Versão Online ISBN Cadernos PDE VOLUME I O PROFESSOR PDE E OS DESAFIOS DA ESCOLA PÚBLICA PARANAENSE

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1 Versão Online ISBN Cadernos PDE VOLUME I O PROFESSOR PDE E OS DESAFIOS DA ESCOLA PÚBLICA PARANAENSE 2009

2 Universidade Estadual de Londrina ARTIGO CIENTÍFICO PERCEPÇÃO DO MUNDO E RECEPÇÃO DA OBRA DE LYGIA BOJUNGA NUNES Autora: Rosangela Sanches Teixeira Orientador: Jaime dos Reis Sant'Anna BELA VISTA DO PARAÍSO 2011

3 GOVERNO DO PARANÁ SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO COORDENAÇÃO DO PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL PDE ROSANGELA SANCHES TEIXEIRA ARTIGO CIENTÍFICO Um texto não lido é um nada nesse horizonte tão infinito de expectativas e imaginações possíveis Bela Vista do Paraíso, Paraná 2011

4 RESUMO A leitura é um meio estratégico de aprendizagem para o desenvolvimento de muitas capacidades do aluno, sejam as cognitivas, sejam as críticas. Essa pesquisa procurou demonstrar o quão fascinantes são os personagens da nossa autora, Lygia Bojunga Nunes, que viaja entre o mundo real e imaginário, trabalhando numa linha tão estreita entre o real e o irreal, assim construindo narrativas de alto valor literário para que o leitor possa, através de suas vivências, aproximar-se das vidas das personagens, tornando-se um coautor de suas histórias. Segundo as DCEs, o leitor tem um papel ativo no processo da leitura, procurando pistas, formulando e reformulando hipóteses, levando suas próprias experiências e vivências para dentro do texto, tornando-se assim, um viajante nessas leituras. A escolha de fragmentos de obras da Lygia B. Nunes (Os Colegas, A Casa da Madrinha e Sapato de Salto) foi essencial porque ela constrói uma narrativa impregnada de fantasia, que tem por base elementos tomados do real, numa linguagem coloquial e dialógica, para discutir comportamentos sociais que possibilitam a reflexão sobre onde vivemos, quem somos nesse universo tão complexo, fazendo com que o leitor mergulhe em emoções e sensações que podem vivenciar no seu cotidiano e, fazendo interação com outros tipos de textos (verbais e não-verbais), dá condição ao leitor de comparar, discutir,tomar partido, tornando a leitura um meio estratégico de aprendizagem mais prazeroso, oportunizando a ele os bons textos do projeto. Abstract THE reading is a strategic environment for learning and development in many capacities of the student, are the cognitive, are the criticisms. This research sought to demonstrate how fascinating are the characters of our author, Lygia Bojunga Nunes, who "travels" between the real world and imaginary, working in a row so close between the real and the unreal, thus constructing narratives of high literary value for the reader can, through their experiences, approaching the lives of the characters. According to the DCEs, the reader plays an active role in the process of reading, looking for clues, formulating and reformulating hypotheses, bringing their own experiences to the inside of the text, thus becoming a traveller in these readings. The choice of excerpts from works of Lygia B. Nunes (Colleagues, The House of the Godmother and high heels) was essential because it builds a narrative steeped in fantasy, which is based on elements taken from real, colloquial language and a dialogue to discuss social behaviors that enable reflection on where live, who we are in this universe so complex, so that immerse the player in emotions and feelings that they can experience in their daily lives and making interaction with other types of texts (verbal and nonverbal), gives the reader a condition to compare, discuss, taking sides, making reading a strategic means of learning more enjoyable, giving the students good texts of the project. Palavras-chave: leitura; reflexão; estética da recepção; Lygia Bojunga Nunes 1Pós-graduação em Metodologia do Ensino, Graduação em Letras, Professora de Língua Portuguesa no Colégio Estadual Brasílio de Araújo 2 Bacharel em Letras (FFLCH-USP); Licenciado em Letras (FE-USP) ; Mestrado e Doutorado (FFLCH-USP) Professor Adjunto da UEL Universidade Estadual de Londrina (desde 2008). Disciplinas: Literatura Brasileira II; Lit. Port. I; Lit. Infantil e Juvenil e Ensino; Prática de Ensino de Literatura

5 1 Introdução Este artigo tem como objetivo problematizar os encaminhamentos teóricometodológicos aplicados ao ensino de Literatura, na Educação básica, mais especificamente no Ensino Fundamental (5ª a 8ª séries), a fim de aprofundar discussões sobre as diversas possibilidades de trabalho com textos literários, que estejam em concordância com as linhas teóricas propostas nos documentos norteadores para esse nível de ensino, com relação à leitura, compreensão e reflexão dos mesmos. Partindo do ensino da Literatura na Educação Básica nos últimos anos, percebemos que o professor perdeu-se um pouco entre tantas linhas, ou por falta de conhecimento de teorias que subsidiassem sua prática pedagógica ou pelas mudanças de governos que alteram os olhares frente à Educação Básica em nosso país. Essas mudanças, não criando raízes pedagógicas mais sólidas acerca de quê e como trabalhar a Literatura dentro das aulas de Língua Portuguesa no Ensino Fundamental fez com que cada educador entendesse e trabalhasse da sua forma, não mantendo critérios, objetivos e metodologias que, na práxis do seu trabalho, tivesse um encontro interessante com novas teorias surgidas nos últimos anos. Sabemos que a leitura é um meio estratégico de aprendizagem para o desenvolvimento de muitas capacidades do aluno, sejam as cognitivas, sejam as críticas; porém as estatísticas e as nossas vivências pedagógicas nos mostram que cada vez mais os alunos leem menos, no que compete aos textos literários. A falta do hábito de leitura tem sido apontada como uma das causas do fracasso escolar do aluno e, em consequência, do seu fracasso enquanto cidadão, concomitantemente ao insucesso da escola. Refletindo sobre isso, serão os textos apresentados a eles que não têm uma significação? Ou o modo como são apresentados? Terá sido sempre assim? Onde a escola, em termos gerais, e os professores de Língua Portuguesa, em particular, podem mudar suas práticas e estratégias para formarem leitores de fato, que compreendam o que leem e consigam relacionar as leituras com o mundo ao seu redor? Será que existe unidade, sequenciação e integração curricular para o desenvolvimento da leitura e de leitores? Procurar e encontrar novos rumos e saídas satisfatórias para inserir a literatura infanto-juvenil na escola são objetos de estudos e práxis que devem ser inseridas na escola durante toda a vida escolar dos alunos. A leitura deve ser acompanhada de questionamentos, debates e reflexões à

6 respeito do seu conteúdo e processo de construção, no caso do gênero romance, focalizar os elementos da narrativa usados, pois a autora vai e vem, do real ao imaginário, com personagens personificados, tornando essa leitura bem próxima do leitor. Devemos destacar alguns objetivos a se levar em consideração durante o processo da leitura: Mostrar ao aluno que ler é mais do que decodificar signos, mas sim dar às palavras as suas significações que vão ajudá-lo a compreender melhor toda a mensagem textual; Proporcionar ao aluno, através da leitura de textos de Lygia B. Nunes, o conhecimento de outros mundos, lugares, costumes, realidades, ideologias e, com isso, que ele possa repensar o seu próprio modo de viver; Confirmar o valor da leitura para o desenvolvimento social e pessoal do aluno do Ensino Fundamental. Criar novas expectativas para que a leitura se torne um prazer e estimular no aluno a vontade (ou curiosidade) em ler as obras completas da autora estudada e também obras de outros bons autores da nossa literatura infanto-juvenil. 2 Teoria da Estética da Recepção Da reflexão à criticidade, este projeto está embasado na Teoria da Estética da Recepção, onde a leitura de fragmentos de textos literários se dá sob a perspectiva de um ato dialógico e interlocutivo, com o objetivo de auxiliar o professor PDE e outros professores da área, no seu trabalho em sala de aula, a fim de que haja uma maior homogeneidade sobre o ato de leitura de textos literários, na escola, ampliando, assim, o número de professores e estudantes preparados para o ato de ler. Segundo as DCEs, o leitor terá um papel ativo no processo da leitura, procurando pistas, formulando e reformulando hipóteses, levando suas próprias experiências e vivências para dentro do texto, tornando-se assim, um co-autor dessas leituras: Ler é familiarizar-se com diferentes textos produzidos em diferentes práticas sociais notícias, crônicas, piadas, poemas, artigos científicos, ensaios, reportagens, propagandas, charges, romances, contos etc,

7 percebendo em cada texto a presença de um sujeito, de um interesse. Entretanto, tal interesse não é determinante da leitura. A construção de significados de um texto é de responsabilidade do leitor. (DCE, 2006, p.31) Considerando que toda obra literária é um objeto social, haja vista que, para que ela exista, é preciso que alguém a escreva e, principalmente, que alguém dê vida a essa obra, lendo-a. Segundo Marisa Lajolo (2002): É a literatura porta de um mundo autônomo, que, nascendo com ela, não se desfaz na última página do livro, no último verso do poema, na última fala da interpretação. Permanece ricocheteando no leitor, incorporado como vivência, erigindo-se em marco do percurso da literatura de cada um. (Marisa Lajolo, 2002) Geralmente, as crianças gostam de ler narrativas, recheadas de fantasias e apresentam um interesse natural pelo lúdico proporcionado por essas histórias. Neste momento, o gosto pela leitura começa a ser construído. Práticas de leitura errôneas impostas pelas escolas acabam interferindo negativamente nesse processo de formação de leitores. Sobre isso, Zilberman comenta: O desempenho incipiente da criança não retrata a sua concepção real do ato de ler, pois a escola, muitas vezes, pautando-se apenas no desempenho observável do aprendiz, pode tentar ajudá-lo com tarefas mais fáceis, menos desafiadoras, usando textos simplificados, absolutamente artificiais e pouco significativos para a criança. Se essa estratégia de imbecilização dos textos (cf.kato, 1986) pode aparentemente resultar em um melhor desempenho na parte mecânica da leitura, ela, ao mesmo tempo, bloqueia o desenvolvimento e a aprendizagem por não oferecer desafios motivadores e por ir contra o objetivo do letramento, que é a apreensão do mundo criado pela escrita. A literatura é criada, vendida, lida e estudada. Ela ocupa as estantes de livrarias e bibliotecas e preenche os índices dos programas de educação do país. Ainda assim, nossos alunos leem pouco, talvez pelo fato de não serem mais instigados a isso. (Zilberman e Theodoro da Silva, 2005) De acordo com a lei 9394, de 20 de dezembro de 1996, proposta na lei da Diretrizes e Bases da Educação Nacional, trata de que em todos os níveis da educação

8 brasileira contemporânea é a de que todo cidadão enquanto ser humano, deve ter uma formação que lhe permita o seu desenvolvimento em sentido amplo, perpassa que a literatura e as demais representações artísticas podem se responsabilizar pelo gosto estético dos cidadãos e que a leitura literária, em caso específico, poderia se encarregar desta tarefa ( REVISTA MÁTHESIS). Apesar de a Literatura Infantil aparecer desde o século XVII, quando os primeiros livros foram escritos, o campo de trabalho na escola, desse gênero tão especial, é ainda bem superficial nas aulas de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental, como se a leitura de bons textos literários fosse um projeto de ordem secundária. Pouco se tem na escola, em termos de Literatura Infantil, um acervo vivo, quantitativo e qualitativo, para que essa faixa de alunos do Ensino Fundamental seja contemplada de forma responsável, prazerosa e significativa. E, com isso, ficam prejudicados em relação à leitura e compreensão de várias realidades que podem ou não terem relação com a sua, mas que de alguma forma nos mostra o mundo em que vivemos. Ao tratar de Literatura, pensamos nos limites entre realidade e ficção. Para Cândido (1972), a literatura não fica restrita A sua estrutura, pois é capaz de atender e saciar as necessidades de ficção e fantasia do homem, tanto daquele que produz como daquele que recebe. Essa fantasia é relacionada à realidade do leitor no momento da realização da leitura, pois a criação literária, segundo o autor, serve para revelar sua função integradora e transformadora dessa realidade. Assim, o leitor interage com a leitura reconhecendo-se nesse meio e modificando-se em seguida, não conseguindo discernir com exatidão qual a influência das leituras ficcionais na formação da sua personalidade. Baseando-me nessas questões, tomei como aporte para transformar a leitura num ato contínuo e significativo, os documentos mais recentes de orientação teóricometodológica para essa área do conhecimento, destacando a teoria da estética da recepção, onde o aluno não é mero expectador da história e sim, um vivenciador da mesma. A partir da teoria da recepção, o espaço da criação do texto literário passou a ter mais liberdade, já que autor e leitor se unem para contar a mesma história, mesmo que sob visões diferentes. A seleção de palavras, a construção dos temas e o modo de organização da narrativa são algumas das peculiaridades de cada escritor para exteriorizar os fatores cotidianos e exprimir os pensamentos da humanidade. Para

9 Barthes (1996), a escritura ou o modo de escrever, é o que desencadeia a fruição da linguagem, visto que se encontra inserido em um sistema desconjuntado, que espera para ser organizado pelo escritor e, posteriormente, pelas inferências do leitor. Assim, o escritor apela à liberdade do leitor para que este colabore na produção de sua obra (SARTRE, 1993). Sendo uma forma de comunicação, a literatura é o veículo de ligação entre o mundo exterior e o interior, pois amplia a capacidade de percepção de si mesmo e do mundo. A possibilidade de a obra se atualizar como resultado da leitura é o sintoma de que está viva; porém, como as leituras diferem a cada época, a obra mostra-se mutável, contrária à sua fixação numa essência sempre igual e alheia ao tempo (ZILBERMAN, p. 33). Para que se efetive um método consistente da leitura da literatura, que leve os estudantes à competência da leitura literária, deve-se considerar: as especificidades temáticas e formais do texto literário, a natureza artística da literatura e o lugar do leitor no processo de comunicação literária (CICILIATO,Revista Máthesis ) A escolha de fragmentos de obras de Lygia Bojunga Nunes, retiradas do livro da mesma autora Dos Vinte 1,foi essencial por perceber que ela não transforma a Literatura Infantil num gênero de menor importância, e sim constrói uma narrativa impregnada de fantasia, que tem por base elementos tomados do real, numa linguagem coloquial e dialógica, que confere dinamismo ao texto, tornando-o mais interessante, para discutir os comportamentos sociais advindos da ideologia dominante, sem deixar empobrecer a função lúdica do texto, fazendo uma abordagem de temas sociais, que possibilitam a reflexão sobre onde vivemos, como vivemos, quem somos nesse universo tão complexo, esperando com isso formar um leitor contínuo e que faça do livro um amigo, como nos ensina a autora. Na tendência de alguns autores quererem-se artistas e não pedagogos ou moralistas e em busca de inovação, surge Lygia Bojunga Nunes, fazendo da inversão de valores ideológicos seu compromisso com a modernidade. Transitando nessa tendência,

10 encontramos a tentativa de desmascaramento das ideologias e a aproximação da realidade histórica e social do leitor infanto-juvenil. (MAGNANI, p.88) Bojunga: criadora e leitora, suas cores, fantasias, viagens. Quem lê Lygia, lê o mundo. Um mundo de viagens para o passado e futuro, cheio de imagens, cores, portas e janelas. Ela utiliza-se da ficção para realizar um mergulho na realidade, aguçando os pensamentos e propondo aos leitores uma parada para refletirem a sua própria vida e identidade. Nascida em Pelotas, RS, vive entre o Rio de Janeiro e Londres e foi autora premiada, em 1982, com o famoso prêmio Hans Christian Andersen, o mais importante dentro da literatura infantil. Ainda teve suas obras publicadas em várias línguas e também transportadas para o teatro. É uma leitora apaixonada e possui uma íntima ligação com os livros, desde a infância, como veremos num dos seus textos: Pra mim, livro é vida; desde que eu era muito pequena os livros me deram casa e comida. Foi assim: eu brincava de construtora, livro era tijolo; em pé, fazia parede, deitado, fazia degrau de escada; inclinado, encostava num outro e fazia telhado. E quando a casinha ficava pronta eu me espremia lá dentro pra brincar de morar em livro. De casa em casa eu fui descobrindo o mundo (de tanto olhar pras paredes). Primeiro, olhando desenhos; depois, decifrando palavras. Fui crescendo; e derrubei telhados com a cabeça. Mas fui pegando intimidade com as palavras. E quanto mais íntimas a gente ficava, menos eu ia me lembrando de consertar o telhado ou de construir novas casas. Só por causa de uma razão: o livro agora alimentava a minha imaginação. Todo dia a minha imaginação comia, comia e comia; e de barriga assim toda cheia, me levava pra morar no mundo inteiro: iglu, cabana, palácio, arranha-céu, era só escolher e pronto, o livro me dava. Foi assim que, devagarinho, me habituei com essa troca tão gostosa que no meu jeito de ver as coisas é a troca da própria vida; quanto mais eu buscava no livro, mais ele me dava. Mas, como a gente tem mania de sempre querer mais, eu cismei um dia de alargar a troca: comecei a fabricar tijolo pra em algum lugar uma criança juntar com outros, e levantar a casa onde ela vai morar. (Mensagem de Lygia Bojunga para o Dia Internacional do Livro Infantil e Juvenil, traduzida e divulgada nos 64 países membros do IBBY).

11 Nesse ínterim, foram inseridos outros textos que se utilizam do mesmo tema, para haver uma maior e melhor discussão sobre os assuntos. O método utilizado foi o da Estética da Recepção, de Jauss, juntamente com a colaboração de outros autores, pois esse atende às expectativas em se formar mais e bons leitores, que leiam por prazer, mas que também reflitam e opinem sobre as situações encontradas nos textos, sempre buscando relações com o seu eu e a sociedade em geral. Em suma, Jauss reafirma sempre a necessidade do dialogismo entre texto e leitor, capaz de alterar a obra, transformá-la, confronto da obra com seu contexto histórico e social (percebendo também o leitor de cada época) e, por fim, reiterando que o texto incorpora as interpretações e recepções acumuladas no tempo e por isso, obra e leitor se modificam. Nesse método, cinco passos foram trabalhados e desenvolvidos, através de textos previamente selecionados: 2.1 determinação do horizonte de expectativas; 2.2 atendimento do horizonte de expectativas; 2.3 ruptura do horizonte de expectativas; 2.4 questionamento do horizonte de expectativas; 2.5 ampliação do horizonte de expectativas. 2.1DETERMINAÇÃO DO HORIZONTE DE EXPECTATIVAS Sobre essa questão,foram averiguados, através de conversas e questionário com os alunos, quais os horizontes de expectativas que eles traziam consigo, como valores, preconceitos, lembranças para se poder chegar a um diagnóstico em relação à leitura entre eles. Para atraí-los, foi confeccionado um cartão, em forma de um coração, com um pirulito acoplado e a seguinte pergunta: Para que amigo(a) você daria o seu coração? Após essa discussão, os alunos leram a Lenda da Amizade e colocaram suas impressões no caderno, que teve intitulada Viagem pela leitura. Após isso, foram apresentadas aos alunos uma charge sobre solidariedade e uma lenda sobre a amizade, para que os interpretassem e dessem seus pareceres

12 críticos à respeito de nossa sociedade; em relação a essa questão, também postaram suas observações na caderneta da Viagem. Em seguida, fazendo um contraponto, foi mostrado a eles um texto não-verbal, que tinha como assunto o trabalho infantil, no qual o aluno teria que ser capaz de decifrar e compreender a mensagem, postando suas observações. Como complemento, elaboraram cartazes denunciando esse fato tão corriqueiro em nosso país. No texto verbal e não-verbal, que aborda a manipulação de pessoas, pretendeu-se comparar a linguagem de um blog com a linguagem formal, além de analisar o texto nãoverbal. Também houve a sessão pipoca, com o filme A Onda, (baseado em caso real, uma aula prática sobre autocracia e as origens do totalitarismo), onde puderam assistir e analisar como as pessoas manipulam as outras e como as outras se deixam manipular, fazendo uma interdisciplinaridade com História, no caso da 2ª grande guerra mundial. 2.2 ATENDIMENTO DO HORIZONTE DE EXPECTATIVA Após ter despertado no aluno o interesse pelo assunto e pela leitura, foram apresentados a eles textos mais elaborados sobre os mesmo temas, uma fábula e um poema, a fim de que eles se apropriassem melhor dessas leituras, para ter um embasamento melhor antes de ler os textos da Lygia B. Nunes, atendendo assim, no método recepcional, os seus horizontes de expectativas. Nessa etapa, entrou um novo tema, que aparece em Sapato de Salto, sobre pedofilia, que é polêmico, e está sendo bastante destacado na mídia. Foi feito um estudo de uma imagem representativa do tema acima e também leitura e debates de notícias de jornais. 2.3 RUPTURA DO HORIZONTE DE EXPECTATIVA Nesta unidade do método recepcional, foram utilizados os fragmentos de obras de Lygia B. Nunes, a fim de abalar as certezas e costumes dos alunos. Para a 5ª série foi escolhido um fragmento do livro Os Colegas ; para a 6ª, A Casa da Madrinha (fragmento); e, para a 7ª, Sapato de Salto (fragmento).

13 Após essas leituras, foram debatidos, oralmente, os temas em comum com os outros já lidos e a identificação de posturas comuns ou diferentes de cada autor. Como esses fragmentos são mais complexos, foram dadas aos alunos algumas atividades para que eles pudessem identificar as pistas dos textos, e, com isso, interpretálos de forma adequada. A investida em temas mais polêmicos possibilitou ao aluno tornar-se mais ciente e crítico em relação a eles mesmos e ao mundo em sua volta. Como eram textos mais longos, foram repartidos em etapas até chegar ao todo, fazendo assim, a ruptura dos seus horizontes, para que observassem o meio em que vivem de outra forma. 2.4 QUESTIONAMENTO DO HORIZONTE DE EXPECTATIVAS Nesse ponto do projeto foram feitas comparações e observações mais profundas entre os textos que tinham em comum o mesmo tema, inserindo aqui as particularidades de cada gênero textual, para que percebessem diferenças e semelhanças, fazendo uma análise mais rigorosa sobre os aspectos do texto e, principalmente, sobre o conteúdo e ideologias. 2.5 AMPLIAÇÃO DO HORIZONTE DE EXPECTATIVAS Para que realmente se observasse um novo olhar mais crítico, novas visões e possibilidades que o mundo nos apresenta através da literatura, muitos questionamentos foram feitos e ouvidos, em debates e apresentações, dando vida às personagens, seus ideais, como eram tratados, elaborando, assim, algo mais real em suas vidas, pois puderam perceber o quanto a literatura está ligada ao seu cotidiano e ao mundo em que vivem. Para finalizar, a escola, como ambiente humanizador e referencial de uma parte do conhecimento humano, não pode se abster de sempre incentivar o hábito da leitura,

14 principalmente de bons textos literários, pois é nesse mundo tão magnífico, em que se pode ter experiências várias, sem sair do lugar, que nossos educandos podem aprender mais sobre si mesmos e o mundo a sua volta, refletir sobre vários temas e ideologias, para poder, num futuro próximo, eles mesmos terem segurança e aprendizados vários que os tornem mais críticos acerca da natureza humana e de nossas realidades, surgindo assim, quem sabe, novas vozes que combatam alguns moldes dessa nova sociedade em que vivemos.

15 REFERÊNCIAS BORDINI, Maria da Glória e AGUIAR, Vera Teixeira de. Literatura A Formação do Leitor. Mercado Aberto. 2ª ed., 1993 Série Novas Propostas 27, Porto Alegre RS, p A Formação do Leitor. Interesses de Leitura e Seleção de Textos. Mercado Aberto. 2ª ed., 1993 Série Novas Propostas 27, Porto Alegre RS, p A Formação do Leitor. Necessidade de Metodologia. Mercado Aberto. 2ª ed., 1993 Série Novas Propostas 27, Porto Alegre RS, p A Formação do Leitor. Método Recepcional. Mercado Aberto. 2ª ed., 1993 Série Novas Propostas 27, Porto Alegre RS, p BAMBERGER, Richard. Como Incentivar o Hábito da Leitura. Editora Ática,7ª ed., São Paulo, CÂNDIDO, Antônio. A Literatura e a Formação do Leitor. Ciência e Cultura, São Paulo, vol. 4, n 9, set./1972. CECILIATO, Neuza. A Leitura Literária e a Formação do Leitor Competente. Revista Máthesis, vol. 8, n 1, jan./ junho, 2007, p DIRETRIZES CURRICULARES DA REDE PÚBLICA BÁSICA DO ESTADO DO PARANÁ Língua Portuguesa Secretaria do Estado da Educação SEED. JAUSS, Hans Robert. A Estética da Recepção considerações gerais. In: A Literatura e o Leitor textos de estética da recepção. Trad.: Luiz Costa Lima, Paz e Terra, Rio de Janeiro, LAJOLO, MARISA e ZILBERMAN REGINA. Literatura Infantil Brasileira. História & Histórias. Ática, 2ª ed., São Paulo, MAGNANI, Maria do Rosário Mortatti. Leitura, Literatura e Escola sobre a formação do gosto. Martins Fontes, São Paulo, 2001, p NUNES, Lygia Bojunga. Dos Vinte 1. Casa Lygia Bojunga, Rio de Janeiro, A Casa da Madrinha (fragmento). Casa Lygia Bojunga, Rio de Janeiro, 2009, p. 35 a 46. Os Colegas (fragmento). Casa Lygia Bojunga, Rio de Janeiro, 2008, p. 9 a a a 24) Dos Vinte 1. Sapato de Salto (fragmento). Casa Lygia Bojunga, Rio de Janeiro, 2007, 245 a 262. SILVA, Ezequiel Theodoro da. A Produção da Leitura na Escola pesquisas e propostas. Ática, 2ª ed., São Paulo, 2005, p ZILBERMAN, Regina. A Literatura Infantil na Escola. Global, 11ª ed.revista, atualizada e ampliada, São Paulo, 2003.

16 Estética da Recepção e História da Literatura. Ática, 1ª ed., São Paulo, Sites : Texto: Livro-a troca

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