Projeto de Lei da Câmara nº 2002

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1 Projeto de Lei da Câmara nº 2002, de Dispõe sobre a extinção do analfabetismo no Brasil. O Congresso Nacional decreta: Art 1º - Fica declarado em extinção, a partir desta data, o analfabetismo no Brasil. Art 2º - Revogam-se as disposições em contrário. Art 3º - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação JUSTIFICAÇÃO Diversos estudos têm ressaltado o baixo nível educacional da população brasileira, tanto em quantidade quanto em qualidade. Em relação à população de 7 a 14 anos, reconhecidamente, a cobertura escolar já atingiu nível bem próximo à universalização desse atendimento. Entretanto, o mesmo não ocorreu com a população fora dessa faixa etária, historicamente, e em especial, a partir da alfabetização. 1

2 A atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação, ratificando preceitos constitucionais, em seu artigo 3º, parágrafo I, e em seu artigo 4º, parágrafo I, determinam que : " O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios : igualdade de condições para o acesso e permanência na escola " ; " O dever do Estado com a educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria ". No contexto do ensino fundamental, e como seu estágio inicial, está a alfabetização. Alfabetização, cujas taxas também sintetizam a capacidade média da população de acesso à cultura escrita. Embora a motivação dos movimentos educativos esteja sempre ligado às condições sócio econômicas e políticas de uma sociedade, fatores especificamente educativos, devem também ser levados em consideração. No Brasil, um fator que sempre esteve e deverá estar muito presente na justificativa dos apelos em favor de um melhor e mais democrático sistema de ensino ou de campanhas em favor da educação de jovens e adultos maiores de 14 anos, a partir da alfabetização, é a importância que deve ser atribuída à posição e ao prestígio do país no plano internacional, no " Concerto das Nações ", onde os brasileiros desejariam vê-lo colocado entre os " Países Cultos ". Inegavelmente, a riqueza de uma sociedade e a oferta de oportunidades educacionais estão intimamente ligadas. Haja vista, por exemplo, a história do desenvolvimento japonês após a tragédia ocorrida na Guerra Mundial. A história da humanidade tem demonstrado sempre a influência decisiva da educação sobre a evolução das sociedades. Quer seja como instrumento neutralizador das desigualdades sociais, como mecanismo de formação de mão-de-obra, como fonte de multiplicação de cientistas, pesquisadores e tecnólogos que poderão contribuir de forma decisiva para o crescimento econômico, social e político das nações. E o direito e o dever da oferta de oportunidades educacionais começa com a alfabetização. Em nosso País, com o desafio de universalizar o atendimento à população de 7 a 14 anos, deixamos de combater o que entre nós foi denominado a " chaga do analfabetismo, " que ainda nos envergonha e nos impede de ascender ao grupo das " nações cultas ". Não podemos nos permitir viver a história do terceiro milênio condenando à " escravidão - Sócio cultural " e à marginalidade educacional, brasileiros que têm pleno direito à cidadania. Dados sobre alfabetização - considerada pelo IBGE como a habilidade de escrever um bilhete simples - registrados nos censos, desde o início deste século, permitem uma visão geral das mudanças no perfil educacional da população em um prazo relativamente longo. Vale ressaltar, que os dados censitários, por serem decenais, representam um 2

3 " estoque acumulado " no tempo que, ao contrário das taxas de escolarização, é pouco influenciado por flutuações nas datas de recenseamento. Mesmo com a redução progressiva do analfabetismo no Brasil, ao longo do tempo ( ver Tabela I ), nosso país ainda ocupa uma posição inferior na comparação com outros países. ( ver Tabela II ) Por outro lado, estudos realizados pelo IPEA / 1999, demonstraram que a velocidade de crescimento da alfabetização total no Brasil, projetada segundo o ritmo atual para as próximas décadas, é ainda muito baixa para que o Brasil fique em pé de igualdade com outros países em desenvolvimento. ( ver Tabela III ) Tais países apresentavam na década de 90 taxas de analfabetismo abaixo dos 6%, enquanto o Brasil apresentava taxas de 18%, e, na América Latina encontrava-se situado entre Equador ( 12% ) e Bolívia ( 20% ). As estratégias de melhoria de nível educacional da população que temos adotado estão corretas ao destinar parte de suas atenções às crianças. No caso do analfabetismo, um dos principais resultados, a longo prazo, dessas estratégias é o fim da produção de novas gerações de analfabetos. Entretanto, não podemos nos esquecer de que ainda convivemos com uma expressiva população que não teve acesso à educação no passado, na idade própria. O Plano Nacional de Educação, estabelece como prioridade a erradicação do analfabetismo para a população abaixo de 29 anos, até 2010, e nenhuma modificação na situação atual, para a população acima dessa idade. Mas, até o momento, não há registro de qualquer intervenção oficial sistemática, respaldada por diretrizes nacionais de política educacional com cobertura financeira, que transforme a intenção em ação. O Estudo realizado pelo IPEA / 1999, sobre os dados censitários de 1920 / 1991, conclui que nossas atuais taxas de analfabetismo são o resultado da redenção insuficiente do analfabetismo ao longo do tempo. Segundo uma projeção existente nesse estudo ( ver Tabela IV ), se não houver qualquer intervenção contundente, em 2010 teremos, na população de 10 a 69 anos, mais de 11 milhões de brasileiros analfabetos e, em 2020, mais de 10 milhões, na hipótese de haver redução exponencial das taxas de analfabetismo ; caso haja incremento da alfabetização chegaríamos a , em 2010 e a , em 2020 na faixa etária de 10 a 69 anos. Embora a Lei de Diretrizes e Bases da Educação - que é a Lei Magna da Educação, que foi iniciativa do Congresso Nacional, sancionada em 20 de dezembro de 1996, determine no artigo 87, 3

4 parágrafo 3º, inciso II das Disposições Transitórias que " Cada Município e, supletivamente, o Estado e a União, deverá prover cursos presenciais ou a distância aos jovens e adultos insuficientemente escolarizados ", até a presente data, seis anos depois, no que diz respeito ao combate e extinção do analfabetismo, os registros de intervenções existentes são originários de iniciativas esparsas e isoladas. Possivelmente, porque para se atingir os fins propostos não foram delimitados os meios necessários, gerando compromissos que aumentaram em muito a complexidade da gestão educacional. O Brasil do terceiro milênio, da era do conhecimento e da tecnologia, não poderá conviver por muito tempo mais com a " chaga do analfabetismo ", que transforma o homem em subcidadão e que ameaça colocar nosso País em situação marginal no cenário internacional. A extinção do analfabetismo em nossa País é condição indispensável para que seja resguardado um dos pilares da educação brasileira, definido na nova LDB, segundo o qual há de cuidar da explicitação da dimensão política da educação, enquanto formadora do cidadão, para o exercício da cidadania de forma ativa e responsável. Sala das Sessões, Deputado JOEL DE HOLLANDA 4

5 TABELA I Taxa de Alfabetização - Brasil / 2000 IBGE - Censos Demográficos ANO % Alfabetização % ANALFABETISMO ( Fonte : Censo Demográfico ) TABELA II Taxa de Analfabetismo da População de 15 ou mais anos UNESCO PAÍS % DE ANALFABETISMO Bulgária 2 Espanha 3 Argentina 4 Chile 6 Cuba 6 Israel 6 Paraguai 10 Equador 12 BRASIL 18 Bolívia 20 5

6 TABELA III POPULAÇÃO TOTAL OBSERVADA E PROJETADA, POR FAIXA ETÁRIA BRASIL / 2020 ( IPEA / 1999 ) IDADE a a a a a a a TABELA IV POPULAÇÃO ANALFABETA OBSERVADA E PROJETADA, COM HIPÓTESE DE REDUÇÃO EXPONENCIAL DAS TAXAS DE ANALFABETISMO, POR FAIXA ETÁRIA BRASIL / 2020 ( IPEA / 1999 ) IDADE a a a a a a a a 69* * RESULTADO ESPERADO COM INCREMENTO DA ALFABETIZAÇÃO 6

7 TABELA V EDUCAÇÃO E CONDIÇÕES DE VIDA Taxa de analfabetismo das Taxa de escolarização das crianças Brasil e Grandes pessoas de 15 anos de 7 a 14 anos de idade Regiões Total Homens Mulheres Total Homens Mulheres Brasil (1) 13,3 13,3 13,3 95,7 95,3 96,1 Norte (2) 11,6 11,7 11,5 95,5 95,3 95,7 Nordeste 26,6 28,7 24,6 94,1 93,2 95,0 Sudeste 7,8 6,8 8,7 96,7 96,6 96,9 Sul 7,8 7,1 8,4 96,5 96,7 96,3 Centro-Oeste 10,8 10,5 11,0 96,0 95,6 96,4 Fonte : Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 1999 ( CD-ROM ). Microdados. Rio de Janeiro : IBGE, ( 1 ) Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. ( 2 ) Exclusive a população rural. 7

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