UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE JUSSARA LICENCIATURA EM MATEMÁTICA LUIZ CARLOS DOS SANTOS OLIVEIRA

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1 UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE JUSSARA LICENCIATURA EM MATEMÁTICA LUIZ CARLOS DOS SANTOS OLIVEIRA O PROCESSO DE INCLUSÃO DO DEFICIENTE AUDITIVO EM TURMAS REGULARES DO ENSINO FUNDAMENTAL JUSSARA-GO 2010

2 1 Luiz Carlos dos Santos Oliveira O PROCESSO DE INCLUSÃO DO DEFICIENTE AUDITIVO EM TURMAS REGULARES DO ENSINO FUNDAMENTAL Trabalho monográfico apresentado para fins de conclusão do Curso de Licenciatura em Matemática, da Universidade Estadual de Goiás, Unidade Universitária de Jussara, sob a orientação da Professor Deusaguimar Divino da Silva. JUSSARA-GO 2010

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4 3 Dedico este trabalho aos meus pais, irmã e ao meu amigo Danilo que foram de extrema importância para vencer mais essa etapa da minha vida. Um abraço a todos!!!

5 4 AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus pela paciência e força no desenvolvimento deste trabalho. Aos meus familiares pela compreensão das inúmeras vezes que estive ausente em alguns momentos de suas vidas.

6 5 RESUMO Esta pesquisa refere-se ao Processo de Inclusão do Deficiente Auditivo em Turmas Regulares do Ensino Fundamental, uma pesquisa que mostra as grandes dificuldades que os alunos deficientes auditivos e surdos enfrentam em sala de aula e fora do ambiente escolar, pela falta de conhecimento por parte dos alunos e professores da Língua Brasileira de Sinais LIBRAS. Além disso, há ainda o descomprometimento dos pais de alunos deficientes auditivos em acompanhar de perto o desenvolvimento escolar de seus filhos e como é importante a participação da família na vida escolar do portador de deficiência auditiva. Temos também algumas contribuições da sociedade à inclusão dos surdos, a forma de como eles aprendem a língua portuguesa e também a inclusão de LIBRAS como componente curricular nos cursos de formação de professores. A presente pesquisa é bibliográfica e está dividida em dois capítulos. Como fonte de pesquisa, foram pesquisados livros e artigos que falam do assunto abordado. No que se refere à inclusão, significamente ela não se limita somente a incluir o aluno deficiente auditivo nas classes de ensino regular, a inclusão se faz através de um ensino de qualidade, utilizando metodologia adequada, com professores capacitados, uma estruturação apropriada que deve ser feito pela escola para a aprendizagem e o desenvolvimento da criança ou adolescente portador da deficiência auditiva. PALAVRAS CHAVE: Inclusão. Ensino-Aprendizagem. LIBRAS.

7 6 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 07 CAPÍTULO 01 A INCLUSÃO NO ENSINO REGULAR 1.1 O Conceito de Educação Inclusiva: A Problemática Encontrada na Inclusão do Surdo na Escola Características do Portador de Deficiência Auditiva Projetos e os Princípios Fundamentais de uma Escola Inclusiva O Papel da Família e as Contribuições da Sociedade à Inclusão dos Surdos 24 CAPÍTULO 02 A IMPORTÂNCIA DE LIBRAS (LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS) NA VIDA DO SURDO 2.1 Falhas na Comunicação Desencadeia a Exclusão A Situação da Aprendizagem dos Surdos em Relação à Língua Portuguesa A Inclusão da Língua Brasileira de Sinais como Disciplina Curricular na Formação dos professores. 36 CONSIDERAÇÕES FINAIS 38 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 40 ANEXOS 42

8 7 INTRODUÇÃO A presente pesquisa possui como tema: O Processo de Inclusão do Deficiente Auditivo em Turmas Regulares do Ensino Fundamental, um assunto que vem se tornando cada vez mais importante e estudado, por se tratar de um processo que exige maior estruturação das escolas de ensino regular para poder proporcionar aos alunos deficientes auditivos um ensino mais adequado. O objetivo deste trabalho é levar ao leitor o conhecimento do que o processo de inclusão do surdo exige da escola, sociedade e família para realmente acontecer, mostrando que há maneiras do portador de deficiência auditiva ser incluso em salas regulares, desde que as escolas se estruturem para isto. O deficiente auditivo ao longo dos anos vem sofrendo por se sentir rejeitado e excluído da sociedade, pouco se vê o que é feito para seu processo de inclusão, pouco sabem se comunicar em LIBRAS e a maioria dos ouvintes não têm o interesse em aprender esta língua, negando assim o direito de comunicação daqueles que usam a LIBRAS para se comunicar. A pesquisa foi dividida em 02 (dois) capítulos sendo o primeiro referente a Inclusão no Ensino Regular; neste primeiro capítulo foi procurado lhes trazer o conhecimento sobre os Conceitos de Educação Inclusiva, seus principais ideais perante o processo de inclusão. Temos também A Problemática Encontrada na Inclusão do Surdo na Escola, onde estão alguns fatores negativos que o deficiente auditivo vivencia em sala de aula e fora dela e alguns desafios para que a escola se torne inclusiva. Neste mesmo capítulo, procurei mostrar as Características do Portador de Deficiência Auditiva, que são essências as pessoas terem conhecimento para que entendam melhor como surdo ou o deficiente auditivo se sente perante as suas limitações impostas pela deficiência e suas identidades que podem ser formadas. Com a idéia de escola inclusiva, surgiram alguns projetos e princípios retratando a inclusão, procurei através dos Projetos e os Princípios Fundamentais de uma Escola Inclusiva trazer as características dos projetos selecionados, do que cada um propõem e há também alguns princípios que são fundamentais para que a escola seja realmente inclusiva trazendo a você leitor, o que algumas leis exigem das escolas e profissionais que trabalham neste processo. Temos também O Papel da Família e as Contribuições da Sociedade à Inclusão dos Surdos, Neste procurei trazer o conhecimento do quanto à família se torna importante no desenvolvimento da criança ou adolescente surdo

9 8 quando há uma participação ativa em sua vida tanto em casa como na escola e algumas contribuições que a sociedade vem fazendo para cada vez mais incluir o surdo na cultura ouvinte e matérias que trazem aos ouvintes maior conhecimento da cultura surda. No segundo capítulo A Importância de LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) na Vida do Surdo, foi procurado ser exposto que quando a comunicação em sala de aula entre surdo e professores ouvintes e surdo com colegas ouvintes não é feito em LIBRAS, o aluno que apresenta a surdez está propicio à sua exclusão neste ambiente, pelo motivo de outras técnicas de comunicação serem falhas. Em, A Situação da Aprendizagem dos Surdos em Relação a Língua Portuguesa, foi procurado mostrar de como os surdos e deficientes auditivos aprendem a língua portuguesa, os materiais mais adequados para esta aprendizagem e a utilização da tecnologia como auxílio. E por último temos A Inclusão da Língua Brasileira de Sinais como Disciplina Curricular na Formação dos Professores, que tem como intuito, trazer ao conhecimento do leitor desta pesquisa, que a Língua Brasileira de Sinais é algo fundamental para que ocorra o processo de inclusão dos surdos e deficientes auditivos nas escolas regulares, cabendo aos professores possuírem o curso específico nesta língua, que agora de fato, será obrigatório nos cursos de Licenciatura como disciplina curricular como você verá neste trabalho.

10 9 CAPÍTULO 01 A INCLUSÃO NO ENSINO REGULAR. 1.1 O Conceito de Educação Inclusiva. É um aperfeiçoamento pedagógico que visa a proporcionar aos alunos que possuem necessidades especiais uma educação de qualidade de acordo com suas limitações geradas pela deficiência. A educação inclusiva busca oferecer aos alunos com necessidades especiais, iguais condições de aprendizado, de oportunidades, tanto fora como dentro da instituição escolar, de acordo com (Revista Da Educação Especial / Secretaria De Educação Especial, Brasília, 2008, p.11) [...] A Educação Inclusiva tem por objetivo alterar as práticas tradicionais, removendo as barreiras à aprendizagem e valorizando as diferenças dos alunos [...]. A educação inclusiva visa proporcionar aos alunos uma aprendizagem através de uma estrutura voltada para as necessidades do aluno, que consiga alcançar um ensino de qualidade que às diferenças entre os alunos sejam valorizadas. [...] A Educação Inclusiva organiza e promove um conjunto de valores e práticas que procuram responder a uma situação existente e problemática de insucesso seleção precoce ou abandono escolar [...], (INCLUSÃO: REVISTA DA EDUCAÇÃO ESPECIAL / SECRETARIA DE EDUCAÇÃO ESPECIAL, BRASÍLIA, 2008, p.11). O papel da educação inclusiva é a de proporcionar aos alunos um ensino de qualidade independente das barreiras encontradas devido às necessidades especiais de cada aluno, ela tenta se adequar as limitações de aprendizado de cada um. A escola que busca a educação inclusiva precisa ter materiais pedagógicos adequados às necessidades do aluno, um quadro de funcionários capacitados que a educação inclusiva exige, como é o caso abordado neste estudo LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais), e ter conhecimento de metodologias importantes que possam contribuir para o desenvolvimento da criança que possui alguma deficiência.

11 A Problemática Encontrada na Inclusão do Surdo na Escola. Os alunos que possuem a deficiência auditiva vivenciam em turmas regulares um ensino que não vêm conseguindo proporcionar a eles um aprendizado de qualidade, muitos que possuem esta deficiência não conseguem alcançar no Ensino Fundamental alguns objetivos importantes como a capacidade de leitura e escrita de maneira satisfatória, a maioria concluem o Ensino Fundamental sem saberem ler e escrever corretamente e sem ter um domínio adequado dos conteúdos. A inclusão nas escolas regulares visa proporcionar aos alunos que possuem necessidades especiais iguais condições de aprendizado com materiais pedagógicos adequados e docentes qualificados a estarem trabalhando estes materiais com estes alunos, mas as discussões à respeito da inclusão dos surdos é rodeado por indefinições e ambigüidades, o Plano Nacional de Educação Especial (MEC/SEEP) defendem o uso da Língua Brasileira de Sinais nas escolas comuns (regulares) por seus professores, mas muito pouco é feito para estas escolas se adequarem a ter o domínio desta língua e até de ter condições de oferecer um ensino desenvolvido em LIBRAS. Segundo o Senador Eduardo Azeredo/Senado Federal (LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS UMA CONQUISTA HISTÓRICA, Brasília, 2006) diz que: A comunidade de surdos é procurada por educadores e interessados para terem mais detalhes sobre a LIBRAS. Ou seja, a maioria dos professores não possui o apoio necessário dentro das escolas para estarem adquirindo o conhecimento da Língua de Sinais, estão buscando conhecimento por conta própria procurando comunidades surdas que lhes possam ensinar esta língua que é essencial para haver a comunicação entre alunos surdos e professores e com os colegas ouvintes. Existem discursos dizendo que o aluno portador de necessidades especiais deve com urgência ser incluído na escola regular, um deles é a Declaração de Salamanca junto com outros 87 governos, que foi uma conferência mundial realizada na cidade de Salamanca na Espanha no ano de 1994 que assegurou como lei que toda criança que possui necessidades especiais tem o direito de estudar no ensino regular com direito a toda adequação estrutural que precisar para obter um ensino de qualidade. Em seu artigo 19 diz o seguinte:

12 11 Políticas educacionais deveriam levar em total consideração as diferenças e situações individuais. A importância da linguagem de signos como meio de comunicação entre os surdos, por exemplo, deveria ser reconhecida e provisão deveria ser feita no sentido de garantir que todas as pessoas surdas tenham acesso a educação em sua língua nacional de signos [...]. (DECLARAÇÃO DE SALAMANCA, 1994, Art.19). Mas a realidade enfrentada pelos deficientes auditivos nas escolas é bem diferente do que diz o art. 19 da Declaração de Salamanca, pois a maioria dos alunos surdos e com deficiência auditiva não possuem um ensino apropriado feito na sua linguagem (LIBRAS) é como se as palavras deste artigo estivesse no esquecimento, o uso da língua de sinais é dadolhes de direito, mas o que se vê são apenas recomendações para que os professores e pais aprendam essa língua. Em relação à administração das escolas, o artigo 33 da Declaração de Salamanca diz o seguinte: Administradores locais e diretores de escolas podem ter um papel significativo quanto a fazer com que as escolas respondam mais às crianças com necessidades educacionais especiais desde de que a eles sejam fornecidos a devida autonomia e adequado treinamento para que o possam fazê-lo. Eles (administradores e diretores) deveriam ser convidados a desenvolver uma administração com procedimentos mais flexíveis, à reaplicar recursos instrucionais a diversificar opções de aprendizagem, a mobilizar auxílio individual, a oferecer apoio aos alunos experimentando dificuldades e a desenvolver relações com pais e comunidades. Uma administração escolar bem sucedida depende de um envolvimento ativo e reativo de professores e do pessoal e do desenvolvimento de cooperação efetiva e de trabalho em grupo no sentido de atender as necessidades dos estudantes. (DECLARAÇÃO DE SALAMANCA, 1994, Art.33). A citação acima nos revela como deveria ser na atualidade a administração das escolas de ensino regular, professores, administradores locais e diretores de escolas deveriam receber treinamentos para estarem plenamente capacitados para participarem no processo educacional destas crianças que possuem necessidades especiais, além disso, eles deveriam promover a participação dos pais destas crianças juntamente com a comunidade local na escola para participarem no processo de inclusão, mas com a falta de treinamento daqueles que fazem parte da administração da escola e dos professores, os alunos com necessidades especiais que neste trabalho em questão trata-se dos deficientes auditivos, ficam prejudicados, pois o processo de inclusão não acontece satisfatoriamente, deixando no processo de aprendizagem

13 12 das crianças uma falha que só poderia ser corrigida através de funcionários bem preparados que realmente sabem lhe dar com as necessidades especiais de cada um, em questão a surdez. A inclusão do aluno surdo não deve ser baseada na questão de igualdade com os ouvintes, com o deficiente auditivo em sala, será preciso ser incluída uma nova língua (LIBRAS), isso pode causar uma série de tensões principalmente por haver um grupo maior de ouvintes e um menor daqueles que não ouvem. O surdo não pode ser tratado de forma igual ao ouvinte dentro de sala de aula, pois o deficiente auditivo possui suas necessidades especiais, limitações que devem ser bem conhecidas pelo professor para que não venha excluí-lo da aula. Quando o professor prepara uma aula que só os alunos ouvintes vão entender, ele está causando a exclusão, está negando o direito do aluno deficiente auditivo de ter um aprendizado mais digno, adequado daquilo que lhe foi dado de direito na Declaração de Salamanca e na Lei de LIBRAS, um Decreto que visa à implantação do curso de LIBRAS nos cursos de licenciatura, para que os futuros professores já saem da faculdade dominando a língua de sinais. O surdo ou o deficiente auditivo deve ser submetido à aulas bem preparadas que consigam fazer com que ele entenda o conteúdo através de simples ações feitas pelo professor dentro de sala de aula, como por exemplo; falar pausadamente para que o aluno faça leitura labial, pode ser usado também a comunicação através da escrita, ou da maneira mais adequada que é a aula sendo lecionada através da língua de sinais. A inclusão do aluno surdo no ensino regular deveria ser um fator preponderante para o seu desenvolvimento sócio-cultural, pois traria ao aluno deficiente auditivo um convívio social maior do que a ele era submetido fora da escola de ensino regular; o que era para ser um ensino de qualidade através de uma comunicação adequada com estrutura pedagógica direcionado às necessidades de cada um e com administradores e professores capacitados acabam se transformando totalmente ao inverso, com professores que dizem não estar preparados para estarem trabalhando com alunos que possuem deficiência, logo abaixo temos um trecho da fala de uma professora que atua no ensino regular. Eu entendo e concordo que todas as crianças tem os mesmos direitos à educação, mas como eu vou dar conta de todos os meus alunos (as) e ainda dar atenção e cuidar de uma criança com deficiência? Eu não estou preparada para receber uma criança especial na minha sala de aula. (REVISTA DA EDUCAÇÃO ESPECIAL / SECRETARIA DE EDUCAÇÃO ESPECIAL. V.1, N.1, BRASÍLIA, 2005, p.41).

14 13 Os professores precisam se capacitar profissionalmente para estarem recebendo alunos com necessidades especiais em suas salas de aula, que a maioria estão com uma quantidade de alunos fora do comum, superlotadas, com tudo isto acontecendo, o deficiente auditivo está participando de um sistema voltado mais para exclusão do que para inclusão. A escolarização necessária é aquela capaz de proporcionar a todos os alunos, em igualdade de condições, o domínio dos conhecimentos sistematizados e o desenvolvimento de suas capacidades intelectuais requeridos para a continuidade dos estudos, série a série, e para as tarefas sociais e profissionais, entre as quais se destacam as lutas pela democratização da sociedade. (LIBÂNEO, 1994, p.34). Além do despreparo de alguns professores, os alunos deficientes auditivos ainda se deparam com classes com quantidade de alunos acima do ideal, sendo que estes alunos deveriam ser inclusos em salas com menos quantidade de alunos com uma estrutura adequada para o seu desenvolvimento de acordo com sua capacidade, caso contrário, os professores não conseguem aplicar suas aulas de modo a propiciar o desenvolvimento de seus alunos para a continuidade de seus estudos e convívio social. Para acontecer a inclusão é preciso que nas escolas haja diferenças, onde os alunos possam vivenciar novas experiências, aprender com o outro, onde cada um aprenda respeitando os limites do próximo. Será que o processo de inclusão implantado nas escolas regulares vai algum dia conseguir incluir e dar um ensino de qualidade a todas as crianças que possuem necessidades especiais, em especial o deficiente auditivo? Se não houver uma modificação estrutural no sistema educacional brasileiro, a inclusão de alunos portadores de necessidades especiais, principalmente os mais prejudicados, nunca será concretizado, logo a noção de inclusão total não é uma proposta, e sim uma utopia. (GLAT, 1988, p.11). Logo podemos ver que o aluno deficiente auditivo (surdo) só é submetido à desvantagens quando freqüenta salas de aula onde todo material preparado pelo professor está voltado para os ouvintes, ali ele não consegue compreender a aula, não vai conseguir fazer os mesmos trabalhos feitos por seus colegas. Nota-se que houve e ainda há um grande esforço por parte de determinados políticos e alguns segmentos sociais em garantir os direitos dos portadores de necessidades especiais em relação a inclusão com um ensino de qualidade nas leis voltadas para o ensino regular, mas

15 14 mesmo com essas leis elaboradas e aprovadas, pouco se vê o cumprimento destas nas escolas, pois elas não se referem apenas aos deficientes auditivos, mas sim, a todo tipo de deficiência que o aluno venha a ter e grande parte das escolas de ensino regular não estão aptas a cumprir estas leis como devia ser. O aluno surdo como foi visto, encontra inúmeras barreiras na rede regular de ensino, é uma verdadeira problemática encontrada nestas escolas que tentam ser inclusivas mas não conseguem dar a estrutura adequada a estas pessoas que precisam de um ensino qualificado administrado em sua linguagem por professores capacitados dando apoio ao aluno de acordo com a sua necessidade e fazer com que haja uma interação mais digna com os colegas ouvintes de classe, pois se isto for feito, o deficiente auditivo perceberá que realmente está sendo incluso, fortalecendo seu desenvolvimento intelectual através de um ensino adequado e modulado para ele. 1.3 Características do Portador de Deficiência Auditiva. Segundo o Art.2 do capítulo 1 do Decreto Lei de LIBRAS que regulamenta a Lei n , de 24 de Abril de 2002, que dispõem sobre a Língua Brasileira de Sinais LIBRAS, e o Art.18 da Lei n , de 19 de Dezembro de 2000 diz o seguinte: Para os fins deste Decreto, considera-se pessoa surda aquela que, por ter perda auditiva, compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais, manifestando sua cultura principalmente pelo uso da Língua Brasileira de Sinais LIBRAS. Parágrafo Único Considera-se deficiência auditiva a perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um (db) ou mais, aferida por audiograma nas freqüências de 500Hz, 1000Hz, 2000Hz e 3000Hz. Os livros da psicologia da surdez definem os surdos como linguisticamente pobres, intelectualmente primitivos e concretos, socialmente isolados e psicologicamente imaturos e agressivos. (SKLIAR, 1997, p.115). Talvez por estes conceitos retratados na maioria dos livros de psicologia sobre a surdez, venha a ser um dos motivos que caracterizou na sociedade ao longo dos anos o preconceito visto na atualidade pela grande população de ouvintes que tratam as pessoas

16 15 surdas como seres inferiores, como se fossem incapazes de aprender algo, de terem uma vida social normal assim como os outros. A maioria das crianças ouvintes cresceram ouvindo relatos de que pessoas deficientes são incapazes de fazer quase tudo, ou seja; o processo de exclusão vai crescendo por causa do preconceito, pouco se vê casos de grande interação entre um aluno ouvinte e um que seja surdo, como agora existem leis visando a inclusão de alunos deficientes auditivos nas escolas regulares, os ouvintes verão que nem tudo o que diziam as pessoas e livros preconceituosos é verdade; de que a incapacidade de ouvir não impede o aluno de aprender, de ter uma vida social confortável, o que falta à ele são materiais adequados de ensino e professores bilíngües, que sabem se comunicar adequadamente na linguagem do surdo. A maioria dos deficientes auditivos possui barreiras que os impedem de se comunicar, principalmente problemas na fala, alguns tentam se comunicar através da escrita, mas mesmo utilizando este método, a comunicação não é realizada satisfatoriamente. Alguns alunos se sentem constrangidos pelo motivo de precisarem se comunicar de uma maneira diferente, isso vai fazendo com que o aluno se sinta inferior ao seu colega ouvinte de sala de aula, muitos acabam se isolando, praticamente minimizando a pouca interação já existente com seus colegas e professores. Gil descreve: A adaptabilidade do surdo fica prejudicada em sala de aula por dificuldades óbvia de comunicação, que os leva a buscar o isolamento e a proteção do grupo. (GIL, 2010, p.03). A criança que possui a deficiência auditiva sofre um grande atraso de linguagem, isso pode acarretar uma série de problemas na vida desta criança que vai impedindo o seu desenvolvimento. Lacerda diz: [...] No caso de crianças surdas, o atraso de linguagem pode trazer conseqüências emocionais, sociais e cognitivas, mesmo que realizem o aprendizado tardio de uma língua. (LACERDA, 2006, p. 165). Existem crianças que possuem a deficiência auditiva, mas que não tiveram a total perda de audição, a deficiência auditiva pode ser classificada como: - Surdez Leve / Moderada: Consiste em uma perda auditiva de 70 decibéis, dificulta mas não impede a pessoa de estar se expressando oralmente, consegue perceber a voz humana utilizando aparelho auditivo ou não. - Surdez Severa / Profunda: Consiste em uma perda auditiva acima dos 70 decibéis, a pessoa fica impossibilitada de entender a voz humana mesmo utilizando aparelho auditivo ou não. Uma pessoa é considerada deficiente auditivo quando possui perda total ou parcial de resíduos auditivos causadas por doenças congênitas ou adquiridas que dificultam a compreensão da fala através do órgão (ouvido).

17 16 Essas crianças que possuem algum tipo de deficiência em questão a surdez, sofrem vários tipos de preconceitos, que prejudicam seu desenvolvimento cognitivo, moral, emocional e social, pois é na fase da formação de sua auto-imagem que as crianças acabam sofrendo vários tipos de preconceitos tanto fora como dentro do âmbito escolar. [...] Os preconceitos sociais são especialmente nocivos porque atingem a criança na formação da sua auto-imagem, o que pode significar um prejuízo ainda maior para a superação das dificuldades no âmbito escolar. (SKLIAR, 1997, p.72) Em muitos casos a deficiência auditiva existe na criança, mas ela ainda não notou que a possui. Às vezes só é percebida quando o rendimento escolar vai ficando abaixo do esperado, quando deixa de entender algo que o professor pronunciou, ou seja, uma palavra, uma frase; em primeira instância a criança pode até perceber alguma alteração em sua audição, mas deixa de contar para seus responsáveis e colegas de sala por pensar que possa ser algo não tão importante, a inocência acaba prevalecendo em muitas situações, e é o professor que acaba notando a deficiência auditiva dentro de sua sala de aula, através de observações feitas por ele, quando percebe que o aluno possui dificuldades de entender os diálogos, as explicações, quando precisa repetir mais de duas vezes uma frase para que o aluno entenda, isso tudo podem ser evidências da deficiência auditiva. Crianças que nasceram surdas, que possuem um histórico familiar marcado pela surdez às vezes demoram mais a perceber a deficiência do que uma criança que adquiriu a certa idade, isso se deve ao seu convívio familiar, com pais surdos. Nesse ambiente a criança vai crescendo utilizando a Língua de Sinais, ou gestos, mímica criada pelos próprios pais para estarem se comunicando entre eles, a criança vai vivendo em um mundo que para ela é normal, principalmente quando ainda não houve contato com pessoas ouvintes. Quando esta criança visa ultrapassar as fronteiras de sua casa (ambiente familiar) para o convívio com ouvintes, ela percebe que há algo de errado com a pessoa que ela tentou um contato (comunicação), seu modo de se comunicar não é entendido pelo ouvinte; ali ela percebe que há algo de anormal não com ela, mas com o próximo (ouvinte). Através desse momento, o mundo do preconceito abre para ela como se fosse um leque; ali através das explicações realizada por seus pais, ela percebe de modo embaraçosa que o anormal não são os ouvintes, mas sim aqueles que apresentam a surdez por serem minorias. No livro da Salles, temos um depoimento citado por Perlmutter (1986, apud Padden e Humphies, op. cit.), descrito por Sam

18 17 Supalla, surdo, em seu contato com uma amiga de infância ouvinte, que morava num apartamento ao lado do seu. Sam nasceu numa Família Surda, com muitos irmãos surdos mais velhos que ele e, por isso, demorou a sentir a falta de amigos. Quando seu interesse saiu do mundo familiar, notou, no apartamento ao lado do seu, uma garotinha, cuja idade era mais ou menos a sua. Após algumas tentativas, se tornaram amigos. Ela era legal, mas era esquisita: ele não conseguia conversar com ela como conversava com seus pais e irmãos mais velhos. Ela tinha dificuldade de entender gestos elementares! Depois de tentativas frustradas de se comunicar, ele começou apontar para o que queria ou, simplesmente, arrastava a amiga para onde ele queria ir. Ele imaginava como deveria ser ruim para a amiga não conseguir se comunicar, mas, uma vez que eles desenvolveram uma forma de interagir, ele estava contente em se acomodar às necessidades peculiares da amiga. Um dia a mãe da menina aproximou-se e moveu seus lábios e, como mágica, a menina pegou sua casa de boneca e moveu-a para outro lugar. Sam ficou estupefato e foi para sua casa perguntar a sua mãe sobre, exatamente, qual era o tipo de problema da vizinha. Sua mãe lhe explicou que a amiga dele, bem como a mãe dela, eram ouvintes e, por isso, não sabiam sinais. Elas falavam, moviam seus lábios para se comunicar com os outros. Sam perguntou se somente a amiga e sua mãe era assim, e sua mãe lhe explicou que era sua família que era incomum e não a da amiga. As outras pessoas eram como sua amiga e a mãe. Sam não possuía a sensação de perda. Imerso no mundo de sua família, eram os vizinhos que tinham uma perda, uma desabilidade de comunicação. (SALLES... [et. al.], 2004, p.37-38). Perder um sentido pode significar ganhar outro, nem sempre a falta de audição caracteriza o deficiente auditivo como um ser inferior ao ouvinte. Quebrar o paradigma da deficiência é enxergar as restrições de ambos: surdos e ouvintes. Por exemplo, enquanto um surdo não conversa no escuro, o ouvinte não conversa debaixo d água; em local barulhento, o ouvinte não consegue se comunicar, a menos que grite e, nesse caso, o surdo se comunica sem problemas. Além disso, o ouvinte não consegue comer e falar ao mesmo tempo, educadamente, e sem engasgar, enquanto o surdo não sofre essa restrição. (SALLES...[et. al.], 2004, p.38). O deficiente auditivo ou a pessoa que apresenta a surdez constrói dentro de uma cultura surda uma identidade e é essa identidade que ele assume dentro da sociedade onde vive, ela pode ser definida como:

19 18 Identidade Flutuante, na qual o surdo se espelha na representação hegemônica do ouvinte, vivendo e se manifestando de acordo com o mundo ouvinte; Identidade Inconformada, na qual o surdo não consegue captar a representação da identidade ouvinte, hegemônica, e se sente numa identidade subalterna; Identidade de Transição, na qual o contato dos surdos com a comunidade surda é tardio, o que os faz passar da comunicação visual-oral (na maioria das vezes truncada) para a comunicação visual sinalizada o surdo passa por um conflito cultural; Identidade híbrida, reconhecida nos surdos que nasceram ouvintes e se ensurdeceram e terão presentes as duas línguas numa dependência dos sinais e do pensamento na língua oral; Identidade Surda, na qual ser surdo é estar no mundo visual e desenvolver sua experiência na Língua de Sinais. Os surdos que assumem a identidade surda são representados por discursos que os vêem capazes como sujeitos culturais, uma formação de identidade que só ocorre entre os espaços culturais surdos. (SALLES, [et. al.], 2004, p.41). Como foi visto na Identidade Flutuante o surdo tenta viver como se fosse um ouvinte, possui hábitos de uma pessoa que ouve, freqüenta lugares onde talvez não há nenhum tipo de estruturação adequada, para ele não é problema estar em ambientes onde há na maioria ouvintes. Na Identidade Inconformada, percebe-se que o deficiente auditivo não consegue captar a representação da Identidade Ouvinte, ou seja, tenta mais não consegue fazer algo que um ouvinte faria, com isto, ele se sente numa Identidade Subalterna. Na Identidade de Transição, estão as pessoas surdas que possuem como única forma de comunicação a fala, que na maioria dos casos se encontra truncada, quando o contato com a comunidade surda é feito de forma tardio, estas pessoas precisam mudar sua forma de se comunicar, mudando da linguagem oral para a visual sinalizada, nesta situação é desencadeada um conflito cultural por causa da transição desta linguagem. Na Identidade Híbrida estão aquelas pessoas que nasceram ouvintes e por algum motivo se tornaram deficientes auditivos, neste caso, estas pessoas vão ter duas formas de comunicação, a do pensamento na língua oral e da língua de sinais. E por último, temos a Identidade Surda, que estão aquelas pessoas que se aceitam como realmente são. Freqüentam comunidades surdas, buscam aprimorar a comunicação através da língua de sinais, sempre estão organizando programas de lazer, como festas e viagens com amigos que possuem a mesma deficiência; em ambientes onde só estão pessoas que apresentam a surdez não há preconceito, ninguém se sente inferior ao próximo, pelo contrário, se sentem capazes como sujeitos culturais. A maioria das pessoas que são surdas preferem ter mais contato com aquelas que possuem a mesma deficiência, em ambientes onde só há ouvintes o deficiente auditivo se sente inseguro A preferência dos surdos em se relacionar com seus semelhantes fortalece sua identidade e lhes traz segurança [...]. (SALLES,...[et al], 2004, p.41), ou seja, o contato surdo-surdo fortalece a identidade e traz segurança para o deficiente auditivo.

20 Projetos e os Princípios Fundamentais de uma Escola Inclusiva. No Estado de Goiás segundo o artigo, existem dez projetos, os quais são: Escola Inclusiva: Uma proposta de escola para todos / garantia de respeito à diferença. Dentro dos aspectos organizacionais tem como eixo a aprendizagem, utilizando iniciativas institucionais e práticas, tais como o Plano Individualizado de Educação PIE, adaptação curricular, avaliação referencial, estilos e ritmos de aprendizagem, instrução multinível, múltiplas inteligências, avaliação e promoção. Prevenir: prevenção e detecção de deficiências em uma perspectiva de inclusão escolar e social. Articulação e parcerias com outros órgãos, sobretudo com os relacionados à área de saúde. Projeto Depende de Nós: norteia e acompanha a participação da família e da comunidade no processo de implementação da educação inclusiva em Goiás. Hoje: uma proposta de atendimento educacional hospitalar, em classes hospitalares, para alunos com necessidades educacionais especiais internados com prognóstico de média e / ou longa duração. Espaço Criativo: inclusão pela arte, visando à utilização dos vários tipos de artes para promover a construção da aprendizagem no ensino regular e especial. Comunicação: uma proposta educacional para pessoas surdas, visando a promoção de comunicação com o mundo ouvinte. Despertar: uma proposta de atendimento educacional inclusiva para alunos com indícios de altas habilidades. Refazer: Atendimento educacional para artistas em escolas especiais e de ensino regular. É necessário enfatizar que apesar desse projeto ser expresso no documento que visa à inclusão, ele é voltado para as escolas de Educação Especial fundamentadas no paradigma de integração. Unidades de Referência: unidades de atendimento que favorecem a inclusão dos alunos com necessidades especiais na escola, na família e na sociedade. (SANTOS; LIMA; SILVA, ANÁLISE DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DO ESTADO DE GOIÁS PARA A INCLUSÃO DOS ALUNOS COM NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS NA REDE REGULAR DE ENSINO, p.10). No Programa Estadual de Educação para a Diversidade numa Perspectiva Inclusiva destaca-se o projeto Escola Inclusiva que tem como ênfase a inclusão escolar na rede regular de ensino de pessoas que possuem necessidades educacionais especiais pelo motivo de alguma deficiência. Trata-se de um projeto que tem como princípio democrático a educação para todos, ou seja, também para os não deficientes. Este projeto tem como objetivo consolidar uma política de educação inclusiva no Estado, o PEEDI (Programa Estadual para a Diversidade numa Perspectiva Inclusiva) nos afirma que as escolas terão assessoria e acompanhamento técnico pedagógico por uma equipe formada por profissionais de várias áreas do conhecimento e esta equipe será composta por psicólogos, pedagogos, fonoaudiólogos, assistentes social, intérprete, instrutor, professor de apoio e professor de recursos, denominados como Setor de apoio à inclusão. O documento Programa Estadual para a Diversidade numa Perspectiva Inclusiva (1999), nesse contexto diz que a escola se

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