PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO ANO 2015

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1 ESCOLA DE FORMAÇÃO GERENCIAL - EFG PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO ANO 2015 Belo Horizonte 2015

2 ESCOLA DE FORMAÇÃO GERENCIAL - EFG CURSO TÉCNICO EM ADMINISTRAÇÃO CONCOMITANTE COM O ENSINO MÉDIO CURSO TÉCNICO EM ADMINISTRAÇÃO SUBSEQUENTE/CONCOMITANTE COM O ENSINO MÉDIO Belo Horizonte 2015

3 Presidente do Conselho Deliberativo SEBRAE-MG LÁZARO LUIZ GONZAGA Diretor Superintendente SEBRAE-MG AFONSO MARIA ROCHA Diretor de Operações SEBRAE-MG FÁBIO VERAS DE SOUZA Diretor Técnico SEBRAE-MG LUIZ MÁRCIO HADDAD PEREIRA SANTOS Gerente do Sistema de Formação Gerencial SEBRAE-MG RICARDO LUIZ ALVES PEREIRA Diretor da EFG-BH SEBRAE-MG LEONARDO AMARAL DINIZ MEDINA 1

4 Sumário APRESENTAÇÃO... 4 JUSTIFICATIVA... 5 A INSTITUIÇÃO... 5 HISTÓRICO DA EFG-BH... 6 MISSÃO... 8 VISÃO... 9 DIFERENCIAL... 9 PRINCÍPIOS E ATITUDES... 9 FUNDAMENTOS POLÍTICOS E FILOSÓFICOS FUNDAMENTO EPISTEMOLÓGICO COMPROMISSOS EDUCACIONAIS FINALIDADES E PERFIL DE FORMAÇÃO O ENSINO MÉDIO COM HABILITAÇÃO PROFISSIONAL DE ENSINO TÉCNICO EM ADMINISTRAÇÃO Uma proposta para formar Cidadãos Empreendedores ORGANIZAÇÃO CURRICULAR ENSINO MÉDIO ENSINO TÉCNICO EM ADMINISTRAÇÃO TRILHA DE APRENDIZAGEM ABORDAGEM DIDÁTICA E PROCESSO AVALIATIVO CONSELHO DE CLASSE APROVEITAMENTO DE ESTUDOS, CLASSIFICAÇÃO E RECLASSIFICAÇÃO CURSO TÉCNICO EM ADMINISTRAÇÃO CONCOMITANTE E/OU SUBSEQUENTE AO ENSINO MÉDIO PERÍODO NOTURNO ABORDAGEM DIDÁTICA E PROCESSO AVALIATIVO CONSELHO DE CLASSE APROVEITAMENTO DE ESTUDOS, CLASSIFICAÇÃO E RECLASSIFICAÇÃO

5 DNA EFG REFERÊNCIAS

6 APRESENTAÇÃO O Projeto Político-Pedagógico (PPP) é o documento que define os compromissos e propósitos da escola, de cuja construção deve participar toda a comunidade escolar, por ser este um documento que apregoa os pressupostos adotados e vivenciados no cotidiano da escola. Expressa a identidade da escola, confirmando sua autonomia para elaborar e executar sua proposta pedagógica, conforme orienta a LDB 9394/96. Tem por objetivo precípuo a orientação da comunidade escolar quanto às ações a serem implementadas no cotidiano, na prática escolar. Aponta a necessidade de atualização dos pressupostos educacionais e de funcionamento, como os horizontes de atuação da escola. O PPP oportuniza a tangibilidade do que a escola almeja. Deve ser um exercício contínuo de reflexão sobre a prática escolar, que propicie o diálogo e a construção coletiva de um ideário e de propósitos comuns. O PPP sintetiza a visão que a instituição tem sobre o mundo, sobre a sociedade em que está inserida, sobre o perfil de formação do aluno e sobre o que ela pretende ser. O Projeto Político-Pedagógico coloca-se como ferramenta de atualização e aperfeiçoamento constante, promovendo a interface entre a teoria e a prática. A evolução da proposta e, consequentemente, da prática, ocorre com a avaliação do que tem acontecido no cotidiano da escola em contraponto ao que está enunciado no PPP para verificar o que está coerente, as inconsistências e os paradoxos. O ano de 2015 desponta como um marco entre a escola que foi criada e vivenciada nos primeiros anos de sua inauguração e que está enunciada em documentos que foram construídos por uma equipe competente e comprometida. Hoje, o desafio que se coloca para a equipe de educadores é reconstruir a escola em sua vocação ontológica: uma escola diferenciada para o séc. XXI. Belo Horizonte, 11 de dezembro de

7 JUSTIFICATIVA O desafio maior do PPP da Escola de Formação Gerencial EFG-BH é estimular e nortear a transformação da práxis, ou seja, torná-la uma reflexão permanente, crítica e instigadora que motiva e mobiliza os agentes envolvidos na ação educacional, conforme proposto nos Referenciais Educacionais do SEBRAE. A práxis é concebida como o pensar dialógico e crítico a respeito da realidade. Esse processo se torna contínuo quando a escola assume a ação reflexiva, isto é, o pensar sobre o fazer e pensar para fazer, tornando a prática coerente e eficaz. Considerando esse olhar reflexivo, o PPP é um documento dinâmico que deve ser atualizado sempre que a comunidade escolar verificar tal necessidade, obedecendo a um ciclo com fases bem definidas. A cada ano ocorre a revisão do Projeto Político-Pedagógico, que é iniciada com o processo de reflexão sobre a prática educacional da EFG-BH. Este documento apresenta a estrutura curricular, os pressupostos teóricos, os princípios e os compromissos da escola que, desde seus primórdios, buscou atualização e sintonia com as modernas tendências da educação empreendedora, estruturando-se de diferentes formas para alcançar esse objetivo. O Projeto Político-Pedagógico da EFG-BH é um exercício coletivo e consciente do direito à palavra, do respeito às diferenças, da vivência das contradições, do confronto ideológico, da busca do desenvolvimento humano e da crença de que o amanhã precisa ser, necessariamente, melhor do que o hoje. A INSTITUIÇÃO Não basta ensinar ao homem uma especialidade, porque se tornará assim uma máquina utilizável e não uma personalidade. É necessário que adquira um sentimento, senso prático daquilo que vale a pena ser empreendido, daquilo que é belo, do que é moralmente correto. (EINSTEIN,1953, p. 16) A Escola Técnica de Formação Gerencial ETFG-BH teve sua autorização de funcionamento outorgada pela portaria 011/94 SEE/MG, publicada em 13/01/94. Em 16 de março de 1995 foi publicado o parecer 104/95 autorizando a mudança de endereço para a Rua Maria Macedo, 250, no Bairro Nova Granada. O reconhecimento do Ensino Médio com a habilitação profissional de Técnico em Administração foi publicado por meio da portaria 056/96 de 13/01/1996. Em 2001 foi criado o Curso Técnico em Gestão de Negócios (oferecido no 5

8 Período Noturno), autorizado pela portaria 333/01 de 27/04/2001 e reconhecido pela portaria 886/03 de 07/08/2003. Para atender ao novo Catálogo Nacional de Cursos Técnicos CNCT, em 2010, ocorreu a mudança do nome do curso de Gestão de Negócios para Técnico em Administração, de acordo com a portaria 1218/2010 de 11/09/2010. Em 30 de maio de 2014, por meio da publicação da portaria 781/2014, ocorreu a mudança de denominação da Instituição para Escola de Formação Gerencial EFG-BH. HISTÓRICO DA EFG-BH No início da década de 1990, ciente de que, para melhor cumprir sua missão de apoiar o desenvolvimento das micro e pequenas empresas, era vital formar uma geração de empreendedores com capacitação gerencial, imbuídos de valores éticos e de cidadania, o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais SEBRAE Minas, regido pela Lei nº 8.029/90 e pelo Decreto nº /90, autorizado pelo seu Conselho Deliberativo Estadual CDE, priorizou as ações educacionais voltadas para a formação de jovens, tendo como intenções estratégicas: 1. promover o desenvolvimento socioeconômico de Minas Gerais; 2. promover o desenvolvimento de uma nova cultura gerencial, baseada em novos conhecimentos e habilidades gerenciais e no comportamento empreendedor, a ser difundido pela ação de jovens gestores; 3. colaborar com a excelência empresarial, principalmente dos pequenos negócios; 4. desenvolver novas tecnologias gerenciais; 5. formar gestores capazes de atuar eficazmente nas empresas; 6. desenvolver um novo modelo de excelência educacional na formação profissional, de nível médio e sequencial. Em 1992, a então Escola Técnica de Formação Gerencial de Belo Horizonte ETFG-BH foi idealizada com o objetivo de suprir a formação de gestores de nível técnico para as pequenas empresas. Na Áustria, foi encontrado o referencial que serviu como parâmetro para o Projeto ETFG-BH (Atual EFG-BH), desenvolvido por 6

9 meio de um acordo de cooperação com o Ministério de Educação e Artes daquele país, possibilitou o desenvolvimento de um modelo de formação gerencial adaptado à realidade brasileira. Em 22 de junho de 1993, o Conselho Deliberativo Nacional do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - SEBRAE aprovou a destinação de recursos para as obras de construção da ETFG-BH, por meio de convênio que assegurou a transferência de tecnologia e equipamentos destinados à implantação de um centro de treinamento em Minas Gerais. No dia 28 de julho, foi lançada a Pedra Fundamental da ETFG-BH. Em outubro, o SEBRAE Minas firmou contrato com o Pitágoras para operar a escola. Logo depois, foram selecionados os 90 primeiros alunos por meio de provas de Língua Portuguesa e Matemática e entrevistas que permitiram analisar o perfil de cada candidato, principalmente sob o ponto de vista da motivação, da criatividade e de outras características necessárias ao futuro gestor e empreendedor. No dia 1º de fevereiro de 1994, iniciou-se o ano letivo da escola, com três turmas de 30 alunos, em salas adaptadas, na sede do SEBRAE Minas. Em 16 de agosto de 1994, foi inaugurada a sede da Escola Técnica de Formação Gerencial ETFG-BH SEBRAE Minas. A partir de 1995, a escola alcançou notoriedade em virtude de sua metodologia inovadora e por oferecer o Ensino Médio em concomitância e articulação com o Curso Técnico em Administração. Em virtude disso, foram instaladas mais três escolas parceiras nas cidades mineiras de Contagem, Itabira e Patos de Minas, dando início ao Sistema de Formação Gerencial do SEBRAE Minas, que hoje atua em 15 escolas parceiras nas diversas regiões desse estado e uma escola no estado do Maranhão. Em 1997, os projetos institucionais Tutoria, Vitrine, Empresa Simulada e Estágio foram integralizados de forma satisfatória e foram reconhecidos pela comunidade interna e pela classe empresarial, os quais representaram e representam um grande avanço metodológico para a ETFG, por articularem teoria e prática à formação dos alunos. Neste mesmo ano, aconteceu a formatura da primeira turma de alunos, que iniciou o curso em 1994, considerando que a duração do curso era de 4 anos. O mercado conheceu a primeira geração de jovens formados pela Escola Técnica de Formação Gerencial ETFG SEBRAE Minas. Desde os primeiros anos da escola, os alunos participam de competições 7

10 nacionais, obtendo grande sucesso. Ao final de 2006, o Sistema de Gestão da Qualidade começou a ser implantado na ETFG. A Missão da escola foi reelaborada e o Plano da Qualidade ETFG SEBRAE Minas foi construído. Nessa ocasião, o PPP passou por análise e nova elaboração de seus pressupostos. A partir de 2008, a escola iniciou sua participação no Global Business Challenge, em Nova York, e os alunos alcançaram destaque na competição. A cada ano, a escola tem enviado grupos de alunos para participarem desse evento, acompanhados de professores e outros funcionários do SEBRAE. Em 2011, a equipe de professores e funcionários da escola novamente se envolveu na revisão e atualização do Projeto Político-Pedagógico, por meio de grupos de estudo que se reuniram para este trabalho com o objetivo de conhecer o material, adequá-lo à nova realidade da escola e encontrar a melhor forma de conduzir os trabalhos educacionais de maneira integrada. Em 2013, a escola buscou um reposicionamento de seus pressupostos e, revisitando e aprimorando seus princípios, seus objetivos, suas metodologias e suas atividades, a escola vem se confirmando como referência para a comunidade empresarial e educacional em Minas Gerais e no Brasil. Isso se evidencia com a instituição de uma parceria com o estado do Maranhão para a abertura de uma escola. Atualmente, esse modelo educacional contribui para ampliar a visão de futuro e para o fortalecimento das reg iões em que a escola tem sido implantada, alcançando relevantes resultados. MISSÃO 8

11 VISÃO DIFERENCIAL PRINCÍPIOS E ATITUDES Os princípios e as atitudes que norteiam a prática pedagógica são: 1. Respeito 2. Responsabilidade e Autonomia 3. Justiça 4. Honestidade 5. Solidariedade 6. Empatia 7. Reconhecimento da Singularidade do Sujeito 8. Parceria 9. Diálogo 10. Entusiasmo 11. Proatividade 12. Posicionamento Crítico 13. Inovação 9

12 FUNDAMENTOS POLÍTICOS E FILOSÓFICOS Os fundamentos políticos e filosóficos representam o referencial que a EFG- BH adota sobre o mundo e o ser humano ao elaborar seu Projeto Educacional. O mundo tem experimentado transformações em sua estrutura nas últimas décadas, entre elas, aquelas relacionadas à evolução tecnológica. As descobertas da ciência e o advento das tecnologias digitais, entre outras, revelam mudanças nas concepções do tempo, atividades, conhecimento, pensamento e trabalho (GRAZEL, 2013). A ampliação dos espaços de interação e relacionamentos (interconexão global) potencializada pelas ferramentas digitais tem interferido na forma de organização, finalidade e valores das instituições sociais, inclusive as instituições educativas. No bojo das mudanças, observa-se o recrudescimento do individualismo, o aumento do consumismo, o imediatismo, a busca pela autossatisfação. Aliadas a esses aspectos estão a falsa percepção de que informação e conhecimento são sinônimos e a falta de reflexão e crítica. Em virtude disso, o marco filosófico e político da EFG-BH se apoia sobre os princípios estéticos, políticos e éticos que inspiram a LDBEN 9394/96, a diretriz maior da educação no Brasil. Os princípios estéticos estão ligados ao fazer humano, compreendido como um processo de produção e de autoconstituição da identidade. Considerando que o fazer humano qualifica o sujeito, a EFG-BH compreende como princípios estéticos a criatividade, a busca pelo autoconhecimento, a inovação, a busca por oportunidades, a proatividade, a busca pela excelência e o entusiasmo para oportunizar a constituição de identidades capazes de viver e conviver em um mundo complexo, imprevisível e marcado pela diversidade. Os princípios éticos apontam claramente para a constituição da identidade pautada pelo reconhecimento da singularidade dos sujeitos, pela honestidade e pela justiça como seus referenciais. É por meio da convivência e do diálogo que se dá a constituição da identidade. É no encontro com a singularidade do outro (e outros) que o sujeito reconhece sua própria identidade. Outra dimensão da construção da identidade se dá por meio da escolha. O exercício da escolha possibilita o aprendizado da responsabilidade, pois implica conviver com as consequências boas e más. A experiência da escolha possibilita ao sujeito fazer novas escolhas a partir 10

13 da análise do que já ocorreu. Dessa forma, constitui-se o sujeito autônomo. Os princípios políticos orientam para a igualdade e valorização da diversidade por meio do reconhecimento da importância do outro no mundo. A igualdade é vivenciada e alimentada pelo respeito, pela solidariedade, pela empatia, pela parceria e pelo diálogo, sendo esses valores e essas atitudes imprescindíveis à qualidade de vida. A igualdade é expressa na valorização do sujeito em todas as esferas da vida. No trabalho, a política da igualdade tende a desfazer a distância entre a dimensão criativa e executiva do trabalho. Pensar e fazer são dimensões indissociáveis e complementares no processo produtivo. Uma instituição que se propõe a oferecer formação profissional e empreendedora deve propiciar situações de aprendizagem nas quais o protagonismo do aluno e o trabalho de grupo sejam estratégias para a contextualização dos conteúdos curriculares. É oportunizar ao sujeito o desenvolvimento de competências compreendidas como a capacidade de mobilizar conhecimentos, informações e, até mesmo, hábitos, para aplicá-los, com capacidade de julgamento, em situações desafiadoras reais e concretas, individualmente e com sua equipe de trabalho. A EFG-BH compreende o sujeito como ser constituído por três dimensões. A primeira dimensão é o respeito à singularidade do aluno, que se expressa por meio do pensamento original e criativo. A segunda dimensão é a socialização, que compreende que o sujeito se desenvolve em comunhão com outros sujeitos. A terceira dimensão refere-se à liberdade e à responsabilidade pessoal, isso é, ao potencial de fazer as próprias escolhas. Essas são dimensões interdependentes que, em articulação, promovem a educação, que tem por finalidade emancipar o sujeito para se inserir na sociedade e transformá-la. FUNDAMENTO EPISTEMOLÓGICO A EFG-BH adota como fundamento epistemológico, isto é, como princípio educativo que orientará todas as suas ações pedagógicas, a Teoria Sociointeracionista. Um dos principais representantes dessa Concepção de Conhecimento foi Lev Semenovich Vygotsky, que é a de que o homem é um ser social e age sobre a natureza transformando-a. Isso significa que o homem só age para transformar a natureza a partir de referências sociais e culturais. Outras teorias 11

14 que complementam essa visão têm como seus representantes Jean Piaget, Henri Wallon, Humberto Maturana, Edgar Morin, César Coll entre outros. Nessa perspectiva, o homem constrói o conhecimento por meio da ação sobre os objetos e as ideias, sendo essa construção mediada por recursos que o constituem e o diferenciam: inicialmente, a linguagem, a observação; e, na medida em que se desenvolve biologicamente, as funções psicológicas superiores, como a consciência, o pensamento abstrato/imaginativo. O homem utiliza esses recursos para interagir com seus outros sujeitos e com o mundo, criando um arcabouço de conhecimentos, habilidades e atitudes que o caracterizarão como um ser singular em meio a outras singularidades. Considera-se, assim, que as pessoas sejam, ao mesmo tempo, sujeitos individuais e, como tais, possuem diferentes habilidades de aprendizagem, diferentes estratégias de tratamento da informação, como também sujeitos coletivos que vivenciam constantes processos de interações sociais e culturais. O ambiente de aprendizagem adequado e, naturalmente, a ação mediadora do professor, nessa perspectiva, é que poderão favorecer o processo de construção do conhecimento. (COSTA; PAIM, 2004, p. 21). Segundo Vygotsky e colaboradores, a linguagem ensejada pelas trocas sociais e, por sua vez, internalizada, dá origem ao pensamento. Essa afirmativa reitera, uma vez mais, a importância da interação para a aprendizagem, que é entendida como anterior ao desenvolvimento. Para Vygotsky, o que a pessoa já sabe pode ser compreendido como o estágio de desenvolvimento em que está, a Zona de Desenvolvimento Real (ZDR). Existe outro nível de desenvolvimento, chamado Zona de Desenvolvimento Potencial (ZDPo), em que o sujeito consegue desenvolver atividades com a ajuda de outros, mas ainda não com independência. A distância entre esses níveis de desenvolvimento é o espaço privilegiado de atuação da escola, chamado de Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP). As intervenções realizadas pela escola objetivam que o aluno alcance a próxima Zona de Desenvolvimento Real (ZDR) e, assim, sucessivamente. 12

15 Figura 1: Aprendizagem e Desenvolvimento Cada experiência de aprendizagem é única e tanto mais rica, profunda e significativa quanto for compartilhada com outros e, imprescindivelmente, quanto for aplicável. Portanto, é cabível afirmar que os sujeitos são individuais e coletivos em seu processo de aprendizagem. Considerando que o processo ensino aprendizagem seja voltado para o sujeito, a abordagem didática assumida pela EFG-BH oferece possibilidades para o desenvolvimento do aluno por meio de um planejamento diversificado do curso e de orientações para seus estudos, visando a uma abordagem que questione e explore os limites de aplicabilidade do novo conhecimento. Há outra perspectiva desse fundamento epistemológico que preconiza a relação dialógica entre o sujeito aprendente e o conhecimento. Essa relação se dá por meio da recursividade em que sujeito e objeto do conhecimento são produtores e produtos de múltiplas relações cognitivas em que é impossível distinguir, definitivamente, produtor e produto, pois o aluno é produtor do conhecimento, mas o conhecimento interfere no desenvolvimento do sujeito (sendo, nessa concepção, produtor do sujeito ). Assim, em um processo de aprendizagem, o sujeito não será o mesmo, e o conhecimento produzido será pessoal e intransferível. Esse fenômeno é conceituado por Maturana como Autopoiesis 1. 1 O termo Autopoiesis foi cunhado por Humberto Maturana e expressa a ideia de que o sujeito se produz por meio de suas interações, suas vivências e seu pensamento. 13

16 Figura 2: Recursividade na produção do conhecimento É importante destacar que a escola compreende a diferença entre informação e conhecimento no processo de aprendizagem. A informação é o conjunto de conteúdos com potencial para que o sujeito atribua sentido e dê um uso, extremamente volátil e constantemente atualizável. O conhecimento é a informação que age sobre o sujeito, transformando e ampliando sua forma de ver o mundo. O sujeito tem contato com a informação e, ao agir sobre ela, significando-a, produz o conhecimento. Compreende-se que o conhecimento é produzido pela articulação entre o formato intencional, isto é, por meio da educação formal, sendo caracterizado por ser processado, organizado, armazenado e acessível, e entre o formato tácito, que é o conhecimento construído por vivências individuais e coletivas. Para o sujeito da aprendizagem, o mundo da informação ao qual ele está exposto pode não significar conhecimento, e o papel da educação (escola) é o de fornecer condições para criação de ambientes significativos que favoreçam, efetivamente, o conhecimento e o desenvolvimento de novas habilidades cognitivas. (COSTA; PAIM, 2004, p. 20 Grifo nosso). Portanto, o Projeto Político-Pedagógico da EFG-BH está alinhado às novas formas de aprender, compreendendo o diálogo do sujeito com o conteúdo, com os objetivos, com a metodologia, permitindo-lhe a vivência de um percurso de aprendizagem que faça sentido em sua vida e que saliente sua singularidade em meio a outras individualidades: Figura 3: Como o sujeito aprende 14

17 COMPROMISSOS EDUCACIONAIS A EFG-BH se compromete com uma proposta de formação e prática pedagógica que: I. Fomente o desenvolvimento do comportamento empreendedor. II. Reconheça os sujeitos e suas diversidades, valorizando o exercício da autonomia e da responsabilidade de alunos e educadores. III. Promova a eficácia na educação em nível médio, nas modalidades Técnico em Administração e Ensino Médio com habilitação de Técnico em Administração, integrando saberes específicos para a produção do conhecimento e a intervenção social. IV. Integre a educação e as dimensões do trabalho, da ciência, da tecnologia e da cultura como base da proposta e do desenvolvimento curricular. V. Articule conteúdos gerais aos técnico-profissionais, sempre que possível, por meio da interdisciplinaridade. VI. Propicie o desenvolvimento da capacidade de análise crítica da realidade, de interação com o meio, para uma atuação transformadora. FINALIDADES E PERFIL DE FORMAÇÃO A escola, por meio de seus cursos, tem por finalidade o desenvolvimento de competências para enfrentar e superar os desafios da juventude e da vida em suas diversas dimensões (profissional, pessoal, social e familiar) e promover a formação do sujeito empreendedor, ético, consciente de sua responsabilidade social, capaz de: I. Pensar criticamente. II. Agir de maneira autônoma, interagindo com o meio e atuando proativa, participativa, inovadora e responsavelmente para a sua transformação. III. Mobilizar, articular e aplicar conhecimentos, habilidades, atitudes e valores pertinentes a uma boa prática de gestão. IV. Analisar o ambiente e perceber as ações a serem desencadeadas, como avaliação dos desdobramentos, tomada de decisões com responsabilidade, agindo, inclusive, corretivamente. 15

18 V. Trabalhar em equipe, respeitando e valorizando as diferenças individuais. VI. Comprometer-se com o trabalho. VII. Adaptar-se ao novo, possibilitando a revisão de atitudes/ações/posições. VIII. Articular as informações acerca dos fundamentos da administração e da economia, das tecnologias da informação e comunicação, do direito empresarial, das finanças corporativas, da gestão de pessoas, do marketing, da logística, da gestão estratégica e dos princípios da comunicação empresarial. IX. Consolidar e aprofundar os conhecimentos construídos na Educação Básica e possibilitar o prosseguimento dos estudos. X. Compreender fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática no ensino de cada Componente Curricular. O ENSINO MÉDIO COM HABILITAÇÃO PROFISSIONAL DE ENSINO TÉCNICO EM ADMINISTRAÇÃO Uma proposta para formar Cidadãos Empreendedores Situando o Ensino Médio como etapa final da Educação Básica, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LDBEN (Lei ), no artigo 22, atribui-lhe um importante valor no que diz respeito à preparação do sujeito para o mundo do trabalho quando aponta como finalidade dessa etapa a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando para continuar aprendendo, de modo que seja capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores (BRASIL, 1996, s.p). No que diz respeito à Educação Profissional, a LDBEN concebe a Educação Profissional como podendo ser desenvolvida de diferentes formas: em articulação com o Ensino Regular ou por diferentes estratégias de Educação Continuada. Segundo a LDBEN, a Educação Profissional, além de estar vinculada a diferentes formas de educação, integra-se ao trabalho, à ciência e à tecnologia, conduzindo o educando ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva. As disposições legais sobre o Ensino Médio deixam clara a importância da Educação Geral como meio de preparar para o trabalho e formar pessoas 16

19 capacitadas à sua inserção social cidadã, de se perceberem como sujeitos de intervenção do próprio processo histórico, atentos às transformações da sociedade, compreendendo os fenômenos sociais e científicos que permeiam o seu cotidiano, possibilitando, ainda, a continuação de seus estudos. Ao mesmo tempo, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional de Nível Técnico pregam a importância da configuração de uma relação intercomplementar entre o Ensino Médio e o Ensino Técnico, propondo uma região comum, uma comunhão de finalidades, uma ação planejada e combinada entre o Ensino Médio e o Ensino Técnico. É justamente tendo em vista a importância de garantir ao aluno que cursa a última etapa da Educação Básica, o acesso a uma educação de qualidade que ofereça sólidos insumos para o desenvolvimento da autonomia intelectual e construção de pensamento crítico, além de assegurar seu acesso e compreensão acerca dos fundamentos científicos e tecnológicos dos processos de produção, que a EFG-BH concebeu a sua proposta de Ensino Médio com Habilitação de Técnico em Administração. A formatação dessa modalidade de ensino se faz a partir da oferta do Ensino Médio, com todas as garantias da Educação Geral a que faz menção a LDBEN, em concomitância com o Ensino Técnico em Administração. Nessa perspectiva, a EFG- BH procura configurar uma proposta de educação que se utilize da apropriação de saberes científicos e técnicos, em favor da promoção do desenvolvimento, em nossos alunos, de competências e habilidades fundamentais à sua vivência no mundo social adulto, do qual o trabalho é uma realidade. Assim sendo, a EFG-BH, baseada e estruturada na atual legislação, propõe um formato de Ensino Médio concomitante com o Ensino Técnico em Administração que garanta: 17

20 A EFG-BH organiza seu currículo de forma a atender os diferentes anseios dos seus jovens educandos. Por meio de uma estrutura curricular viva, que promove a integração de conhecimentos gerais aos técnico-profissionais, numa perspectiva interdisciplinar, o aluno encontrará meios e instrumentos para construir e desenvolver conhecimentos, habilidades, atitudes e valores fundamentais ao reconhecer suas potencialidades e vislumbre de possibilidades e caminhos para uma atuação transformadora na sociedade. Segundo consta nas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, conforme a Resolução CNE/CEB nº 02/2012, 1º O trabalho é conceituado na sua perspectiva ontológica de transformação da natureza, como realização inerente ao ser humano e como mediação no processo de produção da sua existência. 2º A ciência é conceituada como o conjunto de conhecimentos sistematizados, produzidos socialmente ao longo da história, na busca da compreensão e transformação da natureza e da sociedade. 3º A tecnologia é conceituada como a transformação da ciência em força produtiva ou mediação do conhecimento científico e a produção, marcada, desde sua origem, pelas relações sociais que a levaram a ser produzida. 4º A cultura é conceituada como o processo de produção de expressões materiais, símbolos, representações e significados que correspondem a valores éticos, políticos e estéticos que orientam as normas de conduta de uma sociedade. (CNE, 2012, s.p.) A integração da educação e das dimensões do trabalho, da ciência, da tecnologia e da cultura como base da proposta e do desenvolvimento curricular favorece o desenvolvimento do comportamento empreendedor. A EFG-BH acredita no potencial dessa base como condutora do educando em seu caminho de realização, desenvolvimento e gestão profissional e pessoal, assegurando-lhe os meios para o alcance de uma vida feliz e plena. 18

21 A proposta de um modelo que possibilite o desenvolvimento de competências empreendedoras está necessariamente voltada para a fundamental necessidade de contribuir para o desenvolvimento de sujeitos ativos, proativos, críticos, criativos, responsáveis e responsivos, que queiram construir um mundo melhor para si e para o outro e que sejam capazes de reunir recursos e capacidades para esse fim. A modalidade do Ensino Médio traz consigo uma gama de conhecimentos científicos que, se devidamente problematizados e construídos em constante diálogo com a realidade, tornam-se instrumentos de transformação social. Por meio da constituição das competências básicas contempladas nas áreas de Ciências da Natureza, Ciências Humanas, Matemática e Linguagens, os alunos têm a possibilidade de utilizar o conhecimento para ler o mundo e transformar o seu entorno. O Ensino Técnico em Administração, por outro lado, por meio da construção do conhecimento acerca da Gestão e dos processos e das áreas que a compõem (Gestão de Pessoas, Logística e Produção, Marketing, Finanças, Gestão Estratégica, Direito, etc.), possibilita a construção de um olhar diferenciado e refinado sobre o mundo, sobre o mercado, sobre a organização, sobre os processos de produção. Adiante, quando todos esses conhecimentos se articulam entre si e têm o foco de seu trabalho voltado para o desenvolvimento de um comportamento empreendedor, tanto na dimensão pessoal quanto profissional, social e cultural, o que ocorre é a intensificação do potencial formador e transformador do indivíduo por meio da educação. As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional chancelam essa percepção no momento em que discorrem sobre o natural movimento de aproximação entre as dimensões pessoal, profissional, cultural e social, que ocorre quando algumas competências básicas da vida em sociedade passam a ser valorizadas no mercado de trabalho e quando as práticas sociais cotidianas passam a dialogar diretamente com as informações e os conteúdos tecnológicos. Segundo consta no documento, é exatamente nessa aproximação que a articulação entre as modalidades de Ensino Médio e Técnico encontra sentido. Ninguém mais do que a própria comunidade escolar conhece a sua realidade e, portanto, esta é a mais habilitada a apresentar insumos e tomar decisões acerca de nossa prática pedagógica. Nesse sentido, a EFG-BH propõe a constante 19

22 discussão de seu currículo, repensando-o a cada oportunidade ou necessidade e buscando sempre inovar, por meio de metodologias modernas chanceladas por estudos atuais e recentes. A tônica de nossa proposta pedagógica no Curso Técnico em Administração concomitante com o Ensino Médio é a criação de um ambiente educacional real e interativo, por meio de uma metodologia de projetos integradora que promova a articulação entre áreas, conhecimentos, informações e, sobretudo, entre os sujeitos e o meio onde se encontram. Por meio da criação de situações que possibilitem a visualização do que traz a teoria em uma dimensão real, o aluno constrói o conhecimento. É por meio do desenvolvimento e da participação do aluno em projetos institucionais e atividades significativas, como visitas técnicas, rodas de conversa, games, desafios, feiras de conhecimento, exposições, dentre outras modalidades, que é possível ao aluno experimentar, elaborar e ressignificar o que aprende, o que constitui um formato ativo e construtivo de aprendizagem. Para desenvolver sua autonomia, seu senso de responsabilidade e sua postura crítica, o sujeito necessita experimentar, viver, socializar, fazer escolhas, solucionar problemas e criar as próprias oportunidades. Necessita ser capaz de analisar cenários e identificar pontos de melhoria e transformação. É por meio de uma metodologia de projetos que conecta conhecimento à realidade que acreditamos ser possível oferecer esses insumos, fomentando em nossos jovens o comportamento empreendedor. Em suma, a prática pedagógica adotada pela EFG- BH: I. Sustenta-se no binômio teoria x prática. II. Valoriza a leitura e todas as outras formas de comunicação em todos os campos do saber. III. Acredita nas mídias e tecnologias educacionais como instrumentos de dinamização do processo de aprendizagem. A aprendizagem só ocorre efetivamente quando o aprendiz interage com o objeto de conhecimento, estabelecendo relações, e encontra significado. É partindo dessa crença que propomos a construção do conhecimento a partir da interação do indivíduo com o meio e com seus pares, seja a partir de vivências reais, a partir da criação de atividades e espaços colaborativos, seja com a problematização de situações e da conexão com dados e informações reais. 20

23 Parte Diversificada Parte Comum ORGANIZAÇÃO CURRICULAR ENSINO MÉDIO A organização curricular do Ensino Médio tem uma base nacional comum e uma parte diversificada que não se constituem em blocos distintos, mas um todo integrado, embasado pela LDBEN 9394/96, o Parecer CNE/CEB 15/98 e a Resolução CNE/CEB nº 02/2012. O currículo é organizado em áreas de conhecimento, a saber: Áreas Linguagens Matemática Ciências da Natureza Ciências Humanas Língua Portuguesa Matemática Química Filosofia Física Sociologia Arte Biologia História Educação Física Geografia Tecnologias aplicadas aos Negócios Produção Textual Inglês Espanhol Educação Financeira Matemática Financeira Desenvolvimento Humano A organização do currículo por áreas do conhecimento possibilita maior integração dos componentes curriculares, principalmente mediante o estabelecimento dos eixos temáticos, o que implica fortalecimento das relações entre eles e a sua contextualização para apreensão e intervenção na realidade, requerendo planejamento e execução conjugados e cooperativos dos professores. Na EFG-BH, o Ensino Médio regular tem duração mínima de três anos, com carga horária mínima de 2,9 mil horas, tendo como referência uma carga horária anual de 800 horas, distribuídas em, pelo menos, 200 dias de efetivo trabalho escolar. ENSINO TÉCNICO EM ADMINISTRAÇÃO No Ensino Técnico, a organização curricular está calcada no Ensino da Gestão e baseado no Parecer CNE/CEB nº 16/99 e Resolução CNE/CEB nº 15/98. A matriz curricular foi construída de maneira a possibilitar, por meio do estudo das 21

24 Componentes Curriculares áreas e dos processos administrativos, uma visão Sistêmica da Gestão. Em termos gerais, temos quatro eixos pelos quais os componentes curriculares foram construídos, estabelecendo um encadeamento lógico, tanto no que diz respeito à progressão e complexidade do conhecimento, quanto no que diz respeito à segmentação dos processos de Gestão: Áreas Pessoas Finanças Produção Marketing Gestão de Pessoas Contabilidade Geral e Gestão Logística Gestão de Finanças Marketing Cultura Gestão Financeira Organizacional Direito Fundamentos da Administração Gestão Estratégica Economia Educação Financeira O grande diferencial, contudo, encontra-se naquilo que se constitui na Espinha Dorsal do Curso Técnico: os Projetos Estruturantes. Como mecanismo de conexão de toda a teoria administrativa à realidade, de maneira a constituir para o nosso jovem efetivo significado, a proposta pedagógica da EFG se sustenta em uma sequência de projetos cuidadosamente pensada, de modo a levar o aluno a compreender e vivenciar a Gestão Empresarial e atuar na realidade das organizações e do mundo corporativo. PROJETO TUTORIA O Projeto Tutoria, projeto estruturante do 1º ano, tem como principal objetivo apresentar ao aluno o mundo empresarial para que, por meio das próprias observações, ele possa construir os próprios significados acerca da administração e do empreendedorismo. O projeto acontece por meio de encontros programados entre alunos e empresários, entrevistas, visitas técnicas, palestras e atividades interdisciplinares que o conduzirão a uma reflexão sobre a vida empresarial, oferecendo oportunidade de identificar as características do empreendedor. Organizados em equipes, os alunos selecionam um empresário ou profissional Tutor, isto é, aquele que abrirá as portas de sua empresa e que os conduzirá nesse primeiro contato com o mundo dos negócios, guiando-lhes o olhar sobre os processos da gestão e sobre as rotinas de uma empresa. 22

25 Os empresários que aceitam os convites são designados Tutores e são convidados para participar de um evento de abertura, o Café Empresarial, evento que tem como principal objetivo apresentar o projeto para os Empresários Tutores, esclarecendo sobre o seu importante papel na formação dos alunos e estabelecendo um primeiro contato dos grupos com seus Tutores para que haja um estreitamento de laços. Durante o Café Empresarial, são agendadas as visitas à empresa, as quais se sucedem de maneira guiada pelo professor orientador do projeto, com o subsídio dos demais componentes curriculares. A cada visita, o aluno colhe, a partir da observação e análise in loco, dados e informações importantes sobre a empresa, sua rotina e suas peculiaridades e produz, progressivamente, um relatório técnico. A culminância do projeto se dá na forma da Feira Empresas de Minas, evento aberto ao público e organizado pelos próprios alunos com o auxílio do professor, no qual acontece, além da exposição de estandes e espaços das Empresas Tutoras, a socialização das práticas vividas pelos alunos. CONHECENDO A DINÂMICA DO PROJETO TUTORIA PROJETO EMPRESA SIMULADA Acontecendo no 2º ano, o Empresa Simulada é um projeto de treinamento que propõe ao aluno vivenciar o mundo empresarial e todos os seus desafios em um ambiente simulado de empresas, que busca reproduzir, da maneira mais fidedigna 23

26 possível, o contexto, os desafios e a dinâmica do mundo real. A ideia é que o aluno crie uma Empresa Virtual ou receba uma já em funcionamento para que dê continuidade. Da fase da concepção e definição do segmento de atuação até a fase do direcionamento estratégico e organizacional da empresa e dos setores, passando pela operacionalização, os alunos participam ativamente do processo, sendo mediados por um professor orientador que guiará o olhar e mediará as relações e o processo de aprendizado. Passando por todas as áreas da empresa, o funcionário da Empresa Simulada tem a oportunidade de experimentar todos os processos e as rotinas administrativas de uma empresa, em interface com uma rede simulada de mercado composta por cerca de 5 mil empresas virtuais em mais de 44 países espalhados por todo o mundo. Esse mercado é composto por pessoas físicas (alunos, professores) e jurídicas (clientes, fornecedores, instituições governamentais e bancárias). As Empresas Simuladas funcionam como uma empresa real, e seus funcionários cuidam de toda a rotina administrativa contas a pagar e a receber, depósitos, ações de marketing e vendas dentre outras. Vale ressaltar que tanto o produto quanto as vendas respeitam o caráter simulado do projeto, acontecendo de maneira virtual. Além das vendas virtuais, periodicamente, acontecem feiras e rodadas presenciais de negócio entre as Empresas Simuladas, eventos nos quais as empresas comercializam seus produtos entre si e com o público de Pessoas Físicas convidado. CONHECENDO A DINÂMICA DA EMPRESA SIMULADA 24

27 As ações das Empresas Simuladas brasileiras são coordenadas pelo Centro Brasileiro de Empresas Simuladas Cesbrasil, circunscrito no SEBRAE Minas. Em 1998, tornou-se associado do Europen (Word Wide Practice Firm Network), entidade responsável pelas empresas de todo o mundo, com sede em Essen, na Alemanha. PROJETO VITRINE Vitrine é o nome do terceiro Projeto Estruturante do Ensino Técnico. O grande desafio proposto por esse projeto é o de conceber uma ideia de negócio, desenvolvê-la e planejá-la, de maneira a possibilitar a sua implementação. Para isso, é realizado um estudo minucioso, que conta com a elaboração de um Modelo ou Plano de Negócio. O início desse projeto se dá no segundo ano, por meio do Componente Curricular Introdução ao Projeto Vitrine, e sua culminância acontece no terceiro ano, quando o aluno terá a oportunidade de ter um orientador para norteá-lo no desenvolvimento do trabalho. A ideia inicial de negócio é definida pelo aluno, com o apoio de metodologias que favoreçam a geração de ideias por meio de discussões e debates em grupos. Nesse momento, cabe ao professor mediar e aquecer o debate em torno das ideias de maneira ética e democrática, guiando o olhar do aluno sob os preceitos da responsabilidade social e ambiental e da cidadania. O aluno, portanto, encontra autonomia para conceber a própria ideia, a partir de suas percepções, aspirações, aspectos pessoal e visão de mundo. Como eixo para a concepção e o desenvolvimento do negócio, encontra-se não somente a sua viabilidade econômico-financeira e de mercado, mas sua relevância social e moral e seu impacto na comunidade. 25

28 CONHECENDO A DINÂMICA DO PROJETO VITRINE Dentre outras, as competências que o aluno tem a oportunidade de desenvolver por meio do projeto são: ampliação da visão de mundo e da rede de contatos, autoconhecimento, autonomia, imaginação, ousadia, determinação, laborabilidade, autoestima, liderança. Uma vez definidos como o grande elo entre os componentes curriculares do Ensino Técnico, os Projetos Estruturantes representam a interface que possibilita o diálogo entre eles, consistindo em um mecanismo interdisciplinar pelo qual acontece, inclusive, a identificação de outros projetos e atividades institucionais que envolvem um ou mais componentes curriculares. Isso é o que dinamiza o nosso currículo, permitindo que seja um currículo ativo e em movimento. O Curso Técnico é composto, portanto, por 17 componentes curriculares (que incluem os Projetos Estruturantes), totalizando 1.193:20 horas divididas nos três anos que correm de maneira concomitante ao Ensino Médio. 26

29 Figura 4: Currículo em movimento TECNOLOGIAS PROJETOS PESQUISAS RODAS DE CONVERSA A PROPOSTA O RESULTADO Conexão entre teoria e prática Convivência, Socialização, ambientes colaborativos Vivência, experimentação, problematização Educação Empreendedora de qualidade, focada no desenvolvimento de competências fundamentais a uma formação pessoal e profissional bem sucedida. VISITAS TÉCNICAS PALESTRAS JOGOS TRILHA DE APRENDIZAGEM Dando forma à prática humanizadora que nos propusemos a adotar em nossa missão, a EFG promove o Projeto de Trilha de Aprendizagem. Trata-se de uma iniciativa que, integrada aos demais Componentes Curriculares e aos demais projetos do Ensino Médio e do Ensino Técnico, permite ao aluno que conduza seu desenvolvimento nas esferas social, familiar, profissional e intelectual, tendo como base o viés da formação humana. 27

30 O projeto se organiza da seguinte forma:? 1º ANO - IDENTIDADE 2º ANO LEITURA DE CENÁRIO 3º ANO - AÇÃO ETAPA 1 - IDENTIDADE: No 1º ano, momento de ingresso do aluno em uma Escola de Educação Empreendedora, quando de seus primeiros contatos com a área da Gestão, seu ingresso na adolescência e sua preparação para a vida adulta, compreende-se a necessidade do resgate de suas raízes, de sua história, de modo a levá-lo à descoberta de seus valores. A proposta é propiciar ao aluno uma imersão em si e em seu universo a fim de alcançar o autoconhecimento, ao passo que ele experimenta sua estreia em um universo repleto de novidades, tanto no contexto escolar quanto no contexto social e pessoal. Nessa etapa, acontece o projeto Memórias de Família, no qual o aluno é convidado a mergulhar na história de sua família, resgatando valores, estreitando laços, aproximando-se de si e de suas referências. O aluno é convidado a apresentar o seu núcleo para seus colegas e outros familiares, compartilhando um pouco de sua essência com seus pares, trabalhando aspectos como autoestima, reforço de valores e princípios. ETAPA 2 LEITURA DE CENÁRIO: Na segunda etapa do projeto, que acontece no 2º ano, o aluno, munido de uma autoimagem mais desenvolvida e assertiva, é convidado a fazer a leitura dos ambientes e cenários à sua volta, a descentralizar o olhar de si e direcioná-lo para o outro e para o entorno. A ideia, 28

31 nesse caso, é sensibilizá-lo e desafiá-lo a realizar leituras de cenário, por meio do refinamento de seu senso crítico, de sua capacidade de análise, levando-o a identificar fraquezas, ameaças, forças e oportunidades em seu contexto e no contexto geral. Trata-se de uma verdadeira análise swot do espaço físico e social no qual está inserido. O estreitamento do aluno com seus pares, a melhor apropriação das estruturas sociais, o aprimoramento de suas habilidades sócio-emocionais são algumas das características que o aluno terá a oportunidade de exercitar nesse período, fortalecendo-se em seus papéis sociais (como estudante, filho, amigo etc.) e otimizando seu aprendizado nos outros projetos das diversas áreas do conhecimento. ETAPA 3 AÇÃO: A terceira e última etapa dessa trilha de desenvolvimento tem foco prático. Nessa fase, o aluno já se conhece e já é capaz de ler o mundo à sua volta. A proposta aqui é, portanto, que ele conjugue todas as competências e os valores adquiridos ao longo de sua trajetória, posicionando-se de maneira ainda mais construtiva em seu processo de aprendizagem e na vida. Como? Ora, com o conhecimento acerca de si, de suas aspirações, suas limitações, seus desejos, suas possibilidades e potenciais e com o conhecimento de mundo (e, nesse caso, vale destacar o Universo Empreendedor dos Negócios), ele será desafiado a identificar, em seu contexto, oportunidades para produzir e construir um projeto bem-sucedido para sua vida adulta, nos aspectos profissional, pessoal, social, político, familiar. Nessa perspectiva, o mote é: Que legado quero construir?. O grande propósito dessa etapa é auxiliar o aluno a refletir sobre suas escolhas profissionais e pessoais, auxiliando-o a traçar um plano de desenvolvimento (pessoal e de carreira), o que se constitui no primeiro passo rumo à sua vida. É importante frisar que, nessa mesma etapa, o aluno estará em fase de produção do Plano de Negócios relativo à sua ideia (conforme disposto no item 3 Projeto Vitrine), o que converge inteiramente com a proposta construtiva do projeto de desenvolvimento humano. 29

32 Fazendo uma analogia entre o percurso educacional do aluno e uma trilha repleta de desafios e obstáculos, podemos dizer que nossos alunos são exploradores que, caminhando, são autores da própria trajetória, o que faz de cada experiência algo ímpar, único, pois os instrumentos, os recursos, as ferramentas, os atalhos a serem utilizados e os desafios a serem transpostos assim o serão, tendo em vista as suas necessidades individuais. Como escola, nosso papel é o de possibilitar que o aluno percorra essa trilha, elegendo os momentos adequados para o descanso, para o avanço, para as tomadas de decisão, para os desvios de rota e para o traçado de planos. Estaremos sempre prontos a atendê-lo e auxiliá-lo, a nos reinventar para que ele se reinvente e a guiá-lo no alcance de seus objetivos, sempre fundamentados em valores e em uma conduta moral baseada em bons princípios. ABORDAGEM DIDÁTICA E PROCESSO AVALIATIVO Considerando os fundamentos filosóficos, políticos e educativos enunciados, compreende-se que a organização curricular e a prática pedagógica da EFG-BH são orientadas pela articulação da teoria com a prática. Essa afirmação é confirmada nos pareceres CNE/CEB Nº 15/98 e CNE/CEB Nº 16/99, que tratam, respectivamente, das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio e das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional de Nível Técnico e que esclarecem quanto à responsabilidade das instituições escolares de revisar o currículo e elaborar orientações didáticas, em colaboração com o corpo docente, que promovam maior capacidade de raciocínio, autonomia intelectual, pensamento crítico, iniciativa própria e espírito empreendedor, bem como capacidade de visualização e resolução de problemas (CNE/CEB, 1999, p. 14). A EFG-BH reconhece a necessidade de elucidar a abordagem didática adotada alinhada ao perfil de formação do egresso. Compreende-se que as atividades requeridas ao Egresso integram a dimensão criativa e executiva do trabalho (CNE/CEB, 1999, p. 21). Por outro lado, a EFG-BH declara o compromisso com o desenvolvimento do comportamento empreendedor. Essas premissas orientam que o planejamento da prática pedagógica deva se pautar pela contextualização e aplicação dos conteúdos pelo aluno, ensejando a vivência da responsabilidade e autonomia. 30

33 Portanto, a escola dará preferência a situações didáticas que permitam a aplicação dos conhecimentos. Algumas estratégias que poderão ser utilizadas: 1. Situação problematizadora 2. Brainstorming 3. Pesquisa 4. Jogo de empresa 5. Entrevista 6. Seminário de Estudo 7. Grupo de Verbalização e Grupo de Observação GVGO 8. Visita técnica 9. Projeto 10. Simulação 11. Oficina 12. Estudo de Caso 13. Exposição dialogada. Existem outras estratégias didáticas possíveis nessa concepção educativa. Portanto, o professor da EFG-BH é o responsável por construir um planejamento flexível que possibilite atualização e incorporação de inovações, correção de rumos, adaptação às mudanças (CNE/CEB, 1999, p. 26) tão características do processo educativo. O professor, sobretudo, deve desenvolver continuamente o comportamento empreendedor, antecipando-se às necessidades da turma, identificando preferências e oportunidades para qualificar a formação profissional do aluno. É importante destacar que os componentes curriculares serão trabalhados de forma integrada. Portanto, os produtos que evidenciam a aprendizagem dos alunos devem ser planejados e avaliados de forma conjunta. Por exemplo, no Componente Curricular Empresa Simulada, um desafio que seja resolvido pelos alunos pode ser objeto de avaliação de outros Componentes Curriculares. A avaliação é uma das dimensões do processo de aprendizagem, havendo estreita relação entre os processos de ensinar, aprender e avaliar. O processo de avaliação se apoia na perspectiva de acompanhamento do processo de aprendizagem, buscando identificar o que o aluno já sabe nas várias etapas, visando encaminhar o ensino da maneira mais adequada. O verdadeiro papel da avaliação é impulsionar a aprendizagem, fornecendo ao professor informações para que este 31

34 possa dar os encaminhamentos necessários ao processo e ao aluno, para que ele possa progredir em direção à autogestão da aprendizagem, mostrando-lhe o estágio em que se encontra e o caminho a seguir. Dessa forma, opõe-se ao modelo classificatório de transmitir verificar atribuir conceitos, dando lugar à ação, ao movimento, à provocação na tentativa de reciprocidade intelectual entre os sujeitos da ação educativa. Nessa ótica, professores e alunos buscam coordenar seus pontos de vista, trocando ideias, discutindo-as, reorganizando-as. O processo avaliativo não tem a finalidade de estabelecer conceitos de aprovação nem reprovação. Sua finalidade é verificar o nível de aprendizagem e a validade do processo. Como a aprendizagem nunca é linear, ela acontece por ensaios, tentativas e erros, hipóteses, recuos e avanços. O aluno aprende melhor se obtiver as respostas para suas dúvidas de diversas formas: identificação de erros, sugestões e contrassugestões, explicações complementares, revisão de noções básicas. Essa prática é parte integrante do processo educativo e garante a interação dos elementos nela envolvidos. Por meio do desenvolvimento do espírito de autocrítica responsável e, consequentemente, da autoavaliação contínua, o educador acompanha o que foi feito e identifica o que falta fazer em relação ao processo. Para tanto, o processo deve ser proposto e não imposto, com a participação conjunta de professores e alunos, de forma direta ou indireta, conforme o caso. Os pressupostos básicos do processo de avaliação na EFG-BH: 1. a avaliação é um instrumento que possibilita a identificação dos diferentes níveis de construção de competência do aluno e o nível de eficiência do processo de aprendizagem; 2. a avaliação identifica as necessidades dos alunos e deve ser contínua; 3. a avaliação envolve responsabilidade do professor e do aluno; 4. a avaliação possibilita o acompanhamento efetivo do processo de construção do conhecimento, fazendo as retomadas necessárias; 5. a avaliação registra as manifestações significativas dos alunos como recurso de reflexão sobre a prática escolar; 6. para se avaliar com responsabilidade, é necessário estabelecer critérios, 32

35 indicadores, estratégias e instrumentos válidos. 7. a avaliação deverá acontecer de forma integrada, isto é, os componentes curriculares deverão unificar os instrumentos de avaliação, observando a articulação teoria/prática. Desta maneira, avaliação da aprendizagem deve ser orientada para o desenvolvimento de conhecimentos, habilidades e valores, através de problemas e situações contextualizadas com caráter diagnóstico e formativo, sendo parte do processo ensino-aprendizagem e que deve incidir sobre todos os envolvidos. A partir de instrumentos avaliativos, previamente planejados e diversificados, verificar-se-á o nível de aprendizagem dos alunos e o desempenho da prática pedagógica do professor como subsídios para novas estratégias didáticas. Para fins de avaliação e registro de resultados, o ano letivo é dividido em 3 (três) etapas com a seguinte distribuição de pontos: a) 1ª etapa valor: 30 pontos média para aprovação de 21 pontos. b) 2ª etapa valor: 30 pontos média para aprovação de 21 pontos. c) 3ª etapa valor: 40 pontos média para aprovação de 28 pontos. Ao final de cada etapa letiva o aluno deverá alcançar o mínimo de 70% (setenta por cento) dos pontos distribuídos. Caso o aluno não alcance a média, a escola oferecerá oportunidades para a recuperação de conhecimentos. A recuperação é compreendida como parte do processo ensino-aprendizagem e deve acontecer ao longo do ano letivo. A escola oferecerá oportunidades de recuperação paralela em todos os componentes curriculares de forma diversificada. Ao final de cada etapa letiva, o aluno que não obtiver o mínimo de 70% dos pontos avaliados, terá o direito à RECUPERAÇÃO DE ETAPA em no máximo 6 (seis) componentes curriculares: I. a recuperação de etapa será composta por dois instrumentos avaliativos: um Plano de Estudos Autônomos, contendo exercícios e atividades de pesquisa para orientá-lo, e uma prova a ser aplicada em data e horário estabelecidos no Calendário Escolar; II. a pontuação distribuída na Recuperação de Etapa é a mesma da etapa correspondente. A nota será recuperada caso o aluno obtenha 70% da pontuação distribuída ou mais; 33

36 III. após a recuperação, vigorará a maior nota obtida pelo aluno, limitando-se à média estabelecida para a etapa (70%). Além da Recuperação de Etapa, haverá a RECUPERAÇÃO FINAL para aqueles alunos que não obtiverem, no mínimo, 70% do total de pontos distribuídos ao longo do ano letivo. A recuperação final terá valor de 100 (cem) pontos e será realizada após o término do ano letivo. Ao término do ano letivo, será considerado aprovado o aluno com frequência mínima de 75% (setenta e cinco por cento), conforme estabelecido na LDBEN nº 9.394/96 e obtiver aproveitamento igual ou superior a 70% (setenta por cento) no somatório das etapas letivas ou na Recuperação Final, em cada componente curricular. Será considerado reprovado no ano letivo, quanto ao rendimento escolar, o aluno que obtiver aproveitamento inferior a 70% (setenta por cento) no somatório das etapas letivas ou na Recuperação Final. Toda a normatização do sistema de avaliação, da recuperação e aprovação/reprovação dos alunos está prevista no Regimento Escolar CONSELHO DE CLASSE O Conselho de Classe é um órgão de natureza consultiva e deliberativa em assuntos didático-pedagógicos, fundamentado no Projeto Político-Pedagógico da escola e o Regimento Escolar. Ao término de cada etapa letiva, realiza-se um Conselho de Classe de natureza consultiva, com a finalidade de analisar as ações educacionais, indicando alternativas que garantam a efetividade do processo ensino/aprendizagem. Ao término do ano letivo, realiza-se um Conselho de Classe Final de natureza deliberativa, com a finalidade de analisar a trajetória escolar do aluno e decidir sobre a aprovação/reprovação do aluno. O Conselho de Classe tem como principal atribuição avaliar a eficácia do processo educativo, possibilitando: I. o oferecimento de dados para que o Núcleo Pedagógico possa contribuir para a qualificação das atividades realizadas, orientando a reflexão do professor sobre a própria prática; 34

37 II. o estabelecimento de estratégias, pelo Núcleo de Psicologia Educacional, para o pleno aproveitamento do aluno; III. a descrição e análise do perfil das turmas e do desempenho escolar de cada aluno; IV. a orientação do professor, pelo Núcleo Pedagógico, para o planejamento de diferentes instrumentos avaliativos; V. a criação de condições para assistência aos alunos com necessidades educativas especiais. Toda a normatização referente ao Conselho de Classe está prevista no Regimento Escolar APROVEITAMENTO DE ESTUDOS, CLASSIFICAÇÃO E RECLASSIFICAÇÃO Toda a normatização referente ao aproveitamento de estudos, classificação e reclassificação está prevista no Regimento Escolar CURSO TÉCNICO EM ADMINISTRAÇÃO CONCOMITANTE E/OU SUBSEQUENTE AO ENSINO MÉDIO PERÍODO NOTURNO O Curso Técnico em Administração foi idealizado em consonância com as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional de Nível Técnico, explicitadas no Parecer CNE/CEB Nº 16/99 e elaboradas pela Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Ministério da Educação). Sua matriz curricular está estruturada para propiciar o desenvolvimento das competências pretendidas, dentro da perspectiva do desenvolvimento do comportamento empreendedor. O curso adota o regime modular e está organizado em dois módulos sequenciais e interdependentes, tendo como eixo orientador e integralizador dos componentes curriculares a Empresa Simulada. Esse é um dos componentes curriculares que compõem a matriz curricular, que tem por objetivo propiciar ao aluno a vivência de ações de planejamento, avaliação e gerenciamento. O aluno tem a oportunidade de aplicar os conhecimentos construídos em cada componente curricular estudado: 35

38 A lógica dessa estrutura curricular é que cada componente do currículo forneça os conteúdos necessários para o desenvolvimento do projeto no momento estabelecido em seu planejamento. Dessa forma, a EFG propõe que não haja dissociação entre teoria e prática, pois os alunos atribuem significado real aos conteúdos quando percebem sua aplicabilidade. O eixo central da proposta pedagógica do curso, como já foi dito, é o Componente Curricular Empresa Simulada. A Empresa Simulada é uma metodologia exclusiva do SEBRAE Minas que propõe a prática do cotidiano de uma empresa em determinado mercado. Ela propicia ao aluno fazer o planejamento da abertura de um negócio e vivenciar sua operação, devendo sobreviver e dar lucro, comprando e vendendo nesse contexto. Com a atuação em uma empresa simulada os treinandos experimentam, pessoalmente, as consequências de suas próprias escolhas gerenciais, o que amplia e aprofunda a sua consciência sobre as exigências atuais e, ao mesmo tempo, permite a internalização do aprendizado, de modo a poder aplicá-lo na prática. Os princípios norteadores para a atuação dos alunos nas Empresas Simuladas visam a aprendizagem do aprender fazendo. Todos os alunos participam, sempre que possível, de todas as áreas da empresa; Integração de alunos e professores com a profissionalização; Formação de gerentes e empreendedores. (SEBRAE Minas, 2013, p. 03) Nessa lógica, os componentes curriculares desenvolverão os conteúdos estruturantes para que o educando possa aplicá-los em cada etapa da Empresa Simulada, possibilitando a articulação entre teoria e prática. Os conteúdos de cada 36

39 componente curricular têm sua relevância no processo de aprendizagem, mas deixam de ser o centro gerador da estrutura curricular. Eles se tornam insumos por meio dos quais os alunos desenvolverão as competências profissionais do Técnico em Administração, visando ao Perfil de Conclusão. ABORDAGEM DIDÁTICA E PROCESSO AVALIATIVO Considerando os fundamentos filosóficos, políticos e educativos enunciados, compreende-se que a organização curricular e a prática pedagógica da EFG-BH são orientadas pela articulação da teoria com a prática. Essa afirmação é confirmada nos pareceres CNE/CEB Nº 15/98 e CNE/CEB Nº 16/99, que tratam, respectivamente, das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio e das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional de Nível Técnico e que esclarecem quanto à responsabilidade das instituições escolares de revisar o currículo e elaborar orientações didáticas, em colaboração com o corpo docente, que promovam maior capacidade de raciocínio, autonomia intelectual, pensamento crítico, iniciativa própria e espírito empreendedor, bem como capacidade de visualização e resolução de problemas (CNE/CEB, 1999, p. 14). A EFG-BH reconhece a necessidade de elucidar a abordagem didática adotada alinhada ao perfil de formação do egresso. Compreende-se que as atividades requeridas ao Egresso integram a dimensão criativa e executiva do trabalho (CNE/CEB, 1999, p. 21). Por outro lado, a EFG-BH declara o compromisso com o desenvolvimento do comportamento empreendedor. Essas premissas 37

40 orientam que o planejamento da prática pedagógica deva se pautar pela contextualização e aplicação dos conteúdos pelo aluno, ensejando a vivência da responsabilidade e autonomia. Portanto, a escola dará preferência a situações didáticas que permitam a aplicação dos conhecimentos. Algumas estratégias que poderão ser utilizadas: 1. Situação problematizadora 2. Brainstorming 3. Pesquisa 4. Jogo de empresa 5. Entrevista 6. Seminário de Estudo 7. Grupo de Verbalização e Grupo de Observação GVGO 8. Visita técnica 9. Projeto 10. Simulação 11. Oficina 12. Estudo de Caso 13. Exposição dialogada. Existem outras estratégias didáticas possíveis nessa concepção educativa. Portanto, o professor da EFG-BH é o responsável por construir um planejamento flexível que possibilite atualização e incorporação de inovações, correção de rumos, adaptação às mudanças (CNE/CEB, 1999, p. 26) tão características do processo educativo. O professor, sobretudo, deve desenvolver continuamente o comportamento empreendedor, antecipando-se às necessidades da turma, identificando preferências e oportunidades para qualificar a formação profissional do aluno. É importante destacar que os componentes curriculares serão trabalhados de forma integrada. Portanto, os produtos que evidenciam a aprendizagem dos alunos devem ser planejados e avaliados de forma conjunta. Por exemplo, no Componente Curricular Empresa Simulada, um desafio que seja resolvido pelos alunos pode ser objeto de avaliação de outros Componentes Curriculares. A avaliação é uma das dimensões do processo de aprendizagem, havendo estreita relação entre os processos de ensinar, aprender e avaliar. O processo de 38

41 avaliação se apoia na perspectiva de acompanhamento do processo de aprendizagem, buscando identificar o que o aluno já sabe nas várias etapas, visando encaminhar o ensino da maneira mais adequada. O verdadeiro papel da avaliação é impulsionar a aprendizagem, fornecendo ao professor informações para que este possa dar os encaminhamentos necessários ao processo e ao aluno, para que ele possa progredir em direção à autogestão da aprendizagem, mostrando-lhe o estágio em que se encontra e o caminho a seguir. Dessa forma, opõe-se ao modelo classificatório de transmitir verificar atribuir conceitos, dando lugar à ação, ao movimento, à provocação na tentativa de reciprocidade intelectual entre os sujeitos da ação educativa. Nessa ótica, professores e alunos buscam coordenar seus pontos de vista, trocando ideias, discutindo-as, reorganizando-as. O processo avaliativo não tem a finalidade de estabelecer conceitos de aprovação nem reprovação. Sua finalidade é verificar o nível de aprendizagem e a validade do processo. Como a aprendizagem nunca é linear, ela acontece por ensaios, tentativas e erros, hipóteses, recuos e avanços. O aluno aprende melhor se obtiver as respostas para suas dúvidas de diversas formas: identificação de erros, sugestões e contrassugestões, explicações complementares, revisão de noções básicas. Essa prática é parte integrante do processo educativo e garante a interação dos elementos nela envolvidos. Por meio do desenvolvimento do espírito de autocrítica responsável e, consequentemente, da autoavaliação contínua, o educador acompanha o que foi feito e identifica o que falta fazer em relação ao processo. Para tanto, o processo deve ser proposto e não imposto, com a participação conjunta de professores e alunos, de forma direta ou indireta, conforme o caso. Os pressupostos básicos do processo de avaliação na EFG-BH: 1. a avaliação é um instrumento que possibilita a identificação dos diferentes níveis de construção de competência do aluno e o nível de eficiência do processo de aprendizagem; 2. a avaliação identifica as necessidades dos alunos e deve ser contínua; 3. a avaliação envolve responsabilidade do professor e do aluno; 4. a avaliação possibilita o acompanhamento efetivo do processo de construção do conhecimento, fazendo as retomadas necessárias; 39

42 5. a avaliação registra as manifestações significativas dos alunos como recurso de reflexão sobre a prática escolar; 6. para se avaliar com responsabilidade, é necessário estabelecer critérios, indicadores, estratégias e instrumentos válidos. 7. a avaliação deverá acontecer de forma integrada, isto é, os componentes curriculares deverão unificar os instrumentos de avaliação, observando a articulação teoria/prática. Desta maneira, avaliação da aprendizagem deve ser orientada para o desenvolvimento de conhecimentos, habilidades e valores, através de problemas e situações contextualizadas com caráter diagnóstico e formativo, sendo parte do processo ensino-aprendizagem e que deve incidir sobre todos os envolvidos. A partir de instrumentos avaliativos, previamente planejados e diversificados, verificar-se-á o nível de aprendizagem dos alunos e o desempenho da prática pedagógica do professor como subsídios para novas estratégias didáticas. Para fins de avaliação e registro de resultados, o aluno será avaliado em cada Componente Curricular de cada módulo. São distribuídos 100 (cem) pontos em cada Componente Curricular, sendo que a pontuação mínima para aprovação são 60 pontos. A conclusão do Módulo 1 é pré-requisito para a matrícula no Módulo 2 e o aluno poderá realizar sua matrícula para o módulo 2 com pendência em, no máximo, dois Componentes Curriculares. A recuperação é compreendida como parte do processo ensinoaprendizagem e deve acontecer ao longo do ano letivo. A escola oferecerá oportunidades de recuperação paralela em todos os componentes curriculares utilizando instrumentos diversificados. Ao final de cada módulo, o aluno que não obtiver o mínimo de 60% dos pontos avaliados, terá o direito à RECUPERAÇÃO FINAL: I. a Recuperação Final será composta por uma prova a ser aplicada em data e horário estabelecidos no Calendário Escolar; II. a pontuação distribuída na Recuperação Final é a mesma do módulo correspondente. A nota será recuperada caso o aluno obtenha 60% da pontuação distribuída ou mais; 40

43 III. após a recuperação, vigorará a maior nota obtida pelo aluno, limitando-se à média estabelecida para aprovação (60%). Toda a normatização do sistema de avaliação e da recuperação está prevista no Regimento Escolar CONSELHO DE CLASSE O Conselho de Classe é um órgão de natureza consultiva e deliberativa em assuntos didático-pedagógicos, fundamentado no Projeto Político-Pedagógico da escola e o Regimento Escolar. Ao término de cada etapa letiva, realiza-se um Conselho de Classe de natureza consultiva, com a finalidade de analisar as ações educacionais, indicando alternativas que garantam a efetividade do processo ensino/aprendizagem. Ao término do ano letivo, realiza-se um Conselho de Classe Final de natureza deliberativa, com a finalidade de analisar a trajetória escolar do aluno e decidir sobre a aprovação/reprovação do aluno. O Conselho de Classe tem como principal atribuição avaliar a eficácia do processo educativo, possibilitando: I. o oferecimento de dados para que o Núcleo Pedagógico possa contribuir para a qualificação das atividades realizadas, orientando a reflexão do professor sobre a própria prática; II. o estabelecimento de estratégias, pelo Núcleo de Psicologia Educacional, para o pleno aproveitamento do aluno; III. a descrição e análise do perfil das turmas e do desempenho escolar de cada aluno; IV. a orientação do professor, pelo Núcleo Pedagógico, para o planejamento de diferentes instrumentos avaliativos; V. a criação de condições para assistência aos alunos com necessidades educativas especiais. Toda a normatização referente ao Conselho de Classe está prevista no Regimento Escolar

44 APROVEITAMENTO DE ESTUDOS, CLASSIFICAÇÃO E RECLASSIFICAÇÃO Toda a normatização referente ao aproveitamento de estudos, classificação e reclassificação está prevista no Regimento Escolar DNA EFG O empreendedorismo é compreendido como um processo dialógico que envolve um indivíduo e a criação de um novo valor, e que este somente será entendido se considerarmos o indivíduo, o projeto, o ambiente e os relacionamentos entre eles ao longo do tempo. Essa visão se fundamenta nas seguintes ideias: 1. O conjunto dos indivíduos é um elemento importante ou mesmo vital na criação de um novo valor. 2. O indivíduo não é simplesmente reativo ao ambiente, mas, realizando a leitura do cenário, pode aprender e criar. Portanto, tem certa liberdade de ação independentemente de condições facilitadoras ou restritivas desse ambiente. 3. Os recursos do ambiente podem facilitar e estimular o comportamento empreendedor. As características do comportamento empreendedor são compreendidas como: 42

45 Estas características empreendedoras são a tônica de todas as ações educativas da EFG. 43

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