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1 y(7hb5g3*qltkks( +\!"!;!%!{! Preço 1,00. Número atrasado 2,00 L O S S E RVATOR E ROMANO EDIÇÃO SEMANAL Unicuique suum EM PORTUGUÊS Non praevalebunt Ano XLVI, número 38 (2.380) Cidade do Vaticano Quinta-feira 17 de Setembro de 2015 Na audiência Francisco concluiu as reflexões sobre a família e convidou a superar os lugares-comuns sobre a mulher O nó de ouro Pela iminente viagem saudou os cubanos e norte-americanos pedindo orações A família é a «comunidade humana fundamental e insubstituível»: afirmou o Papa na audiência geral de 16 de Setembro concluindo as reflexões sobre o tema do matrimónio e da vida familiar, na vigília de dois importantes encontros a ele dedicados: o Encontro mundial em Filadélfia e o Sínodo dos bispos no Vaticano. Ambas as assembleias explicou «têm uma importância que corresponde ao alcance universal» da família. E isto assume relevância particular na actual transição da civilização «marcada pelos efeitos de uma sociedade administrada pela tecnocracia económica» que subordina «a ética à lógica do lucro», dispondo «de meios ingentes e de apoio midiático enorme». Síno do e comunhão GI O VA N N I MARIA VIAN I nesperadamente, há meio século, Paulo VI instituía o Sínodo dos bispos, que ao longo destes anos se revelou progressivamente nos acontecimentos um precioso organismo de comunhão para o crescimento da Igreja universal. Era o dia 14 de Setembro de 1965, início do quarto e último período do concílio, e as águas não estavam tranquilas. Os trabalhos do Vaticano II tinham terminado no precedente mês de Novembro, com uma série de incidentes que levaram a falar de uma «semana negra». No entanto, as nuvens que se adensaram foram dissipadas nos meios de comunicação já no início de Dezembro, devido à viagem de Montini à Índia e depois, em Março, à primeira missa celebrada pelo Papa em italiano numa paróquia de Roma, com um apoio aberto à primeira reforma c o n c i l i a r. Contudo, muitos nós ainda deviam ser desfeitos para chegar à redacção definitiva e à aprovação da grande maioria dos documentos do Vaticano II: entre outros, sobre a Igreja no mundo contemporâneo, sobre o ecumenismo, sobre as relações com as grandes religiões e com o judaísmo, sobre a questão da liberdade religiosa. Convicta estava a minoria oposta à vontade de «actualização», indicada já por João XXIII na abertura do concílio e depois expressa No final da audiência o Papa pediu aos presentes para o acompanhar com a oração por ocasião da viagem apostólica a Cuba e aos Estados Unidos da América, que terá início no sábado 19, viagem que, afirmou, será «uma missão para a qual me preparo com grande esperança». O seu motivo principal «é o VIII Encontro Mundial das Famílias, que terá lugar em Filadélfia. Visitarei também a sede central da Onu, no 70 aniversário de instituição. Desde já saúdo com carinho os povos de Cuba e dos Eua que, guiados pelos seus Pastores, se prepararam espiritualmente. Peço a todos que me acompanhem com a oração, invocando a luz e a força do Espírito Santo e a intercessão de Maria Santíssima, Padroeira de Cuba como Virgem da Caridade do Cobre e Padroeira dos Estados Unidos de América como Imaculada Conceição». Precedentemente, no hall da Sala Paulo VI, o Pontífice encontrou-se com os ministros do Meio Ambiente da União europeia. Em vista «dos importantes eventos internacionais dos próximos meses», isto é, a adopção dos objectivos de desenvolvimento sustentável no final deste mês e a sucessiva Conferência sobre o clima em Paris, pediu-lhes que se inspirem em três princípios fundamentais: «solidariedade, participação». Acordos globais sobre o ambiente Grito da terra e dos pobres justiça e PÁGINA 20 PÁGINA 9 Mensagem do Papa para o Dia mundial do doente Como os servos anónimos de Caná Janick Lederle, «Família peruviana» Participantes no Sínodo dos Bispo Vocação e missão na família Foi publicada a lista definitiva dos participantes na décima quarta Assembleia geral ordinária do Sínodo dos bispos que terá lugar de 4 a 25 de Outubro, no Vaticano. Os prelados serão chamados a debater sobre o tema «A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo». A cada uma das três semanas será dedicado um argumento específico: Steve Mbatia, «Em bicicleta» «A escuta: o contexto e os desafios sobre a família»; «O olhar sobre Cristo: o Evangelho da família» e «O confronto: perspectivas pastorais». Juntamente com a lista dos padres sinodais (www.vatican.va) foi publicada também a de todos os demais participantes que serão coordenados pelo secretário-geral, cardeal Lorenzo Baldisseri. Na Terra Santa «cada hospital ou casa de cura pode ser sinal visível e lugar para promover a cultura do encontro e da paz, onde a experiência da doença e da tribulação, bem como a ajuda profissional e fraterna» podem contribuir «para superar qualquer barreira e divisão». Escreveu o Papa na mensagem para o vigésimo quarto Dia mundial do doente que será celebrado em Nazaré. Entrevista à Rádio Renascença Que a Europa volte a ser mãe AURA MIGUEL NAS PÁGINAS 10 A 13 Conversa na Rádio Milenium Amigo v e rd a d e i ro CO N T I N UA NA PÁGINA 18 Daniel Mitsui, «Bodas de Caná» PÁGINA 3 MARCELO FIGUEROA NA PÁGINA 14

2 página 2 L OSSERVATORE ROMANO quinta-feira 17 de Setembro de 2015, número 38 Às Equipes de Nossa Senhora o Papa pediu para ser testemunhas da misericórdia Próximos das famílias feridas O convite a estar «próximos das famílias feridas», testemunhando a misericórdia de Deus «para com as pessoas cujo matrimónio fracassou», foi dirigido pelo Papa aos participantes no encontro mundial das Equipes de Nossa Senhora, recebidos em audiência na manhã de quinta-feira 10 de Setembro, na Sala Clementina. Sinto-me feliz por vos receber, queridos responsáveis e conselheiros espirituais das Equipes de Nossa Senhora, por ocasião do vosso encontro mundial. Este encontro que tenho a alegria de viver convosco precede de algumas semanas o Sínodo dos Bispos que eu quis reunir em Roma, para que a Igreja reflicta com atenção cada vez maior sobre o que vivem as famílias, células vitais das nossas sociedades e da Igreja, e que se encontram, como sabeis, ameaçadas neste difícil contexto cultural. Nesta circunstância peço-vos, assim como a todos os casais das vossas equipes, que rezeis com fé e fervor pelos Padres sinodais e por mim. É claro que um movimento de espiritualidade conjugal como o vosso se insere plenamente no âmbito do cuidado que a Igreja pretende ter com as famílias, e fá-lo quer promovendo a maturação dos casais que participam nas vossas equipes, quer com o apoio fraterno dado aos outros casais para junto dos quais eles são enviados. E com efeito, gostaria de insistir sobre este papel missionário das Equipes de Nossa Senhora. Cada casal comprometido recebe certamente muito de quanto vive na própria equipe, e a sua vida conjugal aprofunda-se e aperfeiçoa-se graças à espiritualidade do movimento. Mas, depois de ter recebido de Cristo e da Igreja, o cristão é irresistivelmente enviado para fora a fim de testemunhar e transmitir aquilo que recebeu. «A nova evangelização deve implicar um novo protagonismo de cada um dos baptizados» (Ex. ap. Evangelii gaudium, 120). Os casais e as famílias cristãs encontram-se muitas vezes nas melhores condições para anunciar Jesus Cristo às outras famílias, para as apoiar, fortalecer e encorajar. Aquilo que viveis no casal e na família acompanhado pelo carisma próprio do vosso movimento esta alegria profunda e insubstituível que o Senhor vos faz experimentar na intimidade doméstica entre as alegrias e as dores, na felicidade da presença do vosso cônjuge, no crescimento das vossas crianças, na fecundidade humana e espiritual que Ele vos concede, tudo isto deve ser testemunhado, anunciado, comunicado fora para que outros, por sua vez, sigam este caminho. Portanto encorajo, em primeiro lugar, todos os casais a pôr em prática e a viver em profundidade, com constância e perseverança, a espiritualidade que as Equipes de Nossa Senhora seguem. Considero que os «pontos concretos de compromisso» propostos são deveras ajudas eficazes que permitem que os casais progridam com confiança na vida conjugal pelo caminho do Evangelho. Penso em particular na oração de casal e em família, bonita e necessária tradição que sempre apoiou a fé e a esperança dos cristãos, infelizmente abandonada em tantas regiões do mundo; penso também no tempo do diálogo mensal proposto entre esposos o famoso e importante «dever de sentar-se» que vai assim contracorrente em relação aos costumes do mundo frenético e agitado, impregnado de individualismo momento de intercâmbio vivido na verdade sob o olhar do Senhor, que é um tempo precioso de agradecimento, de perdão, de respeito recíproco e de atenção ao outro; penso por fim na participação fiel numa vida de equipe, que dá a cada um a riqueza do ensinamento e da partilha, assim como a ajuda e o conforto da amizade. A este propósito, friso a fecundidade recíproca deste encontro vivido com o sacerdote acompanhador. Agradeçovos, queridos casais das Equipes de Nossa Senhora, porque sois um apoio casais em 81 países Um movimento laical internacional que conta doze mil e quinhentas equipes em 81 países em todo o mundo, com cerca de sessenta e três mil casais e duas mil e quinhentas pessoas entre viúvos e viúvas, e é assistido espiritualmente por mais de oito mil sacerdotes: ao saudar o Papa Francisco, José e Maria Berta Moura casal responsável internacional das Equipes de Nossa Senhora fotografaram a realidade do movimento nascido no final dos anos trinta do século passado por iniciativa do padre Henri Caffarel, que desta maneira respondeu à exigência de quatro casais jovens de viver o seu amor à luz da fé. Os cônjuges ofereceram ao Sumo Pontífice um volume no qual se narra toda a experiência do movimento e se ilustram os pontos fundamentais que o orientam no seu compromisso de «fortalecer a família à luz do Evangelho». e um encorajamento no ministério dos vossos sacerdotes que encontram sempre, no contacto com as vossas equipes e com as vossas famílias, alegria sacerdotal, presença fraterna, equilíbrio afectivo e paternidade espiritual. Em segundo lugar convido os casais, fortalecidos pelo encontro em equipe, ao compromisso missionário. Esta missão que lhes está confiada é muito importante porque a imagem da família como Deus a quer, composta por um homem e uma mulher em vista do bem dos cônjuges e também da geração e da educação dos filhos é deformada mediante poderosos projectos contrários, apoiados por colonizações ideológicas. Sem dúvida, já sois missionários mediante a irradiação da vossa vida de família em relação aos vossos âmbitos de amizade e de relações, e também além. Com efeito, uma família feliz, equilibrada, habitada pela presença de Deus fala por si mesma do amor de Deus por todos os homens. Mas convido-vos também a comprometer-vos, se for possível, de modo cada vez mais concreto e com criatividade sempre renovada, nas actividades que podem ser organizadas para acolher, formar e acompanhar na fé particularmente os jovens casais, antes e depois do matrimónio. Exorto-vos também a continuar a estar próximos das famílias feridas, que hoje são tão numerosas, devido à falta de trabalho, à pobreza, a um problema de saúde, a um luto, à preocupação causada por uma criança, ao desequilíbrio provocado por uma distância ou uma ausência, a um clima de violência. Devemos ter a coragem de entrar em contacto com estas famílias, de modo discreto mas generoso, material, humana ou espiritualmente, nas circunstâncias em que são vulneráveis. Por fim, não posso deixar de encorajar os casais das Equipes de Nossa Senhora a serem instrumentos da misericórdia de Cristo e da Igreja para com as pessoas cujo matrimónio fracassou. Nunca esqueçais que a vossa fidelidade conjugal é um dom de Deus, e que todos nós recebemos misericórdia. Um casal unido e feliz pode compreender melhor do que qualquer outro, a partir de dentro, a ferida e o sofrimento que causam um abandono, uma traição, uma falência do amor. Por conseguinte, é necessário que possais contribuir com o vosso testemunho e a vossa experiência para ajudar as comunidades cristãs a discernir as situações concretas destas pessoas, a acolhê-las com as suas feridas e a ajudá-las a caminhar na fé e na verdade, sob o olhar de Cristo Bom Pastor, para participar de maneira apropriada na vida da Igreja. Não esqueçais também o sofrimento indizível das crianças que vivem estas dolorosas situações familiares: a elas podeis dar muito. Queridas Equipes de Nossa Senhora, renovo-vos a minha confiança e o meu encorajamento. Dado que a causa de beatificação do vosso fundador, Padre Enrico Caffarel, chegou a Roma, rezo para que o Espírito Santo ilumine a Igreja no julgamento que a seu tempo deverá proferir a este propósito. Confio os vossos casais à protecção da Virgem Maria e de são José, e concedo-vos de coração a Bênção Apostólica. L OSSERVATORE ROMANO EDIÇÃO SEMANAL Unicuique suum EM PORTUGUÊS Non praevalebunt Cidade do Vaticano ed.p w w w. o s s e r v a t o re ro m a n o.v a GI O VA N N I MARIA VIAN d i re c t o r Giuseppe Fiorentino v i c e - d i re c t o r Redacção via del Pellegrino, Cidade do Vaticano telefone fax TIPO GRAFIA VAT I C A N A EDITRICE L OS S E R VAT O R E ROMANO don Sergio Pellini S.D.B. d i re c t o r - g e r a l Serviço fotográfico telefone fax p h o t o s s ro m.v a Assinaturas: Itália - Vaticano: 58.00; Europa: U.S. $ ; América Latina, África, Ásia: U.S. $ ; América do Norte, Oceânia: U.S. $ Administração: telefone ; fax ; assin a t u r a o s s ro m.v a Para o Brasil: Impressão, Distribuição e Administração: Editora santuário, televendas: , fax: , Publicidade Il Sole 24 Ore S.p.A, System Comunicazione Pubblicitaria, Via Monte Rosa, 91, Milano,

3 número 38, quinta-feira 17 de Setembro de 2015 L OSSERVATORE ROMANO página 3 Mensagem do Papa Francisco para o Dia mundial do doente que será celebrado em Nazaré Como os servos anónimos de Caná Os hospitais ou casas de cura na Terra Santa podem ser lugar de encontro e de paz Na Terra Santa «cada hospital ou casa de cura pode ser sinal visível e lugar para promover a cultura do encontro e da paz, onde a experiência da doença e da tribulação, bem como a ajuda profissional e fraterna contribuam para superar qualquer barreira e divisão». Escreveu o Papa Francisco na mensagem para o vigésimo quarto Dia mundial do doente que será celebrado em Nazaré. Confiar em Jesus misericordioso como Maria: «Fazei o que Ele vos disser»(jo 2, 5) Amados irmãos e irmãs! O XXIV D ia Mundial do Doente dáme ocasião para me sentir particularmente próximo de vós, queridas pessoas doentes, e de quantos cuidam de vós. Dado que o referido Dia vai ser celebrado de maneira solene na Terra Santa, proponho que, neste ano, se medite a narração evangélica das bodas de Caná (Jo 2, 1-11), onde Jesus realizou o primeiro milagre a pedido de sua Mãe. O tema escolhido Confiar em Jesus misericordioso, como Maria: «Fazei o que Ele vos disser» (Jo 2, 5) insere-se muito bem no âmbito do Jubileu Extraordinário da Misericórdia. A celebração eucarística central do Dia terá lugar a 11 de Fevereiro de 2016, memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes, e precisamente em Nazaré, onde «o Verbo Se fez homem e veio habitar connosco» (Jo 1, 14). Em Nazaré, Jesus deu início à sua missão salvífica, aplicando a Si mesmo as palavras do profeta Isaías, como nos refere o evangelista Lucas: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa Nova aos pobres; enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos, a proclamar um ano favorável da parte do Senhor» (4, 18-19). A doença, sobretudo se grave, põe sempre em crise a existência humana e suscita interrogações que nos atingem em profundidade. Por vezes, o primeiro momento pode ser de rebelião: Porque havia de acontecer precisamente a mim? Podemos sentirnos desesperados, pensar que tudo está perdido, que já nada tem sentido... Nestas situações, a fé em Deus se, por um lado, é posta à prova, por outro, revela toda a sua força positiva; e não porque faça desaparecer a doença, a tribulação ou as interrogações que daí derivam, mas porque nos dá uma chave para podermos descobrir o sentido mais profundo daquilo que estamos a viver; uma chave que nos ajuda a ver como a doença pode ser o caminho para chegar a uma proximidade mais estreita com Jesus, que caminha ao nosso lado, carregando a Cruz. E esta chave é-nos entregue pela Mãe, Maria, perita deste caminho. Nas bodas de Caná, Maria é a mulher solícita que se apercebe de um problema muito importante para os esposos: acabou o vinho, símbolo da alegria da festa. Maria dá-se conta da dificuldade, de certa maneira assume-a e, com discrição, age sem demora. Não fica a olhar e, muito menos, se demora a fazer juízos, mas dirige-se a Jesus e apresenta-lhe o problema como é: «Não têm vinho» (Jo 2, 3). E quando Jesus Lhe faz notar que ainda não chegou o momento de revelar-se (cf. v. 4), Maria diz aos serventes: «Fazei o que Ele vos disser» (v. 5). Então Jesus realiza o milagre, transformando uma grande quantidade de água em vinho, um vinho que logo se revela o melhor de toda a festa. Que ensinamento podemos tirar, para o Dia Mundial do Doente, do mistério das bodas de Caná? O banquete das bodas de Caná é um ícone da Igreja: no centro, está Jesus misericordioso que realiza o sinal; em redor d Ele, os discípulos, as primícias da nova comunidade; e, perto de Jesus e dos seus discípulos, está Maria, Mãe providente e orante. Maria participa na alegria do povo comum, e contribui para a aumentar; intercede junto de seu Filho a bem dos esposos e de todos os convidados. E Jesus não rejeitou o pedido de sua Mãe. Quanta esperança há neste acontecimento para todos nós! Temos uma Mãe de olhar vigilante e bom, como seu Filho; o coração materno e repleto de misericórdia, como Ele; as mãos que desejam ajudar, como as mãos de Jesus que dividiam o pão para quem tinha fome, que tocavam os doentes e os curavam. Isto enche-nos de confiança, fazendo-nos abrir à graça e à misericórdia de Cristo. A intercessão de Maria faz-nos experimentar a consolação, pela qual o apóstolo Paulo bendiz a Deus: «Bendito seja Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação! Ele nos consola em toda a nossa tribulação, para que também nós possamos consolar aqueles que estão em qualquer tribulação, mediante a consolação que nós mesmos recebemos de Deus. Na verdade, assim como abundam em nós os sofrimentos de Cristo, também, por meio de Cristo, é abundante a nossa consolação» (2 Cor 1, 3-5). Maria é a Mãe «consolada», que consola os seus filhos. Em Caná, manifestam-se os traços distintivos de Jesus e da sua missão: é Aquele que socorre quem está em dificuldade e passa necessidade. Com efeito, no seu ministério messiânico, curará a muitos de doenças, enfermidades e espíritos malignos, Marko Ivan Rupnik, «Bodas de Caná» dará vista aos cegos, fará caminhar os coxos, restituirá saúde e dignidade aos leprosos, ressuscitará os mortos, e aos pobres anunciará a boa nova (cf. Lc 7, 21-22). E, durante o festim nupcial, o pedido de Maria sugerido pelo Espírito Santo ao seu coração materno fez revelar-se não só o poder messiânico de Jesus, mas também a sua misericórdia. Na solicitude de Maria, reflecte-se a ternura de Deus. E a mesma ternura torna-se presente na vida de tantas pessoas que acompanham os doentes e sabem individuar as suas necessidades, mesmo as mais subtis, porque vêem com um olhar cheio de amor. Quantas vezes uma mãe à cabeceira do filho doente, ou um filho que cuida do seu progenitor idoso, ou um neto que acompanha o avô ou a avó, depõe a sua súplica nas mãos de Nossa Senhora! Para nossos familiares doentes, pedimos, em primeiro lugar, a saúde; o próprio Jesus manifestou a presença do Reino de Deus precisamente através das curas. «Ide contar a João o que vedes e ouvis: os cegos vêem e os coxos andam; os leprosos ficam limpos e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam» (Mt 11, 4-5). Mas o amor, animado pela fé, leva-nos a pedir, para eles, algo maior do que a saúde física: pedimos uma paz, uma serenidade da vida que parte do coração e que é dom de Deus, fruto do Espírito Santo que o Pai nunca nega a quantos lho pedem com confiança. No episódio de Caná, além de Jesus e sua Mãe, temos aqueles que são chamados «serventes» e que d Ela recebem esta recomendação: «Fazei o que Ele vos disser» (Jo 2, 5). Naturalmente, o milagre dá-se por obra de Cristo; contudo Ele quer servir-se da ajuda humana para realizar o prodígio. Poderia ter feito aparecer o vinho directamente nas vasilhas. Mas quer valer-se da colaboração humana e pede aos serventes que as encham de água. Como é precioso e agradável aos olhos de Deus ser serventes dos outros! Mais do que qualquer outra coisa, é isto que nos faz semelhantes a Jesus, que «não veio para ser servido, mas para servir» (Mc 10, 45). Aqueles personagens anónimos do Evangelho dão-nos uma grande lição. Não só obedecem, mas fazem-no generosamente: enchem as vasilhas até cima (cf. Jo 2, 7). Confiam na Mãe, fazendo, imediatamente e bem, o que lhes é pedido, sem lamentos nem cálculos. Neste Dia Mundial do Doente, podemos pedir a Jesus misericordioso, pela intercessão de Maria, Mãe d Ele e nossa, que nos conceda a todos a mesma disponibilidade ao serviço dos necessitados e, concretamente, dos nossos irmãos e irmãs doentes. Por vezes, este serviço pode ser cansativo, pesado, mas tenhamos a certeza de que o Senhor não deixará de transformar o nosso esforço humano em algo de divino. Também nós podemos ser mãos, braços, corações que ajudam a Deus a realizar os seus prodígios, muitas vezes escondidos. Também nós, sãos ou doentes, podemos oferecer as nossas canseiras e sofrimentos como aquela água que encheu as vasilhas nas bodas de Caná e foi transformada no vinho melhor. Tanto com a ajuda discreta de quem sofre, como suportando a doença, carrega-se aos ombros a cruz de cada dia e segue-se o Mestre (cf. Lc 9, 23); e, embora o encontro com o sofrimento seja sempre um mistério, Jesus ajuda-nos a desvendar o seu sentido. Se soubermos seguir a voz d Aquela que recomenda, a nós tam- CO N T I N UA NA PÁGINA 4

4 página 4 L OSSERVATORE ROMANO quinta-feira 17 de Setembro de 2015, número 38 Uso solidário do dinheiro e luta contra a corrupção A união faz a força «Promover o uso solidário do dinheiro, segundo o estilo da verdadeira cooperativa, onde não é o capital que comanda os homens, mas os homens o capital», exortou o Papa Francisco durante a audiência concedida, na manhã de 12 de Setembro na sala Paulo VI, aos funcionários e membros do conselho de administração do Banco de crédito cooperativo de Roma, por ocasião do sexagésimo aniversário de fundação. O Pontífice indicou os fundamentos para «humanizar a economia» e para alcançar a verdadeira «economia da honestidade», que se deve tornar uma luta contra a corrupção. Em seguida, o conteúdo do discurso do Santo Padre nessa circunstância. Caros irmãos e irmãs bom dia e bem-vindos! Saúdo e agradeço ao Presidente, aos componentes do Conselho de Administração, aos sócios cooperadores, aos funcionários e aos numerosos familiares presentes. No passado mês de Fevereiro encontrei-me com os representantes da Confederação das Cooperativas Italianas e da «Federcasse»; e hoje encontro-me convosco, no sexagésimo aniversário de fundação do vosso Banco de Crédito Co op erativo. O motivo destes encontros é que a Igreja conhece muito bem o valor das cooperativas. Na origem de muitas delas há sacerdotes, fiéis leigos comprometidos e comunidades animadas pelo espírito de solidariedade cristã. E este «movimento» nunca se esgotou. Nos documentos sociais da Igreja são frequentes as referências às cooperativas. Inclusive na Encíclica Laudato si frisei o seu valor no campo das energias renováveis e na agricultura (cf. nn ). Gostaria de retomar convosco algumas exortações que, em Fevereiro, dirigi a toda a Confederação. Recordo-as agora de forma resumida. Primeira. Continuar a ser um motor que desenvolve a parte mais frágil das comunidades locais e da sociedade civil, pensando sobretudo nos jovens desempregados e apostando na criação de novas empresas co op erativas. Segunda. Ser protagonistas, propondo e realizando novas solu- CO N T I N UA Ç Ã O DA PÁGINA 3 empresa; mas não é este o desafio mais importante. O desafio mais relevante consiste em crescer, continuando a ser uma verdadeira cooperativa, aliás, tornando-se ainda mais cooperativa. Nisto consiste o verdadeiro desafio, o que significa favorecer a participação concreta dos sócios. Trabalhar em conjunto, agir a favor do próximo. Naturalmente, a gestão salutar e prudente é válida sempre e para toções de welfare, a partir do campo da assistência à saúde. Terceira. Preocupar-se com a relação entre economia e justiça social, mantendo no centro a dignidade e o valor das pessoas. No centro deve estar sempre a pessoa, não o deus d i n h e i ro. Quarta. Facilitar e encorajar a vida das famílias, propondo soluções cooperativas e assistenciais para a gestão dos bens comuns, que não podem tornar-se propriedade de poucos, nem sequer objecto de especulação. Quinta. Promover o uso solidário e social do dinheiro, segundo o estilo da verdadeira cooperativa, onde não é o capital que comanda os homens, mas os homens o capital. Sexta. Como fruto de tudo isto, fazer com que se desenvolva a economia da honestidade. Economia da honestidade, nesta época em que o ar da corrupção chega a toda a parte. De vós pede-se não apenas que sejais honestos isto é normal! mas que propagueis e radiqueis a honestidade em todo o ambiente. Luta contra a corrupção! Sétima. Finalmente, participar de maneira concreta na globalização, a fim de que seja uma globalização da solidariedade. Cada cooperativa é chamada a aplicar estas linhas à sua missão específica. Vós sois uma cooperativa de crédito e representais o maior Banco de Crédito Cooperativo da Itália. E pode acontecer que uma cooperativa se torne uma grande Mensagem para o Dia mundial do doente bém, «fazei o que Ele vos disser», Jesus transformará sempre a água da nossa vida em vinho apreciado. Assim, este Dia Mundial do Doente, celebrada solenemente na Terra Santa, ajudará a tornar realidade os votos que formulei na Bula de proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia: «Possa este Ano Jubilar, vivido na misericórdia, favorecer o encontro com [o judaísmo e o islamismo] e com as outras nobres tradições religiosas; que ele nos torne mais abertos ao diálogo, para melhor nos conhecermos e compreendermos; elimine todas as formas de fechamento e desprezo e expulse todas as formas de violência e discriminação» (M i s e r i c o rd i a e Vu l t u s, 23). Cada hospital ou casa de cura pode ser sinal visível e lugar para promover a cultura do encontro e da paz, onde a experiência da doença e da tribulação, bem como a ajuda profissional e fraterna contribuam para superar qualquer barreira e divisão. Exemplo disto são as duas Irmãs canonizadas no passado mês de Maio: Santa Maria Alfonsina Danil Ghattas e Santa Maria de Jesus Crucificado Baouardy, ambas filhas da Terra Santa. A primeira foi uma testemunha de mansidão e unidade, dando claro testemunho de como é importante tornarmo-nos responsáveis uns pelos outros, vivermos ao serviço uns dos outros. A segunda, mulher humilde e analfabeta, foi dócil ao Espírito Santo, tornandose instrumento de encontro com o mundo muçulmano. A todos aqueles que estão ao serviço dos doentes e atribulados, desejo que vivam animados pelo espírito de Maria, Mãe da Misericórdia. «A doçura do seu olhar nos acompanhe neste Ano Santo, para podermos todos nós redescobrir a alegria da ternura de Deus» (ibid., 24) e levá-la impressa nos nossos corações e nos nossos gestos. Confiamos à intercessão da Virgem as ânsias e tribulações, juntamente com as alegrias e consolações, dirigindolhe a nossa oração para que Ela pouse sobre nós o seu olhar misericordioso, especialmente nos momentos de sofrimento, e nos torne dignos de contemplar, hoje e para sempre, o Rosto da misericórdia que é seu Filho Jesus. Acompanho esta súplica por todos vós com a minha Bênção Apostólica. Vaticano, 15 de Setembro Memória de Nossa Senhora das Dores do ano dos. Administrar um banco é uma profissão delicada, que exige grande rigor. No entanto, um banco cooperativo deve possuir algo mais: esforçar-se por humanizar a economia, vinculando a eficácia à solidariedade. E na doutrina social existe outro termo importante: a palavra «subsidiariedade». Como bancos de crédito cooperativo, vós pusestes em prática a subsidiariedade quando enfrentastes as dificuldades da crise com os vossos próprios meios, unindo as forças, mas não em detrimento do próximo. É nisto que consiste a subsidiariedade: em não ser um peso para as instituições, e portanto nem sequer para o país, quando for possível enfrentar as problemáticas com as próprias forças, de maneira responsável. Por conseguinte, é importante que caminheis em frente pela vereda da integração dos bancos de crédito cooperativo na Itália. E não apenas porque, como se diz, a união faz a força, mas porque é necessário apostar mais alto, ampliar o horizonte. Falaram-me sobre os importantes recursos que destinais à beneficência e à assistência. Isto é típico das boas cooperativas. Encorajo-vos também a interessar-vos pelo modo como a renda é produzida e a prestar atenção a fim de manter sempre no centro as pessoas, os jovens e as famílias. Na origem das Caixas rurais desejava-se que a cooperativa de crédito pudesse estimular outras iniciativas de cooperação. Este espírito permanece válido. O Banco de Crédito Cooperativo pode ser o núcleo em volta do qual se ramifica uma grande rede para fazer nascer empresas que criem empregos: há muitas pessoas sem trabalho... Empresas que criem empregos para ir ao encontro das famílias, para poder beneficiar do microcrédito e outros modos de humanizar a economia, mas principalmente para dar a oportunidade a fim de que cada homem e cada mulher tenham dignidade, aquela dignidade que o trabalho proporciona! Encorajo-vos a participar concreta e generosamente na vida de todo o movimento cooperativo. Vós sois o BCC de Roma, mas sei que o vosso raio de acção se propaga no Lácio e inclusive nos Abruzos. Em todo este território podeis levar a cabo a missão do crédito cooperativo com fidelidade e criatividade. Desejo que o façais com coerência e com a alegria que vem do trabalho em prol do bem comum. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos acompanhe. E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim!

5 número 38, quinta-feira 17 de Setembro de 2015 L OSSERVATORE ROMANO página 5 Henry Ossawa Tanner «O bom Pastor» Em busca dos desiludidos e dos distantes para abrir «uma fresta» no muro da indiferença: foi a missão confiada pelo Santo Padre aos prelados ordenados durante o ano, que participaram num encontro promovido pela Congregação para os bispos e pela Congregação para as Igrejas orientais, e foram recebidos em audiência por Francisco na manhã de 10 de Setembro, na sala Clementina. Em seguida, as palavras proferidas pelo Pontífice. Caríssimos Irmãos no Episcopado A paz esteja convosco! No contexto destes dias de aprofundamento e partilha, promovidos pela Congregação para os Bispos e pela Congregação para as Igrejas Orientais, sinto-me feliz por vos poder saudar com as mesmas palavras de saudação que Cristo Ressuscitado dirigiu aos discípulos no Cenáculo, na noite do «dia depois do sábado» (cf. Jo 20, 19-23). Tendo passado definitivamente a noite da cruz e também o tempo do silêncio de Deus, o Ressuscitado chegou atravessando as portas dos temores dos discípulos, deteve-se no meio deles, mostrou-lhes os sinais do seu sacrifício de amor, confiou-lhes a missão por Ele recebida do Pai e soprou sobre eles o Espírito Santo a fim de que dispensassem no mundo o perdão e a misericórdia do Pai, fruto das primícias da sua paixão. Então, os seus discípulos voltaram a encontrar-se a si mesmos. Durante um intervalo breve mas obscuro, deixaram-se dispersar pelo escândalo da cruz: confusos, envergonhados pela própria debilidade, esqueceramse da sua identidade de seguidores do Senhor. Agora, ver a face do Ressuscitado recompõe os fragmentos das suas vidas. Reconhecer a sua voz leva-os a recuperar aquela paz que faltava nos seus corações deste que o tinham abandonado. Despertados pelo Sopro dos seus lábios, agora compreendem que a missão recebida não os poderá esmagar. Sois Bispos da Igreja, recentemente chamados e consagrados. Viestes de um encontro irrepetível com o Ressuscitado. Atravessando os muros da vossa impotência, Ele alcançou-vos com a sua presença. Não obstante conhecesse as vossas negações e abandonos, as vossas fugas e traições. No entanto, Ele chegou no Sacramento da Igreja e soprou sobre vós. Trata-se de um sopro que deveis preservar, um sopro que transtorna a vida (que nunca mais será como antes), embora tranquilize e console como uma brisa leve, da qual não é possível apoderar-se. Peço-vos que não domestiqueis este poder, mas que o deixeis transtornar continuamente a vossa vida. Bispos testemunhas do Ressuscitado Aos bispos o Papa pediu que vão ao encontro dos distantes Fre s t a s nos muros Portanto, sois testemunhas do Ressuscitado. Esta é a vossa tarefa primordial e insubstituível. Não se trata do discurso adocicado dos fracos e dos perdedores, mas da única riqueza que a Igreja transmite, não obstante o faça mediante mãos frágeis. Foi-vos confiada a pregação da realidade que sustenta todo o edifício da Igreja: Jesus ressuscitou! Aquele que subordinou a sua vida ao amor, não podia permanecer na morte. Deus Pai ressuscitou Jesus! E também nós havemos de ressuscitar com Cristo! Não se trata de uma proclamação óbvia nem fácil. O mundo sente-se muito feliz com o seu presente, pelo menos em aparência, com o facto de conseguir assegurar aquilo que lhe parece útil para sufocar a interrogação sobre o que é definitivo. Os homens vivem deveras esquecidos da eternidade enquanto, distraídos e absorvidos, administram a existência adiando o porvir. Muitas pessoas resignaram-se tacitamente ao hábito de navegar à vista, a tal ponto que chegaram a remover a própria realidade do porto que os aguarda. Numerosas pessoas vivem tão arrebatadas pelo cálculo cínico da própria sobrevivência, que já se tornaram indiferentes e, muitas vezes, impermeáveis à própria possibilidade da vida eterna. E no entanto, assaltam-nos questões cujas respostas só podem derivar do futuro definitivo. Com efeito, são tão comprometedoras que não saberíamos como responder, excluindo aquele «dia depois do sábado», prescindindo do horizonte da eternidade que ele nos abre e limitandonos à lógica amputada do fechamento presente, no qual permanecem aprisionados sem a luz daquele dia. Como poderíamos enfrentar o presente deplorável, se esmorecesse em nós o sentido de pertença à comunidade do Ressuscitado? Como poderíamos oferecer ao mundo aquilo que temos de mais inestimável? Seríamos capazes de recordar a nobreza do destino humano, se definhasse em nós a coragem de subordinar a nossa vida ao amor que nunca morre? Penso nos desafios dramáticos, como a globalização que aproxima aquilo que está distante mas, por outro lado, separa quantos estão próximos; penso no fenómeno histórico das migrações, que transtorna os nossos dias; penso no ambiente natural, jardim que Deus ofereceu como habitação ao ser humano e às outras criaturas, e que continua a ser ameaçado pela exploração míope e muitas vezes predatória; penso na dignidade e no futuro do trabalho do homem, dos quais estão desprovidos gerações inteiras, reduzidas a estatísticas; penso na desertificação dos relacionamentos, na desresponsabilização difundida, no desinteresse pelo porvir, no fechamento crescente e assustador; na perdição de tantos jovens e na solidão de numerosas pessoas idosas. Estou convicto de que cada um de vós poderia completar este catálogo de problemáticas. Não gostaria de me concentrar nesta agenda de tarefas, porque não tenciono amedrontar-vos, amedrontar-me. Ainda estais em lua de mel! Como Bispo de Roma que, depois de um discernimento difícil, prestou a sua ténue voz para que o Ressuscitado vos agregasse ao Colégio episcopal, só faço questão de vos confiar, mais uma vez, ao júbilo do Evangelho. Os discípulos alegraram-se ao encontrar redivivo o «Pastor que aceitou morrer pelo seu rebanho». Alegraivos também vós, enquanto vos despendeis em prol das vossas Igrejas particulares. Não deixeis que vos roubem semelhante tesouro! Recordai-vos sempre que é o Evangelho que vos preserva, e por conseguinte não tenhais medo de ir a lugar algum, nem de vos dedicardes a quantos o Senhor vos confiar! Como tive a oportunidade de aprofundar na Evangelii gaudium, nenhum âmbito da vida dos homens deve ser excluído do interesse do coração do Pastor (cf. nn ; Redemptoris missio, 33). Afastai-vos do risco de descuidar as múltiplas e singulares realidades da vossa grei; não renuncieis aos encontros; não poupeis a pregação da Palavra viva do Senhor; e convidai todos para a missão. Bispos pedagogos, guias espirituais e catequistas Para quantos são de casa, frequentam as vossas comunidades e recebem a Eucaristia, convido-vos a ser Bispos pedagogos, guias espirituais e catequistas, capazes de lhes pegar pela mão e de subir com eles ao Ta b o r (cf. Lc 9, 28-36), guiando-os ao conhecimento do mistério que professam, ao esplendor do rosto divino escondido na Palavra que talvez indolentemente se habituaram a ouvir sem compreender o seu poder. Para quantos já caminham convosco, procurai lugares e montai tendas nas quais o Ressuscitado possa revelar o seu fulgor. Não poupeis energias para os acompanhar na subida. Não deixeis que se resignem à planície. Removei com delicadeza e atenção a cera que lentamente se deposita nos seus ouvidos, impedindo que escutem a Deus que afirma: Este é o meu Filho muito amado, nele pus toda a minha complacência (cf. Mt 17, 5). É a alegria que conquista, encanta, arrebata. Sem alegria o cristianismo perece de cansaço, de puro cansaço. Prestai atenção aos vossos sacerdotes, a fim de que despertem este encanto de Deus nas pessoas, de forma que tenham sempre a vontade de permanecer na sua presença, sinta saudades da sua companhia e só deseje voltar a estar à sua frente. São demasiadas as palavras vazias que afastam os homens de si próprios, relegados no efémero e limitados ao provisório. Tende a certeza de que é Jesus, o amado de Deus, o alimento sólido que deve ser continuamente ruminado e assimilado. Bispos mistagogos Em segundo lugar eu recordei «as pessoas baptizadas que, contudo, não vivem as exigências do Baptismo». Talvez por demasiado tempo se tenha pressuposto que a terra, na qual caiu a semente do Evangelho, não tivesse necessidade de cuidados. Alguns afastaram-se porque decepcionados em relação às promessas da fé, ou porque o caminho para as alcançar é demasiado exigente. Não poucos saíram batendo a porta, censurando as nossas debilidades e procurando contudo sem conseguir completamente convencer-se de que se tinham deixado enganar por expectativas em última análise desmentidas. Sede Bispos capazes de impedir o seu caminho; também vós deveis tornar-vos peregrinos aparentemente perdidos (cf. Lc 24, 13-35), perguntar o que aconteceu na Jerusalém da sua vida e, discretamente, deixar desaba- CO N T I N UA NA PÁGINA 6

6 página 6 L OSSERVATORE ROMANO quinta-feira 17 de Setembro de 2015, número 38 No Angelus os votos de que os problemas do trabalho sejam enfrentados tendo em consideração a família Rejeitar a mundanidade Um convite a seguir Jesus no seu «caminho desconfortável que não é o do sucesso, da glória passageira, mas aquele que nos liberta do egoísmo» foi dirigido pelo Papa Francisco aos fiéis presentes no Angelus de domingo, 13 de Setembro, na praça de São Pedro. «Trata-se explicou de recusar abertamente aquela mentalidade mundana que põe o «eu» e os próprios interesses no centro da existência». Amados irmãos, bom dia! O Evangelho de hoje apresenta-nos Jesus que, a caminho para Cesareia de Filipe, pergunta aos discípulos: «Quem dizem os homens que Eu sou?» (Mc 8, 27). Eles respondem aquilo que o povo dizia: alguns consideravam-no João Baptista renascido, outros, Elias ou um dos grandes Profetas. O povo estimava Jesus, considerava-o um «enviado de Deus», mas ainda não conseguia reconhecê-lo como o Messias, aquele Messias prenunciado e esperado por todos. Jesus olha para os apóstolos e pergunta de novo: «Mas vós, quem dizeis que Eu sou?» (v. 29). Eis a pergunta mais importante, com a qual Jesus se dirige directamente a quantos o seguiam, para comprovar a sua fé. Pedro, em nome de todos, exclama com prontidão: «Tu és o Cristo» (v. 29). Jesus fica admirado com a fé de Pedro, reconhece que ela é fruto de uma graça, de uma graça especial de Deus Pai. E então revela abertamente aos discípulos o que o espera em Jerusalém, ou seja, que «o Filho do homem iria sofrer muito... ser morto e, depois de três dias, ressurgir» (v. 31). Ao ouvir isto, o próprio Pedro, que acabara de professar a sua fé em Jesus como Messias, escandaliza-se. CO N T I N UA Ç Ã O DA PÁGINA 5 Desviando-se um pouco com o Mestre, repreende-o. E como reage Jesus? Por sua vez repreende Pedro por isto, com palavras muito severas: «Vai-te da minha frente, Satanás!» chama-lhe Satanás! «Pois não aprecias as coisas de Deus, mas só as dos homens» (v. 33). Jesus apercebese de que em Pedro, como nos outros discípulos também em cada um de nós! à graça do Pai se opõe a tentação do Maligno, que pretende distrair-nos da vontade de Deus. Anunciando que terá que sofrer e ser morto para depois ressuscitar, Jesus deseja fazer compreender a quantos o seguem que Ele é um Messias humilde e servo. É o Servo obediente à palavra e à vontade do Pai, até ao sacrifício completo da própria vida. Por isso, dirigindo-se a toda a multidão que estava ali, declara que quem quiser ser seu discípulo deve aceitar ser servo, como Ele se fez servo, e adverte: «Se alguém quiser vir após Frestas nos muros far o seu coração arrefecido. Não vos escandalizeis com as suas dores ou desilusões. Iluminai-os com a chama humilde, conservada com tremor, mas sempre capaz de iluminar quantos são alcançados pela sua limpidez que, no entanto, nunca é ofuscante. Dedicai tempo para os encontrar ao longo do caminho do seu Emaús. Dispensai palavras que lhes revelem o que eles ainda são incapazes de ver: as potencialidades ocultas nas suas decepções. Orientai-os no mistério que eles trazem nos lábios, mas sem reconhecer a sua força. Mais do que com palavras, entusiasmai o seu coração com a escuta humilde e interessada no seu verdadeiro bem, até que se abram os seus olhos e eles possam inverter a rota, voltando para Aquele do qual se tinham afastado. Recordai-vos, por favor, que eles já conheciam o Senhor. Contudo devem voltar a descobri-lo porque, entretanto, os seus olhos se ofuscaram. Ajudai-os a reconhecer o seu Senhor, a fim de que tenham a força de voltar para Jerusalém. E a fé da comunidade será enriquecida e confirmada pelo testemunho do seu retorno. Vigiai para que não se insinue perigosamente nas vossas comunidades a soberba do «filho mais velho», que o torna incapaz de se alegrar por aquele que «estava perdido e foi achado» (Lc 15, 24). Bispos missionários Como Pastores missionários da salvação gratuita de Deus, ide ao encontro até de quantos não conhecem Jesus, ou daqueles que sempre o re j e i t a ra m. Caminhai na sua direcção, parai diante deles e, sem medo nem sujeição, vede a que árvore subiram (cf. Lc 19, 1-10). Não tenhais receio de os convidar a descer de imediato porque, precisamente hoje, o Senhor deseja entrar na sua casa. Levai-os a compreender que a salvação volta a passar debaixo da árvore da sua vida e caminhai depressa rumo à sua habitação, às vezes cheia de coisas desprovidas de sentido. Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me» (v. 34). Pôr-se na sequela de Cristo significa carregar a própria cruz to dos temos uma... para o acompanhar no seu caminho, um caminho desagradável que não é o do sucesso, da glória passageira, mas aquele que leva à liberdade verdadeira, que nos liberta do egoísmo e do pecado. Trata-se de rejeitar abertamente aquela mentalidade mundana que coloca o «eu» e os próprios interesses no centro da existência: não é isto que Jesus quer de nós! Ao contrário, Jesus convida a perder a vida por Ele, pelo Evangelho, a fim de a receber renovada, realizada e autêntica. Graças a Deus, estamos certos de que no final este caminho conduz à ressurreição, à vida plena e definitiva com Deus. Decidir segui-lo, o nosso Mestre e Senhor que se fez Servo de todos, exige que se caminhe depois d Ele e se ouça atentamente a sua Palavra re c o rd a i - v o s : Não é verdade que podemos prescindir destes irmãos distantes. Não nos é permitido remover a inquietação pelo seu destino. Além disso, ocupar-nos do seu bem autêntico e definitivo poderia abrir uma fresta no muro de perímetro com que, ciosamente, eles tutelam a sua autarquia. Vendo em nós o Senhor que os interpela, talvez eles ganhem coragem para responder ao convite divino. Se isto acontecer, as nossas comunidades serão enriquecidas por aquilo que eles têm para compartilhar, e o nosso coração de Pastores alegrar-se-á porque poderá voltar a repetir: «Hoje a salvação entrou nesta casa!». Que este horizonte predomine no vosso olhar de Pastores, durante o iminente Ano jubilar da Misericórdia, que nos preparamos para celebrar. Enquanto vos concedo, assim como às vossas Igrejas, a Bênção Apostólica, é com imenso carinho e gratidão que abençoo os Senhores Cardeais Marc Ouellet e Leonardo Sandri, as Congregações às quais eles presidem e todo o grupo dos seus Colaboradores. ler todos os dias um trecho do Evangelho e os Sacramentos. Há jovens aqui na praça: rapazes e moças. Pergunto-vos: sentistes vontade de seguir Jesus mais de perto? Reflecti. Rezai. E deixai que o Senhor vos fale. A Virgem Maria, que seguiu Jesus até ao Calvário, nos ajude a purificar sempre a nossa fé de falsas imagens de Deus, para aderir plenamente a Cristo e ao seu Evangelho. No final da oração mariana o Pontífice recordou a beatificação na África do Sul de um pai de família, assassinado há só 25 anos pela sua fidelidade ao Evangelho. Em seguida, saudou os vários grupos de fiéis p re s e n t e s. Queridos irmãos e irmãs! Hoje, na África do Sul, é proclamado Beato Samuel Benedict Daswa, pai de família, assassinado em 1990 há só 25 anos e foi morto pela sua fidelidade ao Evangelho. Na sua vida demonstrou sempre muita coerência, assumindo corajosamente atitudes cristãs e rejeitando hábitos mundanos e pagãos. O seu testemunho ajude especialmente as famílias a difundir a verdade e a caridade de Cristo. E o seu testemunho junta-se ao de tantos nossos irmãos e irmãs, jovens, idosos, adolescentes, crianças, perseguidos, expulsos, assassinados por confessarem Jesus Cristo. Agradeçamos a todos estes mártires, Samuel Benedict Daswa e todo eles, o seu testemunho e peçamos-lhes que intercedam por nós. Saúdo com afecto todos vós, romanos e peregrinos provenientes de diversos países: famílias, grupos paroquiais, associações. Saúdo os fiéis da diocese de Freiburg, a associação «A Árvore de Zaqueu» de Aosta, os fiéis de Corte Franca e Orzinuovi, a Acção Católica Jovens de Alpago e o grupo de motociclistas de Ravena. Saúdo o grupo de professores precários vindos da Sardenha, e faço votos de que os problemas do mundo do trabalho sejam enfrentados tendo concretamente em consideração a família e as suas exigências. A todos desejo bom domingo. E por favor, não vos esqueçais de rezar por mim! Bom almoço e até à vista!

7 número 38, quinta-feira 17 de Setembro de 2015 L OSSERVATORE ROMANO página 7 Discurso do Papa Francisco aos participantes no capítulo geral dos filhos do Coração de Maria Adorar caminhar e acompanhar Adorar, caminhar, acompanhar: foi a tríplice recomendação feita pelo Papa Francisco aos participantes no capítulo geral dos missionários filhos do Co ra ç ã o imaculado de Maria (claretianos), recebidos em audiência na manhã de sextafeira, 11 de Setembro, na Sala do Consistório. O Papa entregou-lhes o texto já preparado e improvisou o seguinte discurso. Bom dia e muito obrigado! Preparei um discurso em castelhano, que D. Ganswein vos entregará. Mas prefiro dizer-vos o que me vem espontaneamente, dado que falamos castelhano. Tive um pensamento negativo quando o Geral falou: disse que quando leu a Evangelii gaudium sentiu uma grande felicidade; imagineio na livraria de Buenos Aires a meditar sobre todos os livros... Os Claretianos estão presentes em toda a parte. E devo reconhecer que não só no campo da teologia o ex-geral, teólogo da vida religiosa, do direito canónico: deveras vós colocais-vos entre os melhores canonistas que temos em Roma. Um trabalho silencioso, santo... que passou toda a sua vida na Congregação religiosa: deu um exemplo de vida, na missionariedade. Gostaria de vos dizer três palavras, pensando naqueles que conheço... Deus abençoou-me dando-me alguns de vós como amigos. E digo-vos três palavras que vos podem ser úteis: adorar, caminhar e a c o m p a n h a r. Adorar. Nós, no mundo da eficiência, perdemos o sentido da adoração, também na oração. É claro que rezamos, louvamos ao Senhor, pedimos, agradecemos... Mas a adoração é estar diante do Único Deus, o Único que não tem preço, que não se negocia, que não se troca... E tudo o que está fora d Ele é uma «imitação de papel», um ídolo... Adorar. Nisto é preciso fazer um esforço para crescer nesta forma de oração: a adoração. Adorai, adorai a Deus. É uma carência da Igreja neste momento, por falta de pedagogia. Este sentimento da adoração, que temos no primeiro Mandamento da Bíblia «Adorao ÚnicoDeus. Nãoterás outro Deus. É o Único que deverás adorar... Este «perder tempo», sem pedir, sem agradecer, até sem louvar, apenas louvar, com a alma prostrada. Não sei porque sinto que vos devo dizer isto, mas sinto que o devo fazer. Vem-me de dentro. Caminhar. Deus não se pode adorar a si mesmo, mas quis caminhar. Não quis estar tranquilo. Desde o início caminhou com o seu povo. O trecho de Moisés é tão bonito, recordais? «Pensai: que povo teve Deus tão próximo que caminhou juntamente convosco?». Caminhar. E caminhar significa abrir fronteiras, sair, abrir portas e procurar caminhos. Caminhar... Não fiqueis sentados; não vos instaleis, no sentido negativo da palavra. É verdade, há necessidade de organizar coisas, há trabalhos que exigem que se esteja tranquilo, mas com a alma, com o coração e com a cabeça caminhai e procurai. Ide à fronteira: as fronteiras de todos os tipos, incluída a do pensamento. Vós intelectuais, ide às fronteiras, abri caminhos, procurai. Portanto, não estejais tranquilos, porque quem está tranquilo e não se move, corrompe-se: como a água, a água estagnante corrompe-se; enquanto que a água do rio que escorre não se corrompe. Caminhar como Deus, o qual se fez companheiro de viagem. Não se pode esquecer como na Bíblia o Senhor acompanhou o povo, ocupando-se também dos pecados, perdoando, acompanhando... Caminhar. Caminhar com este desejo de chegar um dia à Sua contemplação, e não como infelizmente é costume gente que vai garantir a própria vida num instituto ou pôr-se tranquilo, para que não nada lhe falte... Caminhar, caminhar. E a terceira, acompanhar. Por conseguinte não caminhar sozinhos, é até tedioso... Acompanhar o povo: Deus caminhou acompanhando. É tão bom recordar quando Jesus finge desconhecer, quando «se fez de novas» com os que fugiam de Jerusalém para Emaús: pôs-se ali, acompanhou-os, acompanhou todo o percurso... Acompanhar os momentos de alegria, acompanhar a felicidade dos casais, das famílias; acompanhá-los nos momentos difíceis, nos momentos da cruz, nos momentos do pecado... Jesus não receava os pecadores; procurava-os. Criticavam-no: «Ele é muito ousado; ele é imprudente...». Acompanhai. Acompanhai as pessoas, acompanhai os muitos desejos São José Maria Claret que o Senhor semeia no coração e deixai que cresçam bem. Senti a necessidade de vos dizer isto. Adorai, caminhai e acompanhai. Se for necessário, em frente! Deixo isto nas vossas mãos... Dado que Maria é a Mãe que se ocupa de vós, convido-vos a recitar juntos uma Av e - Ma r i a. A seguir, o texto do discurso preparado pelo Pontífice. Caríssimos missionários claretianos! Sede bem-vindos! Sinto grande alegria por poder ter este encontro convosco. Agradeço ao Superior-Geral, Padre Mathew Vattamattam, as suas cordiais palavras, expressão da sua comunhão eclesial, e desejo-lhe um serviço fecundo nesta responsabilidade que os seus irmãos lhe confiaram. «Testemunhas e mensageiros da alegria do Evangelho» é, como me foi dito, o tema sobre o qual se baseia o discernimento capitular. «Testemunhas» porque a alegria não se pode comunicar se não estiver presente e profundamente radicada na própria vida e na comunidade. «Mensageiros», porque o que é bom deve ser partilhado e a alegria, quando se partilha, purifica-se e multiplica-se, tornando-se deveras «evangélica». Como vos pareceu a Congregação na análise capitular? Neste exercício de discernimento, como vos interpelou a voz do Espírito? Um caminho muito seguro para discernir as suas chamadas é que vos coloqueis à escuta nas diversas periferias do nosso mundo. Nelas a sua voz ressoa com mais clareza. Isto é ainda mais importante para uma Congregação missionária como a vossa. Estamos a celebrar o Ano da vida consagrada. Para a ocasião enviei uma carta a todos os consagrados na qual os convidei a olhar para o passado com gratidão, viver o presente com paixão e abraçar o futuro com esperança. Repito-o de novo a vós. Quando Jesus está no centro da nossa vida, somos capazes de testemunhar e comunicar a alegria do Evangelho. «Olhar para o passado com gratidão» significa dar graças a Deus pelo testemunho de muitos irmãos vossos que, amparados pela sua fé, viveram com alegria profunda a sua vocação, alguns até ao martírio. Significa reconhecer também a mão misericordiosa do Senhor que, apesar da nossa debilidade e inconstância, continua a fazer maravilhas no meio do seu Povo. «Viver o presente com paixão» significa fundar o vosso programa missionário no espírito de santo António Maria Claret que no seu brasão episcopal pôs como mote Caritas Christi urget nos. Amar como Jesus amou deve interpelar cada uma das nossas opções vitais e pastorais. «Abraçar o futuro com esperança» significa não se deixar levar pelo desâmimo. Não tenhais medo. É o Senhor quem envia. Dirigi sempre o vosso olhar para quantos esperam o anúncio, para quantos precisam do seu testemunho a fim de sentir a presença misericordiosa de Deus na sua vida. Agradeço-vos a vossa vida e o vosso trabalho missionário. Fazei chegar, por favor, a minha saudação a todos e a cada um dos vossos irmãos, sobretudo a quantos, devido à doença ou à idade avançada, colaboram agora com a sua oração e testemunho na missão da congregação. Ocupar-vos de quantos estão no processo de formação inicial; ajudaios a interiorizar aqueles valores que o vosso fundador vos indicou como garantia de fidelidade ao carisma com o qual o Senhor abençoou a sua Igreja através dele. E levai a minha saudação também a todos os leigos com os quais partilhais a vida e a missão. Santo António Maria Claret, como fundador, deu-vos um lindo título: «Filhos do Coração de Maria». Deixai que todas as dimensões da vossa vida sejam profundamente marcadas por esta «cordialidade», que inspirou em Maria o lindo cântico do Ma g n i f i c a t ; e expressai a maternidade da Igreja, mãe misericordiosa, que nunca se cansa de esperar, acompanhar e perdoar. Recomendo-vos a Maria e abençoo-vos. Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim; porque preciso disso.

8 página 8 L OSSERVATORE ROMANO quinta-feira 17 de Setembro de 2015, número 38 Em colóquio com Gianfranco Pannone Vozes de dentro GA E TA N O VALLINI «D evia ser um documentário sob encomenda, mas depois tornou-se uma coisa diferente e mais pessoal». O cineasta Gianfranco Pannone explica assim o «docufilme» L esercito più piccolo del mondo com o qual o Centro televisivo vaticano (Ctv), pela primeira vez nas vestes de produtor de uma longa-metragem, chegou ao prestigioso Festival do cinema de Veneza a 9 de Setembro. Apresentada fora do concurso, a película é dedicada à Guarda Suíça Pontifícia. Contudo não se trata de uma obra oleográfica, mas de uma narração a partir de dentro, através do olhar e das experiências diárias de um grupo de recrutas, chamados a interpretar-se a si mesmos nos oito meses desde o recrutamento até ao juramento. O cineasta estava em contacto com monsenhor Dario Edoardo Viganò, director do Ctv e prefeito da Por Tolentino Mendonça «Chiamate in attesa» O diário italiano «Avvenire» inaugurou a 3 de Setembro uma rubrica intitulada «Chiamate in attesa» [Telefonemas por atender] assinada por José Tolentino Mendonça, vice-reitor da Universidade Católica de Lisboa, especialista em estudos bíblicos e professor de cultura judaica e cristã. Na primeira publicação da rubrica a reflexão do autor, considerado um dos mais importantes poetas portugueses vivos, concentra-se em Pier Paolo Pasolini e Federico Fellini, considerados dois olhares sobre a decadência italiana com algumas variações. E o que diferencia o cinema deles e s c re v e José Tolentino Mendonça são principalmente «as lágrimas», que em Fellini desaparecem a partir de La dolce vita no qual o cineasta acumula episódios «aparentemente sem um vínculo estreito de casualidade, em paralelo com o errático vagabundear de uma personagem em curto-circuito». Prevalece em Fellini um sentido de desencanto que não admite redenção, enquanto que em Ac - cattone de Pasolini resiste uma oposição entre bem e mal. Com efeito, os dois confrontaram-se duramente quando Fellini pediu a Pasolini que voltasse a escrever a cena final de La dolce vita. A proposta do poeta, que pretendia manter as lágrimas do protagonista face à inocência da jovem que o chamava a uma nova vida, não agradou a Fellini. E, contra o parecer de Pasolini, Marcello, o protagonista, continuará a não ouvir, a não compreender, e no final abanará a cabeça num gesto resignado. «Não há lágrimas. Apagam-se as luzes». Secretaria para a Comunicação, para um projecto diverso, um documentáriosobre aigrejaesobre omodode comunicar com o exterior. Mas depois chegaram os Guardas suíços. «Desde o início explica Pannone a ideia era mostrar com um olhar laico os bastidores da Guarda suíça, indo além dos estereótipos, do que normalmente é dito sobre este Corpo, considerado uma instituição anacrónica, um pouco secreta e inacessível. Uma instituição na qual encontrei, ao contrário, uma abertura com que eu mesmo me surpreendi». Certamente não foi fácil penetrar neste mundo; trata-se de militares, que têm também funções delicadas. Mas criou-se quase imediatamente uma relação de confiança, uma amizade com os oficiais de referência. «Foi muito agradável. Consultávamo-nos acerca de tudo diz o cineasta confrontando-nos pouco e pouco sobre o que era justo inserir ou cortar. Convidei-os a ter confiança em mim, explicando-lhes que queria narrar com discrição a experiência dos jovens recrutas, entrando no dormitório, no refeitório e noutros ambientes até àquele momento off limits. Estou convicto de que foi possível realizar um filme como este também por termos o actual Papa. Evidentemente a vontade de abertura, de transparência, de tirar o véu e tudo o que aparenta segredo, e que por vezes não favorece a imagem da Igreja, não podia deixar fora a Guarda suíça». Por conseguinte, a primeira surpresa foi a grande humanidade encontrada nos guardas. Humanidade que o cineasta procurou exprimir no filme através da realidade dos jovens protagonistas. Que foram assim escolhidos: «Há explica Pannone quem se ocupa de ir procurar os candidatos na Suíça, avaliando os requisitos. Encontrei-me com jovens pré-seleccionados e escolhi dois em particular: René, estudante de teologia, o intelectual, digamos assim, e Leo, um guarda florestal, um jovem do campo, muito simples. Aos quais se juntou Nicola, filho de imigrantes da Basilicata, de terceira geração, que nada tem do imaginário da Guarda suíça». «Entre eles acrescenta s o b re s - sai sobretudo a figura de René, jovem formado em teologia, que levanta algumas questões. Para que pode servir hoje, além do aspecto estético, a Guarda suíça? Para o que somos úteis? E acaba por encontrar uma razão de ser precisamente no exemplo do Pontífice. Francisco veste o hábito de Papa mas é ele mesmo. Este jovem de vinte e cinco anos é ele mesmo até quando veste uma farda do século XVI. Como cristão, considero-o uma mensagem bastante importante». Mas a acção mais interessante, além de contar a normalidade da vida no âmbito dos Muros Leoninos, foi pôr em confronto a simplicidade destes jovens, provenientes da província da Suíça, com a história para procurar um nexo com o presente. Uma história que passa também através da extraordinária arte conservada dentro do Palácio apostólico. «A um certo ponto explica a propósito o cineasta René confrontase com a Capela Sistina. Já a tinha visto, mas vê-la abrir-se de improviso diante dos seus olhos, vazia, enquanto está de guarda, emociona-o. Assim como, e é válido também para os seus camaradas, observar em solidão, no silêncio e na penumbra da noite, os cenários grandiosos pintados na Sala Régia. Como a batalha de Lepanto, um confronto entre Ocidente e Oriente cujas sugestões nos reconduzem ao presente. Penso que no filme sobressaem como pano de fundo os conflitos desta nossa época, os quais a Igreja do Papa Francisco não evita, interpretando um papel activo no confronto entre as diversas culturas. Além disso acrescenta a ideia de grandeza que promana do Palácio apostólico é sob certos aspectos contrastada pelo próprio Papa. Os jovens estão muito admirados por ele residir em Santa Marta. Uma realidade que põe em crise René: ao que faço a guarda? Quem devo controlar se o Papa está noutro lugar? Mesmo se noutra cena se vê um dos jovens que vigia o sono do Papa, estando a poucos metros dele, e que depois conta esta primeira experiência muito emocionado». De certa forma o Pontífice obriga os jovens guardas a confrontarem-se com algo novo. «Os muros que presidiam reflecte o cineasta não são bastiões de defesa, porque não devem existir muros que fechem ao diálogo com o exterior. Insistir sobre o Papa que reside em Santa Marta e não no Palácio apostólico é a exemplificação de uma mensagem que os próprios jovens acolhem com grande surpresa mas também com admiração». Sob o ponto de vista da realização a escolha foi organizar o grupo de trabalho do cineasta entre outros o director da fotografia Tarek Ben Abdallah, o engenheiro de som Andrea Viali, a ajudante do cineasta Chiara Zilli e a encarregada da montagem Erika Mannoni e os funcionários do Ctv: o operador de câmara Cesare Cuppone, que desde 1988 segue o Papa, o director técnico Stefano D Agostino, o assistente das filmagens Sergio Ravoni, o assistente da montagem Franco Piroli, com a colaboração de Luca Rossi e Damiano Proietti. «Verifiquei grande disponibilidade e humanidade em todo o grupo, ao qual se juntou Stefano Caprioli, autor da música. Sobretudo Cuppone faz questão de frisar o cineasta foi fundamental, pela sua experiência e conhecimento de lugares e pessoas». Também o operador de câmara do Ctv frisa o clima positivo que se criou na equipa. «Formar um grupo interno e externo remarcou significou um intercâmbio não só profissional mas também humano. Nós oferecemos a sensibilidade de quem conhece os lugares e sabe como mover-se dentro, e eles a experiência de documentaristas. A equipe externa pôde apreciar a nossa profissionalidade, mas também com quanta delicadeza, discrição e respeito nos movemos num ambiente tão pequeno e sobretudo tão particular. O facto de o operador de câmara ser uma pessoa conhecida foi uma espécie de garantia que permitiu ir um pouco além, e poder filmar também inéditos». Certamente, acrescenta, «teria sido muito mais simples e seguro fazer um documentário mais institucional, a clássica narração da história da Guarda suíça. Mas a escolha de seguir o percurso de alguns recrutas fez com que o trabalho fosse menos previsível, sobretudo mais verdadeiro». Por conseguinte, para o operador de câmara tratou-se de uma experiência inédita e interessante. «Não era a primeira vez que eu filmava um documentário explica Cuppone mas desta vez, mesmo se não havia actores profissionais nem uma encenação, tudo foi filmado com as características de um filme com as figuras profissionais necessárias para uma longa-metragem: cineasta, director da fotografia, operador de câmara, engenheiro de som, montador e assim por diante. Quando estou com o Papa, sobretudo durante as viagens, fico sozinho e tenho que fazer um pouco de todas estas coisas. Aprendi sobretudo a importância de um olhar à distância, como o do montador, que permite fazer escolhas mais coerentes com a história que se pretende contar. Ao contrário, um operador de câmara apaixona-se por uma determinada cena, um pormenor e assim é mais difícil cortar». No respeitante a René que quando acabar o serviço voltará à universidade a sua maior motivação «é reflectir intensamente sobre quanto viu e viveu durante os primeiros meses no corpo da Guarda. E o filme pôde demonstrar a c re s - centa que há alguém que deseja compreender o que é a Guarda, mas também como é a Igreja. As do filme são perguntas que eu me fazia na paróquia e ao longo dos estudos. Por isso não me sentia perplexo durante as filmagens. Claro, foram feitas perguntas e levantadas dúvidas sobre algumas experiências. Mas foi um desafio interessante. Obviamente, nem todos estavam sempre contentes quando a câmara nos filmava de perto. Há alguns lugares reservados unicamente aos guardas. Mas penso que no fim a maior parte dos colegas ficaram muito satisfeitos com o resultado». Trailer do filme

9 número 38, quinta-feira 17 de Setembro de 2015 L OSSERVATORE ROMANO página 9 Responsabilidade e diálogo para alcançar acordos globais sobre o meio ambiente Grito da terra e dos pobres «Uma aliança autêntica para alcançar acordos ambientais globais realmente significativos»: foi a proposta lançada pelo Papa«face à emergência das mudanças climáticas» e em vista dos «encontros cruciais» dos próximos meses. O Pontífice falou Ilustres Senhores e Senhoras, bom dia e sede bem-vindos! Agradeço ao Doutor Ronchi e ao Doutor Caio por ter introduzido este nosso encontro; e agradeço a todos vós por terdes colaborado neste Meeting internacional, dedicado a um tema cuja importância e urgência não são exageradas. O clima é um bem comum, hoje gravemente ameaçado: é quanto indicam fenómenos como as mudanças climáticas, o aquecimento global e o aumento dos fenómenos metereológicos extre- mos. Trata-se de temas que são objecto de grande atenção por parte dos massmedia e da opinião pública, e à volta dos quais estão a decorrer acalorados debates científicos e políticos, que fizeram sobressair de forma gradual um consentimento difuso, embora não unânime. Porquê e como t ocupar-nos disso? Não podemos esquecer as graves implicações sociais das mudanças climáticas: são os mais pobres que padecem com maior dureza as consequências! Por este motivo como Audiência ao primeiro-ministro do Kuwait sobre estas questões recebendo em audiência a 11 de Setembro, na Sala Clementina, os participantes no encontro sobre «Justiça ambiental e mudanças climáticas» promovido pela Fundação para o desenvolvimento sustentável. A 10 de Setembro o Papa Francisco recebeu sua Alteza o xeque Jaber Al-Mubarak Al-Hamad Al-Sabah, primeiro-ministro do Estado do Kuwait, o qual, sucessivamente se encontrou com o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado, acompanhado pelo arcebispo Paul Richard Gallagher, secretário para as Relações com os Estados. Durante os cordiais colóquios, trataram alguns temas de interesse comum, entre os quais o contributo positivo que a histórica minoria cristã oferece à sociedade kuwaitiana. Reflectiram também sobre a importância da educação para promover uma cultura de respeito e coexistência pacífica entre diversos povos e religiões. Em seguida, procedeu-se à assinatura de um Memorandum of Und e rs t a n d i n g entre a Secretaria de Estado e o ministério dos Negócios Estrangeiros do Estado do Kuwait, assinado respectivamente pelo arcebispo Gallagher e pelo xeque Sabah Khalid Al-Hamad Al-Sabah, primeiro-vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros. Com tal instrumento as partes comprometem-se a consolidar e fortalecer as relações bilaterais em prol de uma colaboração recíproca, da paz e da estabilidade regional e internacional. Concluiu-se a reunião do Conselho de cardeais O Conselho de cardeais apresentou ao Papa Francisco «uma proposta que visa a actuação do projecto para uma nova Congregação chamada provisoriamente «leigos, família e vida». Anunciou o padre Federico Lombardi, director da Sala de imprensa da Santa Sé, no briefing da manhã de quarta-feira, 16 de Setembro, sobre os trabalhos do conselho que, tendo iniciado na segunda-feira 14, terminaram na tarde do dia 16. Na décima primeira reunião estava ausente, por motivos de saúde, o cardeal Óscar Andrés Rodríguez Maradiaga. A próxima sessão está prevista nos dias de Dezemb ro. Em relação à proposta da nova Congregação «foi ouvido o cardeal Dionigi Tettamanzi, encarregado pelo Papa nos meses passados para um aprofundamento sobre a sua factibilidade». E assim, no final das reflexões, o conselho apresentou ao Papa uma proposta e agora será ele quem decide. Além disso, o padre Lombardi esclareceu que «foi retomada a consideração de uma nova Congregação dedicada à caridade, justiça e paz, continuando a reflexão, mas sem ter ainda elaborado uma proposta». Debateu-se também sobre os procedimentos para a nomeação dos novos bispos, «especialmente sobre as qualidades e os requisitos dos candidatos». Mas «o tema deverá ser aprofundado e desenvolvido» acrescentou o director da Sala de imprensa da Santa Sé. Nos três dias de trabalho teve lugar também uma longa audição do prefeito da Secretaria para a Comunicação, monsenhor Dario Edoardo Viganò, que referiu sobre os primeiros passos dados, entre os quais a constituição de um grupo de trabalho para a elaboração dos estatutos da Secretaria composta por representantes de diversas instituições competentes na matéria, que já deu início à sua actividade. O pe. Lombardi esclareceu que os estatutos definirão «a estrutura do Dicastério em regime». Acrescentando que «particu- justamente evidencia o título deste Meeting a questão do clima é uma questão de justiça; e também de solidariedade, que nunca deve ser separada da justiça. Está em jogo a dignidade de cada um, como povos, como comunidade, como mulheres e homens. A ciência e a tecnologia põem nas nossas mãos um poder sem precedentes: é nosso dever, em relação à humanidade inteira e, em particular, em relação aos mais pobres e às gerações futuras, utilizá-lo para o bem comum. Será que a nossa geração conseguirá «ser lembrada por ter assumido com generosidade as suas graves responsabilidades»? (Enc. Laudato si, 165). Mesmo entre as numerosas contradições do nosso tempo, temos razões suficientes para alimentar a esperança de conseguir fazê-lo. E devemos deixar-nos guiar por esta esperança. Ao cumprir este compromisso, desejo que cada um de vós experimente o gosto de participar nas acções que transmitem vida. A alegria do Evangelho também consiste nisto. De que forma podemos exercer a nossa responsabilidade, a nossa solidariedade, a nossa dignidade de pessoas e cidadãos do mundo? Cada um é chamado a responder pessoalmente, na medida que lhe compete com base no papel que desempenha na família, no mundo do trabalho, da economia e da pesquisa, na sociedade civil e nas instituições. Não exibindo receitas: ninguém tem! Mas oferecendo o que compreendeu ao diálogo e aceitando que a própria contribuição seja posta em questão: a todos é exigido um contributo em vista de um resultado que só pode ser fruto de um trabalho comum. O grande inimigo aqui é a hipocrisia. O vosso Meeting representa justamente um exemplo da prática deste diálogo, que na Encíclica Laudato si propus com única via para enfrentar os problemas do nosso mundo e procurar soluções deveras eficazes. Parece-me um sinal de grande importância, até providencial, que neste Meeting participem representantes de relevo de «mundos» diversos: religião e política, actividade económica e pesquisa científica em vários sectores, organizações internacionais e as que estão comprometidas na luta contra a pobreza. Para dar fruto, este diálogo deve inspirar-se numa visão tanto transparente quanto ampla, e proceder segundo uma abordagem integral, mas sobretudo participativa, incluindo todas as partes em causa, também as que mais facilmente ficam à margem dos processos institucionais. Dirijo a todos um convite sincero a realizar todo o esforço possível a fim de que nas mesas onde se procura o modo para resolver a única e complexa crise socioambiental, os mais pobres, entre os países e os seres humanos, possam fazer ouvir a própria voz: este também é um dever de justiça ambiental. Face à emergência das mudanças climáticas e com o olhar dirigido aos encontros cruciais que nos próximos meses deverão enfrentar a aprovação dos Objectivos de desenvolvimento sustentável por parte das Nações Unidas no final deste mês e so- lar atenção será prestada na avaliação dos aspectos jurídicos e administrativos das actividades de comunicação da Santa Sé». Sucessivamente «serão elaborados e emanados os regulamentos». Por parte dos cardeais conselheiros houve «apreciação unânime», com a indicação de que «não obstante a progressão, se indiquem imediatamente linhas claras de comportamento, a fim de que como pede o motu proprio a reforma proceda com decisão rumo a uma integração e gestão unitárias». Também «as questões relativas aos abusos contra menores» foram tratadas na sessão. Sobretudo, explicou o padre Lombardi, «aprofundou-se de que modo concretizar as propostas feitas, em particular no que diz respeito à possibilidade de um tratamento mais rápido dos numerosos casos ainda pendentes». Enfim foi «reconsiderado um esbço de preâmbulo da nova Constituição». CO N T I N UA NA PÁGINA 15

10 número 38, quinta-feira 17 de Setembro de 2015 L OSSERVATORE ROMANO página 10/11 AURA VI S TA S MIGUEL [Publicamos a entrevista que o Papa concedeu em exclusiva à Rádio Renascença, e que foi transmitida no dia 14 de Setembro pela mesma emissora.] Para um Papa que vem do fim do mundo, como olha para Portugal e para os portugueses? Em Portugal, só estive uma vez no aeroporto, há anos, quando vinha para Roma, num avião da Varig que fazia escala em Lisboa, por isso, só conheço o aeroporto. Mas conheço muitos portugueses. E, no Seminário de Buenos Aires, havia muitos empregados, emigrantes portugueses, gente boa, que tinha muita familiaridade com os seminaristas. E o meu pai tinha um colega de trabalho português. Lembro-me do seu nome, Adelino, bom homem. E Um momento do encontro do Pontífice com a jornalista A Europa ainda não morreu Está meia-avozinha mas pode voltar a ser mãe Tenho confiança nos políticos jovens uma vez conheci uma senhora portuguesa, com mais de 80 anos, que me deixou boa impressão. Quer dizer, nunca conheci um português mau. No seu discurso aos bispos portugueses, além de elogiar o povo português e olhar para a Igreja com serenidade, o Santo Padre manifesta duas preocupações: uma em relação aos jovens e outra em relação à catequese. O Santo Padre usa uma imagem, dizendo que os vestidos da primeira comunhão já não servem aos jovens, mas que há certas comunidades que insistem em vestir-lhos. Qual é o p ro b l e m a? É uma maneira de dizer. Os jovens são mais informais e têm o seu próprio ritmo. Temos de deixar que o jovem cresça, temos de o acompanhar, não o deixar sozinho, mas acompanhá-lo. E saber acompanhá-lo com prudência, saber falar no momento oportuno, saber escutar muito. Um jovem é inquieto. Não quer que o incomodem e, nesse sentido, pode-se dizer que o vestido da primeira comunhão não lhes serve. As crianças, pelo contrário, quando vão comungar, gostam do vestido da primeira comunhão. É uma ilusão. Os jovens têm outras ilusões que, muitas vezes, são muito boas, mas há que respeitar, porque eles mesmos não se entendem, porque estão a mudar, estão a crescer, estão à procura, não é? Por isso, é preciso deixar o jovem crescer, há que o acompanhar, respeitar e falar-lhe muito paternalmente. Porque, ao mesmo tempo, há uma exigência a propor, mas essa exigência, muitas vezes, não é atractiva! Por isso, há que procurar aquilo que atrai um jovem e exigir-lho. Por exemplo, um caso concreto: se você propõe a um jovem e isto vemo-lo por todo o lado fazer uma caminhada, um acampamento ou fazer missão para outro sítio, ou por vezes ir a um «cotolengo» [obra fundada por sacerdote italiano de acolhimento de doentes com graves deficiências múltiplas, abandonados pelas famílias e em situação de risco] para cuidar dos doentes, durante uma semana ou quinze dias, entusiasma-se porque quer fazer algo pelos outros. Está envolvido. «I n v o l u c ra d o»? Sim, fica por dentro, compromete-se. Não olha a partir de fora. Envolve-se, ou seja, compromete-se. Então, porque é que não fica? Porque está a caminhar. E qual é o desafio que a Igreja, então, deve enfrentar? O Santo Padre também falou de uma catequese, que muitas vezes permanece teórica e onde falta esta capacidade de propor o encontro Pois é importante que a catequese não seja puramente teórica. Isso não serve. A catequese é dar-lhes doutrina para a vida e, portanto, tem de incluir três linguagens, três idiomas: o idioma da cabeça, o idioma do coração e o idioma das mãos. E a catequese deve entrar nesses três idiomas: que o jovem penseesaiba qualéafé, masque,por sua vez, sinta com o seu coração o que é a fé e, por sua vez, faça coisas. Se falta à catequese uma destas três línguas, destes três idiomas, não avança. Três linguagens: pensar o que se sente e o que se faz, sentir o que se pensa e o que se faz, fazer o que se sente e o que se pensa. Escutando vossa Santidade, isto parece óbvio, mas, olhando à volta s o b re t u d o na velha Europa, na velha cristandade não é assim. O que é que falta? Mudar a mentalidade? Como se faz? Mudar a mentalidade, não sei, porque não conheço tudo, não é? Mas é verdade que, a metodologia catequética, às vezes, não é completa. Há que procurar uma metodologia da catequese que junte as três coisas: as verdades que se devem crer, o que se deve sentir e o que se faz, o que se deve fazer, tudo junto. Santidade, para o centenário das aparições de Nossa Senhora de Fátima, nós esperamos por si em Portugal. Três Papas já nos visitaram (João Paulo II por três vezes). O Senhor, que ama muito a Virgem, o que espera da sua visita em 2017? Bom, vamos lá esclarecer as coisas. Eu tenho vontade de ir a Portugal para o centenário. Em 2017 também se cumprem 300 anos do encontro da Imagem da Virgem de Aparecida.. uma data estereofónica, em dois lados! (risos)... por isso, também estou com vontade de lá ir e já prometi lá ir. Quanto a Portugal, disse que tenho vontade de ir e gostaria de ir. É mais fácil ir a Portugal, porque podemos ir e voltar num só dia, um dia inteiro, ou, quanto muito, ir um dia e meio ou dois dias. Ir ter com a Virgem. A Virgem é mãe, é muito mãe, e a sua presença acompanha o povo de Deus. Por isso, gostaria de ir a Portugal, que é privilegiado. E o que espera de nós, portugueses? Como podemos preparar-nos para o receber e também para seguir os pedidos de Nossa S e n h o ra? OqueaVirgem pedesempreéque rezemos, que cuidemos da família e dos mandamentos. Não pede coisas estranhas. Pede que rezemos pelos que andam desorientados, pelos que se dizem pecadores todos o somos, eu sou o primeiro. Mas a Virgem pede e há que se preparar através desses pedidos da Virgem, através dessas mensagens tão maternais, tão maternais... e manifestando-se às crianças. É curioso, Ela procura sempre almas muito simples, não é? Muito simples. Esta entrevista acontece em plena crise dos refugiados. Santo Padre, como está a viver esta situação? É a ponta de um icebergue. Vemos estes refugiados, esta pobre gente que escapa da guerra, que escapa da fome, Entrevista do Papa Francisco à Rádio Renascença A Europa volte a ser mãe mas essa é a ponta do icebergue. Porque debaixo dele, está a causa; e a causa é um sistema socioeconómico mau e injusto, porque dentro de um sistema económico, dentro de tudo, dentro do mundo falando do problema ecológico, dentro da sociedade socioeconómica, dentro da política, o centro tem de ser sempre a pessoa. E o sistema económico dominante, hoje em dia, descentrou a pessoa, colocando no centro o deus dinheiro, que é o ídolo da moda. Ou seja, há estatísticas, não me Portugal é privilegiado por ter o santuário de Fátima Por isso, gostaria de o visitar para o centenário recordo bem (isto não é exacto e posso equivocar-me), mas 17% da população mundial detém 80% das riquezas. E esta exploração das riquezas dos países mais pobres, a médio prazo traz esta consequência: a de estes todos que agora querem vir para a Europa E o mesmo acontece nas grandes cidades. Por que surgem as favelas nas grandes cidades? O critério é o mesmo É o mesmo; é gente que vem do campo, porque o desflorestaram, porque fizeram monocultivo, não têm trabalho e vão para as grandes cidades. Em África, também é igual Em África... ou seja, é o mesmo fenómeno. Então, esta gente emigrada que vem para a Europa é a mesma coisa à procura de um sítio. E, claro, para a Europa neste momento, é uma surpresa, porque até custa a crer que isto Desempregados em fila (Reuters) esteja a acontecer, não é? Mas acontece. Mas o Santo Padre, quando foi a Estrasburgo, disse que era «necessário actuar sobre as causas e não apenas sobre os efeitos». Mas parece que ninguém ouviu e, agora, os efeitos estão à vista Temos de ir às causas. E ninguém o ouviu, muito provavelmente Onde as causas são a fome, há que criar fontes de trabalho, investimentos. Onde a causa é a guerra, procurar a paz, trabalhar pela paz. Hoje em dia, o mundo está em guerra contra si mesmo, ou seja, o mundo está em guerra, como digo, uma guerra em folhetins, aos pedaços, mas também está em guerra contra a Terra, porque está a destruir a Terra, ou seja, a nossa casa comum, o ambiente. Os glaciares estão a derreter-se, no Árctico, o urso branco vai cada vez mais para o norte para poder sobreviver. E a preocupação pelo homem e pelo seu destino, parece ignorada. Como vê a reacção da Europa à vaga de refugiados? Uns constroem muros, outros escolhem os refugiados consoante a sua religião, outros aproveitam esta situação para fazer discursos populistas. Cada um faz uma interpretação da sua cultura. E, por vezes, a interpretação ideológica, ou das ideias, é mais fácil do que fazer as coisas, que é a realidade. Mais longe da Europa, há um outro fenómeno que também me doeu muito: os ro h i n g y a [grupo étnico muçulmano, provavelmente, com origem na antiga Birmânia. Marginalizados por razões étnicas e religiosas, foram apontados pela ONU como uma das minorias mais perseguidas do mundo], que foram expulsos do seu país e que entram num barco e partem. Chegam a um porto ou a uma praia, dão-lhes água, dão-lhes de comer e depois, mandam-nos outra vez para o mar e não os acolhem. Ou seja, falta a capacidade de acolhimento da humanidade. Porque não é tolerar; é mais do que tolerância: é acolhimento. Acolher, acolher as pessoas, e acolher tal como vêm. Eu sou filho de emigrantes e pertenço à onda migrante do Vemos estes refugiados, esta pobre gente que escapa da guerra, que escapa da fome A causa é um sistema socioeconómico mau e injusto O centro tem de ser sempre a pessoa ano 29. Mas na Argentina, desde o ano 84 (1884), começaram a chegar italianos, espanhóis... portugueses, não sei quando chegou a primeira onda portuguesa; vinham sobretudo destes três países. E quando chegavam lá, alguns tinham dinheiro, outros iam para o hotel de emigrantes e daí eram enviados para as cidades. Iam trabalhar ou procurar trabalho. É verdade que, naquela época, havia trabalho, mas, os da minha família que tinham trabalho quando chegaram, em 29 no ano 32, com a crise económica de 30, ficaram na rua, sem nada. O meu avô comprou um armazém com dois mil pesos que lhe emprestaram e o meu pai, que era contabilista, andava a fazer distribuição com a canasta; ou seja, tinham vontade de lutar, de vencer... Eu sei o que é a migração! E depois, vieram as migrações da Segunda Guerra, sobretudo do centro da Europa, muitos polacos, eslovacos, croatas, eslovenos e também da Síria e do Líbano. E sempre nos demos bem por lá. Na Argentina, não houve xenofobia. E agora, há migração interna na América, vêm de outros países da América para a Argentina, apesar de ter diminuído nos últimos anos, por falta de trabalho na Argentina. E também do México para os Estados Unidos. Há todo um fenómeno O fenómeno migratório é uma realidade. Mas eu queria abordar o tema, sem censurar ninguém. Quando há um espaço vazio, a gente procura preenchêlo. Se um país não tem filhos, vêm os emigrantes ocupar o lugar. Penso no nível dos nascimentos de Itália, Portugal e Espanha. Creio que é quase 0%. Então, se não há filhos, há espaços vazios. Ou seja, o não querer ter filhos, em parte e isto é uma interpretação minha, não sei se está correcta é um pouco o resultado da cultura do bem- ficando sozinhos. Creio que o grande desafio da Europa é voltar a ser a mãe Europa... E não a... a avó Europa. Perdão, há países da Europa que são jovens, por exemplo, a Albânia. A Albânia impressionou-me, gente com 40 anos, 45 anos... e a Bósnia-Herzegovina, ou seja, países que se refizeram depois de uma guerra, não é? Por isso, o Santo Padre os visitou Ah sim, claro. É um sinal para a Europa. Mas este desafio do acolhimento a estes refugiados que estão a entrar, na sua perspectiva, pode ser muito positivo para a Europa? É um benefício, uma provocação? Finalmente, de algum modo, a Europa pode despertar, mudar de rumo? Pode ser. É verdade e reconheço que, hoje em dia, as condições de segurança territorial não são as mesmas de outra época porque, na verdade, temos, a 400 quilómetros da Sicília, uma guerrilha terrorista sumamente cruel, não é? Então, existe o perigo da infiltração, isso é verdade. E que pode chegar até Roma. estar, não é? Eu ouvi, dentro da minha própria família, cá, há uns anos, por parte dos meus primos italianos dizer: «Não, crianças, não; preferimos viajar nas férias, ou comprar uma villa, ou isto ou aquilo»... e os idosos vão Ah sim, ninguém assegurou que Roma seja imune a isto, não é? Mas po- dem-se tomar precauções e pôr toda a gente que vem a trabalhar. Mas também há outro problema, é que a Europa atravessa uma crise laboral muito grande. Há um país, melhor, vou falar de três países, mas que não vou nomear, dos mais importantes da Europa, em que o desemprego juvenil dos jovens com menos de 25 anos, num país é de 40%, noutro país é de 47% e noutro é de 50%. Há uma crise laboral, o jovem não encontra trabalho. Ou seja, misturam-se muitas coisas. Nisto, não podemos ser simplistas. Evidentemente, se chega um refugiado, com as medidas de segurança de todo o tipo, há que recebê-lo, porque é um mandamento da Bíblia. Moisés disse ao seu povo: «Recebei o forasteiro porque não esqueçais que vós fostes forasteiros no Egipto». Mas o ideal era que eles não tivessem fugido, que ficassem nas suas terras, não? Isso, sim. No Angelus de 6 de Setembro, lançou o desafio às paróquias para que acolham refugiados. Já houve reacções? O que espera em concreto? O que eu pedi foi isto: que cada paróquia, cada instituto religioso, cada mosteiro, acolha uma família. Uma família, não uma pessoa. Uma família dá mais segurança de contenção, um pouco para evitar que haja infiltrações de outro tipo. Quando digo que uma paróquia deve acolher uma família, não digo que tenham de ir viver para a casa do padre, para a casa paroquial, mas que toda a comunidade paroquial veja se há um lugar, um canto num colégio para aí se fazer um pequeno apartamento ou, na pior das hipóteses, que arrendem um modesto apartamento para essa família; mas que tenham um tecto, que sejam acolhidos e que se integrem na comunidade. Já tive muitas reacções, muitas, muitas. Há conventos que estão quase vazios. Há dois anos, o Santo Padre já fez esse apelo e que resultados é que houve? Só quatro. Um deles, dos jesuítas (risos); muito bem, os jesuítas! Mas o assunto é sério, porque aí também há a tentação do deus dinheiro. Algumas CO N T I N UA NA PÁGINA 12

11 página 12 L OSSERVATORE ROMANO quinta-feira 17 de Setembro de 2015, número 38 Entrevista do Papa Francisco à Rádio Renascença CO N T I N UA Ç Ã O DA PÁGINA 10 congregações dizem «Não, agora que o convento está vazio, vamos fazer um hotel e podemos receber pessoas e, com isso, sustentamo-nos ou ganhamos dinheiro». Pois bem, se quereis fazer isso, pagai os impostos! Um colégio religioso, por ser religioso está isento de impostos, mas se funciona como hotel, então, que pague os impostos como qualquer vizinho do lado. Senão, o negócio não é limp o. E o Santo Padre já disse que, aqui no Vaticano, acolhe duas famílias. Sim, duas famílias. Já me disseram ontem que as famílias já estavam localizadas e as duas paróquias do Vaticano encarregaram-se de as pro curar. Já estão identificadas? Sim, sim, sim, já estão. Quem o fez foi o cardeal Comastri, que é o meu vigário-geral para o Vaticano, juntamente com o encarregado da Esmolaria Apostólica, monsenhor Konrad Krajewski, que trabalha com os sem-abrigo e foi quem fez os duches debaixo da colunata, o serviço de barbearia realmente, uma maravilha é o que leva os que vivem na rua a ver os museus e a Capela Sistina. E estas famílias ficam até quando? Até quando o Senhor quiser. Não se sabe como isto vai acabar, não é? De todas as maneiras, quero dizer que a Europa tomou consciência, e eu agradeço-lhe. Agradeço aos países da Europa que tomaram consciência disto. A Renascença aderiu em Portugal a uma iniciativa, que reúne instituições cristãs e também de outras religiões, para acolher e movimentar-se a favor dos refugiados. Pode dizer algumas palavras a quem participa nesta plataforma? Felicito-vos e agradeço-vos pelo que estão a fazer e dou-vos um conselho: no dia do Juízo Final, já sabemos sobre o que vamos ser julgados, está escrito no capítulo 25 de São Mateus. Quando Jesus vos disser «Estive com fome, deste-me de comer?», vocês vão dizer «Sim». «E quando estive sem refúgio, como refugiado, ajudaste-me?», «Sim». Pois, felicito-vos: vão passar no exame! E também queria dizer uma coisa sobre o trabalho com jovens desocupados. Creio que aqui é urgente, sobretudo para as congregações religiosas que têm como carisma a educação, mas também os leigos, os educadores leigos, que inventem cursos, pequenas escolas de emergência. Então, para um jovem que está desocupado, se estudar, durante seis meses, para ser cozinheiro ou canalizador, para fazer pequenas reparações há sempre um tecto para arranjar ou para pintor, com esse ofício, terá mais possibilidade de encontrar um trabalho, ainda que parcial ou temporário. Fazer o que nós chamamos de «biscate», um trabalho ocasional e com isso não está totalmente desocupado. Mas hoje é o tempo da educação de emergência. Foi o que fez Dom Bosco. Dom Bosco, quando viu a quantidade de crianças que havia na rua, disse «tem de haver educação», mas não mandou as crianças para a escola média ou secundária, sim aprender ofícios. Então, preparou carpinteiros, canalizadores, que os ensinavam a trabalhar e, assim, já tinham com que ganhar o pão. Dom Bosco fez isso. E agora gostava de contar um episódio sobre Dom Bosco. Aqui em Roma, perto do Trastevere, onde... Era uma zona pobre. Sim, era uma zona muito pobre, mas que agora é zona da moda para os jovens, para a «movida», não é? Pois Dom Bosco passou por ali, ia de carruagem ou de carro, não sei e atiraram-lhe uma pedrada que partiu o vidro. Ele mandou parar e disse: «Este é o lugar onde vamos ficar!». Ou seja, perante uma agressão, não a viveu como agressão, viveu-a como um desafio para ajudar aquela gente, as crianças, os jovens que só sabiam agredir. E hoje, existe ali uma paróquia salesiana que forma jovens e crianças, com as suas escolas e as suas coisas. Assim, volto ao tema dos jovens: o importante é que hoje se dê, aos jovens que não têm trabalho, uma educação de emergência sobre algum ofício que lhes permita ganhar a vida. É muito crítico também sobre o estilo de vida ocidental e da Europa, o chamado primeiro mundo, muito centrado no bem-estar. O que é que o incomoda mais? Bem, quer dizer, também nas grandes cidades americanas, quer da América do Norte, quer da América do Sul, existe este mesmo problema, não é só na Europa... Migrantes caminham ao longo da barreira de arame farpado construída na front e i ra entre a Hungria e a Sérvia (Ansa) Bispos portugueses sobre os refugiados Face às responsabilidades «O que fizeste do teu irmão» é o título do documento difundido pela comissão nacional «Justiça e paz» da Conferência episcopal portuguesa e dedicado ao acolhimento dos refugiados. No texto recorda-se que estes últimos não são, como o medo poderia sugerir, «potenciais terroristas» mas que «muitos fogem da violência gerada pelo fundamentalismo: são pessoas evidenciam os bispos que passam através de graves sofrimentos», muito mais dramáticos que as dificuldades que «devemos enfrentar em Portugal». Por conseguinte, não se pode «reagir com indiferença quando um refugiado bate à porta. Este é um desafio para a Europa enquanto comunidade de valores como queremos que seja, fiel às raízes cristãs» da sua cultura e identidade. «Europa», antes de tudo, «significa adoptar comportamentos coerentes com a mensagem cristã», explicam os prelados, advertindo que tal não é o comportamento de quem, por exemplo, julga que não se deve oferecer ajuda aos refugiados que não partilham a própria fé. Os bispos portugueses recordam aos fiéis e a todas as pessoas de boa vontade que «a novidade do cristianismo consiste no amor universal que ninguém exclui», por isso a defesa da identidade europeia «não pode ser um pretexto para distinguir entre refugiados cristãos perseguidos e outros refugiados. A Europa não pode pretender ser um oásis de paz, protegida por confins e muros, num mundo em que guerra e pobreza prevalecem»....é o chamado primeiro mundo. Sim, nas grandes cidades... Em Buenos Aires há um grande sector da cultura do bem-estar e, por isso, também há esses cordões à volta das cidades, as favelas e todas essas coisas, não é? Eu, em relação à Europa, hoje, não lhe atiraria à cara este tipo de coisas. Há que reconhecer que a Europa tem uma cultura excepcional. Realmente, são séculos de cultura e isso também dá um bem-estar intelectual. Em todo o caso, o que eu diria da Europa, é a sua capacidade de retomar uma liderança no concerto das nações. Ou seja, que volte a ser a Europa que define rumos, pois tem cultura para o fazer. Mas mantém a identidade, hoje em dia, a Europa? Está em condições de afirmar a sua identidade? O que eu disse em Estrasburgo, pensei muito antes de o dizer. Ou seja, volto a repetir um pouco isso: a Europa ainda não morreu. Está meia-avozinha [risos], mas pode voltar a ser mãe. E eu tenho confiança nos políticos jovens. Os políticos jovens tocam outra música. Há um problema mundial, que afecta não só a Europa, mas o mundo inteiro, que é o problema da corrupção. A corrupção a todos os níveis... e isso também revela um baixo nível moral, não é? O Santo Padre fala disso na sua última encíclica e pede para as populações estarem mais conscientes. No entanto, verifica-se muita abstenção. Se vemos os resultados das eleições, a abstenção é quase maior do que um partido Porque a gente está desiludida. Em parte, por causa da corrupção, em parte pela ineficácia, em parte pelos compromissos assumidos anteriormente. E, no entanto, a Europa volto a dizer o que disse em Estrasburgo tem que desempenhar o seu papel, ou seja, recuperar a sua identidade. É verdade que a Europa se enganou não estou a criticar, mas só a recordar quando quis falar da sua identidade sem querer reconhecer o mais profundo da sua identidade, que é a sua raiz cristã, não foi? Aí enganou-se. Bom, mas todos nos enganamos na vida... está a tempo de recuperar a sua fé. O que é que pode tocar a liberdade de alguém que «faz o que quer» e que foi educado desde pequeno com um conceito de felicidade para quem «a felicidade é não ter problemas»? Em geral, educam-se as crianças com este desejo de que a felicidade é «não ter problemas e fazer o que se quer». Uma vida sem problemas é aborrecida. É um tédio. O homem tem, dentro de si, a necessidade de enfrentar e de resolver conflitos e problemas. Evidentemente, uma educação para não ter problemas, é uma educação asséptica. Faça você mesma a experiência: pegue num copo de água mineral, de água comum, da torneira, e depois pegue num copo com água destilada. Mete nojo, mas a água destilada não tem problemas... (risos) é como educar as crianças no laboratório, não é? Por favor! Arriscar é importante? Correr o risco, propor sempre metas! Para educar, faz falta usar os pés. Para educar bem, há que ter um pé bem apoiado no chão e o outro pé levantado mais à frente e ver onde o posso apoiar. E quando tenho apoiado o outro, levanto este [faz o gesto com os pés] e... isso é educar: apoiar-se sobre algo seguro, mas tentar dar um passo em frente até que o

12 número 38, quinta-feira 17 de Setembro de 2015 L OSSERVATORE ROMANO página 13 Os três pastorinhos Debilidade europeia face à emigração As razões de uma união GIUSEPPE FIORENTINO F oram 16 os primeiros refugiados que experimentaram as novas regras de restrição impostas pela Hungria que, a partir da meia-noite de 15 de Setembro, considera o ingresso ilegal no seu território como um crime punível com a expulsão ou a detenção até três anos. Antes da entrada em vigor desta norma, muitos procuraram atravessar a fronteira. Um confim que já parece intransponível e não só por causa do arame farpado que separa o território húngaro da Sérvia, com muitos militares a cavalo, deslocados como impedimento. O que parece verdadeiramente insuperável é a incapacidade persistente da Europa de recorrer aos valores que a fundaram. A tal ponto que, depois da falência de mais um e inútil (ou quase) encontro dedicado à questão das migrações, poder-se-ia perguntar se ainda vale a pena falar de Europa unida. E pensar que a reunião dos ministros do Interior de ontem, 14 de Setembro, foi convocada há duas semanas com a finalidade de encontrar «medidas imediatas» para responder à emergência. Toda esta pressa resolveu-se em nada, com os vinte e oito ainda divididos sobre o programa de acolhimento de cerca de cento e vinte mil refugiados, enquanto a Turquia sozinha hospeda quase dois milhões. Tudo foi adiado para 8 de Outubro, durante um encontro no qual, diversamente da reunião de ontem, as decisões não serão tomadas por unanimidade, mas segundo uma maioria qualificada. Mas deve-se considerar que as nações contrárias à redistribuição dos refugiados com base em quotas estabelecidas dificilmente aceitarão uma decisão tomada com o seu voto contrário. Entretanto numerosos países, vista a falta de um entendimento, restabeleceram os controles na fronteira, não obstante o tratado de Schengen que, nesta altura, não poucos observadores consideram em risco. E se um dos princípios europeus como o da livre circulação das pessoas vacila sob o impulso de algumas dezenas de milhares de migrantes, significa que a própria ideia de união é realmente frágil. Frágil, porque o processo que levou à ampliação rumo ao actual formato de vinte e oito países provavelmente foi empreendido com base em avaliações económicas e estratégicas, sem dúvida importantes mas que sozinhas não são suficientes para garantir o sentido de uma verdadeira união. Quem se opõe com mais força ao princípio das quotas obrigatórias de acolhimento de refugiados são precisamente os países centro-europeus que, depois da implosão do império soviético, puderam experimentar a solidariedade dos vizinhos ocidentais que acolheram milhares de imigrantes. Hoje, o sentido daquela solidariedade parece esquecido, deturpando a própria imagem da Europa. Perante a crise dos refugiados disse hoje o Alto comissário da Onu para os refugiados António Guterres, intervindo no Europarlamento cada um dos Estados membros da Ue toma as suas medidas. «É como se cada país fosse uma parte de um puzzle que faz o que quer, e isto dá uma imagem terrível ao resto do mundo». Portanto, para obter credibilidade aos olhos do mundo, a Europa deve superar as suas dúvidas e mostrar coesão na resposta à emergência dos refugiados. Só assim poderá recuperar o impulso ideal hoje totalmente ausente que lhe permite emergir dos escombros do segundo conflito mundial, em nome da solidariedade e da fraternidade entre povos. No fundo, trata-se de voltar a encontrar as próprias razões de uma união que hoje parece abalada nos seus fundamentos. tenha firme e, depois, dar outro passo. Dá mais trabalho educar assim É arriscar! Porquê? Porque talvez piso mal e caio... pois bem, levantas-te e segues em f re n t e! Na onda individualista em que vivemos falou nisso em Estrasburgo parece um capricho exigir direitos, sempre mais direitos separados da busca da verdade. Crê que isto é também um problema na maneira de viver a fé? Pode ser... sempre com mais exigências, sem a generosidade de dar. Ou seja, é exigir só os meus direitos e não os meus deveres perante a sociedade, não é? Eu creio que direitos e deveres caminham juntos. Senão, isso, cria a educação do espelho; porque a educação do espelho é o narcisismo e hoje estamos numa civilização narcisista. E como é que se a vence, como se combate? Com a educação, por exemplo, com direitos e deveres, com a educação dos riscos razoáveis, procurando metas, avançando e não ficando quieto ou a olhar ao espelho... não vá acontecernos como aconteceu ao Narciso que, de tanto se olhar espelhado na água e se achar tão lindo, tão lindo, «blup», afogou-se. [risos] Diz que prefere uma igreja acidentada a uma igreja estagnada. O que entende por «igreja acidentada»? Sim, eu explico: é uma imagem de vida. Se uma pessoa tem em sua casa uma divisão, um quarto, fechado durante muito tempo, surge a humidade, o mofo e o mau cheiro. Se uma igreja, uma paróquia, uma diocese, um instituto, vive fechado em si mesmo, adoece (acontece o mesmo com o quarto fechado) e ficamos com uma Igreja raquítica, com normas rígidas, sem criatividade, segura, mais que segura, assegurada por uma companhia de seguros, mas não segura! Pelo contrário, se sai se uma igreja, uma paróquia saem lá para fora, a evangelizar, pode acontecer-lhe o mesmo que acontece a qualquer pessoa que sai para a rua: ter um acidente. Então, entre uma igreja doente e uma Igreja acidentada, prefiro uma acidentada porque, pelo menos, saiu para a rua. E aqui, quero repetir uma coisa que já disse noutra ocasião: na Bíblia, no Apocalipse, há uma coisa linda de Jesus, creio que no segundo capítulo (no final do primeiro ou no segundo), em que está a falar a uma Igreja e diz: «Estou à porta e chamo» Jesus está a bater «Se me abres a porta, entro e vou comer contigo». Mas eu pergunto: quantas vezes, na Igreja, Jesus bate à porta, mas do lado de dentro, para que O deixemos sair a anunciar o reino? Por vezes, apropriamo-nos de Jesus só para nós, e esquecemo-nos que uma Igreja que não está em saída, uma Igreja que não sai, mantém Jesus preso, aprisionado. Foi por causa disso que foi eleito Papa? Isso pergunte ao Espírito Santo! [risos] Desde que é Papa, considera que a Igreja está mais acidentada? Não sei. Sei que, pelo que me dizem, Deus está a abençoar muito a sua Igreja. É um momento que não depende da minha pessoa, mas da bênção que Deus quis dar à sua Igreja, neste momento. E agora, com este Jubileu da Misericórdia, espero que muita gente sinta a Igreja como mãe. Porque pode acontecer à Igreja o mesmo que aconteceu à Europa, não é? Ficar demasiadamente avó, em vez de mãe, incapaz de gerar vida. É este é o motivo do Jubileu da M i s e r i c ó rd i a? Que venham todos! Que venham e sintam o amor e o perdão de Deus. Conheci, em Buenos Aires, um frade capuchinho, um pouco mais novo do que eu, que é um grande confessor. Tem sempre uma grande fila, com muita gente, está todo o dia a confessar. Ele é um grande «perdoador», perdoa muito. E, às vezes, tem escrúpulos por ter perdoado muito. Então, uma vez, em conversa, disse-me: «Às vezes, tenho escrúpulos». E eu perguntei-lhe: «E o que fazes, quando tens esses escrúpulos?». «Vou diante do sacrário, olho para o Senhor e digo-lhe: Senhor, perdoai-me, hoje perdoei muito, mas que fique bem claro que a culpa é toda vossa, porque fostes Vós a dar-me o mau exemplo!». Por isso o Santo Padre, neste sentido, também decidiu, nesta carta [a monsenhor Rino Fisichella sobre o Jubileu da Misericórdia] propor o perdão às situações mais difíceis e agora mesmo publicou estas cartas [de «motu proprio», iniciativas do Papa que têm normalmente a forma de decreto] que aceleram os processos de nulidade. Isto também tem a ver com o Jubileu? Sim, simplificar... Facilitar a fé às pessoas. E que a Igreja seja mãe... A razão destas cartas «motu proprio» para a nulidade qual é, exactamente, é agilizar? Agilizar, agilizar os processos nas mãos do bispo. Um juiz, um defensor do vínculo, só uma sentença, porque até agora havia duas sentenças. Não, agora, é só uma. Se não houver apelo, já está. Se houver apelo, vai para o metropolita, mas agilizar. E também a gratuidade dos processos. O Santo Padre fez isto a pensar também no Sínodo e no Jubileu? Está tudo relacionado. Já sei que não quer falar do Sínodo, mas, no seu coração de pastor universal, o que pede? Peço que rezem muito. Sobre o Sínodo, vocês, os jornalistas, já conhecem o Instrumentum Laboris. Vai-se falar disso, do que lá está. São três semanas, um tema, um capítulo, para cada semana. E esperam-se muitas coisas, porque, evidentemente, a família está em crise. Os jovens não se casam. Não se casam. Ou então, com esta cultura do provisório, dizem «ou vivo junto ou me caso, mas só CO N T I N UA NA PÁGINA 18

13 página 14 L OSSERVATORE ROMANO quinta-feira 17 de Setembro de 2015, número 38 Francisco conversa na rádio Milenium de Buenos Aires O amigo verdadeiro e a árvore de Martín Fierro MARCELO FIGUEROA [Domingo, 13 de Setembro a rádio Milenium de Buenos Aires, no âmbito do programa «Diálogos para el encuentro» transmitiu a entrevista concedida pelo Papa Francisco ao jornalista Marcelo Figueroa, pastor evangélico, durante vinte e cinco anos director da Sociedade Bíblica Argentina. A conversação teve lugar no Vaticano, na Casa de Santa Marta, no dia 25 de Agosto passado e foi a primeira entrevista que o Pontífice concedeu a uma rádio independente, não confessional. Publicamos a seguir a tradução das respostas de Francisco e uma síntese das perguntas formuladas pelo seu interlocut o r. ] Antes de tudo Figueroa agradeceu a hospitalidade. Obrigado a ti por me teres convidado a este diálogo para os ouvintes da rádio Milenium sobre um tema que eu tinha deixado incompleto para participar no conclave, durante a gravação que fizemos com o rabino Skorka e contigo: o tema da amizade (cf. L Osservatore Romano, ed. port., 3 de Setembro, pág. 12). Permaneci aqui, não voltei, tive que devolver a passagem aérea e o tema ficou suspenso. Pois bem, falemos agora sobre isto. Recordando o valor que desde sempre Bergoglio atribuiu ao conceito de amizade e a importância que ele assume também na Bíblia, a primeira pergunta foi: como vive a amizade agora, como Papa? Que continue como antes. Porque se há amizade, ela não muda porque se assume outra função. Não é assim? Nunca tive tantos amigos, entre aspas, como agora. Todos são amigos do Papa. A amizade é algo muito sagrado. A Bíblia diz: «Que tenhas um ou dois amigos». Antes de considerar alguém como amigo, deixa que o tempo o demonstre, vê como reage diante de ti. Foi o que aconteceu na nossa história. Tu evangélico, eu católico, trabalhamos juntos por Jesus. Não só sob o ponto de vista funcional, mas criando esta amizade que envolve também a tua esposa e os teus filhos. E na qual houve inclusive momentos obscuros. Não é verdade? Como quando tiveste que passar por aquele túnel da incerteza que te provocou uma doença. Admito que senti necessidade de estar perto de ti, da tua esposa e dos teus filhos. Porque um amigo não é um conhecido, com quem se passa só um bom momento de conversa. A amizade é algo profundo. Penso que Jesus quis que a nossa nascesse. Para além da tua piada, quando dizes que és «a ovelha protestante», temos uma proximidade humana que nos permite falar sobre realidades comuns de maneira profunda. Agradecendo ainda ao amigo Pontífice por um gesto (Francisco telefonou-lhe, preocupado, na Sexta-feira santa, antes de ir ao Coliseu), Figueroa frisou como a amizade deve ser cultivada precisamente nos momentos difíceis e como é difícil encontrar amigos verdadeiros: a sociedade contemporânea está a perder certos valores profundos. Do amigo por interesse já falava o nosso Martín Fierro: «Sê amigo do juiz e não lhe dês motivos para se lamentar. É sempre bom ter um tronco de árvore no qual poder coçar-se». Amizade interessada: mas que vantagem posso obter da proximidade com aquela pessoa e tornarme seu amigo... Isto entristece. Senti-me usado por pessoas que se apre- sentaram como amigas e que talvez vi uma ou duas vezes na minha vida, e usaram este facto para a sua vantagem. Mas a amizade interessada é uma experiência pela qual todos passamos. Amizade é acompanhar a vida do outro a partir de um pressuposto tácito. Em geral as amizades verdadeiras não se explicitam, nascem e são cultivadas. A ponto que outra pessoa entra na minha vida como preocupação, como bom desejo, como curiosidade sadia de saber como está ela, a sua família, os seus filhos. Isto é, entram aos poucos. Depois, há outra característica para distinguir a boa amizade das diferentes formas de amizade, que as chamamos assim mas na verdade são camaradagens, e assim por diante. É que com um amigo, se não o vês por muito tempo, às vezes passam meses e até anos, quando o encontramos é como se o tivéssemos visto ontem, há uma sintonia imediata. Esta é uma característica muito humana da amizade. A este ponto houve uma referência à amizade de Deus e ao facto de que a amizade tem inclusive um conteúdo espiritual. De facto, a atitude de Deus em relação ao seu povo está permeada de afecto paterno, naturalmente, mas também de amizade. Não sei como podemos interpretar o facto que Deus fala a Moisés face a face, como um amigo fala a outro amigo. Isto é: Deus amigo de Moisés! Aquela capacidade de lhe confiar tudo, os seus planos, o que teria feito. Referindo-se à amizade de Deus com Moisés e Abraão, Figueroa sugere outro aspecto: a amizade como aspecto fundamental nas diversas confissões de fé. E pergunta a Francisco como sente a urgência do encontro, do diálogo e da amizade entre as várias confissões. Na Bíblia há uma expressão depois da queda de Adão e Eva. Deus diz à serpente: porei inimizade entre ti e a mulher; e pouco depois Caim mata o seu irmão num acto de inimizade. Nós homens, pelo nosso pecado, pela nossa debilidade, fomentamos a cultura da inimizade. Das guerras aos mexericos de bairro, ou nos lugares de trabalho, onde se despreza, calunia e difama o outro com muita liberdade, como se fosse a coisa mais natural, até quando não é verdade contanto que se mantenha uma posição mais elevada ou qualquer outra vantagem. Diante da cultura da inimizade, saindo da amiza- Pablo Picasso, «Amizade» (1908) de pessoal para falar sobre amizade social, é preciso trabalhar por uma cultura do encontro, ou seja, da fraternidade. Na Bíblia há uma cena que inicia com a cultura da inimizade e acaba anos mais tarde com um encontro de amor: é a história de José, que por ciúmes é vendido pelos seus irmãos. E quando José os revê casualmente, por desígnio de Deus, após muitos anos, esconde-se para chorar, porque dentro de si ainda sentia amor pelos seus irmãos, não obstante o tivessem vendido. Nisto tens um exemplo de amor, amizade e cultura do encontro: «Eu sou José, vosso irmão. Como está o nosso pai?». Neste ponto, o pastor aprofundou a sugestão bíblica do Papa, relevando que naquela história se fala também de poder e do facto que no fim se esclarece que o único juiz das acções humanas deve ser Deus. É verdade, só Deus é juiz. Gostamos muito de agir como juízes. Porquê? Para nos distanciarmos. Julgar o outro cria distância, semeia distância. Como o homem da parábola do Evangelho que durante a madrugada foi semear joio, e semeou distância, semeou inimizade. Nesta cultura da inimizade que permeia tudo, os nossos gestos e buscas devem estar do lado da amizade. «É uma responsabilidade especial», acrescentou Figueroa, que envolve de maneira particular os homens de fé, os quais desempenham um papel fundamental na construção da paz. Nenhuma religião é imune aos próprios fundamentalismos. Em cada confissão haverá um grupo de fundamentalistas, cuja obra é destruir em nome de uma ideia, não de uma realidade. E a realidade é superior à ideia. Tanto no judaísmo, no cristianismo como no islamismo, na fé destes três povos, Deus acompanha o seu povo, é uma presença de companhia. Vemo-lo na Bíblia e os islâmicos no Alcorão. O nosso Deus está próximo, acompanha. Os fundamentalistas afastam Deus da companhia do seu povo, desencarnamno, transformam-no numa ideologia. Então, em nome deste Deus ideológico, matam, atacam, destroem, caluniam. Em termos mais concretos, transformam este Deus num Baal, num ídolo. Inspirado pela reflexão de Francisco, o pastor evangélico continuou a falar de um «mundo espiritualmente ferido», de uma espécie de «manto de obscuridade que atravessa todos os sectores: social, económico e político. Precisamos da luz que vem de Deus». É uma obscuridade transversal que nos tira horizontes, nos fecha em convicções, digo entre aspas, em ideologias. É um muro, portanto não há encontro, procura-se sempre o conflito no outro. Cria-se um muro em vez de construir uma ponte e deste modo não pode haver amizade entre os povos. Apesar de tudo isto, Figueroa perguntou se o Papa nutre o optimismo. O optimismo é uma atitude psicológica, sadia e boa. Há momentos em que sou pessimista. O problema é se temos esperança, e eu tenho esperança. A esperança não desilude. O optimismo pode desiludir. Amanhã levantas-te com uma dor no fígado e ficas pessimista. A esperança é saber que há a promessa de Deus. Foi o que Paulo disse a Timóteo: se formos infiéis, ele permanece fiel, porque não pode renegar-se a si mesmo; um Deus que é fidelidade. E por isso espera, sofre, tem paciência. É bom falar sobre a paciência de Deus. A paciência de Deus é um mistério, como é necessário ter paciência também para forjar uma boa amizade entre duas pessoas. Tempo e paciência. Como dizem os árabes: é preciso comer muitos quilos de sal. Falar demoradamente, estar juntos, conhecer-se: assim se forja uma amizade. A paciência na qual uma amizade é real e sólida. Porque nesse intervalo de tempo acontecem muitas situações às quais é preciso respon-

14 número 38, quinta-feira 17 de Setembro de 2015 L OSSERVATORE ROMANO página 15 O pastor evangélico Marcelo Figueroa ao lado do Papa der com amizade ou com indiferença. Neste ponto, o jornalista introduziu na conversa a figura de Jesus: «O que significa hoje a amizade com Jesus?». Na Ceia disse aos discípulos: não vos chamo servos mas amigos. O servo não sabe o que fará o senhor, o amigo sim. Isto é, conhece os seus segredos. O que significa hoje deixar-se chamar amigo por Ele? Porque, diante da palavra de Jesus que te chama amigo, ou és insensato, maldoso e não entendes o que significa, ou abres o teu coração e entras naquele diálogo de amizade. Jesus aposta nisto, teria podido atribuirlhes títulos, o mestre, o doutor. Mas não, vós sois os meus amigos, fostes escolhidos como amigos. Uma amizade, a de Jesus, observou Figueroa, que o Papa gosta de testemunhar quando se encontra com os fiéis. Sinto a necessidade de me aproximar; a proximidade, a intimidade. Às vezes alguns jovens me comovem, há doentes que me comovem, sinto esta necessidade. Certa vez na praça, ao passar vi uma idosa com olhos muito bonitos. Então parei, desci e perguntei-lhe: «Avozinha, quantos anos tens?» «Noventa e dois». Era forte, estava firme em pé. Disse-lhe: «Por que não me dás a receita?». «Como ravioli, e preparoos eu!». Que senso de humor! Que maravilha! Não digo que aquela senhora é minha amiga, mas que houve um estado de aproximação a uma vida. E marcou-me, porque me ensinou a sorrir, a olhar de modo límpido, ensinou- me o senso de humor. E continuou Figueroa: «Para essa mulher, e para muitos outros, o teu abraço, o teu olhar são interpretados como ternura e abraço de Jesus». Mas é Jesus que me abraça nela. Não só ofereço mas recebo também. Não só a receita de ravioli, mas recebo uma vida contente, alegre, um testemunho de vida. Preciso dos fiéis, eles premiam-me, dão-me algo da sua vida. Às vezes quando clamam, quando me aproximo para os saudar um por um e eles me contam os seus sofrimentos, eu acolho-os. O sacerdote deve ser uma ponte, por isso se diz pontífice, isto é aquele que constrói pontes, não quem se isola. Como quando nos isolamos numa atitude hierática, legalista ou de príncipe. E quando digo sacerdote, digo bispo, Papa. Quando nos afastamos, de qualquer forma encarnamos os personagens aos quais Jesus dedica todo o capítulo 23 do Evangelho de Mateus. Aqueles legalistas, fariseus, seduceus, doutores da lei que num certo sentido se sentiam «puros». Como é bonita aquela parábola do Evangelho na qual o fariseu diante do altar diz: «Ó Deus, dou-te graças porque não sou como os outros homens... nem como este publicano», que era um pobre pecador. E o outro dizia: «Ó Deus, tem piedade de mim, pecador». O que diz Jesus? «Este voltou para casa justificado, ao contrário do outro». Se um pastor não se aproximar do seu povo, não só para dar mas também para receber do seu povo, que tem o seu mesmo baptismo, isto é, a sua mesma identidade, não é pastor. A recordação pessoal do arcebispo que em Buenos Aires passava horas a saudar os fiéis impele o pastor evangélico a perguntar quanto é importante o exemplo dado pelos chefes religiosos. Não é só dar exemplo, é a minha identidade. Sinto-me sacerdote e vem-me espontâneo. Caso contrário, não seria sacerdote, seria um funcionário da Igreja. A mim vem espontâneo ser padre. Encontrar-me com os fiéis e ouvir não só as confidências das suas dores, mas também os bons conselhos que me oferecem. Em relação ao facto que muitos vêem o Papa como uma referência mundial para a paz, e pensam em premiá-lo, Figueroa perguntou como vive ele tanta c o n s i d e ra ç ã o. Sei que sou um pecador e então falo com Jesus e sorrio um pouco: «Como as pessoas são boas, o que pensam, como são boas». O que tenho de bom, devo-o a Ele. Puro dom, pura prenda. De plagiado nada tenho, é puro dom. Certamente, afirmou o jornalista, tanta naturalidade em aproximar-se das pessoas envolve também os não-católicos. Um pastor, qualquer que seja a sua confissão, não tem limites. É pastor e basta. Deve lutar contra os próprios egoísmos, também eu os tenho, a fim de que não anulem o que Jesus te pede, isto é, que sejas pastor, que estejas no meio do seu povo. No Evangelho de Jesus lê-se que o povo lo apretujaba [ apinhava-se ], usa precisamente este verbo. Abre-se outro capítulo no grande tema da amizade. A amizade entre homem e criação. Naturalmente com referência à encíclica Laudato si. É evidente que maltratamos a criação. Não somos amigos da criação. Às vezes maltratamo-la como o pior inimigo. Pensa na desflorestação, no mau uso da água, nos métodos de extracção dos minerais com elementos como o arsénico e o cianureto, que depois acabam por fazer mal às populações. Deus deu-nos uma incultura para que a tornássemos cultura. Quando diz: crescei e multiplicai-vos, dominai a terra, tende cuidado dela! Isto é, uma incultura para que fizéssemos cultura e assim aconteceu com o progredir da civilização, o homem fez cultura. Mas chegou o momento em que o homem já não é aquele que tem a missão de fazer a cultura, mas sentese dono. E vai em frente, sem considerar o que significa ter cuidado da terra e descuida-a. Descuida a criação para antepor os seus propósitos. E então o homem acaba por se tornar o criador de uma segunda incultura. A primeira incultura foi-nos dada por Deus para que fizéssemos cultura. Quando me aproprio com prepotência e soberba, além dos limites que a própria natureza me está a dar, começo a criar a incultura. A energia atómica é boa. Descobrimos uma energia que deve ser cuidada, protegida, mas que não é má em si mesma. Quando olhamos para o que aconteceu em Nagasaki e Hiroshima, há setenta anos, vemos o que é a cultura transformada em incultura. Em diversas ocasiões contei a história de um rabino medieval, do século XIII. Quando falo da Torre de Babel, certamente já me ouviste contá-la. Dizia que era um trabalho muito árduo porque era preciso fabricar tijolos e para os fazer era preciso preparar o barro, procurar a palha, misturá-los e depois de os ter misturado, confeccionar os tijolos, deixá-los secar, pô-los no forno, cozê-los e depois levá-los para cima da torre. Estavam a fazer uma cultura, queriam uma grande torre. Se caía um tijolo era um desastre e quem o tinha deixado cair era castigado. Se caía um pedreiro, nada acontecia, morria. Então Figueroa perguntou como devemos enfrentar um sistema tão perverso que degrada não só a natureza mas também o homem. Claramente o primeiro passo é ter consciência. É um sistema que, para ganhar dinheiro, porque por detrás de tudo está sempre o dinheiro, o «vitelo» é sempre de ouro, o ídolo é de ouro e está no centro. O homem foi deslocado e agora o dinheiro está no centro. Não se tem em consideração a criação, e nela o homem. A escravidão, o trabalho escravo, o não cuidar da criação, nem do rei da criação: ou seja, neste momento, temos uma má relação com a criação. Vem-me à mente uma expressão muito portenha, não sei se é apropriada na boca de um Papa: porque nos pasamos de rosca (isto é: superamos o limite). Não cuidamos da criação para poder explorar melhor as minas, cortamos as florestas para cultivar a monocultura, enquanto a terra precisa de várias culturas. Recordo-me quando estudava química: três anos o milho, dois anos alfafa, isto é, todo o processo de renovação do nitrogénio da terra. Agora monocultura até que a terra se esgote. Naturalmente o motivo é só económico, comentou o interlocutor. Por exemplo, os diques hidroeléctricos que foram projectados na Amazónia. A Amazónia inclui vários países, então não sei em qual país, portanto não falo mal de ninguém. Contudo, diques hidroeléctricos que significam um desequilíbrio total no ecossistema. Outra menção à encíclica na qual se lê «a injustiça não é invencível»: é demasiado tarde ou podemos nutrir espera n ç a? Recordo a frase de um dirigente político muito importante a nível mundial: «Não se trata de cuidar da criação para formar um mundo melhor para os nossos filhos, porque não haverá». Se continuarmos neste ritmo não haverá. Trata-se de cuidar da criação agora. Estamos no limite da irreversibilidade, e isto é trágico. Mas, por outro lado, não é invencível porque, mesmo se chegarmos à catástrofe, penso na nova terra e nos novos céus. Tenho esperança e sei que a criação será transformada. Por fim, Figueroa pediu uma mensagem para os ouvintes da rádio. Agradeço-vos por terdes dedicado parte do vosso tempo a ouvir a nós dois, que não somos uma telenovela divertida. Agradeço-vos todo o bem que podeis praticar ao cuidar da criação. Peço-vos que rezeis por mim, pois tenho necessidade de orações. E de todo o coração faço votos de que Deus vos abençoe. Grito da terra e dos pobres CO N T I N UA Ç Ã O DA PÁGINA 9 bretudo a COP 21 de Paris em início de Dezembro gostaria de propor que este diálogo se torne uma aliança autêntica para alcançar acordos ambientais globais realmente significativos. Neste percurso podeis contar com o meu apoio pessoal e de toda a Igreja, a partir daquele, indispensável, da oração. Desde já ofereço ao Senhor o nosso esforço comum, pedindo-lhe que o abençoe para que a humanidade saiba finalmente ouvir o grito da terra hoje a nossa mãe terra está entre os numerosos excluídos que imploram do Céu uma ajuda! A nossa mãe terra é uma excluída!, também o grito da terra, nossa mãe e irmã, e dos mais pobres entre quantos a habitam, e cuidar dela. Deste modo, a criação aproximar-se-á cada vez mais da casa comum que o único Pai imaginou como dom para a família universal das suas criaturas. Desça sobre todos vós a bênção de Deus. O brigado.

15 página 16 L OSSERVATORE ROMANO quinta-feira 17 de Setembro de 2015, número 38 Missas matutinas em Santa Marta Quinta-feira 10 de Setembro Como se faz a paz «Palavras, palavras, palavras», cantava Mina numa célebre canção. E também o Papa repetiu aquele refrão evocando o essencial do «estilo cristão». Que, sem muito palavreado e palavras bonitas, deve girar em torno do binómio «paz e misericórdia», e portanto em volta do perdão e da capacidade de nos suportarmos uns aos outros. Francisco recordou também as grandes guerras que se combatem, com a vergonha do comércio das armas, e os pequenos conflitos que dilaceram famílias, postos de trabalho e até as comunidades cristãs. «Há alguns dias recordou em primeiro lugar o Papa a liturgia falava-nos do trabalho que fez Jesus Cristo, o Senhor: trabalho de pacificação e de reconciliação». E, acrescentou, «anteontem, na comemoração litúrgica do nascimento de Nossa Senhora, pedimos a graça da paz e da reconciliação». «Paz e reconciliação», portanto, foi o que «fez Jesus: ele fez a paz». Precisamente «por esta razão, é chamado o príncipe da paz». O profeta Miqueias diz a este propósito: «E ele será a paz», aquele «que traz a luz, que faz a paz». Também «nos nossos corações, nas nossas almas», especificou Francisco. «E como fez Ele a paz? Dando a sua vida como uma oferta, uma oração para o perdão de todos». «Questiono-me prosseguiu o Papa se nós agradecemos o suficiente este dom da paz que recebemos em Jesus». Porque «a paz foi feita, mas não aceite». E assim, realçou, «ainda, todos os dias, nos noticiários, nos jornais, vemos que há guerras, destruições, ódio, inimizade. E aquela inimizade que o Senhor disse à serpente depois do pecado, existe!». Aliás, recordou, «há também homens e mulheres que trabalham tanto mas mesmo tanto! para fabricar armas que matam, armas que acabam por se manchar com o sangue de muitos inocentes, de muita gente». Há «guerras e a maldade de preparar a guerra, de construir armas contra os outros, para matar». Os termos da questão são claros: «A paz salva, a paz faz-te viver, crescer; a guerra aniquila-te, arrasta-te para baixo». É fácil ouvir pessoas que dizem: «Padre, foi terrível o que aconteceu ali!». Mas certas situações, recordou Francisco, não se verificam só longe de nós: «A guerra existe também nas nossas comunidades cristãs, entre nós». E, como resposta, o Papa relançou «o conselho que hoje nos dá a liturgia: p erdoaivos uns aos outros», referindo-se ao trecho da carta aos Colossenses (3, 12-17). Por conseguinte, disse, «são duas as palavras-chave». A primeira, «é o perdão: se não aprendermos a perdoar-nos, estaremos sempre em guerra». Daqui o convite de Paulo: «Assim como o Senhor vos perdoou, perdoai-vos também vós». Mas «se tu não souberes perdoar a c re s c e n - tou ainda Francisco não és cristão, porque não fazes o que fez o Senhor». Mais ainda: «Se tu não perdoares, não podes receber a paz do Senhor, o perdão do Senhor». O Pontífice recordou que «cada dia, quando rezamos o Pai-Nosso, dizemos: perdoai-nos, assim como nós perdoamos. E é explicou um condicional: procuremos convencer Deus que seja bom, como nós somos bons perdoando: ao contrário». A este propósito, o Papa comentou: «Palavras, não? Como se cantava naquela bonita canção Pa- lavras, palavras, palavras, não é? Penso que a canta Mina... Parole!». Este é, em síntese, o caminho certo: «Perdoai-vos! Como o Senhor vos perdoou, assim fazei vós! Perdoai-vos uns aos outros! E para nos perdoarmos, dou-vos um bom conselho: suportando-vos uns aos outros em família, no bairro, no trabalho... Suportando-vos uns aos outros». Sem bisbilhotar: «Aquele ali fez isso...». É necessário «tolerar, porque também aquele me suporta». Numa palavra, serve a «paciência cristã». Quantas mulheres heróicas prosseguiu Francisco existem no nosso povo que suportam para o bem da família, dos filhos, muitas brutalidades, injustiças: suportam e vão em frente com a família». E ainda: «Quantos homens heróicos há no nosso povo cristão que suportam levantar-se de manhã cedo para ir trabalhar muitas vezes um trabalho injusto, mal retribuído para regressar numa hora tardia da noite, para manter a esposa e os filhos»; «são estes os justos». Mas, afirmou o Papa, «quantos outros existem que, em vez de fazer o que devem, fazem trabalhar a língua e fazem a guerra». Com efeito, frisou, «o mesmo dano que faz uma bomba numa família, numa pequena aldeia, num bairro, num posto de trabalho», porque «a língua destrói, faz a guerra». Isto, especificou não sou eu que o digo, mas o apóstolo Tiago». Portanto, eis reproposto o conselho prático de são Paulo: «Assim como o Senhor vos perdoou, perdoai-vos também vós: suportaivos, perdoai-vos uns aos outros». «Há outra palavra explicou o Pontífice proferida por Jesus no Evangelho, porque se repete o mesmo tema: misericórdia». No trecho de Lucas (6, 27-38) o Senhor diz: «Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso». O convite é a «compreender os outros, não a condená-los: o Senhor, o Pai é muito misericordioso, sempre nos perdoa e quer fazer a paz connosco». Mas, perguntou Francisco, «se tu não fores misericordioso, como poderá o Senhor ser misericordioso contigo, porque seremos julgados com a mesma medida com a qual julgamos os outros?». Portanto, afirmou, «se tu és um sacerdote e não tens vontade de ser misericordioso, diz ao teu bispo para que te dê um trabalho administrativo, mas não vás ao confessionário, por favor!». Porque «um sacerdote que não é misericordioso faz tão mal no confessionário: maltrata as pessoas!». Talvez, alguém possa justificar-se dizendo: «Não, padre, eu sou misericordioso, mas sou um pouco nervoso...». Esta foi a resposta do Papa: «É verdade, antes de ires ao confessionário vai ao médico para que te dê um remédio contra os nervos! Mas sê misericordioso!». E devemos ser «misericordiosos também entre nós». Em vez de nos lamentarmos «mas aquele fez isto...» é necessário perguntar-se: «E eu o que fiz?». Aliás, quem pode dizer «aquele é mais pecador do que eu? Ninguém pode dizer isto. Só o Senhor sabe». Todos nós, continuou o Papa, «podemos dizer: sou pecador e preciso de misericórdia e de perdão. E por isso suporto os outros, perdoo os outros e sou misericordioso com os outros». E «quando a alma é assim, o estilo cristão é aquele que Paulo ensina aos seus: «Revesti-vos de sentimentos de ternura, bondade, humildade, mansidão, magnanimidade», como se lê na carta aos Colossenses. Por conseguinte, é precisamente este «o estilo cristão: não é a soberba, não é a condenação, não é falar mal dos outros». O estilo cristão é «ternura, bondade, humildade, mansidão, magnanimidade». E, em definitivo, «o estilo de Jesus, o estilo com o qual Jesus fez a paz e a reconciliação, até ao fim». A ponto que, «no final, no último suspiro de vida, conseguiu ouvir aquele ladrão que dizia; «Sim, sim, sim, vem comigo, querido, hoje estarás comigo no Paraíso». Francisco concluiu a sua meditação com uma oração: «Que o Senhor conceda a todos nós a graça de nos suportarmos uns aos outros, de perdoarmos, de sermos misericordiosos, como o Senhor é misericordioso connosco; e de ter este estilo cristão de ternura, bondade, humildade, mansidão, magnanimidade». Sexta-feira 11 de Setembro Risco de hipocrisia «Se encontrássemos uma pessoa que nunca falou mal de outra poderia ser canonizada imediatamente»: foi com uma expressão forte que Francisco advertiu contra a tentação «hipócrita» de apontar o dedo contra os outros. Convidando a ter antes «a coragem de dar o primeiro passo», reconhecendo os próprios erros e debilidades e acusando-se a si mesmo. Foi o conselho espiritual, centrado no perdão e na misericórdia, que o Pontífice sugeriu na missa celebrada na manhã de sexta-feira, porque «a hipocrisia» acrescentou é um risco que corremos «todos, começando pelo Papa». «Nestes dias frisou Francisco a liturgia fez-nos reflectir muitas vezes sobre a paz, sobre o trabalho de pacificar e reconciliar de Jesus, e também sobre o nosso dever de fazer o mesmo» ou seja «fazer a paz, a reconciliação». Além disso, prosseguiu o Papa, «a liturgia fez-nos reflectir também sobre o estilo cristão, acima de tudo acerca de duas palavras, palavras que Jesus praticou: perdão e misericórdia». Mas, insistiu Francisco, «devemos realizá-las também nós». E «assim prosseguiu nestes dias, a liturgia levou-nos a pensar nisto, a reflectir sobre este caminho da misericórdia, do perdão, do estilo cristão com aqueles sentimentos de ternura, bondade, humildade, mansidão, magnanimidade». Com efeito, o estilo cristão consiste em «suportar-nos reciprocamente, uns aos outros»: uma atitude que «leva ao amor, ao perdão, à magnanimidade». Porque «o estilo cristão é magnânimo, é grande». «O Senhor explicou o Pontífice disse-nos depois que, com este espírito grande, há também outra coisa: aquela generosidade, generosidade do perdão, generosidade da misericórdia». E «estimula-nos a ser assim, generosos, a dar: dar tudo de nós, do nosso coração; dar amor, sobretudo». Nesta perspectiva, acrescentou, «fala-nos da recomp ensa : se não julgardes não sereis julgados: se não condenardes não sereis condenados». Portanto este, afirmou Francisco, «é o resumo do Senhor: perdoai e sereis perdoados; dai e ser-vos-á dado». Mas «o que vos será dado? Uma medida boa, repleta, cheia, transbordante recordou o Papa servos-á derramada no regaço, porque com a medida com que medirdes será medido o vosso caminho». Em síntese, «se tiveres uma grande medida de amor, de misericórdia, de generosidade, assim serás julgado; se assim não for, assim serás julgado segundo a tua medida». Esta «é a síntese do pensamento da liturgia destes dias», observou o Pontífice. Todos nós, comentou, «podemos dizer: Ah, que bonito. Padre, é bonito, mas como se faz, como se começa isto? E qual é o primeiro passo para ir por este caminho?». Encontra-se precisamente na liturgia, é a resposta sugerida pelo Papa, este primeiro passo, quer na primeira leitura quer no Evangelho. E «o primeiro passo é a acusação de si mesmo, a coragem de se acusar a si mesmo, antes de acusar os outros». O apóstolo Paulo, na primeira carta a Timóteo (1, ), «louva o Senhor porque o elegeu e dá graças porque lhe deu confiança pondome ao seu serviço, a mim que era um blasfemador, um perseguidor e um violento». Esta, explicou Francisco, «foi misericórdia». Paulo «diz de si mesmo o que era, um blasfemador, mas quem blasfemava era condenado à lapidação, à morte». Por conseguinte, Paulo era um «perseguidor de Jesus Cristo, um violento, um homem que não tinha paz na sua alma nem fazia as pazes com os outros». Mas «hoje Paulo ensina-nos a acusarmo-nos a nós próprios». No trecho evangélico de Lucas (6, 39-42) «o Senhor, com aquela imagem do cisco que está no olho do teu irmão e da trave que está no teu, ensina-nos o mesmo: irmão, tira primeiro a trave do teu olho, acusa-te primeiro a ti mesmo; e então verás bem para tirar o cisco do olho do teu irmão». Por conseguinte o «primeiro passo» é: «acusa-te a ti mesmo». Assim Francisco sugeriu também um exame de consciência «quando nos vêm os pensamentos sobre outras pessoas», como: «Mas repara,

16 número 38, quinta-feira 17 de Setembro de 2015 L OSSERVATORE ROMANO página 17 Amir Yeke «Em volta da hipocrisia» (2011) este assim, aquele assim, ele faz isto e aquilo...». Precisamente nestes momentos é oportuno perguntar a si mesmo: «E tu, que fazes?, Eu o que faço». Sou justo? Sinto-me o juiz que tira o cisco dos olhos dos outros e os acuso?». Para estas situações Jesus escolhe a palavra «hipócrita» que, observou o Papa, «usa apenas com os que têm duas caras, duas almas: hipócrita!». O homem e a mulher «que não aprendem a acusar-se a si mesmos tornam-se hipócritas». Todos! Começando pelo Papa: todos!». Com efeito, prosseguiu, «se um de nós não tem a capacidade de se acusar a si mesmo e depois dizer, se for necessário, a quem se devem dizer as coisas acerca dos outros, não é cristão, não entra nesta obra tão boa da reconciliação, da pacificação, da ternura, da bondade, do perdão, da magnanimidade, da misericórdia que Jesus Cristo nos trouxe». Por isso, afirmou o Pontífice, «se tu não puderes dar este primeiro passo, pede ao Senhor a graça de uma conversão». E «o primeiro passo é precisamente este: sou capaz de me acusar a mim mesmo? E como se faz?». A resposta afinal é «simples, é uma prática simples». Francisco sugeriu este conselho prático: «Quando me vem à mente pensar nos defeitos dos outros, paro: Ah, e eu?. Quando sinto vontade de dizer aos outros os defeitos de alguém, paro: E eu?». É preciso ter também «a coragem que teve Paulo» quando escreveu de si a Timóteo: «Eu era um blasfemador, um perseguidor, um violento». Mas, perguntou o Papa, «quantas coisas podemos dizer de nós mesmos?». E então «poupemos os comentários sobre o próximo e façamos comentários sobre nós». E assim daremos deveras «o primeiro passo por este caminho da magnanimidade». Porque quem «sabe ver unicamente o cisco no olho do outro, acaba na mesquinhez: uma alma mesquinha, cheia de pequenezas, cheia de mexericos». Antes de prosseguir a celebração, o Pontífice convidou a pedir na oração «ao Senhor a graça esta é também a coragem de Paulo de seguir o conselho de Jesus: ser generosos no perdão, ser generosos na misericórdia». A ponto que, concluiu, «para reconhecer a santidade numa pessoa deve ser feito um processo, é preciso um milagre, e depois a Igreja proclama-a santa. Mas se se encontrasse uma pessoa que nunca tivesse falado mal do próximo poderia ser canonizada imediatamente. Seria bom, não?». Segunda-feira 14 de Setembro Pelo caminho da humildade Para contemplar Jesus na cruz não é necessário deter-nos diante das pinturas até muito bonitas, mas que contudo não representam a dura realidade daquele suplício dilacerante. Sugeriu-o o Papa, evocando a imagem da «serpente feia» para tornar ainda mais viva e incisiva a meditação. A ponto que precisamente a cruz e a serpente estiveram no centro da homilia da missa de segundafeira, na qual participaram os cardeais conselheiros. «Parece que o protagonista destas leituras de hoje é a serpente e aqui há uma mensagem», realçou de facto Francisco. Sim «há uma profunda profecia nesta apresentação da serpente» que, explicou, «foi o primeiro animal a ser apresentado ao homem, o primeiro sobre o qual se fala na Bíblia», com a definição de «mais astuto entre os animais selvagens que o Senhor tinha criado». E «a figura da serpente não é bonita, causa sempre medo»: não obstante «a pele da serpente seja bonita», permanece o facto de que a serpente tem uma atitude que assusta». O Génesis, afirmou o Papa, «diz que é a mais astuta» mas também que «é uma encantadora e tem a capacidade de seduzir, de nos fascinar. Mais ainda: «é uma mentirosa, é uma invejosa porque devido à inveja do diabo, da serpente, o pecado entrou no mundo». Mas «tem esta capacidade da sedução para nos arruinar: promete-te muitas coisas, mas na hora de pagar paga mal, é uma má pagadora». Porém, frisou o Pontífice, a serpente «possui esta capacidade de seduzir, de encantar». Paulo, por exemplo, «irrita-se com os cristãos de Galácia que lhe deram muito trabalho» e diz-lhes: «Estultos Gálatas, quem vos encantou? A vós que fostes chamados à liberdade, quem vos encantou?». Quem os corrompeu foi precisamente a serpente «e esta não é uma novidade: estava na consciência do povo de Israel». Repropondo o trecho hodierno, tirado do livro dos Números (21, 4-9), Francisco recordou que «para salvar daquele veneno das serpentes o Senhor disse a Moisés que fizesse uma serpente de bronze: quem olhava para aquela serpente salvava-se». E «esta é uma figura, uma profecia, uma promessa: uma promessa não fácil de compreender». O Evangelho de hoje (Jo 3, 13-17) narra-nos também que «o próprio Jesus explica a Nicodemos um pouco mais» o gesto de Moisés: com efeito, assim como ele «enalteceu a serpente no deserto, também deve ser enaltecido o Filho do homem, para que quem nele acreditar tenha a vida eterna». Em síntese, o Papa disse, «aquela serpente de bronze era uma figura de Jesus elevado na Cruz». Por que razão, perguntou Francisco, «o Senhor tomou como exemplo esta figura tão feia, tão má?». Simplesmente foi a sua resposta «porque ele veio para carregar sobre si todos os nossos pecados», tornando-se «o maior pecador sem ter cometido pecado algum». Assim Paulo narra que Jesus se fez pecado por nós: portanto, retomando a figura Cristo fez-se serpente. «É feio!», comentou o Pontífice. Mas deveras «Ele fez-se pecado para nos salvar: é este o significado da mensagem da liturgia da Palavra de hoje». É exactamente «o percurso de Jesus: Deus fez-se homem e assumiu sobre si o pecado». Na carta aos Filipenses (2, 6-11), proposta pelas leituras de hoje, Paulo explica este mistério, também porque, realçou o Papa, gostava muito dele. «Mesmo estando na condição de Deus, Jesus não considerou um privilégio ser como Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, assumindo uma condição de servo, tornando-se semelhante aos homens; humilhou-se a si mesmo, tornandose obediente até à morte, e morte de c ru z». Por conseguinte, repetiu Francisco, «aniquilou-se a si mesmo: tornou-se pecado por nós, Ele que não conhecia o pecado». Este, portanto, «é o mistério» e nós «podemos dizer: tornou-se uma serpente feia, que dá repulsão, por assim dizer». Há muitas pinturas, afirmou Francisco, que nos ajudam a contemplar «Jesus na cruz, mas a realidade é outra: era tudo deturpado, ensanguentado pelos nossos pecados». Aliás, «este é o caminho que Ele percorreu para vencer a serpente no seu campo». Portanto, sugeriu o Papa, é necessário «olhar sempre para a cruz de Jesus, mas não para aquelas cruzes artísticas, bem pintadas»: ao contrário, olhar «para a realidade, o que era a cruz naquele tempo». E «olhar para o seu percurso», recordando que «se aniquilou a si mesmo, se rebaixou para nos salvar». «Também este é o caminho do cristão», continuou o Pontífice. Com efeito, «se um cristão quiser ir em frente pelo caminho da vida cristã deve rebaixar-se, como Jesus se rebaixou: é o caminho da humildade» que prevê «que se carregue sobre si as humilhações, como as carregou Jesus». É precisamente isto, insistiu o Santo Padre, «o que a liturgia nos diz hoje nesta festa da santa Cruz». E que o Senhor, concluiu, «nos dê a graça que pedimos a Nossa Senhora aos pés da Cruz: a graça de chorar, de chorar de amor, de chorar de gratidão porque o nosso Deus nos amou a tal ponto que enviou seu Filho para que se rebaixasse e se aniquilasse para nos salvar». Te r ç a - f e i r a 15 de Setembro Maternidade contagiosa Num mundo que parece «órfão» há a esperança de uma «maternidade contagiosa» que traga acolhimento, ternura e perdão. Na memória litúrgica da Virgem das Dores, o Papa Francisco quis reflectir sobre a maternidade de Maria e da Igreja, que sem esta característica se reduz a «uma associação rígida». Começou com o texto evangélico de João «Mulher, eis aí o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí a tua mãe!» (19, 25-27) a meditação do Pontífice durante a missa celebrada hoje na presença dos cardeais conselheiros: «É a segunda vez frisou que Maria ouve o seu Filho chamarlhe mulher». Com efeito, a primeira foi em Caná quando Jesus disse à mãe: «A minha hora ainda não chegou»; a segunda é esta, aos pés da cruz, quando lhe entrega um filho. Devemos observar que «naquela primeira vez ela ouviu a palavra» de Jesus, mas depois assumiu a situação dizendo aos servos: «Fazei o que Ele vos disser». Ao contrário, nesta circunstância é Jesus que toma a iniciativa: «Mulher, o teu filho». E naquele momento, disse Francisco, Maria «torna-se outra vez mãe». Isto é, a sua maternidade «alarga-se na figura daquele novo filho, alargase a toda a Igreja e a toda a humanidade». E nós, hoje, não podemos «pensar em Maria sem a pensar como mãe». E nesta época em que, afirmou o Pontífice, temos a sensação de «orfandade», esta palavra «tem uma grande importância». Ou seja, Jesus diz-nos: «Não vos deixo órfãos, dou-vos uma mãe». Uma herança que é também «o nosso orgulho: temos uma mãe, que está connosco, nos protege, acompanha, ajuda, também nos tempos difíceis, nos maus momentos». Para melhor argumentar esta sua consideração, o Papa fez referência à tradição dos antigos monges russos, os quais «nos momentos das turbulências espirituais» dizem que devemos refugiar-nos «sob o manto da Santa Mãe de Deus». Um conselho que encontra confirmação na «primeira antífona latina mariana: Sub tuum praesidium confugimus»; nesta primeira oração encontramos a «mãe que nos acolhe, protege e cuida». Mas, acrescentou o Papa, «podemos dizer que esta maternidade de Maria vai além» e é «contagiosa». De facto, referindo-se às meditações do antigo «abade do mosteiro de Stella, Isaac», podemos dar-nos conta de que além da «maternidade de Maria» há também uma «segunda ma- CO N T I N UA NA PÁGINA 19

17 página 18 L OSSERVATORE ROMANO quinta-feira 17 de Setembro de 2015, número 38 Nos meses de Setembro, Outubro e Novembro Calendário das celebrações presididas pelo Papa S e t e m b ro 19 SÁBAD O 28 SEGUNDA-FEIRA Viagem Apostólica a Cuba e aos Estados Unidos da América O utubro 3 SÁBAD O Praça de São Pedro, 19h00, Vigília de oração em preparação para a XIV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos 4 27º DOMINGO D O TEMPO COMUM Basílica de São Pedro, 10h00, Capela Papal, Santa Missa para a inauguração da XIV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos 18 29º DOMINGO D O TEMPO COMUM Praça de São Pedro, 10h15, Capela Papal, Santa Missa e Canonização dos Beatos: Vicente Grossi, Maria da Imaculada Conceição, Ludovico Martin e Maria Zélia Guérin 25 30º DOMINGO D O TEMPO COMUM Basílica de São Pedro, 10h00, Capela Papal, Santa Missa para o encerramento da XIV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos N o v e m b ro 1 DOMINGO SOLENIDADE DE TOD OS OS SANTOS Cemitério «del Verano», 16h00, Santa Missa 2 SEGUNDA-FEIRA COMEMORAÇÃO DE TOD OS OS FINAD OS Grutas do Vaticano, 18h00, Momento de oração pelos Sumos Pontífices falecidos 5 QU I N TA -FEIRA Basílica de São Pedro, Altar da Cátedra, 11h30, Capela Papal, Santa Missa em sufrágio pelos Cardeais e Bispos que faleceram durante o ano 15 DOMINGO Visita à igreja evangélica e luterana de Roma, 16h00 25 QUA R TA -FEIRA 30 SEGUNDA-FEIRA Viagem Apostólica ao Quénia, Uganda e República Centro-Africana Cidade do Vaticano 12 de Setembro de Monsenhor GUID O MARINI Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias Entrevista à Rádio Renascença CO N T I N UA Ç Ã O DA PÁGINA 13 enquanto dura o amor, depois, tchau...». E que diz a quem vive uma moral contrária à indicação da Igreja e que tem esta ansiedade de perdão? Lá no Sínodo vai-se falar de todas as possibilidades de ajudar estas famílias. Que uma coisa fique clara e que o Papa Bento o deixou bem esclarecido: as pessoas que vivem uma segunda união não estão excomungadas e têm de ser integradas na vida da Igreja. Isso ficou claríssimo. E eu, no outro dia na catequese, também o disse claramente: aproximarse da missa, da catequese, na educação dos filhos, nas obras de caridade... há mil coisas, não é? Santidade, gostaria de terminar com perguntas sobre a sua vocação. No início de Março de 2013, preparava-se para ir para a «reforma». Já tinha decidido onde ia ficar a viver, etc.. No entanto, tornou-se um dos homens mais famosos a nível mundial. Como vive esta circunstância? Não perdi a paz. É um dom... a paz é um dom de Deus. É um dom que Deus me deu, algo que eu não imaginava, pela idade que tenho e por tudo isso. E, mais ainda, eu até já tinha previsto o meu regresso, pensando que nenhum Papa seria escolhido na Semana Santa. Então, se demorássemos a elegê-lo, teríamos de nos despachar até sábado, antes do Domingo de Ramos. E comprei um bilhete de regresso, para poder celebrar Missa no Domingo de Ramos e até deixei preparada, na minha escrivaninha, a homilia. Foi uma coisa que eu não esperava e, em Dezembro, deixaria o cargo para o qual ia ser nomeado um sucessor. Assim... há toda uma aventura, agora, à sua f re n t e. Tudo... mas não perdi a paz. Não perdi a paz. Papa Francisco é amado em todo o mundo, a sua popularidade cresce, como revelam as sondagens, e tantos querem vê-lo candidato ao prémio Nobel. Mas Jesus avisou os seus: «Sereis odiados por causa do meu nome». Como é que se sente, Santidade? Muitas vezes me pergunto como será a minha cruz, como é a minha cruz... As cruzes existem. Não se vêem, mas estão lá. E também Jesus, num certo momento, foi muito popular e, depois, acabou como acabou. Ou seja, ninguém tem garantida a felicidade mundana. A única coisa que eu peço, é que me conserve a paz do coração e que me conserve na sua Graça, porque, até ao último momento, somos pecadores e podemos renegar a sua Graça. Consola-me uma coisa: que São Pedro cometeu um pecado muito grave renegar Jesus e, depois, fizeramno Papa... Se com este pecado o fizeram Papa, com todos os que eu tenho, consolo-me, pois o Senhor cuidará de mim como cuidou de Pedro. Mas Pedro morreu crucificado, enquanto eu não sei como vou terminar. Que Ele decida, desde que me dê a paz, que Ele faça o que quiser. Como é que vive a sua liberdade sendo Papa? Apareceu de surpresa numa missa em S. Pedro, de manhã cedo, foi ao oculista arranjar os óculos P re c i - sa do contacto com as pessoas? Sim, tenho necessidade de sair, mas ainda não chegou a altura certa... mas, pouco a pouco, vou tendo contacto com as pessoas às quartasfeiras e isso ajuda-me muito. Sim, a única coisa que estranho em relação a Buenos Aires é sair a «callejear», andar na rua. E terminamos com umas perguntas rápidas: o que lhe tira o sono? Posso dizer-lhe a verdade? Durmo como uma pedra! [risos] E o que o faz correr? Sempre que há muito trabalho. O que nunca é urgente, que pode espera r? O que não é urgente? As pequenas coisas que podem esperar até amanhã, ou depois. Há coisas que são muito urgentes e outras que não são urgentes... mas não saberei dizer-lhe, em concreto, que isto é mais urgente do que aquilo. Com que frequência se confessa? Todos os 15 dias, 20 dias. Confesso-me a um padre franciscano, o padre Blanco, que tem a bondade de vir cá confessar-me. E nunca tive de chamar uma ambulância para o levar de regresso, assustado com os meus pecados! [risos] Como e onde gostaria de morrer? Onde Deus quiser. A sério... onde Deus quiser... CO N T I N UA Ç Ã O DA PÁGINA 1 A última: como imagina a eternidade? Quando era mais novo, imaginava-a muito aborrecida [risos]. Agora, penso que é um Mistério de encontro. É quase inimaginável, mas deve ser algo muito bonito e maravilhoso encontrar-se com o Senhor. Obrigada, Santo Padre. Obrigado eu, e uma grande saudação a todos os ouvintes desta rádio. E, por favor, peço-vos que rezeis por mim. Que Deus vos abençoe e que a Virgem de Fátima vos p ro t e j a. Sínodo e comunhão por uma maioria muito ampla. Mas determinante, juntamente com o trabalho na sala e nos bastidores de muitos padres e peritos, foi a escolha do Papa de obter, com mediações pacientes e gestos claros, o máximo possível dos consensos sobre a linha reformadora, como depois aconteceu. No longo discurso de reabertura, Paulo VI não abordou os temas debatidos na assembleia para «não prevenir com a nossa palavra a livre orientação das vossas opiniões acerca das matérias propostas» mas quis renovar com força a confiança no Vaticano II: «Este concílio é grande!», grande quiddam hoc est concilium! exclamou o Papa. E, depois dos agradecimentos a quantos trabalhavam sem se ver, anunciou duas novidades, saudadas na sala por reiterados aplausos: um sínodo dos bispos, «composto de prelados, nomeados na maioria pelas Conferências episcopais» e «convocado, segundo as necessidades da Igreja, pelo Romano Pontífice, para a sua consulta e colaboração», e uma visita à sede das Nações Unidas em Nova Iorque. Ao anúncio seguiu-se uma nova surpresa quando, no dia seguinte, 15 de Setembro, Paulo VI desceu a São Pedro para ouvir com os padres conciliares a leitura do motu proprio intitulado Apostolica sollicitudo, que instituía o novo organismo. No debate na sala e num esboço preparatório do documento sobre os bispos, desejava-se a criação de um conselho de prelados, mas o Papa antecipou-se. Para a nova instituição, Montini significativamente escolheu o nome grego (sýnodos, «caminho conjunto»), das mais antigas reuniões episcopais, e sobretudo introduziu um novo elemento de colegialidade no coração da Igreja. Em cinquenta anos, o caminho do Sínodo dos bispos foi longo e nem sempre fácil. Mas se num plano teológico as avaliações foram e podem ser diferentes, sob um ponto de vista histórico contudo não imune precisamente de preconceitos teológicos, que sem dúvida não facilitam a compreensão dos acontecimentos não há dúvida que a instituição sinodal desejada por Montini contribuiu efectivamente, no sulco do Vaticano II, para o crescimento de uma colegialidade vivida e mais em geral da comunhão católica. Graças à garantia de liberdade e de fidelidade à palavra de Cristo, asseguradas pelo sucessor de Pedro, como repetiu o Papa concluindo o último sínodo extraordinário sobre a família.

18 número 38, quinta-feira 17 de Setembro de 2015 L OSSERVATORE ROMANO página 19 INFORMAÇÕES Audiências O Papa Francisco recebeu em audiências particulares: No dia 10 de Setembro D. Luigi Bonazzi, Núncio Apostólico no Canadá. No dia 11 de Setembro O Senhor Cardeal Marc Ouellet, Prefeito da Congregação para os Bisp os. No dia 12 de Setembro O Senhor Cardeal Giuseppe Versaldi, Prefeito da Congregação para a Educação Católica (dos Institutos de Estudos), com o Secretário do mesmo Dicastério, D. Angelo Vincenzo Zani, Arcebispo Titular de Volturno; D. Guido Pozzo, Secretário da Pontifícia Comissão «Ecclesia Dei»; o Senhor Cardeal Angelo Bagnasco, Arcebispo de Génova (Itália), Presidente da Conferência Episcopal Italiana; e o Rev. do Pe. Raul Reinaldo Troncoso. No dia 15 de Setembro D. Martin Krebs, Núncio Apostólico na Nova Zelândia, Fiji, Ilhas Cook, Ilhas Marshall, Quiribati, Nauru, Palau, Samoa, Estados Federados da Micronésia, Vanuatu e Tonga, e Delegado Apostólico no Oceano Pacífico. Renúncias O Santo Padre aceitou a renúncia: A 16 de Setembro De D. José González Alonso, ao governo pastoral da Diocese de Cajazeiras (Brasil), em conformidade com o cânone do Código de Direito Canónico. Beatificado na África do Sul o leigo Benedict Daswa Apóstolo de paz «Mártir da fé, apóstolo de paz e fraternidade e benfeitor do seu povo»: foi o perfil que o cardeal Angelo Amato traçou de Benedict Daswa ( ), leigo e pai de família, primeiro beato sul-africano, assassinado por ódio à fé porque não quis aderir a um culto tribal. A missa de beatificação foi celebrada no domingo 13 de Setembro, em Tohoyandou, na diocese de Tzaneen, na África do Sul. O cardeal prefeito da Congregação para as Causas dos Santos presidiu ao rito, em representação do Pontífice, e iniciou a homilia recordando as palavras da carta de beatificação com as quais o Papa Francisco exaltou a figura de Benedict Daswa, missionário de Cristo na terra da África, evidenciando sobretudo o seu compromisso laical de «catequista competente, professor zeloso, testemunha do Evangelho até à efusão do sangue». Benedict Daswa, cujo nome tradicional significa «maravilha», «milagre», frisou o purpurado, foi «uma autêntica maravilha de Deus, um verdadeiro milagre da graça». De facto, «o Espírito Santo transformou esse jovem sul-africano num autêntico herói do Evangelho. O seu coração estava cheio do amor a Deus e aos irmãos». Para Amato, a figura de Benedict aproxima-se muito daquela dos «primeiros mártires da Igreja que, no tempo das perseguições dos imperadores romanos, defenderam a sua fé com a oração, a coragem e o perdão dos inimigos. Deste modo transformaram a derrota aparente em vitória, porque o seu sangue se tornou a semente fecunda de gerações de cristãos». Da mesma forma «ainda hoje na África, assim como em muitas partes do mundo, os católicos jovens, adultos, homens e mulheres, testemunham com coragem a fé diante das opressões e perseguições injustas». Neste sentido, acrescentou, «hoje toda a Igreja católica está presente aqui em Tohoyandou para celebrar a memória desse jovem e heróico pai de família. A beatificação de Benedict é uma bênção para a Igreja inteira, para a vossa comunidade e para a África. É a primeira cerimónia na história da diocese de Tzaneen e da Igreja sul-africana». Assim, honrando o mártir Benedict, «a Igreja convida os católicos a nutrir só sentimentos de caridade, de fraternidade, de concórdia, de solidariedade, não obstante as diferenças étnicas, sociais e religiosas. A Igreja católica exalta os seus mártires e santos porque são mensageiros de paz e de bondade. As suas vidas são remédios eficazes para sarar os corações das feridas do ódio, da divisão, do desprezo ao próximo». Com a sua vida Benedict escreveu «outra página gloriosa» da Igreja na África, que «respondeu sempre de modo generoso à chamada de Cristo com uma longa tradição de santos e mártires». A partir recordou o cardeal Amato num rápido elenco de santo Agostinho e de sua mãe, santa Mónica, das jovens mártires Felicidade e Perpétua, dos santos mártires do Uganda, a beata congolesa Clementina Anwarite, a beata malgaxe Vitória Rasoamanarivo, a santa sudanesa Josefina Bakhita e o beato congolês Isidoro Bakanja. Benedict, nascido numa família que seguia a religião tradicional africana, converteu-se ao catolicismo quando tinha 17 anos, foi cruelmente assassinado nos arredores da sua casa na noite de 2 de Fevereiro de 1990, no período em que a República da África do Sul celebrava na alegria o fim do apartheid. Segundo o purpurado, são três as mensagens que o beato Benedict Daswa «deixa a todos nós». Em primeiro lugar, «convida-nos a ser como ele, testemunhas autênticas de Cristo e da sua palavra de vida. Só assim nos tornamos sal da terra e luz do mundo». Em segundo lugar, «encoraja-nos a ser também nós evangelizadores e missionários de Cristo, para sermos purificados dos nossos limites e pecados». De facto, Cristo ressuscitado é «o vencedor do pecado, do mal e da morte. A Igreja é o lugar desta liberdade espiritual, que plasma uma humanidade boa e santa. Este é o Evangelho da graça que Benedict nos convida a meditar, viver e pregar com a vida, as palavras e as acções». Em terceiro lugar, o cardeal Amato recordou como o beato Benedict foi um pai de família «que amava a vida, acolhendo-a, curando-a e protegendo-a» e «os seus filhos eram recebidos com alegria e gratidão como dons de Deus». Nomeações O Sumo Pontífice nomeou: No dia 12 de Setembro Enviado Especial ao Congresso Eucarístico Nacional da Índia, que terá lugar em Mumbai de 12 a 15 de Novembro, o Senhor Cardeal Albert Malcolm Ranjith Patabendige Don, Arcebispo de Colombo (Sri Lanka). A 14 de Setembro Auxiliar de Roma (Itália), o R e v. mo Mons. Angelo De Donatis, até hoje Pároco de São Marcos Evangelista no Capitólio, simultaneamente eleito Bispo Titular de Mottola. D. Angelo De Donatis nasceu a 4 de Janeiro de 1954, em Casarano (Itália). Foi ordenado Sacerdote no dia 12 de Abril de No dia 15 de Setembro Bispo de Kansas City Saint Joseph (E UA ), D. James Vann Johnston, até esta data Bispo de Springfield Cape Girardeau. CO N T I N UA Ç Ã O DA PÁGINA 17 Missa em Santa Marta ternidade», a «da Igreja», a nossa «santa mãe Igreja», que nos gera no baptismo, nos faz crescer «na sua comunidade» e tem aquelas atitudes próprias da maternidade: «A mansidão, a bondade: a mãe Maria e a mãe Igreja sabem acariciar os seus filhos, dão ternura». É, sublinhou Francisco, uma característica fundamental: de facto, conceber a Igreja sem esta maternidade, é como pensar «numa associação rígida, sem calor humano, órfã». A Igreja, ao contrário, «é mãe e recebe-nos como mãe: Maria mãe, a Igreja mãe». Não é tudo. É ainda o abade Isaac que acrescenta outro detalhe que, disse o Papa, nos poderia «escandalizar», ou seja, que «inclusive a nossa alma é mãe», e também em nós está presente uma maternidade «que se exprime nas atitudes de humildade, acolhimento, compreensão, bondade, perdão e ternura». Cada uma destas maternidades provém precisamente das «palavras de Jesus à sua mãe» que estava aos pés da cruz. E, explicou o Papa, onde há maternidade «há vida, alegria, paz, cresce-se em paz», ao contrário, quando ela falta, permanece só «a rigidez, aquela disciplina» e, acrescentou, «não se sabe sorrir». Daqui o convite a pensar, que «uma das coisas mais bonitas e humanas é sorrir a uma criança e fazer com que ela sorria». Enfim, aplicando a meditação à celebração eucarística, o Pontífice concluiu: «Agora façamos o memorial da Cruz, Jesus vem aqui e renova mais uma vez o seu sacrifício por nós e pela sua Mãe»; no sacrifício eucarístico, explicou, estão presentes ambos, «embora de forma diferente: a mãe espiritualmente, ele de modo real». A oração ao Senhor é para que «nos faça ouvir também hoje», no momento em que «outra vez se oferece ao Pai por nós», as palavras: «Filho, eis aí a tua mãe!». Quatro mil jovens re l i g i o s o s no Vaticano Quatro mil jovens religiosos e religiosas provenientes de todo o mundo inclusive do Irão, Filipinas, Costa do Marfim e Zimbábue reúnem-se no Vaticano nos dias de Setembro, para o encontro mundial sobre o tema «Despertai o mundo Evangelho, profecia, esperança», organizado pelo dicastério para a vida consagrada. Entre as finalidades do congresso: viver uma experiência de formação através de um aprofundamento bíblico, teológico-carismático e eclesiológico; oferecer um espaço de partilha da própria realidade, dos desejos e expectativas formativas; celebrar e testemunhar a beleza da vocação. O programa prevê para o dia 17 um encontro com o Papa Francisco e no dia 18 uma festa na praça de São Pedro.

19 página 20 L OSSERVATORE ROMANO quinta-feira 17 de Setembro de 2015, número 38 Na audiência geral votos de uma nova aliança entre homem e mulher O nó de ouro Recordando o encontro mundial de Filadélfia e o Sínodo dos bispos, o Papa concluiu na audiência geral de quarta-feira 16 de Setembro, na praça de São Pedro as reflexões sobre o matrimónio e a família. Caros irmãos e irmãs, bom dia! Esta é a nossa reflexão conclusiva sobre o tema do matrimónio e da família. Estamos na vigília de eventos bons e exigentes, que estão directamente ligados a este grande tema: o encontro mundial das famílias em Filadélfia e o Sínodo dos Bispos aqui em Roma. Ambos têm uma importância mundial, que corresponde à dimensão universal do cristianismo, mas também ao alcance universal desta comunidade humana fundamental e insubstituível, que é a família. Esta passagem de civilização está marcada pelos efeitos a longo prazo de uma sociedade administrada pela tecnocracia económica. A subordinação da ética à lógica do lucro dispõe de meios consideráveis e de um enorme apoio mediático. Neste cenário, uma nova aliança do homem e da mulher torna-se não apenas necessária, mas estratégica para a emancipação dos povos da colonização do dinheiro. Esta aliança deve voltar a orientar a política, a economia e a convivência civil! Ela decide a habitabilidade da terra, a transmissão do sentimento da vida, os vínculos da memória e da esperança. Desta aliança, a comunidade conjugal-familiar do homem e da mulher é a gramática generativa, o «nó de ouro», poderíamos dizer. A fé obtém-na da sabedoria da criação de Deus, que confiou à família não o cuidado de uma intimidade com o fim em si mesma, mas o emocionante desígnio de tornar o mundo «doméstico». A família está no início, na base desta cultura mundial que nos salva; ela salva-nos de muitos ataques, destruições e colonizações, como a do dinheiro ou das ideologias que ameaçam em grande medida o mundo. A família é a base para se defender! Da Palavra bíblica da criação tiramos a nossa inspiração essencial, nas breves meditações de quarta-feira sobre a família. Desta Palavra podemos e devemos haurir novamente, com amplitude e profundidade. É um grande trabalho que nos espera, mas também muito entusiasmante. A criação de Deus não é uma simples premissa filosófica: é o horizonte universal da vida e da fé! Não existe um desígnio divino diferente da criação e da sua salvação. Foi para a salvação da criatura de cada criatura que Deus se fez homem: «Para nós, homens, e para a nossa salvação», como reza o C re d o. E Jesus ressuscitado é «o primogénito de toda a criação» (Cl 1, 15). O mundo criado foi confiado ao homem e à mulher: o que acontece entre eles marca tudo. A rejeição da bênção de Deus chega fatalmente a um delírio de omnipotência que arruína tudo. A isto chamamos «pecado original». E todos vimos ao mundo na herança desta doença. Não obstante isto, não somos malditos, nem estamos abandonados a nós mesmos. A este propósito, a antiga narração do primeiro amor de Deus pelo homem e pela mulher já continha páginas escritas com o fogo! «Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela» (Gn 3, 15a). Sãs as palavras que Deus dirige à serpente enganadora, encantadora. Mediante estas palavras, Deus marca a mulher com uma barreira protectora contra o mal, à qual ela pode recorrer se quiser em cada geração. Quer dizer que a mulher traz consigo uma bênção secreta e especial, para a defesa da sua criatura do Maligno! Assim como a Mulher do Apocalipse, que se apressa a esconder do Dragão o próprio filho. E Deus protege-a (cf. Ap 12, 6). Pensai na profundidade que aqui se abre! Existem muitos lugares-comuns, às vezes até ofensivos, sobre a mulher tentadora que inspira o mal. Mas há espaço para uma teologia da mulher, à altura desta bênção de Deus, para ela e para a geração! Contudo, a misericordiosa tutela de Deus em relação ao homem e à mulher nunca falta a ambos. Não nos esqueçamos disto! A linguagem simbólica da Bíblia diz-nos que antes de os afastar do jardim do Éden, Deus fez vestes de pele para o homem e para a mulher, e cobriu-os (cf. Gn 3, 21). Este gesto de ternura significa que até nas dolorosas consequências do nosso pecado Deus não quer que permaneçamos nus e abandonados ao nosso destino de pecadores. Esta ternura divina, este esmero por nós, vemo-lo encarnado em Jesus de Nazaré, Filho de Deus «nascido de mulher» (Gl 4, 4). E são Paulo diz ainda: «Quando ainda éramos pecadores, Cristo morreu por nós» (Rm 5, 8). Cristo, nascido de mulher, de uma mulher! É a carícia de Deus sobre as nossas feridas, erros e pecados. Mas Deus ama-nos tal como somos e quer fazer-nos progredir neste projecto; a mulher é Aos ministros europeus do meio ambiente Solidariedade, justiça e participação mais forte e leva em frente este projecto. A promessa que Deus faz ao homem e à mulher, na origem da história, inclui todos os seres humanos, até ao fim da história. Se tivermos fé suficiente, as famílias dos povos da terra reconhecer-se-ão nesta bênção. Contudo, quem se deixar comover por esta visão, independentemente do povo, nação ou religião de pertença, que se ponha a caminho connosco. Será nosso irmão e irmã, sem fazer proselitismo. Caminhemos juntos com esta bênção e com esta finalidade de Deus, de nos tornarmos todos irmãos na vida, num mundo que caminha em frente e que nasce precisamente da família, da união entre o homem e a mulher. Deus vos abençoe, famílias de todos os cantos da terra! Deus abençoe todos vós! No final, Francisco saudou, entre outros, os fiéis de língua portuguesa. Saúdo os peregrinos de língua portuguesa presentes nesta audiência, e através de cada um de vós, saúdo todas as famílias dos vossos países. Dirijo uma saudação particular aos membros da Fundação Fé e Cooperação de Portugal e aos grupos de brasileiros. Deixai-vos guiar pela ternura divina, para que possais transformar o mundo com a vossa fé. Deus vos abençoe! Antes da audiência, Francisco recebeu os ministros do meio ambiente da Ue, em vista da Cop 21 de Paris. unir a luta contra a degradação ambiental e contra a pobreza. Há muitas experiências positivas nesta direcção. Em terceiro lugar, o princípio de participação, que requer o compromisso de todas as partes em causa, Por exemplo, trata-se de de- até daquelas que muitas vezes per- Senhoras e senhores, bom dia! senvolvimento e transferência de manecem à margem dos processos Saúdo cordialmente todos vós, Senhores Ministros do Meio Ambiente da União Europeia, cuja função tecnologias apropriadas, capazes de decisórios. De facto, vivemos num usar do melhor modo os recursos momento histórico muito interessante: por um lado, a ciência e a nos últimos anos adquiriu cada vez humanos, naturais e socioeconómicos, mais acessíveis a nível local, de mais importância para o cuidado da tecnologia põem nas nossas mãos um poder sem precedentes; por outro, o uso recto de tal poder pressu- casa comum. Com efeito, o meio forma a garantir uma sua sustentabilidade inclusive a longo prazo. ambiente é um bem colectivo, património de toda a humanidade e Em segundo lugar, o princípio integral e integrante. Isto exige que põe a adopção de uma visão mais responsabilidade de cada um de de justiça. Na encíclica Laudato si se abram as portas a um diálogo nós. Uma responsabilidade que só falei de «dívida ecológica», sobretudo entre Norte e Sul, ligado a de- ecologia integral, objecto da encícli- inspirado por tal visão, radicada na pode ser transversal e exige uma colaboração eficaz no âmbito de toda a comunidade internacional. sequilíbrios comerciais com consequências no âmbito ecológico, bem te, de um grande desafio cultural, ca Laudato si. Trata-se, obviamen- Agradeço-vos vivamente porque como ao uso desproporcionado dos espiritual e educativo. Solidariedade, justiça e participação, para o quisestes este encontro, que me oferece a ocasião de partilhar convoscamente por alguns países. Deve- respeito da nossa dignidade e da recursos naturais, praticado historico, embora brevemente, algumas reflexões também em vista dos immos pagar esta dívida. Estes últimos são chamados a contribuir pa- Prezados Senhores Ministros, a criação. portantes eventos internacionais dos ra resolver esta dívida, dando o Cop 21 aproxima-se rapidamente e próximos meses: a adopção dos objectivos de desenvolvimento sustentável no fim deste mês e a Cop 21 bom exemplo, limitando de modo ainda há um longo caminho a percorrer para alcançar um resultado significativo o consumo de energia de Paris. não renovável, oferecendo recursos capaz de reunir positivamente os numerosos estímulos que foram oferecidos como contribuição para este aos países mais necessitados para Gostaria de reflectir três princípios. Em primeiro lugar, o princípio da solidariedade, palavra ora promover políticas e programas de importante processo. Encorajo-vos desenvolvimento sustentável, seguindo sistemas de gestão adequabalho com o dos vossos colegas, a vivamente a intensificar o vosso tra- esquecida, ora abusada de modo estéril. Sabemos que as pessoas mais da das florestas, dos transportes, do fim de que em Paris se alcance o resultado almejado. Da minha parte e vulneráveis à degradação ambiental lixo, enfrentando seriamente o grave são os pobres, que sofrem as consequências problema do desperdício alimen- da Santa Sé não faltará o apoio pa- mais graves. Então, solidariedade tar, favorecendo um modelo circura responder adequadamente ao quer dizer pôr em acção lar da economia, encorajando novas clamor da Terra e dos pobres. instrumentos eficientes, capazes de atitudes e estilos de vida. O brigado!

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