GESTÃO ESCOLAR, CURRÍCULO E PPP: ANÁLISE AOS EIXOS FILOSÓFICOS FUNDAMENTAIS PARA A CONSTRUÇÃO DA ROTINA ESCOLAR

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1 GESTÃO ESCOLAR, CURRÍCULO E PPP: ANÁLISE AOS EIXOS FILOSÓFICOS FUNDAMENTAIS PARA A CONSTRUÇÃO DA ROTINA ESCOLAR Adreana Dulcina Platt Professor Adjunto e Orientador - Universidade Estadual de Londrina Luana Tamara dos Santos Abrahão Bolsista e Iniciação Científica/CNPq - Universidade Estadual de Londrina Resumo Neste artigo apresentaremos os resultados da pesquisa científica que discute os eixos filosóficos do Projeto Político Pedagógico enquanto elementos norteadores para a construção da rotina político-pedagógica e administrativa da escola, ou seja, que desvele o Currículo escolar em ação. Partiremos do pressuposto de que esta construção está fundada no conceito moderno de gestão, centralmente ao princípio da participação colegiada da comunidade escolar. Nosso objeto de análise serão os eixos que respondem pela visão de ser humano e pela função social da escola enquanto vetores que responderão por este exercício da corresponsabilização dos sujeitos na elaboração e efetividade prática do Projeto Político Pedagógico dando-lhe visão de finalidade (teleologia). Palavras-Chave: Currículo - Gestão Escolar - Eixos Filosóficos do PPP Introdução A gestão escolar é um termo recente. Anteriormente a conhecíamos como administração escolar, que tem como pressuposto a realização dos fins educativos enquanto atividade-meio (direção, serviços de secretaria, assistência ao escolar e atividades complementares como: zeladoria, vigilância, 173

2 atendimento de alunos e pais), quanto atividade-fim: (relação ensino aprendizagem que acontece principalmente - mas não só - em sala de aula). No entanto, reconhecemos como Saviani (2003 e 1995) que a gestão é um dos importantes aspectos que constitui o volume das atividades nucleares da escola e que forma o Currículo. Diante destes aspectos, queremos contribuir com o debate a partir da investigação ao histórico da gestão escolar e sua relação com os fundamentos curriculares principalmente quando estes orientam as ações político-pedagógicas e administrativas da escola, e sua repercussão quando seu discurso se volta à formação plena do ser humano, ou seja, segundo Manacorda (1991) e Duarte (1999) voltados a uma formação omnilateral. Na perspectiva da elaboração de um currículo visando o desenvolvimento pleno do indivíduo falaremos sobre Projeto Político- Pedagógico, documento que contém orientações quanto a construção da rotina política e pedagógica da escola a partir do foco teleológico (finalidade) do exercício escolar, ou seja, os eixos que fundamentam filosoficamente as atividades reconhecidas pelo coletivo escolar como nucleares à unidade de ensino. 1. A Gestão Escolar e o Projeto Político Pedagógico: paradigmas da organização moderna educacional. Como assertamos acima, o termo gestão escolar é recente. Pela legislação e práticas anteriormente descritas numa pauta denominada de administração escolar já era possível reconhecer as funções que agora são atribuídas à gestão escolar. O conceito de gestão escolar foi constituído a partir dos movimentos de abertura política do país (pós-ditadura), veiculando a promoção de novos valores e conceitos, associados à ideia de autonomia escolar, à criação de escolas comunitárias, à participação da sociedade e da comunidade cooperativas e associativas. A nomenclatura muda assim como as concepções teóricas a respeito desta atividade. 174

3 A organização escolar assume um novo perfil não mais fundado unicamente nos princípios científicos da administração, mas na concepção da gestão comprometida com o ideário de uma composição colegiada e de caráter democrático. Compreender-se-á num sentido amplo a gestão escolar enquanto conjunto de ações que visam promover a organização, a mobilização e a articulação de todos os sujeitos com o compromisso de investir na existência de condições materiais e humanas necessárias à garantia do desenvolvimento dos processos socioeducativos, orientados à promoção efetiva da aprendizagem. Na persecução deste objetivo a escola passa a ser vista como detentora de autonomia, enquanto instituição com identidade e cultura própria, capaz de reagir às solicitações dos locais e contextos na qual se encontra. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) nº. 5692/71 (anterior à atual LDBEN 9394/96) apontava que a escola seria legitimamente organizada pelos princípios da administração escolar que limitava sobremodo o trabalho realizado nas instituições de ensino a uma lógica eminentemente cientificista como, por exemplo, a avaliação unicamente quantitativa apoiada em instrumentos métricos, por meio de um ensino meritocrático e bancário ou apresentando uma abusiva falta de vagas e de recursos para o acesso e permanência aos filhos dos trabalhadores. Tudo isso destaca a restrição de ingresso possível eminentemente um grupo em particular: a elite dominante. A direção da escola estava centralizada na figura do diretor cuja função era basicamente administrativa e não pedagógica (repassando informações e cumprindo normas emitidas pelos órgãos centrais, supervisionando e dirigindo a rotina escolar conforme estabelecia as diretrizes do programa de governo sem consulta a comunidade escolar). Movimentos que instituíram a promulgação da Constituição Federal de 1988 e a LDBEN 9394/96, ambas no Brasil, se assentavam em novos princípios. Estas serão reconhecidamente de teor democrático e responsáveis por constituir objetivamente a criação de novas ações políticas no interior das escolas, aumentando a responsabilidade e atuação agora de uma gestão escolar com um perfil colegiado. Este novo modelo supõe a oportunidade de participação da comunidade escolar e local nas decisões que envolva 175

4 atividades político- pedagógicas. De acordo com Ferreira e Aguiar (2001, p. 309): A gestão da educação acontece e se desenvolve em todos os âmbitos da escola, inclusive e fundamentalmente, na sala de aula, onde se objetiva o projeto político-pedagógico não só como desenvolvimento do planejado, mas como fonte privilegiada de novos subsídios para novas tomadas de decisões para o estabelecimento de novas políticas. [ ] A razão de ser da gestão da educação consiste, portanto, na garantia de qualidade do processo de formação humana expresso no projeto político-pedagógico que possibilitará ao educando crescer e, através dos conteúdos do ensino que são conteúdos de vida, hominizar-se, isto é, tornar-se mais humano. Assim sendo, a transformação que ocorre neste momento histórico define algo além da gestão escolar, mas reorienta todo o vetor curricular que alimenta a construção da rotina político-pedagógica e administrativa das unidades de ensino brasileiras. É um novo paradigma de formação humana proposto que se evidencia pelo mapa curricular que orienta as atividades nucleares da escola. 2. O Currículo como a própria dinâmica da gestão escolar Lunardi (2004) define currículo como um campo de atividades envolvendo múltiplos sujeitos em diferentes instâncias, cada um com tarefas específicas. Conforme Saviani (2003), consideramos práticas curriculares como o conjunto de propostas emitidas pelo governo assim como por meio da leitura realizada destes discursos pela escola através de seus sujeitos. 176

5 No âmbito escolar, a literatura destaca a coexistência de três tipos de currículo: currículo formal, currículo real e currículo oculto. Libâneo e Oliveira (2003, p.363) conceitua os três tipos de currículo: O currículo formal, ou oficial é aquele estabelecido pelos sistemas de ensino, expresso em diretrizes curriculares, nos objetivos e nos conteúdos das áreas ou disciplinas de estudo. [ ] O currículo real é aquele que, de fato, acontece na sala de aula, em decorrência de um projeto pedagógico e dos planos de ensino. É tanto o que sai das ideias e da prática dos professores, da percepção e do uso que eles fazem do currículo formal, como o que fica na percepção dos alunos. [ ] O currículo oculto refere-se àquelas influências que afetam a aprendizagem dos alunos e o trabalho dos professores e são provenientes da experiência cultural, dos valores e dos significados trazidos de seu meio social de origem e vivenciados no ambiente escolar ou seja, das práticas e das e experiências compartilhadas em sala e aula. É chamado de oculto porque não se manifesta claramente, não é prescrito, não aparece no planejamento, embora constitua importante fator de aprendizagem. O currículo pode ser entendido como um artefato social e cultural (LUNARDI, 2004) uma vez que é constituído por um conjunto de práticas locais, globais, encadeadas, desencadeadas, conflituosas e integradas. Ainda segundo a autora o processo de educação destacado num currículo que identifica na formação humana plena sua prioridade, converge num sentido objetivo o complexo diverso e rico de práticas e conteúdos que não podem ser entendidas separadamente : Ao se falar em formas de ensinar deve ficar claro que esta relação não se restringe apenas entre professor e aluno em sala de aula. Neste contexto, Paro (2007, p. 11) destaca que: É a escola inteira que deve ser motivadora; portanto, é a escola toda que deve se tornar educadora. A esse respeito, o enriquecimento do currículo não pode se restringir a mero acréscimo de disciplinas a serem estudadas, mas a uma verdadeira transformação da escola num lugar desejável pelo 177

6 aluno, aonde ele não vá apenas para preparar-se para a vida, mas para vivê-la efetivamente. As atividades nucleares da escola enquanto objeto do Currículo Escolar significa a revisitação de conhecimentos com lastro epistêmico que resultam do acúmulo da atividade prática e reflexiva da humanidade em favor das práticas coordenadas coletivamente, objetivando a produção da humanidade no outro (SAVIANI, 1995). A transmissão e assimilação dos saberes, neste sentido, estará em compromisso com as relações sociais e de produção que respondem pelos eixos que respondem objetiva e subjetivamente pela formação humana de forma dirigida.. 3. O Projeto Político Pedagógico como elemento norteador das atividades escolares O projeto político-pedagógico será considerado neste estudo como o grande projeto da escola; aquele que responde pela organização do e no tempo e espaço escolar. O objetivo deste instrumento é orientar toda e qualquer ação escolar por pressupostos construídos pela comunidade escolar (gestor interno e externo, professores, funcionários, pais e comunidade) sempre numa versão democrática de co-responsabilidades. Conforme Azevedo (2001, p. 312): [ ] democratizar é construir participativamente um projeto de educação (...) transformador e libertador, onde a escola seja laboratório de prática, de exercício e de conquista de direitos, de formação de sujeitos históricos autônomos, críticos e criativos, cidadãos plenos, identificados com os valores éticos, voltados à construção de um projeto social solidário que tenha na prática da justiça, da liberdade, no respeito humano (...) o centro de suas preocupações. 178

7 No contexto de uma proposta que verifica a materialidade histórica, Gadotti (2004, p.34-35) expressa de maneira significativa o papel o projeto político pedagógico reconhecidamente como instrumento competente e líder por ser constituído emergencialmente de uma natureza que visa a autonomia e o processo democrático. Para isso, a gestão democrática (...) exige, em primeiro lugar, uma mudança de mentalidade de todos os membros da comunidade escolar, porquanto a construção deste projeto político pedagógico (PPP) será o alvo ser perseguido. Conforme o próprio significado da palavra, projeto o diz (etimologicamente enquanto lançar para frente ), será no desafio de pensar e agir política e pedagogicamente o cotidiano escolar de forma coletiva quanto a diversidade, os determinantes e a conjuntura que existem e atuam na escola, com a escola e sobre a escola que o PPP deve se pronunciar, na denúncia do conceito e na reflexão da prática. Veiga (1996, p. 12 e 13) corrobora com nossa perspectiva quando conceitua a importância do projeto político pedagógico na vida escolar: (...) o projeto político pedagógico vai além de um simples agrupamento de planos de ensino e de atividades diversas. O projeto não é algo que é construído e em seguida arquivado ou encaminhado às autoridades educacionais coo prova do cumprimento de tarefas burocráticas. Ele é vivenciado em todos os momentos, por todos envolvidos com o processo educativo da escola. O projeto busca uma direção. É uma ação intencional, com um sentido explícito, com um compromisso definido coletivamente. Por isso, todo projeto pedagógico da escola é, também, um projeto político por estar intimamente articulado ao compromisso sociopolítico com os interesses reais coletivos da população majoritária. É político no sentido de compromisso co a formação do cidadão para um tipo de sociedade. (VEIGA 1996, p.12-13) Diante destes aspectos, consideramos o papel central e incessante do PPP em vigiar a práxis escolar contra desvios autoritários que marcam ideológica e empiricamente a sociedade do capital, manifestando-se 179

8 insistentemente nas diferentes nações, como a brasileira que possui um histórico institucional patrimonialista de cunho repressivo (CUNHA, 1986). Falta-nos, entretanto, reconhecer que as marcas democráticas de um projeto político-pedagógico se evidenciam precipuamente na tensão de seus pressupostos teleológicos, ou seja, na apresentação dos EIXOS FUNDAMENTAIS (ou norteadores) que definem a FINALIDADE das ações e reflexões realizadas na construção da rotina escolar. Neste sentido, nos debruçaremos ao estudo de dois dos quatro eixos que compõe sistemática, pedagógica e politicamente o PPP. 4. Os eixos fundamentais do Projeto Político Existem várias estratégias para a composição daquilo que se constituirá num projeto político-pedagógico. Em Vasconcelos (2008) determina-se a construção do PPP a partir de fases que se denominarão de marco ; em Veiga (1998) estas fases serão descritas como ato. Neste estudo, no entanto, denominaremos corpo enquanto estratégia de articulação do PPP e, objetivamente, para a compreensão do que seja eixo fundamental neste estudo. Denominamos de corpo porquanto aludimos sua ideia a uma totalidade em si que constituirá outra realidade total; ou seja, são integrais em si, portanto, não considerada numa composição de natureza etapista para a compreensão político-reflexiva do termo e da ação que de si depreende. O movimento deste processo de construção do PPP se constituirá num CORPO situacional, CORPO conceitual e CORPO operacional, como explicaremos a seguir. A função do corpo situacional é apreender o movimento interno da escola, conhecer seus conflitos e contradições, fazer seu diagnóstico e definir onde é prioritário agir. De acordo com VEIGA, 1998, p

9 O ato situacional descreve a realidade na qual desenvolvemos nossa ação; é o desvelamento da realidade sociopolítica, econômica, educacional e ocupacional. [ ] significa, portanto ir além da percepção imediata. É o momento de desvelar os conflitos e as contradições postas pela prática pedagógica; é apreender seu movimento interno, de tal forma que se possa reconfigurá-la, fortalecida pela reflexão teóricoprática. No corpo conceitual (que constitui o objeto do presente estudo), a escola discute a concepção de sociedade, ser humano, educação e a função social da escola visando um esforço teleológico que definirá as prioridades que devem ser constituir a práxis escolar. Ainda segundo a autora (idem, p.25) sobre o ato conceitual: [ ] Diz respeito à concepção ou visão de sociedade, homem, educação, escola, currículo, ensino e aprendizagem. Diante da realidade situada, retratada, constatada e documentada. [ ] Neste momento conceitual, devem também ser considerados os eixos norteadores do projeto. O corpo operacional refere-se como realizar as atividades a serem assumidas para mudar a realidade da escola, Implica a tomada de decisão para atingir os objetivos e as metas definidas coletivamente. Neste último tópico Veiga (idem, p.26) alude que: Na operacionalização do projeto pedagógico, o que se faz é verificar se as decisões foram acertadas ou erradas e o que é preciso revisar ou reformular. Tendo em vista as diferentes circunstâncias, pode-se tornar necessário tanto alterar determinadas decisões quanto introduzir ações completamente novas. (Veiga, 1998). Uma vez explorados os conceitos que compõem o PPP gostaríamos de destacar no corpo conceitual dois eixos que fundamentam o projeto político 181

10 pedagógico e orientam a rotina escolar revestindo-lhe de objetividade e teleologia. Serão eles a Visão de Ser Humano e a Função Social da Escola A Visão de Ser Humano Saviani (2003, p 133) destaca a categoria trabalho enquanto elemento fundamental para a constituição do que seja ser humano. Diz-nos o autor: Ora, o que define a existência humana, o que caracteriza a realidade humana é exatamente o trabalho. O homem se constitui como tal à medida que necessita produzir continuamente sua própria existência. É o que diferencia o homem dos animais: os animais têm sua existência garantida pela natureza e, por consequência, eles se adaptam a natureza. O homem tem de fazer o contrário: ele se constitui no momento em que necessita adaptar a natureza a si, não sendo mais suficiente adaptar-se a natureza. Ajustar a natureza às necessidades, às finalidades humanas, é o que se faz pelo trabalho. Trabalhar não é outra coisa senão agir sobre a natureza e transformá-la. A partir desta assertiva o ser humano será reconhecidamente um individuo que se encontra em processo de formação e transformação por meio do trabalho. Através das relações estabelecidas com a natureza da produção que o homem tem suas experiências, passa a atuar no meio em que vive e complexifica seu processo de existência. E isso não será ato solitário, mas é produto de ato relacional (relações sociais originais às suas relações de produção). Compreender-se-á o ser humano, enquanto sujeito e objeto de transformação do meio em que vive, de si mesmo e dos outros que objetivamente responde por sua existência. A formação deste sujeito e as complexidades conquistadas como respostas às necessidades que surgem originam um corpo de saberes que são 182

11 continuamente construídos e ensinados a cada geração de humanos que surgem. Este corpo de saberes ensinados se denominará educação. Por educação podemos entender o significado de tornar-se ser humano uma vez que o objeto da educação será a produção da humanidade em cada indivíduo. Segundo Angeli (2009, p. 20) a formação humana traz em si uma proposta pedagógica porquanto elabora as bases de um humanismo histórico que se pretende omnilateral porquanto revolucionária, diferente da proposta burguesa de formação especialista/parcializada. Os seres humanos nesta visão de formação eliminam o fosso que contrapõe cultura e trabalho (idem) A Visão da Função Social da Escola De acordo com Saviani (1995, p. 22 e 23), a escola é uma instituição social com objetivo explícito: a transmissão e assimilação dos saberes epistemologicamente sistematizados pela humanidade enquanto produto da história: (...) ao tratar do papel da escola (...): a escola é uma instituição cujo papel consiste na socialização do saber sistematizado (...) ao conhecimento elaborado, (...) sistematizado, (...) erudito (...). (...). A escola existe, pois, para propiciar a aquisição dos instrumentos que possibilitem o acesso ao saber elaborado (ciência) (...). As atividades da escola básica devem se organizar a partir dessa questão. A escola no desempenho de sua função social de formadora de sujeitos históricos se destaca enquanto um espaço de sociabilidade revestido da possibilidade de construção do conhecimento cientificamente produzido. Esta insituição influencia significativamente na constituição do que se reconhece no processo de humanidade e, consequentemente de mundo. 183

12 O tempo da escola é encarado cada vez mais como oportunidade de uma socialização-vivência o mais plena possível dos profissionais e dos alunos. Há novas dimensões da formação humana recolocadas hoje nas lutas pelo direito a educação. Nossas escolas estão sintonizadas com esse movimento. A estreita concepção de educação está sendo alargada dentro delas. (...) profissionais e (...) alunos tentam encontrar espaços legítimos nos currículos (...). (II CONGRESSO POLÍTICO-PEDAGÓGICO DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO/ESCOLA PLURAL, 2002, p. 13) O destaque a este papel da escolarização se encontra no lastro que o complementa numa visão de ser humano omnilateral cujo objetivo está na formação plena (e por todos os lados) dos sujeitos em relação. Considerações finais Neste estudo teve por propósito mapear as características centrais que sustentam os eixos que fundamentam o Currículo, em vista a formação humana plena e que ocorre por meio do ato educacional. A investigação destacou que a gestão escolar exerce papel fundamental na orientação colegiada e responsável dos atores escolares para a realização da proposta pedagógica, do projeto político, da formulação do currículo assim como na organização da própria unidade escolar enquanto cotidiano políticopedagógico. O liame que conduz a tríade gestão escolar - currículo - PPP possui centralidade na organização contemporânea da escola participativa e de qualidade almejada pela sociedade e proposta pelo Estado. Nesta perspectiva, verificamos que o Projeto Político Pedagógico norteará o conjunto de atividades escolares construídas coletivamente a partir da dinâmica do contexto em que a unidade de ensino e a comunidade estão inseridas. Esta organização exigirá o exercício político que constrói a gestão do currículo em ação. Diante desta perspectiva, o estudo aponta que os eixos filosóficos aqui investigados ( visão de ser humano e função social de escola ) destacam o norte perseguido pelas atividades que constroem o próprio cotidiano escolar objetivando a formação humana plena dos sujeitos que nela se inserem. 184

13 REFERÊNCIAS II CONGRESSO POLÍTICO-PEDAGÓGICO DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO/ESCOLA PLURAL. Belo Horizonte, MG: Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, ANGELI, José M. Princípio da formação humana: a filosofia da práxis. In: PLATT, Adreana D. Currículo e Formação Humana: princípios, saberes e gestão. Curitiba, PR: CRV, AZEVEDO, José C. de. Escola cidadã: construção coletiva e participação popular. In: SILVA, Luiz, H. da (org.) A Escola Cidadã no contexto da globalização. 4 ed. Rio de Janeiro: Vozes, DUARTE, Newton. Individualidade para si: contribuição a uma teoria históricosocial da formação do indivíduo. Campinas: Autores Associados, FERREIRA, Naura S. C.; AGUIAR, Márcia Ângela (orgs.). Gestão da educação: impasses, perspectivas e compromissos. 2.ed. São Paulo: Cortez, GADOTTI, Moacir; ROMÃO, José E. (orgs.). Autonomia da escola: princípios e propostas. 6ª ed. São Paulo: Cortez: Instituto Paulo Freire, Disponível em:http://www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/arquivos/file/producoes_pde/arti go_sonisvaldo_souza_ribeiro.pdf> acesso em 23/03/12 LIBÂNEO, José C.; OLIVEIRA, João F. de; TOSCHI, Mirza S. Educação Escolar: políticas, estrutura e organização. São Paulo: Cortez, LUNARDI, Geovana M. A função social da escolarização básica: reflexões sobre as práticas curriculares da escola. VIII Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais. Coimbra, Portugal, 2004 (A questão social no novo milênio). MANACORDA, Mario A. Marx e a Pedagogia Moderna. São Paulo: Cortez, PARO, Vitor Henrique. Estrutura da Escola e Prática Educacional Democrática. GT: Estado e Política Educacional / n.05. Disponível em: <http://www.anped.org.br/reunioes/30ra/trabalhos/gt int.pdf>. Acesso em 23/03/

14 SAVIANI, Dermeval: O choque teórico da politecnia. Revista Trabalho, educação e saúde, Rio de Janeiro, v.1, n.1, p , março Disponível em:<http://www.revista.epsjv.fiocruz.br/upload/revistas/r41.pdf>. Acesso em 29/03/ Educação: do senso comum à consciência filosófica. 12 ed. Campinas, SP: Autores Associados, Pedagogia Histórico-Crítica: primeiras aproximações. 5 ed. Campinas, São Paulo: Autores Associados, VASCONCELLOS, Celso dos S. Planejamento: projeto de ensinoaprendizagem e projeto político-pedagógico. 18 ed. São Paulo: Liberdad, VEIGA, Ilma Passos A. Escola: espaço do projeto político pedagógico. 4 ed. Campinas, SP: Papirus, (Org.). Projeto político-pedagógico da escola: uma construção possível. 2 ed. Campinas, SP: Papirus,

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