CONTRAMINUTA DE AGRAVO. Agravante: Departamento de Águas e Energia Elétrica DAEE Agravada: xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

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1 CONTRAMINUTA DE AGRAVO Agravo de Instrumento n.º xxxxxxxxxxxxxxx Agravante: Departamento de Águas e Energia Elétrica DAEE Agravada: xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx COLENDA CÂMARA ÍNCLITOS JULGADORES Trata-se de agravo de instrumento interposto por Departamento de Águas e Energia Elétrica - DAEE, representado pela Companhia Energética de São Paulo - CESP, contra a r. decisão proferida em primeiro grau que, nos autos da ação de reintegração de posse c.c. demolição de construções promovida em face de xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx e xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx, indeferiu medida liminar que pleiteava alegada retomada de área seguida de demolição das construções, sob o fundamento de que, além do transcurso de mais de 14 anos da data do alegado esbulho pelo Agravado, não há certeza dos limites da área pertencente ao Agravante, de modo que seria por demais temerário antecipar a tutela, pois seus efeitos não seriam reversíveis. Naquela ação alega o Agravante que é possuidor de área declarada de utilidade pública com 90,08ha, localizada no Município de Igaratá, adquirida em 02 de agosto de 1977, consoante matrícula nº do Cartório de Registro de Imóveis da cidade de Santa Isabel, e

2 L.S.FARIA Advocacia em Cidadania 2 que desde janeiro de 1994 os réus ocupam 0,1472 ha daquela área, onde construíram um portão alambrado com 48m2, um muro de arrimo com 40m2, uma rampa/escada de concreto com 170m2 e um flutuante com 12m2, sem o consentimento em desacordo com o disposto em legislação ambiental vigente. Aduz, que uma vez verificada a invasão, procedeu à notificação extrajudicial dos Agravados para que efetuassem a demolição e a desocupação da área amigavelmente, sem, entretanto obter êxito. No entender do Agravante, por tratar-se de bem público insuscetível de usucapião, flagrante seria o esbulho possessório. Em razão disso, pleiteia a concessão de medida liminar de reintegração de posse e demolição das construções, que restou indeferida pela douta magistrada a quo, razão pela qual foi interposto o presente recurso de agravo de instrumento pelo DAEE. Sustenta assim o Agravante que a decisão de primeira instância deve ser reformada porque a urgência na decisão repousaria no fato do bem estar localizado à margem de reservatório artificial e ser integrante de área de preservação permanente, e a decisão viria a preservar a área posto que o Agravado, no entender do Agravante, seria pessoa descomprometida com o Meio Ambiente que vem realizando obras em desfavor de todos (o que, como se verá, não se trata de verdade), havendo necessidade de promover a desocupação da área (outra confusão, pois o Agravado não ocupa a área). A concessão de efeito suspensivo e ativo foi denegada pelo Nobre Relator. Tais alegações não merecem ser acolhidas por esta Egrégia Câmara. A decisão de primeira instancia foi deveras acertada, primeiramente porque impossível nesse momento processual a delimitação correta da área, e tratando-se de imóveis vizinhos, a incorreção implicaria em dano irreparável à parte. Outrossim, o Agravado não exerce a posse sobre a área do Agravante, pois qualquer pessoa pode adentrar naquele local, sendo que tão somente utiliza estreita faixa de terra como servidão de passagem há mais de 14 anos. Por fim, inexiste urgência por não estarem sendo realizadas ampliações ou novas obras, não havendo que se falar em perigo na demora, até porque na área inexiste fragmento florestal

3 L.S.FARIA Advocacia em Cidadania 3 formado. E é o juiz de primeira instância quem tem maior possibilidade do correto julgamento dos fatos. É sobre o que se discorrerá abaixo. 1. DA DEMARCAÇÃO DOS TERRENOS COMO PRESSUPOSTO À APRECIAÇÃO DO PEDIDO DEMOLITÓRIO Necessário esclarecer que o pedido do Agravante abrange indevidamente área de domínio dos Agravados. Com efeito, consoante escritura pública expedida pelo Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Santa Isabel, anexada ao processo principal, os Agravados são legítimos proprietários do imóvel limítrofe ao do Agravante, que nesse tocante também reconhece a vizinhança. Assim, vale lembrar que a inicial faz alusão a um suposto esbulho e construção de um portão alambrado com 48m², um muro de arrimo com 40m² e uma rampa de acesso de barco com escada de concreto de 170m², havendo daí um flutuante de 12m² ao final, consoante os relatórios de inspeção da CESP. Sem melindre pela afirmação da Agravante, as benfeitorias estão todas edificadas no limite da propriedade dos Agravados, excluindo-se dessa afirmação a parte final da rampa de acesso à represa, única que, necessariamente e a título de servidão de passagem (utilizada há mais de 10 anos art , CC), avançou além da divida para alcançar a água e o flutuante. E dentro dos limites da propriedade dos Agravados a CESP não possui domínio ou posse que justifique a utilização da via possessória, de modo que não há o alegado esbulho porquanto as construções são de propriedade e posse dos Agravados (excetuada a parte final da rampa e flutuantes, os quais, porém, comportam regularização consoante se demonstrará abaixo). Acontece que, como se tratam de imóveis vizinhos, a CESP equivoca-se provavelmente devido ao critério que utiliza para definir o local exato da divisa. Embora os títulos de domínio das duas propriedades descrevam que o limite dessas é a cota máxima da Represa do Jaguari e o inspetor da Agravante tenha utilizado este critério para concluir pela

4 L.S.FARIA Advocacia em Cidadania 4 suposta invasão da construção, esse limite foi traçado em 1977 e utilizá-lo atualmente como parâmetro de definição não seria mais possível vez que este critério não levaria em consideração as alterações sobre o terreno provenientes da própria natureza e de ações do artífice humano (terraplanagem com corte de terreno), não sendo um critério seguro. De fato, o critério utilizado pela CESP hoje não tem outra função que não a técnica: é criado e definido com o objetivo de demarcar possíveis enchentes. Ausente sua função de delimitar imóveis. E, no caso, é só observar as próprias fotos colacionadas pela Agravante que se verá que o muro de arrimo, a rampa e o portão alambrado foram edificados após um trabalho de terraplanagem, o que, de uma vez por todas, coloca em cheque a utilização da altitude como modo de delimitação de terreno. Desse modo, nos termos do artigo 951 do CPC, incabível a concessão liminar, pois a queixa de esbulho ou turbação somente poderá ser apreciada após a demarcação do terreno (pedido que o Agravante deveria ter feito na petição inicial, porém sequer o formulou). Somente após essa delimitação é que seria possível ao Juízo apreciar o pedido de restituição do terreno invadido com os rendimentos que deu, ou a indenização dos danos pela usurpação verificada. 2. DA NECESSIDADE DE LIMITAÇÃO DO PEDIDO REINTEGRATÓRIO Impende salientar que o órgão público em questão não quantificou nem delimitou o que seria sua propriedade e o que seria a propriedade do ora Agravado, limitando-se a dizer que houve esbulho em 1994 e que algumas edificações deveriam ser demolidas, sem apontar até aonde a reintegração e conseqüente demolição deveriam ocorrer. Inexiste a delimitação da área cujo DAEE quer se ver reintegrado na posse. Se o Agravante busca a reintegração deve delimitar área em que quer se ver reintegrado, não servindo para tanto as medidas de altitude apresentadas no relatório de inspeção CESP, inclusive pelos motivos já suscitados.

5 L.S.FARIA Advocacia em Cidadania 5 O Agravante requer o pedido imediato (a providência jurisdicional), mas não traz consigo o pedido mediato, o bem da vida: melhor esclarecendo, não diz qual a metragem da área invadida, o que impede inclusive a apreciação pelo Juízo, não se olvidando que tal prova deveria acompanhar a inicial por ser imprescindível ao deslinde da ação, não podendo ser trazida no decorrer da ação em face dos efeitos da preclusão consumativa. Implicaria ainda em prejuízo da sentença, uma vez que poder-se-á aplicar sentença citra ou extra petita, o que é vedado pelo ordenamento legal. Em vista disso, muito provavelmente a inicial será tida como inepta pela ausência de pedido certo e determinado (art. 267, IV c/c art. 282, IV c/c art. 295, I, CPC), o que dissipa a fumaça do bom direito. 3. DA INEXISTÊNCIA DE ESBULHO Ademais, em momento algum houve impedimento ao exercício do direito de propriedade do Agravante (uso, gozo e fruição) naquela área por parte do Agravado. De fato, o acesso à área de entorno do reservatório que está situada defronte ao lote do Agravado sempre foi livre, nunca foi obstado, e não se pode alegar que a rampa, escada e muro de arrimo fotografados (fls. 32 e ss. dos autos originais) impediram ou dificultaram o exercício da posse pelo Agravante naquela área. Ora, é pressuposto da ação de reintegração na posse a perda da mesma, o que no caso não existe. E isso é requisito da ação, que incumbe ao Autor provar: Código de Processo Civil Art Incumbe ao autor provar: I- a sua posse; II- a turbação ou o esbulho praticado pelo réu; III- a data da turbação ou do esbulho; IV- a continuação da posse, embora turbada, na ação de manutenção; a perda da posse, na ação de reintegração;

6 L.S.FARIA Advocacia em Cidadania 6 Como não houve esbulho naquela área a qual o recorrente sequer conhece sua delimitação o pedido liminar reintegratório não deve ser acolhido (defesa direta negativa), como já apreciado pela jurisprudência abaixo: A não comprovação do esbulho imputado ao réu acarreta a improcedência do pedido de reintegração de posse formulado pelo autor, por falta de requisito previsto no artigo 927, inciso II, do CPC (TJDF, AC /DF, 1ª Turma Cível, rel. Des. João Mariosa, j , DJ , p.14 Decisão: por unanimidade, negaram provimento ao recurso). 4. OBRIGATORIEDADE DO RITO DE AÇÃO DE FORÇA VELHA Mister faz-se trazer à baila que a posse dos Agravados é velha. Ao contrario do entendimento da Agravante, o fato do bem objeto da presente ação ser público, não dispensa a exigência da lei, quanto ao tempo da turbação ou esbulho, pois prevalecem, nesse caso, as regras do Código de Processo Civil, que no artigo 924 dispõe: Art Regem o procedimento de manutenção e de reintegração de posse as normas da seção seguinte, quando intentado dentro de ano e dia da turbação ou do esbulho; passado esse prazo, será ordinário, não perdendo, contudo, o caráter possessório. Esse prazo é decadencial já que a ação possessória de rito especial tem caráter constitutivo e executivo quanto à proteção possessória, além de mandamental quanto ao mandado de interdito proibitório, e condenatório no tocante às perdas e danos. Assim, caso o esbulho ou turbação tenha ocorrido há mais de ano e dia, não cabe ação possessória pelo procedimento especial, onde é devida a liminar (NELSON, Nery, Código de Processo Civil Comentado, p. 965, RT). Pois bem, nos termos da própria alegação do Agravante, a suscitada utilização da área como meio de desembarque passou a ocorrer desde janeiro de 1994, sendo que somente em 2008 o mesmo veio a juízo. Indubitavelmente passaram-se 14 anos, mais que ano e dia, sendo tal um dos motivos do juízo a quo ter decidido pelo procedimento ordinário, negando assim a liminar de demolição pleiteada.

7 L.S.FARIA Advocacia em Cidadania 7 Ocorre que o Agravante quer seja aplicada ao presente caso, a despeito do estabelecido pela legislação processual no tocante ao prazo para ingresso da demanda possessória, o procedimento de força nova, para a concessão de liminar, fundado nos argumentos de que bem público não gera posse e que a jurisprudência é dominante nesse sentido, o que, como se verá, é ledo engano. Com efeito, não existe a alegada jurisprudência dominante no tocante ao argumento da Agravante que não admite a ação possessória de força velha em bem público sob fundamento de mera detenção, pois se for fato que existe detenção e não posse, também é fato que o Órgão Público, para retomá-lo, deve pautar-se pelos caminhos do Devido Processo Legal, já insculpidos no Código de Processo Civil, e que determinam que nas ações possessórias a liminar somente poderá ser concedida se a ação possuir força nova, sendo proposta a menos de ano e dia da data da turbação. O direito material em discussão não tem o condão de modificar regra processual para qual não foi prevista tal exceção no tocante aos bens públicos, devendo o feito ser processado pelo rito ordinário: REINTEGRAÇÃO DE POSSE Liminar Posse velha de mais de ano e dia Prazo decadencial Reservatório de Usina Hidroelétrica Imóvel pertencente à CESP Bem público Prevalência das regras do Código de Processo Civil Ainda que se trate de imóvel, bem público, a liminar de reintegração de posse deve obedecer as regras do Código de Processo Civil, quanto ao prazo de um ano e dia da turbação ou do efetivo esbulho Decisão confirmada Recurso não provido (Agravo de instrumento nº Paraibuna 5ª Câmara de Direito Público Relator: Xavier de Aquino V.U.) POSSE - Reintegração - Liminar - Inadmissibilidade Bem dominial em que são aplicadas a s regras do direito privado - Hipótese em que a turbação data de mai s de ano e dia - Recurso não provido O Código de Processo Civil, ao exigir a prova da data em que ocorreu o fato lesivo da posse do autor, exige-o para efeito tão-somente de saber se o autor pode ou não beneficiar-se na medida liminar, que só pode ser concedida quando a turbação ou violência date de menos de ano e dia " (A I n São Paulo - TJSP Relator Des Barbosa Pereira, j ). EMENTA. PROCESSUAL CIVIL E CIVIL. LIMINAR EM REINTEGRAÇÃO DE POSSE. POSSE VELHA. INDEFERIMENTO. PRÓPRIO NACIONAL. OCUPAÇÃO IRREGULAR DE TERRENO POR MAIS DE DEZ ANOS. Tendo decorrido mais de ano e dia do alegado esbulho, deve o feito ser processado pelo rito ordinário, não perdendo seu caráter de possessório nos moldes do artigo 924 do CPC (...). Precedentes da Eg. Quarta Turma. Recurso

8 L.S.FARIA Advocacia em Cidadania 8 improvido (TRF 2º Reg. Agravo de Instrumento DJU Relator Juiz Rogério Carvalho). Reintegração de posse Liminar Posse velha de mais de ano e dia. Prazo decadencial Imóvel pertencente à Prefeitura Municipal Bem público. Prevalência das regras do Código de Processo Civil. Ainda que se trate de bem público, a liminar de reintegração de posse deve obedecer as regras do Código de Processo Civil, quanto ao prazo de um ano e dia da turbação ou do efetivo esbulho Recurso não provido (AI n , Mairiporã, 3ª Câmara de Direito Público, Rel. Ribeiro Machado, v.u.) Possessória. Reintegração de Posse Medida liminar. Não cabimento. Posse velha, de mais de ano e dia. Municipalidade. Requerente da medida. Irrelevância, ainda que se trate de bem do domínio público. Ao inverso do sustentado pela Recorrente, relevante, para a espécie, mesmo que a pretensão tenha sido formulada por Municipalidade e se refira a bem de domínio público, a demonstração de se cuidar efetivamente de ação possessória de força nova. (AI n , 4ª Câm Do l TACivSP, Rei. Jos é Roberto Bedran, j , v.u.) Nesse ponto, eventual decisão concessiva da medida antecipatória liminar negaria vigência ao artigo 924 do Código de Processo Civil Brasileiro, Lei Federal de 11 de janeiro de 1973, motivo pelo qual deve ser improvido o agravo em tela. 5. DA CONSTRUÇÃO EM ZONA LINDEIRA De outra via, razão não assiste ao Agravante em buscar a demolição de parte da rampa de embarcação e da escada que estaria situada em sua área de propriedade, se a construção iniciou-se no terreno contíguo, de propriedade dos Agravados, e invadiu parcialmente o terreno do DAEE em proporção não superior à vigésima parte deste, por tratarse de construção em zona lindeira. Art Se a construção, feita parcialmente em solo próprio, invade solo alheio em proporção não superior à vigésima parte deste, adquire o construtor de boa-fé a propriedade da parte do solo invadido, se o valor da construção não exceder o dessa parte, e responde por indenização que represente, também, o valor da área perdida e a desvalorização da área remanescente. Como os Agravados estavam de boa-fé ao realizar tais empreitas, até porque há a possibilidade de regularizá-las e mantê-las no terreno do Agravante, e a própria CESP,

9 L.S.FARIA Advocacia em Cidadania 9 sabendo da existência das mesmas, declinou aos Demandados a manutenção daquelas ascensões desde que regularizadas (fls. 41 e 42 dos autos principais), é inconteste que os Demandados, por força do Diploma Civil, passaram a ser proprietários da área invadida pelas construções (rampa e escada). 6. RETENÇÃO DE BENFEITORIAS A obscuridade na divisa dos terrenos torna muito provável a boa-fé dos Agravados quando da edificação das benfeitorias, o que lhes geraria direito de resguardo das mesmas. E será na ação principal que haverá a possibilidade de se constatar a boa-fé, não sendo possível ceifar-lhes tamanha garantia nesse momento processual. Vale mencionar ementa de jurisprudência colhida desse Egrégio Tribunal de Justiça: AÇAO CIVIL PÚBLICA Pedido liminar Reintegração da Prefeitura Municipal de São Paulo na posse de imóvel ocupado irregularmente pelo agravante Municipalidade de ajuizou contra o agravante Ação de Reintegração de Posse em que objetiva a retomada da posse do mesmo imóvel inexistência de omissão do titular do imóvel, tornando aconselhável que se decida sobre a pretendida reintegração de posse na ação adequada, ou seja, na possessória, com oportuno exame da atividade exercida no local, e possível resguardo das benfeitorias Pedido reservado a um exame, a final, da responsabilidade dos envolvidos na ocupação do bem público Agravo Provido (Agravo de Instrumento nº /1 São Paulo 7ª Câmara de Direito Público Relator: Milton Gordo V.U.) Oportuno destacar que os Agravados construíram muro de arrimo somente visando conter as erosões que vinham ocorrendo no local (fls. 35/36 dos autos é possível constatar a erosão), atitude que não foi tomada pela CESP, porém que, caso lá seja terreno do órgão público, lhe aproveitará, o que eleva a edificação à categoria de benfeitoria necessária.

10 L.S.FARIA Advocacia em Cidadania DA REGULARIZAÇÃO AMBIENTAL DAS CONSTRUÇÕES A rampa de acesso à represa é passível de regularização perante a CESP e órgãos ambientais devido ao seu baixo impacto ambiental. Nessa linha os Agravados se moverão doravante, pois não são meros detentores, mas sim titulares do direito de utilização daquela área urbana, e estão providenciando a regularização para obtenção das licenças ambientais dos órgãos competentes. Impende salientar que somente não foi cumprida anteriormente a notificação requerida pelo Agravante às fls. 39 dos autos principais abril de 2005, pois a Sra. Taicia passava por um rigoroso e desgastante tratamento de saúde. E, no que tange à notificação de fls. 41/42 maio de 2007, para que os Agravados efetuassem a regularização da área, os mesmos nunca receberam aquela missiva, tanto que o Agravante não juntou nos autos do processo o comprovante de entrega (Aviso de Recebimento). Foi somente com o conhecimento da demanda que os Agravados tiveram ciência da possibilidade de regularização da área, a qual estão providenciando junto ao DEPRN por meio do engenheiro agrônomo Juarez Domingues de Vasconcelos. Nesse passo, traz-se à baila que, com o advento da Resolução 369, editada pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente, em 28 de março de 2006, casos excepcionais de utilidade pública, interesse social ou baixo impacto ambiental, são passiveis de intervenção ou supressão de vegetação em área de preservação permanente APP. E é certo que a intervenção ocasionada pelos Agravados é de baixo impacto ambiental, de modo que a aludida resolução aplica-se perfeitamente ao presente caso, senão vejamos: RESOLUÇÃO Nº 369, DE 28 DE MARÇO DE 2006 Dispõe sobre os casos excepcionais, de utilidade pública, interesse social ou baixo impacto ambiental, que possibilitam a intervenção ou supressão de vegetação em Área de Preservação Permanente-APP. (...) Art. 3 o A intervenção ou supressão de vegetação em APP somente poderá ser Autorizada quando o requerente, entre outras exigências, comprovar: I - a inexistência de alternativa técnica e locacional às obras, planos, atividades ou projetos propostos; II - atendimento às condições e padrões aplicáveis aos corpos de água; III - averbação da Área de Reserva Legal; e IV - a inexistência de risco de agravamento de processos como enchentes, erosão ou movimentos acidentais de massa rochosa.

11 L.S.FARIA Advocacia em Cidadania 11 Art. 4º. Toda obra, plano, atividade ou projeto de utilidade pública, interesse social ou de baixo impacto ambiental, deverá obter do órgão ambiental competente a Autorização para intervenção ou supressão de vegetação em APP, em processo administrativo próprio, nos termos previstos nesta resolução, no âmbito do processo de licenciamento ou Autorização, motivado tecnicamente, observadas as normas ambientais aplicáveis. 1 o A intervenção ou supressão de vegetação em APP de que trata o caput deste artigo dependerá de Autorização do órgão ambiental estadual competente, com anuência prévia, quando couber, do órgão federal ou municipal de meio ambiente, ressalvado o disposto no 2 o deste artigo. 2 o A intervenção ou supressão de vegetação em APP situada em área urbana dependerá de Autorização do órgão ambiental municipal, desde que o município possua Conselho de Meio Ambiente, com caráter deliberativo, e Plano Diretor ou Lei de Diretrizes Urbanas, no caso de municípios com menos de vinte mil habitantes, mediante anuência prévia do órgão ambiental estadual competente, fundamentada em parecer técnico. 3 o Independem de prévia Autorização do órgão ambiental competente: I - as atividades de segurança pública e defesa civil, de caráter emergencial; e II - as atividades previstas na Lei Complementar n o 97, de 9 de junho de 1999, de preparo e emprego das Forças Armadas para o cumprimento de sua missão constitucional, desenvolvidas em área militar. Destaque também merece o art. 8. da Resolução CONAMA 369/06, que norteia os procedimentos administrativos dos órgãos ambientais estaduais, o qual pedimos vênia para transcrever: Art. 8º.- A intervenção ou supressão de vegetação em APP para a implantação de área verde de domínio público em área urbana, nos termos do parágrafo único do art. 2º da Lei n o 4.771, de 1965, poderá ser Autorizada pelo órgão ambiental competente, observado o disposto na Seção I desta Resolução, e uma vez atendido o disposto no Plano Diretor, se houver, além dos seguintes requisitos e condições: I - localização unicamente em APP previstas nos incisos I, III alínea "a", V, VI e IX alínea "a", do art. 3 o da Resolução CONAMA n o 303, de 2002, e art. 3 o da Resolução CONAMA n o 302, de 2002; II - aprovação pelo órgão ambiental competente de um projeto técnico que priorize a restauração e/ou manutenção das características do ecossistema local, e que contemple medidas necessárias para: a) recuperação das áreas degradadas da APP inseridas na área verde de domínio público; b) recomposição da vegetação com espécies nativas; c) mínima impermeabilização da superfície; d) contenção de encostas e controle da erosão; e) adequado escoamento das águas pluviais; f) proteção de área da recarga de aqüíferos; e g) proteção das margens dos corpos de água.

12 L.S.FARIA Advocacia em Cidadania 12 III - percentuais de impermeabilização e alteração para ajardinamento limitados a respectivamente 5% e 15% da área total da APP inserida na área verde de domínio público. 1 o Considera-se área verde de domínio público, para efeito desta Resolução, o espaço de domínio público que desempenhe função ecológica, paisagística e recreativa, propiciando a melhoria da qualidade estética, funcional e ambiental da cidade, sendo dotado de vegetação e espaços livres de impermeabilização. 2 o O projeto técnico que deverá ser objeto de aprovação pela Autoridade ambiental competente, poderá incluir a implantação de equipamentos públicos, tais como: a) trilhas ecoturísticas; b) ciclovias; c) pequenos parques de lazer, excluídos parques temáticos ou similares; d) acesso e travessia aos corpos de água; e) mirantes; f) equipamentos de segurança, lazer, cultura e esporte; g) bancos, sanitários, chuveiros e bebedouros públicos; e h) rampas de lançamento de barcos e pequenos ancoradouros. 3 o O disposto no caput deste artigo não se aplica às áreas com vegetação nativa primária, ou secundária em estagio médio e avançado de regeneração. 4 o É garantido o acesso livre e gratuito da população à área verde de domínio público. Portanto, há de se concluir pelo baixo impacto ambiental das benfeitorias existentes na localidade e pela possibilidade de regularização, o que não justificaria a demolição. 8. DA TENTATIVA DE UTILIZAÇÃO DE OFENSA MORAL GRATUITA PARA FUNDAMENTAR URGÊNCIA No mais, falta com a verdade a afirmação de que os Agravados contribuem com a degradação ambiental no local. A afirmação é vazia e sem conteúdo científico para sustentála. Os Agravados sempre agiram dentro dos limites legais e não efetuaram corte em vegetação ou movimentação de terra acima do permitido pela lei, consoante fotos anexadas às fls. 32 dos autos originais, sendo que inclusive implantaram, com seus próprios esforços, muro de arrimo para a contenção de erosão no local, que avançava sobre o morro.

13 L.S.FARIA Advocacia em Cidadania 13 Nenhum fragmento florestal foi danificado. As obras realizadas há cerca de 14 anos lá continuam, e não estão sendo ampliadas atualmente. E a CESP sabe disso, pois visitou o local e fez relatório de inspeção. Como se vê, a afirmação desonrosa feita nos autos de que os Agravados são depredadores do Meio Ambiente somente pode ter por objetivo usurpar da bandeira do ambientalismo, a onda verde, para sensibilizar o Judiciário, até porque não é a CESP legitimada a defender interesses difusos e coletivos, ainda mais por meio de ação possessória que discute relação inter-parts. Requer os Agravados, assim, seja desconsiderada a falácia em comento, provavelmente utilizada pela Agravante em todas as peças que apresenta nas ações semelhantes a presente. 9. DO INTERESSE EM AUDIÊNCIA DE ACORDO Cumpre por fim salientar que os Agravados, como já manifestaram perante o juízo a quo, ante a possibilidade de regularização das obras, o que já estão providenciando, têm interesse na aceitação da proposta, já realizada pela CESP, de regularização das edificações (fls. 41 e 42, autos originais). Desse modo, requer-se, mais uma vez, seja denegada a liminar, pois sua concessão implicaria no impedimento da conciliação e pacificação social, o que não é objetivo da Justiça. 10. EPÍLOGO Sabe-se que a medida liminar em ação possessória é de livre-convencimento do magistrado, e por isso os Tribunais Superiores tem adotado o posicionamento de que somente em casos excepcionais podem alterar tais decisões. Por estar o Juízo de primeiro grau junto às partes e acompanhando o processamento da ação na origem, tem ao seu dispor fartos elementos, dirigidos a formar sua convicção, de acordo com o princípio da imediatidade da prova.

14 L.S.FARIA Advocacia em Cidadania 14 De outro lado, a medida liminar pretendida é de cognição sumária, por conseqüência se faz necessária a presença de elementos probatórios que amparem decisório que a conceda, ou então que seja pela sua alteração, o que, "in casu, não se verifica. As inversões na situação possessória de imóveis necessitam de melhor análise, principalmente frente aos prejuízos que daí decorrem, como a do caso em tela em que se pretende a demolição das construções. Portanto, não há possibilidade de atendimento liminar do pedido de demolição das construções. Essa medida tem caráter irreversível, com o que há vedação expressa para seu deferimento (artigo 273, 2º, do CPC). Além disso, há necessidade de correta definição do destino a ser dado às construções erguidas no local, de forma que a ação deve ter regular prosseguimento sem autorizar a demolição liminar pretendida, ante a possibilidade de ocorrência de danos de difícil reparação, razão pela qual deve ser mantida a decisão combatida por seus próprios fundamentos. 11. DO PEDIDO Por todo o exposto, requerem os Agravados seja negado provimento ao presente recurso, com a manutenção da decisão de primeira instância que houve por bem indeferir a liminar pleiteada, eis que ausente requisito capaz de autorizar a concessão da liminar. São José dos Campos, xxxx de xxxxxxx de xxxx. LUCAS DOS SANTOS FARIA OAB/SP Nº Avenida Marechal Floriano Peixoto, nº 37, 2º. Andar, Sala 22, Centro São José dos Campos SP Fone: (12)

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