A PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL NO ENSINO NA LINGUA ESTRANGEIRA

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1 A PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL NO ENSINO NA LINGUA ESTRANGEIRA Ricardo Westphalen de Queiroz Jucá Universidade Tuiuti do Paraná Resumo: O ensino da língua estrangeira (LE) moderna em escolas públicas ou particulares no Brasil vem apresentando uma decadência, seja devido a má formação de seus professores, exigências infundadas por parte dos PCNs e metodologias descabidas, além de salas extremamente numerosas e heterogêneas neste saber. Portanto, a desmotivação dos alunos e mais ainda do professor torna-se cada vez maior, já que a dificuldade em ensinar a LE tornase evidentemente mais desafiadora. Outro ponto ponderado e de grande interesse tem sido a formação do professor, já que os desenvolvimentos teóricos e práticos não conseguiram ir além do mundo acadêmico e alcançar o mundo da sala de aulas de línguas, onde a prática de aprender e ensinar línguas acontece. Este é um estudo de caso realizado por ocasião da especialização em Psicopedagogia da Universidade Tuiuti do Paraná no ano de 2005 e por isso está embasado metodologicamente na Psicopedagogia Institucional que visa diagnosticar e propor sugestões de intervenção nas dificuldades de ensino e aprendizagem e quem sabe assim, a moral e a valorização destes professores e disciplina possam retomar o seu lugar de verdadeira importância. Palavras-chave: Psicopedagogia inglês intervenção Introdução: Por ocasião da formação do autor e da oportunidade de desenvolver um estudo para o curso de especialização em Psicopedagogia, foi desenvolvida uma monografia cujo teor abordava orientações a professores de Língua Estrangeira Moderna, com base em referências bibliográficas e análises realizadas a partir da aplicação de um instrumento de pesquisa. O presente artigo tem base na monografia desenvolvida anteriormente.

2 10260 Para elucidar ao leitor as questões sobre a Psicopedagogia, coloca-se, com base em BOSSA (2000, p. 21) que esta se ocupa da aprendizagem humana, que adveio de uma demanda o problema de aprendizagem, colocado num território pouco explorado, situado além dos limites da Psicologia e da própria Pedagogia e evoluiu devido à existência de recursos, ainda que embrionários, para atender essa demanda, constituindo-se, assim, numa prática. Existem vários campos de atuação da Psicopedagogia, porém, especificamente para este estudo, foi abordada a área Institucional, onde se pretendeu analisar as estruturas, políticas e práticas que envolviam o ensino da Língua Estrangeira Moderna. Assim, foi escolhido um público-alvo de professores e pedagogos e por este motivo caracterizou-se o estudo no campo institucional. A seguir, serão expostos os principais apontamentos desenvolvidos no estudo. Comenta-se cada vez mais sobre a importância da aquisição de uma língua estrangeira, ainda mais a língua inglesa que atende diversas necessidades mundiais como publicado na Folha de São Paulo: Um terço das pessoas do mundo todo vai aprender inglês na próxima década, segundo estudos do Conselho Britânico. Porém percebe-se a importância de investimentos nesta área de aprendizagem, como treinar, e capacitar professores novatos e experientes, assim como prepará-los para uma realidade heterogênea e numerosa das salas de aula. (FOLHA DE SÃO PAULO, 15 de abril de 2004). Portanto, fica mais inviável um processo de ensino-aprendizagem coerente, pois além do citado acima, temos a proliferação das escolas de idiomas, onde se apresenta um apelo mais motivacional, salas com número reduzido e nivelado de alunos, além de ambiente mais propício para a prática oral. O ensino de LE no país conta também com métodos e abordagens que por um lado evoluíram em consonância com a transformação dos conceitos do homem de mundo e de línguas em momentos clássicos. Em boa parte das evoluções, entretanto, um denominador sempre parece ter sido comum: o insucesso da escola para transformar os alunos em usuários competentes de uma língua estrangeira, no máximo se conseguiu que eles aprendessem algumas estruturas gramaticais e um vocabulário do cotidiano, o que quando muito os habilitava apenas à leitura de seus próprios livros didáticos. No Brasil, a profissão de professor de Inglês é ainda difícil de ser delineada e pode ser facilmente desestruturada por diversos motivos, como a falta de formação adequada, o grande número de aulas que tem de ser ministradas para se alcançar um salário digno, ainda que em detrimento da qualidade do trabalho, a carência de

3 10261 recursos técnicos e humanos, e outros fatores sociais e políticos adversos à formação de profissionais competentes. (FERRARI, 2002, p.5). Para então poder intervir numa dificuldade atual, deve-se triar o seu passado, buscando fundamentos coerentes, comparações e análises. Através destas informações pode-se intervir num momento presente, facilitando um trabalho futuro. Sendo assim viu-se a necessidade em buscar na história desta disciplina o seu breve histórico de inserção no currículo e metodologias existentes. O marco inicial foi dia 14 de Julho de 1809 quando Dom João VI decretou oficial no Brasil o ensino das chamadas línguas vivas Francês e Inglês. Tais línguas foram escolhidas estrategicamente por simbolizarem estatus e comércio devido as relações de Portugal com França e Inglaterra. O inglês era importante para o conhecimento ao comércio, e mais ainda para o ingresso no ensino superior na Europa. Entre 1809 a 1837 estes saber era lecionado na grande maioria por estrangeiros que por aqui residiam; quase sempre estas aulas eram ministradas de forma avulsa espécie de aula particular; as mesmas só vem ser lecionadas em Liceus (criado por Napoleão em 1808 na França eram espécie de prédios onde concentravam-se as aulas). Numa tentativa de organizar e estrutura o ensino no Brasil, e autoridades, inauguram o Collegio de Pedro II, baseado nos moldes destes Liceus franceses; serviria de modelo às outras instituições de ensino da época. (VECHIA e LORENZ, 1998) A partir deste momento com o ensino mais estruturado e continuado, as disciplinas também são inseridas nos programas de ensino, e a Língua Inglesa é decretada em 19 de Novembro de A metodologia que prevaleceu entre 1838 a 1930 foi a chamada Grammar Translation, método predominante desde o século XIII na Europa para o ensino de línguas através das traduções e regras gramaticais. Já em 1932 introduzido no Colégio Pedro II através de uma reforma radical na metodologia de ensino (turmas de 15 a 20 alunos), seleção rigorosa de professores e material adequado o Direct Method ou Método Indutivo que privilegia o ensino da língua através do uso prático desta língua. Estes métodos até então eram usados nas salas de aula de ensino regular, mas como na mesma década chagam ao Brasil o que atualmente é a Cultura Inglesa e logo a seguir o que é o Centro Cultural Brasil Estados Unidos, as escolas de idiomas com começam a influenciar no ensino regular, e como o insucesso impulsiona mudanças (Lopes, 1996), tentou-se implantar o Audiolingualism, totalmente opositor a gramática, o behaviorismo e o estruturalismo estavam no auge, passou-se naturalmente a valorizar-se a língua falada e que o

4 10262 aprendizado estava relacionado a reflexos condicionados e que a mecânica de imitar, repetir, memorizar e exercitar palavras e frases seria o essencial para a fluência. Assim o como influenciou os livros baseados em automatismos nas formas de Livro 1, Livro 2 e etc... Mas mais uma vez percebeu-se a impossibilidade em transformar alunos em usuários competentes de uma L.E apenas através de estímulos, respostas e reforços cientificamente controlados. Chega com força total entre os anos 60 influenciados por Noam Chomski que revoluciona a lingüística afirmando que a língua era uma habilidade criativa e não memorizada. Tal método foi Chamado de Natural or Communicative Approaches método natural ou comunicativo, este tornou o docente mais complexo, pois atribuiu ao professor uma série de papéis: colaborador, facilitador, incentivador e avaliador do processo de aprendizagem. Tal método foi muito utilizado entre as décadas de 70 e 80. Desde a década de 90, outro nome foi dado à outra suposta nova metodologia chamada: Lexical Approach ou abordagem léxica; onde o aprendizado se dá através de situações reais do aluno. (OLIVEIRA, L. 2005) Apesar de inúmeras e mesmo louváveis tentativas, mas esquece-se que a maioria destes métodos quando voltados ao ensino regular, não funciona, já que como dito anteriormente as salas são numerosas (entre 35 a 65 alunos), a carga horária em grande maioria não ultrapassa 3 ou 4 horas semanais, o saber dos alunos é demasiadamente heterogêneo; tais ocorrências são muito mais graves do que apenas apontarmos a possível má formação dos professores, pois na prática ao professor só é dado o papel de receptor dos métodos e de executor dos ensaios, não lhe sendo de fato permitido interferir mais criticamente no processo e reavaliá-lo. As normas e procedimentos são impostos de cima, a partir das autoridades de ensino respaldadas por autoridades acadêmicas. (ARAÚJO, 2005) É como se a dita evolução das abordagens de ensino de L.E. contribuiu apenas para a desautorização do papel do professor. Embora em teoria a progressiva evolução científica dos métodos criasse a necessidade de professores mais técnicos e bem preparados, os cursos de licenciatura não estavam preparados e ainda não estão em grande maioria aptos a formar professores com este perfil exigido. Em poucos momentos a busca uma visão de conjunto deste caos, uma análise crítica da proposta oficial de ensino da LE, do método, ou da abordagem adotada, e do contexto social da interação aluno/professor, além é claro, da própria formação que este professor recebe. A solução mais simples é a da crítica pela crítica, com a inevitável busca de responsáveis e a constante exclusão do aluno e a desmotivação do professor. (ARAÚJO, 2005)

5 10263 Para embasar ainda mais este diagnóstico, aplicou-se um questionário em 15 escolas da rede pública e particular da cidade de Curitiba, focando professores e pedagogos que incluía e identificava: 1- Qual é o seu domínio da L.E.M.? ( )Básico ( )Intermediário ( ) Fluente Resposta: 80% respondeu domínio Básico; 15% intermediário e 5% fluente 2- Qual é a sua maior dificuldade em ensinar L.E.M.? Resposta: 70% respondeu salas numerosas; 30% níveis de conhecimento 3-Você consegue ensinar as 4 habilidades propostas pelos PCNs (L.S.R.W: listening, speaking, reading, writing) para turmas entre 30 a 65 alunos? ( )SIM ( )NÃO Resposta: 97% respondeu NÃO e 3% respondeu SIM 4-Você gostaria de receber mais treinamentos vivenciais, workshops e atualizações? ( )SIM ( )NÃO Resposta: 65% respondeu SIM; 35% respondeu NÃO 4.1 Caso não, justifique: Resposta: Estes 3% alegaram apenas não precisarem Você acredita que os profissionais de Pedagogia desconhecem a realidade sobre o ensino x dificuldades deste encontradas nas salas de L.E.M.? ( )SIM ( )NÃO Resposta: 98% respondeu SIM e 2% respondeu NÃO. 5-Qual deste ou destes itens você acredita, caso possam ser modificados, seriam um grande facilitador ao seu ensino de L.E.M.? ( )SALAS REDUZIDAS ( )TURMAS NIVELADAS ( )MENOS AVALIAÇÕES ESCRITAS ( )MAIOR CARGA HORÁRIA Resposta: A maioria dos entrevistados respondeu nesta ordem: Salas menores, turmas niveladas, maior carga horária e menos avaliações escritas.

6 10264 É interessante ressaltar a incoerência em muitas destas respostas, além de uma óbvia falta de sincronia entre professores e pedagogos, uma vez que estes exigem em várias situações o cumprimento dos PCNs e novos modismos, sem mesmo se inteirarem com este saber estrangeiro. Talvez seja este o primeiro passo para o início de uma intervenção psicopedagógica nestas escolas já que não é possível conviver sem os conflitos e contradições, se é que se pretende buscar um projeto de convivência mais humana. De acordo com Ferrari, professor de línguas estrangeiras, necessário à nossa realidade, não pode ser um indivíduo isolado dos colegas de profissão e da comunidade em que está inserido. Deve ser membro de uma rede de outros indivíduos preocupados em fazer questionamentos constantes a respeito de sua própria atuação e de sua inserção na sociedade. Essa será uma rede de pesquisadores de suas próprias práticas, o que também requer uma preocupação para enfrentar os riscos e as incertezas do processo de transformação. (2002, p.7) Sendo assim, é importante que o ensino de inglês retome a sua importância de origem, e que deixemos de ouvir comentários como: Não se aprende inglês na escola, apenas em centro de idiomas ; Que o Inglês não leva à reprovação ; Que não se faz necessária a formação em licenciatura para Ensino Fundamental ; Já que não é possível ensinar a Falar, a gramática em excesso é necessária para alguns concursos prévestibulares ; Ao menos atualmente a gramática é contextualizada ; Que a culpa está apenas nos cursos de Licenciatura ; Que não é importante ensinar Inglês para a Educação Infantil com profissionais qualificados ; Que a Língua Inglesa foi excluída ou reduzida ao Inglês Técnico (ESP) dos cursos como Comércio Exterior, Turismo, Medicina e outros por não ser assim tão importante;. Que Inglês não é incluído nos exames ENEM por ser um saber estrangeiro; Que Inglês passou a ser facultativo nos exames de ingresso no Instituto Rio Branco Diplomacia Que os cursos de licenciatura são mais procurados apenas por serem de custo menor e não por aptidões e aspirações de seus profissionais. Enfim, que após esta leitura, possa-se intervir na retomada do valor do ensino desta disciplina, afinal de contas, ao fazê-lo coerentemente, retoma-se o valor do instrumento mais importante: o professor. E nas palavras de FERRARI, ao retratar a resposta da Professora Maria Antonieta Alba Celani da PUC-SP, na busca de uma reflexão sobre o ensino da L.E e a

7 10265 função do professor, que antes de tudo é preciso definir o que é profissão, bem como a diferença entre profissão e ocupação. Profissão é um tipo de atividade que requer treinamento especial, ao passo que ocupação é um emprego, um ofício, uma atividade que se faz por prazer ou como parte da vida cotidiana. O trabalho do professor é certamente uma atividade profissional especializada, e cada profissional deve ter sua especialização voltada às suas competências, ou seja, um professor que lecione inglês deverá ter conhecimento relativo á língua inglesa e sua metodologia de ensino, sua fonética, e etc... Assim pode-se dizer que todo o professor de inglês é ao mesmo tempo educador; já que educar não é apenas um ato de conhecimento; é também um ato moral e político. A prática profissional competente constrói-se em torno do conhecimento refletido. (2002, P.6) Com uma breve análise do contexto onde se desenvolve o ensino da LE, foi possível perceber que esta precisa encontrar seu norte, por meio de políticas bem definidas, de formação de professores com qualidade e sobretudo, com metodologias adequadas à realidade escolar na atualidade. Muito se deve fazer ainda para que a LE seja uma disciplina que contribua efetivamente para uma prática consciente dos alunos e para que estes possam tornar-se cidadãos letrados. Referências Bibliográficas ARAÚJO, J.P. Intervenção psicopedagógica na prática docente do professor de línguas estrangeiras. Disponível em Acesso em 01/05/2005. BOSSA, Nadia A. A Psicopedagogia no Brasil. Porto Alegre, Rio Grande do Sul: Artes Médicas Sul, FERRARI, M.T. Inglês para o ensino médio: Volume Único. Série Parâmetros. São Paulo: Scipione, LOPES,L.P.M.Oficina de lingüística aplicada: A natureza social e educacional dos processos de ensino/aprendizagem. Campinas. São Paulo: Mercado de Letras, OLIVEIRA, L.E. A institucionalização do ensino de inglês no Brasil: estabelecendo a fase inicial: Campinas. São Paulo artigo. UNICAMP, 2005.

8 10266 VECHIA, A. e LORENZ, K. Programa de Ensino Secundário Brasileiro: Ed. dos Autores. Curitiba PR, 1998.

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