CONTRATRANSFERÊNCIA: TEORIA E PRÁTICA CLÍNICA 15. PARTE I Na era da contratransferência

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1 CONTRATRANSFERÊNCIA: TEORIA E PRÁTICA CLÍNICA 15 PARTE I Na era da contratransferência

2 Origem e evolução histórica do 1 conceito de contratransferência 1 Beatriz de León de Bernardi CONCEITO DE CONTRATRANSFERÊNCIA A reflexão acerca da noção de contratransferência sempre acompanhou a evolução do pensamento psicanalítico, mas ganhou importância especial na segunda metade do século XX devido à progressiva importância outorgada à participação do analista nos processos de mudança terapêutica. De fato, tanto desenvolvimentos teórico-clínicos como avanços da investigação empírica em estudos de processo e resultados analíticos mostraram como características da personalidade e modos de intervenção do analista incidem decisivamente no encontro com o paciente e na evolução da análise. O estudo da contratransferência oferece novas perspectivas para compreender o alcance das disposições e reações conscientes e inconscientes do analista quanto ao paciente. Elas podem funcionar como fator de mudança no tratamento ou interferir nele. Neste sentido, o tema da contratransferência se relaciona com os da neutralidade e da abstinência. A tomada de consciência pelo analista de sua contribuição para o processo lhe permite manter uma atitude alerta frente a envolvimentos inevitá- veis em seu contato com o paciente, de modo que possam lhe ser úteis e não interfiram nos fins primordiais da análise: a modificação da realidade psíquica do paciente. Abordar uma definição da noção de contratransferência traz algumas dificuldades. Sendo um conceito próximo da experiência clínica, este se generalizou, sendo usado descritivamente com múltiplas acepções. É uma noção entendida de diferentes maneiras, segundo o aspecto teórico que se considere. Tal noção, que, sem dúvida, pode causar confusão no intercâmbio científico, permite, na medida em que se discriminam suas diferentes acepções, compreender sua riqueza conceitual e os problemas clínicos abordados em diversas polêmicas desenvolvidas sobre o tema durante quase um século. A evolução do conceito de contratransferência permite hierarquizar dois de seus sentidos. Um sentido, restrito, com origem no desenvolvimento freudiano sobre o tema, considera a contratransferência um fenômeno pontual na análise e um obstáculo a ser superado: Um modo de participação inconsciente do analista no processo transferencial-contratrans- 1 As idéias desenvolvidas neste capítulo foram discutidas com o Dr. Ricardo Bernardi. Algumas foram anteriormente publicadas de forma conjunta no livro Contratransferência (de León e Bernardi, 2000) e no trabalho Contratransferência e vulnerabilidade do analista (de León e Bernardi, 2005).

3 18 ZASLAVSKY, SANTOS & COLS. ferencial, cujos efeitos no tratamento necessitam ser esclarecidos para que o trabalho analítico possa continuar se desenvolvendo adequadamente (de León e Bernardi, 2000, p.14; de León e Bernardi, 2005, p.24). Há, contudo, um sentido amplo, que tem entre as principais contribuições as de Racker e Heimann e que considera a contratransferência uma resposta global do analista ao paciente, uma dimensão constante da análise e um instrumento imprescindível no processo interpretativo. Neste sentido, pode ser definida como: a disposição ou reação consciente ou inconsciente do analista diante do paciente em determinado período do tratamento (de León e Bernardi, 2000, p.14; de León e Bernardi, 2005, p.24). Diferentes razões levaram a ampliar o sentido estrito da noção de contratransferência. De fato, a extensão da indicação da psicanálise para crianças, adolescentes, personalidades narcisistas, limítrofes e psicóticos levou à modificação da noção de neurose de transferência no tratamento de patologias em que predominam defesas primitivas anteriores à repressão. Este ponto foi discutido no Simpósio de Arden House, convocado pela Sociedade Psicanalítica de Nova York (1954), do qual participaram Leo Stone, Edith Jacobson e Ana Freud, e no XXV Congresso Internacional de Copenhague (1967), com a presença de Guttman, E. Zetzel. P. C. Kuiper e R. Diatkine (Etchegoyen, 1986). Algo semelhante ocorreu com a noção de contratransferência, que adquiriu particularidades na abordagem de pacientes de diferentes idades e patologias. No entanto, além disso, o desenvolvimento do conhecimento psicanalítico levou a considerar diferentes aspectos da personalidade do analista que incidem em seu trabalho e, paulatinamente, a noção de contratransferência se estendeu a todo o funcionamento mental do analista. Contudo, parece-nos necessário distinguir as manifestações observáveis da contratransferência de suas fontes, que muitas vezes permanecem ocultas. As primeiras aparecem em nível consciente/pré-consciente, enquanto a origem da contratransferência é inconsciente. Em nível observável ou manifesto, é muito vasta a gama de fenômenos que surgem no analista e que podem ter uma raiz contratransferencial: sentimentos e vivências corporais diferentes, de sensações somáticas a distintos tipos de gestos e movimentos, ocorrências, sonhos, etc. Alguns autores localizam dentro da contratransferência não apenas as reações diante do paciente durante o trabalho analítico, mas também as predisposições do analista circunstâncias vitais, crenças e convicções ideológicas, preferências teóricas, diferentes aspectos do diálogo com os colegas, instituição a que pertence, entre outras. Se estes aspectos podem ter uma influência positiva para o processo de análise, também é certo que podem condicionar disposições contratransferenciais pouco flexíveis, que se tornam egossintônicas no analista (preferências teóricas ou técnicas muito marcadas, por exemplo), dificultando sua escuta do paciente. Estes aspectos múltiplos da participação do analista devem ser investigados, seja em um processo interno reflexivo e de auto-análise (Bernardi e de León, 1993) durante a sessão ou depois e/ou junto ao paciente, durante a sessão. Às vezes, no entanto, eles não são vistos pelo analista e se torna necessário recorrer à supervisão do caso, de modo a contar com um terceiro olhar sobre os movimentos ocorridos na relação analista-paciente. Destacamos anteriormente vantagens e desvantagens do uso amplo ou restrito do termo (de León e Bernardi, 2000, 2005). Um uso amplo pode levar à diluição da noção e destacar a personalidade do analista, fomentando aspectos narcisistas de sua personalidade. Um uso restrito pode conduzir o analista a uma atitude de retração afetiva frente às próprias respostas emocionais e às do paciente, o que pode impedir o analisado de expressar com liberdade suas vivências internas com relação ao analista, dificultando o avanço da análise. Em minha opinião, é útil conservar o uso de ambos os sentidos, na medida em que sejam úteis para descrever fenômenos que ocorrem em diferentes momentos do processo analítico e no tratamento de diversos pacientes e patologias.

4 CONTRATRANSFERÊNCIA: TEORIA E PRÁTICA CLÍNICA 19 ORIGEM HISTÓRICA DO CONCEITO E PRINCIPAIS LINHAS Sigmund Freud: as fontes da contratransferência no analista A noção de contratransferência surge secundariamente ao descobrimento freudiano da transferência e é compreendida como uma reação inconsciente a esta. Para Freud, a contratransferência tem suas fontes inconscientes nos conflitos neuróticos do analista, reativados pelo contato com os conflitos infantis do analisado. Nesta visão, a contratransferência opera como resistência do analista, que freia a associação livre. A auto-análise ou psicanálise do analista possibilita livrar-se deste obstáculo e retomar o caminho da análise. A perspectiva freudiana sobre a contratransferência é compreendida no contexto do descobrimento do amor transferencial (Freud, 1910, 1912, 1914/1915). Freud mostra sua preocupação de que o analista, no processo regressivo da análise, se perca em seus próprios pontos cegos (1912, p.115), de modo que atuem na relação presente com o paciente seus próprios impulsos infantis amorosos ou agressivos, respondendo contransferencialmente à demanda de amor do analisado. Isto faria com que o paciente repetisse seus conflitos neuróticos primitivos sem recordálos e elaborá-los como material psíquico (Freud, 1914/1915, p.169), o que causaria o fracasso do tratamento. Nesta primeira visão da contratransferência, os aspectos éticos foram colocados em primeiro plano. A condição para o estabelecimento do método analítico e da associação livre é que o analista, como um espelho (Freud, 1912), reflita e interprete naturalmente o paciente, deixando de lado sua personalidade, suas convicções e seus desejos. As metáforas do espelho ou do cirurgião (Freud, 1912), usadas por Freud para se referir à atitude que o analista deve ter diante do paciente, podem dar a impressão de frieza e distância, mas não se pode esquecer que surgem no momento em que Freud descobre as fortes emoções mobilizadas pela análise. Na medida em que o analista recupera sua liberdade frente a sua contratransferência, poderá atender os aspectos vulneráveis do paciente e defender o direito deste de ser tratado em um clima de verdade, liberdade e respeito. Freud estabelece a necessidade de auto-análise e de tratamento psicanalítico para o analista como forma de dominar a contratransferência e evitar fracassos. Paula Heimann: as fontes da contratransferência no paciente Contemporâneos de Freud como Ferenczi (1919/ 1952) e Deutsch (1926), entre outros, desenvolveram pontos de vista sobre a contratransferência, mas apenas na segunda metade do século XX se produz uma mudança realmente significativa. São as visões de Racker em Buenos Aires (1948/1953) e Heimann (1950) em Londres que provocaram, quase simultaneamente, uma mudança conceitual na visão da contratransferência, o que representa, na opinião de Horacio Etchegoyen, uma verdadeira mudança de paradigma na psicanálise (Etchegoyen, 1986). De lugar secundário, a contratransferência passa a ocupar lugar de destaque, o que leva Thomä e Kächele (1985/1989) a dizer que a contratransferência passa de borralheira à princesa. O analista passa de observador a integrante do campo de trabalho. De fato, Paula Heimann, em seu trabalho Acerca da contratransferência, apresentado no XVI Congresso da Associação Psicanalítica Internacional de Zurique e publicado no International Journal of Psychoanalysis em 1950, modificou radicalmente a noção freudiana de contratransferência como obstáculo. Heimann destaca que, na situação analítica, se estabelece uma relação em que analista e analisado sentem diferentes emoções. Ela entende a contratransferência como a totalidade da resposta emocional do analista e como um instrumento privilegiado para a compreensão dos conflitos inconscientes do paciente: A resposta emocional do analista a seu paciente na situação analítica representa uma das ferramentas

5 20 ZASLAVSKY, SANTOS & COLS. mais importantes para seu trabalho. A contratransferência do analista é um instrumento de pesquisa dirigida ao inconsciente do paciente (Heimann, 1950/ , p.130). Heimann defende que as respostas emocionais do analista durante a sessão podem ser determinadas por ansiedades e conflitos inconscientes cuja fonte deve ser buscada no analisado. A contratransferência é entendida, então, como uma criação do paciente, como uma parte de sua personalidade (Heimann, 1950/ , p.134). Noções básicas do pensamento kleiniano estão na base desta concepção, na medida em que a transferência é concebida como situação total, em que se reativam relações de objetos e fantasias inconscientes primitivas. Ansiedades e defesas precoces do paciente, como projeção, introjeção e identificação projetiva determinam as características da contratransferência. Melanie Klein discordou das idéias de Heimann, desaconselhando o uso exagerado e generalizado da contratransferência, que poderia atribuir, indiscriminadamente, aspectos próprios do analista ao paciente, questionamentos retomados por pensadores kleinianos contemporâneos. Klein manteve a idéia clássica da importância dos conflitos do analista como fonte da contratransferência. A mesma Heimann se distanciou posteriormente de sua primeira visão, ao assinalar a necessidade de que o analista atenda seus próprios pontos cegos, que podem levá-lo a estabelecer transferências com seu paciente (Thomä e Kächele, 1985/1989). O enfoque do Rio da Prata, as fontes da contratransferência no paciente e no analista Heinrich Racker e Madeleine e Willy Baranger A partir do fim dos anos de 1940 e durante as décadas de 1950 e 1960, surgem no Rio da Prata contribuições sobre o tema da contratransferência que influirão no desenvolvimento do pensamento da época. Estas contribuições não apenas vão hierarquizar a participação do analista, como fizera Heimann, como também conceber a contratransferência como parte de fenômenos bipessoais surgidos durante a análise. Nesta visão, a relação analítica e, em especial, os aspectos inconscientes, passam ao primeiro plano, determinando o andamento ou a parada do processo. É interessante constatar que muitas das questões clínicas daqueles anos reaparecem em diferentes correntes do pensamento psicanalítico contemporâneo, que tendem a hierarquizar os aspectos intersubjetivos da análise. Entre os pensadores mais importantes desse período, encontramos Heinrich Racker, Madeleine Baranger e Willy Baranger. Heinrich Racker, de origem polonesa e educado em Viena, completou sua formação na Associação Psicanalítica Argentina na década de Em 1948, um ano antes de Paula Heimann, Racker apresenta seu trabalho A neurose de contratransferência, publicado posteriormente no International Journal como A contribution to the problem of countertransference (Racker, 1948). Racker apresenta seu trabalho quase simultaneamente com Paula Heimann, sem que haja existido no começo um intercâmbio entre suas respectivas idéias (Etchegoyen, 1986, p.241). Racker manteve a idéia de que a contratransferência tem sua fonte nos conflitos neuróticos do analista, mas também incorporou idéias kleinianas sobre as posições e relações precoces, a fantasia inconsciente, o Édipo precoce, as angústias e os mecanismos defensivos primitivos (Racker, 1948). Sua contribuição mais original foi destacar que a transferência e a contratransferência se co-determinam e se influem mutuamente: Transferência e contratransferência representam uma unidade, dando-se mutuamente vida e criação na relação interpessoal da situação analítica. (Racker, 1953, p.95). Como Heimann, ele considera a contratransferência a resposta global do analista, mas diferencia seus distintos aspectos do todo. Racker concordou com Annie Reich (1951) na necessidade de distinguir um uso restrito e um uso amplo da contratransferência e, tornando central a noção de identificação, proveniente do segundo tópico freudiano e do Édipo precoce de Klein, percebe dois tipos de contratransferências: a concordante e a complementar. A primeira é um fenômeno de identificação e ressonância pelo qual o ana-

6 CONTRATRANSFERÊNCIA: TEORIA E PRÁTICA CLÍNICA 21 lista pode experimentar o alheio como próprio. Assim, diferentes aspectos do psiquismo do analista, ego, superego ou id, seus impulsos e defesas podem ser equiparados aos do paciente. Estes mecanismos estão na base dos processos de compreensão e interpretação do analista (Racker, 1977, p.235). Para Racker, a contratransferência complementar mostra o aspecto neurótico da contratransferência e interfere no processo analítico. Racker mantém a acepção freudiana, dando um toque de originalidade ao descrever os aspectos complementares do fenômeno. De fato, o jogo de identificações faz com que o analista passe a ocupar um lugar como objeto do mundo interno do analisado e com que o analisado possa representar um objeto infantil do analista. Reativam-se modos de tratamento primitivos recíprocos entre ambos (Racker, 1977, p.235). A resposta contratransferencial tem, muitas vezes, sua origem na rejeição do analista a seus próprios impulsos infantis, em especial os agressivos, que o impedem de concordar com o paciente, freando-se, assim, o processo de livre associação e interpretação. Racker mostra como os fenômenos contratransferenciais se expressam em níveis verbais e não-verbais da comunicação analítica e se retroalimentam implicitamente, reforçando identificações patológicas. Destaca a necessidade da análise da contratransferência, tanto no tratamento pessoal do analista como nas supervisões. A tendência a desconhecer a contratransferência se deve a sentimentos infantis idealizados e não suficientemente analisados. Willy e Madeleine Baranger, psicanalistas franceses, hoje radicados na Argentina, viveram em Montevidéu entre os anos de 1954 e 1965 e fundaram o grupo psicanalítico uruguaio. Sua concepção da contratransferência se inclui em uma visão mais ampla do processo analítico concebido como campo dinâmico constituído pela dupla analítica (de León, 2000). O enquadramento em seus diferentes aspectos dá constância ao processo. A perspectiva destes autores alimenta-se de idéias provenientes da teoria da Gestalt introduzidas inicialmente na psicanálise riopratense por Enrique Pichon Rivière. A tese central de M. e W. Baranger e Baranger ( ) é de que a dinâmica inconsciente do campo é determinada por fantasias inconscientes compartilhadas, surgidas após a troca de identificações projetivas de paciente e analista. A noção de fantasia inconsciente de Susan Isaacs (1948) é a base desta concepção. Esta primeira visão de W. e M. Baranger ( ) coloca em primeiro plano a relação transferencial-contratransferencial. A interpretação procura verbalizar no momento a momento da sessão afetos que são indícios de fantasias inconscientes e ansiedades precoces. Estas fantasias fogem das palavras e podem ser captadas, como assinala Heimann, através da contratransferência do analista. Quando nelas se condensam aspectos de resistências de paciente e analista, constitui-se um baluarte que detém imperceptivelmente a análise. Na medida em que o analista toma consciência de suas incompatibilidades inconscientes, recupera-se o movimento do processo (Baranger, Baranger e Mom, 1982/1983). Em 1979, Willy Baranger fez uma revisão sobre a perspectiva bipessoal de seus primeiros trabalhos, ao destacar o papel do enquadramento e assinalar que é necessário ter, em seguida, uma segunda visão sobre o campo analítico, que ajude a manter ou recuperar a assimetria analítica. Esta revisão foi parcialmente motivada pela experiência, mas também pelo contato com o pensamento de Lacan, que questionou a contratransferência e os aspectos duais e bipessoais da experiência analítica, na medida em que podiam levar a uma perda da assimetria e neutralidade, superdimensionando os sentimentos e os aspectos imaginários da transferência. Madeleine Baranger retoma a perspectiva intersubjetiva ao resumir, no Congresso Internacional de Amsterdã de 1993, sua teoria do campo analítico (Baranger, 1992), que incorpora contribuições do pensamento de Lacan, mas mantém a influência de M. Klein e de Bion quando reafirma a importância da fantasia inconsciente, os afetos, o ponto de urgência da sessão e o vínculo transferencial-contratransferencial (Baranger, 1992). O enfoque de Willy e Madeleine Baranger foi desenvolvido por diferentes autores do meio psicanalítico rio-pratense e internacional. Na

7 22 ZASLAVSKY, SANTOS & COLS. América Latina, retoma-se a perspectiva do campo analítico no XXI Congresso de Fepal de Monterrey: Problemas do campo da transferência-contratransferência, em EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA NOÇÃO DE CONTRATRANSFERÊNCIA O tema da contratransferência tem marcos significativos na história das idéias psicanalíticas, dando lugar a diferentes evoluções e desenvolvimentos teóricos e técnicos em diferentes regiões. No Rio da Prata, como já mencionei, a noção adquiriu hierarquia durante as décadas de 1950 e 1960, sendo peça importante no pensamento original de muitos psicanalistas da época, como Racker, Willy e Madeleine Baranger, Pichon Rivière, Alvarez de Toledo, Arminda Aberastury e, posteriormente, Libermann e Bleger, entre outros. Sem dúvida, a influência do marco teórico kleiniano, que colocou em primeiro plano a interpretação transferencial no aqui-e-agora e os enfoques da época, que destacaram a incidência de fenômenos compartilhados na análise, levaram a que se considerasse a resposta contratransferencial do analista um instrumento central no processo interpretativo. Contudo, desde o começo da década de 1970, a importância concedida à contratransferência diminui consideravelmente em trabalhos e publicações psicanalíticas (de León et al., 1998). Isto se deve, em minha opinião, à introdução de novas idéias e, em especial, à influência do pensamento de Lacan (1958), que criticou violentamente esta noção e cujos desenvolvimentos se generalizaram no Rio da Prata a partir dos anos de 1970 (de León, 2000a, 2000b), (Bernardi, 2004; Bernardi, 2002a; Bernardi, 2002b). Jacques Lacan criticou violentamente o papel da contratransferência por diferentes razões. De seu ponto de vista, considerar demasiadamente a resposta afetiva do analista ao paciente podia fazer com que se perdesse a assimetria analítica, favorecendo o estabelecimento de uma transferência imaginária fusional que promovesse identificações duais de caráter narcisista. Neste aspecto, Lacan assumiu uma postura diferente de autores ingleses, que hierarquizaram a comunicação emocional como central para a análise: coerentemente com sua concepção do inconsciente estruturado como linguagem, destacou a necessidade de atender, em primeiro lugar, às características do discurso verbal do paciente. Também questionou duramente a concepção da autonomia do ego, defendida pela psicologia do ego norte-americana, ao destacar que a tarefa essencial da análise não é integrar aspectos inconscientes ao ego e o ego à realidade e que a interpretação procura um efeito de ruptura dos aspectos narcisistas defensivos, de maneira que possa atingir o sujeito do inconsciente. Centrar a análise na contratransferência poderia levar a uma pseudo-análise, em que o analisado procuraria se identificar com o analista. Lacan volta a dar destaque à transferência e, em especial, a sua dimensão simbólica. François Duparc (2002), coincidindo com a tese desenvolvida por B. de León sobre o efeito inibidor do pensamento de Lacan na abordagem do tema da contratransferência no Rio da Prata (de León, 2000), sustenta que a influência deste autor sobre o tema também fez com que esta reação adquirisse relevância, posteriormente, na França. Destaca que Nacht se opôs ao pensamento de Lacan em 1962, no Congresso de Língua Francesa, hierarquizando a contratransferência e o caráter pré-verbal e fusional da comunicação analítica, mas seu ponto de vista foi deixado de lado. Como vimos, no pensamento inglês a contratransferência ganha relevância nos anos de 1950 com Paula Heimann e se mantém até hoje como tema de reflexão. Na França, as idéias de Lacan difundidas durante as décadas de 1950 e 1960 contribuíram para frear o desenvolvimento do tema até os anos de 1970, quando encontramos contribuições como as de Serge Viderman e Michel Neyraut, que marcaram o rumo dos desenvolvimentos posteriores. Serge Viderman (1971), considerando uma perspectiva hermenêutica, ressituou o problema da contratransferência, ao concebê-la como parte do espaço analítico construído por paciente e analista, e Neyraut destacou a posição primordial da contratransferência, ao assinalar que esta precede como disposição para a transferência. Este autor tem uma visão global da contratransferên-

8 CONTRATRANSFERÊNCIA: TEORIA E PRÁTICA CLÍNICA 23 cia, em que inclui fantasias, idéias, sentimentos e teorias do analista. No pensamento francês contemporâneo, Luisa de Urtubey (1994), citada por Duparc (2002), diferencia distintas correntes com relação ao tema da contratransferência: a) as posturas clássicas, que suspeitam da contratransferência, entre as quais a autora situa o pensamento de Lacan; b) as posturas holísticas, que consideram a contratransferência um fenômeno global, como as de Nacht, Joyce Dougall e Chasseguet-Smirgell; c) as posturas que destacam o aspecto neurótico, mas útil, da contratransferência, como a de Pontalis; d) as posturas em que se inclui a autora, que consideram a contratransferência parte do espaço ou campo analítico. Luisa de Urtubey reconhece a influência que teve em sua posição o pensamento de W. e M. Baranger, que se aproxima ao de Serge Viderman, quando concebe a contratransferência como um fenômeno que se gera no espaço analítico e que inclui transferências e identificações do analista com seus próprios analistas. Duparc considera que o contato de analistas franceses com as idéias de Winnicott, em especial a de espaço transicional, e com as de J. Bleger sobre o enquadramento e a simbiose influíram no desenvolvimento da noção de contratransferência, na França, em analistas como Green, Laplanche e Pontalis. Destaca a importância da reflexão sobre o enquadramento, na medida em que permite manter distância da relação transferência-contratransferência, colocando-se como um terceiro, o que possibilita a assimetria e a neutralidade analíticas. Do meu ponto de vista, influíram nesta perspectiva a visão de Lacan sobre a função paterna e o lugar do terceiro. Green (1975) inclui na contratransferência o papel das teorias do analista e o diálogo com professores e colegas. Teoriza sobre a contratransferência no tratamento de personalidades limítrofes com falhas nos processos de simbolização. Ainda hoje, na França, se mantém a discussão acerca do significado da contratransferência. Uma polêmica recente entre Daniel Widlöcher e Jacques Alain Miller, publicada na Revista Argentina de Psicanálise, mostra pontos de vista contrastantes entre os seguidores do pensamento de Lacan e as visões psicanalíticas mais clássicas, expressas por Daniel Widlöcher. A polêmica mostra como os diferentes enfoques levam a diferenças nas concepções teóricas e abordagens técnicas. Assim, Miller (Widlöcher, 2003) assinala que o manejo da contratransferência está ausente da prática analítica de orientação lacaniana, não está discutido nela e isto é coerente tanto com a prática na sessão quanto com a doutrina lacaniana do inconsciente. (...) A contratransferência aparece cabalmente na prática lacaniana, mas apenas em seu aspecto negativo: não é um instrumento de investigação (p e 1.064). Em contraposição, Daniel Widlöcher destaca que a captação do movimento afetivo da sessão por parte do analista por meio de sua contratransferência é um instrumento imprescindível para a formulação da interpretação. O pensamento inglês hierarquizou ininterruptamente os aspectos emocionais e nãoverbais da comunicação analítica de Heimann até hoje. Do meu ponto de vista, Betty Joseph é a autora mais representativa entre os kleinianos contemporâneos, entre os quais também se incluem Hanna Segal, Elizabeth Bon Spillius, John Steiner, Ronald Britton, Michael Feldman e Irmã Brenman, entre outros. Para Betty Joseph, na situação analítica repetem-se relações primitivas de objeto e situações totais vividas na infância. Como Willy e Madeleine Baranger, ela crê que a noção de fantasia inconsciente oferece um marco teórico para a visão da contratransferência. No pensamento kleiniano, as fantasias inconscientes primitivas formam o núcleo do inconsciente, expressando impulsos, defesas e modos de relacionamentos primitivos vivenciados em sensações corporais e imagens distantes das palavras. Neste aspecto, tal pensamento diferencia-se da postura freudiana clássica, em que a fantasia inconsciente é concebida como formação de transação entre os sistemas. Em um artigo-chave, de 1985, A transferência como situação total, Betty Joseph, retomando a idéia de Sandler (1976) de roleresponsiveness, assinala como modos de relacionamentos primitivos se repetem na situação transferencial e são inferidos pelo analista por meio da captação das pressões que sofre

9 24 ZASLAVSKY, SANTOS & COLS. pelo analisando. Estas pressões muitas vezes se expressam em enactments, ou atuações do analista, das quais é necessário tomar consciência para que a análise progrida. Na visão de Joseph, o analisando usa o analista de forma paralela ou além do que manifestam suas palavras (1985, p.85). Para Joseph, estas são experiências que costumam ir além das palavras e que, muitas vezes, somente conseguimos compreender por meio dos sentimentos que despertam em nós, ou seja, por meio da contratransferência no sentido amplo da palavra (1985, p.85). Como vemos, Betty Joseph mantém o ponto de vista de Heimann sobre o papel relacionado aos sentimentos do analista e como esta fonte de experiência contratransferencial deve ser buscada no paciente. Contudo, a noção contemporânea de enactment, presente no desenvolvimento de muitos autores, em especial ingleses e norte-americanos, é uma noção mista entre o que provém de determinismos inconscientes do analista e do paciente. Sandler (1976), retomando em muitos aspectos o pensamento de Racker, considerava o enactment intermediário entre suas próprias tendências ou propensões e as relações de papel que o paciente estabelece inconscientemente (...) Parece que um complicado sistema de chaves inconscientes, tanto dadas como recebidas, está em jogo (Sandler, 1976, p.47). Recentemente, McLaughlin, (1991) definiu-o como aquelas interações regressivas e defensivas ocorridas na dupla analítica, experimentadas por ambos como a conseqüência do comportamento do outro (p.595). Os desenvolvimentos de Betty Joseph, que hierarquiza os aspectos não-verbais da comunicação, têm grande influência não apenas entre os analistas de tradição kleiniana, mas também na visão de analistas que procuram estabelecer um diálogo interdisciplinar com as neurociências e pesquisas empíricas de desenvolvimento. Assim, Peter Fonagy (1999, 2003) retoma a perspectiva de Joseph ao se aproximar de descobertas das neurociências sobre as memórias procedurais. Fonagy (1999) questiona, como Joseph, o alcance dos processos associativos verbais como fator de mudança psíquica do paciente, ao assinalar que somente podemos concordar com os modos de relacionamento patológicos infantis experimentando como o analisado se relaciona conosco na transferência. Betty Joseph inicia, além disso, nos últimos 10 anos, um diálogo fecundo com a psicanálise norte-americana, em especial por meio do vínculo estabelecido com Roy Schafer (1998). Este autor, desde o começo da década de 1970, junto com George Klein, Merton Gill e Donald Spence, contribuiu com idéias renovadoras, questionando a visão clássica da psicologia do ego. Influenciado por visões hermenêuticas sobre a interpretação, em especial a de Paul Ricoeur (de León e Bernardi, 2005), Schaffer criticou, assim como George Klein e Donald Spence, o uso da metapsicologia na prática clínica e a relevância dada ao passado infantil. Hierarquizou a busca do sentido inconsciente das narrativas construídas por analista e paciente no momento do diálogo analítico. Sua noção de linguagem de ação (Schafer, 1976, 1992), representada pelo paciente de forma repetitiva na sessão, e suas concepções da transferência o levam ao diálogo com correntes kleinianas contemporâneas, que hierarquizam a contratransferência. No atual pensamento norte-americano, encontramos uma ampla gama de enfoques sobre a contratransferência, que inclui freudianos como os de Arlow (1985), que respondem à visão mais tradicional da psicologia do ego, herdeira dos primeiros psicanalistas, que tiveram contato com Freud na Europa e que chegaram aos Estados Unidos no pós-guerra. Eles reafirmaram como fonte da contratransferência a neurose infantil do analista. Enfoques mais atuais desenvolvidos na Califórnia, como o de Ogden (1994) e o de Grotstein (1981) tratam da influência de Klein e de Bion, vinculando a noção de contratransferência à função continente da mente do analista. Ogden revisa concepções kleinianas de uma perspectiva intersubjetiva. Finalmente, encontramos uma ampla gama de contribuições, das que destacam aspectos da participação inconsciente do analista, como Theodore Jacobs, às que hierarquizam o caráter intersubjetivo da psicanálise, como Owen Renik ou Stephen Mitchell.

10 CONTRATRANSFERÊNCIA: TEORIA E PRÁTICA CLÍNICA 25 Jacobs (1991/1993), desenvolvendo idéias de Isakower (1963) sobre o instrumento analítico, postulou que a mente do analista funciona como um registro multicanal, ou seja, pode receber as comunicações do paciente em diferentes canais: sensoriais, acústicos, visuais, sensações corporais, padrões de movimento e respostas autônomas. Jacobs hierarquiza o papel do que chama empatia corporal. A regressão analítica permite ao analista se reconectar, por meio de sua própria experiência corporal, com imagens e recordações do paciente nãoconscientes naquele momento. Imagens, sensações e movimentos corporais do analista aparecem, então, como chaves contratransferenciais, que iluminam aspectos de resistência e conflitos reprimidos. Owen Renik (1993) postulou o caráter eminentemente intersubjetivo da experiência analítica. Seus trabalhos provocaram diferentes polêmicas ao questionar as noções de contratransferência e neutralidade. Para ele, a subjetividade do analista está necessariamente implicada no processo analítico e, neste sentido, a noção de contratransferência é redundante. A participação do analista, as crenças, o pensamento e os sentimentos levam a enactments na interação analítica. Somente se pode ter consciência da contratransferência depois desta ser atuada. Para Renik, o ideal de neutralidade tem um efeito restritivo sobre a aproximação afetiva com o paciente e barra o pensar sobre as múltiplas formas de incidência do analista no processo e sobre como o paciente percebe esta participação. Sustenta (Renik, 1999) que o analista transmite, implicitamente, sentimentos, opiniões e pontos de vista muito mais do que verbaliza. Por isso, julga necessário que se possa, às vezes, explicitar ao paciente seus próprios julgamentos e opiniões sobre diferentes aspectos conflitivos da sua vida. Ao contrário do que possa parecer à primeira vista, isto dá mais autonomia ao paciente, na medida em que pode confrontar seus pontos de vista com os de seu analista e analisá-los. CONTRATRANSFERÊNCIA E INTERSUBJETIVIDADE O descobrimento da contratransferência inaugura uma nova visão sobre o processo analítico, que não transcorre apenas no paciente, mesmo que ocorra em função deste. De Heimann e Racker a Willy e Madeleine Baranger, passando por Joseph, Sandler, Schafer, Viderman, Jacobs, Renik e Mitchell, entre muitos outros, vemos como se afirmou progressivamente, durante o século XX, a tendência a hierarquizar a incidência de fenômenos relacionais ocorridos durante a análise. Esta perspectiva fez surgir pontos controversos sobre o tema da neutralidade e possível objetividade do analista com respeito ao paciente. Destaquei (de León, 1993, 2005), retomando a perspectiva de W. e M. Baranger, que momentos de inter-relação entre vivências do paciente e do analista constituem o processo de análise. Estes momentos têm as características de ser verdadeiros nós interativos em que se ativam imagens, afetos e diferentes sensações corporais, como foi assinalado no meio rio-pratense há 50 anos por Luísa Alvarez de Toledo (1954). Neles, manifestam-se aspectos repetitivos inconscientes, transferenciais e contratransferenciais e mecanismos defensivos de identificação recíproca. Não é possível que haja um verdadeiro processo de análise se o analista não se dedica a processos de identificação com o paciente, possibilitando identificações concordantes ou complementares e momentos de fusão. Contudo, estes momentos de intensa intersubjetividade se alternam dialeticamente com outros de maior discriminação entre paciente e analista. Estes últimos permitem recuperar o movimento de livre associação e a atividade interpretativa, a capacidade de auto-reflexão e elaboração de paciente e analista e, finalmente, a posição de neutralidade do analista. O tema da neutralidade se ligou ao da objetividade do analista. O analista pode ter uma visão objetiva sobre os fatos clínicos dos quais participa, sem que esta participação seja contaminada por sua vivência subjetiva? Nesse sentido, Glen Gabbard (1997) discutiu o ponto de vista de Owen Renik (1993) sobre a irredutível subjetividade do analista. Concorda com Green (1975) e Ogden (1994) em suas conceitualizações sobre o terceiro analítico se o objeto analítico é construído por paciente e analista, os momentos de separação entre

11 26 ZASLAVSKY, SANTOS & COLS. ambos permitem ao analista um olhar de fora sobre a realidade psíquica do paciente e a interação. Junto com Ricardo Bernardi, destacamos, retomando o ideal de Willy e Madeleine Baranger, Baranger e Mom (1982), que é necessário estabelecer um segundo olhar sobre o campo da interação analítica, que abra espaço para a disposição à auto-análise do analista sobre os diferentes aspectos de sua participação (Bernardi e de León, 1993). Este segundo olhar também permite ao analista reconhecer o mundo interno do paciente como diferente do próprio. Com o avanço do tratamento, o paciente, juntamente com o analista, aumenta sua capacidade reflexiva sobre o ocorrido na relação analítica, os aspectos transferenciais e contratransferenciais, suas emoções e estados mentais em geral. Desta maneira, pode-se ir construindo um terceiro olhar conjunto de paciente e analista sobre o movimento do campo. O progresso da análise leva ao crescimento da capacidade reflexiva compartilhada, o que permite ao paciente uma visão mais objetiva de si mesmo. Os desenvolvimentos de Mary Target e Peter Fonagy (1996) sobre a noção de função reflexiva agregam uma nova perspectiva para compreender os processos de crescimento mental na análise. CONTRATRANSFERÊNCIA E ASPECTOS PRÉ-VERBAIS DA COMUNICAÇÃO A diferença entre a importância atribuída ao afeto ou à palavra por diferentes desenvolvimentos teóricos, aos quais me referi parcialmente neste capítulo, coincide com descobertas das neurociências. Elas diferenciam sistemas heterogêneos da memória: a memória procedural ou implícita e a memória declarativa ou explícita (ver Davis, 2001). A primeira é de caráter emocional, antecede a possibilidade de verbalização e precede a segunda no desenvolvimento precoce. A memória declarativa se vincula à aquisição da linguagem e é de aquisição mais tardia. Ambos os tipos de memória correspondem a diferentes áreas cerebrais (Squire e Kandel, 1999). Pesquisas sobre o desenvolvimento primitivo também manifestaram como formas implícitas de estar como outro (Stern, 1985/1991) são ativadas na situação analítica. Os dois tipos de memória aparecem em diferentes momentos do processo analítico. Sem dúvida, as concepções sobre a contratransferência mostraram como na análise se atualizam modos procedurais infantis de trato do objeto, de caráter pré-verbal. Estas memórias que se expressam como esquemas de vivência e condutas estereotipadas (Baranger e Baranger, ) ou matrizes relacionais (Mitchell, 1988) condensam a experiência emocional nuclear do paciente e atuam no campo analítico. As noções de baluarte e, mais recentemente, de enactment procuram descrever estes momentos clínicos, e a contratransferência, na medida em que o analista possa compreender sua dinâmica, torna-se instrumento privilegiado para a transformação dos modos patológicos de se vincular ao paciente. A interpretação procura estabelecer uma dialética entre memórias emocionais ativadas no encontro com o analista e memórias declarativas, lembranças do passado do paciente surgidas e narradas no aqui-e-agora da sessão. O trabalho de integração entre os dois tipos de memória permite ao paciente simbolizar aspectos separados e narrá-los. Neste caso, o sistema pré-consciente adquire maior estabilidade, riqueza representacional, fluidez e permeabilidade. As representações verbais pré-conscientes permitem sustentar a força de impulsos primários expressos em vivências emocionais rompidas. Em pacientes com transtornos severos de caráter ou limítrofes, a resposta contratransferencial pode se tornar crônica, perpetuando uma situação patológica (Kernberg, 2005) e levando a actings severos do analista (Gabbard, 2003). Nestes casos graves, tornase necessária a supervisão do caso. CONTRATRANSFERÊNCIA, RELAÇÃO ANALÍTICA E MUDANÇA TERAPÊUTICA Pesquisas de processo e resultado demonstraram que as características do encontro terapêutico, como compromisso emocional e contato comunicativo (Jiménez, 2005), constituem os principais preditores de êxito do tratamento

12 CONTRATRANSFERÊNCIA: TEORIA E PRÁTICA CLÍNICA 27 em diferentes formas de psicoterapia. Na psicanálise, foram destacados tradicionalmente os aspectos repetitivos da transferência e da contratransferência. Contudo, a partir de diferentes enfoques teóricos, mostrou-se a importância da uma nova relação entre paciente e analista como fator de mudança. Autores como Roy Schafer, Donald Spence e Serge Vidermann, entre outros, destacaram a importância do surgimento de novos sentidos no contexto da relação transferencial. Além disso, destacouse a importância da personalidade real do analista, das características do encontro com seu paciente, em determinadas circunstâncias vitais e determinado meio cultural, social e econômico. Isidoro Berenstein (2001) referiuse recentemente aos novos aspectos da transferência ao assinalar que nela não apenas se revivem de forma diferente fatos do passado infantil seja como novas versões da história ou versões com acréscimos como também se instaura uma nova relação, proveniente da interação com o alheio do outro, que, ao produzir novas inscrições, pode modificar os aspectos vinculares repetitivos patológicos. A concepção global da contratransferência também incluiu não apenas os aspectos repetitivos inconscientes do passado infantil do analista, mas diferentes aspectos de seu funcionamento mental que foram se desenvolvendo em suas experiências pessoais de análise e formação, em seu diálogo com teorias e colegas e, sobretudo, no contato com seus pacientes. Estes aspectos integram fatores conscientes e pré-conscientes do psiquismo do analista, mas também o inconsciente presente (Sandler, 1987). Neste sentido, a experiência contratransferencial oferece ao analista um caminho de crescimento emocional, mental e profissional. Contudo, destacamos (de León e Bernardi, 2005) como novas situações vitais doenças, desilusões e tensões provenientes do trabalho analítico ou das condições em que seja exercido podem impactar traumaticamente o analista, gerando disposições contratransferenciais que distorcem sua tarefa. Neste sentido, consideramos útil, como dissemos no começo deste capítulo, manter o sentido amplo e estrito da contratransferência, considerando-a instrumento e obstáculo, segundo os momentos e as circunstâncias da análise com diferentes tipos de pacientes. Se é certo que a relação analítica pode atuar como primeiro fator de mudança terapêutica, também o analista deve estar atento aos novos aspectos vulneráveis que a vida e seu trabalho geram, de modo que o vínculo analítico não o leve a exercer um afeto iatrogênico e traumático sobre o paciente e sobre si mesmo. REFERÊNCIAS Alvarez de Toledo, L.G. de. (1954). El análisis del asociar, del interpretar y de las palabras. Re. de Psicoanálisis, 11(3), Arlow, J. (1985). Some technical problems on countertransference. Psychoanalytic Quarterly, 54, Baranger, M. (1992). La mente del analista de la escucha a la interpretación. In Luis Kancyper (Comp.) Volviendo a pensar con Willy y Madeleine Baranger: Nuevos desarrollos. Argentina: Lumen, Baranger, M., Baranger, W. ( ). La situación analítica como campo dinámico. Revista Uruguaya de Psicoanálisis, 4(1), : Baranger, M., Baranger, W., Mom, J. (1982). Proceso y no proceso en el trabajo analítico. Revista de Psicoanálisis, 39, [También publicado como: Process and Non-Process in Analytic Work. Int. J. Psycho-Anal., 64:1-15. (1983) ] Baranger, W. (1979). Proceso en espiral y Campo dinámico. Revista Uruguaya de Psicoanálisis, 59: Berenstein, I.(2001). El sujeto y el otro: De la ausencia a la presencia. Paidós Psicología Profunda, 2001 Bernardi, B. (2004). El porvenir de un diálogo. Comentario al debate D. Widlöcher-J-A Miller. Revista de Psicoanálisis, 61, Bernardi, R. (2002a). Por qué Klein y por qué no Klein. Revista de Psicoanálisis.Editada por la Asociación Psicoanalítica Argentina, 59, Bernardi, R. (2002b). The need for true controversies in psychoanalysis: the debates on Melanie Klein and Jacques Lacan in the Rio de la Plata. Int. J. Psychoanal., 83, Bernardi, R., de León, B.(1993). Does our selfanalysis take into consideration our assumptions. En: James W. Barron (Ed.), Self-Analysis: Critical Inquiries, Personal Visions. New Jersey: The Analytic Press. Bion, W.R. (1952). Group dynamics: a review. International Journal of Psychoanalysis, 33,

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