Visões do Setor Elétrico Uma contribuição para o futuro energético do Brasil

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1 Visões do Setor Elétrico Uma contribuição para o futuro energético do Brasil Visões do Setor Elétrico 1

2 Sumário Sumário Apresentação 04 Ricardo Mendes Gás natural e energia elétrica: fluindo em monopólio 46 Edvaldo Alves de Santana Energia, diferencial de competitividade nacional 06 Paulo Pedrosa Incômodos para consumidores, impactos para a economia 10 Camila Schoti Depoimento 16 Hermes Chipp Um sonho de liberdade: via preço, para informação e redenção 20 Julião Silveira Coelho Setor elétrico brasileiro: estado atual e sugestões 26 Luiz Augusto Barroso, José Rosenblatt e Mario Veiga Indústria, energia e desenvolvimento 54 Ricardo Lima Visões do Setor Elétrico 60 Ashley Brown Uma agenda para o desenvolvimento do setor elétrico brasileiro 64 Joisa Dutra O Setor Elétrico uma visão de agosto de Jerson Kelman A Eterna Evolução do Setor Elétrico Desafios e Soluções 80 João Carlos Mello Setor eletrico brasileiro uma breve contribuição 36 Pedro Batista É grave a crise, mas há solução 40 Adriano Pires e Elena Landau Visões do Setor Elétrico Visões do Setor Elétrico

3 PROJETO VISÕES DO SETOR ELÉTRICO Ricardo Mendes Presidente do Conselho Diretor da ABRACE Apresentação Os desafios do setor elétrico e as dificuldades de seus agentes devem pautar parte importante do início do trabalho do próximo presidente da República. Decisões importantes deverão ser tomadas rapidamente evitando que os efeitos financeiros de 2014 se repitam em Ao mesmo tempo, o tema não poderá deixar de ser abordado nos esforços em favor da recuperação da produção industrial nacional. Afinal, a perda de competitividade da indústria brasileira grande consumidora de energia explica parte importante da desaceleração econômica, particularmente porque diversos concorrentes globais estão instalados em países que consideram o insumo um fator de política industrial ou têm alternativas de mercado que garantem a competitividade de sua produção. Mais do que soluções pontuais, o próximo governante terá de buscar a inteligência coletiva do setor para que as decisões não só sejam justas como viáveis. Além disso, essas soluções têm de devolver à energia o potencial de contribuir com o desenvolvimento econômico do País. Nesse contexto, a ABRACE reafirma seu papel de instituição técnica e seu compromisso com o debate. Por meio do Projeto Visões do Setor Elétrico, convidou especialistas de diferentes vertentes e que estão entre os mais respeitados do setor energético brasileiro para que apresentassem sua contribuição nesse processo. As visões daqueles que aceitaram o convite são apresentadas neste documento, junto à da própria Associação. O material foi discutido com os principais presidenciáveis e também servirá de subsídio para o debate com o governo que tomar posse em janeiro. Você também pode colaborar nesse processo. Conheça as diferentes visões, pesquise, discuta e apresente suas próprias percepções no site do Projeto. Participe você também dessa discussão e ajude no encaminhamento de um dos maiores desafios que o novo governo terá de enfrentar. 4 Visões do Setor Elétrico Visões do Setor Elétrico 5

4 Energia, diferencial de competitividade nacional Paulo Pedrosa presidente-executivo da ABRACE A pergunta certa Ninguém duvida de que o objetivo das políticas públicas deve ser a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Mas é fundamental ter clareza sobre quais são as melhores maneiras de se atingir e depois preservar tal objetivo. A pergunta que guia o trabalho de muitos governantes é como aumentar a renda das famílias?. No caso brasileiro, aparentemente, essa pergunta tem sido respondida pelo aumento direto dos salários, pela manutenção do câmbio favorecendo o consumo de importados e pela destinação dos recursos energéticos baratos, como o das concessões que vencem, para os consumidores pequenos. Estes três movimentos têm na indústria nacional a parte perdedora e explicam a gigantesca destruição de valor no PIB industrial brasileiro. No artigo a seguir, focamos na energia elétrica e mostramos que o mais adequado seria perguntar qual pode ser a melhor contribuição do setor de energia para melhorar a qualidade de vida das famílias. E antecipamos nossa resposta: dar competitividade à produção nacional e promover o desenvolvimento do País. Sem essa clareza, o risco é buscarmos respostas certas para perguntas erradas, à mercê de interesses pulverizados e de intervenções pontuais. Brasil, ameaçado de exclusão dos ciclos globais de produção A dramática situação da indústria nacional tem na energia uma de suas causas. Nossos competidores são beneficiados por políticas públicas e mercados eficientes na energia elétrica e no gás natural, enquanto aqui os custos minam a competitividade e reduzem a produção, ampliando a ociosidade dos parques fabris. E a incerteza diante dos valores futuros desaconselha investimentos, que propiciariam ganhos tecnológicos e de escala, e assegurariam a recuperação do nosso espaço nos próximos ciclos globais de produção. A história demonstra com clareza como a produção e o consumo de bens evoluem com o tempo, com base nas condições econômicas, geográficas e tecnológicas das diversas regiões do mundo. Depois da transferência maciça da produção fabril à China a partir dos anos 1990, hoje assistimos à retomada industrial da América do Norte e à busca, da própria China agora num papel de ainda mais destaque, por minérios e alimentos na África. Iniciativas como a revolução do gás de xisto do primeiro bloco e o acordo chinês com a Rússia para importação de gás denotam o papel preponderante da energia em bases competitivas nesses processos de protagonismo global. O Brasil, por sua vez, distancia-se a passos largos do centro do atual ciclo de produção justamente devido à energia cara para a produção fabril. Muitos entendem que corremos o risco de nos tornarmos a mina e a fazenda do mundo, certamente um destino medíocre para um País tão extraordinário e um destino incapaz de acolher e incluir a todos os brasileiros. Esse é o preço da opção de destinar seu potencial energético ao benefício direto dos consumidores para os quais os custos com energia são pouco significativos, como os residenciais e as empresas que estão na ponta das cadeias de produção. Diversos exemplos recentes apontam nessa direção, com destaque para a destinação dos benefícios das concessões do setor elétrico para as distribuidoras e o controle dos preços finais da gasolina (em detrimento da energia e do gás para a produção). Enquanto isso, a indústria nacional perde cada vez mais espaço no mercado externo diante de seus competidores de outros países. Os sintomas dessa crise vão desde a retração da produção, o aumento do déficit da balança comercial e a perda recorde de confiança entre os industriais. Tais dificuldades, aliás, tornaram-se praticamente um instrumento de gestão do abastecimento neste momento de seca histórica e despacho térmico na base do sistema elétrico brasileiro, uma vez que, evidentemente, vieram acompanhadas de redução significativa do consumo industrial de energia. Tanto é que, nas atuais circunstâncias, uma eventual recuperação da produção se transformaria em um problema ainda maior. 6 Visões do Setor Elétrico Visões do Setor Elétrico 7

5 Energia, diferencial de competitividade nacional Paulo Pedrosa Energia, diferencial de competitividade nacional Paulo Pedrosa Energia como ferramenta de política industrial A relevância da energia como fator de competitividade industrial é comprovada não só pela experiência internacional: diversos estudos acadêmicos e de consultorias mostram que energia em condições competitivas para a grande indústria resulta em geração de empregos, crescimento econômico, aumento da arrecadação e redução da inflação, entre outras melhorias. Tem, portanto, efeitos estruturais e sustentáveis muito mais significativos para a população como um todo do que a redução de poucos reais nas contas residenciais de luz o que até estimula o desperdício. Diante desses fatos e da atual situação da produção nacional, é necessário voltar o foco para o desenvolvimento de uma política industrial energética que destine os recursos à competitividade das cadeias produtivas a partir das indústrias de base que as suportam, como tem feito diversos países, exemplificados a seguir. Evidentemente que os resultados de tal política seriam alcançados ainda mais facilmente com menos intensidade e a custos menores se ela fosse aplicada num setor elétrico eficiente, com boa governança e com um mercado verdadeiramente competitivo, como, aliás, também é o caso da maioria dos países citados. A França destina 25% da energia produzida pelas usinas nucleares históricas da EDF (ou seja, com investimentos já amortizados) a preços diferenciados para grandes indústrias. A Alemanha reduziu em 20% os preços da energia exclusivamente para a produção industrial. As indústrias selecionadas são isentas de tarifas de transmissão e não pagam pelos custos de fontes renováveis, mais caras que o restante do parque gerador alemão. O Estado de Nova York criou um programa de 900 MW de energia de baixo custo, proveniente de hidrelétricas, para empresas cujo custo com energia é significativo. A Província de Ontário, no Canadá, reduziu em até 25% os custos da energia da indústria com consumo superior a 50 mil MWh por ano. Políticas de redução do custo da energia para a indústria siderúrgica contribuíram para que a China passasse de importador líquido de aço para exportador líquido. O Brasil tem totais condições de usar seu extraordinário potencial energético como alavanca para a recuperação industrial, com a criação de uma política energética voltada às grandes consumidoras de energia elétrica que lhes garanta energia ao mesmo patamar dos principais concorrentes globais: US$ 40/MWh. Formas viáveis de colocar em prática esse direcionamento incluem a possibilidade de a grande indústria participar voluntariamente dos leilões de expansão do parque gerador nacional, ter acesso às cotas de energia elétrica das usinas cujas concessões venceram, ser isenta de encargos setoriais (Conta de Desenvolvimento Energético CDE, do Encargo de Energia de Reserva EER e do Encargo de Serviço do Sistema ESS) e desonerada permanentemente do custo de políticas públicas incluídos nas tarifas de energia. Ao mesmo tempo, o setor de energia tem que ser mais bem organizado, com o fortalecimento da governança setorial e a promoção de um ambiente de confiança para as decisões de investimento com os menores custos de capital possíveis, seja na cadeia produtiva da energia, seja além dela, nas cadeias que a consomem. A boa governança pede previsibilidade, transparência e isonomia. Evita conflitos de interesse, assegurando a clareza de papéis entre formuladores de política, reguladores, investidores, agentes de cada segmento e consumidores. Pede também a valorização da lógica econômica, com a promoção de um ambiente eficiente com base na competição em torno de preços que reflitam a realidade, assegurado a todos o acesso físico à energia e a instrumentos de gestão de riscos, e garantindo a necessária liquidez do mercado. As medidas listadas a seguir são fundamentais para tanto: Adotar processos decisórios transparentes, participativos e públicos, sujeitos a avaliação permanente e sempre precedidos de análises dos impactos nos ambientes físico e comercial nas decisões sobre política energética, regulação, planejamento, operação e gestão do mercado de energia. Para isso, é preciso fortalecer a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e sua independência, prover assento aos agentes no Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) e retomar o diálogo com os consumidores e demais agentes. Aprimorar o modelo de formação do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) para reduzir a volatilidade e viabilizar maior oferta e preços mais competitivos no mercado. Aprimorar as tarifas dos consumidores regulados, estimulando a redução do consumo quando a energia for escassa ou cara através da informação de preços reais. Promover maior liquidez no mercado, viabilizando a venda de montantes de energia não consumida entre consumidores livres e entre os mercados livre e regulado, e garantir a sustentabilidade da oferta de energia para o mercado livre a preços competitivos. Integrar os órgãos de planejamento, ambientais e de financiamento, assegurando a expansão competitiva da oferta de energia, e a retomada da construção de usinas hidrelétricas com reservatórios. Melhorar a gestão de planejamento e fiscalização das obras, de modo a evitar atrasos hoje comuns, cujos custos acabam sendo repassados aos consumidores. Todos esses aspectos seguramente contribuirão para uma evolução em direção à maior eficiência do setor energético nacional. São aspectos de alguma tecnicidade que certamente não serão compreendidos pela dona de casa. Mas sem dúvida ajudarão a indústria brasileira a voltar a ocupar espaço no cenário global, gerando empregos, desenvolvimento e crescimento econômico para nosso País, e, finalmente, melhorias que não só as donas de casa, como todos os brasileiros, perceberão em seu cotidiano. Ou seja, poderemos dar a resposta certa à pergunta certa. Abrace A ABRACE Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres, fundada em 22 de agosto de 1984, é uma sociedade sem fins lucrativos que congrega grandes grupos industriais, de energointensivos a consumidores livres, que respondem por 20% de toda energia consumida no Brasil, ou seja, 45% do consumo de energia elétrica, e 40% da energia térmica da indústria brasileira. Membro do Conselho Mundial de Energia (WEC), da International Federation of Industrial Energy Consumers (IFIEC) e da Associação Latino-Americana dos Grandes Consumidores Industriais de Energia (INTERAME), a ABRACE, reconhecida por ser a principal interlocutora organizada do setor, busca estruturar suas ações focada no desenvolvimento energético sustentável no país, sempre em sinergia constante com suas associadas, para as quais energia é tida como um insumo de primeira grandeza e fator preponderante para a competitividade de seus produtos e, conseqüentemente, da economia brasileira como um todo. 8 Visões do Setor Elétrico Visões do Setor Elétrico 9

6 Incômodos para consumidores, impactos para a economia Camila Schoti coordenadora de energia Ainda que o setor elétrico não estivesse passando por um preocupante e oneroso momento de stress, ainda que quase todos os agentes e consumidores do setor não estivessem sendo penalizados pela necessidade de se aprimorar o modelo e por uma das piores conjunturas hidrológicas dos últimos oitenta anos, precisaríamos atentar para temas que, embora não diretamente relacionados à situação atual, têm afetado de maneira significativa a competitividade da indústria para a qual a energia responde por importante parcela do custo de produção e precisam de solução. Assim, concordando e complementando a (não usual) convergência dos agentes em torno da necessidade de se aprimorar o modelo atual, chamamos a atenção neste artigo para três questões que interferem nos planos de investimentos das grandes indústrias no Brasil: i) a incerteza acerca do encargo da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), um problema que está afetando as decisões de produção da indústria a partir da capacidade hoje ociosa, mas que também compromete a previsibilidade do custo futuro, e, portanto as decisões de investimento na produção; ii) a qualidade do fornecimento de energia, que tem impactos indiretos, porém muito significativos, sobre o custo de produção, e iii) a participação voluntária de grandes consumidores livres nos leilões de expansão, viabilizando a contratação de longo prazo a preço competitivo, fundamental para as decisões de investimentos da indústria. Estes temas, de tão relevantes e incômodos, foram estabelecidos como prioritários no Projeto Energia Competitiva (PEC), que congrega associações das indústrias química (Abiquim), vidreira (Abividro), alumínio (Abal), cloro e soda (Abiclor) e ferro ligas (Abrafe) para discutir, sob a coordenação dos grandes consumidores (Abrace), alternativas viáveis e sustentáveis para devolver competitividade à energia brasileira. A importância do desafio aumenta pelo fato de que essas associações representam empresas do primeiro elo de diversas cadeias produtivas. Ou seja, embora esses temas possam estar hoje em menor evidência no setor, afetam de maneira muito significativa as bases da economia. CDE, uma guilhotina no pescoço da indústria? Se por um lado a Medida Provisória nº 579 (MP) reduziu os encargos para todos os consumidores brasileiros através da suposta isenção de pagamento da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) e da extinção da Reserva Global de Reversão (RGR), por outro criou a Super CDE. Esse novo encargo agrega receitas e despesas de natureza diversas e pode ou não, contar com o aporte de recursos do Tesouro Nacional para garantir que seja cumprida nos próximos anos a promessa, feita quando do lançamento da MP, de que os custos de políticas públicas até então desenvolvidas com recursos da conta de luz dos consumidores passariam a ser custeados pelo governo e que as despesas com encargos seriam minoradas. Explicamos. A partir da MP, todos os anos a Aneel faz uma previsão de despesas que envolvem o pagamento de recursos para a CCC (que deveria ter sido extinta), para os subsídios ao carvão, para o Programa Luz para Todos, para políticas públicas de subsídios à população de baixa renda, incentivos a fontes alternativas e outras despesas (felizmente) menores. E avalia, também, quais são os recursos disponíveis, provenientes de pagamentos de multas no setor e do Uso do Bem Público (UBP). Da diferença entre essas duas contas decorre a parcela a ser rateada entre todos os consumidores e que pode contar com recursos do Tesouro. Para se ter uma ideia, das despesas previstas para 2014 (R$ 18 bilhões), apenas R$ 800 milhões não foram rateados entre consumidores e União. Ocorre também, e aqui reside o maior problema, que a União não tem qualquer obrigação legal de aportar recursos na CDE. Ou seja, caso não tenha disponibilidade de recursos nos próximos anos, toda essa conta recairá sobre os consumidores. Se as despesas da CDE em 2015 se mantiverem no mesmo patamar deste ano, o que pode até ser considerada uma estimativa otimista, e se o Tesouro optar por não aportar recursos[1], a conta para os consumidores pode passar dos R$ 14 bilhões, o que representaria um encargo de cerca de R$ 40/MWh pra os consumidores da região 10 Visões do Setor Elétrico Visões do Setor Elétrico 11

7 Incômodos para consumidores, impactos para a economia Camila Schoti Incômodos para consumidores, impactos para a economia Camila Schoti Sudeste, Sul e Centro-Oeste[2]. Esse valor equivale a 10 vezes o valor da quota paga em Neste caso, o custo da CDE representaria 26% do custo da energia consumida quando considerado o atual mix médio de contratação das distribuidoras, da ordem de R$ 170/MWh, ou ainda, quase quatro vezes o valor da transmissão, cerca de R$11/ MWh. Para a grande indústria, já combalida com tantas dificuldades, isso pode ser tão fatal quanto uma guilhotina. Para ela, o problema tem um perverso agravante: custos antes rateados com base no custo marginal de cada nível de tensão e cobrados na forma de demanda,ao migrarem para a CDE, passaram a ser rateados igualmente entre todos os níveis de tensão (na forma de selo) e cobrados pela energia consumida. Com isso, caso o Tesouro não honre o compromisso assumido, mas não formalizado, estes custos serão redistribuídos de forma extremamente prejudicial aos grandes consumidores, criando mais um subsídio cruzado em favor dos pequenos consumidores e contra a competitividade da produção nacional. Há, porém, alternativas que se complementam para lidar com esse problema. A primeira delas refere-se à previsibilidade. O Tesouro poderia publicar um plano plurianual de aporte de recursos à conta. Em conjunto com projeções da Aneel para as despesas no mesmo horizonte de tempo, haveria alguma informação sobre qual seria o valor pago pelos consumidores nos próximos anos. Hoje, como demonstrado, o valor pode ser algo entre R$ 4 e R$ 40/MWh. A segunda refere-se ao aumento da eficiência das despesas pagas pela CDE. É preciso que se avalie onde há espaço para economia nas principais despesas, como a CCC, a Tarifa Social e as despesas com a conta subvenção descontos tarifários[3], que representam 26%, 23% e 11%, respectivamente, das despesas previstas para este ano. A terceira passa por um programa de política industrial, a exemplo do que ocorre em grandes economias concorrentes[4], em que a indústria fica isenta do pagamento do encargo como forma de desoneração de seus custos de produção. Esta solução virá inclusive favorecendo os pequenos consumidores, que acabam pagando pela CDE embutida nos preços dos produtos consumidos e ainda aumentada pelo peso de impostos adicionais ao longo das cadeias produtivas. Energia descontínua para a indústria A indústria tem observado e sido penalizada com a deterioração da qualidade do fornecimento de energia tanto no nível da distribuição, como no da transmissão. No caso dos consumidores conectados aos sistemas de distribuição, além da percepção dos associados da Abrace de que interrupções têm aumentado e que a qualidade tem caído nos últimos anos, indicador da Aneel aponta para a necessidade de se aprimorar os incentivos à melhoria da qualidade. O indicador de Desempenho Global de Continuidade da agência apontou que em 2013[5], dentre as 34 maiores distribuidoras analisadas, cerca de metade piorou seu desempenho em relação a Vale ressaltar que o indicador considera como interrupção apenas aquelas superiores a três minutos, mas, para a indústria, interrupções de alguns segundos podem ter impactos similares a interrupções de minutos: o prejuízo é o mesmo. Há casos registrados em que o tempo de retomada de produção para o patamar anterior a uma interrupção com duração de uma hora e meia foi o mesmo daquele de duas interrupções de 30 segundos: de quatro horas e meia. No que diz respeito à transmissão, a percepção de piora na qualidade do fornecimento para as indústrias é corroborada pelo indicador de severidade[6] do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que acompanha a evolução da razão entre a energia total interrompida devido a blecautes ao longo de cada ano e a demanda máxima anual. O indicador tem piorado desde 2010 e encontra-se acima dos níveis considerados aceitáveis pelo próprio ONS[7]. Algumas medidas podem contribuir com a melhora desse problema. São elas: i) a criação de indicadores de interrupção de curta duração (inferiores a 3 minutos) para as distribuidoras, o que permitiria ao regulador ter um diagnóstico mais adequado sobre a qualidade do fornecimento para a indústria; ii) a criação de indicador similar para os sistemas de transmissão, com a divulgação, inclusive, de ranking de qualidade das transmissoras e iii) aprimoramento dos incentivos regulatórios baseados nos indicadores propostos, por meio de penalidades ou bônus para que concessionárias invistam na melhoria da qualidade do fornecimento. A transparência certamente permitirá aos consumidores apoiar a Aneel no processo de fiscalização e exigir, de seus concessionários, serviços coerentes com o nível tarifário vigente. Assegurar hoje a energia do futuro A indústria grande consumidora do mercado livre acaba de sofrer um grave golpe quando não teve acesso à energia das concessões renovadas. Mas se o acesso à energia competitiva do passado é importante, igualmente necessário é o acesso à nova energia. E tão importante quanto assegurar a atratividade dos investimentos no setor elétrico, a rentabilidade de seus acionistas e o estímulo à eficiência e ganhos de produtividade, é oferecer condições adequadas para que a indústria possa olhar para o futuro e ter a segurança de que o preço de energia não será um entrave ao retorno de seus investimentos. É nesse contexto que se faz necessária uma discussão sobre a participação da grande indústria livre consumidora de energia nos leilões de expansão. Os grandes leilões estruturantes, que oferecem energia a preços mais competitivos, alocam para o mercado regulado (e sob a premissa de preço-teto) a maior parcela da energia proveniente das novas usinas. Nesse modelo, há um incentivo para que o investidor ofereça a energia para o mercado regulado ao menor preço possível e, para compensar, majore o preço para o mercado livre, de forma a ter um preço médio que lhe dê o retorno necessário. Com isso, a grande indústria não só não tem acesso à energia competitiva desses empreendimentos, como acaba pagando mais pela energia no mercado livre. 12 Visões do Setor Elétrico Visões do Setor Elétrico 13

8 Incômodos para consumidores, impactos para a economia Camila Schoti Incômodos para consumidores, impactos para a economia Camila Schoti Além de afetar a competitividade da indústria, o mecanismo provoca desequilíbrio entre os dois mercados e não aproveita o potencial de consumo do mercado livre para apoiar na expansão da oferta. É importante, assim, que se desenvolvam mecanismos que permitam aos grandes consumidores participarem voluntariamente e em condições coerentes com a natureza de seus negócios no pool de compradores da energia (hoje apenas as distribuidoras) proveniente dos projetos licitados. Soluções para entraves estão sendo estudadas pelos consumidores, mas o problema também precisa ser enfrentado pelos formuladores de políticas públicas e agentes do mercado livre. [1] Outro cenário possível seria considerar que o Tesouro aportará, no mínimo, o equivalente aos créditos da União provenientes de Itaipu, estimados em R$ 4 bilhões, porém, não há clareza sobre o futuro desses aportes. [2] Consumidores das regiões Norte e Nordeste pagam cerca de 25% do valor da CDE pago pelos demais consumidores. [3] Inclui despesas como subsídios para produtores rurais, irrigação, aquicultura e fontes incentivadas. [4] Para maiores informações sobre essas políticas, referir-se a Energia, diferencial de competitividade nacional, disponível no acervo do Visões do Setor Elétrico. [5] Indicador e ranking com base no Desempenho Global de Continuidade: cfm?idtxt=1971 [6] Índice de severidade do serviço conforme submódulo 23.3 dos procedimentos de rede do ONS. [7] Energy Report Setembro de 2013 Edição 81. CONHEÇA O PROJETO > Pec O Projeto Energia Competitiva (PEC) tem como objetivo principal compartilhar conhecimentos da indústria energointensiva com a sociedade para mostrar a importância da oferta de energia em condições competitivas para a economia brasileira. Também propõe soluções que promovam a competitividade industrial, garantindo abundância de energia a preços justos, com ganhos econômicos e sociais para o Brasil e os brasileiros. 14 Visões do Setor Elétrico Visões do Setor Elétrico 15

9 Depoimento Hermes Chipp Face à crescente dificuldade para licenciamento ambiental de projetos de usinas hidrelétricas com reservatórios, em sua maior parte localizados na bacia amazônica, projetos de geração térmica convencional (carvão mineral e gás natural) e até mesmo usinas nucleares se farão necessários no médio e longo prazo como alternativas concretas de diversificação da matriz elétrica. Na virada do século, a capacidade instalada no Sistema Interligado Nacional era de pouco mais de MW, dos quais 90,6% correspondiam a usinas hidrelétricas e 9,4% a usinas termelétricas, que utilizavam diferentes combustíveis. No final de 2013, já vivíamos uma situação completamente diferente. Dos cerca de MW instalados no sistema, 74,8% correspondiam a usinas hidrelétricas, 23,3% a usinas térmicas e 1,9% a parques geradores eólicos. Essa expansão teve como características principais: A concentração dos novos projetos hidrelétricos em usinas a fio d água, reduzindo significativamente a capacidade de regularização do sistema de reservatórios existente. A instalação de mais de MW em usinas termelétricas a gás natural. A entrada em operação de cerca de MW em parques eólicos, principalmente nas regiões Nordeste e Sul. A integração ao SIN de novas áreas, como o sistema Acre/Rondônia e, mais recentemente, de Manaus e de Macapá. O fortalecimento do sistema de transmissão, com o reforço das interligações inter-regionais e o acréscimo de novas linhas aos sistemas regionais, ampliando as possibilidades de efetuar a otimização do uso dos recursos energéticos das bacias e regiões, e melhorando as condições de atendimento aos principais centros de carga. Naturalmente, esse expressivo crescimento físico do sistema trouxe uma maior complexidade para sua operação. O ONS respondeu a esse desafio desenvolvendo e aprimorando seus produtos, processos e metodologias. São exemplos disso: A mudança na política de operação hidrotérmica, com o desenvolvimento e aplicação, entre 2008 e 2012, dos Procedimentos Operativos de Curto Prazo, que foram substituídos em setembro de 2013 pela introdução nos modelos de otimização energética do mecanismo denominado CVaR (valor condicionado ao risco). Essas medidas aumentaram o despacho das usinas térmicas, ampliando a segurança do abastecimento, mesmo em condições hidrológicas adversas. A integração de novos empreendimentos ao SIN, de modo a assegurar sua adequação à rede existente e garantir seu desempenho sistêmico, que se desenvolve em três etapas distintas: - A realização de estudos pré-operacionais, com a proposição das medidas operativas que garantam a segurança operativa da rede nas diferentes etapas do processo de integração. - A análise de conformidade dos projetos básicos dos novos empreendimentos de transmissão e/ou geração leiloados ou autorizados pela ANEEL com os Anexos Técnicos dos respectivos editais e com os Procedimentos de Rede do ONS. - A participação do ONS na elaboração dos Anexos Técnicos, que definem as características e requisitos técnicos dos novos empreendimentos que serão objeto dos editais das licitações realizadas pela ANEEL. Nos próximos cinco anos, com a expansão já contratada, o SIN deverá chegar a praticamente MW instalados. As características que marcaram a evolução entre 2000 e 2013 irão se acentuar ainda mais. A parcela correspondente à capacidade instalada em hidrelétricas em relação à capacidade total cairá para 70,9%. Dos cerca de MW relativos aos novos projetos hidrelétricos acrescentados ao sistema, apenas 1% refere-se a usinas hidrelétricas com reservatório, tornando ainda menor a capacidade de regularização do sistema de reservatórios. A capacidade de geração eólica deverá superar MW, passando a representar 8,9% do total instalado no país. As outras fontes 16 Visões do Setor Elétrico Visões do Setor Elétrico 17

10 Depoimento Hermes Chipp Depoimento Hermes Chipp de geração também terão crescimento expressivo, com a entrada em operação de novas usinas a gás ( MW em 2018, 8,2% de participação) e a biomassa (7.850 em 2018, correspondendo a 4,9% de participação na matriz elétrica). Outro ponto a ressaltar é que teremos grandes troncos de transmissão interligando as usinas hidrelétricas implantadas nos afluentes da margem direita do rio Amazonas com os sistemas recebedores do Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste. Serão sistemas de grande extensão km no caso do Complexo do Madeira, km no caso de Belo Monte e km em Teles Pires conjugando circuitos em corrente contínua e corrente alternada, e transmitindo potências que variam significativamente entre o período úmido e o seco, em uma relação quase de 10:1. Temos aí mais um fator a aumentar a complexidade operativa do SIN. Creio que esta questão deve ser tratada com profundidade, ampliando a discussão na sociedade sobre como deve ser o sistema que queremos qual o nível de segurança de suprimento que ele deve ter, qual a dependência de fontes renováveis não convencionais intermitentes desejada, qual a participação da geração termonuclear admissível, como avaliar os benefícios e os impactos socioambientais da construção de novos reservatórios, como tudo isso irá se refletir nos custos da eletricidade. São todas questões complexas, cujas respostas não temos hoje. Mas, com certeza, apenas com a discussão ampliada por toda a sociedade seremos capazes de obtê-las. A perda de capacidade de regularização do sistema de reservatórios brasileiro, decorrente da concentração da expansão hidrelétrica em projetos a fio d água em um cenário de demanda crescente, tornou as condições de suprimento ao longo do período seco cada vez mais dependentes do estoque acumulado no final do período úmido precedente. Como a maior parte da capacidade de armazenamento do sistema encontra-se na região Sudeste/Centro-Oeste, alcançando 70% do total (a região Sul corresponde a 7%, o Nordeste a 18% e o Norte a 5%), o estado de armazenamento alcançado pelo Sudeste/Centro-Oeste ao final de abril é determinante para a garantia do suprimento energético no SIN no restante do ano. Esse estado de armazenamento depende essencialmente das afluências durante o período úmido precedente, ou seja, das chuvas de verão. A intensidade das chuvas e sua localização geográfica são o que vai definir as reservas hídricas disponíveis para a produção de energia no restante do ano. Cabe lembrar que, em uma situação de forte esvaziamento dos reservatórios, a produção de potência das usinas hidrelétricas é afetada significativamente, pois é função do produto entre a vazão afluente e a altura de queda disponível. Para implementar essa política é necessário flexibilizar os requisitos de uso múltiplo da água e condicionantes ambientais. Os mais relevantes são: Captação de água no rio São Francisco, em Três Marias e Sobradinho/Xingó; Requisito ambiental no rio Tocantins, em Serra da Mesa; Restrições da Hidrovia Tietê-Paraná, afetando os volumes mínimos de Ilha Solteira, Três Irmãos, Barra Bonita e Promissão; Captação de água no rio Grande, em Mascarenhas de Moraes; Captação de água no rio Paraíba do Sul. A tomada de decisão sobre a flexibilização dessas restrições vem sendo realizada de forma compartilhada envolvendo MME, MMA, MIR, ANEEL, ANA, Ibama, ONS e os agentes proprietários das instalações. O uso múltiplo da água pelos diversos setores produtivos é um desafio que se coloca na ordem do dia da agenda para discussão com a sociedade. A longo prazo, o remédio efetivo só virá quando pudermos conjugar soluções que aumentem a energia garantida do sistema, seja com a construção de novos reservatórios, seja com a implementação de novos parques termelétricos ou com a exploração de novas fontes renováveis. Tudo isso com base em um critério de decisão que valorize a garantia de suprimento de eletricidade acima do seu mínimo custo para uma sociedade cada vez mais exigente, ao reconhecer sua dependência desse insumo. Nesse sentido, o ONS entende que, face à crescente dificuldade para licenciamento ambiental de projetos de usinas hidrelétricas com reservatórios, em sua maior parte localizados na bacia amazônica, projetos de geração térmica convencional (carvão mineral e gás natural) e até mesmo usinas nucleares se farão necessários no médio e longo prazo como alternativas concretas de diversificação da matriz elétrica. Assim, leilões regionais por fonte devem ser considerados quando necessários, para contribuir com o aumento da garantia do atendimento, reduzindo a dependência da transferência de grandes blocos de energia entre regiões. Projetos baseados em energia renovável não convencional, como eólica e solar, farão parte da solução como energias complementares, mas no nosso entendimento não são a base para o crescimento sustentável do país. Diversos são os desafios que estão por vir, dentre os quais citamos: a integração da usina de Belo Monte; o aumento de quase 500% de participação da capacidade de eólicas na matriz elétrica; a integração de Roraima ao SIN, prevista para 2016, último estado da Federação a ser integrado; e a necessidade de integração elétrica regional na América do Sul. Com relação à evolução das interligações inter-regionais, destaco a necessidade contínua de ampliação dos grandes troncos de transmissão, em especial entre regiões, considerando inclusive a viabilidade econômica de se adotar o critério N-2 de confiabilidade para interligações inter-regionais como forma de mitigar a ocorrência de grandes perturbações. Estamos constantemente lidando com os desafios do presente, preparando o ONS para o futuro, com a certeza de que assim estaremos cumprindo com a nossa missão, contribuindo com o desenvolvimento do Brasil. CONHEÇA O AUTOR > Hermes Chipp Graduou-se em engenharia elétrica na Universidade Federal do Rio de Janeiro em Entrou na Eletrobrás naquele ano e atuou principalmente na área de planejamento da operação elétrica, tendo exercido diversas funções de gerência e coordenação no GCOI. Foi assistente da Diretoria de Operação de Sistemas da Eletrobrás e Secretário Executivo do GCOI. Foi Diretor de Planejamento e Programação da Operação do ONS de 1998 a novembro de Visões do Setor Elétrico Visões do Setor Elétrico 19

11 Um sonho de liberdade: via preço, para informação e redenção Julião Silveira Coelho Na era do tempo real [7], a reversão do quadro atual pressupõe, portanto, a utilização das novas tecnologias para, via preço, conferir informação precisa e adequada aos consumidores sobre o custo de produção de energia elétrica. Assim, assegura-se ao consumidor plena liberdade de escolha sobre quando e quanto consumir e, por consequência, obtém-se a contribuição da demanda em favor da operação do sistema. Um sonho de liberdade: via preço, para informação e redenção (ou As bizarrices do Brasil são todas elas explicadas através do bom-senso e da boa teoria econômica [1]) I. Introdução: as pessoas dependem de um número limitado de princípios heurísticos que reduzem a complexidade das tarefas de avaliar probabilidades e predizer valores para as operações de julgamento mais simples. Em geral, estas heurísticas são bastante úteis, mas às vezes conduzem a erros graves e sistemáticos. [2] 1. Reducionismo, imprecisão e algum grau de miopia marcam explicações para o atual momento tanto do setor energético norte-americano quanto do setor elétrico brasileiro. O descobrimento de energia barata tem sido apontado, em referência ao gás de xisto, como explicação para o bom momento do setor energético norteamericano. A condição hidrológica desfavorável, por vezes combinada com forte calor, é apontada como razão determinante da crítica situação do setor elétrico brasileiro. A investigação das causas do momento norteamericano sob as perspectivas histórica, econômica, regulatória e jurídica, além de revelar o equívoco da tese da energia barata, serve como estudo de caso a partir do qual é possível compreender as razões para o momento do setor elétrico brasileiro e identificar alternativas para reversão do quadro. II. O caso norte-americano: abra mercados, adote esquemas para inovação, invista em pesquisa e desenvolvimento e no sistema educacional. [3] 1. No início da década de 60, vigorou nos Estados Unidos o tabelamento do preço do gás nas operações interestaduais. Preços artificialmente baixos aqueceram a demanda para nível superior à capacidade de oferta, provocando longas esperas dos pedidos de novos atendimentos, situação inaceitável em país marcado por rigorosos invernos. No início da década de 70, em razão da guerra do Yom Kippur, experimentou-se a primeira crise do petróleo, resultante em expressivo aumento no preço do barril do petróleo e no consequente agravamento do déficit da balança comercial norte-americana. 2. Reformas foram implementadas com o propósito de reverter o cenário. Em resposta ao desequilíbrio no setor de gás, promoveu-se sua desregulação, cuja essência consistiu na aceitação da irrevogável lei da oferta e da procura como vetor dos preços desse bem essencial. Em resposta à crise do petróleo e seus nefastos efeitos, iniciou-se movimento de eletrificação do consumo de energia, o qual consistiu em reduzir o consumo interno, mas não a produção, de combustíveis fósseis, aumentar o consumo baseado em fontes renováveis e conferir incentivos à racionalização no consumo, à pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias, à inovação e ao empreendedorismo. 3. O incentivo à racionalização no consumo foi promovido mediante tarifas indutoras de eficiência ( Efficiency Inducing Rates EIRs ), caracterizadas por veicularem sinais de preço de acordo com o período do dia, estação do ano e comportamento do consumidor. No início do século corrente, as novas tecnologias, com destaque para os medidores inteligentes, permitiram a aplicação de preços em tempo real ( real time pricing ). 4. O incentivo à pesquisa e desenvolvimento, à inovação e ao empreendedorismo foi viabilizado tanto pelo regime jurídico de patentes, estruturado, aplicado e revisitado sempre com o objetivo de proporcionar os incentivos adequados para desencorajar atividades improdutivas e estimular o desenvolvimento de produtos efetivamente 20 Visões do Setor Elétrico Visões do Setor Elétrico 21

12 Um sonho de liberdade: via preço, para informação e redenção Julião Silveira Coelho Um sonho de liberdade: via preço, para informação e redenção Julião Silveira Coelho úteis à sociedade, quanto pela chamada lei da captura, a qual, ao conferir aos cidadãos, e não ao Estado, direitos sobre os recursos naturais encontrados em suas terras, faz com que a exploração desses recursos e a percepção dos benefícios não dependam de improvável gestão eficiente de alguma PetroSam. 5. A indução à eficiência energética desatou em produtividade, na medida em que, hoje, produz-se muito mais a partir de uma unidade de energia. Pesquisa e desenvolvimento e inovação conduziram às técnicas de fraturamento para extração de gás. Não há energia barata. A energia é a mesma que sempre esteve nos subsolos rochosos. Seu preço não é intrinsicamente barato ou caro, mas observa a lei da oferta e procura em escala global. A nova tecnologia de extração, sim, ostenta boa relação custo/benefício. 6. A conjunção desses fatores fez com que os Estados Unidos tomassem a posição da Rússia como maior exportador de gás natural do planeta. Além de ter sido determinante para a redução do déficit da balança comercial e para a recuperação da economia norte-americana após a crise de 2008, o aumento na exportação de gás natural autoriza projeções de que os Estados Unidos, ainda na década corrente, assumirão a posição de maior exportador de energia do mundo e reverterão, enfim, o persistente déficit de sua balança comercial. III. O caso brasileiro: Pesquisas sugerem que os esforços para fazer os custos do uso da energia mais salientes podem alterar decisões e reduzir significativamente esses custos. [4] 1. Em 2012/2013, implementou-se, no setor elétrico brasileiro, medida semelhante à adotada no setor de gás norteamericano no início da década de 60. Em momento em que o custo de geração refletido nas tarifas era inferior ao custo efetivo de geração de energia elétrica, fez-se a opção de reduzir essas tarifas em 20%. Assim, a diferença entre o custo efetivo de geração e o custo refletido nas tarifas aumentou ainda mais. O resultado? Sucessivos recordes históricos no consumo residencial e comercial de energia elétrica, recordes esses que, em aparente paradoxo, estão dissociados de crescimento econômico, o que sugere haver consumo ocioso, desnecessário, ou, em bom e claro português, desperdício, o extremo oposto da eficiência energética. 2. Já houve quem acreditasse que a demanda por energia elétrica seria inelástica, ou seja, não responderia a alteração nos preços. No entanto, a experiência do racionamento já havia revelado o contrário. A essência do racionamento vivenciado em 2001/2002 consistiu em aumentar o preço da energia elétrica para quem não observasse as metas de redução de consumo e em bonificar quem reduzisse o consumo para patamar inferior à meta. Mediante aplicação da noção básica de microeconomia de que a demanda reage à alteração de preços de uma dada mercadoria, conseguiu-se, com o programa de racionamento, a mobilização da sociedade, cuja reação acabou por evitar a necessidade de blecaute e por superar a situação adversa de abastecimento. 3. O contrário foi verificado com a recente redução das tarifas em 20%. Sem sinal adequado de preço e, por consequência, inadvertido, o consumidor consumiu como se o custo de geração estivesse módico e, por consequência, provocou o despacho de usinas termelétricas cada vez mais caras, as quais, usualmente movidas a óleo combustível, impuseram e ainda impõem significativos custos econômicos e ambientais, em movimento oposto ao bom exemplo da eletrificação colimada no caso norte-americano. 4. Com sinal de preço menos distorcido, o cidadão-consumidor poderia ter evitado consumo ocioso, poderia ter reduzido o consumo ao longo de 2013 e início de 2014 e, assim, contribuído para o armazenamento de água nos reservatórios das usinas hidrelétricas, o que mitigaria o despacho de tantas usinas termelétricas e aliviaria os correspondentes custos, os quais, embora financiados em grande medida pelo cidadão-contribuinte, serão depois repassados ao cidadão-consumidor. 5. As experiências do racionamento em 2001/2002 e da redução das tarifas promovida pela Medida Provisória n. 579/2012 constituem comprovações empíricas da necessidade de o Brasil despertar para a importância de a operação ser feita também pelo lado da demanda, e não apenas por intermédio da ampliação incessante e muitas vezes desnecessária da capacidade de geração do sistema. 6. Sinais adequados de preço, de preferência em tempo real, serviriam para: (i) conter o preço da energia elétrica no curto prazo, pois o consumidor, informado sobre o custo efetivo da geração de energia elétrica, reduziria seu consumo ou alteraria os horários de consumo, dispensando o despacho das usinas mais caras; (ii) conter o preço da energia elétrica no longo prazo, pois, ao reduzir o consumo ou alterar os horários de consumo, o consumidor dispensa a necessidade de haver excedente de capacidade destinado ao atendimento do consumo na ponta; e (iii) proteger o meio-ambiente, porquanto haveria redução ou eliminação do despacho de usinas termelétricas, mais poluentes do que as usinas hidrelétricas, as quais, no Brasil, operam na base do sistema. 7. Sinais adequados de preço também permitiriam a identificação do exato valor agregado pelas fontes renováveis. Conforme enfatiza o Professor Severin Borenstein, da Universidade da Califórnia, Berkeley, energia de fontes intermitentes deve ser avaliada considerando o momento em que a energia é produzida. Para ilustrar seu raciocínio, o Professor Severin Borenstein exemplifica: Energia solar é produzida apenas durante o dia e tende a alcançar o pico de produção no meio do dia. Em muitas áreas, isso é praticamente coincidente com o período de ponta do consumo, o qual normalmente se verifica nas tardes de verão. Nesse sentido, o valor econômico médio da energia solar é maior do que seria caso a mesma quantidade de energia fosse produzida na média em todas as horas do dia. Energia eólica frequentemente apresentam padrão oposto nos Estados Unidos, produzindo, na maioria das regiões, mais energia elétrica à noite e em momentos de baixa demanda e baixos preços. [5] 8. A falta de granularidade faz com que o preço da energia elétrica não reflita a efetiva contribuição e importância de cada fonte para o sistema. No exemplo mencionado pelo Professor Severin Borenstein, caso houvesse granularidade horária de preço, a fonte solar teria vantagem competitiva natural, decorrente não de subsídio, mas da sua aptidão para produzir energia elétrica no horário de ponta do consumo. No caso das usinas eólicas, a vocação para produção de energia elétrica no período noturno, se conjugada com preços horários, conformaria cenário propício à introdução do carro elétrico no País, reduzindo a emissão de poluentes e liberando à exportação a energia de combustíveis fósseis, os quais, à diferença das fontes renováveis, podem ser acondicionados em barris e embarcados em trens e navios. 22 Visões do Setor Elétrico Visões do Setor Elétrico 23

13 Um sonho de liberdade: via preço, para informação e redenção Julião Silveira Coelho Um sonho de liberdade: via preço, para informação e redenção Julião Silveira Coelho 9. Maior granularidade nos preços permitiria a identificação do efetivo valor proporcionado por cada fonte, permitiria a identificação da exata relação custo/benefício associada a cada fonte, informação essencial para orientar a expansão eficiente do sistema e para fixar critérios adequados de seleção das propostas de empreendimentos mais vantajosas para o sistema e os consumidores. IV. Conclusão: Fatos, na vida, na política e na economia, têm consequência. Às vezes, elas demoram a chegar mas chegam. [6] 1. A comparação com o caso norte-americano faz saltar aos olhos a necessidade de o setor energético ser encarado como estratégico para a competividade nacional, em vez de utilizado com vistas à persecução de objetivos de curto prazo, como controle da inflação, aumento episódico do poder de consumo da população e/ou eleição. 2. É tempo de o Brasil despertar para as novas tecnologias de equipamentos e também de regulação, sob pena de não perceber a maior mudança verificada na indústria elétrica desde o seu nascimento com a invenção, patenteada, da lâmpada incandescente. Ainda que se queira evitar o termo racionalização, o estímulo ao consumo desmedido de energia elétrica deve ceder lugar à consciência de que a noção de produtividade se aplica também ao consumo de energia. O consumidor bem informado via preço contribui com a operação do sistema e protege a si próprio, pois pode reduzir seu consumo ao essencial e, assim, mitigar ou evitar o aumento do custo de geração, que, cedo ou tarde, a ele será repassado, na condição de consumidor ou de contribuinte. errors. (KAHNEMAN, Daniel; TVERSKY, Amos. Judgment under uncertainty: heuristics and biases. Science, New Series, Vol. 185, n. 4157, Sep. 27, 1974, pp ) [3] Fredrik Reinfeldt, Primeiro Ministro da Suécia, citado em GIAMBIAGI, Fabio; SCHWARTSMAN, Alexandre. Complacência. 1. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014, p [4] Tradução livre de: Research suggests that efforts to make the costs of energy use more salient can alter decisions and significantly reduce those costs. (SUNSTEIN, Cass R. Simpler: the future of government. Simon & Schuster, New York, 2013, p. 135.) [5] Power from intermittent resources must be evaluated in terms of the time at which it is produced. Solar power is produced only during daylight hours and tends to peak in the middle of the day. In many areas, this is close to coincident with the highest electricity demand, which usually occurs on summer afternoons. Thus, the average economic value of generation from solar is greater than if it produced the same quantity of power on average at all hours of the day. Wind power often has the opposite generation pattern in the United States, in most locations producing more power at night and at times of lower demand and prices. (BORENSTEIN, Severin. The Private and Public Economics of Renewable Electricity Generation. Journal of Economic Perspectives, Volume 26, Number 1, Winter 2012, p. 75). [6] GIAMBIAGI, Fabio; SCHWARTSMAN, Alexandre. Complacência. 1. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014, p [7] FRANCO, Gustavo H. B. As leis secretas da economia: revisitando Roberto Campos e as leis do Kafka. Rio de Janeiro: Zahar, 2012, p O fracasso do modelo paternalista em que o Estado, em pretensão de onipotência, distorce a informação de preço e induz o consumo independentemente do custo associado está revelado na forma de litígios em profusão e tarifas em violenta ascensão após a forçada contração. 4. Na era do tempo real [7], a reversão do quadro atual pressupõe, portanto, a utilização das novas tecnologias para, via preço, conferir informação precisa e adequada aos consumidores sobre o custo de produção de energia elétrica. Assim, assegura-se ao consumidor plena liberdade de escolha sobre quando e quanto consumir e, por consequência, obtém-se a contribuição da demanda em favor da operação do sistema. 5. O intervencionismo paternalista, sobretudo quando caracterizado também pelo desprezo por lições básicas de economia, produz retrocesso e crise. A realidade sempre se impõe. Quanto mais se tenta postergá-la ou maquiála, mais caro é o preço que ela cobra. [1] só é preciso compreender o contexto e os incentivos, sempre exóticos e incomuns, que provocam comportamentos surpreendentes e idiossincráticos, mas paradoxais apenas na aparência. (FRANCO, Gustavo H. B. As leis secretas da economia: revisitando Roberto Campos e as leis do Kafka. Rio de Janeiro: Zahar, 2012, p. 17.) [2] people rely on a limited number of heuristic principles which reduce the complex tasks of assessing probabilities and predicting values to simpler judgmental operations. In general, these heuristics are quite useful, but sometimes they lead to severe and systematic CONHEÇA O AUTOR >Julião Silveira Advogado e Mestre em Direito de Energia e Tecnologia Limpa pela Universidade da Califórnia Foi Diretor da ANEEL entre 2009 e 2013 e Procurador Federal junto à ANEEL entre 2002 e Visões do Setor Elétrico Visões do Setor Elétrico 25

14 Setor elétrico brasileiro: estado atual e sugestões Luiz Augusto Barroso, José Rosenblatt e Mario Veiga Na opinião dos autores, um distanciamento crescente e falta de diálogo entre governo e agentes, não resultará em riscos de suprimento ou fuga de investidores. O que possivelmente ocorrerá é não termos o alto nível de eficiência, qualidade e transparência que o setor poderia atingir, e que a sociedade brasileira merece. Apresentamos a seguir uma análise muito sucinta da situação atual do setor e sugestões para correções e aperfeiçoamento de temas que consideramos essenciais para a sustentabilidade e funcionamento do setor elétrico. Referimos o leitor interessado em análises quantitativas e detalhadas sobre estes temas às diversas edições de nossa publicação mensal, o Energy Report (ER)[1]. Situação atual do setor elétrico O setor elétrico brasileiro vive atualmente seu momento mais delicado desde a implementação do novo modelo setorial em 2004, com perdas financeiras e problemas graves em todos os segmentos. O diagrama de influências entre ações, correções e consequências abaixo ilustra a complexidade do ambiente e de suas inter-relações. Como indicado no diagrama, os principais fatores que levaram o setor a esta situação Pareto péssima são: (i) a descontratação das distribuidoras; (ii) os problemas estruturais de desempenho do sistema de geração e transmissão; e (iii) o processo de implementação da MP 579. A causa da descontratação das distribuidoras foi a não realização do leilão de renovação de contratos de energia que expiraram no final de Como consequência, as distribuidoras tiveram que comprar uma quantidade recorde de energia, resultante da diferença entre o consumo e os montantes contratados em 2013 e 2014 no mercado de 26 Visões do Setor Elétrico Visões do Setor Elétrico 27

15 Setor elétrico brasileiro: estado atual e sugestões Luiz Augusto Barroso, José Rosenblatt e Mario Veiga Setor elétrico brasileiro: estado atual e sugestões Luiz Augusto Barroso, José Rosenblatt e Mario Veiga curto prazo, cujos preços foram também um recordes no período. Esta hemorragia financeira demandou aportes bilionários do Tesouro e de bancos públicos e privados, cujo pagamento resultará em aumentos tarifários além dos que ocorreriam normalmente muito elevados neste e nos próximos anos. Por sua vez, os problemas estruturais de desempenho do sistema geração-transmissão se devem a uma combinação de restrições operativas e fatores de eficiência reduzidos de alguns geradores. Estes problemas existem na vida real, porém não são capturados pelos estudos de planejamento, o que leva a uma discrepância significativa entre as projeções do governo e a realidade da operação diária do ONS. Desde 2010, este problema estrutural de desempenho tem provocado esvaziamentos acentuados dos reservatórios e, a partir do final de 2012, acionamento contínuo de todo o parque termoelétrico mesmo em situações hidrológicas favoráveis. Em 2013, por exemplo, a hidrologia foi muito próxima da média histórica (96% da MLT) e, mesmo com as térmicas sendo acionadas o ano inteiro, a um custo de 25 bilhões de reais, os reservatórios esvaziaram significativamente. A seca de 2014 (que, apesar de severa, está longe de ser a pior já vista em termos da afluência de janeiro a junho, é a nona pior do histórico de 84 anos) apenas agravou uma situação cuja causa, como visto, é estrutural. A combinação de esvaziamento acelerado dos reservatórios e acionamento contínuo das térmicas resultou nos preços recorde do mercado de curto prazo, pressionou financeiramente os geradores térmicos (devido à necessidade de comprar energia a preços elevados no mercado spot durante manutenções muitas vezes postergada) e os geradores hidroelétricos (que, devido à produção reduzida das usinas, têm despesas bilionárias no mercado de curto prazo para honrar seus compromissos contratuais). A MP nº 579, que implementou um conjunto de ações visando reduzir em 20% as tarifas de energia elétrica, não tem nenhuma relação direta com a hemorragia financeira atual. No entanto, esta MP teve impactos significativos na parte institucional e na situação de judicialização do setor. Por exemplo, a pressão de tempo no período que antecedeu a edição da MP nº 579 contribuiu para a falha de gestão que resultou na não realização do leilão A-1 em Adicionalmente, ela contribuiu para que não se avaliasse plenamente o efeito da alocação integral das cotas de garantia física ao ACR, na forma de contratos por disponibilidade, que tornaram os consumidores cativos responsáveis pelo seu risco hidrológico, o qual por sua vez foi mitigado através da definição de um hedge fixo de 5% na contratação da energia. Tampouco foi devidamente avaliado o fato de que as cotas não possuem a flexibilidade de redução de volume contratual que tinham os contratos de energia existente substituídos por elas, o que tornou necessária a elevação do limite de sobrecontratação das distribuidoras de 103% para 105%, o que por sua vez contribuiu para reduzir a liquidez contratual para o ACL. Outros fatores relacionados com a implantação da MP e que contribuem para a complexidade do momento do setor incluem: (i) questões sobre custos de reposição de equipamentos de geração e outros custos, no caso das tarifas reguladas; (ii) da metodologia de cálculo do valor a indenizar dos equipamentos de geração e transmissão; (iii) medidas da Resolução CNPE nº 03/2013 (transferência de encargos para geradores e comercializadores, e mudança intempestiva na formação de preços). Em resumo, a combinação de problemas: (i) de gestão, que resultaram na insuficiência de contratação das distribuidoras; (ii) de planejamento, que não permitiram a correção dos problemas de desempenho do sistema geração-transmissão; e (iii) de implantação de medidas que afetaram profundamente o setor, como a MP nº 579 e Resolução CNPE nº 03/2013 em prazo muito curto, sem oportunidade para discussões entre governo e agentes, levaram a uma espiral de dificuldades e a um ambiente de incertezas, desconfiança e perda de credibilidade. O que fazer daqui em diante? Apresentamos a seguir algumas sugestões que consideramos importantes e urgentes para as áreas de operação e planejamento, aspectos comerciais, regulação e resgate da credibilidade. Como mencionado, os relatórios mensais da PSR apresentam detalhes e quantificações para estas e outras propostas. Operação e planejamento 1. Analisar em profundidade a questão do desempenho estrutural do sistema de geração e transmissão, e implementar com urgência medidas corretivas, incluindo reforço de geração. No caso da transmissão, por exemplo, as análises realizadas pela PSR mostram que, ao contrário do que talvez se imagine, os blecautes recentes foram causados por falhas em subestações, e não por atrasos na construção de reforços de transmissão. (Isto não significa que a eliminação desses atrasos não é importante; pelo contrário, ela é extremamente importante, pois os mesmos podem afetar significativamente o desempenho futuro do sistema.) Caso as medidas corretivas não sejam tomadas, o esvaziamento dos reservatórios mesmo em hidrologias moderadas voltará a ocorrer nos próximos anos, associado, como sempre, a custos térmicos muito elevados e possivelmente problemas de suprimento. 2. Analise um esquema de gerência de recursos hídricos por bacia, no qual geração hidrelétrica, irrigação, abastecimento de água, qualidade de água, piscicultura e hidrovias sejam gerenciadas de maneira integrada. A região Nordeste poderia ser o primeiro exemplo desta abordagem integrada, com a CHESF deixando de ser uma concessionária do grupo Eletrobrás e se transformando em um agente de desenvolvimento regional. Uma segunda oportunidade se refere à região do Tapajós, onde pode valer a pena adiar por um ano a licitação de usinas hidrelétricas para que o desenvolvimento da bacia seja feito de maneira integrada. 3. Um tema crucial, relacionado com a gerência integrada dos recursos hídricos é a questão dos reservatórios. A capacidade de regularizar as vazões dos rios, e com isto aumentar a segurança operativa e reduzir os gastos com geração termelétrica, tem sido historicamente um componente essencial de nosso parque gerador. Os benefícios dos reservatórios vão muito além do setor elétrico, pois eles permitem também a construção de sistemas de irrigação capazes de funcionar mesmo durante secas prolongadas, asseguram a navegação fluvial em vários trechos de rios ao longo de todo o ano, contribuem para o controle de cheias evitando inundações desastrosas 28 Visões do Setor Elétrico Visões do Setor Elétrico 29

16 Setor elétrico brasileiro: estado atual e sugestões Luiz Augusto Barroso, José Rosenblatt e Mario Veiga Setor elétrico brasileiro: estado atual e sugestões Luiz Augusto Barroso, José Rosenblatt e Mario Veiga e viabilizam atividades econômicas específicas como piscicultura e turismo. Apesar de todos estes benefícios, o que se constata atualmente é uma proibição a priori à construção de novos reservatórios de regularização. Embora equívocos do passado, como os da usina de Balbina, tenham suscitado preocupações legítimas com impactos socioambientais em áreas inundadas, é preciso buscar um aproveitamento racional dos recursos naturais do país, onde os aspectos ambientais não resultem em restrições absolutas, e em vez disso incorporados como objetivos. Os autores acreditam que é possível aperfeiçoar o planejamento nesta direção, incorporando a componente ambiental desde a etapa de inventário. Adicionalmente, é necessário melhorar a comunicação. A falta de informação básica tem levado a opinião pública a conclusões no mínimo precipitadas. É fato que, hoje, se todas as hidroelétricas construídas e a construir na Amazônia fossem dotadas de reservatórios de grande capacidade, elas juntas alagariam área total de km2. Parece muito, porém corresponde a apenas 0,16% do território amazônico. Mais do que isso, ela é menor do que a média de desmatamento anual da Amazônia, que, a partir do ano 2000, atinge km2 na Amazônia. Ou seja: em um ano médio o desmatamento foi maior do que toda área que seria alagada por todas as usinas que podem ser construídas na Amazônia. 4. Por fim, os autores sugerem a realização imediata de estudos visando identificar impactos da forte inserção de renováveis com produção intermitente e dos fenômenos macro-climáticos no planejamento da expansão e operação. É importante que o balanço de garantia física seja positivo, mas é igualmente importante levar em conta a qualidade desta garantia física. Aspectos comerciais Os autores sugerem analisar os seguintes temas: 1. Alocação isonômica dos benefícios das cotas de geradores com concessão vincenda: uma das medidas governamentais, relacionada com os benefícios da antecipação da renovação das concessões de geração, tratou de maneira assimétrica os segmentos de consumo regulado (ACR) e livre (ACL), pois transferiu os benefícios somente para o ACR. Este tratamento diferenciado não se justifica, pois os consumidores industriais que estão no ACL contribuíram, ao longo de muitas décadas, para a construção e remuneração das usinas hidrelétricas exatamente da mesma maneira que os demais. Por esta razão, propõe-se que os benefícios da geração cuja concessão expira a partir de julho de 2015 sejam repartidos de maneira equitativa entre ambos os segmentos. 2. Aperfeiçoamento dos leilões para o ACR: o processo de contratação deve ser aperfeiçoado levando em conta de forma transparente os diversos atributos de cada projeto, não somente seu custo unitário. Esses atributos podem ser representados de duas maneiras: (i) fatores de ponderação na composição do índice benefício custo final; ou (ii) leilões segmentados. Em um trabalho de P&D sobre leilões sendo realizado pela PSR e LACTEC, organizado pela Apine e patrocinado por vários de seus associados, está sendo desenvolvido um modelo matemático geral que permite representar estas diferentes maneiras, e mostram a relação analítica entre as mesmas. Somos conscientes que existe a preocupação de que a representação dos atributos nos leilões poderia afetar a transparência dos mesmos, pois o planejador poderia ser acusado de mexer nos pesos. No entanto, na visão dos próprios autores, a situação atual, onde o planejador faz alguns ajustes no mecanismo de leilão, é possivelmente ainda menos transparente. A PSR acredita que a representação explícita dos atributos dos concorrentes nos leilões permitirá que os mesmos sejam mais transparentes e eficientes. 3. Aperfeiçoamentos para garantir a expansão da oferta para o ACL: o mercado livre precisará se expandir para ser sustentável. A expansão do ACL será possivelmente suportada por fontes renováveis, com intermitência em sua produção. Acreditamos que é importante estudar um mecanismo geral de realocação de energia entre fontes onde cada fonte tenha reconhecida a sua real contribuição para este mecanismo, em termos de produção média, correlação e variabilidade. No entanto, mesmo que o problema da gestão de risco associada à variabilidade da produção seja equacionado, existe ainda a exigência por parte do financiador de contratos de venda de energia de longo prazo. Em nossa opinião, a estrutura de financiabilidade para o ACL precisa ser alterada e adaptada às características deste mercado, incluindo um componente de confiança no seu desenvolvimento baseado em expectativas racionais. O fato de, no momento da solicitação do financiamento, o projeto não possuir contratos de longo prazo não significa que o gerador ficará de braços cruzados durante todo o período de amortização sem firmar contratos. O gerador terá como estratégia racional buscar o melhor mercado para comercializar sua energia. O ACL possui um líquido mercado de contrato de curto e médio prazo e um ilíquido mercado de contrato de longo prazo e, em nossa opinião, é necessária a entrada de novos agentes financiadores, acesso ao mercado de capitais e estruturas de financiabilidade compatíveis com as melhores práticas internacionais, onde bancos trabalham com projeções de receitas mediante desenho de esquemas de garantias e outras exigências comerciais (ICSD, garantia financeira não vinculante etc.). No entanto, a premissa essencial desta proposta é a estabilidade de regras do setor, que precisa ser crível para que expectativas racionais possam ser montadas. Instabilidade e interferências regulatórias reduzem credibilidade e fazem com que o contrato de longuíssimo prazo, com transferência de todos os riscos ao consumidor, seja o único instrumento de segurança comercial aceito por financiadores (pois ele blinda o projeto de interferências regulatórias em preços), o que compromete a eficiência global do setor elétrico. 4. Consolidação e amadurecimento do ambiente de mercado livre, visando criar as bases para a sua expansão. Apoiamos a criação de clearing houses ; separação entre mercado atacadista e varejista; consolidação do esquema de garantias (permitindo a participação de bancos internacionais) e organização do monitoramento de mercado. 5. Atualmente o contrato de fornecimento de energia comercializa dois produtos: o certificado de garantia física do gerador e o contrato financeiro, que é uma proteção contra preços altos. Acreditamos que deve ser estudada a separação na comercialização destes produtos, de forma a criar um vaso comunicante de lastro entre o ACR e o ACL. 30 Visões do Setor Elétrico Visões do Setor Elétrico 31

17 Setor elétrico brasileiro: estado atual e sugestões Luiz Augusto Barroso, José Rosenblatt e Mario Veiga Setor elétrico brasileiro: estado atual e sugestões Luiz Augusto Barroso, José Rosenblatt e Mario Veiga Regulação Os autores sugerem analisar os seguintes temas: 1. Geração distribuída em nossa opinião, o crescimento da geração distribuída será exponencial logo que a paridade com a rede (i.e. competitividade da geração distribuída com o custo total de geração + transmissão + distribuição + tributos + encargos) for alcançada. É necessário pensar na alocação correta dos custos fixos da rede de distribuição com antecedência, pois depois que estourar a boiada vários investimentos realizados pelos agentes setoriais tradicionais se tornarão ociosos antes do término de sua vida útil, e vai ser muito difícil resolver a questão de sua remuneração. Em particular, nos preocupa a questão do net metering, que em nossa visão pode levar a problemas no futuro caso permaneçam as atuais distorções nos sinais tarifários para consumidores em baixa tensão (tarifa monômia, em R$/MWh). 2. Suprimento de gás em nossa opinião, é urgente ter uma visão realista da disponibilidade e preço do gás no médio e longo prazo. Adicionalmente, é necessário compatibilizar os marcos regulatórios do gás e da eletricidade, para desenvolver, por exemplo a cogeração a gás, dentre outros temas. 3. Por fim, na visão da PSR, uma medida importante é a valorização e utilização sistemática da Análise de Impacto Regulatório (AIR). Como sugere o nome, o objetivo da AIR é identificar possíveis impactos de uma regulamentação e de possíveis alternativas antes que a mesma seja implementada, visando produzir regras setoriais que sejam claras, transparentes, razoáveis e estáveis. É muito mais eficiente corrigir uma regulamentação antes de a mesma entrar em vigor do que consertá-la posteriormente. A razão é que sempre haverá perdedores e ganhadores com mudanças, o que leva a problemas de insegurança regulatória. Dado que as medidas do MME, CNPE e CMSE podem ter um impacto igual ou até maior do que as da ANEEL para o setor elétrico, a PSR acredita que seria muito positivo para a transparência e eficiência do setor que todas as medidas governamentais incorporassem uma análise quantitativa de seus impactos nos diversos segmentos do setor. O modelo setorial é uma peça de relojoaria, está tudo encaixado e coerente. Se mexermos em uma engrenagem sem pensar muito nas consequências, há uma grande probabilidade de que uma mola pule do outro lado. Resgate da credibilidade na travessia para a restauração do equilíbrio setorial Quando o novo modelo setorial foi implantado, em 2004, seus principais objetivos eram (e ainda são): (i) assegurar a construção de nova capacidade de geração que atenda com segurança o crescimento da demanda através de um mercado organizado de compra de energia para o ambiente regulado e de um ambiente de mercado para o ambiente livre; (ii) universalizar o suprimento de energia elétrica; e (iii) garantir a modicidade tarifária, isto é, que os investimentos e a operação sejam os mais eficientes possíveis. Nos seus primeiros nove anos, houve muito que comemorar. No que se refere ao primeiro objetivo, a contratação de nova capacidade através de leilões resultou na construção de quase 500 usinas, totalizando praticamente 70 mil MW de capacidade de todo tipo de tecnologia e mais de 800 bilhões de reais em contratos. O segundo objetivo do modelo, universalização do suprimento, também foi um sucesso. Através do Programa Luz para Todos, 98% da população já tem acesso à energia elétrica, e a expectativa é que, em 2014, a cobertura plena seja atingida. Finalmente, o terceiro objetivo, modicidade tarifária, logrou êxitos igualmente significativos. As três parcelas estruturais do custo de energia (geração, transmissão e distribuição) tiveram reduções significativas, em termos reais, nesta década. Como já documentado pela PSR em diversas ocasiões, o aumento das tarifas finais para os consumidores nos últimos anos se deve, basicamente, a três fatores: (i) o aumento dos encargos setoriais, que compõem a parcela das tarifas que mais cresceu neste período; (ii) a exuberância dos tributos e encargos; e (iii) fatores conjunturais, tais como os gastos adicionais com o acionamento das termelétricas por razões de segurança energética. É importante registrar que estes êxitos não foram alcançados sem dificuldades, problemas e sustos. A título de exemplo, a decisão de segregar as energias existente e nova nos leilões foi muito criticada na ocasião. Também fomos atingidos, de 2005 a 2007, pelas restrições na disponibilidade de gás natural da Argentina, da Bolívia e do Brasil, o que levou a uma redução de 16% em nossa capacidade firme de geração e contribuiu para o susto com a segurança de suprimento do início de Outro problema notório é a obtenção de licenças ambientais para as hidrelétricas, um misto de tarefa hercúlea e filme de terror, como ilustrado pela necessidade de usar a Força Nacional para fazer um simples levantamento ambiental na região do Tapajós e pelos sequestros de técnicos por grupos indígenas. Finalmente, houve um conjunto de apagões a partir de 2009, que evidenciaram algumas vulnerabilidades no sistema de transmissão. Em todas essas situações complexas houve uma intensa troca de opiniões e de experiências entre as equipes do governo e os agentes setoriais. Este uso da inteligência coletiva do setor permitiu um melhor entendimento dos problemas e levou a um aprimoramento na tomada de decisões. Tão importante quanto isto, o próprio tempo que o governo dedicou ao diálogo, debate e reflexões permitiu que as decisões, quando tomadas, fossem melhor entendidas e absorvidas pelos agentes. Em nossa opinião, as bases do modelo setorial são solidas e permitem atingir os objetivos que queremos, que são os da segurança de suprimento e modicidade tarifária. No entanto, o modelo é uma peca de relojoaria, com muitas engrenagens que precisam operar encaixadas. O que está ocorrendo hoje é que suas engrenagens estão desencaixadas. Precisamos assegurar a existência e sustentabilidade do ACL, buscar a isonomia concorrencial entre o ACL e ACR, qualidade na informação contida nos preços de curto e longo prazo e trabalhar arduamente para a estabilidade regulatória. Estes são os ingredientes que permitem eficiência econômica e o funcionamento eficiente do setor. Como visto nas seções anteriores, há um grande conjunto de temas que merecem a atenção do setor. No entanto, se tivéssemos que escolher apenas um tema, ele seria a recuperação da transparência do governo junto aos agentes e população, pois ela facilitará a recuperação da credibilidade do setor e a construção dos acordos necessários na travessia para a restauração do seu equilíbrio e sustentabilidade e recuperação de sua estabilidade. A inteligência coletiva dos agentes deve ser melhor aproveitada, pois os problemas são complexos e inter-relacionados e há inovações metodológicas relevantes desenvolvidas pelo setor que devem ser consideradas. 32 Visões do Setor Elétrico Visões do Setor Elétrico 33

18 Setor elétrico brasileiro: estado atual e sugestões Luiz Augusto Barroso, José Rosenblatt e Mario Veiga Setor elétrico brasileiro: estado atual e sugestões Luiz Augusto Barroso, José Rosenblatt e Mario Veiga Na opinião dos autores, um distanciamento crescente e falta de diálogo entre governo e agentes, não resultará em riscos de suprimento ou fuga de investidores. O que possivelmente ocorrerá é não termos o alto nível de eficiência, qualidade e transparência que o setor poderia atingir, e que a sociedade brasileira merece. CONHEÇA O AUTOR > Luiz Barroso É graduado em Matemática e possui mestrado e doutorado em Pesquisa Operacional (otimização). É Diretor Técnico de PSR e Pesquisador Associado do Instituto de Investigación Tecnológica (IIT) da Universidad Pontificia Comillas (Madrid, Espanha). Desde o inicio de sua carreira profissional tem coordenado uma infinidade de estudos em mais de 20 países nas Américas, Europa e Ásia. Recebeu em 2010 o premio IEEE PES Outstanding Young Engineer Award, que reconhece profissionais de até 35 anos por suas contribuições destacadas na liderança de atividades técnicas na IEEE PES e outras sociedades técnicas. > José Rosenblatt É engenheiro eletricista formado pela PUC-Rio, com mestrado em pesquisa operacional pela Universidade de Stanford e MBA Executivo no Instituto de Economia da UFRJ. Tem mais de vinte e cinco anos de experiência no setor elétrico e é responsável pelos estudos regulatórios e de mercado realizados pela PSR. A partir de 2003, tem atuado como consultor do MME para temas regulatórios, via BID e Banco Mundial. Antes de integrar-se à PSR trabalhou na Eletrobrás, nas áreas de regulação, comercialização de energia, avaliação de projetos, planejamento da expansão e desenvolvimento de software de simulação do sistema. O eng. Rosenblatt é autor e co-autor de vinte artigos técnicos publicados em periódicos e apresentados em seminários e conferências internacionais > Mario Veiga É presidente da PSR. Ele é engenheiro eletricista, com mestrado e doutorado em pesquisa operacional. Nos últimos anos, ele vem atuando em três áreas principais: (i) regulação setorial; (ii) avaliação de ativos; e (iii) desenvolvimento de ferramentas de apoio à decisão. Desde Janeiro de 2003, tem atuado como consultor especial do MME, através de contratos com o BID e Banco Mundial. Ele também assessorou o Operador Nacional do Sistema (ONS), o Mercado Atacadista de Energia (MAE) e a agência reguladora (ANEEL) em vários tópicos regulatórios, desenho de mercados e comercialização de energia. Na área internacional, trabalhou como consultor na China, Colômbia, El Salvador, Guatemala, Venezuela e nos nove países da região dos Bálcãs, na Europa. Ele é autor ou co-autor de quatro livros e cerca de 200 artigos em periódicos e congressos. 34 Visões do Setor Elétrico Visões do Setor Elétrico 35

19 SETOR ELETRICO BRASILEIRO Uma breve contribuição Pedro Batista Há grande necessidade de introdução de novas medidas para se restabelecer o equilíbrio setorial, confiança dos investidores e, consequentemente, reduzir o custo de capital. No longo prazo a redução de custo de capital junto com medidas de redução de carga tributária irão viabilizar a combinação da modicidade tarifária com segurança no suprimento. O Setor Elétrico brasileiro passou por muitos avanços nos últimos 10 anos, principalmente na regulamentação e estabilidade do segmento de distribuição de energia, na reintrodução do planejamento energético, na viabilização de contratos de longo prazo, e inserção de novas fontes de energia na matriz. Entretanto, houve nos últimos 2 anos grande retrocesso em várias frentes e há forte carência de medidas importantes para viabilização de investimentos sustentáveis de longo prazo e com custo de capital adequado. Quando da apresentação do setor elétrico em 2004, o modelo era baseado no tripé: segurança no suprimento, modicidade tarifária e estabilidade de regras. Apesar das boas intenções, as medidas do governo para atingir esses objetivos falharam em boa parte. Hoje não temos segurança no suprimento, o preço da energia vem prejudicando a competitividade da produção industrial no Brasil, e as regras estão longe de serem estáveis. Para completar, a principal empresa estatal do setor elétrico reportou enorme prejuízo ao ser forçada a aceitar renovação antecipada de suas concessões de transmissão e geração em condições muito desfavoráveis. O processo de renovação de concessões de geração e de transmissão feito através da MP 579 representou o maior erro em anos no setor. O intuito de redução de tarifas de energia em 20% de maneira arbitrária causou um enorme desequilíbrio, aumento na percepção de risco e, consequentemente, do custo de capital. No final do processo as tarifas de energia estarão mais altas do que as do período pré-mp 579, e com complicações regulatórias e judiciais. Chegaremos ao final do ano de 2014 com uma situação setorial muito complexa. Reservatórios nos níveis mais baixos da história, trazendo como consequência um risco de suprimento não condizente com o tamanho e importância da economia brasileira, um déficit tarifário de aproximadamente R$50 bilhões, as principais empresas setoriais com reduzida capacidade de investimento, crescente judicialização setorial, e a principal empresa do setor Eletrobras com capacidade de investimento e balanço deteriorados. O acionamento das térmicas e a não redução da demanda de forma organizada custarão ao setor elétrico, aos consumidores e ao governo algo próximo a R$90 bilhões de 2013 a 2015 (entre custo do despacho térmico e subsídios do tesouro federal). Para se ter uma idéia do grande impacto desse número podemos compará-lo ao patrimônio líquido do BNDES de R$74 bilhões, que financia aproximadamente R$300 bilhões em diversos setores (infraestrutura corresponde a R$196 bilhões). Ou seja, considerando que os investimentos anuais do setor são de aproximadamente R$25 bilhões, podemos dizer que jogamos fora a capacidade de financiamento de aproximadamente 12 anos de investimentos do setor elétrico confirmando que a introdução da famosa MP 579 representou um relevante retrocesso setorial. Assim, há grande necessidade de introdução de novas medidas para se restabelecer o equilíbrio setorial, confiança dos investidores e, consequentemente, reduzir o custo de capital. No longo prazo a redução de custo de capital junto com medidas de redução de carga tributária irão viabilizar a combinação da modicidade tarifária com segurança no suprimento. E com isso serão atraídos novos capitais, inovando nas práticas de gestão e tecnologias que também contribuirão para a maior eficiência do sistema. Nesse sentido listamos alguns pontos relevantes nessa direção: 1) recuperação da credibilidade institucional do setor e redução da intervenção governamental 2) aprimoramento do planejamento setorial 3) mudança profunda na gestão das empresas estatais e 4) estimular o aumento da participação do mercado de capitais no financiamento setorial. 36 Visões do Setor Elétrico Visões do Setor Elétrico 37

20 SETOR ELETRICO BRASILEIRO Uma breve contribuição Pedro Batista SETOR ELETRICO BRASILEIRO Uma breve contribuição Pedro Batista Credibilidade Institucional do Setor Despolitização do Setor. Há necessidade de aumento da interlocução dos agentes setoriais com autoridades do setor elétrico. A criação da MP 579 sem a devida participação dos agentes representa um bom retrato de como decisões importantes no setor são tomadas hoje. Muitos dos erros cometidos nesse processo poderiam ter sido evitados caso houvesse maior participação e interação com o setor. O processo de discussão da implementação do novo modelo setorial em 2003, por outro lado, pode ser classificado como um bom exemplo. Além disso, é preciso redução de componentes políticos nas tomadas de decisão no setor. Decisões como adiamento da implantação de bandeiras tarifárias ou não iniciar programas de redução do consumo em razão de níveis críticos de reservatórios em função de cronograma eleitoral não deveriam existir em nenhum país. Setor tão importante e vital para o crescimento e funcionamento da economia não deveria ser movido por cronograma político. Nesse sentido vemos como muito relevante uma mudança na governança corporativa dos principais orgãos do setor no sentido de assegurar que decisões sejam tomadas de forma técnica e sempre precedidas de sólidas análises de seus impactos. Introdução de medidas para aumento de responsabilidade civil para diretores de órgãos como ONS e Aneel seriam interessantes, assim como aumento da transparência das decisões e reuniões de diretoria no ONS por exemplo (como na Aneel) seriam bem vindas. Aprimoramento do Planejamento Setorial Apesar da reintrodução do planejamento setorial de longo prazo no novo modelo setorial, falhas no processo de planejamento, seja na seleção, na pré-qualificação dos agentes, seja na introdução de prazos irrealistas de implementação de projetos, levou à situação atual de grande risco de suprimento. Alguns aprimoramentos no processo de planejamento são vitais: reintroduzir termelétricas de base, prazos realistas para investimento (leilões A-7 por exemplo), incentivo ao aumento do gás natural na matriz energética, discussão sobre subsídios para fontes renováveis não convencionais, introdução de requisitos mínimos de capacidade financeira e operacional mais rígidos para agentes de geração participantes de leilão de energia, simplificação do processo de licenciamento ambiental. Além desses pontos, é crucial uma melhora da transparência do real custo de energia no Brasil. Subsídios devem ser claros. Custo de projetos estruturantes no setor devem ser abertos e não camuflados através de encargos a serem rateados entre todos os agentes setorias. A introdução de medidas de uso racional de energia também deveriam ganhar importância no planejamento. Mudança na Gestão das empresas estatais A gestão das empresas estatais do governo federal no setor elétrico precisa passar por grande reformulação. No caso da Eletrobras, o processo de tomada de decisão de aceitar os termos prejudiciais na proposta feita pelo governo fala por si só. Os termos foram tão prejudiciais que até hoje continuam sendo questionados em processos administrativos na CVM. Além disso, no intuito de se estimular a competição setorial chegou-se até mesmo a ter 2 subsidiárias da empresa disputando o mesmo ativo em leilões organizados pelo governo. Isso é impensável na gestão de qualquer empresa. Investimentos em taxas patrióticas de retorno, além de afastarem o capital privado, representam uma alocação muito ineficiente de recursos dos contribuintes e um absoluto desrespeito aos acionistas minoritários das empresas. No sentido de se reduzir o custo de capital no setor é muito importante a melhora da gestão das empresas federais, passando até mesmo pela privatização de alguns ativos, como as empresas federalizadas de distribuição de energia. Mercado de Capitais e Fontes de Financiamento Privados O BNDES é hoje, e continuará sendo por um bom tempo, o principal financiador dos novos projetos de expansão do setor. Considerando a natureza de longo prazo do investimento no setor e a falta de instrumentos de mercado com prazo tão longo, o suporte do BNDES é vital para o crescimento com o nível de tarifas atual. Sem sua presença certamente o perfil de financiamento seria de prazo mais curto e custo mais alto, o que levaria a tarifas de energia bem mais elevadas. Apesar do BNDES cumprir seu papel com grande competência, é muito importante o desenvolvimento de novas fontes de financiamento. Incentivos a aumento do suporte de mercado de capitais são vitais a longo prazo. Incentivos regulatórios para o desenvolvimento de dívidas de longo prazo e captações de recursos no mercado acionário seriam passos importantes nessa direção. Desde 2004 empresas do setor de energia captaram aproximadamente R$15.2 bilhões de recursos em emissões de ações, que propiciaram aproximadamente R$40 bilhões em investimentos. Com ajustes no modelo setorial e incentivos corretos, emissões de ações e de dívida de longo prazo tendem a ganhar relevância e contribuir para a redução do custo de capital setorial. CONHEÇA O AUTOR > Pedro Batista Pedro Batista - Desde abril de Sócio Fundador da 3G Radar e sócio da 3G Capital. De 2009 a Sócio Fundador e membro do Comitê Executivo da Vinci Partners, onde foi Head da equipe de Research. De 2006 a No UBS Pactual atuou como Head da equipe de Brazil Equity Research. De 1997 a Foi sócio do Banco Pactual, onde trabalhou desde 1997, recebendo diversos prêmios por suas análises, como o Institutional Investor, Latin Finance e Institutional Investor em diversos setores, em especial o setor elétrico brasileiro. Se formou em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em Visões do Setor Elétrico Visões do Setor Elétrico 39

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