DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM E A DESORDEM DE PROCESSAMENTO AUDITIVO CENTRAL

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1 DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM E A DESORDEM DE PROCESSAMENTO AUDITIVO CENTRAL Raquel Lemes Lourenço de Oliveira Vittorazzo 1 Regiane Banzzatto Bergamo 2 RESUMO Esta pesquisa foi realizada com o intuito de compreender os aspectos que envolvem a aprendizagem de uma criança portadora de Desordem do Processamento Auditivo Central, pois esta desordem pode influenciar diretamente no processo de aprendizagem, significando um obstáculo funcional, que, por sua vez, interfere no desenvolivmento cognitivo, não permitindo que o indivíduo faça relações coerentes entre o conhecimento que possui e novas informações. A metodologia adotada voltou-se para uma investigação educacional de forma qualitativa relacionada às características e atitudes que uma aluna portadora de Desordem do Processamento Auditivo em processo de inclusão e as concepções dos profissionais que trabalham com a mesma. A investigação foi realizada em uma instituição de Educação Básica, bilíngüe, promovendo intervenções pedagógicas junto a uma aluna portadora da referida desordem, como também por meio de questionários envolvendo professores que a atendem no contexto escolar, e, foi possível levantar uma série de questões que envolvem o processo de desenvolvimento e aprendizagem de portadores de Desordem do Processamento Auditivo, uma vez que apresentam dificuldades de aprendizagem em diferentes níveis, as quais estão relacionadas diretamente ao obstáculo funcional acarretada pela desordem. Palavras-chave: aprendizagem, Desordem do Processamento Auditivo. 1 Licenciada em Pedagogia PUCPR/ Professora da PUCPR, orientadora da pesquisa.

2 468 Introdução O presente estudo foi realizado com o intuito de compreender os aspectos que envolvem a aprendizagem de uma criança portadora de Desordem do Processamento Auditivo. Os aspectos abordados estão ligados a realidade escolar, sendo explicitado o desempenho e as características da aluna neste ambiente, embora o âmbito familiar seja indispensável e influencie no desempenho acadêmico da criança, para que o leitor possa ter uma visão ampliada quanto à realidade vivenciada dentro da escola, podendo analisar outras situações que envolvam fatores semelhantes. Durante o período que cursava Pedagogia, tive a oportunidade de desenvolver um trabalho pedagógico junto a uma aluna que apresentava um diagnóstico de Desordem do Processamento Auditivo, a qual freqüentava uma escola de Educação Básica Bilíngüe, no município de Curitiba. A partir deste contexto buscou-se pesquisar as características e atitudes de portadores de Desordem do Processamento Auditivo em processo de inclusão e as concepções dos profissionais que atuam junto a estes alunos. As dificuldades de aprendizagem que emergem no contexto escolar vêm sendo foco de estudos cada vez mais profundos, pois propiciam um campo abrangente de pesquisas e aprofundamentos teórico-práticos. Uma das causas destas dificuldades é a Desordem do Processamento Auditivo, que gera na criança obstáculos que impedem que a aprendizagem ocorra normalmente. É evidente que as pessoas não aprendem no mesmo ritmo, nem do mesmo modo, nem tão pouco têm acesso aos mesmos recursos, mas o que se espera é que a aprendizagem seja

3 469 efetiva na vida de todo ser humano, o que nem sempre ocorre da forma esperada, não atendendo, assim, as expectativas da prórpria pessoa, da família e da escola. Desordem do Processamento Auditivo: conceito Atualmente há um alto índice de crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem no âmbito escolar. A escola, por sua vez, lida com causas diversificadas e, com isso, apresenta soluções específicas para cada caso, levando em consideração os sucessos anteriormente alcançados. A Desordem do Processamento Auditivo não está sendo compreendido pelas escolas, pois os casos de comprovação da mesma ainda representam novidade. Fonoaudiólogos e psicopedagogos têm feito um bom trabalho de conscientização e divulgação a respeito do diagnóstico, tratamento e ações que devem envolver as crianças portadoras desta desordem. Katz & Wilde (apud LE BOURLEGAT, 2001, p. 40) definem a desordem do processamento auditivo como (...) uma construção que fazemos em cima do sinal auditivo para tornar a informação funcionalmente útil, envolvendo não somente a percepção dos sons, mas também, como aplicamos nosso conhecimento para entender melhor a mensagem, e como integramos e associamos a informação auditiva com estímulos visuais, e outros estímulos sensoriais. Para que o termo Desordem do Processamento Auditivo possa ser compreendido, é necessário traçar um caminho que caracterize a função auditiva e expresse a importância de desenvolver a percepção auditiva. A função auditiva diz respeito ao significado que os sons trazem ao homem, expressando uma imagem daquilo que pode vir a ser um sinal de conforto ou de perigo. Nesta perspectiva Le Bourlegat (2001, p. 20) afirma que

4 470 (...) todo o sistema de comunicação é desenvolvido e estruturado através da habilidade que o homem apresenta em distinguir e reconhecer o significado dos sons, em conjunto com sua capacidade em produzir e simbolizar uma grande variedade deles através da fala. A comunicação é essencial para a vida, mas esta depende de funções auditivas bem desenvolvidas para que ocorra com sucesso, sendo imprescindível que a acuidade e o processamento auditivo estejam sendo observados e estimulados constantemente desde o início da vida da criança. Ao diagnosticar uma deficiência auditiva ou uma desordem no processamento auditivo nos primeiros meses ou anos de vida, a possibilidade de que os cuidados e as medidas tomadas levem a diminuição ou eliminação das conseqüências tornam-se muito maior. Por sua vez, a percepção faz parte do ser humano desde sua vida intrauterina, pois desde o ventre, o bebê é capaz de sentir o que a mãe sente, de ouvir sons que a mãe e o meio produzem, de receber carinho ou rejeição, enfim, o feto percebe o mundo que o cerca e também aprende com isso. Machado (2001, p. 21) utiliza o termo cognitivismo, atribuindo à percepção uma nova semântica, deixando de ser estritamente relacionada aos órgãos dos sentidos visão, audição, tato, paladar e olfato e passando a ser vista, também, como representação mental do estímulo recebido. Portanto, o bebê cria vínculos com o mundo por meio dessas representações. é Geert (apud MACHADO 2003, p ) afirma que o processo de percepção (...) uma relação transformadora contínua entre o mundo externo percebido e a energia física que atua na mente. (...) a relação cognitiva entre o homem e o mundo é chamada de percepção, assim como uma relação conceitual é chamada de pensamento, ou uma relação afetiva é chamada de amor. Percepção é, portanto, um termo que se refere à existência de um relacionamento de base somática (sensorial) entre um organismo vivo e o universo, num sentido de conhecer e reconhecer fatos.

5 471 Cada indivíduo percebe o mundo e o universo ao qual está inserido, de acordo com o tipo de relação que é capaz de criar. Da mesma forma ocorre a percepção auditiva, o indivíduo perceberá auditivamente aquilo que suas experiências anteriores puderem lhe fornecer de base para novas relações. O processamento auditivo utiliza as percepções que o indivíduo tem dos sons ao seu redor, tranformando-os em mensagens. Se o indivíduo ouve, tem acuidade auditiva, processa os sons e transforma-os em informações relevantes para si e/ou para o meio, possui o processamento auditivo central natural, ou seja, apresenta um funcionamento morfofisiológico correto. Quanto a Desordem do Processamento Auditivo, não basta referir-se ao conceito de processamento auditivo de forma inversa, pois a referida desordem é muito mais profunda, atingindo indivíduos inteligentes, que se deparam com dificuldades de aprendizagem por motivos funcionais e não mentais. Neste sentido, Katz e Wilde (apud LE BOURLEGAT, 2001, p. 41), esclarecem que Um déficit de processamento auditivo, (...), estará presente quando o indivíduo não é capaz de utilizar plenamente o sinal ouvido, não atingindo o potencial total das habilidades auditivas. Afirmam ainda que, este déficit não depende da idade ou da inteligência do indivíduo, independente da presença ou não de um retardo mental ou, de outros comprometimentos cognitivos. Como foi expresso na citação acima, a desordem do processamento auditivo central não permite que o sujeito utilize plenamente o sinal auditivo. Desta forma, o indivíduo passa a ter um déficit em todos os âmbitos que necessitam de comunicação. Analisando esta realidade, e sobrepondo-a ao âmbito escolar, Pereira (apud LE BOURLEGAT, 2001, p. 41), alega que existe uma relação direta entre os distúrbios de aprendizagem infantil e o baixo desempenho em diversos testes que avaliam o processamento auditivo central.

6 472 Atualmente há estudos que comprovam que crianças com dificuldades de aprendizagem podem se desenvolver e os problemas podem ser amenizados. Sisto (2001) conceitua a expressão de forma clara, especificando que pessoas que apresentam tais dificuldades possuem potencial normal de inteligência, podendo receber ajuda e instrução para aprender. O autor afirma que Assim, poder-se-ia definir que o termo dificuldade de aprendizagem engloba um grupo heterogênio de transtornos, manifestando-se por meio de atrasos ou dificuldades em leitura, escrita, soletração e cálculo, em pessoas com inteligência potencialmente normal ou superior e sem deficiências visuais, auditivas, motoras, ou desvantagens culturais. Geralmente não ocorre em todas essas áreas de uma só vez e pode estar relacionada a problemas de comunicação, atenção, memória, raciocínio, coordenação, adaptação social e problemas emocionais (SISTO, 2001, p. 33). Desordem do Processamento Auditivo: causas A Desordem do Processamento Auditivo Central pode ter causas variadas, podendo, inclusive, ocorrer devido a uma ou mais causas ao mesmo tempo. Conhecer as possibilidades que levam uma criança a apresentar este distúrbio pode facilitar a identificação dos sintomas, que geram o encaminhamento adequado para profissionais capacitados, fazendo com que a criança tenha mais oportunidades de iniciar um atendimento o mais precoce possível. Alvarez e cols (apud LE BOURLEGAT, 2001), citaram alguns fatores que podem influenciar no processamento auditivo, tais como: otites, febres altas, distúrbios da função auditiva, lesões no aparelho auditivo e deprivação sensorial auditiva. No entanto, Katz e Wilde (apud LE BOURLEGAT, 2001, p. 44) identificaram outros fatores como

7 473 a) Hereditariedade: enfatizam as características familiares como fatores associados à desordem do processamento auditivo, sendo comum encontrar um dos pais que tenha tido dificuldades semelhantes. Afirmam que a organização do Sistema Nervoso Central está diretamente associado às influências genéticas; b) Diferenças quanto ao sexo: observaram que a desordem é mais freqüente no sexo masculino, igualmente quanto aos distúrbios de aprendizagem, concluindo que as mulheres são capazes de integrar informações visuais e auditivas dos dois hemisférios mais efetivamente do que os homens; c) Antecedentes familiares de dominância manual: alertam que distúrbios de aprendizagem são mais comuns em canhotos do que em destros, associando este fator a uma vantagem menor na orelha direita para estímulos verbais dicóticos; d) Perda auditiva periférica: ressaltam que podem ser encontrados alterações de processamento auditivo e de aprendizagem em crianças com perdas auditivas periféricas. Admitem que a lesão coclear tem influência adversa no Sistema Nervoso Central; e) Otite média: está diretamente associada à distúrbios de aprendizagem e de processamento auditivo, uma vez que os primeiros 18 meses de vida são considerados como o período mais crítico, enfatizando como fatores importantes a serem considerados, o número de ocorrência, sua duração e idade de início; f) Padrão sócio-econômico: consideram alguns fatores entre eles, hereditariedade, nutrição, incidência ou tratamento de problemas de orelha média, falta de estimulação, como possíveis de serem as causas principais da discrepância observada em achados de habilidades mais pobres em indivíduos com padrão sócio-econômico baixo. Ao conhecer os fatores que levam à Desordem do Processamento Auditivo, é possível que a escola e a família observem a criança, e identifiquem na vida da mesma, aspectos que envolvam estas características, a fim de encontrarem formas de prevenir a ocorrência da referida desordem. Desordem do Processamento Auditivo: características Em relação aos sintomas, é possível delinear com a contribuição de Alverez (apud LE BOURLEGAT, 2001, p. 46), revelando que as características mais freqüentes relacionadas às crianças com esta desordem trata-se de (...) déficits de compreensão da fala na presença de ruído, a distractibilidade, a atenção reduzida, a dificuldade de comunicação, um baixo desempenho acadêmico que é incompatível com o nível de inteligência, uma limitada memória auditiva. E ainda: dificuldade de identificar a idéia principal de um enunciado, baixa capacidade de interpretar palavras, frases, anedotas,

8 474 metáforas, trocadilhos, analogias de sentido ambíguo, além de alterações na emissão verbal e dificuldade de resgate verbal. Dentre os sintomas citados, há os que são bem específicos e há os que são considerados gerais, podendo ser confundidos com outros distúrbios e outras dificuldades de aprendizagem que podem ou não ter relação com a Desordem de Processamento Auditivo. Os sintomas mais específicos acusam maior probabilidade da criança desenvolver esta desordem. Quando há sintoma muito aparente, é necessário encaminhar a criança para profissional especializado, para que realize um diagnóstico preciso e detalhado. A escola e a família possuem um papel essencial neste processo de identificar os sintomas e encaminharem a criança, de forma segura e discreta, para profissionais competentes que possam auxiliar. É importante cuidar da auto-estima da criança, para que esta não crie novos bloqueios em relação a aprendizagem e não se sinta excluída do ambiente de convívio social. Desordem do Processamento Auditivo e o processo de aprendizagem A aprendizagem é o processo pelo qual os indivíduos passam para modificar as estruturas cognitivas de modo a evoluir o conhecimento e passar a utilizar as informações novas para fazer relações com informações já internalizadas. O objetivo central da educação é a aprendizagem do aluno, não somente em termos de conhecimentos científicos, mas também em termos afetivos, sociais, políticos, econômicos e de desenvolvimento de habilidades necessárias para o bom desempenho de atividades cotidianas. As aulas devem ser ministradas visando a interação professor-aluno-conhecimento, somente por esta concepção é que a construção do conhecimento torna-se possível.

9 475 Neste sentido, Winkeller (1998, p.48) propõe que A dinâmica do aprender a aprender, emergente em sala de aula é requisitadora de um professor que se coloque como aprendente e exige a sensibilização do professor considerando a integração professor-alunoconhecimento como situação geradora da aprendizagem. Nesta ótica, a aprendizagem não procede só do aluno, nem só do professor, mas da interação de ambos, o que resulta na construção do conhecimento. Mais uma vez o professor é colocado em posição de sujeito ativo no processo de construção do conhecimento pelo aluno. Embora esta construção se dê por meio da interação aluno-professor-conhecimento, e ambos (educador e educando) tenham suas responsabilidades, é o professor que deve estar sensível às oportunidades do meio para que a aprendizagem se torne significativa no contexto escolar. Chamat (1997) enfatiza que há outros aspectos que permeam a aprendizagem de alunos com dificuldades de aprendizagem, como por exemplo, alunos que conseguem estabelecer bons vínculos humanos, têm mais chances de estabelecer bons vínculos com o conhecimento. Se o aluno tem segurança e proteção em seus vínculos com outras pessoas, é bem provável que estabelecerá um vínculo de segurança em relação à construção de novos conhecimentos que estarão constantemente sendo estimulados. Este vínculo de segurança permite que o aluno consiga trabalhar com diversas informações e aos poucos produzir seu próprio conhecimento, pois é a síntese de vários dados e informações que o aluno utiliza no momento de fazer relações. Winkeller (1998, p. 39) afirma que A aprendizagem não está ligada à quantidade de informações que o indivíduo armazena, mas vai além: está ligada à capacidade do indivíduo em estabelecer relações entre várias informações. Cabe ao professor a tarefa de viabilizar a organização do contexto de forma que o aluno possa vincular o seu novo conhecimento com outros anteriores.

10 476 Esta vinculação de conhecimentos só é possível se o professor trabalhar com a interdisciplinaridade. Não há como vincular várias informações e produzir o conhecimento de forma sólida a partir de uma única ciência. A trajetória da pesquisa Com 13 anos de idade e cursando a quinta série em uma escola bilíngüe, a aluna passou por sessões diárias de acompanhamento realizada pela pesquisadora. Além dos dados obtidos com o trabalho desenvolvido diretamente com a aluna, todos os professores, a psicóloga e a psicopedagoga da escola foram envolvidos para melhor caracterizar o caso e enriquecer o presente estudo. Com o intuito de definir o que são dificuldades de aprendizagem e Desordem do Processamento Auditivo; verificar quais são as características e as atitudes em sala de aula de uma criança portadora de Desordem do Processamento Auditivo; listar os profissionais que devem ser envolvidos para o bom desenvolvimento desta criança; identificar o papel dos pais e da escola no desenvolvimento escolar de uma criança portadora de Desordem de Processamento Auditivo; a pesquisa foi realizada em uma instituição particular e bilíngue. A escola atende alunos do Ensino Infantil, Fundamental e Médio, localizada na região norte do município de Curitiba. A clientela desta instituição é composta minoritariamente por estrangeiros de países espalhados pelos continentes Americano, Europeu e Asiático. A quantidade de alunos brasileiros na escola é mais expressiva, sendo que muitos são curitibanos. A escola atende alunos de classe alta e média alta.

11 477 O caráter metodológico da escola é interdisciplinar, enfatizando a produção de conhecimento globalizado, proporcionando aos alunos experiências que os levem a reconstrução de seu saber teórico e prático. Os conteúdos são bem definidos e os professores mediam a articulação das áreas de conhecimento, para que cada aluno possa aprender a aprender. Há avaliações periódias do conhecimento, ocorrendo ora por meio de provas e testes e ora por projetos e auto-avaliações. A aluna envolvida na presente pesquisa apresenta o diagnóstico de Desordem do Processamento Auditivo, e, em sala de aula seu comportamento é oscilante, suas amizades superficiais, ou, ainda, em alguns momentos, inexistentes. Embora a escola tenha se esforçado para atender este caso, a aluna necessitou de uma atenção especial da família para que pudesse ter acesso a profissionais especializados que, segundo a escola, auxiliariam a aluna de forma mais específica e individual. CONSIDERAÇÕES FINAIS A presente pesquisa foi realizada com o intuito de perceber o panorama geral que engloba uma aluna com dificuldades de aprendizagem, uma vez que é portadora de Desordem do Processamento Auditivo e pode-se compreender que a aprendizagem é um processo amplo e contínuo de construção e produção de conhecimentos significativos no decorrer da vida do ser humano. Cabe ressaltar a importância das relações que os indivíduos fazem com as informações que recebem, pois estas viabilizam a produção de um novo conhecimento significativo condizentes com a realidade. A aprendizagem se dá por meio de uma rede de relações com o mundo interior de cada aluno. O professor

12 478 precisa conhecer cada aluno para que se torne capacitado a organizar o contexto escolar, a fim de que este desenvolva as ferramentas necessárias para vincular seus conhecimentos já internalizados com os conhecimentos mais recentes. Os professores que participaram desta pesquisa se esforçam para cativar a aluna e estabelecer vínculos afetivos que permitam um bom relacionamento com a mesma, mas sabem que é necessário ensiná-la e verificar os resultados da aprendizagem. Por isso estão buscando caminhos que os levem a entender melhor o contexto para que possam agir de forma coerente com a aluna. Ao utilizar o marco teórico para fundamentar as respostas obtidas por meio dos questionários respondidos, é possível perceber que a aluna em questão apresenta aspectos funcionais que a impedem de aprender todos os conteúdos formais que a escola seleciona para os seus alunos. Com isso, é necessário que a escola se adapte, oferecendo serviços específicos para que a aluna possa desenvolver habilidades necessárias para a sua aprendizagem, pois esta ocorre de forma diferenciadas dos demais alunos. Outro aspecto relevante levantado pelos professores refere-se ao fato de que a aluna por ser portadora de Desordem do Processamento Auditivo não deveria estar estudando em uma escola bilíngüe. E, neste sentido, Le Bourlegat (2001) deixa claro que alunos com Desordem do Processamento Auditivo apresentam naturalmente dificuldades de apredizagem. E, é por esta razão que uma segunda língua torna a aprendizagem mais difícil e os obstáculos mais aparentes. A escola está em busca de alternativas que possam viabilizar o bom encaminhamento das aulas para que a inclusão da aluna possa ser efetiva. Daí a importância de novos estudos e novas pesquisas que direcionem o trabalho realizado, proporcionando aos docentes e a equipe de trabalho uma formação

13 479 contínua que propicie aos mesmos, momentos de reflexão para que a prática pedagógica possa estar sempre em sintonia com as necessidades dos alunos e as possibilidades da instituição em atendê-los. Assim sendo, a aprendizagem de portadores de Desordem de Processamento Auditivo deve ser acompanhada por profissionais de diferentes áreas, auxiliando na diminuição da interferência que a desordem causa e maximizando as habilidades já adquiridas e desenvolvidas, para que o aluno aprenda significativamente o que precisa para a vida. REFERÊNCIAS BARBOSA, L. M. S. Projeto de Trabalho: uma forma de atuação psicopedagógica. Curitiba: L. M. S. Barbosa, CHAMAT, L. S. J. Relações Vinculares e Aprendizagem: um enfoque psicopedagógico. São Paulo: Vetor, LE BOURLEGAT, M. P. S. Desordem do Processamento Auditivo: uma triagem em fissurado lábio-palatal. Monografia de Especialização em Audiologia, Pontifícia Universidade Católica do Paraná, MACHADO, S. F. Processamento Auditivo: uma nova abordagem. São Paulo: Plexus, PEREIRA, L. D., SCHOCHAT, E. (Orgs) Processamento Auditivo Central: manual de avaliação. São Paulo: Lovise, SISTO, F. F. Dificuldades de Aprendizagem no Contexto Psicopedagógico. Petrópolis: Vozes, WINKELLER, M. S. B. A prática Pedagógica e a Psicopedagogia. Dissertação de Mestrado, Pontifícia Universidade Católica do Paraná, 1998.

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