REVISTA ADM.MADE - ANO 6 / Nº 1

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1 REVISTA ADM.MADE - ANO 6 / Nº 1 APRESENTAÇÃO No primeiro número da Revista ADM.MADE foram apresentados seis trabalhos de professores e alunos do nosso Programa de Mestrado em Administração e Desenvolvimento Empresarial aprovados no ENANPAD2000. Com este segundo número estamos apresentando um total de onze artigos, sendo oito aprovados no Congresso de BALAS2001 em San Diego, dois aprovados no Fifth International Management Control Systems Research Conference em Londres, e um artigo resumindo os resultados de tese de doutorado recentemente defendida na Universidade de Campinas. Como o leitor pode verificar, a característica marcante dos trabalhos publicados em nossa Revista é o fato de estarem todos baseados em resultados de pesquisas. Embora, neste número, muitos artigos sejam de professores desta Universidade, todos foram previamente avaliados por Comitês de Congressos Internacionais de prestígio na área. Além dos mil volumes a serem distribuídos gratuitamente aos nossos leitores cadastrados, todos os artigos estarão disponíveis no site a partir do mês de agosto. Para os próximos números, ficamos no aguardo das contribuições de nossos leitores com vistas ao aperfeiçoamento contínuo de nossa Revista. O Editor ARTIGOS A Contribuição das Práticas de Governança Corporativa dos Fundos de Pensão ao Fortalecimento da Responsabilidade Social Empresarial no Brasil Autor: Joaquim Rubens Fontes Filho O Fenômeno Multifacetado da Globalização e as Controvérsias Terminológicas sobre a Denominação das Organizações que Operam Além-Fronteiras Autor: Jorge Augusto de Sá Brito e Freitas Valores Individuais e Formação para o Trabalho Autores: Isabel de Sá Affonso da Costa Roberto da Costa Pimenta Um Ensaio sobre o Desempenho Econômico de Cooperativas Agropecuárias a partir do Economic Value Added (EVA) Autor: Régio Marcio Toesca Gimenes Fátima Maria Pegorini Gimenes O Uso da Estratégia de Orientação para o Mercado por Empresas Business-to- Business: Um Estudo de Caso em uma Grande Madeireira Autores: Thelma Rocha Edison Pólo Alfredo Quadros Jr.

2 A Contribuição das Práticas de Governança Corporativa dos Fundos de Pensão ao Fortalecimento da Responsabilidade Social Empresarial no Brasil Autor: Joaquim Rubens Fontes Filho (Doutor em Administração pela Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas EBAPE/FGV. Professor do Mestrado em Administração da Unigranrio/EGN, professor extra-carreira da Fundação Getulio Vargas/EBAPE e pesquisador do Núcleo de Estudos de Carreiras da EBAPE/FGV.) Resumo O objetivo do artigo é mostrar como a estrutura de propriedade de uma empresa pode influenciar em suas escolhas estratégicas, particularmente como lida com as práticas de governança corporativa e responsabilidade social empresarial. A atenção é focada no papel desempenhado pelos fundos de pensão na construção dessas práticas, uma vez que se posicionam atualmente entre os principais grupos de investidores institucionais, tanto no Brasil como na maioria dos países. Palavras-chave: governança corporativa; estratégia empresarial; fundos de pensão; responsabilidade social empresarial. [topo] Abstract Abstract This article aims to describe how the ownership structure of a company may influence its strategic choices and, specially, how it deals with the corporate governance and corporate social responsibility practices. The focus is on the role that pension funs play in the development of those practices as, nowadays, these organization are among the main institutional investors in Brazil and in most of the countries. Keywords: corporate governance, business strategy, pension funds, corporate social responsibility. [topo] 1. INTRODUÇÃO Os movimentos internacionais de abertura econômica têm provocado nas empresas uma busca acirrada por ganhos de escala, maior eficiência nos processos produtivos e redução dos custos de aquisição de insumos e distribuição de produtos. O resultado direto é que o crescimento das empresas torna-se uma necessidade, haja vista sua associação a melhores condições de escala e custos. Mesmo em contextos localizados, em um escopo reduzido, as empresas buscam alianças, parcerias e arranjos produtivos que lhe permitam ampliar sua capacidade de mercado. Firmar-se com uma capacidade de produção e distribuição em escala global, diretamente ou via parcerias e alianças estratégicas, torna-se essencial para manter posição competitiva privilegiada. Para tanto, proliferam os movimentos de fusões e aquisições, gerando megaempresas e conglomerados com ativos que facilmente totalizam bilhões de dólares. O objetivo da constituição dessas megaempresas é assegurar o potencial de acesso pleno ao mercado global, maximizando principalmente os ganhos de eficiência baseado em escala de produção e simultaneamente defendendo sua posição estratégica frente aos consumidores. Para isso, contudo, torna-se crítica a disponibilidade de recursos financeiros ou acesso a fontes de capital que permita à empresa ampliar sua capacidade produtiva, ampliação que pode ser acelerada por meio de aquisição de outras empresas. Ganha importância, nesse contexto, a capacidade das empresas em organizarem recursos de investimento, próprios ou de terceiros, que lhes permitam proceder ao crescimento, seja ele endógeno ou exógeno. Assim, a atuação de grandes bancos de investimento e demais investidores institucionais, tais como seguradoras e fundos de pensão, é fundamental para a mobilização dos recursos necessários às operações. É correto afirmar que, na dinâmica atual dos grandes negócios, a empresa que não cresce e adquire outras, termina por ser ela própria adquirida e incorporada pelos concorrentes. Exemplos abundam nos mercados bancário, siderúrgico, supermercados e vários segmentos de varejo. Esse movimento tem mudado a configuração do ambiente empresarial, colocando em destaque as empresas que conseguem atrair capital. Por sua vez, é natural que o investidor estabeleça critérios que lhe garantam um

3 controle sobre as decisões da empresa, seu controle estratégico, no que pode ser definido como as práticas de governança corporativa implementadas. Seja através do capital concentrado de bancos ou investidores institucionais, ou do capital pulverizado dos mercados de ações, cada vez mais os investidores exigem práticas de governança avançadas, tais como transparência, representatividade, direitos de minoritário e de recesso, e de influência nas principais decisões estratégicas. De fato, diversos estudos têm comprovado a associação entre a estrutura de propriedade e as estratégias seguidas pelas empresas. Thomsen e Pedersen (2000) confirmaram o impacto da participação na propriedade e identidade dos maiores proprietários sobre valor de mercado, pagamento de dividendos, retorno sobre ativos e crescimento das vendas. Hoskinsson et al. (1994) verificaram a existência de relações de causalidade entre uma fraca governança e desempenho da empresa e estratégia, e suas implicações sobre ações de diversificação e desinvestimento. Evidências do efeito da estrutura de propriedade sobre uma estratégia funcional e sobre o desempenho social corporativo foram também identificadas por Baysinger et al. (1991) e Johnson e Greening (1999), respectivamente. Dadas essas evidências, será útil dirigir a atenção para um setor que, em vários países, detêm montantes de investimentos superiores ao Produto Interno Bruto dos próprios países (OECD, 2005), o setor de fundos de pensão e previdência complementar, e observar como ocorre a formação e uso de suas reservas financeiras. O argumento é que o padrão de constituição de suas reservas e obrigações será determinante para modelar seus interesses nas empresas em que investem suas participações e orientar, por exemplo, suas expectativas para retornos de curto ou longo prazo ou para estruturar seu porta-fólio de negócios. A visão tradicional dos modelos de planejamento tem assumido como hegemônico o poder na organização e raramente incorpora a dimensão política e a negociação necessárias à formulação dos objetivos. O lucro como função-objetivo é útil para modelar as questões de estratégia, mas observando as críticas de Ghoshal (2005), talvez pouco representativo da dinâmica atual de poder e controle. Expandindo ainda mais a abordagem, a percepção monolítica do poder inibiu a incorporação por esses modelos da demanda proveniente de outros atores, cuja sustentação era imprescindível ao processo, ou considerações quanto à emergência de estratégias e seu processo de formação (MINTZBERG, 1993). Este trabalho visa a explorar os impactos das políticas dos fundos de pensão, na qualidade de investidores institucionais, sobre a configuração da propriedade empresarial do país, a partir da problematização apresentada pelos modelos e idéias da governança corporativa. A dicotomia entre a visão associada a uma percepção hegemônica de poder, presente no modelo baseado no acionista principal (shareholder), e aquela resultante de interesses plurais (stakeholders), é analisada com base no papel que vem sendo desempenhado pelos fundos de pensão no controle crescente de empresas de capital aberto e frente a tendências de crescimento do capital previdenciário no país. 2. ORGANIZAÇÃO E MODELOS DE GOVERNANÇA O processo de privatização estabeleceu um marco histórico na configuração empresarial do país. O Estado, anteriormente participando como o grande empresário nacional, diminui ao longo da década de 90 sua participação direta no controle de empresas, abrindo espaço a outros participantes, destacadamente empresas operadoras internacionais e investidores institucionais brasileiros, a exemplo dos fundos de pensão. O Programa Nacional de Desestatização (PND) acelerou o processo de privatização do aparelho estatal, tanto no nível federal quanto estadual. Como no caso de outros países, este processo foi em grande parte sustentado pelo capital dos investidores institucionais, destacando no caso brasileiro os fundos de pensão das empresas estatais, que perceberam a ocasião como uma oportunidade para participar de investimentos adequados às exigências de seus passivos. Até final da década de 80, o modelo empresarial brasileiro apoiava-se no tripé empresa familiar estatal multinacional. Na década seguinte, a falta de capital para investimento pelo empresariado nacional, somada à redução da participação do Estado em decorrência das inúmeras privatizações, da privatização, promoveu o surgimento de uma nova estrutura empresarial no país. Ademais, as regras impostas pelo modelo de privatização conduziram à formação de consórcios de investidores, aliando detentores de capital aos de tecnologia, os denominados operadores. Após cerca de uma década de iniciado o processo, o que se observa como padrão de controle das grandes empresas estabelecidas no Brasil é a prevalência, cada vez maior, do controle compartilhado entre investidores com interesses nem sempre convergentes. Esse padrão de controle empresarial, comum em diversos países desenvolvidos, e as regras que comandam o exercício de controle e prestação de contas, caracterizam o objeto dos estudos da governança corporativa. A crescente pulverização da propriedade mais comum no modelo anglo-saxão, como será discutido a seguir tem tornado mais significativos os problemas de separação entre propriedade e gestão, denominados problemas de agência. A questão central gira em torno do desenvolvimento de mecanismos que assegurem ao investidor, ou principal, que o gestor contratado, ou agente, aja em benefício do proprietário e não segundo interesses particulares.

4 Entretanto, o modelo difuso de controle ou baseado em múltiplos e diversos proprietários torna complexa a negociação dos interesses para elaboração das estratégias empresariais. As origens diversas dos acionistas controladores tornam difícil assumir como óbvia a maximização do lucro como objetivo primordial. As investigações sobre governança corporativa têm priorizado as questões relativas aos custos de agência, oriundos do relacionamento investidor-agente e baseadas principalmente no referencial da teoria da agência (SHLEIFER; VISHNY, 1997), avançando menos na questão de alinhamento de interesses divergentes dos próprios investidores e seus impactos sobre a formulação de estratégias. Definir quais são os interesses predominantes, quais podem ser parcialmente atendidos e como organizar os modelos internos de gestão torna-se fundamental na ampliação do arcabouço teórico da governança, predominantemente ocupado pelas visões econômicas. A denominação governança corporativa, utilizada como tradução literal do original em inglês corporate governance, refere-se aos arranjos institucionais que regem as relações entre acionistas (ou outros grupos) e as administrações das empresas (LETHBRIDGE, 1997, p.1). Embora o termo tenha se firmado nas disciplinas econômicascomo exclusivo das relações empresariais, sua compreensão deve transcender ao universo das empresas de mercado, justificando uma utilização de forma mais ampla para designar os diversos arranjos necessários à gestão de uma organização, seja ela pública, privada, ou comunitária, com ou sem finalidade lucrativa. Quando um investidor procura maior influência sobre a atuação das empresas nas quais têm participação no controle, está buscando implementar práticas de governança corporativa de modo a assegurar que os agentes os gestores das empresas participadas - atendam àquilo que, como investidor, delas se espera. Da mesma forma, quando uma comunidade pressiona um poder constituído com vistas a obter o atendimento de uma necessidade específica, tal como a construção de uma via expressa, a instalação de um posto de saúde, a maior fiscalização a um setor econômico, também está buscando assegurar que os agentes implementem seus anseios. Denominam-se problemas de agência àqueles relacionados ao monitoramento das relações entre acionistas e administradores. Segundo a teoria da agência, tais problemas são oriundos da natureza incompleta dos contratos, dada pela impossibilidade de se escrever um contrato que especifique as ações a serem tomadas pelas partes em qualquer circunstância (RABELO e SILVEIRA, 1999). Os modelos de Governança Corporativa consideram, de forma paradigmática, dois modelos como predominantes para explicar o comportamento das corporações: o modelo shareholder (acionistas), onde se privilegia os interesses dos acionistas, e o modelo stakeholder (partes interessadas), quando se adota uma visão mais abrangente, enfatizando a responsabilidade social da corporação e colocando-a no centro de uma rede formal e informal de relacionamentos com diversos atores. Esses dois modelos clássicos de governança corporativa estão normalmente associados aos ambientes ou contextos empresariais anglo-saxão e nipo-germânico. No modelo anglo-saxão, ocorre uma pulverização das participações acionárias e as bolsas de valores ocupam função primordial ao dar liquidez ao mercado e sinalizar às empresas, através da oscilação no preço das ações, a avaliação dos investidores quanto à correção das estratégias adotadas. No modelo nipo-germânico, há uma concentração da propriedade em torno de grupos de investidores e bancos, sendo que a participação ocorre principalmente via dívida, e não ações como no modelo anglo-saxão. Enquanto que no modelo shareholder a ênfase é dada ao acionista e o objetivo principal é a obtenção de lucro, na perspectiva stakeholder os interesses de acionistas buscam ser equilibrados, de forma mais direta e negociada, aos de outros grupos que são impactados pelas suas atividades, como os empregados, fornecedores, clientes e a comunidade. A tônica do debate atual envolvendo governança corporativa está voltada para o modelo shareholder e aos objetivos de maximizar a riqueza dos acionistas, tendo como critério para avaliar seu desempenho o valor de mercado da empresa (MAHER, 1999, p.7). Nesse modelo, as principais dificuldades relacionam-se à separação entre propriedade e gestão, assimetria de informação e divergência de objetivos entre principal e agente, tendo como conseqüência os denominados problemas de agência. Segundo uma visão mais ampla, baseada na teoria dos stakeholders, as empresas devem ser socialmente responsáveis, administradas de acordo com o interesse público, e prestar contas do impacto de suas ações a diversos outros grupos tais como empregados, fornecedores, clientes e comunidade em geral, sendo forte a cobrança por transparência e accountability. Críticos a este modelo argumentam que os administradores podem atribuir eventuais resultados negativos do negócio à exigência por atender expectativas dos stakeholders, mas reconhecem sua capacidade em agregar os esforços das partes interessadas em torno de objetivos de longo prazo e o sucesso da empresa (MAHER, 1999, p.11). Certamente, entre as principais virtudes do modelo stakeholder está a adequação a lógicas outras que não à de mercado. Um modelo que tem como máxima a priorização do lucro, como é o caso do modelo baseado nos shareholders, torna-se pouco útil em ambientes onde as organizações operam dentro de outra lógica. Organizações não governamentais, cooperativas e mesmo fundos de pensão pouco se beneficiam das propostas de modelos de governança corporativa baseados na orientação shareholder.

5 3. FUNDOS DE PENSÃO COMO INVESTIDORES INSTITUCIONAIS A partir da privatização da Usiminas, no início da década de 90, os fundos de pensão se organizaram para participar das subseqüentes desestatizações, seja diretamente, através de consórcios constituídos com outros fundos, operadores ou investidores institucionais, ou ainda por meio de fundos ou sociedades de propósitos específicos. Essa estratégia produziu uma transformação na estrutura de propriedade das empresas no Brasil. Embora grupos familiares ainda tenham um forte papel empresarial, este quadro tem mudado com a maior participação dos investidores institucionais, representados pelos fundos de investimento e fundos de pensão, substituindo cada vez mais o estado-empresário neste cenário. Esse movimento reflete uma tendência já há muito observada em economias de países desenvolvidos, a exemplo dos Estados Unidos, Holanda, Suíça e Reino Unido. Nesses países, o volume de recursos investidos pelos fundos de pensão na economia real por vezes superior ao próprio Produto Interno Bruto do país encontra-se entre as principais fontes de financiamento de longo prazo. Tabela 1: Investimento dos fundos de pensão no âmbito da OECD Investimentos Totais dos Fundos de Pensão Em % do PIB Em US$ milhões Países da OECD Austrália 57,7 58,1 56,1 72, Canadá* 53,3 47,8 52,1 52, Dinamarca 27,2 25,6 27,6 30, Finlândia 8,2 8,0 8,3 45, Alemanha 3,3 3,4 3,6 3, Islândia 86,4 87,6 101,9 111, Irlanda 44,3 35,1 39,4 42, Itália 2,3 2,4 2,5 2, Japão 13,9 14,1 15,3 14, Holanda* 107,0 89,4 106,2 106, Portugal 12,1 12,1 12,5 11, Espanha 5,8 5,7 6,2 9, Suécia 8,3 7,7 7,8 12, Suíça* 104,4 96,7 111,6 111, Reino Unido* 72,5 72,5 65,1 65, Estados Unidos 93,9 82,0 92,0 95, Total G10 86,5 75,8 83,9 86, Área da Europa 70,2 52,0 63,7 59, Total OECD 84,9 74,2 81,9 84, * Dados de 2004 repetidos de 2003 Fonte: OECD (2005) Para os fundos de pensão, o investimento em ativos não-financeiros atende à demanda por um perfil de longo prazo em suas aplicações. Gera, contudo, um efeito importante para a economia como um todo: ao deterem expressivas quantidades de ações, obtêm direitos de controle nas empresas, caracterizados por participação em acordos de acionistas e assentos nos conselhos de administração e fiscal. Essas ações, pelo volume detido, possuem uma baixa taxa de negociação em mercado, o que novamente ajusta-se ao perfil temporal desejado pela maioria dos fundos. Uma vez que não podem ser transacionadas diretamente no varejo das bolsas de valores, mas apenas em blocos, essas ações apresentam baixa liquidez. Os ganhos nessa modalidade de aplicação ocorrem não pela negociação do papel, mas, sobretudo, pelo aumento no valor da empresa e aumento no fluxo de dividendos recebidos. Como conseqüência natural das características e exigências desses investimentos, os fundos de pensão têm adotado cada vez mais freqüentemente uma posição ativa frente às empresas, influenciando suas estratégias corporativas e as ações dos administradores, visando assegurar aquele fluxo e, adicionalmente, a valorização no longo prazo de sua posição de controle. De fato, esse movimento segue o que ocorreu nos Estados Unidos, quando os fundos de pensão se mobilizaram para atuar ativamente no exercício de controle das empresas em que detinham participações (ROSENBERG, 2000). Toda essa capacidade de investimento deve justificar uma atuação diferenciada dos fundos de pensão como investidor institucional. Essa diferenciação ocorreria, em uma primeira dimensão, sobre a eficiência das empresas participadas. Diante de suas necessidades como investidor, pode-se supor que seriam motivados a adotar comportamentos singulares, adequados às suas necessidades de retorno e liquidez, no universo dos investidores institucionais e do próprio sistema de propriedade, privada ou estatal, no país. Esses comportamentos ou práticas seriam incorporados pelas empresas, onde os fundos passassem a deter posições de controle, quando da formulação de estratégias ou execução de políticas. O reflexo desses direcionamentos possivelmente estaria refletido nos resultados econômico-financeiros dessas empresas.

6 De fato, diversos estudos sobre a prática de ativismo nos investimentos concluiu, para os Estados Unidos, quanto à existência de correlação positiva no valor de mercado das empresas (GORDON et al, 1997; AMBACHTSHEER e EZRA, 1998). Entretanto, mesmo para a experiência americana, é importante a ressalva feita por Logue e Rader (1998) sobre a necessidade de maiores estudos para confirmar o impacto positivo citado, principalmente em virtude da limitada história de ativismo dos investidores e da disponibilidade dos dados. Mesmo em empresas em que essa participação não ocorra, é possível que haja mudança nos direcionamentos estratégicos e comportamentos mercadológicos e gerenciais, com vistas a atrair o interesse e conseqüentemente os recursos dos fundos de pensão. Processo semelhante vem ocorrendo, por exemplo, com empresas brasileiras que lançam títulos como American Depositary Receipts (ADR) no mercado norteamericano, visando atrair recursos a custos mais baixos. As regras de disclosure, padronização contábil, relacionamento com investidores, principalmente as incluídas no escopo da Sarbanes-Oxley, passam a ser adotadas, provocando mudanças internas na gestão. 4. A ADOÇÃO DE PRÁTICAS DE GOVERNANÇA CORPORATIVA PELOS FUNDOS DE PENSÃO A formação de reservas de poupança previdenciária através de processos de capitalização, individuais ou coletivos, gera recursos que, por premissa do próprio modelo, devem ser investidos a taxas de retorno adequadas e a prazos compatíveis, normalmente longos. Administrados por entidades de previdência abertas ou fechadas, têm na compra de participações em empresas uma oportunidade ótima de aplicação. Enquanto que nos primeiros anos de existência de um fundo de pensão ocorre um acelerado processo de geração de reservas, uma vez que todos estão contribuindo e poucos, ou ninguém, está recebendo, após alguns anos o processo de entrada e saída de recursos tende a se equilibrar, sinalizando à maturidade do fundo. É provável que em seguida as saídas venham superar cada vez mais a entrada de recursos, caracterizando situação natural de declínio nessas reservas. Como investidor, portanto, se no início o fundo está pouco preocupado com o recebimento de dividendos das empresas investidas, na maturidade esse passa a ser uma fonte de recurso significativa. Em conseqüência, um fundo de pensão deve se caracterizar como investidor de longo prazo apenas na fase de crescimento de suas reservas, fato que deve se refletir na condução de sua influência junto às empresas e outros negócios em que detêm participação. O sistema de fundos de pensão no Brasil tem buscado, como conjunto de investidores organizados, estabelecer diretrizes de governança corporativa a serem seguidas pelas empresas nas quais têm investido. Uma carteira de investimentos consolidada de mais de R$ 300 bilhões, segundo dados oficiais de setembro de 2005, e um conjunto superior a 2,4 milhões de beneficiários diretos (MINISTÉRIO, 2005), são sólidas justificativas para que os fundos liderem movimentos pelo desenvolvimento das práticas de governança corporativa no Brasil. Figura 1: Evolução dos ativos totais das Entidades Fechadas de Previdência Complementar Fonte: Ministério (2005)

7 Somando-se o crescimento dessa poupança ao processo de privatização ocorrido na década de 90 e aos movimentos de fusões e aquisições atuais, justifica-se grande parte das transformações que vêm ocorrendo nas relações de propriedade no país. Da formação anterior, baseada no tripé propriedade familiar-estatalmultinacional, observa-se a redução do Estado-empresário e a participação de um novo ator, os fundos de pensão, não apenas detendo parcela significativa da propriedade das empresas, mas influenciando também na própria gestão. Em trabalho onde se analisa a atuação dos fundos de pensão brasileiros como investidores institucionais, Rabelo (1999) discute a importância do papel desempenhado pelos fundos nas empresas onde se envolveram com a governança. Como exemplo, apresenta a fundição Tupy, que de uma dívida total de US$ 200 milhões e prejuízo operacional de 2,5% em 1996, avançou para um lucro operacional de 11% em 1997 e um lucro líquido de R$ 6,7 milhões entre janeiro e setembro de 1998 (p.6). Do ponto de vista político, o estoque de ativos detido pelos fundos exige toda uma consideração específica. Somando-se apenas os ativos dos países membros da OECD, o total dos ativos previdenciários chegava em 2004 ao montante de US$ 15,5 trilhões (OECD, 2005). É um volume de recursos superior ao Produto Interno Bruto dos maiores países do mundo somado, girando dentro de um sistema e de suas necessidades, e pouco permeável às questões políticas ou necessidades sociais. De fato, essa orientação para resultados e maximização do retorno dos investimentos está alinhada aos deveres fiduciários dos gestores, ainda que discussões sobre o impacto agregado do exercício desses deveres ainda sejam incipiente. Essas questões não são novas. Foram levantadas já em 1960 por Paul Harbrecht em seu livro Pension Funds and Economic Power, onde argumentava que o crescimento dos ativos dos fundos de pensão poderia ocorrer num vácuo de poder, a menos que fossem definidos mecanismos que tratassem da questão da propriedade dos ativos previdenciários. Para ele, a crescente acumulação de ativos nos fundos representava uma oportunidade para os trabalhadores influenciarem a atividade econômica (AMBACHTSHEER e EZRA, 1998). Anos depois, Peter Drucker retomou essas questões, em obra na qual classifica esse movimento como um socialismo baseado em fundos de pensão (DRUCKER, 1976). Ao longo da década de 90 os fundos aumentaram significativamente seus investimentos diretos em empresas, detendo e administrando participações acionárias concentradas. Rabelo (1999) destaca duas razões que justificam essa mudança de comportamento. A primeira seria o interesse de fundos patrocinados por empresas estatais em garantir, no caso de privatização da patrocinadora, assento nos conselhos de administração e assim poder zelar pelos interesses de seus associados. Outras explicações estariam na natureza do mercado de capitais, com reduzido número de empresas negociadas com real liquidez, e na incapacidade da legislação então vigente em proteger os investidores no Brasil, o que estimularia a concentração de propriedade como única forma destes protegerem seu patrimônio. O interesse dos fundos de pensão pela governança vem não apenas da mudança na perspectiva dos investimentos como também nas práticas internas de governo estratégico, que também ajudam a explicar suas escolhas em termos de modelos de gestão e estratégias de investimentos. Modelos colegiados, congregando representantes tanto de patrocinadores quanto de participantes, vêm sendo implementados por vários fundos, consolidados pela legislação complementar - Lei Complementar 108 e 109, de que determina em no mínimo um terço dos membros do Conselho Deliberativo das entidades com patrocinadores privados seja escolhido pelos participantes (LC 109) e metade no caso de patrocinadores estatais (LC 108). Estas modificações têm fortalecido o debate sobre as políticas de investimento dos fundos, agregando novos pontos de vista. Questões relacionadas à manutenção do emprego, ao impacto social dos investimentos, nãoagressão ao meio ambiente, entre outras, vêm ganhando peso nas políticas internas, em virtude do apelo de tais causas sobre os participantes que, por sua vez, escolhem os administradores dos fundos. Exemplo desse posicionamento pode ser observado na Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (PREVI). Maior fundo de pensão brasileiro, com cerca de um quarto dos ativos do sistema, a PREVI tem seu Conselho Deliberativo formado por 6 membros, sendo três escolhidos pelos participantes e três indicados pelo Banco do Brasil na condição de patrocinador. Conforme exposto no documento de seu segundo Balanço Social, já no ano de 1998, a entidade deve buscar em seus negócios empresas que respeitem: " (a) direito dos empregados; (b) interesse nacional; (c) interesse das comunidades em que funcionam; (d) a preservação do meio ambiente; (e) interesse dos acionistas minoritários; (f) a promoção do desenvolvimento da previdência complementar; (g) a participação em projetos sociais de assistência e apoio à criança carente e ao idoso." (PREVI, 1998) Esses dados sinalizam, senão uma adesão ao modelo stakeholder, a assunção de compromissos outros que nãoapenas a maximização das receitas. Demonstram um reconhecimento explícito da responsabilidade da organização para com outros atores, além de seus participantes e patrocinador. 5. INVESTIMENTOS DOS FUNDOS DE PENSÃO E A RESPONSABILIDADE SOCIAL EMPRESARIAL

8 O crescimento do interesse pela governança corporativa, impulsionado internacionalmente pela legislação americana Sarbanes-Oxley e, no Brasil, pelas mudanças na Lei das Sociedades Anônimas, em 2001, e a criação do Novo Mercado da Bovespa, tem contribuído para o desenvolvimento de amplo referencial de teorias e práticas sobre o tema. Princípios, definições de melhores práticas, códigos e diretrizes de governança são produzidos e divulgados por organizações variadas, ajudando a consolidar o contexto institucional da governança. É importante, contudo, retornar à questão central sobre o que se busca direcionar com o fortalecimento da governança. Segundo uma de suas definições mais difundidas, proposta por Shleifer e Vishny (1997), governança corporativa trata das maneiras pelas quais os fornecedores de recursos às empresas se asseguram que irão obter retorno de seus investimentos. Adotando uma perspectiva mais ampla sobre a definição desses recursos, é necessário considerar também os recursos não-financeiros como a força de trabalho, as necessidades de clientes e relacionamentos com fornecedores, é possível compreender por que a consolidação das boas práticas de governança corporativa é importante. Em resumo governança corporativa significa segurança: ela permite maximizar as condições para que as empresas, e outras organizações dêem segurança às partes interessadas que irão receber benefícios adequados por sua atuação, por sua existência. Tendo o lucro como objetivo empresarial, este não pode se traduzir em externalidades negativas que deverão ser assumidas pela sociedade, privatizando benefícios e distribuindo prejuízos. Assim, aos princípios básicos da Governança Corporativa transparência das informações, eqüidade no tratamento aos investidores, prestação de contas, cumprimento das leis e ética, cada vez mais está sendo acrescido o princípio da responsabilidade social empresarial (RSE). A RSE não é filantropia, ainda que possa incluí-la, mas respeito pelos impactos da ação da empresa sobre o ambiente e a sociedade, hoje ou para futuras gerações. A RSE contribui para diminuir os riscos para as empresas, atualmente avaliadas não apenas por suas práticas, mas também pela de seus fornecedores inclusive terceirizados e muitas vezes dos próprios clientes, como no caso das instituições financeiras, que não podem aceitar recursos de origem duvidosa. Para investidores, é uma segurança adicional para que situações de crise possam ser evitadas. Entretanto, soluções teóricas precisam ainda avançar para lidar com limitações do modelo stakeholder, e com as críticas que recebe por não priorizar a maximização do lucro e dar direcionamentos pouco claros aos gestores. Adotar suas premissas envolve, certamente, um posicionamento político da organização, mesmo porque não reflete as práticas dominantes de governança corporativa no Brasil e no influente bloco anglosaxão mais centradas nos interesses exclusivos dos acionistas. Blair (1998, p.48) sintetiza as críticas quanto à dificuldade de aceitação das propostas das teorias dos stakeholders para atribuir às corporações a missão de atender a responsabilidades sociais: "Essa idéia nunca teve muito rigor teórico, falhou em dar direcionamentos claros que ajudassem executivos e conselheiros a estabelecer prioridades e decidir entre possibilidades socialmente concorrentes do uso dos recursos corporativos, e não prover mecanismo de reforço para assegurar que as corporações atendessem a suas obrigações sociais. Como resultado dessas deficiências, poucos acadêmicos, elaboradores de políticas, e outros proponentes de reformas da governança corporativa ainda defendem esse modelo A busca de benefícios sociais como externalidades desejáveis dos investimentos tem sido igualmente criticada. Nos Estados Unidos, o DOL (Department of Labor) sugeriu que os investimentos dos fundos de pensão procurassem colocar como objetivo não apenas gerar retorno financeiro aos recursos investidos por participantes e beneficiários, mas também vitalidade à economia do país. Segundo afirmou, esta modalidade de investimentos, denominada Economically Targeted Investments (ETIs), beneficiaria não apenas os aposentados, mas ao país como um todo melhorando, indiretamente, o bem-estar dos próprios pensionistas (MOORE, 1995) Entretanto, os polêmicos ETIs foram severamente criticados pelos representantes dos fundos de pensão norteamericanos, com o argumento de que a principal responsabilidade dos fiduciários é com os participantes de seus planos. A própria legislação da previdência privada, ERISA (Employee Retirement Income Security Act), de 1974, proíbe "investimentos sociais", entendidos como aqueles que não visem otimizar uma taxa de retorno comparável e ajustável ao risco, uma vez que a principal obrigação do agente fiduciário de um fundo de pensão é realizar investimentos em benefício dos participantes. A crítica mais ácida surgiu do Chairman do Comitê Econômico, Jim Saxton, do partido Republicano, afirmando que os fundos de pensão públicos que investiam para promover objetivos sociais ou econômicos, que denominou "politically targeted investment", corriam grandes riscos e prometiam retornos inferiores a outros fundos que não tinham tais direcionamentos. De fato, diversos fundos de pensão americanos tiveram problemas ao privilegiar aspectos sociais em seus investimentos, a exemplo do fundo dos funcionários públicos e professores do Alasca, dos empregados públicos de Kansas, e do estado de Connecticut (MOORE, 1995). No Brasil, ainda que a legislação atual proíba aplicações compulsórias, é também importante que sejam consolidados mecanismos internos às entidades que as impeçam de praticar "investimentos políticos", considerados assim aquele que não seguem critérios técnicos de risco, retorno e escolha de carteira ótima, sob pena de se produzir patrimônio insuficiente para pagamento de benefícios ou o ônus da aposentadoria e pensões de participantes desses planos vir a ser transferido, no futuro, para o contribuinte. O maior envolvimento dos participantes com a gestão dos fundos e, conseqüentemente, com a elaboração e execução de suas estratégias de investimentos, é relativamente recente, e exigirá ainda algum tempo para ter seus resultados avaliados. É possível estimar, contudo, que esse modelo de governança gere organizações mais

9 sensíveis a questões sociais, tais como desemprego, agressão ambiental, ações sociais danosas e exposições negativas na mídia, principalmente se relacionadas a empresas onde o fundo de pensão tenha posição de controle. A afirmação de Lethbridge (1997), analisando a experiência norte-americana, sustenta essa tese: "As táticas de ativismo de alta intensidade, contudo, têm poucos seguidores. (...) o risco de envolvimento em controvertidas reestruturações com milhares de demissões também desincentiva o uso desses recursos por parte de fundos mútuos, (...), sem falar em fundos de pensão de funcionários públicos muito identificados com comunidades específicas." (p.10) Evidências mais diretas dessa orientação na relação entre a propriedade detida por fundos de pensão sobre o desempenho social corporativo das empresas foram obtidas por Johnson e Greening (1999). Esses autores demonstraram que a propriedade concentrada em fundos de pensão apresenta resultados significativamente superiores, em termos de adesão a práticas de responsabilidade social, àquela que ocorre quando o acionista majoritário é um fundo mútuo ou banco de investimentos. 6. CONCLUSÃO E DIRECIONAMENTOS FUTUROS O meio acadêmico e a prática empresarial têm produzido vasto material sobre a questão da governança corporativa. Entretanto, o foco principal tem privilegiado a avaliação dos aspectos econômicos na análise principal-agente, ou entre o investidor e a empresa, e as formas de reduzir os custos da separação entre a propriedade e a gestão. São pouco exploradas as dificuldades que podem advir da diversidade de modelos de gestão ou de estruturas de governança específicas dos investidores. Como discutido no texto, estes modelos podem permitir compreender tanto a motivação para a realização de um investimento quanto a influência ou o papel do investidor no resultado das empresas. Também os fundos de pensão seguem práticas internas ou estruturas de governança, devendo prestar contas a associados e patrocinadores. Seus investidores, os participantes e patrocinadores, esperam que os recursos sejam aplicados de forma ótima frente à missão de assegurar o pagamento de aposentadorias e pensões. Os problemas de agência ¾ quais sejam, aqueles relacionados ao monitoramento das relações entre acionistas e administradores ¾ ocorrem de forma semelhante em uma empresa aberta, com acionistas, e em um fundo de pensão. Entretanto, em paralelo à questão dos contratos incompletos, os participantes de um fundo de pensão têm expectativas não escritas nos contratos, tácitas, mas que esperam ser atendidas. Tal campo de estudo torna-se especialmente importante ante as projeções de crescimento da poupança previdenciária no país e, à semelhança de outros países, este capital demandará oportunidades de investimentos que atendam a suas necessidades. Para Rabelo (1999), há dúvidas quanto ao interesse ou a capacidade dos fundos de pensão de exercerem um monitoramento efetivo sobre as empresas onde possuem posição de controle e, ainda, se essas participações são vistas como investimentos de longo prazo por essas instituições. Caso se confirme o crescimento do sistema de fundos de pensão, e o interesse desses investidores em atuar ativamente nas estratégias empreendidas por suas participações, a estrutura própria de governança desses fundos consideradas como processo decisório, representatividade de patrocinadores e associados, crenças e valores de administradores e participantes, e modelo de investimentos terá papel determinante na formatação de um modelo de governança corporativa nacional. Assim, reforçando a reflexão seguida, é provável que ocorra a prevalência de um modelo mais preocupado com questões de responsabilidade social e accountability. Os modelos shareholder e stakeholder são hoje associados antes a estruturas de capital e financiamento das empresas que à dinâmica de setores econômicos. Talvez mais importante que discutir a natureza da propriedade de uma empresa se estatal, privada nacional ou multinacional seja discutir os compromissos dos controladores com seus próprios investidores e com os stakeholders em geral. Como discutido para o caso dos fundos de pensão, a natureza e a governança dos controladores sinaliza suas orientações e limitações. Pela importância que representam na formação do capital de investimento do país, conhecer o papel e a influência dos fundos de pensão na formatação dessa estrutura torna-se fundamental. O papel que os fundos de pensão já vem desempenhando será, certamente, cada vez mais importante para delinear as características da estrutura de propriedade no país e os modelos de governança corporativa e responsabilidade social empresarial. Por sua permeabilidade a questões mais amplas da sociedade, poderá ter mais facilidade para encontrar um equilíbrio entre expectativas de investidores e stakeholders, resguardando o objetivo de maximização do lucro à responsabilidade com as ações empresariais, inclusive seus efeitos intergeracionais, pelo que o lucro de hoje não deve reduzir as possibilidades de lucro (ou sobrevivência) das próximas gerações. 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS -AMBACHTSHEER, K. P.; EZRA, D. D. Pension fund excellence: creating value for stakeholders. New York: John Wiley & Sons, BAYSINGER, B. D.; KOSNIK, R. D.; TURK, T. A. Effects of board and ownership structure on corporate R&D strategy. Academy of Management Journal, v. 34, n. 1, p , BLAIR, M. M. Whose interests should corporations serve?, In: CLARKSON, M. B.E. (ed.). The corporation and its stakeholders: classic and contemporary readings. Toronto: University of Toronto Press, 1998, p

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11 O Fenômeno Multifacetado da Globalização e as Controvérsias Terminológicas sobre a Denominação das Organizações que Operam Além-Fronteiras Autor: Jorge Augusto de Sá Brito e Freitas (Doutor em Administração de Empresas pela PUC-Rio. Professor do Mestrado em Administração e Desenvolvimento Empresarial da Universidade Estácio de Sá.) Resumo Este artigo é resultado de uma pesquisa bibliográfica exploratória sobre as diversas facetas da globalização e sobre as controvérsias ligadas às operações além-fronteiras. Para alcançar tal objetivo, o artigo começa discutindo as concepções de globalização e de globalismo; passa, depois, a examinar a contribuição dos estudos culturais; para, então, discutir a face sócio-política da globalização. Por fim, dedica-se a verificar as fontes das controvérsias e divergências terminológicas que assolam os textos sobre as operações internacionais das organizações. Palavras-chave: Globalização. Globalismo. Terminologia. Organizações transnacionais. [topo] Abstract This article is the result of a bibliographical research, under an exploratory view, about the many features of globalization and also, about the controversies related to operating beyond boundaries. In order to achieve this goal, this article begins by discussing the various conceptions of globalization and globalismo; after this, it examines the contribution of the cultural studies field; and so, it discusses the social-political feature of globalization. Despite many sources of terminological controversy or divergence on globalization have been verified, in order to avoid many pitfalls in academic texts on international management of corporations. Keywords: Globalization. Globalism. Terminology. Transnational organizations. [topo] 1. INTRODUÇÃO Este artigo tem caráter exploratório e é calcado em pesquisa bibliográfica feita pelo autor, quando decidiu estudar a globalização com vistas a incorporá-la dentro de um quadro referencial teórico que permita examinar diversas variáveis que interagem na criação e desenvolvimento do conhecimento interorganizacional a partir das relações entre matrizes estrangeiras e suas subsidiárias no Brasil. O objetivo é, a um só tempo, mostrar a complexidade desse tema fascinante e atual, de um lado, e balizar a navegação inicial do leitor interessado pelos múltiplos aspectos da globalização que afetam o desempenho das organizações que se lançam em atividades além das fronteiras nacionais. O artigo começa discutindo as concepções de globalização e de globalismo; passa, depois, a examinar a contribuição dos estudos culturais; para, então, discutir a face sócio-política da globalização. Por fim, dedica-se a verificar as fontes das controvérsias e divergências terminológicas que assolam os textos sobre as operações internacionais das organizações. 2. AS CONCEPÇÕES DE GLOBALIZAÇÃO A revisão, ainda que sucinta, do referencial teórico sobre globalização é tarefa extremamente difícil porque, sob esse rótulo, encontramos perspectivas bastante diferentes, em um leque que vai desde uma postura laudatória até uma crítica mais acerba, passando pelo conformismo face ao inevitável; ou então, que transita de uma visão limitada apenas ao econômico e ao político até a procura por um holismo (COSTILLA, 2000; HARRIS, 2002b; PARKER, 1998,1999). O conceito de globalização tem sido usado, de maneira crítica ou não, para focar atenção nas inter-relações dinâmicas entre assuntos internacionais, regionais, nacionais e locais, de um lado; e de outro, todos os campos do interesse humano, incluindo a economia, a ciência, a tecnologia, a política, a religião, a cultura, as comunicações, o transporte, a educação, a saúde e a ecologia (HARRIS, 2002b). Mesmo assim, há pelo menos tantas visões de globalização quantas forem as disciplinas das ciências sociais (PIETERSE, 1995). Além disso, a globalização denomina muitas coisas: um processo, uma época, um discurso, uma promessa, uma ameaça, um modo de ver o mundo, um novo tipo de transdisciplina (DENNING, 2001); ou pode ser usada como um meta-conceito para explicar a variedade de processos, estruturas, forças, agentes e efeitos inter-relacionados e complexos. Aqueles que assim a vêem, estão usando perspectivas multiníveis, interdisciplinares ou holísticas. A globalização é um tópico inclassificável, que não é propriedade de nenhum campo específico e que, embora

12 pareça estar voltado predominantemente para a política e a economia, está também ligado à cultura, à sociologia, à informação, aos meios de comunicação, à ecologia e permeia a vida diária (JAMESON, 1998). Há muita confusão e dissenso sobre a definição de globalização, suas causas, seus impactos, sua evolução futura e as possíveis alternativas a ela (HELD et al., 1999). A discussão sobre a globalização está centrada nas indagações a respeito de cinco questões principais: a) se a globalização está ocorrendo; b) se está produzindo convergência e integração; c) se está solapando a autoridade dos Estados-nações; d) se caracteriza uma nova era na humanidade e, caso positivo, em que ela difere da era precedente, de modernidade; e e) se está levando a uma cultura global, a uma homogeneização de modos de pensar e agir (GUILLÉN, 2001). O discurso da globalização tem estabelecido dois lados opostos. Um lado acha que o processo de integração econômica, política e cultural global está levando a uma progressiva integração da humanidade. Essa é a imagem usual da globalização apresentada pelos meios de comunicação de massa: a de um mundo onde as fronteiras econômicas, comerciais e financeiras entre as nações entraram em colapso e que isso é algo intrinsecamente bom e natural, e não um fenômeno contraditório cujos efeitos negativos muitas vezes não são desvendados (COSTILLA, 2000). Nessa visão rósea, os líderes globais estão se esforçando para diminuir as disparidades de renda; procuram criar mais empregos para trabalhadores do conhecimento não apenas nos países centrais, mas também nos periféricos; reconhecem e fortalecem as culturas locais; e procuram compartilhar o controle das operações (HARRIS, 2002a). Seria, pois, a mais recente retórica do triunfalismo capitalista (DENNING, 2001). Esses mesmos defensores da globalização afirmam que ela é estimulada a partir de quatro grandes imperativos: o tecnológico; o ecológico; o de mercado; e o de recursos (HARRIS, 2002a). O uso da palavra imperativo permite desnudar a existência de uma ideologia liberal subjacente àqueles que ressaltam só os pontos positivos da globalização, pois ela, segundo seus defensores, não poderia ser diferente do que se nos apresenta, já que se chegou a suas feições atuais pela obediência a imperativos. O papel da tecnologia parece ser mais o de facilitador do que, por si só, o de um estimulador da globalização. A planetarização das comunicações, da ciência e da tecnologia e, notadamente da tecnologia da informação, é uma tendência acelerada; já deixou de ser apenas uma figura de retórica, mas ainda não é um fato, haja vista a discussão contemporânea da exclusão digital, para se ficar apenas no caso mais evidente. No tocante à ciência e à tecnologia, as fontes irradiadoras estão localizadas quase sempre em países avançados e a proteção à propriedade intelectual, às marcas e às patentes demonstra claramente que as barreiras estão de pé, não há compartilhamento e a difusão do conhecimento, notadamente o científico, é controlada. O imperativo ecológico é, também, mais um objetivo a ser alcançado, com uma trajetória árdua a percorrer, do que um mandamento que configure o fenômeno atual da globalização. Realmente, a ecologia deveria exigir um pensar global, mas parece que há interesses (imperativos?) que são mais imperativos que os outros... Todos os outros três grandes imperativos (de mercado, de recursos e tecnológicos) são priorizados em relação ao imperativo ecológico, até porque a globalização foca o presente, o curto prazo e o passado recente (DENNING, 2001a). A ecologia só se torna um impulsionador da globalização se houver uma real mudança de paradigma, dentro de uma visão integrativa da vida, como preconizada por certos autores (CAPRA, 2002; HENDERSON, 1995; RUSSELL, 1991; WEIL, 1993; WHEATLEY, 1996). Um elemento impulsionador não é algo que possa ser copiado. Há diferenças notáveis entre os ecossistemas e as comunidades humanas - como a comunicação e a linguagem -, mas o que importa é que os humanos podem aprender com os ecossistemas a sustentabilidade da vida (CAPRA, 1999). O imperativo de mercado a que Harris (2002a) se refere está claramente eivado da ideologia liberal, já que apresenta os valores do livre mercado, da livre conversibilidade das moedas, do acesso aberto ao sistema financeiro internacional como impulsionadores da globalização, o que tem levado ao surgimento de grandes conglomerados bancários privados internacionais. Parece que o sintoma foi corretamente apontado, mas as causas mais profundas, de natureza política, com o esboroamento do sistema mundial dos três mundos, foram negligenciadas. O imperativo de mercado constata, portanto, as razões de superfície pelas quais, por exemplo, uma nova leva de bancos estrangeiros despertou para o mercado bancário brasileiro como ele se apresentava no final dos anos 90: financeiramente fraco de reservas, mercadologicamente promissor, já familiarizado aos avanços de tecnologia de informação (como, por exemplo, na compensação bancária). Essas mudanças do mercado global exigem uma capacidade de resposta organizacional diferente da desenvolvida para o mercado doméstico, levando a novos experimentos interorganizacionais, como as fusões, aquisições, parcerias e alianças. As empresas passam a trabalhar em rede, porque a sociedade também está em rede, a cultura é uma rede, o conhecimento é uma rede, a vida é uma rede (CAPRA, 2002; CASTELLS, 2000; MATURANA e VARELA, 2001). A mesma visão superficial e unilateral da globalização está presente no chamado imperativo de recursos, onde haveria um intercâmbio de recursos entre os países avançados, detentores de capital fixo e financeiro; de ciência e de tecnologia de ponta; e de capital pensante ( brainpower ), com os países em desenvolvimento ou melhor, em diferentes graus de atraso ávidos por aqueles recursos e dispostos a trocá-los por seus recursos naturais e pelos serviços subalternos de sua força de trabalho superabundante, subempregada e de baixa qualificação. Por outro lado, os críticos à globalização a vêem como um processo altamente injusto de expansionismo das corporações transnacionais que envolve a exploração crescente de grande parte da humanidade e tem conduzido a uma degradação crescente da biosfera (HARRIS, 2002b). Muitas vezes, essa visão se concentra nas acusações à hegemonia norte-americana, que submeteria o mundo a seu poder político, militar e financeiro, o que, apesar de importante, é uma redução e uma mistura inadequada de concepções teóricas entre globalização e hegemonia. Globalização, no entanto, não é algo que se possa ser a favor ou contra, pois é uma tentativa de dar nome ao presente; e suas antinomias são a demonstração cabal da natureza inacabada do presente (DENNING, 2001). Globalização é um fenômeno que não pode ser reduzido à política e à economia, pois afeta o campo sóciocultural e das comunicações. Em um esforço de síntese e de divulgação do tema, Friedman (1999) diz que a globalização é um processo de universalização da política e dos mercados, enquanto as fronteiras se mantêm porosas, mas reconhece que ela repousa na maior interdependência das economias, dos sistemas políticos, da cultura e das sociedades. Held et al. (1999) consideram-na como um processo global de aumentar, para além das fronteiras, o fluxo de produtos, serviços, capitais, pessoas, informação e cultura. Entre os estudiosos

13 brasileiros, Ianni (1995) também ressalta a visão de globalização como processo, não só político-econômico, mas também sócio-cultural, incluindo problemas demográficos, ecológicos, de gênero, religiosos e lingüísticos. Para efeito deste artigo, prefere-se ficar com a conceituação de Parker (1998, p. 6), em que a globalização é vista como... a permeabilidade aumentada dos limites tradicionais de todos os tipos, incluindo os limites físicos de espaço e de tempo, dos Estados-nações e das economias, de indústrias e de organizações e limites menos tangíveis, como normas culturais ou premissas básicas. Assim, ela é um fenômeno e um processo que se espraia pelo mundo inteiro, atingindo as organizações, o papel dos negócios, os fluxos comerciais e de capital, a mobilidade e as transformações qualitativas da força de trabalho, a tecnologia, os sistemas políticos, os arcabouços institucionais e legais, as diversas manifestações de cultura e o meio ambiente (PARKER, 1998). Esse esboroamento de fronteiras atinge os modelos mentais do indivíduo e a compreensão que ele tem de si mesmo em relação aos outros (RHINESMITH, 1996) e permeia as fronteiras internas das organizações, afetando-as tanto verticalmente, na dissolução de limites entre os níveis hierárquicos; como horizontalmente, pela dissipação de delimitações funcionais e pela alteração dos mecanismos de controle e disciplina (ASHKENAS et al., 1995). Também não se deve examinar a globalização a partir da dicotomia global versus local. No domínio do antropológico, do cultural, necessita-se de uma abordagem complexa do fenômeno para incluir o que é local como espaço de resistência e de reformulação das tendências homogeneizantes que parecem envolver, para seus adeptos, o conceito de globalização. Na verdade, os processos de globalização e de localização não são dicotômicos, mas indivisíveis na vida contemporânea (FEATHERSTONE, 1996). De igual forma, as tendências à homogeneização são contrabalançadas por tendências hibridizantes (DENNING, 2001; PIETERSE, 1995). Alguns autores deixaram de lado essa dicotomia para fazer uma distinção tripartite. Assim, Sklair (2000) sumariou três diferentes concepções de globalização: a) uma concepção internacional ou Estado-centrista, em que globalização e internacionalização são vistas como sinônimas e corresponde à posição muitas vezes adotada por aqueles que vêem a primeira como ameaça; b) uma concepção transnacional: com foco nas práticas, nas forças e nas instituições transnacionais, onde o Estado é apenas um dentre vários fatores a serem considerados; e c) uma concepção globalista, onde se prevê que o Estado tende a desaparecer. Por outro lado, Held et al. (1999) sumariaram a mesma questão, arrolando três escolas, a saber: a) os hiperglobalizadores, que acreditam que as pessoas estão, em toda a parte, sujeitas às disciplinas do mercado global; b) os céticos, que vêem a globalização como um mito que esconde a realidade de uma economia internacional calcada na tríade dos grandes blocos regionais Estados Unidos, União Européia e Japão; c) os transformacionistas, que acreditam que os Estados e as sociedades estão experimentando mudanças sem precedentes e que tentam se adaptar a um mundo muito mais interconectado, mas altamente incerto. Nas escolas acima, vale lembrar que os hiperglobalizadores tendem a ser advogados ferrenhos da integração global, sob a égide do capitalismo corporativo transnacional, dos livres mercados e do chamado livre comércio, aderindo à ideologia neoliberal. 3. GLOBALISMO Outro termo que aparece com freqüência na revisão da literatura sobre globalização é o globalismo. Muitos o usam para descrever os valores, as idéias, as crenças, a ideologia dos que acreditam que a globalização promove a integração da humanidade. A corrente oposta considera que o globalismo é a ideologia daqueles que crêem que os seres humanos compartilham um planeta frágil e cuja sobrevivência exige respeito mútuo e tratamento cuidadoso da Terra e de todas as suas pessoas. Outros autores dão ao globalismo outro sentido, acreditando que se está efetivamente em uma nova era de globalidade, que superou a modernidade e a pós-modernidade, uma era em que os agentes globais ou transnacionais estão solapando a soberania política e econômica do Estado-nação e lançando os fundamentos de um único sistema econômico, cultural e político global (SKLAIR, 2000). Ianni (1995) considera o globalismo como uma nova lógica que engloba as relações, os processos e as estruturas de dominação e apropriação que se estão desenvolvendo em escala mundial. 4. GLOBALIZAÇÃO E ESTUDOS CULTURAIS Uma questão interessante que ilustra as tendências em direções opostas foi levantada por Kronig (2002), discutindo o impacto da televisão no mundo globalizado, onde se nota, de um lado, a tentativa de moldar um gosto global por imagens e bens, criados a partir dos logotipos e dos slogans publicitários; no entanto, por outro lado, a sobrevivência da democracia e da sociedade civil precisa de cidadãos informados, autônomos e independentes em seus julgamentos. Principalmente nos estudos culturais sobre a globalização, essas direções opostas e essas contradições estão muito presentes. King (1997) procura juntar duas teorias críticas - a teoria dos sistemas mundiais (WALLERSTEIN, 1999) e a dos diálogos críticos em estudos culturais (HALL, 1997) para examinar a globalização. É dos primeiros a reconhecer que a globalização intercepta os espaços da cultura e do conhecimento, mas deixa sem resposta a questão de se ela é uma força de homogeneização cultural ou se é um contra-movimento de resistência, de tradução local, de hibridização. Frow e Morris (2000) constatam que muitos autores dos estudos culturais não captam que as culturas podem ser, dependendo das circunstâncias, traços de união ou instrumentos de cisão. Partindo de estudos de literatura comparada, Jameson e Miyoshi (1998) constatam a imensa expansão da comunicação e do mercado mundiais e de como isso se reflete nos esforços políticos e econômicos dos Estados para tentar proteger suas culturas nacionais. Um modo de enxergar a ambivalência é considerá-la como um privilégio de poder vivê-la: é um privilégio dos que vivem em culturas nacionais resistir à globalização; ou é um privilégio dos que vivem vidas mais globais procurar facetas de emancipação (KAPUR, 1998).

14 Lowe e Lloyd (1997) exploram a faceta das ligações entre as diversas manifestações de cultura e os movimentos sociais e de como eles criam novas formas de subjetividade política, cuja face mais estridente tem aparecido nas manifestações anti-globalização. Todos os trabalhos resenhados nos três parágrafos precedentes apontam que o discurso da globalização criou um novo debate transdisciplinar, com a promessa de que surjam estudos culturais globais ou transnacionais. Outra conclusão que surge é de que a globalização é um processo, um circuito do fluxo global de comunicações e de bens materiais, mais do que uma cultura global ou uma grande narrativa histórica. Se for feito um paralelo entre a globalização e o pós-modernismo, fica fácil entender essa falta de um cânone estabelecido. A grande narrativa da globalização está na lógica abstrata do processo, quando se nos depara a pergunta se é uma lógica de homogeneização ou de hibridização, ou se surge a indagação sobre em que ponto desse circuito é gerado poder e em que pontos esse poder encontra resistência (DENNING, 2001). Dentro da visão fragmentada, quem mais esmiuçou as dimensões dos fluxos culturais globais foi Appadurai (1996, 2001), no seu esforço classificatório dos cinco panoramas globais - o étnico; o tecnológico; o financeiro; o midiático; e o ideológico - todos construídos sobre a imagem da relação móvel entre os acontecimentos da cultura de massas e as audiências migratórias. Ao contrário de Friedman (1999), que marcou com a queda do muro de Berlim, em 1989, o início da era da globalização, a visão dos estudos culturais aponta que a globalização é muito mais uma reflexão sobre os legados de um período que parece ter durado de 1945 a 1989, uma época dominada por uma particular imaginação do globo terrestre como sendo três mundos. Esse legado de um século XX muito curto foi marcado pelo secularismo, pelo planejamento, pela busca de direitos iguais, pela educação e pela modernização. Por outro lado, mudanças sociais profundas o impactaram, como a urbanização crescente; a favelização; a ascensão das ocupações exigindo educação formal, notadamente universitária; as transformações por que vêm passando as estruturas familiares (HOBSBAWN, 1995); e a precariedade e volatilidade do emprego (RIFKIN, 1995). Ianni (1995) aponta que a globalização das atividades bancárias e dos seguros, as mudanças da divisão internacional do trabalho e um vasto movimento migratório do Hemisfério Sul para o Norte suscitam um novo tipo de relação entre indivíduo, sociedade e economia, o que é corroborado por Parker (1999). Embora muitas vezes esse ponto seja descurado, o ambiente transcultural deve ser sempre cuidadosamente levado em conta em qualquer planejamento em nível global, norteando as decisões tomadas pelos executivos, organizações, indústrias, nações e regiões (KATSIOLOUDES, 2002). Por isso, os defensores e os contrários à globalização representam mentalidades ( mindsets ) contrastantes, separando cosmopolitas de provincianos. Apesar de ingênuo em algumas posições, Harris (2002a) detecta acertadamente que os reais inimigos da globalização não são encontrados no campo econômico, mas em fenômenos sócio-políticos amplos, como o provincianismo, o etnocentrismo, o racismo e o nacionalismo exacerbado. No entanto, o mesmo autor (Harris, 2002a) se deixa levar pela tentação de descrever um tipo ideal de organização global, com os seguintes atributos: - escopo transcultural, operando além das fronteiras e instituições nacionais; - políticas e mercados multinacionais; - cultura organizacional que usa a diversidade para maximizar o potencial das pessoas; - altos executivos com perspectiva multicultural e com preocupações universais; - respeito às culturas e sistemas sócio-políticos locais, usando efetivamente os recursos locais e regionais; e - serviços e produtos para um mercado global. 5. A FACE SÓCIO-POLÍTICA DA GLOBALIZAÇÃO O Brasil se insere no quadro multifacetado da globalização desses últimos 15 anos com sinalização ambivalente, através da ênfase no modelo exportador de commodities, na intensidade de seu envolvimento como o mercado financeiro internacional, pela onda de privatizações, pela consolidação da redemocratização do país, pela diminuição dos níveis do emprego formal, pela queda do salário médio real e pela fragmentação das atividades locais. Reformas sociais e políticas superficiais seguiram-se à reforma do Estado burocrático-autoritário brasileiro, a exemplo do que ocorreu igualmente, em data mais recente, com o México (HARRIS, 2002b). A soberania do Estado foi posta em xeque pela dependência das instituições financeiras supranacionais, em função do grau de endividamento externo, abrindo caminho para que grandes grupos de serviços financeiros estrangeiros aproveitassem a abertura para fincar pé através de aquisição de bancos nacionais. Também nesse ponto, encontram-se perspectivas antagônicas. Uma perspectiva política da globalização vê o Estado apenas como uma instituição burocrático-administrativa, cuja função seria executar as políticas que surgem do livre jogo das forças sociais presentes no sistema político. A ela se contrapõe uma outra ótica, que reconhece no Estado um poder bem maior do que os poderes fragmentados que existem na sociedade. Para ela, o Estado não está sujeito ao sistema político, mas ele é o verdadeiro locus do sistema. Esse tipo de questão é enfocada por Ianni (1998) sob o prisma das grandes afiliações teóricas das ciências sociais quanto à globalização. Malgrado muitas abordagens tentem ser meta-teorias, há duas grandes correntes: uma histórica, em que o próprio Ianni se inscreve; e outra sistêmica, cujos representantes que aqui apareceram resenhados são Castells e Sklair. Hardt e Negri (2000) abordam o aspecto político da globalização, dizendo que o conflito e a competição entre as diversas potências imperialistas que existiam anteriormente foram substituídos pela idéia de um Império capitalista global, que é uma potência superdeterminante que estrutura a todos de forma unitária e os trata conforme uma noção de direito internacional que é claramente pós-colonial e pós-imperialista. Já Castells (2000) vê a globalização como a interdependência e a mistura do local, do regional e do global, resultando no que Amin (1997) chamou de maior hibridização e perfuração da vida social, econômica e política. Ainda Castells (2000) aponta o surgimento de uma nova forma de Estado o Estado-rede -, onde instituições supranacionais, Estados nacionais, governos regionais e locais, bem como organizações não-governamentais estão ligados uns aos outros em uma rede de interação e de tomada de decisão que se torna a forma política

15 prevalecente em nossos dias. Essa visão sistêmica remete à importância da abordagem integrativa nas questões abordadas neste trabalho, na linha das contribuições de Capra (2002) e de Maturana e Varela (2001). Tem-se, contudo, de tomar cuidado para não colocar tudo sob as lentes da globalização, como alerta Harris (2002b), já que o discurso da corrente dominante é simplesmente uma forma reificada de falar a respeito dos efeitos do capitalismo sem que se precise falar a respeito do próprio capitalismo, pois, dentro dessa ótica, a globalização é uma forma inerentemente conservadora de falar dos processos sociais atuais. 6. CONTROVÉRSIAS TERMINOLÓGICAS QUANTO ÀS ORGANIZAÇÕES QUE OPERAM ALÉM- FRONTEIRAS Este item se propõe a discutir brevemente o uso dos vários adjetivos empregados ao longo deste trabalho e dos estudos sobre o tema, mais notadamente o emprego de internacional, multinacional, global, transnacional, glocal e multilocal. Bartlett e Ghoshal (1989) apresentaram uma definição para vários desses termos, como se fossem círculos crescentemente centrífugos a partir da operação doméstica: a) a organização internacional é a federação coordenada onde a matriz transfere conhecimento e perícia para os mercados externos; b) a organização multinacional é uma federação descentralizada de ativos e responsabilidades que permite que as operações no exterior possam responder a diferenças locais; c) a organização global é um centro de convergência ( hub ) onde muitos ativos e decisões são centralizados; d) a organização transnacional é uma rede integrada onde se procura equilibrar a eficiência com a capacidade de resposta local para obter, ao mesmo tempo, competitividade e flexibilidade em um organização dedicada à aprendizagem organizacional e à inovação. Essas definições induzem à conclusão de que as organizações internacionais, multinacionais e globais não atendem às exigências da globalização, o que só poderá ser feito pelas transnacionais (BARTLETT e GHOSAL, 1989). As organizações globais têm sido também usadas de várias maneiras, para uns estando associadas ao uso de estratégias globais, o que pode merecer reparos haja vista uma organização poder ter um padrão integrado para uma linha de negócios e dar respostas locais em outras linhas. Mais comumente, uma organização global reuniria cinco características (PARKER, 1998): a) recursos provenientes do mundo todo; b) considerar o mundo todo como sua casa; c) estabelecer sua presença no mundo todo; d) adotar uma estratégia global; e e) transcender fronteiras internas e externas. Ao tipo de organização que procura equilibrar padrões para o mundo inteiro com a diferenciação local de produtos e serviços, Ashkenas et al. (1995) a chamam de glocal, enquanto Yip (1995) a denomina de multilocal. 7. COMENTÁRIOS FINAIS Ao longo deste artigo, preferiu-se usar o termo transnacionais, não só pelo sentido mais abrangente, mas também porque foi consagrado pelas Nações Unidas desde 1975, em seu United Nations Center for Transnational Corporations (UNCTC, 1987) e também porque tem sido considerado como sinônimo de multinacionais (DANIELS et al., 2003). Eventualmente, aparecem também os termos multinacionais e globais, sem que, com isso, se tenha assumido um compromisso com uma definição precisa entre eles, além das considerações feitas acima. O campo terminológico continua em construção e, apesar dos esforços de alguns acadêmicos e consultores para vir a sistematizá-lo, tudo leva a crer que as inúmeras facetas do fenômeno repercutam sobre as organizações alterando as denominações como em um caleidoscópio. 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMIN, S. Placing globalization. Theory, Culture, and Society, v. 14, n. 2, p , APPADURAI, A. Modernity at large: cultural dimensions of globalization. Minneapolis: University of Minnesota Press, Globalization. Durham, NC: Duke University Press, ASHKENAS, R. et al. The boundaryless organization: breaking the chains of organizational structure. San Francisco, CA: Jossey-Bass, BARTLETT, C. A.; GHOSHAL, S. Managing across borders: the transnational solution. Cambridge, MA: Harvard Business School Press, CAPRA, F. A teia da vida: uma nova compreensão científica dos sistemas vivos. São Paulo: Cultrix, As conexões ocultas: ciência para uma vida sustentável. São Paulo: Cultrix, CASTELLS, M. A sociedade em rede. v ed. São Paulo: Paz e Terra, COSTILLA, L. F. O. The reconstitution of power and democracy in the age of capital globalization. Latin American Perspectives, v. 27, n. 1, p , DANIELS, J. D.; RADEBAUGH, L. E.; SULLIVAN, D. P. International business: environments and operations. 10. ed. Englewood Cliffs, NJ: Prentice-Hall, DENNING, M. Globalization in cultural studies: process and epoch. European Journal of Cultural Studies, v. 4, n. 3, p , FEATHERSTONE, M. Localismo, globalismo e identidade cultural. Sociedade e Estado, v. 11, n. 1, p. 5-14, FRIEDMAN, T. L. The Lexus and the olive tree: understanding globalization. New York: Farrar, Straus and

16 Giroux, FROW, J.; MORRIS, M. Cultural studies. In: DENZIN, N. K.; LINCOLN, Y. S. (ed.). Handbook of qualitative research, 2. ed. Thousand Oaks, CA: Sage, 2000, p GUILLÉN, M. F. Is globalization civilizing, destructive or feeble?: a critique of five key debates in the social science literature. Annual Review of Sociology, v. 27, p , HALL, S. The local and the global: globalization and ethnicity. In: KING, A. D. (ed.). Culture, globalization and the world-system: contemporary conditions for the representation of identity. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1997, p HARDT, M.; NEGRI, A. Império. Rio de Janeiro: Record, HARMAN, W.; HORMANN, J. O trabalho criativo: o papel construtivo dos negócios em uma sociedade em transformação. 3. ed. São Paulo: Cultrix, HARRIS, P. R. European challenge: developing global organizations. European Business Review, v. 14, n. 6, p , HARRIS, R. L. Globalization and globalismo in Latin America: contending perspectives. Latin American Perspectives, v. 29, n. 6, p. 5-23, HELD, D. et al. Global transformations: politics, economics, and culture: Stanford, CA: Stanford University Press, HENDERSON, H. Transcendendo a economia. São Paulo: Cultrix, HOBSBAWN, E. A era dos extremos: uma história do mundo, São Paulo: Companhia das Letras, IANNI, O. Teorias da globalização. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, Las ciencias sociales em la época de la globalización. Revista de Ciencias Sociales, v. 7/8, JAMESON, F. Preface. In: JAMESON, F.; MIYOSHI, M. (ed.). The cultures of globalization. Durham, NC: Duke University Press, 1998, p. XI-XVII. JAMESON, F.; MIYOSHI, M. (ed.). The cultures of globalization. Durham, NC: Duke University Press, KAPUR, G. Globalization and culture: navigating the void. In: JAMESON, F.; MIYOSHI, M. (ed.). The cultures of globalization. Durham, NC: Duke University Press, 1998, p KATSIOLOUDES, M. I. Global strategic planning: cultural perspectives for profit and non-profit organizations. Woburn, MA: Butterworth-Heinemann, KING, A. D. Spaces of culture, spaces of knowledge. In: KING, A. D. (ed.). Culture, globalization and the world-system: contemporary conditions for the representation of identity. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1997, p KRONIG, J. Élite versus mass: the impact of television in an age of globalization. European Business Review, v. 13, n. 3, p , LOWE, L.; LLOYD, D. (ed.). The politics of culture in the shadow of capital. Durham, NC: Duke University Press, MATURANA, H. R.; VARELA, F. J. A árvore do conhecimento: as bases biológicas da compreensão humana. São Paulo: Palas-Athena, PARKER, B. Globalization and business practice: managing across boundaries. London: Sage, Evolução e revolução: da internacionalização à globalização. In: CLEGG, S. R.; HARDY, C.; NORD, W. R. (org.). Handbook de estudos organizacionais, v. 1. São Paulo: Atlas, 1999, p PIETERSE, J. N. Globalization as hybridization. In: FEATHERSTONE, M.; LASH, S.; ROBERTSON, R. (ed.). Global modernities. London: Sage, RHINESMITH, S. H. A manager s guide to globalization. 2. ed. New York: McGraw-Hill, RUSSELL, P. O despertar da Terra: o cérebro global. São Paulo: Cultrix, SKLAIR, L. The transnational capitalist class and the discourse of globalization Acesso em 02/12/2004. United Nations Center on Transnational Corporations (UNCTC). Foreign direct investment, the service sectors and international banking. New York: United Nations, WEIL, P. Axiomática transdisciplinar para um novo paradigma holístico. In: WEIL, P.; D AMBROSIO, U.; CREMA, R. Rumo à nova transdisciplinaridade: sistemas abertos de conhecimento. 3. ed. São Paulo: Summus, WALLERSTEIN, I. Análise dos sistemas mundiais. In: GIDDENS, A.; TURNER, J. (org.). Teoria social hoje. São Paulo: UNESP, 1999, p WHEATLEY, M. J. Liderança e a nova ciência: aprendendo organização com um universo ordenado. São Paulo: Cultrix, YIP, G. S. Total global strategy. Englewood Cliffs, NJ: Prentice Hall, 1995.

17 Valores Individuais e Formação para o Trabalho Autor: Isabel de Sá Affonso da Costa (Doutora em Administração pela Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas - EBAPE/FGV. Professora do Mestrado em Administração e Desenvolvimento Empresarial da Universidade Estácio de Sá e pesquisadora do Núcleo de Estudos de Carreiras da EBAPE/FGV.) Roberto da Costa Pimenta (Doutorando em Administração na Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas - EBAPE/FGV, Mestre em Administração Pública pela EBAPE/FGV e pesquisador do Núcleo de Ética nas Organizações da EBAPE/FGV.) Resumo Neste artigo, discutimos a importância do estudo dos valores para a ação organizacional. Esta discussão se articula às transformações no contrato psicológico de trabalho e a conseqüente ascensão de um novo conjunto de valores que o conformam. Apresentamos os entendimentos sobre valores que sustentam os principais estudos produzidos no campo da pesquisa organizacional. E, salientamos que, apesar do crescente aumento da produção acadêmica sobre o tema, o predomínio de um único ponto de vista metodológico, restringe as possibilidades de avanço no campo do pensamento administrativo contemporâneo. Finalizamos o artigo com uma sugestão alternativa a esse monismo metodológico, a aplicação de uma perspectiva relacional de análise. Palavras-chave: valores, trabalho, organizações, perspectiva relacional. [topo] Abstract This paper discusses the importance of the study of values for understanding organizational action. This issue is articulated to the transformations undergone by the psychological contract in working relations and the raising of a related new set of values. We present how values have been approached in the organizational research field. We state that the increasing academic production on values has not overcome the prevalence of a sole methodological point of view, thus hindering the possibilities of advancing in the study of values in the contemporary organizational field. We close with an alternative proposal to this methodological monism: a relational perspective of analysis, based on Bourdieu s work. Keywords: values, work, organizations, relational perspective. [topo] 1. INTRODUÇÃO Nas últimas décadas, a literatura organizacional assistiu à ascensão, ao centro das discussões, do indivíduo e sua relação com a organização. Essa prioridade da abordagem com foco no indivíduo sobre a abordagem tradicional estrutura-processo, dentro da teoria das organizações, pode ser percebida na valorização sem precedentes das correntes antropológicas e psicanalíticas de análise organizacional, bem como na proliferação das metodologias de pesquisa de cunho interpretativo. O vocabulário, que emerge dessas correntes de pensamento, traz noções como subjetividade, intuição, emoção, interação entre indivíduos, laços afetivos e criatividade e essas correntes evoluem de maneira consistente na proposição de novas linguagens e abordagens para a compreensão da realidade organizacional (ver, por exemplo, MORGAN, 1986; BURRELL, 1998; MOTTA e FREITAS, 2002; DAVEL e VERGARA 2001). Um dos temas de maior atenção no momento atual tem sido as transformações nas relações de trabalho. Fenômenos relativamente novos, como o fim da relação de longo prazo organização-empregado, a busca por autonomia, a constante pressão por resultados e a necessidade de atualização continuada, determinada pela empregabilidade, se traduzem em novas expectativas por parte de indivíduos e organizações. Não apenas o fim do emprego, o que está em cena é a mudança do contrato psicológico de trabalho, que se articula, em última instância, sobre uma transformação nos valores individuais e organizacionais sobre a emergência de um conjunto de valores associados ao individualismo. O impacto desse novo contexto se manifesta nos mais diversos foros: na discussão sobre a transformação nas carreiras, nos debates acerca da atualização dos currículos de graduação com vistas a formar pessoas mais empreendedoras, no discurso de dissociação entre trabalho e emprego, no reconhecimento, pelos estudos organizacionais, da emergência do empreendedor de si como o indivíduo adequado à sustentação da lógica organizacional atual (DUGAY, SALAMAN e REES, 1996), bem como nas iniciativas organizacionais para formatação desse indivíduo empreendedor dentre as quais a transmutação dos antigos departamentos de

18 T&D em universidades corporativas merece destaque. No entanto, alguns estudos começam a apontar que valores associados ao individualismo, como responsabilização e autonomia, podem estar sendo apropriados de maneira diferente pela literatura gerencial e pelos indivíduos (BALASSIANO e COSTA, 2006). As conseqüências desse distanciamento podem ser ações organizacionais sem efetividade, desperdício de esforços, desinteresse e desmotivação por parte dos empregados. As questões ligadas ao tema dos valores estão presentes em muito da literatura contemporânea em diversas áreas de conhecimento. Na literatura especializada em teoria organizacional não poderia ser diferente. A importância dos valores como condicionantes do comportamento, das decisões, da cultura e do clima organizacionais vem sendo amplamente reconhecida. Nos últimos dez anos, assistimos a um crescente uso do termo valores no discurso relativo às questões organizacionais, e alguns autores consideram a retomada da questão ética e temas afins como fundamental para a compreensão e possibilidade de ação organizacional (CHANLAT, 1998). A idéia basilar na qual se apóiam tais iniciativas é a de que os valores são imprescindíveis para a compreensão de vários dos fenômenos sócio-psicológicos e culturais da atualidade. Mais especificamente em relação às organizações, a discussão dos valores pode ser articulada a questões várias, como processo decisório, controle e escolhas estratégicas, e especialmente aos temas relacionados à gestão de pessoas. Contribui, ainda, para a retomada do interesse pelos valores a realidade de fragmentação social, ameaças sobre o meio ambiente, desafios advindos do progresso tecnológico sem precedentes, globalização e mercantilização generalizada dos seres humanos e das coisas (CHANLAT, 1998). Os desafios contemporâneos impõem novas exigências sobre a ação organizacional (surgimento da noção de empresa cidadã) e redesenham o perfil adequado aos profissionais. No entanto, embora seja evidente a complexidade dos valores no universo organizacional, seu estudo tem recebido tratamento bastante tradicional na literatura administrativa. O potencial explicativo do referencial teórico que fundamenta a maioria dos trabalhos relativos aos valores humanos nas organizações está sob questionamento (VIEIRA, 2003). Este texto tem como objetivo contribuir para a reflexão sobre a relevância dos estudos dos valores para uma compreensão mais acurada a respeito da realidade organizacional. Salienta-se que o predomínio de uma única perspectiva metodológica restringe as possibilidades de avanço no conhecimento. Finaliza-se com uma sugestão alternativa ao monismo metodológico: a aplicação de uma perspectiva relacional de análise. 2. RELAÇÃO COM O TRABALHO: VALORES INDIVIDUAIS Como a experiência mostra e diversos estudos corroboram, os valores individualistas têm emergido como eixo de sustentação do contrato psicológico do trabalho. Em lugar dos antigos valores de lealdade e conformação às regras organizacionais, o que se preconiza como atributos desejados ao trabalhador, hoje, varia em torno das características do empreendedor de si (DUGAY, SALAMAN e REES, 1996): iniciativa, autoconfiança, e a habilidade de aceitar responsabilidade por si e por seus próprios atos. Esses traços não se referem apenas a atitudes ou comportamentos adequados ao ambiente de trabalho, mas à formatação de um novo sujeito o que exige a introjeção de um conjunto de valores associados à noção de indivíduo: uma ideologia individualista. A incorporação da ideologia individualista tem como ponto central a valorização do indivíduo como sujeito normativo das instituições sociais; esta ideologia pressupõe que o indivíduo deve ser livre para fazer suas escolhas e defender seus interesses e, na defesa desses interesses, contribui para a construção de uma coletividade forte. Subjacente ao individualismo está a valorização da noção de interesse, que é entendido como legítima manifestação das individualidades e garantia de equilíbrio numa sociedade igualitária. (LEMOS, 2006, p.59) No entanto, a ascensão desse novo sujeito não parece ter implicado em inovação na maneira de entendê-lo em sua relação com o trabalho. As propostas da literatura gerencial não abandonam certos pressupostos mais apropriados a uma visão de seres humanos como recursos e, como tais, amenos às intenções de planejamento, ação e controle organizacionais. Mais do que isso, atribuem essa mesma lógica mecanicista aos indivíduos que compõe a organização. No entanto, a relação dos indivíduos com o trabalho e com suas trajetórias profissionais pode se afastar bastante da lógica refletida no mainstream da literatura gerencial. Como recente pesquisa explorou (COSTA e CAMPOS, 2006), valores como autonomia, flexibilidade e responsabilização, embora presentes nos discursos de ambas as partes, parecem assumir sentidos totalmente diversos em cada caso. Para os indivíduos, esses valores se articulam a quatro posturas individuais ou traços, todos ligados à construção do self: 1. abertura ao acaso 2. disposição para construir a si mesmos 3. motivação para o vir a ser 4. lealdade a si mesmos Em contrapartida, para boa parte da literatura gerencial o preconizado são atitudes como antecipação e busca de maximização de resultados, num claro afastamento entre as propostas gerenciais e os valores individuais. O maior impacto desse descasamento se dá, sem dúvida, na gestão de pessoas. Parece ser consenso que, cada vez mais, os indivíduos deverão se responsabilizar por seu próprio destino profissional, tendo a organização como parceira. Nessa lógica da empregabilidade, assume importância central a formação do trabalhador. Organizações que não oferecem oportunidades de desenvolvimento perderão atratividade para os melhores talentos. Indivíduos que não forem capazes de manter suas habilidades atrativas

19 para o mercado perderão espaço. Nesse novo cenário, a competência na formação contínua para o trabalho torna-se um dos principais ativos tanto de indivíduos quanto de organizações. Assim, sob pena de esforços desperdiçados de ambas as partes, como se pode avançar na efetividade das ações de formação para o trabalho, sem se explorar a questão dos valores individuais? Essa é a contribuição que se pretende dar nas seções seguintes deste artigo. 3. VALORES ORGANIZACIONAIS VS VALORES INDIVIDUAIS A despeito da importância que vem sendo atribuída ao tema dos valores nos estudos teóricos e empíricos relativos às organizações, sua conceituação permanece imprecisa e, por vezes, obscura. Poucas são as propostas de estudo que conseguem defini-los com clareza e objetividade. É comum encontrar abordagens voltadas para os valores organizacionais, considerados como algo destacado dos indivíduos que compõem a organização, como se pode inferir das seguintes definições, tomadas da literatura: 1. Princípios ou crenças, organizados hierarquicamente, relativos a tipos de estrutura ou modelos de comportamento desejáveis que orientam a vida da empresa e estão a serviço de interesses individuais, coletivos ou mistos (TAMAYO e GONDIM, 1996). 2. Justificações e aspirações ideológicas mais generalizadas (KATZ e KAHN, 1978). Essas definições apresentam os valores como ligados à estrutura organizacional e funcionam com um papel ideológico. Em contraposição a essa abordagem organizacional, algumas definições de valores são mais abrangentes, e se aproximam mais da visão que permeia tanto o senso comum quanto a filosofia: 1. Crenças pessoais, especialmente sobre o "bom", o "justo" e o "belo", ou as que nos impelem à ação, para um particular tipo de comportamento e de vida. (LEWIS, 1991). 2. Geralmente sugerem valores morais, onde moral refere-se a tudo que é certo, apropriado e bom. (KIDDER, 1994) 3. Crenças duradouras que servem de princípios orientadores para a vida. (ROCKEACH, 1973) Para Kidder (1994), é possível pensar nos conceitos de valores como ocupando quatro níveis descendentes: dos valores, de onde se forma a visão, até a tática, que é por meio do que se fazem as mudanças práticas. A confusão destes conceitos cria algumas dificuldades para as organizações, pois, muitas vezes, se investe muito tempo e grandes esforços no nível errado de atividade, gerando desgaste para as lideranças. Além disso, o poder dos valores compartilhados é ignorado por grupos que se fragmentam e se opõem em diversas disputas táticas. A perspectiva da Psicologia Organizacional é a visão que tem prevalecido nos estudos acerca dos valores nas organizações. De acordo com esta abordagem, estes valores são definidos como princípios ou crenças, organizados hierarquicamente, relativos a estados de existência ou a modelos de comportamento desejáveis que orientam a vida da organização e estão a serviço de interesses individuais, coletivos ou mistos. A fonte deles é constituída por exigências da organização e dos indivíduos que a compõem. Segundo os autores da Psicologia Organizacional, os valores são crenças valorizadas, enfatizadas e que são socialmente aceitas como princípios que orientam a vida da organização, funcionando como padrões para o julgamento e a justificação do comportamento. A base dos valores está centrada na motivação; na expressão dos interesses e desejos dos indivíduos e da coletividade. Valores organizacionais não devem ser confundidos, então, com normas. As normas definem explicitamente as formas de comportamento esperadas dos membros de uma organização e os valores proporcionam uma justificativa mais elaborada e generalizada, tanto para o comportamento apropriado, como para as atividades e funções do sistema. Para Tamoyo e Paz (2000), os valores estariam além das próprias normas e constituiriam uma espécie de ideologia organizacional. Em síntese, se a concepção aceita de valores é a de que estes são crenças e, como tal, estão ligados a saber, a conhecimento, a cognição, como poderíamos pensar em valores organizacionais como corpo articulado, próprio da organização e descolado dos indivíduos que a compõem? Que lógica fundamentaria esta noção? Para que se possa pensar em valores organizacionais como algo destacado das pessoas que integram a organização, e ao mesmo tempo como um corpo coerente de noções capaz de ser reconhecido e vivenciado como tal pelos integrantes da organização, seria preciso partir do princípio de que tais valores podem ser incutidos no indivíduo e que este os apreenderia de maneira semelhante aos outros indivíduos que integram a organização. Isto, por sua vez, exigiria que todos os integrantes da organização tivessem um conjunto de valores pessoais também semelhantes, que permitisse a apreensão, a avaliação e a aceitação (via cognição) do conjunto de valores novos, proposto pela organização. Por fim, a aceitação de um conjunto de valores organizacionais como um corpo independente das pessoas que compõem a organização levaria necessariamente a acreditarmos que a entrada ou saída de pessoas de uma organização não levaria a mudanças significativas nos valores dessa organização - e isto não parece ser o geralmente observado. O exposto acima não pretende negar o fato de que as organizações realmente procuram incutir valores nos indivíduos, mas é superficial acreditar que os valores organizacionais são ou possam ser a dimensão central do ser humano, e que o esforço de incuti-los nos indivíduos possa se traduzir em algo uniforme, ou ainda, que os valores organizacionais pertencem às organizações e não às pessoas que a integram. É, também, errôneo desconsiderar o conjunto de valores prévios, pessoais, que cada um possui e que influencia significativamente, por meio da cognição, na aceitação ou não de outros valores. Assim, talvez fosse mais correto falar em valores vividos na organização (ou valores construídos e sustentados na convivência organizacional), e não valores ditos organizacionais. É certo que os valores vividos na organização não são a mesma coisa que a soma ou alinhamento dos valores

20 individuais das pessoas que a integram. Eles são o produto da interação desses diversos valores individuais no dia a dia da organização, a contribuição de cada parte (indivíduo) se dando de acordo com seu poder dentro da mesma. Ou seja, se reconhece que os líderes de uma organização tenham maior poder para impor seus valores à organização como um todo, mas isso não significa que a empresa seja meramente um espelho dos valores da alta direção. Na interação com os demais escalões, esses valores serão moldados e transformados em outros. Assim, se percebemos que uma organização é norteada por aspectos técnicos e tecnológicos enquanto outras centram suas preocupações no bem-estar do indivíduo, isso não se dá por acaso, nem por opção de uma entidade independente que costumamos denominar organização. É bem provável que isto se deva ao fato de grupos dominantes terem sido capazes de impor às pessoas que trabalham na organização uma ou outra ótica como a mais adequada à sua condução. Duas abordagens têm sido tradicionalmente utilizadas para identificar e avaliar os valores organizacionais. A primeira, essencialmente qualitativa na maior parte dos estudos, investiga os valores a partir de análises documentais e encontra dificuldades na incongruência entre o discurso presente nos dispositivos e a práxis do cotidiano organizacional. A segunda abordagem se apóia na média dos valores individuais daqueles que atuam nas organizações para a estimativa dos valores organizacionais e, também apresenta limitações analíticas evidentes. Os trabalhos mais recentes buscam alternativas às abordagens tradicionais a partir da percepção dos indivíduos acerca dos valores existentes e praticados nas organizações, com o objetivo de identificar as prioridades axiológicas da organização. (TAMOYO et al., 2000) Embora a maioria dos trabalhos priorize como objetivo o teste de modelos explicativos, a ausência de instrumentos de medida adequados para avaliar a percepção dos valores de uma organização parece justificar não terem sido realizados, até o momento, estudos sistemáticos com este objeto específico. Mais do que isso, a precariedade da literatura sobre os valores na área de gestão pode ser derivada do predomínio da perspectiva funcionalista de análise e investigação sobre o tema no campo da administração. De fato, como reconhecem Vieira e Cardoso (2003), no que diz respeito aos valores, os estudos organizacionais têm enfatizado a construção de escalas para mensurarmos valores e formas prescritivas de comportamento. O reconhecimento dessa precariedade aponta para a necessidade de se rediscutir não só a relevância dos valores para o entendimento e a efetividade da ação gerencial sobre fenômenos como gestão do conhecimento, aprendizagem organizacional, comprometimento e motivação, mas a importância da adoção de abordagens que permitam um entendimento mais profundo dos valores individuais e sua interação na coletividade do espaço organizacional. 4. POR UMA NOVA ABORDAGEM: A ÊNFASE NAS RELAÇÕES Contra todas as formas de monismo metodológico que partem da escolha ontológica entre estrutura e agente, sistema ou ator, coletivo ou individual, a teoria da prática de Pierre Bourdieu afirma a primazia das relações (BOURDIEU, 1990, 1996, 2005; MISOCZKY, 2003). As formulações dessa epistemologia apresentam-se com imenso potencial explicativo especificamente no que se refere às relações estruturais que sustentam os fenômenos circunscritos ao campo das organizações, como é o caso específico dos valores. Em seus inúmeros trabalhos Bourdieu manifesta a intenção de encontrar tramas lógicas que evidenciem a presença de uma estrutura subjacente ao social a partir da tradição estruturalista de Lévi-Strauss, ao aceitar a existência de estruturas objetivas, independentes da consciência e da vontade dos agentes. No entanto, a sua teoria na prática apresenta algumas diferenças do estruturalismo ao sustentar que tais estruturas são produtos de uma gênese social dos esquemas de percepção, de pensamento e de ação. E que as estruturas as representações e as práticas constituem e são constituídas continuamente (THIRY-CHERQUES, 2005). O estruturalismo de Bourdieu pressupõe que o mundo social é constituído a partir da ação e da estrutura e sua inserção como história reside em relações. A dificuldade de utilização do seu método está justamente nesta sua original concepção construtivista de que as idéias são tributárias da sua condição de produção, isto é, o método não é suscetível de ser estudado separadamente das pesquisas onde é empregado (BOURDIEU, 1990). Atento às dificuldades inerentes a aplicação dessa abordagem, propomos que as investigações acerca dos valores nas organizações se apóiem teoricamente em algumas das categorias metodológicas que Bourdieu (1996) denomina de estruturalismo construcionista, no qual enfatiza as articulações entre as representações mentais e sociais. Por estruturalismo ou estruturalista quero dizer que existem, no próprio mundo social e não apenas nos sistemas simbólicos linguagem, mito etc -, estruturas objetivas, independentes da consciência e da vontade dos agentes, as quais são capazes de orientar ou coagir suas práticas e representações. Por construcionismo, quero dizer que há, de um lado, uma gênese social dos sistemas de percepção, pensamento e ação que são constitutivos do que chamo de habitus, e, de outro modo, das estruturas sociais, em particular do que chamo de campo. (BOURDIEU, 1996, p.149) A constatação de que as relações sociais ocorrem a partir de regularidades, mas não seguem regras constantes, é base para o desenvolvimento dessa teoria, cujo cerne é a interação, a relação de mão dupla, entre as estruturas objetivas do campo e as estruturas incorporadas, do habitus. A premissa que deve sustentar todo o processo investigativo é a de que não se pode compreender a ação social a partir do testemunho dos indivíduos, dos sentimentos, das explicações ou reações pessoais do sujeito e que se deve procurar o que está subjacente a estas manifestações. A contribuição dessa perspectiva relacional está, fundamentalmente, em propiciar referenciais para a compreensão das interações organizacionais e de seus efeitos. Tanto pela análise do campo, que encerra uma

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