TRABALHO DE RECUPERAÇÃO FINAL LITERATURA 9º ANO

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1 Aluno(a): NOTA: Professor(a): Júnior Data: 08/01/15 Valor: 20,0 Texto: O TRAJE Nunca nos lembramos desse nosso traje cotidiano que é a linguagem. Muitos a usam como trapos, mas se tomassem consciência disso, ligeiro tratariam de melhorar, caprichar, conseguir uma vestimenta mais adequada. Por que será que somos displicentes com esse instrumento tão nosso, o que mais empregamos, aquele que até crianças e analfabetos manejam a vida inteira? Talvez nos tenhamos acostumado demais com ele. É demasiadamente nosso como um braço, um olho, e nunca chegamos a nos dar realmente conta de que esse braço é meio curto, o olho meio vesgo, ou míope... Não falo na linguagem oral, nessa comunicação espontânea que obedece a leis próprias, que vão do menor esforço à coerção social. Falo na linguagem escrita, essa que os analfabetos não manejam, mas que muito doutor esgrime como se não soubesse além da cartilha... [...] Pontuação? Ninguém sabe. Vírgulas parecem derramadas pela página por algum duende maluco, que quisesse brincar de fazer frases ambíguas, pensamentos tortos, expressões esmolambadas. Verbos? Detei-vos, intervido, mantesse, são mimos constantes. Não há sujeito que concorde com verbo numa página de fio a pavio. Lá pelas tantas um ouvido deseducado, um escriba relaxado, solta as maiores heresias. E a ortografia? Acreditem ou não, ainda agora ouço universitários e professores afirmando que acento, para mim, não existe mais! [...] Todas essas pessoas: estudantes, professores, jornalistas, intelectuais, morreriam de vergonha se fossem apanhados em público de cuecas ou trapos. Mas, olhe lá, a linguagem de muita gente boa por aí não vai além de uma tanguinha de Adão, e muito mal colocada... deixa à mostra um bom pedaço de vergonha. Lia Luft A- Entre parênteses há dois sinônimos para cada palavra do texto. Consulte um dicionário e copie-os: a) Cotidiano: ( diário, eventual, habitual ) b) Displicentes: ( desleixados, negligentes, cuidadosos ) c) Manejam: ( empregam, utilizam, envolvem ) d) Espontânea: ( artificial, comum, natural ) e) Coerção: ( liberdade, coação, controle ) f) Esgrime ( maneja, briga, utiliza ) g) Duende ( fantasma, assombração, professor ) h) Ambíguas ( certas, confusas, dúbias ) i) Esmolambadas ( diferentes, esfarrapadas, rotas ) j) Mimos ( primores, oferendas, erros ) k) Escriba ( escrevinhador, aluno, mau escritor ) l) Heresias ( disparates, verdades, absurdo ) B- De acordo com o texto, o que significa a expressão de fio a pavio? C - O que é utilizar a linguagem como trapos? D- O que a autora quis dizer com muito doutor esgrime ( a escrita ) como se não soubesse além da cartilha...? E- Quem são os monstrinhos que nos saltam aos olhos? Explique. F- Por que nunca nos lembramos desse traje cotidiano que é a linguagem? G- Logo no início do texto, a autora dá um motivo pelo qual as pessoas não melhoram a sua linguagem. Que motivo é esse? 1

2 H- Como a autora vê a linguagem oral? I - Transcreva três comparações utilizadas no texto. J - Você também acha que a linguagem é como um traje, e que o mau uso desse traje envergonha e pode passar uma imagem falsa da pessoa? Justifique sua resposta. K- Que causas você indicaria para as dificuldades na linguagem escrita? Questão 2: O menino escritor Quando eu tinha 10 anos, ao narrar a um amigo uma história que havia lido, inventei para ela um fim diferente, que me parecia muito melhor. Resolvi então escrever as minhas próprias histórias. Durante o meu curso de ginásio, fui estimulado pelo fato de ser sempre dos melhores em português e dos piores em matemática o que, para mim, significava que eu tinha jeito para escritor. Naquela época os programas de rádio faziam tanto sucesso quanto os de televisão hoje em dia, e uma revista semanal do Rio, especializada em rádio, mantinha um concurso permanente de crônicas sob o título O que pensam os rádio-ouvintes. Eu tinha 12, 13 anos, e não pensava grande coisa, mas minha irmã Berenice me animava a concorrer, passando à máquina as minhas crônicas e mandando-as para o concurso. Mandava várias por semana, e era natural que volta e meia uma fosse premiada. Passei a escrever contos policiais, influenciado pelas minhas leituras do gênero. Meu autor predileto era Edgar Wallace. Pouco depois passaria a viver sob a influência do livro mais sensacional que já li na minha vida, que foi o Winnetou de Karl May, cujas aventuras procurava imitar nos meus escritos. A partir dos 14 anos comecei a escrever histórias mais sérias, com pretensão literária. Muito me ajudou, neste início de carreira, ter aprendido datilografia na velha máquina Remington do escritório de meu pai. E a mania que passei a ter de estudar gramática e conhecer bem a língua me foi bastante útil. Mas nada se pode comparar à ajuda que recebi nesta primeira fase dos escritores de minha terra Guilhermino César, João Etienne Filho e Murilo Rubião e, um pouco mais tarde, de Marques Rebelo e Mário de Andrade, por ocasião da publicação do meu primeiro livro, aos 18 anos. De tudo, o mais precioso à minha formação, todavia, talvez tenha sido a amizade que me ligou desde então e pela vida afora a Hélio Pellegrino, Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos, tendo como inspiração comum o culto à Literatura. SABINO, Fernando. Para gostar de ler. Vol. 4. a) - Por que razão o autor dá a seu texto o título O menino escritor? b) - Releia, com atenção, a passagem a seguir: Passei a escrever contos policiais, influenciado pelas minhas leituras do gênero. Meu autor predileto era Edgar Wallace. Pouco depois passaria a viver sob a influência do livro mais sensacional que já li na minha vida, que foi o Winnetou de Karl May, cujas aventuras procurava imitar nos meus escritos. Reescreva a passagem transcrita, usando como foco narrativo a 3ª pessoa. c) - Releia, com atenção a passagem a seguir: A partir dos 14 anos comecei a escrever histórias mais sérias, com pretensão literária. Com que intenção o autor teria usado a expressão mais sérias entre aspas? d) Releia, com atenção, a passagem a seguir: E a mania que passei a ter de estudar gramática e conhecer bem a língua me foi bastante útil. A passagem transcrita nos permite deduzir a opinião de Fernando Sabino sobre a finalidade de se estudar a gramática. Que opinião é essa? 3- Texto: Questão de identidade Luciano, Zeca e um outro amigo andavam pelo Shopping Fashion Mall, na zona sul do Rio de Janeiro, quando um segurança identificou Luciano como traficante e o expulsou do local. Traficantes não devem ser expulsos de lugares públicos. O procedimento elementar seria convocar a polícia para detê-lo. Mas esse estranho procedimento tem uma explicação simples. É que esse fato, registrado no circuito fechado de televisão do shopping, nada tem a ver com tráfico. Luciano Ferreira da Silva, 18 anos, preto, e Zeca Veloso, 11 anos, branco, são apenas rapazes de classe média. Luciano é filho de criação de Caetano e Paula Lavigne. Nada como uma carteira de identidade para esclarecer esses mistérios da nebulosa convivência social brasileira. O que 2

3 acabo de descrever é mais uma cena explícita de racismo, do cotidiano brasileiro, que se repete em todos os shoppings de classe média de todas as cidades do Brasil, sempre que um negro ousa transpor seu portal com desenvoltura de branco. Ganhou a primeira página por causa da conexão com pessoas famosas e reconhecidas. Mais, porque Caetano Veloso e Paula Lavigne têm sentimento cívico, ao invés de esconder, denunciaram a agressão racial. Os rapazes voltaram para casa e contaram a Paula, que chamou seu pai e advogado, Arthur, e os levou à 15a DP, no bairro da Gávea, onde registraram a ocorrência. De racismo, certo? Não. Apenas constrangimento ilegal. Arthur Lavigne esclarece que, embora seja evidente que Luciano foi retirado do shopping por ser negro, não se pode afirmar que a motivação foi racismo, porque o agressor não verbalizou isso. Ou seja, só poderá ser acusada de racismo, no Brasil, a pessoa que, além de agredir, discriminar, ofender, humilhar e até matar, o fizer aos gritos de negro safado, ou equivalente. Há quem tema que a denúncia do racismo provoque violência racial no Brasil. A violência está aí, como sempre esteve, senhoras e senhores. Unilateral. Contra os negros. Sérgio Abranches. Veja, 25 fev. 2004, p. 21. (Fragmento) a) O autor, ao relatar com pormenores um caso de atitude racista, deixa entrever sua opinião. Explicite-a. b) O tratamento diferenciado dado a Luciano também se manifestou quando foi revelada sua identidade. Comente essa circunstância, comparando-a com o tratamento que Luciano recebeu na abordagem do segurança. c) Que atitude revelou sentimento cívico dos pais de Luciano? d) Como você se posicionaria se presenciasse um fato semelhante? e) O que você faria no lugar de Luciano? f) Apesar de o articulista ter escrito O que acabo de descrever..., pode-se perceber neste fragmento características de narração. 4. Reescreva as orações, substituindo as palavras em destaque por outras que pertençam à norma culta da linguagem. O garoto chegou dizendo ao pai que em seu trabalho tinha dado zebra e que ele havia dado com os burros n água. Desse modo, as coisas estavam pretas. 5- Leia o trecho publicado em 1918, prestando bastante atenção na variação da linguagem. UM MILAGRE DE SANTO ANTÔNIO Crônica da Ordem dos Frades Menores (manuscrito do século XV, publicado por José Joaquim Nunes. Coimbra, 1918). In G. Guimarães Corrêa. Novo programa de vernáculo. Rio de Janeiro, Francisco Alves. Apesar das variações na linguagem escrita, é possível entender a história. Reescreva o texto 15, atualizando a variação da linguagem culta, mas sem alterar seu sentido geral. Tente descobrir o significado das palavras mais estranhas ou difíceis, substituindo-as por palavras correntes, atualize a ortografia e pontue o texto segundo as regras atuais. Texto: Futebol de Rua Pelada é o futebol de campinho, de terreno baldio. Mas existe um tipo de futebol ainda mais rudimentar do que a pelada. É o futebol de rua. Perto do futebol de rua qualquer pelada é luxo e qualquer terreno baldio é o Maracanã em jogo noturno. Se você é homem, brasileiro e criado em cidade, sabe do que eu estou falando. Futebol de rua é tão humilde que chama pelada de senhora. Não sei se alguém, algum dia, por farra ou nostalgia, botou num papel as regras do futebol de rua. Elas seriam mais ou menos assim: DA BOLA A bola pode ser qualquer coisa remotamente esférica. Até 3

4 uma bola de futebol serve. No desespero, usa-se qualquer coisa que role, como uma pedra, uma lata vazia ou a merendeira do seu irmão menor, que sairá correndo para se queixar em casa. No caso de usar uma pedra, lata ou outro objeto contundente, recomenda-se jogar de sapatos. De preferência os novos, do colégio. Quem jogar descalço deve cuidar para chutar sempre com aquela unha do dedão que estava precisando ser aparada mesmo. Também é permitido o uso de frutas ou legumes em vez de bola, recomendando-se nestes casos a laranja, a maçã, o chuchu e a pêra. Desaconselha-se o uso de tomates, melancias e, claro, ovos. O abacaxi pode ser utilizado, mas aí ninguém quer ficar no golo. DAS GOLEIRAS As goleiras podem ser feitas com, literalmente, o que estiver à mão. Tijolos, paralelepípedos, camisas emboladas, os livros da escola, a merendeira do seu irmão menor e até o seu irmão menor, apesar dos seus protestos. Quando o jogo é importante, recomenda-se o uso de latas de lixo. Cheias, para agüentarem o impacto. A distância regulamentar entre uma goleira e outra dependerá de discussão prévia entre os jogadores. Às vezes esta discussão demora tanto que quando a distância fica acertada está na hora de ir jantar. Lata de lixo virada é meio golo. DO CAMPO O campo pode ser só até o fio da calçada, calçada e rua, rua e a calçada do outro lado e nos clássicos o quarteirão inteiro. O mais comum é jogar-se só no meio da rua. DA DURAÇÃO DO JOGO Até a mãe chamar ou escurecer, o que vier primeiro. Nos jogos noturnos, até alguém da vizinhança ameaçar chamar a polícia. DA FORMAÇÃO DOS TIMES O número de jogadores em cada equipe varia, de um a 70 para cada lado. Algumas convenções devem ser respeitadas. Ruim vai para o golo. Perneta joga na ponta, a esquerda ou a direita dependendo da perna que faltar. De óculos é meia-armador, para evitar os choques. Gordo é beque. DO JUIZ Não tem juiz. DAS INTERRUPÇÕES No futebol de rua, a partida só pode ser paralisada numa destas eventualidades: a) Se a bola for para baixo de um carro estacionado e ninguém conseguir tirá-la. Mande o seu irmão menor. b) Se a bola entrar por uma janela. Neste caso os jogadores devem esperar não mais de 10 minutos pela devolução voluntária da bola. Se isso não ocorrer, os jogadores devem designar voluntários para bater na porta da casa ou apartamento e solicitar a devolução, primeiro com bons modos e depois com ameaças de depredação. Se o apartamento ou casa for de militar reformado com cachorro, deve-se providenciar outra bola. Se a janela atravessada pela bola estiver com o vidro fechado na ocasião, os dois times devem reunir-se rapidamente para deliberar o que fazer. A alguns quarteirões de distância. c) Quando passarem pela calçada: 1) Pessoas idosas ou com defeitos físicos. 2) Senhoras grávidas ou com crianças de colo. 3) Aquele mulherão do 701 que nunca usa sutiã. Se o jogo estiver empatado em 20 a 20 e quase no fim, esta regra pode ser ignorada e se alguém estiver no caminho do time atacante, azar. Ninguém mandou invadir o campo. d) Quando passarem veículos pesados pela rua. De ônibus para cima. Bicicletas e Volkswagen, por exemplo, podem ser chutados junto com a bola e se entrar é golo. DAS SUBSTITUIÇÕES Só são permitidas substituições: a) No caso de um jogador ser carregado para casa pela orelha para fazer a lição. b) Em caso de atropelamento. DO INTERVALO PARA DESCANSO Você deve estar brincando. DA TÁTICA Joga-se o futebol de rua mais ou menos como o Futebol de Verdade (que é como, na rua, com reverência, chamam a pelada), mas com algumas importantes variações. O goleiro só é intocável dentro da sua casa, para onde fugiu gritando por socorro. É permitido entrar na área adversária tabelando com uma Kombi. Se a bola dobrar a esquina, é córner. DAS PENALIDADES A única falta prevista nas regras do futebol de rua é atirar um adversário dentro do bueiro. É considerada atitude antiesportiva e punida com tiro indireto. DA JUSTIÇA ESPORTIVA Os casos de litígio serão resolvidos no tapa. Luís Fernando Veríssimo 6- Consulte um dicionário e dê o significado das palavras abaixo. Em seguida, explique sua aplicação dentro do texto: a) Contundente b) beque c) eventualidade d) deliberar e) litígio 4

5 a. Nas regras do futebol de rua, no texto, há algumas afirmações reais e outras exageradas. Cite expressões ou frases cômicas que dificilmente aconteceriam na realidade. b. O autor aconselha o uso de tomate como bola. Como isso seria possível? 7- O que quer dizer a frase: Você deve estar brincando, no item DO INTERVALO PARA DESCANSO? 8 Explique a frase: Futebol de rua é tão humilde que chama pelada de senhora. 9- O texto tem partes engraçadas. O que o torna engraçado? 10- Analise a estrutura do texto. Texto: Na Escuridão Miserável Eram sete horas da noite quando entrei no carro, ali no Jardim Botânico. Senti que alguém me observava enquanto punha o motor em movimento. Voltei-me e dei com uns olhos grandes e parados como os de um bicho, a me espiar através do vidro da janela junto ao meio-fio. Eram de uma negrinha mirrada, raquítica, um fiapo de gente encostado ao poste como um animalzinho, não teria mais que uns sete anos. Inclineime sobre o banco, abaixando o vidro: - O que foi, minha filha? - perguntei, naturalmente, pensando tratar-se de esmola. - Nada não senhor - respondeu-me, a medo, um fio de voz infantil. - O que é que você está me olhando aí? - Nada não senhor - repetiu. - Tou esperando o ônibus... Onde é que você mora? - Na Praia do Pinto. - Vou para aquele lado. Quer uma carona? Ela vacilou, intimidada. Insisti, abrindo a porta: - Entra aí, que eu te levo. Acabou entrando, sentou-se na pontinha do banco, e enquanto o carro ganhava velocidade ia olhando duro para a frente, não ousava fazer o menor movimento. Tentei puxar conversa: - Como é o seu nome? - Teresa. - Quantos anos você tem, Teresa? - Dez. - E o que estava fazendo ali, tão longe de casa? - A casa da minha patroa é ali. - Patroa? Que patroa? Pela sua resposta, pude entender que trabalhava na casa de uma família no Jardim Botânico: lavava roupa, varria a casa, servia a mesa. Entrava às sete da manhã, saía às oito da noite. Hoje saí mais cedo. Foi 'jantarado'. - Você já jantou? Não. Eu almocei. - Você não almoça todo dia? - Quando tem comida pra levar de casa eu almoço: mamãe faz um embrulho de comida pra mim. - E quando não tem? - Quando não tem, não tem - e ela até parecia sorrir, me olhando pela primeira vez. Na penumbra do carro, suas feições de criança, esquálidas, encardidas de pobreza, podiam ser as de uma velha. Eu não me continha mais de aflição, pensando nos meus filhos bem nutridos - um engasgo na garganta me afogava no que os homens experimentados chamam de sentimentalismo burguês. - Mas não te dão comida lá? - perguntei, revoltado. - Quando eu peço eles dão. Mas descontam no ordenado. Mamãe disse pra eu não pedir. - E quanto é que você ganha? Diminuí a marcha, assombrado, quase parei o carro! Ela mencionara uma importância ridícula, uma ninharia, não mais que alguns trocados. Meu impulso era voltar, bater na porta da tal mulher e meter-lhe a mão na cara. - Como é que você foi parar na casa dessa... foi parar nessa casa? - perguntei ainda, enquanto o carro, ao fim de uma rua do Leblon, se aproximava das vielas da Praia do Pinto. Ela disparou a falar: - Eu estava na feira com mamãe e então a madame pediu para eu carregar as compras. E aí no outro dia pediu a mamãe pra eu trabalhar na casa dela, então mamãe deixou porque mamãe não pode deixar os filhos todos sozinhos e lá em casa é sete meninos fora dois grandes que já são soldados. Pode parar que é aqui moço, obrigado. 5

6 Mal detive o carro, ela abriu a porta e saltou, saiu correndo, perdeu-se logo na escuridão miserável da Praia do Pinto... (Fernando Sabino) 11- Dê dois sinônimos para cada palavra retirada do texto: a) raquítica: b) vacilou: c) intimidada: d) penumbra: e) esquálidas: f) aflição: g) ninharia: 12) A crônica é quase sempre um texto curto, com poucas personagens, que se inicia quando os fatos principais da narrativa estão por acontecer. Por essa razão, o tempo e o espaço são limitados. Na crônica " Na escuridão miserável": a) Quais são as personagens envolvidas na história? b) Onde acontecem os fatos narrados? c) Qual o tempo de duração desses fatos? d) Resuma, em poucas linhas, os fatos narrados. 13- Na crônica, os fatos podem ser narrados por um narrador-observador ou por um narrador-personagem. Qual o tipo de narrador na crônica Na escuridão miserável? Justifique sua resposta. 14- O cronista volta seu olhar atento para notícias veiculadas em jornais falados e escritos e para fatos do dia-adia. E os registra com sensibilidade e poesia, ora provocando humor, ora provocando uma reflexão crítica acerca da realidade. a) A história retratada na crônica lida é apenas ficcional, ou seja, inventada pelo cronista? Justifique sua resposta. b) Conclua: a crônica se limita a narrar fatos ou busca uma abordagem mais abrangente deles? c) Que objetivos o autor da crônica Na escuridão miserável tem em vista: criar humor e divertir ou levar o leitor a refletir criticamente sobre a vida e os comportamentos humanos? Explique. 15- Observe a linguagem empregada na crônica em estudo: a) Os fatos são narrados de forma pessoal, subjetiva, isto é, de acordo com a visão do cronista, ou são narrados de forma impessoal, objetiva, numa linguagem jornalística? b) Que tipo de variedade lingüística é adotado na crônica: a variedade padrão formal ou a variedade padrão informal? Justifique sua resposta. 16- Discurso citado: discurso direto OU indireto.?observe os fragmentos abaixo e identifique qual o discurso utilizado. a) Mas não te dão comida lá? - perguntei, revoltado. - Quando eu peço eles dão. Mas descontam no ordenado. Mamãe disse pra eu não pedir. - E quanto é que você ganha? b) Pela sua resposta, pude entender que trabalhava na casa de uma família no Jardim Botânico: lavava roupa, varria a casa, servia a mesa. Entrava às sete da manhã, saía às oito da noite. 6

7 Texto: A ratoeira Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que poderia haver ali. Ao descobrir que era uma ratoeira, ficou aterrorizado. Correu ao pátio da fazenda advertindo a todos: "- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa!!! " A galinha, disse: "- Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda." O rato foi até o porco e lhe disse: "- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira!!!" "- Desculpe-me Sr. Rato, disse o porco, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser rezar. Fique tranqüilo que o senhor será lembrado nas minhas preces." O rato dirigiu-se então à vaca. Ela lhe disse: "- O que Sr. Rato? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não! " Então o rato voltou para a casa, cabisbaixo e abatido, para encarar a ratoeira do fazendeiro. Naquela noite ouviu-se um barulho, como o de uma ratoeira pegando sua vítima. A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pego. No escuro, ela não viu que a ratoeira havia pego a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher...o fazendeiro a levou imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre. Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha. O fazendeiro pegou a faca e foi providenciar o ingrediente principal. Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la. Para alimentá-los o fazendeiro matou o porco. A mulher não melhorou e acabou morrendo. Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo. Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se que, quando há uma ratoeira na casa, toda a fazenda corre risco. O problema de um é problema de todos." SEIS ERROS A EVITAR Há 20 séculos, Cícero, estadista e orador romano, classificou assim os seis erros mais terríveis que uma pessoa pode cometer durante a vida: 1. A ilusão de que se consegue a promoção individual rebaixando os outros. 2. A Teimosia em preocupar-se com as coisas que não se pode mudar ou corrigir. 3. A insistência em crer que uma coisa é impossível só porque nós não podemos fazê-la. 4. Não ser capaz de colocar de parte as preferências mesquinhas. 5. Descuidar o aperfeiçoamento da mente e não adquirir o hábito da leitura e do estudo. 6. Querer obrigar os outros a ser e a viver exatamente como nós. Embora com vinte séculos, estes erros, infelizmente, ainda continuam atuais. Questões: 17- Cite exemplos de ocasiões em que as pessoas costumam negar cooperação. 18- Quando devemos colaborar com as pessoas? 19- Que atitudes devemos tomar quando alguém procede como os animais da parábola? 20- Faça o reconto do texto lido: 7

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