Organizando a Pesquisa

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1 Organizando a Pesquisa

2 Organizando a Pesquisa 1. Introdução No primeiro momento, a história da ciência pode parecer como uma descrição resultante do desenvolvimento dos conhecimentos científicos, anteriores e atuais. De tal modo que, o último conhecimento aparece como o mais evoluído e conseqüentemente, o mais perfeito.isso nos faz pensar a história da ciência como uma história que se caracteriza por uma continuidade e evolução, o que não é verdade; a história da ciência não segue uma linha linear, acumulativa, mas dá-se por meio de cortes que muitas vezes rompem com os conhecimentos anteriores, principalmente os conhecimentos do senso comum. Um conhecimento obtido permanece até ser contestado por outras interpretações dos fatos. Reforça-se, pelo contrário, se os saberes obtidos, por novas manipulações, o confirmam. A busca da compreensão e de explicações universais cada vez mais abrangentes a respeito da realidade, conduzida por um processo de investigação científica, pode levar à formulação de leis e teorias. Com a presente unidade, iniciamos a segunda etapa da pesquisa: sua organização. Vamos analisar a natureza das leis e teorias, como surgem, quais seus objetivos, suas características e funções na ciência e qual o papel das hipóteses e variáveis em sua construção. 2

3 Vamos tratar também das estratégias da pesquisa, ou seja, como a investigação será conduzida, seu nível de aprofundamento e abordagem. No projeto de pesquisa, as estratégias são definidas quando se descreve a metodologia. Assim, vamos abordar os seguintes tópicos: As hipóteses e variáveis As estratégias de pesquisa. Dica De uma forma geral, além do seu uso específico como termo de filosofia, Fenômeno é a definição de qualquer evento observável. Existem fenômenos em praticamente qualquer campo de pesquisa. Por exemplo, a agressividade, resistência, analfabetismo, violência... Esperamos, ao final da unidade, que você seja capaz de identificar as características de uma lei, de uma teoria e de uma hipótese e de como elas estão relacionadas. elaborar as hipóteses para uma pesquisa; definir as estratégias para uma pesquisa. 2. As hipóteses e variáveis Leis e Teorias De modo simples, pode dizer-se que as leis são hipóteses gerais que foram testadas e receberam apoio experimental e que pretendem descrever as relações ou regularidades encontradas em certos grupos de fenômenos. Por exemplo, as Leis de Kepler, referentes às trajetórias dos planetas em torno do sol, indicam que estas se apresentam em forma de elipse, pois os planetas estão sujeitos à atração gravitacional do sol. As leis surgem da necessidade que se tem de encontrar explicações para fenômenos ou fatos da realidade. 3

4 FATO: Dicas Refere-se à realidade, ocorrência, acontecimento. Por exemplo, minha idade é um fato; também é um fato o grau de escolaridade. LEI DE MURPHY Você já deve ter ouvido falar da Lei de Murphy que: Se há duas ou mais formas de fazer alguma coisa e uma das formas resultar em catástrofe, então alguém a fará. Os fatos ou fenômenos são apreendidos por meio de suas manifestações, e o seu estudo visa conduzir à descoberta de aspectos invariáveis, comuns aos diferentes fenômenos, por meio da classificação e da generalização. As leis têm duas funções específicas: Resumir grande quantidade de fatos. Permitir e prever novos fatos, pois se fenômeno ou fato se enquadrar em uma lei, ele se comportará conforme o estabelecido por ela. Uma lei científica que descreve uma regularidade de coexistência, isto é, um padrão de coisas, geralmente é formulada da seguinte forma: sempre que tiver a propriedade x, então terá a propriedade y. Por exemplo, a água ferve, quando aquecida a 100º, em recipientes abertos, no nível do mar. Uma lei que descreve uma regularidade de sucessão, ou seja, um padrão nos eventos, afirma que sempre que uma coisa, tendo x, se encontra em determinada relação com outra coisa de certa espécie, esta última tem y. Por exemplo, sempre que uma pedra é jogada na água, produzirá na superfície da mesma uma série de ondas concêntricas que se expandem de igual forma do centro à periferia. A partir de certo estágio, no desenvolvimento de uma ciência, as leis deixam de estar isoladas e passam a fazer parte de teorias. Uma teoria é formada por uma reunião de leis, hipóteses, conceitos e definições interligadas e coerentes. As teorias têm um caráter explicativo ainda mais geral que as leis. Por exemplo, a Teoria da Evolução, explica a adaptação individual, a formação de novas espécies, a seqüência de fósseis, a semelhança entre espécies aparentadas e vale para todos os seres vivos do planeta. 4

5 Portanto, uma teoria é um meio para interpretar, criticar e unificar leis estabelecidas, modificando-as para se adequarem a dados não previstos quando de sua formulação e para orientar em a tarefa de descobrir generalizações novas e mais amplas. As teorias caracterizam-se pela possibilidade de estruturar as uniformidades e regularidades, explicadas e confirmadas pelas leis, em um sistema cada vez mais amplo e coerente, relacionando-as, concentrando-as e sistematizando-as, com a vantagem de corrigi-las e de aperfeiçoá-las. Por outro lado, à medida que as teorias se ampliam, passam a explicar, no universo dos fenômenos, cada vez mais uniformidades e regularidades, mostrando a interdependência existente entre elas. Por exemplo, a Teoria da Gravitação Universal de Newton é muito mais ampla e abrangente do que as leis de Kepler, pois estas, referindo-se especificamente às trajetórias dos planetas, indicaram que são determinadas não apenas pela influência gravitacional do Sol, mas também de outros planetas; a teoria de Newton explica também a Lei de Galileu, ao postular uma força gravitacional, que especifica um modo de funcionamento. Uma teoria nos fornece dois aspectos relacionados com os fenômenos: de um lado, um sistema de descrição e, de outro, um sistema de explicações gerais. Portanto, a teoria não é mera descrição da realidade, mas uma abstração, ela fornece significado aos fatos, dando direção à busca de fatos.tanto as leis como as teorias devem cumprir os seguintes requisitos: Devem ser gerais, não devem explicar apenas casos particulares de um fenômeno. Devem ser comprovadas, estar alavancadas (avalizadas, corroboradas ou assentadas) pela experimentação; Devem, quando possível, expressar-se mediante funções matemáticas. 5

6 As teorias científicas têm validade até que sejam incapazes de explicar determinados fatos ou fenômenos, ou até que algum descobrimento novo comprovado se oponha a elas. A partir de então, os cientistas começam a elaborar outra teoria que possa explicar esses novos descobrimentos, o que faz da Ciência um conhecimento evolutivo e não estacionário. Proposição é uma afirmação suscetível de ser verdadeira ou falsa, é algo que vai ser discutido ou defendido. Hipóteses Uma hipótese expõe o que procuramos em uma pesquisa. Os vários fatos em uma teoria podem ser logicamente analisados, e outras relações podem ser deduzidas além daquelas estabelecidas na teoria. Neste ponto não se sabe se essas deduções são corretas; a formulação da dedução, contudo, constitui uma hipótese, que se verificada, torna-se parte de uma construção teórica futura. Assim, uma teoria expõe uma relação entre fatos; se esta relação existe, outras proposições que deveriam ser verdadeiras podem ser deduzidas desta teoria. Tais proposições deduzidas são as hipóteses. A hipótese é uma proposição que pode ser colocada à prova para determinar sua validade; pode parecer contrária, ou de acordo com o senso comum, pode ainda ser correta ou errada. Em qualquer caso, uma hipótese, conduz a uma verificação empírica, independendo do resultado, ela é uma questão proposta de tal maneira que uma resposta de algum tipo pode estar próxima a aparecer. Portanto, obedecendo a um raciocínio lógico, a hipótese consiste na passagem dos fatos particulares para um esquema geral, ou seja, são supostas respostas para o problema em questão.como outras formas de conhecimento, a hipótese é o reflexo do mundo 6

7 Para saber mais sobre Popper, você poderá consultar: pt/10popper.htm popper5.htm Popper Conjetura ou conjectura é um juízo ou opinião sem fundamento preciso, é uma suposição ou hipótese. O Realismo é um movimento artístico surgido na França, e cuja influência se estendeu a numerosos países europeus. Esta corrente aparece no momento em que ocorrem as primeiras lutas sociais, sendo também objeto de ação contra o capitalismo progressivamente mais dominador. O engajamento ideológico faz com que muitas vezes a forma e as situações descritas sejam exageradas para reforçar a denúncia social. material na consciência do homem, isto é, uma imagem subjetiva do mundo objetivo. Na pesquisa, a hipótese passa por dois processos importantes: a sua correta formulação e o seu teste. Com o intuito de encontrar soluções para o estudo em questão, as hipóteses poderão ser comprovadas ou refutadas. Contudo, mesmo refutada é uma fonte de conhecimentos sobre o problema estudado. Segundo Popper, as leis e teorias científicas, mesmo as mais bem estabelecidas, são sempre hipóteses, inventadas livremente para predizer e explicar os fenômenos. O que as tornaria científicas é sua falseabilidade, ou seja, o poderem, em princípio, ser refutadas pela experiência. É claro que as teorias de fato aceitas num dado momento não podem já ter sido refutadas. Mas é importante que sejam refutáveis, pois caso contrário, não teriam pontos de contato com a realidade. O progresso da ciência seria, assim, o resultado de um processo constante de conjeturas e refutações, de substituição de hipóteses falseadas por hipóteses melhores e não falseadas, porém sempre falseáveis. Embora essa visão da ciência aparentemente rompa de forma radical com a noção original, há aí um elemento importante o realismo. Essa posição filosófica é, em termos simples, a de que, embora falíveis, as teorias científicas devem ser entendidas como tentativas sérias, e cada vez melhores, de descrever uma realidade objetiva, ainda quando transcenda o nível dos fenômenos, ou seja, aquilo que é diretamente perceptível aos sentidos. A construção científica do conhecimento continua, nessa perspectiva realista, dando vazão da melhor forma possível ao nosso arraigado desejo de compreender o mundo real, de descobrir como e por que funciona. 7

8 Exemplo 1 Em uma pesquisa que se propunha estudar a viabilidade e as condições de execução de cursos a distância, via Internet, foram formuladas as seguintes hipóteses: A infra-estrutura da Internet no Brasil possibilita o desenvolvimento de cursos a distância. Existe demanda por cursos a distância via Internet para profissionais da área de Comunicação. As ferramentas da Internet possibilitam a realização de cursos a distância interativos. Características das Hipóteses: A hipótese deve ser clara: a clareza se refere ao modo como foi enunciada, isto é, constituída por termos que ajudam realmente a entender o que se pretende afirmar e indiquem de modo compreensível os fenômenos a que se referem. A hipótese deve ser verificável pelos processos científicos: não deve conter julgamentos morais, embora possa estudar julgamentos de valor. A hipótese deve ser específica: o enunciado deve ser especificado, dando as características para identificar o que deve ser observado e incluindo uma referência aos indícios que serão usados. A hipótese deve ser plausível: isto é, deve indicar uma situação possível de ser admitida, de ser aceita. A hipótese deve ser consistente: a consistência indica que o enunciado não está em contradição nem com a teoria e nem com o conhecimento científico mais amplo, bem como que não existe contradição dentro do próprio enunciado. Uma hipótese não é enunciada em forma interrogativa e nem em forma condicional, mas é uma afirmação, provisória, que se faz, em forma de sentença declarativa. A formulação da hipótese está relacionada com o problema da pesquisa e correlacionada com as variáveis, estabelecendo uma união entre teoria e realidade com o sistema referencial e a investigação. Tal condição exige que seja elaborada com evidências e sem ambigüidades. Enquanto o problema é uma questão a investigar e o objetivo é um resultado a alcançar, as hipóteses são as respostas antecipadas ao problema. 8

9 Exemplo 2 Em uma pesquisa com o título Modas e modismos em gestão: pesquisa exploratória sobre a adoção e implementação de ERP, disponível em enanpad/1999/dwn/enanpad1999-ols- 02.pdf foram formuladas as seguintes hipóteses: O contexto e os mecanismos que permeiam as decisões sobre a adoção e a estratégia de implementação de sistemas integrados de gestão correspondem àqueles relacionadas à adoção de modas e modismos gerenciais. Os critérios para adoção de sistemas integrados de gestão estão mais ligados a mimetismo que a análises do tipo custo-benefício. O processo decisório correspondente é inconsistente. A forma de implantação de sistemas integrados de gestão não considera fatores-chaves relacionados à transformação organizacional e gestão da mudança. A estratégia de implantação correspondente é inadequada. Os resultados obtidos com a implantação de sistemas integrados de gestão são decepcionantes e ficam abaixo das expectativas das empresas. Tais resultados são conseqüência de decisões erradas quanto à adoção e quanto à forma de implantação. Variáveis As variáveis são aspectos, propriedades, características individuais ou fatores, observáveis ou mensuráveis de um fenômeno. Alguns exemplos de variáveis são: na física: massa, peso, velocidade, energia, força, impulso, atrito etc.. nas ciências sociais: inteligência, classe social, sexo, salário, idade, ansiedade, preconceito, motivação, agressão, frustração e muitas outras na economia: custo, tempo, qualidade, produtividade, eficiência, desempenho etc. Segundo a relação que expressa, uma variável pode ser classificada em: Variável independente: é aquela que é fator determinante para que ocorra um determinado resultado; é a condição ou causa para um determinado efeito ou conseqüência; é o estímulo que condiciona uma resposta. Variável dependente: é aquele fator ou propriedade que é efeito, resultado, conseqüência ou resposta de algo que foi estimulado; não é manipulada, mas é o efeito observado como resultado da manipulação da variável independente. Variável de controle: é aquele fator ou propriedade que poderia afetar a variável dependente, mas que é neutralizado ou anulado, através de sua manipulação deliberada, para não interferir na relação entre a variável independente e a dependente. Variável interveniente: é aquele fator ou propriedade que teoricamente afeta o fenômeno observado. Esse fator, no entanto, ao contrário das outras variáveis, não pode ser manipulado ou medido. 9

10 Como as variáveis se referem aos aspectos observáveis ou mensuráveis, elas podem ser classificadas, segundo o tipo: Veja um exemplo de variável qualitativa: As crianças que foram bloqueadas em suas ações mostram-se mais agressivas do que aquelas que não o foram. Variável independente: ter ou não ter o bloqueio; Variável dependente: grau de agressividade; Variável interveniente: a frustração (o bloqueio conduz à frustração e esta à agressividade). Variáveis qualitativas: são caracterizadas pelos seus atributos ou aspectos qualitativos e relacionam aspectos não somente mensuráveis, mas também definidos descritivamente. Os elementos do conjunto original são agrupados em classes ou categorias (classificação) distintas, obedecendo a determinado critério classificatório. Nas variáveis qualitativas não existem ordem, hierarquia ou proporção. Por exemplo: sexo, estado civil, raça, nacionalidade, histeria, psicose etc. Variáveis quantitativas: são determinadas em relação aos dados ou proporção numérica, são os atributos ou aspectos que podem ser quantificados. As variáveis quantitativas são sempre resultados de um processo de contagem ou mensuração.por exemplo: peso, altura, idade, temperatura, volume, massa, renda familiar etc. As variáveis são propriedades que podem variar entre indivíduos, objetos ou coisas e outros. Veja o exemplo abaixo:na pesquisa que se propunha estudar a viabilidade e as condições de execução de cursos a distância, via Internet, foram identificadas as seguintes variáveis: Existência de infra-estrutura de rede adequada para atendimento das necessidades do curso a distância. Demanda por cursos a distância por parte dos profissionais de Comunicação. Capacidade das ferramentas Internet produzirem um ambiente interativo que assegure o aproveitamento do curso pelos participantes. 10

11 Na pesquisa científica, a variável correlaciona-se em dois níveis: o conceitual e o empírico. No primeiro caso, enumeram-se as propriedades de interesse imediato para o estudo e estabelecem-se as relações entre elas. Para saber mais sobre a pesquisa exploratória e verificar um exemplo, você pode consultar: PIOVESAN, Armando e TEMPORINI, Edméa Rita. Pesquisa exploratória: procedimento metodológico para o estudo de fatores humanos no campo da saúde pública. Disponível em: php?script=sci_arttext&pid=s Acesso em: 22/01/2008. Veja um exemplo de pesquisa descritiva: ROSÁRIO, Nísia Martins do. A estética da tevê e a (des)configuração da informação. Disponível em: portcom.intercom.org.br/dspace/ bitstream/1904/18170/1/r pdf Acesso em: 23/01/2008. No segundo, a análise estabelece as associações existentes entre as variáveis, tal como ocorreu nos dados ou fatos observados, e deve-se verificar se estas relações se ajustam ao modelo conceitual. 3. As estratégias de Pesquisa Os níveis de pesquisa Como forma de adquirir conhecimento, a pesquisa científica pode ser desenvolvida de acordo com seus objetivos.assim, é possível distinguir três níveis de pesquisas: Pesquisas Exploratórias: Têm como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e idéias, com vistas na formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores. De todos os tipos de pesquisa, estas são as que apresentam menor rigidez no planejamento.são desenvolvidas com o objetivo de proporcionar visão geral acerca de determinado fato e constituem a primeira etapa de uma investigação mais ampla. Pesquisas Descritivas: Têm como objetivo a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis a partir da observação, descrição e classificação dos fenômenos 11

12 Veja exemplos de pesquisas explicativas:silva, Leopoldina Inocêncio A. Lopes da. União estável: qual a estabilidade dessa união? Monografia (Graduação em Direito)- Centro Universitário de João Pessoa. João Pessoa, Disponível em: correioforense.com.br/anexos/ publicacoes/f doc Acesso em: 23/01/2008. GONÇALVES, Elizabeth Moraes e GUIMARÃES, André Sathler. Jornalismo econômico: uma análise do discurso. Disponível em: ufsc.br/redealcar/cd3/jornal/ elizabethmoraesgoncalves.doc Acesso em: 23/01/2008. observados. Dentre as pesquisas descritivas, estão aquelas que têm por objetivo estudar as características de um grupo: sua distribuição por idade, sexo, procedência, nível de escolaridade, estado de saúde etc. Algumas pesquisas descritivas vão além da simples identificação da existência de relações entre variáveis, pretendendo determinar a natureza dessa relação. Nesse caso, temse uma pesquisa descritiva que se aproxima da explicativa. Por outro lado, há pesquisas que, embora definidas como descritivas, a partir de seus objetivos acabam servindo mais para proporcionar uma nova visão do problema, o que as aproximam das pesquisas exploratórias. Pesquisas Explicativas: São aquelas que têm como preocupação central identificar os fatores que determinam ou que contribuem para a ocorrência dos fenômenos. Esse é o tipo de pesquisa que mais aprofunda o conhecimento da realidade, porque explica a razão, o porquê das coisas. As abordagens de pesquisa Uma pesquisa pode ser realizada com dados criados ou com dados existentes. No primeiro caso, os dados são coletados após uma intervenção com o objetivo de provocar uma mudança e no segundo, os dados estão presentes na situação em estudo e que o pesquisador, através das técnicas de pesquisa, faz aparecer sem a intenção de modificá-los através de uma intervenção. Os especialistas usam diferentes nomenclaturas para as metodologias empregadas na realização de pesquisas, porém não diferem basicamente em seu conteúdo. Tais metodologias se distinguem de acordo com as fontes de dados utilizadas, a amplitude 12

13 do estudo conforme os objetivos, o tipo de análise que pretendem fazer e ainda, de acordo com o controle das variáveis em estudo. Em qualquer projeto de pesquisa é necessário definir as estratégias de pesquisa que melhor permita ao pesquisador responder suas questões ou verificar a validade de suas hipóteses. Não existe uma estratégia que seja sempre a melhor para responder a uma pesquisa de um determinado fenômeno, o que existem são estratégias que otimizam a qualidade da pesquisa em relação a certos contextos. A escolha de uma estratégia de pesquisa tem que ser feita considerando, entre outros elementos, a natureza da questão da pesquisa, o contexto no qual a pesquisa se realizará, a formação e a experiência do pesquisador. Experimentação: Forma de aquisição de conhecimento em que o pesquisador fixa, manipula e introduz variáveis no objeto do estudo. Os especialistas classificam as estratégias de pesquisa de várias formas, em nosso curso vamos considerar que a definição das estratégias ocorre em dois momentos: na escolha da abordagem de pesquisa; na escolha de um modelo de pesquisa. Na Pesquisa Experimental ou Quantitativa, o pesquisador parte de um fenômeno delimitado a priori sobre o qual formula hipóteses passíveis de serem verificadas, determinando os métodos de verificação a ser utilizado, através do qual procurará controlar as condições do experimento; submete o fenômeno à experimentação em condições de controle, tendo a preocupação com a validade interna das hipóteses a fim de extrair leis, fazer generalizações e elaborar teorias que expliquem o fenômeno observado. Na pesquisa experimental podemos distinguir dois modelos: a pesquisa provocada e a pesquisa invocada. 13

14 Variável Independente: A característica principal de uma variável independente é sua autonomia em relação a outra variável com a qual mantenha relação. É como se, em relação à outra variável, tivesse um comportamento próprio, que não dependesse dela, dessa forma, a variável independente comanda o comportamento da variável dependente. Numa relação de causa e efeito, a variável independente é sempre parte da causa, quando não é a própria causa e a variável dependente é sempre o efeito. Pesquisa Experimental Provocada: é aquela na qual o pesquisador tem um controle muito grande sobre a variável independente; quando o pesquisador decide qual a intervenção a ser aplicada, as modalidades de sua aplicação, o momento da aplicação e também escolhe quem recebe a intervenção. Aqui estão as pesquisas que envolvem, necessariamente, experimentação ou testes. Pesquisa Experimental Invocada: o pesquisador não pode manipular a variável independente, assim ele utiliza variações naturais ou acidentais desta variável para medir os efeitos sobre uma ou mais variáveis dependentes. A Pesquisa Qualitativa é uma abordagem que valoriza os aspectos qualitativos dos fenômenos, abrigando diferentes correntes, cujos pressupostos são contrários à abordagem quantitativa e os métodos e técnicas de pesquisa são diferentes dos adotados nos modelos experimentais. Parte do princípio de que não existe um padrão único de pesquisa para todas as ciências e que há uma relação dinâmica entre a realidade e o sujeito. Isso significa que à medida que o pesquisador aprofunda ou alarga seus conhecimentos sobre a realidade ele se modifica assim como modifica a própria realidade. Os modelos mais comuns de pesquisa qualitativa são: Estudo de Caso, Pesquisa-Ação, Pesquisa Participante e História de Vida. Estudos de Caso: referem-se, evidentemente, ao estudo de um caso, seja ele simples e específico ou complexo e abstrato; consiste na observação detalhada de um contexto, um indivíduo, uma única fonte de documento ou um acontecimento específico, portanto, ele pode focar um local específico, um grupo específico ou qualquer atividade. 14

15 Os estudos de caso têm como características: visam à descoberta através da busca constante de novas respostas e novas indagações; enfatizam a interpretação em contexto do fenômeno estudado para uma apreensão mais completa; buscam retratar a realidade de forma completa e profunda procurando revelar a multiplicidade de dimensões presentes numa determinada situação ou problema; usam uma variedade de fontes de informação, o pesquisador recorre a uma variedade de dados coletados em diferentes momentos, em situações variadas e com uma variedade de tipos de informantes; permitem generalizações naturalísticas de experiências vividas por outros, o pesquisador procura relatar as suas experiências durante o estudo de modo que o leitor ou usuário possa fazer as suas generalizações; procuram representar os diferentes e às vezes conflitantes pontos de vista, isto é, a realidade pode ser vista sob diferentes perspectivas, não havendo uma única que seja a mais verdadeira; utilizam uma linguagem e uma forma mais acessível, podendo ser utilizados dramatizações, desenhos, fotografias, colagens, slides, discussões, mesas redondas etc. e os relatos escritos apresentam um estilo informal, narrativo, ilustrado por figuras de linguagem, citações, exemplos e descrições. No desenvolvimento do estudo de caso são evidenciadas três fases que se superpõem em diversos momentos: Exploratória: especificar as questões ou pontos críticos, estabelecer os contatos iniciais, localizar os informantes e as fontes de dados, definir de maneira mais precisa o objeto de estudo; 15

16 Delimitação do estudo: coletar sistematicamente as informações, determinar os focos da investigação, estabelecer os contornos do estudo; Análise sistemática: reunir as informações coletas, transcrever as entrevistas, elaborar os relatórios com a análise de fatos, elaborar os registros de observações. Pesquisa-Ação: é um tipo de pesquisa social com base empírica, concebida e realizada em estrita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo. Com a pesquisa-ação, o pesquisador pretende desempenhar um papel ativo na própria realidade dos fatos observados, a participação das pessoas implicadas nos problemas investigados é absolutamente necessária. Na pesquisa-ação, o pesquisador desempenha um papel ativo no equacionamento dos problemas, no acompanhamento e na avaliação das ações desencadeadas com ampla e explícita interação com os envolvidos, não se limitando a uma forma de ação, mas também com o objetivo de aumentar o conhecimento e a consciência dos atores. Evidentemente que a pesquisa-ação exige métodos e técnicas de grupo para lidar com a dimensão coletiva e interativa da investigação. Pesquisa Participante: visa estabelecer uma participação adequada dos observadores dentro dos grupos observados de modo a reduzir as barreiras entre pesquisador e pesquisados, não se voltando para o agir. Nesse sentido, a participação se concentra, sobretudo, no pesquisador cuja preocupação maior é a captação de informações e os grupos investigados permanecem nas suas atividades rotineiras. Assim, a pesquisa participante é uma modalidade de pesquisa qualitativa através da qual o pesquisador é levado a compartilhar, pelo menos de maneira superficial, os papéis e os hábitos dos grupos pesquisados, sem que esses 16

17 grupos sejam mobilizados em torno dos objetivos da pesquisa, mas deixados em suas atividades normais. Portanto, a pesquisa participante se presta ao entendimento crítico da realidade para a sua transformação, à valorização do saber popular, à investigação da percepção que os grupos têm de sua situação existencial. O método de investigação participante se compõe de estratégias e técnicas diversas, entre elas a observação e apresenta as seguintes fases: investigação para recolhimento de informações iniciais que permita a apreensão do conjunto de contradições que caracterizam a realidade; codificação, que, partindo do conjunto de contradições que representa a realidade, escolherá aquela que vai servir à investigação; decodificação, que procura desvendar o fenômeno observado. História de Vida: uma estratégia criada por volta de 1920, mas que somente a partir da década de 60 é que se desenvolve, pode ser definida como a narração, por uma pessoa, de sua experiência vivida, é a autobiografia. Pode ter a forma literária biográfica tradicional como memórias e crônicas. Ao pesquisador cabe registrar a narrativa e em seguida, proceder a sua análise. 4. Síntese Vimos que a teoria é que fundamenta a direção da pesquisa, estabelecendo um elo entre o que é conhecido e o desconhecido, ou da própria teoria tiram-se deduções lógicas que representam outros tantos problemas e hipóteses. Por outro lado, as teorias nunca atingem a totalidade de aspectos dos fenômenos da realidade. Estabelecem relações entre aspectos não diretamente observáveis, sendo 17

18 geralmente expressas por vários enunciados sistematizados. Sendo a finalidade de a ciência descobrir uma relação sistemática dos fenômenos, somente os seus aspectos comuns e invariáveis são levados em consideração, estabelecendo-se com eles os elos da estrutura existente. As propriedades individuais e próprias de cada fenômeno, isoladamente, são desconsideradas pelas teorias. À medida que as teorias se ampliam, mais uniformidades e regularidades explicam o universo dos fenômenos, mostrando a interdependência que há entre eles. A teoria se manifesta como uma eterna hipótese que mantém viva a necessidade da indagação, da investigação, fazendo da ciência um edifício em permanente construção, é aí que reside a importância das hipóteses na pesquisa. Nesta unidade abordamos também as estratégias de uma pesquisa, que consistem na integração e articulação do conjunto das decisões a serem tomadas, para apreender de maneira coerente a realidade empírica, a fim de testar de maneira as hipótese ou questões da pesquisa.enfatizamos que um mesmo problema de pesquisa pode permitir questionamentos diferentes, que por sua vez, levam a hipóteses diferentes. Por conseguinte, a verificação dessas hipóteses exige que a coleta de dados seja feita de forma diferenciada, para o caso de dados que já existem e para aqueles cujo aparecimento deve ser provocado. No Relatório de Pesquisa as estratégias fazem parte do capítulo, no qual são definidos os procedimentos metodológicos da pesquisa. Tal capítulo inicia-se com a definição das estratégias. 18

19 Bibliografia CHIZZOTTI, Antonio. Pesquisa em ciências humanas e sociais. São Paulo: Cortez, GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, LAVILLE, Christian e DIONNE, Jean. A construção do saber. Porto Alegre: Artes Médicas; Belo Horizonte: UFMG, 1999.RICHARDSON, Roberto Jarry e Colaboradores. Pesquisa social: métodos e técnicas. São Paulo, Atlas,

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