USO E OCUPAÇÃO DO SOLO NA MICROBACIA DOS RIBEIRÕES LAPA/CANTAGALO IPEÚNA (SP)

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1 USO E OCUPAÇÃO DO SOLO NA MICROBACIA DOS RIBEIRÕES LAPA/CANTAGALO IPEÚNA (SP) EDUARDO APARECIDO BONIFÁCIO COSTA 1 e MARTA FELÍCIA MARUJO FERREIRA 2 1 Aluno do curso de Geografia Unifal-MG 2 Professor do curso de Geografia Unifal-MG Palavras-chave: Microbacia, Uso e Ocupação. 1. Introdução Atualmente percebe-se uma grande urbanização das cidades, com isso a população vem buscando um refugio e comodidade em chácaras próximas de centros urbanos, surgindo o turismo de massa junto à natureza. Com equilíbrio delicado, áreas de preservação com proximidade à margens de rios vem sofrendo um grande impacto, pois áreas anteriormente não ocupadas ou somente destinadas ao uso rural vem aumentando sensivelmente o número de moradores temporários. A procura por finais de semanas em contato direto com a natureza, tem acarretado um acréscimo de ranchos construídos e destinados para uso imobiliário, com isso tem provocado um aumento e acumulo do esgoto doméstico na região, ocasionando grandes impactos ambientais na área. A microbacia do Ribeirão Lapa/Cantagalo, localiza-se na transição de duas unidades fisiográficas no estado de São Paulo: as cuestas basálticas e a depressão periférica paulista. A microbacia tem suas nascentes nos relevos de cuesta, mais precisamente na Serra de Itaqueri, que exibe escarpas festonadas onde se desenvolvem pequenas cabeceiras de drenagem. É um local que possui fragilidade para ocupação, onde suas nascentes compõem juntamente com outras microbacias, a bacia hidrográfica do Rio Passa Cinco. Nos finais de semana é comum nesta área intensa visitação para 1

2 fins de lazer, atraindo moradores de cidades vizinhas como Rio Claro, Corumbataí, Araras etc. A principal preocupação é quanto ao lançamento e destino dos esgotos produzidos lá, sendo o ideal para armazenagem o uso de fossas sépticas. 2. Objetivos 2.1. Geral - Analisar o grau de intervenção humana na microbacia do Ribeirão Lapa/Cantagalo considerando as atividades turísticas Específicos - Elaborar mapa de uso e ocupação na microbacia; - Mapear e quantificar as APP s; - Avaliar o grau de poluição hídrica em função desta ocupação. 4. Fundamentação Teórica Bacia de drenagem ou bacia hidrográfica pode ser caracterizada como uma área receptora de águas escoadas de locais com maiores altitudes, essas encostas ou vertentes são responsáveis pela recarga d água dos lençóis freáticos, nascentes e dos riachos, estes que são afluentes de um curso d água de maior hierarquia (rio possuidor vários tributários e com maior vazão). Essas bacias são delimitadas por divisores de águas, ou seja, são áreas no entorno das bacias onde encontra as maiores altitudes da área, delimitando assim seu perímetro geralmente atribuído em quilômetros quadrados. De acordo com Barrella (2001), a bacia pode ser definida como um conjunto de terras drenadas por um rio e seus afluentes, formada nas regiões mais altas do relevo delimitados por divisores de água, onde as águas das chuvas, ou escoam 2

3 superficialmente formando os riachos e rios, ou infiltram no solo para formação de nascentes e do lençol freático. As águas superficiais escoam para as partes mais baixas do terreno, formando rios, sendo que as cabeceiras são formadas por cursos d água que brotam em terrenos íngremes das serras e montanhas e, à medida que as águas descem, juntam-se a outros rios maiores, aumentando a vazão. Serão considerados também termos como sub-bacia e microbacia. As sub-bacias são áreas de drenagem dos tributários do curso d água principal. Para definir sua área o autor utiliza-se de diferentes unidades de medida. Para Faustino (1996), as sub-bacias possuem áreas maiores que 100 km² e menores que 700 km², já para Rocha (1997, apud MARTINS et al., 2005), são áreas entre ha e ha. Para Santana (2004), bacias podem ser desmembradas em um número qualquer, sendo que o conceito de bacia hidrográfica e de sub-bacia variam. Cada bacia hidrográfica interliga-se com outra de ordem hierárquica superior, constituindo, em relação à última, uma sub-bacia. Portanto, os termos bacia e sub-bacias hidrográficas são relativos. Dentro dessas subdivisões da bacia, aparece também na literatura o termo microbacia. Uma variedade de conceitos é aplicada na definição de microbacias, podendo ser adotados critérios como unidades de medida, hidrológicos e ecológicos. Para Santana (2003), o termo microbacia, embora difundido em nível nacional, constitui uma denominação empírica, sugerindo o autor a sua substituição por sub-bacia hidrográfica. Já para Faustino (1996), a microbacia possui toda sua área com drenagem direta ao curso principal de uma sub-bacia, várias microbacias formam uma sub-bacia, sendo a área de uma microbacia inferior a 100 km2. Cecílio e Reis (2006) definem a microbacia como uma sub-bacia hidrográfica de área reduzida, não havendo consenso de qual seria a área máxima (máximo varia entre 10 a há). Outro conceito importante atribuído a microbacias é o ecológico, que considera a menor unidade do ecossistema onde pode ser observada a delicada relação de interdependência entre os fatores bióticos e abióticos, sendo que perturbações podem comprometer a 3

4 dinâmica de seu funcionamento. Esse conceito visa à identificação e o monitoramento de forma orientada dos impactos ambientais (MOSCA, 2003; LEONARDO, 2003). Calijuri e Bubel (2006) adotam unidades hidrológicas e ecológicas para conceituar o termo microbacia hidrográfica. Para os autores, são áreas formadas por canais de 1ª e 2ª ordem e, em alguns casos, de 3ª ordem, devendo ser definida como base na dinâmica dos processos hidrológicos, geomorfológicos e biológicos. As microbacias são áreas frágeis e freqüentemente ameaçadas por perturbações, nas quais as escalas espacial, temporal e observacional são fundamentais. As definições de Mosca (2003) e Leonardo (2003), permitem compreender a relação entre as ações antrópicas e o ecossistema microbacia de forma sistêmica, permitindo a elaboração de sugestões que possam minimizar os impactos ambientais e dessa maneira garantir a utilização sustentável dos recursos naturais. O comportamento hidrológico de uma bacia hidrográfica é função de suas características geomorfológicas (forma, relevo, área, geologia, rede de drenagem, solo, etc.) e do tipo da cobertura vegetal existente (LIMA, 1976). Assim, as características físicas e bióticas de uma bacia possuem importante papel nos processos do ciclo hidrológico, influenciando, dentre outros, a infiltração e quantidade de água produzida como deflúvio, a evapotranspiração, os escoamentos superficial e subsuperficial. Além disso, o comportamento hidrológico de uma bacia hidrográfica também é afetado por ações antrópicas, uma vez que, ao intervir no meio natural, o homem acaba interferindo nos processos do ciclo hidrológico (TONELLO, 2005). 6. Materiais e Métodos O levantamento e a revisão dos materiais bibliográfico e cartográfico, compõem etapas importantes para o desenvolvimento e evolução da pesquisa. Os materiais cartográficos disponíveis sobre a área de estudo constituem de cartas topográficas nas escalas 1: e 1: Além destes mapas, foram relacionados também produtos de sensoriamento remoto, tais como imagens de satélite, de radar e fotografias aéreas (Tabela 1). 4

5 Carta Topográfica Escala Ano Executor Itirapina 1: IBGE São Pedro 1: IBGE Cartas topográficas 1: EMPLASA Mapa geológico 1: UNESP Fotografias aéreas 1: USAF Tabela 1 Material cartográfico e produtos de sensoriamento remoto As etapas de trabalho constam: - mapeamento do uso do solo na microbacia este mapa será realizado a partir da interpretação de fotografias aéreas, e atualização das informações em campo; - aplicação de questionários para os moradores locais e visitantes para esta etapa é importante a elaboração de um questionário composto por questões relacionadas a saneamento, percepção ambiental etc., através de trabalhos de campo. 7. Resultados Esperados O desenvolvimento deste projeto no município de Ipeúna trará os seguintes resultados: - elaboração de um mapa de uso do solo da microbacia dos ribeirões Lapa/Cantagalo; - impactos ambientais provenientes do turismo de massa na área; - mapeamento e quantificação das APP s 5

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