Agenda julho e agosto 2015

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2 Agenda julho e agosto 2015 Análise de crédito e cobrança Sivaldo Dal Ry 08, 09 e 10 de julho 19h às 23h Normas de crédito Análise de crédito Método de cobrança eficiente Políticas e procedimentos de cobrança Não associados: R$ 188,00 Associados e estudantes: R$ 110,00 Palestra: Vendendo o invisível: a arte de vender serviços Natasha Bacchi 13 de julho 19h às 21h Entendendo os serviços O que as empresas de serviços devem ter Apresentação dos serviços Personalização Não associados: R$ 80,00 Associados e estudantes: R$ 47,00 Liderança e gestão de equipes de alta performance Silvia Rocha 20, 21 e 22 de julho 19h às 23h MÓDULO I Estilos de liderança e autogestão 20 de julho Estilos de liderança e liderança situacional Perfil do líder de sucesso Autoconhecimento e seus reflexos no processo de liderar Inteligência emocional e resiliência MÓDULO II Comunicação assertiva/ Planejamento e organização 21 de julho Comunicação assertiva e gestão de equipes Ferramentas eficazes de comunicação Falhas no processo de comunicação e impactos no relacionamento Organização e metodologia aplicada ao processo de liderar pessoas e processos MÓDULO III Gestão de pessoas 22 de julho O desafio de gerir equipes de alta performance Relacionamento humano e trabalho em equipe Gestão do conflito e feedback Cases de sucesso Não associados: R$ 300,00 Associados e estudantes: R$ 250,00 Utilizando o sistema SPC Cláudia Pechin 23 de julho 10h às 12h Informações sobre o novo cenário do SPC no Brasil Treinamento do sistema das consultas do SPC Detalhamento das consultas, inclusão e exclusão de inadimplentes Gratuito Exclusivo para associados Qualidade no atendimento ao cliente como diferencial competitivo Niceia C. Henrichsen 27 e 28 de julho 19h às 23h Perfil do cliente Queixas e reclamações como solucionar? Comportamento assertivo no atendimento Competências do profissional de atendimento Não associados: R$ 167,00 Associados e estudantes: R$ 91,00 Saiba mais: ou com Mariana Reche: Intensivo de ICMS, PIS e COFINS Rosangela Aparecida Silveira 28, 29 e 30 de julho 19h às 23h Impacto fiscal nas empresas e regimes tributários ICMS, PIS e COFINS: Base de cálculo, fato gerador e cálculo Operações especiais com impostos Legislação e tratamento fiscal Não associados: R$ 300,00 Associados e estudantes: R$ 250,00 Telemarketing: Faça diferente Carmen Benedetti 03, 04 e 05 de agosto 19h às 23h Vantagens e aplicações do telemarketing Como fazer um script O perigo da automatização Fazendo um telemarketing diferente Não associados: R$ 188,00 Associados e estudantes: R$ 110,00 Como divulgar sua empresa através das redes sociais Sheila Dal Ry 18 e 19 de agosto 19h às 23h Como conhecer as redes sociais mais utilizadas no Brasil Identificar a melhor para divulgar a sua empresa Criar o perfil da empresa nas redes sociais Elaborar as estratégias para obter melhor resultado nas redes Não associados: R$ 167,00 Associados e estudantes: R$ 91,00 Associação Comercial e Industrial de Londrina Rua Minas Gerais, 297, 1º andar, Londrina, PR Av. Saul Elkind, 1820 Regional Norte

3 ATENDIMENTO E VENDAS FINANÇAS MARKETING GESTÃO DE RH WEB DIVERSOS Estratégias para o crescimento: Atendimento e vendas Regina Nakayama 25 e 26 de agosto 19h às 23h O atendimento com o foco nas vendas O processo da venda e o papel do vendedor Conhecer o cenário e definir metas de vendas Plano de ação com estratégias inteligentes Não associados: R$ 167,00 Associados e estudantes: R$ 91,00 Assistente Fiscal: Formação e Atualização Rosangela da Silveira 26 e 27 de agosto 19h às 23h Funções e qualificações do assistente fiscal Transmitir noções gerais na legislação do ICMS e IPI Demonstrar a emissão de notas e documentos fiscais Venda a ordem, a entrega futura, demonstrações, industrialização, exposição em feiras e retorno de mercadorias não entregues Não associados: R$ 250,00 Associados e estudantes: R$ 195,00 Intensivo em controles financeiros com o uso do Excel Ronaldo Cordeiro 29 de agosto Das 8h30 às 12h00 e das 13h00 às 17h30 Aperfeiçoamento do uso da ferramenta Excel no ambiente empresarial Principais controles financeiros O Excel como ferramenta para análise e gestão financeira Planilha funcional para a gestão financeira Não associados: R$ 250,00 Associados e estudantes: R$ 195,00 ABRASEL NORTE DO PARANÁ CURSO DE BOAS PRÁTICAS E HIGIENIZAÇÃO NAS MANIPULAÇÕES DE ALIMENTOS 28, 29 e 30 de Julho e 25, 26 e 27 de Agosto 13h30 às 17h30 Local: Blue Tree Premium Av. Juscelino Kubtischek, 1356 Informações: Não associados: R$100,00 Associados ACIL: R$70,00 TREINAMENTOS I N C O M P A N Y TREINAMENTO PERSONALIZADO PARA SUA EMPRESA TREINAMENTOS PALESTRAS WORKSHOPS Rua Minas Gerais, andar (43) SOLICITE UMA PROPOSTA (43)

4 EDITORIAL SOMOS MAIS FORTES QUE A CRISE Os brasileiros não suportam mais pagar o preço da crise econômica criada pela má gestão dos recursos públicos. Tome-se como exemplo as altas da energia elétrica, que são o tema da reportagem de capa desta edição da revista Mercado em Foco. O custo da eletricidade está levando empresas a fecharem as portas. Isto é inaceitável principalmente quando levamos em conta que o governo ludibriou o País ao prometer a redução nas contas de luz para Na visão das entidades empresariais, a crise só será vencida se houver um combate sem tréguas à corrupção e um choque de transparência e eficiência na gestão dos recursos públicos. Não se trata de alocar mais recursos para os órgãos do governo, mas de adotar procedimentos que levem à maior qualidade dos gastos. Critérios de produtividade, eficiência e meritocracia devem urgentemente ser implantados em todos os níveis de governo. Como dizia o prefeito Wilson Moreira, a corrupção e a má gestão são igualmente prejudiciais ao povo. O caminho para promover as mudanças necessárias passa pela união entre as instituições representativas. Por isso, em Londrina criamos o G7 Grupo de Defesa Econômica, que une as sete principais entidades do setor empresarial e busca soluções para resolver conflitos, exigindo a adoção das práticas de responsabilidade e eficiência no trato dos negócios públicos. Já tivemos a nossa primeira vitória, com o fim da greve dos professores estaduais. Os princípios que norteiam a aliança virtuosa do G7 são exatamente os mesmos que fundamentam o movimento cívico Brasil Mostra Sua Garra: respeito, transparência, responsabilidade, justiça e verdade. Nunca abriremos mão desses valores pois eles vão nos conduzir à superação da crise. Venceremos! Valter Luiz Orsi Presidente da ACIL DIRETORIA DA ACIL GESTÃO 2014/2016 Fundada em 5 de junho de 1937 Rua Minas Gerais 297 1º andar Ed. Palácio do Comércio Londrina (PR) CEP Telefone (43) Fax (43) Valter Luiz Orsi Presidente Rogerio Pena Chineze Vice-Presidente Fabricio Massi Salla Diretor Secretário Alexandra de Paula Yusiasu dos Santos 2º Diretor Secretário Rodolfo Tramontini Zanluchi Diretor Financeiro Angelo Pamplona da Costa 2º Diretor Financeiro Fernando Mauricio de Moraes Diretor Comercial Marcus Vinicius Gimenes Diretor Industrial Marcia Regina Vieira Mocelin Manfrin Diretor de Serviços Claudio Sergio Tedeschi Diretor de Comércio Internacional Luigi Carrer Filho Diretor de Produtos Adelino Favoretto Junior Diretor Institucional CONSELHO DELIBERATIVO Ary Sudan Carlos Alberto Dorotheu Mascarenhas Eduardo Yoshimura Ajita Flávio Montenegro Balan George Hiraiwa Herson Rodrigues Figueiredo Jr. José Augusto Rapcham Katsumi Sergio Otaguiri Luiz Carlos I. Adati Nivaldo Benvenho Oswaldo Pitol Paulo Fernando Ozelame Wilson Geraldo Cavina CONSELHO FISCAL Titulares Adoniro Prieto Mathias Marcus Vinicius Bossa Grassano Rafael de Giovanni Netto Suplentes Carlos Alberto de Souza Faria Rafael Lopes Rogério Silvano da Silva Mercado em Foco é uma publicação da Associação Comercial e Industrial de Londrina. Distribuição gratuita. Correspondências, inclusive reclamações e sugestões de reportagens, devem ser enviadas à sede da Associação ou pelo Susan Naime Coordenação Paulo Briguet Edição Josoé de Carvalho Fotografia Thiago Mazzei Projeto gráfico Diego Rigon Menão Superintendente Claudia Motta Pechin Gerente Comercial Barbara Della Libera Analista de Marketing Colaboradores Amanda Abranches Felipe Brandão Fernanda Bressan Loriane Comeli Lucas Marcondes Michelle Aligleri Pauline Frank de Almeida Impressão Midiograf Tiragem 8 mil exemplares

5 ÍNDICE REINVENÇÃO DO VAREJO A Nova Sergipe de cada dia ECONOMIA Ainda há tempo para planejar 2015? EDUCAÇÃO É de pequeno que se empreende AUMENTOS Reféns da conta de luz 6 ARTIGO A responsabilidade pela busca da excelência BUROCRACIAS Cerco Regulatório ACIL SPC Avisa, a proteção do seu nome NEGÓCIOS Franquias, um atalho no mercado 14 PERFIL Uma avó para todo mundo AGÊNCIA DE INOVAÇÃO Inventores Pés-Vermelhos BEM-ESTAR Para afastar doenças, seja feliz! ENTREVISTA O Desafio da Execução 28 COLUNA DA ACIL Da união, surge a nova Sala do Empreendedor COLUNA DO ASSOCIADO Excelência em vendas e estratégias G7 LONDRINA Sete entidades e um ideal 30 Associação Comercial e Industrial de Londrina 5

6 AUMENTOS REFÉNS DA CONTA DE LUZ Energia elétrica (muito) mais cara preocupa a comunidade e põe em risco a sobrevivência das empresas, especialmente no setor industrial 6 julho e agosto de 2015

7 O VERDADEIRO PROBLEMA ESTÁ NA FALTA DE INVESTIMENTOS E PLANEJAMENTO Por Loriane Comeli Os aumentos excessivos das contas de energia elétrica autorizados pelo governo federal, por meio da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), já refletem negativamente no cenário industrial na região de Londrina. Sem conseguir repassar os custos aos clientes, empresários começam a amargar prejuízos. Encerrar as atividades passou a ser uma possibilidade concreta. Diante desta situação, a ACIL avalia o cabimento de ações judiciais contra o governo em razão de possíveis distorções na tarifa e vai cobrar sistematicamente dos parlamentares do Paraná que adotem uma postura em defesa do Estado. Queremos fazer uma discussão jurídica e política; chamar a atenção de senadores e deputados. Onde está esse pessoal? Deveriam estar lutando pela economia e desenvolvimento do Estado, cobra o vice-presidente da ACIL, Rogério Pena Chineze. Há poucas semanas, a ACIL formou um grupo de estudo para avaliar, tecnicamente, todos os custos que compõem a tarifa de energia. Há dúvidas, por exemplo, explica o diretor financeiro da ACIL, Rodolfo Zanluchi, sobre os motivos pelos quais os consumidores das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste pagam mais caro pela energia que consumidores do Norte e Nordeste do País. A Região Sul banca parte da energia que o governo repassa para Norte e Nordeste. Queremos calcular qual é o grau disso na tarifa, afirma o diretor. Para Chineze, existe uma política de protecionismo em relação aos estados do Nordeste. Ele lembrou, por exemplo, que o aumento médio da energia em Pernambuco foi de 2,2%. Existe um protecionismo em relação ao Nordeste. Entendemos que no passado era necessário. Mas, agora, a região já alcançou o desenvolvimento e não é justo que o Sul e Sudeste paguem a conta. Zanluchi menciona que a Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace) protocolou, em maio, ação judicial contra a cobrança da Contribuição de Desenvolvimento Energético (CDE), espécie de fundo que paga subsídios para programas sociais, custos de combustível de térmicas da Região Norte, universalização dos serviços de energia e compra de carvão mineral. Após os estudos, vamos ver uma medida judicial semelhante que se aplica ao nosso caso, explica Zanluchi. Os empresários têm nos procurado e relatado situações insustentáveis. Tenho dois clientes pensando seriamente em fechar suas empresas. Chineze também questiona a crise hídrica, citando relatórios de cooperativas agrícolas do Paraná e de São Paulo, que, ao contrário do discurso do governo, informam sobre excesso de chuvas. Esses estudos mostram que choveu mais do que no ano anterior, comenta. O verdadeiro problema está na falta de investimentos e planejamento ao longo dos anos. Os investimentos governamentais ausentes, na opinião do empresário, seriam na geração de energias alternativas, como a energia solar. Em planejamento o governo pecou ao não cumprir os prazos para a entrega de novas hidrelétricas. Por meio da assessoria de imprensa, a Copel informou que os reajustes foram necessários para suprir o forte aumento nos custos de geração nos últimos meses, devido ao acionamento em caráter permanente do parque térmico. Sobre eventual redução do valor cobrado, a companhia frisou que a definição depende da Aneel e do Ministério de Minas e Energia, já que o custo da energia depende de uma série de variáveis, como o ritmo hidrológico e o crescimento da demanda, os níveis de reservatórios das hidrelétricas e a necessidade de acionamento de usinas térmicas, além da necessidade de bancar os empréstimos tomados pelo governo federal no último ano para garantir que as distribuidoras pudessem saldar a compra de energia cara antes de seus reajustes anuais. A Aneel, procurada por meio da assessoria de imprensa, não se manifestou. Rogério Chineze, vice-presidente da ACIL: Queremos uma discussão política e jurídica da conta de energia. Onde estão os nossos deputados e senadores? Com aumentos diferenciados, estados da Região Sul bancam parte da energia que o governo repassa para Norte e Nordeste Rodolfo Zanluchi, diretor da ACIL Associação Comercial e Industrial de Londrina 7

8 Marcus Gimenes, industrial do segmento metalúrgico: Não tivemos aumento de consumo de energia. Pelo contrário, houve até redução, mas a conta aumentou muito: quase 125% A probabilidade é de fecharmos a empresa nos próximos três ou quatro meses. Estamos apenas tentando pagar os fornecedores e o acerto dos funcionários Alexandre Marcelino, industrial do segmento têxtil Conta não bate: 125% de aumento! O índice oficial de reajuste nas contas de energia aplicado pela Copel a partir de 2 de março foi de 36,79%, mas empresários registram valores muito superiores em suas contas de luz referentes ao mês de abril. O aumento foi autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) após revisão extraordinária de tarifas. O acréscimo, praticamente impagável, que em alguns casos passa de 100%, se deve principalmente ao sistema de bandeiras tarifárias, que atualmente opera com a bandeira vermelha, a mais cara. Em coro, os industriais argumentam que os clientes se recusam a aceitar o repasse dos aumentos. Com isso, amargam faturamento, ou seja, dinheiro para investimento, ou chegam a acumular prejuízos. Dono de uma indústria metalúrgica, a MGL Mecânica de Precisão, o empresário Marcus Gimenes, que também é diretor industrial da ACIL, calcula que o preço do quilowatt hora aumentou mais de 120%, passando de R$ 0,29 para R$ 0,65. Não tivemos aumento de consumo de energia. Pelo contrário, houve até redução, mas a conta aumentou muito: quase 125%, revela. Em seu negócio, conta ele, o custo da energia representa aproximadamente 14% do faturamento líquido. Estamos negociando com planilha aberta para convencer os clientes de que não é possível deixar de repassar o custo da energia elétrica. O empresário diz que diante das perdas começou a repensar o próprio negócio, que existe há 40 anos. A questão é saber qual o limite, quanto tempo aguentamos resultados negativos. Enquanto isso, avalia estratégias para reduzir custos. A exemplo de outras empresas, a MGL também precisou reduzir o número de funcionários e a produção em razão da crise que se arrasta nos últimos meses. Viu, por isso, o volume mensal de negócios cair de R$ 170 mil para R$ 120 mil. Outro empresário que está se batendo para absorver a alta de quase 90% na conta de luz é Donizete Giacomini, dono da Giacomini Componentes Plásticos, que fabrica embalagens. Não sei qual critério usaram para aumentar tanto a conta. Sei que não tenho como repassar isso aos clientes. Eles não aceitam, afirma o industrial. A empresa tem mais de cem funcionários que trabalham em turnos ininterruptos de 24 horas. Atualmente, está fazendo cotação e estudos sobre a instalação de equipamentos geradores de energia para tentar reduzir custos e evitar demissões e redução da produção. Rogério Chineze, dono da Pratic Leve Alimentos, também viu a conta de energia de sua empresa praticamente dobrar. Em visita a clientes da região de Londrina e Maringá nas últimas semanas, diz ter constatado o cenário da crise. A queda da atividade econômica é de 20% a 30%. No setor de alimentos, que o último onde se percebe a crise, a queda já começou. Foi em torno de 18%, aponta. Com isso, as empresas deixam de investir em máquinas e recursos humanos e ficam sucateadas. É péssimo para o País. Fechamento iminente Sem elevar o consumo de energia, os proprietários da Steiner & Dorta Indústria e Comércio, fábrica de fios têxteis de Rolândia (Região Metropolitana de Londrina), viram a conta de luz saltar de cerca de R$ 40 mil, em março, para R$ 95 mil em abril, um aumento de mais de 130%. Somado ao reajuste recente de impostos, os donos não veem outra possibilidade a não ser liquidar a empresa que existe há mais de 20 anos e hoje emprega pouco mais de 40 funcionários. A probabilidade é de fecharmos a empresa nos próximos três ou quatro 8 julho e agosto de 2015

9 AUMENTOS SÃO CONSEQUÊNCIA DE MODELO DE GESTÃO DESASTROSO meses. Estamos apenas tentando pagar os fornecedores e o acerto dos funcionários, afirma um dos sócios, Alexandre Marcelino. Esse aumento inviabilizou por completo o funcionamento da empresa. Marcelino conta que no último ano a empresa foi obrigada a reduzir a produção e demitir funcionários. Fabricava cerca de 150 toneladas de fio por mês; agora, a produtividade não chega a 80 toneladas. Com isso, o faturamento que alcançava R$ 1 milhão não passa agora de R$ 600 mil. As contas, por outro lado, chegam aos R$ 800 mil, lamenta. Isso nos revolta porque não se constrói uma empresa do dia para a noite. É o trabalho de uma vida. O que vamos fazer? O que meus funcionários vão fazer? O empresário diz que repassar os aumentos aos produtos não é uma alternativa. É um setor que compete com os fios importados, que têm preço bem mais baixo. Não tem como. Ficamos no prejuízo. Recessão à vista O aumento nas contas de energia, autorizado pela Aneel após as eleições de 2014, foi a forma encontrada pelo governo federal para corrigir o modelo de gestão desastroso do setor elétrico. Esta é a avaliação do professor de economia da Faculdade Pitágoras, Henrique Brito Gumerato, mestre em economia pela Universidade de Brasília (UnB). Diante das perdas acumuladas ao longo de 2013 e 2014, principalmente em razão da obrigatoriedade de comprar energia no mercado não convencional, pagando mais caro, as distribuidoras, como a Copel, tiveram que repassar os reajustes, agora, em O fato é que o modelo de gestão desastroso teve que ser corrigido após as eleições. O que se questiona é, como Henrique Gumerato, economista: Modelo de gestão desastroso teve que ser corrigido após as eleições, com o aumento brutal das contas de luz ERP JS-Senior e indusfrio, parceria que gera resultados Fundada em Londrina, em 1979, a Indusfrio atuou inicialmente na fabricação de instalações para açougues e padarias. A partir de 1995 a empresa começou a se expandir para outros setores, quando direcionou sua produção para a fabricação de equipamentos em aço inox para cozinhas profissionais. Em seu processo de crescimento, a profissionalização da empresa foi essencial. E, dentro deste processo, um dos fatores de sucesso foi a escolha certa do sistema de gerenciamento de informações. Desde 2008, o gerenciamento dos recursos, dados e procedimentos da Indusfrio é realizado através do ERP da JS Informação e Inovação/ Senior Sistemas. De acordo com o Gerente Administrativo da Indusfrio, Sergio Henrique Pacheco, quando sentiu que era preciso implantar um sistema de gestão profissional, a indústria foi ao mercado e pesquisou vários prestadores de serviços, optando pela JS/Senior. Queríamos gerenciar melhor nossas informações e estabelecer melhores procedimentos internos e a JS/Senior foi a empresa que mais se aproximou das nossas necessidades, Equipe da Indusfrio, tendo à frente o empresário Valter Orsi tendo demonstrado vasta experiência com ERP dentro do nosso segmento de atuação, comenta Pacheco. Entre as vantagens do sistema da JS/Senior, Pacheco destaca que o sistema é bem resolvido e reúne todas as informações em uma única plataforma; existe uma gestão integrada do administrativo, com vendas, almoxarifado e produção; há pouca necessidade de manutenção, evitando as paradas de sistema; e as telas são bastante intuitivas e de fácil aprendizagem. O Gerente Administrativo aponta ainda que o atendimento técnico desde a implantação do sistema sempre foi muito ágil. Colocamos um funcionário com experiência em processos para ser o gestor do software da JS/Senior em nossa empresa. Após diversos treinamentos e suporte, hoje temos um profissional capacitado para nos atender em demandas menores fazendo com que tenhamos um ERP sempre em funcionamento e alinhado com as estratégias do nosso negócio. O diretor da JS, Jair Slompo, diz que a empresa sente-se orgulhosa de poder participar e colaborar com o crescimento de uma grande corporação como a Indusfrio. Esse resultado mostra que estamos no caminho certo, ofertando produtos de qualidade e com um atendimento de excelência. (43) (44) jsmaringa.com.br

10 sempre, o modo de fazer as coisas, critica Gumerato. Os impactos para a economia, diz o professor, já começam a se apresentar. Primeiramente, ocorre um aumento brutal nos custos de produção, notadamente no setor industrial. Algumas empresas poderão mesmo fechar as portas. Quem se mantiver, ainda assim deverá sofrer com queda nas vendas. De qualquer forma, o impacto será recessivo, explica. Liquidação de empresas se traduz em desemprego e a baixa nas vendas significa menos investimentos e aí entra a tese econômica conhecida como efeito multiplicador de renda: quando há investimentos, há produção, emprego, renda e consumo. Do lado contrário, quando se deixa de investir ou produzir, vem o desemprego, a queda na renda e consequentemente no consumo. É o circulo vicioso. Se não houver nenhum tipo de política anticíclica, de incentivo, vamos para uma depressão, ensina. Analisando o cenário atual, o professor não acredita em redução do custo da energia no curto prazo. No passado recente as companhias de energia bancaram a conta e agora estão tentando se recuperar. POR QUE AUMENTOU TANTO? Reajuste anual Anualmente, as 63 concessionárias obtém autorização para reajustar as tarifas e equilibrar receitas e despesas. No caso da Copel, a data contratual de revisão de tarifas é em 24 de junho. Em 2014, o reajuste médio da Copel foi de 24,86%. Revisão extraordinária Em 2 de março de 2015, a Aneel autorizou novo reajuste da conta pela chamada revisão extraordinária das tarifas para cobrir custos extras na distribuição de energia. No Paraná, a Copel aplicou aumento médio de 36,79%. CDE O governo suspendeu um aporte de R$ 9 bilhões, previsto no ano de 2015, para a CDE. Com isso, todos os gastos previstos pelo fundo serão arcados pelos consumidores, na conta de luz, medida que é alvo de questionamento judicial da Abrace. Com a Medida Provisória 579/2012, depois convertida em lei em 2013, o Governo Federal passou a arcar com os custos da CDE, o que fez as contas de energia elétrica reduzirem cerca de 20% em janeiro de No entanto, com a crise hídrica e uso constante de energia das usinas termelétricas que têm custo mais elevado de produção que a energia produzida pelas hidrelétricas o governo autorizou o reajuste extraordinário no final de fevereiro de 2015 justamente para fazer frente à conta da CDE, calculada em mais de R$ 23 bilhões. Somente as 46 empresas representadas pela Abrace arcariam com R$ 18,9 bilhões. Bandeiras Em vigor desde 1º de janeiro, o sistema de bandeiras repassa mensalmente aos consumidores parte do gasto extra das distribuidoras com o aumento do custo da eletricidade. Esse sistema cobra taxa extra de todos os consumidores (residenciais e comerciais), à exceção dos moradores do Amazonas, Roraima e Amapá. Atualmente, o sistema opera com bandeira vermelha, a mais cara, acrescentando R$ 5,50 para cada 100 quilowatts-hora consumidores. Significa que os custos de produção de energia estão mais elevados. A bandeira amarela tem aumento de R$ 2,50 e verde não altera a tarifa. Antes do sistema de bandeiras tarifárias, as distribuidoras eram obrigadas a bancar essa conta para serem ressarcidas no reajuste anual. Energia de Itaipu O custo da energia produzida pela hidrelétrica de Itaipu, a maior do país, aumentou 46%. Isso causa impacto principalmente às distribuidoras do Sul e Sudeste, que terão que pagar em 2015 R$ 4 bilhões pela eletricidade recebida da usina e, consequentemente, vão repassar o valor aos seus consumidores. Esse reajuste serve para cobrir o prejuízo da Eletrobras na administração da Conta Itaipu, causado por inadimplência de distribuidoras e pela necessidade da estatal de comprar energia no mercado à vista, mais cara, para compensar eletricidade que a hidrelétrica deixou de produzir. Empréstimos Em 2014, o governo autorizou empréstimos de R$ 17,8 bilhões para cobrir gastos extras das distribuidoras com compra de energia no mercado à vista, onde o preço é mais caro. Se não houvesse os empréstimos, as distribuidoras bancariam a conta num primeiro momento mas, depois, ela seria cobrada de uma vez dos consumidores, nos reajustes de 2014 e Com essa medida, portanto, o governo evitou um aumento ainda maior das contas de luz às vésperas das eleições. 10 julho e agosto de 2015

11 QUAL CARDÁPIO OFERECER A SUA EQUIPE? COLABORADOR SATISFEITO ESCOLHE O QUE VAI AO PRATO E AO CARRINHO DE COMPRAS. Os cartões Cooper Card Refeição e Alimentação desempenham um importante papel na motivação do colaborador, proporcionando engajamento e produtividade. Colaborador bem alimentado produz mais e melhor. Entre em contato conosco e agende uma visita. Fones: ou

12 REINVENÇÃO DO VAREJO A NOVA SERGIPE DE CADA DIA Graças ao Projeto Nova Sergipe, a tradicional rua de comércio londrinense encara os desafios da competitividade. Segredo do sucesso está na união dos empresários Por Paulo Briguet A palavra coração vem do latim cor, que significa centro. Pode-se então dizer que a Rua Sergipe está no coração de Londrina. Em dois sentidos: por estar na área central e por ser uma rua querida para os londrinenses. Parte da história da cidade começa por ali. Quantos não puseram os pés na cidade pela primeira vez na antiga rodoviária, hoje Museu de Arte? Quem de nós nunca frequentou as lojas, fez compras, passeou com a família, tomou uma vitamina ou comeu um pastel na Sergipe? Há dois ditados latinos: Vox populi vox Dei (A voz do povo é a voz de Deus) e Vox temporis, vox Dei (A voz do tempo é a voz de Deus). Ambos demonstram que a Sergipe é uma rua de sucesso. O passear do povo e o passar do tempo a consagraram. Agora veio a crise econômica. É claro que a nossa Sergipe, assim como todo mundo, foi afetada. Algumas lojas fecharam as portas. Mesmo assim, a Sergipe continua sendo uma das principais vias de varejo da cidade. E conta com uma arma para superar qualquer crise e projetar o comércio local em direção ao futuro: o Projeto Nova Sergipe. Através dessa iniciativa pioneira em Londrina, 15 entidades se uniram aos empresários da rua com objetivo de reinventar a Sergipe, tornando-a mais atrativa, mais bonita, mais próspera, mais segura, mais estruturada, a cada dia melhor. O Projeto Nova Sergipe foi criado em 2009 e desde então desenvolve uma série de ações para a revitalização de nossa mais tradicional rua de comércio, 12 julho e agosto de 2015

13 UNIDOS SOMOS MUITO MAIS FORTES. SOZINHO É DIFÍCIL aumentando a competitividade do varejo local. De lá para cá, a Sergipe vem passando por grandes transformações. Mudaram para melhor as calçadas, as vitrines, a capacitação dos lojistas, a limpeza pública, a qualidade de atendimento, a satisfação dos consumidores. Isso só foi possível graças à união entre as entidades envolvidas com o projeto como ACIL, Fecomércio PR, Prefeitura de Londrina (com diversas secretarias e órgãos públicos), Sebrae, Sesc, Sesi, Sincoval, Rede Massa de Comunicação, Unifil e Unopar. As ações da Nova Sergipe são coordenadas por um Grupo Gestor que se reúne todas as terças-feiras, no período da manhã, na Sala José Monir Nasser/ACIL. O empresário Ângelo Pamplona da Costa, diretor da ACIL e dono de um restaurante na Rua Sergipe há 26 anos, é um entusiasta do projeto que também poderia ser chamado de programa, pois veio para ficar. Nossa luta é para que a Rua Sergipe seja cada vez mais reconhecida e valorizada, diz Ângelo. Ele observa que a Sergipe oferece hoje uma grande diversidade de opções para o consumidor londrinense. Aqui tem de tudo um pouco. Na Sergipe você encontra roupas, calçados, presentes, artigos domésticos, produtos eletrônicos, brinquedos. Você pode passear com a família, almoçar, fazer um lanche, tomar um cafezinho, ter acesso à cultura (no Museu de Arte e no Sesc Cadeião). Enfim, é uma rua eclética, com produtos e serviços variados. O valor da união A consultora de varejo Leda Terabe, do Sebrae Londrina, acompanha o Projeto Nova Sergipe desde o início e também se apaixonou pela rua. O objetivo final do projeto é transformar a Rua Sergipe em um shopping a céu aberto, com todas as vantagens e comodidades oferecidas por um shopping, mais a tradição, a facilidade e a proximidade características do comércio de rua, afirma. Um dos enfoques principais do trabalho é valorizar a união entre os empresários, enxergando no lojista vizinho não um concorrente, mas um aliado na reinvenção de uma rua cada vez melhor. A Nova Sergipe prova que unidos somos muito mais fortes. Sozinho fica tudo mais difícil. Leda explica que o âmbito do Projeto Nova Sergipe compreende 11 quarteirões da rua, situados entre as avenidas Leste- Oeste e Higienópolis. Trabalhamos as lojas da porta para fora e da porta para dentro, define a consultora do Sebrae, lembrando que hoje a Rua Sergipe tem o incrível número de 520 pessoas jurídicas na área comercial, segundo o levantamento mais recente. Da porta para fora, cuida-se do passeio público, da iluminação, da limpeza, do mobiliário urbano. Os próprios comerciantes custearam a reforma, ampliação e padronização das calçadas. Agora, a Prefeitura incluiu no orçamento a instalação de mobiliário urbano, o que, se tudo correr bem, deve acontecer nos próximos meses. Essa repaginação da Sergipe inclui bancos, floreiras, cestos de lixo, pontos de ônibus tudo padronizado e desenhado pelo Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina). Detalhe: o benefício será custeado pelo poder público, como contrapartida ao investimento que os lojistas fizeram para revitalizar as calçadas. Da porta para dentro, o Sebrae investe forte em cursos de capacitação para os comerciantes. O programa de capacitação para 2015 já está sendo finalizado, com 74 horas de cursos e 45 horas de consultoria por empresa participante. E tudo isso por R$ 600, pagos em cinco vezes. Não se encontra um programa de capacitação desse tipo a um preço tão acessível, diz Leda Terabe. Os cursos enfocam desde técnica de vendas até gestão financeira, passando por decoração de vitrines e qualidade de atendimento. Entre as ações realizadas, está a promoção comercial Liquida Sergipe, que aconteceu em março deste ano. A Liquida fez a Sergipe bombar!, afirma Ângelo Pamplona. Houve uma ampla divulgação de mídia, decoração de lojas e uma excelente resposta do público consumidor. Realizamos uma pesquisa e tivemos relatos de comerciantes vendendo até 40% a mais na primeira semana de março, afirma o empresário. A meta agora é aumentar a adesão dos empresários à campanha afinal, todos saem ganhando. Outra ação importante é o Dia da Sergipe, com eventos culturais e sociais oferecidos à população no dia 12 de setembro. Este ano, vamos fechar três quarteirões para a festa, informa Ângelo. A inauguração do Centro Cultural do Sesc, no prédio do antigo Cadeião, em dezembro do ano passado, deu um grande impulso à revitalização da rua. No local há uma ampla programação de mostras artísticas, espetáculos teatrais, concertos musicais, sessões de cinema, palestras... O que no passado foi um símbolo de degradação humana tornou-se um pólo irradiador de cultura e conhecimento. O Sesc Cadeião foi um presente para a Rua Sergipe e para Londrina, comenta Ângelo. Sem dúvida, o Projeto Nova Sergipe deu um grande impulso à transformação do Cadeião pela Fecomércio Paraná. Graças ao Projeto Nova Sergipe, a nossa rua querida se transformou em modelo para outras vias comerciais de Londrina e até de outras cidades. Naqueles 11 quarteirões, tradição e modernidade se unem para criar uma referência de sucesso. E que tal você dar uma passadinha na Sergipe hoje? Para mais informações sobre o Projeto Nova Sergipe, entrar em contato com a ACIL pelo telefone As reuniões do Grupo Gestor Nova Sergipe acontecem sempre às terças-feiras, das 9 às 11 horas, na ACIL. Associação Comercial e Industrial de Londrina 13

14 NEGÓCIOS FRANQUIAS, UM ATALHO NO MERCADO As vantagens e desafios desse tipo de negócio um segmento que, apesar da crise, segue em expansão Por Amanda Abranches Pensemos na seguinte hipótese: você quer investir. Poupou um valor razoável durante alguns anos e acredita que está pronto para abrir seu próprio negócio. Por onde começar? Os riscos para qualquer empreendedor, seja ele experiente ou de primeira viagem, são altos. Se não houver preparo, uma empresa pode estar fadada a morrer antes mesmo de começar. Nesse contexto, o modelo de franquia ou franchising, como é conhecido, pode ser considerado uma boa opção. A franquia já tem um modelo de negócio, essa é a grande vantagem, explica o consultor e pesquisador Mario Nei Pacagnan. Ele define esse tipo de negócio como um atalho no mercado, uma forma de viabilizar um retorno assertivo em um espaço mais curto de tempo. O sistema de franquias consiste em uma concessão para uso de uma marca já testada e colocada no mercado por seu criador, conhecido também como franqueador. Através de um contrato firmado entre franqueador e franqueado, ambas as partes são beneficiadas. A primeira porque expande sua empresa para locais onde antes, talvez, não chegaria sozinha e recebe mensalmente para isso uma porcentagem chamada de royalties sobre o faturamento do franqueado. E o franqueado ganha porque adquire todo o know-how de um negócio já experimentado e bemsucedido, explica Fabio Pozza, diretor de mercado do Cebrac. Segundo a Associação Brasileira de Franchising, o risco de um empreendedor que adquire uma franquia é cinco vezes menor em relação a empreendedores independentes. Mas, como todo empreendimento, o sistema apresenta vantagens e desafios. As dificuldades para quem opta por este tipo de negócio, segundo o especialista Mario Ney, são os custos elevados e a baixa oportunidade de iniciativas individuais. O consultor atenta que, além da taxa de aquisição, o franqueado tem que dispor de no mínimo o triplo do valor investido para os procedimentos práticos. O que é vendido é chamado luva que é o direito de explorar a marca, como se fosse uma embalagem, o conteúdo do pacote é responsabilidade do franqueado. Custos como os de campanhas de marketing, treinamento de pessoal e compra de equipamento, por exemplo. Para lidar com estes desafios e garantir o sucesso do negócio é preciso começar da maneira correta. O planejamento, como em todo novo negócio, é imprescindível. O futuro franqueado deve ter em mente três passos antes de escolher uma franquia: A 14 julho e agosto de 2015

15 primeira é a análise de mercado, ou seja, pesquisar as demandas existentes e nesta fase se guiar pela pergunta: Qual é a carência do mercado na região em questão? Em Londrina e região, temos o Sebrae, órgãos de apoio e orientação que constantemente realizam pesquisas para descobrir as lacunas do mercado. Identificadas as necessidades, o segundo passo é pesquisar modelos de negócios existentes, franquias que se encaixem nas deficiências de mercado da região. Pesquisar em sites como o da ABF (Associação Brasileira de Franchising), que classificam e certificam as empresas e apresentam os investimentos necessários, ajuda o empresário a identificar o negócio que melhor se encaixa e selecionar as melhores alternativas para o capital disponível para o investimento. O terceiro passo, e não menos importante, é levar em consideração sua vocação. A chave de um bom negócio é ter paixão por aquilo que se faz, se não for assim, com o passar do tempo o trabalho se torna enfadonho e o valor recebido não supera o desgaste. Seguindo este tripé, o empresário terá o equilíbrio necessário para iniciar um negócio de sucesso, ensina Nei. Da parte do franqueador, o suporte ideal deve abranger todas as áreas da empresa. Começa antes da abertura do negócio, com treinamento intensivo e ajuda na escolha do ponto. Envolve auxílio no recrutamento, seleção e treinamento da equipe. Suporte em marketing e em compras também são importantes. Por fim, depois do suporte de implantação, é papel do franqueador manter a constante consultoria de campo nos primeiros meses da operação para auxiliar o franqueado na obtenção de seus resultados de forma mais rápida, explica Fabio Pozza, diretor de Mercado do Cebrac. Quem Disse, Berenice? É o exemplo da franquia de cosméticos Quem Disse, Berenice?. A marca pertence ao Grupo Boticário e a princípio, apenas franqueados de O Boticário podem adquirir a concessão. Tânia Regina Tirola, gerente geral da franquia em Londrina, explica que enquanto franqueadores, o Grupo Boticário oferece o suporte desde a negociação do local até as campanhas motivacionais. Eles entram na negociação com os shoppings e negociam valor de aluguel, percentual, valor do ponto e etc. Existe um apoio desde o projeto até a finalização da construção. Na parte comercial apoiam com treinamentos e direcionamento das equipes, criam campanhas motivacionais aos funcionários e dão todo o suporte para o bom desempenho da marca. No Brasil, a lei que estabelece o sistema de franquias é a 8.955/94, chamada Lei de A franquia Quem disse, Berenice? pertence ao Grupo O Boticário e recebe todo o suporte desde a negociação do local até as campanhas motivacionais. Associação Comercial e Industrial de Londrina 15

16 Nivaldo de Freitas Miotto: Sempre defendi a ideia de ter um negócio em família Franquia Empresarial. Nela estão estipulados os papeis de franqueado e franqueador. Além do cumprimento das disposições da lei, existe a Associação Brasileira de Franchising (ABF), entidade criada em 1987 para divulgar, defender e promover o desenvolvimento do setor de franquias no Brasil. A ABF promove anualmente uma avaliação rigorosa com as redes de franquias associadas. Aquelas que se enquadram dentro de um padrão de qualidade estabelecido pela instituição recebem o Selo de Excelência em Franchising e podem usar a chancela em suas peças publicitárias, completa Pozza. Segmento em expansão O segmento de franquias tem expandido e segue uma tendência de crescimento mundial, garante o especialista Nei Pacagnan. Segundo a ABF, o mercado brasileiro de franquias está entre os maiores do mundo em termos de unidades criadas. Do total de franquias do país cerca de 90% são de iniciativa nacional e, de acordo com a pesquisa feita pela Rizzo Franchise, o porcentual de mortalidade dos negócios ao final do primeiro ano é de 26% na área de varejo, 23% entre pequenos negócios e de apenas 3% no segmento de franquias. O Paraná é o quarto estado em número de unidades franqueadas, segundo dados da ABF. Londrina, como a segunda maior cidade do estado, tem uma posição de destaque no cenário do franchising. Duas franqueadoras consideradas as melhores do Brasil em seus segmentos têm sua sede em Londrina. A cidade, portanto, é destaque, tanto como mercado para unidades franqueadas, e também como centro de difusão de franchising através das empresas franqueadoras sediadas aqui, destaca Pozza. Nivaldo de Freitas Miotto, dono da franquia Chiquinho Sorvetes, é exemplo do desenvolvimento deste tipo de negócio na região. O empresário conta que a empresa funciona há dois anos e meio e está abrindo a terceira filial. Sempre defendi a ideia de ter um negócio em família. Por curiosidade e afinidade com temas relacionados a gestão comecei a buscar informações sobre como montar um negócio e tive a clareza de que montar algo por conta própria trariam riscos muito grandes. Aos poucos a ideia da franquia se fortaleceu e se consolidou. O proprietário conta que o desafio foi abrir uma empresa em uma cidade que não morava. Minhas filhas ficaram à frente do negócio até que eu e minha esposa pudéssemos nos mudar para cá. 16 julho e agosto de 2015

17 O especialista Nei Pacagnan, atenta para o fato de que o maior problema para o não desenvolvimento de um negócio de franquia é a ausência do empresário no estabelecimento. Ele explica que a gestão não pode ser feita por controle remoto, é preciso que o dono da franquia esteja atento e inserido nos desafios diários da empresa. O trabalho necessita de disposição integral. Nivaldo Miotto é exemplo disso. Antes, eu trabalhava oito horas por dia e aos sábados até o meio dia. Hoje, com o Chiquinho, a família toda trabalha de segunda a segunda, de dez a dezesseis horas por dia. Tem que haver essa identificação e dedicação para conseguir tocar o negócio, conta o empresário. E a crise? Falar em condição de mercado e sem mencionar crise é quase impossível. Em tempos em que corte nos gastos e recessão econômica são tão discutidos, a palavra investir causa receio até para os mais visionários. Para Pacagnan, nestes casos, o critério deve aumentar e o cuidado deve ser redobrado, mas as regras não mudam. É importante pensar que em todos os momentos da economia o consumo sempre vai existir. Com uma crise, certos setores podem até sofrer, mas vão continuar funcionando. E por que não enxergar uma oportunidade? Não podemos deixar de pensar que se empresas recuam, deixam o mercado desguarnecido. Aí está uma chance de novas empresas entrarem e ocuparem o espaço. Mario Nei Pacagnan: A franquia já tem um modelo de negócio, essa é a grande vantagem Associação Comercial e Industrial de Londrina 17

18 ECONOMIA 18 julho e agosto de 2015

19 ESTAMOS TRABALHANDO PARA SAIR DA CRISE COM UM DOMÍNIO MAIOR DO MERCADO Por Pauline Frank de Almeida A economia passa por um momento de ajuste, especialmente no setor público. Para conter a inflação de 8,5%, o governo subiu as taxas de juros, com o objetivo de reduzir os investimentos e a produção. Após anos de incentivo ao consumo, a estratégia agora é esfriar as negociações para equilibrar a economia. O cenário não é positivo e a crise deve arrefecer somente no próximo ano, por isso é preciso cautela por parte das empresas. Porém, tempos de crise também despertam oportunidades. O professor e economista Marcos Rambalducci aponta que é preciso ter os pés no chão e enxergar caminhos que possam levar ao crescimento ou, ao menos, ao equilíbrio financeiro. A crise acaba com o status quo. Quem vai bem, pode não ir mais. Quem vai mal pode crescer, coloca. E será que ainda dá tempo de planejar 2015? Com certeza! Avaliações e mudanças devem fazer parte do cotidiano da empresa. Com criatividade e disposição é possível reverter resultados negativos e até mesmo crescer durante esse momento complicado da economia. Segundo o economista Marcos Rambalducci, as organizações precisam exercitar o olhar em duas direções: para seu interior e também para as forças externas. Ou seja: as empresas precisam observar seus processos, negócios e quadro de funcionários para buscar a redução de custos, tarefa da qual é impossível fugir no atual cenário. E também checar o andamento da economia, voltando a atenção para o consumidor, questionando o que ele está disposto a comprar e a que preço. Maturidade e experiência Até 2013, a venda de carros novos teve bons resultados, impulsionada pela isenção do Imposto sobre Tributos Industrializados (IPI). Com o fim da política e ainda a elevação das taxas de juros, o setor vem sofrendo. Montadoras de veículos, como General Motors, anunciaram a paralisação das atividades em junho para tentar reduzir o estoque parado. O mau momento interfere em toda a cadeia produtiva e chega também às concessionárias. Dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) mostram que, no primeiro quadrimestre de 2015, 250 concessionárias fecharam as portas. Apesar de ter notado uma diminuição de 60% nas vendas de carros novos, somando 2014 e o primeiro quadrimestre de 2015, a Norpave concessionária da Volkswagen em Londrina ainda continua com lucro. O diretor-presidente da Norpave, Luiz Bley Junior, informou que a crise é sentida desde Mesmo assim, o ano passado se encerrou com aumento no faturamento em relação a Com 45 anos de atuação em Londrina, a empresa soube buscar um nicho que a sustentasse, já que a comercialização de carros novos caiu. A opção foi pelos serviços de pósvenda, como peças, e o mercado de carros usados. O bom faturamento também dependeu do corte de custos, que inclusive levou à demissão de funcionários. Luiz Bley Junior defendeu que é preciso saber tomar as decisões corretas nos gastos, adiando alguns projetos, e mantendo apenas o que adiciona valor ao negócio. Os treinamentos dos funcionários, por exemplo, não são interrompidos. Eu trabalho no ramo há 30 anos e já passei por várias crises. No Brasil, essa não é a primeira e nem vai ser a última. Historicamente, nenhuma crise foi menor que dois anos, então nós acreditamos na melhora do mercado somente para Com isso, a preocupação é grande com as despesas. Por exemplo, se eu quero pintar a revenda, eu vou jogar para o próximo ano. Agora, se eu preciso de uma ferramenta nova, importante para o serviço, eu vou comprar, explica. O cenário econômico pessimista não vai impedir a expansão da concessionária. A Norpave, por exemplo, tem em construção uma nova unidade na zona Marcos Rambalducci defende que é hora de a empresa se autoavaliar e definir estratégias com base no que acontece no cenário econômico: Precisamos fazer mais ccom menos Luiz Bley Junior, presidente da Norpave, prevê tempos difíceis para o setor automotivo, ao menos, até 2017 Associação Comercial e Industrial de Londrina 19

20 norte de Londrina. A inauguração da loja vai ser adiada, mas acontecerá até 2016, pois a crise não pode reduzir a expectativa da conquista de novos mercados. Cultura e eficiência Se a Norpave com seus 45 anos de atuação dá exemplo de como agir em tempos de crise, empresas novas, como a DMX Imóveis, que completa cinco anos em 2015, também mostram iniciativa. A imobiliária conseguiu fechar o primeiro trimestre deste ano com aumento de 16% nas vendas, ao focar na comercialização de salas comerciais da Gleba Palhano a preços atrativos. A indústria da construção civil foi muito afetada pelos cortes do governo federal, mas os últimos anos de boom deixaram um grande estoque de imóveis prontos. As incorporadoras precisam comercializar os espaços para formar caixa e assim fazem preços mais atrativos ao consumidor, o que tem contribuído para os bons números do setor imobiliário. O diretor e sócio da DMX Imóveis, Manoel Gonçalves de Oliveira Neto, destaca que o planejamento é fundamental para apontar as oportunidades a serem aproveitadas. A empresa tem um plano estratégico de 2015 a 2020 e ainda trabalha com índices diários, que abalizam cada setor do negócio. Oliveira Neto ainda coloca que um elemento vem sendo fundamental para o equilíbrio da empresa: a cultura de participação dos funcionários na DMX Imóvel aposta em cultura de participação dos colaboradores para melhorar eficiência em tempos de crise, segundo diretor Manoel Gonçalves de Oliveira Neto tomada de decisões. A DMX mantém um conselho administrativo independente dos sócios e formado pelos colaboradores que analisa como atingir as metas. Ou seja, são os próprios trabalhadores que buscam as estratégias para vencer a crise, dividindo as responsabilidades. É um período que você precisa fazer mais com menos, então é uma oportunidade que nós temos de entender quanto de eficiência temos em nossa empresa, comenta. Ou seja, a crise econômica deve despertar na empresa todo seu potencial. É claro que o período não é para ser comemorado e vai ser vivido com sacrifícios, com diversos cortes, inclusive de pessoas, mas pode ser aproveitado para melhorar os processos institucionais. O melhor é não estar em crise, é a gente ver as pessoas com emprego, mas infelizmente estamos nela e temos que tirar um proveito. Nós estamos trabalhando para a hora que a gente sair da crise, sair com um domínio maior do mercado, completa o diretor da DMX Imóveis. Gestão de pessoas A melhoria de processos e a descoberta de mercados são feitas por pessoas. É o quadro de funcionários da empresa e sua aptidão que vai ditar boa parte do sucesso da organização durante a crise econômica. A consultora organizacional e psicóloga, Filomena Storti Mineto, ressalta que é preciso informar os colaboradores das dificuldades vividas e trazê-los para a tomada de decisões. As empresas estão um pouco com o freio de mão puxado. Por quê? Porque a política e a economia não vão bem, por isso as empresas estão em compasso de espera, aguardando para saber o que vai acontecer. Porém, o mercado está mais competitivo. Se eu quero um resultado, o desenvolvimento de pessoas tem de continuar, orienta. A nova geração de colaboradores das empresas ainda vem de uma vivência de participação e quer ser fortalecida. Por isso, o momento é de segurar os principais talentos e investir no capital intelectual, aumentando a eficiência da organização. Setores e suas expectativas para o mercado Agronegócios: é o setor que menos deve ser afetado pela crise, especialmente as empresas que atuam na exportação, que têm registrado boas taxas de câmbio. Serviços e automóveis: setores sensivelmente afetados, mas com poder de reação rápida após amenização da crise. Alimentação: restaurantes devem notar quedas, enquanto supermercados podem ter aumentos. Tendência é a população comer mais em casa. Construção civil: setor com grande dependência das políticas federais. Apesar dos cortes drásticos, especialistas acreditam que governo deve voltar a soltar investimentos, pois é um mercado que emprega muito, especialmente mão de obra menos qualificada. 20 julho e agosto de 2015

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