Considerações sobre a neutralidade analítica e a pergunta dirigida ao analista

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1 LATIN AMERICAN JOURNAL OF FUNDAMENTAL PSYCHOPATHOLOGY ONLINE Considerações sobre a neutralidade analítica e a pergunta dirigida ao analista Daniel Assunção Alencar 24 Conforme o método empregado no Laboratório de Psicopatologia Fundamental, este artigo parte da narrativa de dois casos clínicos, atendidos em consultório particular: uma jovem mulher cujo sofrimento psíquico se dá em torno da insuficiência das provas de amor que o namorado lhe dá, e uma adolescente que, recusando-se a falar, passa a imitar o analista questionando sua postura. Em ambos os casos o foco se dirige para a insistência dos pacientes em fazer perguntas diretas ao analista. Por outro lado, aponta-se para uma posição assumida pelo analista de isentar-se de responder as perguntas, para dar conta do problema da neutralidade analítica. Os casos motivam o questionamento dessa conduta, buscando subsídios no comentário que Lacan faz do caso Dora mais precisamente no texto Intervenção sobre a transferência, no qual pensa a interrupção daquela análise como motivada por um preconceito de Freud, que o fez insistir em demasia numa determinada posição. Procura-se mostrar que a insistência do analista numa determinada posição, mesmo que seja ela, de isentar-se de responder às perguntas do paciente, pode levar à interrupção prematura de uma análise. Tal hipótese mostra-se particularmente pertinente para a clínica da histeria. Palavras-chave: Neutralidade, analista, posição, histeria

2 ARTIGOS DE AUTORES DO BRASIL Introdução Os trabalhos desenvolvidos no âmbito do Laboratório de Psicopatologia Fundamental do Núcleo de Psicanálise do Programa de Estudos Pós- -Graduados em Psicologia Clínica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), dirigido pelo Prof. Doutor Manoel Tosta Berlinck, se caracterizam por uma preocupação metodológica em comum. Como diz Berlinck (2008), o termo Psicopatologia Fundamental, cunhado por Pierre Fédida, opõe-se à Psicopatologia Geral de Karl Jaspers. Ao contrário dessa última, que diz respeito a uma narrativa objetiva, a Psicopatologia Fundamental refere-se a uma narrativa que inclua a dimensão subjetiva. Para a Psicopatologia Fundamental, a metapsicologia tem como paradigma a ficção. Como diz Berlinck (2007), o método criado por Freud reconhece: [...] que a natureza é inapreensível e que a narrativa científica ocorre tendo como paradigma a ficção. Assim, o relato do caso clínico não corresponde à realidade objetiva porque inclui não só aquilo que determina a posição do observador, mas, também, aquilo que, provindo do objeto, determina o pensamento do observador. A interação dessas duas posições (a do observador e a do observado) produz a subjetividade que determina a narrativa do caso clínico. (Berlinck, 2007, p. ix-xii) Se, por um lado, não há no Laboratório a pretensão de produzir uma narrativa objetiva, por outro há uma preocupação constante com a precipitação da produção teórica já existente sobre o material clínico. Isso, como observa Berlinck, 1 na medida em que o relato do caso pode ser utilizado tanto como fundamento de um argumento teórico, como para exemplificar, justificar, ou aplicar uma teoria. Ao escrever um trabalho no âmbito Ideia desenvolvida pelo Prof. Manoel Berlinck na disciplina O método clínico II, ministrada no primeiro semestre de 2008, no Núcleo de Psicanálise do Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Clínica da PUC-SP.

3 LATIN AMERICAN JOURNAL OF FUNDAMENTAL PSYCHOPATHOLOGY ONLINE do Laboratório, talvez seja esse o principal rigor em causa, na media em que se busca produzir um conhecimento que comporte a autenticidade que cada caso clínico carrega em sua singularidade, ao mesmo tempo em que lida com o campo teórico já constituído. No trabalho que aqui se apresenta toma-se como ponto de partida a narrativa de dois casos clínicos. A construção do caso levanta algumas questões sobre a neutralidade analítica, que dão o fundamento para a discussão. No primeiro caso vemos uma situação na qual a paciente passa a fazer perguntas diretas ao analista. No segundo, a posição assumida pelo analista é questionada pela intensa provocação de uma adolescente que, sem queixa aparente, passa a imitá-lo. O caso Sabrina 26 Sabrina, jovem mulher de vinte e poucos anos, me procura no consultório para falar da situação complicada que vive com o namorado e a sogra. Logo na primeira sessão, chama atenção o que diz sobre a infernização da sogra: uma série de situações nas quais se queixa de que o namorado dá mais atenção à mãe do que a ela. A partir daí se desdobram outros contextos em que uma mesma situação parece se repetir. Quando tinha cerca de dez anos, seus pais se separam, e no dia do seu aniversário seu pai vai embora de casa. Isso já faz muito tempo, e Sabrina ainda hoje diz que chora por isso. Com o passar do tempo sua queixa em relação ao namorado parece ocupar cada vez mais o espaço das sessões. Queixa-se principalmente de que ele não demonstra suficientemente o amor que sente por ela. Não importa o que faça, Sabrina nunca se sente satisfeita com as provas de amor do namorado. Sempre acha que ele deveria ter feito algo a mais. No entanto, Sabrina passa a perceber aos poucos que a infernização de que se trata não diz respeito apenas à sua sogra. Segundo ela, de tanto infernizar o namorado com suas queixas, uma hora ele pode se encher e acabar largando dela. Isso parece se repetir comigo na transferência da seguinte forma: de tanto falar o mesmo nas sessões, sempre a mesma lamúria sobre o que o namorado não lhe deu, eu é que poderia deixar de atendê-la. Sou muito chata, me diz, você nunca me namoraria. Aqui destaca-se uma mudança importante para o processo dessa análise: o que traz como queixa sobre o outro se inverte para ela própria. Como diz Miller (1997), o que Lacan chama de retificação subjetiva pode ser definido como a passagem do fato de queixar-se dos outros para queixar-se de si mesmo (p. 255).

4 ARTIGOS DE AUTORES DO BRASIL Essa passagem leva Sabrina a pensar que o problema está com ela, que não adiantaria, por exemplo, trocar de namorado, que as coisas não se resolveriam. Sua infernização se torna então uma questão endereçada a mim, ou seja, passa a empenhar-se ali comigo em buscar um sentido para isso. Como diz Quinet (2005), o sintoma do qual o paciente se queixa ao procurar um analista não é suficiente para que uma análise aconteça. Cito: Esse sujeito pode se apresentar ao analista para se queixar de seu sintoma e até pedir para dele se desvencilhar, mas isso não basta. É preciso que essa queixa se transforme numa demanda endereçada àquele analista e que o sintoma passe do estatuto de resposta ao estatuto de questão para o sujeito, para que este seja instigado a decifrá-lo. Nesse trabalho preliminar, o sintoma será questionado pelo analista [...]. (p. 16) Cabe ao analista produzir essa inversão. É o que faz Freud (1905[1901]/ 1996a), quando pergunta a Dora sobre sua participação na situação da qual se queixava. Dora se queixava que seu pai lhe oferecia ao sr. K. como objeto de troca, ou seja, para que pudesse ter um caso amoroso com sua mulher. Em outras palavras: você fica com a minha filha, eu fico com a sua mulher. A interpretação de Freud (1905[1901]/1996a) tem o sentido de supor que Dora tenha algo a ver com a situação da queixa, ou seja, não é apenas uma vítima dos caprichos do pai. Como diz Lacan (1998a), ela faz aparecer no discurso da paciente uma série de estratégias de sua parte para sustentar a relação do pai com a sra. K. De fato, Dora fazia de tudo para que o pai ficasse a sós com ela. Nunca ia vê-la se soubesse que o pai estaria com ela, e sempre que possível encontrava um jeito de passear com seus filhos para que seu pai pudesse encontrá-la. Vemos como esse efeito corrobora o que diz Freud (1937/1996b) sobre a eficácia da interpretação se medir pelo material que é capaz de produzir. No texto Construções em análise, Freud (1937/1996b) se pergunta sobre como avaliar o acerto de uma construção feita ao paciente sobre seu passado esquecido, sua experiência recalcada por trás de seus sintomas. Cito: Parece, portanto, que as elocuções diretas do paciente, depois que lhe foi oferecida uma construção, fornecem muito poucas provas sobre a questão de saber se estivemos certos ou errados. É do maior interesse que existam formas indiretas de confirmação, que são, sob todos os aspectos, fidedignas. Uma delas é uma forma de expressão utilizada (como que por consenso) com muito pequena variação pelas mais diferentes pessoas: Nunca pensei (ou Nunca teria pensado ) isso (ou nisso ). Isso pode ser traduzido, sem qualquer hesitação, por: Sim, o senhor está certo dessa vez sobre meu inconsciente. Infelizmente, essa fórmula, tão bem-vinda ao analista, chega a seus ouvidos com mais frequência depois de interpretações isoladas do que depois de ele ter produzido uma ampla construção. Confirmação igualmente valiosa está implícita (dessa vez, ex- 27

5 LATIN AMERICAN JOURNAL OF FUNDAMENTAL PSYCHOPATHOLOGY ONLINE 28 pressa positivamente) quando o paciente responde com uma associação que contém algo semelhante ou análogo ao conteúdo da construção. (p. 281) Freud (1937) parece priorizar como efeito positivo de uma intervenção, seja ela interpretação ou construção, sua capacidade de produzir material novo. Só o curso ulterior da análise, diz, nos capacita a decidir se nossas construções são corretas ou inúteis (p. 283). O caso Dora nos revela ainda outra particularidade interessante para pensar o caso de Sabrina: tudo ia mais ou menos bem com Dora, ela não se queixava, não infernizava seus pais como diz Sabrina, até que o sr. K. se declara para ela.² Como nos relata Freud (1905[1901]), Dora então lhe dá uma bofetada, e é a partir daí que passa a reivindicar ao pai que rompa relações com o casal K. É por esse motivo, inclusive, que seu pai a leva ao consultório de Freud, para que dê um jeito na insistência da filha com o assunto. No caso de Sabrina parece se revelar no decorrer dos atendimentos uma insistência no tema da outra mulher, essa outra em relação à qual se vê sempre preterida ou deixada de lado. Como diz, quer na verdade ter o namorado só para si, e não consegue. Isso a coloca então numa disputa constante com outra mulher. Vale à pena lembrar aqui que, para ela, o namorado é quase um pastor, ou seja, ao mesmo tempo em que poderia confiar plenamente, vive confirmando (o que esse quase quer dizer) que não pertence só a ela. Sua história com o pai também remete ao tema: desde criança diz que luta contra todas as mulheres que ele teve depois que se separou de sua mãe. Se sentia rejeitada também com o pai. Sabrina faz aniversário no dia dos namorados, dia que ficou então marcado pela saída do pai de casa para morar com outra mulher. Algum tempo depois de análise Sabrina descobre uma traição do namorado. Creio que algo se produz com esse fato, na medida em que Sabrina passa então a me fazer muitas perguntas diretas, principalmente no que diz respeito à minha opinião de homem sobre o motivo da traição do namorado. Me pergunta: você que é homem, porque você acha que ele me traiu?. Ou então: você acha que eu sou burra de voltar com ele?. Quanto ao tema da outra mulher, essa traição ainda a faz lembrar de um exnamorado que havia proposto uma relação sexual a três. Difícil não pensar aqui 2. Pedi a Dora que me descrevesse essa cena minuciosamente. A princípio, ela não revelou grandes novidades. O sr. K. fizera uma introdução razoavelmente séria, mas ela não o deixara terminar. Mal compreendeu do que se tratava, deu-lhe uma bofetada no rosto e se afastou às pressas. Eu queria saber que palavras ele empregara, mas Dora só se lembrou de uma de suas alegações: Sabe, não tenho nada com minha mulher. (Freud, 1905[1901]/1996a, p. 97).

6 ARTIGOS DE AUTORES DO BRASIL no que Lacan (1995) diz sobre a histérica amar por procuração. Ela aborda seu objeto, que na verdade é uma outra mulher, identificando-se com um homem. Algumas sessões depois dessa descoberta, Sabrina me diz que vai deixar de lado a terapia, porque tem vergonha do valor (baixo, segundo ela) que paga pelas sessões. Fica então evidente a relação entre deixar de lado a terapia e, o que tanto fala nas sessões, sentir-se deixada de lado pelo namorado. Estaria ela atuando no contrato da análise essa cena antiga em que se coloca como excluída? Deixando de lado a análise, ela mesma se deixaria de lado. Confirmando essa hipótese, diz que se quisesse voltar algum dia para a análise, provavelmente eu não teria mais disponibilidade de atendê-la. Antes de interromper de vez o tratamento, Sabrina me fala mais de seu pai. Conta que não lhe dá uma bicicleta que esperava ganhar dele. A história termina, reforçando a lógica do triângulo amoroso, com o pai dando a bicicleta para outra mulher. Com a descoberta da traição do namorado, Sabrina passa a me fazer perguntas, e eu passo a não respondê-las. Ou fazia silencio, ou devolvia a pergunta, assumindo indiscriminadamente uma posição de isenção. Será que isso é sempre bom para uma análise? Por outro lado, nem sempre é isso que se vê na prática. Vejamos, como exemplo, um atendimento de Lacan citado por Jean Allouch (1999): Jesuíta em análise com Lacan, ele faz parte da primeiríssima geração de alunos. Um dia, na sessão, fala de sua intenção de deixar a Companhia e se casar. Lacan fez tudo para dissuadi-lo disso, chegando até a dizer-lhe que o supereu, no casamento, seria pior que na igreja. Resultado? O analisante realiza sua decisão, mas de certa maneira: ficou convencido de que a tomara sozinho. (p. 45) O que justifica uma intervenção como essa? Enfim, assim como o paciente de Lacan, Sabrina também decide se casar. Fui convidado para o casamento e, como manda o figurino da análise, não fui. Combino com ela uma interrupção dos atendimentos porque me diz que não poderia pagar pelas sessões naquele momento, com as dívidas que tinha feito com o casamento. Ficou de voltar algum tempo depois e não voltou. Entro em contato perguntando sobre a continuidade do tratamento. Ela me diz: se você me der essa liberdade, eu volto a te ligar quando melhorar a situação. Estou muito mal de dinheiro. Digo que estaria à disposição quando quisesse voltar. Ela não volta. Como no caso Dora, mesmo que o paciente vá embora, algumas análises ainda continuam para o analista. Para Freud (1905[1901]), aquela análise fracassou, e o motivo foi não ter dominado a tempo a transferência que Dora fez do sr. K., para sua pessoa. Dora interrompe o tratamento, diz Freud (1905[1901]), 29

7 LATIN AMERICAN JOURNAL OF FUNDAMENTAL PSYCHOPATHOLOGY ONLINE 30 vingando-se dele, como queria vingar-se do sr. K. O abandona como queria abandonar o sr. K. Se, por um lado, Freud já havia falado antes em transferência,³ é no caso Dora que fala pela primeira vez do conceito como fator central do tratamento. Como diz Lacan (1998a), o caso Dora foi o primeiro em que Freud reconheceu que o analista tem aí seu papel (p. 217). Freud (1905[1901]) atribui ainda outro motivo para a interrupção prematura da análise de Dora. Anos depois, numa nota de rodapé inserida ao texto em 1923, Freud também diz que Dora interrompe o tratamento porque percebeu tarde demais sua tendência homossexual em relação a sra. K. Cito: Quanto mais me vou afastando no tempo do término dessa análise, mais provável me parece que meu erro técnico tenha consistido na seguinte omissão: deixei de descobrir a tempo e de comunicar à doente que a moção amorosa homossexual (ginecofílica) pela sra. K. era a mais forte das correntes inconscientes de sua vida anímica. Eu deveria ter conjecturado que nenhuma outra pessoa poderia ser a fonte principal dos conhecimentos de Dora sobre coisas sexuais senão a sra. K., a mesma pessoa que depois a acusara por seu interesse nesses assuntos. Era realmente de chamar atenção que ela soubesse todas aquelas coisas indecentes e jamais quisesse saber de onde as conhecia. Eu deveria ter tratado de decifrar esse enigma e buscado o motivo desse estranho recalcamento. (p. 114) No texto Intervenção sobre a transferência Lacan (1998a) desenvolve o seguinte argumento sobre esse motivo: Freud não se dá conta da tendência homossexual devido ao preconceito que o manteve excessivamente voltado para a relação amorosa de Dora com o sr. K. Em Função e campo da fala e da linguagem, Lacan (1998b) diz que Freud insiste demais em fazê-la reconhecer o objeto de seu desejo no sr. K. Cito: [...] quando os preconceitos do analista (isto é, sua contratransferência, termo cujo emprego correto, para nos satisfazer, não poderia estender-se além das razões dialéticas do erro) o desvirtuam em sua intervenção, ele logo paga o preço disso através de uma transferência negativa. [...] e habitualmente se segue a ruptura. Foi justamente o que aconteceu no caso de Dora, em razão da insistência de Freud em querer fazê-la reconhecer o objeto oculto de seu desejo na pessoa 3. Como dizem Laplanche e Pontalis (2001), quando Freud, a propósito do sonho, fala de transferência, de pensamentos de transferência, designa assim um modo de deslocamento em que o desejo inconsciente se exprime e se disfarça através do material fornecido pelos restos préconscientes do dia anterior (p. 516).

8 ARTIGOS DE AUTORES DO BRASIL do sr. K., na qual os preconceitos constitutivos de sua contratransferência levaram-no a ver a promessa de sua felicidade (Lacan, 1998a, p. 306). Para Lacan (1998a), o sr. K. só serve a Dora para que interrogue seu objeto que é, na verdade, a sra. K. Em outras palavras, ele não serve para casar, mas para equilibrar essa posição de Dora em relação à outra mulher, integrando no circuito estabelecido por ela, seu pai, e a sra. K. o elemento masculino. Tal é o sentido de amar por procuração, ou seja, amar por procuração de um homem. O sr. K. reforça o elemento masculino já presente aí pelo pai de Dora. Cito: A sra. K. é o objeto da adoração de todos os que a cercam, e é como participante dessa adoração que Dora se situa, afinal, em relação a ela. O sr. K. é a maneira como ela normativiza essa posição, tentando reintegrar no circuito o elemento masculino. (Lacan, 1995, p. 145) A interrogação de Dora, a questão que não sabe responder é: o que é ser uma mulher? O que quer uma mulher? Como diz Lacan (2002): Quando Dora se vê interrogar a si mesma sobre o que é uma mulher?, ela tenta simbolizar o órgão feminino como tal. Sua identificação com o homem, portador do pênis, é para ela, nessa ocasião, um meio de aproximar-se dessa definição que lhe escapa. O pênis lhe serve literalmente de instrumento imaginário para apreender o que ela não consegue simbolizar. (p. 203) Uma análise, segundo Lacan (1998a), deve sustentar de alguma forma essa questão, até que o objeto em causa (a sra. K.) esgote o que tem para oferecer como resposta. Com esse raciocínio podemos entender também o sentido da bofetada que Dora dá no sr. K.: Quando é que ela o esbofeteia? Não quando ele a corteja, ou quando diz que a ama. Nem mesmo quando ele se aproxima dela de uma maneira intolerável para uma histérica. É no momento em que ele lhe diz: Ich habe nichts an meiner Frau. A fórmula alemã é particularmente expressiva, tem um sentido particularmente vivo, se dermos ao termo nada toda a sua importância. O que ele lhe diz o retira, em suma, do circuito assim constituído, que na sua ordem se estabelece assim. Dora pode inclusive admitir que seu pai ame nela, e por ela, aquilo que está para além, a sra. K., mas para que o sr. K. seja tolerável em sua posição, é preciso que ocupe a função exatamente inversa e equilibradora. A saber, que Dora seja amada por ele para além de sua mulher, mas na medida em que sua mulher represente alguma coisa para ele. Essa alguma coisa que é o mesmo que esse nada que deve existir para além, isto é, Dora, no caso. Ele não diz que sua mulher nada é para ele, e sim que, pelo lado de sua mulher, não há nada. [...] O sr. K. quer dizer que não há nada depois da sua mulher: Minha mulher não está no circuito. (Lacan, 1995, p. 145 e 146) 31

9 LATIN AMERICAN JOURNAL OF FUNDAMENTAL PSYCHOPATHOLOGY ONLINE 32 Daí em diante a situação fica insustentável. Se o sr. K. só se interessa por Dora, seu pai também só se interessa pela sra. K. Dora cumpre aí então um papel de objeto de troca: uma filha por uma mulher. Lacan (1995) diz que essa estrutura elementar das relações de parentesco Dora não tolera, porque não renunciou ao amor do pai. Cito: Se o sr. K. só se interessa por ela, é porque seu pai só se interessa pela sra. K., e a partir daí ela não pode mais tolerá-lo. Por quê? Ela entra, no entanto, aos olhos de Freud, numa situação típica. Como explica o sr. Claude Lévi-Strauss em As estruturas elementares do parentesco, a troca de laços de aliança consiste exatamente no seguinte: Eu recebi uma mulher e devo uma filha. Só que isso que é o próprio princípio da instituição da troca e da lei faz da mulher um puro e simples objeto de troca, ela não é integrada por nada ali. Em outras palavras, se ela mesma não renunciou a alguma coisa, isto é, precisamente, ao falo paterno concebido como objeto do dom, ela não pode de modo algum conceber, subjetivamente falando, que receba outras, isto é, de um outro homem. (p. 146) Isso faz lembrar de Sabrina, na medida em que parece também uma mulher muito ressentida quanto ao amor que o pai não lhe deu. Tal ressentimento parece se repetir com o namorado, assim como na transferência comigo, na medida em que não dou a resposta que espera para suas perguntas. É um impasse que de certa forma experimentei também com outra paciente. Vou chamá-la de Clara. O caso de Clara Clara, uma adolescente de 15 anos chega ao consultório trazida pela mãe, que se queixa da filha ter tentado se matar tomando uma cartela inteira de anticoncepcional. Traz também como queixa o que a filha lhe conta, sobre ouvir a voz de uma mulher que lhe fala de baixo de sua cama. Os pais de Clara se separam quando ainda era criança, e ela passa a morar então com a mãe em outra cidade. Vai criança para longe do pai, e volta adolescente para reencontrá-lo. Decepcionada, passa a queixar-se para a mãe da falta de atenção deste. Clara se coloca constantemente em situações de risco: sai tarde da noite sozinha, recusando-se a dizer para onde vai, chegando a ficar dias sem voltar para casa. Quanto a isso, sua mãe diz que o pai assumiu a postura de não procurar mais saber por onde a filha anda, nem impedi-la de fazer seja lá o que for. Quando voltou adolescente, Clara passa a morar com o pai, mas num quarto contíguo à sua casa onde já moravam sua nova mulher e filhos o que acabou favorecendo toda a situação de descuido em a paciente se viu envolvida.

10 ARTIGOS DE AUTORES DO BRASIL Clara, ela mesma, não se queixa de nada. Assume geralmente comigo uma atitude desafiadora e provocativa, na forma de se portar, e mesmo de se vestir. É uma adolescente, num corpo de mulher, e trejeitos de criança. Usa decotes provocantes ao mesmo tempo em que chupa o dedo que foram durante muito tempo um tema central das brigas que tinha com o pai, antes de se afastar definitivamente da filha. O pai parece sustentar uma presença ausente, na medida em que mora ao lado da filha, ao mesmo tempo em que se ausenta de estabelecer o limite que Clara parece pedir a todo tempo que alguém lhe dê. Já faz algum tempo que a relação entre os dois parece reduzir-se a ofender a filha com os palavrões que seus decotes provocam. Entro para atendê-la, certa vez, sabendo pela mãe que Clara passou a semana muito triste. Tinha discutido com o pai e estava especialmente ressentida com sua falta de atenção. Já sei pela experiência das sessões anteriores que ela se recusa a falar. Diante disso, passo a fazer perguntas, como venho fazendo desde a primeira sessão. Nada muda. Clara não fala comigo. É indiferente quanto à queixa da mãe, e geralmente tenta inverter minhas perguntas encenando minha postura. Começo a sessão perguntando: como andam as coisas?. Tudo ótimo! (Ela responde) Sua mãe me disse que você esteve muito triste esses dias.... Ah é!? Então ela se ajeita na cadeira, e passa a me imitar. Senta da mesma forma que estou sentado, coloca a mão no queixo, e diz: E você? Vamos falar de você agora. E a sua mulher? Como ela é? Pergunto algo, desconversando, e ela me diz: Vai! Vai! Continua perguntando! O que Clara de fato queria saber ao perguntar sobre a minha mulher? Essa pergunta não parece de-clarar, como vimos a respeito da histeria, um interesse na outra mulher? Como diz Miller (1997), Freud não percebe que Dora se interessava no que é uma mulher para um homem. Cito: O que Freud não percebeu, e o caso foi um fracasso, é que Dora dirigiu sua pergunta ao falo, através do homem. Nem sempre o mestre é o homem. Dora dirigiu sua pergunta: O que o homem pode apreciar numa mulher?, O que, aos olhos de um homem, confere valor a uma mulher?, Como é possível que uma mulher, que, no fundo, não tem, possa ser, através do próprio vazio, desejada pelo homem?. Isso se vincula à pergunta sobre o falo. (p. 266) Não seria essa a pergunta que Sabrina tanto fazia? O que meu namorado deseja nessa outra mulher? E, perguntando isso a mim, perguntava também o que 33

11 LATIN AMERICAN JOURNAL OF FUNDAMENTAL PSYCHOPATHOLOGY ONLINE eu desejava numa mulher. Fica aqui a questão: como o analista responde a isso? O que fazer com a insistência dessa pergunta? Sobre a neutralidade analítica 34 Para não responder a demanda, muitas vezes o analista assume, como uma regra geral, a postura de não responder as perguntas que o paciente lhe faz. Será essa regra prática sempre eficaz? A noção de demanda em Lacan (2005) está ligada à ideia de que a criança, quando pede algo à mãe, põe em jogo algo que vai além do que é demandado como resposta. Essa demanda, diz Lacan, visa estruturar o desejo: O que a criança pede à mãe destina-se a estruturar para ela a relação presença-ausência demonstrada pela brincadeira original do Fort-Da, que é um primeiro exercício de dominação. Há sempre um certo vazio a preservar, que nada tem a ver com o conteúdo, nem positivo nem negativo, da demanda. (p. 76) Para o tratamento analítico, essa noção tem a seguinte implicação: Mas, se a lei analítica é que não se satisfará nenhuma demanda do sujeito, não é por outra razão senão que especulamos com o fato de que a demanda tenderá a funcionar em outro lugar que não o plano das demandas precisas, formuladas, passíveis de ser ou não satisfeitas. Todo o mundo concorda o que funciona não é frustramos o sujeito no que ele possa ocasionalmente nos pedir, seja simplesmente que lhe respondamos, seja, em casos extremos, que ele nos beije a mão. O que funciona é uma frustração mais profunda, que se vincula à própria essência da fala, no que ela faz surgir o horizonte da demanda, que chamei simplesmente, para fixar as ideias, de demanda de amor, e que também pode ser demanda de outra coisa. (Lacan, 1999, p. 453) Vê-se aqui como o conselho técnico de não responder a demanda não se reduz a não responder a pergunta do paciente. O que de fato está em causa quando se trata de conduzir uma análise? Como atingir essa função mais profunda de frustração? Ao contrário, não poderíamos supor que uma análise poderia vir a se interromper, pela insistência do analista em não responder às perguntas do paciente? No texto Intervenção sobre a transferência, dedicado ao caso Dora, Lacan (1998a) pensa que a transferência que levou à interrupção do tratamento, ou seja, que fez Dora vingar-se do sr. K. na pessoa de Freud, só se manteve até esse ponto, na medida em que respondia ao seu preconceito aquele que o fez acreditar que o melhor para Dora era casar-se com o sr. K. É por insistir aí, nessa contratransferência, que a transferência de Dora se transforma num obstáculo

12 ARTIGOS DE AUTORES DO BRASIL para a análise, impedindo que daí se desdobre um novo material. O fato de ele se haver posto em jogo, em pessoa, como substituto do sr. K., diz Lacan, teria poupado Freud de insistir em demasia no valor das propostas de casamento deste (p. 225). Na seguinte passagem, Miller (apud Forbes, 1999) esclarece algo sobre o impasse de que se trata: [...] também se adota essa posição padronizada, o que torna muito difícil a análise da histérica, na medida em que o sujeito histérico pede ao Outro que pague sua cota, que pague de si mesmo portanto, que ele manifeste o seu desejo. E, ao recusá-lo, a experiência não ocorre, e lançam-se as histéricas na categoria dos borderline ou até mesmo dos psicóticos incapazes de assumir a experiência psicanalítica. É necessário, se quiser manter a histérica no tratamento, que o analista abandone uma impassibilidade de comando e que mostre que também coloca de seu, mesmo que seja apenas para manter o sujeito que facilmente vai alegar vontade de partir, no fundo para pôr à prova o desejo do Outro. (p. 48) Os casos clínicos narrados acima colocam em questão uma postura muitas vezes assumida na condução de uma análise, para dar conta do problema da neutralidade. Será que de fato podemos atribuir neutralidade a uma postura fixa de isenção frente às perguntas do paciente? A neutralidade analítica, para Lacan (1998a), adquire seu sentido autêntico na posição do dialético puro (p. 225). Essa forma de ver a intervenção que cabe ao analista na transferência leva a pensar que, responder ou não às perguntas do paciente, não tem tanta importância para a condução de uma análise, quanto à insistir em demasia numa determinada posição. Como diz Bernardes (2005): O analista só opera desde o lugar que ocupa na transferência, mas esse lugar deve permanecer vago, ou seja, a pessoa do analista não pode ocupá-lo. (...) manobra que permite ao analista, ao não se confundir com o seu lugar na transferência, dar um novo lugar de enunciação para o paciente. (p. 116) No caso de Sabrina, a paciente parece empenhada em confirmar através dos outros que, o que quer, não lhe é dado. Como diz André (1998) essa demanda, mais que de um objeto que a satisfaria, é demanda de um desejo. Nesse caso o desejo insatisfeito do namorado, que sustenta ao infernizá-lo corre assim o risco calculado de que ele a deixe por outra, introduzindo um terceiro na relação. Considerando que na transferência isso também deve se armar sobre a minha pessoa, não parece à toa que Sabrina tenha dado mostras de acreditar que eu não a amava. Como citado acima, isso aparece pelo menos em dois momentos: quando diz que não a namoraria, e que não teria mais disponibilidade para atendê-la. Faz sentido pensar agora, que Sabrina tenha deixado de lado a análise para colocar à prova meu desejo, que tenha abandonado o tratamento, num ápice pro- 35

13 LATIN AMERICAN JOURNAL OF FUNDAMENTAL PSYCHOPATHOLOGY ONLINE vocativo, atingido à custa da minha insistência em lhe recusar o que demandava. Como saber? Por outro lado, é justamente a falta dessa resposta que produz o questionamento da minha posição na transferência. Não poderia, de fato, ter dado uma resposta satisfatória como diz Lacan (1992), o amor é dar o que não se tem (p. 126). Mas entre estas duas alternativas, dar ou não dar, surge uma terceira que podemos formular agora: mudar de posição. Talvez assim Sabrina pudesse ter feito mais com a falta de que tanto se queixava. Referências 36 ANDRÉ, S. O que quer uma mulher? Rio de Janeiro: Jorge Zahar, ALLOUCH, J. Alô, Lacan? É claro que não. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, BERLINCK, M. T. O método clínico 2. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, São Paulo, v. 10, n. 4, p. ix-xii, dez Psicopatologia Fundamental. São Paulo: Escuta, BERNARDES, A. C. (2005). A resposta do analista: o caso Frida de Margaret Little. In: Hanna, M. S. G. F.; Souza, N. S. (Orgs.). O objeto da angústia. Rio de Janeiro: 7 Letras, p FORBES, J. Da palavra ao gesto do analista. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, FREUD, S. (1937). Construções em análise. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, v (1905[1901]). Fragmento da análise de um caso de histeria. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, v. 7. LACAN, J. O seminário. Livro 10. A angústia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, O seminário. Livro 3. As psicoses. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, O seminário. Livro 5. As formações do inconsciente. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, Intervenção sobre a transferência. In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998a. p Função e campo da fala e da linguagem em psicanálise. In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998b. p O seminário. Livro 4. A relação de objeto. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1995.

14 ARTIGOS DE AUTORES DO BRASIL. O seminário. Livro 8. A transferência. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, LAPLANCHE, J. Vocabulário da psicanálise / Laplanche e Pontalis. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, MILLER, J.-A. Lacan elucidado: palestras no Brasil. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, QUINET, A. As condições da análise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, Resumos According to the method employed at the Fundamental Psychopathology Laboratory, this article studies the narrative of two clinical cases in private practice: a young woman whose psychological suffering stems from the lack of love evidences presented by her boyfriend; and a teenager who, refusing to speak, starts to imitate the analyst, questioning his attitude. In both cases the focus is directed to the patients insistence on making direct questions to the analyst. On the other hand, they deal with a specific attitude presented by the analyst, who exempts from answering the questions in order to account for the problem of analytical neutrality. The cases analyzed here motivate a questioning of such attitude, based on Lacan s argument about the Dora case - specifically in the text called Intervention on transference, in which he considers the interruption of the analysis as a result of Freud s prejudice, which led him to insist too much on a specific position. The objective is to show that the analyst s insistence on a specific position, even if it is exempting from answering the patient s questions, may lead to a premature interruption of an analytical process. This hypothesis can be particularly useful for the clinic of hysteria. Key words: Neutrality, analyst, position, hysteria 37 Selon la methòde utilisée dans le Laboratoire de Psychopatologie Fundamental, cette article est basé sur la narration de deux cas cliniques, observés en clinique privée: une jeune femme dont la souffrance psychologique se produit autour de l echec, de la part de son petit ami, de lui donner des preuves d amour; et d une adolescente qui, refusant de parler, commence a imiter l analyste en mettant en question sa posture. Dans les deux cas, l accent se tourne vers l insistance des patients de poser des questions directes à l analyste. D autre part, on indique une position prise par l analyste de se soustraire à répondre aux questions, pour faire face au problème de la neutralité analytique. Ces cas motivent la remise en cause d un tel comportement, cherchant subventions dans le commentaire que Lacan a fait sur le cas Dora plus spécifiquement dans le texte «Intervention sur le transfert» où il reflechie que l interruption de cette analyse a eté motivée par un prejugé de Freud, qui insistait trop sur ses épaules à une position donnée. On cherche de montrer que l insistance de l analyste sur une certaine

15 LATIN AMERICAN JOURNAL OF FUNDAMENTAL PSYCHOPATHOLOGY ONLINE position, même si elle est de se soustraire à répondre aux questions du patient, peut entraîner la résiliation prématurée d une analyse. Cette hypothèse est particulièrement pertinent à la clinique de l hystérie. Mots clés: Neutralité, analyste, position, question, hysterie 38 Conforme el método utilizado por el Laboratorio de Psicopatología Fundamental, este trabajo parte de la narrativa de dos casos clínicos, atendidos en el consultorio privado: una joven mujer cuyo sufrimiento psíquico se refiere a la insuficiencia de las pruebas de amor que le da su novio, y una adolescente que se recusa a hablar y pasa a imitar el analista, cuestionando su postura. En ambos los casos el foco del análisis se da hacia la insistencia de los pacientes en hacer preguntas directas al analista. Por otro lado, se apunta hacia una posición asumida por el analista de eximirse de contestar a las preguntas para responder al problema de la neutralidad analítica. Los casos motivan la problematización de esa conducta, buscando subsidios en el comentario que hace Lacan sobre el caso Dora mas precisamente en el texto Intervención sobre la transferencia, en el cual piensa la interrupción de aquel psicoanálisis como motivada por una prejuicio de Freud, que lo hizo insistir demasiado en una determinada posición. Aquí se busca mostrar que la insistencia del analista en quedarse en una determinada posición, aunque sea de eximirse de contestar a las preguntas del paciente, puede levar a la interrupción prematura de un psicoanálisis. Esa hipótesis se muestra especialmente pertinente para la clínica de la histeria. Palabras claves: Neutralidad, analista, posición, histeria Citação/Citation: Alencar, D. A. Considerações sobre a neutralidade analítica e a pergunta dirigida ao analista. Latin American Journal of Fundamental Psychopathology Online, São Paulo, v. 7, n. 2, p , novembro de Editores do artigo/editors: Prof. Dr. Henrique Figueiredo Carneiro, Profa. Dra. Junia de Vilhena e Profa. Dra. Ana Cecilia Magtaz. Recebido/Received: / Aceito/Accepted: / Copyright: 2010 Associação Universitária de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental/University Association for Research in Fundamental Psychopathology. Este é um artigo de livre acesso, que permite uso irrestrito, distribuição re reprodução em qualquer meio, desde que o autor e a fonte sejam citados/this is na open-acess article, which permits unrestricted use, distribution, and reproduction in any madium, provided the original author and source are credited

16 ARTIGOS DE AUTORES DO BRASIL Financiamento: O autor declara não ter sido financiado ou apoiado/the author has no support of funding to report. Conflito de interesses: O autor declara que não há conflito de interesse/the author declares that has no conflict of interest. 39 DANIEL ASSUNÇÃO ALENCAR Psicólogo; psicanalista; mestre em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (São Paulo, SP, Brasil). Praça Roosevelt, 178/ São Paulo, SP, Brasil

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