The Transformation of the Concept of Security and Its Implications on the Disarmament Process: Considerations From the Oslo Process

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "The Transformation of the Concept of Security and Its Implications on the Disarmament Process: Considerations From the Oslo Process"

Transcrição

1 A Transformação do Conceito de Segurança e Suas Implicações Sobre os Processos de Desarmamento e Controle de Armas Considerações a Partir do Processo de Oslo 1 The Transformation of the Concept of Security and Its Implications on the Disarmament Process: Considerations From the Oslo Process Gabriel Francisco Silva ** Resumo O fim da Guerra Fria proporcionou uma abertura na agenda internacional para pautas até então congeladas ou impossibilitadas pela tensão característica da bipolaridade dominante no período anterior. A centralidade estatal e a concepção da segurança definidas nos termos do paradigma realista das relações internacionais passaram a ser desafiadas por diferentes concepções agora centradas no ser humano e na necessidade de protegê-lo e garantir os meios para seu desenvolvimento. É neste contexto que surge o conceito de Segurança Humana, introduzindo uma visão de mundo que prioriza os interesses do ser humano ao invés dos interesses estatais. Apesar das não-linearidades e ambivalências deste conceito, ele irá produzir impactos significativos no meio internacional, criando as bases para o surgimento de esforços e ações que sigam este entendimento, como os processos de Desarmamento Humanitário. Assim, o presente artigo objetiva analisar estas transformações no conceito de segurança ao longo da segunda metade do século XX e suas implicações nos processos diplomáticos de desarmamento e controle de armas. Para isso, adota-se o Processo de Oslo e o resultante 1 Uma primeira versão deste artigo foi elaborada como trabalho de conclusão do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). O autor gostaria de agradecer ao Prof. Gustavo Oliveira Vieira por todo apoio e orientação na elaboração de grande parte deste artigo. Responsabilidade total sobre o seu conteúdo final, no entanto, permanece apenas com o autor. ** Mestrando em Relações Internacionais no Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, UnB. 1

2 regime de munições cluster criado em 2008 como caso de estudo, visando estudar como este pode ser considerado um exemplo de aplicação desta nova concepção sobre segurança nas relações internacionais. Palavras-chave: Segurança Humana. Desarmamento Humanitário. Munições Cluster. Processo de Oslo. Abstract The end of the Cold War allowed an opening on the international agenda for topics previously frozen or unable due to the tension characteristic of the bipolarity dominant in the previous period. The centrality of the state and the concept of security defined in terms of the realist paradigm of international relations began to be challenged by different conceptions now centered on the human being and on the need to protect it and to ensure the means for its development. It is in this context that the concept of Human Security arises, introducing a worldview that prioritizes the interests of the human being rather than the state interests. Despite the nonlinearities and ambivalences of this concept, it will produce significant impacts on the international environment, creating the foundation for the emergence of efforts and actions that follow this understanding, such as the processes of Humanitarian Disarmament. Thus, this article aims to analyze these changes in the concept of security throughout the second half of the twentieth century and its implications to the disarmament and arms control diplomatic processes. Thereunto, we adopt the Oslo Process and the resulting regime of cluster munitions created in 2008 as a case study in order to analyze how this can be considered an example of application of this new conception of security in international relations. Keywords: Human Security. Humanitarian Disarmament. Cluster Munitions. Oslo Process. 1. Introdução O fim da Guerra Fria proporcionou uma abertura na agenda internacional para pautas até então congeladas ou impossibilitadas pela tensão característica da bipolaridade dominante no período anterior. A centralidade estatal e a concepção da segurança definidas nos termos do paradigma realista das relações internacionais 2

3 passaram a ser desafiadas por diferentes concepções centradas no ser humano e na necessidade de protegê-lo, garantindo os meios para seu desenvolvimento. Estas transformações utilizam-se dos avanços obtidos ao longo do século XX no plano normativo dos direitos humanos, que contribuiu para uma crescente humanização das relações internacionais, colocando a proteção do ser humano na pauta da agenda internacional. O caráter puramente estatocêntrico das relações internacionais passa a ser questionado na medida em que a percepção sobre as ameaças à vida do ser humano é ampliada. Neste contexto, o surgimento do conceito de Segurança Humana (Human Security), introduzido oficialmente pelo Relatório sobre Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em 1994, fortalece uma visão de mundo pautada nos interesses do ser humano e na multidimensionalidade das ameaças agora percebidas à segurança de tal ator. Apesar das não-linearidades e ambivalências deste conceito, ele irá produzir impactos significativos no meio internacional, criando as bases para o surgimento de esforços e ações que sigam este entendimento. Considerando isso, o presente artigo visa analisar como as transformações no entendimento sobre segurança internacional, ocorridas ao longo da segunda metade do século XX, impactaram as relações internacionais, criando as condições necessárias para o surgimento de um modelo inovador de processo de desarmamento e controle de armas, o Desarmamento Humanitário. Para isso, tomar-se-á a Convenção sobre Munições Cluster (2008), resultante do Processo de Oslo, como um caso de análise que reflete esta nova perspectiva de segurança e de processos de desarmamento. Mesmo sem a pretensão de esgotar o assunto, buscar-se-á apresentar de maneira estruturada os desenvolvimentos apresentados no campo da segurança e desarmamento assim como sua aplicação ao Processo de Oslo. 2. Segurança e Desarmamento Durante a Guerra Fria Tradicionalmente, a segurança no plano internacional é tratada como um assunto de interesse primordialmente dos Estados (CRAVO, 2009, p. 68). Considerando os Estados enquanto principais atores do sistema internacional, o paradigma realista coloca a segurança e a sobrevivência destas entidades como o principal objetivo e interesse. O estado de natureza hobbesiano, no qual os indivíduos convivem em um ambiente constante de competição, na busca pela sobrevivência e por seus interesses próprios, utilizando todos os meios possíveis, inclusive a força, para alcançá-los, é transposto 3

4 para o plano internacional, concebendo os Estados em um ambiente anárquico de constante competição e busca pela sobrevivência e interesses nacionais. Deste modo, a segurança internacional no espectro realista está intrinsecamente relacionada à segurança nacional (SARFATI, 2005). Sobre isso, Nasu afirma que a visão tradicional da segurança estava intrinsecamente relacionada à segurança nacional, ou seja, a proteção territorial contra ameaças e ataques externos militares, que era tido como a última raison d être dos Estados soberanos 2 (NASU, 2011, p. 16). Neste sentido, parafraseando Sheenan (2005), Pureza coloca que o realismo automatizou a identificação tendencial entre segurança e segurança nacional, traduzida em preservação da independência política e da soberania territorial do Estado, por meio das Forças Armadas, do desempenho diplomático e dos serviços de informação (PUREZA, 2009, p. 23). Deste modo, o principal foco dos estudos de segurança é o fenômeno da guerra, podendo definir o estudo da segurança como o da ameaça do uso e do controle das Forças Armadas (WALT, 1991). Verificase, assim, que a noção de segurança pautada pela doutrina tradicional prioriza apenas um setor (militar) e um ator (Estado) no âmbito das relações internacionais (CRAVO, 2009, p. 72). Neste contexto, a constatação da coexistência de vários Estados em um sistema internacional anárquico, faz com que o dilema da segurança possua um papel central nos estudos sobre segurança dessa tradição. Criado em 1950 por John Herz, este dilema diz respeito ao paradoxo no qual os Estados estão envoltos, na medida em que ao perquirir sua própria autodefesa e preservação, esta ação conduz à insegurança dos demais, uma vez que medidas defensivas adotadas por uns podem ser interpretadas como ofensivas por outros (HERZ, 1950, p. 157). Assim, o dilema da segurança se aplica principalmente em relação às políticas de (des)armamento dos Estados, gerando incertezas quanto suas motivações e objetivos.isto se dá, principalmente devido às frágeis relações de confiança que são estabelecidas entre os atores.afinal, as relações estabelecidas entre Estados possuem duas variáveis que não são controladas por eles: o processo decisório e a intenção do outro Estado (MARCONI, 2010). Tendo isso em vista, no final da década de 1970, Robert Jervis aprofundou os estudos sobre o dilema da segurança, apresentando duas variáveis capazes de afetar a 2 It was inextricably linked to national security, meaning the protection of territory from external military threats and attacks, which was recognized as the ultimate raison d être of sovereign states (tradução livre). 4

5 intensidade do dilema: o offense-deffense balance e a offense-defense differentiation (JERVIS, 1978). Estas variáveis dizem respeito às armas defensivas e ofensivas e à política empregada no uso destas. Deste modo, o dilema da segurança é diluído na medida em que as armas defensivas são as priorizadas pelos Estados que compõem o sistema internacional em detrimento das ofensivas (MARCONI, 2010, p. 139). Assim, Jervis explica que quando se podem diferenciar as armas defensivas das ofensivas, é possível que um Estado se torne mais seguro sem fazer que os demais se sintam menos seguros. Quando as armas defensivas têm vantagem em relação às ofensivas, um grande aumento da segurança de um Estado provoca apenas uma leve queda na segurança dos demais, e as potências do status quo podem usufruir um alto nível de segurança, bem como escapar do estado de natureza (JERVIS, 1978, p. 187). Observa-se, assim, que o dilema da segurança reflete ambivalência que a busca pela segurança, compreendida dentro do espectro realista, não gera segurança, mas sim o seu oposto, a insegurança, e coloca em pauta o problema da incerteza, pois as motivações benignas dos atores não são uma regularidade nas relações entre os Estados (MARCONI, 2010, p. 138). O período da Guerra Fria permitiu a consolidação, ou ao menos a predominância, do viés realista da segurança nas relações internacionais. Nas palavras de Cravo, É essa teoria acadêmica que predominou, nos termos do paradigma realista, durante os cinqüenta anos da Guerra Fria, assentando no balanço nuclear, na estrutura bipolar projetada em todos os domínios e na rivalidade das superpotências e de suas alianças: a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e o Pacto de Varsóvia (CRAVO, 2009, p. 68). O paradigma realista da segurança acompanhado pelo o dilema da segurança neste período realçou a importância estratégica das políticas de (des)armamento adotadas pelos Estados, colocando a participação em processos diplomáticos de desarmamento e controle de armas como partes de uma estratégia de defesa nacional. Esforços de ações com os mesmos objetivos práticos do que atualmente chamamos de desarmamento e controle de armas são registrados desde os tempos antigos da humanidade, passando pela idade média até o surgimento dos Estados nação modernos (BURNS, 2009). A 5

6 necessidade da criação de tais mecanismos resulta da existência de armas altamente destrutivas e que ferem os princípios hoje conhecidos como de Direito Internacional Humanitário (GARD JR, 1998), podendo destacar-se o da necessidade de distinção entre civis e combatentes. 3 Faz necessário aqui observar a diferença conceitual entre os termos desarmamento e controle de armas, uma vez que estes são vistos muitas vezes como sinônimos. O termo desarmamento começou a ser utilizados anteriormente ao controle de armas. Inicialmente este se referia a todos os esforços internacionais para limitar, reduzir ou controlar os implementos de guerra. (BURNS, 2009, p. 2). 4 Larsen e Smith acrescentam sobre isso que este termo era utilizado para indicar os esforços históricos para reduzir e restringir armas e forças militares através de uma ampla variedade de meios desde a cooperação até a imposição. (LARSEN; SMITH, 2005, p.2). 5 A partir do final da década de 1940 e início de 1950, especialistas começaram a utilizar o termo controle de armas, ao invés de desarmamento, alegando que o termo antigo faltava precisão semântica e possuía um tom utópico ao sugerir a total eliminação de armas (BURNS, 2009, p. 3). Considerando isto, Hedley Bull definiu em 1961 o desarmamento como a redução ou abolição de armamentos, enquanto controle de armas consistiria em uma restrição internacional exercida sobre armamentos, não apenas o número de armas, mas também seu caráter, desenvolvimento e uso (BULL apud LARSEN; SMITH, 2005, p. 3). 6 O fim da II Guerra Mundial e o lançamento das bombas nucleares em Nagasaki e Hiroshima pelos Estados Unidos alarmou a sociedade internacional sobre os perigos e as ameaças que essa arma apresentava ao mundo a partir de então. A aquisição da tecnologia nuclear pela então União Soviética logo após o fim da II Guerra e o início das tensões que se estenderiam pelos anos a seguir, representadas pelos binômios capitalismo/socialismo e Estados Unidos/União Soviética, indicavam o iminente perigo 3 Sobre os princípios de Direito Internacional Humanitário, Sassòli e Bouvier colocam que "this definition leads to the basic principles of IHL: - the distinction between civilians and combatants; the prohibition to attack those hors de combat; the prohibition to inflict unnecessary suffering; the principle of necessity; and the principle of proportionality ". (SASSÒLI; BOUVIER, 1999, p ) 4 disarmament to describe all international efforts to limit, reduce or control de implements of war. (tradução livre) 5 was used to indicate the full range of historical endeavors to reduce and restrict military weapons and forces through a wide variety of means from cooperation to imposition. (tradução livre) 6 not only the number of weapons, but also their character, development and use. (tradução livre) 6

7 presente na esfera internacional de uma guerra nuclear que poderia levar o planeta a completa destruição. A partir de então, os anos que se seguiram foram marcados por negociações e tentativas de regulamentar a posse das armas de destruição em massa, em especial as armas nucleares, buscando evitar o uso e a disseminação destas para outros países. Assim, observam-se no plano internacional diversos processos diplomáticos de desarmamento e controle de armas, destacando-se nesta seara a assinatura do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) em 1968, a criação de zonas livre de armas nucleares, primeiramente na América Latina em 1963 e depois em outras regiões como Pacífico Sul, África, Sudeste Asiático e Ásia Central, a criação da Convenção sobre armas Biológicas, Bacteriológicas e Tóxicas em 1972, da Convenção sobre Certas Armas Convencionais em 1980 e já no período pós Guerra Fria a assinatura da Convenção sobre Armas Químicas em 1993, mas cujas negociações se iniciaram durante o período anterior. Além disso, neste período importantes negociações entre os Estados Unidos e a União Soviética tiveram parte a respeito da ultimate weapon, buscando evitar um confronte letal entre ambos. Assim, destacam-se a era SALT (Strategic Arms Limitations Talks), resultando em dois acordos, o SALT I e II, em 1969 e 1979, respectivamente; e a era START (Strategic Arms Reduction Talks), que iniciou em 1982, levando a criação de dois acordos principais: o START I e II, em 1992 e 1993, respectivamente. Os movimentos de desarmamento e controle de armas ocorridos neste período se caracterizavam por permear dentro da lógica Estatal-militar da segurança, vista a partir do paradigma realista. Estas negociações não eram caracterizadas por interesses morais de busca pela paz e defesa de valores humanitários, mas sim faziam parte das ações tomadas em torno da estratégia de segurança nacional. Nas palavras de Larsen e Smith, o controle de armas na era nuclear foi marcado primeiramente como um componente parte da visão militar e da estratégia de segurança nacional como um instrumento de política e um adjunto para fortalecer a postura, não uma utopia ou uma cruzada moral (LARSEN; SMITH, 2005, p. 4). 7 7 Arms control in the nuclear age was framed first as a component part of an overall military and national security strategy as an instrument of policy and an adjunct to force posture, not a utopian or moral crusade. (tradução livre) 7

8 Deste modo, verifica-se que apesar de haver uma preocupação em limitar os recursos de guerra visando diminuir custos e a violência da guerra, caso ela ocorra, a natureza desta cooperação ainda se fazia dentro da lógica estatocêntrica, com a predominância do aspecto militar no desenvolvimento destes processos. Entretanto, o fim da Guerra Fria permitirá uma abertura da agenda internacional para pautas até então paralisadas pela tensão característica do período anterior, influenciadas grandemente pela emergência do movimento de codificação e internacionalização dos Direitos Humanos, abrindo espaço para que processos de desarmamento e de controle de armas priorizando valores humanitários surjam na esfera internacional. 3. Os Direitos Humanos no Pós-II Guerra Mundial O fim da II Guerra Mundial e as atrocidades nunca antes vistas perpetuadas pelo regime nazista contra vários grupos étnicos, especialmente os judeus, evidenciaram a necessidade de proteção do ser humano no plano internacional. Observa-se, assim, no período posterior, uma forte tendência em criar novos consensos entorno dos Direitos Humanos, buscando criar mecanismos de proteção internacional da pessoa humana. Deste modo, tem-se que o Direito Internacional dos Direitos Humanos é um fenômeno do pós-guerra, sendo que seu desenvolvimento pode ser atribuído às monstruosas violações de direitos humanos da era Hitler e à crença de que parte destas violações pode ser prevenida se um efetivo sistema de proteção internacional de direitos humanos existisse (BURGENTHAL, 1988, p. 17). A assinatura da Carta de São Francisco em 1945, que consagrou em seu conteúdo a obrigação dos Estados membros de respeitar e proteger os direitos humanos constituiu o primeiro documento importante desta era. Nas palavras de Piovesan, a carta das Nações Unidas de 1945 consolida, assim, o movimento de internacionalização dos direitos humanos, a partir do consenso de Estados que elevam a promoção desses direitos a propósito e finalidade das Nações Unidas (PIOVESAN, 2012, p. 197). Este fato refletiu um reconhecimento, na esfera jurídica, que a observância aos Direitos Humanos não mais se restringe à esfera doméstica das nações, mas como uma obrigação internacional. (VIEIRA, 2005, p ). A adoção da Declaração Universal dos Direitos do Homem, em 1948, por mais de 48 Estados representou outro importante passo em torno da universalização da proteção do ser humano. Segundo Trindade, a Declaração de 1948 tem se constituído a fonte comum dos instrumentos globais e regionais de direitos humanos, sendo assim o ponto 8

9 de irradiação dos esforços em prol da realização do ideal de universalidade dos direitos humanos (TRINDADE, 2000, p. 104). Este documento contribuiu para consolidar duas características importantes dos direitos humanos: a universalidade e a indivisibilidade. O primeiro diz respeito ao caráter universal desses direitos, ou seja, todos são titulares desses direitos. Já o segundo, refere-se ao fato de que estes direitos não podem ser fragmentados já que possui uma unidade fundamental entre todos os direitos consagrados e reconhece que a igualdade e a liberdade do ser humano são fenômenos indissociáveis, pois não é possível liberdade sem igualdade e vice-versa. Assim, a Declaração introduz a concepção contemporânea de direitos humanos, caracterizada pela universalidade e indivisibilidade destes direitos (PIOVESAN, 2000, p. 18). Inúmeros tratados e outros documentos referentes à proteção do homem no plano internacional serão elaborados em diversas instâncias internacionais, seja de maneira bilateral ou multilateral, utilizando as plataformas geradas pela difusão de organizações internacionais como lugar de discussão e elaboração de políticas nesta seara. 8 Este processo de codificação dos direitos humanos contribuiu consideravelmente para dar sentido à ideia de dignidade da pessoa humana. Os tratados e documentos consagrados internacionalmente explicitavam o que este princípio ou valor significa efetivamente na esfera prática das relações internacionais. Além disso, este processo evidencia uma característica importante deste fenômeno: seu caráter histórico. Os direitos humanos não nascem todos de uma vez, mas são resultados de um processe de construção histórica a partir das circunstâncias sócio-histórico-político-econômicas de uma dada sociedade (BOBBIO, 1992). Assim, fala-se em gerações ou dimensões de direitos humanos, referindo-se a três principais: a primeira, ligada aos direitos civis e políticas, também traduzidos na ideia de liberdade; a segunda, atrelada às liberdades positivas sociais, econômicas e culturais, representadas pela ideia de igualdade; e a terceira vinculando aos assuntos que atingem o ser humano em conjunto, como as questões relativas à paz, ao desenvolvimento e ao meio ambiente, por exemplo, refletindo a ideia de solidariedade (MORAIS, 2011, p. 85). O reconhecimento jurídico destes direitos representa um grande passo para sua concretização, entretanto não suficiente. A eficácia jurídica deve ser acompanhada de 8 Pode-se destacar: a Convenção Para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio (1948), a Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial (1965), o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos (1966), o Pacto Internacional de Direitos Sociais, Econômicos e Culturais (1966), Convenção Sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher (1979), a Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes (1984) e a Convenção Sobre os Direitos da Criança (1989). 9

10 uma efetividade prática, evidenciando o importante papel do Estado como protetor e ator ativo no processo de efetividade destes direitos, através da garantia para os indivíduos da cidadania civil e política (1ª dimensão), da cidadania social, e econômica (2ª dimensão) e da cidadania pós-material (3ª dimensão) (MORAIS, 2011, p. 85). O desenvolvimento dos direitos humanos ao longo do século XX contribuiu para uma crescente humanização das relações internacionais, no sentido de colocar a proteção do ser humano na agenda internacional. O caráter puramente estatocêntrico das relações ocorridas no meio internacional passa a ser flexibilizado na medida em que a percepção sobre as ameaças à vida e ao ser humano é ampliada, construindo um consenso sobre a necessidade de protegê-lo mesmo quando o ator violador destes direitos é o próprio Estado, uma vez que a segurança na ótica nacional estava desconectada do bem-estar dos indivíduos. Deste modo, o movimento em torno dos direitos humanos construirá as bases necessárias para as mudanças no entendimento sobre segurança, principalmente a partir da década de O caráter universal e indivisível dos direitos humanos influenciará de maneira significativa a política internacional tradicionalmente vista através do viés realista, transformando, assim, as noções básicas de soberania nacional e segurança nacional e contribuindo para a consolidação de um entendimento sobre segurança pautado centralmente no ser humano. 4. O Conceito de Segurança em Transformação Os anos após a II Guerra Mundial, marcados pela bipolaridade e tensão políticomilitar característicos da Guerra Fria permitiram a continuidade, ou ao menos a predominância, do viés realista da segurança nas relações internacionais. Apesar disto, a partir da década de 1970, o paradigma realista da segurança passou a ser desafiado de forma contundente, a partir do crescente discurso neoliberal nas relações internacionais que veio a disputar essa hegemonia através da ênfase maior dada à economia internacional (PUREZA, 2009). A crescente interdependência entre os Estado contribuiu para o reconhecimento de que as políticas econômicas de outros países poderiam afetar a segurança nacional de um dado Estado (CRAVO, 2009). Os neoliberais passaram a criticar o enfoque dado pelo discurso realista às relações de competição existentes entre os atores. Ao invés disso, buscava-se ressaltar as dinâmicas de cooperação, ainda que em um ambiente de anarquia, favorecendo o aparecimento de regimes internacionais mais ou menos institucionalizados. 10

11 Os anos 1980 foram marcados por uma acentuação das críticas feitas à concepção de segurança tradicional. Novos desafios evidenciavam as limitações da concepção realista em compreendê-los e lhes darem resposta. Além da pauta dos direitos humanos,a crescente tomada de consciência pública em relação à gravidade dos desequilíbrios ambientais auxiliou na disseminação de um consenso global em torno da necessidade de incluir esta pauta nas discussões sobre segurança internacional. Ademais, a crescente interdependência entre os Estados, impulsionada pelas trocas comerciais, pela internacionalização do capital, e pelas revoluções tecnológicas em termos de comunicação e transporte, contribuíram para que questões sociais e econômicas também fossem percebidas como ameaças à segurança. Como coloca Pureza, diante das novas ameaças ambientais, sociais ou econômicas, evidencia-se que a insegurança de uma população de dado ponto do globo tem uma conexão íntima com a insegurança em outro ponto completamente diferente (PUREZA, 2009, p.25). Além disso, a constatação da existência de Estados em estado de colapso ou falha, ou seja, entidades que devido à falta de capacidade e/ou de vontade política não conseguem garantir os bens públicos essenciais a uma sociedade (infra-estrutura, saneamento básico, segurança, saúde, entre outros) evidencia a necessidade de ultrapassar a compreensão tradicional de segurança como aquela apenas de um Estado, seu território e seus recursos(jackson apud PUREZA, 2009, p. 26). A segurança passa a ser vista a partir de um viés individual de cada Estado separado, para ser considerada um bem global, algo que deve ser buscado e construído em conjunto pela comunidade internacional. Deste modo, diante das novas ameaças, verifica-se a urgência em adotar uma agenda ampliada de segurança que reflita a multiplicidade das ameaças, preocupações e pautas agora percebidas ao estado e que reflitam também na superação das ameaças ao ser humano. Neste contexto, Barry Buzan (1991), em sua obra People States and Fear, já no início da década de 1990, contribuiu significativamente na criação de um quadro teórico para um entendimento sobre segurança ampliado. Ele sugere um conceito de segurança baseado em cinco dimensões: militar, política, econômica, social e ambiental (BUZAN, 1991, p.19-20). A ampliação do conceito de segurança sugere a superação da visão tradicional realista, desfazendo a antiga hierarquia entre os assuntos dentro da esfera de segurança, na qual o meio militar é privilegiado e os interesses estatais são os únicos a serem protegidos. Além disso, em trabalho posterior, Buzan, Waever e Wilde introduzem uma perspectiva de segurança multidimensional, passando agora a 11

12 compreendê-la a partir de processos de securitização e dessecuritização de problemas e realidades, sejam elas de qualquer natureza. Assim, a partir de então debate-se o caráter construído da segurança, uma vez que a segurança internacional diz respeito agora ao modo como o ser humano e a sociedade se relacionam em termos de ameaças e vulnerabilidades percebidas (BUZAN, B; WAEVER, O; WILDE 1998).Assim, a segurança perde seu caráter estritamente militar e Estatal, passando agora a ser percebida numa perspectiva humanocêntrica e multidimensional. 5. A Centralidade do Ser Humano na Pauta da Segurança O fim da Guerra Fria não representou o fim dos conflitos na esfera internacional, mas constituiu um marco na transformação da natureza dos conflitos observados a partir de então. As chamadas novas guerras caracterizam-se pela ação de grupos armados não estatais que atuam no território nacional de um dado Estado. Observa-se, assim, a multiplicação de conflitos internos ao Estado, enraizadas em ideologias e movimentos contestatórios, que ao atingirem grandes proporções afetam Estados vizinhos, desestabilizando assim a ordem internacional na qual estão envoltos. Estes conflitos caracterizam-se também por afetarem principalmente a população civil de um país (BASSEDAS, 2007, p. 48). Além disso, nas palavras de Adriana Mărgărit, o fim da Guerra Fria possibilitou a discussões e análises que foram parcialmente bloqueadas até então, enraizadas no sentimento de descontentamento originado nos métodos tradicionais de análise da área de relações internacionais. (MĂRGĂRIT, 2009, p. 16). 9 Neste sentido, parafraseando Sánchez (1999), Tereza Cravo coloca que com o desaparecimento da Guerra Fria, desapareceram igualmente as condições estruturais e ideológicas em que se baseava o conflito entre as superpotências dos quarenta anos precedentes e, consequentemente, o modelo explicativo que tinha sobredimensionado as interações político-militares em detrimento das econômicas, sociais e ambientais (CRAVO, 2009, p. 69). Deste modo, este novo cenário contribuiu para a construção de um conceito de segurança baseado no ser humano, abrangendo agora uma gama de aspectos que 9 the end of the Cold War had given vent to discussions and analysis that were partially blocked until then, which were rooted in the feeling of discontent created by traditional methods of analysis from the field of international relations. (tradução livre) 12

O Conselho Executivo do Fórum Parlamentar sobre Armas Ligeiras e de Pequeno Porte, realizado de 3-4 de Maio de 2007 em Masai Mara, Quênia,

O Conselho Executivo do Fórum Parlamentar sobre Armas Ligeiras e de Pequeno Porte, realizado de 3-4 de Maio de 2007 em Masai Mara, Quênia, FÓRUM PARLAMENTAR SOBRE ARMAS LIGEIRAS E DE PEQUENO PORTE Declaração da política sobre as munições de fragmentação O Conselho Executivo do Fórum Parlamentar sobre Armas Ligeiras e de Pequeno Porte, realizado

Leia mais

Declaração de Pequim adotada pela Quarta Conferência Mundial sobre as Mulheres: Ação para Igualdade, Desenvolvimento e Paz (1995)

Declaração de Pequim adotada pela Quarta Conferência Mundial sobre as Mulheres: Ação para Igualdade, Desenvolvimento e Paz (1995) Declaração de Pequim adotada pela Quarta Conferência Mundial sobre as Mulheres: Ação para Igualdade, Desenvolvimento e Paz (1995) 1. Nós, os Governos, participante da Quarta Conferência Mundial sobre as

Leia mais

A INSERÇÃO INTERNACIONAL DO BRASIL E SEUS REFLEXOS PARA A DEFESA. Juliano da Silva Cortinhas Instituto Pandiá Calógeras MD

A INSERÇÃO INTERNACIONAL DO BRASIL E SEUS REFLEXOS PARA A DEFESA. Juliano da Silva Cortinhas Instituto Pandiá Calógeras MD A INSERÇÃO INTERNACIONAL DO BRASIL E SEUS REFLEXOS PARA A DEFESA Juliano da Silva Cortinhas Instituto Pandiá Calógeras MD Palestra UFMS 05/06/2013 CONTEXTO SISTÊMICO Maior complexidade da agenda internacional

Leia mais

DISCIPLINA: INTRODUÇÃO AO ESTUDO DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS

DISCIPLINA: INTRODUÇÃO AO ESTUDO DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS 7.PROJETO PEDAGÓGICO 1º SEMESTRE DISCIPLINA: INTRODUÇÃO À ECONOMIA EMENTA: Conceitos Fundamentais; Principais Escolas do Pensamento; Sistema Econômico; Noções de Microeconomia; Noções de Macroeconomia;

Leia mais

VERSÃO APROVADA Tradução de cortesia ANEXO 4

VERSÃO APROVADA Tradução de cortesia ANEXO 4 ANEXO 4 RELATÓRIO PRELIMINAR DO CEED AO CONSELHO DE DEFESA SUL- AMERICANO SOBRE OS TERMOS DE REFERÊNCIA PARA OS CONCEITOS DE SEGURANÇA E DEFESA NA REGIÃO SUL- AMERICANA O é uma instância de conhecimento

Leia mais

Fórum Social Mundial Memória FSM memoriafsm.org

Fórum Social Mundial Memória FSM memoriafsm.org Este documento faz parte do Repositório Institucional do Fórum Social Mundial Memória FSM memoriafsm.org Michael Haradom - www.shalomsalampaz.org - ssp@shalomsalampaz.org tel (11) 3031.0944 - fax (11)

Leia mais

UNIVERSIDADE FEDERAL PARA INTEGRAÇÃO LATINO- AMERICANA

UNIVERSIDADE FEDERAL PARA INTEGRAÇÃO LATINO- AMERICANA UNIVERSIDADE FEDERAL PARA INTEGRAÇÃO LATINO- AMERICANA Chamada aberta para seleção de voluntários do projeto de extensão DESARMAMENTO HUMANITÁRIO Foz do Iguaçu, 04 de março de 2015. Resumo: O projeto de

Leia mais

Por uma Cultura da Paz Vera Maria Candau

Por uma Cultura da Paz Vera Maria Candau Por uma Cultura da Paz Vera Maria Candau Não é fácil situar-nos diante da questão da paz na atual situação do mundo e do nosso país. Corremos o risco ou de negar a realidade ou de não reconhecer o sentido

Leia mais

ESCOLA SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DE COIMBRA 2ºANO ANIMAÇÃO SOCIOEDUCATIVA

ESCOLA SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DE COIMBRA 2ºANO ANIMAÇÃO SOCIOEDUCATIVA ESCOLA SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DE COIMBRA 2ºANO ANIMAÇÃO SOCIOEDUCATIVA A «Segurança Ambiental»: Oportunidades e Limites In SOROMENHO MARQUES, Viriato (2005) Metamorfoses Entre o colapso e o desenvolvimento

Leia mais

A PARADIPLOMACIA: CONCEITO E INSERÇÃO DO PROFISSIONAL DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS

A PARADIPLOMACIA: CONCEITO E INSERÇÃO DO PROFISSIONAL DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS A PARADIPLOMACIA: CONCEITO E INSERÇÃO DO PROFISSIONAL DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS Ana Carolina Rosso de Oliveira Bacharel em Relações Internacionais pela Faculdades Anglo-Americano, Foz do Iguaçu/PR Resumo:

Leia mais

O autor. Embaixador Sergio Duarte - Alto Comissário da ONU para Assuntos de Desarmamento. Thesaurus Editora 2011

O autor. Embaixador Sergio Duarte - Alto Comissário da ONU para Assuntos de Desarmamento. Thesaurus Editora 2011 Thesaurus Editora 2011 O autor Embaixador Sergio Duarte - Alto Comissário da ONU para Assuntos de Desarmamento Coordenação, editoração, arte, impressão e acabamento: Thesaurus Editora de Brasília SIG Quadra

Leia mais

0938/007T 03.2008 1,000 MUNIÇÕES CLUSTER DÉCADAS DE FRACASSO DÉCADAS DE SOFRIMENTO PARA A POPULAÇÃO CIVIL

0938/007T 03.2008 1,000 MUNIÇÕES CLUSTER DÉCADAS DE FRACASSO DÉCADAS DE SOFRIMENTO PARA A POPULAÇÃO CIVIL 0938/007T 03.2008 1,000 MUNIÇÕES CLUSTER DÉCADAS DE FRACASSO DÉCADAS DE SOFRIMENTO PARA A POPULAÇÃO CIVIL MUNIÇÕES CLUSTER DÉCADAS DE FRACASSO DÉCADAS DE SOFRIMENTO PARA A POPULAÇÃO CIVIL Comitê Internacional

Leia mais

CENTRO UNIVERSITÁRIO CURITIBA UNICURITIBA FACULDADE DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS

CENTRO UNIVERSITÁRIO CURITIBA UNICURITIBA FACULDADE DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS CENTRO UNIVERSITÁRIO CURITIBA UNICURITIBA FACULDADE DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS DANNIELE VARELLA RIOS DEBORAH DONATO DE SOUZA FELIPE PENIDO PORTELA PÂMELLA ÀGATA TÚLIO ESCOLA INGLESA CURITIBA 2009 DANNIELE

Leia mais

GUERRA FRIA 1945 1991

GUERRA FRIA 1945 1991 GUERRA FRIA 1945 1991 Guerra Fria 1945-1991 Conceito: Conflitos políticos, ideológicos e militares (indiretos), que aconteceram no pós guerra entre as duas potências mundiais EUA e URSS entre 1945-1991.

Leia mais

A RESPONSABILIDADE DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA EM MATÉRIA DE POLÍTICA INTERNACIONAL. Fábio Konder Comparato *

A RESPONSABILIDADE DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA EM MATÉRIA DE POLÍTICA INTERNACIONAL. Fábio Konder Comparato * A RESPONSABILIDADE DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA EM MATÉRIA DE POLÍTICA INTERNACIONAL Fábio Konder Comparato * Dispõe a Constituição em vigor, segundo o modelo por nós copiado dos Estados Unidos, competir

Leia mais

Guerra fria (o espaço mundial)

Guerra fria (o espaço mundial) Guerra fria (o espaço mundial) Com a queda dos impérios coloniais, duas grandes potências se originavam deixando o mundo com uma nova ordem tanto na parte política quanto na econômica, era os Estados Unidos

Leia mais

Reflexões sobre Empresas e Direitos Humanos. Leticia Veloso leticiahelenaveloso@outlook.com

Reflexões sobre Empresas e Direitos Humanos. Leticia Veloso leticiahelenaveloso@outlook.com Reflexões sobre Empresas e Leticia Veloso leticiahelenaveloso@outlook.com PRINCÍPIOS ORIENTADORES SOBRE EMPRESAS E DIREITOS HUMANOS (ONU, 2011): 1. PROTEGER 2. RESPEITAR 3. REPARAR Em junho de 2011, o

Leia mais

CARTA DA TERRA Adaptação Juvenil

CARTA DA TERRA Adaptação Juvenil CARTA DA TERRA Adaptação Juvenil I TRODUÇÃO Vivemos um tempo muito importante e é nossa responsabilidade preservar a Terra. Todos os povos e todas as culturas do mundo formam uma única e grande família.

Leia mais

MEIO AMBIENTE E VIDA TEXTO PARA A CAMINHADA DE CORPUS CRISTI A VIDA AMEAÇADA...

MEIO AMBIENTE E VIDA TEXTO PARA A CAMINHADA DE CORPUS CRISTI A VIDA AMEAÇADA... MEIO AMBIENTE E VIDA TEXTO PARA A CAMINHADA DE CORPUS CRISTI Daniel Cenci A VIDA AMEAÇADA... A vida é sempre feita de escolhas. A qualidade de vida resulta das escolhas que fazemos a cada dia. É assim

Leia mais

EMENTAS DAS DISCIPLINAS ESTUDOS REGIONAIS, TEMAS EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS E TÓPICOS EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS 2 /2015 TURNO MANHÃ

EMENTAS DAS DISCIPLINAS ESTUDOS REGIONAIS, TEMAS EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS E TÓPICOS EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS 2 /2015 TURNO MANHÃ EMENTAS DAS DISCIPLINAS ESTUDOS REGIONAIS, TEMAS EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS E TÓPICOS EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS 2 /2015 TURNO MANHÃ Temas em Relações Internacionais I 4º Período Turno Manhã Título da

Leia mais

Policy Brief. Os BRICS e a Segurança Internacional

Policy Brief. Os BRICS e a Segurança Internacional Policy Brief Outubro de 2011 Núcleo de Política Internacional e Agenda Multilateral BRICS Policy Center / Centro de Estudos e Pesquisa BRICS Policy Brief Outubro de 2011 Núcleo de Política Internacional

Leia mais

Rede de Áreas Protegidas, Turismo e Inclusão Social: de uma perspectiva da América do Sul para uma perspectiva global

Rede de Áreas Protegidas, Turismo e Inclusão Social: de uma perspectiva da América do Sul para uma perspectiva global Rede de Áreas Protegidas, Turismo e Inclusão Social: de uma perspectiva da América do Sul para uma perspectiva global (texto extraído da publicação IRVING, M.A.; BOTELHO, E.S.; SANCHO, A.; MORAES, E &

Leia mais

Declaração de Joanesburgo sobre Desenvolvimento Sustentável

Declaração de Joanesburgo sobre Desenvolvimento Sustentável Declaração de Joanesburgo sobre Desenvolvimento Sustentável Das origens ao futuro 1. Nós, representantes dos povos do mundo, reunidos durante a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável em Joanesburgo,

Leia mais

OS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO MOVIMENTO INTERNACIONAL DA CRUZ VERMELHA E DO CRESCENTE VERMELHO

OS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO MOVIMENTO INTERNACIONAL DA CRUZ VERMELHA E DO CRESCENTE VERMELHO OS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO MOVIMENTO INTERNACIONAL DA CRUZ VERMELHA E DO CRESCENTE VERMELHO FOLHETO CICV O Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho O Movimento Internacional

Leia mais

Introdução às relações internacionais

Introdução às relações internacionais Robert Jackson Georg Sørensen Introdução às relações internacionais Teorias e abordagens Tradução: BÁRBARA DUARTE Revisão técnica: ARTHUR ITUASSU, prof. de relações internacionais na PUC-Rio Rio de Janeiro

Leia mais

DOS OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO DO MILÊNIO (ODM) PARA OS OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (ODS)

DOS OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO DO MILÊNIO (ODM) PARA OS OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (ODS) DOS OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO DO MILÊNIO (ODM) PARA OS OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (ODS) INTRODUÇÃO A Organização das Nações Unidas (ONU) está conduzindo um amplo debate entre governos

Leia mais

O IMPERIALISMO EM CHARGES. Marcos Faber www.historialivre.com marfaber@hotmail.com. 1ª Edição (2011)

O IMPERIALISMO EM CHARGES. Marcos Faber www.historialivre.com marfaber@hotmail.com. 1ª Edição (2011) O IMPERIALISMO EM CHARGES 1ª Edição (2011) Marcos Faber www.historialivre.com marfaber@hotmail.com Imperialismo é a ação das grandes potências mundiais (Inglaterra, França, Alemanha, Itália, EUA, Rússia

Leia mais

Agenda 21 e a Pedagogia da Terra

Agenda 21 e a Pedagogia da Terra Agenda 21 e a Pedagogia da Terra A Carta da Terra como marco ético e conceito de sustentabilidade no século XXI Valéria Viana - NAIA O que está no início, o jardim ou o jardineiro? É o segundo. Havendo

Leia mais

Conferência no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas Universidade Técnica de Lisboa. O Novo Quadro de Segurança e Defesa Europeia

Conferência no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas Universidade Técnica de Lisboa. O Novo Quadro de Segurança e Defesa Europeia Centro de Estudos EuroDefense-Portugal Conferência no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas Universidade Técnica de Lisboa O Novo Quadro de Segurança e Defesa Europeia Desafios e opções para

Leia mais

MINUTA DE LEI DA POLÍTICA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL DO MUNICÍPIO DE CARIACICA

MINUTA DE LEI DA POLÍTICA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL DO MUNICÍPIO DE CARIACICA MINUTA DE LEI DA POLÍTICA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL DO MUNICÍPIO DE CARIACICA CAPÍTULO I DAS DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 1º Fica instituída a Política Municipal de Educação Ambiental, seus objetivos, princípios

Leia mais

A PROTEÇÃO DOS CIVIS E DA AÇÃO HUMANITÁRIA POR MEIO DE UM TRATADO DE COMÉRCIO DE ARMAS EFICAZ

A PROTEÇÃO DOS CIVIS E DA AÇÃO HUMANITÁRIA POR MEIO DE UM TRATADO DE COMÉRCIO DE ARMAS EFICAZ A PROTEÇÃO DOS CIVIS E DA AÇÃO HUMANITÁRIA POR MEIO DE UM TRATADO DE COMÉRCIO DE ARMAS EFICAZ FOLHETO Marko Kokic/CICV DISPONIBILIDADE DE ARMAS: O CUSTO HUMANO Todos os anos, devido à disponibilidade generalizada

Leia mais

O advento das tecnologias da era pósindustrial

O advento das tecnologias da era pósindustrial 3.2 AS CRISES DO CENÁRIO O advento das tecnologias da era pósindustrial As tecnologias que ordenaram a era industrial foram ultrapassadas pelas novas tecnologias surgidas a partir do século XX, especialmente

Leia mais

PRINCÍPIOS DO RIO. Princípio 1

PRINCÍPIOS DO RIO. Princípio 1 PRINCÍPIOS DO RIO António Gonçalves Henriques Princípio 1 Os seres humanos são o centro das preocupações para o desenvolvimento sustentável. Eles têm direito a uma vida saudável e produtiva em harmonia

Leia mais

Capacitação em Educação em Direitos Humanos. FUNDAMENTOS HISTÓRICO- FILOSÓFICOS DOS DIREITOS HUMANOS Módulo 1.6

Capacitação em Educação em Direitos Humanos. FUNDAMENTOS HISTÓRICO- FILOSÓFICOS DOS DIREITOS HUMANOS Módulo 1.6 Capacitação em Educação em Direitos Humanos FUNDAMENTOS HISTÓRICO- FILOSÓFICOS DOS DIREITOS HUMANOS Módulo 1.6 1 FUNDAMENTOS HISTÓRICO-FILOSÓFICOS DOS DIREITOS HUMANOS Direitos Humanos: sua origem e natureza

Leia mais

Tendências recentes na área do desarmamento e da não-proliferação

Tendências recentes na área do desarmamento e da não-proliferação Tendências recentes na área do desarmamento e da não-proliferação 8º Seminário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Ministério da Defesa 6 de outubro de 2011 Ricardo M. Ayrosa Chefe da Divisão de Desarmamento

Leia mais

A INFLUÊNCIA DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL NO DIREITO POSITIVO Cíntia Cecília Pellegrini

A INFLUÊNCIA DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL NO DIREITO POSITIVO Cíntia Cecília Pellegrini A INFLUÊNCIA DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL NO DIREITO POSITIVO Cíntia Cecília Pellegrini RESUMO: Após a Segunda Guerra Mundial, a sociedade internacional passou a ter como principal objetivo a criação de acordos

Leia mais

3 Breve Histórico das Políticas de Controle de Armas

3 Breve Histórico das Políticas de Controle de Armas 38 3 Breve Histórico das Políticas de Controle de Armas Nesta seção serão introduzidas noções sobre as políticas de controle de armas no sistema internacional, abordando especialmente suas variações ao

Leia mais

DECLARAÇÃO UNIVERSAL SOBRE O GENOMA HUMANO E OS DIREITOS HUMANOS

DECLARAÇÃO UNIVERSAL SOBRE O GENOMA HUMANO E OS DIREITOS HUMANOS DECLARAÇÃO UNIVERSAL SOBRE O GENOMA HUMANO E OS DIREITOS HUMANOS A Conferência Geral, Lembrando que o Preâmbulo da Carta da Unesco refere-se a os princípios democráticos de dignidade, igualdade e respeito

Leia mais

RIO+20: AVALIAÇÃO PRELIMINAR DE RESULTADOS E PERSPECTIVAS DA CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

RIO+20: AVALIAÇÃO PRELIMINAR DE RESULTADOS E PERSPECTIVAS DA CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL RIO+20: AVALIAÇÃO PRELIMINAR DE RESULTADOS E PERSPECTIVAS DA CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Carlos Henrique R. Tomé Silva 1 Durante dez dias, entre 13 e 22 de julho de

Leia mais

Propostas dos GTs da Conferência Municipal de São Paulo. Princípios e diretrizes de Segurança Pública

Propostas dos GTs da Conferência Municipal de São Paulo. Princípios e diretrizes de Segurança Pública Propostas dos GTs da Conferência Municipal de São Paulo Princípios e diretrizes de Segurança Pública Eixo 1 1. Fortalecimento do pacto federativo; 2. Municipalização da Segurança Pública; 3. Estabelecer

Leia mais

UNESCO Brasilia Office Representação no Brasil Declaração sobre as Responsabilidades das Gerações Presentes em Relação às Gerações Futuras

UNESCO Brasilia Office Representação no Brasil Declaração sobre as Responsabilidades das Gerações Presentes em Relação às Gerações Futuras UNESCO Brasilia Office Representação no Brasil Declaração sobre as Responsabilidades das Gerações Presentes em Relação às Gerações Futuras adotada em 12 de novembro de 1997 pela Conferência Geral da UNESCO

Leia mais

HIERARCHY IN INTERNATIONAL RELATIONS 1

HIERARCHY IN INTERNATIONAL RELATIONS 1 .. RESENHA Bookreview HIERARCHY IN INTERNATIONAL RELATIONS 1 Gustavo Resende Mendonça 2 A anarquia é um dos conceitos centrais da disciplina de Relações Internacionais. Mesmo diante do grande debate teórico

Leia mais

Rússia vende sistema antimíssil para o Irã

Rússia vende sistema antimíssil para o Irã Rússia vende sistema antimíssil para o Irã Resenha Segurança Raphael Rezende Esteves 09 de março de 2007 1 Rússia vende sistema antimíssil para o Irã Resenha Segurança Raphael Rezende Esteves 09 de março

Leia mais

Educação para a cidadania global A abordagem da UNESCO

Educação para a cidadania global A abordagem da UNESCO United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization Educação para a cidadania global A abordagem da UNESCO BR/2015/PI/H/3 Educação para a cidadania global (ECG) A abordagem da UNESCO O que

Leia mais

RICARDO S. PEREIRA NOÇÕES DE DIREITOS HUMANOS. 1ª Edição OUT 2012

RICARDO S. PEREIRA NOÇÕES DE DIREITOS HUMANOS. 1ª Edição OUT 2012 RICARDO S. PEREIRA NOÇÕES DE DIREITOS HUMANOS TEORIA 38 QUESTÕES DE PROVAS DE CONCURSOS GABARITADAS Teoria e Seleção das Questões: Prof. Ricardo S. Pereira Organização e Diagramação: Mariane dos Reis 1ª

Leia mais

IDENTIDADE DA CPLP NO DOMÍNIO DA DEFESA

IDENTIDADE DA CPLP NO DOMÍNIO DA DEFESA 1 IDENTIDADE DA CPLP NO DOMÍNIO DA DEFESA 1. INTRODUÇÃO As identidades coletivas, em qualquer domínio considerado, assumem uma importância central; a sua afirmação dá sentido aos projetos comuns, promove

Leia mais

Proposta de tradução da Definição Global da Profissão de Serviço Social

Proposta de tradução da Definição Global da Profissão de Serviço Social Proposta de tradução da Definição Global da Profissão de Serviço Social O Serviço Social é uma profissão de intervenção e uma disciplina académica que promove o desenvolvimento e a mudança social, a coesão

Leia mais

CARREIRAS DIPLOMÁTICAS Disciplina: Política Internacional Prof. Diego Araujo Campos Tratado Sobre a Não Proliferação de Armas Nucleares

CARREIRAS DIPLOMÁTICAS Disciplina: Política Internacional Prof. Diego Araujo Campos Tratado Sobre a Não Proliferação de Armas Nucleares CARREIRAS DIPLOMÁTICAS Disciplina: Política Internacional Prof. Diego Araujo Campos Tratado Sobre a Não Proliferação de Armas Nucleares MATERIAL DE APOIO MONITORIA Tratado Sobre a Não Proliferação de Armas

Leia mais

[sem remissão prévia a uma Comissão Principal (A/53/L.79)] 53/243. Declaração e Programa de Ação sobre uma Cultura de Paz

[sem remissão prévia a uma Comissão Principal (A/53/L.79)] 53/243. Declaração e Programa de Ação sobre uma Cultura de Paz Nações Unidas A Assembléia Geral Distr. GERAL A/RES/53/243 6 de outubro de 1999 Qüinquagésimo terceiro período de sessões Tema 31 do programa RESOLUÇÕES APROVADAS PELA ASSEMBLÉIA GERAL [sem remissão prévia

Leia mais

5. Considerações finais

5. Considerações finais 99 5. Considerações finais Ao término da interessante e desafiadora jornada, que implicou em estabelecer um olhar crítico e relativamente distanciado em relação ao universo pesquisado, na medida em que

Leia mais

Ciências Humanas e Suas Tecnologias - Geografia Ensino Médio, 3º Ano Principais Conferências Internacionais sobre o Meio Ambiente

Ciências Humanas e Suas Tecnologias - Geografia Ensino Médio, 3º Ano Principais Conferências Internacionais sobre o Meio Ambiente Ciências Humanas e Suas Tecnologias - Geografia Ensino Médio, 3º Ano Principais Conferências Internacionais sobre o Meio Ambiente Prof. Claudimar Fontinele Em dois momentos a ONU reuniu nações para debater

Leia mais

Declaração de Joanesburgo sobre Desenvolvimento Sustentável. Das nossas origens ao futuro

Declaração de Joanesburgo sobre Desenvolvimento Sustentável. Das nossas origens ao futuro Declaração de Joanesburgo sobre Desenvolvimento Sustentável Das nossas origens ao futuro 1. Nós, representantes dos povos do mundo, reunidos durante a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável em

Leia mais

COMITÊ INTERAMERICANO CONTRA O TERRORISMO (CICTE)

COMITÊ INTERAMERICANO CONTRA O TERRORISMO (CICTE) COMITÊ INTERAMERICANO CONTRA O TERRORISMO (CICTE) DÉCIMO PERÍODO ORDINÁRIO DE SESSÕES OEA/Ser.L/X.2.10 17 a 19 de março de 2010 CICTE/DEC.1/10 Washington, D.C. 19 março 2010 Original: inglês DECLARAÇÃO

Leia mais

Carta dos Povos da Terra

Carta dos Povos da Terra Carta dos Povos da Terra Primeira Proposta Janeiro 2011 Para contribuir no debate e enriquecer esta proposta de Carta, pode se inscrever enviando um e-mail para carta@forums.rio20.net www.rio20.net Um

Leia mais

Visibilidade estatística da população afro-descendente da América Latina: aspectos conceituais e metodológicos

Visibilidade estatística da população afro-descendente da América Latina: aspectos conceituais e metodológicos Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) Comissão Européia Visibilidade estatística da população afro-descendente da América Latina: aspectos conceituais e metodológicos Versão preliminar

Leia mais

Juristas Leigos - Direito Humanos Fundamentais. Direitos Humanos Fundamentais

Juristas Leigos - Direito Humanos Fundamentais. Direitos Humanos Fundamentais Direitos Humanos Fundamentais 1 PRIMEIRAS NOÇÕES SOBRE OS DIREITOS HUMANOS FUNDAMENTAIS 1. Introdução Para uma introdução ao estudo do Direito ou mesmo às primeiras noções de uma Teoria Geral do Estado

Leia mais

1. Conceito Guerra improvável, paz impossível - a possibilidade da guerra era constante, mas a capacidade militar de ambas potências poderia provocar

1. Conceito Guerra improvável, paz impossível - a possibilidade da guerra era constante, mas a capacidade militar de ambas potências poderia provocar A GUERRA FRIA 1. Conceito Conflito político, econômico, ideológico, cultural, militar entre os EUA e a URSS sem que tenha havido confronto direto entre as duas superpotências. O conflito militar ocorria

Leia mais

3 O Serviço Social no setor de ONGs

3 O Serviço Social no setor de ONGs 3 O Serviço Social no setor de ONGs Uma análise sobre a atuação do assistente social em organizações não governamentais (ONGs) deve partir da reflexão sobre a configuração da sociedade civil brasileira,

Leia mais

A Nova Guerra: uma introdução 1

A Nova Guerra: uma introdução 1 A Nova Guerra: uma introdução 1 The New War: an introduction Luiz Felipe Machado Villanova 2 Resumo: o presente texto tem como fim introduzir o leitor ao conceito de guerra revisto por Antonio Negri e

Leia mais

Sessão 3: Envolvendo empregadores e sindicatos

Sessão 3: Envolvendo empregadores e sindicatos Sessão 3: Envolvendo empregadores e sindicatos Senhor Ministro Chris Alexander, Senhoras e senhores, Primeiramente, gostaria cumprimentar a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)

Leia mais

FRÁGEIS E EM SITUAÇÕES DE FRAGILIDADE

FRÁGEIS E EM SITUAÇÕES DE FRAGILIDADE PRINCÍPIOS PARA UMA INTERVENÇÃO INTERNACIONAL EFICAZ EM ESTADOS PRINCÍPIOS - Março 2008 Preâmbulo Uma saída sustentável da pobreza e da insegurança nos Estados mais frágeis do mundo terá de ser conduzida

Leia mais

Disputa pela hegemonia mundial entre Estados Unidos e URSS após a II Guerra Mundial. É uma intensa guerra econômica, diplomática e tecnológica pela conquista de zonas de influência. Ela divide o mundo

Leia mais

SOCIOLOGIA - 2 o ANO MÓDULO 05 O MODELO CAPITALISTA BRASILEIRO E A NOVA ORDEM INTERNACIONAL

SOCIOLOGIA - 2 o ANO MÓDULO 05 O MODELO CAPITALISTA BRASILEIRO E A NOVA ORDEM INTERNACIONAL SOCIOLOGIA - 2 o ANO MÓDULO 05 O MODELO CAPITALISTA BRASILEIRO E A NOVA ORDEM INTERNACIONAL Como pode cair no enem Leia o trecho abaixo e responda: A propriedade do rei suas terras e seus tesouros se

Leia mais

MINUTA DE DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS PARA OS CURSOS DE GRADUAÇÃO EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS

MINUTA DE DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS PARA OS CURSOS DE GRADUAÇÃO EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS 1 MINUTA DE DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS PARA OS CURSOS DE GRADUAÇÃO EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS O Presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação, no uso de suas atribuições

Leia mais

Carta da Terra. www.oxisdaquestao.com.br PREÂMBULO

Carta da Terra. www.oxisdaquestao.com.br PREÂMBULO 1 www.oxisdaquestao.com.br Carta da Terra PREÂMBULO Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada

Leia mais

Mestrados ENSINO PÚBLICO. 1. ISCTE Instituto Universitário de Lisboa

Mestrados ENSINO PÚBLICO. 1. ISCTE Instituto Universitário de Lisboa Mestrados ENSINO PÚBLICO 1. ISCTE Instituto Universitário de Lisboa Mestrado em Ciência Política O mestrado em Ciência Política tem a duração de dois anos, correspondentes à obtenção 120 créditos ECTS,

Leia mais

FEC 25 anos: Qual o papel das sociedades civis no desenvolvimento internacional? Iremos lembrar 2015 como um ano chave no setor do desenvolvimento?

FEC 25 anos: Qual o papel das sociedades civis no desenvolvimento internacional? Iremos lembrar 2015 como um ano chave no setor do desenvolvimento? SEMINÁRIO INTERNACIONAL REPENSAR O DESENVOLVIMENTO REINVENTAR A COOPERAÇÃO ENQUADRAMENTO : Qual o papel das sociedades civis no desenvolvimento internacional? Lisboa, 19 de novembro de 2015 Iremos lembrar

Leia mais

Ensino Fundamental II

Ensino Fundamental II Ensino Fundamental II Valor do trabalho: 2.0 Nota: Data: /dezembro/2014 Professora: Angela Disciplina: Geografia Nome: n o : Ano: 8º Trabalho de Recuperação Final de Geografia ORIENTAÇÕES: Leia atentamente

Leia mais

Multiculturalismo em Face dos Direitos Humanos das Mulheres

Multiculturalismo em Face dos Direitos Humanos das Mulheres Multiculturalismo em Face dos Direitos Humanos das Mulheres Vanessa Carla Bezerra de Farias Discente do curso de Direito UFRN Prof. Orientador Thiago Oliveira Moreira Docente do curso de Direito UFRN Introdução:

Leia mais

ESTRUTURA CURRICULAR

ESTRUTURA CURRICULAR ESTRUTURA CURRICULAR Referência: 2015 Curso: Bacharelado em Relações Internacionais DURAÇÃO IDEAL: 08 SEMESTRES 1 o semestre Aula Trabalho Semestral Anual DFD0125 Instituições de Direito EAE0110 Fundamentos

Leia mais

1.3. Planejamento: concepções

1.3. Planejamento: concepções 1.3. Planejamento: concepções Marcelo Soares Pereira da Silva - UFU O planejamento não deve ser tomado apenas como mais um procedimento administrativo de natureza burocrática, decorrente de alguma exigência

Leia mais

Um dos grandes desafios para tornar o Brasil mais condizente com os anseios da sua população é a "modernização" da vida política.

Um dos grandes desafios para tornar o Brasil mais condizente com os anseios da sua população é a modernização da vida política. Apesar dos problemas associados à má distribuição de renda, o Brasil- ingressa no século XXI com uma das maiores economias do mundo e um compromisso com a paz mundial e o sistema democrático e sem conflitos

Leia mais

ENFRENTAMENTO DA VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES: BALANÇO DE UMA DÉCADA

ENFRENTAMENTO DA VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES: BALANÇO DE UMA DÉCADA ENFRENTAMENTO DA VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES: BALANÇO DE UMA DÉCADA Área Temática: Direitos Humanos e Justiça Liza Holzmann (Coordenadora da Ação de Extensão) Liza Holzmann 1 Palavras Chave:

Leia mais

Cooperação Internacional no Âmbito das Nações Unidas: solidariedade versus interesses nacionais

Cooperação Internacional no Âmbito das Nações Unidas: solidariedade versus interesses nacionais Ciclo de Debates sobre Bioética, Diplomacia e Saúde Pública Cooperação Internacional no Âmbito das Nações Unidas: solidariedade versus interesses nacionais RELATÓRIO Samira Santana de Almeida 1 1. Apresentação

Leia mais

Perguntas e Respostas

Perguntas e Respostas DECLARAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE OS DIREITOS DOS POVOS INDÍGENAS Perguntas e Respostas I - Introdução O Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, comemora a adoção da Declaração dos Direitos dos

Leia mais

O organizador. Thesaurus Editora 2008. Revisão: Fundação Alexandre Gusmão - FUNAG

O organizador. Thesaurus Editora 2008. Revisão: Fundação Alexandre Gusmão - FUNAG Thesaurus Editora 2008 O organizador Amado Luiz Cervo Professor emérito da Universidade de Brasília e Pesquisador Sênior do CNPq. Atua na área de relações internacionais e política exterior do Brasil,

Leia mais

Cenários brasileiros de recursos hídricos para 2025 Antonio Eduardo Lanna

Cenários brasileiros de recursos hídricos para 2025 Antonio Eduardo Lanna Cenários brasileiros de recursos hídricos para 2025 Antonio Eduardo Lanna Uma brevíssima história do século passado, a cada 20 anos Fonte: George Friedman, Os próximos 100 anos. 2 Brevíssima história do

Leia mais

Segurança e Defesa em Portugal e na Europa

Segurança e Defesa em Portugal e na Europa Palestra para a divulgação no Dia de Defesa Nacional sobre Segurança e Defesa em Portugal e na Europa Carlos R. Rodolfo, Calm (Ref.) Presidente da AFCEA Portugal Proferida no MDN em 02 Set 2011 1 AGENDA

Leia mais

A ONU e o combate ao terrorismo

A ONU e o combate ao terrorismo A ONU e o combate ao terrorismo Resenha Segurança Igor Andrade Vidal Barbosa 28 de maio de 2006 A ONU e o combate ao terrorismo Resenha Segurança Igor Andrade Vidal Barbosa 28 de maio de 2006 As ações

Leia mais

CONFERÊNCIA MUNDIAL SOBRE OS DIREITOS DO HOMEM Viena, 14-25 de Junho de 1993

CONFERÊNCIA MUNDIAL SOBRE OS DIREITOS DO HOMEM Viena, 14-25 de Junho de 1993 CONFERÊNCIA MUNDIAL SOBRE OS DIREITOS DO HOMEM Viena, 14-25 de Junho de 1993 DECLARAÇÃO DE VIENA E PROGRAMA DE ACÇÃO Nota do Secretariado Em anexo encontra-se o texto da Declaração de Viena e do Programa

Leia mais

O Conselho Executivo do Fórum Parlamentar sobre Armas Ligeiras e de Pequeno Porte, realizado no dia 13 de Julho de 2008 em Nova Iorque, E.U.A.

O Conselho Executivo do Fórum Parlamentar sobre Armas Ligeiras e de Pequeno Porte, realizado no dia 13 de Julho de 2008 em Nova Iorque, E.U.A. FÓRUM PARLAMENTAR SOBRE ARMAS LIGEIRAS E DE PEQUENO PORTE Declaração da política sobre a gestão de estoque de munições convencionais O Conselho Executivo do Fórum Parlamentar sobre Armas Ligeiras e de

Leia mais

Ciclo de Debates sobre Bioética, Diplomacia e Saúde Pública DUBDH: RESPONSABILIDADE DOS ESTADOS E COOPERAÇÃO INTERNACIONAL RELATÓRIO

Ciclo de Debates sobre Bioética, Diplomacia e Saúde Pública DUBDH: RESPONSABILIDADE DOS ESTADOS E COOPERAÇÃO INTERNACIONAL RELATÓRIO Ciclo de Debates sobre Bioética, Diplomacia e Saúde Pública DUBDH: RESPONSABILIDADE DOS ESTADOS E COOPERAÇÃO INTERNACIONAL RELATÓRIO 1. Apresentação O presente relatório apresenta o segundo encontro do

Leia mais

Mestrados ENSINO PÚBLICO. 1-ISCTE Instituto Universitário de Lisboa

Mestrados ENSINO PÚBLICO. 1-ISCTE Instituto Universitário de Lisboa Mestrados ENSINO PÚBLICO 1-ISCTE Instituto Universitário de Lisboa *Mestrado em Ciência Política O mestrado em Ciência Política tem a duração de dois anos, correspondentes à obtenção 120 créditos ECTS,

Leia mais

Carta Aberta do Conselho da Paz dos EUA Para Todos Os Nossos Amigos e Camaradas Do Movimento Pela Paz

Carta Aberta do Conselho da Paz dos EUA Para Todos Os Nossos Amigos e Camaradas Do Movimento Pela Paz Carta Aberta do Conselho da Paz dos EUA Para Todos Os Nossos Amigos e Camaradas Do Movimento Pela Paz Caros Amigos e Camaradas da Paz, Como é do vosso conhecimento, o nosso mundo encontra-se numa conjuntura

Leia mais

Discurso de Sua Exceléncia o Presidente de Po rtugal. Jorge Sampaio. Assembleia Geral das Nações Unidas

Discurso de Sua Exceléncia o Presidente de Po rtugal. Jorge Sampaio. Assembleia Geral das Nações Unidas MISSAO PERMANENTE DE PORTUGAL JUNTO DAS NaфEs UNIDAS EM NOVA IORQUE Discurso de Sua Exceléncia o Presidente de Po rtugal Jorge Sampaio Reunião de Alto Nîvel da Assembleia Geral das Nações Unidas Nova Iorque

Leia mais

Desenvolvimento e Desigualdades: cenários e perspectivas para a saúde no mundo

Desenvolvimento e Desigualdades: cenários e perspectivas para a saúde no mundo Ciclo de Debates sobre Bioética, Diplomacia e Saúde Pública Desenvolvimento e Desigualdades: cenários e perspectivas para a saúde no mundo Samira Santana de Almeida 1 RELATÓRIO 1. Apresentação O presente

Leia mais

Nota técnica Março/2014

Nota técnica Março/2014 Nota técnica Março/2014 Sistemas de Saneamento no Brasil - Desafios do Século XXI João Sergio Cordeiro O Brasil, no final do ano de 2013, possuía população de mais de 200 milhões de habitantes distribuídos

Leia mais

Gestão para um mundo melhor EMPREENDEDOR/Entrevista. Julho 1999.

Gestão para um mundo melhor EMPREENDEDOR/Entrevista. Julho 1999. GESTÃO PARA UM MUNDO MELHOR Gestão para um mundo melhor EMPREENDEDOR/Entrevista. Julho 1999. RESUMO: Para o consultor e empresário Oscar Motomura, a sociedade global precisa evoluir, abandonando sua ganância

Leia mais

Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Pontifícia Universidade Católica de São Paulo EDITAL DE SELEÇÃO DE PROFESSORES Nº1/2015 DEPARTAMENTO DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS A Diretora da Faculdade de Ciências Sociais da, no uso das atribuições, Faz saber que estão abertas as inscrições para

Leia mais

2 Por que a Alemanha nazista rompeu com o Pacto Germano Soviético no ano de 1941? Explique.

2 Por que a Alemanha nazista rompeu com o Pacto Germano Soviético no ano de 1941? Explique. 2 Lista exercícios 2ª Guerra Mundial 1 Os Estados Unidos entraram fundamentalmente na Segunda Guerra Mundial no ano de 1941. Quais foram os principais fatores que causaram a entrada dos Estados Unidos

Leia mais

ATUDALIDADES - Conflitos na Atualidade

ATUDALIDADES - Conflitos na Atualidade ATUDALIDADES - Conflitos na Atualidade Origem dos povos ORIENTE MÉDIO: Conflitos árabes-israelenses: 1948 Independência de Israel 1949 Guerras da Independência 1956 Crise de Suez 1964 Criação da OLP` 1967

Leia mais

Até então o confronto direto entre os aliados não havia acontecido.

Até então o confronto direto entre os aliados não havia acontecido. Confronto entre os aliados, vencedores da 2ª Guerra: Inglaterra, França, EUA e União Soviética. Acordo pós-guerra definiria a área de influência da URSS, onde estavam suas tropas (leste europeu). Conferência

Leia mais

Novas Dimensões da "Segurança Internacional"

Novas Dimensões da Segurança Internacional Novas Dimensões da "Segurança Internacional" Luciano Martins Texto disponível em www.iea.usp.br/artigos As opiniões aqui expressas são de inteira responsabilidade do autor, não refletindo necessariamente

Leia mais

É em face do crescente processo de internacionalização dos direitos humanos que há de se compreender seu sistema internacional de proteção.

É em face do crescente processo de internacionalização dos direitos humanos que há de se compreender seu sistema internacional de proteção. Sistema Internacional de Proteção dos Direitos Humanos 1 Flávia Cristina Piovesan 2 Introdução A proposta deste artigo é enfocar o Sistema Internacional de Proteção dos Direitos Humanos, com ênfase no

Leia mais

O Cebrapaz é uma expressão organizada do sentimento da sociedade brasileira contra as guerras e em solidariedade aos povos em luta no mundo.

O Cebrapaz é uma expressão organizada do sentimento da sociedade brasileira contra as guerras e em solidariedade aos povos em luta no mundo. O Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) aprovou na Assembleia Nacional encerrada sábado (9), uma Declaração em que renova as convicções dos ativistas brasileiros pela

Leia mais

Ministério da Saúde SAÚDE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: SAÚDE NA RIO + 20

Ministério da Saúde SAÚDE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: SAÚDE NA RIO + 20 Ministério da Saúde SAÚDE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: SAÚDE NA RIO + 20 INTRODUÇÃO A Organização das Nações Unidas realizará em junho de 2012, no Rio de Janeiro, a Conferência das Nações Unidas sobre

Leia mais

ESCOLA DE DEFESA. Proposta pedagógica e fluxo discente do Programa de Pós-graduação em Ciências Militares

ESCOLA DE DEFESA. Proposta pedagógica e fluxo discente do Programa de Pós-graduação em Ciências Militares ESCOLA DE DEFESA Proposta pedagógica e fluxo discente do Programa de Pós-graduação em Ciências Militares Ten Cel Eduardo MIGON eduardomigon@gmail.com 08 Jul 2015 Ten Cel (Dr.) Eduardo MIGON - Doutorando

Leia mais

CLT.2002/WS/9 DECLARAÇÃO UNIVERSAL SOBRE A DIVERSIDADE CULTURAL

CLT.2002/WS/9 DECLARAÇÃO UNIVERSAL SOBRE A DIVERSIDADE CULTURAL CLT.2002/WS/9 DECLARAÇÃO UNIVERSAL SOBRE A DIVERSIDADE CULTURAL 2002 DECLARAÇÃO UNIVERSAL SOBRE A DIVERSIDADE CULTURAL A Conferência Geral, Reafirmando seu compromisso com a plena realização dos direitos

Leia mais