estudos organizacionais: Abordagem Integrativa e Modelos Emergentes

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1 Universidade regional do noroeste do estado do rio grande do sul unijuí vice-reitoria de graduação vrg coordenadoria de educação a distância CEaD Coleção Educação a Distância Série Livro-Texto Ariosto Sparemberger Dinarte Belato Maira Fátima Pizolotto Marivane da Silva Neyta Oliveira Belato Pedro Carlos Rasia estudos organizacionais: Abordagem Integrativa e Modelos Emergentes Ijuí, Rio Grande do Sul, Brasil 2012

2 2012, Editora Unijuí Rua do Comércio, Ijuí - RS - Brasil Fone: (0 55) Fax: (0 55) Editor: Gilmar Antonio Bedin Editor-adjunto: Joel Corso Capa: Elias Ricardo Schüssler Revisão: Véra Fischer Designer Educacional: Jociane Dal Molin Berbaum Responsabilidade Editorial, Gráfica e Administrativa: Editora Unijuí da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí; Ijuí, RS, Brasil) Catalogação na Publicação: Biblioteca Universitária Mario Osorio Marques Unijuí E82 Estudos organizacionais : abordagem integrativa e modelos emergentes / Ariosto Sparemberger... [et al.]. - Ijuí : Ed. Unijuí, p. (Coleção educação a distância. Série livro-texto). ISBN Administração. 2. Estudos organizacionais. 3. Cultura organizacional. 4. Administração participativa. 5. Responsabilidade social. I. Sparemberger, Ariosto. II. Título. III. Título: Abordagem integrativa e modelos emergentes. IV. Série. CDU :

3 Sumário CONHECENDO OS PROFESSORES...5 INTRODUÇÃO...13 UNIDADE 1 CONTEXTO DO PARADIGMA INTEGRADOR NOS ESTUDOS ORGANIZACIONAIS...15 Seção 1.1 Estabelecendo conexões...15 Seção 1.2 Contexto Mundial Contemporâneo e Suas Principais Mudanças O fim da ordem econômica e política: 1945/ Globalização: uma nova ordem mundial em construção A globalização do século A economia global entrou em crise aguda em setembro de Seção 1.3 As Organizações Enquanto Sistemas Sociais Dinâmicos e Complexos...28 UNIDADE 2 PARADIGMA SISTÊMICO...33 Seção 2.1 Teoria Geral dos Sistemas: suas intenções e principais contribuições...33 Seção 2.2 Teoria Sistêmica na Teoria das Organizações...46 Seção 2.3 As Organizações como Sistemas Abertos e Sociais: modelos de análise...58 Seção 2.4 Limitações e Avanços na Teoria Sistêmica Aplicada na Forma de Pensar e Fazer a Gestão...65 UNIDADE 3 ORIENTAÇÃO CONTINGENCIAL: UMA ABORDAGEM CONTEXTUAL...69 Seção 3.1. Conceito e Origem da Teoria Contingencial...69 Seção 3.2 Principais Pesquisas do Paradigma Contingencial Pesquisa de Joan Woodward Pesquisa de Burns e Stalker Pesquisa de Lawrence e Lorsch Pesquisa de Chandler Pesquisa de Aston...81 Seção 3.3 Estruturas e Sistemas Organizacionais Estrutura funcional...82

4 3.3.2 Estrutura divisional Estrutura matricial Estrutura horizontal...88 Seção 3.4 Limitações e Críticas à Teoria das Contingências...89 UNIDADE 4 A ORIENTAÇÃO INTERPRETATIVA: A CULTURA ORGANIZACIONAL...93 Seção 4.1 Cultura Organizacional: origem e abordagem conceitual...93 Seção 4.2 Funções da Cultura...97 Seção 4.3 Criação e Manutenção da Cultura...98 Seção 4.4 Gestão da Cultura Organizacional...99 Seção 4.5 Questões Emergentes na Cultura Organizacional UNIDADE 5 PARADIGMA DA ADMINISTRAÇÃO PARTICIPATIVA E DA RESPONSABILIDADE SOCIAL Seção 5.1 Paradigma da Administração Participativa Seção 5.2 Paradigma da Responsabilidade Social UNIDADE 6 TEMAS EMERGENTES Seção 6.1. Holismo: modelo holográfico Seção 6.2. Teorias Ambientais: gestão do meio ambiente Revisando o conceito, o objetivo e o fundamento da gestão ambiental Finalidades e princípios básicos da gestão ambiental Posicionamento da empresa Sistemas e benefícios da gestão ambiental Seção 6.3. Revendo os Paradigmas para a Análise das Organizações Teoria da Complexidade Teoria da Crítica Teoria do Caos Adhocracia ReAdministração Organizações de Aprendizagem Organizações Virtuais REFERÊNCIAS...161

5 Conhecendo os Professores EaD estudos organizacionais: abordagem Integrativa e modelos emergentes ARIOSTO SPAREMBERGER É natural de Ijuí (RS). No ano 2000 obteve o título de mestre em Administração na Universidade Federal de Santa Catarina. Em 2010 obteve o título de doutor pela Universidad Nacional de Misiones (Unam) Argentina. Ingressou no Ensino Superior na Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e Missões (URI) São Luiz Gonzaga em 1998, atuando como professor e coordenador do curso de Administração. Desempenhou as mesmas funções na Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) campus de Carazinho por dois anos. Na Unijuí é professor e pesquisador do Departamento de Ciências Administrativas, Contábeis, Econômicas e da Comunicação Dacec. Atua como professor em programas de ensino de Graduação e cursos de Pós-Graduação, em projetos de pesquisa na área da Gestão Organizacional e coordena o programa de extensão em Gestão de Varejo Progev. Tem publicações em livros, periódicos, participação em eventos nacionais e internacionais. DINARTE BELATO Sou bacharel e licenciado em Filosofia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ijuí e mestre em História do Brasil pela Universidade Estadual de Campinas e especialista em Filosofia Contemporânea pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Leciono na Unijuí desde agosto de Antes disso, por dois anos, em Porto Alegre, dei aulas de Língua Portuguesa, Latim, Espanhol, Francês, História, Geografia, para jovens e adultos, em cursos supletivos. O que lecionei como professor universitário ao longo destes 44 anos: 5

6 Ariosto Sparemberger Dinarte Belato Maira Fátima Pizolotto Marivane da Silva Neyta Oliveira Belato Pedro Carlos Rasia História da Filosofia; Filosofia da Educação, Estética, Ética e Lógica. Esta foi minha fase de filósofo; lecionei História da Educação, no curso de Pedagogia, por longos anos; a fase mais longa de minha profissão foi a de historiador: leciono História da América Latina, Historia Moderna e, sobretudo, História Contemporânea. Foi por isso que me tornei um analista contumaz da conjuntura mundial. Afinal, sou testemunho ativo dos últimos 46 anos de história do mundo; leciono também Ciência Política aos alunos do curso de Direito e História Econômica aos alunos do curso de Economia. Fiz mais duas coisas que considero significativas: Em primeiro lugar, as pesquisas que tenho feito e faço sobre a sociedade agrária dos trabalhadores rurais: colonos, índios, caboclos, com ou sem terra. Atualmente faço pesquisas sobre a história da velhice, a história da morte e história dos alimentos. Acho que esses temas têm tudo a ver uns com os outros. Em segundo lugar, dediquei um ano e meio de pesquisa para escrever quatro livros destinados ao estudo de alunos de história no sistema de Educação a Distância: Civilizações Clássicas I (que trata da História das civilizações antigas da Ásia: Mesopotâmia, Índia, China e a civilização africana do Egito); Civilizações Clássicas II (que trata das civilizações do Mediterrâneo: Grécia e Roma Antigas e as civilizações americanas que se desenvolveram até a chegada dos europeus, em 1492); História Medieval (neste livro trato das civilizações da Europa medieval e da civilização islâmica). Concluí em julho de 2011 um quarto livro: História Contemporânea (1870/2011). Em terceiro lugar, dediquei um tempo enorme à educação de jovens e adultos, a grupos ligados a movimentos e organizações sociais e a professoras das redes públicas estadual e municipal, e com muita gente interessada e preocupada com o destino de nossa terra, da vida, da natureza, do meio ambiente. Tenho 68 anos, nasci em 14 de janeiro de 1943, em Maximiliano de Almeida (RS); sou casado com a professora Neyta, temos dois filhos: Juliano e Luísa e os netos Júlia, Tiago e Leonardo. 6

7 estudos organizacionais: abordagem Integrativa e modelos emergentes MAIRA FÁTIMA PIZOLOTTO Sou mestre em Administração de Organizações e de Recursos Humanos pelo Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGA/UFRGS), graduada em Ciências Contábeis pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí) e em Administração pela Universidade Regional do Alto-Uruguai e das Missões (URI). Minha trajetória profissional iniciou-se em uma cooperativa (Cotrijuí Unidade de Santo Augusto), em que exerci, entre outras funções, a responsabilidade pelo Departamento de Pessoal. Após a conclusão do Mestrado realizei processo seletivo para o quadro de professores do Departamento de Estudos da Administração (DEAd) na Unijuí, ao qual tenho a satisfação de pertencer há 11 anos. Para além das atividades docentes no curso de Administração e Programas de Pós-Graduação exerço também a Coordenação da Área Temática Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho e atividades de pesquisa. Também atuo em atividades de docência em Programas de Pós- Graduação de outras instituições de Ensino Superior (IES) de nossa região. MARIVANE DA SILVA Sou mestre em Desenvolvimento pela Unijuí (2007), especialista em Gerenciamento de Micro e Pequenas Empresas (modalidade a distância) pela Universidade Federal de Lavras Ufla/MG (1998) e graduada em Administração de Empresas pela Unijuí (1997). Tenho atuado como profissional técnica na própria Universidade. Por dez anos atuei no Departamento de Estudos da Administração DEAd (atual Dacec Departamento de Ciências Administrativas, Contábeis, Econômicas e da Comunicação); e em 2005, passei a atuar na Reitoria da Unijuí, na Vice-Reitoria de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão (um ano), e desde então, atuo na Secretaria dos Conselhos. 7

8 Ariosto Sparemberger Dinarte Belato Maira Fátima Pizolotto Marivane da Silva Neyta Oliveira Belato Pedro Carlos Rasia Sou docente colaboradora hora-aula da Unijuí desde 2002, tendo minha inserção na docência iniciado no curso de Administração, no campus Panambi. Posteriormente, atuei nos demais campi Três Passos, Ijuí e Santa Rosa, no curso de Administração Presencial e EaD, bem como nos tecnólogos. Minha atuação acadêmica ocorre na área das Teorias da Administração, Estágios, Pesquisa em Administração, Gestão Pública, e mais recentemente, em Gestão de Pessoas. Como profissional da Administração sou filiada ao Conselho Regional de Administração CRA/RS desde 2000, com participação em atividades e representação da Unijuí nesta autarquia. Tenho conciliado minhas atividades acadêmicas e administrativas, o que me permitiu ter uma interação maior com os diversos públicos da Universidade e aos poucos trilhar uma caminhada como professora universitária. Ensinar é uma arte que requer interação entre os atores sociais, permitindo-lhes espaço para serem protagonistas dessa história. Ser docente é ser um eterno pesquisador e aprendiz da ciência e da vida. NEYTA OLIVEIRA BELATO Nascida em São Lourenço do Sul (RS) em 25 de abril de Fiz o curso primário e o ginasial em escolas da minha cidade natal e o curso secundário, modalidade normal, no Colégio São José, em Pelotas. Sou socióloga, formada pela UFRGS no ano de 1967 e mestre em Administração Pública com ênfase na área de Recursos Humanos pela Fundação Getúlio Vargas, do Rio de Janeiro, com dissertação defendida em Como professora atuei no ensino primário, secundário e universitário, sempre buscando qualificar-me como profissional da educação. 8

9 estudos organizacionais: abordagem Integrativa e modelos emergentes A carreira no ensino superior iniciou-se em 1968 na então, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ijuí, como professora de Sociologia do curso Básico, na categoria de assistente do professor Mario Osorio Marques. Ao voltar do curso de Mestrado e de especialização em Planejamento Urbano passei a atuar no curso de Administração, como atividade prioritária, em que sempre assumi atividades de docência e de extensão universitária. Fui responsável por conduzir o ensino e as aprendizagens de diversas disciplinas, destacando-se Administração de Recursos Humanos/Gestão de Pessoas e da área das Teorias Organizacionais, o qual considero uma das linhas estruturantes do curso. No fazer da extensão universitária contribuí na coordenação e na execução de atividades junto ao Departamento de Administração no Programa de Administração Municipal, espaço no qual concebi, acompanhei e avaliei diversos programas e projetos, todos voltados para as questões de desenvolvimento municipal e regional, destacando-se a metodologia do planejamento participativo como instrumento de ação pedagógica para qualificar as ações de intervenção na realidade. Ao aprofundar as reflexões sobre a participação das pessoas em seus espaços de atuação junto aos municípios, acontece a estruturação do Seminário Permanente de Educação Popular (Spep), que foi integrado às atividades do Departamento de Pedagogia. Foi um programa demandado pelos movimentos sociais no espaço universitário que criou uma estrutura específica para sua atuação com representação dos sujeitos envolvidos e comprometidos com as temáticas em desenvolvimento para cada período de programação. Esta experiência me desafiou a aprofundar estudos para acompanhar as práticas sociais dos sujeitos envolvidos nas áreas de participação, sistematização de experiências, planejamento, teorias pedagógicas, análise de conjuntura, avaliação de práticas, entre outros temas. Nessa atuação foram produzindo-se novos conhecimentos de conteúdos e de metodologias que busquei transferi-los, adaptando-os para situações da sala de aula. Na perspectiva da educação formal trabalhei desafiando os alunos a avançarem sempre mais em seus níveis de conhecimento. 9

10 Ariosto Sparemberger Dinarte Belato Maira Fátima Pizolotto Marivane da Silva Neyta Oliveira Belato Pedro Carlos Rasia Na área de gestão universitária, tive experiência na chefia do Departamento de Estudos da Administração, Coordenação do Curso, Vice-Reitora da Faculdade de Administração, Contábeis e Econômicas de Ijuí Facacei, coordenação executiva de diversos projetos voltados para o ensino e para a extensão universitária que contribuíram para colocar em prática uma visão sistêmica dos objetos em questão, isto tanto na reflexão teórica quanto na prática operacional, visão que me levou a melhor compreender a complexidade dos fatos e a me fazer cada vez mais comprometida com minha atuação profissional. Foi sempre um trabalho construído por meio das relações estabelecidas com os sujeitos alunos, colegas de trabalho, sujeitos sociais diversos, ONGs e instituições que foram envolvidos nos mais diferentes processos estabelecidos. Hoje estou na categoria de professora sênior e julgo-me feliz com minha trajetória profissional e pessoal, da qual participam e também contribuem para que eu seja mais, Dinarte Belato, meu esposo, e meus filhos, Juliano e Luísa, juntamente com suas famílias. PEDRO CARLOS RASIA Sou natural de Ijuí, município que integra o Conselho Regional de Desenvolvimento do Noroeste Colonial (Corede-Norc) do Rio Grande do Sul/Brasil. O início da minha caminhada profissional deu-se em virtude da oportunidade de participar da científica, como auxiliar de pesquisa no Instituto de Pesquisa e Planejamento (IPP) da Fidene. Esse envolvimento com a pesquisa, pesquisadores e estudos sobre a realidade regional despertou e revelou a importância da investigação científica para o conhecimento e para subsidiar o planejamento e o processo de desenvolvimento. Na década de 80 atuei como assistente de planejamento e projetos no Setor de Planejamento, Projetos e Informações (SePPI) da Fidene/Unijuí. Minha formação acadêmica iniciou-se com os cursos de Tecnólogo em Cooperativismo (1979) e Bacharelado em Administração (1984), ambos na Fidene. Realizei também o curso de Graduação em 10

11 estudos organizacionais: abordagem Integrativa e modelos emergentes Licenciatura para professor de matérias técnicas de Segundo Grau pela Unijuí, em 1986, o que me possibilitou a iniciação no magistério pelo Ensino Técnico em colégios e Escolas de Ensino Médio (CNEC e SECRS-EE 25 de Julho). Os estudos de Pós-Graduação ocorreram em com o Mestrado em Administração na Universidade Federal de Santa Catarina (PPGA/UFSC), em seguida com o curso de Especialização em Ciências da Computação realizado na PUC/POA/ RS, concluído em Sou membro do Conselho Regional de Administração (CRA/RS) desde A partir de 1999 passei a ser Responsável Técnico da Fidene/Unijuí e desde 2010 também da Associação Instituto de Políticas Públicas (AIPD) junto ao CRA/RS. Desde o início da década de 90 tenho participado de grupos de pesquisa, planejamento e avaliação institucional. Integrei a Comissão Própria de Avaliação (CPA) da Unijuí (1991 a 2009). No período de 2002 a 2006 fui avaliador ad hoc do Inep/MEC sobre as condições de funcionamento para fins de reconhecimento de cursos de Administração (Empresas e Pública). A partir de 2010 passei a fazer parte como membro titular do Comitê de Ética em Pesquisa da Unijuí. Desde 1987 estou alocado e atuando no atual Departamento de Ciências Administrativas, Contábeis, Econômicas e da Comunicação (Dacec) da Unijuí, que mantém programas de ensino como o curso de Administração (presencial e EaD) e o Programa de Formação Superior de Tecnologia em Gestão e Negócios, além de Programas de Pesquisa e Extensão nos quais tenho envolvimento e interesse com as práticas, instrumentos e sistemas de gestão em micro, pequenos e médios empreendimentos (mpmes), no Programa Transdisciplinar Incubadora de Economia Solidária e Desenvolvimento e Tecnologia Social da Unijuí (Itecsol/Unijuí) e da Incubadora de Empresas de Inovação Tecnológica (Criatec). Na segunda metade da década passada estive envolvido nos Programas Capacitação Empresarial e Redes de Cooperação conveniados entre Fidene-Sedai/RS, bem como participando em projetos de pesquisa, extensão e consultoria, o que tem proporcionado subsídios e inserção ativa na realidade regional, possibilitando diagnosticar, regis- 11

12 Ariosto Sparemberger Dinarte Belato Maira Fátima Pizolotto Marivane da Silva Neyta Oliveira Belato Pedro Carlos Rasia trar, sistematizar e socializar estas práticas na produção científica: Planos e Projetos: Elaboração, execução, gestão, registro e avaliação dos impactos (mais de duas dúzias); elaboração, publicação e apresentação em eventos de nove artigos, cinco cadernos, nove capítulos de livros e organização de três livros e de um Plano Estratégico Regional. 12

13 Introdução EaD estudos organizacionais: abordagem Integrativa e modelos emergentes Estudos Organizacionais: abordagem integrativa e modelos emergentes é uma disciplina cujo foco central de discussão está na tecnologia e no ambiente das organizações, vistas como um sistema aberto, adaptativo e flexível. Trata-se do terceiro e último Caderno com enfoque específico Estudos Organizacionais a ser discutido no rol de disciplinas que compõem o currículo de formação profissional do(a) Administrador(a). No primeiro Caderno tratou-se da abordagem estrutural, cuja centralidade estava na racionalidade funcional (tarefas e estruturas) nas concepções clássicas da Administração e de gestão. No segundo Caderno tratou-se da abordagem humanista, cuja discussão focou no paradigma humanista, comportamental e demais abordagens decorrentes do modelo de gestão, e, ainda, do modelo de desenvolvimento organizacional. Neste terceiro Caderno trataremos da abordagem integrativa, cuja discussão está focada no paradigma sistêmico e contingencial, até chegar numa orientação interpretativa (cultura organizacional) e no paradigma da Administração Participativa e da Responsabilidade Social, concluindo com uma sucinta exposição dos temas emergentes de gestão que representam os novos paradigmas de análise das organizações. O paradigma integrador nos Estudos Organizacionais contempla inicialmente, a visão do foco interno no projeto organizacional, agregando a preocupação externa voltada para a incerteza ambiental. O contexto após a Segunda Guerra Mundial de intenso processo de desenvolvimento econômico, político e social intensificou as transformações nos padrões gerenciais, havendo também um processo de despolitização dos processos de tomada de decisão por meio dos quais se estabeleceu uma adaptação funcional adequada entre a organização e o seu ambiente. Vamos continuar nossa viagem na própria história da Administração e, com base nos autores clássicos e contemporâneos, conhecer as contribuições da abordagem mais contemporânea da Gestão, que exibem a integração entre as organizações, os indivíduos, o ambiente e a tecnologia. Portanto, o presente livro está dividido em seis unidades: A Unidade 1 apresenta o contexto do paradigma integrador nos estudos organizacionais, focando essencialmente a leitura do contexto mundial contemporâneo e sua inter-relação com as organizações vistas como sistemas sociais dinâmicos e complexos. 13

14 Ariosto Sparemberger Dinarte Belato Maira Fátima Pizolotto Marivane da Silva Neyta Oliveira Belato Pedro Carlos Rasia A Unidade 2 trata do paradigma sistêmico, que articula o modelo sistêmico de organização com as dimensões social e tecnológica para lidar com os problemas organizacionais. A Unidade 3 começa discorrendo sobre o conceito e a origem da Teoria Contingencial, que começou a ser produzida nos anos 60, avançando na trajetória da Administração para lidar com a complexidade crescente dos sistemas produtivos e das organizações, em decorrência das transformações tecnológicas dos anos 70. A lógica dos modelos organizacionais exigiu cada vez mais a diferenciação e a especialização, conforme os requisitos dos ambientes em que estavam inseridos. Na sequência, foi apresentada uma série de pesquisas, cujo objetivo era aplicar os conceitos das principais teorias administrativas em situações gerenciais concretas e demonstrar a importância do ajustamento das estruturas organizacionais às ameaças e oportunidades existentes nos seus ambientes, com características mais flexíveis e orgânicas. Já a Unidade 4 apresenta a orientação interpretativa a cultura organizacional, desde sua origem até as questões mais emergentes que envolvem a temática em questão. A Unidade 5 trata de abordar o paradigma da Administração Participativa e da Responsabilidade Social cujo foco está em contextualizar essa discussão no campo administrativo como modelos e estratégias utilizadas para envolver os trabalhadores das diversas esferas organizacionais e de se aproximar da perspectiva dos clientes, evoluindo da preocupação econômica para a questão social. Por fim, na Unidade 6, vamos conhecer os principais temas emergentes que marcam a sociedade contemporânea, com suas concepções e limitações, para entender as práticas gerenciais, bem como elucidar reflexões no sentido de que há muito mais a ser explorado no campo de estudo da gestão organizacional. Este é apenas um ensaio expositivo de temas que carecem de um aprofundamento de estudos uma continuidade na descoberta do que podem contribuir para a gestão das organizações. Concluímos este livro-texto com a apresentação das referenciais bibliográficos, que contribuíram para a elaboração deste arcabouço teórico, e que representa um caminho para você conhecer mais uma parte da história da Administração, bem como o rol de indicações para que possa aprofundar seus estudos e reflexões nos Estudos Organizacionais. Esperamos que os textos que compõem as unidades deste livro despertem em você o desejo de aprender e de construir o conhecimento do mundo da Gestão. Aprender sem pensar é tempo perdido (Confúcio). 14

15 Unidade 1 estudos organizacionais: abordagem Integrativa e modelos emergentes CONTEXTO DO PARADIGMA INTEGRADOR NOS ESTUDOS ORGANIZACIONAIS Neyta Oliveira Belato Dinarte Belato OBJETIVOS DESTA UNIDADE Relacionar os conteúdos da abordagem em foco com os paradigmas contemporâneos da administração. Contextualizar a abordagem integrativa e os modelos emergentes nos estudos organizacionais. AS SEÇÕES DESTA UNIDADE Seção 1.1 Estabelecendo conexões Seção 1.2 Contexto mundial contemporâneo, e suas principais mudanças Seção 1.3 As organizações enquanto sistemas sociais dinâmicos e complexos Seção 1.1 Estabelecendo Conexões Considerando nossas aprendizagens ocorridas no desenvolvimento dos componentes Estudos Organizacionais na abordagem estrutural e na abordagem humanista, vamos procurar criar as condições para avançarmos nas reflexões, desta vez no enfoque dos Estudos Organizacionais: abordagem integrativa e modelos emergentes. Seguiremos com o fio condutor no olhar dos paradigmas por se tratar de uma forma mais crítica de analisar o conhecimento produzido na área das Teorias Organizacionais. 15

16 Ariosto Sparemberger Dinarte Belato Maira Fátima Pizolotto Marivane da Silva Neyta Oliveira Belato Pedro Carlos Rasia Estamos entendendo paradigma como uma forma de ver, analisar e agir em uma determinada realidade que, por sua vez, deixa transparecer conhecimentos, valores e crenças aprendidas ao longo de uma história, de uma vida (revejam suas descrições da Unidade 2 da série Livro-Texto Estudos Organizacionais: abordagem estrutural). Um novo paradigma surge quando determinado modelo não dá mais conta de analisar, intervir e modificar um determinado fenômeno da realidade, o que não é diferente para a área da Administração e das organizações. Destaca-se que as mudanças ocorrem por influência de uma multiplicidade de fatores como: o avanço da ciência, novas teorias, novos contextos, novas descobertas tecnológicas, novas experiências organizativas, novas formas de considerar os seres humanos, suas culturas e demais dimensões colocadas pelo mundo globalizado. Como vocês já vêm estudando, vivemos em um mundo com mudanças constantes que exigem sempre mais conhecimentos e a formação de um pensamento complexo para diagnosticar problemas, enfrentar necessidades, superar desafios que nos são postos, no cotidiano da vida e dos negócios, quer seja na perspectiva teórica da produção do conhecimento ou nas práticas de gestão. Enfrentar situações de mudanças não é coisa fácil e desafia igualmente os pesquisadores, os estudantes e práticos a desenvolverem estudos sistemáticos, com registros adequados conforme a realidade do que estiver sendo sistematizado, se quisermos fazer aprendizagens individual e organizacional. Vamos agora abordar como vêm se construindo a abordagem integrativa e os modelos emergentes, de forma a auxiliar na compreensão evolutiva dos Estudos Organizacionais. Vocês devem estar se perguntando: Por que esta disciplina Estudos Organizacionais tem uma abordagem integradora? Vamos adiantando algumas possibilidades de entendimento para que possam construir outras interpretações ao longo de nossas reflexões. A visão integradora incorpora influências conceituais e fundamentos trazidos pelos pioneiros do pensamento sistêmico, na medida em que já empregavam a ideia de sistema para definir as organizações no momento em que buscavam entender seu dinamismo. Destacamos nessa construção procedimentos como: a) buscar analisar as contribuições teóricas existentes na dimensão do processo histórico, destacando concepções ainda válidas na contemporaneidade e que estivessem abertas a múltiplas explicações e à reconceitualização; 16

17 estudos organizacionais: abordagem Integrativa e modelos emergentes b) resgatar práticas administrativas ou de gerência que estivessem abertas a várias conversações na busca de qualificar os enfoques, os processos e as intencionalidades organizacionais; c) detectar a necessidade de olhar e tratar a organização como um todo integrado e complexo, com destaque para as relações entre suas partes, tanto interna quanto externamente. Esta é a condição para melhor compreendê-las no contexto em geral. A abordagem integrativa traz percepções conceituais e interpretativas de outros campos do conhecimento, que se baseiam na multidisciplinaridade para melhor explicitar os fenômenos sociais, como é o caso da Antropologia, da Sociologia, da Psicologia e da política como contribuições da área das Ciências Sociais. Incorporam, no entanto, também, conhecimentos da economia, da cibernética e da pesquisa operacional para destacar algumas abordagens que igualmente contribuem para integrar novas visões sobre os fatos administrativos e sobre as organizações. A abordagem integrativa procura dialogar com vários sujeitos e observar vários tipos de experiências na busca de construção de novas ideias, de novas práticas organizacionais, na perspectiva da construção de consensos que auxiliem no avanço da interpretação do fato administrativo como um fato global e nas formas de gestá-lo de maneira mais integrada possível. Na medida em que se avança nos estudos organizacionais, novos paradigmas vão se destacando, e é a partir deles que vão surgindo os novos modelos de análise organizacional, e por vezes, até contraditórios entre si. Nesse embate vão surgindo novas temáticas na busca de atender dimensões não explicitadas ou parcialmente consideradas ao longo do desenvolvimento das organizações e das teorias que têm buscado interpretá-las. É interessante usar como simbologia da produção do conhecimento, a ideia de como os estudos organizacionais poderiam ser observados numa lógica de movimento de uma espiral, que vai se desenvolvendo de forma contínua e sendo enriquecido pelas aprendizagens ocorridas no processo de se desafiar a crescer e a se desenvolver, cujo movimento incorpora as experiências passadas, contextualiza-se no presente e projetam-se para o futuro. Nessa perspectiva, as metanarrativas de Reed (1998 apud Clegg, Hardy; Nord, 1998) apresentadas no livro-texto Estudos Organizacionais: abordagem estrutural (2009), são de grande relevância, pois mostram uma preocupação com as temáticas centrais, tanto do ponto de vista teórico como da gestão, ocorrida em determinada época e contexto, mas que ainda tem atualidade, como é o caso da busca sempre maior pela racionalidade administrativa, mesmo que dentro de diversas lógicas; é uma realidade presente em todas as organizações e em todos os enfoques teóricos, como se observa na Figura 1. 17

18 Ariosto Sparemberger Dinarte Belato Maira Fátima Pizolotto Marivane da Silva Neyta Oliveira Belato Pedro Carlos Rasia METANARRATIVA ANALÍTICA Michael Reed MÉTAFORAS Morgan ÊNFASE NA LÓGICA ORGANIZATIVA De Estado guarda noturno ao Estado Industrial RACIONALIDADE MECANICISTA Racionalidade operacional/funcional ORGÂNICA Racionalidade comunicativa /substantiva De capitalismo gerencial a capitalismo neoliberal CUSTO/BENEFÍCIO Racionalidad econômica De coletivismo liberal a corporativismo negociado Racionalidade legal/institucional a pós-ind./pós-mod. Democracia repressiva e democracia representativa CONHECIMENTO JUSTIÇA CÉREBRO/CULTURA FLUXO DE TRANSFORMAÇÃO Integração diversos tipos de lógicas dependendo da situação Racionalidade dos direitos/substantiva Capitalismo em expansão globalizada CRIATIVIDADE Racionalidade crítica/intuição Figura 1 Possibilidades para análise organizacional Fonte: Elaborado pela professora Neyta Belato (2011). A Figura 1 mostra algumas relações entre os paradigmas em destaque, em que se observa que a problemática principal da metanarrativa de Reed (1998) é o consenso para se chegar a uma integração, a qual está muita ligada com as preocupações de Morgan (1996), que trabalha a organização como um sistema vivo, com foco na metáfora orgânica. Voltando-se à metanarrativa da integração, destaca-se que ela dá ênfase às lógicas da racionalidade substantiva e da racionalidade comunicativa, sem deixar completamente de lado outras possibilidades. Se a metanarrativa da integração inicia sua explicitação com os estudos das Relações Humanas e do Comportamentalismo, tem seu aprofundamento e ampliação argumentativa no campo da reflexão teórica e das práticas de gestão com a aplicação do Paradigma Sistêmico na teoria das organizações. A narrativa da integração evidencia a busca de entendimentos sobre processos e atividades que estão mutuamente relacionados para a realização dos objetivos organizacionais, tanto internamente, entre suas partes, os subsistemas, quanto externamente, entre o meio específico e o meio geral com quem a organização mantém relações. 18

19 estudos organizacionais: abordagem Integrativa e modelos emergentes Essa compreensão é reforçada por Morgan (1996) ao analisar a organização por meio da metáfora orgânica, que a entende como uma entidade viva que mantém constante interação com o meio ambiente objetivando satisfazer suas necessidades básicas. Isto para dar continuidade a sua existência e do meio social em que está inserida, na medida em que estão sempre enfrentando novas necessidades e como consequência, novos desafios. Essa busca da integração se dá no contexto do desenvolvimento do capitalismo liberal que é orientado pela proposta de um Estado de bem-estar social. Essas noções, no entanto, vocês desenvolveram ao longo das disciplinas de Estudos Organizacionais, que antecederam a este e, estamos apenas mostrando as relações para avançarmos na comparação do paradigma contemporâneo da Administração. Nogueira (2007) tem na teoria sistêmica um marco conceitual que muda as formas de ver a organização e de fazer a gestão, como estudaremos na próxima unidade. Os paradigmas contemporâneos estão orientados para desvendar e entender a articulação entre os contextos externos e internos das organizações. Nogueira (2007, p. 108) explicita que a ideia é o ajuste da empresa no contexto geral, o que pressupõe maior equilíbrio, em seu contexto interno, entre as dimensões técnicas e sociais defendidas nos paradigmas formadores. É para entender melhor essas relações que vamos destacar alguns pontos para caracterizar o contexto mundial na contemporaneidade, com ênfase para as últimas décadas do século 20 e início do século 21, tendo por base as contribuições de Dinarte Belato. 1 Seção 1.2 Contexto Mundial Contemporâneo e Suas Principais Mudanças Para entender as organizações na sua globalidade sempre se fez necessário a contextualização do espaço e do tempo onde estão inseridas. Hoje esta abordagem faz-se necessária, considerando a complexidade e o dinamismo dos fatos econômicos e sociais que têm impactado diretamente e de forma contundente os mais variados tipos de organizações e nos mais diversos continentes. Com esta preocupação, passaremos a discorrer sobre os fatos ocorridos nas últimas décadas, que têm implicações diretas e indiretas na vida das organizações e da sociedade como um todo. 1 Dinarte Belato é especialista em análise de conjuntura. 19

20 Ariosto Sparemberger Dinarte Belato Maira Fátima Pizolotto Marivane da Silva Neyta Oliveira Belato Pedro Carlos Rasia O fim da ordem econômica e política: 1945/1980 Na década de 80 acentua-se e generaliza-se uma crise econômica e política de extensão mundial. Essa crise representa o esgotamento e término de um longo ciclo de crescimento econômico iniciado em 1945, imediatamente após o término da Segunda Guerra Mundial e cujos parâmetros econômicos, políticos e institucionais foram estabelecidos na Conferência de Bretton Woods, no Estado de New-Hampshire, Estados Unidos da América. Participaram da Conferência 730 delegados de 44 países, todos eles aliados na guerra contra a Alemanha, Japão e Itália, os chamados países do Eixo. Os objetivos fundamentais da Conferência foram os seguintes: impedir uma nova guerra mundial; evitar crises econômicas e recessões como a de 1929; definir uma nova ordem econômica, seus fundamentos e instituições. A nova ordem mundial foi afiançada pelos EUA que, ao término da Segunda Guerra, se constituía na maior potência econômica, política e militar do mundo. Os acordos celebrados incidiram sobre os seguintes pontos fundamentais que, em seu conjunto, definiram as regras, criaram as instituições e procedimentos para regular a política econômica internacional, bem como a de cada país em particular participante da conferência: criação do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird), também conhecido como Banco Mundial, cujo objetivo imediato era prover e disponibilizar os recursos para a reconstrução dos países mais atingidos pela guerra e, posteriormente, canalizar os recursos mundiais para a promoção do desenvolvimento, em particular dos países pobres e subdesenvolvidos; criação do Fundo Monetário Internacional (FMI), cujo objetivo principal consistia no socorro financeiro e assistência técnica a países que enfrentassem dificuldades financeiras e que, por essa razão, poderiam tornar-se focos de instabilidade econômica e social; liberalização do comércio internacional mediante uma ampla destarifação (em média da ordem de 70%), da diminuição das práticas protecionistas e, sobretudo, impedir as guerras comerciais, seja por prática de dumping ou outros meios não econômicos; estímulo à intervenção do Estado na economia, em particular no que se refere a investimentos de infraestrutura, promoção do desenvolvimento, distribuição de renda e promoção de políticas sociais distributivas, tais como: promoção da universalização da educação básica, políticas de saúde e assistência médica; políticas de habitação. Essas modalidades de intervenção do Estado receberam o nome de políticas keynesianas ou políticas de bem-estar social. 20

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