Relatório Workshop Internacional Implementar e Operacionalizar a Política Comum de Segurança e Defesa

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1 P a g e 1 Relatório Workshop Internacional Implementar e Operacionalizar a Política Comum de Segurança e Defesa O Instituto da Defesa Nacional promoveu no dia 6 de Dezembro um Workshop Internacional subordinado ao tema Implementar e Operacionalizar a Política Comum de Segurança e Defesa (CSDP) contando para o efeito com a presença de vários especialistas nacionais e estrangeiros. O programa de trabalhos compreendeu matérias relativas ao enquadramento institucional e à natureza e substância da União e da PCSD e incluiu perspectivas europeias sobre a dimensão militar e civil da segurança europeia e interpretações nacionais sobre a PCSD. A entrada em vigor do Tratado de Lisboa, em Dezembro de 2009, suscitou importantes desafios e oportunidades no quadro da União Europeia. Com o objectivo de equacionar e debater os novos requisitos e oportunidades da segurança europeia, este Workshop abordou questões subjacentes às reformas previstas no Tratado de Lisboa e respectivas implicações no domínio das relações externas da União e examinou algumas das interpretações de que a segurança europeia é objecto e que condicionam um maior empenho dos Estados Membros na PCSD. Os requisitos actuais e futuros da dimensão militar, inerentes a um efectivo desenvolvimento da PCSD foram igualmente objecto de análise. Foi também dada uma atenção particular à dimensão civil da segurança europeia, relevante para a acção internacional da UE no quadro da prevenção de crises, de conflitos e da gestão de situações pós conflito. O Workshop encerrou a sessão de trabalhos com duas perspectivas nacionais sobre implementação e operacionalização da PCSD, no âmbito da política de defesa e da política externa de Portugal.

2 P a g e 2 O Workshop contou na sua Sessão de Abertura com a intervenção do Director do Instituto da Defesa Nacional, Major General Rodrigues Viana e do Secretário de Estado para a Cooperação e Negócios Estrangeiros, Professor Doutor João Gomes Cravinho. Durante o primeiro painel foi referida a importância do Tratado de Lisboa para a dimensão de implementação da PCSD a três níveis. O primeiro fruto da nomeação do Presidente do Conselho Europeu que tem vindo a promover um importante debate sobre o papel global da União Europeia e estimulando uma reflexão sobre a natureza, a direcção das parcerias estratégicas e a definição de prioridades da União. O segundo, decorre da nomeação do Alto Representante/Vice-presidente da Comissão articulando e integrando a dimensão das Relações Externas da EU com as da PCSD. O terceiro pela constituição do Serviço Europeu de Acção Externa (SEAE) e pelos desafios impostos à definição da sua área de competências em relação à Comissão, nomeadamente no que respeita a responsabilidades na área da cooperação internacional e ajuda humanitária, devendo-se acautelar devidamente os parâmetros de legitimidade e de apropriação de áreas de cooperação externa por parte do SEAE. O orador considerou que o desenvolvimento de uma visão estratégica Europeia, passa pela assumpção comum de qual o papel e expectativas inerentes ao desenvolvimento da PCSD. Pensar sobre segurança europeia implica equilibrar vontade política com afectação de recursos, capazes de facilitar uma verdadeira articulação entre prevenção e gestão de crises e conflitos e missões de estabilização pós-conflito. O segundo interveniente no painel evidenciou que a PCSD, sendo uma política e não uma organização de defesa, articula uma visão estratégica que não decorre de uma relação de supremacia, de dependência ou de compensação estratégica em relação aos Estados Membros ou a outros actores internacionais. Desde a sua constituição, como parte integrante da Política Externa de Segurança, que a PCSD é avaliada com base em metas de desempenho (benchmarking) que não lhe são aplicáveis. Entre estas contam-se: o imperativo de presença de um sistema de decisão homogéneo; existência de uma situação

3 P a g e 3 de competição estratégica; presença de uma cultura estratégica comum e capacidade de operacionalização militar de formas de contenção das ameaças internacionais. No que respeita à presença de um sistema de decisão homogéneo este requisito não se aplica, considerando que coexistem dois sistemas de decisão: um supranacional e um intergovernamental sendo esta coexistência viabilizadora do desenvolvimento da PCSD. Quanto à competição estratégica como objectivo da política de segurança, também não é uma meta adequada ao entendimento da PCSD. Esta desenvolve-se em torno de uma agenda de segurança que valoriza o benefício humanitário e não o estratégico, propondo uma relação de complementaridade com outras organizações e Estados e o desenvolvimento de formas de segurança cooperativa, com base na assumpção voluntária de compromissos no quadro europeu e no das organizações internacionais. Sustentou que, o requisito de uma cultura estratégica comum europeia implica o abandono da noção de que uma cultura estratégica visível decorre da presença de objectivos de poder e de emprego da força militar, porque esse não é o propósito da PCSD. No que concerne à operacionalização de formas de contenção das ameaças internacionais, elencou um conjunto de estratégias sectoriais de que a UE faz uso (no âmbito dos domínios comunitarizados, PCSD e Justiça e Assuntos Internos) centradas em torno de critérios e condicionalismos preventivos não com o propósito de derrotar inimigos, mas de alterar os comportamentos dos actores a que se destinam. Os intervenientes no segundo painel, dedicado às perspectivas militar e civil, optaram pela identificação situacional de ambas as dimensões. O orador que reflectiu sobre a dimensão militar chamou a atenção para a necessidade imperiosa de equilibrar o discurso e a acção militar da UE, com os objectivos e expectativas inerentes às missões da União naquele domínio. Considerou que deveria ser assumido um conjunto de regras, a saber: clareza quanto às tarefas e objectivos no quadro das missões militares; definição precisa de regras de empenhamento;

4 P a g e 4 assegurar a unidade de comando; gerar forças compatíveis com mandato da missão; garantir a segurança da força Europeia e das populações locais; disponibilizar forças de reserva, fazendo face a situações imprevistas; considerar as dimensões política e civil devendo a missão ser sustentada com base numa estratégia política abrangente. Quando estas regras não são observadas, a intervenção militar poderá correr o risco de se tornar parte do problema e não parte da solução desejada. Este orador considerou que a dimensão militar da UE confronta-se com alguns condicionalismos, nomeadamente no que respeita ao facto de a definição do âmbito de actuação militar da UE não envolver missões equivalentes às de uma configuração de defesa colectiva. Sustentou que a UE dispõe de uma Estratégia de Segurança incompleta e que os Headline Goals acordados, embora identificando áreas de capacidades carenciadas e falhas na concepção de uma estratégia para a União, estas não têm sido devidamente ponderadas e devidamente colmatadas pelos Estados Membros. A esta situação acrescem os vários contributos estratégicos individuais e não coordenados dos Estados Membros através da elaboração de white papers. Uma acção coordenada entre linhas de orientação estratégica nacionais e Europeia poderiam permitir ultrapassar inconsistências, eliminar capacidades redundantes e preencher domínios carenciados. O orador responsável pela dimensão civil da PCSD considerou os benefícios para a PCSD do pós-tratado de Lisboa e a forma como estes vertem a favor da dimensão civil da segurança europeia (clarificação dos níveis de representação externa da União; estabelecimento do Serviço de Acção Externa Europeu; instituição do direito de iniciativa do Alto Representante no quadro da PESC/PCSD; designação do Alto Representante como Presidente do Conselho de Assuntos Externos e introdução das Cláusulas de Solidariedade e de Defesa Mútua). Aquele orador deu conta dos mais recentes desenvolvimentos e contributos no quadro da Condução de Operações e do Planeamento Civil, quer em matéria

5 P a g e 5 de dotação de efectivos destacados em missões, quer no que respeita ao seu impacto estratégico (desenvolvimento claro de regras de empenhamento em áreas de crise), político (maior coordenação entre o papel dos comandantes operacionais no terreno e avaliação do quadro evolutivo de ameaças) e operacional (desenvolvimento de instrumentos adicionais de cooperação entre a UE e os Estados Membros, no que respeita a matéria criminal). Quanto aos desafios futuros identificou quatro: aquisição de recursos; geração de forças; assegurar maior visibilidade das missões civis e garantir ligações mais estreitas entre a PCSD e a Justiça e Assuntos Internos. Concluiu a sua intervenção com um conjunto de recomendações aos Estados Membros das quais se contam: disponibilização de recursos humanos de acordo com os requisitos da União (do Civil Planning and Capability Conduct) em matéria de qualificações, domínio de línguas e número de efectivos civis a disponibilizar; respeitar os prazos do Call for Contributions; promover uma gestão de pessoal adequada à necessidade de aprontamento e envio para o terreno de equipas de peritos civis, quatro semanas após o seu processo de selecção estar completo; proporcionar acções de treino prévio a estas equipas; necessidade de preencher faltas de recursos humanos na área da justiça e administração (vertente aquisições e finanças). O terceiro painel concluiu a sessão de trabalhos com uma perspectiva institucional nacional sobre operacionalização da PCSD e com uma dimensão de enquadramento histórico. O primeiro orador considerou que o desenvolvimento de uma capacidade europeia para levar a cabo missões internacionais, pressupõe a existência de capacidades comuns europeias. Contudo o continuado envolvimento da União em missões e operações, mais do que dotá-la de capacidades adicionais, constitui a melhor forma de implementar a PCSD. Importa cooperar com outras organizações, nomeadamente com a NATO, gerando

6 P a g e 6 competências e mecanismos de cooperação no quadro da partilha e agregação de capacidades. O conceito de Cooperação Estruturada Permanente veio reforçar o compromisso político dos estados em cooperar no quadro da PCSD. Portugal sobre esta matéria, defende uma aproximação inclusiva no que respeita à partilha de recursos e participação em missões no âmbito da PCSD. Foi dado conta do nível de participação nacional em missões da PCSD, nomeadamente em 2008 e no segundo semestre de 2010 na Força de Reacção Rápida da UE, no primeiro semestre de 2009 na Força Anfíbia Itália- Espanha, tendo Portugal manifestado disponibilidade para integrar a mesma no segundo semestre de 2011, altura em que Portugal irá assumir o controlo do Battlegroup Package. Quanto ao interesse português em matéria de capacidades foi dado a conhecer o interesse manifestado na área de projecção de forças (frota de Transporte Aéreo Europeia), no European Carrier Group, no domínio do aumento da inter-operabilidade entre marinhas Europeias, na participação no desenvolvimento de um veículo aéreo não tripulado e de desenvolvimento de capacidades de projecção associadas ao emprego de helicópteros. Perante uma situação de constrangimento orçamental, o reforço da área da cooperação afigura-se como a estratégia mais adequada para o futuro desenvolvimento da PCSD. O segundo orador deste painel contextualizou a PCSD numa perspectiva histórica, justificando o interesse português no seio da União com o eco encontrado entre a dimensão global da política externa da União e os interesses globais da política externa portuguesa. Uma visão estratégica não pressupõe uma formalização da mesma, o que aliás se explana no parâmetro de actuação da política externa portuguesa. Considerou que a flexibilidade inerente à EES de 2003 deve ser a metodologia a adoptar, o que de acordo com o orador se reflecte na posição portuguesa em matéria externa e na sua aversão ao formalismo político. Estabeleceu ainda uma ligação entre a noção de comprehensive approach (na acepção ligação civil-militar) e o passado colonial português. A tradição atlantista da política externa e de segurança associadas à ideia de que a profundidade estratégica nacional provém do Atlântico, gerou no passado reservas quanto à capacidade da UE para preencher essa

7 P a g e 7 função, reservas estas que ao longo dos anos 90 se foram esbatendo. Subscreveu ideias anteriormente expressas de que não existem duplicações entre UE e NATO e de que o europeísmo e atlanticismo são compatíveis, embora a NATO continue a ser um importante pilar da segurança. Terminou a sua intervenção recomendando que Portugal participe com qualidade, mas com alguma diversidade; promova capacidades de projecção de forças; participe na dimensão civil-militar da segurança europeia; desenvolva níveis de cooperação com países com uma dimensão semelhante à de Portugal e com a CPLP.

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