Proposta de um Modelo Simplificado de Aquisição de Software para Pequenas Empresas

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1 Proposta de um Modelo Simplificado de Aquisição de para Pequenas Empresas Paulo Sérgio Brandão Lima e Lúcia Vilela Leite Filgueiras Resumo: Para muitas empresas, considerando-se o custo e o prazo de implantação, muitas vezes é melhor adquirir do que desenvolver software. Nas empresas de pequeno porte, a aquisição costuma ser a principal alternativa a ser considerada, já que raramente essas empresas possuem estrutura suficiente para o desenvolvimento de soluções próprias de software. No entanto, apesar de várias empresas já reconhecerem a importância da qualidade de software no Brasil, observa-se que poucas são as que seguem algum modelo de processo para aquisição, ou mesmo possuem critérios claramente definidos para proceder a essas aquisições, sobretudo as de pequeno porte. O presente trabalho pretende discutir a aquisição de software nas empresas de pequeno porte e propor um processo organizado de aquisição, com vistas a se obter qualidade no produto final, o software adquirido. Este processo de aquisição proposto tem como base a definição de um papel, o de agente de aquisição, uma empresa especialista que incorpora parcialmente as tarefas de aquisição. Palavras-chave: Engenharia de, Qualidade, Aquisição de. I. INTRODUÇÃO Nos últimos tempos, tanto quanto os recursos materiais, humanos e tecnológicos, a informação passou a desempenhar um papel fundamental nas organizações, independentemente do seu porte. Os sistemas de software, atualmente, são considerados como parte integrante da infra-estrutura dos processos de negócio, ou seja, são eles que garantem controle, velocidade e produtividade para as empresas. Num mundo cada vez mais competitivo, trabalhar com o software adequado pode significar um ganho de negócio, da mesma forma que trabalhar com um software inadequado pode ter reflexos desastrosos para as empresas. Dada essa relevância atribuída ao software, a escolha de um produto que auxilie na condução dos negócios traz sempre muita preocupação para as empresas. As opções do mercado vão desde o desenvolvimento próprio até a aquisição de software. Segundo Pressman [5] as opções de aquisição disponíveis são: de Prateleira (COTS - comercial-off-theshelf): pode ser comprado ou licenciado; P. S. B. Lima é mestrando do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo ( L. V. L. Filgueiras é professora titular do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo ( de Prateleira Aberto (MOTS modifiedoff-the-shelf): o software de prateleira pode ser comprado e depois modificado para satisfazer a necessidades específicas; feito sob encomenda por terceiros: software desenvolvido por terceiros para atender às especificações do adquirente. Em muitas áreas de aplicação, considerando-se o custo e o prazo de implantação, muitas vezes é melhor adquirir do que desenvolver software. Nos últimos anos, a aquisição de software passou a ser vista pelas organizações como uma opção importante na busca de melhoria da qualidade da informação, na medida em que muitas vezes oferece produtos mais adequados. Entenda-se por produtos mais adequados aqueles que satisfazem as necessidades dos usuários, com um custo e prazo de implantação menor se comparado a um software desenvolvido internamente. Nas empresas de pequeno porte, a aquisição costuma ser a principal alternativa a ser considerada, já que a existência de pessoas com formação tecnológica suficiente para o desenvolvimento de soluções de software é algo raro, devido principalmente, ao custo de manutenção de pessoal técnico especializado no seu corpo de colaboradores. No entanto, apesar da importância cada vez maior atribuída à qualidade nas empresas, nota-se que poucas são as que seguem algum modelo de processo para avaliação de um produto (software), para seleção de um fornecedor, ou mesmo que possuam critérios claramente definidos para proceder a essas aquisições. Existem atualmente várias normas e modelos de qualidade em processos de software, como a norma ISO [6] e os modelos CMM [8] e ISO/IEC [11], porém a ênfase dada é na qualidade para o fornecedor e não para o adquirente. Embora haja normas e modelos voltados para aquisição, como o SA-CMM [10] entre outros, as empresas adquirentes, sobretudo as de pequeno porte, os desconhecem, fazendo com que adquirir software com qualidade seja ainda um objetivo distante de ser alcançado para a maioria delas. Além disso, pode-se observar que as normas e modelos de qualidade existentes para aquisição foram concebidas para grandes organizações compradoras de software, como por exemplo, órgãos governamentais, o que torna difícil a sua interpretação no ambiente de pequenas empresas, nas quais o processo de aquisição é executado apenas esporadicamente. Considerando-se que, segundo dados do SEBRAE-SP [7], em dezembro de 1999, o número de micros e pequenas empresas atuando no Estado de São Paulo, nos ramos da indústria, comércio e serviço, era de mais de , um

2 modelo de aquisição de software voltado para esse segmento terá um grande potencial de aplicação. Este trabalho estuda o processo de aquisição de software utilizado pelas empresas de pequeno porte e propõe um processo organizado de aquisição, com vistas a se obter um produto final (software adquirido) de qualidade. O processo de aquisição proposto tem como base a definição de um papel, o de agente de aquisição, uma empresa especialista que incorpora parcialmente as tarefas de aquisição II. METODOLOGIA Para alcançar o objetivo proposto iniciou-se pelo estudo das principais normas e modelos de qualidade, não só os voltados especificamente para aquisição de software, como outras que embora não tão específicas, tratam a aquisição de uma forma relevante. A seguir, diversos problemas no processo de aquisição de software utilizado pelas MPEs 1 foram levantados em pesquisa de campo efetuada em um grupo de 25 empresas. Foi então proposto um processo simplificado de aquisição de software para MPEs. Este processo cujo objetivo é resolver os problemas levantados foi derivado das principais normas e modelos de qualidade existentes, buscando-se atingir um nível de simplicidade que atendesse às características das MPEs, sem com isso comprometer o resultado da aquisição. A base desse processo simplificado é o agente de aquisição. Finalmente buscou-se a validação deste processo de aquisição através de um estudo de caso em uma empresa de pequeno porte. III. MODELOS DE QUALIDADE Dentre os modelos e normas estudados, foram escolhidos para dar base a este trabalho, o SA-CMM, a IEEE std 1062 [2], a ISO/IEC [3], a ISO/IEC [11] e o PMBOK [4]. Os dois primeiros foram selecionados por serem voltados especificamente para organizações adquirentes de software. As normas ISO/IEC e ISO/IEC 15504, por sua vez, foram escolhidas por tratarem o processo de aquisição de uma forma completa e abrangente. Já o PMBOK, apesar de não ser específico para a área de software, foi selecionado por conter os aspectos gerenciais do processo de aquisição e por sua importância como guia na área de gerência de projetos. A tabela 1 mostra um quadro resumo com os modelos de qualidade estudados neste trabalho e seu relacionamento com as atividades do processo de aquisição. O quadro foi construído com base no conjunto união das atividades relatadas nos modelos de aquisição citados, com o objetivo de se obter uma visão completa do processo de aquisição, a partir da qual se pode derivar um processo específico para as MPEs. Conforme se pode observar na tabela 1, todos os modelos estudados contemplam as atividades de planejamento da aquisição, preparação da solicitação, solicitação, seleção do fornecedor, administração do contrato e aceitação, embora, muitas vezes, os seus nomes possam variar de modelo para modelo. 2 As normas ISO/IEC 12207, ISO/IEC e o PMBOK referem-se à aquisição como parte de um projeto maior, mas contribuem para esta pesquisa ao identificarem os processos centrais da aquisição. Já a IEEE Std e o SA-CMM tratam a aquisição como um processo em si e não apenas como parte do desenvolvimento de um produto, o que é mais aderente à abordagem pretendida neste trabalho. Essas normas, por serem mais específicas, tratam a aquisição de forma mais abrangente. IV. A PESQUISA DE CAMPO E SEUS RESULTADOS O objetivo desta pesquisa de campo foi o de identificar como é feita a aquisição de software nas empresas de pequeno porte e quais são os principais problemas encontrados nestas aquisições. Para isto foram escolhidas 25 micros e pequenas empresas, onde foi aplicado um questionário em forma de entrevista com os adquirentes. A pesquisa efetuada com esse grupo de empresas veio confirmar os indícios de que não há um processo de aquisição de software estruturado nas MPEs. A condução desse processo é dependente das pessoas que o executam, que na maioria das vezes, não estão preparadas para essa atividade. As atividades mínimas requeridas num processo de aquisição, quando executadas, são realizadas de maneira informal. Raras são as empresas que não relatam uma ou mais experiências frustradas de aquisição de software, o que demonstra que na maioria delas esse ainda é um processo que ocorre na base da tentativa e erro, onerando o custo do produto final. Com isso a possibilidade de poder contar com um especialista para dar suporte a esse processo, o agente de aquisição, foi muito bem aceita pela maioria das empresas pesquisadas. Aspectos como confiabilidade da empresa ou pessoa que vai exercer esse papel e o custo do serviço prestado, foram considerados importantes para a viabilidade e o sucesso dessa figura. O aspecto mais crítico do processo de aquisição de software nas MPEs, observado por esta pesquisa, é a informalidade com que são tratadas atividades importantes, como a definição dos requisitos, a seleção do fornecedor/produto e até mesmo a elaboração do contrato. Outro aspecto igualmente crítico é a falta de preparo dos responsáveis para executar a aquisição. PROCESSO SIMPLIFICADO DE AQUISIÇÃO DE SOFTWARE O processo simplificado de aquisição de software, aqui apresentado, visa organizar a aquisição de software nas MPEs, de maneira a resolver os principais problemas levantados na pesquisa de campo. Ele foi derivado das normas e modelos de qualidade estudados, porém apresenta com base a figura do agente de aquisição, uma empresa especialista que incorpora parte das atividades desse processo. 1 MPEs = Micros e Pequenas Empresas.

3 3 Atividades do Processo de aquisição ISO/IEC ISO/IEC IEEE Std. SA-CMM PMBOK (Nível 2) Planejamento da aquisição Preparação da solicitação Solicitação Seleção do fornecedor Gerenciamento de requisitos Gerenciamento de projeto Administração do contrato Aceitação Transição para o suporte Acompanhamento Tabela 1 Quadro resumo das atividades de aquisição por Modelo A. O Agente de Aquisição Conforme a pesquisa de campo identificou, além dos problemas relativos ao processo de aquisição de software, um outro aspecto crítico observado nas MPEs é a falta de pessoal tecnicamente qualificado para proceder a aquisição. A grande maioria dessas empresas não conta um especialista em informática e mesmo quando o tem, este nem sempre está preparado para adquirir com qualidade, visto que isto envolve um perfil de conhecimentos profissionais nem sempre acessíveis à MPE. Seria desejável que o profissional encarregado de conduzir as aquisições tivesse conhecimento dos processos organizacionais da empresa que se deseja informatizar, ou de empresas similares; tivesse conhecimento do que a tecnologia da informação e o mercado de softwares oferecem para informatização dos processos estudados e experiência na condução de processos estruturados de aquisição. É muito importante também que esse profissional não tenha vínculo com nenhum tipo de produto ou solução específica, já que isso pode induzir a soluções inadequadas, ou no mínimo viciadas, devido aos interesses envolvidos. Por outro lado, a preparação de uma pessoa ou equipe interna, de maneira a se obter a formação desejável para garantir uma aquisição de software com qualidade, não se justifica. Isto devido à estrutura enxuta e multifuncional que caracteriza as MPEs e principalmente pela baixa frequência com que essas aquisições ocorrem nessas empresas. Portanto, para resolver o problema da aquisição de software nas MPEs há que se definir não só a sistematização do processo de aquisição, como resolver a questão sobre quem exerceria o papel de adquirente. A proposta desse trabalho resgata a figura do agente de aquisição, figura essa citada na ISO/IEC [3], como solução para a questão acima. O agente seria um profissional ou empresa contratada para intermediar a aquisição para as MPEs. Um escritório de projetos, como citado no SA-CMM [10] e em [1], simplificado, isto é, com o escopo reduzido e terceirizado, o agente teria o papel de conduzir e orientar todo o processo de aquisição, administrando cada tarefa a ser executada de maneira que esta ocorra dentro do prazo previsto, com a qualidade esperada e com a participação necessária. Este profissional da aquisição tem como perfil desejado, o conjunto de conhecimentos necessários anteriormente citados, para desempenho da função. Isto permite ao agente agregar aos projetos de aquisição conhecimentos de situações práticas já vividas, bem como atuar, quando necessário, na melhoria dos processos da MPE, de maneira que a aquisição de software traga à empresa os benefícios esperados. O papel de agente de aquisição de software para as MPEs pode ser exercido por outras empresas de pequeno porte ligadas à informática, por exemplo, por lojas que comercializam software. Essas lojas já exercem, mesmo que informalmente, um papel de aconselhamento ao cliente que poderia ser ampliado e estruturado para atender aos requisitos da função de agente. B. O Processo de Aquisição O processo de aquisição proposto considera como alternativas de aquisição COTS, MOTS e desenvolvimento contratado. Suas atividades são relacionadas na tabela 2. Há atividades que são executadas especificamente para COTS, outras que são executadas especificamente para MOTS e desenvolvimento contratado e outras que atendem aos três tipos de produtos (figura 1). ATIVIDADES SUB-ATIVIDADES 0. Preparar o agente 1. Preparar a aquisição 2. Adquirir software 2.1 Pesquisar alternativas; 2.2 Levantar informações sobre COTS; 2.3 Solicitar propostas; 2.4 Selecionar proposta / software; 2.5 Administrar contrato; 2.6 Aceitar software 3. Implantar software 4. Avaliar processo Tabela 2 Atividades do Processo Simplificado de Aquisição de para MPEs 1) Preparar o Agente Esta atividade é inerente ao agente de aquisição e precede à aquisição propriamente dita. Ela envolve a capacitação e a atualização do agente para prestação do serviço de intermediação da aquisição, de maneira a adquirir a competência necessária à execução eficiente do seu trabalho. 2) Preparar a Aquisição A preparação da aquisição envolve levantar os requisitos do software, assim como as restrições de orçamento, de prazo de implantação e de ambiente tecnológico (plataforma). Essas

4 informações deverão gerar o plano de aquisição e o critério de avaliação que darão subsídio às demais etapas do processo de aquisição. Esta atividade é conduzida pelo agente e tem a participação do usuário no fornecimento das suas informações de entrada (requisitos e restrições) e na validação do plano de aquisição e do critério de avaliação. 0 Preparar Agente Necessidade de Capacitação 2.2 Levantar informações s/ Cots Sim Sim 1 Preparar Aquisição 2.1 Pesquisar Alternativas COTS 2.4 Selecionar Proposta/ COTS 3 Implantar 4 Avaliar Processo Necessidade de Aquisição Não 2.3 Solicitar Propostas Não 2 Adquirir 2.5 Administrar Contrato 2.6 Aceitar Figura 1 Processo Simplificado de Aquisição de para MPEs 3) Adquirir A atividade Adquirir envolve a seleção e a aquisição da alternativa selecionada. Ela é subdividida em outras atividades que serão descritas a seguir. a) Pesquisar alternativas Essa atividade prevê a pesquisa das opções de aquisição disponíveis no mercado de software. É levantado o que existe de software para a aplicação desejada em termos de produtos prontos (COTS) e semi-prontos (MOTS), além dos fornecedores capacitados a desenvolver um produto específico, caso seja necessário. Cabe ao agente, com o seu conhecimento do mercado, direcionar o levantamento às opções mais indicadas para cada caso. Essas opções são então examinadas em conjunto com o usuário e é feita uma pré-seleção dos candidatos à aquisição. b) Levantar informações sobre COTS Essa atividade é executada pelo agente, exclusivamente quando a alternativa de aquisição considerada é um produto do tipo COTS. Ela envolve levantar as condições comerciais dos softwares de prateleira (COTS) candidatos à aquisição, ou seja, preço, forma de pagamento e custo do suporte pós compra. c) Solicitar propostas Essa atividade também é executada pelo agente e prevê a elaboração da solicitação de uma proposta de fornecimento, a partir dos requisitos do software. Isso se aplica no caso da opção de aquisição ser um software do tipo MOTS ou um software desenvolvido especificamente para a aplicação do adquirente. d) Selecionar proposta / software Esta atividade envolve a avaliação das alternativas de aquisição prospectadas, considerando-se custo, prazo e recursos de funcionalidade de cada um dos produtos candidatos. Para identificar o grau de atendimento aos requisitos estabelecidos, aplica-se o critério de avaliação definido na atividade de preparação da aquisição. Isto é feito pelo agente em conjunto com o usuário. e) Administrar contrato Essa atividade prevê a elaboração e o acompanhamento do contrato de fornecimento, no caso da opção de aquisição ser um software do tipo MOTS ou um software desenvolvido especificamente para a aplicação do adquirente. Os envolvidos nesta atividade são o agente, o usuário e, se necessário, o assessor jurídico do usuário f) Aceitar software Essa atividade também é executada no caso da opção de aquisição ser um software do tipo MOTS ou um software 4

5 desenvolvido especificamente para a aplicação do adquirente. Envolve avaliar se o software foi concluído corretamente, dentro das condições estabelecidas. Compete ao usuário, com o apoio do agente, fazer esta avaliação. O agente pode contribuir com a sua experiência na preparação dos testes. 4) Implantar A atividade implantar software contempla o planejamento e a execução da implantação do software. Isto envolve a instalação do software, o treinamento dos usuários e a carga inicial dos dados. A carga inicial dos dados deve ser feita pelo usuário com o apoio do agente. Já a responsabilidade pela instalação e o treinamento vai depender do tipo de software a ser implantado. Se o software for um COTS essas tarefas devem ser executadas pelo agente, caso contrário, pelo próprio fornecedor. 5) Avaliar Processo Esta atividade tem como objetivo aprimorar continuamente o processo de aquisição, de maneira que as experiências de aquisições anteriores venham a contribuir com as novas aquisições. É uma atividade executada pelo agente e envolve avaliar o grau de satisfação do usuário com o software, o desempenho do fornecedor e até mesmo as práticas adotadas no processo de aquisição como um todo, armazenando estas informações para utilização em futuras aquisições. V. ESTUDO DE CASO Finalmente buscou-se a validação deste processo de aquisição através de um estudo de caso de aquisição, em uma empresa de pequeno porte. O caso relatado refere-se à aquisição de um software financeiro para um colégio de médio porte, onde foram seguidas as atividades do processo simplificado de aquisição de software descritas anteriormente. Este colégio classifica-se, segundo o critério do Sebrae-SP [SEBRAE, 2000], que considera número de funcionários e faixa de faturamento da empresa, como Empresa de Pequeno Porte. Portanto, mostra-se adequado a um estudo de caso do processo simplificado de aquisição. A empresa em questão não utilizava nenhum sistema informatizado para a área financeira, sendo todos os seus controles efetuados de forma manual. Esse controle manual das atividades da tesouraria acarretava, entre outros problemas, sobrecarga de trabalho para alguns funcionários, acúmulo de papeis, dificuldade para controlar os gastos e receitas por setor da escola, dificuldade no tratamento de informações gerenciais e uma perda de qualidade no atendimento aos alunos e seus pais, devido à morosidade das informações. Para resolver os problemas acima relatados, a mantenedora resolveu informatizar o setor financeiro do colégio, implantando um software de controle para esse setor. Como o colégio não possui uma área própria para desenvolvimento de software, optou-se pela aquisição. 5 Uma vez decidida a adquirir o software, a questão passou a ser como fazer essa aquisição e quem deveria conduzi-la. Como o colégio não possui uma área específica de informática e também já havia tido uma experiência frustrada em aquisição de software conduzida internamente, a mantenedora optou por pedir o auxílio de um especialista para apoiá-la durante o processo de aquisição. Este especialista, pelo seu conhecimento e experiência, atende ao perfil do agente proposto neste trabalho. Possui experiência profissional em tecnologia da informação e desenvolvimento de software, e também em aquisição de software. Possui ainda conhecimento do mercado de software e não tem vínculo com nenhuma solução específica, o que o qualifica para função. O seu papel seria o de conduzir todo o processo de aquisição, de maneira a obter um software que permitisse ao colégio atingir os objetivos estipulados. Procedeu-se a aquisição do software utilizando-se como roteiro as atividades do processo simplificado de aquisição de software para MPEs. Esta experiência propiciou algumas observações em relação ao processo: O trabalho do agente de aquisição mostrou-se muito importante. Foi ele que, com sua experiência, coordenou os trabalhos da aquisição dando ritmo a eles. Sua atuação também aliviou a carga de trabalho dos usuários, uma vez que ele assumiu parte de suas atividades. O trabalho do fornecedor também foi facilitado, já que algumas atividades técnicas foram absorvidas pelo agente, como a especificação de requisitos. A comunicação com o fornecedor também foi facilitada, uma vez que era feita de técnico para técnico. A capacitação do agente para a execução da aquisição é um fator importante de redução de tempo e custo. Caso, ao iniciar o trabalho seja identificada uma carência do agente em relação ao tipo de aplicação a que o software se destina, o processo de aquisição deve contemplar a preparação do agente sem custo para o projeto, de maneira a não onerá-lo. Deve-se sempre elaborar um contrato entre o agente e o cliente, onde fiquem estipuladas claramente as atribuições do agente e a sua forma de remuneração. Isto é importante para que o agente não venha a ser cobrado por atividades de responsabilidade do usuário ou do fornecedor. É preciso que o agente e os usuários façam uma boa preparação da aquisição, discutindo exaustivamente as restrições do projeto e o detalhamento dos requisitos, pois isto vem a facilitar as fases seguintes do processo. Deve-se procurar chegar à fase de seleção da proposta / software com no mínimo duas e no máximo três alternativas pré-selecionadas. Muitas alternativas implicam numa perda de eficiência do processo, enquanto que uma única alternativa não permite comparação. Em se tratando de desenvolvimento contratado ou MOTS, um maior detalhamento dos produtos oriundos de cada etapa do projeto permitirá um melhor acompanhamento do contrato com o fornecedor. Os testes e a aceitação do produto podem ser feitos parcialmente, na medida em que partes deste forem

6 ficando prontas. Isto facilita a aceitação final, onde uma avaliação global do produto deve ser feita. A participação dos usuários nos testes de aceitação do produto é um fator de aceleração do seu treinamento, refletindo positivamente na atividade de implantação. O planejamento da implantação com a distribuição das responsabilidades de cada tarefa entre fornecedor, agente e usuários é fundamental para o sucesso da implantação. VI. CONCLUSÃO [11] SPICE. ISO/IEC Process Assesment Part 1: Concepts and Introductory Guide, Version Disponível na Internet: <http:\\www.sqi.cit.gu.edu.au/spice/suite> acesso em 18/08/ As observações feitas no estudo de caso, bem como as opiniões colhidas com usuários e fornecedor, permitem concluir que a utilização do processo simplificado de aquisição de software para MPEs é viável e pode ser aprimorado com o seu próprio uso, já que uma de suas atividades Avaliar Processo propicia um feedback que alimentará ajustes e melhorias ao processo. Portanto, este trabalho pode contribuir como roteiro para aquisição de software nas empresas de pequeno porte, orientado-as nas boas práticas de aquisição, de maneira a se obter um produto adquirido de qualidade. Com isto, um grande número de empresas que dependem dos seus softwares para a eficiência dos seus negócios, poderá melhorar a sua competitividade num mercado tão concorrido como o das MPEs. O trabalho serve também como roteiro de orientação a empresas de pequeno porte que assumam o papel de agentes de aquisição, criando-se assim um novo potencial de negócios. VII. REFERÊNCIAS [1] Filgueiras, L.V.L.; Melnikoff, S.S.S.; Souza, R.C.G. Sistema de gerência de projetos de desenvolvimento e aquisição de software da justiça federal da 3ª região. In: X CITS Conferencia Internacional de Tecnologia de, Curitiba, Anais. p [2] SOFTWARE ENGINEERING STANDARDS COMMITTEE OF THE IEEE COMPUTER SOCIETY. IEEE Std 1062 IEEE Recommended Practice for Acquisition. New York: IEEE, [3] ISO/IEC Information technology life cicle process [4] PMI. A Guide to The Project Management Body of Knowledge (PMBOK Guide 2000 edition) Disponível na Internet: <http://www.pmi.org> acesso em 14/02/2003. [5] Pressman, R. Engineering: A Practioner s Approach. 5 th. Ed. New York: McGraw-Hill, [6] Schmauch, C. H. ISO 9000 for Developers. 2 nd ed. ASQC, 1995, [7] SEBRAE-SP. Onde estão as MPEs paulistas. São Paulo, [8] SOFTWARE ENGINEERING INSTITUTE (SEI). Capability Maturity Model for - Version 1.1. Carnegie Mellon University, Disponível na Internet: <http://www.sei.cmu.edu/publications/documents/93.reports/93.tr.02 4.html> acesso em 14/02/2002. [9] SOFTWARE ENGINEERING INSTITUTE (SEI). Acquisition Capability Maturity Model (SA-CMM) Frequently Asked Questions. Spring, Disponível na Internet: <http://www.sei.cmu.edu/arm/as.cmm.faq.html> acesso em 09/2001. [10] SOFTWARE ENGINEERING INSTITUTE (SEI). Acquisition Capability Maturity Model (SA-CMM) Version 1.03.CMU/SEI-2002-TR-010. Carnegie Mellon University, Disponível na Internet: <http://www.sei.cmu.edu/arm/sa-cmm.html> acesso em 21/05/2003.

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