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1 Resumo: DO DOMÍNIO DA INFORMAÇÃO A CONSTRUÇÃO COLETIVA. Janaína Leonardo Garcia, profª. de Marketing Fac-Senac-DF. Diferentes autores vêm pesquisando a comunicação no decorrer do último século, são diversas teorias que trazem a tona pontos de vistas diferentes para evidenciar a relevância da comunicação. Um elo comum entre as teorias é o estudo de sua prática. O presente artigo objetiva realizar um apanhado de algumas teorias da comunicação, buscando pontos convergentes e divergentes de suas perspectivas, além de trazer a discussão de como a comunicação atual, mediada pela cibercultura, vem absorvendo os conceitos mais antigos. Para realizar esta análise, o presente estudo pretende realizar uma análise de um vídeo postado em uma rede social, o YouTube. Palavras chave: Teorias da comunicação. Cibercultura. Novas mídias. Abstract: Different authors have been researching the communication during the last century, are several theories that bring out different viewpoints to show the relevance of communication. A common link between the theories is the study of their practice. This article aims to achieve an overview of some theories of communication, emphasizing similarities and the differences in their perspectives, and bring the discussion of how current communication, mediated by cyberspace, has incorporated the earliest concepts. In this analysis, this study intends to conduct an analysis of a video posted on a social network, YouTube. Key Words: Communication theories. Cyberculture. New media 1. INTRODUÇÃO: O avanço das novas tecnologias de informação e comunicação cria novos modelos de construção coletiva, baseados principalmente na idéia de redes sociais. Este fator abre espaço para a discussão sobre as transformações que as teorias da comunicação veem passando no decorrer do tempo. O objetivo primordial deste estudo é criar um diálogo entre as teorias: Crítica, Estudos Culturais e a mais recente Cibercultura, levando em conta

2 seus pontos semelhantes e destoantes para a construção de uma análise da evolução destas vertentes teóricas do estudo da Comunicação. Em um primeiro momento será realizada uma reflexão sobre os pontos contrastantes das teorias e, em seguida, será demonstrado um retrato da comunicação atual, focada em uma rede social, o Youtube. O presente estudo pretende realizar uma análise de uma rede social YouTube e realizar uma revisão bibliográfica para comparação das idéias propostas primeiramente pela Teoria Crítica, após pelos Cultural Studies e contrapondo-os aos conceitos modernos da Cibercultura. 2. ESTUDOS SOBRE COMUNICAÇÃO: Quando pensamos em pesquisas sobre comunicação, não podemos deixar de citar a Escola de Frankfurt, na qual vários cientistas sociais alemães, tais como Theodor Adorno, Max Horkheimer, Hebert Marcuse, entre outros, começaram a realizar uma análise crítica da ciência e da cultura. É importante levarmos em conta que os pioneiros do estudo nos anos 1930, não faziam parte dos estudos exclusivamente de comunicação, eram sim pensadores de diversos campos do conhecimento. Segundo Rüdiguer, buscavam elaborar uma ampla teoria crítica da sociedade. (2008, p.132) Os frankfurtianos estudavam à luz de Marx, Freud e Nietzsche e baseavam suas teorias nas novas realidades originadas com o desenvolvimento do capitalismo no século passado, além de levar em conta também o tema do Iluminismo. Wolf acrescenta ainda sobre a Escola de Frankfurt: Denunciando a separação e a oposição do indivíduo em relação a sociedade como resultante histórica da divisão de classes, a teoria crítica confirma sua tendência para a crítica dialética da economia política. (1995, p.74) Na primeira fase desta teoria surgira o importante conceito da Indústria Cultural. A qual era justificada da seguinte forma, conforme Wolf: O

3 mercado de massas impõe estandardização e organização; os gostos do público e suas necessidades impõem estereótipos e baixa qualidade. (1995, p.75) Conforme Rüdiguer: Nas sociedades capitalistas avançadas, defenderam, a população é mobilizada a se engajar nas tarefas necessárias à manutenção do sistema econômico e social através do consumo estético massificado, articulado pela indústria cultural. As tendências à crise sistêmica e deserção individual são combatidas, entre outros meios, através da exploração mercantil da cultura e dos processos de formação da consciência. (2008, p.133) Assim, depreende-se que conforme a Teoria Crítica, a comunicação estaria muito próxima a ordem social dominante, representando as formas de dominação desta categoria. Wolf acrescenta: o indivíduo deixa de decidir autonomamente; o conflito entre impulsos e consciência soluciona-se com a adesão a crítica aos valores impostos. (1995, p.76) Segundo Adorno e Horkheimer em Lima: A racionalidade técnica hoje é a racionalidade do próprio domínio, é o caráter repressivo da sociedade que se auto-aliena. (2000, p.170) Outro ponto relevante da Teoria Crítica é o que diz respeito à obra de arte na era da técnica. Segundo Rüdiguer: Os pesquisadores manifestaram repúdio pela idéia de cultura burguesa e simpatia pelas novas formas de arte tecnológicas. Começava uma nova visão acerca do cinema, rádio e artes gráficas, onde o capitalismo auxiliava na democratização da cultura, à medida que tornava os bens culturais objeto de produção industrial. (2008, p.135) Freitas acrescenta ainda: A obra de arte, alienada de uma realidade material de exploração, assume uma função alienante na medida em que faz com que os homens se ajustem e se adequem as formas desumanas de organização da sociedade, remetendo para o futuro de seus desejos de felicidade e realização. (1986, p.69)

4 Assim, percebe-se, segundo a ótica crítica, que os mass media utilizavam-se da produção cultural como forma de prometer uma felicidade utópica e alienante aos receptores. Lima explica: A relação da arte dependia da instauração de três elementos: aura, valor cultural e autenticidade (2000, p.217). Gerando desta forma, a interpretação de que a arte teria maior valor cultural, caso fosse percebidida como autêntica e sem a capacidade de múltiplas reproduções. Nas palavras de Adorno e Horkheimer em Lima: Filme e rádio não tem mais necessidade de serem empacotados como arte. A verdade, cujo nome real é negócio, serve-lhes de ideologia. (2000, p.170) Para Kelnner: Os produtos da indústria cultural apresentavam as mesmas características dos produtos fabricados em massa: transformação em mercadoria, padronização e massificação. (2001, p. 44) A Teoria Crítica vem sendo contestada por outras teorias mais recentes. Quando falamos nos estudos culturais 1, percebemos que uma grande diferença entre as duas linhas é que os estudos culturais não vêem mais o receptor como amorfo, sem a capacidade de escolher ou questionar determinada produção cultural ou mensagem de qualquer meio. Os estudos culturais britânicos surgiram nos anos 1960 com uma perspectiva a partir da multidisciplinariedade. Conforme Kelnner: Os estudos culturais britânicos situam a cultura no âmbito de uma teoria da produção e reprodução social, especificando os modos como as formas culturais serviam para aumentar a dominação social ou para possibilitar a resistência e a luta contra a dominação. (2001, p. 47) Os estudos culturais trouxeram uma nova ótica para os estudos da comunicação e na forma de observar o mundo. Para Kelnner: Na conjuntura 1 Teoria Culturológica, também chamada de Cultural Studies ou Estudos Culturais serão os nomes da Teoria aplicados neste trabalho para evitar repetições dos vocábulos.

5 em que nos encontramos os estudos culturais podem desempenhar importante papel na elucidação das alterações significativas que têm ocorrido na cultura e na sociedade dos nossos dias (2001, p. 29). A teoria culturológica para Wolf: não diz diretamente respeito aos mass media e, muito menos aos seus efeitos sobre os destinatários: o objeto de análise que se procura atingir é a definição de nova forma de cultura da sociedade contemporânea (1995, p.89). O conceito da cultura de massa é de extrema relevância aos estudos culturais, conforme Wolf (1995, p.90): A cultura de massa forma um sistema de cultura, constituindo-se como um conjunto de símbolos, valores, mitos e imagens que dizem respeito quer à vida prática quer o imaginário coletivo. Para Kelnner (2001, p. 27): A cultura da mídia em grande parte promove os interesses das classes que possuem e controlam os grandes conglomerados dos meios de comunicação, seus produtos também participam dos conflitos sociais entre grupos concorrentes e veiculam posições conflitantes, promovendo às vezes forças de resistência e progresso. Desta forma, depreende-se que os estudos culturais concordam com a Escola de Frankfurt quanto aos fatos dos produtos culturais trazerem consigo a ideologia de um grupo dominante, só que no caso proposto por Kellner, o grupo dominante não são as classes sociais dominantes, mas sim as grandes corporações de comunicação que controlam as informações da mídia, principalmente nos Estados Unidos e na maior parte dos países capitalistas. Um dos maiores diferenciais das teorias é que a segunda segundo Wolf: a elevada capacidade de adaptação dos públicos e contexto sociais diversos. Sobre o interesse dos cultural studies(1995, p.90), Wolf acrescenta ainda: centra-se, principalmente na análise se uma forma específica de processo social, relativa á atribuição de sentido à realidade, à evolução de

6 uma cultura, de práticas sociais partilhadas, de uma área comum de significados (1995, p.96). Neste momento vemos um importante contraponto à teoria crítica, uma vez que a os estudos culturais, conforme Wolf: Estabelece-se a contradição entre as exigências produtivas e técnicas de estandardização e o caráter individualizado e inovador do consumo cultural. É a própria estrutura do imaginário que permite a mediação entre os opostos requeridos: os modelos guias e as formas arquétipas do imaginário. (1995, p.91) Para Kelnner (2001, p. 45): A posição da Escola de Frankfurt, de que toda a cultura de massa é ideológica e aviltada, tendo como efeito engordar uma massa passiva de consumidores, é também questionável. Outro fator de distinção entre as duas teorias é que enquanto a teoria crítica valorizava a cultura considerada superior, os estudos culturais, tendiam a ignorar este tipo de cultura, eximindo-se até de investigá-las. Kellner (2001) 3. UM PANORAMA DA COMUNICAÇÃO NOS DIAS ATUAIS Hoje vivemos um novo panorama no universo da comunicação social, conforme nos alerta Kelnner: Na última década também surgiram às novas tecnologias que mudaram os padrões da vida cotidiana e reestruturaram poderosamente o trabalho e o lazer (2001, p.26). Atualmente o Brasil vive uma nova sociabilidade voltada aos processos virtuais. O crescente acesso as tecnologias de informação e da comunicação (TIC s) nos disponibilizam uma sociedade de rede, onde as interações baseiam-se muitas vezes em mais contatos via internet do que encontros pessoais, fator que torna o homem cada vez mais um ser virtual. Segundo Castells: A grande transformação da sociabilidade em sociedades complexas ocorreu com a substituição de comunidades espaciais por redes como formas fundamentais de sociabilidade (2003, p.107). Se de um lado a

7 presencialidade se dilui, por outro lado, aumentam a formação de redes sociais de trabalho, pesquisa e entretenimento. Vivemos em uma sociedade de redes, que fazem aqueles que podem pagar pelo acesso a internet, seres cada vez mais individualizados e detentores do poder de escolha das informações e dos grupos que vai participar. Ainda para Castells: O individualismo em rede é um padrão social, não um acúmulo de indivíduos isolados. O que ocorre é antes que os indivíduos montem suas redes, on-line e off-line, com base em seus interesses, valores, afinidades e projetos. Por causa da flexibilidade e do poder de comunicação da internet, a interação social on-line desempenha crescente papel na organização social como um todo. (2003, p. 109) A interação hoje em dia, não está ligada apenas ao computador, propriamente dito, mas a inúmeras formas de acesso a rede principalmente móvel, como por exemplo, os celulares, que possibilitam ao sujeito manter-se conectado em qualquer lugar e a qualquer momento. Não é por acaso que Castells, em 2008, passa a falar em redes móveis. Aliado a este panorama, encontra-se também a idéia da cultura da convergência. Segundo Jenkins (2009, p. 29) esta idéia de convergência refere-se: Ao fluxo de conteúdos através de múltiplas plataformas de mídias, a cooperação entre múltiplos mercados midiáticos e ao comportamento migratório dos públicos dos meios de comunicação. Neste universo de convergência de meios, também é relevante acrescentar a idéia de transmídia, onde ainda conforme Jenkins: Uma história transmídia desenrola-se através de múltiplas plataformas de mídia, com cada novo texto contribuindo de maneira distintiva e valiosa para o todo. (2009, p.138) A idéia de comunicação transmidiática tem sido bastante assimilada pelos jovens, que tem grande contato com as narrativas que podem ser assistidas em qualquer tipo de mídia, além de trazer cada vez mais desdobramentos em games, livros ou blogs. Existe também reality shows que permitem grandes interações e criação de comunidades específicas.

8 Junto a esta mudança de padrões sociais e comportamentais, variam também algumas percepções na relação dos usuários com as mídias, principalmente devido à capacidade de interação entre emissor e receptor, conforme Levy: O termo interatividade em geral ressalta a participação ativa do beneficiário de uma transação de informação. (1999, p.81) Nos dias atuais, o muitas vezes o próprio receptor constrói o conteúdo e interage com sua rede, criando um universo de construção coletiva. Jenkins afirma: A circulação dos conteúdos - por meio de diferentes sistemas de mídia, sistemas administrativos de mídias concorrentes e fronteiras nacionais- depende fortemente da participação ativa dos consumidores. (2009, p.29) Jenkins (2009) entende este processo coletivo de consumo como inteligência coletiva, conceito proposto anteriormente por Pierre Levy. Para o primeiro autor (2009, p.30): nenhum de nós pode saber tudo; cada um de nós sabe alguma coisa; e podemos juntar peças; e podemos juntar as peças, se associarmos nossos recursos e unirmos novas habilidades. A inteligência coletiva pode ser vista como uma fonte alternativa de poder midiático. Levy infere que: O ciberespaço como suporte da inteligência coletiva é uma das principais condições de seu próprio desenvolvimento (1999, p.29). E ainda acrescenta: O crescimento de ciberespaço não determina automaticamente o desenvolvimento da inteligência competitiva, apenas fornece a esta inteligência um ambiente propício. (1999, p.30) Neste universo virtual, como diz Jenkins: Cada um de nós constrói a própria mitologia pessoal, a partir de pedaços e fragmentos de informações extraídos do fluxo midiáticos e transformados em recursos através dos quais compreendemos a vida cotidiana. (2009, p.29): Nesta mitologia pessoal, espaços como YouTube 2, exibe vídeos muitas vezes produzidos pelos internautas. Conforme Jenkins: O YouTube 2 Rede social que disponibiliza vídeos:

9 emergiu como um site fundamental para a produção e distribuição da mídia alternativa. (2009, p.349) Um exemplo desta criação é um vídeo que está disponível no YouTube, chamado United Breaks Guitars 3. Esta produção, acessível também com legendas em português, é um vídeoclipe do cantor norte-americano Dave Caroll. O vídeo (de 4 min. e 37 seg.) conta uma história de uma viagem aérea que o cantor e sua banda fizeram para Nebraska. Já no início da viagem o cantor deparou-se com um descuido com as bagagens e, posteriormente, com a quebra de seu violão. Dave Caroll no vídeo, além da história, mostra a experiência negativa da viagem e o descaso da companhia aérea United Airlines com suas reclamações. O refrão da canção de Dave Caroll traduzida para o português tem as seguintes frases: United! Vocês quebraram meu violão Taylor United! Muito úteis vocês são! Vocês quebraram, deviam arrumar! Vocês são responsáveis apenas admitam! Eu devia ter voado com outra ou ter ido de carro! United quebram violões! Este vídeo teve uma grande quantidade de exibições, mais de 9 milhões de exibições na versão original e na legendada para o português, mais de visualizações, e em cada uma encontram-se dezenas de comentários dos expectadores julgando o vídeo e contando suas experiências com companhias aéreas. 3 Disponível em Acesso em 09 dez

10 Esta é a idéia de construção coletiva a qual nos referimos acima. Conforme Jenkins A expressão cultura participativa contrasta com noções mais antigas sobre passividade dos espectadores dos meios de comunicação (2009, p.30). Aqui notamos alguns contrapontos entre as teorias vistas anteriormente com a prática da comunicação nos dias atuais. Hoje, conforme salienta Rüdiguer (2007, p. 136): As pessoas possuem o poder de reinventar em sentido simbólico o caráter funcional dos aparatos tecnológicos (2007, p. 136). Jenkins alerta: Quando pessoas assumem o controle das mídias, os resultados podem ser maravilhosamente criativos; podem ser também uma má notícia para todos os envolvidos (2009, p.45). Ora, se cada sujeito é capaz de apropriar-se das novas tecnologias e criar novos sentidos para os meios, então é importante o questionamento de como vídeos como o acima referido, podem interferir negativamente na imagem de uma organização. Se cada um utiliza e interpreta a informação de forma diferenciada, os impactos destes vídeos podem ser inimagináveis. Quando contrapormos a realidade presente, representada pelo caso do cantor supracitado, notamos um diferencial muito forte relacionado a visão de obra de arte proposta pela teoria crítica, Os frankfurtianos viam as produções artísticas com um conceito de não reprodutibilidade, quando comparado a um vídeo visto por milhares de pessoas e ainda constituído por música ligeira, este material, sob a ótica da Escola de Frankfurt, não teria aura, e, além disso, teria baixo valor cultural. No modelo atual de comunicação, que forma uma nova sociabilidade, devido às interações diferentes, a comunicação não se torna apenas descendente, como proposto na Teoria Crítica, mas construída por diversas mãos. Rüdiguer ensina: A desmaterialização do processo de geração de riqueza, porque agora o conhecimento se torna a mola da acumulação e seguindo este caminho, a sociabilidade passa a se reproduzir no campo da realidade virtual (2007,p.137).

11 Jenkins (2009, p.46) falando das tendências americanas de controle de mídia, afirma: Alguns temem que os meios de comunicação fujam ao controle, outros temem que sejam controlados demais. Alguns veem o mundo sem gatekeepers 4, outros um mundo onde os gatekeppers têm um poder sem precedentes. Mais uma vez a verdade está no meio termo. Levy (1999, p.236) acrescenta ainda: Aqueles cujo papel consistia em gerenciar limites e territórios estão ameaçados por uma comunicação descompartimentalizadora, transversal, multipolar. A comunicação transversal conforme Levy permite que várias pessoas troquem impressões sobre determinado assunto, inclusive impressões negativas como no exemplo supracitado. Para Levy (1999, p.236): O Ciberespaço, ao menos até o momento, é mais acolhedor do que dominador.não é um instrumento de difusão a partir de centros (como imprensa, rádio e a televisão), mas sim um dispositivo de comunicação interativa de coletivos humanos com eles mesmos e de colocação em contato com comunidades heterogêneas. Levy (1999, p.81) acrescenta ainda: Um receptor de informação, a menos que esteja morto, nunca é passivo. Mesmo sentado em frente a televisão sem controle remoto, o destinatário decodifica, interpreta, participa, mobiliza seus sistema nervoso de múltiplas maneiras e sempre de forma diferente de seu vizinho. Relacionado ao conceito atual e fazendo uma crítica as teorias antigas Rüdiguer (2007,p.134) alerta: À crítica convém mostrar que a tecnologia não é uma força neutra, mas também não é, em si mesma, malévola ou benéfica. Visões como essas obscurecem os processos que de fato a explicaram, através da geração ou mesmo de reforço de todo tipo de mistificação cotidiana a cerca de suas circunstâncias. 4 Selecionador (porteiro), conceito eleborado por Kurt Lewin. Relativo à Hipótese do Newsmakking

12 Este contraponto está bastante presente nas discussões do autor, que acrescenta ainda: O fundamento da teoria crítica da tecnologia é a tese de que a técnica se desenvolve a partir da conquista do poder sobre a natureza e, a partir dessa, do homem sobre o homem. (2007, p.134). E logo em seguida ainda comenta: A possibilidade de reapropriação e de recombinação material da mensagem por seu receptor é um parâmetro fundamental para avaliar o grau de interatividade do produto. 4. Considerações finais: No presente artigo foi realizada uma breve discussão sobre algumas das mais importantes teorias da comunicação. Foram criados paralelos entre elas, na busca de pontos comuns entre as abordagens. Qualquer que seja a teoria da comunicação precisa levar em conta não apenas a mídia propriamente dita, mas sim diversos fatores que influenciam este sistema, tais como aspectos sociológicos, comportamentais, culturais, econômicos, políticos, entre outros. O fenômeno da comunicação é muito complexo, é necessário que levemos em conta mais de um paradigma, para conseguirmos entender a complexidade do estudo da comunicação. É relevante também, que possamos avaliar as teorias, conforme o período histórico em que foram criadas, pois muitos fatores novos poderiam ainda não ser percebidos em determinada época. Mas é primordial levarmos em conta que precisamos estudar as pioneiras, para que auxilie na construção de novas abordagens. Percebemos que a cultura contemporânea, assim como a sociedade, está em um processo de constante mudança e apefeiçoamento. Precisamos das antigas referências para reconhecer e quem sabe explicar o desenvolvimento do processo de comunicação. Quando pensamos nas mudanças acarretadas pelas novas tecnologias, deparamo-nos ainda com dúvidas sobre seus processos, mas acredita-se que elas também podem, a exemplo do pensamento frankfurtiano,

13 representar a idéia de controle e dominação, por qualquer que seja o grupo, desta forma, os conceitos da teoria crítica nos fazem refletir na interpretação das mensagens em redes sociais, blogs,entre outros. Os consumidores de informação hoje são mais interativos, embora isolados. É necessário que reavaliemos sempre novos processos comunicacionais, pois novas alternativas de interação vêm surgindo quase diariamente. Jenkins resume a idéia da comunicação dos dias atuais: O conteúdo de um meio pode mudar, seu público pode mudar, e seu status social pode subir ou cair, mas uma vez que um meio se estabelece, ao satisfazer alguma demanda humana essencial, ele continua a funcionar dentro de um sistema maior de operações de comunicação. (2009, p.41) Mesmo com a necessidade crescente de criação de conteúdos, precisamos nos embasar nos estudos anteriores a este processo e o presente trabalho buscou exatamente isto. Devido ao curto espaço, muitos pontos importantes das teorias crítica, dos estudos culturais e também da cibercultura, não puderam ser profundamente abordados. É necessário uma pesquisa ainda mais intensa nesta área. Ainda existe muito espaço para pesquisa em comunicação, principalmente no que diz respeito às novas mídias, desta forma, como agenda de pesquisa, é interessante avaliarmos em um estudo ainda mais profundo o resultado da nova sociabilidade criada a partir deste novo universo comunicacional interativo.

14 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: CASTELLS, Manuel: A galáxia da internet: reflexões sobre a internet, os negócios e a sociedade. Rio de Janeiro: Zahar, JENKINS, Henry. Cultura da convergência. 2ªed. São Paulo: Aleph, 2009 LÉVY, Pierre: Cibercultura. 3ª Ed. São Paulo: Ed. 34, 2010 LIMA, Luis Costa. Teoria da cultura de massa: introdução, comentários e seleção de Luiz Costa Lima. 7ª.ed. São Paulo: Paz e Terra, KELNNER, Douglas.A cultura da mídia: estudos culturais: identidade e política entre o moderno e o pós moderno. Bauru, EDUSC, RUDIGUER, Francisco. Introdução as teorias da cibercultura: perspectiva do pensamento tecnológico contemporâneo. Porto Alegre: Sulina, 2007 em HOHFELDT, A. MARTINO, L.,FRANÇA, V. (org). Teorias da comunicação: Conceitos, escolas e tendências. 8ª Ed. Petrópolis, RJ: Vozes, WOLF, Mauro. Teorias da comunicação. 4ªed.Lisboa, Ed. Presença, 1995.

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