A JUSTIÇA MILITAR E A MILITARIZAÇÃO DA JUSTIÇA NA DITADURA DE SEGURANÇA NACIONAL URUGUAIA

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1 A JUSTIÇA MILITAR E A MILITARIZAÇÃO DA JUSTIÇA NA DITADURA DE SEGURANÇA NACIONAL URUGUAIA Enrique Serra Padrós Universidade Federal do Rio Grande do Sul Resumo: O artigo destaca a Justiça Militar durante a ditadura de segurança nacional uruguaia ( ). A mesma foi um instrumento das Forças Armadas na luta contra a subversão e da pretendida refundação estatal. Comportando-se como correia de transmissão do Comando Militar, usurpou o lugar da Justiça Civil e interpretou a Constituição a sua vontade. Ainda, foi uma aperfeiçoada máquina burocrática que visou conferir uma fachada de legalidade à ditadura vigente. Especificamente na área militar adotou um comportamento monolítico e uma visão hierárquica, disciplinada e obediente, modelo para o conjunto da sociedade. Aceitando a utilização de mecanismos clandestinos, como os expedientes submersos, legitimou o direito do uso da força e da tortura. Portanto, foi fachada de legalidade do regime e instrumento de inestimável valor para a ditadura uruguaia. Palavras-chave: Ditadura Uruguaia; Justiça Militar; Uruguai. Dentro da dinâmica da espiral autoritária que atingiu o Uruguai desde o final dos anos 60, a Justiça Militar foi uma peça chave dentro da estrutura do terrorismo de Estado que se instalou no país entre 1973 e Paradoxalmente, sua imposição ao conjunto da sociedade ocorreu antes do golpe de Estado de 1973; portanto, foi proposição de um Poder Executivo - pressionado pelas Forças Armadas -, chancelada por um Parlamento eleito democraticamente e que, assim, legalizou e legitimou a ofensiva autoritária contra as instituições constitucionais. Uma vez que a ampliação da jurisdição da Justiça Militar foi justificada pela necessidade de defender o Estado contra a ameaça armada, sua área de atuação cresceu, incorporando novas garantias e controles. Sua aprovação por um Parlamento acuado e colocado no olho do furacão, alimentado pelas denúncias sobre a existência do Esquadrão da Morte (funcionando como repressão clandestina do governo), pela ofensiva tupamara de 14

2 de abril e pela violentíssima e letal reação dos militares, tornou-se um peso evidente na consciência dos setores políticos democráticos os quais, naquele momento, entenderam que atender o apelo do Poder Executivo para agilizar o combate à guerrilha era defender o Estado democrático. Alguns legisladores, contrariados, votaram pela sua aprovação, embora reconhecessem que o argumento de que era algo provisório, rapidamente se desmanchava no ar diante do desenrolar dos acontecimentos. Outros, menos preocupados com a opinião pública, consideravam que era o preço a pagar para salvar a democracia. (SERPAJ, 1989, p. 167) Para Martinez Moreno (1984, p. 22), esse apoio político constituiu um erro histórico da maioria parlamentar democrática, que se posicionou a partir da ilusão de que, fazendo algumas concessões à pressão militar, afastava a possibilidade da consolidação dos setores golpistas. Até então, o artigo 253 da Constituição ditava a norma a ser seguida: La jurisdicción militar queda limitada a los delitos militares y el caso de estado de guerra. Los delitos comunes cometidos por militares en el tiempo de paz, cualquiera que sea el lugar donde se cometan, estarán sometidos a la Justicia ordinaria. (URUGUAY, 1969, p. 253) Apesar da existência constitucional de leis de exceção (Medidas Prontas de Seguridad), as Forças Armadas queixavam-se das restrições legais impostas pela Justiça Civil o que, segundo elas, restringia a eficiência no combate à subversão. Na versão oficial elaborada a posteriori, os militares explicaram porque era necessário alterar a jurisdição do entorno do combate à guerrilha: El trámite judicial indagatorio se realiza con total desconexión de las FF.CC. [Forças Armadas]; a su vez, éstas no tienen acceso a la información que resulta del trámite sumarial. Esta desconexión, innegable, favorece inequívocamente a la acción subversiva. Tal situación, por sí sola, justifica la intervención de la Jurisdicción Militar. La Justicia penal ordinaria y las FF.CC., encargadas de la represión de la sedición, trabajan en ambientes estancos, lo que no permite obtener los resultados anhelados, deteriorándose progresivamente las fuerzas morales y materiales de las FF.CC. (JUNTA DE COMANDANTES EN JEFE, 1978, p. 56) A crítica das Forças Armadas aponta vários elementos de tensão. Um deles, o fato de serem tratadas como correia de transmissão e deslocadas do centro de tomada de decisões nos casos penais pontuais. Para elas, esta situação constituía uma flagrante contradição após

3 terem sido chamadas pelo governo para assumir a luta contra a subversão em detrimento da força policial. Outro elemento de tensão ocorreu pela simultaneidade de ações e esforços desconexos entre a Justiça Civil e as Forças Armadas, que se tornam um fator largamente explorado pelo inimigo. Nesta crítica, está implícita a necessidade de concentração de poder (na perspectiva da tradição militar de mando unificado, disciplina e hierarquia) e o questionamento do que é avaliado como um excesso de burocratização do processo penal, o que acaba tendo desdobramentos no combate ao inimigo. Finalmente, as Forças Armadas se queixam da não utilização das informações obtidas nos centros de detenção, o que permite inferir, conhecendo-se os métodos de interrogação massivamente aplicadas no período, uma preocupação pela falta de valorização de uma informação obtida através da tortura. Ou seja, se essa informação passasse a ser vista como vital, diminuiriam as pressões, pelo menos dentro do governo, pela prática de técnicas de interrogação tão particulares. Assim, era necessário que a Justiça Militar, e não a Civil, fosse o fórum para julgar os processos vinculados ao combate à subversão. Para isso, o primeiro passo era declarar o Estado de Guerra Interno, obrigando as ações militares, ante a emergência de um contexto de guerra ( interna ), a ficarem delimitadas no âmbito da jurisdição da Justiça Militar. Isto realmente ocorreu em abril de 1972, mas com alcance de 30 dias. A posterior aprovação da Ley de Seguridad del Estado y el Orden Interno, transferindo os civis vinculados aos atos subversivos à jurisdição militar, resolveu, definitivamente, o impasse constitucional denunciado pelas Forças Armadas. Ou seja, desde julho de 1972, com a aprovação daquela lei pelo Parlamento, sacramentava-se a subordinação da Justiça Civil à Justiça Militar, enquanto que os civis ficavam expostos às normas do Código Penal Militar já que, em caso de serem acusados de delitos de lesa nação, passavam a ser julgados por juízes e tribunais militares. A partir dessa nova realidade jurídica, configurou-se um quadro marcado pela ausência de garantias para os cidadãos. A criação de entraves para a livre atuação da defesa disseminou um clima de ameaça e de violência latente contra os advogados que eram contratados pelas pessoas acusadas ou detidas. Na evolução decorrente desta situação, o trabalho da defesa acabou sendo constrangido a ponto de que, em uma visão de conjunto, acabou praticamente anulado. (CANABAL, 1985, p. 46)

4 A Justiça Militar era uma instituição dependente do Ministério de Defesa Nacional e atuava quando recebia ordem superior. Seus cargos eram ocupados e desempenhados por militares que não eram necessariamente advogados e que haviam sido designados para assumir funções para as quais não tinham qualificação técnica, profissional e intelectual. Não eram especialistas em direito e nem tinham vocação jurídica; porém, o maior problema não era esse, e sim o fato de que, como bons militares, colocavam em primeiro plano o respeito à hierarquia, à fidelidade e à subordinação (obediência) a seus superiores. Esta é uma questão fundamental. A Justiça Militar não possuía a independência exigida pela função, pois entrava em contradição com os princípios da obediência, da disciplina e da submissão característicos do verticalismo da ordem militar. Os militares não ocuparam esses cargos para ditar justiça, mas sim para cumprir uma missão militar como tantas outras. O que tornava o desempenho dessas funções como mais um ato de arbitrariedade e perversidade contra a sociedade, principalmente contra os que eram diretamente atingidos pelo exercício desses profissionais. Portanto, esses magistrados militares, além de carecerem de uma especialização técnico-jurídica e de não integrarem uma carreira judicial (pois o desempenho dessas funções fazia parte da eventualidade da carreira militar), estavam imersos no conflito; conflito que, em tese, deviam julgar imparcialmente. Ou seja, os próprios indivíduos encarregados de fazer justiça formavam parte dos serviços de segurança e da estrutura repressiva. (Idem, p. 48) Anteriormente à aprovação da Lei , a jurisdição das justiças civil e militar não só coincidiam como mantinham vinculações hierárquicas diferentes. A jurisdição militar estava desvinculada do Poder Judiciário. O órgão superior deste, a Suprema Corte de Justiça, não possuía ingerência sobre a Justiça Militar. A estrutura desta se organizava a partir do seu órgão superior, o Supremo Tribunal Militar, integrado por cinco membros designados pelo governo e ratificados pelo Parlamento (durante a vigência da democracia). A seguir, na escala imediatamente inferior, estavam os juízes militares na área penal (primeira instância) e os juízes militares de instrução assessorados por advogados. (SERPAJ, 1989, p. 173) Esses advogados eram peça importante da engrenagem repressiva. Eles compensavam a falta de conhecimento jurídico da autoridade militar e foram responsáveis pela tipificação de delitos, análise de provas e fixação de sanções. Seu trabalho estava por detrás de regulamentos e

5 uniformes, e sua presença parecia quase invisível diante da exposição do poder. Foram profissionais anônimos que deram sustentação às carências técnicas dos juízes militares. (MARTINEZ MORENO, 1984, p. 24) Agiram desde as sombras do sistema em benefício do mesmo e de si próprios. Ao submeter a Justiça Civil à Justiça Militar, o processo penal virava uma peça legitimadora inserida na lógica de guerra interna imposta à sociedade pelas Forças Armadas. A Justiça deixava de ser um outro campo de batalha entre os setores de oposição e o governo para transformar-se em instrumento da repressão contra aquela. O SERPAJ diz que, no processo penal, fatos e responsabilidades estavam predeterminados pelas informações fornecidas pelos serviços de inteligência. Os juízes se contentavam com isso, não aceitavam o contraditório, não investigavam. Salvo raríssimas exceções, simplesmente se cumpriam as ordens dos serviços de segurança e aceitavam-se como verdadeiras as declarações do acusado arrancadas sob tortura e que, evidentemente, sempre o incriminavam. Isto tornava o processo uma simples simulação de processo. (SERPAJ, 1989, p. 174) Para tornar a situação da defesa ainda mais difícil, instituiu-se, junto ao expediente oficial e público de cada caso em questão, a figura do expediente submerso. Os advogados de defesa tinham acesso limitado ao expediente público; este era o documento concreto sobre o qual aqueles se debruçavam para questionar a peça acusatória. O diálogo entre a defesa, os fiscais e os juízes girava em torno dele. Entretanto, quando a defesa organizava uma linha de argumentação sustentada por depoimentos, dados e testemunhos que atingiam as considerações e argumentos da acusação, surgia o misterioso expediente submerso. O mesmo, de teor secreto, era municiado por novas informações vitais fornecidas pelos serviços de inteligência, que elaboravam a peça à margem do conhecimento da defesa. Dele faziam parte as avaliações que sobre o processado em questão emitiam os funcionários militares que o haviam interrogado e informações secretas sobre o grau de participação efetiva do acusado em fatos reais. Através desse recurso, os órgãos de inteligência e segurança imputavam novos cargos ao processado. Acabavam indicando-lhe um grau de periculosidade que não se fundamentava nas informações do expediente público, deixando a defesa impotente diante de acusações contra seu cliente, acusações que ele sequer conhecia. Muitas vezes, nem de acusações concretas se tratavam (lembrando sempre de como eram

6 obtidas as informações que as fundamentavam), mas de suspeitas de delitos. Martinez Moreno (1984, p. 33) cita, como exemplo, o caso de um determinado preso cujo expediente submerso justificava a acusação de que: No se há podido determinar con certeza pero se le sindica como el Fiscal del Pueblo en los juicios emprendidos por el M.L.N. Os advogados de defesa, por mais que requeressem, alegassem ou apelassem (dentro dos limites da auto-sobrevivência), acabavam barrados pela negativa no atendimento dos argumentos que mostravam as contradições no expediente público e no vício de origem das suas conclusões (informações e confissões obtidas sob tortura). No momento de pronunciarse sobre pedidos de liberdade ou de sentença, eram as informações do expediente submerso que os juízes consideravam; as mesmas que eram desconhecidas pelo processado e seu advogado. Tanto o estudo do SERPAJ quanto a obra de Martinez Moreno reconhecem que não era estranho que o próprio juiz e o fiscal militar também desconhecessem detalhes do expediente submerso e do processado. Há inúmeros registros que atestam a ignorância destes diante da denúncia, por parte de familiares, de novos seqüestros de prisioneiros já processados seqüestros estes realizados por órgãos de inteligência para submetê-los a novos interrogatórios. Tal fato ocorria com freqüência para configurar novas situações através de mais confissões que ampliavam o expediente submerso e serviam de pretexto para ampliar as condenações. Tudo isso ocorrendo com desconhecimento da defesa, da família e até das autoridades judiciais coniventes. (Idem) Sem dúvida, o uso da figura do expediente submerso é um dos motivos que levam a concordar com Canabal, quando afirma que a Justiça Militar é uma justiça criada para castigar, para punir e não para julgar. (CANABAL, 1985, p. 48) Ou ainda, com Martinez Moreno (1984, p. 22), para quem: En la justicia militar [...] los procesos no son procesos y la justicia no es justicia sino venganza. A Lei abriu caminho para esse avanço institucional das Forças Armadas, projetando-se sobre os poderes constitucionais. É importante frisar que o golpe de Estado demoraria ainda quase um ano para acontecer. Por outro lado, no plano militar, o conflito com os tupamaros estava sendo definitivamente vencido, embora deva matizar-se esta afirmação no sentido de entender que tal percepção talvez não fosse ainda tão visível. Por exemplo, o coronel Nelson Bolentini, uma das figuras chaves do regime militar e considerado um conhecedor da cultura jurídica, argumentava, em 1976, em favor da aprovação da Ley de

7 Seguridad del Estado porque ela: [...] constituyó el instrumento legal que permitiera subsanar las carencias para enfrentar el fenómeno antijurídico e ilegítimo da la subversión y posibilitara al Gobierno salir del estado excepcional de guerra interna [vigente desde o 15 de abril de 1972]. (CENTRO MILITAR, 1976, p. 82) Tal afirmação possui sérias conotações, considerando-se que, em vez de ser um instrumento que permitiu enfrentar um impasse pontual, os efeitos da aprovação dessa medida pelo Parlamento mostraram que sua aplicação não se restringiu ao mesmo. Concretamente, o que devia ser um mecanismo de uso emergencial e transitório acabou sendo alicerce de legitimação jurídica de uma estrutura de poder excludente, antidemocrática e com pretensão de permanência: a nova ordem fundada sob as diretrizes da Doutrina de Segurança Nacional. Há um paradoxo na constatação de que a consolidação do endurecimento do regime ocorre após o colapso do MLN-T em todas suas linhas, com o confinamento da maior parte dos sobreviventes nas prisões políticas e nos centros de detenção espalhados por todo o país (havia núcleos no exílio que pouco depois decidiram abandonar a luta armada). Em outra ordem de coisas, a Ley de Seguridad del Estado, além de manifestar seu caráter restritivo e punitivo, não implementou, na prática, as tímidas garantias prometidas aos acusados ou culpados. É o que ocorreu, por exemplo, com o direito de apelação nos autos do processo ou na responsabilização dos funcionários envolvidos nos excessos e no zelo da função repressiva. Efectivamente, o artigo 7º da lei enuncia que: El funcionario público encargado de la administración de una cárcel, de la custodia o del traslado de una persona arrestada o condenada que cometiere con ella actos arbitrarios o la sometiere a rigores no permitidos por los reglamentos será castigado con pena de seis meses de prisión a dos años de penitenciaría. (URUGUAY, 1972) Reafirmando o que está no cerne deste enunciado, curiosamente, o coronel Bolentini salienta que o governo e as Forças Armadas estão preocupados com o abuso de autoridade. Mostra, assim, que se quer proteger os detidos de agressões físicas que são, constitucionalmente, proibidas. (CENTRO MILITAR, 1976, p. 84) Entretanto, bem ao contrário do que indica a norma constitucional, o artigo sétimo da Lei ou o argumento

8 explicativo do coronel Bolentini, a prática foi bem diferente. Os mecanismos de TDE em gestação não produziam somente detenções ilegais, seqüestros e implementavam massivamente a tortura, como puniam com extremo rigor qualquer objeção às novas orientações do poder executivo ou comportamento estranho dentro das próprias Forças Armadas. O temor da punição severa e de sofrer em carne própria o tratamento dedicado aos subversivos ou suspeitos de serem subversivos está presente nos relatos de ex-agentes das forças de segurança, como Hugo García Rivas, Daniel Rey Piúma ou Julio César Cooper, que desertaram por discordarem do que viam e das funções que eram obrigados a desempenhar. Os casos citados se transformaram em importante fonte de informação para as denúncias das organizações de direitos humanos. A saída desses integrantes dos corpos repressivos estatais é posterior à deflagração do golpe de Estado. Mas há um caso que exemplifica muito bem o funcionamento da Justiça Militar e a reação diante dos excessos cometidos. Tal caso refere-se ao capitão do Exército Carlos Arrarte e é anterior à subordinação dos civis à jurisdição militar, mas é paradigmático se analisado diante do que viria depois. Arrerte interrompeu uma sessão de tortura contra um detido aplicada por outro capitão e um primeiro-tenente, com ordens e, depois, mediante luta corporal. Pelas posteriores declarações de Arrarte, pode-se inferir que agira assim pensando nos direitos garantidos aos detidos pela ordem constitucional vigente então. Entretanto, baseando-se em informes médicos militares, declarações de testemunhas (militares) e na Ata assinada pelo presumível preso torturado, afirmando ter recebido muito bom tratamento dos funcionários militares (inclusive durante o interrogatório), um Tribunal Especial de Honor rejeitou as acusações do capitão e questionou a sua conduta, considerada falta gravíssima. 1 Dessa forma, Arrarte foi processado, condenado e expulso das Forças Armadas. Ficou detido até, pelo menos, Quanto aos dois oficiais que Arrarte acusou por aplicação de tortura, o Tribunal ressaltou a conduta digna de ambos, seu zelo no serviço, exemplo para os demais oficiais. (SERPAJ, 1989) O caso Arrarte é emblemático quanto ao entendimento do que as Forças Armadas queriam consagrar como justiça. Um outro aspecto vinculado à Justiça Militar diz respeito ao papel desempenhado 1 Acta n Actuaciones Del tribunal Especial de Honor, 20/03/72. Boletín (Reservado) Del Ministério de Defensa Nacional n. 1878, de 09/05/77.

9 pelos juízes militares na configuração da política repressiva do Estado, pois legitimaram ou encobriram os excessos cometidos pelos militares (seqüestros, tortura, mortes, desaparecimentos), desconsideraram a violência praticada nos quartéis e nos centros de detenção e desconheceram denúncias e não tomaram iniciativa para apurá-las. Diante da função jurídica que deviam desempenhar ou da fidelidade e da disciplina que deviam à ordem militar, o prevalecimento desta última inviabilizava qualquer possibilidade de autonomia mínima. Todo e qualquer fato que pudesse atingir, enfraquecer ou desmoralizar as Forças Armadas devia acabar arquivado nas malhas da Justiça Militar. Os regulamentos e a sobreposição dos oficiais superiores sobre os inferiores não deixaram margem de atuação aos magistrados militares. A disciplina, o respeito à hierarquia, a fidelidade à corporação, o sentimento de que as Forças Armadas eram vítimas de uma campanha difamatória e a necessidade de mostrar aos críticos e inimigos que se tratava de uma instituição monolítica levou os juízes militares a assumirem uma postura incondicional de defesa do regime, tornando-se, por isso mesmo, peça importantíssima na imposição, na consolidação e no funcionamento do TDE. Apesar da conivência da magistratura militar com o regime, em algumas situações em que suas decisões desagradaram o comando ou entraram em conflito com os interesses e as orientações dos serviços de inteligência e de segurança, suas resoluções foram desacatadas. Justamente nessas poucas situações conflitantes, pode-se observar que os juízes militares careciam de poder. A vontade do juiz somente prevalecia se fosse consoante com a vontade do Comando Militar. (SERPAJ, 1989, p. 175) Situação de constante ameaça foi vivida pelos advogados de defesa. Com a supressão dos direitos e garantias dos presos, aqueles que deviam defendê-los passaram a correr riscos crescentes sofrendo pressões e intimidações. Desde 1972, a relação defensorpreso começou a tornar-se irregular. Permanentemente foi solapada pela imposição de longos períodos de incomunicação e ausência de privacidade nos contatos esporádicos. Denúncias diante da ONU e de outras organizações internacionais indicavam que os advogados contratados pelos familiares do preso eram obrigados a realizar seu trabalho com cautela, para evitar possíveis recriminações ou recrudescimento dos métodos violentos de interrogatório contra seus clientes e, para evitar atrair suspeitas e a violência do Estado sobre si mesmos. (ANISTIA INTERNACIONAL, 1987)

10 Todas essas pressões faziam parte de um esquema de paralisia da capacidade de resposta dos setores atingidos. A colocação de tantos obstáculos implicava na perda de tempo por parte da defesa. A violação dos contatos entre advogados e clientes (presos) ocorria através da intervenção e censura dos funcionários militares, da limitação e manipulação do tempo de visita e pelas difíceis condições em que se realizavam as entrevistas. Além disso, era rotina, para os serviços de inteligência, seguir os advogados. Tantos constrangimentos e limitações para o desempenho da função de advogado de defesa visavam, sobretudo, diminuir as denúncias sobre o funcionamento da Justiça Militar. (SERPAJ, 1989, p. 183) A advogada Azucena Berruti (1985, p. 52) relata que o regime passou a considerar os defensores dos presos políticos de suspeitos de subversão, sendo obrigados a entregar, para poder atuar, extensa lista de dados pessoais e fotografias deles e dos familiares mais próximos (pais, filhos, cônjuges e irmãos). Nos casos mais graves, as ameaças se transformaram em atentados; em outros, ocorreram detenções e processos penais. Muitos advogados foram presos sob acusação de asociación para delincuir ou associação subversiva ; tal enquadramento estava amparado nas MPS e, posteriormente, na Justiça Militar. (SERPAJ, 1986, 182) Sendo assim, muitos tiveram que partir para o exílio. Portanto, os advogados dos presos políticos viveram uma situação carregada de constrangimento e de medo, na qual, pelo simples fato de representarem seus clientes, já eram tratados com hostilidades por parte do governo e das Forças Armadas. Candidatos ao papel de novos inimigos internos, no ano de 1977, sofreram a maior escalada contra sua integridade, o que implicou que mais ou menos 50% dos acusados e presos políticos tivessem que substituir seus defensores diante da inexistência de condições para continuarem na função. (Idem, p. 183) A situação dos presos foi agravada com a aprovação, em dezembro de 1975, da Lei que, com caráter retroativo, impunha a revisão de todas as penas derivadas de processos instalados a partir de crimes cometidos contra a segurança nacional. Todos os casos, independente da data do delito, passavam à Justiça Militar, mesmo aqueles cuja sentença havia sido pronunciada na vigência da jurisdição civil. Em função disso, centenas de casos foram revistos com o conseguinte acréscimo na duração das penas. Uma outra prática, denunciada pela Anistia Internacional, foi a obtenção de

11 confissões forçadas com a participação ativa de juízes militares, os quais induziam os detidos a assinar confissões diante da sua presença. É o caso do preso Washington de Vargas Saccone, que foi advertido pelo juiz militar Carmelo Betancourt de que, se persistisse na recusa de assinar uma confissão oficial, poderia ser enviado novamente ao serviço de inteligência das Forças Armadas para ser interrogado mais uma vez. O detido em questão desconheceu a advertência do juiz. Poucos dias depois, como resultado de violentíssima agressão sofrida por oficiais na penitenciária de Libertad, foi hospitalizado em coma. Recuperado, voltou a sofrer novas sessões de tortura até que, finalmente, aceitou assinar uma declaração oficial diante do tribunal. Em nenhum momento julgou-se improcedente ou inadmissível uma confissão resultante de tão específico tratamento. (ANISTIA INTERNACIONAL, 1987, p. 4) Fatos como este eram comuns, a ponto da maioria dos detidos entenderem ser inconveniente alegar torturas ou solicitar retificação das suas declarações arrancadas sob violência, diante do juiz. Por um lado, porque isso era desconhecido deste. Por outro, porque eram muito grandes as possibilidades de voltar à máquina (torturas) com o agravante da desforra de parte daqueles que havia denunciado. (SERPAJ, 1989, p. 178) A verdade é que, em geral, a Justiça Militar ignorou as denúncias de tortura. Da mesma forma que a detenção de pessoas foi sempre decidida e ordenada pelos serviços de segurança e de inteligência, e não como resultado do pedido de um juiz militar. Devia-se extrair informação dos detidos; até o cumprimento e esgotamento dessa etapa, eles não eram levados à Justiça. Quanto ao recurso do hábeas corpus, foi sensivelmente prejudicado com fortes restrições de aplicação prática. A Constituição regulamentava-o no artigo 17º e a tradição democrática uruguaia reconhecia-o como uma das maiores garantias contra as arbitrariedades ou erros cometidos pelo Estado. Na mesma direção, apontava o artigo 16º da Constituição, que determinava ao juiz tomar a declaração do detido até 24 horas após sua detenção e iniciar, até completar 48 horas desta, o sumário. A declaração do acusado devia ser tomada em presença do seu advogado, o qual teria garantido o direito de acompanhar todas as instâncias do sumário. Entretanto, a prática da Justiça Militar ignorava esses procedimentos. A rotina era a

12 demora de semanas ou meses após efetuada a detenção até o início do processo (ou seja, para ser colocado à disposição da Justiça). Aparentemente, a demora decorria da dificuldade em obter informações e uma confissão auto-incriminatória por parte do detido. Esse procedimento, praticamente padrão a partir do predomínio da Justiça Militar, era fundamental porque a confissão era, na maioria dos casos, a única peça probatória considerada. (SERPAJ, 1989, p. 177) Levando em conta que, desde que foi sancionada a Ley de Seguridad del Estado, os recursos do hábeas corpus tiveram que ser apresentados diante da Justiça Militar, a situação se tornou muito mais complexa para defensores e defendidos. Constatada a detenção ou presumindo-a, o procedimento iniciava com a apresentação de recurso acompanhado de um pedido de explicações, por parte da defesa, encaminhados aos Ministérios do Interior e de Defesa Nacional, à Jefatura de Polícía, e aos Comandos do Exército, da Marinha e da Força Aérea. Após algumas semanas ou meses, o detido era levado a declarar. Aliás, somente neste momento, e em alguns casos, permitia-se o primeiro contato com os familiares mais próximos. (BERRUTI, 1985, p. 54) O fiscal militar elaborava o termo de acusação a partir dos dados e informações que lhe eram fornecidos pelos serviços de inteligência. Essa fonte era considerada como suficiente e devidamente isenta pelo juiz. Como já foi dito ao comentar os expedientes submersos, mesmo quando a defesa conseguia juntar ao processo outros dados e informações trazidos por testemunhos do detido ou retificações da confissão arrancada pelos serviços de inteligência, tais dados, informações e retificações eram desconsiderados. Mesmo nos casos onde as evidências a favor da defesa eram notórias, o juiz podia dar ou manter uma sentença considerada improcedente, alegando, simplesmente, razões de segurança, desobrigando-se a dar maiores explicações ao detido, seu advogado ou seus familiares. Ou seja, era a vontade da chefia superior que decidia. Diante das pressões internacionais denunciando a inviabilização da instituição do hábeas corpus, o governo respondeu que sua utilização era improcedente nos casos de detenções amparadas no âmbito das MPS. Sabidamente, estas eram um recurso emergencial e provisório para enfrentar situações inusitadas. Há pertinência na afirmação oficial de que as MPS suspendiam o hábeas corpus. Porém, o que se tornou inconstitucional foi o uso indiscriminado das MPS,

13 eliminando seu caráter temporário e a regulamentação dos efeitos das ações tomadas nessa situação, o que era previsto pela Constituição. Posteriormente à Lei , as razões de Estado e a necessidade da manutenção do segredo militar acabaram reafirmando o entendimento oficial de que a vigência do hábeas corpus era um empecilho para a defesa da Segurança Nacional e o combate à subversão. A demora em passar o detido à justiça virou enorme obstáculo para uma resposta imediata da família. Na medida em que a detenção podia ocorrer em circunstâncias e locais diversos, não havia certeza da mesma. Como a autoridade negava a detenção, os hábeas corpus impetrados caíam no vazio, tornando todo recurso jurídico (de improvável sucesso quando havia um reconhecimento oficial de detenção) praticamente inútil. A situação do detido se tornava terrível, insuportável: estando tecnicamente desaparecido, a perversidade do sistema deixava essa pessoa seqüestrada à mercê das arbitrariedades dos seus seqüestradores. (Idem, p. 181) Portanto, o hábeas corpus foi completamente desconsiderado; mas não se tratou da única violência cometida contra a norma constitucional de que falava o coronel Bolentini. O advogado Jorge Pessano listou os direitos e garantias constitucionais diretamente infringidos pela Justiça Militar. Assim, ele apontou: a inviolabilidade de domicílio (Art. 11); direito ao devido processo (Art. 12); a exigência do flagrante como prova de delito para proceder à detenção (Art. 15); declaração do detido dentro das 24 horas, início do sumário até 48 horas e presença do defensor (Art. 18); abolição das investigações secretas (Art. 22). (PESSANO, 1985, p. 58) Aliás, no caso do início do sumário, o SERPAJ aferiu através da pesquisa La Prisión Prolongada - cujos dados foram apresentados no relatório Uruguay: nunca más (1989) -, que somente 17% das pessoas processadas antes de 1972 (portanto, na vigência das MPS e antes da imposição da Justiça Militar aos civis) foram colocados à disposição do juiz no prazo de 48 horas. E considerando o período , constata-se que, em 64% dos casos, ocorreu uma demora compreendida entre um e seis meses, desde a detenção até a colocação à disposição de um juiz. (SERPAJ, 1989, p. 179) Outros aspectos que merecem consideração a respeito do funcionamento da Justiça Militar dizem respeito, respectivamente, à implementação da liberdade vigiada e ao

14 prolongamento da privação de liberdade. Quanto à situação de liberdade vigiada, o relatório Uruguay: Nunca Más define-a como uma aberrante secuela del terror de las prisiones. (Idem, p. 187) A recuperação da liberdade, para a maioria dos presos políticos, tinha os limites concretos da imposição de quase uma prisão domiciliar. O conjunto de restrições enfrentadas pelos ex-presos foi uma tentativa de imobilizá-los, realçando todos os seus medos, suas inseguranças e incertezas, reafirmando sua exclusão por parte dos outros; em resumo, reduzindo-lhes significativamente sua possibilidade de ação, de participação, de mobilidade e de reinserção social. A Justiça Militar, ao reconhecer-lhe a liberdade, obrigava o ex-detento a cumprir uma série de regulamentos que não podia ignorar ou descumprir sem o risco de voltar a ser processado (como aconteceu em muitos casos). 2 Curiosamente, em alguns casos, o regime de liberdade vigiada era aplicado a pessoas que nunca haviam sido condenadas. O intuito era, mais do que uma forte suspeita de pertencimento a alguma rede subversiva, amedrontar, visando resultados coletivos - a cultura do medo. Até porque, no caso de suspeita, ela já era motivo suficiente para a detenção e o posterior processamento do indivíduo. Finalmente, cabe dizer que a duração do sistema de liberdade vigiada era indefinida e desconhecida para quem a sofria. E, para fomentar ainda mais a insegurança, uma vez concluído, podia ser reimplantado. (CANABAL, 1985, p. 51) Em relação à segunda, prolongamento da privação de liberdade, cabe destacar que o descaso da Justiça Militar com as condições e situações dos presos chegava ao cúmulo de demorar a divulgação da ordem de libertação de muitos detidos, uma vez concluído o tempo de condenação. Mas aqui deve precisar-se que isso não foi fruto de desorganização ou falta de competência. Ao contrário, tornou-se um mecanismo racionalmente utilizado para prolongar a punição dos presos políticos e aumentar a pressão e desgaste psicológico sobre os mesmos. Fato constatado na já citada pesquisa La Prisión Prolongada. Segundo os dados colhidos no item prolongamento de privação de liberdade, verifica-se que, no universo dos 2 Entre essas obrigações, devia observar que: I) Sem autorização militar, não podia afastar-se do seu endereço de residência por mais de 24 horas (da mesma forma, era proibido de abandonar a região departamental e o país); II) devia comunicar à autoridade militar qualquer mudança de endereço, de estado civil ou de trabalho. III) não podia reunir-se com outras pessoas (a não ser as mais diretamente vinculadas) por estar em situação de liberdade vigiada ; IV) devia comparecer, a cada 15 dias, à unidade militar designada; V) a cada ano era convocado a comparecer na unidade militar, pelo menos uma vez, para responder a um rigoroso interrogatório; VI) anualmente, devia apresentar novas fotografias à autoridade militar; VII) eventualmente, sofria a visita de oficiais, na sua residência, que realizavam interrogatório e rigorosa inspeção.

15 que cumpriram pena entre 1972 e 1984, 20% tiveram a libertação adiada num lapso compreendido entre 15 e 90 dias. Já 27% sofreram um prolongamento da reclusão, após a conclusão do cumprimento da pena, por um período que variou entre três meses a seis anos. (SERPAJ, 1989, p. 186) É importante frisar: não se tratava de aumento da pena, fato rotineiro para muitos presos políticos que, após a conclusão do processo, tiveram suas penas revisadas e acrescidas. Tratava-se de sonegação do direito à liberdade dentro das próprias regras estabelecidas pelas Forças Armadas. Ou seja, configurava novo seqüestro, embora, agora, público. O que os dados revelam, em relação ao prolongamento da prisão, é que quase 50% dos presos sofreram um confisco de tempo em liberdade. Tal fato, mesmo considerando a lógica da legalidade da Justiça Militar, expõe cruamente mais uma face da perversidade do sistema. Mais uma vez, pressiona-se com a expectativa, a incerteza e a insegurança de quem enfrentou duríssimas condições de sobrevivência em centros clandestinos de detenção e nas prisões militares, enfrentando a tortura, a incomunicação, o isolamento e a falta de proteção jurídica. Explorando o desgaste físico e psicológico de um universo carcerário sensivelmente fragilizador, atinge-se o que pode restar de força de vontade canalizado na perspectiva da saída, da recuperação da liberdade, da possibilidade de retornar a um mundo que, para muitos, parecia distante, adiando o reencontro com os abraços proibidos durante anos de prisão. O sistema visa, concretamente, o enlouquecimento induzido. É disto que se trata. Apesar da sordidez da ação, o sentido dessa afirmação está cabalmente implícita na postura do regime; logo, proibir que os presos fossem libertados, sem dar-lhes nenhuma explicação a esse respeito, era uma forma de testar sua resistência anímica, espiritual, psicológica. Prendêlos uma semana, um mês ou um ano a mais podia ter sido a diferença entre a sobrevivência física e a sanidade mental do preso político. Enlouquecê-los, destruí-los: essas foram as justificativas concretas para o confisco da liberdade após o cumprimento da pena. Confisco sobre o qual, em geral, silenciaram os juízes militares mais uma vez, cumprindo ordens e desempenhando o papel que o sistema esperava deles. Essa foi a justificativa de um ato que chegou a ser ilegal mesmo para os padrões de legalidade de um sistema baseado na DSN, constituindo-se em mais uma típica manifestação do TDE. Pode-se afirmar que a Justiça Militar foi um instrumento das Forças Armadas na luta

16 contra a subversão, mas também a tentativa de uma refundação estatal, a qual precisava de uma fachada de legalidade que aquela lhe podia garantir. Comportando-se como correia de transmissão do Comando Militar, usurpou o lugar da Justiça Civil, interpretou a Constituição como quis, manipulando o que convinha às Forças Armadas e jogando no limbo o que não tinha utilidade ou atrapalhava. Por tudo isso, pode-se afirmar que, como Justiça, a Justiça Militar foi uma grande ficção, uma aperfeiçoada máquina burocrática que tinha como única função guardar as aparências e que escondia o que de fato era: uma afinada perversão do direito e da Justiça. (Idem, p. 175) A Justiça Militar impôs um comportamento monolítico à corporação, como foi demonstrado no caso Arrarte, com o predomínio de uma visão hierárquica, disciplinada e obediente, que devia servir de modelo para o conjunto da sociedade e onde todo questionamento da atuação da corporação foi interpretado como desvio subversivo. Aceitando a utilização de mecanismos clandestinos, como os expedientes submersos, legitimou o direito da força e da tortura. Por tudo isso, deve-se destacar a já citada conclusão de Martinez Moreno: En la justicia militar por lo menos, en lo que se aplica a los civiles los procesos no son procesos y la justicia no es justicia sino venganza. (MARTÍNEZ MORENO, 1984, p. 22) E, por ser a fachada de legalidade do regime, tornou-se um instrumento de inestimável valor para o TDE praticado pela ditadura uruguaia. Referências Bibliográficas ANISTIA INTERNACIONAL. Abuso dos Direitos Humanos: um desafio para os profissionais da saúde. Seção Brasileira, abril/maio BERRUTI, Azucena. Justicia Militar. In: SIJAU. Coloqio sobre Uruguay y Paraguay. La transición del Estado de excepción a la democracia. Montevideo: Banda Oriental, CANABAL, Rodolfo. Persistencia de la violación de los derechos humanos. In: SIJAU. Coloquio sobre Uruguay y Paraguay. La transición del Estado de excepción a la democracia. Montevideo: Banda Oriental, CENTRO MILITAR / REPÚBLICA ORIENTAL DEL URUGUAY. Códigos. Penal Militar / Ley de Seguridad del Estado/De Organización de los Tribunales Militares / De

17 Procedimento Penal Militar. Montevideo: JUNTA DE COMANDANTES EN JEFE. Las Fuerzas Armadas al pueblo oriental. T II. El proceso político. Montevideo, URUGUAY. REPÚBLICA ORIENTAL DEL URUGUAY. Ley de Seguridad del Estado, MARTINEZ MORENO, Carlos. La Justicia Militar en el Uruguay. Montevideo: Librosur/Nuevo Mundo, MINISTERIO DE DEFENSA NACIONAL. Boletín (Reservado) del Ministerio de Defensa Nacional nº Actuaciones del Tribunal Especial de Honor, de 11/04/72. Acta nº PESSANO, Jorge. Amparo y habeas corpus. In: SIJAU. Coloquio sobre Uruguay y Paraguay. La transición del Estado de excepción a la democracia. Montevideo: Banda Oriental, URUGUAY. REPÚBLICA ORIENTAL DEL URUGUAY. Constitución. Montevideo: Barreiro y Ramos, SCHILLING, Flávia. Querida liberdade. 2 a ed. São Paulo: Global Editora, SERPAJ. Uruguay Nunca Más. Informe Sobre la Violación a los Derechos Humanos ( ). Montevideo: SERPAJ, SERPAJ. Testimonio Julio Cooper. T002. s. d.

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