Organização Sete de Setembro de Cultura e Ensino - LTDA. DIREITO A MORTE DIGNA: LIMITE ENTRE AUTONOMIA E A INTANGIBILIDADE DA VIDA

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1 Organização Sete de Setembro de Cultura e Ensino - LTDA. Faculdade Sete de Setembro FASETE Bacharelado em Direito BÁRBARA JEANE GALINDO ABREU DIREITO A MORTE DIGNA: LIMITE ENTRE AUTONOMIA E A INTANGIBILIDADE DA VIDA Paulo Afonso / BA 2012

2 BÁRBARA JEANE GALINDO ABREU DIREITO A MORTE DIGNA: LIMITE ENTRE AUTONOMIA E A INTANGIBILIDADE DA VIDA. Monografia apresentada ao corpo docente do curso de Bacharelado em Direito da Faculdade Sete de Setembro FASETE, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Direito. Orientador: Prof. Msc. Marcelo Pinto da Silva Paulo Afonso / BA 2012

3 FOLHA DE APROVAÇÃO DIREITO A MORTE DIGNA: LIMITE ENTRE AUTONOMIA E A INTANGIBILIDADE DA VIDA Monografia apresentada ao corpo docente do curso de Bacharelado em Direito da Faculdade Sete de Setembro FASETE, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Direito. BANCA EXAMINADORA Prof. Msc. Marcelo Pinto da Silva (FASETE) Orientador Prof. Esp. Risete Reis Prof. Fabiene Ribeiro Silva Santana Arrais PAULO AFONSO / BA 2012

4 Aos meus pais, irmãos e Isadora.

5 AGRADECIMENTOS Senhor vieste antes de tudo, então antes de tudo a ti agradecerei, obrigada pelo dom da vida, obrigada por eu ser a pessoa que hoje sou, obrigada por todos os obstáculos alcançados até naqueles momentos em que achei que não suportaria o fardo Tú estavas ali, me amparando e me ajudando a levantar mais uma vez, e mais uma, e mais uma, e ao teu lado dando suporte minha linda e amada Vó a qual sei que sempre intercede e olha por mim (Meu Anjo). Espero não ser injusta com ninguém esquecendo pessoas que são realmente importantes às quais estiveram ao meu lado nos dias de festa e nos tropeços. Então agradeço aos meus AMORES: Cláudia minha mãe e Renner meu pai. A meus irmãos Elizabeth, Victor e Renner, em especial a minha princesa Isadora sobrinha de sangue e filha de coração e ao mais novíssimo membro da família o Bebê de tia Bai (vocês são meu tudo, meu alicerce, minha fortaleza, meu porto seguro) a vocês dedico todas as minhas vitórias e conquistas. A minha cunha por trazer mais um pequeno e amado membro para a família, a minha comadre Lorena pela amizade, ao meu afilhado João pelo amor recíproco, em nome de minhas tias, Jane, Rejane, Eta e minhas primas Elane, Amanda e Carlinha agradeço a toda minha família e amigos os qual seria impossível citar o nome de todos sem esquecer ninguém. Ao meu Mestre Marcelo Pinto é com você que divido esta obra a qual tenho orgulho de apresentá-la. A turma do pavilhão 10 todo meu carinho e admiração, vocês fizeram, fazem e sempre farão parte de minha história e de minha vida, em especial ao meu braço direito Victor que nos momentos de correria e sufoco sempre estava disposto a ajudar a Jerly, Tarcisio, Renata, Carlinhos, Indira, Janjinha, Osmar, sem esquecer meu Capitão Miguel e Maurição amigos desde o princípio, as amigas de comissão de formatura Samara e Cyntia pela confiança, respeito e honestidade. E a galera do BAHIA aquele abraço! A todos meu muito obrigada e que Deus lhes pague e a mim não desampare.

6 Ajuntei todas as pedras que vieram sobre mim. Levantei uma escada muito alta e no alto subi. Cora Coralina

7 A vida é um direito e não uma obrigação Ramon San Pedro

8 ABREU, Bárbara Jeane Galindo. Direito a morte digna: Limite entre autonomia e a intangibilidade da vida. 2012, Xf. Monografia (Bacharelado em Direito). Faculdade Sete de Setembro FASETE. Paulo Afonso/BA. RESUMO Esta pesquisa explanou sobre temáticas envolvendo a morte digna, já que a evolução médico-científica tem contribuído para o prolongamento da vida de pacientes acometidos de doenças incuráveis ou autoimunes. Nessa perspectiva aborda-se o tema central da eutanásia embasada na autonomia da vontade do paciente e na dignidade da pessoa humana. Diante desta premissa, o referido trabalho propôs o questionamento sobre até que ponto o Estado pode interferir na autonomia de cada pessoa sobre o direito a sua vida. No intuito de responder a essa problemática os objetivos que nortearam esta pesquisa foram analisar a questão do direito a vida e a interferência do Estado no exercício desse direito, bem como, procurar contribuir para um maior esclarecimento abordando sobre os meios éticos necessários para alcançar a morte digna. Fez-se conhecer através de doutrinas questões referentes à autodeterminação do paciente terminal; investigou a importância do morrer com dignidade; analisou a interferência do Estado nesses casos e por fim, contribuiu com um debate para a sensibilização dos profissionais da área e outros interessados no assunto sobre a importância do conhecimento e discussão do tema. Teve como metodologia a pesquisa de revisão bibliográfica através de embasamento teórico respaldado através de literatura específica, tais como, livros, artigos científicos, revistas, códigos, jurisprudências, documentos, sites com respaldo científico, site de empresa estrangeira, entre outros. Com este trabalho concluiu-se que o Direito tem que se adaptar aos novos parâmetros da tecnologia médica, visto que com as constantes transformações surgiram os meios de prolongamento artificial da vida, e as leis vigentes no país não acompanham a velocidade com que a evolução das pesquisas médicas acontece e por esse motivo em situações que envolvam a delicada temática da eutanásia a falta de uma legislação que reze sobre o tema a autonomia e a dignidade da pessoa humana não estão sendo respeitadas. PALAVRAS-CHAVE: Vida. Morte. Autonomia. Dignidade. Terminalidade. Eutanásia.

9 ABREU, Bárbara Jeane Galindo. Direito a morte digna: Limite entre autonomia e a intangibilidade da vida. 2012, Xf. Monografia (Bacharelado em Direito). Faculdade Sete de Setembro FASETE. Paulo Afonso/BA. ABSTRACT This research expounded on themes involving death worthy, as the medical and scientific developments have contributed to the prolongation of life of patients suffering from incurable diseases or autoimmune diseases. From this perspective addresses the central theme of euthanasia based on the autonomy of the patient's will and human dignity. Given this premise, this paper seeks to question how far the state can interfere in the autonomy of each person's right to life. In order to answer this problem the objectives that guided this study were to analyze the issue of right to life and state interference in the exercise of that right as well, seek to contribute to further clarification on addressing ethical means necessary to achieve a dignified death. He became known through doctrines issues of self-determination of terminally ill patients, investigated the importance of dying with dignity, examined the state interference in these cases and ultimately contributed to a debate to raise awareness amongst professionals and others interested in the subject about the importance of knowledge and discussion of the topic. Research methodology was a literature review through theoretical foundation backed by specific literature, such as books, papers, magazines, codes, rulings, documents, websites, scientific support, site of a foreign company, among others. With this work it was concluded that the law has to adapt to new standards of medical technology, as with the constant transformations emerged the means of artificial prolongation of life, and the laws of the country do not follow the speed with which the evolution of medical research and for that reason happens in situations involving the delicate issue of euthanasia, the lack of legislation to pray on the subject autonomy and human dignity are not respected. Keywords: Life. Death. Autonomy. Dignity. Terminality. Euthanasia.

10 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS STF - Supremo Tribunal Federal ADPF - Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental CFB Constituição Federal do Brasil CPB Código Penal do Brasil CFM Conselho Federal de Medicina CRM/PB Conselho Regional de Medicina da Paraíba

11 SUMÁRIO INTRODUÇÃO CAPÍTULO I 1 DIREITO A VIDA Conceito Dos limites ao direito á vida Direito a vida digna CAPÍTULO II 2 MORTE Visão histórica da morte Morte e religião Conceito de morte A terminalidade da vida CAPÍTULO III 3 AUTONOMIA Delimitaçâo cnceitual de autonomia Autodeterminação do paciente terminal O paciente consciente O paciente inconsciente CAPÍTULO IV 4 DIREITO A MORTE DIGNA: LIMITE ENTRE A AUTONOMIA E A INTANGIBILIDADE DO DIREITO À VIDA Morte digna e suas práticas Eutanásia e legislação comparada O poder do estado e sua interferência na dignidade e autonomia da vida humana CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS ANEXO

12 INTRODUÇÃO

13 12 INTRODUÇÃO Tem-se uma única certeza, a convicção da finitude da vida. Espera-se que no decorrer desta, obstáculos sejam transpostos, ter acesso a um bom emprego, a bom estudo, ter um vida estável, ir a busca do encontro com a felicidade, enfim, viver com dignidade. Para muitos o viver com dignidade se apresenta cada dia mais tênue, já que muitas pessoas ainda vivem à margem da sociedade, devido à desigualdade social. Essa vida digna que tanto se almeja também é estendida para o momento da morte. Então, já que a vida é finita, como podemos então compreender a morte? Como seria esse morrer de forma digna? Para a literatura a morte digna é aquela que se caracteriza como uma boa morte, ou seja, o indivíduo faz essa passagem sem muito sofrimento. Com o avanço da medicina, morrer dignamente está se tornando cada vez mais difícil, já que o tempo de vida pode ser prolongado sendo que esses pacientes na maioria das vezes não tem perspectiva de evolução do quadro clínico. É óbvio que o desenvolvimento tecnológico associado às pesquisas científicas médicas tem contribuído de forma considerável para o bem viver, haja vista que a cura de muitas doenças ocorreu, uma gama de vacinas está à disposição para evitar doenças, ou seja, toda essa evolução permitiu muitas melhorias na qualidade de vida das pessoas. Por outro lado, possibilitou o prolongamento da vida, sendo que este em muitos casos vem acompanhado de muito sofrimento tanto para o paciente como para os familiares e amigos. O direito à vida pela Constituição Brasileira é inviolável, e essa garantia vai de encontro em muitos casos ao direito a morte digna. Esse direito inviolável assegura que os indivíduos não sejam submetidos à tortura nem a tratamento desumano (Art. 5º - inciso III, CF/88). Sendo assim, um indivíduo vivendo em coma vegetativo por diversos anos seria um tratamento degradante, não somente para o doente, mas extensivo aos familiares e a sociedade de uma forma geral, visto que com a escassez de recursos públicos, leitos em hospitais, falta de vagas, de materiais cirúrgicos, remédios e médicos capacitados, manter uma pessoa já diagnosticada como terminal seria degradante e desumano. Enquanto muitas pessoas que teriam chance de sobreviver morrem por não ter acesso aos tratamentos adequados.

14 Introdução 13 Em todo o mundo há o debate sobre a morte digna para pacientes acometidos de enfermidades incuráveis, morte esta sendo caracterizada pelo processo de eutanásia. Este procedimento é entendido como uma forma de amenizar ou aliviar o sofrimento de alguém que se encontra em um estado crítico sem perspectiva de cura, permitindo ao doente o direito a uma morte digna. Porém, a discussão sobre a eutanásia é acirrada e não há um consenso sobre o tema, já que ele envolve vários debates e problemáticas. Vale salientar que um aspecto deve ser considerado, e o mesmo se apresenta com bastante clareza no que se refere a uma ética que respeite a verdade da condição humana e consequentemente, tudo o que envolve o que é bom e correto nos momentos da vida e da morte. Frisando que é essencial a resolução dos conflitos que permeiam o tema, entre estes: os problemas sociais, psicológicos, problemas sentimentais daqueles que estão requerendo o direito sobre sua vida ou a vida de entes queridos perante o judiciário nos casos que estão relacionados a uma boa morte e eutanásia. Assim, esse estudo se justifica pela necessidade de conhecer acerca dos fatores que envolvem o processo de morte digna, suas causas e consequências considerando o direito de autodeterminação do paciente em estado terminal, levando em consideração os pontos positivos e negativos da eutanásia. Diante dessa premissa, surgiu o seguinte questionamento: até que ponto o Estado pode interferir na autonomia de cada pessoa sobre o direito a sua vida? Partindo-se desse questionamento, o trabalho teve os seguintes objetivos: analisar a questão do direito a vida e a interferência do Estado no exercício desse direito, além de procurar contribuir para um maior esclarecimento abordando sobre os meios éticos necessários para alcançar a morte digna. Se fez conhecer através de doutrinas questões referentes à autodeterminação do paciente terminal; investigou a importância do morrer com dignidade; analisou a interferência do Estado nesses casos e por fim, contribuiu com este debate para a sensibilização dos profissionais da área e outros interessados no assunto sobre a importância do conhecimento e discussão do tema. A metodologia utilizada para este estudo foi de revisão bibliográfica, cujo embasamento teórico foi respaldado através de literatura específica, tais como, livros, artigos científicos, revistas, códigos, jurisprudências, documentos, sites com respaldo científico, site de empresa estrangeira, entre outros.

15 Introdução 14 Este trabalho foi estruturado da seguinte maneira: o capítulo I trata sobre a vida, seu conceito, dos limites ao direito à vida e o direito a vida digna. O capítulo II aborda sobre a morte e a sua visão histórica, em especial a sua relação com a religião e sobre a terminalidade da vida. No capítulo III abordar-se-á a delimitação conceitual da autonomia e a autodeterminação do paciente terminal. O quarto e último capítulo tratam sobre o direito à morte digna e suas práticas, bem como, sobre a eutanásia e a legislação comparada e, em seguida as considerações finais.

16 CAPÍTULO I

17 16 1 DIREITO A VIDA 1.1 Conceito Ao se tratar da morte, deve-se antes discorrer sobre o que é a vida. Deste modo, conceituá-la é algo bastante complexo e por vezes pessoal, já que cada indivíduo tem o seu entendimento sobre o tema. Haja vista que o que pode ser vida para uma pessoa, pode não ter o mesmo significado para a outra. De acordo com o Minidicionário da Língua Portuguesa (2001), Vida é o conjunto de propriedades e qualidades responsáveis pelo funcionamento orgânico de animais e plantas; pode está relacionado à existência, ao espaço de tempo entre a vida e a morte, a maneira de viver, bem como, vitalidade, força e vivacidade. No decorrer do processo histórico muitas foram às definições para o conceito de vida, os primeiros filósofos a apresentar um conceito formal de vida foi Aristóteles, em seu tratado denominado Da Alma (CÔRREA et al ). Côrrea et al. (2008) seguindo os ensinamentos de Ross infere que o filósofo Aristóteles, afirmava que todos os seres vivos possuem dois princípios: a matéria e a forma, entretanto, a matéria necessita da forma, no entanto, continua existindo na ausência dela. Os autores ainda complementam que são inseparáveis, a forma para sua existência, não requer qualquer tipo de matéria, somente a matéria de uma determinada espécie. Enquanto matéria é, em geral, o potencial, forma é o corpo em ação. Aristóteles exprime que o ser é a perfeição de um corpo orgânico potencialmente dotado com vida (ALLAN, 1983, p. 66 apud CÔRREA et al. 2008). Em resumo, na obra Da Alma, Aristóteles diz que a vida é aquilo pelo qual um ser se nutre, cresce e perece por si mesmo (CÔRREA et al. 2008). Os autores ressalvam que baseado nos princípios da tradição cristã a vida é aquilo que nos salva da morte e da aniquilação. Essa definição de vida vai persistir por toda a Idade Média e, juntamente com o pensamento de Aristóteles, passou a influenciar diversos estudiosos da época, como é o caso de São Tomás de Aquino, que através de sua dialética promove uma cristianização da filosofia aristotélica. Mais do que recuperar o pensamento de Aristóteles, São Tomás de Aquino fez as devidas adaptações à visão cristã.

18 Capítulo I Direito a vida 17 Em sua obra Suma Teológica as questões de fé são abordadas pela luz da razão e a filosofia é o instrumento que auxilia o trabalho da teologia (Aranha & Martins, 1986, p. 134). Dessa forma, surge a filosofia aristotélico-tomista que afirma que a vida só é possível devido a uma força externa. Fazendo parte de uma tradição religiosa que considera a alma imortal, São Tomás de Aquino assegura sobre a independência da alma em relação ao corpo, o que está totalmente contrário à visão aristotélica (CÔRREA et al. 2008). De acordo com José Afonso da Silva (2006) não intentaremos definir o que seja a vida porque se corre um grave risco de ingressar no campo da metafisica supra - real, que não nos levará a lugar algum. Haja vista que neste contexto a vida não será entendida apenas no seu sentido biológico e sim como um direito fundamental. Desse modo, o autor complementa que esta: Não será considerada apenas no seu sentido biológico de incessante auto atividade funcional, peculiar à matéria orgânica, mais na sua acepção biográfica mais compreensiva. Sua riqueza significativa é de difícil apreensão porque é algo dinâmico, que se transforma incessantemente sem perder sua própria identidade. É mais um processo (processo vital), que se instaura com a concepção (ou germinação vegetal), transforma-se, progride, mantendo sua identidade, até que muda de qualidade, deixando, então, de ser vida para ser morte. Tudo que interfere em prejuízo deste fluir espontâneo e incessante contraria a vida (SILVA, 2006, p. 197). Mesmo não havendo no campo do direito uma definição precisa do que seria a vida humana, ela se integra de elementos materiais (físicos e psíquicos) e imateriais (espirituais). Como afirma José Afonso da Silva (2006, p. 198): A vida é intimidade conosco mesmo, saber-se e dar-se conta de si mesmo, um assistir a si mesmo e um tomar posição de si mesmo. (...) Por isso, é que ela constitui a fonte primária de todos os outros bens jurídicos. De nada adiantaria a Constituição assegurar outros direitos fundamentais, como a igualdade, a intimidade, a liberdade, o bem-estar, se não erigisse a vida humana num desses direitos. No conteúdo do seu conceito se envolvem o direito à dignidade da pessoa humana (...), o direito a privacidade, o direito a integridade físico-corporal, o direito a integridade moral e, especialmente, o direito a existência.

19 Capítulo I Direito a vida 18 O conceito de vida nos dias atuais no âmbito do direito é entendido como bem primordial do ser humano, sem ela, não há possibilidade da existência de outros direitos. Trazendo essa abordagem ao nascituro é induvidoso o reconhecimento dos seus direitos necessários para que venha nascer vivo (direitos da personalidade). Os direitos ligados a sua condição essencial para adquirir personalidade, são: O direito a alimentos, ao reconhecimento da filiação, a assistência pré-natal, a indenização por danos causados pela violação de direitos da personalidade (como o uso de sua imagem por uma clínica que explorou a imagem da ultrassonografia), direito a um curador para defesa de seus interesses (FARIAS, 2003, p. 152). Levando essa premissa em consideração, todo ser humano tem direito a vida e, consequentemente, a tudo aquilo concernente a ela, visto que, somos sujeitos de direitos e deveres, onde nos será assegurado o direito de sermos atores da nossa própria historia. No entanto, no que se refere à dignidade da pessoa humana em relação à mãe de fetos anencéfalos, onde a mesma teria que optar entre a sua dignidade, integridade física, moral ou sentimental e a prática de um crime em caso de um aborto provocado o Supremo Tribunal Federal - STF em seu julgado mais recente da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental - ADPF/54, através do seu Relator Ministro Marco Aurélio em seu voto sustentou que: Não se discute a descriminalização do aborto, já que existe uma clara distinção entre este e a antecipação de parto no caso de anencefalia. Aborto é crime contra a vida. Tutela-se a vida potencial. No caso do anencéfalo, não existe vida possível. A anencefalia, que pressupõe a ausência parcial ou total do cérebro, é doença congênita letal, para a qual não há cura e tampouco possibilidade de desenvolvimento da massa encefálica em momento posterior. O anencéfalo jamais se tornará uma pessoa. Em síntese, não se cuida de vida em potencial, mas de morte segura. (STF, 2012,p. 1) Salientando que levar essa gravidez a diante é colocar em risco a vida da mãe em todos os aspectos, sejam eles físicos, psicológicos e sentimentais, visto que as chances da criança sobreviver são nulas. Diante desta premissa:

20 Capítulo I Direito a vida 19 Não há que se falar em direito à vida ou garantias do indivíduo quando se trata de um ser natimorto, com possibilidade quase nula de sobreviver por mais de 24 horas, principalmente quando do outro lado estão em jogo os direitos da mulher. Dados apresentados na audiência pública demonstram que a manutenção da gravidez nesses casos impõe graves riscos para a saúde da mãe, assim como consequências psicológicas severas e irreparáveis para toda a família (STF, 2012, p.1). Vale ressaltar que a Constituição Brasileira assegura ao homem os direitos fundamentais, dentre eles o direito a vida, como está previsto no caput do artigo 5º que estabelece: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade (CONSTITUIÇÃO FEDERAL DO BRASIL, 1988). Porém, ao mesmo tempo em que a ADPF/54 fere o direito a vida do feto em benefício da dignidade da pessoa humana (em relação à mãe), garante-se a essa mulher continuar viva (no sentido de integridade psíquica) em prejuízo da vida daquele que através de estudos científicos ficam comprovados que ele não possui possibilidades de permanecer vivo. 1.2 Dos limites do Direito a Vida O direito a vida é o princípio que está acima de todas as coisas, porém, em algumas situações há casos de exceções. Havendo a colisão entre dois direitos, incidirá o princípio do primado mais relevante, salienta Diniz (2011) seguindo o entendimento de Pontes de Miranda. A autora traz o seguinte exemplo, se se precisar mutilar alguém para salvar a sua vida, ofendendo sua integridade física, mesmo que não haja seu consenso, não haverá ilícito (DINIZ, 2011, p. 49). Como dito outrora, o art. 5º da Constituição Federal Brasileira enumera os direitos fundamentais, mas, logo em seu prefácio em disposição privilegiada em relação aos direitos singularmente previstos, garante a todos direitos básicos. O primeiro é a inviolabilidade do direito a vida, que prevalece assim sobre os demais. Isso não impede que a demarcação de fronteiras seja muitas vezes difícil de fixar (ASCENSÃO, 2009). Assim, o autor relata que:

21 Capítulo I Direito a vida 20 Nunca a vida é posta na disponibilidade individual; não é bem disponível neste sentido. Mas, há guerra... Há a legitima defesa... Há situações de estado de necessidades radicais em que a salvação de um implica o sacrifício dos outros... (ASCENSÃO, 2009, 424). Nesse diapasão, o autor supracitado afirma que há uma colisão de direitos fundamentais, ou seja, entre as características existentes, no que se refere à limitabilidade, observa-se que os direitos não são absolutos podendo haver o choque, ou seja, o exercício de um direito implica na inversão do âmbito de proteção do outro. Sobre esse tema Ingo Sarlet assegura que: Afiguram-se possíveis limitações decorrentes da colisão de um direito fundamental com outros direitos fundamentais ou bens jurídicos constitucionais, ou que legitima o estabelecimento de restrições, ainda que não expressamente autorizadas pela Constituição. Em outras palavras, direitos fundamentais formalmente ilimitados (isto é, desprovidos de reserva) podem ser restringidos, caso isso se revelar imprescindível para a garantia de outros direitos constitucionais, de tal sorte que há mesmo quem tenha chegado a sustentar a tendência de uma verdadeira reserva geral iminente de ponderação (SARLET, 2011, p. 393). A colisão desses direitos em alguns casos vai de encontro com a Carta Magna em algumas situações, já que não se admite a exposição gratuita da vida, mas, há um ponto que está além de toda a restrição: o sacrifício da própria vida por outrem. Representa a forma mais sublime de auto - realização ética (ASCENSÃO, 2009, p. 424). Para retratar esse posicionamento, o Livro Sagrado traz em suas escrituras o exemplo de Jesus Cristo que deu a sua vida pela humanidade. Como bem infere o Apóstolo Paulo: Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores (ROMANOS, 5:8). Como visto, a vida é um direito consagrado no art. 5º da Constituição Federal, no entanto, não é absoluto, pois, o mesmo art. 5º no inciso XLVII, alínea a, diz que não haverá pena de morte, salvo no caso de guerra declarada nos termos do art. 84, inciso XIX da Carta Magna. Assim, mais uma vez vislumbra-se um choque entre direitos previstos na Constituição Federal, sendo que esta expressamente mitiga o direito à vida em prol da soberania nacional. Desta forma, o direito a vida de um único indivíduo não prevalecerá necessariamente frente aos direitos da coletividade.

22 Capítulo I Direito a vida 21 A dignidade da pessoa humana está prevista na República Federativa do Brasil previsto no art. 1º, inciso III da CF/88. A dignidade da pessoa humana representa uma condição reconhecida e protegida pela Lei Maior, que todo ser humano possui, independentemente de raça, cor, religião, posição econômica e sexo. Exemplifica-se, com uma mulher gestante em consequência de um estupro, a qual teria essa dignidade atingida frontalmente, neste caso o art. 128 do Código Penal reza que: não se pune aborto praticado por médico: I se não há outro meio de salvar a vida da gestante; II se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal, no primeiro caso protege-se tão somente a vida no plano existência e no segundo a vida no plano da integridade, neste com fins de proteger a vida da mãe, bem como a sua dignidade. 1.3 Direito a Vida Digna A vida é um dos valores inerentes à pessoa humana, ou seja, está por natureza ligada inseparavelmente a ela. Há uma interação de fatores que a produzem, assim, sem a vida não existe a pessoa humana como tal. A partir do momento em que passou a se compreender a vida como valor, passou-se a respeitá-la, obviamente com as características a ela atribuídas por cada sociedade, de acordo com as especificidades culturais de cada povo (ESPIRÍTO SANTO, 2006). Entretanto, o autor complementa que foi somente com o passar do tempo que o direito à vida passou a ser reconhecido e protegido como valor jurídico. Onde a sua proteção era feita de forma reflexa, no sentido de que, quem a desrespeitasse, atentando contra ela, era punido. O autor ainda ressalta que, embora o Brasil, através de sua legislação penal, tenha atribuído pena ao homicida desde 1830, a garantia do direito à vida como expressão constitucional, somente veio constar na Constituição Federal de O processo de globalização, dos avanços tecnológicos, a evolução da medicina e os constantes progressos biotecnológicos deram margem a várias discussões, e dentro deste contexto, a forma de pensar na vida como sendo um simples respirar, não somente como garantia de sobrevida, ou como garantia da batida de um coração (Ibidem).

23 Capítulo I Direito a vida 22 A vida necessariamente tem que ser entendida como algo que possibilite ao ser humano um dia a dia construído com qualidade e dignidade. Partindo desse pressuposto, os pacientes terminais têm o direito de morrer com dignidade? Ou somente viver por viver mesmo que de forma vegetativa por longos anos até que seja detectada sua morte cerebral? A partir destes questionamentos como poderíamos definir de forma concreta o que seria vida digna, já que todos os indivíduos têm direito a vida, bem como, o direito a uma vida digna, o que vem ampliar o conceito desta. Assim, não basta viver, é condição sine qua non que haja dignidade nesse viver. Pois, de acordo com Ludwing Möller (2009, p. 23), esse viver com dignidade implica: (...) em primeiro lugar, que o mínimo existencial esteja disponível. Em segundo, que o ser humano possa autodeterminar-se, de forma plena, acerca de todas as suas potências, desenhando com a máxima precisão, e dentro do que lhe é permitido, ao longo de sua existência, o livre desenvolvimento de sua personalidade. A Constituição Federal estabelece que cabe ao Estado assegurar o direito a vida em sua dupla significação, sendo a primeira relacionada ao direito de continuar vivo e a segunda de se ter vida digna no que diz respeito à subsistência mínima, vale salientar que isso não se confunde com o direito ao mínimo vital que é o direito a existência (ROBERTO, 2002). O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, define dignidade como qualidade moral que infunde respeito; consciência do próprio valor; honra, respeito aos próprios sentimentos, valores, amor-próprio, etc. Desse modo, a vida constitucionalmente referida não é uma vida qualquer, ou seja, seu conceito está embasado em outra definição constitucional que é a da dignidade, frisando que, o legislador constitucional luta pela defesa da vida digna (ROBERTO, 2002). De acordo com Cristiano Chaves de Farias (2003), a dignidade da pessoa humana, serve como mola propulsora da intangibilidade da vida humana, dela deriva consequências naturais: o respeito à integridade física e psíquica das pessoas, a admissão da existência de pressupostos materiais (patrimoniais, inclusive) mínimos para que se possa viver e o respeito pelas condições fundamentais de liberdade e igualdade.

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