Costão rochoso Mangue Margens de Rios (30 e 50m) Restinga Topos de montanhas e morros TOTAL EM APPs TOTAL DE ÁREAS FORA DE APPs Distribuição (% de área) das Classes de Áreas de Proteção Permanentes (APPs) na Área de Estudos (20.722,55 ha) 70,00 63,90 60,00 50,00 40,00 36,10 30,00 20,00 10,00 0,00 0,98 0,37 0,58 1,15 11,83 0,26 20,93 Figura : Gráfico de Áreas de Preservação Permanente da área de estudos 49

54 Figura : Mapa de Áreas de Preservação Permanentes da área de estudos. 50

55 Vegetação e uso do solo (IBGE,2006) na Área de Estudos Cerca de dois terços da área de estudo é coberta por florestas em estágio médio ou avançado de sucessão ecológica, formação protegida de retirada pela Lei da Mata Atlântica. Além disso, há mais de 17% de florestas em estágio inicial, totalizando pouco mais de 84% de ecossistemas florestais (figura ). Tabela : Áreas (hectares) e Proporções de Classes de Vegetação e Uso do Solo (IBGE, 2006) na área de Estudos. Classe Hectares % Afloramento rochoso 502,22 2,42 Água 3,72 0,02 Área edificada 255,55 1,23 Brejo 77,31 0,37 Costão rochoso 152,50 0,74 Floresta em estágio inicial de sucessão 3.652,22 17,62 Floresta em estágio médio ou avançado de sucessão ,95 66,65 Gramíneas 1.632,21 7,88 Mangue 238,55 1,15 Praia 48,98 0,24 Restinga 52,96 0,26 Vegetação arbustiva 295,41 1,43 Total ,

56 Afloramento rochoso Água Área edificada Brejo Costão rochoso Floresta em estágio inicial de sucessão Floresta em estágio médio ou avançado de sucessão Gramíneas Mangue Praia Restinga Vegetação arbustiva Distribuição (% de área) das Classes de Vegetação e Uso do Solo (Ortofoto IBGE, 2006) na Área de Estudos (20.722,57 ha) 70,00 66,65 60,00 50,00 40,00 30,00 20,00 10,00 0,00 2,42 0,02 1,23 0,37 0,74 17,62 7,88 1,15 0,24 0,26 1,43 Figura Gráfico com a proporção das classes do mapa de cobertura vegetal e uso do solo (IBGE, 2006) da área de estudo. Deve ser ressaltado, que essas áreas de floresta em estágio inicial, em grande parte, correspondem às roças caiçaras, onde áreas de mata são utilizadas em sistema de rodízio e abandonadas. Assim, são criadas marcas na paisagem, onde se percebe um mosaico de formações florestais com diferentes tempos de desenvolvimento e, consequentemente, em distintos estágios de sucessão ecológica. As áreas de floresta em estágio médio e avançado estão concentradas nos topos de morro e nas partes superiores das encostas, junto aos divisores de água existentes no interior da área de estudo e também nos limites dessa área (figura ), com destaque para aos subsistemas hidrográficos voltados para o sul, onde mesmo nos fundos de vale é comum o domínio de florestas em estágio médio e avançado de sucessão ecológica. 52

rofa Lia Pimentel TOPOGRAFIA

rofa Lia Pimentel TOPOGRAFIA rofa Lia Pimentel TOPOGRAFIA Diferença entre Cartografia e Topografia: A Topografia é muitas vezes confundida com a Cartografia ou Geodésia pois se utilizam dos mesmos equipamentos e praticamente dos mesmos

Leia mais

2. METODOLOGIA DE TRABALHO

2. METODOLOGIA DE TRABALHO TRAÇADO DE ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP) UTILIZANDO FERRAMENTAS DE GEOPROCESSAMENTO COMO TÉCNICA AUXILIAR NA RECUPERAÇÃO AMBIENTAL DE ÁREAS DEGRADADAS Autores: Adriana Gomes de Souza Pesquisadora

Leia mais

Análise dos Fatores que Condicionam a Estrutura do Relevo em Piraí da Serra, PR

Análise dos Fatores que Condicionam a Estrutura do Relevo em Piraí da Serra, PR Análise dos Fatores que Condicionam a Estrutura do Relevo em Piraí da Serra, PR Rafael KÖENE e Mário Sérgio de MELO Universidade Estadual de Ponta Grossa A região de Piraí da Serra é um representante remanescente

Leia mais

1.1. Fonte: Elaborado por STCP Engenharia de Projetos Ltda., 2011.

1.1. Fonte: Elaborado por STCP Engenharia de Projetos Ltda., 2011. 1 - APRESENTAÇÃO A Área de Proteção Ambiental (APA) Serra Dona Francisca, localizada no município de Joinville/SC, com área mapeada de 40.177,71 ha, foi criada através do Decreto n 8.055 de 15 de março

Leia mais

BIOMAS DO BRASIL. Ecologia Geral

BIOMAS DO BRASIL. Ecologia Geral BIOMAS DO BRASIL Ecologia Geral Biomas do Brasil segundo classificação do IBGE Segundo a classificação do IBGE, são seis os biomas do Brasil: Mata Atlântica Cerrado Amazônia Caatinga Pantanal Pampa O

Leia mais

Clima e Formação Vegetal. O clima e seus fatores interferentes

Clima e Formação Vegetal. O clima e seus fatores interferentes Clima e Formação Vegetal O clima e seus fatores interferentes O aquecimento desigual da Terra A Circulação atmosférica global (transferência de calor, por ventos, entre as diferentes zonas térmicas do

Leia mais

AVALIAÇÃO AMBIENTAL DE ALTERNATIVAS DE TRAÇADO DE DUTOS TERRESTRES

AVALIAÇÃO AMBIENTAL DE ALTERNATIVAS DE TRAÇADO DE DUTOS TERRESTRES AVALIAÇÃO AMBIENTAL DE ALTERNATIVAS DE TRAÇADO DE DUTOS TERRESTRES Guilherme Mendonça da Cunha (PETROBRAS), Giovani Schifino Dellamea, Renato Fernandes, Wilson José de Oliveira. RESUMO Este Trabalho apresenta

Leia mais

3 ASPECTOS GERAIS DA ÁREA ESTUDADA

3 ASPECTOS GERAIS DA ÁREA ESTUDADA 3 ASPECTOS GERAIS DA ÁREA ESTUDADA 3.1. Localização O aproveitamento Hidrelétrico de Itumbiara, com potência instalada de 2080 MW, situa-se no rio Paranaíba, na divisa dos estados de Minas Gerais e Goiás,

Leia mais

RESOLUÇÃO Nº 303, DE 20 DE MARÇO DE 2002. (D.O.U. de 13/05/02) Dispõe sobre parâmetros, definições e limites de Áreas de Preservação Permanente.

RESOLUÇÃO Nº 303, DE 20 DE MARÇO DE 2002. (D.O.U. de 13/05/02) Dispõe sobre parâmetros, definições e limites de Áreas de Preservação Permanente. RESOLUÇÃO Nº 303, DE 20 DE MARÇO DE 2002 (D.O.U. de 13/05/02) Dispõe sobre parâmetros, definições e limites de Áreas de Preservação Permanente. O CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE-CONAMA, no uso das competências

Leia mais

Colégio Policial Militar Feliciano Nunes Pires

Colégio Policial Militar Feliciano Nunes Pires Colégio Policial Militar Feliciano Nunes Pires Professor: Josiane Vill Disciplina: Geografia Série: 1ª Ano Tema da aula: Dinâmica Climática e Formações Vegetais no Brasil Objetivo da aula: conhecer a diversidade

Leia mais

COLÉGIO MARQUES RODRIGUES - SIMULADO

COLÉGIO MARQUES RODRIGUES - SIMULADO COLÉGIO MARQUES RODRIGUES - SIMULADO Estrada da Água Branca, 2551 Realengo RJ Tel: (21) 3462-7520 www.colegiomr.com.br PROFESSOR ALUNO ANA CAROLINA DISCIPLINA GEOGRAFIA A TURMA SIMULADO: P3 501 Questão

Leia mais

DINÂMICA LOCAL INTERATIVA CONTEÚDO E HABILIDADES FORTALECENDO SABERES GEOGRAFIA DESAFIO DO DIA. Aula 21.1 Conteúdo. Região Sudeste

DINÂMICA LOCAL INTERATIVA CONTEÚDO E HABILIDADES FORTALECENDO SABERES GEOGRAFIA DESAFIO DO DIA. Aula 21.1 Conteúdo. Região Sudeste CONTEÚDO E HABILIDADES FORTALECENDO SABERES DESAFIO DO DIA DINÂMICA LOCAL INTERATIVA Aula 21.1 Conteúdo Região Sudeste 2 CONTEÚDO E HABILIDADES FORTALECENDO SABERES DESAFIO DO DIA DINÂMICA LOCAL INTERATIVA

Leia mais

Colégio São Paulo Geografia Prof. Eder Rubens - 2013

Colégio São Paulo Geografia Prof. Eder Rubens - 2013 Colégio São Paulo Geografia Prof. Eder Rubens - 2013 CAP. 02 O território brasileiro e suas regiões.( 7º ano) *Brasil é dividido em 26 estados e um Distrito Federal (DF), organizados em regiões. * As divisões

Leia mais

Climas do Brasil GEOGRAFIA DAVI PAULINO

Climas do Brasil GEOGRAFIA DAVI PAULINO Climas do Brasil GEOGRAFIA DAVI PAULINO Grande extensão territorial Diversidade no clima das regiões Efeito no clima sobre fatores socioeconômicos Agricultura População Motivação! Massas de Ar Grandes

Leia mais

EPB0733 USO E OCUPAÇÃO DO SOLO NAS ÁREAS DE APP DA SUB- BACIA DO RIBEIRÃO DA PEDRA NEGRA, TAUBATÉ/SP, POR MEIO DE GEOTECNOLOGIAS

EPB0733 USO E OCUPAÇÃO DO SOLO NAS ÁREAS DE APP DA SUB- BACIA DO RIBEIRÃO DA PEDRA NEGRA, TAUBATÉ/SP, POR MEIO DE GEOTECNOLOGIAS XV Encontro de Iniciação Científica XI Mostra de Pós-graduação V Seminário de Extensão II Seminário de Docência Universitária 18 a 22 de outubro de 2010 DESAFIOS DO SABER PARA UMA NOVA SOCIEDADE EPB0733

Leia mais

MODELAGEM DA PRODUÇÃO DE SEDIMENTOS USANDO CENÁRIO AMBIENTAL ALTERNATIVO NA REGIÃO NO NOROESTE DO RIO DE JANEIRO - BRAZIL

MODELAGEM DA PRODUÇÃO DE SEDIMENTOS USANDO CENÁRIO AMBIENTAL ALTERNATIVO NA REGIÃO NO NOROESTE DO RIO DE JANEIRO - BRAZIL MODELAGEM DA PRODUÇÃO DE SEDIMENTOS USANDO CENÁRIO AMBIENTAL ALTERNATIVO NA REGIÃO NO NOROESTE DO RIO DE JANEIRO - BRAZIL SEDIMENT YIELD MODELING USING AN ALTERNATIVE ENVIRONMENTAL SCENARIO IN NORTHWESTERN

Leia mais

CP/CAEM/2005 1ª AVALIAÇÃO FORMATIVA - 2005 FICHA AUXILIAR DE CORREÇÃO

CP/CAEM/2005 1ª AVALIAÇÃO FORMATIVA - 2005 FICHA AUXILIAR DE CORREÇÃO CP/CAEM/05 1ª AVALIAÇÃO FORMATIVA - 05 FICHA AUXILIAR DE CORREÇÃO GEOGRAFIA DO BRASIL 1ª QUESTÃO (Valor 6,0) Analisar os fatores fisiográficos do espaço territorial do Brasil, concluindo sobre a influência

Leia mais

FICHA PROJETO - nº 172 MA

FICHA PROJETO - nº 172 MA FICHA PROJETO - nº 172 MA Mata Atlântica Pequeno Projeto 1) TÍTULO: Morro do Caçador Uma Proposta de Unidade de Conservação. 2) MUNICÍPIOS DE ATUAÇÃO DO PROJETO: Florianópolis, Ilha de Santa Catarina.

Leia mais

Licenciamento Ambiental no Estado de São Paulo

Licenciamento Ambiental no Estado de São Paulo Licenciamento Ambiental no Estado de São Paulo Aspectos relacionados com a Legislação Florestal / Mineração LEI FEDERAL 12651/12 Engª Amb. Adriana Maira Rocha Goulart Divisão de Apoio e Gestão dos Recursos

Leia mais

GEOGRAFIA. Professora Bianca

GEOGRAFIA. Professora Bianca GEOGRAFIA Professora Bianca TERRA E LUA MOVIMENTO DA LUA MOVIMENTOS DA TERRA TEMPO E CLIMA Tempo é o estado da atmosfera de um lugar num determinado momento. Ele muda constantemente. Clima é o conjunto

Leia mais

FONTES DE ABASTECIMENTO POR ÁGUAS SUBTERRÂNEAS NO MUNICÍPIO DE BARRAS/PIAUÍ - BRASIL

FONTES DE ABASTECIMENTO POR ÁGUAS SUBTERRÂNEAS NO MUNICÍPIO DE BARRAS/PIAUÍ - BRASIL FONTES DE ABASTECIMENTO POR ÁGUAS SUBTERRÂNEAS NO MUNICÍPIO DE BARRAS/PIAUÍ - BRASIL Francisca Cardoso da Silva Lima Centro de Ciências Humanas e Letras, Universidade Estadual do Piauí Brasil Franlima55@hotmail.com

Leia mais

sobre cartilha N 1 abrindo os caminhos... critérios plano de MaNeJo Área de amortecimento comunidade

sobre cartilha N 1 abrindo os caminhos... critérios plano de MaNeJo Área de amortecimento comunidade a sobre s a d de dúvi eps e ar suas p e o r i d T o cip ntaçã par ti impla cê pode vo nte como ositivame p cartilha N 1 abrindo os caminhos... critérios plano de MaNeJo Área de amortecimento comunidade

Leia mais

RESPOSTA D LISTA DE EXERCÍCIOS. 1) Analise o diagrama e as afirmativas a seguir.

RESPOSTA D LISTA DE EXERCÍCIOS. 1) Analise o diagrama e as afirmativas a seguir. 1) Analise o diagrama e as afirmativas a seguir. LISTA DE EXERCÍCIOS I) A partir de critérios geomorfológicos, os planaltos corrrespondem às regiões do relevo onde predomina o processo erosivo; neste compartimento

Leia mais

REVISÃO UDESC GAIA GEOGRAFIA GEOGRAFIA FÍSICA PROF. GROTH

REVISÃO UDESC GAIA GEOGRAFIA GEOGRAFIA FÍSICA PROF. GROTH REVISÃO UDESC GAIA GEOGRAFIA GEOGRAFIA FÍSICA PROF. GROTH 01. (UDESC_2011_2) Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), existem no Brasil oito Bacias Hidrográficas. Assinale a alternativa

Leia mais

Apps de Topo de Morro. Ministério Público de São Paulo CAO Cível e de Tutela Coletiva

Apps de Topo de Morro. Ministério Público de São Paulo CAO Cível e de Tutela Coletiva Apps de Topo de Morro Ministério Público de São Paulo CAO Cível e de Tutela Coletiva Funções Ambientais das Áreas de Preservação Permanente (espaço territorial especialmente protegido: art.225 CF; Lei

Leia mais

Climatologia. humanos, visto que diversas de suas atividades

Climatologia. humanos, visto que diversas de suas atividades Climatologia É uma parte da que estuda o tempo e o clima cientificamente, utilizando principalmente técnicas estatísticas na obtenção de padrões. É uma ciência de grande importância para os seres humanos,

Leia mais

Estudo da fragilidade ambiental no Parque Nacional da Serra da Bocaina, Estado do Rio de Janeiro

Estudo da fragilidade ambiental no Parque Nacional da Serra da Bocaina, Estado do Rio de Janeiro Estudo da fragilidade ambiental no Parque Nacional da Serra da Bocaina, Estado do Rio de Janeiro Moraes, L.M.A.V. (UFRJ) ; Alexandre, S.T. (UFRJ) ; Brizzi, R.R. (UERJ) ; Souza, H.S. (UFRJ) ; Lopes, C.F.

Leia mais

Santa Catarina - Altitude

Santa Catarina - Altitude Santa Catarina - Altitude RELEVO O relevo catarinense caracteriza-se por sua ondulação, que variam dependendo da região do estado. No litoral, o que predomina são as planícies, as chamadas baixadas litorâneas,

Leia mais

ANÁLISE DO USO DO SOLO EM ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE NO ALTO CURSO DA BACIA DO RIO COTEGIPE, FRANCISCO BELTRÃO - PR

ANÁLISE DO USO DO SOLO EM ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE NO ALTO CURSO DA BACIA DO RIO COTEGIPE, FRANCISCO BELTRÃO - PR ANÁLISE DO USO DO SOLO EM ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE NO ALTO CURSO DA BACIA DO RIO COTEGIPE, FRANCISCO BELTRÃO - PR Lucas Ricardo Hoenig Universidade Estadual do Oeste do Paraná UNIOESTE Campus de

Leia mais

Estruturando o SIG para fornecer suporte para elaboração e implantação do Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica

Estruturando o SIG para fornecer suporte para elaboração e implantação do Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica Estruturando o SIG para fornecer suporte para elaboração e implantação do Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica SIG Sistema de Informação Geográfica O SIG é um sistema de Informação

Leia mais

LICENCIAMENTO AMBIENTAL. Autorização para supressão de vegetação nativa e intervenções em Áreas de Preservação Permanente - APP

LICENCIAMENTO AMBIENTAL. Autorização para supressão de vegetação nativa e intervenções em Áreas de Preservação Permanente - APP LICENCIAMENTO AMBIENTAL Autorização para supressão de vegetação nativa e intervenções em Áreas de Preservação Permanente - APP Engª Adriana Maira Rocha Goulart Gerente Divisão de Apoio e Gestão dos Recursos

Leia mais

Ciências Humanas e Suas Tecnologias - Geografia Ensino Médio, 3º Ano Bacias Hidrográficas Brasileiras. Prof. Claudimar Fontinele

Ciências Humanas e Suas Tecnologias - Geografia Ensino Médio, 3º Ano Bacias Hidrográficas Brasileiras. Prof. Claudimar Fontinele Ciências Humanas e Suas Tecnologias - Geografia Ensino Médio, 3º Ano Bacias Hidrográficas Brasileiras Prof. Claudimar Fontinele BACIA HIDROGRÁFICA Bacia Hidrográfica é a área drenada por um rio principal

Leia mais

CAPÍTULO 4 GEOLOGIA ESTRUTURAL DA ÁREA

CAPÍTULO 4 GEOLOGIA ESTRUTURAL DA ÁREA 47 CAPÍTULO 4 GEOLOGIA ESTRUTURAL DA ÁREA Este capítulo se refere ao estudo das estruturas geológicas rúpteis e do resultado de sua atuação na compartimentação morfoestrutural da área. Para tanto, são

Leia mais

CAPÍTULO 13 OS CLIMAS DO E DO MUNDOBRASIL

CAPÍTULO 13 OS CLIMAS DO E DO MUNDOBRASIL CAPÍTULO 13 OS CLIMAS DO E DO MUNDOBRASIL 1.0. Clima no Mundo A grande diversidade verificada na conjugação dos fatores climáticos pela superfície do planeta dá origem a vários tipos de clima. Os principais

Leia mais

CAPÍTULO 8 ANÁLISE INTEGRADA

CAPÍTULO 8 ANÁLISE INTEGRADA CAPÍTULO 8 ANÁLISE INTEGRADA O presente capítulo foi elaborado em atenção ao determinado pelo Ibama em seu Termo de Referência visando a formulação de um quadro referencial das condições ambientais da

Leia mais

USO DE GEOPROCESSAMENTO NA DELIMITAÇÃO DE CONFLITOS DE USO E OCUPAÇÃO DO SOLO NA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE DO RIO VERÊ, MUNICÍPIO DE VERÊ PR.

USO DE GEOPROCESSAMENTO NA DELIMITAÇÃO DE CONFLITOS DE USO E OCUPAÇÃO DO SOLO NA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE DO RIO VERÊ, MUNICÍPIO DE VERÊ PR. USO DE GEOPROCESSAMENTO NA DELIMITAÇÃO DE CONFLITOS DE USO E OCUPAÇÃO DO SOLO NA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE DO RIO VERÊ, MUNICÍPIO DE VERÊ PR. Ivan Rodrigo Dal-Berti, Marcio Pigosso, Wanessa Suelen

Leia mais

Classificações climáticas

Classificações climáticas Classificações climáticas Glauber Lopes Mariano Departamento de Meteorologia Universidade Federal de Pelotas E-mail: glauber.mariano@ufpel.edu.br glaubermariano@gmail.com O clima do Brasil pode ser classificado

Leia mais

O MEIO AMBIENTE E A AGROPECUÁRIA BRASILEIRA. Restrições x Oportunidades

O MEIO AMBIENTE E A AGROPECUÁRIA BRASILEIRA. Restrições x Oportunidades O MEIO AMBIENTE E A AGROPECUÁRIA BRASILEIRA Restrições x Oportunidades Secretaria de Políticas para o Desenvolvimento Sustentável SDS Dr. Gilney Amorim Viana ASPECTOS REGULATÓRIOS RELEVANTES Código Florestal:

Leia mais

Monitoramento dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica

Monitoramento dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica Monitoramento dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica Realização: Patrocínio: Execução Técnica: PRIMEIRO MAPEAMENTO DA MATA ATLÂNTICA SOS Mata Atlântica INPE e IBAMA Escala: 1:1.000.000 CONCLUÍDO:

Leia mais

REVISÃO PARA AV1 Unidade 1 Cap. 1

REVISÃO PARA AV1 Unidade 1 Cap. 1 REVISÃO PARA AV1 Unidade 1 Cap. 1 Continente Americano Prof. Ivanei Rodrigues Teoria sobre a formação dos continentes Transformação da crosta terrestre desde a Pangeia até os dias atuais. A Teoria da

Leia mais

CAPÍTULO 3. BACIA HIDROGRÁFICA

CAPÍTULO 3. BACIA HIDROGRÁFICA CAPÍTULO 3. BACIA HIDROGRÁFICA 3.1. Introdução O Ciclo Hidrológico, como descrito anteriormente, tem um aspecto geral e pode ser visto como um sistema hidrológico fechado, já que a quantidade de água disponível

Leia mais

HIDROGRAFIA GERAL E DO BRASIL

HIDROGRAFIA GERAL E DO BRASIL HIDROGRAFIA GERAL E DO BRASIL QUESTÃO 01 - A Terra é, dentro do sistema solar, o único astro que tem uma temperatura de superfície que permite à água existir em seus três estados: líquido, sólido e gasoso.

Leia mais

Comparação entre lei 4771 e PL relatado pelo Dep.Aldo Rebelo preparado por Zeze Zakia Versão preliminar ( APP)

Comparação entre lei 4771 e PL relatado pelo Dep.Aldo Rebelo preparado por Zeze Zakia Versão preliminar ( APP) Lei 4771 versão em vigor II área de preservação permanente: área protegida nos termos dos arts. 2 o e 3 o desta Lei, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos

Leia mais

CAP. 23 REGIÃO SUDESTE. Prof. Clésio Farrapo

CAP. 23 REGIÃO SUDESTE. Prof. Clésio Farrapo CAP. 23 REGIÃO SUDESTE Prof. Clésio Farrapo 1. CARACTERIZAÇÃO FÍSICA DA REGIÃO SUDESTE A Regiāo Sudeste ocupa 924.573,82 km², equivalente a 10,86% do território nacional. Grande parte desse território

Leia mais

SISTEMA NACIONAL DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO - SNUC

SISTEMA NACIONAL DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO - SNUC - SNUC PREVISÃO LEGAL Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e àcoletividade

Leia mais

Desenvolvimento de um Sistema de Informações Geográficas (SIG) para o monitoramento de uma bacia hidrográfica, utilizando software livre RESUMO

Desenvolvimento de um Sistema de Informações Geográficas (SIG) para o monitoramento de uma bacia hidrográfica, utilizando software livre RESUMO Desenvolvimento de um Sistema de Informações Geográficas (SIG) para o monitoramento de uma bacia hidrográfica, utilizando software livre RESUMO Este artigo apresenta os primeiros resultados do desenvolvimento

Leia mais

ACONSTRUIDA... 28 AFD Área de faixa de Domínio... 29 ESTRADA... 30 FERROVIA... 31 DUTO... 32 LTRANSMISSAO... 33 Orientações para atributação dos

ACONSTRUIDA... 28 AFD Área de faixa de Domínio... 29 ESTRADA... 30 FERROVIA... 31 DUTO... 32 LTRANSMISSAO... 33 Orientações para atributação dos Sumário Introdução... 4 O projeto geográfico da Dominialidade... 5 Importação de shapes... 5 Lista de feições de uso obrigatório... 6 Lista de feições de uso condicionado... 6 Lista das feições processadas...

Leia mais

INFORME SOBRE O VERÃO 2014-2015

INFORME SOBRE O VERÃO 2014-2015 INFORME SOBRE O VERÃO 2014-2015 1. INTRODUÇÃO A estação do verão inicia-se no dia 21 de dezembro de 2014 às 20h03 e vai até as 19h45 do dia 20 de março de 2015. No Paraná, historicamente, ela é bastante

Leia mais

ASPECTOS FÍSICOS E CLIMATOLÓ-

ASPECTOS FÍSICOS E CLIMATOLÓ- Estudo de Chuvas Intensas no Estado do Rio de Janeiro 2 ASPECTOS FÍSICOS E CLIMATOLÓ- GICOS 2.1 Localização Geográfica Situado na Região Sudeste do Brasil, o Estado do Rio de Janeiro possui uma área de

Leia mais

Domínios Morfoclimáticos

Domínios Morfoclimáticos Domínios Morfoclimáticos Os domínios morfoclimáticos representam a interação e a integração do clima, relevo e vegetação que resultam na formação de uma paisagem passível de ser individualizada. Domínios

Leia mais

B I O G E O G R A F I A

B I O G E O G R A F I A B I O G E O G R A F I A FLORESTA AMAZÔNICA 2011 Aula XII O bioma Amazônia representa aproximadamente 30% de todas as florestas tropicais remanescentes do mundo e nele se concentra a maioria das florestas

Leia mais

Biomas, Domínios e Ecossistemas

Biomas, Domínios e Ecossistemas Biomas, Domínios e Ecossistemas Bioma, domínio e ecossistema são termos ligados e utilizados ao mesmo tempo nas áreas da biologia, geografia e ecologia, mas, não significando em absoluto que sejam palavras

Leia mais

AULAS DE RECUPERAÇÃO FINAL 7º ANO: AULAS 6, 7, 20, 27, 34 e 35,36 e 37 E 53.

AULAS DE RECUPERAÇÃO FINAL 7º ANO: AULAS 6, 7, 20, 27, 34 e 35,36 e 37 E 53. AULAS DE RECUPERAÇÃO FINAL 7º ANO: AULAS 6, 7, 20, 27, 34 e 35,36 e 37 E 53. AULAS 6 e 7: O RELEVO BRASILEIRO PLANALTOS BRASILEIROS: Muito desgastados, antigos, conhecidos também como cinturões orogênicos

Leia mais

MAPEAMENTO GEOMORFOLÓGICO DA ÁREA URBANA DE ILHÉUS, BAHIA

MAPEAMENTO GEOMORFOLÓGICO DA ÁREA URBANA DE ILHÉUS, BAHIA MAPEAMENTO GEOMORFOLÓGICO DA ÁREA URBANA DE ILHÉUS, BAHIA Hogana Sibilla Soares Póvoas Bolsista do PET Solos Universidade Estadual de Santa Cruz hogana_sibila@hotmail.com Ednice de Oliveira Fontes Universidade

Leia mais

RELATÓRIO DE IMPACTO AMBIENTAL RIMA

RELATÓRIO DE IMPACTO AMBIENTAL RIMA RELATÓRIO DE IMPACTO AMBIENTAL RIMA COMPLEXO ECOTURÍSTICO RESERVA GARAÚ CONDE / PB INTERESSADO: LORD NEGÓCIOS IMOBILIÁRIOS LTDA. ELABORAÇÃO: GEOCONSULT CONSULTORIA, GEOLOGIA & MEIO AMBIENTE LTDA. CNPJ.

Leia mais

Diagnóstico Ambiental Município de Apiacás MT

Diagnóstico Ambiental Município de Apiacás MT Diagnóstico Ambiental Município de Apiacás MT 2011 Diagnóstico Ambiental do Município de Apiacás MT Carolina de Oliveira Jordão Vinícius Freitas Silgueiro Leandro Ribeiro Teixeira Ricardo Abad Meireles

Leia mais

Ministério do Meio Ambiente IMPLEMENTAÇÃO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO

Ministério do Meio Ambiente IMPLEMENTAÇÃO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO IMPLEMENTAÇÃO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO Unidade de Conservação Área geograficamente estabelecida para se alcançar um objetivo específico de conservação por meio do uso controlado dos recursos biológicos

Leia mais

Climatologia GEOGRAFIA DAVI PAULINO

Climatologia GEOGRAFIA DAVI PAULINO Climatologia GEOGRAFIA DAVI PAULINO Efeito no clima sobre fatores socioeconômicos Agricultura População Diversidade global de climas Motivação! O Clima Fenômeno da atmosfera em si: chuvas, descargas elétricas,

Leia mais

Diagnóstico Ambiental do Município de Alta Floresta - MT

Diagnóstico Ambiental do Município de Alta Floresta - MT Diagnóstico Ambiental do Município de Alta Floresta - MT Paula Bernasconi Ricardo Abad Laurent Micol Maio de 2008 Introdução O município de Alta Floresta está localizado na região norte do estado de Mato

Leia mais

11. IDENTIFICAÇÃO DA ZONA DE AMORTECIMENTO. 11.1 Zona de Amortecimento

11. IDENTIFICAÇÃO DA ZONA DE AMORTECIMENTO. 11.1 Zona de Amortecimento 11. IDENTIFICAÇÃO DA ZONA DE AMORTECIMENTO 11.1 Zona de Amortecimento Vilhena (2002) menciona que o conceito de zona de amortecimento surgiu pela primeira vez em 1979, com o programa Man and Biosfere,

Leia mais

Marcio S. Suganuma Escola de Engenharia de São Carlos EESC/ USP. marciosuganuma@gmail.com

Marcio S. Suganuma Escola de Engenharia de São Carlos EESC/ USP. marciosuganuma@gmail.com Marcio S. Suganuma Escola de Engenharia de São Carlos EESC/ USP marciosuganuma@gmail.com Área de preservação permanente (artigos 2 o e 3 o ) Reserva Legal (artigos 16 e 44) Área de preservação permanente

Leia mais

DOMÍNIO DOS MARES DE MORROS

DOMÍNIO DOS MARES DE MORROS DOMÍNIO DOS MARES DE MORROS Situação Geográfica Este domínio estende-se se do sul do Brasil até o Estado da Paraíba (no nordeste), obtendo uma área total de aproximadamente 1.000.000 km².. Situado mais

Leia mais

Zoneamento. No caso desse exercício, as UTBs de interesse são as Unidades de Conservação (ou UC).

Zoneamento. No caso desse exercício, as UTBs de interesse são as Unidades de Conservação (ou UC). Zoneamento O Zoneamento é o instrumento de ordenação territorial usado para atingir melhores resultados no manejo de qualquer unidade territorial básica (UTB). No caso desse exercício, as UTBs de interesse

Leia mais

O Clima do Brasil. É a sucessão habitual de estados do tempo

O Clima do Brasil. É a sucessão habitual de estados do tempo O Clima do Brasil É a sucessão habitual de estados do tempo A atuação dos principais fatores climáticos no Brasil 1. Altitude Quanto maior altitude, mais frio será. Não esqueça, somente a altitude, isolada,

Leia mais

SEMIPRESENCIAL DISCIPLINA: MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA MATERIAL COMPLEMENTAR UNIDADE I PROFESSOR: EDUARDO PACHECO

SEMIPRESENCIAL DISCIPLINA: MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA MATERIAL COMPLEMENTAR UNIDADE I PROFESSOR: EDUARDO PACHECO SEMIPRESENCIAL DISCIPLINA: MEIO AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA MATERIAL COMPLEMENTAR UNIDADE I PROFESSOR: EDUARDO PACHECO 2 - Marco político, normativo e de contexto nacional 2.1 - Marco político atual para

Leia mais

METODOLOGIA PARA MAPEAMENTO DE TERRENOS QUATERNÁRIOS NO MUNICÍPIO DE CANANÉIA, LITORAL SUL DO ESTADO DE SÃO PAULO

METODOLOGIA PARA MAPEAMENTO DE TERRENOS QUATERNÁRIOS NO MUNICÍPIO DE CANANÉIA, LITORAL SUL DO ESTADO DE SÃO PAULO METODOLOGIA PARA MAPEAMENTO DE TERRENOS QUATERNÁRIOS NO MUNICÍPIO DE CANANÉIA, LITORAL SUL DO ESTADO DE SÃO PAULO *Thomaz Alvisi de Oliveira 1 ; Paulina Setti Riedel 2 ; Célia Regina de Gouveia Souza 3

Leia mais

ArcPlan S/S Ltda. Fone: 3262-3055 Al. Joaquim Eugênio de Lima, 696 cj 73.

ArcPlan S/S Ltda. Fone: 3262-3055 Al. Joaquim Eugênio de Lima, 696 cj 73. 1 de 27 GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO SECRETARIA DE ESTADO DA AGRICULTURA PROJETO: GERENCIAMENTO INTEGRADO DE AGROECOSSISTEMAS EM MICROBACIAS HIDROGRÁFICAS DO NORTE-NOROESTE FLUMINENSE - RIO RURAL/GEF

Leia mais

Formação das Rochas. 2.Rochas sedimentares: formadas pela deposição de detritos de outras rochas,

Formação das Rochas. 2.Rochas sedimentares: formadas pela deposição de detritos de outras rochas, Relevo Brasileiro 1.Rochas magmáticas ou ígneas, formadas pela solidificação do magma.podem ser intrusivas formadas dentro da crosta terrestre ou extrusivas na superfície. Formação das Rochas 2.Rochas

Leia mais

MATERIAL DE APOIO PROJETO PROGRAMA SENTINELAS DA SERRA

MATERIAL DE APOIO PROJETO PROGRAMA SENTINELAS DA SERRA MATERIAL DE APOIO PROJETO PROGRAMA SENTINELAS DA SERRA Patrocínio: Apoio: A SERRA DA BODOQUENA SURGIMENTO Entre 580 e 540 milhões de anos, havia um supercontinente na Terra chamado de Rodínia. Nos oceanos

Leia mais

Plano Curricular de Geografia- 3º Ciclo -7ºAno 2014/2015

Plano Curricular de Geografia- 3º Ciclo -7ºAno 2014/2015 Terra: Estudos e Representações Plano Curricular de Geografia- 3º Ciclo -7ºAno 2014/2015 Domínio Subdomínios /Objetivos Gerais Descritores Nº de Aulas Previstas 1- A Geografia e o Território 1.1-Compreender

Leia mais

QUANTIFICAÇÃO E QUALIFICAÇÃO DA PRODUÇÃO DE ÁGUA NA BACIA HIDROGRAFICA DO PIRACICABA

QUANTIFICAÇÃO E QUALIFICAÇÃO DA PRODUÇÃO DE ÁGUA NA BACIA HIDROGRAFICA DO PIRACICABA QUANTIFICAÇÃO E QUALIFICAÇÃO DA PRODUÇÃO DE ÁGUA NA BACIA HIDROGRAFICA DO PIRACICABA - MONITORAMENTO DA EVOLUÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS HIDROLÓGICAS DE UMA MICROBACIA HIDROGRÁFICA, EXTREMA, MINAS GERAIS -

Leia mais

COLÉGIO MARQUES RODRIGUES - SIMULADO

COLÉGIO MARQUES RODRIGUES - SIMULADO COLÉGIO MARQUES RODRIGUES - SIMULADO PROFESSOR JULIO BESSA DISCIPLINA GEOGRAFIA SIMULADO: P4 Estrada da Água Branca, 2551 Realengo RJ Tel: (21) 3462-7520 www.colegiomr.com.br ALUNO TURMA 601 Questão 1

Leia mais

CICLO DE PALESTRAS E DEBATES

CICLO DE PALESTRAS E DEBATES CICLO DE PALESTRAS E DEBATES PLC PROGRAMA Nº 30/11 NOVO PRODUTOR CÓDIGO FLORESTAL DE ÁGUA Ã NO GUARIROBA Á COMISSÃO DE AGRICULTURA E REFORMA AGRÁRIA DO SENADO FEDERAL Devanir Garcia dos Santos Gerente

Leia mais

FICHA PROJETO - nº387-mapp

FICHA PROJETO - nº387-mapp FICHA PROJETO - nº387-mapp Mata Atlântica Pequeno Projeto 1) TÍTULO: ETUDO DE VIABILIDADE PARA A AMPLIAÇÃO DO PARQUE NACIONAL DA ERRA DA BOCAINA. 2) MUNICÍPIO DE ATUAÇÃO DO PROJETO: Parati, Angra dos Reis,

Leia mais

TERCEIRÃO GEOGRAFIA FRNTE 8 A - aula 25. Profº André Tomasini

TERCEIRÃO GEOGRAFIA FRNTE 8 A - aula 25. Profº André Tomasini TERCEIRÃO GEOGRAFIA FRNTE 8 A - aula 25 Profº André Tomasini Localizado na Região Centro-Oeste. Campos inundados na estação das chuvas (verão) áreas de florestas equatorial e tropical. Nas áreas mais

Leia mais

UTILIZAÇÃO DE TÉCNICAS DE GEOPROCESSAMENTO COMO FERRAMENTA PARA DELIMITAÇÃO DE ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE NO MUNICÌPIO DE BRASÓPOLIS MG.

UTILIZAÇÃO DE TÉCNICAS DE GEOPROCESSAMENTO COMO FERRAMENTA PARA DELIMITAÇÃO DE ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE NO MUNICÌPIO DE BRASÓPOLIS MG. UTILIZAÇÃO DE TÉCNICAS DE GEOPROCESSAMENTO COMO FERRAMENTA PARA DELIMITAÇÃO DE ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE NO MUNICÌPIO DE BRASÓPOLIS MG. PEDRO HENRIQUE BAÊTA ANGELINI 1, ROSÂNGELA ALVES TRISTÃO BORÉM

Leia mais

PROGNÓSTICO CLIMÁTICO. (Fevereiro, Março e Abril de 2002).

PROGNÓSTICO CLIMÁTICO. (Fevereiro, Março e Abril de 2002). 1 PROGNÓSTICO CLIMÁTICO (Fevereiro, Março e Abril de 2002). O Instituto Nacional de Meteorologia, órgão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, com base nas informações de análise e prognósticos

Leia mais

UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA - UFBA

UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA - UFBA UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA - UFBA Instituto de Ciências Ambientais e Desenvolvimento Sustentável Cartografia Sistemática e Temática (IAD319) Prof. pablosantos@ufba.br 08 a Aula INFORMAÇÃO E REPRESENTAÇÃO

Leia mais

O Código Florestal como ferramenta para o Planejamento Ambiental na Bacia Hidrográfica do Córrego do Palmitalzinho - Regente Feijó/ São Paulo

O Código Florestal como ferramenta para o Planejamento Ambiental na Bacia Hidrográfica do Córrego do Palmitalzinho - Regente Feijó/ São Paulo O Código Florestal como ferramenta para o Planejamento Ambiental na Bacia Hidrográfica do Córrego do Palmitalzinho - Regente Feijó/ São Paulo INTRODUÇÃO Aline Kuramoto Gonçalves aline587@gmail.com Graduada

Leia mais

MINISTÉRIO DA DEFESA EXÉRCITO BRASILEIRO ESCOLA DE SARGENTOS DAS ARMAS ESCOLA SARGENTO MAX WOLF FILHO

MINISTÉRIO DA DEFESA EXÉRCITO BRASILEIRO ESCOLA DE SARGENTOS DAS ARMAS ESCOLA SARGENTO MAX WOLF FILHO MINISTÉRIO DA DEFESA EXÉRCITO BRASILEIRO ESCOLA DE SARGENTOS DAS ARMAS ESCOLA SARGENTO MAX WOLF FILHO EXAME INTELECTUAL AOS CURSOS DE FORMAÇÃO DE SARGENTOS 2016-17 SOLUÇÃO DAS QUESTÕES DE GEOGRAFIA O setor

Leia mais

AVALIAÇÃO RÁPIDA ESTRATÉGICA (ARE) PARA CRIAÇÃO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO

AVALIAÇÃO RÁPIDA ESTRATÉGICA (ARE) PARA CRIAÇÃO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO AVALIAÇÃO RÁPIDA ESTRATÉGICA (ARE) PARA CRIAÇÃO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO Informações do Processo: Nome do Interessado: Nº do Processo: Data / de 20 Município: Localidade: Vistoria: Data: / / 20 Técnicos

Leia mais

Distinguir os conjuntos

Distinguir os conjuntos A UU L AL A Distinguir os conjuntos Nesta aula, vamos acompanhar como os geógrafos distinguem conjuntos espaciais diferenciados na superfície da Terra. Vamos verificar que tais conjuntos resultam de diferentes

Leia mais

CLIMA E DOMÍNIOS MORFOCLIMÁTICOS DO BRASIL

CLIMA E DOMÍNIOS MORFOCLIMÁTICOS DO BRASIL CLIMA E DOMÍNIOS MORFOCLIMÁTICOS DO BRASIL Essa aula vai permitir que você conheça elementos e fatores do clima, as relações entre eles, os tipos de climas do Brasil e as características dos domínios morfoclimáticos

Leia mais

CLIMATOLOGIA. Profª Margarida Barros. Geografia - 2013

CLIMATOLOGIA. Profª Margarida Barros. Geografia - 2013 CLIMATOLOGIA Profª Margarida Barros Geografia - 2013 CLIMATOLOGIA RAMO DA GEOGRAFIA QUE ESTUDA O CLIMA Sucessão habitual de TEMPOS Ação momentânea da troposfera em um determinado lugar e período. ELEMENTOS

Leia mais

Análise do Relevo do Litoral Norte Paulista (Brasil) Através da Cartografia Geomorfológica

Análise do Relevo do Litoral Norte Paulista (Brasil) Através da Cartografia Geomorfológica Análise do Relevo do Litoral Norte Paulista (Brasil) Através da Cartografia Geomorfológica Cleberson Ernandes de Andrade 1 Cenira Maria Lupinacci da Cunha 2 1 Graduando em Geografia, bolsista CNPq/PIBIC

Leia mais

Entendendo o Novo Código Florestal II CBRA 2012. Eduardo Chagas Engº Agrônomo, M.Sc Chefe DRNRE / IDAF

Entendendo o Novo Código Florestal II CBRA 2012. Eduardo Chagas Engº Agrônomo, M.Sc Chefe DRNRE / IDAF Entendendo o Novo Código Florestal II CBRA 2012 Eduardo Chagas Engº Agrônomo, M.Sc Chefe DRNRE / IDAF O Idaf por definição O IDAF, é a entidade responsável pela execução da política, florestal, bem como

Leia mais

Definiu-se como área de estudo a sub-bacia do Ribeirão Fortaleza na área urbana de Blumenau e um trecho urbano do rio Itajaí-açú (Figura 01).

Definiu-se como área de estudo a sub-bacia do Ribeirão Fortaleza na área urbana de Blumenau e um trecho urbano do rio Itajaí-açú (Figura 01). Relatório Trimestral 1 RELATÓRIO TRIMESTRAL BOLSISTA/PESQUISADOR: LUCAS DA SILVA RUDOLPHO 1. APRESENTAÇÃO As atividades apresentadas a seguir foram desenvolvidas como etapas do projeto: DEFINIÇÃO DE CRITÉRIOS

Leia mais

Paisagens Climatobotânicas do Brasil

Paisagens Climatobotânicas do Brasil Paisagens Climatobotânicas do Brasil 1. (UEL-2012) Os domínios morfoclimáticos brasileiros são definidos a partir da combinação dos elementos da natureza, como os climáticos, botânicos, pedológicos, hidrológicos

Leia mais

Geografia Brasil: físico Vestibulares 2015-2011 - UNICAMP

Geografia Brasil: físico Vestibulares 2015-2011 - UNICAMP Geografia Brasil: físico Vestibulares 2015-2011 - UNICAMP 1. (Unicamp 2015) A água utilizada para os mais diversos fins não provém apenas dos reservatórios aquáticos que se podem ver (rios, lagos, lagoas,

Leia mais

B I O G E O G R A F I A

B I O G E O G R A F I A B I O G E O G R A F I A BIOMAS DO MUNDO SAVANAS E DESERTOS 2011 Aula VI AS PRINCIPAIS FORMAÇÕES VEGETAIS DO PLANETA SAVANAS As savanas podem ser encontradas na África, América do Sul e Austrália sendo

Leia mais

CADERNO DE ATIVIDADES

CADERNO DE ATIVIDADES COLÉGIO ARNALDO 2014 CADERNO DE ATIVIDADES GEOGRAFIA Aluno (a): 4º ano Turma: Professor (a): Valor: 20 pontos Conteúdo de Recuperação Sistema Solar. Mapa político do Brasil: Estados e capitais. Regiões

Leia mais

Figura 1: Localização da Praia de Panaquatira. Fonte: ZEE, Adaptado Souza, 2006.

Figura 1: Localização da Praia de Panaquatira. Fonte: ZEE, Adaptado Souza, 2006. CARACTERIZAÇÃO GEOMORFOLOGICA E PA COSTEIRA DE PANAQUATIRA, MUNICIPIO DE SÃO JOSÉ DE RIBAMAR-MA SOUZA, U.D.V¹ ¹NEPA/UFMA, e-mail: ulissesdenache@hotmail.com PEREIRA, M. R. O² ²UFMA, e-mail: mayrajany21@yahoo.com.br

Leia mais

DETERMINAÇÃO DAS ÁREAS DE CONFLITO DO USO DO SOLO NA MICROBACIA DO RIBEIRÃO ÁGUA-FRIA, BOFETE (SP), ATRAVÉS DE TÉCNICAS DE GEOPROCESSAMENTO

DETERMINAÇÃO DAS ÁREAS DE CONFLITO DO USO DO SOLO NA MICROBACIA DO RIBEIRÃO ÁGUA-FRIA, BOFETE (SP), ATRAVÉS DE TÉCNICAS DE GEOPROCESSAMENTO DETERMINAÇÃO DAS ÁREAS DE CONFLITO DO USO DO SOLO NA MICROBACIA DO RIBEIRÃO ÁGUA-FRIA, BOFETE (SP), ATRAVÉS DE TÉCNICAS DE GEOPROCESSAMENTO RAFAEL CALORE NARDINI; SÉRGIO CAMPOS; LUCIANO NARDINI GOMES;

Leia mais

10. Não raro, a temperatura no Rio de Janeiro cai bruscamente em função da chegada de "frentes" frias.

10. Não raro, a temperatura no Rio de Janeiro cai bruscamente em função da chegada de frentes frias. Nome: Nº: Turma: Geografia 1º ano Apoio Didático - Exercícios Silvia Jun/09 10. Não raro, a temperatura no Rio de Janeiro cai bruscamente em função da chegada de "frentes" frias. a) O que são "frentes"?

Leia mais

Nosso Território: Ecossistemas

Nosso Território: Ecossistemas Nosso Território: Ecossistemas - O Brasil no Mundo - Divisão Territorial - Relevo e Clima - Fauna e Flora - Ecossistemas - Recursos Minerais Um ecossistema é um conjunto de regiões com características

Leia mais

Figura 2.1. Baía de Todos os Santos (Grupo de Recomposição Ambiental/ Gérmen).

Figura 2.1. Baía de Todos os Santos (Grupo de Recomposição Ambiental/ Gérmen). 18 2 Área de Estudo A Baía de Todos os Santos (BTS) (figura 2.1), localizada no estado da Bahia, considerada como área núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica é a maior Baía do Brasil, com cerca

Leia mais

LISTA DE RECUPERAÇÃO 1ª SÉRIE EM

LISTA DE RECUPERAÇÃO 1ª SÉRIE EM COLÉGIO FRANCO-BRASILEIRO NOME: N : TURMA: PROFESSOR(A): ANO: 9º DATA: / / 2014 LISTA DE RECUPERAÇÃO 1ª SÉRIE EM 1. Analise a figura e o texto apresentados a seguir. Atualmente existem três categorias

Leia mais

SIMPÓSIO POLO GESSEIRO DO ARARIPE: POTENCIALIDADES, PROBLEMAS E SOLUÇÕES. Recife 12 a 14 de agosto de 2014 Salão Nobre da UFRPE

SIMPÓSIO POLO GESSEIRO DO ARARIPE: POTENCIALIDADES, PROBLEMAS E SOLUÇÕES. Recife 12 a 14 de agosto de 2014 Salão Nobre da UFRPE SIMPÓSIO POLO GESSEIRO DO ARARIPE: POTENCIALIDADES, PROBLEMAS E SOLUÇÕES Recife 12 a 14 de agosto de 2014 Salão Nobre da UFRPE O Território do Sertão do Araripe é formado por 10 municípios: Araripina,

Leia mais