Brasília, 26 de abril de 2013 às 10h35 Seleção de Notícias. CNI NEGOCIAÇÕES INTERNACIONAIS Clipping Nacional

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1 Brasília, 26 de abril de 2013 às 10h35 Seleção de Notícias CNI NEGOCIAÇÕES INTERNACIONAIS Clipping Nacional

2 Valor Econômico BR Fabricantes crescem no exterior EMPRESAS Temas de Interesse Comércio Internacional Após encontro com Cristina, Dilma diz que Vale pode retomar projeto de potássio BRASIL Temas de Interesse Comércio Internacional Brasil domina as exportações de frango halal AGRONEGÓCIOS O Estado de S. Paulo BR Consumo de energia pela indústria cai 2,4% Chile, Colômbia, Peru e México debatem câmbio SP perde R$ 7,1 bilhões com mudanças no ICMS Espanha e França no topo do desemprego Segunda disputa brasileira Brasileiro e mexicano disputam final na OMC Brasil e Venezuela - a economia explica? Confiança da indústria apresenta nova queda

3 G-20 e FMI veem riscos globais de médio prazo Folha de S. Paulo BR Indústria paulista fecha vagas e emprego perde vigor MERCADO Entenda como pensam os economistas MERCADO Dilma sugere diálogo entre Vale e Argentina MERCADO Rodolfo Landim RODOLFO LANDIM Temas de Interesse Comércio Internacional Brasileiro é finalista em disputa na OMC MUNDO O Globo BR Dilma defende acordo da Vale na Argentina Brasileiro vai para reta final da disputa pela chefia da OMC com ex ministro do México Temas de Interesse Comércio Internacional Míriam Leitão MIRIAM LEITÃO

4 Valor Econômico Fabricantes crescem no exterior EMPRESAS Dinkelmann, da TOTVS: "Acompanhamos nossos clientes para sermos competitivos e estamos de olho em aquisições" Algumas preferem exportar. Outras, estar fisicamente em mercados considerados de alto interesse. Mas o fato é que independentemente da estratégia adotada, empresas nacionais de softwares e serviços de inteligência tecnológica furam o cerco das barreiras protecionistas ao se fixar em países como EUA, Japão, China, Itália, Alemanha, Espanha, México, Turquia, Egito e muitos outros do Oriente Médio, Ásia e Europa, além da América Latina. Elas ainda são poucas, mas se tornaram referências nas soluções que oferecem ao tornar-se modelos de excelência como Stefanini, TOTVS e Audaces, cada qual com as suas peculiaridades. As duas primeiras, com presença operacional em outros países. A Audaces, ampliando negócios com exportações. Tarefa nada fácil, em um mundo cheio de obstáculos comerciais. As restrições impostas em 2011 pelos Estados Unidos à importação de produtos de empresas que empreguem software pirata em qualquer etapa da cadeira produtiva podem ter assustado alguns, mas, certamente, motivou outros. "Esse tipo de decisão afeta positivamente o combate à pirataria de software no Brasil. Pois a empresa que quer exportar e se tornar global, tem que antes comprovar boas práticas", afirma Claudio Robert Grando, presidente da Audaces, especializada em software para o setor de moda. Nesse tipo de medida, também conta a favor, segundo Grando, a restrição de presença de piratas da China, Cingapura e Índia, grandes concorrentes da Audaces no desenvolvimento de soluções para a indústria de confecção. A empresa, que viu suas exportações darem um salto de 50% no ano passado, mesmo diante da crise da zona do euro, aproveitou para ampliar presença além da Itália e Espanha, onde já se consagrou. Países como Turquia, China, índia, Bangladesh, Peru e Argentina viraram grandes parceiros. "Com a crise, tivemos que trabalhar mais, reduzir preços, mas, mesmo assim, avançamos em 30% nossa receita global. Em 2013, queremos repetir a meta", aposta Grando, que estima que a pirataria no setor de soluções para moda esteja em torno de 50% no país. "Sempre encontramos site dentro e fora do Brasil que vendem versões desenvolvidas por nós. O que significa que poderíamos crescer bem mais", lamenta. A Audaces investe cerca de R$ 250 mil por ano em ações de combate à pirataria. Comercializou licenças no mercado nacional e 850 no internacional no ano passado. Entre os Estados americanos que desde 2011 adotam leis de concorrência desleal específicas do setor de TI estão Washington elouisiana. No entanto, em mais detrinta outros, o Ministério Público local tem expressado o seu comprometimento em aplicar as leis em vigor, especialmente a Federal Trade Commission Act (FTCA), para impedir a concorrência desleal no segmento de manufatura baseada no uso não licenciado de TI. "Leis americanas severas no combate à pirataria colaboram com a moralização de mercados como o Brasil na medida em que nos obriga a pensar em nossos processos. A proteção intelectual aqui deveria ser como nos EUA: quem usa a sua ideia tem que pagar", afirma Ailton Nascimento, vice-presidente da Stefanini, uma das maiores empresas brasileiras de serviços de TI, e que negocia suas soluções em 30 países onde mantém operações locais. "No Brasil, fazemos o papel de xerife, enquanto deveríamos antes garantir a propriedade intelectual. Ainda estamos engatinhando nisso. Além do mais ainda há muita impunidade para os infratores", avalia Nascimento, que garante que a Ste- pg.4

5 Valor Econômico Continuação: Fabricantes crescem no exterior fanini não é afetada pela pirataria por trabalhar com soluções em arquiteturas fechadas. Quanto às exportações, como o custo Brasil é considerado muito alto, a empresa prefere exportar a partir de outros países como México, Índia, China, Chile e Argentina. A Stefanini prevê crescer 15% organicamente este ano, sem contar as aquisições que tem em vista no Brasil e nos EUA ainda para este ano. A empresa fechou 2012 com receita bruta de R$ 1,9 bilhão, Ebitda de R$ 202 milhões e lucro líquido de R$ 85 milhões. As operações externas representam 35% dos seus negócios. As principais áreas de negócios que pretende avançar este ano são nas áreas financeiras, de seguros, meios e pagamentos, varejo e mineração e siderurgia. Saúde e educação, segmentos com elevada demanda, também serão alvo nos próximos anos. Com um forte histórico de aquisições (47 ao todo), a TOTVS, é exemplo de quem apostou na diversificação de mercados para crescer. "Como o mercado de software é global, acompanhamos nossos clientes para sermos competitivos e sempre estamos de olho nas oportunidades de novas aquisições", afirma Alexandre Dinkelmann, vice-presidente de estratégia e finanças. A empresa de software, serviços e tecnologia, é líder no Brasil e a 6ª maior desenvolvedora de sistemas de gestão integrada (ERP) do mundo e 1ª em países emergentes. Com presente em 23 países. A TOTVS terminou 2012 com lucro líquido de R$ 297 milhões, 22% acima de 2011, e receita líquida de R$ 1,4 bilhão, 10% a mais sob o ano anterior. Já em relação à pirataria, Dinkelmann está tranquilo. "Um usuário de software TOTVS não consegue piratear o nosso produto." (RL) pg.5

6 Temas de Interesse Comércio Internacional Valor Econômico Após encontro com Cristina, Dilma diz que Vale pode retomar projeto de potássio BRASIL A questão da Vale foi o único tema bilateral tratado na reunião mencionado pelas presidentes em sua declaração conjunta à imprensa. Dilma Rousseff e Cristina Kirchner não detalharam o que discutiram sobre as novas regras do regime automotivo ou sobre a venda dos ativos de refino e distribuição da Petrobras na Argentina. Também não mencionaram iniciativas para destravar o comércio bilateral, que teve o fluxo reduzido no último ano. Dilma e Cristina posam para os fotógrafos em frente à Casa Rosada: almoço reuniu quatro governadores Por César Felício De Buenos Aires As duas presidentes preferiram ressaltar o consenso para reincorporar o Paraguai ao Mercosul. O país, suspenso do bloco desde junho do ano passado, elegeu no domingo como presidente o empresário Horacio Cartes, que substituirá Federico Franco, vice-presidente que assumiu o lugar de Fernando Lugo, afastado em um processo de impeachment contestado pelo Brasil e pela Argentina. "O desenrolar dos últimos fatos demonstrou que é possível afirmar a democracia como um valor e manter a estabilidade na região. Temos uma capacidade elevada de elaborar consensos", disse Dilma. A presidente Dilma Rousseff afirmou ontem, em Buenos Aires, esperar que a mineradora Vale volte a negociar o projeto de exploração de potássio do rio Colorado com o governo da Argentina. "O diálogo é o melhor caminho para encontrar soluções e a Vale vai encontrar o caminho para construir um acordo com as autoridades argentinas", afirmou Dilma em declaração à imprensa, depois de seis horas e meia de reunião com a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, na Casa Rosada. O encontro ocorreu em um dia de agudização da crise política e econômica da Argentina. A cotação do dólar no câmbio paralelo atingiu 9,40 pesos, nível inédito nos últimos 20 anos, e um novo panelaço estava convocado para a noite em função da aprovação de uma reforma pelo Congresso, que diminuiu a autonomia do Poder Judiciário. A Vale suspendeu o projeto e o colocou à venda no inicio deste ano. Orçado inicialmente em US$ 6 bilhões, o projeto é o maior investimento direto estrangeiro na Argentina. De acordo com o ministro do Planejamento da Argentina, Julio devido, "a saída queestá apontada équeavale volte aexplorar e produzir". Mais cauteloso, o governador da província de Mendoza,Francisco Perez, disse quenareunião dehoje searmou novamente um cenário de diálogo entre as partes, embora tenha ressaltado que a presidente Dilma Rousseff deixou claro que "o governo do Brasil não é a Vale". pg.6

7 Temas de Interesse Comércio Internacional Valor Econômico Brasil domina as exportações de frango halal AGRONEGÓCIOS Balança Para ampliar sua liderança, país busca abrir mercados na Ásia Por Alda do Amaral Rocha De São Paulo O Brasil já é o maior exportador mundial de frango halal, produzido conforme os princípios do islã, mas ainda quer ganhar espaço nesse mercado em que concorre com EUA, Europa e Tailândia, principalmente. Depois de fechar 2012 com exportações de 1,789 milhão de toneladas em frango halal, o setor produtivo, junto com o governo, negocia a abertura de mercados considerados fundamentais para que o Brasil possa ampliarafatia de38%quejá detémno bolo global desse segmento. Um dos mercados mais cobiçados é a Malásia, onde cerca de 60% da população é muçulmana e existe até um ministério encarregado do assunto, para se ter uma ideia da importância que se dá ao cumprimento do preceito. "Na Malásia, os padrões de exigência são elevados. Assim, ter acesso ao mercado malaio abre caminho para outros mercados consumidores de frango halal", estima Ricardo Santin, diretor da União Brasileira de Avicultura (Ubabef). O país asiático é o maior fabricante de produtos processados halal no mundo e utilizaria a carne de frango brasileira como matéria-prima para industrializados. No ano passado, 45,6% do total de 3,918 milhões de toneladas de frango exportadas pelo Brasil foram destinados a mercados que exigem o abate halal. O principal cliente brasileiro é a Arábia Saudita, seguida por Emirados Árabes, África do Sul, Kuwait e Iraque. Agora, os exportadores brasileiros querem que o frango halal produzido aqui atinja outros mercados com população islâmica, em outras regiões do mundo. A Malásia já fez inspeções de plantas de abate de frango brasileiras, mas o processo de negociação ainda não foi finalizado. Santin diz que também há troca de documentos com o Paquistão, visando abrir o mercado do país, outro consumidor importante de frango halal. A Indonésia, onde mais de 85% da população é muçulmana, é outra meta dos exportadores brasileiros, mas resiste a abrir seu mercado ao frango nacional. Segundo Ricardo Santin, apesar de o Brasil ter atendido os requisitos para exportar frango à Indonésia, o país asiático não dá o sinal verde ao produto nacional. As negociações já duram seis anos. O Brasil não é o único a enfrentar a oposição do maior país muçulmano do mundo: os EUA também tentam vender seu frango halal ao país, mas não conseguem. Por isso, os americanos avaliam abrir painel na Organização Mundial do Comércio (OMC )para resolver a questão, afirma o executivo. Segundo ele, o Brasil pode entrar como parte interessada nesse processo, caso este seja aberto. Santin prevê queo acesso aesses mercadospoderia elevarasexportações de frango halal dos atuais 45,6% do total vendido ao exterior para 50% num prazo de cinco anos. A posição já consolidada do Brasil nesse mercado e o crescimento vegetativo da população também devem contribuir para o avanço, segundo o diretor da Ubabef. Ainda que esteja na liderança desse mercado, o Brasil enfrenta a pressão de alguns países importadores, que buscam ampliar sua produção local, e de competidores, como Tailândia, Argentina, Chile e Turquia, que também produzem frango de acordo com as regras do islã. Apesar de menores, esses produtores conseguiram ampliar sua fatia no mercado global de halal em 2012, fazendo a parcela brasileira no "bolo" internacional cair de 40% em 2011 para 38% ano passado, segundo Santin. Mas, para o diretor da Ubabef, o Brasil tem vantagens em relação aos concorrentes - o fato de ser um fornecedor tradicional é uma delas. Além disso, a disponibilidade de grãos para alimentação das aves é outro fator favorável ao Brasil em tempos de preços ainda elevados da matéria-prima para a ração. Países já tradicionais importadores, como o Iraque, têm mostrado a intenção de ampliar as compras do Brasil. No mês passado, uma comissão do Ministério do Planejamento do Iraque visitou frigoríficos e abatedouros brasileiros no Rio Grande do pg.7

8 Temas de Interesse Comércio Internacional Valor Econômico Continuação: Brasil domina as exportações de frango halal Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Nisreen Sami Swadi, diretora-geral do Departamento de Qualidade e Controle do Ministério do Planejamento do Iraque, veio inspecionar as plantas e elogiou a qualidade dos procedimentos adotados no Brasil na produção de frango halal. O Brasil exporta dois tipos de frango halal para seus clientes: o griller, que pesa de 800 a gramas (mais de 80% do total exportado) e um frango desossado com dois quilos, em média, usado no tradicional shawarma, prato composto de fatias finas de frango assado em um espeto vertical. Mohamed Hussein El Zoghbi, presidente da Federação das Associações Muçulmanas no Brasil (Fambras), avalia que há espaço para o país crescer nesse mercado. "Um terço da população global é muçulmana, e os países islâmicos são importadores de alimentos", argumenta. Mas, acrescenta ele, o Brasil também depende do mercado halal, como atestam os números. pg.8

9 Temas de Interesse Comércio Internacional Valor Econômico Continuação: Brasil domina as exportações de frango halal pg.9

10 O Estado de S. Paulo Consumo de energia pela indústria cai 2,4% Menor. Queda da produção industrial se refletiu na energia Recuo foi apurado em pesquisa da EPE para o primeiro trimestre deste ano ante o mesmo período do ano passado; queda foi concentrada em março Sergio Torres O consumo de energia pelas indústrias brasileiras caiu 2,4% no primeiro trimestre deste ano na comparação com os três meses iniciais de 2012, revelou ontem a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ao divulgar a Resenha Mensal do Mercado de Energia Elétrica. Para a EPE,instituição vinculada ao Ministério de Minas e Energia, a queda do consumo energético "remete à inconstância dos indicadores da produção industrial e, principalmente, ao comportamento dos setores eletrointensivos". A variação do consumo de energia pela indústria no trimestre ficou negativa, na comparação com o mesmo período de2012, por causa do indicador de março, que apontou queda de 3%. Em janeiro e fevereiro, a EPE captou altas de 0,4% e1,6%, res- pectivamente. O economista Sílvio Sales, consultor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), afirma que a queda do consumo de energia nos primeiros meses do ano está atrelada ao recuo da produção das indústrias. "A produção também terá caído na comparação de primeiro trimestre com primeiro trimestre. Em relação ao consumo de energia, a tendência (de queda) vem lá de trás, com a retração de setores mais voltados à exportação, como extração mineral e a siderurgia. Como um todo, a indústria anda de lado desde 2011", disse o especialista. Específica. Para Paulo Levy, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a queda recém-registrada está ligada a segmentos de consumo intenso de energia. "Você pode até pensar que seja algo generalizado,mas a queda está concentrada em setores específicos.há indicadores com níveis positivos, apesar das oscilações. Acho que esse dado da EPE teria de ser melhor avaliado. Por si só não significa retração na indústria", afirmou. O consumo industrial de energia no primeiro trimestre foi de 44,1 mil gigawatts-hora (GHw), ante 45,2 mil GWh, no mesmo período do ano passado. Na comparação entre março de 2013 e março de 2012, a queda foi de 1,1%. No documento, a EPE credita a queda do consumo de energia pelas indústrias em março, principalmente,à retração produtiva nos segmentos de extração mineral e metalurgia. São destacadas as quedas em Minas Gerais, de 7,1%, Pará (12,8%),Mara nhão(12,9%),espírito Santo (3,6%) e Goiás (6,1%). Em São Paulo, o consumo industrial caiu 1,9%, por causa de retração dos setores automotivo e de fabricação de produtos de metal. No geral, o consumo de energia no Paísavançou2,5% no primeiro trimestre, em relação a igual período de 2012, atingindo 114,6 GWh. Na comparaçãodemarço de2012 ede2013, o consumo caiu 0,5%. Passou de 38,6 mil para 38,39 mil GWh. pg.10

11 O Estado de S. Paulo Continuação: Consumo de energia pela indústria cai 2,4% O documento mostra que o consumo residencial avançou 6,6% no período, devido, em grande parte, ao aumento da posse e do uso de eletrodomésticos. Ainda conforme a Resenha Mensal, o setor de comércio e serviços também apresentou" evolução importante", superior a 6%. Destaques 44,1 mil gigawatts-hora foi o consumo de energia da indústria no trimestre 1,9% foi a queda do consumo em SP -- pg.11

12 O Estado de S. Paulo Chile, Colômbia, Peru e México debatem câmbio AMÉRICA LATINA Quatro países da América Latina - Chile, Colômbia, México e Peru - avaliam maneiras de aliviar os efeitos negativos das entradas de capital que têm valorizado as suas moedas, informaram autoridades. Os ministros de Finanças desses países se reuniram esta semana em Lima, no Fórum Econômico Global na América Latina, para discutir os efeitos do câmbio valorizado, entre outros assuntos. pg.12

13 O Estado de S. Paulo SP perde R$ 7,1 bilhões com mudanças no ICMS Guerra fiscal. Os técnicos do governo paulista apoiavam o projeto original do governo Dilma, que visava reformar a legislação confusa do ICMS, de forma a unificar as alíquotas interestaduais em 4%e, assim, acabar com aguerra fiscal -adisputa entre os Estados que oferecem às empresas alíquota menor do ICMS, "roubando" investimentos uns dos outros. Andréa Calabi. Críticas à estratégia do Planalto Dois projetos em tramitação no Congresso, que contam com apoio do governo federal, se aprovados, vão reduzir a arrecadação do imposto no Estado João Villaverde O Estado de São Paulo vai perder R$ 7,1 bilhões por ano, dentro de quatro anos, caso dois projetos que contam com o apoio do governo federal sejam aprovados no Congresso Nacional nos próximos dias. O cálculo foi feito pelo governo paulista, em estudo da Secretaria de Fazenda, obtido pelo 'Estado', sobre o impacto no orçamento demudanças no ICMS, o principal imposto estadual, em negociação no Congresso. De acordo com a Secretaria de Fazenda paulista, comandada pelo economista Andréa Calabi, o mercado brasileiro "não é propício aos investimentos" por causa das "distorções à competitividade das empresas provocadas pela guerra fiscal". No documento interno, o governo paulista critica a estratégia do Palácio do Planalto e do Ministério da Fazenda, que desistiram da reforma proposta no ano passado. "No âmbito dos Estados - em particular no caso de São Paulo -, a capacidade de investimento se vê ameaçada pelo comprometimento de receitas financeiras com as mudanças em discussão nos temas federativos." As novas alíquotas do ICMS propostas também vão aumentar as perdas do Estado de São Paulo com um segundo projeto em tramitação no Congresso - a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 197, que regula a tributação dos Estados no comércio eletrônico. Como está, a PEC 197 já reduz em R$ 2,2 bilhões por ano a arrecadação do governo paulista. Se o projeto que busca acabar com a guerra fiscal for aprovado no Senado, o rombo será maior. "No contexto da reforma tributária", afirma o governo de São Paulo, "a perda total de arrecadação do Estado será de R$ 7,1 bilhões". O principal temor da equipe econômica do governo Geraldo Alckmin (PSDB) reside no projeto do senador Delcídio Amaral (PT-MT), que unifica em 4% a alíquota interestadual do ICMS para os Estados do Sul e Sudeste, e em 7% para a venda a essas regiões de produtos originários do Norte, Nordeste e Centro Oeste, além do Espírito Santo. O texto foi aprovado anteontem na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal. Agora, o projeto será votado pelo Plenário. Caso esse projeto, que conta com o apoio da presidente Dilma Rousseff, seja aprovado pelo Congresso, São Paulo vai perder R$ 3,75 bilhões, por ano, ao final do período de quatro anos, a partir de PARA ENTENDER Em votação simbólica, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou na quarta-feira o parecer do senador Delcídio Amaral (PT-MS), que reduz de 12% para 7% as alíquotas de ICMS sobre produtos manufaturados e agroindustriais para os Estados do Norte, Nordeste, Centro- Oeste e o Espírito Santo. Para os demais casos, a alíquota cairá paulatinamente de 7% pa- pg.13

14 O Estado de S. Paulo Continuação: SP perde R$ 7,1 bilhões com mudanças no ICMS ra 4%. Queda de arrecadação O texto é resultado de acordo feito com o governo federal, que enviou originalmente a proposta de 4% para todas as operações. -- R$ 3,75 bi é quanto São Paulo vai perder, por ano, se o Congresso aprovar o projeto do senador Delcídio Amaral. Caso seja aprovada também a PEC 197, o Estado perderá no total R$ 7,1 bilhões pg.14

15 O Estado de S. Paulo Espanha e França no topo do desemprego São 6,2 milhões de espanhóis e 3,19 milhões de franceses sem trabalho; crescimento da economia no Reino Unido foi a notícia boa do dia Andrei Netto Confronto. Espanhóis saem em massa às ruas para protestar contra o governo do premiê Mariano Rajoy Duas das maiores potências econômicas da Europa registraram ontem recordes históricos de desemprego. Na Espanha, 6,2 milhões de pessoas estão sem trabalho, o equivalente a 27,16% da população ativa, o pior nível desde o início da série estatística no país. Na França, 3,19 milhões - ou 10,2% dapopulação ativa - estão desempregadas, o maior nível desde Em meio a tantas más notícias na Europa, houve uma positiva: o Reino Unido escapou de nova recessão e cresceu 0,3% no primeiro trimestre. As estatísticas nacionais vêm sendo divulgadas desde ontem em todo o continente. Até aqui, a que mais chocou foi o nível de desemprego na Espanha, que volta a ter o índice mais elevado da Europa, ao lado da Grécia, com 27,2% da população ativa fora do mercado de trabalho.o índice é o maior de todo o mundo industrializado. Em termos regionais, o recorde negativo continua a ser da Andaluzia, região agrícola do sul do país onde o desemprego chega a 36,87% da população ativa. Por outro lado, a situação é menos grave no País Basco,onde o índice é bem inferior: 16,28%. Como de praxe, a situação é mais dramática para os mais jovens. Na Espanha, 57,22% dos adolescentes e adultos com idade entre 16 e 24 anos não têm trabalho, nível2%pior do que o registrado no fim de 'Decrescimento'. O desemprego de jovens é uma das causas apontadas por demógrafos para uma nova realidade no país: o decrescimento populacional. Na segunda-feira, o Instituto Nacional de Estatística da Espanha informou que o total de habitantes do país caiu 260 mil em "O número de imigrantes aumentou entre 2000 e 2009, mas com a crise a tendência se inverteu", explicou à Rádio Nacional, o demógrafo do Centro de Estudos Demográficos de Barcelona, Albert Es- pg.15

16 O Estado de S. Paulo Continuação: Espanha e França no topo do desemprego teves. Muito menos grave, mas ainda assim preocupante, é a situação da França.Em março, o número de pessoas procurando emprego aumentou pelo 23.º mês seguido e chegou ao mais elevado nível desde o início da série estatística atual, em 1997, segundo o Ministério do Trabalho. Com mais 36,9 mil desempregados, o recorde foi batido. Considerando também trabalhadores em atividade reduzida e territórios além-mar,o número de franceses em situação precária aumenta para 5milhões. Segundo o economista Marion Cochard, analistado Escritório Francês de Conjuntura Econômica, a situação só não é pior porque algumas medidas de estímulo ao mercado de trabalho tomadas pelo governo para compensar a austeridade fiscal estão surtindo efeito. "Sem essas políticas, a alta seria de 300 mil desempregados por ano, enquanto devemos estar com 200 mil", estima Cochard. A boa surpresa veio do outro lado do Canal da Mancha. Contrariando as estimativas, o Reino Unido escapou de sua terceira recessão técnica desde 2008 ao registrar crescimento de 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de Satisfeito, o secretário do Tesouro britânico, George Osborne, demonstrou otimismo. "Os números representam um sinal encorajador de que a economia está se curando." Mais rigor O primeiro-ministro, Mariano Rajoy, anunciou que nova rodada de cortes nos gastos públicos é provável e iminente. pg.16

17 O Estado de S. Paulo Segunda disputa brasileira Para Lembrar Esta é a segunda vez, desde a fundação, em 1995, da Organização Mundial do Comércio (OMC ) que um brasileiro disputa a direção-geral da entidade. Na primeira ocasião, em 2005, o diplomata Luis Felipe de Seixas Correa foi apresentado como alternativa para evitar que um nome uruguaio saísse vencedor. O Brasil, naquele momento, desconfiava que o Uruguai, representado pelo diplomata Carlos Pérez del Castillo, defenderia a posição de países desenvolvidos. O brasileiro foi o primeiro a ser eliminado na disputa, vencida pelo francês Pascal Lamy, que termina o mandato em setembro. pg.17

18 O Estado de S. Paulo Brasileiro e mexicano disputam final na OMC O processo começou no início do ano, com nove candidatos. Até ontem, cinco ainda estavam no páreo. Mas um neozelandês, um sul-coreano e uma indonésia acabaram eliminados ontem por terem o menor número de votos. O eleito será anunciado em meados de maio e substituirá o francês Pascal Lamy no segundo semestre. União. Discurso de Azevêdo é de um diretor-geral de todos Apesar de a final ser disputada entre dois latino-americanos, ela reflete uma vez mais uma disputa entre países ricos e emergentes. O mexicano, preferido dos países ricos, não hesita em criticar a política comercial brasileira, com o objetivo claro de manchar a candidatura de Azevêdo e mostrar que o brasileiro não seria uma opção para a OMC, que precisa fechar a Rodada Doha. Escolha do diretor-geral chega à última etapa com o pior cenário, segundo o Itamaraty: Azevêdo contra Hermínio Blanco Jamil Chade Pela primeira vez,um brasileiro vai à final na disputa pelo cargo de diretor da Organização Mundial do Comércio (OMC ). Mas o escolhido - Roberto Azevêdo - terá de enfrentar o candidato apoiado pelos países ricos, o mexicano Hermínio Blanco. Países desenvolvidos tentarão barrar a eleição de um brasileiro apoiando um nome latino-americano, mas com uma visão mais próxima de seus interesses. A final contra o México era tudo o que o Itamaraty não queria. Seja quem for o vencedor, a realidade é que, pela primeira vez na história,uma das três organizações que formam o pilar da gestão da economia mundial - FMI, Banco Mundial e OMCserá dirigida por um latino-americano, um pleito que a região defendia há décadas. Mas Azevêdo e Blanco representam visões e alianças diferentes, tanto da região quanto sobre o papel do comércio no desenvolvimento. A disputa, agora, não será apenas entre dois nomes. Mas entre duas visões de comércio exterior e, de quebra,pela hegemonia comercial na América Latina. Já Azevêdo vem adotando um discurso diferente. Insiste que, se eleito, não adotará a visão do governo brasileiro e será um "diretor-geral de todos". Ele percorreu mais de 80 países em busca de votos e representa, para muitos, a linha de pensamento que aponta o comércio como vetor ao desenvolvimento, com espaço para que governos adotem estratégias de política industrial. Ou seja,uma certa cautela na liberalização comercial. Com esse discurso, temo apoio dos Brics e de dezenas de países emergentes. Blanco é o preferido tanto dos EUA quanto de parte substancial da União Europeia. Nesta semana, o bloco europeu indicou que apoiaria os dois nomes latino-americanos. No bloco, há quem prefira Azevêdo, como Portugal. Mas, ainda assim, o Estado apurou que o primeiro na lista da Europa foi Blanco. Diplomatas brasileiros admitiram que a final contra o mexicano era o pior cenário esperado. Isso porque, além do apoio da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico( OCDE), o México faz parte de alianças do Pacífico,como a Apec. Agora, o temor é de que o México convença toda a região a votar em Blanco. pg.18

19 O Estado de S. Paulo Brasil e Venezuela - a economia explica? Opinião SANDRA POLÓNIA RIOS E PEDRO DA MOTTA VEIGA A defesa dos interesses das empresas brasileiras tem sido evocada com freqüência para justificar posturas complacentes do governo brasileiro com os descaminhos da democracia em países da América do Sul, em particular da Venezuela. O crescimento das exportações brasileiras para o país vizinho desde o início do governo Chávez, que passaram de US$ 536 milhões em 1999 para US$ 5,056 bilhões em 2012, e a atuação de grandes grupos brasileiros na Venezuela, beneficiados pela "boa. vontade" do governo venezuelano, seriam motivos suficientes para estimular a pouco transparente manobra que resultou no ingresso da Venezuela no Mercosul ou o rápido reconhecimento de Nicolás Maduro como presidente eleito, mesmo antes que a controvérsia sobre a necessidade de recontagem dos votos estivesse superada. De fato, a participação da Venezuela como destino das exportações do Brasil cresceu de pouco mais de 1%, na década de 1990, para 2,08%, em 2012, ainda que o auge da relevância do país para as vendas externas brasileiras tenha sido alcançado em 2008, quandochegou arepresentarquase 3%do total dasexportações. Por outro lado, o Brasil só ganha participação no total das importações venezuelanas na primeira metade da década passada. De lá para cá, essa participação tem oscilado em torno de 9%, indicando que as boas relações entre os governos não têm representado benefícios especiais para os exportadores do Brasil em comparação com fornecedores de outros países. Também é verdade que grandes empresas do setor de construção civil atuam em obras públicas na Venezuela. Mas, embora possam ter sido beneficiadas pelo bom relacionamento do governo brasileiro com Chávez, a sustentação de seus interesses no país vizinho depende das boas condições das contas públicas venezuelanas, o que não parece estar garantido no médio prazo. Do mesmo modo, o propalado interesse de empresas brasileiras em investir na Venezuela tem-se esvanecido nos últimos anos. De acordo com o Indexlnvest Brasil - banco de dados de investimentos brasileiros na América do Sul e no México produzido pelo Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento (Cindes) -, entre 2007 e 2012 foram realizadas quatro operações de investimentos diretos por empresas brasileiras na Venezuela (duas em 2007, uma em 2008 e uma em 2010). Nesses seis anos, a Colômbia recebeu 20 operações de investimentos brasileiros; o Chile, 19; e o Peru, 8. De outro lado, Bolívia e Equador não receberam nenhum investimento brasileiro nesse período. Recentemente, mais do que a redução dos investimentos, empresas brasileiras têm anunciado o cancelamento de investimentos divulgados ou, mais grave, a decisão de encerrar suas atividades em países da região. Não por acaso, os anúncios de retirada são, na maioria dos casos, em países onde a instabilidade econômica é aliada à instabilidade política para gerar um clima de insegurança jurídica e reduzidas perspectivas de crescimento econômico. Assim, o expressivo investimento anunciado pela Braskem na Venezuela não se concretizou. A Ambev decidiu encerrar sua produção no país em razão da queda prolongada das vendas de seus produtos, além de um persistente aumento de seus custos operacionais. A Natura também anunciou o encerramento de suas atividades na Venezuela. Movimento semelhante vem sendo observado por empresas brasileiras com investimentos na Argentina. Não há dúvida de que a vizinhança é um espaço relevante para as empresas industriais brasileiras, tanto em suas relações de comércio como de investimentos diretos. Os crescentes investimentos brasileiros em países como Colômbia, Peru e Chile confirmam essa constatação. No entanto, a qualidade do entorno econômico e político importa. Sustentar os interesses econômicos em alianças com governantes que demonstram baixo compromisso com a democracia, transparência e segurança jurídica e buscam promover o crescimento recorrendo a medidas discricionárias, que protegem aliados e discriminam os supostos desafetos, não parece ser a melhor estratégia para promover o interesse das empresas brasileiras. A experiência dessas empresas na Amé- pg.19

20 O Estado de S. Paulo Continuação: Brasil e Venezuela - a economia explica? rica do Sul mostra que a melhor defesa dos seus interesses é a promoção de um ambiente de normalidade democrática e de políticas econômicas que privilegiem a transparência e a estabilidade de regras. O propalado interesse de empresas brasileiras em investir no país vizinho tem-se esvanecido nos últimos anos SÃO DIRETORES DO CINDES pg.20

21 O Estado de S. Paulo Confiança da indústria apresenta nova queda AVALIAÇÃO A percepção de que as vendas externas vão piorar está comprometendo a confiança da indústria, segundo a prévia do índice de Confiança da Indústria (IGI), que recuou 0,3% de março para abril. A avaliação de 807 empresários é que o mercado externo piorou, o que se refletirá, principalmente, nas vendas do setor intermediário e de bens de capital. "A indústria está entre o otimismo e o pessimismo", disse o economista Aloísio Campeio, do Instituto Brasileiro de Economia da FGV. pg.21

22 O Estado de S. Paulo G-20 e FMI veem riscos globais de médio prazo Relatório aponta que governos terão de fazer escolhas difíceis como, por exemplo, reformar o sistema financeiro Altamiro Silva Junior Os governos conseguiram reduzir significativamente os riscos de curto prazo para a recuperação da economia mundial, mas os riscos de médio prazo continuam elevados, a agenda de reformas não foi concluída e a recomendação é de que os países permaneçam vigilantes. Esse é o alerta do relatório Perspectivas Globais e Desafios Políticos, divulgado ontem pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo G-20, o grupo dos países mais ricos do mundo. Os governos agora têm o grande desafio de passar de um cenário de relativa estabilidade para outro de maior crescimento das economias. Algumas recomendações políticas são discutidas no relatório, que nota que os governos terão de fazer escolhas difíceis pela frente. Por exemplo,uma reforma do sistema financeiro é essencial e urgente, mas mudanças muito rápidas podem afetar os bancos e a recuperação da economia. Muitos bancos ainda precisam ser reestruturados e/ou recapitalizados, sobretudo na zona do euro, ressalta o FMI. Outra recomendação é o ajuste nas contas dos governos, que também vai exigir decisões difíceis. As finanças públicas precisam ser saneadas, mas o ritmo como isso terá de ser feito também pode afetar a atividade econômica e deve ser levado em conta."o aperto fiscal deve continuar em um ritmo que preserve a recuperação", ressalta o relatório. Já as políticas monetárias"ultra- acomodatícias" dos países desenvolvidos devem permanecer como estão, pois são apropriadas neste momento,mas os governos precisam considerar os riscos e efeitos colaterais indesejados, ressalta o FMI e o G-20. Entre esses efeitos, está o aumento dos fluxos internacionais de capital e o endividamento excessivo das empresas em meio aos juros muito baixos nos países desenvolvidos. Para os países emergentes, o FMI e o G-20 fazem um alerta de que essas políticas monetárias dos países desenvolvidos criam vulnerabilidades e eles precisam ficar alertas, construir proteções e estar propensos a recalibrar políticas econômicas em meio aos crescentes fluxos de capital. Reunião de Primavera. Além dessas recomendações,o documentofaz um sumário do quefoi discutido nareunião deprimavera do FMI e Banco Mundial e no encontro ministerial do G-20, que terminou no domingo em Washington. Uma das principais conclusões é de que o mundo cresce hoje a três velocidades. Os emergentes se expandem com mais força, alguns países desenvolvidos se recuperam e a zona do euro está em marcha à ré. A zona do euro, aliás, é novamente citada como a região mais problemática do mundo em termos econômicos, como já foi alertado na reunião de primavera. Otimismo 3,0% é a estimativa de crescimento para o Brasil feita durante a Reunião de Primavera 0,9% foi o avanço do País em 2012 pg.22

23 Folha de S. Paulo Indústria paulista fecha vagas e emprego perde vigor MERCADO Menor procura por trabalho evita alta maior do índice de desemprego em março Taxa em março registra leve aumento de 5,6% para 5,7%, mas é a menor para o mês desde 2002, afirma IBGE PEDRO SOARES DO RIO Os primeiros sinais de esgotamento do mercado de trabalho tornaram-se mais evidentes com a queda do emprego na indústria paulista. Em março,o emprego no setorcaiu 2,2%, puxadopelo fraco desempenho na região metropolitana de São Paulo, maior parque fabril do país. Mesmo sem a economia esboçar uma reação mais firme, a taxa de desemprego no país ficou em 5,7% em março --a menor para o mês desde o início da série do IBGE, em O nível é levemente maior que o de fevereiro (5,6%). Segundo a LCA, os números de fevereiro e de março sobre a criação de novos postos "surpreenderam pelo arrefecimento", o que está ligado ao movimento de moderação das contratações diante do processo de retenção de trabalhadores em "Pelas dificuldades de obtenção de mão de obra qualificada, pelos custos de demissão e pela perspectiva de retomada da atividade econômica --que vem sendo frustrada--, os empresários optaram pela manutenção de boa parte de seus trabalhadores em 2012", diz a consultoria. O número de vagas na indústria encolheu 4,8% em São Paulo, o equivalente à dispensa de 93 mil trabalhadores de fevereiro para março. Considerando todos os setores, a ocupação caiu 1,3% em São Paulo --num ritmo superior à queda de 0,2% na média das seis regiões pesquisadas pelo IBGE. Segundo Cimar Azeredo Pereira, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, o resultado de São Paulo não era esperado, pois a dispensa de trabalhadores temporários na região costuma ocorrer em janeiro ou, no máximo, em fevereiro. "Espera-se uma reação da indústria a partir de março ou abril", diz. Num primeiro momento, diz, essa situação reduz o total de contratações neste ano. Já a indústria enfrenta problemas como o câmbio não competitivo, a perda de fôlego do consumo interno e a confiança abalada dos empresários. A criação de vagas já não se mostra tão vigorosa como no ano passado e sinaliza uma acomodação do mercado de trabalho em geral. O mesmo ocorre com o rendimento, que aumentou apenas 0,6% ante março de A taxa de desemprego só não subiu graças à menor procura por trabalho. Mas, para o coordenador do IBGE, não é possível falar ainda que, diante do fraco crescimento da economia, o desalento reduziu a procura por trabalho. pg.23

24 Folha de S. Paulo Continuação: Indústria paulista fecha vagas e emprego perde vigor pg.24

25 Folha de S. Paulo Entenda como pensam os economistas DE SÃO PAULO MERCADO Economistas normalmente classificados como ortodoxos defendem que o Banco Central persiga taxas baixas de inflação, mesmo que isso envolva subir os juros em momentos de alta de preços, freando a economia. Isso garantiria crescimento de longo prazo mais alto e estável. Economistas chamados heterodoxos acreditam que o Banco Central pode ser um pouco mais tolerante com a inflação para evitar freadas da economia, sem que isso prejudique a tendência de crescimento. pg.25

26 Folha de S. Paulo Dilma sugere diálogo entre Vale e Argentina MERCADO A retirada da Vale de megainvestimento de US$ 6 bilhões, na província de Mendoza, foi um dos temas que geraram mais expectativa com relação à reunião. O ministro Julio De Vido (Desenvolvimento) disse, ainda, que a saída seria "a Vale voltar e explorar as jazidas". O encontro contou com a participação dos ministros Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e Antonio Patriota (Relações Exteriores) e de seus pares argentinos, além da secretaria de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, e da presidente da Petrobras, Graça Foster. A executiva não quis comentar as especulações de que a empresa estaria vendendo ativos no país vizinho. Dilma Rousseff e Cristina Kirchner em Buenos Aires Já o ministro da Agricultura, Norberto Yahuar, disse que houve muitos avanços nos acordos fitossanitários e que novos limites de exportações seriam anunciados. Mineradora anunciara retirada de investimento de US$ 6 bi no país vizinho SYLVIA COLOMBO DE BUENOS AIRES A presidente Dilma Rousseff disse ontem, em Buenos Aires, que a Vale, que anunciou a retirada de investimento bilionário em potássio na Argentina, "vai encontrar, com o diálogo, o melhor caminho possível com as autoridades" locais. A declaração foi feita em entrevista conjunta com a presidente argentina Cristina Kirchner, após reunião que durou cerca de sete horas. INTEGRAÇÃO Dilma reforçou, ainda, que a resposta às consequências da crise dos países desenvolvidos era a "integração". Elas comentaram as eleições na Venezuela e no Paraguai, elogiando ambos os processos e dizendo que o Mercosul sai deles reforçado. "Mas repudiamos com veemência os atos de violência, como ficou claro na declaração assinada em Lima pelos membros da Unasul", disse Cristina, referindo-se ao distúrbios na Venezuela. As duas presidentes disseram ter discutido todos os assuntos da agenda bilateral econômica e que eles serão aprofundados na semana que vem, em reunião técnica em Montevidéu, no Uruguai. Em 2012, as vendas brasileiras para a Argentina caíram 22%, enquanto no primeiro trimestre deste ano a queda foi de 10%. pg.26

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