Síntese dos desafios do seguro rural no Brasil: onde falhamos e até onde avançamos. Vitor Ozaki Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz

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1 Síntese dos desafios do seguro rural no Brasil: onde falhamos e até onde avançamos Vitor Ozaki Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz

2 ONDE FALHAMOS? SÍNTESE HISTÓRICA - Criação da Federal Crop Insurance Corporation (FCIC) - Cobertura multirisco para o trigo Lei n 2.168/1954: - Criação do Fundo de Estabilidade de Seguro Agrário - Surgimento da Companhia Nacional de Seguro Agrícola (CNSA)

3 ONDE FALHAMOS? SÍNTESE HISTÓRICA 1969: - Responsabilidade de US$ 920 milhões e índice de sinistralidade médio de 0,96 (década) - Culturas seguradas: trigo, linho, algodão, milho, linho, pêssego, laranja, sorgo, aveia e arroz Decreto-Lei n 73/1966. Dissolução da CNSA. Principais causas: - Acúmulo de dívidas; - Falta de dados estatísticos; - Implementação de planos indistintos; - Concentração dos riscos ;

4 ONDE FALHAMOS? SÍNTESE HISTÓRICA Correções no programa, de modo a incorporar as características e os riscos individuais do produtor para incentivar a participação. De 1970 e 1978: sinistralidade média igual a 0,93. Apenas 7,5% de toda área colhida estava segurada e a cobertura da companhia correspondia a 2,9% do valor total da produção. Sete anos após a dissolução da CNSA foi criado o PROAGRO, sob a administração do BACEN. Sinistralidade: 84,8 (1975), 8,2 (1976), 10,1 (1977), 9,3 (1978) e 16,5 (1979). 1968: Criação da Companhia de Seguros do Estado de São Paulo (Cosesp);

5 ONDE FALHAMOS? SÍNTESE HISTÓRICA Lei Federal do Seguro Agrícola de 1980 Garantiu o MPCI como a principal forma de proteção contra desastres. Início do Programa de Subvenção norte-americano. Área segurada em 1981: 19,3 milhões de hectares. Operacionalização do Proagro. Conjunto de equívocos técnicos, operacionais e administrativos Participação das empresas estatais: Bemge (MG), Companhia União de Seguros Gerais (RS) e Cosesp (SP). Cobertura limitada e pouca adesão dos produtores. Seguro rural quase inexistente.

6 ONDE FALHAMOS? SÍNTESE HISTÓRICA De 1981 a 1994 a sinistralidade média foi de 1,41. As indenizações superaram os prêmios em US$ 3,3 bilhões. Por isso, na Lei Agrícola Norte-Americana de 1990: - Aumentou as taxas de prêmio; - Estabeleceu metas de sinistralidade para todas as culturas seguradas; - Permitiu o desenvolvimento de novos produtos; - Tornou compulsória a participação no MPCI aos agricultores interessados em beneficiar-se dos outros programas governamentais; Responsabilidade ao redor de US$ 24 bilhões. Criação da Agência de Administração de Risco (RMA), vinculada ao USDA, que administra os programas da FCIC. Início do desenvolvimento do seguro de renda. Durante a década o PROAGRO passa por mudanças significativas Início do seguro rural privado

7 ONDE FALHAMOS? SÍNTESE HISTÓRICA 2003 Lei federal /03: início do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural; Projeto Estadual de Subvenção do Prêmio do Seguro Rural (PESP) Resolução BACEN 3.234/04 criação do PROAGRO MAIS Entrada de novas seguradoras privadas no mercado Tabela Comparativa 2007

8 Até onde avançamos Programas governamentais em vigência: Programa de subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (MAPA); PROAGRO (BACEN); PROAGRO MAIS e Garantia Safra (MDA); Particularmente, quanto ao mercado de seguro rural privado:

9 Até onde avançamos Incentivos à demanda: Programa de subvenção do MAPA; Programa de subvenção dos Governos Estaduais; Incentivos à oferta: Abertura e regulamentação do mercado de resseguros; Projeto de Lei Complementar que cria o Fundo de Catástrofe do Seguro Rural; Criação do curso à distância da Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior ABEAS para capacitação de profissionais;

10 Até onde avançamos Incentivos à pesquisa: Criação do GRUPO DE PESQUISA SOBRE SEGURO RURAL com o objetivo de desenvolver produtos e innovar em processos, gerar informação, estudos e análises do setor (http://www.lce.esalq.usp.br/seguroagricola); Projeto de capacitação de profissionais no meio acadêmico convênio FUNENSEG e ESALQ/USP; Prêmio SEGURO RURAL SOBER FUNENSEG no Congresso da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural;

11 Até onde avançamos O tripé fundamental do mercado privado de seguro rural: Fundo de Catástrofe e Resseguros Subvenção Banco de Dados

12 Até onde avançamos Tanto o mercado de seguros privados quanto os programas governamentais demandam por serviços e informações em comum; As informações e serviços, embora existentes, estão espalhadas e desagregadas em muitas empresas, instituições e centros de pesquisa;

13 Seguros Privados Demanda Comum Programas Governamentais CNSP Assistência Técnica SUSEP FENASEG/FUNENSEG Abeas Órgãos de Climatologia PROAGRO - Bacen MAPA Secretarias Estaduais Empresas de Monitoramento/SIG Instituições Provedoras de informações PROAGRO MAIS MDA Segurado Segurador Universidades Centros de Pesquisa Garantia Safra - MDA Ressegurador Bancos Comerciais

14 Desafios A confiabilidade e exatidão das informações afetam principalmente as seguintes etapas do processo: A subscrição; Os cálculos atuariais; O acompanhamento da safra; O monitoramento agrometeorológico; As regulações de sinistro; Retroalimentação utilizar as informações para a melhoria contínua; Exemplo: precificação.

15 Desafios Nos estados em que as informações são imprecisas e não são coletadas periodicamente dificultam o acesso ao seguro; Não é possível precificar corretamente. A seguradora poderá: Caso 1. Não ofertar o produto; ou, Caso 2. Ofertar o produto fixando uma taxa subjetiva;

16 Desafios Caso 1. Não oferecer o produto. Nesse caso, a seguradora irá operar apenas nas regiões em que hajam dados confiáveis, mesmo se as regiões forem de maior risco; Exemplo: os estados do Paraná e Mato Grosso.

17 Desafios O estado do PR apresenta uma das melhores estruturas de coleta e levantamento de dados agrícolas do país, por meio do DERAL; Por sua vez, o estado do MT possui sérias deficiências no levantamento de informações da safra; O gráfico mostra a comparação do risco entre os quinze maiores produtores de soja do PR e MT.

18 risco relativo So ja - co m p ar ação d o r isco en t r e o s 15 m aio r es m un icíp io s d o MT e PR 0,300 0,250 0,200 0,150 0,100 0,050 0, Municípios ordenados MT PR

19 milhões de R$ Desafios Problemas: Na massificação do seguro para regiões de fronteira; Na distribuição dos recursos públicos do PSP; R$ 22,3 mi Programa de Subvenção (2007) R$ 2,8 mi 5 0 PR RS SP SC GO MS MT MG

20 Desafios Caso 2. Oferecer o produto a uma taxa subjetivamente fixada, normalmente, acima da média; Se o seguro não estiver vinculado ao financiamento, então haverá problemas de antiseletividade; Se o seguro estiver atrelado ao financiamento haverá resistência dos produtores de baixo e médio risco que não desejam contratar o seguro; O problema se agrava se a cobertura se reduzir;

21 Síntese dos Desafios Entraves existentes no mercado pré-lei : Risco de natureza catastrófica; Inexistência de um banco de dados consolidados; Necessidade de uma estrutura interna própria para o agrícola; Alta complexidade do produto e do processo; Incidência de fraudes;

22 Síntese dos Desafios Elevada anti-seletividade; Ausência da cultura do seguro ; Existência da cultura da renegociação ; Falta de informação em toda a cadeia produtiva; Aspectos normativos inadequados para a atual realidade;

23 Síntese dos Desafios Ineficácia do FESR; Alto custo do seguro; Reguladores não qualificados para o ramo rural; Baixa diversificação de produtos; Poucos canais de venda; Concorrência com o Proagro e Proagro Mais;

24 Desafios Futuros Os reais desafios para o futuro. A situação pós-lei : Subvenção Redução do custo do seguro; Fundo e Resseguros Relativo controle sobre o risco catastrófico Maior eficácia do Fundo frente ao FESR; Banco de Dados Criação de um banco de dados Maior controle das fraudes Redução da antiseletividade; Iniciativas complementares Curso de capacitação de peritos. - Qualificação de peritos para o ramo rural;

25 Síntese dos Desafios Alta complexidade do produto e do processo; Necessidade de uma estrutura interna própria para o agrícola; Ausência da cultura do seguro ; Existência da cultura da renegociação ; Falta de informação em toda a cadeia produtiva; Aspectos normativos inadequados para a atual realidade; Baixa diversificação de produtos; Poucos canais de venda; Concorrência com o Proagro e Proagro Mais; e,

26 Síntese dos Desafios Prioritariamente, a criação de um sistema dinâmico e integrado de informações específicas para o seguro rural; Pesquisas e estudos para: O desenvolvimento de novos produtos (seguro de renda); Análise da viabilidade dos novos produtos;

27 Conclusão Metas de curto prazo: Suprir as seguradoras com informações de rendimento, por nível de tecnologia, com base nos levantamentos do IBGE (Censo e PAM); Pesquisas e estudos para: O desenvolvimento de novos produtos (seguro de renda); Análise da viabilidade dos novos produtos; Sofisticação das metodologias atuariais; Realização do workshop com periodicidade definida (bianual);

28 Conclusão Metas de médio-longo prazos: A criação de um sistema dinâmico e integrado de informações específicas para o seguro rural; Capacitação de profissionais especializados no ramo rural; Investimento em divulgação e educação rural;

29 Vitor Ozaki (19) Pós-Doutor em Economia Aplicada pela Universidade de São Paulo, Professor Doutor do Departamento de Ciências Exatas Matemática e Estatística da ESALQ/USP e do MBA em agronegócios ESALQ/USP, coordenador do Núcleo de Estudos sobre Seguro Rural ESALQ/USP

30 Sinistralidade do Programa Norte-americano de Seguro Agrícola 3 2,5 2 1,5 1 0,

31 Sinistralidade do PROAGRO

32 Resultados Comparativos entre EUA e Brasil Brasil EUA Nº Operações Subvenção (US$) Prêmio Total (US$) Área Segurada (ha) Importância Segurada (US$)

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