QUESTÃO DE EQUILÍBRIO

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1 ANO 1 - Nº 2 ANO 1 - Nº 2 Legislação O que é proibido em período eleitoral Gente Pouco dinheiro para muita vida Gestão Certificação aprimora padrões do RPPS Investimentos Extensão da crise das hipotecas ainda preocupa QUESTÃO DE EQUILÍBRIO Secretário-executivo do Ministério da Previdência, Carlos Gabas, quer que isenções e renúncias fiscais sejam reembolsadas pelos órgãos que as propõem

2 BVA RENDA FIXA PREVIDENCIÁRIO (Fundo de Renda Fixa) O Banco BVA sabe o quanto é importante investir em um sistema previdenciário próprio que atenda as necessidades dos Estados e Municípios. Para isso, desenvolveu o BVA Renda Fixa Previdenciário. Um fundo de Renda Fixa, regulamentado pela Resolução BACEN 3506 e exclusivamente destinado aos Institutos de Previdência de Estados e Municípios que desejam investir os recursos previdenciários dos regimes próprios de previdência. Com taxa de administração de 0,15% a.a. tem como objetivo, proporcionar rentabilidade acima do CDI. Conheça as principais características do fundo: Objetivo: Público-Alvo: Aplicação Inicial Mínima: Aplicações Subseqüentes: Saldo Mínimo: Tipo do Fundo: Análise de Risco: Rentabilidade acima do CDI Institutos de Previdência dos Estados e Municípios R$50.000,00 (cinqüenta mil reais) (As aplicações serão efetuadas pela cota do dia da efetiva disponibilidade dos recursos, quando solicitadas até as 12:00hs para 1ª aplicação, podendo ser feito através de TED ou CETIP) Qualquer valor R$50.000,00 (cinqüenta mil reais) Fundo Aberto Baixo risco de crédito Cota de Aplicação: D+0 Cota de Resgate: D+0 Pagamento de Resgate: D+0 (Os resgates serão pagos no mesmo dia da solicitação, quando solicitados até as 12:00hs. Será utilizada a cota vigente do dia da solicitação do resgate, podendo ser feito através de TED ou CETIP) Liquidez: Diária

3 Taxa de Administração: Tributação: Divulgação: 0,15% a.a. Fundo de longo prazo, de acordo com a classificação tributária do investidor Diária através do site - Apoio Gestora Administradores e Distribuidores Custódia Auditoria BEM DTVM Ltda. - Grupo A Vitória Asset Management S.A. não comercializa nem distribui quotas de fundos de investimentos ou qualquer outro ativo financeiro. As informações contidas neste material são de caráter exclusivamente informativo. Fundo distribuído pelo Bradesco Distribuidora de Títulos Mobiliários Ltda. e outros. Produto não garantido pela Administradora, Gestora, qualquer mecanismo de seguro ou ainda, do Fundo Garantidor de Crédito - FGC. Ao investidor é recomendada a leitura cuidadosa do prospecto e do regulamento do fundo e/ou clube ao aplicar seus recursos. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros. Para mais informações, entre em contato conosco -

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5 A Abipem escolheu a A para idealizar e realizar a revista Previdência Nacional. Estamos muito orgulhosos. Esperamos retribuir esta confiança com a qualidade e o respeito que você merece., compromisso de comunicar com responsabilidade. Tel

6 Sumário Edição 2 Capa 14 Secretário-executivo do Ministério da Previdência, Carlos Gabas, quer que outras pastas restituam custo das isenções que propõem Gestão 20 Prazo para certificação de gestores de institutos estaduais vai até o final do ano Sumário Expediente Carta ao leitor Entrevista: Brian Nicholson diz que Previdência Social brasileira agrava desigualdade Entrevista: André Luiz Goulart descreve caso de sucesso de Uberlândia Lula diz na posse de José Pimentel, novo ministro da Previdência Social, que reforma demora 12 Entrevista: diretor do Ipsemg diz que benefícios devem ter lastro contributivo, mas não propõe criar barreiras 52 Segredos para obter um bom início de gestão O que pode e o que não pode em ano eleitoral Abipem e Apeprem fazem congressos nacional e estadual em São Paulo Ainda não se sabe até onde chegará a crise americana das hipotecas Governo argentino precisa provar que não fez reforma previdenciária cosmética Levar Previdência Nacional a todos os municípios mostra como informação é repartida desigualmente no país Desafios para os municípios: falta de informação, esqueletos no armário, desequilíbrios na previdência Dirigentes de institutos relatam cuidados necessários para garantir administração de boa qualidade Aposentados de idade avançada sofrem com perda de valor da remuneração ao longo das décadas Agendas da Abipem e da Apeprem Abril/maio 2008

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8 Expediente Abipem (www.abipem.org.br) DIRETORIA Presidente: João Carlos Figueiredo Vice-Presidente: Wellington Costa Freitas Secretário-Geral: Valnei Rodrigues CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO André Luiz Goulart Demétrius Ubiratan Hintz José Maria de Paula Correia Luiz Guilherme Machado de Carvalho CONSELHO FISCAL Roberta Cabral Medeiros José de Anchieta Batista Wilson Risolia Rodrigues Apeprem (www.apeprem.com.br) DIRETORIA Presidente: João Carlos Figueiredo Vice-presidente: Jonas Baldissera 1ª Secretária: Lucia Helena Vieira 2ª Secretária: Solange Maria Maximiano de Pádua 1º Tesoureiro: Antonio Corrêa 2º Tesoureiro: Antonio Scamatti CONSELHO ADMINISTRATIVO Titulares André Luiz da Silva Mendes, Alberto Marques Passos, Christian Petterson Antunes Lemos, Eliane Valim dos Reis, Fernando Rodrigues da Silva, Glória Satoko Kono, Kleber Vicente Cavalcante, Marcia Regina Moralez, Marcus Vinicius Esteves Nunes, Moacir Benedito Pereira, Paulo César Pinto de Oliveira, Paulo Henrique Pastori, Roberto da Silva Oliveira, Sebastião Benedito Gonçalves, Sirleide da Silva. CONSELHO ADMINISTRATIVO Suplentes Antonio Carlos Molina, Elisa Maria Rocha, Guiomar de Souza Pazian, Francisco Carlos Conceição, Maria Aparecida Della Villa, Onésimo Canos Silva Júnior, Paulo Vicentino, Vandré Lencioni de Camargo. CONSELHO FISCAL Titulares Edmilso Martins, José Tomaz, Nelson Rodrigues de Mello. Editora DB2 Editora Ltda. Presidente: Jaime Benutte Diretores: Daniel Bacardi e Iberê Benutte Administrativo: Fátima Conceição Estagiários: Marina Beltrame e Luiz Aymar Previdência Nacional Publisher: Jaime Benutte Conselho Editorial: André Luiz Goulart, Demétrius Ubiratan Hintz, Wellington Costa Freitas (Abipem); João Carlos Figueiredo, Lúcia Helena Viera, Magadar Rosália Costa Briguet (Apeprem); Paulo Henrique Pastori (Regime Geral); Jarbas Antonio de Biagi (Previdência complementar) Editor: Trilogia Comunicação e Arte Ltda. - Mauro Malin, MTB Direção de arte: Belatrix Ltda. Diretor de Arte: Marcelo Paton Assistentes de Arte: Gabriel de Moraes Luiz e Evandro Oliveira dos Anjos Colaboradores: Adriana Aguilar, Carlos Vasconcellos, Emídio Montenegro, Érika Bento Gonçalves, Gustavo Pellizon, João Cox, João Souza, Jorge Félix, José Américo Gobbo, Leonardo Fuhrmann, Luiz Bispo, Luiz Melo, Mauro Nakata, Raul Jr., Romulo Campos, Sérgio Damasceno, Sylvia Leite, Victor Soares, Virginia Finzetto. Impressão: IBEP. A revista PREVIDÊNCIA NACIONAL é uma publicação bimestral da DB2 Editora, localizada na Rua Flórida, 1.703, 11º andar, Brooklin, CEP , São Paulo SP. Tel.: Dúvidas ou sugestões: Os textos assinados são da responsabilidade de seus autores. Não estão autorizados a falar pela revista, bem como retirar produções, pessoas que não constem desde expediente e não possuam uma carta de referência. 8 Abril/maio 2008 CONSELHO FISCAL Suplentes Luiz Roberto Lopes de Souza, Varlino Mariano de Souza.

9 Tecnologias ambientais que preservam o amanhã. O Grupo Estre está profundamente envolvido em desenvolvimento de tecnologias ambientais para defender os recursos naturais do planeta. Esse é o compromisso da Estre com seus clientes e com o futuro. Aterro Sanitário Biorremediação Co-processamento Remediação de áreas contaminadas Reciclagem de material da construção civil Diagnóstico Ambiental

10 Carta ao leitor Em sua segunda edição, Previdência Nacional traz entrevista em que o secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, Carlos Gabas, aborda de forma direta os desafios colocados para o sistema e apresenta sua visão sobre as realizações do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no setor. Esperamos contar com a palavra do novo ministro, José Pimentel, em nosso próximo número. A revista traz a você informações precisas e inéditas sobre os caminhos para cumprir a exigência de certificação dos gestores do RPPS. A seção Legislação alerta sobre o que a lei proíbe aos agentes públicos em campanhas eleitorais. Para facilitar a vida de nossos leitores, reproduzimos integralmente a parte da legislação que trata do assunto. Previdência Nacional é experiência singular de distribuição de uma revista em rigorosamente todos os municípios do país. As peculiaridades desse processo nos ajudam a enxergar, como se vê na reportagem Mapa heterogêneo, que a informação é um bem repartido de forma muito desigual no território nacional. A resposta altamente positiva dada à leitura de nossa primeira edição nos estimula a prosseguir na trilha da informação qualificada, apresentada de forma bastante acessível. Apresentamos, em diferentes reportagens, retratos de gente que faz a previdência do regime próprio e de gente que, com idade avançada, constata ter recebido bom tratamento no início da aposentadoria, mas não durante todo o longo período de merecido descanso. Estamos às vésperas do 42º Congresso Nacional da Abipem e do 4º Congresso Regional da Apeprem, que serão realizados conjuntamente em São Paulo, na passagem de junho para julho. Será, sem dúvida, uma oportunidade para renovar nossos conhecimentos e trocar informações sobre a ciência e a arte de dirigir instituições de previdência de estados e municípios. PN Boa leitura. Cordialmente, João Carlos Figueiredo Presidente da Abipem e da Apeprem 10 Abril/maio 2008

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12 Regime Geral Para os que virão Lula diz na posse do novo ministro da Previdência Social, José Pimentel, que é necessário pensar em reforma para a próxima geração O novo ministro da Previdência Social, José Pimentel, tomou posse no dia 11 de junho, em cerimônia na qual o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse estar convencido de que uma reforma da Previdência, para ser aprovada, precisa ser feita para a próxima geração. Lula sugeriu a Pimentel, em discurso, que trate os aposentados e pensionistas com carinho, e ressalvou que o governo precisa ter recursos no cofre para pagar todos os benefícios a que as pessoas têm direito neste país. Alguns dos desafios que esperam Pimentel estão descritos nas páginas seguintes em entrevista a Previdência Nacional dada pelo secretário-executivo do Ministério, Carlos Gabas. Relator da reforma de 2003 José Pimentel foi em 2003, primeiro ano do governo Lula, o relator geral do projeto de Reforma da Previdência na Câmara dos Deputados. Nessa época, disse que não se pode falar em sistema previdenciário justo quando o país tem 40,7 milhões de pessoas maiores de 18 anos fora do sistema, representando 57,7% da população ocupada. O deputado afirmava que o compromisso do governo Lula é com uma previdência socialmente justa e financeiramente equilibrada, e advertia: Se não cuidarmos disso agora, no futuro esses milhões de brasileiros estarão desprotegidos e famintos, sem dignidade, sem auto-estima e à margem da sociedade. Sua proposta de reforma tinha sentido estrutural e visava à criação de um sistema básico e universal, público e compulsório, tanto para os trabalhadores do setor público como para os do privado; a isenção de qualquer contribuição dos aposentados e pensionistas [como se sabe, a reforma estabeleceu a contribuição dos aposentados]; e a gestão democrática de um conselho quadripartite e com poder de deliberação, com a participação de representantes do Estado, de trabalhadores da ativa, aposentados e empresários. Em artigo publicado na ocasião, o deputado explicava: Hoje o tempo médio real de contribuição do servidor público para aposentadoria integral é de 12 anos. A obrigação de cobrir a diferença entre os 12 anos e os 35 anos de contribuição é da sociedade porque aprovamos esse direito na Constituinte. (...) O servidor público não tem culpa dessa distorção. PN Parlamentar atuante José Pimentel, 54 anos, nascido em Picos, Piauí, é advogado, sindicalista e bancário do Banco do Brasil. Em 2006, foi eleito para o quarto mandato de deputado federal pelo PT do Ceará. Em 2005, após a crise do mensalão, que resultou na substituição de dirigentes do partido, exerceu a função de secretário nacional de Finanças e Planejamento do PT. É considerado um dos parlamentares mais assíduos da Câmara. Em 2007, foi colocado pela sexta vez, em estudo do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, Diap, na lista dos 100 parlamentares mais influentes do Congresso. Foto: Victor Soares 12 Abril/maio 2008

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14 Capa A cada um o seu Secretário-executivo do Ministério da Previdência sugere que ministérios restituam o custo das isenções e renúncias fiscais que propõem Jorge Félix O déficit da Previdência Social em 2007, na contabilidade mais favorável, fechou em R$ 43,284 bilhões. Embora pela primeira vez tenha apresentado números melhores que os do ano anterior, a situação parece ainda bastante crítica. Isso a olho nu. O secretárioexecutivo do Ministério da Previdência, Carlos Eduardo Gabas, paulista, 42 anos, funcionário do INSS há 22 anos e pós-graduado em Gestão de Sistemas de Seguridade Social pela Universidade de Alcalá de Henares, em Madrid, sustenta que o déficit é muito menor. Basta retomar um briga antiga na Esplanada dos Ministérios: a que propõe que as isenções e renúncias fiscais sejam assumidas pelas pastas que as inventam e defendem. Nesta entrevista, Gabas se diz a favor de reformas previdenciária e trabalhista combinadas e simultâneas. A reforma pode incluir revisão de regras para melhorar a vida dos trabalhadores. Não deve existir tabu, afirma. Previdência Nacional Como avalia a possibilidade de aprovação do fim do fator previdenciário? Carlos Gabas O modelo brasileiro de Previdência Social tem um caráter de solidariedade muito grande. Estamos trabalhando para evitar que sejamos obrigados a criar, no futuro próximo, outro artifício parecido ou na mesma lógica do fator previdenciário. Ele foi criado em 1998 como uma alternativa à imposição de uma idade mínima para a aposentadoria. A maioria dos países já não conta mais com a aposentadoria por idade. Poucos mantêm a aposentadoria por tempo de serviço. Mas no Brasil ainda é possível mantê-la. Previdência Nacional Mas isso acaba prolongando o tempo laboral. O efeito não é o mesmo? Carlos Gabas Como, no Brasil, as pessoas começam a trabalhar muito cedo e não há limite de idade, vão se aposentar com menos de 50 anos. Nosso regime prevê que com 35 anos de contribuição, o homem, e 30 anos, a mulher, é possível a aposentadoria. O fator previdenciário é inibidor da aposentadoria, vamos dizer, precoce. Ele leva em conta no seu divisor, na sua fórmula, a sobrevida do brasileiro, que tem aumentado bastante. Como a média de idade de aposentadoria era de menos de 50, as pessoas ainda viveriam 30 anos recebendo aposentadoria. O fator não impede a aposentadoria, mas reduz o valor do pagamento. É um modelo que confere sustentabilidade ao regime. Apesar de ser um regime solidário, de contar com o pacto entre gerações, tem que se basear no volume de pagamentos e na expectativa de receita. As pessoas estão vivendo mais. Isso implica que deveríamos atrasar o ingresso dos trabalhadores na aposentadoria. É preciso abrir uma discussão muito franca na sociedade sobre o conceito de aposentadoria. Hoje muitos trabalhadores têm o conceito de que aposentadoria é um complemento de renda. Ele se aposenta, continua trabalhando e tem outro salário. É um equívoco não levar em conta o fator previdenciário na hora da aposentadoria. Ou seja, fazer a opção de se aposentar mais cedo, sofrer a redução do fator e continuar trabalhando. Quando ele tiver que parar definitivamente, vai ter só essa aposentadoria. Se ele não tiver uma outra forma de poupança, vai ter uma redução drástica de sua renda. 14 Junho/julho 2008

15 É preciso abrir uma discussão muito franca sobre o conceito de aposentadoria. Muitos acham que é complemento de renda Fotos: Victor Soares Previdência Nacional 15

16 Previdência Nacional Deveria haver uma política para as pessoas entrarem mais tarde no mercado de trabalho? Carlos Gabas Essa foi uma discussão que esteve presente no Fórum Nacional de Previdência Social, em Há um consenso de que a transição demográfica vai nos impelir a fazer mudanças, o que tem acontecido em todo o mundo. A diferença entre o nosso governo e os anteriores é que queremos fazer o debate com a sociedade. A proposta é fazer mudanças para os futuros trabalhadores. Previdência Nacional Aqueles que ainda ingressarão no sistema. Carlos Gabas Isso é planejamento. Previdência é futuro. Se esse mecanismo tivesse sido pensado nas décadas de 70 e 80 nós não necessitaríamos do fator previdenciário. O que nós queremos é discutir com a sociedade uma alternativa que dê sustentabilidade ao nosso modelo de previdência. Esse modelo é sólido, mas sofre com o envelhecimento da população. Previdência Nacional O que significaria para as contas da Previdência o fim do fator previdenciário? Carlos Gabas Há primeiro um problema maior do que o das contas futuras. Se for aprovado, como ficam as aposentadorias já concedidas com base no fator previdenciário? Vamos gerar um esqueleto de bilhões de reais. Estamos fazendo um esforço muito grande de gestão para que a Previdência reduza a sua necessidade de financiamento, para que consigamos atribuir aos diversos atores do governo as suas responsabilidades sobre as contas da Previdência. Por exemplo, fizemos uma discussão no Fórum Nacional de Previdência Social que foi fundamental para que se clareasse essa nuvem que tem sobre a previdência. Se tem déficit, se não tem déficit, qual o tamanho do déficit. Previdência Nacional Existe déficit? Carlos Gabas A Previdência paga a conta da renúncia das universidades sobre a folha de pagamento, dos hospitais, dos asilos, das creches, que são políticas corretas. Mas, para nós, o que deve acontecer é que o ministério responsável pela política seja também responsável pelo orçamento que garante a política. Se ainda é necessário, no Brasil, que haja renúncia para as universidades, para as escolas, que elas possam dar bolsas de estudos para a sociedade, quem tem que dizer qual o local, a quantidade, é o Ministério da Educação. E esse recurso da renúncia deve ser repassado para a Previdência Social. Colocadas essas renúncias em seus devidos lugares do Simples, que deve ser custeado pelo Tesouro Nacional, à questão dos benefícios rurais, que é constitucional, correto, mas que devem ser financiados também pelo Tesouro, se se levar tudo isso em conta, a necessidade de financiamento da Previdência em 2007 não chegou a 4 bilhões de reais. Previdência Nacional O senhor está se referindo à nova contabilidade, adotada recentemente? Carlos Gabas Com o esforço de gestão que fizemos, este ano já temos até superávit. Claro, com esta nova contabilidade, esta nova metodologia. O esforço tem surtido efeito. Nosso modelo de previdência é sólido, mas sofre com o envelhecimento da população Previdência Nacional Mas a necessidade de financiamento, analisando os últimos meses, não caiu. Carlos Gabas Ela vem em queda. Se olhar o ano, já operamos com uma sobra de arrecadação no regime urbano. É preciso desfazer esse mito de que a Previdência Social é quebrada, falida, não dá certo! É claro que a gestão ajudou muito. É fundamental combater desvios, fraudes, corrupção. Estamos fazendo isso muito bem. Mas existe um fator preponderante, o crescimento do país. Nossas contribuições são sobre a folha de salário. Num ambiente de recessão, tem menos salários, menos pa- 16 Junho/julho 2008

17 gamentos, a massa salarial diminui, a arrecadação cai. Como a massa salarial vem crescendo nos últimos anos, os empregos formais estão crescendo, isso é fator decisivo para o equilíbrio das contas da Previdência. Previdência Nacional Gostaria de voltar à questão das renúncias. Há ainda necessidade dessas renúncias, no caso das universidades, por exemplo? Carlos Gabas Essa é uma resposta para o Ministério da Educação. O gestor da política de educação no país é o MEC. Não é a Previdência que tem que gerir essa política. A mesma coisa na área de Saúde. Estamos trabalhando para que cada setor tenha o comando da política, das isenções, e coloque em seu orçamento o tamanho dessas isenções. Quem sabe se há necessidade de renúncias em favor de universidades é o Ministério da Educação Previdência Nacional Os resultados do choque de gestão foram inferiores às metas. Qual é a avaliação agora? Carlos Gabas O que existia era uma expectativa muito grande baseada no desconhecimento do que era o nosso cadastro. A Previdência Social foi deixada em segundo plano anos e anos. Previdência Nacional Em relação à gestão ou em relação à reforma? Carlos Gabas Em relação à gestão. Mas em relação à reforma também. Porque ela é decorrente ou não da gestão. Eu tenho necessidade de mais recurso se eu gastar de forma equivocada. Se eu não tiver controle das contas sempre vai faltar dinheiro. A nossa premissa foi primeiro fazer o dever de casa. Primeiro organizar a gestão. Depois o tanto que falta de recursos. Só para se ter uma idéia. Eu fiz concurso em Em 2003, 18 anos depois, eu era remanescente do último concurso. A Previdência ficou 18 anos sem fazer concurso público para admissão. Previdência Nacional Mas a política focada na questão fiscal hoje continua sendo seguida pelo governo Lula e seus resultados são comemorados. Carlos Gabas O governo deve ter responsabilidade fiscal, mas precisa ter responsabilidade social. Essa é a diferença. A Previdência passou a ter responsabilidade no governo do presidente Lula por ser uma política social relevante. A Previdência transfere recursos para a sociedade de maneira assombrosa. Nosso orçamento para este ano é de 207 bilhões de reais. Previdência Nacional Basta ver o número de municípios onde as transferências da Previdência são significativas. Carlos Gabas Chegam a 65% do total os municípios brasileiros que recebem maior quantidade de recursos da Previdência do que do FPM (Fundo de Participação dos Municípios, que é o repasse da arrecadação de impostos federais pela União. Segundo pesquisa da Associação Nacional dos Auditores da Previdência Social, realizada em 2004, o percentual era de 67,85%). Isso não é só Norte e Nordeste. É São Paulo também. É uma política distributiva. A Previdência Social é uma das maiores políticas de distribuição de renda do país. Por isso, a sua gestão tem que ter muito controle. O cadastro da Previdência, fonte principal de informações, nunca havia sido atualizado. Não tinha data de nascimento! Não tinha sexo! Por isso se falava muito que a Previdência pagava licença-maternidade para homem. Porque o banco de dados não dizia se era homem ou mulher. Em 2004 saiu a notícia de que havia mais aposentados centenários do que o número do IBGE. Por quê? Porque a data era zero e na virada do milênio o sistema assumiu Falha do cadastro. O CPF não existia. Não era possível cruzar com a Receita Federal, com nenhum outro sistema. Previdência Nacional Para a sociedade, a percepção sempre é de que há corrupção. Carlos Gabas Pode ser a falha do Previdência Nacional 17

18 cadastro. Da informação. Constatamos cerca de 100 mil benefícios pagos indevidamente. Porém, mais de 400 mil pessoas devolveram de forma espontânea os cartões com que estavam recebendo. Devolvo para não ser pego pelo cadastramento. Foi muito abaixo do que a perspectiva de fraude que havia. A expectativa, em 2005, era de um déficit de R$ 51 bilhões. Caiu para R$ 45 bi. No ano passado ficou em R$ 44 bi. Isso é resultado da boa gestão, do crescimento da economia. Mas também da redução de pagamentos indevidos, de uma reorganização da Previdência Social. Previdência Nacional Como está a questão das licenças por auxílio-doença, que aumentaram muito recentemente? Carlos Gabas A perícia médica era toda terceirizada. Isso significou, coincidentemente, que a Previdência passou, em 1995, de R$ 1 bi e 700 de gasto para R$ 13 bilhões em Teve uma epidemia no país que se espalhou por todos os ambientes de trabalho e levou os trabalhadores ao afastamento? Não. Foi uma falha de gestão. Quando se terceiriza uma atividade, perde-se o controle. Não é uma crítica direta ao profissional. É à fórmula, à política. De 2005 para cá, acabamos com a terceirização, fizemos concurso público e estruturamos a carreira de perícia médica no INSS. O número cai vertiginosamente. É importante que os regimes próprios tenham sustentabilidade e garantam o benefício dos trabalhadores Previdência Nacional Quando os gestores de regimes próprios serão obrigados a atuar com certificação? Carlos Gabas Os regimes próprios cresceram bastante. O Ministério tem investido bastante para melhorar as regras. A emenda 41 estabeleceu várias regras de segurança. Até então existia uma frouxidão. Os gestores podiam muito. Ou podiam fazer muita bobagem com o dinheiro dos trabalhadores. Essas regras hoje são mais rígidas, mais controladas pela Secretaria de Previdência. Mais do que isso, temos trabalhado em parceria com os gestores dos regimes próprios para formação de estrutura sólida porque ajudam no processo de proteção do trabalhador brasileiro. Para nós é importante que os regimes próprios tenham sustentabilidade e garantam o benefício dos trabalhadores no momento da aposentadoria. A reforma da previdência será combinada com a reforma trabalhista, devido ao dinamismo da sociedade Previdência Nacional Quais são os pontos principais de uma nova reforma? Carlos Gabas Primeiro é preciso discutir com a sociedade e, segundo, estabelecer um pacto de qual o modelo de Previdência que nós queremos para o futuro. Para que, lá na frente, o governo responsável por essa política não seja obrigado a fazer uma reforma dura e ser questionado. Ainda estamos numa situação em que é possível estabelecer uma regra pactuada com as futuras gerações. A pessoa vai entrar no regime já sabendo qual é a regra. Previdência Nacional Idade mínima entra nessas mudanças? Carlos Gabas Há várias opções. Idade mínima, combinação da idade mínima com tempo de contribuição, chegando a um dado limite a partir do qual, quanto maior o tempo de contribuição, possa diminuir um pouco a idade. O mercado de trabalho é muito diferente do que era na década de 40, 50, 60. Previdência Nacional A reforma da Previdência não deveria ser combinada com a reforma trabalhista? Carlos Gabas Acho que isso vai acontecer. A sociedade vive num dinamismo muito grande, as coisas mudam, a realidade é outra e a legislação tem que se adequar. Na medida em que se consiga fazer a interlocução com todos os atores, com a sociedade civil organizada, chegar a um consenso é muito mais fácil. Previdência Nacional Essa evolução não corre o risco de significar sempre a perda de algum direito? Carlos Gabas A medicina, ainda bem, está nos garantindo cada vez mais anos de vida. É um processo natural. Reforma da Previdência não necessariamente quer dizer redução de direitos. Podemos ver pelo aspecto positivo. Ou seja, garantia de sustentabilidade de uma política pública que distribui renda. A reforma pode incluir uma revisão de regras que melhore a vida dos trabalhadores. Não deve existir tabu. PN 18 Junho/julho 2008

19 Para você, que não se contenta apenas com sua meta atuarial... A Dapes Investimentos atua no mercado financeiro assessorando e orientando os Institutos e Fundos de Previdência Municipais de acordo com a resolução 3506 do Banco Central. Avaliamos detalhadamente o perfil de cada cliente e, utilizando-nos de produtos de excelência, buscamos sempre atingir os resultados propostos, com transparência e responsabilidade. Distribuimos: Dapes Investimentos São Paulo Fone: Rua Tapinas, 22 - conj. 52 Itaim - São Paulo - SP Recife Fone: Rua Ernesto de Paula Santos, 187 conj Boa Viagem - Recife - PE

20 Gestão Certificação De igual para igual Certificação de gestores vai aproximar RPPS dos padrões do mercado. Prazo para membros de institutos estaduais termina no final do ano Adriana Aguilar Illustração: Nakata 20 Junho/julho 2008

21 Até o final de 2008, os responsáveis pela gestão dos recursos dos fundos de previdência de estados, Distrito Federal e União integrantes do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) terão de apresentar ao Ministério da Previdência Social (MPS) o certificado de que estão aptos a exercer a função de gestor. Segundo André Luiz Goulart, vice-presidente para a região Sudeste da Abipem, Associação Brasileira de Instituições de Previdência Estaduais e Municipais, a qualificação de gestores é parte do esforço que a entidade faz para garantir aos segurados um horizonte de segurança e tranqüilidade, o que já se consegue em vários casos (ver A grande virada, página 51). A política de investimento para os RPPS e a certificação Profissional poderá discutir em igualdade de condições com o mercado, diz Otoni Guimarães, do Ministério da Previdência dos gestores estavam previstas na Resolução 3.506, publicada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 26 de outubro de Só agora, com as regras trazidas pela Portaria nº 155, de 15 de maio passado, a certificação poderá ser colocada em prática. A certificação é um teste que vai medir o grau de conhecimento dos profissionais. Seu objetivo é garantir qualificação mínima e homogênea entre os diretores e gestores do RPPS. Atrelada à política de investimentos, a exigência da certificação do gestor do RPPS faz com que o profissional esteja afinado com a linguagem, tecnologia e produtos de investimentos. Ele poderá discutir em igualdade de condições com os demais participantes do mercado de capitais, incluindo as instituições financeiras, intermediárias dos recursos, afirma Otoni Gonçalves Guimarães, coordenador geral de Auditoria Atuária, Contabilidade e Investimentos da Secretaria de Política de Previdência Social. Prazos maiores para municípios Para os RPPS dos municípios, há dois prazos para a certificação do profissional responsável pela gestão. Um deles vence em junho de Abrange as cidades com recursos acima de R$ 10 milhões (em 31/12/2007) para serem investidos no mercado de capitais. No caso do outro grupo de municípios, o prazo termina no final de Atinge os institutos de previdência das cidades com recursos inferiores a R$ 10 milhões Fotos: Reprodução Paulo Ricardo Di Blasi (em 31/12/2007) para investimento no mercado de capitais. É importante ressaltar que os R$ 10 milhões devem ser recursos financeiros disponíveis para aplicação em fundos de investimentos, por exemplo. Os valores serão informados no Demonstrativo Financeiro, sujeitos a auditoria do MPS. Não entra no cômputo o patrimônio imobiliário dos institutos. Fica dispensado da exigência do certificado o instituto municipal que não tem recursos financeiros. Se não há dinheiro para investir, para que a certificação?, argumenta Guimarães. O objetivo da certificação não é gerar um custo maior para a instituição que não tem dinheiro aplicado, explica. Com foco neste segmento, a Portaria nº 155 traz uma regra para aqueles que vierem a acumular recursos após a publicação dela, em 16 de maio de O instituto terá um ano para comprovar a certificação do gestor ao MPS, a partir do momento em que começar a aguardar recursos financeiros. Por exemplo, o RPPS que inicia alguma aplicação em junho deste ano tem até o final de 2009 para apresentar a certificação do gestor ao Ministério da Previdência. Não é exigida a certificação de todos os pro- Habilitação será exigida dos que lidam com aplicação de recursos financeiros dos institutos Previdência Nacional 21

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