Brincadeiras no desenvolvimento cognitivo

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1 Brincadeiras no desenvolvimento cognitivo Adailes 2016

2 Introdução Segundo Friedman (1996) Brincadeiras e jogos são considerados fatos universais, pois sua linguagem pode ser compreendida por todas as crianças do mundo, nos oferecendo a exata dimensão da importância da brincadeira para as crianças e em seu desenvolvimento. Brincar é o que realmente existe de mais importante e significativo para a criança pequena, independente de cor, raça, credo, ou condição social. Todas as crianças sabem e gostam de brincar, e se a brincadeira é importante para todas elas conclui-se que as escolas de educação infantil, principalmente, não devem impedir que as crianças brinquem e se expressem através do lúdico, e ainda que, se os professores pretendem ensinar as pessoas que amam o brincar, há que ser através da brincadeira, pois tudo o que vier a contrariar esta vontade das crianças estará

3 contrariando a própria natureza e, deixando de ser bom e significativo para elas.sabe-se que esta condição do brincar como forma de se aprender não tem sido a prática adotada pela grande maioria das escolas e dos profissionais da educação infantil, outros fatores contribuem para o descaso desta prática do brincar na escola como: o espaço inadequado, brinquedos inadequados para a faixa etária, educadores e monitores capacitados e com boa vontade para desenvolver o gosto do brincar na criança, sem saber os benefícios que o brincar proporciona no desenvolvimento cognitivo, afetivo e social. A brincadeira constitui-se, basicamente, em um sistema que integra a criança na sociedade, é através do brincar que a criança interage com o meio onde vive. O que acontece quando chegamos a um lugar onde existem crianças e alguns brinquedos como em sala de espera de médicos e dentistas, por exemplo?

4 Não precisamos ser pesquisadores, nem tampouco estudiosos do assunto para darmos a resposta correta, nos basta o senso comum para respondermos que em minutos elas se juntam e organizam uma brincadeira, nem precisam se identificar uns para os outros, mas ainda assim já são capazes de compartilhar sonhos e fantasias. Isso acontece porque brincar é algo natural para elas, não se necessita de formalidades, pois as apresentações acontecem depois, durante a brincadeira. POR QUE BRINCAR? "Soubéssemos nós adultos preservar o brilho e o frescor da brincadeira infantil, teríamos uma humanidade plena de amor e fraternidade. Restanos, então, aprender com as crianças." (Monique Deheinzelin).

5 A brincadeira é uma linguagem natural da criança e é importante que esteja presente na escola desde a educação infantil para que o aluno possa se colocar e se expressar através de atividades lúdicas considerando-se como lúdicas as brincadeiras, os jogos, a música, a arte, a expressão corporal, ou seja, atividades que mantenham a espontaneidade das crianças. As brincadeiras são linguagens não verbais, nas quais a criança expressa e passa mensagens, mostrando como ela interpreta e enxerga o mundo. Brincar é um direito de todas as crianças do mundo, garantido no Principio VII da Declaração Universal dos Direitos da Criança da UNICEF. É uma atividade de grande importância para a criança, pois a torna ativa, criativa, e lhe dá oportunidade de relacionar-se com os outros; também a faz feliz e, por isso, mais propensa a ser bondosa, a amar o próximo, a ser solidária e cooperativista. Para Oliveira (1990), as atividades lúdicas é a essência da infância.

6 Por isso, ao abordar este tema não podemos deixar de nos referir também à criança. Ao retornar a história e a evolução do homem na sociedade, vamos perceber que a criança nem sempre foi considerada como é hoje. Antigamente, ela não tinha existência social, era considerada miniatura do adulto, ou quase adulto, ou adulto em miniatura. Seu valor era relativo, nas classes altas era educada para o futuro e nas classes baixas o valor da criança iniciava quando ela podia ser útil ao trabalho, colaborando na geração da renda familiar. Criança não é um adulto que ainda não cresceu. Ela tem características próprias e para se tornar um adulto, ela precisa percorrer todas as etapas de seu desenvolvimento físico, cognitivo, social e emocional. Seu primeiro apoio nesse desenvolvimento é a família, posteriormente, esse grupo se amplia com os colegas de brincadeiras e a escola.segundo Almeida Foi preciso que houvesse uma

7 profunda mudança da imagem da criança na sociedade para que se pudesse associar uma visão positiva a suas atividades espontâneas, surgindo como decorrência à valorização dos jogos e brinquedos. O aparecimento do jogo e do brinquedo como fator do desenvolvimento infantil proporcionou um campo amplo de estudos e pesquisas e hoje é questão de consenso a importância do lúdico. Dentre as contribuições mais importantes destes estudos, segundo Negrine (1994, p. 41) podemos destacar: As atividades lúdicas possibilitam fomentar a "resiliência", pois permitem a formação do autoconceito positivo; As atividades lúdicas possibilitam o desenvolvimento integral da criança, já que através destas atividades a criança se desenvolve afetivamente, convive socialmente e opera mentalmente. O brinquedo e o jogo são produtos de cultura e seus usos permitem a inserção da criança na

8 sociedade, pois o brincar é uma necessidade básica assim como é a nutrição desenvolve a expressão oral e corporal, reforça habilidades sociais, reduz a agressividade, integra-se na sociedade e constrói seu próprio conhecimento. Brincando a criança desenvolve potencialidades; ela compara, analisa, nomeia, mede, associa, calcula, classifica, compõe, conceitua e cria. O brinquedo e a brincadeira traduzem o mundo para a realidade infantil, possibilitando a criança a desenvolver a sua inteligência, sua sensibilidade, habilidades e criatividade, além de aprender a socializar-se com outras crianças e com os adultos.

9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, M.T.P. Jogos divertidos e brinquedos criativos. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, FRIEDMAN, Afalo, O direito de Brincar: A brinquedoteca, São Paulo: Scritta Abrinq, 1996; NEGRINE, Airton. Aprendizagem e desenvolvimento infantil. Porto Alegre: Prodil, BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental, Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil. Vol.1, 2 e 3, Brasília: MEC/SEF, 1998

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