COMO ORGANIZAR UM PROCESSO PARTICIPATIVO? Clóvis Henrique

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1 COMO ORGANIZAR UM PROCESSO PARTICIPATIVO? Clóvis Henrique

2 DESIGNING PUBLIC PARTICIPATION PROCESSES BRYSON, John M.; QUICK, Kathryn S.; SLOTTERBACK, Carissa Schively; CROSBY, Barbara C. Designing Public Participation Processes. Public Administration Review, V. 73, Issue 1, 2013.

3 DESENHO DE PROCESSOS PARTICIPATIVOS Desenhar = conceber, planejar, desenvolver e avaliar 1. Considerar o contexto e delimitar o propósito 2. Manejar os recursos e gerir a participação 3. Avaliar e redesenhar continuamente

4 1. CONSIDERAR O CONTEXTO E DELIMITAR O PROPÓSITO Identificar propósitos e desenhar processo para atingi-los Adaptar o desenho ao contexto e ao problema

5 IDENTIFICAR PROPÓSITOS E DESENHAR PROCESSO PARA ATINGI-LOS Delimitar e revisitar constantemente os propósitos e resultados desejados Tipos de propósitos: preencher requisitos legais, promover ideais democráticos, avançar na justiça social, informar a população, ampliar a compreensão sobre problemas públicos e gerar possíveis soluções, qualificar a elaboração de políticas públicas, dar suporte a decisões públicas, administrar incertezas, mediar conflitos. Clareza de propósitos evita que esforços e recursos sejam dispendidos desnecessariamente.

6 ADAPTAR O DESENHO AO CONTEXTO E AO PROBLEMA Verificar se o processo participativo é necessário, adequado e possível Perceber o contexto geral e específico, bem como suas mudanças Garantir o entendimento do problema em questão Verificar se soluções não agravam o problema Para cada tipo de problema há um tipo de solução

7 2. MANEJAR OS RECURSOS E GERIR A PARTICIPAÇÃO

8 MANEJAR OS RECURSOS E GERIR A PARTICIPAÇÃO Analisar e envolver os sujeitos-chave Estabelecer a legitimidade do processo Encorajar liderança efetiva Buscar recursos para e por meio da participação Criar regras e estruturas apropriadas para guiar o processo Usar processos inclusivos para envolver a diversidade produtivamente Lidar com dinâmicas de poder Usar tecnologias de diversos tipos para atingir os propósitos

9 MAPEAR E ENVOLVER OS SUJEITOS-CHAVE Perceber as especificidades dos sujeitos-chave é considerar o contexto Estabelecer estratégias para o envolvimento dos sujeitos Diferentes sujeitos devem ser envolvidos de distintas maneiras em diferentes fases do processo participativo.

10 ESTABELECER A LEGITIMIDADE DO PROCESSO Pactuar com sujeitos internos e externos a legitimação como forma de engajamento Estimular a legitimação como uma fonte de interações confiáveis entre participantes

11 ENCORAJAR LIDERANÇA EFETIVA Garantir que os papeis de lideranças sejam desempenhados: Patrocinador pessoa com autoridade formal que pode usa-la para legitimar e dar suporte aos esforços do processo Defensor pessoa que está em uma posição de responsabilidade para a gestão cotidiana dos esforços do processo Facilitador pessoa que estrutura e mantém o processo participativo

12 BUSCAR RECURSOS PARA E POR MEIO DA PARTICIPAÇÃO Assegurar os recursos adequados e razoáveis para o processo Desenhar e gerir o processo para a geração de recursos adicionais O desenho adequado pode gerar recursos como informações, motivação, novas compreensões sobre o problema, capital social e político.

13 CRIAR REGRAS E ESTRUTURAS APROPRIADAS PARA GUIAR O PROCESSO Estabelecer conjunto de regras que oriente o processo de tomada de decisões Garantir a estrutura operacional para a tomada de decisões, inclusive quem deve ser envolvido no desenho

14 USAR PROCESSOS INCLUSIVOS PARA ENVOLVER A DIVERSIDADE PRODUTIVAMENTE Empregar processos inclusivos para envolver diferentes sujeitos Desenhar o processo para melhor aproveitar a presença da diversidade Um desafio dos processos participativos é garantir que diferentes interesses possam ser apresentados sem que existam inequidades institucionais.

15 LIDAR COM DINÂMICAS DE PODER Gerir as dinâmicas de poder para oportunizar a participação significativa, ou seja, a influência nos resultados dos processos decisórios. Ao aumentar a diversidade é necessário estar preparado para lidar com os conflitos decorrentes. O desenho de processos inclusivos demanda atenção para a gestão de conflitos. Uma maneira de compartilhar poder com os participantes é envolve-los na formulação da agenda e no processo decisório, assim como dando peso a eles nas decisões sobre as políticas públicas.

16 USAR TECNOLOGIAS DE DIVERSOS TIPOS PARA ATINGIR OS PROPÓSITOS Desenhar um processo que se utilize das tecnologias informação e comunicação, de maneira condizente com o contexto. Tecnologia pode ser efetiva na disponibilização de informações técnicas e para o entendimento do contexto.

17 3. AVALIAR E REDESENHAR CONTINUAMENTE Desenvolver e usar medidas de avaliação Desenhar e redesenhar o processo

18 DESENVOLVER E USAR MEDIDAS DE AVALIAÇÃO Criar formas de avaliação que verifiquem se os propósitos e resultados desejados estão sendo alcançados

19 DESENHAR E REDESENHAR O PROCESSO Alinhar objetivos, propósitos, tipos de envolvimento, promessas feitas aos participantes, métodos de mobilização, tecnologias e técnicas de gestão, fases e recursos do processo participativo

20 SOUZA, CLÓVIS HENRIQUE LEITE DE. CAPACIDADES ESTATAIS PARA A PROMOÇÃO DE PROCESSOS PARTICIPATIVOS: UMA ANÁLISE DA FORMA DE ORGANIZAÇÃO DE CONFERÊNCIAS NACIONAIS. TESE DE DOUTORADO. UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA, 2016.

21 Constatação: saberes práticos influenciam a interação conversacional Mediação das conversas Organização do ambiente Forma de estímulo à conversa Saberes práticos Visualização de ideias coletivas Ordenamento das falas Modos de registro

22 Constatação: saberes práticos influenciam a interação conversacional Os saberes práticos são recursos específicos ao desenho e desenvolvimento de processos participativos. São capacidades técnicas que influenciam diretamente a forma como ocorrem as conversas entre participantes, por isso foram nomeados como capacidades conversacionais.

23 CAPACIDADES CONVERSACIONAIS 1. Estabelecimento do propósito guia o processo e indica a pertinência e adequação das escolhas operacionais e metodológicas, além disso, permite a identificação de possíveis participantes e resultados esperados. Quem está sustentando, tem que ter uma entrega, uma confiança e uma clareza do que tem que ser feito, dos objetivos de cada momento ali, para que a gente chegue ao final sem que tenha sido um momento que reuniu um monte de gente e não aconteceu nada. Então a gente tem que ter clareza desses objetivos (Entrevista 6).

24 CAPACIDADES CONVERSACIONAIS 2. Organização do ambiente condições materiais e organizativas que criam a atmosfera e materializam o contexto da conversa, influenciando a disposição das pessoas para a interação. Sempre tem esse problema de sala, quando você tem muitas pessoas e muitas salas para montar, várias salas acabam sendo improvisadas. Nesse improviso, as pessoas só pensam em colocar tantas pessoas dentro dessas salas. Parece até que as pessoas não precisam ser escutadas, não precisam se ver, não precisam ter ar e nem circular pelo espaço, não precisa nada, só precisa estar dentro da sala. Nessas coisas de logística as pessoas têm dificuldade de entender que o ambiente interfere na interação (Entrevista 5).

25 CAPACIDADES CONVERSACIONAIS 3. Desenho da metodologia modo de proceder que estimula interações direcionadas e estrutura a conversa, orientando a ordem, o tempo e a forma de expressão. E o que era que a gente estava propondo? Era uma metodologia muito simples, por exemplo, dividir em subgrupos ou fazer priorização. Esse tipo de inovação fazia com que as pessoas enxergassem o processo de conversar de um jeito diferente porque elas podiam falar. É diferente você falar num grupo de cinquenta ou num grupo de sete pessoas e aquilo se encaixar no processo (Entrevista 3).

26 CAPACIDADES CONVERSACIONAIS 4. Mediação do processo apoio metodológico que orienta o fluxo conversacional, enfatizando a estrutura da conversa diante da dinâmica do grupo de participantes. No meu ponto de vista, quando eu estou à frente de grupos seja no ambiente virtual, seja no ambiente presencial, eu estou interessada ali, no caso das conferências, em conseguir promover um mínimo de conversa e que dessas conversas gerem resultados e desses resultados se consiga passar para uma próxima etapa de consolidação, de aprovação, de deliberação, de priorização daquilo que foi decidido (Entrevista 26)

27 QUALIDADE EM PROCESSOS PARTICIPATIVOS Em um processo participativo de qualidade há condições para que sujeitos políticos diversos tenham liberdade de expressão e deliberação e sejam capazes de influenciar, de fato, decisões políticas relevantes.

28 Quem participa? Extensão: quantidade de participantes Representatividade: diversidade de sujeitos Em que participa? Como participa? Relevância: importância do objeto da participação. Margem de decisão: capacidade de influência no processo. Envolvimento dos sujeitos: adesão dos setores relevantes. Recursos: condições materiais e técnicas para o desenvolvimento do processo. Organização: forma para a deliberação e expressão livre. Quais os efeitos? Decisões: encaminhamento do que se decide. Atitudes: valores e práticas democráticas.

29 FERRAMENTAS 10 passos para estruturar conversas estratégicas How are WE Doing? A Public Engagement Evaluation Platform enport-institute/evaluating-engagement/ Guia pratica para la evaluación de procesos participativos ublic_files::ajax_methods&function=do WNLOAD&ref_type=10&ref_ID=46&re f_lang=es

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