ACADEMIA MILITAR DIREÇÃO DE ENSINO CURSO DE INFANTARIA TRABALHO DE INVESTIGAÇÃO APLICADA A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO

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1 ACADEMIA MILITAR DIREÇÃO DE ENSINO CURSO DE INFANTARIA TRABALHO DE INVESTIGAÇÃO APLICADA A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO Autor: Aspirante Aluno de Infantaria Marco André Oliveira Lopes Orientador: Major de Infantaria Paulo Jorge Caiadas da Quinta Lisboa, Agosto de 2011

2 ACADEMIA MILITAR DIREÇÃO DE ENSINO CURSO DE INFANTARIA TRABALHO DE INVESTIGAÇÃO APLICADA A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO Autor: Aspirante Aluno de Infantaria Marco André Oliveira Lopes Orientador: Major de Infantaria Paulo Jorge Caiadas da Quinta Lisboa, Agosto de 2011

3 NOTA INTRODUTÓRIA Embora este trabalho tenha sido pensado e estruturado para se abordar um estudo de caso a três unidades de Infantaria da Brigada de Reação Rápida: Centro de Tropas Comandos, Centro de Tropas de Operações Especiais e Regimento de Infantaria nº15, surgiram diversos constrangimentos que nos transcendem, que fizeram com que o tema se focalizase principalmente, num estudo de caso ao Regimento de Infantaria nº15, abrangendo ainda o Centro Tropas de Operações Especiais, que devido às restrições que nos foram impostas, não permitiram a obtenção dos resultados idealizados. i

4 DEDICATÓRIA A todos aqueles, que por não serem possuidores de uns pais como os meus, deixaram de acreditar nos seus sonhos. ii

5 AGRADECIMENTOS Este Trabalho de Investigação Aplicada contou com a colaboração de várias pessoas, que sem elas não teria sido possível a sua materialização. É neste âmbito que quero aqui expressar os meus mais sinceros agradecimentos, a todos os que, de uma forma ou de outra, fizeram parte desta vasta equipa, em particular: Ao Tenente-Coronel de Infantaria Abreu, Comandante Interino do Regimento de Infantaria nº 15, pela forma descontraída como me recebeu na sua Unidade. Ao Tenente-Coronel de Infantaria Patrício, Oficial de Segurança do Regimento de Infantaria nº 15, por todo o apoio demonstrado na coordenação dos deslocamentos a Tomar. A todos os militares entrevistados, do Regimento de Infantaria nº 15 pelo admirável contributo na realização desta investigação. Ao Coronel de Infantaria João Teixeira, comandante do Centro de Tropas de Operações Especiais, pela disponibilidade demonstrada em contribuir na medida do possível para o trabalho. Ao Tenente-Coronel de Infantaria Francisco Narciso, Oficial de Segurança do Centro de Tropas de Operações Especiais, pela colaboração prestada durante os meus deslocamentos a Lamego. Ao Tenente-Coronel Joaquim Monteiro Comandante da Força de Operações Especiais, por toda a ajuda prestada. Ao Major Carlos Cavaco, Chefe da Secção de Segurança, e Subchefe do CSMIE, pela entrevista, e apoio prestado. Ao Coronel de Infantaria Calado, Inspetor-Adjunto no IGE, pela entrevista concedida. Ao Major de Infantaria Paulo Quinta, na qualidade de meu orientador, pelas pedras que me foi lançando sem as quais não teria construído esta minha fortaleza. Aos Oficias do Regimento de Infantaria nº 14, por todo o apoio prestando durante a minha permanência na unidade. A todos os Oficiais e Professores Civis da Academia Militar, pelo seu reconhecido contributo na minha formação. Aos elementos do Curso de Infantaria que me têm acompanhado sempre, ao longo desta jornada. A todos vós, que direta ou indiretamente contribuíste para este trabalho. Muito Obrigado. iii

6 ÍNDICE GERAL NOTA INTRODUTÓRIA... i DEDICATÓRIA... ii AGRADECIMENTOS... iii ÍNDICE GERAL... iv ÍNDICE DE FIGURAS... vii ÍNDICE DE QUADROS... viii ÍNDICE DE GRÁFICOS... ix SIGLAS E ABREVIATURAS... x RESUMO... xi ABSTRACT... xii INTRODUÇÃO... 1 I - PARTE ENQUADRAMENTO TEÓRICO E METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO... 5 CAPÍTULO 1 - ENQUADRAMENTO GERAL: A SEGURANÇA NAS ORGANIZAÇÕES A SEGURANÇA SEGURANÇA NACIONAL SEGURANÇA NAS ORGANIZAÇÕES SÍNTESE CONCLUSIVA... 8 CAPÍTULO 2 - ENQUADRAMENTO ESPECÍFICO: A SEGURANÇA MILITAR SEGURANÇA MILITAR Medidas Ativas Medidas Passivas RESPONSÁVEIS DIRETOS PELA SEGURANÇA NUMA UNIDADE Comandante Oficial de Segurança Comandante de Companhia Militares de Serviço Interno CLASSIFICAÇÃO DE SEGURANÇA E ÁREAS E ESTADOS DE SEGURANÇA Classificação de Segurança iv

7 2.3.2 Áreas de Segurança Estados de Segurança SÍNTESE CONCLUSIVA CAPÍTULO 3 - METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO ESTRATÉGIA METODOLÓGICA MODELO DE ANÁLISE OBJETO DE ESTUDO OBJETO DE PESQUISA PRESSUPOSTOS DE PARTIDA OPERACIONALIZAÇÃO DOS CONCEITOS HIPÓTESES DO TRABALHO INSTRUMENTO DE RECOLHA DE INFORMAÇÃO RECOLHA DE DADOS LIMITAÇÕES DE TRABALHO SÍNTESE CONCLUSIVA II - PARTE APRESENTAÇÃO ANÁLISE E DISCUSSÃO DE RESULTADOS CAPÍTULO 4 APRESENTAÇÃO ANÁLISE E DISCUSSÃO DE RESULTADOS A NÍVEL DOCUMENTAL INTRODUÇÃO APRESENTAÇÃO DE DADOS Documentação de Segurança Segurança do Material e Instalações Análise e Discussão de Dados CAPÍTULO 5 APRESENTAÇÃO ANÁLISE E DISCUSSÃO DE RESULTADOS DAS ENTREVISTAS INTRODUÇÃO CARATERIZAÇÃO DA POPULAÇÃO APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE CONTEÚDO DAS ENTREVISTAS DISCUSSÃO DOS RESULTADOS CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES BIBLIOGRAFIA APÊNDICES APÊNDICE A GLOSSÁRIO DE CONCEITOS v

8 APÊNDICE B OPERACIONALIZAÇÃO DOS CONCEITOS APÊNDICE C NORMAS DE EXECUÇÃO PERMANENTE RI APÊNDICE D NORMAS DE EXECUÇÃO PERMANENTE CTOE APÊNDICE E GUIÃO DAS ENTREVISTAS APÊNDICE F APRESENTAÇÃO DOS PROCEDIMENTOS DESENVOLVIDOS NA QUESTÃO Nº APÊNDICE G ENTREVISTA AO CORONEL CALADO APÊNDICE H ENTREVISTA AO MAJOR CAVACO ANEXOS ANEXO I CLASSIFICAÇÃO DE SEGURANÇA ANEXO J ÁREAS DE SEGURANÇA ANEXO K ESTADOS DE SEGURANÇA vi

9 ÍNDICE DE FIGURAS Figura 1.1- As condicionantes da segurança nacional... 6 Figura 1.2- As funções básicas da empresa para Fayol... 7 Figura 2.1- A segurança militar... 9 Figura 3.1- Modelo de análise Figura J.1.-Modelo de uma planta de uma arrecadação de material de guerra vii

10 ÍNDICE DE QUADROS Quadro 4.1- Quadro de resultados Quadro 5.1- Variáveis da população entrevistada Quadro 5.2- Análise de conteúdo à questão nº Quadro 5.3- Análise de conteúdo à questão nº Quadro 5.4- Análise de conteúdo à questão nº Quadro 5.5- Análise de conteúdo à questão nº Quadro 5.6- Análise de conteúdo à questão nº Quadro 5.7- Análise de conteúdo à questão nº Quadro 5.8- Análise de conteúdo à questão nº Quadro 5.9- Análise de conteúdo à questão nº Quadro Análise de conteúdo à questão nº Quadro Análise de conteúdo à questão nº Quadro Análise de conteúdo à questão nº Quadro B.1- Operacionalização dos conceitos Quadro C.1- NEP de segurança do RI Quadro D.2- NEP de segurança do CTOE Quadro E.1- Lista de incidentes Quadro F.1- Ordenação de incidentes Quadro F.2- Ocorrência de incidentes viii

11 ÍNDICE DE GRÁFICOS Gráfico 4.1- Última atualização das NEP do RI15 e CTOE Gráfico 4.2- Gráfico de incidentes ix

12 SIGLAS E ABREVIATURAS 1Sar Primeiro-Sargento AA.VV (Auctores Varii) Vários Autores BRR Brigada de Reação Rápida Cap Capitão CEME Chefe de Estado Maior do Exército CEMGFA Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas Cmdt Comandante Cor Coronel CPLP Comunidade dos Países de Língua Portuguesa CSMIE Centro de Segurança Militar e de Informações do Exército CTC Centro de Tropas Comandos CTOE Centro de Tropas de Operações Especiais EME Estado Maior do Exército EMGFA Estado Maior General das Forças Armadas Etc (et cetera) E outros EUA Estados Unidos da América GM Guerra Mundial H Hipótese IGE Inspeção Geral do Exército Idem O mesmo In Em ou dentro de Maj Major MDN Ministério da Defesa Nacional NEP Normas de Execução Permanente Of Oficial OTAN Organização do Tratado do Atlântico Norte Pel Pelotão PJM Polícia Judiciária Militar RI15 Regimento de Infantaria Nº15 Sar Sargento Seg Segurança SMO Serviço Militar Obrigatório SOIS Secção de Operações, Informações e Segurança TCor Tenente-Coronel Ten Tenente x

13 RESUMO O presente trabalho tem como objetivo fundamental, estudar e analisar a segurança física das unidades de infantaria da Brigada de Reação Rápida, através de um estudo de caso ao Centro de Tropas Comandos, ao Centro de Tropas de Operações Especiais e ao Regimento de Infantaria nº15. Esta investigação parte de um enquadramento conceptual mais abrangente da segurança e das variantes globais que lhe estão associadas, focalizando-se na Segurança Nacional e suas condicionantes. Posteriormente abordar-se-á a Segurança Organizacional, onde se debatem as implicações da segurança numa organização e a sua imperiosa correlação com as classes administrativas. No término desta primeira parte será estudada a Segurança Militar, onde se abordam os conceitos da Segurança das Informações, do Pessoal, e do Material e das Instalações. Para se validarem os conceitos teóricos delimitados, nomeadamente, no concerne às limitações ao nível de segurança e dos meios desejáveis para as colmatar, recorreu-se fundamentalmente à experiência e cooperação dos militares que prestam serviço nas unidades em estudo. Tal foi possível, através da realização de entrevistas e da sua posterior análise, que nos permitiram retirar os dados necessários para a realização das conclusões do estudo. De acordo com os resultados obtidos concluiu-se que, apesar de se ter verificado uma clara alteração das ameaças percepcionadas, não se conseguiram desenvolver medidas de segurança que as acompanhassem. Para atenuar esta situação aconselha-se uma maior aposta na formação, tanto ao nível das classes subordinadas como dos seus comandos. Palavras-chave: SEGURANÇA; UNIDADES; MEDIDAS DE DEFESA; RECURSOS. xi

14 ABSTRACT The present work has as its main objective to analyze the physical security of the infantry units belonging to the Quick Reaction Brigade, through case study to the Comandos Troops Center, to the Special Operations Troops Center and to the 15 th Infantry Regiment. This research derives from a broader security conceptual framework and the global variants associated to it, focusing on the National Security and their constraining factors. It also deals with Organizational Security, in which the implications of security in an organization and its correlation with the administrative classes are debated. The last part of this study deals with Military Security, specifically the concepts of Intelligence security and also facilities and personnel security. To validate these theoretical concepts, particularly what regards to the limitations to security, and the resources to fill the gaps in these limitations, we used the experience of some individuals serving in the studied units. It was done, mostly, through the making of interviews and their respective analysis, that allowed to retrieve the needed data for the conclusions of this study. According with the obtained results, the conclusion was that, even though there has been a clear change in the perceived threat, the necessary security measures to deal with them were not taken. In order to mitigate this situation, it is advised to increase the commitment to training, both to employees and superiors. Keywords: SECURITY, UNITS, DEFENSE MEASURES, RESOURCES. xii

15 "A melhor maneira de ficar em segurança é nunca se sentir seguro." Benjamin Franklin xiii

16 INTRODUÇÃO Temos vindo a assistir a uma constante evolução do conceito de segurança, podendo este ser percepcionado atualmente como uma resposta aos novos desafios de um mundo globalizado, onde a interação cultural é cada vez mais uma realidade proporcionando-nos uma panóplia de vantagens, nomeadamente: um acesso facilitado à informação, a novos mercados e produtos e uma maior mobilidade entre povos (Teixeira, 2009b). Hoje em dia a palavra globalização está cada vez mais enraizada nas nossas vidas, muito por culpa da evolução tecnológica que veio sobretudo reduzir distâncias e abrir-nos as portas ao mundo. No entanto essa evolução veio pôr a descoberto grandes diferenças étnicas, culturais e religiosas provocando aquilo a que Samuel Huntington chamou de Choque de Civilizações (Huntington, 2006). No período da Guerra Fria existiam dois grandes blocos oponentes, de um lado estavam os Estados Unidos da América (EUA) do outro a União Soviética, esta duas potências conseguiam gerar um equilíbrio de forças através de um conjunto de alianças que deixava o mundo dividido, existia um inimigo visível, real e quantificável em que ambas as partes conheciam com maior ou menor exatidão a natureza do seu opositor. Com a queda do muro de Berlim e extinção do Pacto de Varsóvia deixaram de existir dois grandes blocos opositores, e passou a haver uma descentralização de conflitos não só ao nível militar mas também ao nível cultural e civilizacional (Huntington, 2006; Lousada, 2007). Este facto veio dar enfâse a novas ameaças 1, (tais como o terrorismo 2 ou o crime organizado 3 ) com uma perigosidade e complexidade tais que nenhum Estado possui capacidades para lhes fazer face de forma isolada, tendo a necessidade de recorrer a parcerias e alianças (Solana, 2003). Esta nova tipologia de ameaças não veio substituir as já existentes, mas sim reforça-las (Santos, 2004), exigindo um esforço acrescido daqueles que as combatem. De tal modo que se torna imperativo o desenvolvimento e a adopção de novas medidas de segurança e defesa 4 bem como o reforço das já existentes, pois o conceito de dissuasão, baseado na capacidade infligir danos inaceitáveis ao agressor deixa de fazer sentido porque estamos na presença de um inimigo cuja filosofia assenta na própria autodestruição (Freitas, 2002, p. 20) onde a assimetria não têm qualquer poder retractivo (Tomé, 2004). Portugal, apesar de não ser considerado um alvo remunerador devido à sua dimensão, à sua periferia e ao peso diminuto como ator político internacional, está fortemente integrado 1 Ver Apêndice A Glossário de Conceitos. 2 Idem. 3 Idem. 4 Idem. A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 1

17 INTRODUÇÃO em diversas organizações internacionais. Fazendo parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), da União Europeia (EU), e sendo um membro fundador da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), poderá ver assim aumentado o risco 5 de poder vir a ser afectado por este tipo de ameaças. Virgílio de Carvalho (2003) defende que a invocação do artigo 5º da OTAN, considerando o ataque aos EUA, durante os atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001, como um ataque a todos os membros da organização, fez com que todos os países da OTAN ficassem mais vulneráveis a sofrer um ataque terrorista. Tendo em conta todos estes pressupostos e evidências, torna-se assim crucial que se desenvolva uma cultura no sentido vasto de comportamentos, valores e consciência (conhecimento) da situação de segurança (Santos, 2004, p. 203), aquilo a que o autor chama de cultura de segurança. Cultura essa que deverá começar por aqueles que nos governam, pois são eles que detêm maior poder, podendo introduzir alterações ao sistema que se encontra implementado, de uma forma mais célere e eficaz. No entanto, todos os cidadãos em geral, cada um ao seu nível, deverá ter a perfeita consciência desta problemática fazendo tudo o que estiver ao seu alcançe para contribuir de igual modo para o reforço da sua segurança, e da segurança do próximo, que por sua vez se traduzirá na segurança de toda a nação. Pois a problemática da Segurança Nacional é global, abrangendo todas as áreas de atividade, bem como todos os participantes da sociedade (Santos, 2004, p. 205), não sendo dispensável o contributo de ninguém. No entanto, e apesar do primeiro passo passar pela auto-consciencialização desta problemática, torna-se necessário a implementação de medidas práticas e reais, algumas delas até poderão exigir esforços adicionais por parte de todos, não descorando também outras variáveis que se encontram diretamente ligadas a este conceito, como é o caso do desenvolvimento, que em conciliação com a segurança proporcionam o bem-estar de um povo (Teixeira, 2009a). Um dos meios que o Estado tem à sua disposição para atingir alguns destes objetivos é o Exército, que tem como principal missão: participar, de forma integrada, na defesa militar da República (AA.VVn, 2010), tornando-se assim num dos principais meios geradores de segurança. Este facto leva a que as unidades militares assumam uma grande importância em todo este processo, na medida em que são elas o suporte de todo o Exército, é nelas que se encontram sediados os meios humanos, equipamento e armamento, indispensáveis ao cumprimento da missão do Exército. Assim sendo, torna-se urgente a preservação da segurança dessas mesmas unidades, não só pelo que elas representam para o exército, mas também pelas consequências nefastas que poderiam advir da fuga de equipamento, armamento ou mesmo de documentação classificada, para o exterior. Traduzindo-se assim 5 Ver Apêndice A Glossário de Conceitos. A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 2

18 INTRODUÇÃO num gerador de incomodidade para toda uma nação. Seja, pelas consequências diretas, e facilmente visíveis da utilização desses meios para fins impróprios, ou pelo descrédito que acabaria por provocar na instituição militar, deitando por terra o prestígio e o bom nome obtidos ao longo de séculos da sua história, comprometendo seriamente a sua principal missão. Neste contexto, torna-se particularmente interessante, e essencial, a abordagem deste estudo, pelo facto de se poderem vir a tirar algumas conclusões relevantes sobre esta temática que tem vindo a assumir cada vez mais preponderância na nossa sociedade. Esta investigação ao constituir-se como um acervo caraterizador da situação atual, poderá ser importante para evidenciar também possíveis soluções para este problema, contribuindo deste modo para a aceleração de processos. É nossa intenção identificar não só os aspetos positivos, mas essencialmente os negativos, para que possam vir a ser corrigidos, no momento oportuno, pelas entidades responsáveis por essa matéria. A abordagem desta temática de forma interna, tem como vantagem primordial ser realizada de forma discreta, e acautelando a necessária confidencialidade das matérias a tratar, não só por fatores óbvios de segurança das nossas unidades, mas também, e não menos importante, pela imagem que é preciso preservar da nossa instituição, que devido à escassez de conflitos bélicos em que tem vindo a participar, faz com que se torne difícil a justificação perante a sociedade recorrendo às provas e ações dadas em campo de batalha. Assim sendo e tendo em conta a época em que vivemos, torna-se necessário recorrer a outros métodos, de forma a manter, e se possível melhorar a imagem que tem vindo a ser criada acerca da nossa instituição. O que passa também pela melhoria das condições de segurança das nossas unidades, transparecendo assim uma imagem de confiança, rigor e eficácia para o exterior. Devido à complexidade e abrangência do tema, surgiu a necessidade de limitar-mos a investigação apenas à segurança física 6 dos materiais e das instalações, através de um estudo de caso a três unidades 7 de forças especiais da Brigada de Reação Rápida (BRR). Embora o estudo seja desenvolvido para um período de paz, num estado de segurança ALFA 8, este poderá ser extremamente útil caso a situação atual do país se venha a alterar para níveis de segurança mais elevados. Perante este quadro de partida, foi definida a seguinte questão central: qual a situação atual em que se encontra a segurança nas unidades de infantaria da BRR? 6 Ver Apêndice A Glossário de Conceitos. 7 Devido à indisponibilidade demonstrada pelo Centro de Tropas Comandos (CTC) em contribuir para o presente trabalho, restaram apenas: o Centro de Tropas Operações Especiais (CTOE) e Regimento de Infantaria Nº15 (RI15). 8 Ver Anexo K Estados de segurança. A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 3

19 INTRODUÇÃO Tendo surgido as seguintes questões derivadas: 1. Será que o risco e as ameaças percepcionadas se têm mantido ao longo do tempo? 2. Será que a situação económica em que se encontra o país, se reflete na segurança das unidades? 3. Qual a importância da formação para a aquisição das competências para o desempenho das funções ligadas à segurança das unidades? 4. Será que as Normas de Execução Permanente (NEP) se encontram devidamente atualizadas para fazer face à realidade atual? 5. Quais as principais limitações ao nível da segurança física, presentes nas unidades? O presente estudo 9 encontra-se dividido em duas partes fundamentais: a I Parte Enquadramento teórico e metodologia de investigação, que por sua vez se encontra dividida em três capítulos: primeiro fez-se um enquadramento geral da segurança nas organizações, onde se apresenta o tema de uma forma mais abrangente. No segundo capítulo, enquadra-se de forma mais específica a segurança militar. No terceiro capítulo abordou-se toda a metodologia de investigação empregue na realização deste trabalho, permitindo-nos assim saber em que moldes foi desenvolvido todo o processo de investigação, e quais as ferramentas utilizadas para a sua implementação; a II Parte Apresentação análise e discussão de resultados, encontra-se dividida em dois capítulos: sendo o primeiro reservado à apresentação, análise e discussão dos resultados despontados a nível documental. No segundo e último capítulo proceder-se-á a uma apresentação, análise e discussão dos resultados provenientes das entrevistas. Para que no final do capítulo se venham a discutir os resultados obtidos, que conciliados com os resultados oriundos da análise da documentação e tendo sempre presente os conceitos teóricos abordados na primeira parte, nos permita retirar possíveis elações que nos possibilitem efetuar recomendações para que, quiçá, possam vir a ser seguidas, contribuindo assim para o reforço da segurança, não só nas unidades estudadas, mas em todo o Exército Português. 9 Este trabalho foi redigido segundo o novo acordo ortográfico, e estruturado de acordo com as normas em vigor na Academia Militar desde 2008, quando omissas foram seguidas as normas plasmadas no Guia Prático sobre a Metodologia Científica elaborado pela Professora Doutora Manuela Sarmento. A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 4

20 CAPÍTULO 1 ENQUADRAMENTO GERAL: A SEGURANÇA NAS ORGANIZAÇÕES I - PARTE ENQUADRAMENTO TEÓRICO E METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO CAPÍTULO 1 - ENQUADRAMENTO GERAL: A SEGURANÇA NAS ORGANIZAÇÕES 1.1 A SEGURANÇA O conceito de segurança tem vindo a sofrer uma constante evolução ao longo dos tempos, fruto das circunstâncias e das necessidades sentidas pelo ser humano, pelo que se torna necessário redefinir o conceito para melhor compreendermos o significado da palavra. A palavra Segurança tem origem no latim língua na qual significa sem preocupações e cuja etimologia sugere o sentido ocupar-se de si mesmo (se+cura) (Matos, 2004, p. 1). O termo segurança é extremamente vasto o que difilculta a definição do conceito. Por norma, a palavra segurança nunca é abordada isoladamente, quando nos referimos a ela podemos estar a falar de diversos tipos de segurança 10, no entanto todos eles têm como objetivo último a proteção das pessoas ou de objetos que lhes sejam vitais (Santos, 2004). Tomás de Aquino refere-se à falta de segurança como sendo um mal que se deve evitar 11 (Aquino, 1989, p. 334), caraterizando a segurança como sendo uma ferramenta usada para se combater o medo. Assim sendo pode-se idealizar a segurança como a ausência de risco, ou a certeza de que o futuro é previsivel. No entanto tem-se vindo a verificar que o ideal da previsiblidade completa é inatingivel, tornando-se assim a segurança numa utopia inalcançavel. (Matos, 2004). A segurança poder-se-á definir como sendo um estado de cobertura integral contra um certo tipo de ameaças (Tavares, 1981, p. 6), sendo tanto mais eficaz, quanto melhor impeça a possiblidade de a poderem testar (Marques, 1985, p. 77). Quando se pensa em segurança é preciso ter sempre em conta, aquilo que se pretende segurar, quais as possiveis ameaças para as quais nos queremos precaver, e qual o responsável por garantir a segurança e com que meios o irá fazer (Tomé, 2010). Joseph Nye (1995) compara a segurança ao oxigénio, caracterizando-a como sendo essencial à vida. No entanto por vezes não lhe é dada a devida atenção, ficando um pouco esquecida quando as ameaças não são facilmente perceptiveis. 10 Segurança militar, segurança política, segurança ambiental, segurança económica, etc. 11 Tradução livre da responsabilidade do autor. A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 5

21 CAPÍTULO 1 ENQUADRAMENTO GERAL: A SEGURANÇA NAS ORGANIZAÇÕES 1.2 SEGURANÇA NACIONAL A segurança é um dos principais anseios de qualquer nação, justificando por vezes grandes investimentos materiais e humanos para a conseguir. A segurança nacional é a condição da Nação que se traduz pela permanente garantia da sua sobrevivência em paz e liberdade, assegurando a soberania, indepedência e unidade, a integridade do território, a salvaguarda colectiva de pessoas e bens e dos valores espirituais, o desenvolvimento normal das tarefas do Estado, a liberdade de ação política dos orgãos de soberania e o pleno funcionamento das instituições democráticas (Cardoso, 1979, p. 9). Se atermos ao conceito de segurança facilmente constatamos que a segurança absoluta é uma ilusão impossivel de se alcançar, no entanto esta pode aumentar ou diminuir, dependendo de diversos fatores. Como se pode observar na Figura 1.1, Walter Marques (1985) identifica esses fatores e divide-os em três grandes grupos: os fatores económicos, os não económicos e as relações com outros atores internacionais. Figura As condicionantes da segurança nacional. Fonte: Adaptado de Marques (1985, p. 78). Segundo o autor a segurança de uma nação está inteiramente dependente da sua força económica, intelectual, moral e militar, sendo que todos devem contribuir ativamente para a reforçar, pois todos usufruem dela de igual modo (Marques, 1985). A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 6

22 CAPÍTULO 1 ENQUADRAMENTO GERAL: A SEGURANÇA NAS ORGANIZAÇÕES 1.3 SEGURANÇA NAS ORGANIZAÇÕES Uma organização poderá ser definida como sendo uma entidade social, constituída por pessoas que formam grupos organizados devidamente estruturados e interdependentes, que se unem para alcançar objetivos em comum (Chiavenato, 2004). Para Idalberto Chiavenato (2004) as organização lineares derivam das organizações militares, baseando-se no principio da unidade de comando 12, no conceito hierarquico e no principio de direção e chefia, que leva a que cada homem saiba qual o obectivo da ordem que lhe é transmitida, aumentando assim o seu rendimento e a sua probabilidade de a executar correctamente fruto da crescente motivação que daí advem. O autor basea-se na teoria clássica da administração de Henry Fayol defendendo que as organizações carecem de um Estado-Maior 13, constituido por assessores especializados responsáveis pela componente administrativa da organização (Figura. 1.2), tendo como missão primordial prever, organizar, comandar, coordenar, e controlar as funções técnicas, comerciais, financeiras, contabilísticas e as funções de segurança, relacionadas com a proteção e preservação dos bens da organização e das pessoas que a constituem (Chiavenato, 2004). Figura As funções básicas da empresa para Fayol. Fonte: Adaptado de Chiavenato (2004, p. 81). A segurança nas organizações é originária de conceitos baseados em forças militares, começando a ter especial relevância após a II Guerra Mundial (II GM), período após o qual começa a ser estudada com maior profundidade (Affonso, 2009). O autor define-a como sendo uma forma de gerir os perigos e os risco a que uma organização está sujeita, tendo para isso que definir e levar a cabo um conjunto de medidas e procedimentos técnicos e administrativos, que têm o objetivo de prever, controlar ou reduzir os riscos existentes, mantendo-os dentro dos padrões de segurança considerados toleráveis (Affonso, 2009, p. 2), controlando também os eventuais prejuízos para a organização aquando da ocorrência de um acidente no âmbito da segurança. 12 Caracteriza-se pelo facto de só comtemplar um chefe ou um só comandante responsável por toda a organização. 13 É um órgão responsável por aconselhar e auxiliar o chefe ou comandante, no exercício das suas funções, também é usual ser chamado de staff. A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 7

23 CAPÍTULO 1 ENQUADRAMENTO GERAL: A SEGURANÇA NAS ORGANIZAÇÕES Seguindo ainda a sua abordagem conclui-se que a segurança organizacional é um fator de gestão, que não deve ser descorada pelos órgãos de direção e chefia, pois é objeto de extrema importância, que facilita o regular funcionamento das organizações aumentando também a sua competitividade, enaltecendo assim os países em que essas organizações se inserem (Affonso, 2009). 1.4 SÍNTESE CONCLUSIVA No âmbito do estudo desenvolvido ao longo de todo este capítulo, evidencia-se essencialmente o facto do conceito de segurança ser de tal forma amplo que faz com que a sua abordagem de forma isolada se torne numa utopia imperecível. O conceito apesar de poder ser acostado de múltiplas formas, está ininterruptamente conectado à proteção das pessoas, sendo a sua relevância proporcional à percepção das ameaças vigentes. O alargamento do conceito ao nível nacional traduz-se na necessidade sentida pela liberdade, soberania, integridade, unidade e independência do povo, e pela salvaguarda colectiva das pessoas e dos seus bens materiais e espirituais, estando intimamente dependente da sua força económica, intelectual, moral e militar. Analogamente também as organizações com uma relevância característica na sociedade pressentiram a necessidade de imbuir o conceito no seio das suas agregações sociais, e isso atinge especial relevância após a II GM fortemente influenciada por forças militares. Também aqui (a segurança), constitui um fator relevante na gestão dos perigos e riscos inerentes às organizações, aumentando de igual modo a sua competitividade enaltecendo os países em que se inserem. No capítulo seguinte iremos adelgaçar ainda mais o tema da segurança e direciona-lo para a vertente que nos propusemos estudar. A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 8

24 CAPÍTULO 2 - ENQUADRAMENTO ESPECÍFICO: A SEGURANÇA MILITAR 2.1 SEGURANÇA MILITAR Com a crescente necessidade de proteção das comunidades foram-se desenvolvendo sistemas de segurança e defesa estruturados, que com o passar do tempo vieram dar origem a forças regulares dos Estados (Affonso, 2009). Desde de que se tem conhecimento da existência da palavra segurança, que esta tem vindo a estar ligada à dimensão militar, quase de forma exclusiva, existindo inclusivamente pensadores que defendiam um conceito mais abrangente de segurança, como é o caso de Richard Ullman in Tomé (2010) que criticava aqueles que defendiam que a segurança militar era o principal suporte da segurança de uma Nação, acabando por mudar de opinião alguns anos mais tarde, passando a reconhecer prontamente o valor e o contributo que a segurança militar desempenha no bem-estar de um povo evidenciando-se claramente em relação a outros tipos de segurança. A segurança militar poder-se-á definir como um estado que se alcança quando a informação classificada, o pessoal, as instalações e as actividades, estão protegidas contra a espionagem 14, sabotagem 15, terrorismo e subversão 16, bem como contra perdas ou acesso não autorizado. O termo também se aplica às medidas necessárias para se conseguir aquele estado (AA.VVl, 1986, p. D.6). Na Figura 2.1 observam-se os tres pilares fundamentais da segurança militar: segurança das informações; segurança do pessoal e segurança dos materiais e instalações, dentro de cada um desses grupos ainda existem um conjunto de medidas de segurança ativas e passivas, sendo que as ativas destinam-se a evitar violações de segurança e as passivas visam sobretudo minimizar os acidentes de após essa mesma violação ter ocorrido 17. Figura A segurança militar. 14 Ver Apêndice A Glossário de Conceitos. 15 Idem. 16 Idem. 17 Diretiva AA/CEME/10, de 22 Abr A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 9

25 CAPÍTULO 2 ENQUADRAMENTO ESPECÍFICO: A SEGURANÇA MILITAR A segurança dos materiais e das instalações é conseguida através da implementação de um conjunto de medidas ativas e passivas que têm como principal objetivo impedirem, ou na pior das hipóteses dificultarem a violação desses meios, provocadas por atos de sabotagem ou terrorismo. Este conjunto de medidas visam facilitar a reação a situações de calamidade contribuindo também para a segurança do pessoal e das informações, reforçando a segurança militar 18. Cada unidade militar 19 é responsável por garantir a sua própria segurança, apesar de poder ter o contributo de outras para o conseguir, a responsabilidade última é sempre da própria unidade. Assim para alcançar este objetivo deverá despender de um conjunto de esforços para desempenhar essa missão, rentabilizando ao máximo todos os recursos disponíveis, pois poderão fazer falta noutras funções também elas críticas, assim sendo, são desenvolvidas e postas em prática certas medidas ativas e passivas, para que se possa assim assegurar a segurança da unidade (AA.VVm, 1987) Medidas Ativas Este conjunto de medidas baseia-se num sistema organizado de medidas defensivas, composto por meios humanos e materiais, cujo principal objetivo é impedir qualquer tipo violação a materiais e instalações militares. Este tipo de medidas visa essencialmente a detecção atempada de possíveis ameaças, para que sejam tomadas medidas de modo a poderem ser neutralizadas oportunamente. São exemplo de medidas ativas, a execução de rondas, patrulhas 20 e sentinelas volantes 21, etc (AA.VVc, 1982) Medidas Passivas Este tipo de medidas complementam as anteriores, visando sobretudo prevenir e evitar violações de segurança. Delas fazem parte um conjunto de medidas e procedimentos adoptados para reduzir o risco das ameaças tais como: áreas de acesso condicionado, implementando restrições de acesso através da classificação das áreas a proteger de acordo com o grau de segurança atribuído e dos materiais ou outros elementos vitais que nelas existam; medidas de segurança físicas, baseadas na aplicação de dispositivos de proteção, tais como obstáculos ou guardas dispostos tanto no interior como no exterior das áreas de acesso condicionado a proteger; medidas de controlo de acessos, para evitar o acesso de elementos não autorizados a áreas de acesso condicionado; e planos de segurança devidamente pensados e atuais, por forma a impedir que sejam levadas a cabo atividades que se constituam ameaças para a segurança dos materiais e instalações Diretiva AA/CEME/10, de 22 Abr Ver Apêndice A Glossário de Conceitos. 20 Idem. 21 Idem. 22 Diretiva AA/CEME/10, de 22 Abr A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 10

26 CAPÍTULO 2 ENQUADRAMENTO ESPECÍFICO: A SEGURANÇA MILITAR 2.2 RESPONSÁVEIS DIRETOS PELA SEGURANÇA NUMA UNIDADE A segurança das unidades constitui um conjunto de medidas ativas e passivas com responsabilidades inerentes a cada militar de acordo com o posto e a função que desempenha. Seguidamente iremos evidenciar algumas das funções primárias dos militares que mais responsabilidades têm na segurança de uma unidade, dando especial enfoque à guarda de polícia, que por ser o primeiro elo desta corrente desempenha um papel fundamental neste processo Comandante O Comandante da unidade detém autoridade sobre todos os serviços e atividades que dela fazem parte. Tem os deveres e obrigações gerais prescritos nos diversos regulamentos, designadamente: promover a organização do serviço de segurança das suas instalações sendo o responsável máximo por todos os assuntos de segurança (AA.VVi, 2005) Oficial de Segurança O Oficial de segurança é o principal responsável por estudar, implementar e controlar um conjunto de medidas de segurança alusivas às comunicações, informações, pessoal e ao material e instalações. Relativamente à segurança do material e instalações cabe-lhe ainda o planeamento e a implementação de medidas de proteção física internas e externas à unidade focalizando essencialmente os pontos dominantes da unidade, os perímetros defensivos 23, pontos sensíveis 24, áreas de acesso condicionado, o controlo de acessos da unidade e o controlo de chaves (AA.VVc, 1982). Para além das responsabilidades referidas anteriormente, têm ainda o dever e a obrigação de elaborar e atualizar as NEP de segurança, realizar inspeções e investigações de segurança, e planear, coordenar e instruir todo o pessoal militar e civil na área da segurança (AA.VVc, 1982) Comandante de Companhia O comandante de companhia, dentro do seu escalão de comando, tem uma missão semelhante à do comandante da unidade. Ele é responsável por todos os serviços da sua companhia, respondendo por tudo o que à sua companhia lhe diga respeito perante o seu comandante de batalhão. Cabe-lhe também zelar pela segurança da unidade que comanda, bem como de eventuais arrecadações de equipamento ou armamento que se encontrem à carga da companhia (AA.VVi, 2005). 23 Muros, valas, redes, zonas armadilhadas, iluminação, dispositivos de alarme, etc. 24 Edifício de comando, casa da guarda, paióis e arrecadações de material de guerra, combustíveis, etc. A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 11

27 CAPÍTULO 2 ENQUADRAMENTO ESPECÍFICO: A SEGURANÇA MILITAR Militares de Serviço Interno Os militares nomeados para ao serviço interno da unidade tem como principal missão zelar pela segurança da unidade que servem, bem como, gerir e coordenar de forma disciplinada as atividades das diversas subunidades, precavendo também a possibilidade de se verificar uma eventual intervenção imediata. O pessoal de serviço é inseparável do aquartelamento, salvo em raras exceções, quando determinado superiormente. Devem ainda assegurar a continuidade do serviço, não o abandoando até que sejam rendidos. Geralmente o serviço tem uma duração de vinte e quatro horas (AA.VVh, 1986). Por norma, poderão ser nomeados para prestar serviço à unidade os seguintes militares: Um oficial de dia; um sargento de dia; um enfermeiro ou socorrista de dia; um amanuense de dia; um mecânico de dia; um corneteiro ou clarim de dia; um condutor de dia; um eletricista de dia e uma guarda de polícia, para além destes ainda poderá ainda ser nomeada uma força de intervenção. Destes aqueles que têm responsabilidades diretas na segurança de uma unidade são: o oficial de dia, o sargento de dia, a guarda de polícia e a força de intervenção, caso exista (AA.VVh, 1986) Oficial de Dia O oficial de dia é o responsável máximo por todo o pessoal de serviço. A ele cabe-lhe zelar pelo cumprimento de todas as normas de segurança. É da sua responsabilidade o controlo da saída e entrada de forças do aquartelamento, revistando-as sempre que estas não estejam a ser comandadas por um oficial ou não se desloquem para trabalhos ou instrução no exterior. Cabe-lhe também fiscalizar o controlo da entrada de estranhos no aquartelamento (AA.VVh, 1986) Sargento de Dia A principal função do sargento de dia é coadjuvar o oficial de dia em todos os serviços, seguindo as suas indicações (AA.VVh, 1986) Guarda de Polícia A guarda de polícia é uma força armada cujo objetivo principal é assegurar a defesa imediata do aquartelamento. Esta força por norma é comandada por um sargento (1º Sargento ou 2º Sargento), podendo também ser comandada por um oficial em raras exceções. O seu efetivo em praças deverá ser calculado multiplicando o número de sentinelas 25 necessárias por três 26, acrescentando os elementos necessários para efetuar as patrulhas, caso elas existam (AA.VVh, 1986, p. 42). 25 Ver Apêndice A Glossário de Conceitos. A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 12

28 CAPÍTULO 2 ENQUADRAMENTO ESPECÍFICO: A SEGURANÇA MILITAR Esta força deverá encontrar-se sempre pronta caso seja necessário uma intervenção imediata. Sendo que o seu comandante deverá andar sempre equipado e armado e as praças, no mínimo, equipadas e municiadas (AA.VVh, 1986). O comandante da guarda de polícia é responsável por todos os aspetos relativos à segurança imediata da unidade. Deve assegurar-se que todos os militares a seu cargo sabem qual é a sua função e certificar-se que a cumprem convenientemente de acordo com o que se encontra nos regulamentos. Deve ainda, assegurar-se da existência na casa da guarda, de um respetivo documento, onde se encontrem plasmadas as determinações de segurança relacionadas com a guarda. Esse documento deverá ser passado de comandante em comandante, e nele deve constar (no mínimo) o seguinte: composição da guarda em pessoal, armamento e munições; dispositivo e missões dos postos de sentinela; condições de emprego dos meios; conduta em caso de incidentes; disposição quanto às palavras passe; medidas contra incêndios e outras emergências; horário de encerramento dos acessos ao quartel; e o controlo de acessos ao quartel (AA.VVh, 1986, p. 42) Intervenção As forças de intervenção nascem da necessidade que os comandantes das unidades têm em ter uma força rapidamente disponível para fazer face a imprevistos que possam ocorrer, relacionados com a segurança, ou não, dentro ou fora da unidade. Esta força, durante os períodos de atividade plena poderá desenvolver as suas ocupações de serviço orgânico, mantendo-se sempre pronta para o caso de vir a ser chamada a intervir (AA.VVi, 2005). Os efetivos e grau de prontidão destas forças variam de acordo com a situação específica e com a intenção do comando da unidade. Estas forças poderão chamar-se de piquete ou permanências (AA.VVi, 2005). O piquete é uma força armada, normalmente de efetivo pelotão, deverá ser toda da mesma subunidade, podendo ser empregue diversas formas, dependendo das circunstâncias do momento (AA.VVi, 2005). As permanências poderão ser constituídas por efetivos de qualquer escalão ou posto podendo ser elementos operacionais ou de serviços técnicos. Este tipo de forças poderá servir para assegurar a eficiência do comando, reforçar o piquete ou desempenhar outra qualquer função que o comandante ache crucial. Por norma o grau de prontidão deste tipo de forças é menor que o piquete, podendo até não haver necessidade de estarem presentes na unidade caso a situação não o exija (AA.VVi, 2005). 26 Este valor deverá ser obtido, tendo em conta esta fórmula, para que se possa assegurar o descanso do pessoal de serviço, obtendo assim uma maior eficácia e eficiência dos recursos humanos e materiais disponíveis. A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 13

29 CAPÍTULO 2 ENQUADRAMENTO ESPECÍFICO: A SEGURANÇA MILITAR 2.3 CLASSIFICAÇÃO DE SEGURANÇA E ÁREAS E ESTADOS DE SEGURANÇA Classificação de Segurança As classificações de segurança 27 surgem da necessidade patente de se demarcarem as respetivas matérias classificadas, de acordo com o seu grau de importância. Esse procedimento é levado a cabo para que se possam delimitar um determinado conjunto de medidas de segurança que essas matérias devem gozar, quer em depósito, quer ao nível do seu manuseamento. Permitindo estabelecer o grau de habilitação dos indivíduos que tenham de tomar conhecimento das respetivas matérias (AA.VVl, 1986; AA.VVd, 1968). Os graus de classificação de segurança são quatro: MUITO SECRETO, SECRETO, CONFIDENCIAL e RESERVADO, podendo ainda em determinadas situações, a atribuição da indicação de NÃO CLASSIFICADO, embora este não se enquadre em nenhuma categoria de classificação (AA.VVl, 1986; AA.VVd, 1968) Áreas de Segurança Para que possam ser implementadas medidas de segurança local, torna-se necessário a classificação prévia das áreas que se pretendem proteger. Essa classificação é determinada de acordo com a dimensão e complexidade de cada área, o seu grau de importância, e o valor dos materiais ou das matérias nelas existentes (AA.VVc, 1982). Assim sedo, e tendo em conta todos esses fatores, são então classificadas em: Áreas de Segurança 28 de Classe 1, Áreas de Segurança de Classe 2 e Áreas de Segurança de Classe 3 ou Área administrativa, sendo a Classe 1 a mais restrita (AA.VVc, 1982) Estados de Segurança Os Estados de segurança 29 correspondem a diferentes graus de segurança implementados nas unidades, definindo de igual modo os respetivos graus de prontidão operacional dos seus meios. De uma forma geral, os estados de segurança são declarados preventivamente, e vão aumentando ou diminuindo gradualmente de acordo com o grau de ameaça expectável. No entanto também poderão ser declarados após a ocorrência de um determinado incidente, podendo o seu grau ser implementado sem qualquer aviso prévio 30. Os quatro estados de segurança encontram-se definidos por letras do alfabético fonético: ALFA, BRAVO, CHARLIE e DELTA, em que o ALFA representa o grau de segurança mais baixo, aumentando sucessivamente até ao último patamar (DELTA) Ver Anexo I Classificação de segurança. 28 Ver Anexo J Áreas de segurança. 29 Ver Anexo K Estados de segurança. 30 Diretiva AA/CEME/10, de 22 Abr 2010 & Diretiva Nº16/CEMGFA/89, de 16 Nov Idem. A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 14

30 CAPÍTULO 2 ENQUADRAMENTO ESPECÍFICO: A SEGURANÇA MILITAR 2.4 SÍNTESE CONCLUSIVA Como epítome deste capítulo evidencia-se essencialmente a conexão primordial da segurança à vertente militar, estando inteiramente ligada à proteção da informação classificada, do pessoal, e dos materiais e instalações. Cada um destes objetivos conseguese com a implementação de um conjunto de medidas ativas e passivas, da responsabilidade das respetivas unidades, e da demarcação de responsáveis diretos pela segurança das unidades, que são pessoas com uma responsabilidade acrescida neste âmbito. Para demarcar algumas medidas neste âmbito são ainda delimitadas certas medidas de segurança para a proteção de matérias e áreas sensíveis, sendo de igual modo implementados, por norma preventivamente, estados de segurança que determinam o grau de prontidão operacional das forças de acordo com a precessão das ameaças. Seguidamente explanaremos a metodologia desenvolvida durante todo o processo de investigação, para que possamos compreender melhor as técnicas e os processos de investigação que acompanharam todo este estudo. A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 15

31 CAPÍTULO 3 - METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO 3.1 ESTRATÉGIA METODOLÓGICA Qualquer trabalho de investigação necessita de estratégias metodológicas específicas, sendo estas desenvolvidas para definir as ferramentas de trabalho, bem como as técnicas e os procedimentos mais adequados a aplicar na pesquisa. Assim para levar a cabo esta investigação apoiamo-nos essencialmente em duas metodologias científicas: o método dedutivo, baseado num raciocínio que parte do geral para o particular, e o método inquisitivo, através de interrogatórios orais (Sarmento, 2008). As entrevistas apresentam-nos uma série de vantagens, pois possibilitam-nos avaliar a comunicação não-verbal dos entrevistados, conhece-los melhor e obter toda a informação pretendida (Reis, 2010). Estas foram elaboradas com base em vários testes efetuados a Oficiais, Sargentos e Praças, tendo este procedimento contribuído grandemente para a melhoria do guião final através do feedback que nos ia sendo transmitido pelas pessoas visadas. Espera-se assim que o conjunto de questões elaborado consiga representar o mais fielmente possível o real sentimento de cada um dos entrevistados, para assim procederemos à comprovação das hipóteses por nós levantadas, com o rigor que nos é exigido. Para a desocultação de significados, baseamo-nos essencialmente numa análise qualitativa (análise de conteúdo) pois tal como referem Silva e Pinto (2001, p. 107), é uma das técnicas de tratamento de informação que se pode exercer sobre material que não foi produzido com o fim de servir a investigação empírica. Este tipo de análise poder-se-á considerar extremamente vantajosa para o trabalho em questão, na medida em que nos permite também trabalhar sobre material não-estruturado, tornando-se assim numa boa ferramenta de trabalho para o tratamento dos resultados obtidos com as entrevistas por nós realizadas. 3.2 MODELO DE ANÁLISE Um modelo de análise é composto por um determinado número de conceitos e hipóteses articuladas entre si, formando assim um quadro de análise coerente e unificado. A delimitação de um modelo de análise preciso e objetivo torna-se assim num elemento extremamente útil no decorrer de todo o trabalho, desempenhando um papel fulcral na condução de toda a pesquisa, pois permite-nos obter um maior domínio no controlo da investigação evitando que ela se disperse em várias direções (Quivy & Campenhoudt, 2008). Em termos práticos o modelo de análise não passa de um esquema orientador, que poderá adquirir diversas formas dependendo das particularidades de cada investigação, da própria A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 16

32 CAPÍTULO 3 METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO metodologia e da forma de trabalhar adoptada por cada investigador. Neste quadro, e de acordo com os parâmetros plasmados anteriormente desenvolveu-se o modelo de análise 32 que se apresenta na Figura 3.1. Figura Modelo de análise. O racional que se desenvolveu para se analisar a segurança nas unidades teve como ponto de partida uma análise documental às normas de segurança vigentes em cada uma das unidades (NEP), seguida da percepção que as pessoas com responsabilidades diretas na segurança têm relativamente ao nível de segurança em que se encontra a unidade onde servem, nomeadamente: os comandantes das unidades 33, os oficiais de segurança, comandantes de companhia e os militares nomeados para o serviço interno à unidade, com responsabilidades ao nível da segurança, foi ainda, replicado o mesmo processo com exmilitares que deixaram a instituição recentemente (menos de 1 ano), pois apesar de conhecerem bem a unidade em que prestaram serviço, já não possuem qualquer ligação com a mesma transmitindo assim um ponto de vista de alguém que está por fora e que não teme qualquer tipo de represálias ou pressão psicológica. Este processo de análise foi aplicado de igual modo em todas as unidades estudadas, para se percepcionarem as possíveis caraterizações diferenciadas ao modo como é percebida a segurança nos vários níveis de responsabilidade (Oficiais, Sargentos, Praças). Este quadro de análise possibilitanos caraterizar a problemática em investigação (relativamente às medidas de segurança ativas e passivas), permitindo-nos assim efetuar um diagnóstico da situação atual da segurança das unidades de infantaria da BRR e apontar possíveis soluções ou melhorias a desenvolver, não só para estas unidades mas para todo o exército, pois de acordo com o Coronel Calado e o Major Cavaco, a forma como a segurança é mantida e as problemáticas que afetam as unidades militares não variam muito Devido aos constrangimentos surgidos, não nos foi possível a aplicação integral deste modelo por nós idealizado. 33 Ou na sua ausência, o comandante interino. 34 Ver Apêndice G Entrevista ao Coronel Calado e Apêndice H Entrevista ao Major Cavaco. A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 17

33 CAPÍTULO 3 METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO 3.3 OBJETO DE ESTUDO O objeto de estudo focalizou-se na análise da segurança nas unidades de infantaria da BRR, pretendendo assim efetuar uma caraterização da situação geral em que cada uma das unidades estudadas se encontra para que se possam vir a estudar eventuais propostas para o incremento da segurança, podendo-se tornar vantajosas para as unidades estudadas e eventualmente para outras com características semelhantes. 3.4 OBJETO DE PESQUISA Tendo em conta o objeto de estudo, optou-se por um estudo de caso a três unidades de forças especiais 35. A população alvo foi escolhida de acordo com as funções que cada um desempenhava dentro da unidade. O comandante, por ser ele o responsável por todos os serviços e atividades da unidade, tendo como obrigação por consequente, garantir a segurança de toda a unidade que comanda, o oficial de segurança que devido às funções desempenhadas tem uma responsabilidade acrescida neste âmbito, os comandantes de companhia por assumirem também eles todas as responsabilidades ao nível da segurança da unidade que comandam, os militares escalados para o serviço interno à unidade, devido às responsabilidades que têm neste âmbito. Por fim foi também alvo de estudo o pessoal civil que por ter prestado serviço nas respetivas unidades em estudo, conhecem bem esta realidade. Neste quadro, a população entrevistada 36 foi constituída por quatro oficiais superiores, três capitães/subalternos, três sargentos e três praças perfazendo um total de treze elementos. Esta análise metodológica permite-nos compreender a percepção que existe acerca do tema abordado aos diversos níveis 37 possibilitando-nos assim estabelecer relações entre as três unidades em estudo e verificar a forma como é produzida a segurança. 3.5 PRESSUPOSTOS DE PARTIDA Baseados no estudo e análise da literatura existente foram levantados os seguintes pressupostos de partida: Pressupõe-se que a base da formação dos recursos humanos das diversas unidades é semelhante dentro de cada uma das classes 38. Pressupõe-se que as NEP mais recentes se adaptem melhor à realidade atual das unidades. 35 CTC, CTOE e RI15, que devido às limitações, se reduziram a duas unidades (CTOE e RI15). 36 Inicialmente tinha sido pensado: seis oficiais superiores, nove capitães/subalternos, nove sargentos, nove praças e nove civis. Devido às condicionantes surgidas, assim não foi possível. 37 Oficiais, Sargentos e Praças. 38 Oficiais, Sargentos e Praças. A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 18

34 CAPÍTULO 3 METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO Pressupõe-se que a profissionalização do exército veio alterar a forma como é assegurada a segurança das unidades. Pressupõe-se que a crescente globalização a que temos vido a assistir, se traduz num progressivo aumento do sentimento de insegurança. Pressupõe-se que as unidades em estudo, por serem unidades de forças especiais onde existem níveis de formação mais exigentes, têm uma maior confiança em si próprios reduzindo assim o sentimento de insegurança. Esta análise tem como pressuposto de partida, uma situação normal de paz, no estado de segurança ALFA. 3.6 OPERACIONALIZAÇÃO DOS CONCEITOS A operacionalização de conceitos é uma fase intermédia do processo de investigação com uma relevância pertinente, servindo os conceitos aos quais recorremos para formular as hipóteses a traçar e os respetivos indicadores que vão emergir nas perguntas a realizar na entrevista a desenvolver. Na prática, esta refere-se à tradução empírica em que um conceito se liga a um objeto (Quivy & Campenhoudt, 2008). De acordo com a revisão da literatura desenvolvida, a metodologia de investigação delineada, o objeto teórico de estudo e de pesquisa, bem como os pressupostos de partida enunciados, desenvolveu-se a seguinte operacionalização de conceitos que se resume no quadro B Nestes foram exploradas as seguintes variáveis: segurança ativa e passiva. Identificando-se ainda duas sub-dimensões que compreendem: os recursos humanos e os materiais e equipamentos. Foram estas sub-dimensões que nos possibilitaram desenvolver como indicadores as questões que constam do apêndice E - guião das entrevistas. Perante este enquadramento delinearam-se as hipóteses de trabalho a desenvolver, apresentadas no ponto seguinte. 3.7 HIPÓTESES DO TRABALHO A elaboração de hipóteses na pesquisa científica por norma surge da observação de fenómenos da realidade ou através do resultado de pesquisas anteriores e teorias existentes, estas tentam assim responder ao problema levantado pelo tema que se pretende estudar, sendo como que uma resposta provável ou uma pré-solução do mesmo (Reis, 2010). Estas hipóteses não têm de obedecer a um conjunto estanque de regras específicas, o mais importante é que estas se enquadrem no percurso teórico levado a cabo pelo investigador (Oliveira, 2001). São diretrizes para uma pesquisa desenvolvida durante o processo de investigação, que: permitem o julgamento objetivo de alternativas para tratar 39 Ver apêndice B Operacionalização dos Conceitos. A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 19

35 CAPÍTULO 3 METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO um dado problema, viabilizam o direcionamento da investigação indicando o que deve ser pesquisado e permitem a dedução de formulações gerais e manifestações empíricas do objeto de pesquisa (Reis, 2010). Assim, e tendo por referência o enquadramento acima delineado foram levantadas as seguintes hipóteses de trabalho: H1 Sendo a globalização um facto cada vez mais atual, testa-se se existiu uma alteração ao nível das ameaças e do risco percepcionado relativamente ao passado. H2 Estando o país a atravessar um clima de dificuldades económicas, testa-se se a segurança das unidades é afetada. H3 Sendo as praças os elementos primários no que concerne à segurança física de uma unidade, testa-se se estes se encontram formados, com as competências necessárias para desempenhar as funções de segurança que lhe estão afetas. H4 Sendo a documentação normativa uma ferramenta crucial para a previsão de táticas, técnicas e procedimentos de medidas de segurança ativas e passivas, testa-se se as unidades estão dotadas de uma estrutura, capaz de as manter atualizadas de acordo com as necessidades do momento. H5 Sendo o perímetro de uma unidade o seu principal ponto de contato com o exterior, testa-se se esta dispõe das condições necessárias que garantam um elevado grau de inviolabilidade. 3.8 INSTRUMENTO DE RECOLHA DE INFORMAÇÃO A recolha de informação, apesar de ser uma atividade complexa, morosa e bastante trabalhosa é determinante e indispensável para a realização de todo e qualquer trabalho de investigação. Neste contexto usaram-se diversos instrumentos de recolha de dados, iniciando com uma pesquisa bibliográfica à literatura existente, para nos dotar de uma maior consciencialização do estado da arte em termos gerais sobre a temática a abordar, posteriormente, desenvolveu-se uma abordagem mais específica, tornando-se assim num suporte de partida para a enunciação do problema no qual se enquadra o objeto de estudo (Quivy & Campenhoudt, 2008), passando para uma análise documental, onde foram analisadas as NEP e outras normas e regulamentos afetos a cada uma das unidades em estudo; por fim seguiram-se as entrevistas, que segundo a perspectiva de Ghiglione e Matalon (2001) não passam de uma conversa tendo em vista um objetivo (p. 65). Neste caso o tipo de entrevista adoptado foi a semiestruturada, devido ao facto de permitir uma maior rentabilização do tempo disponível e uma abordagem bastante completa, proporcionando a A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 20

36 CAPÍTULO 3 METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO comparação de respostas (Reis, 2010), foram ainda usadas algumas entrevistas não estruturadas especialmente na fase exploratória do trabalho. As entrevistas foram todas elas gravadas para o auxílio na análise de conteúdo, sendo que os dados foram tratados sempre com a confidencialidade exigida e o seu conteúdo, usado apenas para o presente trabalho. 3.9 RECOLHA DE DADOS Para levar a cabo este estudo realizamos diversos contactos informais para desta forma se fazer um levantamento de todas as pessoas que reuniam as condições de serem entrevistadas. Esta primeira abordagem serviu também para estreitar laços de confiança entre o entrevistador e os entrevistados, colocando-os também a par do projeto de pesquisa, encorajando-os assim a participar de uma forma mais voluntariosa neste projeto. Contudo, e apesar deste procedimento, existiram fatores externos, que vieram a alterar a receptividade de cada um dos entrevistados, pois apesar dos feedbacks positivos que nos iam sendo transmitidos, alguns desses indivíduos vieram a alterar a sua posição em relação à sua participação neste trabalho. Por fim, seguiu-se a aplicação das entrevistas, que foram realizadas sempre de forma presencial para se uniformizarem processos, tendo os entrevistados sido sensibilizados, uma vez mais, dos procedimentos a adoptar para a realização da entrevista e da importância da mesma para a credibilidade de todo este trabalho de investigação LIMITAÇÕES DE TRABALHO Na elaboração deste trabalho de investigação surgiram alguns constrangimentos. Apesar de alguns já serem expectáveis antes do início deste estudo despontaram-se outros entraves, imprevisíveis, que passaremos a enunciar a seguir: Devido às limitações de tempo tivemos de optar por fazer um estudo de caso, baseado numa população pertencente às unidades da Infantaria da BRR. reconhecemos que teria sido mais proveitoso se esse mesmo estudo englobasse todas as unidades operacionais da BRR, aumentando de igual forma a população dos entrevistados, o que potencialmente diminuiria possíveis enviesamentos dos dados. A completa indisponibilidade demonstrada pelo comando do CTC 40 em contribuir para este trabalho, tornando-se assim no nosso maior constrangimento, não só pelas implicações diretas no nosso estudo, mas também pela grande quantidade de tempo por nós despendido durante todo este processo burocrático. 40 Apesar da receptividade demonstrada aquando da primeira abordagem. A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 21

37 CAPÍTULO 3 METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO As grandes restrições impostas pelo comando do CTOE, permitindo-nos entrevistar apenas um número muito restrito de oficiais superiores (o Cmdt e o Of de Seg). A desmedida dispersão das unidades em estudo constituiu um impedimento acrescido, pela dificuldade de deslocamento e pelo tempo e os recursos despendidos nos deslocamentos. O facto da segunda parte do estudo se realizar numa época habitual de férias, foi também um fator bastante desfavorável durante todo este estudo, dificultando grandemente a coordenação com as entidades a entrevistar. A burocracia exigida pela PJM para a concessão de entrevistas ou esclarecimentos no âmbito da segurança, traduzindo-se numa perda significativa de tempo, que acabou por inviabilizar as entrevistas que tínhamos planeado. Apesar de terem sido feitos vários esforços no sentido de entrar em contacto com exmilitares para que pudessem também eles contribuir abertamente para este trabalho, não nos foi possível a obtenção deste objetivo devido à indisponibilidade demonstrada pela quase totalidade das pessoas abordadas. Da pequena percentagem que se mostrou disponível, não nos foi possível (em tempo) o contacto presencial com os indivíduos, devido à sua grande dispersão pelo país. A dificuldade ou impossibilidade de acesso a determinados documentos classificados (NEP, etc), e em certos casos esse acesso era feito sob condições bastante restritas, o que dificultava bastante a sua análise. A incomodidade demonstrada por certas pessoas em contribuir abertamente para este trabalho, por se tratar de um tema algo sensível, traduzindo-se numa clara perda para o estudo. Todos estes constrangimentos, para além de terem limitado grandemente a estrutura e forma como se desenrolou o trabalho, traduziram-se ainda numa considerável perda de tempo e de recursos, elevando ainda mais os danos por eles causados SÍNTESE CONCLUSIVA Neste capítulo foram explanadas todas as estratégias metodológicas adoptadas na construção deste trabalho de investigação, começamos por delimitar um modelo de análise, que se traduz essencialmente na elaboração de um esquema orientador que define os moldes em que o processo de investigação se desenrola; definiu-se o objeto de estudo, centralizado na segurança das unidades de Infantaria da BRR; o objeto de pesquisa, que na prática materializa a população alvo para o estudo; apresentaram-se os pressupostos de partida, baseados no estudo e análise da literatura existente; explicou-se a operacionalização dos conceitos, donde resultaram as hipóteses plasmadas no ponto A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 22

38 CAPÍTULO 3 METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO seguinte que contribuiram para a delimitação de uma parte das questões a empregar nas entrevistas; definiram-se os instrumentos de recolha de informação, baseados essencialmente numa análise documental e no emprego de entrevistas; tendo ainda sido abordados os métodos utilizados na recolha de dados e as limitações de trabalho, limitações essas que traduziram numa perda significativa de tempo e recursos, comprometendo inevitavelmente todo o desenrolar da investigação desenvolvida. A próxima etapa dirá respeito à apresentação, análise e discussão dos resultados conseguidos. Esta é uma parte essencial do trabalho, dado interligar a teoria estudada com os estudos práticos resultantes, essencialmente, dos trabalhos de campo levados a cabo para a realização da investigação. A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 23

39 II - PARTE APRESENTAÇÃO ANÁLISE E DISCUSSÃO DE RESULTADOS CAPÍTULO 4 APRESENTAÇÃO ANÁLISE E DISCUSSÃO DE RESULTADOS A NÍVEL DOCUMENTAL 4.1 INTRODUÇÃO Após o término da recolha dos dados surge a necessidade de os apresentar e efetuar uma análise do seu conteúdo, tendo em conta esse objetivo foi organizado este capítulo que obedece a uma sequência lógica. Começaremos por efetuar uma apresentação e análise dos dados documentais recolhidos, passando posteriormente à análise e discussão dos resultados obtidos nas entrevistas realizadas. Neste quadro, ao nível da documentação de segurança a cargo das unidades, foram abordados os aspetos quantitativos e qualitativos de uma forma mais geral e abrangente, passando à posteriori para um estudo mais focalizado nas áreas com maior interesse para o trabalho. A discussão dos resultados tem também como objetivo efetuar uma comparação dos modos de atuar verificados em cada uma das unidades estudadas. 4.2 APRESENTAÇÃO DE DADOS A análise pormenorizada e exaustiva de todas as normas e regulamentos a cargo das unidades militares que comtemplaram este estudo tornar-se-ia numa tarefa impraticável, fruto não só da dimensão da documentação em causa, mas essencialmente, devido aos atributos peculiares a que este material está sujeito 41 por se tratar de documentação classificada. Assim sendo optamos por efetuar uma análise generalizada, abordando apenas a documentação mais relevante para o presente estudo. Apesar de as NEP de cada uma das unidades estudadas se encontrarem estruturadas de formas dissemelhantes, a sua formulação foi baseada em documentos e diretivas comuns a todas as unidades do exército, e neste caso particular à BRR, o que nos permite efetuar uma comparação de determinados procedimentos com um maior grau de rigor. 41 Impossibilidade de reprodução; consulta sob a vigilância de uma pessoa credenciada, etc. A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 24

40 CAPÍTULO 4 APRESENTAÇÃO ANÁLISE E DISCUSSÃO DOCUMENTAL Documentação de Segurança Como expresso no modelo de análise, foram observadas as NEP de segurança presentes nas unidades estudadas, pretendendo-se evidenciar essencialmente a quantidade de documentos presentes nas unidades e a data da sua última revisão. O Gráfico 1.1 resultou da análise às NEP de segurança do RI15 (trinta e sete NEP) 42 e do CTOE (vinte e quatro NEP) 43, onde podemos observar no eixo das ordenadas a quantidade de documentos, e no das abcissas a data da sua última revisão, sendo que no RI15 as NEP mais antigas foram revistas no ano de 1999, enquanto que as mais recentes são datadas de 2009, tal com é possível observar consultando o Apêndice C-Normas de Execução Permanente do RI15. Relativamente às NEP do CTOE, já se enquadram num espaço temporal mais reduzido, tendo a sua grande maioria sido alvo de revisão em 2008, havendo já uma delas que foi atualizada no presente ano como se pode constatar pela observação do Apêndice D-Normas de Execução Permanente do CTOE. Gráfico Última atualização das NEP do RI15 e CTOE Segurança do Material e Instalações Ao nível da análise documental, focalizamos essencialmente a segurança do material e instalações e os fatores que mais diretamente a influenciam, nomeadamente a guarda polícia, que é a força com um envolvimento mais direto na segurança do perímetro e das áreas sensíveis da unidade, sendo portanto aquela que deverá receber maior preponderância obteve no nosso estudo. Tal como referido nos pressupostos de partida, esta análise foi desencadeada para uma situação normal de paz, no estado de segurança ALFA. 42 Ver Apêndice C Normas de Execução Permanente do RI15 (Quadro C.1). 43 Ver Apêndice D Normas de Execução Permanente do CTOE (Quadro D.1). A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 25

41 CAPÍTULO 4 APRESENTAÇÃO ANÁLISE E DISCUSSÃO DOCUMENTAL Regimento de Infantaria Nº15 Segundo a NEP analisada o efetivo da guarda de polícia 44 do RI15 45 é variável, dependendo do estado de segurança que se encontre implementado. A partir do estado de segurança ALFA até ao estado de segurança DELTA, o efetivo vai aumentando progressivamente, tal como o número de postos de sentinela guarnecidos podendo estes atingir um máximo de quinze postos. Os postos são montados à ordem do oficial de acordo com o que se encontrar descrito no respetivo plano de alerta, plasmado em quatro envelopes que se encontram fechados e lacrados no gabinete do sargento da guarda e que só poderão ser abertos pelo oficial de dia aquando da entrada em vigor de cada um dos estados de segurança. Ainda na situação normal em tempo de paz, o efetivo da guarda de polícia poderá variar de acordo com a flutuação de efetivo de praças, prevendo-se para o estado de segurança ALFA a existência de um sargento Cmdt da guarda de polícia, um cabo da guarda e praças da guarda de efetivo suficiente para guarnecer no mínimo três postos de sentinela e uma ronda móvel de efetivo mínimo de parelha, do recolher 46 até à alvorada 47. As rondas ao aquartelamento deveram ser feitas pelos militares de serviço, praças ou graduados, sendo o seu percurso definido pelo Cmdt da força, tendo sempre em atenção aos pontos sensíveis da unidade, ao perímetro e à ligação que é necessário manter entre os postos de vigia. O sargento Cmdt da guarda deverá estar armado com uma pistola e com um carregador selado, sendo que os restantes elementos da guarda devem estar armados de espingarda com um carregador municiado com uma munição de salva introduzido na arma e dois carregadores no porta carregador com dezassete munições reais mais uma de salva que deverá ser a primeira 48. A guarda de polícia tem ainda a seu encargo o controlo de todos os militares e civis, bem como viaturas autorizadas a entrar na unidade. O pessoal civil só deverá ter acesso à unidade das nove às dezassete e trinta, salvo raras exceções, mediante autorização da Secção de Operações Informações e Segurança (SOIS). Os militares poderão entrar e sair livremente até ao fecho do portão que têm lugar à meia-noite, hora a partir da qual só se pode entrar na unidade, não sendo permitida a saída de militares sem a autorização Apesar de não se encontrar definido em nenhum dos documentos analisados, um número quantificável de militares que devem fazer parte da guarda de polícia do RI15, o efetivo atualmente usado é de um sargento, um cabo e nove soldados. 45 O RI15 localiza-se em Tomar, tendo o seu perímetro uma extensão aproximada de 1800 metros. 46 Meia-noite é a hora do recolher. 47 A alvorada é às sete horas. 48 NEP Guarda de polícia ao quartel, NEP Controlo de acessos a pessoal estranho à unidade, 2009 & NEP Controlo de abertura dos portões do quartel, A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 26

42 CAPÍTULO 4 APRESENTAÇÃO ANÁLISE E DISCUSSÃO DOCUMENTAL Centro de Tropas de Operações Especiais De acordo com os documentos analisados, o efetivo da guarda de polícia do CTOE 50 varia de acordo com o polo em causa. Estando previsto para o estado de segurança ALFA, e para o aquartelamento de Penude, um efetivo de um sargento Cmdt da guarda de polícia e três praças da guarda responsáveis por guarnecer o posto de controlo de acessos. Para o aquartelamento de Santa Cruz, o efetivo é de: um sargento responsável pelo comando da guarda, um cabo da guarda e três praças sendo estes, responsáveis por guarnecer dois postos, o de sentinela de armas e o do controlo de acessos à unidade. Por fim, para o aquartelamento da Cruz Alta, o efetivo é um sargento da guarda e quatro praças responsáveis pelo guarnecimento do posto de controlo de acessos. Assim sendo pode-se findar, concluindo que o efetivo total empregue no CTOE na guarda à unidade é de: três sargentos, um cabo e dez praças da guarda. Estando os sargentos armados de pistola, com um carregador vazio introduzido na arma e dois carregadores com cinco munições reais cada, devidamente selados e introduzidos no coldre. As praças encontram-se armadas de espingarda automática, com sabre baioneta introduzido e um carregador municiado com apenas uma munição de salva, tendo dois carregadores com dez munições reais cada ambos procedidos de uma munição de salva, devidamente selados e guardados nos porta carregadores. As rondas internas a efetuar a cada um dos aquartelamentos são asseguradas pelos graduados de serviço, devendo ter especial atenção aos pontos críticos da unidade. Os acessos aos aquartelamentos são da responsabilidade do comandante da guarda, devendo este providenciar para que se efetuem revistas a sacos, malas, caixas, embrulhos e viaturas, sempre que surjam dúvidas em relação ao conteúdo dos mesmos ou for ordenado superiormente. Os oficiais e sargentos do CTOE, sempre que reconhecidos pelo sentinela poderão entrar na unidade sem a necessidade de serem identificados, os praças terão de mostrar sempre o cartão de identidade militar, sendo que os civis ou militares externos à unidade só poderão entrar em qualquer aquartelamento mediante autorização superior, devendo ser sempre acompanhados por elemento da guarda sempre que se encontrem no interior da unidade. O portão de acesso a cada um dos aquartelamentos encontra-se fechado desde o período do recolher 51 até à alvorada 52 e sempre que se torne necessário a sua abertura durante este intervalo de tempo, deverá ser sempre mediante a presença do oficial de dia O CTOE é a unidade militar estudada mais a norte do território nacional, a sua sede encontra-se na cidade de Lamego. Esta é uma unidade com características particulares, uma vez que se divide em três polos principais: Penude, Santa Cruz e Cruz Alta, sendo a distância entre os dois polos mais afastados de 3800 metros. 51 Tem lugar às 21:30, excepto de 21 de Junho a 23 de Setembro que é às 22: Às 7:00, nos dias de atividade normal, e às 7:30 nos dias de atividade reduzida. 53 NEP Segurança aos aquartelamentos e messes, A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 27

43 CAPÍTULO 4 APRESENTAÇÃO ANÁLISE E DISCUSSÃO DOCUMENTAL 4.3 ANÁLISE E DISCUSSÃO DE DADOS No Quadro 4.1 encontra-se um resumo dos aspetos mais relevantes no que concerne aos dados documentais recolhidos e apresentados anteriormente. Através do presente quadro já é possível observar diferenças claras relativamente à forma como são abordadas as questões da segurança em ambas as unidades. Quadro 4.1- Quadro de resultados. NEP Efetivo da Guarda de Polícia Armamento e munições Horário dos Portões RI15 CTOE Quantidade Atualidade Data média:09-dez-2004 Data média:07-set-2008 Sargentos Cabos 1 1 Praças Sargentos Pistola/8 munições Pistola/10 munições Cabos Espingarda/34 munições Espingarda com Sabre/20 munições Praças Espingarda/34 munições Espingarda com Sabre/20 munições Abertura Atividade normal-07:00/reduzida-07:30 Atividade normal-07:00/reduzida-07:30 Fecho 00:00 Período normal-21:30/verão-22:00 Postos Guarnecidos Rondas Praças/Graduados Graduados No que diz respeito à documentação de segurança das unidades, constata-se uma maior quantidade de NEP no RI15 em relação ao CTOE, não querendo isso dizer que existam um menor número de situações contempladas nas NEP do CTOE, porque pela análise que se conseguiu fazer verificou-se que as NEP do CTOE, apesar de o seu conteúdo ser mais condensado, fazem referência praticamente a todos o tópicos presentes nas NEP do RI15. No entanto, se olharmos para a sua atualidade a situação inverte-se, sendo o RI15 a unidade com as NEP menos atuais, encontrando-se a sua média de idades em nove de Dezembro de 2004, enquanto que as do CTOE se encontram situadas em sete de Setembro de 2008, o que representa já, uma diferença de idades algo significativa (cerca de quatro anos) revelando assim uma maior atenção por parte do CTOE em manter as normas de segurança atualizadas. Relativamente à constituição do efetivo da guarda, pode-se observar uma maior quantidade de recursos humanos no CTOE, com um total de três sargentos, um cabo, e dez soldados, sendo que no RI15 a segurança da unidade é garantida com um sargento, um cabo e nove soldados, no entanto é importante referir que o CTOE é uma unidade dividida em três polos principais, enquanto que o RI15 é uma unidade contida num único aquartelamento, assim se tivermos em conta este aspeto, constata-se uma menor quantidade de efetivos por aquartelamento, no CTOE. A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 28

44 CAPÍTULO 4 APRESENTAÇÃO ANÁLISE E DISCUSSÃO DOCUMENTAL O armamento é semelhante em ambas as unidades, sendo que a única diferença é que as praças no CTOE usam o sabre baioneta na arma tornando-se útil no combate Quanto ao armamento é semelhante em ambas as unidades, sendo que a única diferença é que as praças no CTOE, usam o sabre baioneta na arma, tornando-se útil no combate corpo-acorpo. Ao nível das munições usadas pelo pessoal de serviço, assemelha-se se estivermos a falar dos sargentos, no entanto já se observam diferenças significativas ao nível das praças, possuindo os militares do RI15 um maior poder de fogo caso se torne necessário uma intervenção imediata. Outro aspeto interessante é o facto de, existir uma grande diferença entre a hora do recolher de ambas unidades, o recolher é uma etapa que marca a hora a partir da qual os militares deixam de estar autorizados a permanecer fora da unidade, salvo raras exceções e sempre com a devida autorização dos respetivos comandos. Neste caso observamos uma maior benevolência por parte do RI15 em manter os portões da porta de armas abertos 54 até mais tarde (meia-noite), tornando-se mais prático para o dia-a-dia dos militares que dela fazem parte, no entanto torna-se desvantajoso para a segurança da unidade, não só pelas implicações diretas que daí advém por ser um ponto de acesso à unidade, mas também pelo desgaste acrescido provocado no pessoal de serviço à porta de armas, podendo-se traduzir numa perda de rendimento dos militares da guarda. Outro aspeto com relativa importância é o facto de no CTOE o efetivo da guarda de polícia não ser suficiente para guarnecer o mesmo número de postos contemplados para o RI15, sendo que, enquanto no RI15 o efetivo é de tal ordem que permite o guarnecimento de três postos, no CTOE isso já não se verifica, tendo as rondas de ser asseguradas apenas pelos graduados de serviço, pois os restantes militares da guarda não são em número suficiente para o poderem fazer. 54 A abertura e o fecho dos portões nas unidades, estão associados à hora da alvorada e recolher. A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 29

45 CAPÍTULO 4 APRESENTAÇÃO ANÁLISE E DISCUSSÃO DOCUMENTAL CAPÍTULO 5 APRESENTAÇÃO ANÁLISE E DISCUSSÃO DE RESULTADOS DAS ENTREVISTAS 5.1 INTRODUÇÃO Neste capítulo passaremos à apresentação, análise, e discussão dos resultados das entrevistas. Para a apresentação dos resultados foram utilizados quadros onde vêm reproduzidas as respetivas respostas, seguindo-se a sua análise de conteúdo. A utilização deste método de apresentação e análise de dados prende-se essencialmente com o facto de permitir ao leitor ter uma percepção mais direta e facilitada dos objetos de estudo, pois a análise de resultados segue-se imediatamente após a sua apresentação. Depois da apresentação e análise realiza-se uma breve discussão dos conteúdos obtidos. 5.2 CARATERIZAÇÃO DA POPULAÇÃO De acordo com o objeto de estudo, optou-se por aplicar as entrevistas às entidades mais envolvidas na segurança das unidades. A disposição (nos quadros que se seguem) de cada um dos entrevistados, obedece a uma sequência lógica. Os indivíduos foram agrupados de acordo com a respetiva classe em que se inserem 55, tendo sido ordenados dentro de cada classe de acordo com a unidade em que prestam serviço 56. Durante todo este processo tivemos ainda em consideração às funções desempenhadas por cada um dos militares e a sua respetiva antiguidade. No Quadro 5.1 resumem-se as variáveis da população entrevistada. Quadro 5.1- Variáveis da população entrevistada. 55 Oficiais superiores; Capitães e Subalternos; Sargentos e Praças. 56 O facto dos militares do RI15 terem assumido os lugares cimeiros dentro de cada classe, deve-se unicamente ao facto de esta ter sido a primeira unidade a ser estudada. A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 30

46 CAPÍTULO 5 APRESENTAÇÃO ANÁLISE E DISCUSSÃO DAS ENTREVISTAS 5.3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE CONTEÚDO DAS ENTREVISTAS ANÁLISE DE CONTEÚDO À QUESTÃO Nº1 No Quadro 5.2 apresenta-se a análise de conteúdo à questão nº1 57. Todos os entrevistados com um tempo de serviço igual ou inferior a dez anos, consideraram que não existiram alterações ao nível das ameaças. Já os restantes elementos admitiram que existiu uma alteração significativa das ameaças atuais, em relação às que existiam aquando da sua entrada para a instituição. A esmagadora maioria dos entrevistados (92,3%) admite que existe uma clara alteração nas ameaças atualmente percepcionadas, nomeadamente: o terrorismo, o crime organizado, a proliferação de armamento, etc. O restante 7,7% considerou como ameaças mais relevantes, aquelas que provêm do seio da instituição, referindo-se à natureza dos recursos humanos provindos de uma sociedade com costumes e tradições diferentes das de outrora. Quadro 5.2- Análise de conteúdo à questão nº1. Entrevistados Afirmativa Negativa Argumentação 1 X - As maiores ameaças encontram-se dentro da instituição ( ) o pessoal que é admitido, não é tão credível como no tempo do SMO ( ) neste momento o exército é um escape, temos cá de tudo. - Não, obviamente que as ameaças mudaram ( ) terrorismo, crime, organizado, 2 X etc ( ) dantes não era tão usual ouvir-se falar disso. - Não ( ) existe um incremento na área do narcotráfico, tráfico de seres humanos, 3 X crime organizado ( ) existe um potencial de podermos vir a ser alvos de ataques terroristas ( ) os países mais frágeis da OTAN, estão mais sujeitos a ataques terroristas ( ) é mais fácil atacar os países mais desprotegidos, da OTAN ou da EU. - Atualmente o potencial de ameaça é maior ( ) e começamo-nos a aperceber 4 X disso, após o onze de Setembro de Sim, as ameaças são as mesmas, já na altura era comum falar-se desta nova tipologia de ameaças (Terrorismo, crime organizado), ( ) deixou-se de dar tanta 5 X importância às ameaças mais convencionais que vinham ainda do tempo da Guerra Fria. - Sim são as mesmas ( ) entrei para a Academia depois do 11 de Setembro, que do meu ponto de vista é o ponto de viragem ao nível da tipologia das ameaças. 6 X - Terrorismo, crime organizado, proliferação de armamento ( ) resulta ( ) das assimetrias politicas, económicas e sociais entre civilizações. 7 X - Sim, mantem-se tudo na mesma, terrorismo, crime organizado,etc. 8 X - não. Antes do onze de Setembro não se ouvia falar de terrorismo, crime organizado ( ) agora o pessoal está mais ciente dessa realidade ( ) mais precavido também - Não. Os tempos eram diferentes, até mesmo nos noticiários não ouvíamos falar 9 X de ataques terroristas, ou se ouvíamos era muito esporadicamente. - Não. Na época que entrei para o exército quase nem se ouvia falar de terrorismo, 10 X agora é a toda a hora. - As ameaças mantém-se as mesmas. A principal ameaça que eu identifico 11 X atualmente para o nosso país é o crime organizado. 12 X - Sim são as mesmas ( ) também já se falava de terrorismo, etc. - Sim. Desde que entrei para o exército até hoje, as ameaças não mudaram muito 13 X ( ) a maior ameaça é o terrorismo. 57 Ver Apêndice E Guião das Entrevistas. A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 31

47 CAPÍTULO 5 APRESENTAÇÃO ANÁLISE E DISCUSSÃO DAS ENTREVISTAS ANÁLISE DE CONTEÚDO À QUESTÃO Nº2 No Quadro 5.3 apresenta-se a análise de conteúdo à questão nº2 58. Em resposta à questão anterior, 53,8% dos entrevistados reconhece como prioritário, a tomada de medidas internas a nível institucional, no sentido de reforçar a segurança física 59 das unidades através da implementação de novos sistemas e equipamentos segurança ou da restruturação de determinados fatores estruturais. Tendo 30,8% dos entrevistados dado maior relevância à tomada de medidas a nível nacional, defendendo essencialmente o reforço do Sistema de Informação e Segurança (SIS) nacional, bem como o aumento da cooperação com agências internacionais de segurança. Os restantes 15,4% dos entrevistados admitiu não ter qualquer opinião relativamente ao assunto abordado. Quadro 5.3- Análise de conteúdo à questão nº2. Entrevistados Internas (uni 1 X dade 2 X Externas 3 X 4 X 5 X 6 X 7 X 8 X 9 X 10 X Argumentação - Rever a carreira dos praças, para que possamos manter dentro da instituição aquele pessoal que nós consideramos bom. - Videovigilância nos pontos sensíveis da unidade, e um piquete de militares de reserva na casa da guarda, para uma possível intervenção imediata. - O incremento dos sistemas de informação e segurança do país, e maior colaboração internacional ( ) uma maior colaboração das forças armadas com as forças policiais, mas só se se justificar. - Potenciar o sistema de informações nacional e estreitar uma maior colaboração com entidades internacionais. - o reforço do perímetro à semelhança do que se vê nos teatros de operações ( ) placas de betão prefabricadas para reforçar o perímetro nos locais onde não existem muros, em simultâneo com outros sistemas ( ) sacos ( ) de terra e pedras e colocam-se dentro de uma rede, que servem ( ) para fortificar o perímetro das unidades. Estes sistemas, para além de não serem muito caros, são práticos e amoveis e têm ainda a vantagem de poderem ser montados com relativa rapidez ( ) o que ficaria mais caro seria o gasóleo e a manutenção das máquinas de engenharia, pois terra e pedras é o que mais há. - Uma maior aposta na recolha de informações, melhorando o nosso Sistema de Informações de Segurança (SIS), e instituir uma maior cooperação com outras agências de informações internacionais. - Sermos mais rigorosos à porta de armas, controlar melhor quem se deixa entrar na unidade. - Substituir o arame farpado por um muro; umas câmaras de vigilância, e o perímetro da unidade bem iluminado. - Rádios portáteis para o pessoal das rondas para contactar a casa da guarda ( ) pois têm de se dirigir a um determinado local, onde temos instalado um telefone (P/BLC-101) ( ) pois como sabemos os telemóveis são de longe equipamentos desaconselháveis para o uso no nosso meio. - Reforçar a segurança do perímetro ( ) construir um muro em redor de toda a unidade 11 X -Colocar mais policiamento nas ruas, e melhorar a investigação criminal Não faço ideia 13 - Não sei. 58 Ver Apêndice E Guião das Entrevistas. 59 Ver Apêndice A Glossário de Conceitos. A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 32

48 CAPÍTULO 5 APRESENTAÇÃO ANÁLISE E DISCUSSÃO DAS ENTREVISTAS ANÁLISE DE CONTEÚDO À QUESTÃO Nº3 No Quadro 5.4 apresenta-se a análise de conteúdo à questão nº3 60. Em resposta a esta questão, apenas os militares do RI15 admitem ser conhecedores de certas lacunas presentes na sua unidade, identificando quatro fraquezas relevantes: arame farpado em mau estado de conservação (repete-se oito vezes), falta de iluminação ou iluminação deficitária (repete-se cinco vezes), falta de recursos humanos para reforçar a segurança da unidade (repete-se três vezes) e a existência de construções demasiado próximas do perímetro da unidade (repete-se duas vezes). Os dois oficiais entrevistados no CTOE, admitem não existir qualquer lacuna na segurança da sua unidade, afirmando que caso isso se verificasse já teria sido reportado ao escalão superior. Quadro 5.4- Análise de conteúdo à questão nº3. Entrevistados Argumentação - Falta de recursos humanos ( ) de resto, poderá haver uma coisa ou outra que necessite de uma 1 pequena reparação, um luz que não funciona, etc, mas também vamos fazendo um esforço para ir tentando resolver esses problemas. - A falta de efetivos ( ) a unidade têm um perímetro de cerca de dois quilómetros ( ) não tenho 2 segurança permanente em todo o perímetro. Tenho apenas três postos de vigilância. - As fraquezas têm de ser declaradas pela cadeia de comando, e enquanto isso não se verificar, não 3 existem fraquezas ( ) aqui não existem fraquezas nem dificuldades com recursos financeiros ou humanos. - Eu não vejo nenhuma carência no âmbito da segurança, senão já a teria reportado ao escalão superior 4 ( ) nós também temos de adequar a segurança aos recursos. - Vedação danificada ( ) o perímetro da unidade, tal como muitas unidades espalhadas pelo país fora, já sofre, pela idade; - Falta de iluminação durante a noite ( ) entrar para dentro da unidade sem se estar autorizado é fácil, 5 basta cortar o arame farpado e entrar; - As construções civis em volta das unidades, muito por culpa das autoridades civis e mesmo até do próprio exército que não faz pressão para que isso aconteça. - A falta de iluminação em torno do perímetro; 6 - A rede e o arame que delimitam o perímetro em mau estado. - Arame farpado em mau estado, deveria ser substituído por um muro. 7 - Falta de recursos humanos para fazer segurança ( ) as falhas que existem são mais ao nível da segurança do perímetro, porque a segurança do interior até é aceitável. - Há várias ( ) grande parte do perímetro é de arame farpado, arame ( ) velho, ferrugento, em certos sítios até já está partido ( ) edifícios junto à vedação da unidade ( ) há certos postos onde a vegetação 8 do lado de fora está a tapar a visibilidade e o individuo que lá está de certeza que não consegue ver mais de sete ou oito metros ( ) falta de iluminação exterior. - O facto de parte da vedação ser de arame farpado e de estar em mau estado ( ) mas mesmo que 9 estivesse novo continuava a ser uma lacuna, pois qualquer alicate consegue cortar facilmente o arame O arame em mau estado e Fraca iluminação junto à rede Fraca iluminação junto à rede O arame farpado em volta do perímetro da unidade já está um pouco danificado O arame farpado está em mau estado. 60 Ver Apêndice E Guião das Entrevistas. A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 33

49 CAPÍTULO 5 APRESENTAÇÃO ANÁLISE E DISCUSSÃO DAS ENTREVISTAS ANÁLISE DE CONTEÚDO À QUESTÃO Nº4 No Quadro 5.5 apresenta-se a análise de conteúdo à questão nº4 61. No seguimento da análise às respostas dos entrevistados que responderam ser conhecedores de certas lacunas na sua unidade, destacam-se essencialmente duas causas relevantes: escassez de recursos financeiros (repete-se nove vezes) e a carência de recursos humanos (repete-se quatro vezes). Quadro 5.5- Análise de conteúdo à questão nº4. Entrevistados Argumentação 1 - A falta de recursos humanos. - Falta de efetivos ( ) as unidades foram criadas para albergar um determinado número de pessoas, neste caso no RI15 estamos a falar de cerca de dois mil Homens. Com a redução drástica de efetivos a 2 que temos vindo a assistir, é natural que a segurança seja também ela afetada, pois a área para vigiar mantem-se mas o pessoal é em menor quantidade. 3 -Não existem fraquezas, e isso deve-se também ao facto de a unidade estar dividida em três aquartelamentos e duas messes, caso exista um ataque parcelar a um aquartelamento, não afeta a unidade toda ( ) e os militares presentes nos restantes aquartelamentos viriam logo em socorro do local que estivesse a ser atacado ( ) o facto de estar fragmentada é uma mais-valia para a segurança, o único contra, é que absorve mais efetivos e mais recursos financeiros. 4 -Não existem fraquezas. - À falta de recursos financeiros, e à cada vez menor influência, do nosso exército, perante as autoridades 5 civis. - A falta de recursos financeiros; à falta de recursos humanos ( ) existe uma sobrecarga do pessoal que 6 está de serviço, pois o que dantes era feito por dois, agora têm de ser feito por um só elemento; há existência de certos pensamentos retrógrados dentro da instituição. 7 - Aos cortes orçamentais ( ) cada vez mais somos obrigados a fazer o mesmo com menos. - À falta de recursos económicos e financeiros ( ) era costume ( ) a unidade à noite estar iluminada, especialmente nas zonas mais sensíveis, como é o caso do perímetro exterior, hoje em dia ( ) a unidade 8 está praticamente às escuras ( ) falta de consciencialização das entidades civis perante a realidade dos militares ( ) no início não havia construções junto ao quartel e agora isto está cheio de edifícios. - à falta de recursos financeiros. Pois falta dinheiro, não se fazem determinadas obras, não se 9 adquirem determinados equipamentos 10 - Falta de recursos financeiros, e à falta de recursos humanos A falta de recursos financeiros Falta de recursos financeiros Falta de recursos financeiros. ANÁLISE DE CONTEÚDO À QUESTÃO Nº5 No Quadro 5.6 apresenta-se a análise de conteúdo à questão nº5 62. Na resposta a esta questão, apenas os elementos do CTOE responderam existir uma menor possibilidade de a sua unidade vir a sofrer falhas de segurança, alegando o facto de atualmente, existir uma maior preparação dos recursos humanos, compensando claramente a diminuição de efetivos. A esmagadora maioria dos militares do RI15 (90,9%) refere que essa possibilidade se mantém, fazendo alusão a diversos fatores, dos quais se destacam, o facto da tecnologia ter vindo compensar a falta de recursos humanos, ideia defendida principalmente pelos entrevistados com mais tempo de serviço, sendo que os militares presentes à menos tempo na instituição, sustentam-se no veredicto de ainda não ter passado um grande período de tempo desde a sua entrada para o exército até à atualidade, 61 Ver Apêndice E Guião das Entrevistas. 62 Idem. A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 34

50 CAPÍTULO 5 APRESENTAÇÃO ANÁLISE E DISCUSSÃO DAS ENTREVISTAS concluindo assim, não serem conhecedores de mudanças significativas. Apenas um militar do RI15 (9,1%) admitiu existir hoje um risco superior ao passado. Quadro 5.6- Análise de conteúdo à questão nº5. Entrevistados Menor Igual Maior Argumentação 1 X - Mantém-se tudo na mesma ( ) havia mais pessoal mas agora existem outro meios, nomeadamente tecnológicos ( ) no entanto não há nada que nos indique que tudo irá continuar como está agora ( ) quando as pessoas deixam de ter dinheiro, deixam de poder alimentar as famílias, vale tudo, e tendo isso em conta, não sei o que é que poderá acontecer daqui para a frente. 2 X -Deve-se à conjuntura social, política e económica atual. - O risco é menor, porque atualmente a tropa está melhor preparada que na época 3 X em que eu era Alferes. Na altura os contingentes eram maiores, tínhamos três oficiais de serviço ( ) agora temos um ( ) mas nós também não temos tido falta de recursos humanos, muito pelo contrário, temos tido sempre mais voluntários que as vagas disponíveis ( ) mas ao nível do exército acho que estamos pior. - É menor ( ) naquela época havia mais recursos humanos, mas neste momento 4 X o pessoal está mais preparado 5 X - É igual ( ) já ingressei no exército no novo milénio - É maior, visto que o sistema de segurança que temos implementado, baseia-se 6 X na existência de pessoal. Com a redução drástica de efetivos que temos vindo a assistir, vamos reduzindo os elementos de serviço de guarda, mas o perímetro que temos para vigiar mantem-se e os elementos físicos que temos a limita-lo cada vez se vão degradando mais. 7 X - É igual ( ) também ainda não passou muito tempo desde a minha entrada 8 X - mantém-se. Isto depois também vai depender do estado de segurança em que nos encontramos ( ) se alterar, por existir um grau de ameaça superior os postos e a segurança é reforçada com pessoal. 9 X - Mantem-se igual ( ) relativamente à segurança do interior da unidade, ( ) hoje em dia existe uma maior segurança, devido à implementação de novas tecnologias ( ) quanto à segurança do perímetro da unidade garantidamente que estamos pior, devido à falta de pessoal que existe, porque está-se sempre a falar da necessidade de se reduzirem os efetivos, mas depois temos de fazer as mesmas coisas com muito menos pessoal aumentando assim o cansaço do pessoal tendo mesmo de se desativar postos de vigilância em certos casos. 10 X - É igual, na altura havia mais pessoal, mas agora há mais tecnologia 11 X - Como as ameaças são as mesmas, por isso o risco mantem-se. 12 X - É igual. 13 X - Mantém-se. ANÁLISE DE CONTEÚDO À QUESTÃO Nº6 No Quadro 5.7 apresenta-se a análise de conteúdo à questão nº6 63. Esta questão foi dirigida às praças da guarda de polícia, tendo todos eles respondido negativamente, quando questionados se era usual a consulta de documentação normativa, antes da realização do serviço de guarda de polícia, afirmando apoiarem-se nos graduados de serviço sempre que surja alguma dúvida. Quadro 5.7- Análise de conteúdo à questão nº6. Entrevistados Afirmativa Negativa Argumentação 11 X 12 X 13 X - Não. Eu pessoalmente não costumo consultar qualquer documento ( ) qualquer dúvida que surja há sempre pessoal mais antigo e com mais experiência para nos esclarecer. - Não dou grande importância a isso. As indicações dos graduados de serviço são suficientes. - Não, cinjo-me apenas às indicações que me são transmitidas pelos meus superiores hierárquicos. 63 Ver Apêndice E Guião das Entrevistas. A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 35

51 CAPÍTULO 5 APRESENTAÇÃO ANÁLISE E DISCUSSÃO DAS ENTREVISTAS ANÁLISE DE CONTEÚDO À QUESTÃO Nº7 No Quadro 5.8 apresenta-se a análise de conteúdo à questão nº7 64. Esta questão foi aplicada apenas aos oficias e sargentos, sendo que 90% dos entrevistados afirma, que a unidade dispõe dos mecanismos necessários para a atualização atempada das normas e procedimentos de segurança, acrescentado ainda que as NEP da sua unidade se encontram devidamente atualizadas para fazer face à realidade atual. Apenas um dos entrevistados (10%) reconheceu não existir essa capacidade, alegando o facto das NEP carecerem de uma revisão constante, algo que não se tem verificado. Quadro 5.8- Análise de conteúdo à questão nº7. Entrevistados Afirmativa Negativa Argumentação - Sim. O problema, que por vezes não conseguimos cumprir à risca, o que vem descrito nos regulamentos, por exemplo: o que vem descrito nos regulamentos é que o pessoal para ter acesso a determinadas áreas de segurança deverá estar 1 X credenciado, mas neste momento nós não conseguimos credenciar os quarteleiros, porque existe uma indicação de que as credenciações estão suspensas. - Sim, consegue-se adaptar as NEP sempre que se justifique ( ) mas há sempre pormenores que podem ser constantemente alterados. 2 X - As NEP têm um problema: adaptam-se constantemente à quantidade de militares que temos, ou seja: as NEP estão sempre a ser alteradas, face à redução de efetivos. - Sim as NEP têm-se conseguido atualizar com uma relativa facilidade, sempre 3 X que se torna necessário. - Sim temos capacidade, e temo-lo feito, as coisas estão atualizadas, são 4 X revistas pontualmente. - Sim, as NEP têm-se conseguido atualizar com alguma frequência ( ) se toda 5 X a gente as cumprisse as coisas funcionavam muito melhor. - Acho que não. As NEP deveriam ser revistas constantemente, pois a realidade 6 X de agora não é igual à realidade que tinha-mos à três ou quatro anos atrás, e se isso não acontece é porque algo não estão a funcionar como deveria. -Sim, consegue-se ( ) as NEP estão feitas para a realidade que vivemos nas 7 X nossas unidades: falta de Homens, etc. - Sim ( ) é usual serem revistas regularmente ( ) E quando, ocorre uma situação diferente do que é normal, que não vem contemplada nas NEP, é 8 X emitida uma comunicação de serviço para as complementar ou substituir, até que a situação se resolva, ou se atualizem as NEP. - Sim ( ) e consegue-se manter as NEP adequadas para a realidade em que 9 X vivemos. 10 X - Sim, quanto a isso não temos tido qualquer problema. ANÁLISE DE CONTEÚDO À QUESTÃO Nº8 No Quadro 5.9 apresenta-se a análise de conteúdo à questão nº8 65. A questão aplicou-se aos oficiais e sargentos, tendo-se notado uma clara diferença de opiniões (nos militares do RI15) de acordo com a experiência de cada um dos entrevistados. Os militares mais experientes (oficiais superiores e sargentos) respondem negativamente, justificando-se com o curto período de tempo de instrução onde se tentam abranger um leque bastante alargado de matérias, enquanto os oficiais subalternos afirmam que a preparação das praças é suficiente para as funções que têm de desempenhar, salientado 64 Ver Apêndice E Guião das Entrevistas. 65 Idem. A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 36

52 CAPÍTULO 5 APRESENTAÇÃO ANÁLISE E DISCUSSÃO DAS ENTREVISTAS também a importância da formação em contexto de trabalho na melhoria das apetências dos soldados. Já os oficiais superiores, entrevistados no CTOE, afirmam que os militares da sua unidade se encontram bem preparados para a realizações do serviço, relembrando o facto de serem dos que mais formação recebem durante as frequências dos vários cursos que têm de fazer até serem considerados prontos para o desempenho das suas funções. Quadro 5.9- Análise de conteúdo à questão nº8. Entrevistados Afirmativa Negativa Argumentação 1 X - Não. Aliás, a formação que é dada na recruta aos soldados não é suficiente para coisíssima nenhuma, ( ) mas ( ) ao longo do tempo de serviço também vão ganhando outras competências e outro tipo de experiências. 2 X - Não, o que eles aprendem na recruta é insuficiente para as responsabilidades que um serviço de guarda exige ( ) a recruta é curta e como se tentam abranger muitos assuntos, a parte relativa à segurança, por vezes é descurada. - Acho é que eles deveriam ter um estágio, ou umas instruções extra após a conclusão da sua formação inicial ( ) nas unidades que os recebem. - É suficiente, mas é claro que é sempre possível melhorar, não nos podemos 3 X esquecer que aqui as praças são todos cabos especialistas, tendo uma formação muito superior... - É suficiente, o pessoal de operações especiais uma formação superior aos 4 X restantes militares ( ) para além do curso de operações especiais, ainda fazem todos o curso de cabos e ( ) têm a formação em contexto de trabalho antes de ficar aptos a desempenhar o seu cargo 5 X - No caso dos paraquedistas sim, mas se estivermos a falar de soldados vindos da dita tropa normal, não vêm minimamente preparados ( ) mas ( ) com o tempo que vão passando nas unidades operacionais vão crescendo muito mais. - Sim. Também é bom que os graduados da unidade façam alguma coisa para 6 X os instruir, e garantam que o pessoal sabe o que têm de fazer. - Sim, mas também, mesmo que não fosse, não haveria tempo para os preparar melhor durante uma recruta. Eles quando aqui chegam, se calhar não vêm 7 X 100% preparados, mas é óbvio que depois também vão ganhando traquejo à medida que o tempo vai passando. 8 X - Não ( ) deveriam receber mais formação nesta área, porque eles chegam aqui e nem os procedimentos de senha e contrassenha sabem fazer, e mesmo até pelo manuseamento da arma mostra que o Homem não está à vontade. 9 X - Não, isso não ( ) os nossos Paraquedistas, apesar ter terem feito o curso de combate ainda não dominam certos procedimentos ( ) se acontecesse uma situação qualquer no período inicial obviamente que não estariam preparados para reagir adequadamente. Mas ( ) é na fase inicial, quando aqui chegam ( ) depois acabam por se ambientar e por aprender as coisas. 10 X - Não ( ) mas com o passar do tempo vão aprendendo ANÁLISE DE CONTEÚDO À QUESTÃO Nº9 No Quadro 5.10 apresenta-se a análise de conteúdo à questão nº9 66. Esta questão foi dirigida unicamente para as praças, ao que todas responderam que a formação recebida na recruta é suficiente para as funções que desempenham no serviço de guarda de polícia à unidade. Quadro Análise de conteúdo à questão nº9. Entrevistados Afirmativa Negativa Argumentação - Sim, até porque os serviços não são nada por ai além, basta o pessoal estar 11 X atento, e estar ciente daquilo que está a fazer, e tudo corre com normalidade. 12 X - Sim, a formação que recebi é suficiente. 13 X - Sim, nunca tive qualquer problema. 66 Ver Apêndice E Guião das Entrevistas. A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 37

53 CAPÍTULO 5 APRESENTAÇÃO ANÁLISE E DISCUSSÃO DAS ENTREVISTAS ANÁLISE DE CONTEÚDO À QUESTÃO Nº10 No Quadro 5.11 apresenta-se a análise de conteúdo à questão nº No âmbito da análise à décima questão, onde era pedido que se delimitassem alguns meios, necessários ao reforço da segurança da unidade em causa, foram identificados um número significativo de recursos, dos quais se destacam (para o RI15): a construção de um muro com arame farpado na sua parte superior (repete-se oito vezes), sistemas de iluminação e videovigilância (repetem-se quatro vezes), sistemas de alarme para o perímetro da unidade, e uma maior quantidade de recursos humanos afetos à segurança (ambos se repetem três vezes). No que diz respeito aos militares entrevistados do CTOE, para além de algumas medidas já identificadas anteriormente, ambos reconhecem a mais-valia de meios de comunicação adequados que permitissem uma maior interligação dos vários polos em que a unidade se divide. Quadro Análise de conteúdo à questão nº10. Entrevistados Argumentação - Recursos Humanos ( ) se eu tivesse um Batalhão como tenho no quadro orgânico com quinhentos e tal homens ( ) poderia implementar postos por tudo quanto é lado, poderia garantir efetivamente que a 1 unidade estava inviolável, mas nós não temos isso, e isso era estar a entrar por uma área que é completamente surrealista. - Equipamentos de Videovigilância ( ) poderiam ser feitos, acordos em grande escala para a aquisição de equipamentos para todas as unidades do exército, pois assim conseguiríamos adquirir os 2 equipamentos a um preço mais acessível, e face à falta de recursos Humanos que temos não só aqui mas em todo o exército esta seria a solução ideal. Porque estamos no século XXI e não se pode andar a amarrar arames de tropeçar a latas para se fazer barulho. - Deveriam existir sistemas mais fiáveis para interligar os diversos polos da unidade; 3 - Sistemas electrónicos de vigilância, alarmes anti-intrusão. 4 - meios electrónicos que interligassem os vários aquartelamentos que possuímos - Muros em volta da unidade, com arame farpado na parte superior; câmaras de vigilância; sistemas de 5 alarme e Holofotes. - Um muro com arame farpado; um sistema de minas iluminantes em torno do perímetro e cães de guarda 6 junto à vedação. - Começaria por reforçar a segurança do perímetro ( ) colocaria mais um posto de vigilância, mas o problema é que depois também não tínhamos pessoal para o guarnecer, porque já para guarnecer os que 7 temos é bastante difícil, e dos três postos, apenas dois estão guarnecidos ( ) a construção de um muro com arame farpado. 8 - Substituir o arame farpado por um muro; câmaras de vigilância, e perímetro da unidade bem iluminado. - face à falta de efetivos( ) o reforço do perímetro da unidade ( ) muros com arrames na parte superior, integrados com sistemas de alarme ( ) para assim se saber de imediato se alguém estivesse a 9 tentar saltar os muros, ( ) sabendo também o local que estava a ser fustigado. - Adquiria sistemas de comunicação para que o pessoal de serviço estivesse em contacto permanente. - A construção de um muro, reforçado com arame farpado na parte superior; sistemas de videovigilância, 10 e um sistema de Iluminação adequada Holofotes, e reforçaria as rondas noturnas Um muro com arame farpado Um muro com arame farpado por cima, e o reforço do portão do posto nº6 [um portão secundário]. 67 Ver Apêndice E Guião das Entrevistas. A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 38

54 CAPÍTULO 5 APRESENTAÇÃO ANÁLISE E DISCUSSÃO DAS ENTREVISTAS ANÁLISE DE CONTEÚDO À QUESTÃO Nº11 No Quadro 5.12 apresenta-se a análise de conteúdo à questão nº Em resposta a esta questão apenas dois sargentos (RI15) responderam ser conhecedores de um incidente reportando-se ambos ao mesmo acontecimento. Todos os restantes militares responderam negativamente. Os entrevistados do CTOE associam as características peculiares e a mística da sua unidade, como sendo um fator desencorajador de incidentes desse género. Quadro Análise de conteúdo à questão nº11. Entrevistados Afirmativa Negativa Argumentação 1 X - Não, desde que aqui estou nunca tive conhecimento de nada. 2 X - Não. Pelo menos a mim não me é reportado nada, a partir do momento que não me é reportado nada, não tenho conhecimento. Mas acredito que possa haver uma ou outra situação de pessoal que possa entrar esporadicamente pela porta do cavalo. Mas aqui na unidade a minha maior preocupação são as arrecadações de material de guerra e o paiol. 3 X - Não, porque esta unidade também têm um tipo de treino, que desencoraja as pessoas a cometer alguma infração ( ) quanto menos agressiva for uma unidade e quanto menos treino tiver, mais fácil é ocorrer um incidente desses ( ) eles não nos conhecem, mas sabem bem o que é que andamos a fazer cá dentro, eles sabem que somos os Rangeres de Lamego somos malucos, todos os tias fazemos tiro, etc. ( ) a própria mística e fama da unidade leva a que isso não aconteça. - Não tenho conhecimento ( ) mas também toda a gente sabe aquilo que nós 4 X somos - Não. Aqui toda a gente se conhece e sempre que chega por exemplo alguém 5 X estranho à porta de armas é de imediato encaminhado para a casa da guarda, onde lhe é fornecido um cartão-de-visita e segue ao seu destino, sempre acompanhado por um militar, no esse mesmo cartão terá que ser entregue na casa da guarda assinado pela entidade que essa pessoa foi contactar. 6 X - Não, nunca vi, nem ouvi falar de nada. 7 X - Não. 8 X 9 X 10 X - numa cooperação com militares Belgas, ( ) eles não saíram pela porta de armas, saltaram a vedação. - Ouvi falar de um pequeno incidente com soldados Belgas, que saltaram a vedação. Mas ( ) se alguém quiser sair ou entrar daqui sem ser pela porta de armas arranja sempre forma de o fazer. - Não, desde que estou aqui colocado, nunca tive conhecimento de nenhuma situação. 11 X - Desde que estou nesta unidade não. 12 X - Não. 13 X - Não. ANÁLISE DE CONTEÚDO À QUESTÃO Nº12 No Gráfico 5.2 apresenta-se a análise de conteúdo à questão nº O Gráfico 5.2 provém do Quadro E.1 em apêndice 70 onde foi pedido aos entrevistados que ordenassem um conjunto de incidentes por ordem crescente (do um ao catorze) de acordo com o seu grau de gravidade, identificando de seguida a probabilidade de esse determinado acontecimento vir a ocorrer na sua unidade Ver Apêndice E Guião das Entrevistas. 69 Idem. 70 Idem. 71 Ver Apêndice F Apresentação dos procedimentos desenvolvidos na questão nº12. A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 39

55 CAPÍTULO 5 APRESENTAÇÃO ANÁLISE E DISCUSSÃO DAS ENTREVISTAS No eixo das ordenadas encontra-se representado a probabilidade de ocorrência dos respetivos incidentes, que se dispõem ordenados por ordem de perigosidade no eixo das abcissas 72. Estes valores refletem apenas a percepção da população de militares do RI15 entrevistada 73. Optou-se por não se introduzir os entrevistados dos CTOE, que devido ao seu reduzido número, não nos ofereceria o rigor mínimo por nós pretendido. Gráfico 5.2 Gráfico de incidentes. A população entrevistada considerou como incidente mais gravoso o furto de armamento e equipamento, reconhecendo o uso de meios de comunicação para fins indevidos como sendo aquele que oferecia menor perigosidade. Já no que concerne à sua probabilidade de ocorrência, identificam-se três acontecimentos como sendo prováveis de ocorrerem: entrada e saída pela porta de armas sem ser identificado, extravio de comida ou material de escritório e uso de meios de comunicação para fins indevidos. Ainda no seguimento do ponto anterior, identificam-se três incidentes com uma probabilidade de ocorrência ocasional, sendo eles: o extravio de munições, o roubo ou reprodução desautorizada de chaves e o acesso a áreas classificadas. Todos os restantes incidentes foram marcados com uma probabilidade de ocorrência baixa (raro). Importa salientar ainda, o facto de todos os acontecimentos que foram descritos como prováveis de virem a ocorrer se encontrarem no terço mais à direita do gráfico, possuindo assim um grau de perigosidade reduzido. Aqueles com uma probabilidade de ocorrência ocasional encontram-se no centro do gráfico, possuindo assim um grau de perigosidade intermédio, à exceção do acontecimento número quatro (extravio de munições), que já se encontra mais balanceado para a esquerda do gráfico representando assim um grau de perigosidade média/alta. 72 Os números mais baixos correspondem a incidentes mais gravosos, e vice-versa. 73 Oficiais, Sargentos e Praças, perfazendo um total de onze elementos. A SEGURANÇA NAS UNIDADES: ESTUDO DE CASO 40

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