POLÍTICA PELAS IMAGENS Indícios Visuais de um Novo Território [Cariacica-ES]

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1 POLÍTICA PELAS IMAGENS Indícios Visuais de um Novo Território [Cariacica-ES] Ana Carolina de Melo Loureiro Graduanda em Geografia. Universidade Federal do Espírito Santo Antônio Carlos Queiroz Filho Professor do Departamento e do Mestrado em Geografia Universidade Federal do Espírito Santo 1. A POLÍTICA DO DISCURSO O imaginário contemporâneo tem, cada vez mais, se constituído pelas práticas discursivas que lançam mão das imagens e da visualidade como forma de estabelecer relações políticas e jogos de verdade, no sentido em que nos aponta Eduardo Pellejero, una forma privilegiada de la ficción. Elas são produzidos de forma que o produtor deste não apareça e permanecendo oculto é como se o discurso fosse ele mesmo a própria verdade. Enquanto os outros tipos de discursos aparecem fragmentados e desconectados. Neste contexto, as imagens participam então da produção de conhecimento geográfico já que, a partir delas, são construídas narrativas sobre o mundo em que vivemos. Elas interferem na própria produção espacial, pois estão atreladas ao entendimento que temos sobre ele. Dessa maneira, elas assumem o papel de mobilizadoras das nossas concepções acerca da política e cultura. sendo o imaginar político e o imaginar espacial elementos atrelados (MASSEY, 2008). Esse imaginar contemporâneo - pela legitimidade das histórias e também o pensamento sobre o espaço atua na (re)produção, como reguladores da ação. Aqui queremos chamar a atenção da imagem e também da cidade como discurso. Estas imagens contemporâneas assumem o papel de maiores mobilizadores das concepções acerca da política e cultura, pelo fato de interferir na ideia que se tem do espaço. As imagens tornam-se um novo campo estratégico para as políticas públicas. Sendo elas um discurso, selecionam o que deve ser exibido e privilegiam certos tipos de enunciados transmitindo o que passa a ser aceito como verdade através da manipulação dos fatos, como cita Lyotard, há coisas que devem ser ditas e maneiras de dizê-las (LYOTARD, 2011, p.31). Este discurso imagético acaba por produzir um modelo que

2 guia a ação. Utilizando as palavras de Zygmunt Bauman, A conduta humana é guiada pelas idéias que as pessoas tem (BAUMAN, 2000, p. 115). A ação, segundo Hannah Arendt (2004), assim como o discurso, está diretamente relacionada à condição humana da pluralidade. É a partir dela que os indivíduos se diferenciam e é por ela que é possível a multiplicidade de perspectivas de um mesmo objeto. Porém na contemporaneidade, chama-se atenção para a perda deste caráter plural da ação e do discurso. Entender a relevância dos discursos-modelos está diretamente relacionado à sua mediação nas relações espaciais, sociais e também políticas. São as intencionalidades dos agentes produtores destes padrões e narrativas, que acabam por interferir na capacidade humana de ação sobre o mundo e no mundo. Este mundo produzido é comum a todos onde cada um tem uma perspectiva diferente dele. Cada grupo social vive em uma realidade distinta dos demais. Dessa forma, não vê o mundo por uma totalidade, mas sim a partir de um ângulo específico. É através da ação e do discurso que o homem é inserido no mundo. Os modelos transmitidos pelas imagens assumem um papel político importante ao excluir a liberdade de escolha, produzindo uma cultura de massas. Como destaca Bauman, a restrição do conjunto de alternativas efetivamente disponíveis e as regras que indicam a maneira de reagir no mundo acabam por manipular o ambiente humano e, portanto, também as possíveis sensações nele produzidas e guiando os processos subsequentes de formação de ideias (BAUMAN, 2000, p. 115). Os modelos são fabricados e por isso foram previamente idealizados. Mesmo tentando ser verdade inquestionável, as imagens são sempre uma invenção, uma criação e, por isso, possuem sim um agente criador. Estes modelos dados e inquestionáveis, produzidos por uma parcela da sociedade, são tidos como uma verdade superior, imagens de uma sociedade ideal. Neste contexto, o que os modelos tentam nos ensinar sobre a cidade? Qual será então o modelo de cidade que está sendo fabricado e que estamos consumindo? Quais são os desdobramentos políticos-espaciais destes modelos? 2. CIDADE E IMAGEM Espaço urbano é um ambiente complexo e utilizando as palavras de Kevin Lynch (2011) uma organização mutável e polivalente, um espaço com muitas funções,

3 erguido por muitas mãos num período de tempo relativamente rápido (LYNCH, 2011, p.101), ou ainda uma mistura de estilos, um imbricado de signos, um congestionamento de tráfegos (LYNCH, 2011, p.181). Pelas conexões também é importante compreender não só a cidade, mas também o ambiente metropolitano em que ela está inserida, um ambiente vivido por muitos e ao mesmo tempo com múltiplas interpretações espaciais. Por essa característica, Canevacci atenta ao método de análise da mesma, para ele, compreender uma cidade significa colher fragmentos (...) encontrar uma pluralidade de significados (CANEVACCI, 1942, p.35). A cidade é o lugar do olhar por este motivo a comunicação visual se torna o seu traço característico (CANEVACCI, 1942, p.42). Neste contexto, como lembra o autor Kevin Lynch (2011), está inserida a comunicação pelas mídias. A partir dos novos meios de comunicação que trabalham na produção de uma imagem de uma região de tais proporções, independentes das experiências individuais. A mídia acaba por proporcionar uma locomoção virtual a partir da divulgação de imagens proporcionando também uma experiência sensorial já direcionada e planejada. As imagens estruturadas dessa nova maneira não formam um sistema coerente. Já que, como lembra Lynch A criação da imagem ambiental é um processo bilateral entre observador e observado. O que ele vê é baseado na forma exterior, mas o modo como ele interpreta e organiza isso, e como dirige sua atenção, afeta por sua vez aquilo que ele vê (LYNCH, 2011, p.149). A formação das imagens urbanas são o resultado de um processo duplo entre o observador e o ambiente. Mas, será que esta relação entre o observador e o ambiente não possui certa mediação pelas imagens? As imagens divulgadas na mídia buscam, como diz OLIVEIRA JR (1994), transformar o real em imagem, demonstrando a substituição da cidade pela sua reflexão na tela (OLIVEIRA JR., 1994, p.8). Não só nas reportagens da Tevê, mas também em outros tipos exposição de imagens, pode ser observado este processo de substituição do real pela imagem refletida que é veiculada pelos meios de comunicação. Vivemos então, em uma cidade cuja experimentação do espaço se dá, principalmente pelos olhos e ouvidos, uma cidade comunicativa e que, além disso, a grande mediadora destas relações acaba por ser a mídia, principalmente pelo novo estilo de vida cotidiano. Dessa forma, não se pode esquecer que grande parte dessa comunicação é uma manifestação da linguagem veiculada e produzida pelos meios de comunicação.

4 No livro A Cidade de Quartzo, Mike Davis (2009) faz uma análise da área metropolitana da Califórnia, destacando a cidade de Los Angeles. A cidade em questão passou por um processo semelhante ao que está acontecendo agora na Grande Vitória. Dentro da região metropolitana, Los Angeles teve por função servir como um lugar depósito, sofrendo o impacto contraditório da globalização. Mike Davis (2009) mostra como os poderes políticos e econômicos venderam uma cidade-mercadoria, um estilo de vida traduzido em uma marca visual, uma identidade territorial veiculada, principalmente, pelo cinema. Os grandes problemas vividos pelas cidades não são frutos de falhas em seu planejamento urbano, mas sim, falhas produzidas intencionalmente, como uma estratégia, que produzem, por exemplo, a violência - transformada em identidade territorial - como elemento de justificativa para políticas públicas que produzem cidades cada vez mais fortificadas. Da mesma forma, aqui tentamos entender a participação destas imagens, que mediam estas ações e discursões sobre o espaço, criam um novo território, novas formas de viver e se organizar enfim, funcionalidades que interferem nas dinâmicas espaciais. Nesse sentido, buscamos investigar um conjunto de imagens midiáticas (televisão, internet, encartes, folders, etc) existentes sobre o município de Cariacica-ES, cujo propósito é o de tentarmos entender como essas imagens têm participado da consolidação de novas práticas discursivas e sociais e seus desdobramentos na política territorial e de metropolização capixaba. Foram coletadas imagens midiáticas sobre Cariacica-ES, assim como a análise das mesmas com o intuito de constatar qual seria a principal marca visual atribuída àquele município. Esta seleção se deu, em grande parte, pela coleta de imagens que circulam na internet, bem como, jornais e encartes publicitários. Nossa reflexão buscou compreender sobre como as imagens veiculadas pela internet e pela televisão interferem no planejamento urbano (ou na falta dele), especificamente, na designação de funcionalidades a partir da produção de uma identidade territorial por meio daquilo que estamos denominando de política visual. Chamamos atenção para o papel da imagem e da cidade como discurso. Buscamos entender a produção de uma identidade visual a partir dos meios de comunicação, e mais do que isso, como essa identidade, no território de Cariacica-ES, está associada às novas práticas tanto sociais quanto discursivas e ao planejamento urbano desta cidade.

5 3. MÍDIA E IDENTIDADE VISUAL EM CARIACICA-ES A cidade é tornada imagem. Daqui pra frente, modificar a cidade é transformar a sua imagem. Wencesláo de Oliveira Jr. Nestes discursos visuais recolhidos, constatamos o aparecimento recorrente dos temas sobre falta de infraestrutura e, principalmente, a violência. Cada um dos municípios que compõe a Grande Vitória (Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica) participa desse processo de definição de um papel a ser desempenhado dentro da região metropolitana e isso tem implicações, a exemplo do que ocorreu com Los Angeles. Na Grande Vitória, podemos ver que, Vitória, a capital do estado, é apresentada como o lugar que obtém o maior desenvolvimento, contendo os principais centros empresariais e estruturas a ele relacionadas como hotéis, aeroporto e restaurantes, quase todos ligados pelas principais vias. Já Vila Velha, muito valorizada pelas praias e pontos turísticos disputa o posto de centro de desenvolvimento com o município de Serra que é apresentada pelo seu crescimento industrial, além dos seus condomínios fechados que prometem aos moradores grandes comodidades e segurança. Neste contexto, como é apresentado o município de Cariacica? Como afirma Oliveira Jr. (1994), O maçante cotidiano das atividades rotineiras não aparece nas telas, não dá notícia. Se não nos é apresentado o real, qual é a imagem e o discurso que essas mídias estão (re)produzindo? Um falso brilho triunfal renascimento urbano, cidade do futuro, e assim por diante oculta a brutalização dos bairros do gueto e a crescente sul-africanização das relações espaciais. (DAVIS, 2009, p. 239) Este mesmo falso brilho triunfal do renascimento urbano é percebido nas propagandas veiculadas pela prefeitura, nelas é apresentada uma Cariacica em desenvolvimento, um recente desenvolvimento. São apresentadas construções e reformas de escolas, pavimentações de ruas, investimentos em infraestrutura urbana, construções de postos de saúde e além de um aumento de empregos, geralmente associados à instalação de indústrias na região. São apresentadas melhorias na cidade, como se estes investimentos fossem feitos de forma homogênea. É claro que estas propagandas possuem um objetivo: valorizar a cidade com estes novos

6 empreendimentos. Estas novas valorizações de partes da cidade acabam por aparecerem como sendo da cidade como um todo. Criando uma imagem de desenvolvimento, para toda Cariacica. O renascimento contemporâneo de parte da cidade é projetado para tornar tal heterogeneidade virtualmente impossível. Está designado não para construir uma cidade de todos como tenta mostrar a propaganda, mas, como disse Kaplan apud Davis (2009), para eliminar essa mistura democrática criando assim cada vez mais uma cidade que mantém espaços segregadores. Fig. 01 Fotograma de propaganda veiculada nas emissoras de TV sobre o Município de Cariacica-ES. Como vemos na Fig. 01, é apresentado o índice de quantidade de novos empregos com carteiras assinadas. O cenário é apresentado ao fundo é uma parte de Cariacica o bairro de Campo Grande, conhecido pelo centro comercial. Estas imagens midiáticas da metrópole produzem é muito semelhante ao que Wencesláo comenta ao analisar dos cartões postais, Impõe-se um imaginário específico sobre estas áreas funcionalmente distintas. A imagem da cidade passa a ser construída por estes lugares, partes dela mesma, cujas imagens se diferem muito e cujas inter-relações, se de fato existem, não são claras. (OLIVEIRA JR., 1994, p 33-34). Estes imaginários distintos agem diretamente nesta produção de funcionalidades ao território e dessa forma, nas ações de planejamento do mesmo. Outro elemento comum destas propagandas é o destaque ao orgulho de viver nesta nova Cariacica. Uma Cariacica em desenvolvimento, lembrando que ter vergonha de viver nesta cidade é coisa do passado. Ideia fortalecida em uma delas, veiculada no ano de 2011, pela frase: um novo tempo todos os dias. Além disso, nestas propagandas os personagens que apresentam a cidade são tidos como moradores dela. Eles parecem contar histórias de suas vidas naquele local. Este fato é mais marcante no vídeo de comemoração dos 121 anos da cidade. Nele são apresentados seis personagens,

7 que estão ali buscando mostrar que Cariacica é a cidade das oportunidades, do trabalho, da valorização, dos sonhos, do crescimento, do orgulho, da confiança e também do reconhecimento. Eles aparecem em desenvolvimento, assim como a cidade apresentada, são empresários em ascensão ou estudantes ambos buscando o sonho do futuro melhor, ou seja, uma memória que está sendo construída no presente e está nos dizendo como devemos nos lembrar daquele lugar, principalmente, porque a imagem da cidade atualmente é outra. É mais comum observar a imagem de uma Cariacica violenta, desprovida de infraestrutura e sem grandes oportunidades ou eventos. E a este fato podemos aproximar as cidades de Los Angeles e Cariacica. Fig Imagem veiculada nas Redes Sociais sobre Cariacica-ES. Observando Fig. 02, percebemos que uma continuidade na prática discursiva midiática. O garoto propaganda vira sátira nas redes sociais e o pano de fundo deixa de ser Cariacica próspera, para dar lugar a imagens que mostram os problemas que a cidade vivencia em cada período de chuva. Assim, nos é mostrado uma cidade sem infraestrutura, ainda carente de investimentos públicos. Relacionando esta ideia ao que nos diz Mike Davis (2009) sobre o que aconteceu em Los Angeles, podemos dizer também para Cariacica-ES que: A imagem aqui é, uma última análise, mais importante do que a praticabilidade da proposta, pois condensa a visão de mundo histórica e a aventura quixotesta da LAPD no pós-guerra: bons cidadãos, fora das ruas, fechados em suas esferas de consumo de alta segurança; maus cidadãos, nas ruas, (e, portanto, não trabalhando em negócios legítimos), presos na terrível vigilância de Jeová do programa espacial da LAPD (DAVIS, 2009, p.261).

8 Esta principal imagem de Cariacica de como sendo um lugar violento e sem infraestrutura, acaba por ser a imagem mais forte sobre o município, sua caricatura tornada realidade. São associados aos ambientes urbanos de Cariacica esta identidade visual de violência, como por exemplo, observamos na imagem abaixo (Fig. 03), parte de uma reportagem da página policial de um jornal de grande circulação. A matéria principal desta seção fala sobre os assaltos em joalherias na Avenida Expedito Garcia em Campo Grande enquanto as outras reportagens também mostram assaltos na mesma região, por fim é apresentada esta imagem com respectiva legenda: Avenida Expedito Garcia: Assaltos. O lugar foi legendado e adjetivado: qualificado como lugar-violência. Fig Imagem veiculada na página policial do jornal A Tribuna, no dia 01 de outubro de 2011, pag. 23. Neste caso, as matérias contam histórias de vida, transformando esta imagem ainda mais forte por serem de fácil associação com a memória do leitor. E além de recordar estas reportagens passam a ser parte desta memória. Não só este tipo de reportagem chama atenção dos leitores, mas também reportagens que mostram índices, que passam a ser uma verdade superior, como se o próprio dado falasse por si. Esquecendo-se que ele próprio é uma produção humana, mesmo que de cunho científico ele pode ter sim uma intencionalidade. Esta reportagem apresentada abaixo é um grande exemplo do impenho de se elaborar esta imagem violenta tão comentada neste trabalho. Uma reportagem de destaque, organizada na aba: Violência, tendo o município de Cariacica em enfoque:

9 Fig Notícia de destaque do Site Folha Vitória em 22 de abril de Assim como em Los Angeles, a defesa dos estilos de vida luxuosos na Grande Vitória ocorre através da repressão no espaço e no movimento. Ações estas produzidas e induzidas pelo planejamento, pelas construções arquitetônicas e repressões policiais nas fronteiras destes territórios. Criar esta ideia de violência urbana ajuda a justificar um modo de controlar as massas não só isso, produzir um ambiente mais violento está diretamente relacionado às funcionalidades atribuídas ao território. Ao lugar excluído resta a implantação do que foi desmerecido pelos outros, formando assim um territóriodepósito. O que se percebe é uma desvalorização intencional do município de Cariacica. Esta ação demonstra a intencionalidade política dos planejamentos que buscam controlar a multidão, organiza-la e é claro, sempre atender aos anseios do capital: o lucro. Os agentes planejadores dos espaços urbanos agindo sobre a produção dos espaços públicos ou dos marcos, interferem o modo de vida local, direcionando as ações, os discursos e até mesmo interferem nas visões sobre o espaço. Dessa forma, como observa Kevin Lynch (2011), ao organizarem as vias, os limites, bairros, pontos nodais, marcos e as inter-relações destes elementos, acabam por interferir nos fluxos, nas ações sobre este território. Neste contexto, a produção dos territórios da Metrópole capixaba segue este padrão homogeneizante da multidão que ao mesmo tempo organizam territórios filtrando os indesejáveis em cada um deles também a partir da imagem acerca deste território. E o processo de formação desta imagem está em constante mutação, assim como a própria cidade, sendo um processo múltiplo entre as mídias e o planejamento desta cidade-mercadoria que, a todo momento, vendem uma imagem espacial coerente com os seus objetivos. Quando ouvimos alguém falar sobre Cariacica, existe uma aceitação e incorporação por parte dos moradores da região metropolitana. O que é o esperado já que esta linguagem imagética, além de estar acessível, se assume como verdade absoluta e inquestionável. Muitos dos que falam sobre Cariacica, nem mesmo conhecem

10 a cidade através da experiência com o local, mas sim pelo contato com as mídias e apenas reproduzem o que absorveram de um noticiário ou jornal. Não há necessidade de sair de casa para ir aos lugares. Eles vêm até nós (OLIVEIRA JR., 1994, p 64). Analisando as imagens midiáticas sobre o município de Cariacica-ES, percebemos a ação das mesmas forças que atuam na transformação da cidade, mesmo que em dimensões e forças diferentes do ocorrido na cidade de Los Angeles e descrito por Mike Davis (2009). Digo isto ao analisar ao lembrar que este município está inserindo no contexto metropolitano e, partir desta escala, é nítido que Cariacica sofre este impacto negativo da globalização, sendo identificado como um território-depósito, sendo secundarizado e segregado. Esta identidade visual adquirida e reforçada pelos meios de comunicação interfere não só nas relações pessoais diretas com o espaço em questão, mas também criam na imagem coletivizada que passam a servir como justificativa para as decisões sobre a organização, sobre o planejamento urbano. Na verdade, este acaba que ser secundário, visto que o que parece ser é que a violência é a única questão a ser resolvida, todas as outras ficam como plano de fundo ilustrativo: sem foco, sem cor, sem voz. REFERÊNCIAS ARENDT, Hannah. A Condição Humana. Trad. Roberto Raposo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, BAUMAN, Zygmunt. Em Busca da Política. Trad. Marcus Penchel. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., CANEVACCI, Massimo. A Cidade Polifônica: ensaio sobre a antropologia da comunicação urbana. Trad. Cecília Prada. São Paulo: Studio Nobel, LYOTARD, Jean-François. A Condição Pós-Moderna. Trad. Ricardo Corrêa Barbosa. Rio de Janeiro: José Olympio, LYNCH, Kevin. A Imagem da Cidade. Trad. Jefferson Luiz Camargo. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, MASSEY, Doreen. Pelo Espaço: uma nova política da espacialidade. Trad. Hilda Pareto Maciel e Rogério Haesbaert. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, OLIVEIRA JR. Wencesláo. A Cidade (Tele) Percebida: Em busca da atual imagem do urbano. DISSERTAÇÃO DE MESTRADO. FE/UNICAMP, VATTIMO, Gianni. A Sociedade Transparente. Trad. Hossein Shooja e Isabel Santos. Lisboa: Relógio D água, 1992.

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