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2 UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA UNESP CÂMPUS DE JABOTICABAL CARACTERIZAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DE BRUCELOSE E LEPTOSPIROSE DE PEQUENOS RUMINANTES DOS ESTADOS DE SERGIPE, BAHIA, CEARÁ E PARAÍBA Glaucenyra Cecília Pinheiro da Silva Médica Veterinária 2015

3 CARACTERIZAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA De BRUCELOSE E LEPTOSPIROSE DE PEQUENOS RUMINANTES DOS ESTADOS DE SERGIPE, BAHIA, CEARÁ E PARAÍBA RESUMO A brucelose e a leptospirose são doenças infectocontagiosas de ampla distribuição geográfica que acometem animais domésticos, silvestres e o homem. Devido a isso, possuem importância econômica, por perdas advindas de transtornos reprodutivos e para a saúde pública, devido ao fato de serem zoonoses. Tendo em vista a importância da caprinovinocultura para a região Nordeste, este trabalho teve como objetivo avaliar a presença de aglutininas anti-leptospira e de reação anti-brucella lisa em pequenos ruminantes de quatro Estados da região nordeste, bem como avaliar os sorovares de Leptospira spp mais prevalentes e os fatores associados à infecção. Foram obtidas amostras de pequenos ruminantes. No Estado do Ceará foram 931 amostras de ovinos e 817 de caprinos, na Paraíba foram 443 ovinos e caprinos, em Sergipe foram 923 ovinos e 499 caprinos e na Bahia 918 ovinos e 685 caprinos. O diagnóstico sorológico para leptospirose foi feito por meio do teste de soroaglutinação microscópica, para brucelose foi feito o antígeno acidificado tamponado como teste de triagem, e, como confirmatórios foram realizados os testes de polarização fluorescente e de fixação de complemento. A leptospirose encontra-se amplamente distribuída na região estudada, com frequências de 27,15% (IC95%: 25,62-28,69) em ovinos e 34,34% (IC95%: 32,69-35,97) em caprinos. No Estado da Paraíba, as frequências foram 28,89% (IC95%: 24,67% 33,11%) em ovinos e 34,65% (IC95%: 31,97% 37,33%) em caprinos. Em Sergipe, a prevalência em ovinos foi 12,89% (IC95%: 10,73 15,05), e 32,67% (IC95%: 28,55 36,78) em caprinos. No Ceará, 29,22% (IC95%: 26,29 32,13) em ovinos e 28,52% (IC95%: 25,42 31,62) em caprinos; e na Bahia, 38,56% (IC95%: 35,41 41,71) em ovinos e 41,90% (IC95%: 38,20 45,59) em caprinos. A prevalência em rebanhos na região foi 93,26% (IC95%: 89,57-96,94) em rebanhos ovinos e 97,16% (IC95%: 93,52-98,78) em rebanhos caprinos. Todos os municípios analisados tiveram animais reagentes a Leptospira spp, e a ocorrência foi diferente de acordo com o local de origem. Os fatores associados ao risco de infecção por Leptospira variaram conforme a espécie animal e o estado. Com relação à brucelose em pequenos ruminantes na região estudada, não houve indícios da ocorrência de infecção por Brucella lisa. Este resultado é compatível com o conhecimento que se tem, segundo o qual a infecção por B. melitensis é exótica no Brasil. Palavras-chave: ovinos, caprinos, leptospirose, brucelose, sorologia

4 CAPÍTULO 1 Considerações Gerais INTRODUÇÃO A caprino-ovinocultura é uma atividade econômica explorada em todos os continentes, estando presente em áreas que apresentam as mais diversas características climáticas. No entanto, somente em alguns países esta atividade apresenta expressão econômica, sendo, na maioria dos casos, desenvolvida de forma empírica e extensiva, adotando baixos níveis de tecnologia e, consequentemente, baixa produtividade e rentabilidade. É uma atividade que, para a região Nordeste, é importante devido ao impacto econômico, social e cultural. Cerca de 90% dos caprinos e 50% dos ovinos criados no Brasil encontram-se nessa região. Considerando a importância que essas criações representam, cuidados com o aspecto sanitário são de suma de importância e, com isso, doenças que podem causar perdas e/ou danos à produção animal devem ser controladas. Nesse aspecto encontra-se a leptospirose ovina e caprina, que é muito comum em diversas regiões do país e do mundo. Trata-se de uma zoonose causada por espécies patogênicas de Leptospira spp. que possui ampla distribuição geográfica e acomete tanto animais quanto o homem. O quadro clínico pode variar de inaparente a severo. Grande parte das espécies animais pode atuar como fonte de infecção, incluindo os pequenos ruminantes. Humanos são, geralmente, hospedeiros acidentais, com transmissão ocorrendo por contato direto ou indireto com a urina de animais infectados. A incidência da doença é maior em regiões de clima tropical, devido, principalmente, à maior sobrevida da Leptospira em ambiente quente e úmido. É, portanto, um problema de saúde pública. Além disso, possui importância econômica por perdas na produção devidas à ocorrência de abortamento, natimortalidade e diminuição da produção de leite, além dos gastos financeiros para o controle. Outra doença é a brucelose, que é uma das doenças de caráter zoonótico mais difundidas no mundo, representando um problema econômico e de saúde

5 pública. A B. melitensis, a B. suis e a B. abortus são consideradas as mais patogênicas espécies para humanos. A espécie considerada mais virulenta é a B. melitensis, que é endêmica em várias partes do mundo, inclusive em alguns países da América Latina. Já o Brasil é considerado livre desse agente etiológico, porém sempre se fica diante do questionamento: a infecção não ocorre ou falta pesquisa? Devido a isso, o conhecimento da ocorrência de doenças como a brucelose e a leptospirose é de grande relevância para uma visualização do estado sanitário dos rebanhos de pequenos ruminantes dos Estados de Sergipe, Bahia, Ceará e Paraíba e para contribuir com o controle dessas infecções com o intuito de minimizar sua disseminação nas populações humanas e animais. CONSIDERAÇÕES FINAIS A infecção por Leptospira spp encontra-se amplamente distribuída nas espécies ovina e caprina dos Estados de Sergipe, Bahia, Ceará e Paraíba, com frequências variando de acordo com a espécie (ovina ou caprina) e o local de origem. Nos estados avaliados, a proporção de rebanhos com pelo menos um animal reagente foi superior a 84%, indicando que fatores ambientais, climáticos, existência de reservatórios, contato com outras espécies animais e manejo podem influenciar a ocorrência da infecção. Os resultados encontrados sugerem que há necessidade de elaboração de vacinas com os sorovares mais prevalentes na região, auxiliando, dessa forma, na eficácia do controle da infecção, visto que a vacina não proporciona imunidade cruzada. Verificou-se a ocorrência de infecção por Leptospira spp em todos os municípios e que ela varia significativamente conforme o município. Os fatores de risco de infecção variaram conforme a espécie e o estado envolvido. Como não se conhece o status sanitário dos rebanhos ovinos e caprinos no país, este trabalho forneceu informações que podem vir a contribuir com o conhecimento relativo ao aspecto sanitário dos sistemas de produção de pequenos ruminantes, visando ao desenvolvimento de programas de defesa sanitária específicos que permitam melhores condições de produção e consequente

6 competitividade. Os levantamentos epidemiológicos são o primeiro passo para a prevenção e/ou controle de doenças e existe pouca informação quanto ao aspecto sanitário dos rebanhos caprinos e ovinos para a implantação de medidas profiláticas e de controle realmente eficazes. Logo, documentar o status sanitário de uma população animal torna-se necessário tendo em vista a globalização e o crescimento no comércio internacional de animais e seus subprodutos. Quanto à ocorrência de brucelose ovina e caprina causada por Brucella melitensis, não foram observados indícios na região estudada.

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