APLICAÇÃO E DISSEMINAÇÃO DAS METODOLOGIAS DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO NA DIVISÃO DE GESTÃO DA PRODUÇÃO DO INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA

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1 APLICAÇÃO E DISSEMINAÇÃO DAS METODOLOGIAS DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO NA DIVISÃO DE GESTÃO DA PRODUÇÃO DO INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA Janete Cícero, Saul Mizrahi INT, INT, Resumo As instituições de pesquisa governamentais atuam no contexto da pesquisa científica e tecnológica, gerando conhecimento e inovação. As equipes de pesquisa desenvolvem atividades de acordo com demandas apontadas por determinações institucionais as quais estão atreladas às políticas públicas existentes. Além de estruturar projetos no escopo das determinações governamentais, as instituições são alcançadas pelas demandas empresariais que identificam nos instrumentos de parceria, uma excelente fonte de aquisição de conhecimento. Palavras-Chave: Gestão da Tecnologia, Metodologias de Gestão, Engenharia de produção

2 1. Introdução As instituições de pesquisa governamentais atuam no contexto da pesquisa científica e tecnológica, gerando conhecimento e inovação. As equipes de pesquisa desenvolvem atividades de acordo com demandas apontadas por determinações institucionais as quais estão atreladas às políticas públicas existentes. Além de estruturar projetos no escopo das determinações governamentais, as instituições são alcançadas pelas demandas empresariais que identificam nos instrumentos de parceria, uma excelente fonte de aquisição de conhecimento. Através deste artigo, serão apresentados os resultados obtidos por uma equipe de pesquisadores da área de Gestão da Produção do Instituto Nacional de Tecnologia - INT, Unidade de Pesquisa do Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação - MCTI. A partir da utilização de metodologias da Engenharia de Produção, esta equipe consolidou uma competência técnica estabelecida ao longo de 20 anos de prática em projetos de pesquisa. Vale ressaltar a importância da aproximação com o setor produtivo, possibilitando atuação junto ao cenário real como embasamento para a pesquisa e a transferência dos seus resultados. As instituições de pesquisa são reconhecidas como elementos fundamentais no processo de desenvolvimento econômico e social do país. Isto por reter em seus grupos de trabalho, profissionais comprometidos com a tarefa de colaborar na formação de uma estrutura de disseminação e aplicação do conhecimento, gerando inovação. Nesse entendimento, o conhecimento passa a ter um cunho estratégico e a partir dessa visão, evidencia-se o incremento de investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento complementando o conjunto de iniciativas governamentais com o objetivo de promover a inovação (MOTA, 1999). Com o objetivo de retratar uma experiência concreta de atuação vivenciada por um grupo de pesquisadores, serão descritas seis metodologias de utilização na área de Engenharia de Produção do Instituto Nacional de Tecnologia INT. 2. Metodologia Com o objetivo de apresentar a prática desenvolvida pela equipe de Gestão da Produção do INT e identificar a utilização de metodologias de Engenharia de Produção, o início desta pesquisa teve como marco o levantamento sobre o conjunto de projetos ativos. Informações sobre os projetos tais como: pesquisadores, parcerias, produtos gerados e tempo de realização foram identificados a partir de pesquisa documental abrangendo documentos institucionais, consultas ao Sistema de Informações Gerenciais e Tecnológicas SIGTEC como ferramenta gerencial adotada pelo INT e entrevistas com os pesquisadores da área em análise. Como apresentação do cenário no qual foram desenvolvidos os projetos, será apresentado o Instituto, através de um breve histórico. Em seguida, a apresentação da missão e visão institucional tem o objetivo de evidenciar o quanto o Instituto se apresenta como atuante no cenário da pesquisa científica e tecnológica. Para contextualizar a relevância dos resultados obtidos através dos projetos, será elaborado um levantamento sobre a importância da ciência e tecnologia e sua consolidação a partir da aplicação do arcabouço de conhecimento gerado e disseminado no âmbito dos projetos. No tópico que trata sobre aplicação e disseminação das tecnologias de gestão da produção, serão apontadas quais metodologias de Engenharia de Produção foram utilizadas identificando assim a base teórica para a construção de projetos de soluções.

3 3. Sobre ciência, tecnologia e gestão tecnológica revisão conceitual Ao iniciar esta incursão sobre o tema gestão da tecnologia, caberá um conjunto de sucintas referências aos conceitos diretamente correlacionados e que se torna necessário explicitar ao longo deste trabalho. Tais conceitos remetem ao entendimento apresentado através da literatura sobre o significado das palavras ciência e tecnologia, entendimento este que pretende ao longo deste trabalho, direcionar uma análise sobre a atividade de pesquisa científica e tecnológica realizada por uma instituição pública de pesquisa, no caso, Instituto Nacional de Tecnologia. Ao analisar os conceitos envolvidos na atividade de pesquisa em questão, pretende-se contextualizar sua execução e dessa forma colaborar de forma profícua para a melhoria das práticas empreendidas pelos atores envolvidos. Sáenz & Capote (2002), apresentam várias definições para ciência, dentre elas destacam-se: Ciência como consciência social ; Ciência como unidade do sistema de conhecimentos (conceitos, categorias, leis) ; Ciência como atividade dirigida à aquisição de novos conhecimentos ; Ciência como intento organizado que a humanidade realiza para descobrir. Este conjunto de definições permite o entendimento de que a ciência permeia a prática social em vários aspectos não sendo possível sua dissociação deste contexto. A partir das considerações dos autores, cabem algumas referências às citações de Bourdieu (2004), o qual nos apresenta a ciência como sendo um dos objetos de análises com pretensões científicas e a partir desta idéia interpreta como um erro estabelecer uma relação direta com o contexto social. O que o autor propõe refere-se à definição de campo, no caso o campo científico, e neste, considera a atuação dos agentes e instituições que produzem, reproduzem ou difundem a ciência. Considera ainda que segundo esta noção de campo, o que se observa são leis sociais específicas para aquele universo em observação. Estas questões permeiam este trabalho a partir da análise sobre a relevância da produção e disseminação do conhecimento gerado em um instituto de pesquisa científica e tecnológica que apresenta como missão social: Participar do desenvolvimento sustentável do Brasil, por meio da pesquisa tecnológica, da transferência do conhecimento e da promoção da inovação. A análise apresentada por Bourdieu (2004) e disseminada em debate durante uma conferência no INRA (Instituto Nacional da Pesquisa Agronômica - França) retrata um ambiente que permite uma reflexão sobre a utilização do conhecimento científico na sociedade e pela sociedade. O autor argumenta ainda sobre a necessidade da transformação das reflexões coletivas no que ele chama de tomadas de decisões públicas o que no contexto de atuação de uma instituição de pesquisa científica e tecnológica podemos entender como políticas públicas. Avançando neste raciocínio e apontando a aplicação prática da ciência, observa-se no trabalho dos autores Sáenz & Capote (2002), as referências ao termo tecnologia, onde contribuem afirmando que a tecnologia age sobre a ciência e a ciência sobre a tecnologia, tendo a ciência a função diretriz. A tecnologia e sua produção estimulam o desenvolvimento da ciência. Segundo Bazzo et al., (2003), existe uma imagem convencional sobre tecnologia que a traduz como sendo concretizada a partir de artefatos tecnológicos ou produtos industriais. Nesta concepção a tecnologia estaria sempre atrelada às demandas sociais. Os autores apontam ainda a dependência da tecnologia à ciência e o fato de seu caráter material ser

4 expresso através dos produtos gerados e ofertados à sociedade. Concluindo, tecnologia é definida como coleção de sistemas projetados para realizar alguma função. Os autores ainda apresentam uma definição para conhecimento tecnológico, ao referir-se ao conhecimento implícito nas atividades tecnológicas. Sobre este conhecimento, citam cinco tipos: i) Habilidades técnicas, ii) Máximas técnicas, iii) Leis descritivas, iv) Regras tecnológicas, v) Teorias tecnológicas. O entendimento sobre estes cinco tipos de conhecimentos relacionados à tecnologia nos permite uma reflexão sobre a ligação entre ciência e tecnologia, não nos permitindo estagnar em conceitos estanques o que certamente fragilizaria a visão macro sobre o tema. Outro conceito que merece especial atenção refere-se à gestão de projetos ou gerenciamento de projetos, isto por considerar que esta análise sobre ciência, tecnologia e gestão da tecnologia, perpassa a atividade científica e tecnológica a qual se consolida através de um projeto de pesquisa em uma instituição pública. A percepção clara sobre a finalidade de determinado projeto por todos os atores envolvidos na pesquisa e em seu entorno como expectadores, revela o quanto é importante no ambiente institucional o conhecimento compartilhado sobre os projetos e seus resultados. Neste conhecimento inclui-se o entendimento sobre a abordagem de gerenciamento de projetos de pesquisa e este conhecimento deverá ser compartilhado com toda instituição (CATALIN & PETRACHE, 2011). Considera-se que a partir do conhecimento é possível o envolvimento com a atividade de pesquisa, constatando-se assim uma sensibilização quanto aos fatos inerentes às atividades diárias e o impacto de seus resultados. A compreensão sobre todo o esforço empreendido pela equipe da pesquisa para alcançar as metas estabelecidas, facilita a rotina de tarefas diárias e promove a colaboração. 4. Gestão da Tecnologia - Antes da tecnologia o conhecimento De acordo com Cícero (2011) a análise sobre a atividade de pesquisa científica desenvolvida em um instituto de pesquisa, consubstancia-se em ter o pleno conhecimento sobre as atividades das equipes contextualizando-as no ambiente institucional. As unidades de pesquisas são instituições que dependem do conhecimento para serem reconhecidas pelos seus pares. Dessa forma, os gestores institucionais reconhecem a necessidade de gerenciar o conhecimento como seu patrimônio principal. Sobre a valorização do conhecimento enquanto ativo institucional, Chiavenato (2004) considera que, este conhecimento reconhecido como capital intelectual representa o recurso mais importante para uma organização, sendo mais valorizado que o capital financeiro. Ainda segundo este autor, o capital intelectual é composto por três aspectos intangíveis: 1) os clientes, 2) a organização e 3) as pessoas, sendo este último aspecto o mais importante e afirma ainda que o sucesso das organizações está em saber motivar as equipes para aprenderem e a aplicarem os conhecimentos aprendidos na busca da inovação. Chiavenato (2004) conceitua gestão do conhecimento como um processo integrado destinado a criar, organizar, disseminar e intensificar o conhecimento para melhorar o desempenho global da instituição. Por assim entender o processo de gestão do conhecimento, identifica-se seu caráter estratégico por apontar uma priorização em todas as fases da gestão. Esta avaliação sobre a importância da gestão do conhecimento nos reporta a forma como esse arsenal de conhecimento é disseminado e aplicado em prol da sociedade. Avaliando a disseminação e aplicação do conhecimento gerado em uma instituição de pesquisa, não será possível furtar-se a uma observação sobre o processo de pesquisa em colaboração. Castells

5 (2010) considera haver atualmente uma mudança de paradigma no contexto da pesquisa científica, identificando a formação de uma gigantesca rede de colaboração configurada como de caráter global aproximando cientistas de todo o mundo. Esta colaboração necessária e evidente, se explica pelo fato das empresas buscarem parcerias junto aos institutos de pesquisas como suporte ao conhecimento na área desejada (CASSIOLATO & LASTRES, 2000). Dessa forma os acordos colaborativos de pesquisa entre instituições de pesquisas e empresas, tornam-se tão valorizados, sendo inclusive fomentados através de programas governamentais refletidos através subsídios oferecidos pelas agências de fomento. Gusmão (2002) argumenta que o poder público não se limita simplesmente ao suporte financeiro, mas a criação e manutenção de toda uma infraestrutura propícia à pesquisa em colaboração. A literatura aponta que projetos de pesquisa desenvolvidos em colaboração são férteis, quando considerado o processo de aquisição de conhecimento sobre a área pesquisada. As análises sobre o objeto da pesquisa refletem a evolução do conhecimento e almeja-se a disseminação do mesmo com o propósito de ampliar a rede e, conseqüentemente, contribuir com a sociedade científica. A gestão tecnológica considerada neste trabalho refere-se à gestão de um tipo de prática em uma instituição de P&D. Portanto, a definição apresentada por Sáenz & Capote (2002), elucida o contexto no qual se analisa não só os processos internos da instituição, mas também sua vinculação com o setor produtivo. A literatura aponta a gestão tecnológica diretamente relacionada à gestão estratégica de uma organização. Seguindo este raciocínio, ao se relacionar tecnologia e inovação, o período de maturação das pesquisas impõe um olhar diferenciado para cada caso. Sabe-se que processos de inovação tecnológica exigem da organização um aparato de procedimentos gerenciais, considerando-se aspectos estratégicos e operacionais. Silva (2003), ao abordar o tema gestão da tecnologia, propõe a diferenciação sobre dois temas os quais aponta como distintos para análise: microtecnologia como sendo a representação das tecnologias de produto ou processo formando um conjunto de tecnologias inter-relacionadas e que se baseiam em atividades de curto prazo; macrotecnologia avaliada em um processo de longo prazo e refere-se a visão interfuncional sistêmica da tecnologia, incorporando além do conhecimento, informações, estrutura e comportamento das pessoas. Segundo o autor estes conceitos direcionam a gestão da tecnologia através de um planejamento estratégico. Silva (2003) se reporta ainda ao conceito de capabilidade tecnológica com o objetivo de representar a competência da organização em determinado conhecimento, materializado através de uma tecnologia. Dessa forma, justifica que este conhecimento tem um alcance maior que a competência individual das pessoas que participam da organização. Seguindo esta linha de pensamento, entende-se que a gestão da tecnologia em uma organização não é um tema banal. Trata-se de um processo complexo que merece atenção e estudo para que se possam direcionar as atividades da organização na busca por um legítimo reconhecimento junto à sociedade. A gestão da tecnologia envolve o conhecimento sobre o grau de participação dos pesquisadores nas redes de colaboração de pesquisa e ainda como está sendo realizado o processo de disseminação não só dos produtos, mas também e principalmente do conhecimento. Nos institutos de pesquisa, a realização de uma análise sobre o impacto dos projetos de pesquisa junto aos colaboradores e potenciais clientes, sempre será bem-vinda. Esta análise se dá a partir da observação do objeto de estudo, parcerias e metas a serem alcançadas, buscando uma avaliação com base em fatos reais envolvendo processos burocráticos, legislação, políticas públicas e outras variáveis que

6 influenciam de maneira positiva e negativa a realização de uma pesquisa. Ou seja, trata-se de uma análise sobre tecnologia não no sentido de um produto, mas sim de um conjunto de conhecimentos. 5. Aplicação e disseminação de metodologias da engenharia de produção na Divisão de Gestão da Produção DGEP do Instituto Nacional de Tecnologia INT Nos tópicos anteriores, foram apresentados alguns conceitos e análises que validam a experiência que será relatada neste trecho do trabalho. A pretensão consiste em abordar o elo entre a complexidade do conhecimento científico aportado no escopo dos projetos de pesquisa e sua disseminação através de produtos tecnológicos que são demandados pelas empresas e oferecidos à sociedade. O que se pretende realçar é a complexidade em alcançar o equilíbrio nas definições dos projetos, oferecendo soluções que sejam reais e que importem em real valor para a comunidade científica e para as empresas que esperam tais soluções através de parcerias com as instituições de pesquisa. Neste entendimento será apresentado um breve relato não sobre os projetos de pesquisa desenvolvidos na área de gestão da produção, mas sim sobre metodologias de gestão da produção que serviram de suporte do conhecimento para que através destes projetos fosse gerado um produto ou processo como resultado de uma pesquisa científica Breve histórico sobre o Instituto Nacional de Tecnologia INT O Instituto Nacional de Tecnologia INT é uma Unidade de Pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia, criado em 1921 por Ernesto da Fonseca Costa, com o nome de Estação Experimental de Combustíveis e Minérios. É um instituto de pesquisa multidisciplinar atuando em pesquisa, prestação de serviços, formação de recursos humanos e criação de instituições e empresas que compõem o Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Localiza-se na Avenida Venezuela, 82 Saúde Rio de Janeiro. Zouain (2001) retrata o INT como sendo uma das mais antigas instituições de pesquisa do Brasil e que ao longo dos anos vem se destacando em atividades relevantes e pioneiras na história das pesquisas tecnológicas brasileiras. A autora relata ainda várias mudanças em relação à vinculação institucional sofridas pelo INT ao longo de mais de 50 anos: em 1938, passou do Ministério da Agricultura para o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio; em 1960, passou para o Ministério da Indústria e Comércio; e, por fim, até os dias atuais, compõe a estrutura do Ministério de Ciência e Tecnologia Inovação. Atualmente o INT contabiliza 89 anos no desenvolvimento de projetos de pesquisa priorizando a inovação. Segundo Cícero (2011), conforme relatado no Plano Diretor , apresentam-se as seguintes definições para Missão e Visão Institucional do INT: Missão: Participar do desenvolvimento sustentável do Brasil, por meio da pesquisa tecnológica, da transferência do conhecimento e da promoção da inovação. Visão: Ser reconhecido como referência nacional até 2021 em pesquisa e desenvolvimento tecnológico para a inovação. Após essas considerações sobre o INT, será abordada a dinâmica da pesquisa na Divisão de Gestão da Produção DGEP. Está divisão foi criada na estrutura do INT na década de 80 congregando desde então diversos projetos na área de engenharia de produção. Estes projetos são delineados a partir de uma competência própria adquirida pela equipe de pesquisadores, a qual busca contribuir através dos resultados dos projetos, com o meio acadêmico e empresarial.

7 5.2. Aplicação das metodologias de Engenharia de Produção Neste tópico serão descritas as metodologias de Engenharia de Produção utilizadas como suporte ao desenvolvimento e melhoria de produtos e processos. Destacam-se as seguintes Metodologias aplicadas separada ou conjuntamente: Simulação Discreta junto ao MRP, JIT e OPT; Lean Manufacturing - Produção Enxuta; Manufacturing Resouce Planning (MRPII); Lógica Fuzzy junto ao Master Production Schedule (MPS); Balanced Scorecard (BSC); Algoritmos Genéticos Simulação Discreta para Apoio à Programação da Produção Esta pesquisa abrange o desenvolvimento e aplicação de ferramentas computacionais de simulação discreta para apoiar a programação de sistemas de atividades produtivas que envolvem operações interdependentes. A simulação discreta, conforme Schriber e Brunner (1998) representam sistemas em que suas variáveis são modificadas a cada porção de tempo. A interdependência em sistemas de atividades produtivas traduz-se em restrições de início de uma operação ou término antecipado de outra operação também controlada pelo plano. Calcula-se a necessidade de recursos produtivos e materiais com disponibilidade variável e finita ao longo do horizonte de planejamento. Técnicas de modelamento e simulação computacional, heurísticas, metaheurísticas e técnicas de planejamento e controle da produção, tais como JIT, MRP e OPT, têm sido utilizadas na montagem destas ferramentas computacionais. A aplicabilidade de ferramentas computacionais baseadas em técnicas de simulação discreta aliada a heurísticas, metaheurísticas e técnicas de gestão da produção oferece mais recursos para o campo do planejamento e controle da produção industrial. Esta metodologia foi aplicada no projeto da DGEP denominado SeeTheFuture, que tem como objetivo desenvolver e aplicar ferramentas computacionais para apoiar a programação de sistemas de atividades produtivas que envolvem operações interdependentes. Qualquer sistema de atividades produtivas que apresente as características citadas acima deve ser avaliado como potencial cliente das ferramentas desenvolvidas no âmbito deste projeto. Aplicação destas ferramentas ocorreu na logística e extração de petróleo e gás, e na fabricação de produtos diversos. A DGEP promove a disseminação desta tecnologia em cursos de gestão da produção Produção Enxuta (Lean Manufacturing) A essência deste trabalho é o desenvolvimento de técnicas que apóiem os profissionais da indústria em suas tarefas de dimensionar estoques, ajustar capacidade produtiva no curto prazo e sequenciar a produção, a partir dos conceitos da manufatura enxuta, usando métodos da pesquisa operacional e implementando-as em ferramentas computacionais de fácil uso. O modelo enxuto teve origem no Sistema Toyota de Produção e consolidou as práticas de produção Just-In-Time (JIT) com produção puxada, pequenos lotes, cumprimento de prazos e qualidade assegurada. O JIT é uma filosofia que se concentra na eliminação de desperdício no processo de manufatura. Ele exige que a administração faça todo o possível para ter o material certo no lugar certo, no tempo certo, e exatamente na quantidade certa. A essência da filosofia do JIT é a eliminação de perdas. Nada deverá ser feito na produção que não adicione valor ao produto diretamente associado com a transformação do material à

8 sua forma desejada. A meta requer concentração no processo físico da própria produção. Busca-se a eliminação total de desperdícios, considerando-se desperdício como tudo aquilo que não acrescenta nenhum valor ao produto. A filosofia JIT encoraja a administração a resolver os problemas, ao invés de encobri-los com estoques em excesso, estoques de segurança e prazos de entrega longos. Para atingir a meta do JIT, os gerentes devem eliminar refugos e avarias nas máquinas e também reduzir o tamanho do lote, o prazo de entrega e o tempo de preparação. O trabalho em equipe, tanto dentro da fábrica quanto com os fornecedores externos, deve substituir os relacionamentos conflituosos e de desconfiança (VOLLMANN, 2005). O pensamento enxuto para toda a organização, segundo Womack & Jones (1996), abrange o seguinte conjunto de princípios: O valor como capacidade oferecida a um cliente conforme este definiu; A cadeia de valor que ocorre com um conjunto de atividades nas diferentes etapas incluindo o atendimento ao cliente; A cadeia de valor deve buscar a realização das tarefas sem a ocorrência de perdas; A Produção Puxada, ou seja, que ocorre a partir de uma solicitação do cliente; A Perfeição que significa a eliminação total de desperdício para criação efetiva de valor. Em essência, este trabalho consiste no mapeamento do fluxo de valor do processo para identificar as fontes de desperdício no fluxo de materiais e de informações. Teve como base a filosofia Lean Manufacturing que conforme Vollmann (2005) busca reduzir diferentes tipos de desperdícios, tais como a superprodução, tempos de espera e transporte, estoques, movimentações e refugo de peças. A idéia central foi compatibilizar o atendimento às exigências de prazos dos clientes com a redução nos custos operacionais da fábrica, sobretudo o custo de manter estoques. No início, foi feita uma projeção da capacidade produtiva de toda a fábrica e, a partir desse estudo, propiciou o balanceamento da capacidade de cada etapa do processo, calculando-se o número de pessoas necessárias nas várias estações de trabalho. Em seguida, para instaurar um fluxo contínuo de produção, foram realizadas mudanças significativas no layout do chão de fábrica. Conforme Vollmann (2005), em relação à gestão do fluxo de materiais, foram especificados pontos de controle de peças, dimensionados os estoques para cada família de peças nesses pontos e definidas políticas de reposição e retirada de materiais, com a utilização de cartões kanban. Os resultados apontaram para uma expressiva redução de leadtimes de produção em função do trabalho de organização do chão de fábrica e da mudança na gestão do fluxo de materiais. A empresa conseguiu aumentar sua capacidade de atendimento, passando a responder mais rapidamente às mudanças e reduzindo substancialmente os custos de manutenção de estoques. Como aplicação, pode-se citar o planejamento e acompanhamento das atividades necessárias para a adequação do processo produtivo de combinando métodos da Engenharia de Produção. Como resultado principal, as empresas aumentaram sua capacidade de atendimento, e passaram a responder mais rapidamente às mudanças com redução substancial dos tempos de produção e dos custos operacionais desse processo. Foi desenvolvido um sistema de gestão de fluxo de peças para permitir o abastecimento contínuo de materiais com mínima formação de estoques nos setores gargalo da indústria. A parceria da DGEP com a Divisão de Energia (DIEN) do INT ampliou as possibilidades de aplicação desta tecnologia, ocorrendo aplicações nos setores de atividade de confecção de artigos do vestuário e acessórios, extração de petróleo e gás natural, fabricação de produtos diversos.

9 Metodologia de planejamento Manufacturing Resouce Planning (MRPII) Segundo Corrêa e Gianesi (1993), o objetivo do MRPII é permitir o cumprimento dos prazos de entrega dos pedidos dos clientes com mínima formação de estoques. O meio de alcançá-lo é pelo planejamento das compras e a produção dos itens componentes para que ocorram exatamente nos momentos e nas quantidades necessárias. Porém, nem sempre a maior prioridade é o cumprimento dos prazos e a redução de estoques. Apesar de serem objetivos muito desejáveis, sua busca pode significar uma queda de desempenho em outros fatores. O MRPII se baseia no cálculo das necessidades dos recursos da manufatura indicando as datas e as quantidades para que se cumpram os programas de entrega (CORRÊA et al., 2000). Destacamos os seguintes módulos do MRPII neste trabalho: Planejamento Mestre da Produção (MPS - Master Production Schedule) traduz o planejamento agregado em um plano mestre da produção, período a período, com determinação dos itens e respectivas quantidades a produzir. Consideram-se as limitações de capacidade. Cálculo das necessidades de materiais (MRP - Material Requirements Planning) identifica a necessidade de cada componente, seja comprado ou fabricado, período a período, em função do plano mestre de produção. Controle de fábrica (SFC = Shop Floor Control) é o que tem a função de sequenciamento das ordens, por centro produtivo, num período de planejamento, e desempenha o controle da produção. Verifica se o que foi planejado será executado. O MRPII reage bem às mudanças, por exemplo, variação num item de programa-mestre que pode afetar um grande número de componentes. Quando a estrutura do produto é complexa, com vários níveis de componentes, e demanda instável, o MRPII pode atuar com eficiência. O MRPII e o JIT são complementares em alguns casos. O uso do JIT simplifica a gerencia da produção. O MRPII é indicado para níveis de controle mais agregado e para as atividades consideradas complexas como: planejamento agregado da produção, programação mestre e planejamento de insumos. Porém quando se trata de controlar as atividades de chão-defábrica, o JIT é mais apropriado. Como aplicação, pode-se citar a adequação da metodologia de planejamento MRPII e da Teoria das Restrições ao segmento de confecção de peças do vestuário e acessórios, e implementação em sistema computacional integrado, concretizado no sistema PC-Con - Planejamento e Controle da Confecção, desenvolvido pela DGEP. Outra atuação importante é o desenvolvimento de sistema de Planejamento das Necessidades de Material (MRP) para pequenas e médias indústrias e a capacitação oferecida em cursos de gestão da produção com uso destas tecnologias Lógica Fuzzy O foco deste projeto é o desenvolvimento de um de sistema que permita ao gestor, definir com mais facilidade e flexibilidade planos mestres que atendam satisfatoriamente aos objetivos estabelecidos pela empresa. O Planejamento Mestre da Produção (MPS - Master Production Schedule) traduz o planejamento agregado em um plano mestre da produção, período a período, com determinação dos itens e respectivas quantidades a produzir, conforme apresentado por Vollmann (2005). São consideradas as limitações de capacidade. A ferramenta proposta deve permitir incorporar no processo de tomada de decisão os aspectos subjetivos, conflitantes e carregados de imprecisão, característicos do problema tratado e

10 empregará para isso o ferramental oferecido pela abordagem baseada nos Sistemas de Inferência Fuzzy. Modelos de sistemas Fuzzy têm se mostrado como ferramenta muito útil para a modelagem de relacionamentos não-lineares complexos entre as variáveis. Usando-se a tecnologia Fuzzy pode-se modelar relacionamentos complexos com a assistência de uma base de regras. A Lógica Fuzzy é uma teoria matemática ou uma teoria de conceitos graduados em que tudo tem um grau de elasticidade, superando os paradigmas tradicionais conduzem à tomada de decisão abruptas, descartando-se níveis intermediários de medidas e impede a coexistência de conceitos qualitativamente antagônicos. (OLIVEIRA JR, 1999). No âmbito do projeto de pesquisa e desenvolvimento "GesPlan: Desenvolvimento de um protótipo de sistema voltado para o planejamento da produção com mecanismos inteligentes de apoio a decisão" da DGEP foi elaborada a Tecnologia GesPlan. Esta tecnologia é uma ferramenta de gestão e de capacitação para elaboração do Planejamento Mestre da Produção com mecanismos inteligentes de apoio a decisão. Tem foco em manufaturas, e em especial em indústrias de confecção. Emprega o paradigma possibilístico para atender a necessidade de gerenciar objetivos múltiplos e o uso de dados imprecisos e incompletos (ARRUDA, 2006) Gestão Estratégica com Balanced Scorecard O BSC foi lançado em 1992 como um sistema gerencial para alcançar melhorias drásticas em produtos, processos, clientes e mercados. Já em seu lançamento tinha a proposta de conversão dos objetivos estratégicos da organização em indicadores de desempenho, conforme seus autores Kaplan e Norton (2004a). O termo Balanced se refere ao equilíbrio entre objetivos de curto e longo prazos, medidas financeiras e não-financeiras, indicadores de tendências e de ocorrências, perspectivas internas e externas de desempenho. O BSC tem a característica de uma ferramenta de gestão para esclarecer, comunicar e gerenciar a estratégia, com a definição participativa de metas individuais, de equipe e organizacionais. Ressalta-se, ainda, que os comportamentos e ações para alcançar estas metas não são fixos. Envolve, também, o trabalho com ativos intangíveis, tendo como exemplo a cultura institucional e o conhecimento acumulado pelos seus profissionais. Os ativos intangíveis são fontes de vantagem competitiva para alcançar os mais diversos resultados. Os Autores do BSC ressaltam a falta de meios para descrição e determinação do valor que os ativos intangíveis criam, devido à dependência que têm do contexto institucional, de sua estratégia, e da interação com outros ativos. Assim, o BSC veio colaborar no preenchimento desta lacuna (KAPLAN, NORTON, 2004b). Conforme Niven (2007), a automatização do BSC possibilita realizar avaliações de desempenho complexas e examinar criticamente as relações entre suas medidas de desempenho. Desta forma, facilita a administração do processo e garantia do alinhamento estratégico. A DGEP, em sua linha de pesquisa de gestão para instituições de ensino, desenvolve e aplica tecnologias de gestão estratégica baseada no BSC. Conforme Mizrahi (2011), a aplicação desta tecnologia propiciou a destacada melhoria na gestão, com maior confiança das equipes para o planejamento de mais longo prazo, maior participação e mais efetiva comunicação multilateral. Converge, ainda, com este trabalho, sua tese de doutorado em Engenharia de Produção, intitulada Gestão Estratégica Multicultural Aplicada a Instituições de Ensino, com recomendações metodológicas, procedimentos e estrutura de métricas Algoritmo Genético De acordo com Saisse (2008), os algoritmos genéticos se apóiam em valores da função objetivo dos problemas formulados, tendo considerável grau de flexibilidade para aceitar as mudanças frequentes dos objetivos dos problemas. O universo de soluções possíveis é

11 explorado a partir de grupos de soluções alternativas, evitando-se a obtenção de ótimos locais. Cada máquina possui um controle de horário de funcionamento, previamente conhecido. As interrupções são programadas ou eventuais. Há um número fixo e previamente conhecido de máquinas de cada tipo. Um roteiro de fabricação é estabelecido para cada produto. Destaca-se a contribuição deste trabalho com o particionamento do horizonte de planejamento em intervalos de tempo discretos ampliando a capacidade nos métodos de codificação de algoritmos genéticos aplicados a problemas de sequenciamento. O Algoritmo Genético Temporal foi implementado e testado em problemas reais de produção em uma fábrica de circuito impresso. Conforme Saísse (2008) configurou-se pelo porte e complexidade muito mais elevados do que os tradicionais problemas benchmark de sequenciamento disponíveis na literatura. O Algoritmo Genético Temporal gerou programas de produção aperfeiçoados demandando um tamanho de população e um número de gerações expressivamente menor do que os usualmente utilizados na literatura corrente de algoritmos genéticos. O tempo de processamento do algoritmo genético temporal mostrou-se adequado para situações reais de produção. 6. Considerações Finais Mediante este recorte sobre a atividade de pesquisa desenvolvida na Divisão de Gestão da Produção do INT, é possível observar a aplicação prática das metodologias de Engenharia de Produção descritas no escopo deste artigo. Observa-se a importância do conhecimento gerado através dos projetos de pesquisa os quais se materializam a partir dos resultados apresentados na forma de um produto ou processo. A correlação teoria-prática demonstrada a partir da correlação das metodologias aplicadas na geração de um novo produto ou processo, traz em seu cerne a capacidade do Instituto apresentado como cenário, em absorver, reter e disseminar o conhecimento. Este conhecimento aplicado em prol da sociedade garantirá o desenvolvimento econômico e social além de retornar para a organização em destaque, reconhecimento pelos seus pares. Observe-se que durante a elaboração deste estudo, não houve a preocupação em apresentar dados quantitativos, pois o que se visava concluir substancialmente importava em suscitar uma reflexão sobre a competência e habilidades para lidar e utilizar o conhecimento. As equipes envolvidas nos projetos de pesquisa relacionados se mantêm em atividade trilhando este caminho por acreditar que o conhecimento e sua aplicação prática é a base para o desenvolvimento do país. Obviamente a atuação destes profissionais é orientada por uma gestão estratégica que vislumbra além da inovação técnica a inovação institucional. Entendese que a tecnologia é fruto de um conjunto de conhecimento, gerado em instituições que apresentam como sua missão levar à sociedade soluções em prol da melhoria da qualidade de vida, considerando aspectos sociais e econômicos. 7. Referências BAZZO, W.; LISINGEN, I.; PEREIRA, L. T. do V. Introdução aos Estudos CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade). Cadernos de Ibero América. OEI Organização dos Estados Iberoamericanos para a Educação, a Ciência e a Cultura. Espanha: Madrid, BOURDIEU, P. Os usos sociais da ciência: por uma sociologia clínica do campo científico. São Paulo: UNESP, 2004 CASSIOLATO, J.E.; LASTRES, H.M.M. Sistemas de Inovação: Políticas e Perspectivas. Parcerias estratégicas, n 8 maio/2000, pp Disponível em:

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