CONVIVENTE: A PERSPECTIVA DE UM NOVO ESTADO CIVIL E SEUS REFLEXOS PARA O RCPN

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1 CONVIVENTE: A PERSPECTIVA DE UM NOVO ESTADO CIVIL E SEUS REFLEXOS PARA O RCPN RODRIGO TOSCANO DE BRITO Doutor e Mestre em Direito Civil pela PUC-SP. Professor de Direito Civil da UFPB e da Escola da Magistratura. Advogado.

2 1. UNIÃO ESTÁVEL: CONHECENDO A CASUÍSTICA

3 ESTADO CIVIL À LUZ DA ATUAL LEGISLAÇÃO a) Solteiro b) Casado c) Separado (judicial ou extrajudicialmente) d) Divorciado e) Viúvo

4 1ª Hipótese: Casal unido estavelmente que, após o início da união estável, adquire um bem, seja móvel ou imóvel, mas que conste como proprietário apenas um dos membros do casal. Este, em nome de quem o bem está registrado, aliena o bem sem anuência do(a) companheiro(a).

5 Não háh restrição para o alienante se: a) Provar que o bem foi adquirido antes do início da união estável; b) Provar que o bem é fruto de doação ou herança; c) Provar que o bem adquirido após o início da união foi comprado com dinheiro ou patrimônio adquirido anteriormente à união estável.

6 2ª. Hipótese: Um dos companheiros dá em garantia o bem comprado na constância da união estável, sem a outorga do outro companheiro pelo fato do bem se encontrar em nome de apenas um deles. O companheiro que deu o bem em garantia não salda a dívida e o bem, eventualmente, vem a ser objeto de penhora.

7 3ª. Hipótese: Ocorre uma execução regular contra um dos companheiros que acarreta a penhora de bens comuns do casal.

8 4ª. Hipótese: Ocorre o falecimento do companheiro e os filhos do primeiro casamento já dissolvido realiza a escritura de inventário sem mencionar a companheira sobrevivente. Após isso, os filhos vendem os bens objeto do inventário.

9 2. O REGRAMENTO BRASILEIRO RELATIVO À UNIÃO ESTÁVEL É CAPAZ DE REGULAR AS HIPÓTESES AQUI LEVANTADAS?

10 Prof. Rodrigo Toscano de Brito NOÇÃO E CARACTERES DA UNIÃO ESTÁVEL A PARTIR DA CF/88 E DO CC/2002 Constituição Federal de 1988: Art. 226, 3º. Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.

11 Prof. Rodrigo Toscano de Brito CARACTERES O art do CC/02, assim diz: Art É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família.

12 REGIME DE BENS ENTRE COMPANHEIROS Art Na união estável, salvo contrato escrito entre os companheiros, aplica-se às relações patrimoniais, no que couber, o regime da comunhão parcial de bens.

13 DIREITO SUCESSÓRIO Art A companheira ou o companheiro participará da sucessão do outro, quanto aos bens adquiridos onerosamente na vigência da união estável, nas condições seguintes: I - se concorrer com filhos comuns, terá direito a uma quota equivalente à que por lei for atribuída ao filho; II - se concorrer com descendentes só do autor da herança, tocar-lhe-á a metade do que couber a cada um daqueles;

14 REFLEXÕES OS REGRAMENTOS CONSTITUCIONAL E CIVIL SÃO SUFICIENTES PARA EVITAR OS PROBLEMAS PRÁTICOS JÁ SUSCITADOS? HÁ UM ESTADO CIVIL DE CONVIVENTE AINDA QUE A LEI NÃO SEJA EXPRESSA?

15 3. O QUE É O ESTADO CIVIL DA PESSOA? Estado civil: Nele se computam todos os estados da pessoa, considerados como as qualidades que lhe são inerentes e que a lei toma em consideração para lhe conferir efeitos jurídicos. De Plácido e Silva

16 CONCLUSÃO PARCIAL SE A LEI CONFERE EFEITOS JURÍDICOS À UNIÃO ESTÁVEL, ENTÃO HÁ UM ESTADO CIVIL DE CONVIVENTE

17 4. HÁ NECESSIDADE DE UMA LEI QUE DETERMINE A EXISTÊNCIA DO ESTADO CIVIL DE CONVIVENTE? PROJETO DE LEI 1.779/2003 Art. 1º Esta lei dispõe sobre o estado civil dos companheiros na união estável. Art. 2º O artigo da Lei nº , de 10 de Janeiro de 2002, que instituiu o Código Civil, passa a vigorar acrescido do seguinte 3º: Art º... 2º... 3º Os companheiros adotarão o estado civil de conviventes.

18 IMPORTÂNCIA DO PROJETO DE LEI 1.779/03 Facilitar a adaptação ao sistema registral brasileiro (sistema fechado) como forma de minimizar os prejuízos a terceiros de boa-fé e aos próprios conviventes. Facilitar na identificação do estado civil e seu real reconhecimento prático: a) Aspecto patrimonial b) Aspecto da dignidade da pessoa

19 5. COMO IDENTIFICAR O ESTADO DE CONVIVENTE? PROBLEMÁTICA 5.1. União estável declarada: judicial ou extrajudicialmente (contrato público ou particular) 5.2. União estável sem declaração

20 5.1. UNIÃO ESTÁVEL DECLARADA: REFLEXOS NOS REGISTROS PÚBLICOS NO REGISTRO CIVIL DE PESSOAS NATURAIS NO REGISTRO DE IMÓVEIS

21 NO REGISTRO CIVIL DE PESSOAS NATURAIS SITUAÇÃO ATUAL Lei dos Registros Públicos Art. 33. ( ) Parágrafo único. No cartório do 1º Ofício ou da 1ª subdivisão judiciária, em cada comarca, haverá outro livro para inscrição dos demais atos relativos ao estado civil, designado sob a letra "E", com cento e cinqüenta folhas, podendo o juiz competente, nas comarcas de grande movimento, autorizar o seu desdobramento, pela natureza dos atos que nele devam ser registrados, em livros especiais

22 NO REGISTRO CIVIL DE PESSOAS NATURAIS De lege ferenda (Proposta para alteração da lei) Lei dos Registros Públicos Art. 29. Serão registrados no registro civil de pessoas naturais: I - os nascimentos; II - os casamentos e as uniões estáveis; III - os óbitos; IV - as emancipações; V - as interdições; VI - as sentenças declaratórias de ausência; VII - as opções de nacionalidade; VIII - as sentenças que deferirem a legitimação adotiva.

23 NO REGISTRO CIVIL DE PESSOAS NATURAIS De lege ferenda (Proposta para alteração da lei) Lei dos Registros Públicos Art. 33 Haverá, em cada cartório, os seguintes livros, todos com 300 (trezentas) folhas cada um: I - "A" - de registro de nascimento; II - "B" - de registro de casamento e união estável; ( ) Ou a criação de um novo livro especial para as uniões estáveis inserido no artigo de referência aos livros.

24 NO REGISTRO DE IMÓVEIS SITUAÇÃO ATUAL Lei dos Registros Públicos Impossibilidade da averbação: considerando o sistema registral obedecendo ao número fechado. Possibilidade da averbação: considerando uma interpretação extensiva ao caso da união estável comparativamente às averbações relativas ao casamento.

25 NO REGISTRO DE IMÓVEIS De lege ferenda (Proposta para alteração da lei) Lei dos Registros Públicos Art No Registro de Imóveis, além da matrícula, serão feitos: (...) II A averbação: (...) 1a sugestão 24) Das sentenças, contratos ou escrituras públicas declaratórias de união estável;

26 NO REGISTRO DE IMÓVEIS De lege ferenda (Proposta para alteração da lei) Lei dos Registros Públicos Art No Registro de Imóveis, além da matrícula, serão feitos: (...) II A averbação: 2a sugestão (...) 24) Da existência de união estável; (com a apresentação da certidão do RCPN)

27 5.2. UNIÃO ESTÁVEL SEM DECLARAÇÃO União estável = união livre e informal por natureza Dificuldade de identificação Persistência dos problemas A lei facilitará a declaração do estado civil de convivente, mas continua a contar com a boa-fé na declaração do convivente.

28 CONCLUSÕES 1) Para que se tenha o estado civil de convivente será necessário o registro no RCPN? Não. O registro não será constitutivo. 2) Qual a finalidade do registro ou o papel do RCPN e do REGISTRO IMOBILIÁRIO? Incremento da proteção do terceiro de boa-fé e principalmente do próprio convivente.

29 OBRIGADO PELA ATENÇÃO Rodrigo Toscano de Brito (0xx83) (0xx83)

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