Radicalização ISTOÉ em dose moderada

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2 GREVH GERAL RESEMHA - 2 Radicalização ISTOÉ 27/7/1983 em dose moderada D. 'c/cnovc anos depois de ler sido nomeado peia Revolução de 31 de Março interventor no Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, em nome do combate ao grevismo e à agitação sindicalista. Joaquim dos Santos Andrade, o Joaquinzão, comandou durante as 24 horas da quinta-feira, 21, a primeira greve política deflagrada no país desde desta vez como presidente eleito dos 400 mil metalúrgicos paulistas, e contra a Revolução que o fizera interventor. Não foi uma greve geral, como queriam os sindicalistas. Mas foi uma greve que, em São Paulo, transformou o que seria uma agitada quintafeira de trabalho num tranqüilo feriado de descanso, segundo o próprio Joaquinzão, e reuniu em capitais como Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte e Goiânia milhares de pessoas em passeatas e atos públicos, tira o chamado Dia Nacional de Greve com Manifestações contra a crise econômica, o arrocho salarial, os acordos com o Fundo Monetário Internacional; contra os "pacotes" e as intervenções nos sindicatos. Enfim, contra o governo, que desta vez perdeu a condição de árbitro na luta entre patrões e empregados para ser trazido à arena como parte interessada na questão. Assim como não foi geral, a greve do dia 21 também não foi igual às paralisações que o movimento sindical de São Paulo, especificamente o da região do ABC, costuma brandir contra os patrões. Foi uma greve sui generís: não provocou manifestações nas ruas nem levou piquetes às portas das fábricas - e talvez por isso mesmo mostrou-se capaz de façanhas como a reunião, na mesma mesa, após um cordial aperto de mão, de representantes de duas irreconciliáveis correntes sindicalistas: o próprio Joaquim dos Santos Andrade e o presidente cassado do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, Jair Meneguelli, discípulo de Luís Inácio da Silva, o Lula. O encontro dos dois, para uma avaliação da greve, refletia ao mesmo tempo o trabalho conjunto e o "distanciamento crítico" que marcaram estilos diferentes na condução do movimento, desde a sua preparação até a parada na quinta-feira. Apesar de à moda Joaquinzão, a greve não poderia escapar de temperos mais fortes, adicionados pelos dirigentes sindicais de São Bernardo. Só não houve distinção de estilos por parte dos policiais civis, militares e federais encarregados do controle direto das ruas de São Paulo e São Bernardo. As duas cidades amanheceram fortemente policiadas, sob a orientação do secretário da Segurança, Manoel Pedro Pimentel, para quem qualquer manifestação pública ou ameaça de desordem deveria ser punida exemplarmente. Numa frenética rodada de reuniões com membros do governo estadual, às vésperas da greve, Pimentel defendeu a adoção de uma linha de severa repressão - e a muito custo foi acompanhado pelo governador Montoro. Como argumento, revelou que o governo federal assumiria o comando da PM, através do II Exército, se o governo do Estado não combatesse a greve com rigor. Em São Paulo, território dos moderados, a tensão que dominava a população às primeiras horas da manhã acabou por se revelar desnecessária. A Polícia Militar interditou ostensivamente os locais mais procurados pelos grevistas e tratou, já de madrugada, de desencorajar a formação de piquetes nas portas das fábricas e nas garagens dos ônibus. Pouco mais de uma centena de prisões e uma intervenção rápida junto a esparsas tentativas de passeatas, especialmente na praça da Sé, renderam um dia calmo. É bem verdade que já no dia anterior a Polícia Federal tratara de eliminar os focos que considerava mais radicais na cidade. Em uma operação fulminante, invadiu a sede do Sindicato dos Bancários e prendeu sete dirigentes e um jornalista, sob a acusação de incitamento à greve. Com parte da liderança na cadeia e a outra refugiada na Assembléia Legislativa, os bancários que entraram cm greve vagaram sem rumo pela cidade, na tentativa de organizar passeatas ou manifestações ao estilo São Bernardo - e contrário à moda Joaquinzão. Não deu resultado, em função da rápida interferência policial. A cidade, assim, passou da tensão à calma. O metrô não funcionou até as 11 horas da manhã, mas os ônibus circularam. A rigor, só os metalúrgicos aderiram em massa à greve, muitos demonstrando uma firmeza acima até mesmo da crise econômica. A indústria Metal Leve, por exemplo, deu 4 mil cruzeiros a cada empregado para que fosse de táxi para o trabalho, caso faltasse condução. Não faltaram ônibus nem táxis, mas a esmagadora maioria não foi, a fábrica não funcionou e não se sabe se a empresa descontará dos salários os 4 mil cruzeiros fornecidos aos empregados. Assim, a quase totalidade das grandes metalúrgicas de São Paulo não funcionou. E, rezando pela cartilha de Joaquinzão. os trabalhadores ficaram em casa, em lugar de bu.car ( rações nas portas das fábricas. "Foi uma decepção para a policia", gabou-se Joaquinzão. "Às 8 horas da manhã não havia em quem bater, pois os trabalhadores não compareceram". O mesmo não puderam dizer Jair Meneguelli e os metalúrgicos de São Bernardo. Transformada em praça de guerra pela PM, a cidade assistiu a uma impressionante sessão de pancadaria, em seguida a uma assembléia pacífica de cerca de 2 mil trabalhadores, no pátio da prefeitura. A assembléia reuniu-se por meia hora para avaliar o movimento - e nela deu-se a única aparição pública de Lula durante a greve do dia 21, quando se avaliou em 80% o índice de paralisação. A pancadaria, na verdade, começou de madrugada, na porta das fábricas do ABC. A polícia, cumprindo à risca as ordens recebidas de Pimentel, que funcionou como intermediário entre o governo do Estado e o comando do II Exército, e por isso sabia das preocupações federais com manifestações em praça pública, investia decididamente contra qualquer tentativa de piquete. Na porta da Volkswagen, um policial deu um tiro de fuzil para o ar e, diante dos protestos, justificou-se dizendo que o cartucho era de festim. Inconformados com as dificuldades para bloquear a entrada da fábrica, os piqueteiros e o deputado estadual Expedito Soares, do Partido dos Trabalhadores, faziam apelos e ameaças aos metalúrgicos. Descontrolado, Soares reclamou dos trabalhadores que estariam "cedendo à pressão das baionetas" e" traindo seus companheiros de categoria. O amanhecer encontrou as fabricas vazias e o centro de São Bernardo com o comércio fechado. Após a assembléia, realizada às 10 horas, os dirigentes sindicais pediram que os trabalhadores fossem para seus bairros e para as portas das fábricas, num movimento pacífico. Na saída do pátio da prefeitura, porém, viram avançar sobre eles a tropa de choque da PM. Houve vaias c gritos por parle do metalúrgicos. A tropa passou, e quando a assembléia se dispersava um camburão da PM percorreu a rua lançando bombas de efeito moral. Aí começou a confusão. Os trabalhadores responderam primeiro com xingamentos e grilos, mas logo passaram a atirar pedras nos soldados e nos ônibus que passavam. *v

3 rhsve úsrál RESENHA - 3 Dezenas de pessoas refugiaram-se na igreja matriz, num local conhecido como "'sala do fundo de greve", nome remanesci nte do movimento de apoio à greve de Ao meio-dia, a PM resolveu invadir a igreja, com cassetetes, mosquetões e bombas de gás lacrimogêneo. Foram espancados os deputados Djalma Bom e Expedito Soares, do IT, que tentavam estabelecer diálogo com os policiais. /V medida uuc a PM dispersava os Irabalhadores e cercava os quar- (tilôto (l<i rí-nl(i< ilri i iilfiiu- (Mii >>'<! -;i ililild-i iii l l(l lll«mlinli.i plihium (t dcprcdaçòeü em placas de irãiibiio, postes com sinalização e no bar da estação rodoviária. A PM lançou nova carga de bombas e passou a prender todas as pessoas que se encontravam nas ruas. Três rapazes foram obrigados a perconer 1 quilômetro entre os cavalos da PM, seguros pelos soldados e a golpes de sabre, llm quarenta minutos foram detidas cerca de 150 pessoas, colocadas em fila indiana, com as mãos atrás da cabeça. Chamado à praça de guerra, dom Cláudio Ilummes, bispo de Santo André, procurava em todos os cantos o responsável pela repressão, sem que fosse ouvido. Até que perdeu a paciência e gritou para um oficial: "Afinal, quem manda aqui?" Recusando-se a se identificar, o oficial disse apenas que nada tinha a declarar: "Cumpro ordens". Dom Cláudio desabafou: "Isso não acontecia nem no tempo do Maluf. O que eu estranho é que o governo do Estado disse que não haveria violência". No finai da tarde, quando o comando de greve se reuniu para avaliar os acontecimentos do dia, até Joaquin/ão, normalmente um discreto mas firme aliado do governo pemedebista, alçou a voz para prometer cobrar do governador "certas coisas que andaram acontecendo". Na verdade, o velho líder sindical tinha motivos mais que suficientes para se sentir vitorioso e fortalecido. Com origens no chamado sindicalismo "pelego" pós-64, Joaquinzão vinha progressivamente purificando sua imagem com posições cada vez mais avançadas. Para isso, contou e conta com a ajuda discreta mas eficiente de militantes do Partido Comunista Brasileiro, espalhados entre as lideranças metalúrgicas de São Paulo. Reveiando-se um bom aluno, ele não só se aproximou bastante da política sindical defendida pelo "Partidão" como chegou a ultrapassar os mestres, em sua guinada para a esquerda. Ao ser procurado pelo ministro do Trabalho, Mufuio Macedo, para negociar uma suspensão da greve em troca do atendimento de algumas de suas reivindicações, Joaquinzão sentenciou: "Negociação, só depois da greve". Os mestres escandalizaram-se, até por- Ruc, se o próprio PCB não unha urna posição de consenso sobre o Dia Nacional de Greve, havia pelo menos urna orientação definida de sua direção máxima (leia quadro). Aos 57 anos, desde 1964 na presidência dos metalúrgicos, Joaquim dos Santos Andrade colhia, ao cair da tarde de quinta-feira, algumas conquistas inquestionáveis no plano interno da política sindical. O movimento que articulara tinha obtido razoável sucesso. De falo. Joaquinzão sabia que a greve geral era inviável, entre outras coisas porque categorias fundamentais para o êxito da paralisação, como os motoristas de j^lhus iriam Irabsilhai Mnis que n,>,..«. i -.. in. I "-,1. iii.mi i MVa<l ll» '"' ^', paia ti movimcnlü sindit ai, cuja liderança disputará em agosto, durante o Congresso Nacional da Classe Trabalhadora, que decidirá sobre a formação ou não da Central Única dos Trabalhadores - um órgão capaz de centralizar o comando de todo o movimento sindical. Além disso, visava o governe federal, de quem pretende cobrar um lugar na mesa de negociações que, acredita, um dia será acionada para a busca de soluções para a crise politica, social e econômica do país. Rra dar esse salto qualitativo e apresentar-se como um representante legítimo dos trabalhadores, depurado do estigma de "pelego", que o marca desde sua origem no meio sindical, Joaquinzão conta com um trunfo anterior à sua atual "radicalização": sempre foi considerado pelas autoridades federais um dirigente sindical mais "confiável" ou menos radical que os companheiros de Lula no ABC e no PT. Uma prova disso foi dada na mesma quinta-feira da greve, quando o Ministério do Trabalho decretou intervenção nos sindicatos dos bancários e dos metroviários, utilizando-se de justificativas que poderiam muito bem ser aplicadas ao sindicato de Joaquinzão e de seus aliados. Todos, porém, escaparam - menos os bancários e os metroviários, talvez porque estejam ligados ao PT e aos sindicalistas do ABC. J. Ciente, portanto, de que nao haveria possibilidade de greve geral e de que precisava dar uma demonstração de força pacífica, sem badernas, Joaquinzão programou um grande feriado para a quinta-feira dos paulistanos. Mas, para dar mais realce à grande demonstração de nirotecnia sindical que preparava, o sindicato dos metalúrgicos empenhou-se em convencer a população e os trabalhadores em geral de que havena uma greve para tir Milhares de folhetos foram distribuídos pela cidade ^rtando as donas-dc-casa para que fizessem compras na véspera, para que irassem dinheiro do banco-pois nem o comércio nem os bancos iriam funcionar Aos trabalhadores, pediam que ficassem em suas casas, pois nao haveria condução. Chamado junto com Argeu Egydio dos Santos, da Federação dos Metalúrgicos, para uma conversa com o superintendente da Polícia Federal, Romeu Tuma, na manhã de terça-feira. Joaquin/ão foi enfático ao responder ao policial que lhe pedia a interrupção do movimento: "Agora não dá mais, nem que eu quisesse. A greve sai de qualquer jeito". Num arroubo de retórica, disse que preferia entregar a chave de seu sindicato a Murillo Macedo (Tuma o ameaçara com intervenção do Ministério do Trabalho) a ser execrado por sua categoria. I^». ll. Il IMr-. MM Mliltlhn ll'- l>-tft I > I I I. > >lt I I.ll II I II III.) imhlt VÜ Miuiiii ii impuo»lc lnaijuiii/ao, ii secretário Pimentel conversava com O general Sérgio de Ary Pires, no comando do II Exército, e ouvia dele uma sombria previsão do que poderia acontecer, caso a situação não fosse controlada. Quando saiu da Policia Federal, Joaquinzão não estava mais dormindo em sua casa, no bairro da Penha, onde se criou e ganhou fama de cantor de tangos e boleros durante tertúlias boêmias. Transferira-se para o apartamento de um dirigente sindical cassado, perto do centro da cidade. Àquela altura, a preparação do movimento estava plenamente articulada. Joaquinzão já tinha inclusive triturado uma tentativa da oposição de transferir para os comandos regionais do sindicato a coordenação da greve - uma forma de afastá-lo da direção do movimento. Numa assembléia à qual compareceram metalúrgicos, ele não só desarticulou a manobra como também elegeu os 20 delegados que indicou para representar o sindicato no Congresso Nacional da Classe Trabalhadora, em agosto. A oposição, liderada por Waldemar Rossi, ligado à Igreja, teve magros 100 votos. Na noite de quinta-feira, quando a turma das 22 horas do metrô não entrou para trabalhar, o projeto do feriadão na quinta-feira começava a dar certo. Já havia indícios anteriores. Assustada com os panfletos e a propagação da notícia de greve geral, a população lotou os supermercados para comprar comida e aumentou consideravelmente o movimento nos bancos para sacar dinheiro. Comerciantes manifestavam a disposição de não abrir suas lojas no dia seguinte, e muitas empresas resolveram liberar seus empregados. Joaquinzão acordou cedo no dia 21, para cuidar que nada falhasse. Munido de quarenta envelopes de fichas de telefone, ele percorreu 213 quilômetros de ruas, visitando as portas de fábricas. De vez em quando parava num orelhão e telefonavü para o comando ou para seus companheiros de diretoria, pedindo e fornecendo informações. Eventualmente, entrava num botequim para tomar café ou um conhaque. i^ã^?

4 GEim GBRAl RESENHA - 4 Se a greve não chegou a ser tão grande quanto supunha, pelo menos a guerra da contra-informação Joaquinzão venceu. O feriado, de fato, aconteceu. Os ônibus circularam, mas apenas com a metade dos 5 milhões de passageiros que costumam transportar por dia. O comércio amanheceu em grande parte fechado - e quando resolveu abrir, diante da calma gerai, não encontrou freguesia. "Tivemos um movimento inferior ao de domingo", confessou um diretor da Associação Comercial do Bairro de Santo Amaro. A maioria das 120 feiras de São Paulo abriu com reduzido número de barracas - muitas sequer funcionaram. Atendendo ao apelo dos panfletos, as mães não levaram os filhos à escola. Nenhuma das 15 mil crianças matriculadas nas 140 creches da Secretaria do Bem- Estar Social saiu de casa. Para respaldar o feriadão da quinta-feira em São Paulo, o Dia Nacional de Greve dos sindicalistas encontrou eco, ainda que mais modesto, em passeatas, greves parciais e atos públicos em várias capitais. Dez mil pessoas marcharam até o palácio do governo, em Porto Alegre. Na Cinelândia, no Rio, 50 mil pessoas também realizaram um ato público de protesto. "Nós demos nosso exemplo de maturidade. A paralisação recomenda e avaliza que o governo abra a discussão sobre a crise econômica", disse Joaquin/ão. "A própria fida do presidente Aureliano Chaves conclama para o debate as lideranças [xmicas e sindicais." IN a véspera, de fato, o vice-presidente Aureliano Chaves tinha ocupa-: do por doze minutos uma cadeia nacional de rádio e televisão conclamando as lideranças para um entendimento nesta hora de crise. O discurso do presidente interino deveria abordar claramente a greve decretada para o dia seguinte - mas os ministros da casa acharam melhor não mencionar a greve para evitar o risco de, com isso, propagá-la. Mesmo porque nos bastidores de Brasília já estava armado um minucioso esquema de repressão à greve, a nível sindical, e de pc^ão sobre o governo Montoro para que impedisse a quebra da ordem pública. Desde a semana anterior à data marcada para a greve, estabeleceu-se uma série de contatos entre o governo federal, através do II Exército e d Polícia Federal, e o governo de Montoro, através da Secretaria da Segurança. Romeu Tuma foi convidado para tomar "um cafezinho" com Montoro no Palácio dos Bandeirantes. O chefe da 11 S^ção (informações) do 11 Exército, coronel Tamoyo Pereira das Neves, visitou Pimentel na Secretaria da Segurança. Durante as conversas com a equipe de Montoro no palácio, no começo da semana passada, Pimentel disse que as pressões de Brasília eram "fortíssimas". Di/ia-se, por exemplo, que, se a greve parasse o sistema de transportes de São Paulo, seria decretado o estado de emergência. O governador alegava que não podia reprimir as greves, porque isso ia contra o programa do PMDB. Pimentel retrucou que neste momento era de vital importância separar governo de partido - além do que, segundo o secretário, Montoro precisava ganhar a confiança do governo federal, controlando e mantendo a ordem em São Paulo. Por duas vezes, naquele começo de semana, Montoro conversou pelo telefone com o chefe do Gabinete Civil da Presidência da República, Leitão de Abreu. Além de informações sobre a situação, o governador garantiu ao ministro que a ordem seria mantida. Lio outro lado, Montoro sentia-se pressionado por uma divisão que se esboçava entre seus auxiliares - um grupo defendia a presença da polícia para evitar agitação nas ruas, outro era contrário à intervenção. Num determinado momento das discussões no Palácio dos Bandeirantes, na terça-feira, chegou a explodir uma violenta discussão entre Eduardo Muylaert, assessor de Montoro, do grupo mais liberal, e Almir Pazzianotto, secretário do Trabalho, que defendia a manutenção da ordem. O secretário Pimentel saiu antes da reunião e foi para sua casa, no Alto de Pinheiros, onde, naquela mesma noite, se reuniu com o coronel Tamoyo, da II Seção, o delegado Romeu Tuma, o comandante-geral da PM, coronel Nílton Viana, o delegadogeral da Polícia Civil, Maurício Henrique Guimarães Pereira, e o desembargador aposentado João Papaterra Limongi, chefe da Central de Informações e Operações do gabinete do secretário da Segurança. Tratava-se de acertar, na reunião, as atribuições de cada setor, durante a quinta-feira. Ficou então estabelecido que caberia à PM ocupar São Bernardo e realizar o policiamento preventivo em São Paulo. À Polícia Federal foi dada a tarefa de prender as lideranças sindicais, caso houvesse manifestações. Finalmente, a Polícia Civil ficaria encarregada de cobrir os claros deixados pela PM, principalmente evitando quebra-quebra. A quarta-feira foi particularmente difícil para Montoro. As pressões aumentaram e o secretário dos Negócios Metropolitanos, Almino Affonso, informou que, se o metrô não funcionasse, passaria para controle federal, através da Empresa Brasileira de Transportes Urbanos. Por duas vezes o governador perdeu a paciência e esbravejou, irritado, que não ordenaria jamais uma repressão violenta. Mas que iria garantir a ordem. O dia 21, para alívio de todos, transcorreu num clima que agradou ao governo federal, apesar da violenta pancadaria de São Bernardo. Ao final do dia, o governador de São Paulo, assim como Tancredo Neves, Min :rais, e Leonel 3rizola, m de Janeiro, receberam cumprimentos de dois ministros pela eficiência como haviam controlado a situação: Abi-Ackel, da Justiça, e Murillo Macedo, do Trabalho. Apesar do constrangimento, o Dia Nacional de Greve terminou de maneira que dois dos seus principais protagonistas consideram feliz. Montoro, apesar das hesitações, acredita ter angariado pelo menos parte da confiabilidade que persegue; para Joaquinzâo, foi um momento de afirmação num ambiente que sempre lhe foi hostil. Ao final do dia, quando se juntou ao comando de greve, estava com o moral suficientemente alto para sustar, logo à entrada da Assembléia Legislativa, um princípio de vaia - saudação com que tradicionalmente tem sido recebido nas reuniões de sindicalistas fora de seu reduto. Bloqueou a vaia, cumprimentou e sentou-se entre adversários das tendências mais variadas e radicais, pegou o microfone e fez um inflamado discurso - no tom de quem se julga em condições de vencer o próximo Congresso Nacional da Classe Trabalhadora e em seu nome talvez sentar-se à mesa das negociações nacionais, para reconstruir a ordem democrática.

5 GREVE GBKAL RESENHA - 5 undo a Fiesp, JORNAL DA TARDE arou quem quis. Nâo houve greve de empregados, mas, sim, de patrões: entre 5 e 10% das 70 mil indústrias paulistas pararam ontem por conta própria revelaram ontem à tarde o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Sao Paulo, Luís Eulálio de Bueno Vidlgal Filho, e seu diretor Roberto Delia Manna, imputando tamanho lock-out "à falta de confiança injustificada" de seus responsáveis na eficácia das medidas anunciadas pelo governo, por seus sindicatos e pela própria Fiesp. Greve, mesmo, nâo houve: o numero de trabalhadores que aderiu voluntariamente ao movimento grevista nâo passou de 10% do total, enquanto que o total de operários que aderiram à greve patronal foi da ordem de 20% - informou Bueno Vidigal ao presidente a República em exercício ontem à tarde, em Brasília, acrescentando que tais empresas que paralisaram suas atividades voluntariamente (por ele estimadas em cerca de 60) são, em sua maioria, identificadas como de capital multinacional. Eu não seria leviano de expor o patrimônio privado se não tivesse confiança de que a ordem púbhca seria mantida - declarou o P^sidente da Fiesp, logo após a audiência no Palácio do Planalto, referindo-se à suspeita de que os empresários desconfiaram da eficiência das garantias PO r f le, a "w ciadas na véspera, preferindo fecnar preventivamente.. "Nâo houve greve nacional, tampouco regional ou ao menos setorial, houve 10% de operários que não foram trabalhar, o que se enquadra nos índices normais de absenteísmo do parque industrial. Parar, mesmo, só a Ford no Ipiranga e a Codex-Fngor, naavenida Mofarrej: ali não foi nmguém traba mar..." - informou Roberto Delia Man na à imprensa, que o questionou muito sobre a confiabilidade de seus dados^ obrigando-o a revelar ^ *^ do levantamento que a «f«p^!^ a fazer antes das seis horas da marma acionando seus 110 sindicatos e outras 126 delegacias intenoranas W ess^s';" do setor industrial, a de Sertaozirai" <= de MatL, cidades onde náo se traba- "MetS C o""" s - depredações? Nad?Í^Sd D e^as a re t- 3SoSS=i do comércio paulista'. _ Foi provocado pelo climci de ps co&eque desde os saquei mo se abateu a cidade ^ie São Paulo A partir das ^Í^Ss lhobcmfeit ; H.' do» indica pulaçào e o comércio de um modo geral reagiram à ameaça, correndo em massa aos supermercados ou simplesmente fechando as portas para evitar quebrasquebras continuou Delia Marina. O fato de nâo ter havido greve levará a Fiesp a interceder junto ás autoridades e empresários, visando a liberar rapidamente os detidos e não haver cortes salariais em represália às ausências verificadas? O diretor da Fiesp desconversa, diz que tais medidas são da competência das autoridades, ou ficam por conta do bom senso dos industriais; procedendo da mesma forma quando lhe perguntam sobre as sanções a que estão sujeitas as empresas que dispersaram os seus empregados, solidarizando-se com o suposto movimento grevista: "Nâo cabe a nós, mas sim ao governo, adotar as medidas cabíveis nestes casos. Nós só podemos lamentar a falta de confiança desses empresários..." O fracasso da greve representa o fim da carreira de quem a propôs, Joaquim dos Santos Andrade, o "Joaquinzão", do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo? Nesse caso, quem é o novo interlocutor da Fiesp, o novo líder realmente representativo do operariado paulista? Delia Manna foge à provocação, diz que os empregados é que devem julgar suas lideranças, nâo os patrões mas há visível preocupação com a carreira do líder metalúrgico, ao ponto de o diretor do Departamento Jurídico da Federação ensaiar alguns elogios âs suas performances anteriores e logo em seguida Delia Manna revelar que "em seis anos de negociações com a liderança operária nunca tive a oportunidade de conhecer um pelego". Luís Eulálio de Bueno Vidigal Filho, enquanto isso, afirmava em Brasília que "o movimento grevista de Sâo Paulo fracassou porque foi realizado em local errado. Foi um movimento de cunho eminentemente político, e política deve ser feita nos partidos políticos, e nâo nas entidades sindicais". Deixou claro que os responsáveis por tal movimento deverão ser punidos de acordo com a legislação que os rege, por teremse engajado num movimento político, e os operários que faltaram ao trabalho por conta própria já se autopuniram com o desconto do dia de trabalho em folha e com a perda do descanso remunerado. "Seria extremamente injusto o pagamento igual aos que trabalharam e aos que não trabalharam. Por isso, as empresas devem descontar o dia de trabalho dos faltosos, e encaminhar o produto desses descontos aos flagelados das enchentes no Sul do País." Duas íxtraídas da "grev.;" por Bi ídigal: a "índole píií/ifista" do operariado brasileiro e a "comprovação a manutenção da ordexri dlspen empreg(. nela".

6 GREVE GERAL *» r RESENHA JORNAL DA TARDE Z/T-ÍBI Proclamar a vitória ein empolgados discursos, no final da tarde de ontem, para um grupo enorme de trabalhadores de categorias diversas, políticos e Jornalistas que lotavam um dos plenarinhos da Assembléia Legislativa, íol uma das preocupações dos representantes do Comando Geral de Greve ao fazer um balanço das paralisações. Mas, a outra, também visivelmente demonstrada, foi dizer que havia "unlào" mesmo diante rias várias correntes ideológicas representadas por 19 sindicalistas que compunham o Cornando. Essas duas preocupações estiveram claras nos discursos e nas presenças de Joaqulnzôo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de 9ão Paulo (que diverge ideologicamente de outros membros do cornando da greve que integram a Pró-Cut) e praticamente "trazido" à Assembléia e do senador Teotônlo Vilela, presidente nacional do PMDB. em exercício, Todos foram enfáticos nesses pontos. 'Nâo podemos nos importar com rótulos dados ao movimento sindical, como pelego, reformista ou qualquer outro. Publiquem ou nôo, queiram ou não, a paralisação de hoje (ontem) foi altamente vitoriosa. Independente das correntes ideelógicas, várias categorias participaram", garantiu o presidente cassado do Sindicato duá Metalúrgicos de Sáo Bernardo, Jair Meneghelli, um dos integrantes do Comando Geral de Greve. Ao começar a falar, entre aplausos e algumas vaias logo abafadas, Joaquim dos Santos Andrade deu de ombros para o que chamou de "manifestações sem eco" e afirmou que "a responsabilidade dos trabalhadores está acima de eventuais divergências". Mas, entre todos os discursos, o que mais entusiasmou a platéia foi o do senador Teotònio Vilela. Ele criticou o governo com comentários bem-humorados por causa da política econômica, elogiou os trabalhadores "que pode sentar-se na mesa para discutir com o presidente, se houver um presidente da República que entenda das coisas"; colocou em dúvida a atuação de seu partido ontem e falou numa "intervenção branca" no Estado de São Paulo. Teotònio Vilela, depois de proclamar que a paralisação de ontem era a maior que ele já havia visto, protestou contra as prisões e comentou que, se havia uma "intervenção branca" assinada pelo presidente A.ureliano Chaves, ele "lamentava" que o primeiro ato al.o dele "fosse de repressão". E conseguiu agradar a todos os sindicalistas do PT, que aplaudiram demoradamente quando afirmou aos grevistas sua lealdade pessoal "e a de meu partido, o PMDB. não obstante os desvios e tudo o que está acontecendo". Quando soube que, entre cerca de 200 prisões ocorridas durante o dia, muita gente ainda estava detida. Vilela resolveu, juntamente com o Cornando Geral de Greve. dirigir-se ao Palácio dos Bandeirantes. Detíde manhã cedo, por volta das 10 horas, até o final da tarde, quando os representantes do Comando Geral de Greve analisaram os resultados do movimento, o índice de parallsaçag na Grande São Paulo, segunao eles, estava por volta de 70' \, "considerando-se basicamente os metalúrgicos, metroviarios q comerclártos". Uma parte do Cora&ndo Assembléia Legislativa recebendo telefonemas diversos e militantes sindicais que chegavam com informações. Os dados eram colocados em quadros afixados nas paredes de algumas salas da Assembléia. Na liderança do PT, os mapas de paralisação Indicavam que os metalúrgicos estavam paralisados em Caçapava, Jacareí, Sáo José dos Campos, Ribeirão Preto e Sertàozinho. Afirmavam que 80% dos sapateiros de Franca também estavam parados, Na Grande Sáo Paulo, o quadro era o seguinte: Santo André, comércio e Indústrias paralisados; São Bernardo, o mesmo quadro; Diadema, totalmente paralisada; Guarulhos, greve no setor industrial. E procuravam enfatizar que a movimentação dos trens de subúrbio da Fepasa havia caído em 70%. Mas, a maior preocupação durante a manhã e boa parte da tarde foi com o grande número de telefonemas recebidos pelas lideranças do PT, PMDB e por representantes do Comando, informando sobre confrontos com a polícia e prisões. Quando a informação era confirmada, um dos 48 advogados destacados para o plantão de greve de ontem se dirigia às várias delegacias para onde eram levados os detidos. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Joaquim dos Santos Andrade, o "Joaqulnzáo", numa coletiva onde estavam presentes, além de toda a imprensa nacional, seis corespondentes estrangeiros, disse que "novas greves estáo previstas" e que o movimento de ontem "foi apenas um passo unitário para demonstrar nossa força, para que o governo federal crie Juízo e venha ao povo para encontrar novas saídas para a crise que vivemos, mas visando a criar trabalho e não desemprego, miséria e fome". Ele ressaltou que 95% dos metalúrgicos da Capital pararam ontem, o que significa dizer que mais de 300 mil trabalhadores aderiram ao movimento. "Químicos, gráficos, ferroviários, têxteis, coureiros e até o comércio, à revelia de suas lideranças antipatrlótlcas, fecharam seus estabelecimentos, dando uma demonstração do alto grau da consciência de toda população paulista." Joaquim lembrou que a ordem foi mantida e as pessoas sentiram que deviam aderir sem qualquer pressão, piquete, ou coisa parecida. E que isso era um "orgulho" para o movimento sindical "que assumiu o movimento em conjunto". Para ele, as prisões foram feitas porque a polícia agiu a pedido dos empresários, "prendendo gente que não estava fazendo nada, simplesmente andando nas ruas". Ele pediu o testemunho da imprensa livre para demonstrar a mobilização dos trabalhadores "unidos pacificamente, sem quebra-quebra. Se alguma violência houve, foi da polícia". Falando a correspondentes estrangeiros, Joaquinzáo disse que mandava um recado para "Reagan e aqueles que aos EUA defendem a tese de transformar este país em uma colônia fra conseqüências qu iusar o toda nação brasileira. ro emprestado Unos da dividi bola de nevi. : urr - moratórie nunca ocald to, p! ^

7 GHBVB GSHAL RESENHA - 7 A ditadura tremeu ^5; Na última semana, a poderosa greve iniciada a partir dos petroleiros de Campinas concentrou a atenção de todo o país. Despertou as mais profundas simpatias do povo. Provocou o pânico no governo militar e no patronato, que logo souberam reconhecer: "é uma greve política". Os trabalhadores, com efeito, disseram-no com todas as letras: é uma greve política, Na passeata do ABC milhares gritavam: "greve geral, derruba o general". Por aí, os trabalhadores de Campinas, do ABC paulista e de Mataripe, na Bahia levantaram politicamente algo muito claro: a vontade do povo tem de ser respeitada. A vontade de ver satisfeitas as reivindicações, contra um governo que, apesar de repudiado pela maioria do país, vem impondo os mais duros golpes às condições de vida do povo. Oposição a hn ndonou grevistas Seus governadores mandaram PM Essa vontade elementar, o regime do general Figueiredo 1 ratou com a truculência com que sempre tratou os explorados e oprimidos nesse país. Interveio nos sindicatos, desalojou os grevistas de Mataripe, jogando sobre eles a Polícia Militar, colocou tropas do Exército em prontidão, ameaçou com as chamadas "medidas de emergência". Com isso a ditadura não fez mais do que comprovar aquilo que Lula, presidente do PT, tem dito com justeza: "a abertura é uma hipocrísia". Antes de tudo, porém, foi a defesa do regime pelo PCB e pela oposição burguesa que permitiu sabotar o movimento deflagrado pelos petroleiros e os metalúrgicos do ABC. "Antes mesmo da ameaça das medidas de emergência, foi o próprio meio sindical, aliado à oposição, quem jogou o primeiro balde de água fria nas quentes tubulações das refinariam", sintetizou a revista Veja (13/7), expressando a consciência do pa ; Ironato. Com efeito, os maiores depo- * i sitários do voto oposicionista, o PMDB em primeiro lugar, alinharam-se na defesa da "abertura" dos generais contra os trabalhadores. Em fluente diálogo com o chefe do II Exército durante toda a greve, o governador Franco Montoro (PMDB/SP) disse que a greve "é coisa de maluco". É um movimento "infeliz e organizado por quem não está interessado na democracia". No mesmo tom, o governador mineiro, Tancredo Neves (PMDB/MG), disse: "a situação já é muito grave para ser perturbada". E, para que não houvesse "perturbações", ambos mandaram tropas de choque contra os trabalhadores. Nesse quadro, como conferir credibilidade ao "apoio" do PMDB, na voz do seu presidente temporário, Teotõnio Vilela, que enviou nota aos petroleiros de Campinas? Por que Teotõnio não mobilizou seu partido para lutar contra o governo federal, chamando seus governadores a apoiarem a ação dos grevistas e não a lhes mandar tropas de choque? O PCB contra os trabalhadores Na verdade, o falatório da oposição de um "entendimento nacional" com o general Figueiredo é o pano de fundo. A sabotagem sistemática da mobilbação dos trabalhadores, ÍXrada pelo PCB (Partido Comunista Brasüeiro). e o que melhor expressa a busca desse "entendimento", a tal ponto que, enquanto o PCB, junto c^m os pelegos, manobravam contra a greve (ver pag.6/7), e o próprio Ministério do Trabalho que veio a público dizer: "o movimento grevista so se alastrou entre as categorias emos controles sindicais estão nas mãos do Partido dos Trabalhadores. Nos outros sindicato», com tendências ideológicas do PCB e do PCdoB, não existe nenhuma mobilização". Salomão Malina. dirigente do PCB foi ao centro da politica dos stalinistas: -qualquer.adicali/açao agora é pernicov," OquedizoPCB? Diz que 0 r0 vo deve se manter dõcd c carneiro, enquanto seus chefes -róspunsáveis" fazem o chamado "entendimento nacional com o general Figueiredo. 1 vontade <lo povo é acabar vttin Figueiredo Mas, quando o povo votou inaçiçamente contra o PDS em 15 de novembro, não foi "eon senso" com o general Figuei redo que o povo pediu ao contrário O povo disse claramente que o general Figueiredo deve cair fora o mais cedo possível. Do lado do regime, como se pôde ver no último final de semana, na Convenção Nacional do PDS (partido da ditadura), a gangrena já vqi alta. Em torno da "sucessão presidencial", do Colégio Eleitoral biônico moldado para "eleger" o sucessor do general- presidente, as cliques da ditadura se engalfinham em duas chapas na Convenção do PDS. Ao mesmo tempo, o general Figueiredo prepara novo e violento arrocho sobre os trabalhadores, e a mando do FMI. (ver nesta pàg.). Ainda mais do que nunca, é preciso responder à vontade do povo de acabar com esse regime 0 mais rápido possível. Todos os que se reivindicam da democracia não têm, portanto, "entendimento" nenhum a fazer com os generais. O PT, com seus dirigentes, como Lula, Jacõ Bittar e Jair Meneguelli colocando-se à cabeça das principais reivindicações dos trabalhadores, mostra qual o caminho para que a vontade do povo se imponha. Pois não è outra coisa que o povo trabalhador procura: a centralização de suas forças para acabar com os militares e seu regime de miséria.

8 GRSVK GBRÂL RESENHA - 8 Mms um que solta a PM Depois dos governadores Tancredo Neves (MG). Franco Monioro(SP), Gerson Camata (ES), Íris Re/endeíGO), Jader Barbalho(PA), o governador do Paraná, José Riclia, é o mais novo integrante do rol dos governadores do PMDB que soltou a pofíçia contra o povo. Isso ocorreu na tarde de sexta-feira, quando acontecia um ato no centro de Curitiba, contra o aumento de 45,5% nas tarifas de ônibus, elevando o preço de CiS 55, para CiS 80. Cer- ca de 5 mil pessoas se concentram, e obv truírarno terminal de ônibus da praça kui Barbosa, o principal da cidade. Ai, o governo deu à policia a tarefa de "convencer" os manifestantes a abandonarem o local. Usando de muita violência, a policia agrediu a multidão a golpes de cassetete, prendeu duas pessoas, e os integrantes do famigerado "Pelotão de Choque" chegaram ate mesmo a espancar um repórter de televisão que fa/ia a cobertura dos acontecimentos. O THfiHifíÜ/O / Ai l/íi/h^ ISTOÉ 27/7/1983 a is unia divisão no PCB O Dia Nacional de Greve com Manifestações apanhou o Partido Comunista Brasileiro dividido em torno da proposta de Joaquinzão. O Coletivo Nacional dos Dirigentes Comunistas (eufemismo usado para designar o Comitê Central) desaprovava a palavra de ordem de greve geral e mandou que seus emissários às reuniões dos sindicalistas defendessem apenas a realização de um Dia de Protesto. Já o chamado Comitê Estadual de São Paul.) jogou todas as suas fichas na liderança de Joaquinzão e trabalhou pela decretação da greve. A divisão cristalizou-se na própria quinta-feira, na Baixa- da Santista, cujas lideranças sindicais são fortemente influenciadas pelo PCB, e dentro dele pelo Coletivo Nacional, não houve prevê, mas apenas manifestação de protesto; na capital, onde atuam os comunistas mais ligados ao Comitê Estadual, a greve foi decretada nas categorias mais importantes. Na opinião do Coletivo Nacional, a greve geral seria "uma forma inadequada" de encaminhar um protesto contra a crise e a favor da negociação. Isso porque, além de isolar do movimento as categorias sem condições de decretar uma paralisação, apresentaria elementos de confronto capazes de prejudicar o governo de São Paulo, do PMDB. Os comunistas ligados ao Comitê Estadual garantiam "não negligenciar" esses riscos, mas acreditavam que os radicais seriam controlados e a greve transcorreria de forma pacífica. Ao fina! do embate, na madrugada de sexta-feira, os dois lados tinham contas a ajustar. Na capital, realmente, a greve transcorreu.icm grandes incidentes. Mas registrou-se o que o Coletivo Nacional chamou de "elementos de divisão dentro do governo Montoro", além do desgaste produzido pela violenta repressão no ABC. O ajuste de contas, porém, teria sido pacífico e. no entender das duas partes, até ajudou a diminuir a distância que as separa. iãíúsmo sem limite. "Temos o direitü e o dever de criticar o movimento de Qualquer categoria. Quero ser framco: Jair Meneciuelii revelou uma visào romântica, toquista, que não conduz a nada Abdias (Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói - Nfl) disse que a divergência aqui è a data da greve. Nâo è verdade; A divergência está no caráter do dia 21. Há gente aqui com ilusão que vai sair oaqui para decretar a Greve Geral. O dia 21 è um dia de protesto nacional. Não podemos admitir esse pacote da Greve Geral sobre o movimento sindical {...)". O autor da intervenção acima è Ivan Pinheiro, do Sindicaro dos Bancários do Rto de Janeiro, e colaborador do jornal "Voz da Unidade", óigâo oficial do Partido Comunista Brasileiro(PCB). Nào contente em se embandeirar com a proposta de greve para o dia 21, como forma de atacar a qreve em curso, Ivâ ainda afirma, clara e cinicamente, que não haverá, se depender dele, qualquer greve geral, mas mais um "dia de protesto". Com a arrogância típica de um burocrata do PCB, Ivan acusa Meneguelli de ser "romântico e foquista". Mas Jair Meneguelli nada mais fez do que respeitar a vontade dos trabalhadores que, aos seu chamado, paralisaram SBC. Será isso, foquismo, Sr. Ivan Pinheiro? Para os stalinistas do PCB e seus colaboradores, "românticos" e "foquistas" são todos os que, corno Jair, dispôem-se ao combate contra a ditadura. Jiwiiuiin e o innigi* do JOíK/Wí m Ninguém mais do que o arqui-pelego Joaquim, presidente do sindicato dos Metalúr gicos de SP, foi defensor de adiar a greve para o dia 21. Joaquim declarou necessitar "tempo" para "preparar a categoria". E hoje, cinicamente, Joaquim declara que "nâo há TlltítiALriL condições reais para se decretar a greve geral". (0 siado de São Paulo, 10/7).,'^ Ú- l, 7/. * / Junto com Joaquim, Luiz Antônio, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, e colaborador do jornal "Voz da Unidade" órgão do Partido Comunista Brasileiro (PCB) destacou-se no ataque à greve de SBC e Campinas. Eis aqui alguns extratos de sua intervenção, "pérolas" do stalmismo: "(...) O Sindicasto de SBC saiu por conta própria para a greve, rompendo com a resolução do Congresso aos Metalúrgicos. A decisão do Congresso foi que seria greve geral por tempo determinado, e nâo por tempo in determinado (...) A greve de SBC furou (isso mesmo, furou!l! - NR) a greve decidida pelo Congresso (...) Nossa posição è a seguinte: nós nâo varnos parar na 2" feira... pode dizer isso na Vila Euclides (estádio de futebol em SBC, onde são realizadas as assembléias de metalúrgicos de SBC - NR)!" Dificilmente o pensamento tortuoso de um burocrata poderia ser exposto '.om maior clareza. Veio o expurgo, é SBC foi à greve Quem é fura greve? Luiz Antônio diz é Jair Menequeili (que chama â greve!) e nâo eie Luiz Antônio, burocrata stalinista que diz aos metalúrgicos na Vila Euclides: "Nâo há greve, se depender de minha vontade"

9 GR2VS G3HAL RESENHA - 9 Trajeto de uma manobra Deflagrado o movimento grevista em Paulínea, Campinas c ABC ( a questão colocada para o conjunto do movimento sindical brasileiro era uma só: a' centralização do movimento nacional na greve geral. Isso, é evidente, exigia uma pronta resposta dos dirigentes, no sentido de organizar a greve geral, a partir das fábricas e em todo o pais. O que fez a maioria dos dirigentes sindicais, pelegos e stalinistas do PCB? Tudo ao contrário. Isolaram as greves em curso, impediram o seu desenvolvimen to e centralização, sabotaram todas as iniciativas nesse sentido, e atacaram aqueles que, como Jacó Bittar e Jau Menegueíli, dirigiam os movimentos grevistas... Os passos adotados por estes senhores podem ser perfeita e claramente identificados. A greve foi deflagrada m dia 6. Dia 7, a tarde, a hederaçào dos Metalúrgicos de SP (que acabai a de realizar seu X' Congresso, onde deliberou a greve geral, caso viesse o expurgo" do INPC) reuniu-se com todos os sindicatos, e decidiu convocar uma -greve de 24 horas" (e não uma greve lieral pelo atendimento das reivindicags para o dia 15 de julho e nao a greve imediata, conjuntamente com o IBC e Campinas). Isto e, a depende da Federação, a greve geral em curso deveria esperar uma semana, para transformar-se numa greve de 24 no ^Porém, isso ainda não foi o suficiente lío próprio dia 7. a noxte. Argeu dos Santos. Presidente da Federação, simplesmente desconvocou a greve do dia 15. propondo que fosse adiada para o dia 21. A "justificativa" de Argeu foi a de que o Secretariado das Fstatais. reunido em 5 de julho, havia proposto que no dia 15 fossem realizadas Assembléias Estaduais da categoria, e no dia 21. um "dia nacional de protesto". Por isso. dizia o cínico Argeu, era preciso preservar a "unidade" do movimento, convocando tudo para o dia 21! Em resumo, a Secretaria das Estatais e Federação dos Metalúrgicos de SP, ambos, estabelecendo uma franca e cordial colaboração com a ditadura militar, condenavam o movimento grevista ao isolamento, numa situação em que ocorria a intervenção nos sindicatos, e os grevistas eram ameaçados com demissões e repressão. As manobras dos pelegos e stalinistas contra a greve geral seria consumado no dia 9, em São Paulo, quando uma reunião nacional de dirigentes sindicais (com maioria de pelegos e stalinistas) aprovou a greve de um dia para 21 de julho, e onde o movimento grevista foi qualificado de "aventureiro", "foquista". e outros adjetivos tão ao gosto dos stalinistas (sobre as declarações, veja o quadro abaixo). Diante das manobras destes dirigentes, a greve foi isolada, e teve que ser encenada numa situaçàq em que todas as condições estavam reunidas para que o país fosse completamente paralisado. Decreto amplia intervenção do ** nta-feira^l/z/ss O GLOBO xército nas PMs BRASÍLIA (0 GLOBO) - 0 Presidente em exercício, Aureliano Chaves, assinou catem decreto que amplia as possibilidades de intervenção do Exército nas Polícias Militares estaduais para prevenir ou reprimir grave perturbação da ordem ou ameaça de sua irrupção ou era caso de guerra externa. A intervenção do Exército, expressa no decreto como convocação de Polícia Militar, não está mais limitada ao prazo de um ano (fixado pelo decreto anterior), quando se der pelas razões de segurança interna do País e pode, agora, ser feita quando as providências adotadas pelo Estado para prevenir ou reprimir perturbação da ordem ou a sua ameaça se revelarem ineficazes. 0 novo decreto atribui ao Presidente da República a responsabiudade de convocação das PMs e a nomeação do militar interventor e introduz as possibilidades de o Fresidente convocar as PMs nos casos de adoção de medidas de emergência ou decretação dos estados de sítio ou de emergência. A intervenção por questões de adestramento e disciplina passou a abranger questões de armamento, competência, estrutura, organização e efetivo. A corporação da Polícia Militar convocada ficará, segundo especifica o novo decreto, subordinada ao Comandante do Exército ou ao Comandante militar da área. A íntegra do decreto: "Decreto n c , de 20 de julho de 1983" Regulamenla a convocação de Policia Militar prevista no Artigo 3 o do Decreto-Lel n' J 667 de 20 de julho de 1969, alterado pelo Decreio-Lei n? 2.010, de 12 de janeiro de 19&3., O Presidente da Republica, usando da atribuição que lhe confere o Artigo 81, item III da Constituição, DECRETA; '.. Ar, io _ A convocação da Policia Militar total ou parcialmente, de conformidade com o disposto no Artigo 3 Ü oo Decreto-Lei n üs 2 de julho de 1969, na redação dada pelo Decreto-Lei n a 2.010, de 12 de ja- neiro de 1983, será efetuada; "I Em caso de guerra externa; e "II Para prevenir ou reprimir grave perturbação da ordem ou ameaça de sua Irrupção. "Parágrafo único Além dos casos de que trata este artigo, a Policia Militar será convocada, no seu conjunto, para assegurar à corporação o nível necessário de adestramento e disciplina ou ainda para garantir o cumprimento das disposições do Decret-Lei n? 667, de 2 de julho de 1969, alterado pelo Decreto-Lei n? 2010, de 12 de jan8kode1983. "Art. 2? A convocação ou mobilização de Policia Militar, em caso de guerra, será efetuada de conformidade com legislação especifica. "Ari. 3? a convocação da Policia Militar será efetuada mediante ato do Presidente da República "Parágrafo 1? A convocaçôo a que se refere o parágrafo único do Artigo 1? deste decreto será efetuada quando; "a) A necessidade premente de assegurar à corporação o adestramento ou a disciplina compatível com a sua condiçôo de força auxiliar, reserva do Exército, ou a sua finalidade prevista no Artigo 13?, parágrafo 4?, da Constituição, se fizer mister; "b) Constatada a Inobservância de disposições do Decreto-Lai n? 667, de 02 de julho de 1969, alterado pelo Decreto-Lei n? 2.010, de 12 de janeiro de 1983, especialmente as relativas ao adestramento, á disciplina, ao armamento, á competência, estrutura, organização e ao efetivo. "Parágrafo 2? - O Presidente da República, nos casos de adoção de medidas de emergência ou decretação dos estados de sitio ou de emergência a que so refere o titulo II, capitulo V, da Cünstituiçâo, poderá

10 GREVE GEfUL. r'.\' i itju í-u P\( decretar a convocação da Policia Militar. "Art. 4? O Comando da Polícia Militar, convocada na forma deste decreto, será exercido por oficial da ativa do Exército, dos postos de General-de-Brigada, Coroncii ou Tensnte-Coronel, ou oficial da ativa, do ultimo posto, da própria corporação. "Parágrafo único O Comandante da Policia Militar será nomeado pelo Presidente da República, na mesma data do decreto de convocação. "Art. 5?. A Polícia Militar, quando convocaua, terá a supervisão direta do Estado- Maíor do Exército, por intermédio da Inspetoria-Geral das Polícias Militares, e ficará diretamente subordinada ao Comandante do Exército ou ao Comandante militar da área em cuja jurisdição estiver localizado o Estado-membro. "Parágrafo único Na hipótese de a Policia Militar convocada nâo pertencer ao mesmo Estado onde estiver localizada a sedo do Comando de Exército ou Comando militar de área, este poderá subordinála diretamente ao Comandante de Região Militar ou de grande unidade situado na área do Estado-membro. "Art. 6? As convocações de que trata este decreto serão efetuadas sem prejuízo; "1 ~ Da competência específica de. Policia Militar e como participante da defesa interna e da defesa territorial, nos casos previstos no item II do Artigo 1? deste decreto: ' II Da competência normal de Policia Militar de manutenção da ordem pública e de apoio às a autoridadeü íedetais nas mis- SõOü de defesa interna, no caso do pará- nico do Artigo 1 ü deste decreto. Parágrafo 1^ A convocação a que se refei e o item ti do Artigo 1? também ocorrerá ((uando as providências adotadas, no âmbito estadual, para prevenir ou reprimir perturbações ou a ameaça de sua irrupção {Art 10, item III, da Constituiçáo Federal) se revelarem Ineficazes. "Parágrafo 2? Para o planejamento e uçâo da competência a que se refere o item II deste artigo, a Policia Militar deverá articular-se com o órgão estadual responsável pea segurança pública ou seus representantes. "Art. 7? Durante a convocação de que trata o parágrafo único do Artigo 1? deste decreto, que nâo poderá exceder o prazo máximo de um ano, a remuneração dos integrantes da Polícia Militar e as despesas com a sua administração, compreendendo as necessárias ao seu funcionamento e emprego, continuarão a cargo do respectivo Estado-membro. Parágrafo único Aplicase a dispostos neste artigo, excetuado quanto ao prazo, á convocação referida no item 11 do Artigo 1:'deste decreto. Art. 8P'- A dispensa de convocação, por término do prazo de que trata o artigo anterior ou por ter cessado o motivo que a causou, sorá objeto de ato do Presidente da República. Parágrafo único o Comandante da Policia Militar será exonerado na mesma data do ato a que se refere este artigo. "Art. 9^ 0 Ministro oe Estado do Exército baixará os atos que se fizerem necessários à execução deste decreto. "Art. 10? -- Este decreto entra em vigor na data de sua puoiicação, revogadas as disposições em contrário. "Brasília, DF, 20 de julho de 1983; 162^ da Independência e 95? da República.' ESTADO DE S. PALMO 22 DE JULHO DE 1983 O decreto da PM foi exigência de Conselho O decreto regulamentando a lei que autoriza o presidente da República a convocar as Policias Militares, para "prevenir ou reprimir grave perturbação da ordem ou ameaça de sua JUTUjpçâo", foi assinado na véspera do dia marcado para a "greve geral" por exigência da secretaria do Conselho de Segurança Nacional. Foi o que revelou ontem uma fonte graduada do Ministério da Justiça, dando a entender que, no caso, prevaleceram as razões de segurança sobre as de ordem política. A fonte admitiu que, politicamente, parecia impróprio o momento para a assinatura desse ato. Embora se tratando de simples regulamentação, o decreto Iria reavivar a possibilidade (Já prevista na legislação vigente) de as PMs serem colocadas sob o comando direto do Exército, justamente quando os governadores oposicionistas estavam em perfeita sintonia com o governo federal para evitar tumulto em seus Estados. Já que o decreto de regulamentação nào fora assinado antes, imaginava-.se que poderia esperai um pouco mais. Mas, segundo a fonte, assim RESENHA - lü não entenderam os setores ligados à segurança nacional, talvez considerando que a simples assinatura do decreto teria um efeito psicológico dissuasório sobre o movimento grevista. No Rio, o ministro da Marinha, Maximiano da Fonseca, comentou ontem a crítica do governador Leonel Brízola ao decreto que regulamenta a autorização para o presidente convocar as Polícias Militares. Brizola havia dito que o decreto "fere o regime federativo" e o ministro afirmou: "Em caso de emergência, se um Estado nào é capaz de manter a ordern, a PM pode passar para a supervisão do Estado-Malor do Exército. E isso pode até ser bom para os próprios governadores, dependendo das circunstâncias. Falo a respeito com cuidado, porque nâo se trata de assunto diretamente meu. Mas o Exército sô assumiria a supervisão em caso de necessidade comprovada pelo próprio governador. Não vejo, portanto, um atentado à autonomia dos Estados". Ainda ontem, Brizola repetiu a sua critica ao decreto. O TRABALHO /?&- Z//7f'&í "Quem atrapalha ingentes" 0*a0 Antes de deixar o pais, para ir aos Estados Unidos, o general Figueiredo reuniu o Conselho de Segurança Nacional (alto comando do regime militar), e decretou um novo e violento golpe. Baixou um'' decreto- L ei'' estabelecendo "negociações coletivas" entre patrões e empregados. Com isso. Figueiredo eliminou de um sò traço o INPC e os reajustes semestrais automáticos. Isso aconteceu apenas quatro dias depois do final da poderosa greve dos metalúrgicos, dos petroleiros e de milhares de trabalhadores de outras categorias, na semana passada. Nela, os trabalhadores responderam em massa ao chamado de greve contra os "pacotes" da ditadura. Em Campinas, no ABC, em Mataripe (Bahia), a vibração com que os trabalhadores entraram em greve demonstra a profunda revolta e indignação contra a miséria e os ataques generalizados às condições de vida do povo, que os militares vem aplicando a mando do FMI. Mesmo assim, os trabalhadores ficaram isolados, e a greve teve de ser suspensa. O que permitiu que os "pacotes" das estatais, os "expurgos" do INPC nào fossem derrubados e as reivindicações dos trabalhadores conquistadas? O que permitiu, ao mesmo tempo, que o general Figueiredo venha agora impor novas e mais violentas medidas contra os trabalhadores? As razões são por demais evidentes. No momento em que era necessária a ação de todos contra o *' regime dos pacotes", como disse Jair Meneguelli, (presidente cassado do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo), ampliando o movimento grevisla e realizando a Greve Geral, a maioria dos dirigentes sindicais no

11 . GREVE GERAL RESEh 11 pais armou um verdadeiro bloqueio para que isso não ocorresse. E não ficaram sozinhos nessa iniciativa. Os políticos da oposição, que foram os maiores depositários dos votos contra a ditadura, com seus governadores à frente, tomaram partido do general Figueiredo. Na frase do governador mineiro, Tancredo Neves, do PMDB, está o maior exemplo disso: '* ícmos 30 policiais para cada trabalhador". Assim respondeu Tancredo a uma comissão de petroleiros da refinaria que fica em Belo Horizonte, quando estes foram lhe pedir para tirar as tropas que a cercavam. De outro lado, os pelegos e o PCB se esmeraram em manobras para quebrar o movimento prático realizado a partir do chamado de dirigentes como Lula e Jacò Bittar. Tiraram da cartola uma proposta de ' * Dia nacional de greve e protesto'' no 21 de julho, quando o movimento exigia a sua extensão naquele momento em que milhares e milhares faziam a greve. São esses fatos que dão inteira razãc ao que disse Lula: "quem atrapalha a classe trabalhadora são os próprios dirigentes sindicais, pois até mesmo quando uma categoria decide apoiar determinado movimento, eles desrespeitam". Ou como disse Jacò Bittar:'* há correntes que são contrárias a qualquer tipo de confronto com o governo". Precisamente aí se concentram os problemas. Não è possível derrubar os 44 pacotes'' sem o c * confronto com o governo''. Não è possível falar que se è contra as medidas do FMI que Figueiredo aplica e buscar o "entendimento nacional" com o general-presidente, como prega o PCB. Agora, quando os generais realizam novos ataques contra os trabalhadores, aprofundando a aplicação das medidas de miséria, a Greve Geral vai se tornando ainda mais necessária. Para realizá-la, os trabalhadores vão compreendendo que precisam de novos dirigentes. Por isso mesmo que, a preparação do Conclat (Congresso da Classe Trabalhadora) deve responder a es^a tão principal: os trabalhadores trecisar de uma CUT Central a dos Trabalhadores com dirigentes como Lula e Jacò Bittar. E è mesmo que os delegados devem ser tirados com esse mandato. iindar a CUT no Conclat e eleger para ela uma direção que esteja i nente comprometida em realizar a Greve Geral contra o " regime dos í : èr V proletária 2 Oões de soíirem-se orgulhosos coi - geral do dia 21. poi um i ico da maior envergadura no período desde o golpe militar de Durante mais de du sua preparação f 0 i o ntral do pais. E seus desdobramentos se farão sentir daqui para frente, por muito tempo. Foi uma greve essencialmente proletária. m as principais fábricas > industriai do país, São Paulo. E em todo o Brasil foi sse operária que puxou imento de massas q, iihares e milhares de In» HOUVL debilidades, q^ J o sucesso da lula. Ap i>er uma greve po- Ut, sindical na maiori a dos I endeu a amortecer este caráter; E a imprimir um rítm0 p, ovimento. Mas estes ífletem o grau de consciência, de organização, inobili c direção do movimento sil Uma greve ativa exige um nível mais elevado de organizarão n ncas e Sindicatos com mais raízes nas massas opera; :omo lideranças com verdade irito proletário. -p^ o pc ia do futuro, a \j greve ignificar um rompimen ooilismo no movimen il e uma perda de terreno d..lendas exclusivistas e r Setores como Joaquim An sentiram isto e tratam de se adaptar ao novo ritmo do m Se as forças de van ierem esta mi! r o caráter un. u ente mas ao mesmo tempo promover as posiçõc aais ativas e conseqüei tem enorme ímp " particular na prepara* lat. O caráter proletário deste movimento ipertou um ódio r; rguesia. Apesar de tão dl Limpos das \ o..iv/,-/f' classes dominantes se aproximaram para combater a greve. O argumento básico que usaram é que não adianta, porque o povo nâc tem nenhum papel a jogar nos rumos do país. Para os poderosos, aos trabalhadores cabe unicamente labutar sem descanso para garantir lucros elevados aos capitalistas. Inclusive os governadores Brizola e Tancredo fizeram questão de somar suas vozes no ataque aos grevistas. E o governador Montoro, embora tivesse se manifestado simpático anteriormente, no dia da greve não teve coragem de resistir à altura diante da verdadeira intervenção branca em São Paulo. Permitiu que a Polícia Federal e o próprio Exército assumissem na prática o comando da repressão. Revelou-se assim o caráter instável e vacilante de certos setores que compõem a frente oposicionista. Apesar disto, tanto o PMDB como o PT apoiaram a greve, embora com gradações diferentes das suas diversas facções. O governo desfechou golpes no movimento dos trabalhadores, particularmente com a intervenção em cinco Sindicatos. Agora, tenta diminuir o alcance da greve geral. Não poupa mentiras e calúnias para desmoralizá-la. Mas nada disto será capaz de anular a importância da luta travada pelos operários. Nem de esconder que o regime sofreu uma amarga derrota, repudiado por um movimento unitário e nacional de massas. A greve geral impôs-se como uma exigência da biía. As perdas sofridas não podem ser desprezadas mas não são irrepai veis. O movimento de unidade popular projeta-se no cenário políiico com o proletariado à frente. Criam-se condições mais favoráveis para a luta contra o regime, por eleições diretas para presidente, contra o FMI, pela recuperação dos Sindicatos sob íntervençã e pela liberdade sindical.

12 GREVE GERAL RESENHA - 12 Fortalecer a oiiidade, corrigir 21/07/83 luta O cxiio global do Dia Nacional de Protesto,i Ut' se encerra no instante em que íechamos esta edição, comprova o que iodos os segmentos lúcidos du sociedade brasileira já reconhecem: o agravamento da crise econômica, potenciado pela rendição ao IMi, dramatizando a situação das camadas assalariadas, obriga os trabalhadores às mais intensas baralhas na defesa dos seus mínimos direitos. I ais batalhas não sào produtos de "conspirações" ou "agitações". I ratá-las assim é o ve/.o do autoritarismo, como se viu, mais uma vez, nos últimos dias: tentou-se criar, em especial através dos meios de comunicação, um clima de pânico e terror civil, como se o Dia Nacional de Protesto fosse um alentado ou uma ruptura social (manobra a que se associaram grupos sindicais que visualizavam o dia de hoje como prova de confronto). Mais: no bojo dista estratégia, assesiou-se duríssimo golpe ao já ultrajado princípio federativo o decreto que permite a instrumentalização das forças públicas estaduais em proveito dos diktats federais. I não parou aí o recurso ao arsenal do arbítrio: ontem e hoje, em S.Paulo, autoridades fizeram o seu jogo: prisões, o porrete policiai e a intervenção em entidades sindicais. C desnecessário dizer que a imediata libertação dos presos e a devolução dos sindicatos aos seus legítimos dirigentes é condição elementar para a normalização da vida sindical paulista. i. claro que as ' respostas" do arbítrio de nada adiantam. Mantendo-se a orientação econômica recessiva, ampliar-se-á o descontentamento justo c justiticado dos oprimidos e espoliados, cujas lionteiras já desbordam largamente as da classe operária. Estende-se o leque daqueles que compreendem que a saída da crise passa por outras vias. Voltemos, porém, ao Dia Nacional de Protesto. Nele decorreram as mais importantes manifestações políticas dos últimos tempos contra a situação vigente, tipificadas exemplarmente na jornada unitária e cívica levada a cabo no Rio de Janeiro. E dele, com a afirmação peremptória da vontade dos trabalhadores (que, diga-se de passagem, deram provas inequívocas de maturidade, ao recusar comportamentos desestabilizadores), resultam condições mais favoráveis para encaminhar a articulação abrangente que superará os impasses atuais. hstas condições centram-se em torno de um eixo: a catali/ação das mais diferenciadas forças sociais num pólo que as soma e aglutina, aplainando o terreno onde o bloco de torças democráticas deve ocupar e consolidar posições. No Rio de Janeiro e em Porto Alegre, o movimento operário e sindical soube dirigir suas ações, desde o primeiro momento, neste sentido. Em S.Paulo, o processo conheceu descolamentos que sugeriam divisões perigosas, com proposições pouco adequadas para o alargamento do apelo do protesto; no entanto, ao fim do dia. mesmo lideranças que, antes, se negavam ao diálogo, redimiam suas posturas precedentes di/endo que a conseqüência da jornada se; ia "a criação de um canal de negociações entre o governo e os trabalhadores". Sobie esie patamar, o movimento operário e sindical começa a ganhai uma ponderação nova (que pode ser multiplicada com tii;. Conclat inclusivo e representativo) nu espectro sócio-político brasileiro. Os desdobramentos, pois, são alentadores. E são tanto mais quanto a realidade concreta do movimento operário c sindical, revelando a sua potencialidade, repudiou lodo um conjunto de equívocos que ameaçava levar a manifestação tios trabalhadores para descaminhos enganosos. Desses equívocos, o mais notório é o da greve geral. Palavra de ordem aventureira na correlação de lorças do momento, foi reduzida à sua dimensão real: a de proposta divorciada da vida brasileira, lambem se esclareceu, devidamente, o erro dos que pretendiam estreitai o protesto na moldura exclusiva da greve os trabalhadores souberam lutar e expressar-se segundo as suas eletivas possibilidades, e não conforme as receitas de quem tem a pretensão de dirigi-los desde fora. I xceto no ABCe na categoria dos metalúrgicos paulistas, a greve não passou de sugestão rechaçada pela massa. Contra os seus profetas iluminados, porém, os trabalhadores não ficaram imóveis: optaram pela expressão da sua vontade através das formas mais variadas. Funcionou, aqui. o sadio instinto de classe. liste é um elemento a reter, na apreciação do dia de hoje: a necessária e inevitável pluralidade de formas por que transita o protesto trabalhador. I: verdade que há formas mais altas, mais eficazes que outras. Mas se ilude quem quiser bilolar a intervenção operária e sindical no marco de um só parâmetro. O dinamismo social termina por tirar o véu de qualquer retórica como, alias, vimos hoje: quem pensou o protesto nacional corno greve geral tem bem poucos motivos de júbilo. E não só: tem, também, o dever de refletir se contribuiu ou não pata propiciar ao movimento operário e sindical chances de amadurecimento no sentido da autoconfiança e do reconhecimento das suas forças. Os desdobramentos positivos para que aponta a jornada de hoje só se realizarão na medida em que viabilizarem a perspectiva de acumulação de forças para negociar, e não para cerrar canais de entendimento político. I rala-se da aspiração crescente à grande negociação nacional que pode tirar o país do atoleiro e a sociedade dos impasses, mas que só será uma negociação legítima se, nela, os trabalhadores desfrutarem do estatuto de interlocutores em pé de igualdade com outros agentes sociais. A conquista deste estatuto depende da continuidade das lutas. Não cabe apenas ler presente a jornada de hoje: cabe projetar seu prosseguimento no futuro imediato. E transformar qualitativamente a sua natureza: não mais a mobilização do consenso negativo em face da política econômica do governo, mas o consenso construído em torno de uma alternativa concreta, democrática c nacional para o descalabro yue aí está.

13 GB.EVE GEBAL RESENHA - 13 y A afirmação desta tendência (que, cm escala decisiva, está hipotecada ao Couciat) não implicará somente a erradicação dos equívocos no movimento operário e sindical. Implicará a sua unidade interna e a sua articulação com as demais instituições e movimentos sociais brasileiros. Unidade interna e articulação serão indispensáveis para que a ínllucncia e o peso do movimento operário e sindical transcendam as camadas trabalhadoras, convertendo-o em pólo de catalização da^ formas mais avançadas da nossa sociedade. Os trabalhadores brasileiros demandam hoje, mais que nunca, um movimento sindical vinculado ; - bases, unitário c combativo, solidário e A prova do Dia Nacional de Protesto ui para mostrar que esta demanda não pode lei mais a sua satisfação postergada. Um dia de tensão (?0r)-0 ALo/u j ocorreram, a não ser em casos Isolados. O Governo cumpriu o seu papel, não exorbitando dos poderes que lhe são conferidos por lei. Desta forma, agindo rigorosamente dentro da lei. permitindo a livre manifestação, mas não admitindo o tumulto, esteve à altura de suas funções dentro da sociedade democrática, tcossalte-se também o pronunciamento feito, ontem, no Rio de Janeiro, pelo ministro da Marinha, Maxlmlano da Fonseca, que destacou o fato de que as Forças Armadas em hipótese alguma permitiriam a perturbação da ordem, mas que agiriam apenas quando ocorresse esta perturbação. A perturbação não ocorreu, o caminho para a reconstrução democrática continua aberto. Mas os acontecimentos de ontem não devem se repetir, pois eles permanentemonto beiram o caos. E quando o caos se instaura soa inevitavelmente o dobre de finados para democracia. A ciaaae recomã noje o curso normal üe aua lida. Felizmente, uma greve equivocada não teve conseqüéndüb piores, o que renova a confiança da iodos no avanço do processo democrático brasileiro, apesar d& crise econômica que traz imensas dificuldades ao Paio. Entret&nto. mesmo que tudo tenha sido superado, é inegável que Porto Alegre viveu, ontem, um dia de tensão. O ambiente contaglante nâo era o de alguns dias atrás, quando toda a cidade ae aolidarizou com as vítimas das enchentes. Nem era o de uma indlsfarçavel simpatia para com a greve dos professores, ocorrida há algum tempo, que reivindicavam questões especificas para a categoria. O aenümento de ontem era o contrario da solidariedade. Assim, a capital gaúcha viveu tensa as 24 horas do dia, sempre na expectativa de acontecimentos não desejáveis pela grande míüorla da sociedade. Se muitas casas de comércio fecharam as suas portas. não era porque os seus funcionários tivessem aderido ao movimento grevista: era por medo de saques e depredações. Se os ônibus andavam vazios, era porque multas pessoas tiveram medo de sair de casa. Desta forma, também sob íai aspecto, a grevepohtica projetada por ãigumas lideranças sindicais n&o surtiu o efeito esperado. Ao invés de receoer a solidariedade da população, originou a insegurança, a angústia, a tensão e o temor. Ora. se os trabalhadores adquiriram o eureiío de greve, não se pode compreender que em lugar da simpatia por parte da ífp^t çào. instaure-se um sentimento de m* *^ certezas. E é por isso que as greves pohtlcas não são legitimas. As sociedades cívllizaaas aprenderam a conviver com greves justas. ou seja. aqueias que expressam «"**" *' çòes plenamente justas por parte tos Uàoalhadores. voltadas para a defesa «fj-f "J reííos como ciasse e categoria P * *!: Uma greve como a de ontem. P*"* *** poliüca. que benefício poderia trazer pan^ classes trabalhadoras? Que conquistas etvii vaa? Que resultados concretos mmmè t* Por isso mesmo verificou-se o*nue*te tenso que dominou Porto Alegre ^íe j" do o dia de ontem. ^Iretantop^f^ de de toda a comunidade, as desordens nao JORNAL DA TARDE 2-2 hh $ò Unia incapacidade maior do que a do governo A ameaça de greve geral que desaguou ontem num semiferiado municipal, em São Paulo e arredores, será agora analisada por todas as correntes políticas nacionais, de maneira mais ou menos sofisticada, conforme a competência do analista. Nós, que não somos corrente política, mas sim cidadãos comuns capazes de utilizar o bom senso, também temos algumas coisas a dizer. Mas vamos primeiro aos fatos. As atividades econômicas estiveram de fato paradas em boa parte. Muitos trabalhadores não foram trabalhar, em grande parte porque pensavam que não haveria transportes urbanos. Em certas áreas da cidade havia um clima dominguei- Iro; em outras, algumas escaramuças das quais resultaram prisões de piqueteiros. Mas até que ponto tudo isso pode ser realmente chamado de greve? Os estabelecimentos comerciais estiveram fechados em boa parte, mas terá sido por causa de uma greve dos comerciários? Nada disso. Simplesmente porque havia receio de um quebra-quebra, e os próprios comerciantes se encarregaram de dispensar seus funcionários e fechar as lojas. Muitas indústrias também estiveram fechadas, mas porque num acordo entre patrões e empregados o trabalho foi suspenso para ser compensado num feriado qualquer. Os bancos trabalharam normalmente, os transportes também com exceção do metrô, onde a paralisação foi estimulada de cima para baixo por um secretário de Estado que sonha em fazer do governo Montoro um replay do governo Goulart, mas que mesmo assim voltou a correr depois das 11 horas da manhã; enfim, os serviços essenciais não pararam. Greve mesmo, greve propriamente dita, hou-

14 GREVB GERAL RESENHA - m 0 i N i ir.' Jp\C P\0 ve onde todo mundo já sabia que haveria em algumas indústrias metalúrgicas nas quais os eiros têm maior influência. Não estranhem, por favor, o neoiogismo, que inventamos para distinguir aqueles que vivem pensando em greves dos grevistas propriamente ditos, ou seja, opera rios que fazem greves quando há motivos justiü- CCUíOJ para fazê-las. Os greveiros fracassaram. As greves propriamente ditas ficaram circunscritas a alguns locais previsíveis, e quanto ao resto do Brasil... bem, assistiu à greve geral de poucas empresas, mesmo nos Estados governados pela oposição, porque governadores como Tancredo Neves e Leonel Bri- ^ola. desde o primeiro momento, manifestaram-se decididamente contra o movimento, ao contrário do sr. Montoro, que cada dia que passa mais demonstra que não é do ramo. Isso nos leva a uma constatação inevitável: a indiscutível incompetência da gestão econômica governamental só é realmente suplantada pela incompetência política dos gneveiros paulistanos. Nunca nos anos recentes as coudiç&es objetivas, como se diz, para uma greve de protesto foram tão palpáveis. Os assalariados, náo só de Sáo Paulo, mas do Brasil inteiro, alimentam justíssima indignação contra a gestão econômica do governo, que não apenas lhes "arrocha" os salários, como acelera a inflação. Temos a impressão mbora não sejamos juristas, de que, levada aos tribunais, a greve seria considerada legítima, se fosse feita como reação à redução dos níveis salariais e nào, como acabou acontecendo, em nome de ficçôes ideológicas tais como o FMI, a reforma agrária, a defesa da soberania nacional e a defesa da Nicarágua. Além dos assalariados, o governo está desigiado entre a classe média não assalariada, pequenos, médios e grandes empresários, entre trabalhadores autônomos. O que significa que uma greve feita contra a redução dos níveis salariais seria compreensível para todos esses contingentes sociais. E, apesar disso tudo, um número enorme de trabalhadores mesmo, aqueles que seriam os grevistas, não aderiu à greve. Foi uma greve de greveiros; sem grevistas. Tudo isso por quê? Porque a cúpula sindical greveira pensa que as massas brasileiras estão interessadas na mudança do modelo econômico, na destruição do capitalismo que nào existe no Brasil, na luta Icontra o FMI, pela soberania nacional, contra as Imultinacionais e pela reforma agrária. Colocam jtudo isso no programa da greve, e, perdida lá no meio, a única coisa que realmente interessa para aqueles que poderiam tornar a greve um sucesso: o protesto contra o "arrocho" salarial. ) cidadão brasileiro comum, pragmático como é diante de tudo o que lhe é proposto que tem o hábito de indagar "quanto eu ganho nisso?" -v-, fica tentando imaginar quanto pode render a qestruiçâo do capitalismo que não existe, a luta contra o FMI que quase ninguém sabe o que é -tr, a reforma agrária, etc. e, nào conseguindo fazer as contas, simplesmente deixa na mão o greveiro com sua greve e vai tratar da vida. É pena que os assalariados brasile ros tenham lideranças sindicais mais interessad is em fazer sua cabeça do que em encher os seus bolsos Sim porque uma greve lúcida, serena, firme, beni organizada, por motivo justo e estritamente trabalhista, pacífica, seria até saudável neste momento, para pôr um paradeiro UOL disparates governamentais e ensinar a alguns ministros lições de humildade. Isso não é possív il, no entanto, porque os greveiros preferem fazer'proselitismo ideológico em vez de política sindical. Nào nos iludamos, todavia. Apesar de a população de São Paulo ter dado mais uma vez demonstração inequívoca de que é mais madura do que suas supostas lideranças políticas governamentais e oposicionistas, os greveiros dirão que a greve só náo foi um sucesso absoluto por causa da intimidação das massas, e continuarão trabalhando para fazer a próxima. Isso não nos preocupa muito porque eles são tão manjados quanto os colunáveis do café society, e os operários das fábricas conhecem de cor o canto de sereia que desejam impingir. O que nos inquieta é a outra incompetência, a incompetência federal, que pode eventualmente imaginar com o fracasso da greve que afinal os assalariados não estão sendo muito sacrificados e ainda suportam mais alguns lances de desgoverno. Se a greve fracassou, lembremo-nos todos, não é porque o povo não sinta vontade de fazer uma greve realmente para valer; é porque nào deseja, e até repudia como já demonstrara nas eleições de novembro os disparates ideológicos que os greveiros sempre ipsistem em impingir como aspirações populares. O equívoco de uma greve de protesto GAZETA MERCANTIL Quinta-feira, 21 de julho de 1983 A greve convocada para hoje pela ( Comissão Nacional Pró- Central Única dos Trabalhadores (Pró-CUT) representa um grave equívoco por parte de algumas lideranças sindicais. A interrupção do trabalho por 24 horas o "Dia Nacional do Protesto", como vem sendo chamado- é uma ação marcada mente política, que, ao ser assumida por sindicatos, só concorre para enfraquecer nosso tenro regime democrático, reimplantado nos últimos anos à custa de tantas lutas. Em um sistema democrático, representativo convém insistir, os protestos de natureza política devem ser encaminhados através de entidades civis e partidos organizados, nunca através de sindicatos, que basicamente devem ser voltados para o atendimento das reivindicações das categorias que representam. O desaguadouro nacional de tais movimentos de protesto são os Parlamentos, cujos integrantes são eleitos pelo voto popular e que, em conjunto, devem representar toda a sociedade. Pode-se argumentar que a greve foi convocada para expressar a insatisfação dos trabalhadores quanto aos rumos da política econômica atualmente em vigor, e nesse sentido, os órgãos sindicais

15 GEKVS GERAL RESENHA - lb que patrocinam o movimento estariam dando cobertura às aspirações da classe trabalhadora em termos de salários e condições de emprego. Esse raciocínio não nos convence, em absoluto. Em primeiro lugar, porque, da mesma forma que a recente greve dos petroleiros, não há uma pauta de reivindicações de uma categoria ou categorias específicas. Se as houvesse, o ritual a cumprir seria procurar negociações com quem de direito e, somente depois de esgotados todos os recursos razoáveis, é que se poderia pensar em decretar uma greve. O que há são reivindicações genéricas, compreensíveis em uma fase em que os trabalhadores brasileiros, além das precárias condições de emprego hoje existentes, são obrigados a arcar com sacrifícios, particularmente duros para as camadas de mais baixa renda. Mas está claro que nenhuma das reivindicações gerais podem ser atendidas através de greves políticas, que nada podem fazer para que a situação do trabalhador melhore de imediato. Tomemos, por exemplo, o último decreto-lei que modificou a política salarial. Naia mais justo que os trabalhadores se mobilizem para que a propositura venha a ser rejeitada pelo Congresso Nacional. Nesse sentido, os sindicatos deveriam fazer sentir a sua força de pressão junto aos congressistas eleitos como representantes dos trabalhadores ou aos partidos que dizem defender os interesses dos assalariados, de modo geral. Para as pressões a que nos referimos, perfeitamente legítimas em um sistema democrático, há diversos instrumentos, sendo o menos indicado a greve. Evidentemente, a paralisação que se programa para noje nao è um protesto contra o Congresso Nacional ou uma forma de pressioná-lo para que rejeite o decreto-lei que modificou a política salarial. Não, o protesto é contra o Executivo, que já definiu um rumo e não voltaria atrás em função de nenhum movimento grevista que possa ser tido como ameaça à manutenção da ordem pública. Verifica-se, portanto, que a greve patrocinada pela Comissão Prò- CUT não serve a objetivo algum de interesse direto da classe trabalhadora. Além de inútil, o movimento é de uma flagrante inoportunidade, sendo decretado em um período em que a economia brasileira passa por uma situação extremamente delicada, configurando um teste para as instituições políticas. Tal como ocorreu na greve dos petroleiros, as lideranças favoráveis ao movimento correm o risco de associar a ação sindical à desordem e à perturbação econômica, o que é mau tanto para os trabalhadores quanto para o País. rovocaçao p í^jo instante em que estivermos circulando, já terá tido início a prova de força que alguns setores do sindicalismo brasileiro querem ter com o governo, a qualquer custo. Não se trata, convém repetir mais uma vez, de uma greve capaz de alterar a posição relativa dos trabalhadores no conjunto da sociedade e dentro da organização política brasileiras. As lideranças insistem nesse ponto e se de fato o fundamento da atitude extremada fosse esse, ou seja, obter maior participação (perdoem-nos o uso do chavâoj nas decisões políticas, seria o caso de recomendar que os empresários também se manifestassem para conseguir a inversão do curso que seguem as coisas, interrompendo a corrida pelo "caminho soviético" a que nos referíamos ontem e para impedir que os rendeiros continuem a privar o Pais do capitai produtivo que lhe é vital. O apelo em favor de maior participação na tomada de decisões é apenas aparente, pois a essa reivindicação (aliás já atendida, na medida em que os setores políticos O ESTADO DE S. PAULO 21 DE JULHO DE 1983 em favor da greve militam em partidos que estão no poder em muitos Estados ou próximo dele) juntam-se as outras, que são as que dão o verdadeiro sentido político a esta manifestação de desafio ao poder central: a decretação da moratória, o fim das conversações com o FMI, a pretensa defesa da soberania nacional. Será difícil medir a extensão real do movimento, tal é o clima de angústia e apreensão que tomou conta desta cidade desde os graves incidentes de que resultou a quase invasão do Palácio dos Bandeirantes. A cidade de São Paulo, onde os articuladores do movimento pretendem jogar o tudo pelo tudo, é hoje uma urbe traumatizada; é com isso que contam os organizadores da greve, ademais insuflando o temor ao distribuir boletins em que praticamente se aconselha a corrida aos supermercados e aos bancos, como se a cidade fosse ficar paraiisacia por semanas a fio e não, parcialmente, apenas um dia. Esse jogo psicológico, aliado às palavras de ordem do nacionalismo mais estreito, definem corretamente o cará-

16 GREVB GBBAL ter político do movimento de hoje. Ele não faz sentido, na conjuntura, a não ser para meia dúzia de agentes provocadores ç? para aquelas lideranças, sindicais e políticas que desejam a greve para afirmar urna posição de prestígio perante suas categorias, quando não seus partidos ou seus concorrentes a cargos de representação sindical. São minorias repetimos, de ativistas e agentes provocadores, que estão usando a tática fascista da intimidação pessoal e da difusão do medo para obter a cessação do trabalho. Quantos haverá em cada assembléia sindical para decretar a greve: 5%, 10%, 20% da categoria que se pretende paralisar? Nem isso, na maioria das vezes; algumas centenas de vociferadores, quando muito, dispostos em seguida a ir enfrentar a polícia para poder acusar o governo de repressor e tentar encontrar o mártir de que necessitam há tanto tempo para comover multidões. as minorias industriadas pretendem paralisar a produção de um Estado, quiçá do País. no momento em que se configura a recessão, a queda de produção (e a alta de preços) é visível, as calamidades naturais no Nordeste e no Sul sangram o Erário e tornam qualquer esforço mais coerente de estabilização financeira difícil de ser perseguido. Essa circunstância está a indicar que pouca atenção estão prestando ao País real, que sofre e anseia por trabalho porque sabe que só o trabalho pode produzir as riquezas sem as quais não haverá soberania que se sustente com liberdade. A conjunção das forças políticas que apoiam o movimento ressalta-lhe o caráter político extremado, autoritário, para não dizer totalitário. Ele não RESENHA ib mudará a relação de forças entre a sociedade e o governo, pela simples e boa razão de que o objetivo que se busca a moratória e o rompimento com o FMI está além do alcance de qualquer brasileiro sensato. Num ponto, porém, terá resultados: contribuirá para alterar a relação de forças dentro do governo federal, entre aqueles que ainda confiam no processo de abertura e julgam possível atravessar essa fase difícil da vida econômica construindo um projeto democrático e liberal e os que, saudosistas do arbítrio, não podem suportar as críticas da imprensa livre, as objurgatórias (muitas injustas) da oposição parlamentar, as dissidènciaá dentro do partido governamental. Numericamente inexpressivos, os pequenos grupos que conduzem o movimento de hoje, jogando com a técnica fascista da intimidação com o obje tivo de manter parado o maior número de pessoas, permanecem cegos à realidade dos fatos. Perseguem apenas suas idéias. Por isso, o risco que. o processo democrático corre é que, havendo um sinal, tênue que seja, de êxito, mesmo que parcial, esses pretensos líderes se sintam estimulados a voltar à carga para continuar afagando o ego de cada um que se imagina dirigente de massas. Se isso acontecer, será difícil prever para onde caminhará o País; estará sendo utilizada, amplamente, então, a intimidação para tentar acuar o governo, com o resultado que se viu em 1968, no Brasil, e ainda se vê hoje, tristemente, em quase toda essa sofrida América Latina. Os brasileiros que prezam sua liberdade; os que não consentem em deixar-se atemorizar por uma minoria atrevida; os que não desejam que o fascismo de esquerda nos conduza ao extremismo da direita, devem dar sua contribuição ao Brasil de amanhã e comparecer hoje ao trabalho.

17 GRSYE GERAL RESENHA - 17 Romeu Tuma analisa o movimento Analisando a malograda greve "nacional", o delegado Romeu Tuma, superintendente da Policia Federal em São Paulo, disse ontem oue "alguns elementos, que se julgam lideres, quiseram demonstrar que poderiam comandar um movimento sindicalista. Cada um deles programou datas diferentes para esse cometimenío. A última foi fixada, finalmente, por Joaquim dos Santos Andrade, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, e outros lideres entraram em seu barco furado, precisamente aquelas que eram os mais radicais e pretendiam implantar o terrorismo psicológico e o caos dentro da Capital". Na maioria absoluta, segundo Tuma os trabalhadores "resolveram 'desindexar* esses grupos radicais e afirmaram q[ue se a Policia Federai ihes desse garantia a única coisa que pretendiam era trabalhar". A PM também ofereceu toda a segurança e a ordem pública foi mantida, a nâo ser em alguns casos isolados de vandalismo, prontamente reprimidos. Cerca de 200 prisões ocorreram na Capital, mas nâo se configurou um movimento grevista, a nüo ser a paralisação inicial do metrô, restabelecida na hora do almoço. Uma campanha de guerra psicológica, através de boatos e panfletagens. resultou no fechamento de algumas indústrias e lojas comerciais, implicando ainda na ausência de grande número de trabalhadores ao serviço, temerosos das represálias de piquetes de agítaüores profissionais, conforme disse Tuma. O superintendente da PF declarou também que o Aerociube de Sâo Paulo colocou à sua disposição aviões, na eventualidade de ser necessária uma deslocação rápida da Policia Federal para cklades de Interior e do Litoral mas prevaleceu um amblonie de calma em quase todas cias. Em Sertáozlnho, o deputado federal Valdir Trigo, do PMDB. e ex-preíelto. segundo informações ventiladas â Policia Federal, estaria liderando o movimento com pessoas descojihecidas na cidade, já que a população náo tomou conhecimento da paralisação. Homeu Tuma informou o fato ao secretario estadual da Segurança e este disse que iria solicitar ao governador Franco Montoro que conversasse com o deputado, pois uma tropa de choque seria enviada àquela cidade e Valdir Tngo poderia envolver-se em conflitos de rua. Emilson Simões, vulgo "Alemáozlnho", foi preso chetlando piquetes em SSo Bernardo'do Campo e levado à Policia Federal, nâo sendo autuado cm flagrante, pois mostrava estar embriagado. Rorneií Tuma determinou que fosse levado ao seu gabinete, para ouvir uma reprimenda. Até oj;íem, ao anoitecer. 200 pessoas passaram por triagem nas dependências do Dops Federal, na rua Piauí, mas autuadas em flagrante só o foram Cândido Hilário Garcia, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Sào Paulo, preso junto ao mercado da Lapa. quando do Interior duma Kombi fazia apologia da greve, e o médico de Susano, José Antôno Campos Lírio, que liderava a greve naquela cidade. Romeu Tuma elogiou a ajuda recebida da PM. que foi eficiente na repressão, sem usar da violência e ajudou a evitar a paralisação dos serviços essenciais, como se dizia há alguns dias, como os transportes, os serviços de abastecimento d.água, combustível, luz elétrica e telefones, e dos bancos. Hugo Peres, presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas e diretor do Sindicato dos Eletricítáríos, foi preso quando chefiava um piquete em frente da subestação de energia elétrica do Cambucl. Levado â presença do delegado Romeu Tuma, também recebe uma reprimenda e em seguida foi colocado em liberdade. folha DA TARDE São Paulo, sexta-feira, O superintendente da Polícia Federal em Sâo Paulo disse que todas as áreas essenciais que desejaram trabalhar tiveram a garantia solicitada. BALANÇA MOSTRA FRACASSO Para o superintendente da Polícia Federal, o movimento de paralisação anunciado por elementos interessados em tumultuar a vida da população "nâo fracassou porque simplesmente nâo houve e a população em si mesma, demonstrou que quer trabalhar e ajudar o Pais a superar suas dificuldades. Aqueles que permaneceram em suas casas, fazendo com que o movimento fosse menor nas ruas da cidade, assim procederam porque ficaram com receio de nâo terem transporte ou de serem molestados por grupos badcmelros,como prometiam os panfletos e os telefonemas anônimos distribuídos e feitos nos últimos dias em Sâo Paulo. A cidade, entretanto, esteve tranqüila o dia todo". Romeu Tuma baseou seu raciocínio de normalidade num relatório distribuído pela Federação das Indústrias do Estado de Sáo Paulo, segundo o qual, nas pequenas e médias empresas da Capital, grande Sáo Paulo e municípios do Interior, houve um comparechmento de 100% dos trabalhadores; as empresas metalúrgicas de 80%; e as montadoras de automóveis (em média j de80% segundo a FIESP. A Volkswagen, que deu férias coletivas a grande parte do seu pessoal alguns dias antes da data anunciada para a paralisação, registrou um compareclrnento de 40% de trabalhadoes rnensallstas e 30% de íkirlstas em sua fábrica de automóveis e 10% na sua fábrica de caminhões; a Ford do Brasil, no bairro do Ipiranga (Capital) e na cidade de Taubaté; registrou um compareclmento de 100% dos trabalhadores; a Scania (Sâo Benardo do Campo) registrou um compareclmento de 40% dos trabalhadores; a Mercedes Benz (Campinas) registrou compareclmento de 30% dos traballiadores e em Sâo Paulo, 30% dos measallstas e 15% dos horistas, num total de 45% do quadro. A Toyota fundou normalmente; a Karman-Ciula funcionou com 50% do seu quadro de trabalhadores;a GM (Sâo Paulo) trabalhou com 70% do seu efetivo e em Sáo José das Campos registraramse alguns problemas com piquetes, prontamente resolvidas pela Polícia Militar. CANAL DIRETO O superintendente regional da Polícia Federal em Sâo Paulo, disse ainda que se comunicou com a Policia Militar e com a Polícia Civil, "sem inermedlaçào". Houve "um canal aberto", conforme Tuma. entre a Policia Federal e a PM: ele falava diretamente com o chefe do Estado-Malor da coiporaçâo, coronel PM Nllton Barbosa e. na Polícia Civil, contatava com os delegados "das áreas". No Início da noite havia um clima próximo da euforia no gabinete de Tuma, na rua Antônio de Godói, onde o delegado estava descontraído, seguro de que a ordem fura garantida na cidade. Informou-se que todo o quadro da Polícia Federal na Capital cerca de 300 pessoas, segundo o delegado Armando Panlchi. das quais 130 oriundas do antigo Dops trabalharam na repressão à baderna. Houve ação efetiva também de uma equipe de 20 policiais, sob comando pessoal de Tuma e que, desde o primeiro minuto de ontem começou a percorrer a cidade para desestimular piquetes. O pessoal do DPF náo dormou durante as 24 horas da anunciada greve geral. Nós trabalhamos no estilo do Dops, comentou um delegado, referindo-se também ao bom relacionamento que houve entre a Policia Federal, a PM e a Policia Civil. Biízola acha greve divisionista FOLHA DE S.PAULO Sexta-feira, 22 de julho de 1983 RIO O governador Leonel Brizola considerou divisionista a iniciativa de greve dos trabalhadores, "porque precisamos buscar saídas globais para o nosso povo". O momento, segundo o governador, "é de questionarmos a legitimidade do poder no Brasil, com a união de todos os brasileiros patriotas e democratas, e exigir eleições diretas". As manifestações públicas de ontem no Rio foram encaradas por Brizola de uma forma tranqüila, "pois a população carioca é lúcida e esclarecida, deseja uma saída, quer questionar a situação do País, mas sem nenhum tipo de radicalismo. A população não quer a greve, quer uma saída com lucidez e energia'. Em comparação com outros Esta-, dos, Brizoladisse que "ohiode Janeiro deu urna\demon.straçáo de ser uma comunidade responsável, que tem um papel importante, até de vanguarda, na vida brasileira"-. F.HÜitai» reivindicam Garantia de emprego para todos, salário mínimo real e unificado e revogação dos expurgos do INPC sâo algumas das propostas feitas ontem pelo Secretariado Nacional dos Trabalhadores nas Empresas Estatais, em documento divulgado no Rio para marcar o 21 de julho como Dia Nacional de Protesto. Dia Nacional de Solidariedade e Dia de Luta pela Soberania Nacional. Na nota, assinada por Armando Carvalho Penarlel e Maurício Eleua Rangel, a garantia de emprego para todos é apontada como primeiro passo para a viabilização de um consenso nacional capaz de discutir as saídas para a crise. Quanto ao salário mínimo real e unificado, o documento justifica que o salário mínimo do País é menor que os do Uruguai, Argentina e México. No documento, sào sugeridos, também, a reversão dos cortes nos gastos públicos, "que vêm provocando demissões em massa" e a revogação dos pacotes contra as estatais, "que introduzem disfarçadamente a prática da rotatividade nas empresas estatais".

18 Í5VS GERAL 21 de julho: o Não- Ser existe Marilena Chauí RESENHA, - 1«FOLHA D S. PAULO 25 de julho de 1983 Há mais ou menos 25 sécujos, um fljósofo grego, ParmênldesdeEléia, afirmava: "O Sí;r é, o Náo Sei- náo é." Se, prosseguia e/e. o Niío-Ser nâo é, não pode ser pensado nem pode ser proferido. O NáoSer, puro nada, é inexistente, impensável e Indizfvel. 7Y>davia, um outro filósofo, Górgeas de Leôncio, preocupado com os debates políticos e certo de que decísoes poderiam ser tomadas por uma coletividade se quem as propasesse tivesse o dom da persuasão, meámo dizendo existir o que não existe eu dizendo náo existir o que existe, afirmou. 4 'O Nâo-Ser é o Náo-Ser; se o Não-Ser é ele mesmo, entáo è alguma coisa e sendo alguma coisa, pode ser pensado e proferido." Nos dias 21 e 22 de julho de 1983, no Brasil, autoridades, Imprensa e meios de comunicação de massa tomaram-se adeptos da posiç-áo do filósofo Górgeas. Foi o seguinte: Náo houve greve (a greve é o náo-sereo náo ser náo existe). Como náo houve greve, entáo explica-se com perfeita clareza que; 1) houve 300 prisões em São Paulo; 2) mulheres sindicalistas de Pernambuco foram fotografadas nuas para provar que embora presas náo foram torturadas; vinte sindicajistas foram presos no pólo petroquímico de Camaçarl entre eles o presidente do sindicato dos Têxteis da Bahia, trabalhadores foram presos em Guarulhos; 3) manifestantes foram espancados em Belo Horizonte. 4) a Igreja Matriz de Santo André foi invadida por tropas, ü) o Ministério do Trabalho interveio nos sindicatos dos metrovlários e dos bancários, 6) o Exercito entrou de prontidão (fajou-se em intervençáo em alguns Estados); 7) o comércio nos bairros populares e no centro das cidades fechou as portas; 8) ônibus trafegavam vazios pelas cidades vazias e pelo interior dos Estados passeatas, paralisações e atos públicos tinham lugar com apoio integral da população; 9) náo houve jornada de trabalho entre metalúrgicos, químicos, têxteis, portuários em Niterói, Porto Alegre, Bahia, Sáo Paulo, Pernambuco; 10) e porque náo houve greve, o Sindicato dos Bancos publicou matéria paga nos jornais agradecendo aos bancários por trabalharem (esperamos que doravante, de 2. a a 6." feira, mês após mês. os bancos agradeçam o cotidiano, isto é, que bancários sejam bancários); o governador de Sáo Paulo agradeceu á "família trabalhadora" por ser ordeira e pacífica (donde se depreende que o agradecimento náo se estende a órfás, celibatários, viúvos e viúvas, já que náo têm família); o governador do Rio de Janeiro marcou hora e lugar para que 80 mil manifestantes protestassem, embora achasse a greve (a tal que náo houve) impatrlótlca; o governador de Minas Gerais fez o mesmo, ainda que, mais ordeiro que o governador do Rio, tivesse deixado ocorrei - espancamento e prisáo de quem se manifestou fora do lugar. Com governadores de oposiçáo como estes, quem precisa da situação? Consta, aliás, que o comportamento do governador do Rio Grande do Sul foi dos melhores. Completando o quadro da inexistência da greve, o Dentei proibiu que grevistas fos sem entrevistados por rádio, televisáo e jornais o que é compreensível, pois como náo houve greve os entrevistados teriam sido puros fantasmas e como brasileiro é muito inculto e supersticioso, logo iria acender velas para espantar as assombrações entrevistadas e podia dar num grande fogaréu. 20 de julho: a população faja da greve, prepara-se para ela e boa parte crê ser justa. As autoridades pedem compreensão do povo. Porque, se náo ha verá greve? 21 de julho: autoridades declaram que manterão a ordem. Por que, se náo está havendo greve? 22 de julho: lista de prisões. Intervenções em sindicatos (todos cujos líderes pertencem ao PT nada aconteceu com o grevista Joaqulnzáo), elogios aos governadores de oposição. Por que, se náo houve greve? E assim o Pais. Enquanto autoridades espavoridas perseguem o Nâo-Ser, tecnocraías arrocham salários, afundam a Petrobrás, aumentam a recessão. Parecem o cientista que pesquisava o grau de obediência de uma aranha, cortando- Ihe as patas e ordenando-lhe que andasse e que, ao cortar a última, vendo que a aranha náo o obedecia, náo caminhava, permanecia imóvel, anotou em seu relatório de pesquisa: "Aranha sem as patas fica surda." Trabalhador sob as ordens do EMÍ fica surdo. O Náo-Ser existe. DlÀElCrUAMANíiÀ- Fechamento dos salários Goiânia, 22 de julho de 1983 A dimensão da greve de ontem, muito aquém do pretendido por seus organizadores, deixa nos setores dominantes da sociedade um sentimento de alívio, e até mesmo de vitória, que encobre o significado mais importante do movimento. Avaliada, assim, por suas proporções tísicas, a greve não pode ser punderacia em seu sentido mais eloqüente, que é político. Conhecida a identificação sistemática que a doutrina militar faz entre movimento sindical, ou de trabalhadores, e extremismo revolucionário, compreende-se que a lei salarial decretada nos primórdios do governo Figueiredo tenha sido um fator decisivo para que a disiensáo se alargasse em abertura. A semestralidade, de uma parte, e, de outra, o benefício maior dos aumentos para as camadas mais atingidas pela inflação, esvaziaram no nascedouro o potencial mobilizador com que os operários qualiticados, aptos á liderança, começavam a retomada de uma história interrompida meio século antes. As recentes greves dos petroleiros e dos metalúrgicos de São Bernardo, a passeata das estatais no Rio e, ontem, a tentativa de greve geral retomam o o movimento que a antiga lei salarial sustou. E para bem avaliar o que o propósito da greve geral prenuncia, assim como as manifestações realizadas onde não houve paralisação, antes de tudo e precuo lembrar que essas iniciativas ocorrem em um quadro de amplo desemprego, com o qual se ampliam os riscos de grevistas e manifestantes, e poucos dias após o insucesso e o castigo dos petroleiros. Não se pode deixar de lado, também, o fato de que a mobilização se deu quando os assalariados pressentem, mas nâo sentem ainda os eteitos corrosivos do corte aplicado aos salários. Quando, nos primeiros passos da abertura, as manifestações de insatisfação começavam a ganhar força, o governo dispunha de vitalidade para elaborar medidas de composição dos interesses conllitantes. Hoje ele é um corpo necrosado pela própria incompetência, atado pela submissão a contingências impostas, descerebrado. Incapaz, portanto, de gerar uma solução inteligente e pacifica para qualquer situação conflituosa, como é, nus sociedades subdesenvolvidas, a batalha da sobrevivência pelo salário. Estes movimentos ainda sem êxito são o prenuncio de seu próprio crescimento. Mas também prenunciara o seu contrário, que é o recurso de sempre das sociedades e dos governos incapazes de encontrar solução para os problemas que geram: o recurso da repressão, da arbitrariedade, da antidemocracia.

19 GREVE GEBAL Vilela age como conciliador RESENHA - iq FOLHA DE S. PAULO 18 de iulhode 1983 CARLOS BRICKMANN O presidente nacional do PMDB, exsenador Teotônio Vilela, gosta de deflnir-se como "um ponto de exclamaçao". Seu papel preferido é o do radical: ''Quando apoiei a Revolução, era o mais reacionário dos reacionários. Depois passei para a oposição e sou o político mais antimilitarista do Brasd". Ontem, em São Paulo, Vilela trocou o papel de radical pelo de conciliador. E teve de convencer-se de que não é tão radical assim: a delegação de deputados que enviou a uma assembléia sindical, para discutir a oportunidade de uma passeata, foi vaiada por manifestantes. Um deles gritava: "Abaixo a ditadura militar do Monturo e Figueiredo". PttBtieata ou nao O calvário do Teotônio começou de madrugada, quando o Sindicato dos Jornalistas decidiu manifestar seu apoio à greve geral (da qual participaria apenas simbolicamente) pela realização de urna passeata através da praça Roosevelt da sede do sin dica to, na rua Rego Freitas, à Delegacia Regional do Trabalho, na rua Martins Fontes. De manhã, porém, a situação começou a mudar: grupos de trabalhadores de outras categorias, especialmente bancários, resolveram participar da passeata, que deveria estender-se até a praça da Sé. O secretário da Segurança, Manoel Pedro Plmontel, comunicou-se então com a sede do PMDB, onde o comando estadual do partido se reunia com Teotônio Vilela, e disse que não seria possível tolerar uma passeata até a Sé: ali, o clima estava tenso e havia grupos de desocupados que poderiam aproveitar a manifestação para iniciar um quebra-quebra. Se a passeata insistisse em cruzar os viadutos, seria dissolvida pela policia. O presidente Interino do partido, em São Paulo, deputado Rubens Dará, o presidente licenciado, senador Fernando Henrique Cardoso, os deputados Alberto Goldman, Fernando Moraes, Aurélio Pérez. Roberto Freire (de Pernambuco), Benedito Cintra e Ruth Escobar e o senador Severo Gomes estavam reunidos com Teotônio Vilela, analisando o desenrolar da greve; e todos concluíram que a passeata seria Inoportuna por diversos motivos: 1 levaria ao confronto entre polícia egrevi.v as: 2 os tumaltos p.v-jiíulcarlain u governador Franco Montoro; a repressão prejudicaria a imagem liberal do governador; e, se nâo houvesse repressão, poderia ocorrer Intervenção federal; 3 - uma passeata com 500 ou noo participantes serviria apenas para desvalorizar a greve, levando a população a acreditar que os grevistas eram só aqueles. Três deputados do PT - Marco Aurélio Ribeiro, Paulo Frateschi e Sérgio dos Santos concordaram com a inoportunidade da passeata. Montou se então a delegação que iria ao sindicato conversar com os manifestantes: "Gente de todas as alas", explicou o deputado Fernando Morais. "Assim cobrimos todos os ângulos. " Foi inútil: os deputados que ousaram dirigir se aos manifestantes receberam vaias. "A passeata é uma aventura, uma irresponsabilidade", trovejou Sérgio dos Santos. "Não é com aventuras que se iài avançar o movimento popular." Foi repelido aos gritos de "pelego, pelego", enquanto alguém berrava seu insulto: "Entra no PMDB 1" como se o PMDB fosse a Arena, ou uma ala extremada do Partido Nazista. Os outros deputados, de todas as alas, seguiram a mesma linha: a greve havia sido vitoriosa, tinha envolvido milhões de trabalhadores e uma passeata com pouca gente serviria apenas para deslustrar a vitória. "E amanhã a imprensa burguesa vai mostrar os 300 da passeata e dizer que era a greve inteira", profetizou entre vaias Marco Aurélio Ribeiro. Luís Antônio, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, proclamou também a vitória da greve ("Quebraram a cara aqueles que diziam que não dava para fazer uma greve geral") e, voz abafada por gritos e assobios, propôs que se desistisse da passeata. '^Não adianta vaiar, já estou acostumado", disse. E, numa alfinetada aos jornalistas, completou: "Não esqueçam que sou diretor de um sindicato que parou." Injustiça: o que menos havia na assembléia dos jornalistaseram jornalistas. Estavam ali bancários, estudantes, funcionários públicos federais. A greve e o sr. Ueki desocupados, gente de várias categorias todos discursando, insultando os deputados e propondo um confronto com o governo do Estado. "Deixa o Monturo tirar a máscara", gritou alguém. "Vamos convidar o Montoro, senador dos trabalhadores, para dirigir a passeata", ironizou outro. "Tira esses políticos daqui", sugeriu um terceiro. O problema é que a passeata estava marcada para o meio dia e já passava das três da tarde. Mais um pouco, e o problema estaria resolvido sozinho, sem necessidade da "decisão soberana da assembléia". As 15h30, finalmente, veio a decisão: os jornalistas não fariam a passeata mesmo porque não havia mais tempo e todos tinham que trabalhar. A assembléia foi dissolvida; e outros grupos começaram uma tímida passeata, bem discreta, que terminaria na Câmara Municipal prudentemente, logo antes dos viadutos. A alguns quilômetros de distância, na sede do PMDB, o ex-senador Teotônio Vilela podia dar por encerra^ do seu paihíl de conciliador. E volta-' va, em companhia de Fernando Henrique e Alberto Goldman, a analisar os resultados da greve em todo o País. ^Vituria inegável'' Enquanto seus emissários procuravam restabelecer a paz no Sindicato dos Jornalistas, o ex senador Teotônio Vilela, em companhia do senador Fernando Henrique Cardoso, fez urna rápida visita ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, quartel general da greve. Entusiasmado com o movimento, disse que o governo federal deve, de agora em uiante, conversar seriamente com os sindicatos, "em vez de. como antes, considerar aue essas questões sociais devem ser discutidas a cacetadas". "Os trabalhadores conseguiram demonstrar que estão avançando muito em sua conscientização política", disse Teotônio ao repórter Marco Damiani. "Nesse sentino, só posso ver com bons olhos esse movimento, que é uma vitória inegável. Até hoje, o trabalhador só podia fazer greve para comprar um punhado de farinha para comer, e não tinha condições de se organizar, a nâo ser por essas reivindicações elementares. A greve de agora é prograrnática, de princípios: demonstra que os trabalhadores avançaram" A semana se Instala sob a ameaça de uma greve geral articulada para a próxima quinta-feira, dia 21. As últimas incidências na área política e econômica inclusive o fato de o pacote de terça-feira passada ter sido assinado pelo Conselho de Segurança Nacional, sugerindo que possa haver no ar algo mais do que os aviões de carreira nâo foram suficientes até agora paia desestimular a mobilização. Corno se sabe, a última greve organizada pelos petroleiras e pelos metalúrgicos do ABC não foi exatamente um sucesso. Seu resultado está sendo medido pelas centenas de demissões nos quadros da Petrobrás e pelas dúvidas que surgiram quanto ao bom senso da cúpula do Partido dos Trabalhadores, em torno da qual montou-se o movimento. Como as demissões ainda estão sendo ob- jeto de negociação, agora com a interferência da Igreja, e como a cúpula do PT continua instalada e provavelmente sem alterar sua dosagem de bom senso, pode-se dizer que o único resultado definitivo da greve foi recuperar o prestigio do sr. Shfgeakl Uekl. Ao que se sabe, às vésperas da greve o sr. üekl foi barrado por uma alta autoridade federal quando tentou um encontra com o presidente Figueiredo, no Rio. O fato de Uekl ter viajado para o Exterior, atendendo compromissos sociais, quando se anunciava a greve, mais a Informação de que nos dias de recreio do presidente da Petrobrás as reservas de petróleo do Pais caíram a níveis intoleráveis do ponto de vista da. segurança nacional (estávamos exportando derivados além da conta para fazer caixa para o Banco Central) haviam colocado o sr. Ueki numa posição muito desconfortável Junto ao Presidente. Ele se aproveitou da greve e de outras circunstâncias mais para dar o que se chama volta por cima. Velo a São Paulo, e, diante da omissão do governador Montoro, realizou na prática uma intervenção branca no Estado. Despachou com líderes sindicais, com o delegado Romeu Tuma, com funcionários do Ministério do Traballio em São Paulo, com o secretário da Segurança, enquanto o governador retiravase para um fim de semana em Campos do Jordão. Como se vê. as greves inoportunas e as omissões sempre sei-vem a certos propósitos, geralmente maus propósitos. Vamos ver a quem vai servir a greve do dia 21 se a falta de bom senso prevalecer egenerallzarse. (Tão Gomes Pinto)

20 GREVE GERAL RESENHA 2Ü "U 111 fracasso", diz o ministro do Trabalho FOLHA DE S. PAULO 22 de julho de 1983 BRASÍLIA Duas intervenções em sindicatos de São Paulo foi a resista do governo à greve geral de ontem. O ministro do Trabalho, Murilo Macedo, baixou portarias afastando as diretorias dos Sindicatos dos Bancários, presidido por Antônio Augusto Campos, e dos Metroviários, presidido por Marcos Pereira. Mesmo assim, Murilo Macedo afirmou que o movimento foi "um fracasso". No caso do Sindicato dos Metroviários, o ministro reconheceu o estado de greve, e em seguida, após "constatar veementes indícios de que componentes da administração da entidade praticaram apoio e incentivo á deflagração do movimento grevista", resolveu afastar a diretoria, nomeando como interventor o fiscal do Trabalho da DKT Nelson Gouveia. Já em relação ao Sindicato dos Bancários, o motivo que levou o mi^ nistro a decretar a intervenção foi a" prisão, anteontem, de dirigentes sindicais que imprimiam panfletos para convocação da greve. Nesse caso, porém, foi nomeada uma junta governativa formada por três bancários: Aristeu Mussi Fargin (que será o presidente). Hilário Fernandes Jardim e Antônio Homualdo da Silva. Ele 'não quis informar os bancos em que tra- balham essas pessoas, mas ressaltou que são de "um certo nível hierárquico dentro das empresas". Justificando o seu ato, Murilo Macedo disse que os líderes sindicais desrespeitaram a legislação sindical: "Gostaria que não houvesse intervenções, mas quando alguém não cumpre a lei, essas medidas são necessárias. No caso específico dos bancários, isso foi muito doloroso para mim, pois a minha origem é bancária. Entretanto, por conhecer i)cm a categoria, resolvi nomear uma junta governativa, pois fica muito mais simpático do que um interventor." Balanço Além de considerar a greve um fracasso, o ministro disse que o temor que tinha "graças a Deus não foi concretizado". E explicou: "Não houve baderna nem efeitos secundários. Entretanto, para os líderes sindicais que promoveram esse ato, utilizando co mo pano de fundo reivindicações políticas, o resultado não deve ter sido dos melhores e não trouxe os prestígios que eles gostariam de obter." No seu entender, o movimento se restringiu a São Paulo. "Houve um pequeno movimento dos metalúrgicos de Canoas, no Rio Grande do Sul, mas que foi logo contornado. Em Pernambuco houve tentativas de piquetes em duas fábricas, que resultaram em algumas prisões de piqueteiras. Na Bahia houve uma leve tentativa de paralisação, mas sem sucesso. E no Rio de Janeiro somente a Ishikawaghna apresentou mobilização em seu estaleiro." Em São Paulo, segundo Murilo Macedo, pela manhã a adesão à greve foi de apenas 40%, mas mesmo assim, "deixíls que os trabalhadores viram que tinham segurança para trabalhar, na parte da tarde a paralisação se restringiu a 20%. No Interior, a mobilização maior foi em São Bernardo e Santo André, principalmente nas fábricas de automóveis". Em Osasco. segundo os dados oficiais, a paralisação foi da ordem de 20%. enquanto cerca de 70% dos trabalhadores de Guarulhos não aderiram ao movimento. Em Jun.liaí. São José dos Campos e Araraquara. o dia foi praticamente normal. Em Scrtãozinho houve vários piquetes, rhas não chegaram a parar os bancos. Segundo o ministro, várias empresas transferiram para sábado o dia de trabalho de ontòm. o que pode dar uma idéia errada quanto ao Índice de ausências. urílo só interveio em sindicatos ligados ao PT FOLHA PE S. PAULO Domingo, 24 de julho de 1983 BRASÍLIA As medidas e posições adotadas pelo ministro do Trabalho, Murilo Macedo, durante os últimos movimentos grevistas no País, fazem com que se questione a sua forma de atuação em relação aos sindicatos de tendências í»ctlstas. Durante a greve doa petroleiros ele não hesitou em Intervir no Sindicato de Campinas e Paulínla, presidido pelo secrotáriogerai do PT, Jacob Bitar, mas não adotou, contudo, o mesmo posicionamento em relação ao Sindicato de São José dos Campos. Fato similar ocorreu com os inetalúrgicos.a greve de solidariedade, liderada por Jair Meneguelli, no ABC paulista, foi rapidamente combatida com uma intervenção no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema. O mesmo, porém, não aconteceu esta semana com Joaquim dos Santos Andrade, o "Joaquinzâo", presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, que é filiado ao PFB, mas que sofre iníluônclas do PCB. Partido Comunista Brasileiro. Qual a razão disso tudo é uma pergunta difícil de responder. As explicações do Ministério não são convlcentes. Segundo Macedo, os petroleiros de Campinas e Matarlpe, também do PT, sofreram a intervenção por estar em setores essenciais à economia nacional justificativa para que a Lei de Greve proíba qualquer movimento paredista nestes setores. Mas. então, por que São José cios Campos, onde Macedo chegou a reconhecer oficialmente o Estado de Greve, não recebeu o mesmo tratamento? A intervenção em São Bernardo foi justificada, também, pela Lei de Greve. Segundo o ministro, "greve de solidariedade a outra categoria" também é proibida, e por Isso ele tomou a decisão de intervir. Mas a greve de quinta feira não tinha nenhum motivo de reajuste salarial e "Joaquinzâo" saiu impune. Os bancários de São Paulo, também com uma diretoria sindical petista, tiveram seus dirigentes afastados por estarem imprimindo panfletos de incitamento à greve. Questiona-se, entretanto, se eles teriam sido os únicos responsáveis por todos as panfletos impressos na Capital, que foram mais de um milhão, segundo o próprio ministro. Já os metroviários caíram na mesma determinação da Lei de Greve, que não permite manifestações em setores essenciais. A resposta para todos esses atos e na rapidez em que eles foram adotados, somente oministropoderádar.na ponta do lápis, porém, pode se verificar que. num curto prazo, ele relüou do comande do Partido dos Trabalhadores cinco sindicatos. Isso faz lembrar o seu posicionamento em 1980, quando afastou, definitivamente, o fundador do partido dos Trabalhadores. Luís Inácio Lula da Silva, da direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, Benedito Marcilio de Santo André, e Olivlo Dutra, dos bancários de Parto Alegre. F.S.

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