DIRETRIZES DA ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL NO CONTEXTO DA DEFICIÊNCIA AUDITIVA - METODOLOGIA EPHETA

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1 DIRETRIZES DA ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL NO CONTEXTO DA DEFICIÊNCIA AUDITIVA - METODOLOGIA EPHETA Elianes Klein Graduada em Psicologia, Especialista em Educação Especial e Altas Habilidades Superdotação EPHETA Instituição especializada na área da Surdez/deficiência auditiva - AEFSPR INTRODUÇÃO Diante das demandas atuais no mundo cooporativo a respeito da diversidade na gestão de pessoas na vida laboral se faz necessário entender as especificidades de determinados contextos e lugares. De que população estamos falando e qual é o conceito quando abordamos a deficiência auditiva? Qualquer distúrbio no processo de transmissão e recepção do som pelo sistema auditivo seja qual for sua causa, tipou severidade constitui uma alteração auditiva. Essa alteração denomina-se deficiência auditiva. Para a organização Mundial da Saúde (OMS) a deficiência auditiva é incapacitante quando o grau de perda auditiva é maior que 41 db para o adulto e 31 db para a criança. Não é conhecido o numero exato de pessoas com perda auditiva no mundo. A OMS estima que em 2015 mais de 700 milhões de pessoas no mundo terão a deficiência auditiva. Em 2025, este numero será de 900 millhões. O aumento nas estimativas é devido a melhora no diagnóstico, a detecção precoce, maior sobrevida de pessoas idosas e aumento da incidência de perda auditiva induzida por ruído e ototóxico. A importância de estimar a perda auditiva no mundo está além do efeito no indivíduo, a consequência direta no desenvovimento social e econômico em comunidades e países. A orientação Profissional neste contexto da deficiência auditiva finaliza o processo de permanência na Metodologia EPHETA e insere a pessoa com deficiência auditiva no mundo do trabalho e no social produtivo conforme a lei de cotas para Pcds. OBJETIVOS Oportunizar o processo de escolha profissional do adolescente com deficiência auditiva,seu auto conhecimento,a informação profissional, escolha da área profissional e legislação vigente para Pcds. Contextualizar a informação profissional com vivências in loco possibilitando a escolha de áreas de interesses profissionais, habilidades e competências. MÉTODOS Psicodinâmico de orientação profissional no contexto educacional inserido na Metodologia Epheta ensino da língua portuguêsa para pessoa com deficiência auditiva que contempla dois eixos: audição,voz e fala e leitura produção e análise linguística. 1970

2 CONTEÚDOS O POP - Programa de Orientação Profissional na EPHETA - Instituição especializada na área da surdez /deficiência auditiva.segue a Proposta Facilitação da Escolha (soares 88) Processo que permite o sujeito refletir sua relação com o mundo do trabalho, fazendo opções por caminhos que o levem ao seu encontro pessoal e profissional ; Escolha é subjetiva singular depende da Situação específica de vida e dos Aspectos pessoais / Familiares / Sociais Educacionais / Políticas / Psicológicas /Econômicas e da questões referentes a deficiência em seu processo de escolarização e profissionalização. Divide-se para fins didáticos em três níveis: NÍVEL I: Conhecimento de si mesmo mobilizando a análise do perfil pessoal, Aspectos Internos: auto e hetero imagem. As Técnicas de autoconhecimento utilizadas e adaptadas ao contexto da deficiência auditiva são: Quem sou eu? Como eu sou? Diferenças e semelhanças Se eu fosse: uma fruta, uma flor, uma música, um animal?, EU e a minha família, a família que eu gostaria de ter, Autobiografia, Eu adolescente, minha autoestima, o que passa na cabeça do adolescente, adolescência tempo de ganhos e perdas, gosto e faço curti grama, sou único minha digital, minha identidade, meu jeito de ser, baralho do comportamento,branca de Neve e os sete anões, Qualidades e dificuldades, sou surdo e daí? Minha comunicação, histórias de vida- filme filhos do silêncio, árvore dos sentimentos, linha do tempo, escolher é fácil ou difícil, entrevista sobre mim mesmo com meus familiares, sondagem de interesses, habilidades e aptidões, competências e valores para o trabalho, Síntese do meu perfil pessoal. NÍVEL II: Informação Profissional e Conhecimento das Profissões considera os aspectos Externos, por meio de fichas profissiográficas, Visita a locais de trabalho, a cursos profissionalizantes e laboratórios de pesquisa das universidades; Vagas para Pessoas com deficiência. A informação contextualizada considera 17 áreas de Interesses profissionais e as oportunidades do mundo do trabalho na realidade local com atualizações permanentes: informática, mecânica, escritório, musical, persuasiva, científica, ar livre, literária, numérica, artística, serviço social, dramática, serviço pessoal, gráfica, fotografia, saúde, construção civil. NÍVEL III Legislação trabalhista das PCDS (Pessoas com deficiências); Elaboração do CURRICULUM VITAE e fichas de cadastro para emprego; Pesquisa de emprego; Entrevista para o emprego; Definição da escolha da vaga para encaminhamento ao trabalho; Avaliação e desligamento do POP. Para os alunos que já concluíram o POP e aguardam a conclusão de cursos e a elaboração dos pré requisitos e competências necessárias para a colocação em vagas e finalização do Processo e posterior permanência no trabalho, o grupo de Formação Profissional e execução do projeto de vida acontece semanalmente sendo trabalhado nestes encontros temas complementares aos três níveis anteriores: Empregabilidade, Empreendedorismo, Bulliyng e assédio no trabalho, convivendo com as diferenças,inteligência emocional e auto controle, comportamento e comunicação no relacionamento interpessoal,espiritualidade e 1971

3 trabalho,saúde do adolescente e a CIPA nas empresas, a surdez pelo mundo e a convivência entre os iguais e diferentes,atualizações permanentes das demandas do Mundo do trabalho para as Pessoas com deficiências,estruturação do Projeto de vida incluindo as várias dimensões e etapas do desenvolvimento humano. O Funcionamento do programa está integrado á Oficina de linguagem VI da proposta pedagógica da Metodologia EPHETA de ensino da língua portuguesa para a pessoa com deficiência auditiva em 2 eixos: audição voz e fala, leitura produção e análise lingüística, dentro de uma abordagem com atuação da Equipe Interdisciplinar.Os temas transversais de sexualidade, prevenção ao uso indevido de drogas e Ética e cidadania:hábitos,atitudes e valores para a vida transpassam todos os conteúdos envolvidos. Toda escolha para as vagas de emprego tem o acompanhamento da família, da Supervisão do POP e Equipe Interdisciplinar, que encaminha os alunos para as mais diversas áreas de interesse profissional conforme o perfil pessoal e área de interesse (informática, mecânica, escritório, musical, persuasiva, científica, ar livre, literária, numérica, artística, serviço social, dramática, serviço pessoal, gráfica, fotografia, saúde, construção civil). O compromisso final assumido pela EPHETA neste processo é oportunizar a primeira escolha e colocação no trabalho. O momento da escolha é quando se pode olhar para trás e para frente ao mesmo tempo, decidindo o caminho a seguir (Soares 88) Consideramos a Sua realidade de vida como o agente demarcador dos limites da escolha. (Realidade concreta / situações reais e limitadas). Nas questões referentes a Temporalidade Integração do passado e presente para projetar um futuro e executar o seu Projeto de Vida a Filosofia do POP é : Parte da concepção do homem como ser livre para escolher, livre em sua situação específica de vida que se configura como limite. (Soares 93); A participação da família e constante em intervenções individuais ou em grupo. Durante todo o processo semestralmente ocorrem reuniões de grupos de pais com temas específicos em cada nível em conformidade com o que está acontecendo com o aluno para definição dos passos a serem seguidos em seu processo de escolha profissional. OS RESULTADOS O canal de inserção dos alunos no Mundo do trabalho é através da Lei de cotas /Lei da Aprendizagem ocorrendo de forma satisfatória e efetiva dentro dos objetivos propostos a esta clientela. Pontos a observar nos resultados: Quais foram as oportunidades vivenciadas, as experiências familiares e sociais diante da deficiência, o Processo de (Re) habilitação na área da Surdez/Deficiência Auditiva, nível de escolaridade atingido, nível de qualificação profissional, aspectos psicológicos da adolescência e expectativas familiares frente ao trabalho. Para visualizar o resultado do trabalho realizado pela Metodologia Epheta que é finalizado com o POP, utilizou-se de dois critérios para análise do perfil do aluno que concluiu o programa: nível de escolaridade e inserção no mercado de trabalho. Estes dois critérios foram aplicados a dois grupos de alunos em dois períodos distintos: 1990 a 2000 e 2001 a Estes períodos foram escolhidos para verificar se há reflexo das 1972

4 ações realizadas no PEAER (Programa de encaminhamento e acompanhamento do aluno da Epheta no Ensino Regular), que iniciou em 1994, no nível de escolaridade dos usuários da Epheta e sua consequente qualificação e inserção no Mundo do Trabalho. Gráfico 1- Nível de Escolaridade dos alunos do POP entre Fonte: Banco de Dados do POP Gráfico 2 - Nível de Escolaridade dos alunos do POP entre Fonte: Banco de Dados do POP. Observamos no contexto escolar no período de 2000 a 2012, significativa evolução na conclusão do ensino fundamental e médio, bem como no Ensino superior em diversas áreas: Administração, Psicologia, Fisioterapia, Sistema de Informação, Informática, Engenharia da Produção, Design Gráfico - Artes Visuais, Fotografia, Farmácia, Pedagogia. Quanto maior a escolaridade melhor o nível de qualificação e colocação profissional dos alunos com Surdez/Deficiência Auditiva no mundo do trabalho. Isto pode ser verificado nos dois gráficos a seguir. 1973

5 Gráfico 3 - Distribuição dos alunos do POP de de acordo com as Áreas de Inserção no Mercado de Trabalho. Fonte: Banco de Dados do POP Gráfico 4 - Distribuição dos alunos do POP entre de acordo com as Áreas de Inserção no Mercado de Trabalho. Fonte: Banco de Dados do POP. Gráfico 5- Resultados Efetivos do POP entre

6 Fonte: Banco de Dados do POP Conforme demonstração do gráfico acima os resultados efetivos do programa contemplam 70% de efetivação em vagas no mercado de trabalho formal dentre das áreas escolhidas pelos alunos, com retorno avaliativo das empresas positivo e de pleno exercício de suas funções. Os desligamentos solicitados pela família foram motivados por mudança de domicílio, opção por casamento, necessidade de renda e por encaminhamento imediato em colocações sem muita exigência de qualificação e escolaridade, prioridade e necessidade de atendimentos clínicos complementares antes do encaminhamento profissional. No momento estamos com 13 alunos iniciando o Programa e 22 alunos em formação e processo de conclusão e execução de seu projeto de vida e desligamento do POP. CONCLUSÃO O presente programa de Orientação Profissional para Pessoa com deficiencia auditiva tem possibilitado nesta década a inserção em postos no mercado de trabalho de 130 alunos que concluiram os três níveis com escolhas de diferentes áreas de atuação :serviços gerais,área de produção, ensino médio, técnico e superior. Desafios permanentes da inclusão na escola e no mundo do trabalho neste contexto: Abordagem pedagógica adequada dentro das necessidades lingüísticas do aluno com Surdez/deficiência auditiva. Considerar a diversidade de repostas na área: Libras /Oralidade; Significação do vocabulário para entendimento das ordens e enunciados das informações garantindo a compreensão; Qualificação compatível com a área de interesses e habilidades demonstradas na sondagem de interesses e autoconhecimento; Garantia de acesso a cursos qualificação profissional por meio de políticas públicas de educação; Comunicação assertiva e favorável para a integração da pessoa com surdez/deficiência auditiva no circuito de informações da empresa; 1975

7 Tecnologias Assistivas: Implante Coclear, Aparelho de Amplificação Sonora Individual e Sistema FM; Capacitação permanente dos profissionais da educação dentro das diferentes abordagens de trabalho na área da Surdez/Deficiência auditiva; Políticas Públicas que favoreçam a assistência permanente das necessidades educacionais das pessoas com Surdez/Deficiência auditiva; O nível de escolaridade garante vagas de emprego e qualificação mas a abordagem efetiva de (re)habilitação é que garante a permanência no mundo produtivo do trabalho. Diretrizes para se comunicar melhor com a pessoa com deficiência auditiva no ambiente escolar e de trabalho: 1. Com a Pessoa com deficiência auditiva: Fale de frente, nunca de costas nem de lado; Fale claramente distinguindo palavra por palavra, mas não exagere; Fale com velocidade normal salvo que lhe seja pedido para falar mais devagar; Fale com tom normal de voz, a não ser que lhe peçam para levantar a voz; Gritar nunca adianta; Ao falar, não fique com cigarro, cachimbo em sua boca, nem ponha a mão diante dos lábios. 2. Freqüentemente falta vocabulário a Pessoa com deficiência auditiva. Construa frases simples, corretas e curtas; não de modo vulgar sem gírias. Se não compreender, repita-lhe. Se for necessário, procure outra palavra que tenha o mesmo sentido, ou dê outra forma à frase. Verifique a mensagem compreendida. 3. Cuide para que a Pessoa com deficiência auditiva enxergue a sua boca. A leitura de lábios fica impossível se você gesticula, ou segura alguma coisa na frente de seus próprios lábios. 4. Como a Pessoa com deficiência auditiva não pode ouvir as mudanças sutis do tom de sua voz indicando sarcasmo ou seriedade, a maioria deles lerá suas expressões faciais, seus gestos ou movimentos de seu corpo para entender o que você quer comunicar. 5. Quando você quer falar com a Pessoa com deficiência auditiva, chame sua atenção, seja sinalizando com a mão ou delicadamente tocando em seu braço. Enquanto estiverem conversando, mantenha contato visual; se você olhar para outro lado enquanto está conversando, a pessoa com deficiência Auditiva pode pensar que a conversa terminou. 6. Se você tiver dificuldade para entender o que a Pessoa com deficiência auditiva falou, na dúvida sinta-se à vontade para pedir que ele repita o que falou. Se você ainda não entender, então use papel e lápis. 7. A Pessoa com deficiência auditiva que usa AASI (aparelho de amplificação sonora individual )não é como um ouvinte. O aparelho não faz milagres, auxilia na compreensão da linguagem (após uma longa e difícil reeducação) A leitura labial é muitas vezes um complemento necessário para pessoas com perdas auditivas profundas. 8. Se a pessoa surda usa libras e está acompanhado por um intérprete, fale diretamente com ele, e não com o intérprete. 1976

8 9. A pessoa com deficiência auditiva acha-se facilmente isolado entre os ouvintes. Com frequência tem a sensação de estar marginalizado. Faça-o tomar parte da vida e do mundo do trabalho, informando-o do que se passa ou se diz ao seu redor, incluindo os avisos importantes dados pela empresa aos colaboradores. 10. Não devemos ser paternalistas, as pessoas com deficiência auditiva deverão ter os mesmos direitos, mas também os mesmos deveres de qualquer colaborador da empresa. 11. Comunique oral, por escrito e todas as formas de registro possível (cartaz, folder, flyer,...) a rotina e sequência de trabalho exigido pela empresa. 12. Em semana de treinamento e dias de integração comunique por escrito ou em power point, todas as informações necessárias para boa integração no local de trabalho. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Pigato carmem sueli, Klein Terezinha Elianes, wisnevzki Rejane - Orientação Profissional no contexto da dificiência auditiva, editora juruá, 2000,Curitiba Pr. Bulgarelli Reinaldo - Diversos somos todos - valorização, promoção e gestão da diversidade nas organizações, São Paulo Editora de cultura, 2008 Proposta Pedagógica da Metodologia Epheta para deficientes auditivos. 1977

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