Considerações sobre a neutralidade analítica e a pergunta dirigida ao analista

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "Considerações sobre a neutralidade analítica e a pergunta dirigida ao analista"

Transcrição

1 LATIN AMERICAN JOURNAL OF FUNDAMENTAL PSYCHOPATHOLOGY ONLINE Considerações sobre a neutralidade analítica e a pergunta dirigida ao analista Daniel Assunção Alencar 24 Conforme o método empregado no Laboratório de Psicopatologia Fundamental, este artigo parte da narrativa de dois casos clínicos, atendidos em consultório particular: uma jovem mulher cujo sofrimento psíquico se dá em torno da insuficiência das provas de amor que o namorado lhe dá, e uma adolescente que, recusando-se a falar, passa a imitar o analista questionando sua postura. Em ambos os casos o foco se dirige para a insistência dos pacientes em fazer perguntas diretas ao analista. Por outro lado, aponta-se para uma posição assumida pelo analista de isentar-se de responder as perguntas, para dar conta do problema da neutralidade analítica. Os casos motivam o questionamento dessa conduta, buscando subsídios no comentário que Lacan faz do caso Dora mais precisamente no texto Intervenção sobre a transferência, no qual pensa a interrupção daquela análise como motivada por um preconceito de Freud, que o fez insistir em demasia numa determinada posição. Procura-se mostrar que a insistência do analista numa determinada posição, mesmo que seja ela, de isentar-se de responder às perguntas do paciente, pode levar à interrupção prematura de uma análise. Tal hipótese mostra-se particularmente pertinente para a clínica da histeria. Palavras-chave: Neutralidade, analista, posição, histeria

2 ARTIGOS DE AUTORES DO BRASIL Introdução Os trabalhos desenvolvidos no âmbito do Laboratório de Psicopatologia Fundamental do Núcleo de Psicanálise do Programa de Estudos Pós- -Graduados em Psicologia Clínica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), dirigido pelo Prof. Doutor Manoel Tosta Berlinck, se caracterizam por uma preocupação metodológica em comum. Como diz Berlinck (2008), o termo Psicopatologia Fundamental, cunhado por Pierre Fédida, opõe-se à Psicopatologia Geral de Karl Jaspers. Ao contrário dessa última, que diz respeito a uma narrativa objetiva, a Psicopatologia Fundamental refere-se a uma narrativa que inclua a dimensão subjetiva. Para a Psicopatologia Fundamental, a metapsicologia tem como paradigma a ficção. Como diz Berlinck (2007), o método criado por Freud reconhece: [...] que a natureza é inapreensível e que a narrativa científica ocorre tendo como paradigma a ficção. Assim, o relato do caso clínico não corresponde à realidade objetiva porque inclui não só aquilo que determina a posição do observador, mas, também, aquilo que, provindo do objeto, determina o pensamento do observador. A interação dessas duas posições (a do observador e a do observado) produz a subjetividade que determina a narrativa do caso clínico. (Berlinck, 2007, p. ix-xii) Se, por um lado, não há no Laboratório a pretensão de produzir uma narrativa objetiva, por outro há uma preocupação constante com a precipitação da produção teórica já existente sobre o material clínico. Isso, como observa Berlinck, 1 na medida em que o relato do caso pode ser utilizado tanto como fundamento de um argumento teórico, como para exemplificar, justificar, ou aplicar uma teoria. Ao escrever um trabalho no âmbito Ideia desenvolvida pelo Prof. Manoel Berlinck na disciplina O método clínico II, ministrada no primeiro semestre de 2008, no Núcleo de Psicanálise do Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Clínica da PUC-SP.

3 LATIN AMERICAN JOURNAL OF FUNDAMENTAL PSYCHOPATHOLOGY ONLINE do Laboratório, talvez seja esse o principal rigor em causa, na media em que se busca produzir um conhecimento que comporte a autenticidade que cada caso clínico carrega em sua singularidade, ao mesmo tempo em que lida com o campo teórico já constituído. No trabalho que aqui se apresenta toma-se como ponto de partida a narrativa de dois casos clínicos. A construção do caso levanta algumas questões sobre a neutralidade analítica, que dão o fundamento para a discussão. No primeiro caso vemos uma situação na qual a paciente passa a fazer perguntas diretas ao analista. No segundo, a posição assumida pelo analista é questionada pela intensa provocação de uma adolescente que, sem queixa aparente, passa a imitá-lo. O caso Sabrina 26 Sabrina, jovem mulher de vinte e poucos anos, me procura no consultório para falar da situação complicada que vive com o namorado e a sogra. Logo na primeira sessão, chama atenção o que diz sobre a infernização da sogra: uma série de situações nas quais se queixa de que o namorado dá mais atenção à mãe do que a ela. A partir daí se desdobram outros contextos em que uma mesma situação parece se repetir. Quando tinha cerca de dez anos, seus pais se separam, e no dia do seu aniversário seu pai vai embora de casa. Isso já faz muito tempo, e Sabrina ainda hoje diz que chora por isso. Com o passar do tempo sua queixa em relação ao namorado parece ocupar cada vez mais o espaço das sessões. Queixa-se principalmente de que ele não demonstra suficientemente o amor que sente por ela. Não importa o que faça, Sabrina nunca se sente satisfeita com as provas de amor do namorado. Sempre acha que ele deveria ter feito algo a mais. No entanto, Sabrina passa a perceber aos poucos que a infernização de que se trata não diz respeito apenas à sua sogra. Segundo ela, de tanto infernizar o namorado com suas queixas, uma hora ele pode se encher e acabar largando dela. Isso parece se repetir comigo na transferência da seguinte forma: de tanto falar o mesmo nas sessões, sempre a mesma lamúria sobre o que o namorado não lhe deu, eu é que poderia deixar de atendê-la. Sou muito chata, me diz, você nunca me namoraria. Aqui destaca-se uma mudança importante para o processo dessa análise: o que traz como queixa sobre o outro se inverte para ela própria. Como diz Miller (1997), o que Lacan chama de retificação subjetiva pode ser definido como a passagem do fato de queixar-se dos outros para queixar-se de si mesmo (p. 255).

4 ARTIGOS DE AUTORES DO BRASIL Essa passagem leva Sabrina a pensar que o problema está com ela, que não adiantaria, por exemplo, trocar de namorado, que as coisas não se resolveriam. Sua infernização se torna então uma questão endereçada a mim, ou seja, passa a empenhar-se ali comigo em buscar um sentido para isso. Como diz Quinet (2005), o sintoma do qual o paciente se queixa ao procurar um analista não é suficiente para que uma análise aconteça. Cito: Esse sujeito pode se apresentar ao analista para se queixar de seu sintoma e até pedir para dele se desvencilhar, mas isso não basta. É preciso que essa queixa se transforme numa demanda endereçada àquele analista e que o sintoma passe do estatuto de resposta ao estatuto de questão para o sujeito, para que este seja instigado a decifrá-lo. Nesse trabalho preliminar, o sintoma será questionado pelo analista [...]. (p. 16) Cabe ao analista produzir essa inversão. É o que faz Freud (1905[1901]/ 1996a), quando pergunta a Dora sobre sua participação na situação da qual se queixava. Dora se queixava que seu pai lhe oferecia ao sr. K. como objeto de troca, ou seja, para que pudesse ter um caso amoroso com sua mulher. Em outras palavras: você fica com a minha filha, eu fico com a sua mulher. A interpretação de Freud (1905[1901]/1996a) tem o sentido de supor que Dora tenha algo a ver com a situação da queixa, ou seja, não é apenas uma vítima dos caprichos do pai. Como diz Lacan (1998a), ela faz aparecer no discurso da paciente uma série de estratégias de sua parte para sustentar a relação do pai com a sra. K. De fato, Dora fazia de tudo para que o pai ficasse a sós com ela. Nunca ia vê-la se soubesse que o pai estaria com ela, e sempre que possível encontrava um jeito de passear com seus filhos para que seu pai pudesse encontrá-la. Vemos como esse efeito corrobora o que diz Freud (1937/1996b) sobre a eficácia da interpretação se medir pelo material que é capaz de produzir. No texto Construções em análise, Freud (1937/1996b) se pergunta sobre como avaliar o acerto de uma construção feita ao paciente sobre seu passado esquecido, sua experiência recalcada por trás de seus sintomas. Cito: Parece, portanto, que as elocuções diretas do paciente, depois que lhe foi oferecida uma construção, fornecem muito poucas provas sobre a questão de saber se estivemos certos ou errados. É do maior interesse que existam formas indiretas de confirmação, que são, sob todos os aspectos, fidedignas. Uma delas é uma forma de expressão utilizada (como que por consenso) com muito pequena variação pelas mais diferentes pessoas: Nunca pensei (ou Nunca teria pensado ) isso (ou nisso ). Isso pode ser traduzido, sem qualquer hesitação, por: Sim, o senhor está certo dessa vez sobre meu inconsciente. Infelizmente, essa fórmula, tão bem-vinda ao analista, chega a seus ouvidos com mais frequência depois de interpretações isoladas do que depois de ele ter produzido uma ampla construção. Confirmação igualmente valiosa está implícita (dessa vez, ex- 27

5 LATIN AMERICAN JOURNAL OF FUNDAMENTAL PSYCHOPATHOLOGY ONLINE 28 pressa positivamente) quando o paciente responde com uma associação que contém algo semelhante ou análogo ao conteúdo da construção. (p. 281) Freud (1937) parece priorizar como efeito positivo de uma intervenção, seja ela interpretação ou construção, sua capacidade de produzir material novo. Só o curso ulterior da análise, diz, nos capacita a decidir se nossas construções são corretas ou inúteis (p. 283). O caso Dora nos revela ainda outra particularidade interessante para pensar o caso de Sabrina: tudo ia mais ou menos bem com Dora, ela não se queixava, não infernizava seus pais como diz Sabrina, até que o sr. K. se declara para ela.² Como nos relata Freud (1905[1901]), Dora então lhe dá uma bofetada, e é a partir daí que passa a reivindicar ao pai que rompa relações com o casal K. É por esse motivo, inclusive, que seu pai a leva ao consultório de Freud, para que dê um jeito na insistência da filha com o assunto. No caso de Sabrina parece se revelar no decorrer dos atendimentos uma insistência no tema da outra mulher, essa outra em relação à qual se vê sempre preterida ou deixada de lado. Como diz, quer na verdade ter o namorado só para si, e não consegue. Isso a coloca então numa disputa constante com outra mulher. Vale à pena lembrar aqui que, para ela, o namorado é quase um pastor, ou seja, ao mesmo tempo em que poderia confiar plenamente, vive confirmando (o que esse quase quer dizer) que não pertence só a ela. Sua história com o pai também remete ao tema: desde criança diz que luta contra todas as mulheres que ele teve depois que se separou de sua mãe. Se sentia rejeitada também com o pai. Sabrina faz aniversário no dia dos namorados, dia que ficou então marcado pela saída do pai de casa para morar com outra mulher. Algum tempo depois de análise Sabrina descobre uma traição do namorado. Creio que algo se produz com esse fato, na medida em que Sabrina passa então a me fazer muitas perguntas diretas, principalmente no que diz respeito à minha opinião de homem sobre o motivo da traição do namorado. Me pergunta: você que é homem, porque você acha que ele me traiu?. Ou então: você acha que eu sou burra de voltar com ele?. Quanto ao tema da outra mulher, essa traição ainda a faz lembrar de um exnamorado que havia proposto uma relação sexual a três. Difícil não pensar aqui 2. Pedi a Dora que me descrevesse essa cena minuciosamente. A princípio, ela não revelou grandes novidades. O sr. K. fizera uma introdução razoavelmente séria, mas ela não o deixara terminar. Mal compreendeu do que se tratava, deu-lhe uma bofetada no rosto e se afastou às pressas. Eu queria saber que palavras ele empregara, mas Dora só se lembrou de uma de suas alegações: Sabe, não tenho nada com minha mulher. (Freud, 1905[1901]/1996a, p. 97).

6 ARTIGOS DE AUTORES DO BRASIL no que Lacan (1995) diz sobre a histérica amar por procuração. Ela aborda seu objeto, que na verdade é uma outra mulher, identificando-se com um homem. Algumas sessões depois dessa descoberta, Sabrina me diz que vai deixar de lado a terapia, porque tem vergonha do valor (baixo, segundo ela) que paga pelas sessões. Fica então evidente a relação entre deixar de lado a terapia e, o que tanto fala nas sessões, sentir-se deixada de lado pelo namorado. Estaria ela atuando no contrato da análise essa cena antiga em que se coloca como excluída? Deixando de lado a análise, ela mesma se deixaria de lado. Confirmando essa hipótese, diz que se quisesse voltar algum dia para a análise, provavelmente eu não teria mais disponibilidade de atendê-la. Antes de interromper de vez o tratamento, Sabrina me fala mais de seu pai. Conta que não lhe dá uma bicicleta que esperava ganhar dele. A história termina, reforçando a lógica do triângulo amoroso, com o pai dando a bicicleta para outra mulher. Com a descoberta da traição do namorado, Sabrina passa a me fazer perguntas, e eu passo a não respondê-las. Ou fazia silencio, ou devolvia a pergunta, assumindo indiscriminadamente uma posição de isenção. Será que isso é sempre bom para uma análise? Por outro lado, nem sempre é isso que se vê na prática. Vejamos, como exemplo, um atendimento de Lacan citado por Jean Allouch (1999): Jesuíta em análise com Lacan, ele faz parte da primeiríssima geração de alunos. Um dia, na sessão, fala de sua intenção de deixar a Companhia e se casar. Lacan fez tudo para dissuadi-lo disso, chegando até a dizer-lhe que o supereu, no casamento, seria pior que na igreja. Resultado? O analisante realiza sua decisão, mas de certa maneira: ficou convencido de que a tomara sozinho. (p. 45) O que justifica uma intervenção como essa? Enfim, assim como o paciente de Lacan, Sabrina também decide se casar. Fui convidado para o casamento e, como manda o figurino da análise, não fui. Combino com ela uma interrupção dos atendimentos porque me diz que não poderia pagar pelas sessões naquele momento, com as dívidas que tinha feito com o casamento. Ficou de voltar algum tempo depois e não voltou. Entro em contato perguntando sobre a continuidade do tratamento. Ela me diz: se você me der essa liberdade, eu volto a te ligar quando melhorar a situação. Estou muito mal de dinheiro. Digo que estaria à disposição quando quisesse voltar. Ela não volta. Como no caso Dora, mesmo que o paciente vá embora, algumas análises ainda continuam para o analista. Para Freud (1905[1901]), aquela análise fracassou, e o motivo foi não ter dominado a tempo a transferência que Dora fez do sr. K., para sua pessoa. Dora interrompe o tratamento, diz Freud (1905[1901]), 29

7 LATIN AMERICAN JOURNAL OF FUNDAMENTAL PSYCHOPATHOLOGY ONLINE 30 vingando-se dele, como queria vingar-se do sr. K. O abandona como queria abandonar o sr. K. Se, por um lado, Freud já havia falado antes em transferência,³ é no caso Dora que fala pela primeira vez do conceito como fator central do tratamento. Como diz Lacan (1998a), o caso Dora foi o primeiro em que Freud reconheceu que o analista tem aí seu papel (p. 217). Freud (1905[1901]) atribui ainda outro motivo para a interrupção prematura da análise de Dora. Anos depois, numa nota de rodapé inserida ao texto em 1923, Freud também diz que Dora interrompe o tratamento porque percebeu tarde demais sua tendência homossexual em relação a sra. K. Cito: Quanto mais me vou afastando no tempo do término dessa análise, mais provável me parece que meu erro técnico tenha consistido na seguinte omissão: deixei de descobrir a tempo e de comunicar à doente que a moção amorosa homossexual (ginecofílica) pela sra. K. era a mais forte das correntes inconscientes de sua vida anímica. Eu deveria ter conjecturado que nenhuma outra pessoa poderia ser a fonte principal dos conhecimentos de Dora sobre coisas sexuais senão a sra. K., a mesma pessoa que depois a acusara por seu interesse nesses assuntos. Era realmente de chamar atenção que ela soubesse todas aquelas coisas indecentes e jamais quisesse saber de onde as conhecia. Eu deveria ter tratado de decifrar esse enigma e buscado o motivo desse estranho recalcamento. (p. 114) No texto Intervenção sobre a transferência Lacan (1998a) desenvolve o seguinte argumento sobre esse motivo: Freud não se dá conta da tendência homossexual devido ao preconceito que o manteve excessivamente voltado para a relação amorosa de Dora com o sr. K. Em Função e campo da fala e da linguagem, Lacan (1998b) diz que Freud insiste demais em fazê-la reconhecer o objeto de seu desejo no sr. K. Cito: [...] quando os preconceitos do analista (isto é, sua contratransferência, termo cujo emprego correto, para nos satisfazer, não poderia estender-se além das razões dialéticas do erro) o desvirtuam em sua intervenção, ele logo paga o preço disso através de uma transferência negativa. [...] e habitualmente se segue a ruptura. Foi justamente o que aconteceu no caso de Dora, em razão da insistência de Freud em querer fazê-la reconhecer o objeto oculto de seu desejo na pessoa 3. Como dizem Laplanche e Pontalis (2001), quando Freud, a propósito do sonho, fala de transferência, de pensamentos de transferência, designa assim um modo de deslocamento em que o desejo inconsciente se exprime e se disfarça através do material fornecido pelos restos préconscientes do dia anterior (p. 516).

8 ARTIGOS DE AUTORES DO BRASIL do sr. K., na qual os preconceitos constitutivos de sua contratransferência levaram-no a ver a promessa de sua felicidade (Lacan, 1998a, p. 306). Para Lacan (1998a), o sr. K. só serve a Dora para que interrogue seu objeto que é, na verdade, a sra. K. Em outras palavras, ele não serve para casar, mas para equilibrar essa posição de Dora em relação à outra mulher, integrando no circuito estabelecido por ela, seu pai, e a sra. K. o elemento masculino. Tal é o sentido de amar por procuração, ou seja, amar por procuração de um homem. O sr. K. reforça o elemento masculino já presente aí pelo pai de Dora. Cito: A sra. K. é o objeto da adoração de todos os que a cercam, e é como participante dessa adoração que Dora se situa, afinal, em relação a ela. O sr. K. é a maneira como ela normativiza essa posição, tentando reintegrar no circuito o elemento masculino. (Lacan, 1995, p. 145) A interrogação de Dora, a questão que não sabe responder é: o que é ser uma mulher? O que quer uma mulher? Como diz Lacan (2002): Quando Dora se vê interrogar a si mesma sobre o que é uma mulher?, ela tenta simbolizar o órgão feminino como tal. Sua identificação com o homem, portador do pênis, é para ela, nessa ocasião, um meio de aproximar-se dessa definição que lhe escapa. O pênis lhe serve literalmente de instrumento imaginário para apreender o que ela não consegue simbolizar. (p. 203) Uma análise, segundo Lacan (1998a), deve sustentar de alguma forma essa questão, até que o objeto em causa (a sra. K.) esgote o que tem para oferecer como resposta. Com esse raciocínio podemos entender também o sentido da bofetada que Dora dá no sr. K.: Quando é que ela o esbofeteia? Não quando ele a corteja, ou quando diz que a ama. Nem mesmo quando ele se aproxima dela de uma maneira intolerável para uma histérica. É no momento em que ele lhe diz: Ich habe nichts an meiner Frau. A fórmula alemã é particularmente expressiva, tem um sentido particularmente vivo, se dermos ao termo nada toda a sua importância. O que ele lhe diz o retira, em suma, do circuito assim constituído, que na sua ordem se estabelece assim. Dora pode inclusive admitir que seu pai ame nela, e por ela, aquilo que está para além, a sra. K., mas para que o sr. K. seja tolerável em sua posição, é preciso que ocupe a função exatamente inversa e equilibradora. A saber, que Dora seja amada por ele para além de sua mulher, mas na medida em que sua mulher represente alguma coisa para ele. Essa alguma coisa que é o mesmo que esse nada que deve existir para além, isto é, Dora, no caso. Ele não diz que sua mulher nada é para ele, e sim que, pelo lado de sua mulher, não há nada. [...] O sr. K. quer dizer que não há nada depois da sua mulher: Minha mulher não está no circuito. (Lacan, 1995, p. 145 e 146) 31

9 LATIN AMERICAN JOURNAL OF FUNDAMENTAL PSYCHOPATHOLOGY ONLINE 32 Daí em diante a situação fica insustentável. Se o sr. K. só se interessa por Dora, seu pai também só se interessa pela sra. K. Dora cumpre aí então um papel de objeto de troca: uma filha por uma mulher. Lacan (1995) diz que essa estrutura elementar das relações de parentesco Dora não tolera, porque não renunciou ao amor do pai. Cito: Se o sr. K. só se interessa por ela, é porque seu pai só se interessa pela sra. K., e a partir daí ela não pode mais tolerá-lo. Por quê? Ela entra, no entanto, aos olhos de Freud, numa situação típica. Como explica o sr. Claude Lévi-Strauss em As estruturas elementares do parentesco, a troca de laços de aliança consiste exatamente no seguinte: Eu recebi uma mulher e devo uma filha. Só que isso que é o próprio princípio da instituição da troca e da lei faz da mulher um puro e simples objeto de troca, ela não é integrada por nada ali. Em outras palavras, se ela mesma não renunciou a alguma coisa, isto é, precisamente, ao falo paterno concebido como objeto do dom, ela não pode de modo algum conceber, subjetivamente falando, que receba outras, isto é, de um outro homem. (p. 146) Isso faz lembrar de Sabrina, na medida em que parece também uma mulher muito ressentida quanto ao amor que o pai não lhe deu. Tal ressentimento parece se repetir com o namorado, assim como na transferência comigo, na medida em que não dou a resposta que espera para suas perguntas. É um impasse que de certa forma experimentei também com outra paciente. Vou chamá-la de Clara. O caso de Clara Clara, uma adolescente de 15 anos chega ao consultório trazida pela mãe, que se queixa da filha ter tentado se matar tomando uma cartela inteira de anticoncepcional. Traz também como queixa o que a filha lhe conta, sobre ouvir a voz de uma mulher que lhe fala de baixo de sua cama. Os pais de Clara se separam quando ainda era criança, e ela passa a morar então com a mãe em outra cidade. Vai criança para longe do pai, e volta adolescente para reencontrá-lo. Decepcionada, passa a queixar-se para a mãe da falta de atenção deste. Clara se coloca constantemente em situações de risco: sai tarde da noite sozinha, recusando-se a dizer para onde vai, chegando a ficar dias sem voltar para casa. Quanto a isso, sua mãe diz que o pai assumiu a postura de não procurar mais saber por onde a filha anda, nem impedi-la de fazer seja lá o que for. Quando voltou adolescente, Clara passa a morar com o pai, mas num quarto contíguo à sua casa onde já moravam sua nova mulher e filhos o que acabou favorecendo toda a situação de descuido em a paciente se viu envolvida.

10 ARTIGOS DE AUTORES DO BRASIL Clara, ela mesma, não se queixa de nada. Assume geralmente comigo uma atitude desafiadora e provocativa, na forma de se portar, e mesmo de se vestir. É uma adolescente, num corpo de mulher, e trejeitos de criança. Usa decotes provocantes ao mesmo tempo em que chupa o dedo que foram durante muito tempo um tema central das brigas que tinha com o pai, antes de se afastar definitivamente da filha. O pai parece sustentar uma presença ausente, na medida em que mora ao lado da filha, ao mesmo tempo em que se ausenta de estabelecer o limite que Clara parece pedir a todo tempo que alguém lhe dê. Já faz algum tempo que a relação entre os dois parece reduzir-se a ofender a filha com os palavrões que seus decotes provocam. Entro para atendê-la, certa vez, sabendo pela mãe que Clara passou a semana muito triste. Tinha discutido com o pai e estava especialmente ressentida com sua falta de atenção. Já sei pela experiência das sessões anteriores que ela se recusa a falar. Diante disso, passo a fazer perguntas, como venho fazendo desde a primeira sessão. Nada muda. Clara não fala comigo. É indiferente quanto à queixa da mãe, e geralmente tenta inverter minhas perguntas encenando minha postura. Começo a sessão perguntando: como andam as coisas?. Tudo ótimo! (Ela responde) Sua mãe me disse que você esteve muito triste esses dias.... Ah é!? Então ela se ajeita na cadeira, e passa a me imitar. Senta da mesma forma que estou sentado, coloca a mão no queixo, e diz: E você? Vamos falar de você agora. E a sua mulher? Como ela é? Pergunto algo, desconversando, e ela me diz: Vai! Vai! Continua perguntando! O que Clara de fato queria saber ao perguntar sobre a minha mulher? Essa pergunta não parece de-clarar, como vimos a respeito da histeria, um interesse na outra mulher? Como diz Miller (1997), Freud não percebe que Dora se interessava no que é uma mulher para um homem. Cito: O que Freud não percebeu, e o caso foi um fracasso, é que Dora dirigiu sua pergunta ao falo, através do homem. Nem sempre o mestre é o homem. Dora dirigiu sua pergunta: O que o homem pode apreciar numa mulher?, O que, aos olhos de um homem, confere valor a uma mulher?, Como é possível que uma mulher, que, no fundo, não tem, possa ser, através do próprio vazio, desejada pelo homem?. Isso se vincula à pergunta sobre o falo. (p. 266) Não seria essa a pergunta que Sabrina tanto fazia? O que meu namorado deseja nessa outra mulher? E, perguntando isso a mim, perguntava também o que 33

11 LATIN AMERICAN JOURNAL OF FUNDAMENTAL PSYCHOPATHOLOGY ONLINE eu desejava numa mulher. Fica aqui a questão: como o analista responde a isso? O que fazer com a insistência dessa pergunta? Sobre a neutralidade analítica 34 Para não responder a demanda, muitas vezes o analista assume, como uma regra geral, a postura de não responder as perguntas que o paciente lhe faz. Será essa regra prática sempre eficaz? A noção de demanda em Lacan (2005) está ligada à ideia de que a criança, quando pede algo à mãe, põe em jogo algo que vai além do que é demandado como resposta. Essa demanda, diz Lacan, visa estruturar o desejo: O que a criança pede à mãe destina-se a estruturar para ela a relação presença-ausência demonstrada pela brincadeira original do Fort-Da, que é um primeiro exercício de dominação. Há sempre um certo vazio a preservar, que nada tem a ver com o conteúdo, nem positivo nem negativo, da demanda. (p. 76) Para o tratamento analítico, essa noção tem a seguinte implicação: Mas, se a lei analítica é que não se satisfará nenhuma demanda do sujeito, não é por outra razão senão que especulamos com o fato de que a demanda tenderá a funcionar em outro lugar que não o plano das demandas precisas, formuladas, passíveis de ser ou não satisfeitas. Todo o mundo concorda o que funciona não é frustramos o sujeito no que ele possa ocasionalmente nos pedir, seja simplesmente que lhe respondamos, seja, em casos extremos, que ele nos beije a mão. O que funciona é uma frustração mais profunda, que se vincula à própria essência da fala, no que ela faz surgir o horizonte da demanda, que chamei simplesmente, para fixar as ideias, de demanda de amor, e que também pode ser demanda de outra coisa. (Lacan, 1999, p. 453) Vê-se aqui como o conselho técnico de não responder a demanda não se reduz a não responder a pergunta do paciente. O que de fato está em causa quando se trata de conduzir uma análise? Como atingir essa função mais profunda de frustração? Ao contrário, não poderíamos supor que uma análise poderia vir a se interromper, pela insistência do analista em não responder às perguntas do paciente? No texto Intervenção sobre a transferência, dedicado ao caso Dora, Lacan (1998a) pensa que a transferência que levou à interrupção do tratamento, ou seja, que fez Dora vingar-se do sr. K. na pessoa de Freud, só se manteve até esse ponto, na medida em que respondia ao seu preconceito aquele que o fez acreditar que o melhor para Dora era casar-se com o sr. K. É por insistir aí, nessa contratransferência, que a transferência de Dora se transforma num obstáculo

12 ARTIGOS DE AUTORES DO BRASIL para a análise, impedindo que daí se desdobre um novo material. O fato de ele se haver posto em jogo, em pessoa, como substituto do sr. K., diz Lacan, teria poupado Freud de insistir em demasia no valor das propostas de casamento deste (p. 225). Na seguinte passagem, Miller (apud Forbes, 1999) esclarece algo sobre o impasse de que se trata: [...] também se adota essa posição padronizada, o que torna muito difícil a análise da histérica, na medida em que o sujeito histérico pede ao Outro que pague sua cota, que pague de si mesmo portanto, que ele manifeste o seu desejo. E, ao recusá-lo, a experiência não ocorre, e lançam-se as histéricas na categoria dos borderline ou até mesmo dos psicóticos incapazes de assumir a experiência psicanalítica. É necessário, se quiser manter a histérica no tratamento, que o analista abandone uma impassibilidade de comando e que mostre que também coloca de seu, mesmo que seja apenas para manter o sujeito que facilmente vai alegar vontade de partir, no fundo para pôr à prova o desejo do Outro. (p. 48) Os casos clínicos narrados acima colocam em questão uma postura muitas vezes assumida na condução de uma análise, para dar conta do problema da neutralidade. Será que de fato podemos atribuir neutralidade a uma postura fixa de isenção frente às perguntas do paciente? A neutralidade analítica, para Lacan (1998a), adquire seu sentido autêntico na posição do dialético puro (p. 225). Essa forma de ver a intervenção que cabe ao analista na transferência leva a pensar que, responder ou não às perguntas do paciente, não tem tanta importância para a condução de uma análise, quanto à insistir em demasia numa determinada posição. Como diz Bernardes (2005): O analista só opera desde o lugar que ocupa na transferência, mas esse lugar deve permanecer vago, ou seja, a pessoa do analista não pode ocupá-lo. (...) manobra que permite ao analista, ao não se confundir com o seu lugar na transferência, dar um novo lugar de enunciação para o paciente. (p. 116) No caso de Sabrina, a paciente parece empenhada em confirmar através dos outros que, o que quer, não lhe é dado. Como diz André (1998) essa demanda, mais que de um objeto que a satisfaria, é demanda de um desejo. Nesse caso o desejo insatisfeito do namorado, que sustenta ao infernizá-lo corre assim o risco calculado de que ele a deixe por outra, introduzindo um terceiro na relação. Considerando que na transferência isso também deve se armar sobre a minha pessoa, não parece à toa que Sabrina tenha dado mostras de acreditar que eu não a amava. Como citado acima, isso aparece pelo menos em dois momentos: quando diz que não a namoraria, e que não teria mais disponibilidade para atendê-la. Faz sentido pensar agora, que Sabrina tenha deixado de lado a análise para colocar à prova meu desejo, que tenha abandonado o tratamento, num ápice pro- 35

13 LATIN AMERICAN JOURNAL OF FUNDAMENTAL PSYCHOPATHOLOGY ONLINE vocativo, atingido à custa da minha insistência em lhe recusar o que demandava. Como saber? Por outro lado, é justamente a falta dessa resposta que produz o questionamento da minha posição na transferência. Não poderia, de fato, ter dado uma resposta satisfatória como diz Lacan (1992), o amor é dar o que não se tem (p. 126). Mas entre estas duas alternativas, dar ou não dar, surge uma terceira que podemos formular agora: mudar de posição. Talvez assim Sabrina pudesse ter feito mais com a falta de que tanto se queixava. Referências 36 ANDRÉ, S. O que quer uma mulher? Rio de Janeiro: Jorge Zahar, ALLOUCH, J. Alô, Lacan? É claro que não. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, BERLINCK, M. T. O método clínico 2. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, São Paulo, v. 10, n. 4, p. ix-xii, dez Psicopatologia Fundamental. São Paulo: Escuta, BERNARDES, A. C. (2005). A resposta do analista: o caso Frida de Margaret Little. In: Hanna, M. S. G. F.; Souza, N. S. (Orgs.). O objeto da angústia. Rio de Janeiro: 7 Letras, p FORBES, J. Da palavra ao gesto do analista. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, FREUD, S. (1937). Construções em análise. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, v (1905[1901]). Fragmento da análise de um caso de histeria. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, v. 7. LACAN, J. O seminário. Livro 10. A angústia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, O seminário. Livro 3. As psicoses. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, O seminário. Livro 5. As formações do inconsciente. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, Intervenção sobre a transferência. In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998a. p Função e campo da fala e da linguagem em psicanálise. In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998b. p O seminário. Livro 4. A relação de objeto. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1995.

14 ARTIGOS DE AUTORES DO BRASIL. O seminário. Livro 8. A transferência. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, LAPLANCHE, J. Vocabulário da psicanálise / Laplanche e Pontalis. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, MILLER, J.-A. Lacan elucidado: palestras no Brasil. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, QUINET, A. As condições da análise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, Resumos According to the method employed at the Fundamental Psychopathology Laboratory, this article studies the narrative of two clinical cases in private practice: a young woman whose psychological suffering stems from the lack of love evidences presented by her boyfriend; and a teenager who, refusing to speak, starts to imitate the analyst, questioning his attitude. In both cases the focus is directed to the patients insistence on making direct questions to the analyst. On the other hand, they deal with a specific attitude presented by the analyst, who exempts from answering the questions in order to account for the problem of analytical neutrality. The cases analyzed here motivate a questioning of such attitude, based on Lacan s argument about the Dora case - specifically in the text called Intervention on transference, in which he considers the interruption of the analysis as a result of Freud s prejudice, which led him to insist too much on a specific position. The objective is to show that the analyst s insistence on a specific position, even if it is exempting from answering the patient s questions, may lead to a premature interruption of an analytical process. This hypothesis can be particularly useful for the clinic of hysteria. Key words: Neutrality, analyst, position, hysteria 37 Selon la methòde utilisée dans le Laboratoire de Psychopatologie Fundamental, cette article est basé sur la narration de deux cas cliniques, observés en clinique privée: une jeune femme dont la souffrance psychologique se produit autour de l echec, de la part de son petit ami, de lui donner des preuves d amour; et d une adolescente qui, refusant de parler, commence a imiter l analyste en mettant en question sa posture. Dans les deux cas, l accent se tourne vers l insistance des patients de poser des questions directes à l analyste. D autre part, on indique une position prise par l analyste de se soustraire à répondre aux questions, pour faire face au problème de la neutralité analytique. Ces cas motivent la remise en cause d un tel comportement, cherchant subventions dans le commentaire que Lacan a fait sur le cas Dora plus spécifiquement dans le texte «Intervention sur le transfert» où il reflechie que l interruption de cette analyse a eté motivée par un prejugé de Freud, qui insistait trop sur ses épaules à une position donnée. On cherche de montrer que l insistance de l analyste sur une certaine

15 LATIN AMERICAN JOURNAL OF FUNDAMENTAL PSYCHOPATHOLOGY ONLINE position, même si elle est de se soustraire à répondre aux questions du patient, peut entraîner la résiliation prématurée d une analyse. Cette hypothèse est particulièrement pertinent à la clinique de l hystérie. Mots clés: Neutralité, analyste, position, question, hysterie 38 Conforme el método utilizado por el Laboratorio de Psicopatología Fundamental, este trabajo parte de la narrativa de dos casos clínicos, atendidos en el consultorio privado: una joven mujer cuyo sufrimiento psíquico se refiere a la insuficiencia de las pruebas de amor que le da su novio, y una adolescente que se recusa a hablar y pasa a imitar el analista, cuestionando su postura. En ambos los casos el foco del análisis se da hacia la insistencia de los pacientes en hacer preguntas directas al analista. Por otro lado, se apunta hacia una posición asumida por el analista de eximirse de contestar a las preguntas para responder al problema de la neutralidad analítica. Los casos motivan la problematización de esa conducta, buscando subsidios en el comentario que hace Lacan sobre el caso Dora mas precisamente en el texto Intervención sobre la transferencia, en el cual piensa la interrupción de aquel psicoanálisis como motivada por una prejuicio de Freud, que lo hizo insistir demasiado en una determinada posición. Aquí se busca mostrar que la insistencia del analista en quedarse en una determinada posición, aunque sea de eximirse de contestar a las preguntas del paciente, puede levar a la interrupción prematura de un psicoanálisis. Esa hipótesis se muestra especialmente pertinente para la clínica de la histeria. Palabras claves: Neutralidad, analista, posición, histeria Citação/Citation: Alencar, D. A. Considerações sobre a neutralidade analítica e a pergunta dirigida ao analista. Latin American Journal of Fundamental Psychopathology Online, São Paulo, v. 7, n. 2, p , novembro de Editores do artigo/editors: Prof. Dr. Henrique Figueiredo Carneiro, Profa. Dra. Junia de Vilhena e Profa. Dra. Ana Cecilia Magtaz. Recebido/Received: / Aceito/Accepted: / Copyright: 2010 Associação Universitária de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental/University Association for Research in Fundamental Psychopathology. Este é um artigo de livre acesso, que permite uso irrestrito, distribuição re reprodução em qualquer meio, desde que o autor e a fonte sejam citados/this is na open-acess article, which permits unrestricted use, distribution, and reproduction in any madium, provided the original author and source are credited

16 ARTIGOS DE AUTORES DO BRASIL Financiamento: O autor declara não ter sido financiado ou apoiado/the author has no support of funding to report. Conflito de interesses: O autor declara que não há conflito de interesse/the author declares that has no conflict of interest. 39 DANIEL ASSUNÇÃO ALENCAR Psicólogo; psicanalista; mestre em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (São Paulo, SP, Brasil). Praça Roosevelt, 178/ São Paulo, SP, Brasil

Acting out: como tirar proveito dele? Lacan nos diz no seminário As formações do inconsciente, coisas muito

Acting out: como tirar proveito dele? Lacan nos diz no seminário As formações do inconsciente, coisas muito Acting out: como tirar proveito dele? Lacan nos diz no seminário As formações do inconsciente, coisas muito interessantes a respeito do acting out, entre elas, que ele é uma mensagem... sempre dirigido

Leia mais

ANTÔNIO E SEUS AMORES: UM CASO CLÍNICO. Antônio é um jovem de 21 anos que veio à análise a pedido de uma das três

ANTÔNIO E SEUS AMORES: UM CASO CLÍNICO. Antônio é um jovem de 21 anos que veio à análise a pedido de uma das três ANTÔNIO E SEUS AMORES: UM CASO CLÍNICO Sandra Chiabi Antônio é um jovem de 21 anos que veio à análise a pedido de uma das três namoradas. Contou que estava envolvido com as três, e uma delas pedira que

Leia mais

ISSO NÃO ME FALA MAIS NADA! (SOBRE A POSIÇÃO DO ANALISTA NA DIREÇÃO DA CURA) 1

ISSO NÃO ME FALA MAIS NADA! (SOBRE A POSIÇÃO DO ANALISTA NA DIREÇÃO DA CURA) 1 ISSO NÃO ME FALA MAIS NADA! (SOBRE A POSIÇÃO DO ANALISTA NA DIREÇÃO DA CURA) 1 Arlete Mourão 2 Essa frase do título corresponde à expressão utilizada por um ex-analisando na época do final de sua análise.

Leia mais

A ética do tratamento psicanalítico: diagnóstico diferencial.

A ética do tratamento psicanalítico: diagnóstico diferencial. A ética do tratamento psicanalítico: diagnóstico diferencial. Claudia Wunsch. Psicóloga. Pós-graduada em Psicanálise Clínica (Freud/Lacan) Unipar - Cascavel- PR. Docente do curso de Psicologia da Faculdade

Leia mais

O FALO E A MORTE NA DINÂMICA DA NEUROSE OBSESSIVA

O FALO E A MORTE NA DINÂMICA DA NEUROSE OBSESSIVA O FALO E A MORTE NA DINÂMICA DA NEUROSE OBSESSIVA Doris Rinaldi 1 A neurose obsessiva apresenta uma complexidade e uma riqueza de aspectos que levou, de um lado, Freud a dizer que tratava-se do tema mais

Leia mais

MOURA, Marisa Decat de (ORG). Psicanálise e hospital 3 Tempo e morte: da urgência ao ato analítico. Revinter: Rio de Janeiro, 2003.

MOURA, Marisa Decat de (ORG). Psicanálise e hospital 3 Tempo e morte: da urgência ao ato analítico. Revinter: Rio de Janeiro, 2003. MOURA, Marisa Decat de (ORG). Psicanálise e hospital 3 Tempo e morte: da urgência ao ato analítico. Revinter: Rio de Janeiro, 2003. Prefácio Interessante pensar em um tempo de começo. Início do tempo de

Leia mais

As vicissitudes da repetição

As vicissitudes da repetição As vicissitudes da repetição As vicissitudes da repetição Breno Ferreira Pena Resumo O objetivo deste trabalho é explorar o conceito de repetição em psicanálise. Para tanto, o autor faz uma investigação

Leia mais

Reflexões sobre Impasses e Possibilidades da Psicanálise no Hospital Público

Reflexões sobre Impasses e Possibilidades da Psicanálise no Hospital Público Reflexões sobre Impasses e Possibilidades da Psicanálise no Hospital Público Ludmila Stalleikem Sebba 1 e Ademir Pacelli Ferreira 2 Resumo A partir do referencial da psicanálise procura-se apontar elementos

Leia mais

Feminilidade e Angústia 1

Feminilidade e Angústia 1 Feminilidade e Angústia 1 Claudinéia da Cruz Bento 2 Freud, desde o início de seus trabalhos, declarou sua dificuldade em abordar o tema da feminilidade. Após um longo percurso de todo o desenvolvimento

Leia mais

A FUNÇÃO DO PAGAMENTO EM ANÁLISE: LIMITES E POSSIBILIDADES NA INSTITUIÇÃO

A FUNÇÃO DO PAGAMENTO EM ANÁLISE: LIMITES E POSSIBILIDADES NA INSTITUIÇÃO A FUNÇÃO DO PAGAMENTO EM ANÁLISE: LIMITES E POSSIBILIDADES NA INSTITUIÇÃO Fernanda de Souza Borges feborges.psi@gmail.com Prof. Ms. Clovis Eduardo Zanetti Na praça Clóvis Minha carteira foi batida, Tinha

Leia mais

Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 8 julho 2012 ISSN 2177-2673. Há um(a) só. Analícea Calmon

Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 8 julho 2012 ISSN 2177-2673. Há um(a) só. Analícea Calmon Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 8 julho 2012 ISSN 2177-2673 Analícea Calmon Seguindo os passos da construção teórico-clínica de Freud e de Lacan, vamos nos deparar com alguns momentos de

Leia mais

PRIMEIRAS ENTREVISTAS EM PSIQUIATRIA E PSICANÁLISE

PRIMEIRAS ENTREVISTAS EM PSIQUIATRIA E PSICANÁLISE PRIMEIRAS ENTREVISTAS EM PSIQUIATRIA E PSICANÁLISE Júlia Alram Moreira 1, Luciano Souza 2, Bárbara do Nascimento 3, Diego Gracia 4, Rodrigo Basso 5. RESUMO: A realização de uma boa entrevista inicial é

Leia mais

MECANISMOS DE DEFESA

MECANISMOS DE DEFESA 1 MECANISMOS DE DEFESA José Henrique Volpi O Ego protege a personalidade contra a ameaça ruim. Para isso, utilizase dos chamados mecanismos de defesa. Todos estes mecanismos podem ser encontrados em indivíduos

Leia mais

O sujeito e o sexual: no contado já está o contador

O sujeito e o sexual: no contado já está o contador O sujeito e o sexual: no contado já está o contador Nilda Martins Sirelli Psicanalista, doutoranda em Memória Social pela UNIRIO, professora do curso de graduação em Psicologia da Universidade Estácio

Leia mais

Ser mãe hoje. Cristina Drummond. Palavras-chave: família, mãe, criança.

Ser mãe hoje. Cristina Drummond. Palavras-chave: família, mãe, criança. Ser mãe hoje Cristina Drummond Palavras-chave: família, mãe, criança. Hoje em dia, a diversidade das configurações familiares é um fato de nossa sociedade. Em nosso cotidiano temos figuras cada vez mais

Leia mais

Desejo e linguagem nas bordas de um corpo Viviane Espírito Santo dos Santos

Desejo e linguagem nas bordas de um corpo Viviane Espírito Santo dos Santos Desejo e linguagem nas bordas de um corpo Viviane Espírito Santo dos Santos A partir da escuta psicanalítica de mães e seus bebês internados na UTI-Neonatal fazse uma questão: o que possibilita a circunscrição

Leia mais

A criança, a lei e o fora da lei

A criança, a lei e o fora da lei 1 A criança, a lei e o fora da lei Cristina Drummond Palavras-chave: criança, mãe, lei, fora da lei, gozo. A questão que nos toca na contemporaneidade é a do sujeito às voltas com suas dificuldades para

Leia mais

Em algum lugar de mim

Em algum lugar de mim Em algum lugar de mim (Drama em ato único) Autor: Mailson Soares A - Eu vi um homem... C - Homem? Que homem? A - Um viajante... C - Ele te viu? A - Não, ia muito longe! B - Do que vocês estão falando?

Leia mais

Clarice Gatto. O traumático que a experiência psicanalítica torna comunicável

Clarice Gatto. O traumático que a experiência psicanalítica torna comunicável Clarice Gatto O traumático que a experiência psicanalítica torna comunicável Trabalho a ser apresentado na Mesa-redonda Poder da palavra no III Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental e IX

Leia mais

RETIFICAÇÃO SUBJETIVA: OS CONTRAPONTOS ENTRE A CLÍNICA PSICANALÍTICA E A EPISTEMOLOGIA HISTÓRICA

RETIFICAÇÃO SUBJETIVA: OS CONTRAPONTOS ENTRE A CLÍNICA PSICANALÍTICA E A EPISTEMOLOGIA HISTÓRICA RETIFICAÇÃO SUBJETIVA: OS CONTRAPONTOS ENTRE A CLÍNICA PSICANALÍTICA E A EPISTEMOLOGIA HISTÓRICA Marcio Luiz Ribeiro Bacelar Wilson Camilo Chaves A expressão retificação subjetiva está presente tanto nas

Leia mais

"Crise ou tentativa de cura? - desafios para uma clínica do sujeito numa enfermaria psiquiátrica". 1

Crise ou tentativa de cura? - desafios para uma clínica do sujeito numa enfermaria psiquiátrica. 1 V Congresso de Psicopatologia Fundamental "Crise ou tentativa de cura? - desafios para uma clínica do sujeito numa enfermaria psiquiátrica". 1 Autora: Lorenna Figueiredo de Souza. Resumo: O trabalho apresenta

Leia mais

A TRANSFERÊNCIA COMO RESISTÊNCIA

A TRANSFERÊNCIA COMO RESISTÊNCIA ESTRUTURAS CLÍNICAS Aula 6: 28/05/2004 1 A TRANSFERÊNCIA COMO RESISTÊNCIA Roberta d Assunção: Freud vai conceituar o recalque como mecanismo inconsciente correspondente às resistências. Essas resistências

Leia mais

FANTASIAS SEXUAIS INFANTIS, AS CRIANÇAS FALAM. A intenção deste trabalho foi escutar crianças pequenas a respeito da

FANTASIAS SEXUAIS INFANTIS, AS CRIANÇAS FALAM. A intenção deste trabalho foi escutar crianças pequenas a respeito da FANTASIAS SEXUAIS INFANTIS, AS CRIANÇAS FALAM Maria Elisa França Rocha A intenção deste trabalho foi escutar crianças pequenas a respeito da sexualidade, bem como conhecer suas fantasias e as teorias que

Leia mais

Onde você vai encontrar as suas futuras iniciadas?????

Onde você vai encontrar as suas futuras iniciadas????? Há 16 anos quando entrou na MK, a consagrada Diretora Nacional, Gloria Mayfield, não sabia como chegar ao topo, hoje ela dá o seguinte conselho. As lições que eu aprendi na Mary Kay para me tornar uma

Leia mais

Desdobramentos: A mulher para além da mãe

Desdobramentos: A mulher para além da mãe Desdobramentos: A mulher para além da mãe Uma mulher que ama como mulher só pode se tornar mais profundamente mulher. Nietzsche Daniela Goulart Pestana Afirmar verdadeiramente eu sou homem ou eu sou mulher,

Leia mais

Os impasses na vida amorosa e as novas configurações da tendência masculina à depreciação

Os impasses na vida amorosa e as novas configurações da tendência masculina à depreciação Os impasses na vida amorosa e as novas configurações da tendência masculina à depreciação Maria José Gontijo Salum Em suas Contribuições à Psicologia do Amor, Freud destacou alguns elementos que permitem

Leia mais

Quais as condições necessárias para uma análise com autista? 1

Quais as condições necessárias para uma análise com autista? 1 Quais as condições necessárias para uma análise com autista? 1 Maria Auxiliadora Bragança de Oliveira Este trabalho começa com uma modificação em seu título. Em lugar de perguntar Quais as condições necessárias

Leia mais

Diagnóstico: um sintoma? O diagnóstico em psiquiatria tem uma história. Sua principal função é de ser um instrumento

Diagnóstico: um sintoma? O diagnóstico em psiquiatria tem uma história. Sua principal função é de ser um instrumento Diagnóstico: um sintoma? Larissa de Figueiredo Rolemberg Mendonça e Manoel Tosta Berlinck (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo PUC/SP) O diagnóstico em psiquiatria tem uma história. Sua principal

Leia mais

Para que serve a terapia?

Para que serve a terapia? Para que serve a terapia? Por Matias José Ribeiro Para um número cada vez maior de pessoas, fazer terapia tem sido uma maneira de superar suas angústias existenciais e conquistar um pouco mais de felicidade.

Leia mais

Durante toda sua vida, Anna Freud ocupou-se com a psicanálise, dando especial

Durante toda sua vida, Anna Freud ocupou-se com a psicanálise, dando especial 30 1. 3. Anna Freud: o analista como educador Durante toda sua vida, Anna Freud ocupou-se com a psicanálise, dando especial ênfase ao desenvolvimento teórico e terapêutico da psicanálise de crianças. Sua

Leia mais

O DE SEJO QUE (LHE ) RESTA. Adriana Grosman

O DE SEJO QUE (LHE ) RESTA. Adriana Grosman O DE SEJO QUE (LHE ) RESTA Adriana Grosman Pretendo tratar de um caso clinico que coloca em evidencia que não é só a questão fálica que está em jogo na maternidade se não o resto do desejo, algo que escapa

Leia mais

Feminilidade e Violência

Feminilidade e Violência Feminilidade e Violência Emilse Terezinha Naves O tema sobre a violência e a feminilidade apresenta-se, nas mais diversas áreas do conhecimento, como um tema de grande interesse, quando encontramos uma

Leia mais

Superando Seus Limites

Superando Seus Limites Superando Seus Limites Como Explorar seu Potencial para ter mais Resultados Minicurso Parte VI A fonte do sucesso ou fracasso: Valores e Crenças (continuação) Página 2 de 16 PARTE 5.2 Crenças e regras!

Leia mais

Fome de quê? Daniela Goulart Pestana

Fome de quê? Daniela Goulart Pestana Fome de quê? Daniela Goulart Pestana O trabalho a seguir fruto de um Cartel sobre sintomas alimentares, propõe a ser uma reflexão dos transtornos alimentares mais comuns de nossa contemporaneidade. O eixo

Leia mais

FREUD: IMPASSE E INVENÇÃO

FREUD: IMPASSE E INVENÇÃO FREUD: IMPASSE E INVENÇÃO Denise de Fátima Pinto Guedes Roberto Calazans Freud ousou dar importância àquilo que lhe acontecia, às antinomias da sua infância, às suas perturbações neuróticas, aos seus sonhos.

Leia mais

MOURA, Marisa Decat de (ORG). Psicanálise e hospital: a criança e sua dor. Revinter: Rio de Janeiro, 1999.

MOURA, Marisa Decat de (ORG). Psicanálise e hospital: a criança e sua dor. Revinter: Rio de Janeiro, 1999. MOURA, Marisa Decat de (ORG). Psicanálise e hospital: a criança e sua dor. Revinter: Rio de Janeiro, 1999. Prefácio Só as crianças têm segredos, Dos quais mais tarde já nem lembram! A dor talvez é um deles.

Leia mais

Transferência. Transferência (Conferências Introdutórias à Psicanálise, 1916/17, Teoria Geral das Neuroses) -------

Transferência. Transferência (Conferências Introdutórias à Psicanálise, 1916/17, Teoria Geral das Neuroses) ------- Transferência Transferência (Conferências Introdutórias à Psicanálise, 1916/17, Teoria Geral das Neuroses) ------- Erros na tradução da Imago: 1 Página 505: 5a. linha (de baixo para cima: não consenso,

Leia mais

A RESPONSABILIDADE DO SUJEITO, A RESPONSABILIDADE DO ANALISTA E A ÉTICA DA PSICANÁLISE

A RESPONSABILIDADE DO SUJEITO, A RESPONSABILIDADE DO ANALISTA E A ÉTICA DA PSICANÁLISE A RESPONSABILIDADE DO SUJEITO, A RESPONSABILIDADE DO ANALISTA E A ÉTICA DA PSICANÁLISE Maria Fernanda Guita Murad Pensando a responsabilidade do analista em psicanálise, pretendemos, neste trabalho, analisar

Leia mais

Violência Simbólica: possíveis lugares subjetivos para uma criança diante da escolha materna

Violência Simbólica: possíveis lugares subjetivos para uma criança diante da escolha materna Violência Simbólica: possíveis lugares subjetivos para uma criança diante da escolha materna Henrique Figueiredo Carneiro Liliany Loureiro Pontes INTRODUÇÃO Esse trabalho apresenta algumas considerações,

Leia mais

A triagem como instrumento de comunicação entre Psicanálise e Psiquiatria

A triagem como instrumento de comunicação entre Psicanálise e Psiquiatria A triagem como instrumento de comunicação entre Psicanálise e Psiquiatria Thaís Augusto Gonçales Zanoni thaisagz.psi@gmail.com Psicóloga. Especialista em Saúde Mental, Psicopatologia e Psicanálise pela

Leia mais

PERDÃO E SAÚDE: TENSÕES ENTRE MEMÓRIA E ESQUECIMENTO

PERDÃO E SAÚDE: TENSÕES ENTRE MEMÓRIA E ESQUECIMENTO PERDÃO E SAÚDE: TENSÕES ENTRE MEMÓRIA E ESQUECIMENTO Andréa Lima do Vale Caminha A temática do Perdão tem nos atraído nos últimos tempos e para atender a nossa inquietação, fomos investigar esse tema no

Leia mais

AFORISMOS DE JACQUES LACAN

AFORISMOS DE JACQUES LACAN AFORISMOS DE JACQUES LACAN Marco Antonio Coutinho Jorge (org.) O texto de Lacan, assim como o de Swedenborg, segundo Borges, é daqueles que expõe tudo com autoridade, com uma tranqüila autoridade. Ciente,

Leia mais

Avaliação psicológica: escutar, integrar, registrar.

Avaliação psicológica: escutar, integrar, registrar. Avaliação psicológica: escutar, integrar, registrar. Iris Fátima Alves Campos 1 Quero agradecer pela oportunidade de estar aqui, especialmente a meus pares, colegas desse percurso de construir algo sobre

Leia mais

Era uma vez um menino muito pobre chamado João, que vivia com o papai e a

Era uma vez um menino muito pobre chamado João, que vivia com o papai e a João do Medo Era uma vez um menino muito pobre chamado João, que vivia com o papai e a mamãe dele. Um dia, esse menino teve um sonho ruim com um monstro bem feio e, quando ele acordou, não encontrou mais

Leia mais

Latusa digital ano 2 Nº 16 julho de 2005

Latusa digital ano 2 Nº 16 julho de 2005 Latusa digital ano 2 Nº 16 julho de 2005 Uma intervenção Carlos Augusto Nicéas * Escolhi trazer para a nossa Conversação 1, alguns fragmentos do tratamento de um jovem de dezenove anos atualmente, dependente

Leia mais

5. Referências bibliográficas:

5. Referências bibliográficas: 82 5. Referências bibliográficas: ASSOUN, P. Lecciones Psicoanalíticas sobre Hermanos y Hermanas., Buenos Aires: Ediciones Nueva Visión, 1998. BENGHOZI, P. E FERÉS- CARNEIRO, T. Laço frátrio e continente

Leia mais

A criança preocupada. Claudia Mascarenhas Fernandes

A criança preocupada. Claudia Mascarenhas Fernandes A criança preocupada Claudia Mascarenhas Fernandes Em sua época Freud se perguntou o que queria uma mulher, devido ao enigma que essa posição subjetiva suscitava. Outras perguntas sempre fizeram da psicanálise

Leia mais

Os princípios da prática analítica com crianças

Os princípios da prática analítica com crianças Os princípios da prática analítica com crianças Cristina Drummond Palavras-chave: indicação, tratamento, criança, princípios. As indicações de um tratamento para crianças Gostaria de partir de uma interrogação

Leia mais

POR QUE BATISMO? PR. ALEJANDRO BULLÓN

POR QUE BATISMO? PR. ALEJANDRO BULLÓN POR QUE BATISMO? PR. ALEJANDRO BULLÓN "Pr. Williams Costa Jr.- Pastor Bullón, por que uma pessoa precisa se batizar? Pr. Alejandro Bullón - O Evangelho de São Marcos 16:16 diz assim: "Quem crer e for batizado,

Leia mais

PROJETO PARA UMA PSICOLOGIA CIENTÍFICA: ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DO APARELHO PSÍQUICO

PROJETO PARA UMA PSICOLOGIA CIENTÍFICA: ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DO APARELHO PSÍQUICO Lucy_de_Castro_O_Caso _Emma_uma ilustração_do_projeto 1 Emma_Projeto_Primeira_mentira_ O caso Emma ilustra o capítulo II do Projeto para uma Psicologia Científica, desenvolvido por Freud a partir de suas

Leia mais

4.59.1. Tema: Sinais de risco nas clínicas mãe-bebê 4.59.2. Coordenadora: Sonia Pereira Pinto da Motta

4.59.1. Tema: Sinais de risco nas clínicas mãe-bebê 4.59.2. Coordenadora: Sonia Pereira Pinto da Motta Mesa: 4.59.1. Tema: Sinais de risco nas clínicas mãe-bebê 4.59.2. Coordenadora: Sonia Pereira Pinto da Motta OS RISCOS NA CONSTITUIÇÃO PSÍQUICA Autora: CRISTINA HOYER Breve Nota Curricular da Autora -

Leia mais

A PSICANÁLISE E OS MODERNOS MOVIMENTOS DE AFIRMAÇÃO HOMOSSEXUAL 1

A PSICANÁLISE E OS MODERNOS MOVIMENTOS DE AFIRMAÇÃO HOMOSSEXUAL 1 A PSICANÁLISE E OS MODERNOS MOVIMENTOS DE AFIRMAÇÃO HOMOSSEXUAL 1 Este artigo trata da difícil relação entre a teoria psicanalítica, que tradicionalmente considerava os comportamentos eróticos entre pessoas

Leia mais

RESISTÊNCIA e DESEJO do ANALISTA: quem trabalha na psicanálise com crianças *

RESISTÊNCIA e DESEJO do ANALISTA: quem trabalha na psicanálise com crianças * RESISTÊNCIA e DESEJO do ANALISTA: quem trabalha na psicanálise com crianças * Maria Inês Lamy Palavras-chave: psicanálise com crianças / trabalho dos pais na psicanálise com crianças / resistência / resistência

Leia mais

Nesse E-Book você vai aprender a lidar com aquelas situações chatas da nossa vida como psicólogos iniciantes em que tudo parece dar errado!

Nesse E-Book você vai aprender a lidar com aquelas situações chatas da nossa vida como psicólogos iniciantes em que tudo parece dar errado! Nesse E-Book você vai aprender a lidar com aquelas situações chatas da nossa vida como psicólogos iniciantes em que tudo parece dar errado! Aqueles primeiros momentos em que tudo que fazemos na clínica

Leia mais

Lucas Zanella. Collin Carter. & A Civilização Sem Memórias

Lucas Zanella. Collin Carter. & A Civilização Sem Memórias Lucas Zanella Collin Carter & A Civilização Sem Memórias Sumário O primeiro aviso...5 Se você pensa que esse livro é uma obra de ficção como outra qualquer, você está enganado, isso não é uma ficção. Não

Leia mais

O AMOR NOSSO DE CADA DIA * Palavras chave: Amor; felicidade; sintoma; semblante

O AMOR NOSSO DE CADA DIA * Palavras chave: Amor; felicidade; sintoma; semblante O AMOR NOSSO DE CADA DIA * Palavras chave: Amor; felicidade; sintoma; semblante Heloisa Caldas ** Minha contribuição para este número de Latusa visa pensar o amor como um semblante que propicia um tratamento

Leia mais

A função da alteridade frente ao desamparo nos primórdios da vida psíquica

A função da alteridade frente ao desamparo nos primórdios da vida psíquica A função da alteridade frente ao desamparo nos primórdios da vida psíquica Natália De Toni Guimarães dos Santos O humano só advém a partir de outros humanos. O filho do homem é um ser absolutamente dependente

Leia mais

Resumos. Seminário de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Teoria Psicanalítica

Resumos. Seminário de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Teoria Psicanalítica Seminário de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Teoria Psicanalítica Inovação em psicanálise: rumos e perspectivas na contemporaneidade Quarta-feira 10/6 10h30-12h Mesa-redonda Saúde mental e psicanálise

Leia mais

O Ponto entrevista Letícia Odorizi, aprovada em 1º lugar para ATRFB!

O Ponto entrevista Letícia Odorizi, aprovada em 1º lugar para ATRFB! O Ponto entrevista Letícia Odorizi, aprovada em 1º lugar para ATRFB! A história da Letícia Odorizi, aprovada em 1º lugar para Analista Tributário da Receita Federal do Brasil, é mais uma das histórias

Leia mais

UMA CRIANÇA E EX-PANCADA: RELAÇÃO DO MASOQUISMO INFANTIL AO SADISMO ADULTO

UMA CRIANÇA E EX-PANCADA: RELAÇÃO DO MASOQUISMO INFANTIL AO SADISMO ADULTO UMA CRIANÇA E EX-PANCADA: RELAÇÃO DO MASOQUISMO INFANTIL AO SADISMO ADULTO 2015 Marcell Felipe Alves dos Santos Psicólogo Clínico - Graduado pela Centro Universitário Newton Paiva (MG). Pós-graduando em

Leia mais

A ética na pesquisa com seres humanos sob um ponto de vista psicanalítico

A ética na pesquisa com seres humanos sob um ponto de vista psicanalítico 1 A ética na pesquisa com seres humanos sob um ponto de vista psicanalítico Samyra Assad Foi a oportunidade de falar sobre o tema da ética na pesquisa em seres humanos, que me fez extrair algumas reflexões

Leia mais

Entendendo a Psicologia como um negócio. Desenvolvendo seus Produtos e Serviços. Preparando sua plataforma de lançamentos

Entendendo a Psicologia como um negócio. Desenvolvendo seus Produtos e Serviços. Preparando sua plataforma de lançamentos Sumário Capítulo 1... 11 Entendendo a Psicologia como um negócio Capítulo 2... 33 Posicionamento de Mercado Capítulo 3... 63 Construindo suas bases Capítulo 4... 93 Desenvolvendo seus Produtos e Serviços

Leia mais

A escuta psicanalítica e a educação* Psychoanalytical listening and education

A escuta psicanalítica e a educação* Psychoanalytical listening and education informação ano 13, n, 13 jan./dez. 2009 Copyright 2009 Instituto Metodista de Ensino Superior CNPJ 44.351.146/0001-57 A escuta psicanalítica e a educação* Psychoanalytical listening and education Ali c

Leia mais

IV Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental X Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental. Curitiba, de 04 a 07 de Julho de 2010.

IV Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental X Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental. Curitiba, de 04 a 07 de Julho de 2010. IV Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental X Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental. Curitiba, de 04 a 07 de Julho de 2010. Os nomes dos modos de sofrimentos atuais, ou, Transtornos

Leia mais

Concurso Literário. O amor

Concurso Literário. O amor Concurso Literário O Amor foi o tema do Concurso Literário da Escola Nova do segundo semestre. Durante o período do Concurso, o tema foi discutido em sala e trabalhado principalmente nas aulas de Língua

Leia mais

Freud, S. Inibições, sintomas e ansiedade (1925). Em: Obras completas. Rio de Janeiro: Imago, 1969. 2

Freud, S. Inibições, sintomas e ansiedade (1925). Em: Obras completas. Rio de Janeiro: Imago, 1969. 2 DAR CORPO AO SINTOMA NO LAÇO SOCIAL Maria do Rosário do Rêgo Barros * O sintoma implica necessariamente um corpo, pois ele é sempre uma forma de gozar, forma substitutiva, como Freud bem indicou em Inibição,

Leia mais

Entrevista: Carlos Bernardi, Psicólogo clínico jungiano, fundador do grupo Rubedo [www.rubedo.psc.br]

Entrevista: Carlos Bernardi, Psicólogo clínico jungiano, fundador do grupo Rubedo [www.rubedo.psc.br] FONTE: CRP-RJ DEZEMBRO DE 2006 Entrevista: Carlos Bernardi, Psicólogo clínico jungiano, fundador do grupo Rubedo [www.rubedo.psc.br] Como funciona a terapia junguiana? A Análise junguiana está dentro da

Leia mais

Diogo Caixeta 6 PASSOS PARA CONSTRUIR UM NEGÓCIO DIGITAL DE SUCESSO! WWW.PALAVRASQUEVENDEM.COM WWW.CONVERSAODIGITAL.COM.BR

Diogo Caixeta 6 PASSOS PARA CONSTRUIR UM NEGÓCIO DIGITAL DE SUCESSO! WWW.PALAVRASQUEVENDEM.COM WWW.CONVERSAODIGITAL.COM.BR Diogo Caixeta 6 PASSOS PARA CONSTRUIR UM NEGÓCIO DIGITAL DE SUCESSO! WWW.PALAVRASQUEVENDEM.COM WWW.CONVERSAODIGITAL.COM.BR INTRODUÇÃO Você está cansado de falsas promessas uma atrás da outra, dizendo

Leia mais

Page 1 of 7. Poética & Filosofia Cultural - Roberto Shinyashiki

Page 1 of 7. Poética & Filosofia Cultural - Roberto Shinyashiki Page 1 of 7 Universidade Federal do Amapá Pró-Reitoria de Ensino de Graduação Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia Disciplina: Filosofia Cultural Educador: João Nascimento Borges Filho Poética & Filosofia

Leia mais

A DOENÇA O REAL PARA O SUJEITO

A DOENÇA O REAL PARA O SUJEITO A DOENÇA O REAL PARA O SUJEITO 2014 Olga Cristina de Oliveira Vieira Graduada em Psicologia pela Universidade Presidente Antônio Carlos. Docente no Centro Técnico de Ensino Profissional (CENTEP). Especialização

Leia mais

Construções lacanianas em torno da fantasia

Construções lacanianas em torno da fantasia Construções lacanianas em torno da fantasia Angela Vorcaro 1 Marcela Rêda Guimarães 2 1 Introdução: O texto freudiano Batem numa criança (Freud, 2010[1919]) estabelece a organização de uma massa de fantasias

Leia mais

MERGULHO de Betina Toledo e Thuany Motta

MERGULHO de Betina Toledo e Thuany Motta MERGULHO de Betina Toledo e Thuany Motta Copyright Betina Toledo e Thuany Motta Todos os direitos reservados juventudecabofrio@gmail.com Os 13 Filmes 1 MERGULHO FADE IN: CENA 1 PRAIA DIA Fotografia de

Leia mais

HISTÓRIA DE SÃO PAULO. Alunos: Tatiana Santos Ferreira, Joyce Cruvello Barroso, Jennifer Cristine Silva Torres dos Santos, Sabrina Cruz. 8ª série.

HISTÓRIA DE SÃO PAULO. Alunos: Tatiana Santos Ferreira, Joyce Cruvello Barroso, Jennifer Cristine Silva Torres dos Santos, Sabrina Cruz. 8ª série. EE Bento Pereira da Rocha HISTÓRIA DE SÃO PAULO Alunos: Tatiana Santos Ferreira, Joyce Cruvello Barroso, Jennifer Cristine Silva Torres dos Santos, Sabrina Cruz. 8ª série. História 1 CENA1 Mônica chega

Leia mais

O AUTISMO NA PSICANÁLISE E A QUESTÃO DA ESTRUTURA Germano Quintanilha Costa 1

O AUTISMO NA PSICANÁLISE E A QUESTÃO DA ESTRUTURA Germano Quintanilha Costa 1 O AUTISMO NA PSICANÁLISE E A QUESTÃO DA ESTRUTURA Germano Quintanilha Costa 1 I Introdução O objetivo deste trabalho é pensar a questão do autismo pelo viés da noção de estrutura, tal como compreendida

Leia mais

ADOLESCÊNCIA: PSICOPATOLOGIAS E CLÍNICA PSICANALÍTICA

ADOLESCÊNCIA: PSICOPATOLOGIAS E CLÍNICA PSICANALÍTICA ADOLESCÊNCIA: PSICOPATOLOGIAS E CLÍNICA PSICANALÍTICA MARIA DA GLORIA SCHWAB SADALA 1. BREVE CURRICULO PSICÓLOGA E PSICANALISTA DOUTORA, MESTRE E ESPECIALISTA PELA UFRJ COORDENADORA DO MESTRADO EM PSICANÁLISE

Leia mais

Depressão* Marcos Vinicius Z. Portela** Fonte: www.institutoreichiano.com.br

Depressão* Marcos Vinicius Z. Portela** Fonte: www.institutoreichiano.com.br Marcos Vinicius Z. Portela** Depressão* Em primeiro lugar, gostaria de agradecer a oportunidade para estar aqui hoje nesta breve exposição - a qual pretendo, com a ajuda de todos, transformar numa conversa

Leia mais

Márcio Peter de Souza Leite 4 de abril de 1997 PUC

Márcio Peter de Souza Leite 4 de abril de 1997 PUC O Pai em Freud 1997 O Pai em Freud Márcio Peter de Souza Leite 4 de abril de 1997 PUC Conteudo: Pais freudianos... 3 O pai de Dora... 3 O pai de Schreber.... 4 O pai castrador, que é o terceiro em Freud,

Leia mais

Muito além do arco íris

Muito além do arco íris Muito além do arco íris amor, sexo e relacionamentos na terapia homoafetiva Klecius Borges muito Além do arco-íris Amor, sexo e relacionamentos na terapia homoafetiva Copyright 2013 by Klecius Borges Direitos

Leia mais

MARIANA: Fátima? Você tem certeza que seu pai vai gostar? Ele é meio careta, apesar de que é uma linda homenagem.

MARIANA: Fátima? Você tem certeza que seu pai vai gostar? Ele é meio careta, apesar de que é uma linda homenagem. Pais e filhos 1º cena: música ambiente (início da música pais e filhos legião urbana - duas pessoas entram com um mural e começam a confeccionar com frases para o aniversário do pai de uma delas (Fátima),

Leia mais

Psicanálise. Boa Tarde! Psicanálise 26/09/2015. Pontifícia Universidade Católica de Goiás Psicologia Jurídica Prof.ª Ms.

Psicanálise. Boa Tarde! Psicanálise 26/09/2015. Pontifícia Universidade Católica de Goiás Psicologia Jurídica Prof.ª Ms. Boa Tarde! 1 Psicanálise Pontifícia Universidade Católica de Goiás Psicologia Jurídica Prof.ª Ms. Otília Loth Psicanálise Fundada por Sigmund Freud, é uma teoria que estabelece uma complexa estrutura mental

Leia mais

Chantilly, 17 de outubro de 2020.

Chantilly, 17 de outubro de 2020. Chantilly, 17 de outubro de 2020. Capítulo 1. Há algo de errado acontecendo nos arredores dessa pequena cidade francesa. Avilly foi completamente afetada. É estranho descrever a situação, pois não encontro

Leia mais

Ô MÃE, ME EXPLICA, ME ENSINA, ME DIZ O QUE É FEMININA? nossos tempos não foge à regra. As mulheres, afetadas pela condição de não-todas,

Ô MÃE, ME EXPLICA, ME ENSINA, ME DIZ O QUE É FEMININA? nossos tempos não foge à regra. As mulheres, afetadas pela condição de não-todas, Ô MÃE, ME EXPLICA, ME ENSINA, ME DIZ O QUE É FEMININA? Fernanda Samico Küpper É notória a contribuição que as mulheres sempre deram à engrenagem da psicanálise enquanto campo teórico. Desde Anna O., passando

Leia mais

SUJEITOS DESNORTEADOS: EM BUSCA DA FELICIDADE? 1 Vera Lopes Besset 2

SUJEITOS DESNORTEADOS: EM BUSCA DA FELICIDADE? 1 Vera Lopes Besset 2 SUJEITOS DESNORTEADOS: EM BUSCA DA FELICIDADE? 1 Vera Lopes Besset 2 Introdução Nossa proposta de intervenção se relaciona às pesquisas em andamento no âmbito do Grupo de Pesquisa UFRJ/CNPq CLINP (Clínica

Leia mais

1. Porque eu te amo nunca será suficiente 2. Porque a cada dia você me conquista mais e de um jeito novo 3. Porque a ciência não tem como explicar

1. Porque eu te amo nunca será suficiente 2. Porque a cada dia você me conquista mais e de um jeito novo 3. Porque a ciência não tem como explicar 1. Porque eu te amo nunca será suficiente 2. Porque a cada dia você me conquista mais e de um jeito novo 3. Porque a ciência não tem como explicar nosso amor 4. Porque a gente discute nossos problemas

Leia mais

O amor em análise: algumas considerações a partir de depoimentos de passe Jussara Jovita Souza da Rosa

O amor em análise: algumas considerações a partir de depoimentos de passe Jussara Jovita Souza da Rosa Opção Lacaniana online nova série Ano 5 Número 14 julho 2014 ISSN 2177-2673 : algumas considerações a partir de depoimentos de passe Jussara Jovita Souza da Rosa [...] Falar de amor, com efeito, não se

Leia mais

Considerações acerca da transferência em Lacan

Considerações acerca da transferência em Lacan Considerações acerca da transferência em Lacan Introdução Este trabalho é o resultado um projeto de iniciação científica iniciado em agosto de 2013, no Serviço de Psicologia Aplicada do Instituto de Psicologia

Leia mais

A Sublimação e a Clínica em Lacan. Eliane Mendlowicz

A Sublimação e a Clínica em Lacan. Eliane Mendlowicz A Sublimação e a Clínica em Lacan Eliane Mendlowicz O conceito de sublimação aparece na obra freudiana em 1897, nas cartas a Fliess (manuscrito L), quando Freud se perguntando sobre a histérica, descobre

Leia mais

Por que repetimos os mesmos erros

Por que repetimos os mesmos erros J.-D. Nasio Por que repetimos os mesmos erros Tradução: André Telles Neste livro, eu gostaria de mostrar como a minha experiência de psicanalista me levou a concluir que o inconsciente é a repetição. Normalmente,

Leia mais

Dicas do que você deve fazer desde cedo para educar seu filho a ser determinado e capaz de conquistar o que ele deseja.

Dicas do que você deve fazer desde cedo para educar seu filho a ser determinado e capaz de conquistar o que ele deseja. Dicas do que você deve fazer desde cedo para educar seu filho a ser determinado e capaz de conquistar o que ele deseja. O primeiro passo para conquistar algo é acreditar que é possível. Se não, a pessoa

Leia mais

PSICOTERAPIA PSICANALÍTICA COM CRIANÇAS

PSICOTERAPIA PSICANALÍTICA COM CRIANÇAS PSICOTERAPIA PSICANALÍTICA COM CRIANÇAS Marien Abou Chahine 1 Resumo Este artigo é resultado da mesa do IV Congresso de Psicologia da Unifil, cujo objetivo foi explanar sobre a prática da Psicanálise com

Leia mais

Lembro de uma cena em especial, no Hospital Psiquiátrico Cyro Martins, que muito

Lembro de uma cena em especial, no Hospital Psiquiátrico Cyro Martins, que muito UM TÊNUE LIMIAR... 1 Graciella Leus Tomé Lembro de uma cena em especial, no Hospital Psiquiátrico Cyro Martins, que muito me chocou. Foi a internação de uma jovem senhora, mãe, casada, profissão estável,

Leia mais

A TRANSFERÊNCIA NA SALA DE AULA

A TRANSFERÊNCIA NA SALA DE AULA A TRANSFERÊNCIA NA SALA DE AULA BUCK, Marina Bertone Discente do Curso de Psicologia da Faculdade de Ciências da Saúde FASU/ACEG GARÇA/SP BRASIL e-mail: marina.bertone@hotmail.com SANTOS, José Wellington

Leia mais

Um Quarto de Volta. Maria Cristina Vecino de Vidal. Discursos

Um Quarto de Volta. Maria Cristina Vecino de Vidal. Discursos Um Quarto de Volta Maria Cristina Vecino de Vidal Este escrito versará em torno da estrutura dos quatro discursos e seu funcionamento na clínica psicanalítica. As questões se centrarão na problemática

Leia mais

Devastação: um nome para dor de amor Gabriella Dupim e Vera Lopes Besset

Devastação: um nome para dor de amor Gabriella Dupim e Vera Lopes Besset Opção Lacaniana online nova série Ano 2 Número 6 novembro 2011 ISSN 2177-2673 Gabriella Dupim e Vera Lopes Besset No início da experiência analítica, foi o amor, diz Lacan 1 parafraseando a fórmula no

Leia mais

Patologias narcísicas e doenças auto-imunes: a questão da transferência [1]

Patologias narcísicas e doenças auto-imunes: a questão da transferência [1] Patologias narcísicas e doenças auto-imunes: a questão da transferência [1] Teresa Pinheiro [2] Este trabalho é um desdobramento da nossa participação na pesquisa clínico-teórica, Patologias narcísicas

Leia mais

Psicanálise e instituição social: é possível uma prática psicanalítica no CRAS? Patrícia do Socorro Nunes Pereira 1 Roseane Freitas Nicolau 2

Psicanálise e instituição social: é possível uma prática psicanalítica no CRAS? Patrícia do Socorro Nunes Pereira 1 Roseane Freitas Nicolau 2 CRAS? Psicanálise e instituição social: é possível uma prática psicanalítica no Patrícia do Socorro Nunes Pereira 1 Roseane Freitas Nicolau 2 Este trabalho discute as possibilidades de operar com o saber

Leia mais

PSICOTERAPIA INFANTIL

PSICOTERAPIA INFANTIL PSICOTERAPIA INFANTIL Claudia Ribeiro Boneberg 1 Demarcina K. Weinheimer 2 Ricardo Luis V. de Souza 3 Ramão Costa 4 Me. Luiz Felipe Bastos Duarte 5 1 TEMA Psicoterapia psicanalítica infantil 1.1 DELIMITAÇÃO

Leia mais

Geração Graças Peça: A ressurreição da filha de Jairo

Geração Graças Peça: A ressurreição da filha de Jairo Geração Graças Peça: A ressurreição da filha de Jairo Autora: Tell Aragão Personagens: Carol (faz só uma participação rápida no começo e no final da peça) Mãe - (só uma voz ela não aparece) Gigi personagem

Leia mais

OS 3 PASSOAS PARA O SUCESSO NA SEGURANÇA PATRIMONIAL

OS 3 PASSOAS PARA O SUCESSO NA SEGURANÇA PATRIMONIAL WWW.SUPERVISORPATRIMONIAL.COM.BR SUPERVISOR PATRIMONIAL ELITE 1 OS 3 PASSOS PARA O SUCESSO NA CARREIRA DA SEGURANÇA PATRIMONIAL Olá, companheiro(a) QAP TOTAL. Muito prazer, meu nome e Vinicius Balbino,

Leia mais

Analista em função ama?

Analista em função ama? Analista em função ama?... o amor demanda o amor. Ele não deixa de demandá-lo. Ele o demanda... mais... ainda (Lacan) (1) Este texto é causado pelo interrogante insistente sobre o que é do amor ao final?

Leia mais