Metodologia Baseada No CMM Para o Centro de Processamento de Dados do Centro Universitário Franciscano

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1 Metodologia Baseada No CMM Para o Centro de Processamento de Dados do Centro Universitário Franciscano Marcos André Storck 1, Walkiria Helena Cordenonzi 1 1 Centro Universitário Franciscano (UNIFRA) Rua dos Andradas, 1614 Cep: Santa Maria RS Brasil Abstract. In terms of software products, quality isn t only one differential but is an absolutely necessary characteristic because the attributions that are given to softwares actually and the dependence with them. To reach quality is necessary to have certain characteristics in software during its development, and thinking about this a methodology for the CPD (Data Processing Center) of Franciscan University Center of Santa Maria Maria, RS, was developed based on the CMM (Capability Maturity Model), which is a software quality model, that has the objective of organize and to manage the development of a software product, making that the same finish with quality. Resumo. Qualidade, em termos de produtos de software, deixou de ser apenas um diferencial para ser uma característica absolutamente necessária atualmente, devido às atribuições dadas aos softwares e a dependência que se tem dos mesmos. Para alcançar qualidade é necessário imprimir certas características no software durante seu desenvolvimento, e pensando nisto foi desenvolvido uma metodologia para o CPD (Centro de Processamento de Dados) do Centro Universitário Franciscano de Santa Maria, RS, baseado no CMM (Capability Maturity Model), o qual é um modelo de qualidade, que tem como objetivo organizar e gerenciar o desenvolvimento de um produto de software, fazendo com que o mesmo finalize com qualidade. 1. Introdução A produção de um software é considerada uma tarefa muito árdua que infelizmente não apresenta qualquer forma de ser facilitada. Segundo Brooks apud [FIORINI 1998] este processo é uma tarefa impossível de ser simplificada. Uma das funções de um software consiste em ajudar e organizar dados e processos de quem o utiliza. Assim, quem usa um produto de software torna-se dependente dele, e confia em sua funcionalidade. Para que um produto de software possa ser confiável, instável e funcional este mesmo precisa ter qualidade. De acordo com [AURELIO 1986] qualidade é: Numa escala de valores (...) é o que permite avaliar e conseqüentemente, aprovar, aceitar ou recusar qualquer coisa. O que leva um produto de software a ter qualidade são as suas características que suprem todas as expectativas do software [CYBIS 2002]. Outravia também faz importância saber como um produto de software possa ter qualidade.

2 Também é importante o conhecimento de como um produto de software torna-se de qualidade. Para que um software tenha qualidade é necessário que sua construção seja bem feita e bem estruturada, pois é esta fase que prevê o futuro do produto de software, se vai ser bom ou ruim. Com a finalidade de se produzir software de qualidade, foram desenvolvidas várias técnicas, normas, modelos e projetos que estruturam todo o desenvolvimento de um produto de software. Este artigo tem como objetivos estudar o fator de qualidade de software e apresentar uma metodologia de qualidade de processos para o desenvolvimento de software, utilizando o CMM (Capability Maturity Model), baseado no setor de desenvolvimento do CPD (Centro de Processamento de Dados) do Centro Universitário Franciscano da cidade de Santa Maria, RS. Este artigo está estruturado da seguinte forma: a seção 2 introduz o assunto de Qualidade de Software, a seção 3 disserta sobre Modelos e Normas de Qualidade, a seção 4 explana o CMM, que servirá de base para a metodologia que será apresentada na seção 5 com suas conclusões na seção Qualidade de Software Um cliente, ao comprar um software, assim como qualquer outro produto, sempre tem a preferência dos melhores. Pode-se dizer que os melhores produtos são aqueles que possuem melhor qualidade, tanto no produto em si quanto no modo pelo qual é fabricado, e em se tratando de produtos de software, a qualidade é ainda mais importante devido às aplicações que são realizadas pelos mesmos. A definição de qualidade, segundo [CYBIS 2002] diz que: a totalidade das características de uma entidade, que lhe confere capacidade de satisfazer necessidades explícitas e implícitas. Consta nas emendas dessa norma que um software de qualidade deve ser funcional em todos os aspectos, implícitos (requeridos) e explícitos (subjetivos). As características que um produto de software de qualidade tem seguindo [GOMES 2002] são: Funcionalidade: o produto deve satisfazer a todas as necessidades implícitas e explícitas de seus requerimentos específicos. Possui as subcaracterísticas: adequação, interoperabilidade, segurança de acesso e conformidade. Confiabilidade: o produto de software deve desempenhar todas as funções para as quais foi desenvolvido para fazer por um limite de tempo estabelecido. É importante a sua tolerância a erros e sua capacidade de recuperação. Usabilidade: o produto deve ser de manuseio fácil e agradável, tentando evitar telas e interfaces que possam vir a confundir o usuário, e também deve ser o máximo auto-explicativo. Eficiência: o produto de software deve conduzir suas funções às quais foi desenvolvido da maneira mais rápida e confiável possível.

3 Manutenibilidade: o produto deve apresentar uma boa manutenibilidade, suportando sem esforços, demasiadas atualizações e modificações no programa tendo alta estabilidade e testabilidade. Portabilidade: o produto de software deve ter a capacidade de poder migrar de plataformas. Um produto com portabilidade é produzido para ocupar o menor número possível de funções de hardware sendo aceito em maior número possível de ambientes. É correto afirmar que, quanto mais destas características o produto armazenar, maior será a qualidade do produto de software, pois ele vai deter todos os fatores que fazem um software ser uma ferramenta útil e funcional [GOMES 2002]. No entanto, armazenar estas características no produto torna-se um grande problema, pois é muito difícil fazer com que durante o desenvolvimento do produto de software, sejam implementados meios para que este consiga finalizar todo o processo com qualidade. Conforme visto anteriormente, existem diversas técnicas, normas, modelos e projetos que estruturam todo o desenvolvimento de um produto de software com qualidade. Alguns serão vistos a seguir. 3. Modelos e Normas A busca de qualidade corresponde ao objetivo de qualquer empresa. Por isso muitas delas seguem à risca normas e modelos pré-estabelecidos para alcançar produtos de qualidade. Normas que realizam seu papel apresentando moldes de procedimentos que podem levar a uma qualidade de software, porém não confundindo apenas o produto de software final, pois este é decorrente de uma estrutura bem moldada e organizada de todos os processos que decorrem do software. Esses moldes de procedimentos exemplificam o funcionamento e os objetivos (software de qualidade) das normas de desenvolvimento de software. 4. CMM O CMM é um modelo de qualidade que foi desenvolvido pelo SEI (Software Enginnering Institute), ligado à Universidade de Carnegie Mellon, e seus custos de desenvolvimento foram supridos pelo Departamento de Defesa Norte-Americano. No início, seu objetivo era de desenvolver um padrão de qualidade de software, para o uso da instituição que o financiou. Mais tarde passou a ser utilizado para efetuar a qualidade em software em qualquer aplicação. Segundo Fiorini, [FIORINI 1998], tem-se que: O CMM é uma estrutura (framework) que descreve os principais elementos de um processo de software efetivo. O CMM descreve os estágios através dos quais organizações de software evoluem quando elas definem, implementam, medem, controlam e melhoram seus processos de software. O CMM fornece uma diretriz para a seleção de estratégias de melhoria de

4 processos, permitindo a determinação da capacitação dos processos correntes e a conseqüente identificação das questões mais criticas para a melhoria de processo e qualidade de software. Desta forma provê e descreve um caminho de melhoria evolutiva a partir de um processo ad-hoc para um processo maduro e altamente disciplinado. Este caminho de melhoria é definido por cinco níveis de maturidade: Inicial, Repetitivo, Definido, Gerenciado e Otimizado. O objetivo deste artigo é o de propor uma implantação do nível 2 do CMM no setor de desenvolvimento de softwares do CPD (Cento de Processamento de Dados) do Centro Universitário Franciscano que se encontra no nível 1 do CMM. Esta proposta será abordada na próxima seção seguinte. 5. Metodologia Baseada no CMM para o Centro de Processamento de Dados do Centro Universitário Franciscano. A metodologia desenvolvida tem como objetivo maior instruir o CPD UNIFRA para atingir um nível de qualidade de desenvolvimento de software que se baseie no nível 2 do CMM. A metodologia que está sendo proposta compõe de uma seqüência de passos que devem ser executados de modo a cumprir as características existentes no Nível 2 do CMM, as quais são chamadas de ACP (Área-Chave de Processo). Esta metodologia que está sendo proposta terá o foco na área de desenvolvimento de softwares do CPD do Centro Universitário Franciscano que será descrito na próxima sub-seção Descrição do CPD do Centro Universitário Franciscano O CPD é parte integrante do Centro Universitário Franciscano de Santa Maria, RS, e é responsável pelo suporte e desenvolvimento de softwares. Na data de análise da organização, em 29 de abril de 2003, foi que o processo de desenvolvimento de software no CPD não possui nenhum tipo de organização pré-estruturada. Assim como se fosse realizada uma análise utilizando-se o CMM no CPD, este se encontraria no nível 1 do CMM, pois não foi encontrado nenhum tipo de organização quanto ao pessoal, não existe documentação e o desenvolvimento baseia-se em esforços pessoais. Com este cenário, tem-se uma grande vantagem em se implantar um sistema de qualidade que pretende organizar e otimizar o desenvolvimento de softwares. Tal vantagem consiste no objetivo da metodologia proposta. Para se atingir este propósito, deve-se primeiramente compreender o funcionamento da proposta de implantação do nível 2 do CMM, isto será visto na próxima sub-seção. A íntegra da metodologia se encontra em [STORCK 2003].

5 5.2. Organização da Metodologia A organização da metodologia proposta funciona de uma forma seqüencial passo-apasso, sendo detalhados todos os passos de cada uma das ACP s. Cada ACP pode ser iniciada e executada somente se a anterior já estiver sido totalmente completada. Por exemplo, a segunda ACP não pode ser iniciada sem que a primeira ACP tenha sido totalmente executada e finalizada. Para cada ACP, existe uma série de respectivas atividades que devem ser cumpridas. Estas são ditadas como Passos que, assim como as ACP s, devem ser executadas de forma seqüencial. Cada ACP tem seus passos numerados, que devem ser executados de forma atômica (uma vez iniciada, deve ser terminada antes de qualquer outra atividade). Os passos foram determinados de forma a cumprir as necessidades de cada atividade importante para o desenvolvimento de um software com qualidade existentes nas emendas do CMM. Como o CPD se encontra no nível 1 (um) do CMM, com a análise realizada, não foi constatado nenhum tipo de separação de grupos envolvidos no desenvolvimento de software. Logo, foram criados os grupos necessários para a implementação do CMM de acordo com a capacidade e as qualificações de cada pessoa que faz parte da gama de funcionários do CPD. Os passos foram desenvolvidos e designados para grupos específicos, para que mesmo que seja modificado o numero de funcionários do CPD, a metodologia proposta continue sendo válida, sendo necessário apenas ajustes nos membros dos respectivos grupos. Após completar todas as atividades de cada ACP, deve-se ainda verificar a implementação, ou seja, verificar os passos executados. Isto é realizado após a última atividade da ACP respectiva ter sido finalizada e executada da mesma forma que as atividades demais. Está contido nas emendas do CMM que algumas das atividades, as quais foram implementadas nos passos desta metodologia proposta, devem gerar documentos para arquivar as atividades da organização, para algumas destas atividades foi proposto modelos de documentos chamados templates. Estes modelos, templates, foram desenvolvidos de acordo com as necessidades do uso dos mesmos e baseados nas emendas do CMM. O uso dos templates é explicado nos passos aos quais eles são designados, neles constam instruções da organização, confecção e uso dos mesmos. Juntos, os templates, formam uma importante contribuição nesta metodologia que está sendo proposta. E o uso deles possibilita um maior controle do desenvolvimento de um software, fora a obtenção de um registro sobre um determinado projeto do software. Na Figura 1 é mostrado o template de cronograma de projeto de software. Os demais templates estão em [STORCK 2003].

6 1.0) Estimativa de Custos e Artefatos. 2.0) Datas e Tarefas. A partir das estimativas dos custos e dos artefatos analisados e documentados anteriormente no documento de nome Estimativa de esforço e custo do projeto de software, estimar um tempo, esforço e custo necessário para o projeto. Ditar de forma descritiva todos as atividades a serem executadas, ordenadas por prioridade e data de início e ditando suas datas limites e responsáveis. Determinar datas como marcos de acompanhamentos, aonde é feita uma revisão geral do projeto até então. 3.0) Grade de Atividades e Tarefas. Exemplo da Grade de Atividades: Montar uma grade ou tabela com datas, marcos e tarefas de acordo entre si com os dados vistos acima. Montar uma grade ou tabela com os responsáveis por cada tarefa. Data Inicial Tarefa Data Limite 02/04/2003 Tarefa X 20/04/ /04/2003 Tarefa Z 16/04/ /04/2003 REVISÃO GERAL /04/2003 Tarefa Y 13/05/ Exemplo da Grade de Tarefas: Grupos - Funcionário Tarefa Grupo - Funcionário B Tarefa X Grupo β - Funcionário B, C, D, E e F Tarefa Z Grupo δ - Funcionário A e B REVISÃO GERAL Figura 1 Template de Cronogramação de Projeto 6. Conclusões Após estudos feitos, chegou-se à conclusão de que, atualmente, a qualidade de software deixou de ser algo sem importância, mas sim, necessário. Esta qualidade vista tão importante e necessária, é mais bem alcançada usando algum método pré-estruturado, como modelos e normas. Existem vários modelos e normas que levam a uma qualidade de software, como por exemplo, o CMM, que é um modelo que, em suas emendas, provêm a tão necessária qualidade no produto de software. O CMM provê esta qualidade de software organizando a empresa estruturalmente, fazendo com que todas as fases do desenvolvimento de um software

7 sejam mais organizadas e estruturadas. Também classifica o nível de organização de uma empresa em 5 diferentes níveis, de acordo com sua capacitação (FIORINI 1998). Para desenvolver um software, é necessária uma equipe bem organizada, já que, devido à complexibilidade dos sistemas de informações atuais, esta tarefa não é mais possível de ser feita com apenas uma pessoa com esforços sobre-humanos. A metodologia proposta neste artigo, baseada no CMM e realizada em cima do CPD do Centro Universitário Franciscano tem as ferramentas necessárias para que o desenvolvimento de um produto de software seja mais estruturado, implementando características do Nível 2 (Repetitivo) do CMM, já que a organização a qual a metodologia proposta foi baseada encontra-se no Nível 1 (Sem organização). Pode-se concluir que usando a metodologia proposta o CPD terá um ganho de qualidade de produtos de software e de processos, durante o desenvolvimento de um sistema, e ainda com a vantagem de ter seus projetos melhor documentados, contribuindo para manter um histórico de atividades da organização. Entretanto também se constatou uma falta de validação da metodologia proposta, pois por falta de tempo, não se chegou a executar um acompanhamento de um projeto de software em todo seu decorrer, o que deverá ser executado em trabalhos futuros. 6. Referências [AURELIO 1986] Aurélio, Buarque de Oliveira Ferreira. Dicionário da língua portuguesa Aurélio. Editora Nova Fronteira, [FIORINI 1998] Fiorini, Soeli T.; Staa, Arndt Von; Baptista, Renan Martins. Engenharia de software com CMM. Editora BRASPORT, [PRESSMAN 2002] Pressman, Roger S. Engenharia de Software. Editora McGraw- Hill, 5ª, [CYBIS 2002] Cybis, Walter De Abreu. Qualidade de Software. UFSC. Disponibilidade em: <http://www.inf.ufsc.br/~cybis/ine5322/qualidade_de_software.doc>, Acesso em 22 de abril de [GOMES 2002] Gomes, Nelsa da Silva. Qualidade de software uma necessidade. Disponibilidade em: <http://www.esaf.fazenda.gov.br/cst/arquivos/qualidade_de_soft.pdf>. em: 20 de maio de Acesso [ROCHA 2001] Rocha, Ana R. C.; Maldonado, José Carlos; Weber, Kival C. Qualidade de Software, Teoria e Prática. Prentice Hall, [STORCK 2003].Storck, Marcos A.; Cordenonzi, Walkiria. Metodologia Baseada no CMM Para o Centro de Processamento de Dados do Centro Universitário Franciscano. Trabalho Final de Graduação: Unifra, 2003.

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