PROPOSTA ADITIVA DA AMDA À PLATAFORMA AMBIENTAL APRESENTADA PELA FUNDAÇÃO SOS MATA ATLÂNTICA E ANAMMA. Belo Horizonte agosto 2012

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1 PROPOSTA ADITIVA DA AMDA À PLATAFORMA AMBIENTAL APRESENTADA PELA FUNDAÇÃO SOS MATA ATLÂNTICA E ANAMMA Belo Horizonte agosto PROTEÇÃO DE AMBIENTES NATURAIS NO VETOR SUL DE BELO HORIZONTE E CONECTIVIDADE ENTRE OS MESMOS E UNIDADES DE CONSERVAÇÃO 1.1. Considerando a importância dos ambientes naturais que restaram no município de Belo Horizonte localizados ao longo da Serra do Curral, (com a presença de remanescentes de Mata Atlântica, Cerrado e Campos Altimontanos), fauna expressiva (com várias espécies constantes das listas oficiais de animais em extinção, em especial na área da Serra do Rola Moça) e significativos mananciais de água; 1.2. Considerando os avanços e ameaças constantes por parte do setor imobiliário, parcelamentos clandestinos, mineradoras e incêndios florestais que degradam de forma constante esses ambientes; 1.3. Considerando a competência legal e obrigação institucional do município de proteger o meio ambiente; 1.4. E por fim, considerando que a continuidade desse processo de ocupação resultará em isolamento geográfico das unidades de conservação existentes no Vetor Sul de BH e portanto, é imperiosa e indiscutível a necessidade de estabelecer conectividade, através da proteção legal, dos espaços entre as UCs existentes. Propomos compromisso no sentido de formalizar a proteção desses ambientes naturais através da criação e implantação de redes de unidade de conservação, de maneira a proteger todo o conjunto da serra, e estancar o processo de ocupação de suas áreas; Propomos ainda rede de parques lineares ao longo dos cursos d água que descem a Serra do Curral, cortando a malha urbana da cidade, de maneira a impedir a ocupação de suas margens, garantindo ainda o uso das mesmas para fins de recreação publica. A proposta pode ser integrada ao Programa Drenurbs, de instalação de bacias de contenção de águas de chuvas, de maneira a reduzir os efeitos das inundações nos trechos mais baixos da malha urbana de Belo Horizonte. 2. RECURSOS HÍDRICOS

2 2.1. Considerando que é necessário mudar a cultura de exclusão dos cursos d água da paisagem urbana e resgatar da convivência entre os mesmos e os seres humanos; 2.2. Considerando os inúmeros benefícios que advirão desta providência, principalmente no que se refere à sensibilidade da população para o bom uso e respeito aos recursos naturais e a importância das dezenas de cursos d água que cruzam BH para a integridade do rio das Velhas; 1.3. Considerando que em diversos países a cultura do emparedamento e até de canalização em muitos casos de cursos d água é considerada nefasta e ultrapassada, sendo que muitos deles estão implantando medidas no sentido inverso, ou seja, estão reintegrando-os à paisagem urbana, Propomos que: A Prefeitura exclua definitivamente possibilidade de novas canalizações ou emparedamento de cursos d'água, adotando medidas de proteção de suas margens, através de medidas de cunho ambiental e utilização social. Que se estabeleça como meta, e para tanto planeje como alcançá-la, envolvendo a população, plano de longo prazo para recuperar os cursos d'água que foram emparedados ou canalizados sem necessidade real. Impeça, através de fiscalização constante, ocupação das últimas áreas de preservação permanente que restaram no município. Estabeleça procedimentos para obrigatoriedade de tratamento de esgotos em áreas de expansão urbana, como é o caso do bairro Buritis, onde eles são canalizados diretamente para o curso d água que nasce no parque Ageu Pio Sobrinho. 3. EDUCAÇÃO AMBIENTAL 3.1. Considerando o desinteresse histórico da administração pública pela educação ambiental, expresso pela forma secundária que o tema é tratado nas escolas públicas e por outro lado, o inegável princípio de que a tão propalada sustentabilidade somente será alcançada se mudar a relação entre os seres humanos e o meio ambiente natural ; 3.2. Considerando que, apesar do citado desinteresse, as constituições federal e estadual consideram obrigatória educação ambiental nas escolas; 3.3. Considerando a facilidade para que isto seja praticado, devido ao avanço do conhecimento e interesse da população; Propomos que a Prefeitura elabore e execute plano de educação ambiental para os alunos da rede pública de educação.

3 4. DESTINAÇÃO DE RESÍDUOS: 4.1. Considerando que BH já foi destaque internacional pelo trabalho educativo e de destinação de resíduos urbanos através da SLU; 4.2. Considerando que a ação do poder público municipal perdeu qualidade ao longo dos últimos anos, fato que pode ser exemplificado pela quantidade de resíduos nas ruas, principalmente nas áreas periféricas urbanas; pelo aparente desinteresse da municipalidade no que se refere à coleta seletiva, representado por ausência de políticas públicas que a estimulem; pela dificuldade que enfrentam os cidadãos na entrega de materiais passíveis de reciclagem e finalmente pela ausência de campanhas educativas de massa, fragilidade na fiscalização e novamente, fragilidade da educação ambiental nas escolas; Propomos que a Prefeitura rediscuta o papel da SLU e elabore Plano de Destinação de Resíduos Urbanos com participação da sociedade, através de seus segmentos organizados e audiências públicas, privilegiando a coleta seletiva de resíduos. 5. APARATO INSTITUCONAL 5.1. Considerando a importância da democracia participativa, inclusive no que se refere ao compartilhamento da responsabilidade entre o poder publico e a sociedade de forma geral; 5.2. Considerando que até o momento, não se conhece melhor caminho para isto do que as instâncias institucionais, e no caso o Conselho Municipal de Meio Ambiente; 5.3. Considerando que essa participação dever ser real e não legitimadora de interesses privados, 5.4. Considerando que a secretaria municipal de meio ambiente vem perdendo importância na prefeitura, fato expresso pela constante troca de secretários, Propomos que: Seja ação prioritária a revitalização e respeito ao Comam, que depende tanto de sua composição realmente paritária, quanto da qualidade e independência do quadro técnico da Secretaria de Meio Ambiente que lhe dá apoio. Seja princípio político e compromisso do governo municipal, fortalecer a Secretaria de Meio Ambiente. 6. ARBORIZAÇÃO URBANA 6.1 Considerando a importância da arborização urbana para amenização do clima, abrigo e alimentação de pássaros e morcegos frugívoros/insetívoros que já fazem parte da paisagem urbana.

4 Propomos que: A Prefeitura conclua o cadastramento das árvores urbanas e o disponibilize à sociedade. Insira o tema na rede pública municipal de ensino. Elabore ou cobre da Cemig, se não for de sua competência, projeto de substituição gradativa da rede atual por rede subterrânea. Envie ao Comam, proposta de aprimoramento das normas para poda e corte de árvores urbanas, às quais estejam sujeitas a Cemig e a BHTrans. 7. USO DO SOLO 7.1 Considerando que apesar das tragédias e danos ambientais decorrentes do uso inadequado do solo, isto continua acontecendo em BH, como no caso do bairro Buritis, onde áreas com inclinação muito acima do que a lei permite estão sendo ocupadas pela especulação imobiliária, propomos que: A Prefeitura faça levantamento dessas novas áreas de risco e promova sua desocupação e recuperação através da responsabilização de seus atores e torne isto público. Capacite, tanto em qualidade, quanto em quantidade, a SMMA para fiscalização constante dessas situações; Promova de forma real, integração entre as ações da mesma e as demais secretárias que interferem nessa área, visando impedir conflitos na gestão do território de BH. 8. ÁREAS VERDES 8.1. Considerando que a distribuição das áreas verdes em BH já é desigual e que dessa forma exclui usufruto das mesmas, por distância e tempo de locomoção, por grande parte da população; 8.2. Considerando que muitas delas, principalmente na periferia, necessitam urgentemente de construção de obras de infra estrutura, plantio e segurança de uso, Propomos que a Prefeitura anuncie plano nesse sentido, com prazos para execução. 9. PROTEÇÃO DE ANIMAIS SILVESTRES E DOMÉSTICOS

5 9.1. Considerando a presença de animais silvestres na área urbana, principalmente pássaros e os inúmeros casos denunciados pela imprensa de acidentes com cerol e colisão com vidros de prédios; 9.2. Considerando a postura de grande parte da população de não se importar com reprodução de cães e gatos; de abandoná-los nos espaços públicos; de soltar cavalos em vias públicas e tratá-los muitas vezes de forma desumana; 9.3. Considerando o sofrimento dos mesmos e o direito que têm também à vida; Propomos: Que a Prefeitura seja mais pró ativa no sentido de oferecer e estimular castração de animais domésticos, através por exemplo de atuação itinerante em veículo equipado ou convênio com clínicas de bairros. Que a Prefeitura apóie efetivamente e monitore ações de organizações não governamentais que trabalham com proteção de animais domésticos. Que a Prefeitura estude o assunto e defina medidas para mudar a situação inaceitável a que são submetidos animais domésticos vendidos no mercado municipal. Que a Prefeitura insira no currículos escolar municipal e faça campanhas educativas de massa sobre trato de animais, focando reprodução descontrolada e abandono. 10. MUDANÇAS CLIMÁTICAS Considerando a fragilidade e insuficiência de ações no sentido de estabelecer políticas públicas municipais nesta área, Propomos que: A Prefeitura avalie e elabore projeto de substituição gradativa da frota de ônibus por veículos movidos a gás ou biodiesel. A Prefeitura elabore e execute projeto de construção de ciclovias em todas as vias do município cuja conformação topográfica seja propícia ao deslocamento com bicicletas como o vale do ribeirão Arrudas. A Prefeitura interaja com o governo do Estado no sentido de construir com urgência, ciclovia ao longo da Linha Verde. 11. ICMs ECOLÓGICO

6 A proposta de aumentar a alíquota do ICMS ecológico enfrenta resistência dos grandes municípios. No entanto, é talvez o único instrumento efetivo para estimular proteção de áreas naturais no Estado. Propomos que a prefeitura de Belo Horizonte defenda o aumento e também mudanças na Lei, relativas à sua distribuição. Citamos algumas: transparência dos critérios e atrelamento dos recursos à proteção e conservação das áreas que originaram seu repasse. Associação Mineira de Defesa do Ambiente Zeladoria do Planeta

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