FERTILIZANTE DE LIBERAÇÃO LENTA NO DESENVOLIMENTO DE MUDAS DE Capsicum annuum (L.) (PIMENTÃO)

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1 FERTILIZANTE DE LIBERAÇÃO LENTA NO DESENVOLIMENTO DE MUDAS DE Capsicum annuum (L.) (PIMENTÃO) Gomes, Erik Nunes 1 ; Andrade, Patrick Barros 1 ; Rossa, Überson Boaretto 1 ; Bisso, Fernando Prates 1 ; 1 Instituto Federal Catarinense, Araquari/SC INTRODUÇÃO O pimentão (Capsicum annuum L.) é uma cultura da família das solanáceas de alto valor alimentício (MELLO et al., 2000), se destacando entre as principais hortaliças de importância no mercado nacional (JÚNIOR et al., 2008). Segundo Carmello (1995) a produção de mudas consiste em fator de suma importância na produção de olerícolas, considerando que determina o desempenho final das plantas tanto do ponto de vista nutricional quanto do tempo necessário para o desenvolvimento e por consequência o número de ciclos produtivos por ano. Bernardi et al. (2008) destacam, dentre os processos necessários à produção de mudas de qualidade, a nutrição das plantas. Conforme esses autores deve-se fornecer nesta fase, doses balanceadas de nutrientes com o objetivo de evitar perdas por lixiviação e garantir um crescimento adequado (BERNARDI et al. 2008). Diversos métodos de adubação podem ser empregados neste sentido, desde os fertilizantes minerais solúveis, que apresentam problemas de lixiviação, até os orgânicos que nem sempre apresentam a concentração adequada de nutrientes para as plantas. Uma das alternativas, nesse sentido, são os chamados Fertilizantes de Liberação Lenta (FLL). Esses fertilizantes incluem compostos solúveis no seu interior (NPK e alguns micronutrientes), envolvidos por uma membrana semipermeável, que, por efeito da temperatura, dilata-se e se contrai, controlando a liberação gradual e osmótica de nutrientes ao substrato (ROSSA et al. 2013, p.94). 1 Curso de Licenciatura em Ciências Agrícolas Trabalho realizado com apoio do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) da CAPES

2 Neste sentido, o presente trabalho objetivou avaliar o efeito do Fertilizante de Liberação Lenta (FLL) aplicado em substrato na produção de biomassa de mudas de Pimentão como indicador de qualidade. MATERIAL E MÉTODOS O trabalho foi desenvolvido durante o período de março a abril de 2014, na Unidade de Ensino e Aprendizagem Viveiro de Mudas do Instituto Federal Catarinense Campus Araquari, localizado sob as coordenadas 26º23 37,5243 S e 48º44 14,7868 W em altitude aproximada de 11 metros. As sementes de Pimentão utilizadas foram da empresa Sakata, cultivar Magda, com pureza física de 99,9 % e poder germinativo de 90 %. A semeadura foi realizada em tubetes de 53 cm³. Como substrato base utilizou-se uma mistura de Vermiculita de granulometria média (40%) com substrato orgânico comercial à base de bagaço de uva S-10 da Marca Beifort (60%). Foram utilizadas 2 sementes por tubete, com profundidade de plantio de aproximadamente 2 cm. A umidade do substrato foi mantida por sistema de irrigação por micro aspersão. Os tratamentos foram realizados com fertilizante de liberação lenta de marca comercial Basacote 9M, com formulação (N-P 2 O 5 -K 2 O). Utilizou-se o delineamento experimental inteiramente casualizado com 6 tratamentos em 3 repetições, tendo 12 plantas como unidade experimental. Os tratamentos foram: T1 0 kg (testemunha); T2 2 kg; T3 4 kg; T4 6 kg; T5 8 kg e T6 10 kg de FLL por m³ de substrato base. Após 47 dias da semeadura coletou-se a Biomassa Fresca da parte aérea (BFPA), Biomassa Seca da Parte Aérea (BSPA), Biomassa Seca da Raiz (BSR) e Biomassa Seca Total (BST), como indicadores de qualidade de mudas, em função da dose de FLL aplicada. Os dados foram submetidos a Análise de Variância (ANOVA) e as médias comparadas pelo teste de Tukey a nível de 5% de probabilidade. RESULTADOS E DISCUSSÃO Para as variáveis BFPA, BSR e BST não houve diferença estatística entre os tratamentos. Para BSPA os tratamentos T1 (testemunha) T2, T4 e T5 apresentaram menores produções de Biomassa e T3 (4 kg de FLL/m³ de substrato) foi o que demonstrou os maiores 2

3 valores. As médias de biomassa obtidas nos tratamentos bem como os coeficientes de variação, encontram-se resumidos na tabela 01. Tabela 01 Médias de Biomassa em mudas de pimentão obtidas em relação às diferentes doses de FLL, Araquari SC. Dose (kg/m 3 ) Tratamento Parâmetros biométricos BFPA BSPA BSR BST g Capsicum annuum (L.) (PIMENTÃO) 0 (T1) 1,112 a 0,113 b 0,373 a 0,486 a 2 (T2) 1,098 a 0,129 b 0,437 a 0,567 a 4 (T3) 1,620 a 0,241 a 0,675 a 0,916 a 6 (T4) 0,823 a 0,130 b 0,566 a 0,696 a 8 (T5) 1,251 a 0,135 b 0,419 a 0,555 a 10 (T6) 1,147 a 0,184 ab 0,376 a 0,560 a CV (%) 34,01 23,12 35,47 25,38 # Médias seguidas pela mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade Para a biomassa fresca da parte aérea o maior valor se deu com a aplicação de 4 kg de FLL/ m³ atingindo uma média de 1,620 g por planta, a menor média foi verificada com a aplicação de 6 kg de FLL/ m³, atingindo o valor de 0,823 g por muda, todavia, estatisticamente, os tratamentos não diferiram. Junior et al. (2008) ao testarem diferentes compostos orgânicos e substrato comercial na produção de mudas de pimentão, obtiveram médias de BFPA inferiores às encontradas no presente experimento, na ocasião a maior média obtida foi 1,37 g por planta utilizando composto orgânico e a menor foi de 0,3 g utilizando o substrato comercial. Para Biomassa seca da raiz, também não encontrou-se diferença estatística entre os tratamentos, observando-se médias de 0,373 (T1) a 0, 675 g por planta (T3). No trabalho de Junior et al. (2008) citado anteriormente o tratamento com composto orgânico proporcionou médias de 1,0 g por planta, apresentando-se estatisticamente mais favorável do que os demais tratamentos (JUNIOR et al., 2008). A análise de regressão linear para esta variável apresentou uma dose de máxima eficiência técnica de 4,86 kg por m³ apresentando redução nos valores médios de biomassa a partir deste valor. Semelhante resultado não corrobora com os encontrados por Biscaro et al. (2014) que ao testarem diferentes doses de adubo fosfatado na produção de mudas de pimentão encontraram aumento constante da biomassa das raízes com maiores doses do produto, na dose máxima aplicada, os autores atingiram médias de pouco mais de 0,6 g por planta. 3

4 A Variável BST também não apresentou diferença estatística entre os tratamentos, apresentando valores máximos de 0,916 g (T3) e mínimos de 0,486 g por planta (T1). Os resultados para esta variável diferem dos publicados por Kainuma et al. (2008) ao testarem diferentes dos de FLL em mudas de cafeeiro (Coffea arabica), naquela ocasião os autores determinaram que doses de 5 kg do fertilizante por m³ de substrato apresentaram-se estatisticamente iguais a doses superiores e mais vantajosas que o tratamento sem fertilizante (testemunha). Das variáveis analisadas a única que apresentou diferença estatística foi a BSPA. Para este parâmetro resultados mais vantajosos foram encontrados com T3 (4 kg/ m³), com média de 0,241 g por planta. O trabalho de Deleito et al. (2004) apresentou média geral de 0,540 g por planta para esta variável ao testar diferentes biofertilizantes na produção de mudas de pimentão. Marana et al.(2008) encontraram melhores resultados na cultura do café (Coffea arabica) com doses parecidas com esta, na ocasião maior biomassa foi obtida com 5 kg de FLL/m³ de substrato. CONCLUSÕES Conclui-se, nas condições deste experimento, que a aplicação de Fertilizante de Liberação Lenta não demonstra resposta estatística nos parâmetros Biomassa Fresca da Parte Aérea, Biomassa seca da Raiz e Biomassa seca total, sendo apenas significativo para Biomassa Seca da Parte aérea, na qual os melhores resultados foram obtidos com 4 kg de FLL por m³ de substrato. REFERÊNCIAS BERNARDI, A. C. C. et al.. Crescimento e nutrição mineral do porta-enxerto limoeiro 'Cravo' cultivado em substrato com zeólita enriquecida com NPK. Rev. Bras. Frutic., Jaboticabal, v. 30, n. 3, set Disponível em < &nrm=iso>. acessos em 07 ago BISCARO, G.A. et al. Avaliação da adubação fosfatada na produção de mudas de pimentão nas condições de Cassilândia-MS. In 53º Congresso Brasileiro de Olericultura.Anais do 53º Congresso Brasileiro de Olericultura. Palmas: ABH, CARMELLO, Q. A. C. Nutrição e adubação de mudas hortícolas. In: MINAMI, K. Produção de Mudas de Alta Qualidade em Horticultura. São Paulo: T. A. Queiroz, 1995, 5p. 4

5 DELEITO, C. S. R. et al. Biofertilizante agrobio: uma alternativa no controle da mancha bacteriana em mudas de pimentão (Capsicum annuum L.). Cienc. Rural, Santa Maria, v. 34, n. 4, ago Disponível em < &nrm=iso>. Acesso em 29 set JÚNIOR, Aurélio Paes Barros et al. Utilização de compostos orgânicos no crescimento de mudas de pimentão. Revista Caatinga, v. 21, n. 2, KAINUMA, R.H. et al. Qualidade de mudas de Coffea arabica L. desenvolvidas em diferentes substratos e doses de adubo de liberação lenta. In II Simpósio de Pesquisa dos Cafés do Brasil, SPCB Resumos Expandidos, Vitória-ES. Disponível em < Acesso em 20 Ago MARANA, J.P. et al.. Índices de qualidade e crescimento de mudas de café produzidas em tubetes. Ciência Rural, Santa Maria, v.38, n.1, p.39-45, jan-fev, MELLO, Simone C.; PEREIRA, Hamilton S.; VITTI, Godofredo C.. Efeitos de fertilizantes orgânicos na nutrição e produção do pimentão. Hortic. Bras., Brasília, v. 18, n. 3, nov Disponível em < acessos em 29 set ROSSA, U.B. et al. FERTILIZANTE DE LIBERAÇÃO LENTA NO DESENVOLVIMENTO DE MUDAS DE Schinus terebinthifolius e Sebastiania commersoniana. FLORESTA, Curitiba, PR, v. 43, n. 1, p ,

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