PORTO ALEGRE EM ANÁLISE 2013

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1 PORTO ALEGRE EM ANÁLISE 2013 Na data em que Porto Alegre comemora seus 241 anos de fundação, o Observatório da Cidade apresenta o Porto Alegre em Análise Trata-se de um espaço que tem como desafio e objetivo refletir e avaliar os rumos da cidade. A proposta é promover uma reflexão sobre indicadores relevantes para a compreensão da realidade, comparando com outras capitais. Nesta primeira edição, serão contemplados os temas infraestrutura, mobilidade e violência, fundamentais para o entendimento de qualquer cidade. Nesta perspectiva, esse documento inicia com dados demográficos e segue com uma breve análise dos temas e indicadores selecionados. Certamente, uma abordagem sobre a cidade envolve vários aspectos e fatores complexos que devem ser refletidos continuamente, o que tem maior amplitude do que a exposição aqui apresentada. A partir dos dados apresentados a seguir, pode-se inferir que Porto Alegre, em relação aos indicadores de infraestrutura, possui uma ampla rede de serviços básicos (esgoto, abastecimento de água, iluminação pública, energia elétrica). Ao mesmo tempo, permanecem desafios como a eliminação do esgoto a céu aberto e do lixo acumulado no entorno dos domicílios (focos de lixo), bem como, das moradias precárias que, inclusive, registraram crescimento nos últimos 10 anos. No que se refere às informações de área verde por habitante e arborização do entorno dos domicílios, as informações de 2010, indicavam um contexto positivo quando comparado às demais capitais brasileiras. Quanto à mobilidade, Porto Alegre apresentava a menor quilometragem de ciclovias entre as capitais consideradas. Já o índice de motorização apontava que a cidade segue a tendência das capitais que é de aumento de veículos. Por fim, em termos de violência, a cidade encontrava-se em uma posição intermediária frente às demais capitais brasileiras, no que se refere ao homicídio e ao homicídio juvenil, no entanto, as taxas de Porto Alegre são maiores do que a do Rio de Janeiro e a de São Paulo. Contudo, a cidade encontrava-se bem posicionada em termos de acidentes de transporte. 1

2 INFRAESTRUTURA Porto Alegre contava com uma população de habitantes em Esse número foi superior ao evidenciado em 2000 e em 1991, mas com crescimento inferior ao registrado em anos anteriores. Enquanto no período o acréscimo de moradores foi de 8,68%, no decênio foi de apenas 3,58%. Além disso, o percentual foi inferior ao verificado no mesmo período no Estado (5%) e na Região Metropolitana de Porto Alegre (8,22%). Foi a cidade que apresentou o menor crescimento entre as capitais brasileiras (IBGE, 2010). A análise dos dados referentes à disponibilidade de infraestrutura demonstrou que alguns quesitos apresentavam cobertura quase plena. Em 2010, 94,26% de domicílios possuíam esgoto sanitário adequado; 99,19% das residências tinham energia elétrica da companhia distribuidora; 93,79% das moradias apresentavam iluminação pública no seu entorno e; 99,35% dos domicílios tinham abastecimento de água pela rede geral (IBGE, 2010). A preservação ambiental e a qualificação da paisagem urbana são objetivos reconhecidos universalmente, capazes de promover a saúde e a qualidade de vida dos moradores de uma cidade. O controle de ocorrências de esgoto a céu aberto e de lixo acumulado nas vias públicas é pressuposto essencial para atingir essa condição (PMPA, 2013) 1. Em 2010, no quesito domicílios com esgoto a céu aberto em seu entorno, Porto Alegre ocupou o 16º lugar dentre as capitais brasileiras, com 5,17% domicílios apresentando esta situação. A posição era melhor que capitais como Teresina (71,04%) e Recife (16,63%), mas pior que Belo Horizonte (1,42%) e Curitiba (2,59 %). O serviço de coleta de lixo atingiu quase 100% da cobertura dos domicílios de Porto Alegre em 2010, sendo que 93,72% do lixo coletado era encaminhado para aterros sanitários. Observase, no entanto, que cerca de 6% de domicílios ainda apresentavam lixo acumulado em seu entorno (IBGE, 2010; DMLU, 2010). No âmbito do Meio Ambiente, Porto Alegre é uma das cidades com maior área verde por residentes, eram 43,47 metros quadrados por habitante (SMAM, 2012). Além disso, em 2010, 82,73% das residências de Porto Alegre apresentavam árvores em seu entorno. A proporção entre a arborização e a área construída da cidade torna a paisagem mais aprazível, contribui com a melhoria da qualidade do ar, da temperatura, da redução de ruídos e da absorção de águas 1 PREFEITURA MUNICIPAL DE PORTO ALEGRE. Observando as características urbanas de Porto Alegre. Observando. Revista do Observatório da Cidade, v. 3, n.5, Porto Alegre, Prefeitura Municipal de Porto Alegre, Secretaria Municipal de Governança Local, (no prelo) 2

3 pluviais. (PMPA,2013). Em 2010, 82,73% dos domicílios apresentavam árvores em seu entorno, percentual equivalente ao de Belo Horizonte (82,74%) e inferior aos de capitais como Campo Grande (96,3%) e Goiânia (89,31%). O acesso à habitação adequada é outro tema de reconhecimento universal, sendo recorrente nas Assembleias do Orçamento Participativo de Porto Alegre. Em 2000, Porto Alegre contava com moradias consideradas precárias 2, o que representava 9,04% dos domicílios da capital. Em 10 anos, os domicílios precários saltaram para , representando um acréscimo de 22% e passando para 11,01% das residências porto-alegrenses. Esse percentual era equivalente ao de Belo Horizonte (11,51%), superior ao de Curitiba (8,12%) e ao de São Paulo (9,95%) e inferior ao de Belém (52,43%), ao de Recife (21,73%) e ao do Rio de Janeiro (19,89%) (IBGE, 2010). Tal indicador aponta para um dos desafios que se colocam ao município, especialmente, ao considerar a meta colocada pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) do Governo Federal, qual seja, zerar o déficit habitacional brasileiro e urbanizar o universo de assentamentos precários até MOBILIDADE Cotidianamente, o cidadão olha a cidade como um todo, percebe o conjunto de modos e serviços de mobilidade disponíveis e escolhe, em cada circunstância, aquele que melhor é capaz de atendê-lo 3. Nesse sentido, cabe ressaltar que em Porto Alegre, no ano de 2010, havia aproximadamente um carro para cada dois habitantes (DETRAN RS, 2010). Consequentemente, o índice de motorização da cidade número de veículos dividido pelo número de habitantes multiplicado por 100 apontava uma alta concentração de veículos em relação à população. Em comparação com algumas capitais do país, Porto Alegre tinha um índice (0,49) menor que Curitiba (0,68), São Paulo (0,62) e Belo Horizonte (0,56) e maior que Rio de Janeiro (0,37) e Recife (0,34) 4. Embora o índice de motorização da cidade esteja em uma situação intermediária dentre as capitais analisadas, Porto Alegre enfrenta problemas de congestionamento cada vez mais graves. O incentivo ao uso de meio de transporte alternativo pode ser uma saída simples e econômica. 2 Utiliza-se a definição do IBGE que considera como moradias precárias um conjunto constituído de, no mínimo, 51 unidades habitacionais (barracos, casas etc) carentes, em sua maioria de serviços públicos essenciais, ocupando ou tendo ocupado, até período recente, terreno de propriedade alheia (pública ou particular) e estando dispostas, em geral, de forma desordenada e densa. 3 MINISTÉRIO DAS CIDADES. Gestão Integrada de Sistemas de Mobilidade Urbana. Brasilia: Fonte: Detran RS, BHTrans, Detran PR, Detran PE, Detran RJ e DetranSP. Informações relativas ao ano de

4 Partindo desse pressuposto, as ciclovias surgem como alternativas a esse quadro de limitações quanto à mobilidade na cidade. Pode-se perceber que houve um aumento das ciclovias nos últimos anos em Porto Alegre, passando de 8,3 km, no ano de 2011, para 10,35 km, no ano de Porém, ao comparar a malha cicloviária do município, com cinco capitais do país, Porto Alegre apresentava a menor quilometragem de ciclovias: Belo Horizonte (36 km), Curitiba (123 km), Recife (13,2 km), Rio de Janeiro (228,8 km) e São Paulo (63,5 km) 5. Para a Organização Mundial da Saúde, a promoção da bicicleta como meio de transporte é uma meta a ser atingida, pois diminui a emissão de poluentes emitidos pelos carros e promove a saúde da população, reduzindo o gasto com doentes a médio e longo prazo. Uma informação que pode apontar a dinâmica da mobilidade urbana é o tempo de deslocamento para a atividade laboral. No ano de 2010, 55,53% dos porto-alegrenses que trabalhavam fora do domicílio levavam até 30 minutos para chegar ao local de trabalho, 34,41% ocupavam entre 30 e 60 minutos do seu tempo para esse deslocamento, enquanto 10,05% levavam mais 60 minutos nesse trajeto, proporções semelhantes às de Curitiba. No caso dos deslocamentos que levam mais de uma hora, São Paulo (31,03%), Rio de Janeiro (25,34%) e Belo Horizonte (16,55%) tinham proporção superior do que Porto Alegre. VIOLÊNCIA No mundo atual, nenhuma sociedade está imune ao fenômeno da violência. Os dados e informações para Porto Alegre corroboram o que se percebe nos âmbitos nacional e internacional. Na análise apresentada, os indicadores sobre violência apontam que a cidade de Porto Alegre não se diferencia deste processo em relação à ocorrências. As informações sobre homicídios para o ano de 2010 demonstravam que a capital gaúcha encontrava-se em uma condição intermediária em relação às capitais do país, ocupando o 15º lugar, com uma taxa de 33,1 óbitos por 100 mil habitantes. Contudo, quando este valor é comparado ao de capitais que aparentemente apresentam índices maiores aponta para a necessidade de uma reflexão mais profunda quanto ao fenômeno da violência. Comparando-se a outras capitais, a taxa de homicídios de Porto Alegre era, por exemplo, duas vezes maior do que a 5 Fonte: ObservaPOA (2012); BHTrans (2012); CTTU Recife (2012); CET - Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (2012); SMAC - Secretaria Municipal de Meio Ambiente do Rio de Janeiro (2011). 4

5 paulista (15,1), se aproxima a do Rio de Janeiro (29,5) e a de Belo Horizonte (30,5) 6 e era menor que as taxas de Curitiba (43,6) e de Recife (43,5) 7. Esse dado revela a necessidade de uma atenção maior ao tema da violência por parte do município. As informações disponíveis sobre o quadro de violência no município de Porto Alegre apontam outro indicador que carece de bastante atenção por parte dos munícipes e do poder público. Em relação à taxa de homicídio juvenil 8 para o ano de 2010, o município ocupava também o 15º lugar entre as capitais brasileiras. No entanto, quando se compara novamente Porto Alegre e São Paulo, a taxa de homicídio juvenil para a capital gaúcha (73,9) era quase três vezes maior do que a cidade paulista (27,3). Ainda comparando com outras capitais como, Rio Janeiro (70,2) e Belo Horizonte (68,3), a taxa para a cidade de Porto Alegre permanecia maior. No entanto, a taxa era menor que a de Curitiba (99,8), a de Recife (106) e a de Maceió (247,7) 9. O trânsito tem se apresentado como um espaço de grande incidência de casos de violência. Comparando a taxa de morte por acidentes de transporte de Porto Alegre com todas as demais capitais brasileiras, a cidade era a terceira capital com menor taxa (13,5) 10. Em relação a Belo Horizonte (19,7), Curitiba (17,9), Recife (16,5), Rio de Janeiro (14,5), São Paulo (14,0) e Porto Velho (41,3), a capital gaúcha era a que apresentava o menor valor para esse indicador. Vale destacar a situação de Salvador que apresentava a menor taxa entre as capitais do Brasil (11,6) 11. Ainda que os índices para o município sejam baixos em relação ao contexto nacional há que se debruçar quanto ao modelo e a estrutura de trânsito oferecidos à municipalidade. A cidade vive um momento de execução de obras viárias previstas no Plano Diretor, contudo na perspectiva de um crescimento econômico e social futuro, a reflexão e as ações para a redução da violência no trânsito e para melhoria da mobilidade devem estar na pauta da cidade. 6 O número absoluto de homicídios é maior nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, porém, a maior população nestas capitais faz com que a suas taxa de homicídios sejam menores do que Porto Alegre. 7 MINISTÉRIO DA SAÚDE, Óbitos de pessoas de15 a 29 anos por 100 mil habitantes na faixa etária considerada. 9 MINISTÉRIO DA SAÚDE, Óbitos por acidentes de transportes por 100 mil habitantes. Inclui ciclistas, pedestres, motos, veículos leves e pesados, veículos de tração animal, transporte por água e não especificados. 11 MINISTÉRIO DA SAÚDE,

6 Prefeitura Municipal de Porto Alegre José Fortunatti Prefeito Secretaria Municipal de Governança Local Cezar Busatto Secretário Observatório da Cidade de Porto Alegre Adriana Furtado - Gerente O Porto Alegre em Análise é uma publicação elaborada pela equipe técnica do Observatório da Cidade de Porto Alegre (ObservaPOA): Adriana Furtado, André Luis Pereira, Cidriana Teresa Parenza, Liane Rose Garcia Bayard, Rodrigo Rodrigues Rangel, Valéria Dozolina Sartori Bassani. facebook.com/observapoa twitter.com/observa_poa youtube.com/observapoa 6

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