Unidade II. Tecnologia para Planejamento e Operações Logísticas

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1 Tecnologia para Planejamento e Operações Logísticas Unidade II 3 A Evolução dos Sistemas da Informação Agora que já vimos como era antes da existência da tecnologia, desde o período pré-histórico até a Revolução Industrial, e a disseminação dos conceitos e práticas logísticas no século XX, entenderemos sobre a evolução da tecnologia da informação e como foi a transição entre o período de escassa tecnologia à evolução e tecnologia contemporâneas. Desse modo, a seguir, tomaremos conhecimento de um breve histórico da evolução dos sistemas de informação. Antes da década de 1940 Até o ano de 1940 não existia computadores e as informações eram coletadas e transmitidas por meio de papéis. Essas informações eram arquivadas por muitos anos e resgatadas quando necessário. Nessa época, os processos eram: lentos; volumosos; vulneráveis; suscetíveis a erros; com baixa segurança; com baixo controle; sem integração. Profissional de destaque: o arquivista Era comum existir nas mesas dos gestores uma pilha de papéis e mais papéis a serem despachados e aprovados para que os processos tivessem continuidade em seus fluxos. É importante salientar que, mesmo com a inexistência do computador, havia à época uma tecnologia de processo, como a máquina têxtil, desenvolvida por Joseph Jacquard e controlada por cartões perfurados. Havia também calculadoras mecânicas com sistema binário, criadas em 1936 por Konrad Zuse e inutilizadas dois anos depois. 35

2 Unidade II De 1940 a 1952 Zuse também foi o criador do primeiro computador (Z3) programável, em Em 1946, os cientistas norte-americanos John Eckert e John Malchly, da Eletronic Control Company, criaram o primeiro computador digital eletrônico de grande escala: o Eniac (Eletronic Numerical Integrator and Computer). Esse computador não possuía um sistema operacional e era operado de forma manual. Seu funcionamento era similar às calculadoras simples de hoje. O Eniac pesava 30 toneladas e tinha cinco metros de altura, 25 metros de comprimento e ocupava uma área de 180m². Ele contava com cerca de 18 mil válvulas a vácuo e 70 mil resistores. Esse computador foi utilizado por dez anos e ficou obsoleto. Entretanto, ele serviu de inspiração para a próxima leva de invenção de computadores. Figura 6 Mulheres com peças do computador Eniac O Eniac tinha as seguintes características: era extremamente volumoso e pesado; sua tecnologia tinha poucas funções; seu processo ainda era lento; dependia de um alto investimento; dependia de uma mão de obra cara; dependia de muitos operadores (cerca de 80 pessoas operavam a máquina); gerava um alto consumo de energia (tinha 200 mil watts de potência); gerava um alto custo no processo produtivo. 36 Uma das funções de destaque da época era a de operador de computador, no caso, do Eniac.

3 Tecnologia para Planejamento e Operações Logísticas De 1952 a 1960 A partir de 1952, os transistores substituíram as válvulas, o que tornou possível criar máquinas menores, mais rápidas e mais baratas. Além disso, essa nova tecnologia consumia menos energia (50 kwatts), o que reduzia os custos. A produção em série desses computadores começou a ser feita e, apesar de menores se comparados ao primeiro computador, eles ainda pesavam cerca de 3 toneladas, custavam US$ 200 mil e já podiam realizar operações mais rápidas, como 50 multiplicações por segundo. Esses computadores já eram comercializados à época e as grandes empresas já começavam a adquiri los. Sistema operacional Os procedimentos manuais realizados anteriormente já não eram necessários, pois os primeiros sistemas operacionais surgiram nessa época para automatizar essas tarefas. Os sistemas operacionais se constituíam via processamento batch. Os programas eram perfurados em cartões que eram lidos e gravados em uma fita de entrada. Essa fita, por sua vez, era lida pelo computador (um programa por vez) e seu resultado, processado em uma fita de saída. A evolução desse sistema em relação ao anterior está no fato de o processamento batch não depender mais de um operador para executar o programa, o que evita a ociosidade, já que ele tem um conjunto de rotinas para operações de entrada/saída e isso elimina a necessidade do programador. Acompanhe o processamento batch: a) JOB N JOB 1 JOB 2 Cartões perfurados b) Fita de entrada Processamento Processamento Fita de entrada Fita de saída c) Fita de saída Processamento Relatórios n Relatórios 2 Figura 7 Relatórios 1 Relatórios 37

4 Unidade II Em 1964, a IBM lançou a Série 360, que causou uma revolução na indústria de informática, pois já era possível oferecer a comercialização de computadores menores, mais potentes, mais fáceis de operar e com menor custo. Para essa série, o sistema operacional desenvolvido foi o OS/360, que atendia vários tipos de aplicações e periféricos. Durante esse período, foi desenvolvida pela DEC a linha PDP-8, altamente revolucionária por apresentar computadores considerados minicomputadores, se comparados aos mainframes até então existentes. As características do período indicam que havia: produção em série; maior desempenho operacional; maior capacidade de armazenamento; menor ocupação de espaço físico; menor custo; início da comercialização. De 1970 a 1980 Observação Uma das funções de destaque da época era o operador de processamento batch. Em 15 de novembro de 1971, a Intel lançou o primeiro microprocessador do mundo, o Intel 4004, que trabalhava com registradores de 4 bits e possuía transistores. Assim, a partir disso, a Intel prosseguiu com o desenvolvimento de processadores como o 8008 e 8080, utilizados em computadores pessoais. Os microprocessadores são utilizados em computadores pessoais chamados de CPU (Unidade Central de Processamento). A capacidade dos processadores é medida em Flops (instrução de ponto flutuante) de precisão simples, dupla ou quádrupla, e refere-se à quantidade máxima de instruções que podem ser executadas por segundo. 38

5 Tecnologia para Planejamento e Operações Logísticas As fitas foram substituídas pelos discos, o que tornou o processo mais eficiente, visto que a alteração na ordem de execução das tarefas era permitida. Até então ela se dava de forma sequencial. Sistema operacional Durante esse período, os sistemas operacionais ainda estavam limitados a processamentos que não exigiam interação com o usuário e o vídeo e o teclado foram inseridos aos terminais. Já existia também o sistema operacional da Unix, baseado no sistema Multics (Multiplexed Information and Computing Service) que inicialmente foi desenvolvido para o minicomputador PDP-7. Figura 8 Primeiro microprocessador modelo 4004 da Intel As características dos sistemas operacionais eram: inovação no conceito de computadores com microprocessadores; maior capacidade de armazenamento; maior capacidade operacional; facilidade de manuseio; facilidade de operação; redução de custo. De 1981 a 1990 Lembrete A evolução das tecnologias elimina ou cria novas funções. Uma das funções de destaque da época era a do operador de sistemas. A ideia dos computadores pessoais surgiu entre 1981 e 1990 e foi a tecnologia mais tendenciosa que prevaleceu até os dias de hoje. Esses computadores eram os microcomputadores PC (personal computer) de 16 bits, da IBM. 39

6 Unidade II Surgiram ainda nessa época as estações de trabalho (workstation), que permitiam o conceito de multitarefa por executar diversas tarefas concorrentes, e foram difundidas as redes de WANs (wide area network). Essa tecnologia especificamente possibilita o acesso a outros sistemas de computação independentemente da localização geográfica. Além disso, tivemos também o surgimento das primeiras redes locais (Local Area Network LANs), tecnologia que interliga áreas, e dos sistemas operacionais de rede, já que os softwares de rede passaram a estar relacionados aos sistemas operacionais. Sistema operacional Nessa fase, o sistema operacional era o DOS (Disk Operation System). Já no final dos anos 1980, a tecnologia dos computadores estava bem-evoluída e se fazia necessário o uso de sistemas operacionais e de novas soluções de sincronismo. O multiprocessamento possibilitou a execução simultânea de programas aliados aos múltiplos processadores, o que elevou a potência dos computadores. A partir de 1991 Com a evolução natural da sociedade, da economia e da globalização, a tecnologia cresceu a fim de aumentar a produtividade e a capacidade para atender as novas necessidades, reduzir custos, oferecer qualidade e estabelecer uma comunicação rápida e segura. Foi na década de 1990 que a tecnologia se estabeleceu e consolidou avanços importantes para a tecnologia futura, tais como: sistema operacional em interface gráfica (Windows, da Microsoft); linguagem de programação Java, da Sun Microsystems; sistema Linux; Intel trouxe inovações para a estrutura do computador pessoal, como o barramento PCI e o barramento serial universal (USB); processador Pentium, da Intel; popularização da world wide web (www) devido aos browsers do Netscape e do Internet Explorer; modems ISDN e DSL; popularização do uso de pessoal. Lembrete 40 Ainda na década de 1990, surgiram muitas tecnologias que influenciaram o avanço e a melhoria na produção, no comércio, na distribuição, na comunicação do planejamento e na operação logística.

7 Tecnologia para Planejamento e Operações Logísticas As principais tecnologias que surgiram nessa época estão relacionadas a seguir: pagers e PDAs; DVDs; crescimento da telefonia móvel (celulares); portais de comércio eletrônico, como Amazon, Mercado Livre e ebay. Exemplo de aplicação Observe o quadro a seguir e relacione a tecnologia à época em que ela ocorreu. Veja um exemplo de resolução: Evento XYZZ Período F Tenha como parâmetro a sequência de evolução da tecnologia para fazer a associação. No quadro, você terá os dados sobre a evolução da tecnologia da informação dispostos aleatoriamente. Coloque ao lado a referência do período em que ocorreu o evento (quadro 1), indicado pelas alternativas: a, b, c, d, e, f, g, h, i (quadro 2). É importante observar que o período pode se repetir, ou seja, o mesmo período pode ser utilizado em mais de um evento. Quadro 1 Evento 1) Uso de microprocessador em computadores pessoais (CPU) 2) Sistema operacional com processamento batch 3) Lançamento do computador (Z3) 4) Computadores sem válvulas e com menor volume, peso e consumo de energia 5) Surge a série 360, da IBM, oferecendo computadores mais potentes, mais fáceis de operar e com menor custo 6) Crescimento da telefonia móvel e surgimento do pager, do DVD e do comércio eletrônico 7) As fitas foram substituídas por discos, o que permitiu alteração na ordem de execução das tarefas, que até então eram feitas de forma sequencial 8) Processos feitos de forma manual e lenta 9) Surge o Eniac, computador extremamente pesado, volumoso e sem sistema operacional 10) Surge o sistema operacional com interfaces gráficas (Windows) 11) Surge o primeiro microprocessador Intel 4004, com 4 bits e maior capacidade de armazenamento Período 41

8 Unidade II Quadro 2 Períodos para associação com o Quadro 1 Resposta: a) 1940 b) 1941 c) 1946 d) e) 1960 f) 1964 g) 1971 h) 1980 i) 1990 Evento Uso de microprocessador em computadores pessoais (CPU) Sistema operacional com processamento batch Lançamento do computador (Z3) Computadores sem válvulas e com menor volume, peso e consumo de energia. Surge a série 360, da IBM, oferecendo computadores mais potentes, mais fáceis de operar e com menor custo Crescimento da telefonia móvel, surgimento do pager, do DVD e do comércio eletrônico As fitas foram substituídas por discos, o que permitiu alteração na ordem de execução das tarefas, que até então eram feitas de forma sequencial Processos feitos de forma manual e lenta Surge o Eniac, computador extremamente pesado, volumoso e sem sistema operacional Surge o sistema operacional com interfaces gráficas (Windows) Surge o primeiro microprocessador Intel 4004, com 4 bits e maior capacidade de armazenamento (h) (e) (b) (d) (f) (i) (h) (a) (c) (i) (g) Período 3.1 A transição para a tecnologia moderna A tecnologia avançou consideravelmente após a década de 1990, período em que ocorreram grandes mudanças no Brasil e no mundo nos aspectos econômicos, sociais e tecnológicos. Verifiquemos a seguir quais foram essas mudanças. Economia e política No Brasil, o confisco das poupanças causou instabilidade financeira no governo Collor. A estabilização só veio com a criação do Real, no governo de Itamar Franco, em 1994, que igualava a paridade da nova moeda nacional com o dólar. 42

9 Tecnologia para Planejamento e Operações Logísticas Nessa época, a inflação foi a maior da história no Brasil, conforme estudo feito pelo IBGE: 900% 800% 700% 600% 500% 400% 300% 200% 100% 0% 6% % 19% 40% / % / % 8,6% 7,6% 5,69% Figura 9 Índices da inflação O gráfico da inflação no Brasil entre 1930 e 2005 apresenta os seguintes dados: na década de 1930 = média anual inflacionária de 6%; na década de 1940 = média anual inflacionária de 12%; na década de 1950 = média anual inflacionária de 19%; nas décadas de 1960 e 1970 = média anual inflacionária de 40%; na década de 1980 = média anual inflacionária de 330%; entre 1990 e 1994 = média anual inflacionária de 764%; entre 1995 e 2000 = média anual inflacionária de 8,6%; 2004 = média inflacionária de 7,60%; 2005 = média inflacionária de 5,69% (IPCA) (limite máximo na meta oficial = 7%; objetivo do governo = 5,1%). A economia e a política tiveram alguns aspectos marcantes em âmbito mundial. Dentre eles, podemos citar a crise financeira dos países asiáticos, a Guerra do Golfo, o fim da Guerra Fria, o fim do apartheid etc. Apesar dos grandes fatos políticos, econômicos e sociais que marcaram a década de 1990, o campo tecnológico passou por fatos importantes e marcantes que foram divisores de água para todos os setores, inclusive para a logística. Podemos citar como os principais acontecimentos e criações na história da tecnologia durante a década de 1990 (muitas delas criadas ainda na década de 1980): 43

10 Unidade II 44 aumento significativo do uso da internet e popularização dos s; crescimento do comércio eletrônico; popularização do Microsoft Windows, especialmente após o Windows 95; desenvolvimento do sistema Linux; processador Pentium/Intel; uso da telefonia móvel (celular) de modo expandido; surgimento do CD e do DVD. Como foi possível observar, as tecnologias mais importantes que usamos atualmente surgiram ou tiveram seu surgimento baseado durante a década de Essas evoluções foram decisivas para o aparecimento de um consumidor mais exigente e de um mercado mais competitivo. Assim, o que vemos neste século é um consumidor que busca melhores preços, condições, prazos, qualidade e fabricantes. Logo, a essência dos objetivos logísticos é buscar oferecer tudo isso com custos reduzidos. Para isso, os Sistemas da Informação atuam como importantes ferramentas de apoio às atividades primárias da logística. Atualmente, a logística pode contar com um rol de ferramentas tecnológicas para o planejamento, implantação e controle dos processos logísticos. Há, por exemplo, os sistemas ERPs (Enterprise Resource Planning), que auxiliam nos processos administrativo e financeiro e nas tomadas de decisões. Além disso, existem as demais ferramentas de apoio nas diversas áreas que compõe uma empresa, como os estoques, os armazéns, a produção, os transportes, o RH etc. Conheceremos cada uma dessas ferramentas ao longo dos nossos estudos nesta disciplina, porém, antes, analisaremos a diferença que existe entre planejar, implantar e controlar os processos (especialmente os logísticos) com e sem a tecnologia. A partir disso, poderemos mensurar os impactos, os benefícios e até mesmo as desvantagens do aparato tecnológico. Analisemos, portanto, essa transição por setor, ou seja, vejamos como era cada área da logística na década de Na produção Na década de 1990, o modelo de produção em massa popularizado por Henry Ford e Taylor já não era predominante. Esse modelo ficou conhecido como produção do modelo Ford T e foi criado no século XX. Desde a década de 1980, as empresas já vinham utilizando gradativamente o modelo de produção enxuta, também conhecido como modelo de produção Toyota ou STP (Sistema Toyota de Produção), que teve seu uso intensificado já na mesma década.

11 Tecnologia para Planejamento e Operações Logísticas O Sistema Toyota de Produção surgiu logo após a Segunda Guerra Mundial, na década de 1950, no Japão, e foi criado por Toyoda Sakichi, Kiichiro Toyoda e Taiichi Ohno. Apesar disso, o sistema de produção em massa durou até aproximadamente a década de Nesse sistema, os lotes de produção são pequenos e, ao contrário do modelo fordiano, há a possibilidade de se variar os produtos no que diz respeito a cores, modelos, tamanhos e até mesmo personalizar um produto para o cliente. Esse modelo de produção também é conhecido como lean manufacturing (produção enxuta) e trabalha com o sistema de produção puxada. A produção puxada é quando se produz somente sob demanda, ou seja, a empresa já tem uma ordem, um pedido concretizado, e não antecipa a demanda, o que significa que ela trabalha sob encomenda. O Sistema Toyota de Produção, assim como o método de produção puxada e as filosofias de trabalho desenvolvidas por ele, é atualmente um modelo para as demais indústrias automobilísticas e para as empresas de outros segmentos. A aplicação do conceito não é limitada ao segmento automobilístico, ela tem êxito em todo tipo de negócio. Exemplo de aplicação Produção empurrada versus produção puxada A imagem a seguir busca ilustrar os dois modelos de produção em questão: Figura 10 Produção empurrada versus puxada A partir da observação dos dois modelos de produção, tente responder as questões a seguir: 45

12 Unidade II Dica: para responder as questões 2 e 3, se coloque no papel da empresa e tente identificar os motivos e benefícios que a produção puxada gerou. 1) Qual a diferença entre os dois métodos de produção no processo logístico? 2) Para você, quais os principais motivos que levaram as empresas a aderir ao método de produção puxada desde a década de 1980? 3) Quais os principais benefícios dessa mudança? Respostas: As respostas indicadas a seguir servem apenas como referência, ou seja, suas respostas não precisam ser idênticas às sugestões aqui expostas. Lembre-se que o importante é que você entenda o conceito abordado. Se a sua resposta for muito diferente da exposta, tente rever o conteúdo ou verificar se o conceito abordado é o mesmo em ambas. 46

13 Tecnologia para Planejamento e Operações Logísticas 1) A imagem mostra claramente a diferença entre as duas políticas de produção. Na produção empurrada, não há cliente no início do processo, ou seja, não há vendas. A primeira imagem é a do fornecedor, que representa a compra da matéria para iniciar a produção. Quando o produto ficar pronto, ele será oferecido ao mercado e haverá uma ação de vendas. A produção puxada mostra o processo inverso, pois é uma técnica completamente contrária à de se produzir antecipadamente. A primeira imagem é a figura do cliente, que representa uma venda antecipada à fabricação do produto. 2) A mudança para o modelo de produção puxada na década de 1980 se deu pelos seguintes motivos: redução de custo de estoque; dificuldade de se prever a demanda; pressão por redução de custo; necessidade de espaços físicos maiores; capital parado; clientes mais exigentes (especificações de variedades de cor, modelos etc.). 3) O que trouxe de benefício? redução de capital empregado em estoque; estoques reduzidos; redução de espaço físico; maior competitividade; atendimento personalizado pela fabricação de lotes menores. Saiba mais Para saber mais sobre a posição da empresa Toyota no mercado mundial, leia o texto indicado a seguir: MORA, R. Apesar de recalls, Toyota é líder mundial. IG Carros. 2 dez Disponível em: <http://carros.ig.com.br/noticias/apesar+dos+recalls +toyota+e+lider+mundial/2050.html>. Acesso em: 9 fev Além disso, visite o site <www.toyota.com.br>. 47

14 Unidade II Com o modelo de produção Toyota, surgem várias outras metodologias de trabalho não só em indústrias automotivas, mas em outras organizações. As metodologias mais conhecidas são: just in time, autonomação, Kanban e PokaYoke. Conheçamos um pouco mais sobre algumas dessas técnicas e metodologias de acordo com Taiichi Ohno (1988). Just in time (JIT) Slack (2002) afirma que o planejamento e controle just in time visa atender à demanda instantaneamente, com qualidade perfeita e sem desperdícios (SLACK, 2002, p. 481). Esse é um dos pilares do STP. O JIT é um sistema de administração da produção que não permite de forma alguma antecipar a demanda para comprar, produzir ou transportar. Ou seja, ele atende a demanda na hora exata somente depois de já ter uma venda concretizada. Com essa técnica, a empresa reduz significativamente os estoques e o espaço físico, já que a matériaprima adquirida é suficiente para a produção necessária e só é entregue no momento de se produzir ou montar. Segundo Slack (2002), podemos descrever a abordagem JIT como: manufatura enxuta; manufatura de fluxo contínuo; manufatura de alto valor agregado; produção sem estoque; guerra ao desperdício; manufatura veloz; manufatura de tempo de ciclo reduzido. a) Abordagem tradicional: os estoques separam os estágios Estágio A Estoque amortecedor Estágio B Estoque amortecedor Estágio C Figura 11 48

15 Tecnologia para Planejamento e Operações Logísticas b) Abordagem JIT: as entregas são feitas contra a solicitação Estágio A Estágio B Estágio C Entregas Entregas Figura 12 A figura anterior aborda muito bem a diferença do planejamento e controle da produção com e sem o método JIT (just in time). Sem os estoques amortecedores entre cada etapa do processo, tudo muda completamente. No modelo (a), a abordagem tradicional busca cobrir possíveis distúrbios para não prejudicar a produção. Dessa forma, os estoques separam as fases do processo e são representados como estoques amortecedores, de acordo com a imagem. Esse tipo de estoque atua como equilíbrio entre um estágio e outro, por isso ele é denominado amortecedor. Já no processo (b), temos a abordagem JIT, que vê os estoques como algo negativo que pode vir a criar problemas. Slack (2002) vê o estoque como se fosse o nível de água no leito de um rio, no qual os problemas são representados por pedras. Quanto menor o nível da água, ou seja, do estoque, maior a possibilidade de enxergar os problemas representados pelas pedras no rio. Dessa forma, o barco, que pode representar a empresa, corre maior risco com os níveis de água (estoque) altos, que impossibilitam ver as pedras (problemas). A relação de Slack (2002) retrata bem a complexidade de se ter estoques altos. Os problemas são cobertos pelos altos índices de itens estocados e isso se reflete em várias áreas da empresa, o que causa disfunções em toda a cadeia de valor e compromete o resultado das vendas e o nível de serviço. Portanto, a filosofia JIT não adota a prática de estoques entre os estágios dos processos. Kanban O sistema Kanban é uma das variantes mais conhecidas do JIT (REIS, 2008). Observação A palavra kanban é de origem japonesa e quer dizer registro ou placa. 49

16 Unidade II Essa metodologia faz uso de cartões, caixas ou outra forma de sinalização com luz para identificar determinados níveis de estoque. Ela pode emitir um alerta para a produção ou a movimentação de matérias-primas, embalagens ou até mesmo de produtos acabados (PAs). Os cartões são coloridos e cada um deles indica uma informação quanto aos níveis de estoque e o grau de urgência da reposição. Os cartões são colocados do verde ao vermelho. verde: corresponde ao lote e define o nivelamento da produção. Quando há cartões na faixa verde, isso significa que não há necessidade de produzir novas peças; amarelo: corresponde à resposta do fornecedor e ao tempo de reposição da peça. Essa fase significa que há a necessidade de iniciar a produção de itens; vermelho: corresponde ao nível de segurança, ou seja, o cartão vermelho indica o nível para que não falte produtos enquanto aguarda-se a entrega. O tempo de produção durante a fase amarela não deve ultrapassar a faixa vermelha, visto que, nessa fase, o estoque não deve ser modificado, ou seja, ele é uma segurança para eventuais problemas de entrega do fornecedor. Assim, o estoque de cada peça ou item é dividido em três fases nas respectivas cores. À medida que os cartões são utilizados, a fase muda. Assim, quando o quadro está cheio, há a indicação de que os estoques estão vazios. Para se fazer uso do sistema Kanban, é necessário determinar os parâmetros de reposição, ou seja, a quantidade de cada peça em cada nível de estoque. Os níveis são calculados de acordo com a demanda diária versus o tempo de reposição pelo fornecedor (lead time). Além disso, é preciso definir para quantos dias se quer o estoque já que o ponto de pedido é encontrado a partir desse cálculo e qual será o estoque de segurança, ou seja, a quantidade de peças para um determinado número de dias, levando em conta o tempo de entrega pelo fornecedor. O estoque de segurança não é contabilizado. O estoque mínimo é exatamente o ponto que marca a necessidade de se fazer um novo pedido e ele ser entregue pelo fornecedor sem que haja a necessidade de invadir o estoque de segurança, que só é utilizado quando há algum imprevisto em relação ao fornecedor. Algumas empresas ainda utilizam outras cores de cartões Kanban de acordo com suas necessidades de controle de estoques em outros níveis. O Kanban apresenta as seguintes características: 50 sistema visual e bastante simples; baixo investimento; flexibilidade de resposta ao cliente;

17 Tecnologia para Planejamento e Operações Logísticas controle de estoque e produção praticamente em tempo real; é utilizado para apoiar a produção puxada JIT; evita reduções drásticas no estoque; evita problemas com atrasos (lead time); é flexível a qualquer segmento empresarial; independe da tecnologia (ERP) utilizada pela empresa; dá instrução para que a fase anterior providencie o envio de material; usa a ferramenta para kaizen (técnica de aprimoramento contínuo); pode ser utilizada em qualquer processo, independemente de ser ou não produtivo ou da área logística. Autonomação O sistema de autonomação também é conhecido como automação inteligente. Nesse sistema, antes de produzir, a máquina executa funções de supervisão que previnem defeitos na peça e ainda trabalha para que os erros não se repitam. Além disso, ela elimina superproduções por meio do princípio de jidoka, no qual a máquina para e interrompe a linha de produção se ocorrer qualquer anormalidade. PokaYoke O PokaYoke é um método utilizado para detectar defeitos na produção depois que ela ocorre. Com o dispositivo acionado, ele soa um alarme quando há algum problema detectado. Ele pode ser usado de duas formas na detecção de erros: método de controle: ao sinal do problema, a máquina para de forma que o problema seja corrigido; método de advertência: quando o dispositivo é ativado, o trabalhador operário é alertado por meio de um som ou uma luz quando ocorrer algum problema. Considerações finais sobre a produção enxuta É fácil notar por que o método de produção enxuta desenvolvido pelo Sistema Toyota de Produção e suas ferramentas, técnicas e filosofias trouxeram benefícios tanto para quem produz como para quem compra. Para o fabricante, o mais interessante é a possibilidade de atender o cliente na medida certa, na hora certa e no custo desejável. Com a produção enxuta, ele tem grandes vantagens. 51

18 Unidade II Além das vantagens já relatadas, o fabricante ainda conta com: a precisão na distribuição física, que é alinhada à necessidade do cliente; a redução de incertezas de demanda; a redução dos custos operacionais; um maior controle dos inventários. Para o distribuidor, os principais benefícios foram: receber na quantidade desejada, sem ter que dispor de espaço físico para armazenagem; ter um recebimento programado alinhado à necessidade de reposição na loja; desembolsar investimentos de forma gradativa, conforme a necessidade; ter a possibilidade de obter uma maior variedade de produtos sem ter que comprar grandes quantidades. Na cadeia de suprimentos em geral, há vantagens em todos os elos, inclusive para o consumidor final, que, ao fim do processo e por meio de uma produção enxuta, pode ter um produto: de forma mais rápida; com maior qualidade; com menor preço; com maior variedade; personalizado. Case: a flexibilidade ajuda o just in time na L Oréal A L Oréal Cosmetics é agora o maior grupo mundial de cosméticos e artigos de toalete, com presença em mais de 140 países. No Reino Unido, suas instalações de m² produzem linhas de produtos, num ambiente absolutamente limpo que se compara a uma fábrica da indústria farmacêutica em termos de higiene, segurança e qualidade. A fábrica tem 55 linhas de produção, 45 diferentes processos produtivos e os sistemas de manufatura empregados são de tal flexibilidade que permitem que cada uma das linhas de produtos seja produzida a cada dois meses isso significa mais de 150 diferentes linhas a cada semana. Contudo, a fábrica não foi sempre assim tão flexível. Ela foi forçada a ampliar sua flexibilidade pela necessidade de despachar 80 milhões de itens a cada ano. O trabalho logístico envolvido na aquisição, produção, armazenamento e distribuição desse volume e variedade de produtos levou-a a seu atual foco de introduzir os princípios JIT nos processos de manufatura. Para auxiliar seu esforço rumo à flexibilidade e à produção just in time, a L Oréal organizou seu complexo em três centros de produção, cada um deles autônomo e 52

19 Tecnologia para Planejamento e Operações Logísticas focalizado em famílias técnicas de produtos. O responsável por todas as atividades de sua área é o gerente de produção. Também é de sua responsabilidade o desenvolvimento, o treinamento e a motivação do pessoal dentro dos centros de produção, focalizados em grupos de aprimoramento que têm trabalhado na melhoria da flexibilidade, da qualidade e da eficiência do chão de fábrica. Um dos projetos reduziu os tempos de set-up 1 na linha que produz colorações para cabelo de 2,5 horas para apenas oito minutos. Esses novos tempos de troca permitem que a empresa agora possa utilizar lotes menores, o que lhe dá a flexibilidade necessária para atender a seus mercados just in time. Antes da redução no tempo de set-up, o tamanho do lote era de unidades, agora, lotes de a unidades já podem ser produzidos a custos viáveis (SLACK, 2002). Saiba mais Para saber dados mais recentes sobre a posição mundial da L Oréal, leia: FERNANDES, D. O Triunfo da L Oréal. IstoÉ Dinheiro, São Paulo, 3 maio Disponível em: <http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/15113_ O+TRIUNFO+DA+LOREAL>. Acesso em: 15 mar Exemplo de aplicação Discutindo o case Após a leitura do case anterior, é interessante discutirmos sobre algumas questões relacionadas ao tema. Avalie o estudo de caso da L Oréal, responda as questões e compare suas respostas com as resoluções sugeridas: 1) Qual foi o papel do JIT na mudança dos processos da L Oréal? 1 Set-up é o tempo de troca de ferramentas, equipamentos, programas etc. entre um processo e outro. 53

20 Unidade II 2) Se você pudesse ter todos os tempos de troca da fábrica reduzidos, que efeito isso teria para o estoque? 3) Como a L Oréal conseguiu reduzir seu set-up? Respostas 1) O JIT proporciona uma redução de estoques e uma alta rotatividade dos itens, de forma que a L Oréal consegue produzir linhas diferentes a cada dois meses, o que significa fabricar 150 linhas diferentes por semana. Só a filosofia JIT proporciona um giro tão rápido como esse. 2) A redução de troca dos produtos na linha de coloração para cabelos da L Oréal foi de 2,5 horas para oito minutos. Isso também se reflete no aumento do giro de estoque e na diminuição da perda nos set-ups. Dessa forma, os itens são colocados em produção muito mais rapidamente. Se esse benefício se estender em todas as 55 linhas de produção da empresa, os reflexos nos resultados finais seriam surpreendentes. 3) Os set-ups demandam muito tempo na troca de equipamentos, limpeza e outros procedimentos na linha de produção. Com a metodologia JIT, a produção é enxuta e feita sob encomenda. Como não há estoques amortecedores entre os estágios, os set-ups são significativamente reduzidos. 54

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