MODELOS PRESCRITIVOS DE DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS

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1 2 PROJETO CONCEITUAL AULA 2 Capítulo 2 Estrutura do processo de desenvolvimento integrado do projeto do produto EMC Conceitual CAPÍTULO 2 ESTRUTURA DO PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS Principais tópicos modelos prescritivos de desenvolvimento de produtos; desenvolvimento de produtos no ambiente de engenharia simultânea; modelo de desenvolvimento integrado de produtos 3 MODELOS PRESCRITIVOS DE DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS 4 Fatores importantes para o uso de procedimentos sistematizados Para que a equipe de projeto seja de alta produtividade e tenha um bom desempenho é fundamental que o projeto seja desenvolvido e gerenciado dentro de um procedimento pré-determinado, ou seja, de uma maneira sistematizada; A equipe deve ser capacitada e suportada por modelos de desenvolvimento integrado de produtos; Existem correntes que afirmam que a sistematização do processo de desenvolvimento coloca o projetista ou equipe de projeto dentro de uma camisa de força, tolhendo assim a sua criatividade; 5 6 Questões: como a equipe de projeto desenvolverá dado equipamento, cumprindo os prazos determinados, obtendo a qualidade desejada e mantendo os custos dentro de parâmetros aceitáveis? como a equipe de projeto deverá ser constituída e deverá relacionar-se para desenvolver o produto, levando em conta as restrições de resolução e de solução? como a equipe de projeto conduzirá suas atividades desde a identificação do problema até a documentação final do produto, sendo eficiente e eficaz em seus resultados? Em projetos de pequeno porte, com uma equipe experiente, pode não ser necessário seguir um caminho prescrito de procedimentos sistematizados. Para projetos de grande porte, onde trabalham profissionais de várias formações e culturas, é indispensável seguir um procedimento ou metodologia pré-determinado; Um projeto deste porte precisa ser planejado, implementado, monitorado e controlado; As atividades precisam ser definidas, seqüenciadas; os tempos, custos e recursos determinados; o trabalho das equipes deve ser articulado e monitorado, bem como o envolvimentos de fornecedores; 1

2 7 8 Há, ainda, o crescimento tecnológico e a complexidade que o acompanha; Maior volume de problemas técnicos a serem resolvidos e maior a necessidade de interação entre diferentes áreas do conhecimento; As metodologias devem mostrar: o que fazer, para quem fazer, quando fazer, como fazer e com que fazer; a1 a2 a3 a4 a5 a O A B C Processos gerais de solução de problemas Para iniciar a solução de um problema necessita-se: a) conhecimentos fatuais sobre o domínio do problema; b) procedimentos (métodos) para encontrar soluções e encontra-las de maneira efetiva. Sob o enfoque de transformação de informações, um modelo básico de solução de problemas é mostrado na figura a seguir Necessidades a1 a2 a3 a Obtenção da informação Processamento da informação Transmissão da informação a1 a2 a3 caminhos para a solução de problemas a4 a5 PAHL & BEITZ, 1996 Melhoramento e refino 9 10 Processos gerais de solução de problemas ASIMOW, 1962, propôs um processo geral de projeto baseado em três elementos principais: um conjunto consistente de princípios e suas derivações lógicas; uma estrutura operacional, que resulta em ação e um instrumento de crítica, que realimenta o processo. Processos gerais de solução de problemas Na proposta de PAHL & BEITZ, 1996, o processo geral de solução de problemas é apresentado conforme a figura Tarefa (problema) Confrontação Informação Príncipios gerais Informações Particulares Estrutura de projeto Informações para correção Função de Avaliação Um projeto particular Definição Criação Avaliação Resultado insatisfatório Solução Decisão Classificação das metodologias As metodologias são classificadas como descritivas e prescritivas; Os modelos prescritivos prescrevem como o processo de desenvolvimento deve acontecer, sugerindo os melhores caminhos e práticas para a execução; se apresentam de forma algorítmica, indicando a lógica do processo de desenvolvimento; Os modelos descritivos são baseados em estudos sobre como as soluções de projetos são desenvolvidas, ou seja, quais processos, estratégias, métodos e princípios são usados para resolver os problemas; preocupam-se com a natureza do processo de pensamento na solução dos problemas. Modelo de ASIMOV (1968): Necessidade primitiva Fase I: Estudo de exeqüibilidade Fase II: preliminar Fase III: detalhado Fase IV: Planejamento para manufatura Fase V: Planejamento para distribuição Fase VI: Planejamento para consumo Fases primárias de projeto Demais fases do ciclo de vida Fase VII: Planejamento para retirada 2

3 13 14 Na fase I, no estudo da exeqüibilidade, a partir das necessidades identificadas desenvolve-se soluções alternativas, são selecionadas as melhores soluções, adotando como critérios de viabilidade técnica, econômica e financeira. Na fase II, projeto preliminar, busca-se a melhor solução através: da modelagem da solução; da análise de sensibilidade, compatibilidade e estabilidade; da otimização formal; de projeções futuras; da revisão do comportamento do sistema e da verificação final da concepção do projeto. Na fase III, no projeto detalhado, elabora-se descrições de engenharia de um projeto viável e conferido. Desenvolvese o leiaute e o relatório final do projeto. Modelo de WOODSON (1966): Fases Viabilidade do projeto Entradas Informações gerais e de mercado Informações tecnológicas Métodos de criatividade Experiência tecnológica Informações de custos e preços Informações sobre riscos de investimentos Atividades Analisar necessidades Explorar sistemas envolvidos Sintetizar soluções alternativas Avaliar viabilidade física Avaliar viabilidade econômica Avaliar viabilidade financeira Saídas Resultados desejados Proposições técnicas Soluções propostas Viabilidade física Viabilidade econômica Conjunto de soluções possíveis Modelo de WOODSON (1966): Modelo de WOODSON (1966): Fases preliminar Entradas Estudo de viabilidade e experiência geral Habilidade matemática Habilidade matemática Habilidade matemática Tecnologias de laboratório Experiências de engenharia Atividades Selecionar a melhor solução Formular modelos Analisar sensibilidade e compatibilidade das variáveis Otimizar parâmetros de projeto Testar processo e prever desempenho Simplificar Solução selecionada Modelo de estrutura e ou de desempenho Grau de sensibilidade das variáveis Dados sobre os parâmetros Previsões Saídas melhorado Fases detalhado Entradas preliminar e conhecimentos tecnológicos Conhecimentos tecnológicos Conhecimentos tecnológicos Experiência tecnológica Experiência de desenho e normas Atividades Especificar subsistemas Especificar componentes Especificar partes Desenhar conjuntos de montagem Verificar dimensões e normas Saídas Subsistemas Componentes Conjunto de desenhos detalhados Desenhos de montagem Conjunto completo de desenhos e especificações Informações de gerência Liberar para manufatura para manufatura A Início do projeto Modelo de WOODSON (1966): Fases Revisão do projeto Entradas detalhado, habilidades de fabricação e materiais Técnicas de teste Técnicas de teste Técnicas de auditoria Atividades Fabricar componentes Testar desempenho na fábrica Testar em campo e para durabilidade. Auditar qualidade de manufatura Saídas Sistema operacional Dados de teste do sistema Dados de teste Dados sobre variações Modelo de CORYELL (1967): Revisar requisitos de projeto Soluções conceituais (brainstorming) Avaliar e realizar análise preliminar Analisar soluções refinado Revisão do projeto 07 Desenhos detalhados 08 Análise detalhada 09 Desenvolver e avaliar 10 protótipos Revisar e avaliar 11 protótipos Informações de manufatura e de vendas Mudar para eliminar problemas de qualidade melhorado 06 Leiaute A Apoio à manufatura 12 Experiência de engenharia Simplificar para reduzir custos Custo reduzido e sistema ou produto em produção Legenda Produto Início/Fim Processo ou operação Decisão Entrada/Saída Válvula 3

4 19 20 Modelo de CORYELL (1967): Passo I - revisão dos requisitos: entender as necessidades funcionais e sua importância. Diz-se que um problema adequadamente definido é um problema virtualmente resolvido; Passo 2 Criatividade: o projetista deve buscar uma solução para o problema. Destaca-se o "brainstorming" como técnica básica na solução do problema; Passo 3- avaliar e efetuar a análise preliminar: o estágio de avaliação é iniciado e dois critérios são importantes: o custo em relação aos concorrentes e o avanço tecnológico; Modelo de CORYELL (1967): Passo 4 - análise das soluções: as idéias ou resultados das etapas anteriores devem ser analisadas numa base de função vs. custos; Passo 5 - refinar o projeto: as atividades são de caráter mais específicos. O projetista deve dar forma a coleção funcional das partes. Deve-se reduzir o número de partes, padronizar, estabelecer fixações e efetuar esquemas para registros temporários das soluções; Passo 6 - leiaute do projeto: é o veículo que transporta a concepção escolhida para as pessoas que devem decidir sobre a solução do projeto. Fornecer estimativas preliminares de custos de material, mão-de-obra e manufatura; Modelo de CORYELL (1967): Passo 7 - revisão de projeto: a forma de apresentação da concepção às pessoas interessadas é fundamental para a sua aceitação; Passo 8 projeto detalhado: antes dos desenhos serem preparados, deve ser feita uma verificação final de materiais disponíveis na fábrica. Os desenhos detalhados devem ser claros e concisos; Passo 9 - análise detalhada: três requisitos básicos devem ser considerados: definição e documentação clara das técnicas de análise; profundidade da análise; documentação dos critérios de decisão Modelo de CORYELL (1967): Passo 10 - desenvolvimento de modelos e protótipos: fazse necessário o desenvolvimento de modelos para melhorar o projeto, a qualidade do produto, sua confiabilidade, enfim, faz-se os testes finais do produto; Passo 11 revisão e avaliação do protótipo: verificar o produto com relação aos requisitos iniciais; Passo 12 - suporte a fabricação: constitui o acompanhamento do produto, pelo projetista, durante o processo de fabricação para decidir sobre quaisquer alterações que se façam necessárias Modelo de PAHL e BEITZ (1996): Definição da tarefa Concepção Tarefa Definição da tarefa Elaborar as especificações Especificações Identificar os problemas essenciais Estabelecer a estrutura de funções Pesquisar princípios de solução Combinar e concretizar em variantes de concepção Avaliar segundo critérios técnicos e econômicos Concepções Definição da tarefa Modelo de PAHL e BEITZ (1996): Tarefa Definição da tarefa Elaborar as especificações Especificações preliminar (de configuração) Desenvolver leiautes e formas preliminares Selecionar o(s) melhor(es) leiaute(s) preliminar(es) Refinar e avaliar sob critérios técnicos e econômicos Leiaute preliminar Otimizar e completar o projeto das formas Verificar erros e controlar custos Preparar a lista das partes preliminares e os documentos de produção Concepção Identificar os problemas essenciais Estabelecer a estrutura de funções Pesquisar princípios de solução Combinar e concretizar em variantes de concepção Avaliar segundo critérios técnicos e econômicos Leiaute definitivo Concepções detalhado Finalizar os detalhes Completar os desenhos detalhados e documentos de produção Verificar todos os documentos Documentação Solução 4

5 25 26 Modelo de PAHL e BEITZ (1996) Definição da tarefa Na fase de definição da tarefa, o estudo do problema resulta na elaboração da lista de requisitos. A idéia básica neste estudo é fixar as funções requeridas, as grandezas de entrada e saída e as perturbações externas ao problema. Na elaboração da lista se distinguem os requisitos obrigatórios, dos requisitos desejáveis. Os obrigatórios devem ser atendidos sob quaisquer circunstâncias e os desejáveis são considerados, principalmente, em função de critérios econômicos. A lista de requisitos constitui o ponto de partida na resolução da tarefa de projeto. Deve ser mantida atualizada com as alterações surgidas no decorrer do projeto. Modelo de PAHL e BEITZ (1996) - Recomendações para a elaboração de requisitos: coletar os requisitos: fazer uso de uma lista inicial básica; questionar sobre quais objetivos a solução deve satisfazer; que propriedades ela deve ter ou não; coletar informações adicionais e distinguir entre requisitos obrigatórios e desejáveis, classificando estes últimos em termos de sua importância; arranjar os requisitos em uma ordem clara, relacionando-os com a parte do sistema a que se referem (sub-sistemas, funções, montagens, etc.); registrar os requisitos e colocá-los à prova, e examinar sugestões incluindo complementações necessárias Modelo de PAHL e BEITZ (1996) Desenvolvimento da concepção Uma vez que o problema central tenha sido formulado é possível indicar uma função global que, baseada no fluxo de energia, material e sinal, expressa o relacionamento entre entradas e saídas independente da solução. O desdobramento feito a partir da função global, em subfunções de níveis menores de complexidade, corresponde ao passo do estabelecimento da estrutura de funções. A pesquisa de princípios de soluções é realizada para satisfazer as sub-funções identificadas no passo anterior. Para concretizar este passo faz-se uso da pesquisa bibliográfica, análise de sistemas naturais, análise de sistemas existentes e métodos de criatividade diversos. Modelo de PAHL e BEITZ (1996) Desenvolvimento da concepção A combinação de princípios de solução tem por objetivo satisfazer a função global associando os princípios de solução. A base de tais associações é a estrutura de funções. Deve-se assegurar a compatibilidade geométrica e física entre os princípios, o fluxo regular de energia, material e sinal e a viabilidade técnica e econômica. A seleção das combinações pode ser feito, inicialmente, eliminando as combinações inadequadas (impraticáveis fisicamente), selecionando e ordenando as demais, usando critérios como os seguintes: compatibilidade com a tarefa global; satisfação dos requisitos obrigatórios; desempenho; custos; ergonomia; segurança e preferências pessoais Modelo de PAHL e BEITZ (1996) Desenvolvimento da concepção A concretização em variantes de concepção tem por objetivo obter maiores informações sobre as combinações viáveis considerando um maior número de critérios, aos quais a solução deve satisfazer; Finalmente, na avaliação das variantes de concepção compara-se as soluções para estabelecer a(s) melhor(es) variante(s). preliminar (de configuração) Modelo de PAHL e BEITZ (1996): Desenvolver leiautes e formas preliminares Selecionar o(s) melhor(es) leiaute(s) preliminar(es) Refinar e avaliar sob critérios técnicos e econômicos Leiaute preliminar Otimizar e completar o projeto das formas Verificar erros e controlar custos Preparar a lista das partes preliminares e os documentos de produção Leiaute definitivo 5

6 31 32 Modelo de PAHL e BEITZ (1996) preliminar A fase do projeto preliminar (ou de configuração, como chamam os autores) inicia com uma concepção avaliada técnica e economicamente. A idéia básica aqui é satisfazer uma dada função com a forma dos componentes, leiaute e materiais apropriados. O processo inicia com um leiaute preliminar, em escala, baseado nos requisitos espaciais e prossegue considerando critérios de: segurança; ergonomia; manufatura; montagem; operação; manutenção e de custos. detalhado Modelo de PAHL e BEITZ (1996): Leiaute definitivo Finalizar os detalhes Completar os desenhos detalhados e documentos de produção Verificar todos os documentos Documentação Solução Modelo de PAHL e BEITZ (1996) detalhado O projeto detalhado finaliza o projeto preliminar, estabelecendo as descrições definitivas para a disposição dos elementos, forma, medidas, acabamentos superficiais, materiais, a verificação do projeto e dos custos de fabricação. São elaborados os documentos finais do projeto na forma de desenhos que possibilitam a realização física das soluções. Faz-se uso de uma série de normas e procedimentos padrões; de acordo com a empresa onde o projeto será executado. Modelo da VDI 2221 (1985): Fases I II III IV Passos do projeto Tarefa 1- Esclarecer e precisar a formulação da tarefa 2- Verificação das funções e suas estruturas 3- Pesquisa dos princípios de solução e sua estrutura 4- Estruturação em módulos realizáveis 5- Configuração dos módulos principais 6- Configuração do produto final 7- Fixação das informações de execução e de uso Produto Resultado esperado de cada passo Lista de requisitos Estrutura de função Solução inicial Estrutura modular preliminar detalhado Documentação do produto 35 Tecnologia ATIVIDADE Técnica TOTAL 36 PUGH, 1991 Elementos de especificações Fluxo Principal de projeto MATERIAIS F F F F G TECNOLOGIA MECÂNICA MECANISMOS G G TECNOLOGIA ELÉTRICA CONTROLE G TECNOLOGIA DE MANUFATURA ETC. Mercado H A Especificações E D H A Conceitual E D H A Detalhado E D H A Manufatura E D Vendas C C C C ANÁLISE DE MERCADO B B B B SINTESE OTIMIZAÇÃO ETC. Formulação das especificações Ordem de importância TOMADA DE DECISÃO MANUSEIO DE DADOS completamente de acordo com as especificações CUSTO Críticas aos modelos prescritivos As atividades propostas nestas metodologias de projeto são seqüenciais; O processo é controlado por revisões formais ao final de cada fase; Não contemplam as características do contexto industrial (pressões, ambiente, linguagem, cultura organizacional, formação dos projetistas, entre outros); Não prescrevem claramente a integração entre os conhecimentos necessários para o desenvolvimento do produto; São baseadas nas habilidades individuais dos projetistas; Freqüentemente, não prescrevem meios formais de transferência de informações entre as fases do desenvolvimento; As alterações necessárias são identificadas e realizadas, muito tarde no processo de desenvolvimento do produto. PLANEJADO ORGANIZADO 6

7 37 38 DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS NO AMBIENTE DE ENGENHARIA SIMULTÂNEA Típicas decisões nas fases iniciais do desenvolvimento Definição das especificações de projeto, quando se está trabalhando com informações qualitativas e muitas vezes insuficientes, por não considerar a amplitude de conhecimentos necessários; Definição da concepção do produto, quando as informações são abstratas e se os dados para julgamento insuficientes; Configuração mais apropriada para um princípio de solução, quando o tempo disponível é insuficiente e já existem soluções pré-concebidas; Definição dos parâmetros de componente, quando os riscos são elevados e se dispõe de poucos recursos para análise e simulação Típicas problemas por decisões não acertadas nas fases iniciais do desenvolvimento Por exemplo, uma lista de especificações mal definida pode desencadear processos de solução e decisões de projeto, cujos resultados não representarão as reais necessidades dos clientes. De maneira similar, uma definição inadequada da concepção do produto pode resultar em comportamento fora do especificado durante o uso. Ainda, configurações mal definidas podem representar acréscimo nos custos do produto e dificuldades de fornecimento de componentes e, por último, dimensões inadequadas podem ocasionar, além de dificuldades de fabricação, refugos de peças produzidas. Sugestões Os exemplos anteriores reforçam a importância de se adotar práticas adequadas para o desenvolvimento de produtos, procurando-se minimizar decisões empíricas ou por tentativa e erro. Ainda, sugerem que as abordagens tradicionais de projeto devem ser revistas, principalmente com relação ao envolvimento dos vários interessados no desenvolvimento do produto (stakeholders), já que as decisões do processo de projeto podem afetá-los diretamente. Nessa direção têm surgido diferentes propostas para o desenvolvimento de produtos baseados na engenharia simultânea, as quais serão apresentadas nos itens que seguem ENGENHARIA SIMULTÂNEA DEFINIÇÕES E PRINCÍPIOS Definições de engenharia simultânea PRASAD, B. et al. (1998): A engenharia simultânea é uma abordagem sistemática que considera todos os aspectos do gerenciamento do ciclo de vida do produto incluindo a integração do planejamento, projeto, produção e fases relacionadas. SMITH, R. P. (1997): A engenharia simultânea é um termo aplicado para uma filosofia de cooperação multifuncional no projeto de engenharia, a fim de criar produtos que sejam melhores, mais baratos e introduzidos no mercado mais rapidamente. 7

8 43 44 Definições de engenharia simultânea SPRAGUE, R. A., et al. (1991): A engenharia simultânea é uma abordagem sistemática para o projeto simultâneo e integrado de produtos e de processos relacionados, incluindo manufatura e suporte. Procura considerar todos os elementos do ciclo de vida do produto desde a concepção até o descarte, incluindo qualidade, custo, programação e requisitos dos usuários. Engenharia simultânea como modelos de gestão do desenvolvimento do produto, seja na forma de gerenciamento da compressão do tempo, gerenciamento do tempo para o mercado, gerenciamento do ciclo temporal (KRUGLIANSKAS, 1993) e (CRISTOVÃO e GONÇALVES FILHO, 1995 apud. CHIUSOLI e TOLEDO, 2000). Definições de engenharia simultânea Considera-se, a engenharia simultânea como uma metodologia de desenvolvimento integrado do produto, pois sua formulação e diretrizes são similares ao que é entendido por metodologia. Ferramentas para o desenvolmvimento do produto Gerenciamento do desenvolvimento de produtos Desenvolvimento integrado do produto Engenharia simultânea Ciclo de vida do produto Agentes do desenvolvimento do produto Qualidade, custo e tempo de desenvolvimento do produto Princípios e variáveis da engenharia simultânea Princípios: tratamento simultâneo de restrições de projeto e da manufatura; compartilhamento de conhecimentos associados ao desenvolvimento do produto; consideração do ciclo de vida do produto; ênfase às preferências dos consumidores no desenvolvimento do produto; e desenvolvimento do produto considerando qualidade, custo e tempo para o mercado. Princípios e variáveis da engenharia simultânea Variáveis: configuração de equipes de projeto; paralelismo das atividades de projeto; integração dos clientes do projeto; e utilização de ferramentas de apoio. Questões: como os modelos da engenharia simultânea devem ser configurados para inserir aqueles elementos? como a prática da engenharia simultânea pode ser implantada Modelo que expressa a compressão do tempo Marketing Conceitual Preliminar do Detalhado Prototipagem processo Processo de manufatura Produção ENGENHARIA SIMULTÂNEA MODELOS Marketing Conceitual Preliminar Detalhado Prototipagem Redução do tempo Engenharia simultânea do processo Processo de manufatura Produção YAZDANI & HOLMES, 1999 Tempo 8

9 49 50 Modelo que expressa o fluxo de informações entre fases Modelo que expressa os conhecimentos envolvidos Sistema de suporte ao projeto Conhecimento Projetista de ferramenta de ferramenta conceitual Revisões de moldagem de componentes moldados preliminar detalhado Protótipos Teste Projetista Interface do usuário Programa de modelagem e avaliação funcional estrutural de manutenção e serviço de qualidade funcional estrutural da manutenção e serviço da qualidade Informações de estilo do estilo YAZDANI & HOLMES, 1999 Tempo de logística da logística PERERA, Modelo que expressa uma visão integrada de conhecimentos para o projeto Modelo que expressa o fluxo de informações Organização Pesquisa de Análise da Metodologia de projeto mercado concorrência... DFX Análise Técnicas de detalhada representação Lista de Sínteses de Métodos de Modelagem QFD Métodos de Seleção de Protótipos Normalização verificação função criatividade seleção geométrica materiais Equipe 1 Equipe 2 Ciclo de vida Contratação Pesquisa de Análise da Lista de QFD Etc. mercado concorrência verificação informacional Tecnologia da informação Planilhas eletrônicas Equipe 3 Equipe 4 Produção Síntese de Métodos de Métodos de... funções criatividade seleção conceitual Base de dados Sistema especialista Requisitos Planejamento do processo Fabricação Ciclo de vida Comercialização Modelagem Seleção de Protótipos... geométrica materiais preliminar Sistema CAD/ CAE/CAM Linguagens computacionais Legenda Utilização Normalização Análise Técnicas de QFD... detalhada representação Padrões de modelagem ES intraequipes ES entre equipes Atividade Suporte Reunião Decisão Desativação detalhado... PRASAD, B.; WANG, F.; DENG, J., 1998 Integração Escopo Tempo Comunicações Riscos Aquisições Custos Qualidade Recursos... OGLIARI E BACK, 2001 Iniciação Planejamento Execução Gerenciamento de projeto Controle Encerramento ENGENHARIA SIMULTÂNEA IMPLANTAÇÃO Introdução A Implantação da ES tem variado entre as empresas. Algumas começam por adotar avançados sistemas CAD integrados, outras iniciam pela formação de equipes multidisciplinares; Mas faz-se necessário uma compreensão abrangente da ES para uma eficiente implantação; Conhecer as típicas barreiras no processo de implantação é uma boa abordagem inicial. 9

10 55 Barreiras no processo de implementação da ES - EVANS, S., BARREIRAS NA INICIALIZAÇÃO DO PROCESSO Implementação da Engenharia Simultânea Inicialização Preparação/planejamento Implementação Implementação da Engenharia Simultânea Inicialização Preparação/planejamento Implementação Defensor Prioridade da alta gerência Defensor Prioridade da alta gerência Custo/benefício Cooperação funcional Custo/benefício Cooperação funcional Gerenciamento Falta de objetivo Equipe (1) Seqüestro Gerenciamento Falta de objetivo Equipe (1) Seqüestro Falta de experiência Variedade ferramentas Tecnologia Paralisia cultural Início Tardio Medo Expansão Falta de experiência Variedade ferramentas Tecnologia Paralisia cultural Início Tardio Medo Expansão Lançamento Lançamento Pessoal Especificação Equipe (2) Pessoal Especificação Equipe (2) Barreiras na inicialização do processo Problemática do defensor: a implantação da ES deve ser liderada por um membro da alta gerência. O representante da alta gerência deve estar suficientemente comprometido, com disponibilidade de tempo para o aprendizado e para trabalhar junto à equipe; Problemática do custo/benefício: A tendência para a busca de retornos imediatos e palpáveis é um grande erro que tem desmotivado, já no início, o esforço para a implantação da ES. Barreiras na inicialização do processo Problemática da falta de objetivos: os objetivos devem ser claros e bem definidos. Índices de desempenho também devem ser definidos como, por exemplo, tempo de desenvolvimento. Uma boa estratégia é definir, inicialmente, no curto prazo, objetivos para o planejamento da implementação da engenharia simultânea projeto piloto Problemática da falta de experiência: primeiro reconhecer a falta de experiência. Segundo, perceber quanto os conhecimentos da organização e as atividades podem ser valiosos para a execução do planejamento. Estabelecer mecanismos para o aprendizado, incluindo formas de revisão, análise e avaliação das atividades 59 BARREIRAS NO PLANEJAMENTO DO PROCESSO Gerenciamento Pessoal Implementação da Engenharia Simultânea Inicialização Preparação/planejamento Implementação Defensor Custo/benefício Falta de objetivo Falta de experiência Prioridade da alta gerência Cooperação funcional Variedade ferramentas Tecnologia Equipe (1) Paralisia cultural Início Tardio Medo Seqüestro Lançamento Especificação Equipe (2) Expansão 60 Barreiras no planejamento do processo Prioridades da alta gerência: a alta gerência deve saber o que é ES, como ela beneficiará a empresa e quais são os objetivos pretendidos. Com isto claro deve então patrocinar a criação de uma equipe para o planejamento da implantação da ES. Problemática da cooperação funcional: necessidade de representantes das várias áreas. Reunião inicial liderada pela alta gerência, mostrando porque a ES é importante e necessária para a organização, seus limites e como o sucesso será alcançado. O ponto mais crítico, aqui, é o estabelecimento de critérios de desempenho, os quais devem ser de comum acordo. 10

11 61 62 Barreiras no planejamento do processo Problemática da equipe 1: uma verdadeira equipe compartilha os mesmos objetivos e reconhece que somente com o esforço de todos os objetivos serão alcançados; O resultado obtido é responsabilidade de todos e não de um único representante de uma determinada área; Um grupo divide um mesmo nome, enquanto que uma equipe divide os mesmos propósitos; O plano de ação da equipe não deve ser imposto, mas sim, o primeiro trabalho feito pela própria equipe, o que constitui um fator motivador bastante forte. Este é um dos mais importantes modo de falha da ES. Barreiras no planejamento do processo Problemática da paralisia cultural: dificuldade para a assimilação de novas idéias, novos termos e novos métodos. Por inércia, as pessoas tendem a rejeitar novas idéias por achar que não podem ou é muito difícil aprender o que não é trivial; falsa idéia de que um líder responsável por esta tarefa precisa ser alguém fora do comum, com profundas habilidades técnicas, gerenciais e de relacionamento humano. O mais importante é mudar a cultura de cada indivíduo e não buscar por um líder que reúna todas as qualidades Barreiras no planejamento do processo Problemática da variedade de ferramentas: os usuários devem selecionar as ferramentas, sendo as óbvias, as mais apropriadas; Problemática da tecnologia: tendência à tecnologias complexas. Tecnologias simples e práticas trazem melhor relação custo/beneficio; Problemática do início tardio: iniciar a ES, desde a fase de planejamento e não somente depois do problema especificado; Barreiras no planejamento do processo Problemática do Medo do Insucesso: erros e insucesso são fontes de aprendizagem e isto deve ser abertamente discutido; Problemática das Especificações de : as especificações de projeto devem ser elaboradas com a participação da equipe e não impostas; Problemática do Lançamento: o lançamento deve ser um evento de motivação e apoio, de definição de objetivos, responsabilidades e limites. 65 BARREIRAS NA IMPLEMENTAÇÃO DO PROCESSO Gerenciamento Implementação da Engenharia Simultânea Inicialização Preparação/planejamento Implementação Defensor Custo/benefício Falta de objetivo Falta de experiência Prioridade da alta gerência Cooperação funcional Variedade ferramentas Tecnologia Equipe (1) Paralisia cultural Início Tardio Medo Seqüestro Expansão 66 Barreiras na implementação do processo Prioridades do Seqüestro (envolvimento da média gerencia): requisição de gerentes de área ou de colaboradores para resolver outros problemas, atrasando o cronograma; Problemática da Equipe 2: tendência de retorno ao modo tradicional de trabalho. Falta de clareza de papeis e atribuições. Reeducar membros e lembrar que o sucesso depende de todos; Pessoal Lançamento Especificação Equipe (2) Problemática da Expansão do Programa: planejar e executar o programa por incrementos, usando lições aprendidas para aprimoramento. 11

12 67 68 Barreiras na implantação da ES segundo MADDUX e SOUDER (1993) Barreiras organizacionais: Falta de apoio da alta gerência: qualquer tentativa de implantação da ES sem o apoio e o forte envolvimento da alta gerência está fadada ao fracasso. A conscientização deve ser feita a cada nível organizacional, partindo do mais alto e, sucessivamente, sendo transmitido para os níveis inferiores; Ambiente organizacional inadequado: devido à política da empresa, atitudes e diretrizes da alta gerência têm o poder de influenciar quanto à intensidade da cooperação multidisciplinar; Protecionismo: gerentes que tendem a proteger sua área, dificultando a troca de informações e a colaboração multidisciplinar, são barreiras para a implantação da ES; Barreiras na implantação da ES segundo MADDUX e SOUDER (1993) Barreiras organizacionais: Sistema de recompensa inadequado: a premiação por objetivos alcançados deve ser feita com base em metas gerais, evitando a análise de desempenho por departamento, o que diminuem a aptidão para a colaboração entre as diversas áreas; Falta de envolvimento com o cliente; Falta de envolvimento com os fornecedores: as empresas que têm tido sucesso na aplicação desta metodologia tendem a diminuir o número de fornecedores e a promover freqüente troca de informação e cooperação; Temor de inibir a criatividade: muitos acreditam que, as regras estabelecidas para a implantação da ES e a normalização do processo de projeto coíbem a criatividade Barreiras na implantação da ES segundo MADDUX e SOUDER (1993) Barreiras técnicas: Um verdadeiro ambiente integrado de desenvolvimento não pode ser comprado com a aquisição de software. Só a conscientização e a mudança na cultura das pessoas visando o aumento na cooperação entre as diversas áreas garantem o sucesso da engenharia simultânea; A necessidade de software e outras ferramentas deve ser cuidadosamente avaliada em função das necessidades da equipe e das características do processo de projeto; Outra dificuldade encontrada é a falta de integração entre os vários tipos de software e ferramentas adotados. A infra-estrutura informatizada deve complementar as técnicas e os métodos de projeto. Etapas para a implementação da ES (CLAUSING, 1994 ) Top down Foco na organização Bottom up 03 Condução do 02 Transferência de processo pela experiência à alta gerência alta gerência 04 Envolvimernto de toda organização 01 piloto Foco no conteúdo Etapas para a implementação da ES Quadrante 1 projeto piloto A implementação deve começar com a formação de uma equipe multidisciplinar, conduzido pela gerência média, ainda que tenha o forte apoio da alta gerência, e com foco no conteúdo necessário para adoção da ES; Inicialmente a equipe deve ser conscientizada quanto à importância da nova abordagem e é iniciado um trabalho de treinamento; A equipe teria como atribuição aprender novas técnicas e ferramentas, aplicar e adaptar os conceitos de gerenciamento da qualidade total à organização através do desenvolvimento de um projeto piloto. Etapas para a implementação da ES Quadrantes 2 e 3 Transferência e Condução O próximo passo, após a sedimentação dos conceitos e a obtenção da confiança quanto aos resultados obtidos, é a transferência de experiência à alta gerência. A equipe auxilia a alta gerência a entender e a desenvolver um plano de implementação dos novos conceitos no âmbito da organização como um todo; A alta gerência move-se então em direção a condução do processo com um claro entendimento quanto aos conceitos e às recomendações geradas pela aplicação durante a execução do projeto piloto. O plano de implantação é posto em prática através de uma forte liderança. 12

13 73 74 Etapas para a implementação da ES Quadrantes 3 Condução O plano de implantação, durante o processo de condução é de fundamental importância. Deve cumprir as seguintes funções: disseminar a conscientização e o treinamento em toda a organização; descrever detalhadamente os princípios do gerenciamento da qualidade total de forma adaptada às necessidades e características da organização; promover o desenvolvimento dentro dos princípios da qualidade total; prever treinamento operacional e acordos com consultores externos; e criar condições para que, a transição entre a antiga abordagem e a nova, seja bem sucedida. Etapas para a implementação da ES Quadrante 4 Disseminação Por fim, busca-se o envolvimento de todos os funcionários através da adoção e adaptação do plano a cada um dos programas em execução. A ES é desta forma institucionalizada na condição caracterizada pelo quarto quadrante Formação da equipe na implantação da ES Princípios na formação da equipe (CLAUSING,1994): as equipes devem ser formadas com base em objetivos comuns e respeito por todas as áreas representadas; garantir a participação de representantes de todas as grandes áreas da organização; deve-se garantir um entendimento comum sobre a ES; a forma como o consenso para a convergência de soluções é obtido deve ser bem entendido por todos; o consenso prematuro e fácil, nas tomadas de decisão deve ser evitado; Formação da equipe na implantação da ES Princípios na formação da equipe (CLAUSING,1994): definir de forma criteriosa os trabalhos que devem ser feitos individualmente e aqueles que devem ser feitos pela equipe; métodos sistemáticos devem ser adotados; estimular a comunicação formal e informal; selecionar, pelo menos alguns dos membros da equipe segundo aptidões e especialidades, é importante; e uma liderança deve ser desenvolvida desde o início Benefícios da engenharia simultânea o desenvolvimento dos sistemas de produção e das áreas de apoio tem um início cedo; a análise dos aspectos relacionados ao produto ocorre simultaneamente entre projeto, produção, logística, como um sistema único; facilidade de obter um bom projeto para manufaturabilidade e apoio logístico; a produção e as pessoas das áreas de apoio ganham um claro entendimento do projeto e comprometem-se para seu sucesso; e modificações no protótipo são reduzidas porque o projeto torna-se mais maduro desde as fases iniciais. Implicações dos benefícios da ES foco na qualidade, custo e cronograma de desenvolvimento; ênfase na satisfação do consumidor; ênfase nas melhores práticas de desenvolvimento; equipe multidisciplinar de desenvolvimento; funcionários envolvidos e participantes do gerenciamento; relacionamento estratégico com os fornecedores. 13

14 79 80 MODELO DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO DE PRODUTOS Processo de desenvolvimento integrado de produtos - PRODIP O modelo que será apresentado, também chamado de modelo de referência, procura explicitar o conhecimento sobre o processo de desenvolvimento de produtos, de modo a auxiliar no entendimento e na prática do processo; O modelo de referência contribui para que as empresas passem a executar um processo de desenvolvimento de produtos mais formal e sistemático, integrado aos demais processos empresariais, com os participantes da cadeia de fornecimento e com os clientes finais; Fornece, ainda, os meios para que as empresas inovem e desenvolvam, dentro de suas fábricas, novos produtos Características do modelo PRODIP O é baseado na visão de processo e em consonância com o plano estratégico de negócios e de produtos da organização; apresenta a visão de todo o processo de desenvolvimento do produto, através da unidade visual de representação gráfica e da descrição; o processo é decomposto em macro-fases, fases, atividades e tarefas; indica a seqüência lógica das fases e atividades; apresenta o que deve ser feito para desenvolver um produto industrial, ou seja, as atividades e tarefas, apoiadas nos princípios da engenharia simultânea e nas diretrizes do processo de gerenciamento de projetos; Características do modelo PRODIP define as áreas envolvidas em cada atividade do modelo; suporta estrutura organizacional matricial; define as informações necessárias para a realização das atividades, apresentadas sob a forma de entradas, mecanismos e controles; apresenta como realizar as atividades através da definição dos principais métodos, ferramentas e documentos (mecanismos); apresenta os eventos que marcam o término das fases e que definem os resultados desejados (saídas); avalia passagem de fase, e registra lições aprendidas. 83 Modelo PRODIP 84 Processo de desenvolvimento de produtos industriais Planejamento Elaboração do projeto do produto Implementação do lote inicial Planejamento Preparação Lançamento Validação do projeto informacional conceitual preliminar detalhado da produção Gestão empresarial - GE Gerenciamento de projeto - GP Marketing - MK do produto - PP da manufatura - PM Suprimentos - SU Qualidade - QU Segurança - SE Dependabilidade - DP Administrativo-financeiro - AF Produção - PR Pós-vendas - PV Viabilidade Plano do Especificações Documentação Liberação do Validade do Concepção técnica e projeto de projeto do produto Lote inicial produto projeto econômica Macro-fases do processo de desenvolvimento integrado de produtos Planejamento do projeto: a primeira macro-fase envolve a elaboração do plano do projeto do produto, principal resultado da fase; Elaboração do projeto do produto: envolve a elaboração do projeto do produto e do plano de manufatura. Decompõe-se em quatro fases denominadas de projeto informacional, projeto conceitual, projeto preliminar e projeto detalhado. Os resultados principais de cada fase são, respectivamente, as especificações de projeto, a concepção do produto, a viabilidade técnica e econômica e a documentação do produto; Implementação do lote piloto: envolve a execução do plano de manufatura na produção da empresa e o encerramento do projeto. Decompõe-se em três fases denominadas de preparação da produção, lançamento do produto e validação do produto. Os resultados principais de cada fase incluem, respectivamente, a liberação do produto, a liberação do lote piloto e a validação do produto. baseado em ROMANO (2003) 14

15 Planejamento do Plano do Informacional Conceitual Especificações de Concepção Preliminar Viabilidade Econômica Detalhado Solicitação de Investimento Preparação da Produção Liberação do Produto Lançamento Lote Inicial Validação Validação do Domínios de conhecimentos envolvidos no processo de desenvolvimento integrado de produtos Gestão Empresarial GE: envolve a tomada de decisão da diretoria da empresa; Gerenciamento de GP: engloba a iniciação, o planejamento, a execução, o controle e o encerramento do projeto; Marketing MK: trata-se da pesquisa de mercado, planejamento de marketing, propaganda e venda do produto; do Produto PP: compreende o desenvolvimento e validação do projeto do produto; da Manufatura PM: trata do desenvolvimento e da implementação do plano de manufatura; Suprimento SU: refere-se ao planejamento e controle de suprimentos, bem como o envolvimento de fornecedores no desenvolvimento do projeto do produto e do plano de manufatura; Domínios de conhecimentos envolvidos no processo de desenvolvimento integrado de produtos Qualidade QU: considera do atendimento do produto às metas de qualidade; Segurança SE: abrange a avaliação da segurança do produto; Dependabilidade DP: corresponde ao atendimento do produto às metas de confiabilidade e mantenabilidade. Inclui a realização de testes e a preparação da logística de assistência técnica; Administrativo-Financeiro AF: compreende questões administrativas, jurídicas e financeiras da empresa; Produção PR: refere-se à implementação do plano de manufatura e da produção dos produtos; Pós-venda PV: compreende as ações corretivas e de apoio nos casos de falha ou defeito do produto Processo de modelagem Modelo de Referência para o PDMA Forma de descrição das atividades e tarefas no modelo PRODIP PDP inicial PDP melhorado mercado projeto ferramental testes desenhos projeto pós-vendas produção protótipo lote piloto pósvendas lançamento vendas Caminho de migração Modelo PDP Plano de Fluxograma Cronograma Recursos Atividades... é um modelo que pode ser usado como base para o desenvolvimento ou a avaliação de modelos particulares. ROMANO (2003) 89 Representação Descritiva do Modelo de Referência para o PDMA 90 PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS PLANEJAMENTO PROJETAÇÃO IMPLEMENTAÇÃO ROMANO (2003) PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS PLANEJAMENTO PROJETAÇÃO IMPLEMENTAÇÃO Planejamento do Informacional Conceitual Preliminar Preparação Lançamento Detalhado da Produção Validação Plano do Especificações de Concepção Viabilidade Solicitação de Liberação do Lote Inicial Econômica Investimento Produto Validação do ROMANO (2003) 15

16 91 92 FASE 1 PRODIP - Fase 1 Planejamento do projeto Estratégias da organização e planejamento do produto FASE 1 - Planejamento do projeto FASE 1 PLANEJAMENTO DO PROJETO Planejamento de marketing Carta de projeto Partes envolvidas no projeto Plano de comunicações Declaração do escopo do projeto Classificação do risco do projeto Plano do projeto Plano de suprimentos Plano de qualidade Lições aprendidas Aprovação do plano do projeto Política de segurança FASE 2 - informacional 93 FASE 1 94 FASE 1 PRODIP - Fase 1 Planejamento do projeto Destina-se ao planejamento de um novo projeto face às estratégias de negócio da empresa e à organização do trabalho a ser desenvolvido ao longo do processo; A partir do plano estratégico de produtos, o planejamento de marketing é iniciado e aprovado, liberando a criação do termo de abertura do projeto ou carta de projeto, que formaliza a existência do projeto dentro da organização; Identificação das partes envolvidas no projeto (os clientes diretos e indiretos, parceiros, participantes da organização do projeto, etc.) e com a elaboração do plano de gerenciamento das comunicações (diretrizes para o sistema de informações do projeto). PRODIP - Fase 1 Planejamento do projeto Elaboração da declaração do escopo do projeto do produto, que descreve a justificativa do projeto, suas restrições, o que será desenvolvido (características do produto), as saídas desejadas de cada fase do projeto, bem como os objetivos do projeto; A declaração do escopo do projeto é detalhada através da elaboração da estrutura de decomposição do projeto, ou estrutura de desdobramento do trabalho (EDT) que define o que é objeto do projeto; Avaliação do risco do projeto para as áreas envolvidas da organização, resultando numa classificação do risco do projeto. 95 FASE 1 96 PRODIP - Fase 1 Planejamento do projeto A partir da classificação dos riscos são definidas a equipe de gerenciamento do projeto e todas as demais atividades necessárias à elaboração do plano do projeto do produto, que orientará a execução das macro-fases de projeto do produto e de implementação; Paralelamente ao plano do projeto, são desenvolvidos os planos de gerenciamento de suprimentos e da qualidade, bem como estabelecidas metas de segurança a serem atendidas com o novo projeto; As melhores práticas relacionadas à realização das tarefas da fase são registradas para incorporação a novos projetos como lições aprendidas. Ao encerrar as atividades da fase, submete-se o plano do projeto à aprovação, a qual é o critério que autoriza o progresso para a fase seguinte. FASE 2 PROJETO INFORMACIONAL 16

17 97 FASE 2 98 FASE 2 PRODIP - Fase 2 Informacional FASE 1 - Planejamento do projeto FASE 2 - informacional Apresentação plano do projeto Monitoramento do mercado/planejamento de marketing Fatores de influência no projeto cia na manufatura Fatores de influên- Envolvimento de fornecedores Necessidades Requisitos Requisitos Máquinas disponíveis no mercado de projeto segurança aprendidas cificações projeto Especificações Informações de Lições Aprovação das espe- dos usuários dos usuários de projeto Metas de dependabilidade Análise econômica finaceira Custo meta da máquina Atualização do plano do projeto Avaliação das especificações Monitoramento do progresso do projeto PRODIP - Fase 2 Informacional Destina-se à definição das especificações de projeto do produto; São realizadas diversas tarefas que buscam a definição dos fatores de influência no projeto do produto; Paralelamente, o planejamento de marketing é continuado, sendo o mercado monitorado para identificar variações que possam influenciar na determinação das especificações de projeto; Para estabelecer as especificações de projeto são identificadas, primeiramente, as necessidades dos clientes ou usuários, sendo estas desdobradas em requisitos dos usuários. FASE 3 - conceitual 99 FASE PRODIP - Fase 2 Informacional A partir dos requisitos dos usuários são definidos os requisitos de projeto do produto, considerando diferentes atributos: funcionais, ergonômicos, de segurança, de confiabilidade, de modularidade, estéticos e legais, entre outros; Conhecidos os requisitos de projeto, uma avaliação comparativa dos produtos disponíveis no mercado permite verificar o atendimento das mesmas aos requisitos dos usuários e aos do projeto; Dos requisitos de projeto derivam as especificações de projeto, ou seja, os objetivos a que o produto, a ser projetado, deve atender. FASE 2 PRODIP - Fase 2 Informacional De posse das especificações de projeto, são definidos: os fatores de influência no plano de manufatura; a estratégia para o envolvimento de fornecedores de componentes; as informações sobre segurança no ciclo de vida; as metas de dependabilidade; e, o custo meta do produto; Antes da aprovação das especificações de projeto, as mesmas são avaliadas quanto ao atendimento do escopo do projeto; Para concluir a fase de projeto informacional, as especificações de projeto do produto são submetidas à aprovação, que é considerado o critério que autoriza o progresso para a fase seguinte; 101 FASE PRODIP - Fase 2 Informacional - Ilustração FASE 3 PROJETO CONCEITUAL 17

18 103 FASE FASE 3 PRODIP - Fase 3 conceitual FASE 2 - informacional FASE 3 - conceitual Orientação da equipe Monitoramento do mercado/planejamento de marketing Estrutura funcional Processos de fabricação Envolvimento dos fornecedores Concepções Concepção Lições alternativas selecionada aprendidas Estudo inicial de segurança Avaliação da concepção Monitoramento do progresso do projeto Aprovação da concepção Análise econômica financeira Atualização do plano do projeto PRODIP - Fase 3 Conceitual Destina-se ao desenvolvimento da concepção do produto. É iniciada com a orientação da equipe de desenvolvimento a respeito das atualizações do plano do projeto; São realizadas diversas tarefas que buscam, primeiramente, estabelecer a estrutura funcional do produto. Esta atividade envolve a definição da função global a ser executada, bem como, de suas sub-funções; Estudo de estruturas funcionais alternativas, com o objetivo de selecionar a mais adequada; Sobre a estrutura funcional selecionada são desenvolvidas concepções alternativas. FASE 4 - preliminar 105 FASE PRODIP - Fase 3 Conceitual O planejamento de marketing é continuado, sendo o mercado monitorado para a identificação de variações que possam influenciar no desenvolvimento da concepção; Para a seleção da concepção faz-se uma análise comparativa entre as alternativas considerando: as especificações de projeto; o custo meta; os riscos de desenvolvimento (do projeto do produto e do plano de manufatura complexidade, prazo, custo, envolvimento de fornecedores, etc.); as metas de qualidade, de segurança e de dependabilidade; FASE 3 PRODIP - Fase 3 Conceitual Uma vez selecionada a concepção do produto inicia-se os estudos para identificação dos processos de fabricação (novos ou conhecidos, internos ou externos) possíveis de serem utilizados; Simultaneamente, são definidos os prazos junto aos fornecedores para o desenvolvimento do projeto preliminar e detalhado das sub-funções especificadas na estrutura funcional, e é realizado estudo inicial de segurança na concepção selecionada; Avaliação da concepção quanto ao atendimento ao escopo do projeto. 107 FASE PRODIP - Fase 3 Conceitual A concepção aprovada é o critério que autoriza o progresso para a fase seguinte. São realizadas ainda a análise e atualização econômica e financeira do plano do projeto. O monitoramento do progresso do projeto é realizado simultaneamente às tarefas da fase. O comprometimento das áreas envolvidas no desenvolvimento é obtido através da assinatura da ficha de aprovação de passagem de fase. FASE 3 PRODIP - Fase 3 Conceitual - Ilustração 18

19 FASE 4 PRODIP - Fase 4 Preliminar FASE 3 - conceitual FASE 4 - preliminar Orientação da equipe Monitoramento do mercado/planejamento de marketing FASE 4 PROJETO PRELIMINAR Leiaute inicial Leiautes alternativos Leiaute dimensional Leiaute final Plano de fabricação e de teste do protótipo Estrutura preliminar do protótipo Requisitos de manufatura Capabilidade de manufatura interna Capabilidade de manufatura externa Viabilidade econômica Avaliação da viabilidade econômica Lições aprendidas Aprovação da viabilidade econômica Análise de segurança Análise econômica financeira Atualização do plano do projeto Monitoramento do progresso do projeto FASE 5 - detalhado 111 FASE PRODIP - Fase 4 Preliminar Destina-se ao estabelecimento do leiaute final do produto e à determinação da viabilidade técnica e econômica; Para estabelecer o leiaute final, as tarefas realizadas são: a identificação das especificações de projeto que relacionam os requisitos de forma (dimensões), leiaute (posição), material, segurança, ergonomia e manufatura; a definição dos componentes e/ou unidades de grupos existentes a serem utilizados (comprados e/ou desenvolvidos por fornecedores); a revisão das patentes e considerações sobre aspectos legais e de segurança; a seleção de leiautes alternativos para atender ao número de modelos do produto definidos no planejamento de marketing; FASE 4 PRODIP - Fase 4 Preliminar Para estabelecer o leiaute final, as tarefas realizadas são: o estabelecimento das principais dimensões dos componentes, tipo de material, processo de fabricação, tolerâncias; a realização de testes com mock-up para confirmar o atendimento dos leiautes alternativos às necessidades do mercado; a avaliação dos leiautes dimensionais sob o ponto de vista da viabilidade técnica do projeto, dos processos de manufatura, visando à otimização da concepção. Paralelamente às atividades da fase, o planejamento de marketing é continuado, sendo o mercado monitorado para a identificação de variações que possam influenciar no estabelecimento do leiaute final do produto. 113 FASE PRODIP - Fase 4 Preliminar Para atender as suas funções o projeto preliminar faz uso de diferentes tipos de modelos: icônicos, analógicos, numéricos e computacionais, também conhecidos como protótipos virtuais; Estabelecido o leiaute final, inicia-se o desenvolvimento do plano de fabricação e de teste do protótipo e a elaboração da estrutura preliminar do protótipo, que serve de parâmetro para o cálculo inicial de custo; Definem-se os requisitos de manufatura do protótipo, avalia-se a capacidade de manufatura interna e externa dos componentes e realiza-se a análise de segurança sobre o leiaute final. FASE 4 PRODIP - Fase 4 Preliminar Na seqüência, determina-se a viabilidade econômica. Antes da aprovação da viabilidade econômica, a mesma é avaliada quanto ao atendimento ao plano estratégico de negócio da empresa; A viabilidade econômica é submetida à aprovação, sendo este o critério que autoriza o progresso para a fase seguinte; São realizadas a análise econômica e financeira do projeto e a atualização do plano do projeto. 19

20 115 FASE PRODIP - Fase 4 Preliminar - Ilustração FASE 5 PROJETO DETALHADO 117 PRODIP - Fase 5 Detalhado 118 FASE 5 FASE 4 - preliminar FASE 5 - detalhado Orientação da equipe Monitoramento do mercado/planejamento de marketing Fabricação de Montagem do Apresentação do Testes de laboratório, Plano de ação Aprovação do componentes protótipo protótipo campo, clínica corretiva do protótipo protótipo Estrutura do produto Certificação de Componentes componentes Documentação do Avaliação da Solicitação de otimizados produto revisada solicitação de investimento investimento Plano de manufatura Controle de Lições mudanças do projeto aprendidas Especificações técnicas Manual de instruções Procedimentos de assistência técnica Catálogo de peças manual de assistência Monitoramento do progresso do projeto Aprovação da solicitação de investimentos Análise econômica financeira Atualização do plano do projeto PRODIP - Fase 5 Detalhado Destina-se a vários propósitos: aprovação do protótipo; finalização das especificações dos componentes; detalhamento do plano de manufatura; e, preparação da solicitação de investimento; O protótipo é construído e são concluídos os testes e ensaios de laboratório e de campo, de acordo com os planos de fabricação e de teste, emitidos na fase anterior; Durante a realização dos testes são realizadas diversas análises, como por exemplo, análise de segurança do protótipo e/ou de componentes do produto; É concluída a otimização das especificações dos componentes. FASE 6 - Preparação da produção 119 FASE PRODIP - Fase 5 Detalhado A estrutura do produto é completada, os componentes certificados, o plano de manufatura detalhado e as especificações técnicas fixadas; Nesta fase é iniciada a elaboração do manual de instruções, do manual de assistência técnica e do catálogo de peças; Inicia-se a revisão da documentação gerada e implementação do controle das mudanças do projeto; A partir do projeto do produto e do plano de manufatura é preparada a solicitação de investimento; FASE 5 PRODIP - Fase 5 Detalhado No encerramento da fase de projeto detalhado, a solicitação de investimento é submetida à aprovação, sendo este o critério que autoriza o progresso para a fase seguinte; São finalizadas as análises econômica e financeira do projeto do produto e a atualização do plano do projeto. O monitoramento do progresso do projeto é realizado simultaneamente às tarefas da fase. A decisão, de passagem para fase de produção, é submetida à aprovação da equipe de desenvolvimento. 20

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